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Este documento é um registro síntese dos trabalhos no Encontro Nacional da AMB – ENAMB 2011. A nossa intenção é que rapidamente ele chegue às mãos de todas as participantes do ENAMB e também em todas …

Este documento é um registro síntese dos trabalhos no Encontro Nacional da AMB – ENAMB 2011. A nossa intenção é que rapidamente ele chegue às mãos de todas as participantes do ENAMB e também em todas as militantes da AMB e agrupamentos estaduais que não tiveram a possibilidade de estar em Brasília, no Centro Comunitário da UnB, de 30 de março a 02 de abril.

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  • 1. Memória ENAMB 2011 II Encontro Nacional da Articulação de Mulheres BrasileirasBrasília - DF 30 e 31 de março, 01 e 02 de abril de 2011
  • 2. ˜A Corpos, cores e coros anunciam tambores e reinventam o mundo... Encontro Nacional da Articulação de Mulheres Brasileiras - ENAMB 2011 Pelo feminismo Assim elas deram as caras No vai e vem Deram as costas das cores e gestos COMISSÃO ORGANIZADORA COMISSÃO DE INFRAESTRUTURA Deram as pontas e Entre faixas e cartazes Coordenação Nacional: Guacira C. Analba Brazão, Angélica Mendes, Karen Deram os meios Microfones e adornos Oliveira, Maria das Graças Costa, Nelita Lúcia, Lan Matos e Leila Regina Lopes Ocuparam a multidão Cabelos, frases e tiaras Frank, Maria Gavião, Rogéria Peixinho, Rebouças Ora perplexa Reuniões e anotações Silvia Camurça e Schuma Schumaher Por vezes, sorridente O dia ameaçava enfado Secretaria Executiva: Analba Brazão, COMISSÃO DE FINANÇAS Pero, atenta Mas eis que chega a noite Elizabeth Ferreira, Maria Lúcia Lopes de Analba Brazão, Elizabeth Ferreira, Guacira Foi assim na rodoviária A das mulheres livres Oliveira e Rogéria Peixinho (interina) C. Oliveira, Maria Lúcia Lopes de Oliveira, Como se fôssemos A carne pra muito além de si Silvia Camurça e Schuma Schumaher todas Cristinas Agora somos todas Liliths COMISSÃO DE METODOLOGIA Analba Brazão, Carmen Silva, Cristiane COLETIVO DE COMUNICAÇÃO Nos entrementes dos discursos Os corpos livres Faustino, Elizabeth Ferreira, Jolúzia Batista, Aline Baima, Cláudia Gazola, Cristina Lima Da denúncia na voz organizada Anunciavam liberdade Luciana Cândido Barbosa, Maria Lúcia Daiany Dantas, Eunice Borges, Iayna Rabay, Entre uma mesa e outra Neles, Lopes de Oliveira, Schuma Schumaher e Gina Albuquerque, Priscilla Caroline de Entre um tema e outro Mulheres libertas Silvia Camurça Sousa Brito e Gê Entre uma e outra dispersão Ritmos, tambores Pela ansiedade do encontro E cantos E suas possibilidades A ciranda se fez feminista Pela rebeldia de lá estar Éramos uma Memória ENAMB 2011 Momentos havia Éramos muitas Redação Final: Carmen Silva, Cristiane Edição: Cristina Lima (DRT/RJ 31519/99) - Cunhã Em que éramos Éramos todas Faustino, Rivane Arantes, Silvia Camurça, Editoração Eletrônica: Cristina Lima, com base todas Domingas... Verônica Ferreira e Analba Brazão em projeto gráfico de Ars Ventura Imagem e E Domingas éramos todas nós Revisão: Aline Baima, Luciana Cândido Barbosa Comunicação e Maria Lúcia Lopes de Oliveira Cristiane Faustino Fotografias: Cláudia Gazola, Gê e Priscilla Impressão: Engegraf Caroline Brito Tiragem: 1.000 exemplares 3
  • 3. e desigualdades. Por isso, nossa captar estes momentos e nos brin-A expressão do nosso expressão pública exige de nós dou com as imagens que abriram a nossa festa: mulheres pensati-feminismo distintas formas de manifesta- ção. Isso foi muito estimulado no vas, dançantes, calorentas, lendo, ENAMB, a começar pela oficina debatendo, cochilando... mulheres de adereços e palavras de desor- participando! Construindo o nos- dem que preparou a manifestação so feminismo no aqui e agora de De longe se vê as cores agita- na rodoviária de Brasília no primei- nossas possibilidades reais, comodas descendo e subindo as esca- ro dia do Encontro. o nosso jeito de estar no mundo edarias da rodoviária de Brasília. Na noite de abertura, com a de fazer o impossível para mudarNas portas dos quiosques, pesso- apresentação dos agrupamentos o mundo.as param para ver a multidão que de mulheres vindos de todos os A estética da AMB é orientadafervilha. Umas são jovens, outras estados, tivemos outro momento pela ética que rege o nosso pro-nem tanto, algumas brancas, a de viver a força criativa do nosso jeto político. Não é possível paramaioria negras, umas amazôni- movimento. Nossas lutas ficaram nós nos expressarmos de formadas, outras nordestinas, mas tem visíveis a partir das ênfases dadas a contradizer o nosso anseio demulheres que chegaram de todos por cada