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Leitura da literatura      juvenil:por quê? Para quê?
Ana Mariza Ribeiro Filipouski - 2012OOO             www.gipeonline.com.br          2
The fantastic flying books of Mr. MorrisLessmore  Um fato curioso: antes de ser premiado, foi lançado como livro  digital ...
O curta revela paradigmas típicos da            contemporaneidade :• aponta para problemas complexos (não mais simples);• ...
Por que a literatura (juvenil)precisa considerar essesparadigmas? porque ler é interagir: o ato de ler implica  diálogo e...
ESSA RELAÇÃOCONCRETIZA A FUNÇÃOSOCIAL DA LEITURA       www.gipeonline.com.br   6
O que faz a escola hoje a esse          respeito?           www.gipeonline.com.br   7
Para que ler                             literatura? para constituir repertório de leitura, ouhistória de    leitor (favo...
A quem compete favorecer a leitura         literária de jovens? à escola, cuja função, entre outras, é ampliar a cultura ...
Práticas pedagógicas em literatura: o  que ler? Para que ler? Como ler?• Ler para estabelecer relações com as situações   ...
Práticas pedagógicas em literatura: o  que ler? Para que ler? Como ler?• Ler para explorar as potencialidades de uso da  l...
Conceitos estruturantes do trabalho com literatura          www.gipeonline.com.br   12
Tradição e ruptura       - instrumentalizam para a compreensãodos textos a partir do lugar e da época em queforam produzid...
Estranhamento      -    alarga o horizonte de expectativas doleitor e permite compreender outro modo de ver;        - opor...
Intertextualidade             (diálogo entre textos)      -    favorece o reconhecimento de que todo otexto é um mosaico d...
Como a literatura juvenil revelapreocupação com ler a partir de novos            paradigmas?    O exemplo de A invenção de...
O autorBrian Selznick nasceu em East Brunswick,Nova Jersey, e se formou na Escola deDesign de Rhode Island.  É autor premi...
A obra/sinopse: Paris, anos 30. Hugo Cabret vive                              clandestinamente na estação de trem. Esgueir...
A contextualização da                                    leitura• http://www.theinventionofhugocabret.com/index.htm  Na pá...
Aspectos relevantes da obra   • Breve introdução (situação inicial): um     narrador onisciente (prof. H. Alcofrisbas) sug...
Aspectos relevantes da obraParte 1/ cap 1: O ladrão: 44 páginas de narraçãopor imagens que retomam o que um narradoronisci...
A linguagem• é hibrida: envolve imagem e palavras, remete aosquadrinhos, à literatura, ao cinema;• é familiar ao destinatá...
A narrativa • à medida que evolui, a trama remete à realidade (a história de Georges Méliés, 1861-1938), e propõe à discus...
A narrativa• ao simular histórias de vida para apresentar aspectos do real,cria personagens complexos, imersos em problema...
A experiência de leiturapode ampliarconhecimentos:• remeter a outras leituras sobre o contexto (pesquisas arespeito do tem...
A experiência de leiturapode:• dar concretude à interação proposta pela leitura:   a) através da criação de fóruns de disc...
SínteseA unidade propõe, então, que se realize a função da leitura deliteratura (juvenil):Ler para estabelecer relações co...
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  1. 1. Leitura da literatura juvenil:por quê? Para quê?