fórum estadual na hora liberdade. A nossa perspectivaos lugares do Brasil. Elas cantam, de apresentar criativamente o mo- de autonomia exige criatividade.gritam, batem tambores, apitam. A vimento em seu estado. Apesar do Queremos criar um mundo novo aideia é exatamente esta: chamar cansaço, a fruição da beleza calou partir de um novo modo de fazeratenção para as mulheres, suas Foto: Gê mais forte em nossos corações. movimento, que ajude a gente, alutas por direitos, sua diversidade, Foi bom ver a força das mulheres cada uma de nós a nos recriarmosseus modos de vida, seus amores vindas de diferentes contextos, do a cada dia, deixando de lado estae suas dores. Desta forma a AMB estadual decide, de acordo com a campo e das cidades, das flores- imposição de ser o que os outrosmarcou o início do encontro, como análise que faz do seu contexto, tas e do litoral, trazendo para a querem que a gente seja. Sendouma ação de rua nacional, na ca- qual luta prioriza, de quais ações roda as suas bandeiras, os seus nós mesmas, com todas as con-pital da República, expressando participa, e como encaminha as chapéus, as suas músicas e dan- tradições e dúvidas que tenhamostodas as nossas lutas, de forma coisas no seu local de atuação. ças. Todas mostraram como está que carregar, mas sem ninguém acontundente e alegre, como são Buscando coerência com este jei- se construindo este feminismo de- decidir nosso caminho.em geral as nossas mobilizações to de ser, as nossas mobilizações mocrático e popular que marca a Costumamos conversar nosrealizadas pelos agrupamentos não poderiam ser padronizadas. nossa experiência na AMB. atos públicos que fazemos algu-em cada estado. A expressão do nosso feminis- 2 Durante os dois dias que se mas de nós, e nos pomos a di- A AMB tem um modo de se mo, nas manifestações públicas, seguiram, os debates em plená- vagar sobre o que é isso que nosorganizar e atuar que prima pela busca ser diversificada, colorida rio foram entremeados por nossas move para a transgressão, paraautonomia e liberdade das mulhe- e criativa. Atuamos com foco na expressões artísticas: poesias, não aceitar o estabelecido, parares que dela participam, e também ideia de que nós mulheres vive- performances, cartazes, músi- procurar sempre um pouco mais,dos grupos e fóruns. As nossas mos em comum uma situação cas, danças, batucadas...ou tudo para querermos sempre gerarlutas são organizadas nacional- de dominação e exploração, mas ao mesmo tempo. O pessoal da movimentações que digam alémmente, mas cada agrupamento que entre nós existem diferenças comunicação do ENAMB soube do que está dito. É esta estética4 5
  • 4. feminista que nos permite fazer circulares. Somos mulheres cons-movimento e, ao mesmo tempo, truindo um mundo onde possamos Enamb 2011fluir o movimento, gostar de estarjunto, de denunciar o que sofre- viver em liberdade! Em roda, encerramos o nosso Carta de Princípiosmos, de expressar nossas ideias, encontro, com a ciranda de umde rir de nossos próprios erros, feminismo encarnado, com osmas, especialmente, nunca parar tambores na batida de nossa pul- 1 O Encontro Nacional da AMB é um Encontro em nome próprio, inscritas dede lutar. sação contra a ordem do patriar- fórum amplo de debate, voltado para a forma individual, ou representando or- ‘Mulheres Livres’ – Com esta cado e sua heteronormatividade; formulação de análises críticas feminis- ganizações e movimentos sociais nosfesta celebramos o nosso en- contra a forma do capitalismo, tas sobre a realidade social, para a livre quais atuam.contro, fortalecemos os nossos seus mecanismos de exploração troca de experiências, o confronto delaços, aproximamos as nossas e seu consumo desenfreado; con- ideias sobre as questões que desafiam 4 O Encontro Nacional da AMB reúnelutas. Somos negras, indígenas, tra a dominação racista que nega o feminismo no Brasil e América Latina, participantes que estão na luta feministalésbicas, trabalhadoras, jovens, a nossa existência como pessoas e para a formulação de proposições em defesa da cidadania para as mulhe-feministas há muito tempo e re- e como cidadãs. Na ciranda vi- orientadoras da ação da AMB. res, do direito das mulheres ao abortocém-chegadas, somos mulheres vemos juntas a certeza de que o e à maternidade, à liberdade sexual, àconstruindo os nossos sonhos, Encontro Nacional da Articulação 2 O espaço do Encontro Nacional da independência econômica, em defesacantando e dançando as nossas de Mulheres Brasileiras 2011 foi AMB pretende aglutinar, em sua cons- da autonomia das mulheres sobre suaslutas, liberando nossos corpos com um espaço de fortalecimento para trução e realização, todas as mulheres vidas e da autodeterminação de seusmovimentos firmes, contínuos e nossa luta pela transformação. feministas que tenham identidade políti- movimentos. ca com a AMB, independente dos espa- ços de sua atuação política: feministas 5 O Encontro Nacional é um espaço com militância cotidiana nos fóruns, arti- permanente de participação da militân- culações, rede e núcleo que constituem cia feminista na AMB, construído pe- a AMB, feministas identificadas com a los fóruns, articulações, rede e núcleo AMB que atuam em movimentos sociais que a constituem, sob a orientação da e partidos, feministas identificadas com Coordenação Executiva Nacional da a AMB que estão em órgãos governa- AMB e das comissões auxiliares a ela mentais, centros e núcleos de pesquisa vinculadas. acadêmicos, e todas as feministas cola- boradoras, simpatizantes e parceiras da 6 As participantes do Encontro não se- AMB nos âmbitos internacional, nacio- rão chamadas a tomar decisões, por voto nal e estaduais. ou aclamação, enquanto conjunto de participantes do Encontro. O Encontro 3 Essas mulheres feministas, citadas Nacional da AMB não tem caráter deli- no princípio anterior, participarão do berativo, pois o espaço de decisão da6 7
  • 5. AMB continua sendo o Comitê Político emergentes na arena política, enfrentarNacional. o debate da construção permanente de nosso movimento, nossa práxis feminista7 Por seus fins, o Encontro Nacional da e questões político-organizativas na AMB.AMB acolhe as mulheres feministas que,ao fazerem a luta antipatriarcal, lutam 10 O Encontro Nacional da AMB étambém contra a heteronormatividade, um espaço plural e diversificado, nãoo racismo e o fundamentalismo, opõem- confessional, não governamental e nãose ao neoliberalismo e ao domínio de partidário.todas as esferas da vida pelo Capital, eque estão empenhadas na transforma- 11 A metodologia de construção e re- Apresentaçãoção do mundo pelo feminismo, tendo alização do Encontro Nacional orienta-secomo horizonte utópico uma sociedade pelo respeito à diversidade das práticasdemocrática e igualitária. e expressões políticas do feminismo da AMB, o respeito à necessária articulação8 As proposições colocadas no Encontro Foto: Gê entre os saberes populares e acadêmi-Nacional da AMB visam fazer prevalecer cos presentes entre as mulheres, e tam-os ideais de igualdade, dos direitos huma- bém pelo compromisso com a reflexão Este documento é um registro- mobilização de recursos; as açõesnos, da justiça ambiental, de uma econo- crítica feminista e a construção coletiva síntese dos trabalhos no Encontro de comunicação; e a nossa reflexãomia solidária e sustentável, apoiados em de conhecimento. Nacional da AMB – ENAMB 2011. A sobre as expressões político-sistemas políticos, movimentos sociais einstituições democráticas. Essas proposi- 12 O Encontro Nacional da Articulação nossa intenção é que rapidamente ele chegue às mãos de todas as artísticas. Para fazer um documento simples e curto, optamos por nãoções serão consideradas na construção de Mulheres Brasileiras está compro- participantes do ENAMB e também apresentar os relatórios dos 36das estratégias de ação futura da AMB. metido com o aprofundamento de laços em todas as militantes da AMB e grupos de trabalho que funcionaram entre mulheres feministas de distintos9 Os debates feministas dos Encontros movimentos sociais, necessário ao for- agrupamentos estaduais que não tiveram a possibilidade de estar em nos 3 dias de debates, resgatando as ideias centrais ali discutidas naNacionais da AMB deverão analisar as talecimento do movimento de mulheres Brasília, no Centro Comunitário da síntese de cada dia de trabalho.problemáticas vividas pelas mulheres em como força política transformadora. UnB, de 30 de março a 02 de abril. O ENAMB 2011 é um marcodiferentes contextos; aprofundar a refle- Apresentamos a metodologia na história da construção da AMB.xão feminista sobre temas e questões Comitê Político Nacional da AMB, 2010. e a programação do encontro; a Desde o processo preparatório, ele síntese das discussões sobre a linha já indicava a sua tônica: fortalecer de atuação da AMB frente à nova o nosso movimento na sua ação conjuntura; e o balanço de suas lutas política feminista frente ao Estado e antipatriarcais, anticapitalistas e à sociedade. Nessa nova conjuntura antirracistas. Este é o resultado geral que se abre com o fim do governo do encontro, mas este documento Lula e o advento de uma mulher procura também dar visibilidade a na Presidência da República, com outros elementos que possibilitaram história própria de atuação política no a sua realização: a experiência de campo da esquerda, o nosso desafio8 9