  2. 2. Ana Mariza Ribeiro Filipouski - 2012OOO www.gipeonline.com.br 2
  3. 3. The fantastic flying books of Mr. MorrisLessmore Um fato curioso: antes de ser premiado, foi lançado como livro digital interativo para iPad, e chegou ao primeiro lugar entre os mais vendidos na loja da Apple em 2011. www.gipeonline.com.br 3
  4. 4. O curta revela paradigmas típicos da contemporaneidade :• aponta para problemas complexos (não mais simples);• para uma forma de organização autônoma (não maishieráquica);• para uma visão de mundo fragmentária (não maisdeterminista);• para uma perspectiva temporal causal (não mais linear);• para uma realidade contextual (não mais objetiva);• para uma visão de espaço globalizadora (não maislocalizada). www.gipeonline.com.br 4
  5. 5. Por que a literatura (juvenil)precisa considerar essesparadigmas? porque ler é interagir: o ato de ler implica diálogo entre sujeitos históricos; leitura desenvolve competências para compreender o texto como manifestação de um ponto de vista autoral, assumido a partir de determinado contexto histórico (visão e valores expressos no texto); leitura supõe uma atitude responsiva,estrutura respostas ao texto por meio de novas ações, de linguagem verbal ou não (recepção ativa). www.gipeonline.com.br 5
  6. 6. ESSA RELAÇÃOCONCRETIZA A FUNÇÃOSOCIAL DA LEITURA www.gipeonline.com.br 6
  7. 7. O que faz a escola hoje a esse respeito? www.gipeonline.com.br 7
  8. 8. Para que ler literatura? para constituir repertório de leitura, ouhistória de leitor (favorece a intimidade com os textos, o hábito de ler a partir do gosto pessoal e oportuniza socializar seus achados de modo a poder influenciar outros leitores em formação; para exercitar formas de aprofundamento e qualificação da história de leitor (relacionar coma série literária, problematizar temas e soluções de linguagem encontrados pelo texto, experimentando www.gipeonline.com.br 8
  9. 9. A quem compete favorecer a leitura literária de jovens? à escola, cuja função, entre outras, é ampliar a cultura escrita dos estudantes, atribuindo novos sentidos ao letramento em suas vidas, já que ele integra as mais variadas práticas sociais contemporâneas; às práticas pedagógicasorganizadas (planejamento de tarefas de leitura com finalidade reconhecível e compatível com o gênero estudado), que tornam o ato de ler uma atividade de construção de sentidos e recuperam a função social da leitura. www.gipeonline.com.br 9
  10. 10. Práticas pedagógicas em literatura: o que ler? Para que ler? Como ler?• Ler para estabelecer relações com as situações de produção e recepção: elementos do contexto social, do movimento literário, do público, da ideologia, etc;• Ler para estabelecer relações com outros textos, verbais e não verbais, literários e não literários, da mesma época ou de outras, colocando-os em interação e diálogo; www.gipeonline.com.br 10
  11. 11. Práticas pedagógicas em literatura: o que ler? Para que ler? Como ler?• Ler para explorar as potencialidades de uso da linguagem literária, condição para produzir sentidos e adquirir uma cultura integradora das dimensões humanista, social e artística, que valorizam as noções de diacronia e sincronia, ou seja, as relações com a série literária (que envolve a história de leitor) e a capacidade de perceber uso artístico da linguagem (fruição). www.gipeonline.com.br 11
  12. 12. Conceitos estruturantes do trabalho com literatura www.gipeonline.com.br 12
  13. 13. Tradição e ruptura - instrumentalizam para a compreensãodos textos a partir do lugar e da época em queforam produzidos ; - fortalecem a construção de uma históriapessoal de leitor, pois habituam a estabelecerrelações a partir do que as obras são capazes dedizer para um leitor atual; - legitimam leituras produzidas em outrostempos ou contextos. www.gipeonline.com.br 13
  14. 14. Estranhamento - alarga o horizonte de expectativas doleitor e permite compreender outro modo de ver; - oportuniza, do seguro lugar do leitor,vivenciar experiências radicais da vida humana, apartir da linguagem e por meio da ficção; - investe na ampliação da humanidade pelafruição estética; www.gipeonline.com.br 14