  • 6. Apresentação se torna ainda maior. Apresentação Precisamos manter a nossa autonomia, defender as políticas ainda muitas outras mulheres que não se encontram nestes tipos de organização. Somos jovens e idosas; 1. Metodologia públicas que enfrentem as negras e não negras; da capital e desigualdades, combater a política do interior; trabalhadoras sempre e, O Encontro Nacional da AMB, No primeiro dia, expressamos econômica desenvolvimentista, que às vezes, desempregadas; hétero, realizado de 30 de março a 02 de abril o nosso jeito de ser e fazer aprofunda a crise socioambiental e, lésbicas e algumas sem necessidade de 2011, começou a ser construído movimento feminista em atos de ao mesmo tempo, reconhecer o valor de definições sexuais; com muito no início de 2010. Desde então, rua, na abertura pública do ENAMB simbólico da ocupação da presidência tempo neste movimento ou récem- os agrupamentos estaduais vêm 2011. As delegações vindas de por uma mulher com projeto político chegadas. realizando várias atividades: atos de todos os estados foram chegando, do campo democrático e popular. Somos todas mulheres feministas, lançamento, arrecadação de fundos deixando suas coisas no alojamento, Como movimento feminista, enfrentando no cotidiano a violência, e debates políticos preparatórios, passando pelo credenciamento e se reconhecemos a importância desse a exploração do nosso trabalho e envolvendo muitas mulheres que dirigindo a um dos principais centros momento histórico e queremos fazer a dominação dos nossos corpos, estão no dia a dia do movimento. de aglomeração do povo de Brasília. dele um espaço de oportunidades resistindo sempre, construindo outros Esses debates ocorreram em Lá na rodoviária, vestidas com para que a questão da dominação modos de vida, compartilhando com torno de quatro eixos temáticos nossas lutas, carregando nossas e exploração das mulheres seja outras nossos desejos e reflexões, mobilizadores: O jeito que o mundo bandeiras e tambores, gritamos tomada como um problema público articulando coletivamente nossas está e o que queremos transformar; nossas palavras de “desordem” e a ser enfrentado pelo governo e pela lutas, chorando nossas derrotas, Olhares feministas sobre a situação várias outras músicas que animam o sociedade. comemorando nossas conquistas. das mulheres; Juntando gente para movimento. Dançamos muitas vezes Somos um movimento nacional Seguimos em frente, rejeitando toda mudar o mundo; e Nossas lutas o ‘toré feminista’, denunciando a organizado na maioria dos estados norma que impeça nossa liberdade feministas. opressão e exploração das mulheres; com agrupamentos estaduais, que e todo poder que nos oprima. Com base nas reflexões do expressamos a nossa indignação reúnem diversos tipos de organizações Seguimos juntas, construindo no dia período preparatório, que durou e nosso desejo de construir outro de mulheres: grupos populares, a dia as nossas lutas, mostrando alguns meses, a Comissão de modo de viver a vida, que rejeite toda núcleos acadêmicos, secretarias de nas ruas nossa cara, exigindo Metodologia do encontro, em diálogo forma de dominação e exploração. sindicatos e federações, organizações nossos direitos, perseguindo nossos com a Coordenação Nacional, No clube do alojamento, depois do político-profissionais, ONGs etc., e sonhos. elaborou uma proposta de temas, jantar, fizemos a abertura íntima do debatida no Comitê Político Nacional, Encontro. Animadas pela saudação que aprovou os temas do ENAMB da Coordenação da AMB, destacando 2011. Em cada dia, trabalhamos com o sentido político do Encontro, cada um dos temas: agrupamento estadual se apresentou 1. Expressões do feminismo da trazendo à tona diferentes formas de AMB; manifestação presentes na cultura 2. Atuação da AMB frente ao novo do nosso movimento em cada estado governo no contexto de crise global; e manifestando as lutas que são 3.Trinta anos de feminismo prioridades em cada local. transformando o mundo; Tivemos samba do Rio de 4. Questões político-organizativas. Janeiro mostrando a força das10 11
  • 7. mulheres na superação do desastre Trabalhadoras Rurais da CONTAG.socioambiental causado pelas Neste ano, a AMB é um dosenchentes; a dança da farinhada do movimentos parceiros na realizaçãoPará, enaltecendo a organização da Marcha das Margaridas, que temdo movimento em cada região e as como lema 2011 razões para marcharlutas de enfrentamento dos grandes por um desenvolvimento sustentávelprojetos econômicos que estão seinstalando no estado em nome do Programação com justiça, autonomia, igualdade e liberdade.desenvolvimento. O Ceará com Carmen Foro destacou a alegriaseus tambores trouxe para a roda de ter a AMB como uma das parceirasas marchinhas feministas e o ‘Funk na realização da Marcha de 2011, asda solução’ em nome da liberdade 30 DE MArço DE 2011 01 DE ABrIl DE 2011 afinidades entre o debate realizadosexual e da autonomia das mulheres. Expressões do Feminismo da AMB 30 anos de feminismo naquela tarde e as lutas apontadas, No dia 31 de março, começamos transformando o mundo como a luta por reforma agrária e porcom 12 grupos de debates sobre um modelo de desenvolvimento quea atuação da AMB frente ao novo Com este tema orientador, foi realizado Novamente em doze grupos de traba- garanta a igualdade e justiça e pelagoverno, no contexto de crise global. o ato político, a ação de rua que marcou lho, as participantes fizeram pela manhã autonomia das mulheres, convidandoDiscutimos o contexto e indicativos o início do ENAMB 2011, na Rodoviária um balanço de nossas lutas, um diálogo todas as militantes da AMB para separa a linha de atuação da AMB, de Brasília. sobre os desafios que precisamos en- somarem ao processo de mobilizaçãoconsiderando a relevância de termos frentar, considerando as dimensões do dos estados. Reforçou, ainda, ouma mulher de esquerda como feminismo da AMB: antirracista, antica- grande objetivo dessa Marcha, que é 31 DE MArço DE 2011presidenta, com a diretriz central pitalista e antipatriarcal. À tarde: plená- mostrar a força dos movimentos de Atuação da AMB frente ao novodo novo governo, que é o combate rias, com a contribuição de expositoras mulheres na capital do país! governo, no contexto de crise globalà pobreza, mas também com uma dos grupos e debatedoras. Para a noite, várias mulherespolítica desenvolvimentista que inscreveram atividades auto-agrava a crise ambiental e social. Os gestionadas. Foram oficinas e Doze grupos de trabalho debateram adebates seguiram à tarde, na forma 02 DE ABrIl DE 2011 debates, promovidos de forma partir das questões orientadoras:de plenárias sucessivas para cada autônoma, sobre aspectos do 1. Uma mulher, com trajetória de esquer- Questões político-organizativas da AMBsubtema, com uma mesa montada nosso feminismo, que despertaram da, na presidência – como entendemos ecom as expositoras dos grupos e grande interesse nas participantes, como vamos atuar.debatedoras convidadas entre as a exemplo da reunião de mulheres 2. Combate à pobreza como prioridade Trabalhos em grupos, ao início da ma-participantes do encontro, ao que se negras e de mulheres de bairros, de governo – como entendemos e como nhã, tratando de doze questões po-seguiu, em cada plenária, com dez oficinas de vivência da corporeidade, vamos atuar. lítico-organizativas relevantes para ainscrições de participantes discutindo reflexões sobre a incidência no 3. Política de desenvolvimento que agra- nossa agenda. Os resultados formaramo mesmo tema. orçamento público, entre outras. va a crise social e ambiental – Como en- o Painel de Propostas, um conjunto de Na tarde desse primeiro dia, foi No dia 01 de abril, com a mesma tendemos e como vamos atuar. indicativos a serem considerados nofeito o Lançamento da Marcha das metodologia, discutimos sobre os 30 Os debates se encerraram à tarde, na for- planejamento da ação da AMB, cujaMargaridas, com a participação de anos de feminismo transformando ma de plenárias, com a contribuição de apresentação para a plenária finalizouCarmen Foro, Secretária de Mulheres o mundo. Pela manhã, fizemos expositoras dos grupos e debatedoras. o encontro.12 13
  • 8. um balanço de nossas lutas e um No encerramento, a Secretariadiálogo sobre os desafios que da AMB chamou para o palco asprecisamos enfrentar, considerando comissões de trabalho (comunicação,as dimensões do feminismo da metodologia e infraestrutura) e oAMB. À tarde, novamente em Fórum de Mulheres do DF, queplenárias sucessivas, aprofundamos abraçou o desafio de organizaçãoos desafios para as nossas lutas local do encontro. Era hora de fazerantipatriarcais, antirracistas, e nossos agradecimentos, homenagensanticapitalistas. Assim como no dia e de festejar a realização do ENAMB.anterior, incorporamos no transcorrer A coordenação da AMB, emocionada,dos debates da tarde, entre uma homenageou e agradeceu o empenhoplenária e outra, manifestações da secretaria executiva na conduçãopolítico-artístícas inscritas por da preparação e realização doparticipantes do Encontro. encontro. Encerramos ao som dos Na noite deste mesmo dia, ‘tambores de safo’, com uma enormeestivemos todas em