  15. 15. Intertextualidade (diálogo entre textos) - favorece o reconhecimento de que todo otexto é um mosaico de citações; - assegura, a um só tempo, renovação einteração com o que já existe; - supõe ultrapassar a compreensão lineardo texto e lançar mão da história pessoal deleitura para atribuir sentido à produção simbólicaconstituída por um novo texto. www.gipeonline.com.br 15
  16. 16. Como a literatura juvenil revelapreocupação com ler a partir de novos paradigmas? O exemplo de A invenção de Hugo Cabret (Brian Selznick. São Paulo: SM Editora, 2011.) www.gipeonline.com.br 16
  17. 17. O autorBrian Selznick nasceu em East Brunswick,Nova Jersey, e se formou na Escola deDesign de Rhode Island. É autor premiado de literatura infantojuvenil. Selznick reconhece que encontrou a inspiração para criar o mundo de Hugo Cabret depois de ler Edison´s Eve: A Magical History of the Quest for Mechanical Life, de Gaby Wood, texto que contava a história de uns complicados homens mecânicos de corda que foram doados a um museu de Paris. A coleção fora abandonada em um sótão bagunçado e, por acaso, jogada no lixo. O autor então imaginou como seria se um garoto encontrasse as máquinas quebradas e enferrujadas e criou Hugo e sua história. www.gipeonline.com.br 17
  18. 18. A obra/sinopse: Paris, anos 30. Hugo Cabret vive clandestinamente na estação de trem. Esgueirando-se por passagens secretas, o menino cuida dos relógios do lugar. Ele precisa manter-se invisível porque guarda um segredo. Descoberto pelo dono da loja de brinquedos próxima e por sua afilhada, todos os seus planos correm risco. Um valioso caderno, uma chave roubada, uma mensagem cifrada e um passado esquecido estão no centro dessa aventura. A obra oferece uma diferente experiência de leitura. Seu autor compôs a trama com textos e ilustrações que desenvolvem a história como em uma storyboard de cinema. A interação entre realidade e a ficção oportuniza que o leitor adquira novos conhecimentos.A obra recria uma época-chave da história da humanidade: a industrialização européia, oauge das ferrovias, os funcionamentos de mecanicismos das máquinas (aplicado àsartes, à mágica, à relojoaria) e o surgimento do cinema.Considerada uma obra-mestra pela crítica mundial, foi publicada em 2007 pelaScholastic, mesma editora do Harry Potter nos Estados Unidos, e vendeu 300 milexemplares em três meses. Adaptada para o cinema por Martin Scorsese, tem agradadoos espectadores e recebeu 5 Prêmios Oscar em 2012 (efeitos visuais, fotografia, direçãode arte, edição de som e mixagem de som). www.gipeonline.com.br 18
  19. 19. A contextualização da leitura• http://www.theinventionofhugocabret.com/index.htm Na página oficial inglesa lê-se uma entrevista com Brian Selznick e há fotos que o autor tirou em Paris quando visitou a cidade para escrever o livro e conhecer a vida de Georges Méliés.• http://www.melies.eu site oficial em homenagem a Méliés. Além de informações sobre vida e obra, disponibiliza alguns curtas.• http://www.edicoessm.com.br/hugocabret/links.html Também é interessante visualizar a página da editora SM e pesquisar nos links que ela oferece, especialmente remetendo à foto de um acidente ferroviário na Estação de Montparnasse que ilustra um sonho de Hugo, à história dos homens mecânicos, que tem um importante papel na obra e ao estudo do ilusionismo. www.gipeonline.com.br 19
  20. 20. Aspectos relevantes da obra • Breve introdução (situação inicial): um narrador onisciente (prof. H. Alcofrisbas) sugere ao leitor que simule estar numa sala de cinema, no início de um filme. Alude ao movimento de uma câmera, que começa em plano geral (situa no tempo – o sol vai nascer; no lugar - uma cidade/ Paris/ uma estação de trem/Montparnasse e vai focando um menino, Hugo Cabret, até mostrá-lo em primeiro plano. Sugere que o leitor o siga “porque ele está cheio de segredos na cabeça, esperando que sua história comece”. www.gipeonline.com.br 20