festa. A festa ciranda, em círculos concêntricos,do ENAMB - Mulheres Livres - foi mostrando como somos fortesum espaço de expressão política quando estamos juntas, entoando Foto: Gêe artística de nossos desejos, de nossas canções e fazendo vibrarcomemoração da nossa capacidade nossos corpos em liberdade.de nos encontrarmos e debatermos A metodologia desenvolvidaos rumos de nosso movimento de no ENAMB 2011 é semelhante entre as mulheres. Somos um rumos da AMB, sua linha de atuaçãoforma intensa, de alimentarmos à do ENAMB 2006, guardadas movimento feito de diversos sujeitos e suas lutas prioritárias. Intercalarnossa coragem para as lutas que as diferenças em função dos e um só objetivo: a autonomia das as plenárias de debates comtemos pela frente. temas da pauta do encontro e mulheres. Não queremos muito, expressões artísticas apresentadas No dia 02 de abril, em grupos de do amadurecimento do processo apenas transformar o mundo e por pelas participantes, recheandotrabalho, elaboramos propostas sobre preparatório. Para nós, é uma fim à exploração e à opressão. as tardes de poesias, músicas,as questões político-organizativas da maneira de fazer o encontro nacional Esse modo de fazer feminismo da performances, lançamentos deAMB, refletindo sobre os desafios que baseado nos mesmos princípios AMB nos exige sempre metodologias cartazes, livros, entre outras coisas,temos que enfrentar nas frentes de com os quais construímos a AMB no criativas, que dialoguem com nossa nos permitiu conhecer muito maisluta. Os resultados formaram o Painel cotidiano da ação dos agrupamentos diversidade e sejam capazes de quem somos, o que pensamos e ode Propostas, ou seja, um conjunto estaduais. A AMB é um movimento trazer à tona diferentes saberes e que sentimos. Essa metodologia nosde indicativos a serem considerados feminista que se organiza e atua distintas formas de expressão de possibilitou construir coletivamenteno planejamento da ação da AMB, o de forma democrática e popular, nossas posições políticas. Além da uma linha comum de atuação eque será feito na reunião do Comitê enraizado nas diversas lutas das intensa participação nos grupos nos fez aprofundar a sensibilidadePolítico Nacional. A apresentação mulheres por autonomia e liberdade, de debate pela manhã, foi muito para as nossas diferenças, para asdo painel de proposta deu início ao permeado por diversas expressões emocionante ver 48 mulheres realidades locais e para os nossosmomento festivo de encerramento do políticas de sujeitos que enfrentam usando o microfone em cada uma diferentes jeitos de ser e fazerENAMB 2011. desigualdades no mundo e também das tardes de plenárias discutindo os movimento feminista.14 15
  • 9. Para as militantes da AMB, políticas sociais para o enfrentamento2. Linha de atuação da AMB frente à nova conjuntura a eleição de Dilma tem muitos à pobreza e manutenção de significados e instaura muitas política econômica que agrava contradições. Uma mulher na a concentração de riqueza; o Presidência faz toda diferença para desenvolvimentismo que gera mais a luta das mulheres. Não significa, injustiça social e ambiental. É sobre de maneira nenhuma, que nossas essas contradições que devemos demandas estão garantidas. Mas atuar e construir nossas lutas, instaura uma contradição que o atuando com autonomia e crítica governo Lula não trazia. Precisamos frente ao governo Dilma. Nosso fortalecer essa contradição e posicionamento não deve ser a exigir do seu governo posição e favor ou contra: seremos a favor, fortalecimento das políticas que quando as demandas das mulheres favoreçam a autonomia de nós forem atendidas, e contra, quando mulheres. A eleição de Dilma as políticas gerarem mais injustiça representa uma ruptura importante social. com a visão tradicional das mulheres Precisamos compreender a rebaixadas nos espaços de poder, força da AMB como movimento, sua imposta pela estrutura e ideologia força política hoje no País. Há que patriarcal e com a própria visão enfrentar também o desafio de que as tradicional de poder. Dilma é uma diferentes visões sobre governo no mulher com trajetória de esquerda, nosso movimento nos enriqueçam, Foto: Gê que lutou contra o autoritarismo, que gerem debate plural e não nos tem uma história política própria. dividam. Precisamos fortalecer O primeiro dia de debates do todas nós, ficava ali vivo, dentro da Não chegou ao poder por herança nosso investimento na frente de lutaENAMB 2011 foi dedicado a uma gente, o sentido da frase estampada familiar. A novidade de sua chegada pela reforma do sistema político,análise da conjuntura e aos desafios no estandarte paraense à frente da à Presidência é por contradição pela participação das mulheres,para a atuação da AMB frente plenária: “As mulheres são como as uma denúncia das dificuldades das pela paridade; atuar na defesa deao novo governo, no contexto de águas, crescem quando se juntam”. mulheres ocuparem os espaços de políticas para as mulheres que sejamcrise global. O debate foi feito a poder. Há uma ruptura simbólica, estruturantes e gerem autonomiapartir de três eixos: uma mulher, Uma mulher na Presidência mas as estruturas que mantêm as e, ao mesmo tempo, fazer a críticacom trajetória de esquerda, na da República e desafios para mulheres com menor participação dos limites das políticas familistasPresidência da República e os a atuação da AMB na política permanecem. Para mudar de transferência de renda e dasdesafios para nossa atuação como essa realidade, a luta pela reforma políticas de orientação materno-movimento; a prioridade do combate A eleição de uma mulher para do sistema político é prioritária para infantil anunciadas pelo governo,à pobreza nesse governo e a política presidenta, com trajetória de a AMB. como a Rede Cegonha, descoladadesenvolvimentista que agrava a esquerda, impõe um desafio para nós A orientação das políticas do da perspectiva da saúde da mulhercrise social e ambiental. Um dia da AMB, um movimento de mulheres. governo também é marcada por e do fortalecimento do SUS;animado pela força do encontro Que análise fazemos disto? Como contradições: a prioridade de fortalecer a luta pela legalização doentre nós mulheres da AMB. Para devemos atuar?16 17
  • 10. aborto e pelo estado laico; visibilizar das políticas de transferência de principalmente as mulheres negras; A política desenvolvimentistaa multiplicidade das mulheres renda (Bolsa-Família) foi reafirmada por políticas que enfrentem a divisão que agrava a crise socialbrasileiras: negras, indígenas, em todos os grupos e por todas as sexual do trabalho, como as creches e ambientallésbicas, trabalhadoras do campo e intervenções na plenária. Precisamos públicas, as lavanderias coletivas,da cidade; fortalecer a relação entre fortalecer essa crítica e ampliar os restaurantes comunitários; O debate sobre esse eixo foimulheres do campo e da cidade. o debate sobre o enfrentamento lutar por políticas de educação, marcado por várias denúncias dos da pobreza para além dessas qualificação e inserção no trabalho impactos, sobre nós mulheres,Diretriz de enfrentamento políticas, questionando a política remunerado com salário digno, do modelo de desenvolvimentoà pobreza econômica. Nossa crítica feminista direitos e proteção social; lutar por hegemônico e, principalmente, sobre as políticas de transferência reforma agrária, incluindo terra para dos grandes projetos em várias Para as militantes da AMB, a enfatiza sua orientação familista mulheres camponesas, quilombolas partes do País, principalmente naspolítica de enfrentamento à pobreza que sobrecarrega ainda mais a nós e indígenas; e criticar e denunciar regiões Norte e Nordeste. Foramnão pode ser limitada ao combate à mulheres e reforça a divisão sexual os programas de “capacitação” várias denúncias das mulheres empobreza dos pobres sem questionar do trabalho que nos oprime. Não das mulheres para sua inserção no conflitos ambientais nas regiões dea riqueza que continua sendo queremos políticas de enfrentamento trabalho mais precário; apoiar a luta Belo Monte, Carajás, São Francisco,acumulada e concentrada nas mãos à pobreza que aumentem a por direitos plenos das trabalhadoras Espírito Santo e em várias áreasde poucos. Não podemos ficar sobrecarga e a subordinação de nós domésticas; fazer o debate sobre da Amazônia e em outras do Brasil.limitadas ao debate sobre as políticas mulheres ao trabalho reprodutivo. valorização do salário mínimo e Todas as denúncias reforçam quesociais e transferência de renda, mas Queremos políticas que enfrentem a sua importância para a autonomia esse modelo tem agravado a injustiçafazer a crítica e o confronto com a pobreza de nós mulheres, favoreçam econômica das mulheres; lutar por social e ambiental e a situaçãopolítica econômica que favorece a nossa autonomia econômica e políticas públicas integradas que de exploração e opressão de nósconcentração da riqueza no País. É redistribuam a riqueza que também enfrentem as desigualdades de mulheres.preciso enfrentar todos os processos produzimos. gênero, classe e raça. O crescimento e desenvolvimentoque levam à concentração da riqueza Precisamos lutar por políticas Para encaminhar essas lutas, anunciados pelo atual governoe à manutenção da