  21. 21. Aspectos relevantes da obraParte 1/ cap 1: O ladrão: 44 páginas de narraçãopor imagens que retomam o que um narradoronisciente apresentou e dá seguimento ànarrativa, desenvolvendo aspectos relativos aosegredo e introduzindo outro personagem: umvelho que trabalha em uma loja de brinquedos e éobservado por Hugo. p. 46 – narrativa escrita, curta e ágil, que detalha ponto de vista de Hugo e sua relação com o velho. Introduz outra personagem (uma menina, observada por Hugo) e refere ainda o guarda de estação, temido por ele. Coloca Hugo e o velho em conflito e apresenta um objeto que passa a ser disputado por ambos: um caderno de notas, guardado pelo menino e que perturba o velho. O objeto é examinado pelo velho e seu conteúdo é informado ao leitor através de imagens que se misturam às páginas escritas. www.gipeonline.com.br 21
  22. 22. A linguagem• é hibrida: envolve imagem e palavras, remete aosquadrinhos, à literatura, ao cinema;• é familiar ao destinatário/leitor, predispondo-o a ler;• o recurso (característico da literatura contemporâneadestinada a jovens e a adultos (ver Diário de um Banana, deJeff Kinney, ou Daytripper, de Fábio Moon e Gabriel Bá);• rompe com o cânone tradicional daliteratura, vinculando a leitura aseu tempo e desafiando o jovem acontinuar a ler. Pela linguagem,enreda o leitor na narrativa atualiza ointeresse pelo passado. www.gipeonline.com.br 22
  23. 23. A narrativa • à medida que evolui, a trama remete à realidade (a história de Georges Méliés, 1861-1938), e propõe à discussão do que há de verdade e de ficção no enredo. Isso supõe a possibilidade de discutir uma das funções da literatura: dar a conhecer um contexto social (a virada do século XIX/XX), especialmente os aspectos culturais e científicos, de um grande centro urbano da época.• por ser ficção, recorre à caracterização de umtempo determinado (simbologia do relógio,objeto que supõe o domínio do seu mecanismode funcionamento), num espaço definido(estação de trem, transporte que representa, naépoca, progresso e encurtamento do espaço,mediado pelo tempo )– não é à toa que tempo eespaço são aspectos descritivos da narrativa. www.gipeonline.com.br 23
  24. 24. A narrativa• ao simular histórias de vida para apresentar aspectos do real,cria personagens complexos, imersos em problemas quefazem sentido ainda na contemporaneidade (as relaçõesafetivas, os vínculos pessoais com traumas do passado e anecessidade de resolvê-los para poder crescer), oportunizando,do seguro lugar do leitor, vivenciar experiências radicais da vidahumana, a partir da linguagem e por meio da ficção.• ao ser lida por jovens, dá acesso aconhecimentos sobre o passado, alarga ohorizonte de expectativas do leitor epermite compreender outros tempos, outromodo de ver o mundo (o contexto). www.gipeonline.com.br 24
  25. 25. A experiência de leiturapode ampliarconhecimentos:• remeter a outras leituras sobre o contexto (pesquisas arespeito do tempo, das personagens reais presentes na trama,das máquinas e de sua influência na vida de época (trens,brinquedos, mágicas, etc);• remeter a outras obras literárias e explorar outros tempos econtextos representados pela ficção (Mark Twain e Asaventuras de Tom Sawyer, e outros).• propor a discussão do suporte utilizado para criar: filme oulivro? No livro, a imagem tem que finalidade? Ela aproxima oudistancia do leitor? Ela facilita ou complexifica a leitura? www.gipeonline.com.br 25
  26. 26. A experiência de leiturapode:• dar concretude à interação proposta pela leitura: a) através da criação de fóruns de discussão e difusão dos achados sobre a época retratada no texto (relato oral, ou em suporte a ser socializado em forma de pôster, painel, blog etc); b) pelo registro escrito, em forma de resenha crítica, criação de cadernos temáticos que documentem todo o processo de leitura, as relações de intertextualidade, a apropriação de conhecimentos e a ampliação das competências de leitura literária. www.gipeonline.com.br 26
  27. 27. SínteseA unidade propõe, então, que se realize a função da leitura deliteratura (juvenil):Ler para estabelecer relações com as situações deprodução e recepção: dá conta do contexto social da épocaretratada com recursos que interessam o leitor hoje.Ler para estabelecer relações com outros textos:relaciona literatura e HQ, explora recursos de linguagem atuais,abre perspectiva para outras artes, colocando-as em interaçãoe diálogo. www.gipeonline.com.br 27
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