desigualdade redistributivas; pela taxação de além dos confrontos no plano local, servem para quem? Para ase seguir confrontando a lógica de grandes fortunas e garantia da precisamos intervir no PPA – Plano mulheres, o que tem ficado é aacumulação e exploração capitalista, ampliação e efetivação de nossos Plurianual e gerar mais e mais falência do emprego, a prostituição,patriarcal e racista: a política direitos e por uma outra orientação mobilizações; investir na formação a privatização da água, a exploraçãoeconômica que solapa dia a dia os da política econômica, contra a sobre os temas da macroeconomia, da natureza como mercadoriarecursos das políticas sociais e a política de superávit primário e política econômica e direitos; pelo capital. O recrudescimento dapolítica de altos juros que favorece contra as políticas que favorecem debater sobre que modelo de violência contra nós mulheres, comoos banqueiros; o modelo hegemônico o capital financeiro; pela reforma vida e economia. Nós queremos e o tráfico de mulheres e meninas,de desenvolvimento que agrava os tributária, elaborando propostas a propomos como alternativa construir e a violência sexual, é realidadeproblemas sociais e a crise ambiental; partir da perspectiva das mulheres; argumentos no campo ético sobre em vários outros onde os grandesa política tributária que onera mais fortalecer nossa luta por políticas que riqueza será permitida nesse projetos se instalam. Na atualos segmentos mais pauperizados em sociais universais, como a política de país; fazer o confronto com o modelo conjuntura, este modelo é reforçadobenefícios dos mais ricos, tira dos previdência social para todas e que desenvolvimentista do governo; por um pacto entre elites parapobres para os ricos. enfrentem a situação de desproteção atuar frente ao Estado nos espaços legitimá-lo; o parlamento conservador A crítica à perspectiva familista social em que se encontram de participação e nas ruas. e elitista; o poder judiciário tomado18 19
  • 11. pela burocracia e corporativismo; a as áreas de exploração. Tambémorientação desenvolvimentista do os assentamentos rurais ficam 3. Lutas feministas antipatriarcais, antirracistaspoder executivo também submetido ameaçados. É parte também desseaos acordos internacionais. modelo a pressão dos empresários e anticapitalistas As realidades locais refletem sobre o governo pela flexibilizaçãouma dimensão global do modelo de direitos e da legislação ambiental.de desenvolvimento do capitalismo Precisamos, como movimento, Neste dia foi realizado um O patriarcalismo é o sistema deno mundo, dos acordos firmados seguir atuando na crítica a esse balanço do que tem sido a nossa luta dominação dos homens sobre asna OMC, G8, G20 e Mercosul com modelo desenvolvimentista, que no Brasil, a fim de resgatar o sentido mulheres em todos os âmbitos daforte pressão dos interesses das recrudesce a exploração do geral de unidade das lutas feministas vida, instituindo normas, valores etransnacionais. capitalismo patriarcal, e racista antirracistas, antipatriarcais e bases materiais da dominação e Na análise das militantes, há um sobre nós, mulheres, em diferentes anticapitalistas, para avançar na exploração das mulheres. A divisãoconsenso formado na sociedade e a contextos - ribeirinhas, quilombolas, formulação dos desafios para a AMB. sexual do trabalho, o uso da violênciaburguesia capturou outras visões de assentadas, urbanas; reforçar O debate ocorreu em 12 grupos e como instrumento de dominação, odesenvolvimento de organizações alianças para enfrentar este modelo posteriormente na plenária. controle do corpo e da sexualidadee movimentos para construir esse no governo Dilma. Para a AMB o racismo é o sistema feminina, a heteronormatividade econsenso. A criminalização das Mas não podemos restringir de poder que cria, justifica e legitima os obstáculos à participação políticalutas sociais contra esse modelo é nosso enfrentamento apenas frente a dominação e opressão das pessoas das mulheres são alguns dos seusforte. Há um aumento dos conflitos ao governo, temos que confrontar as brancas sobre as negras e que, para instrumentos.ambientais em todas as partes do transnacionais que desenham este se manter, renova-se continuamente, O capitalismo é o sistemaBrasil e esses núcleos de resistências modelo para o mundo. O processo ordenando todas as dimensões da que se organiza através dasão tratados como impedidores do de formação entre nós quanto a vida em sociedade e se expandindo exploração da força de trabalho e dadesenvolvimento do país, o que nos essas questões tem que se ampliar. por todo o corpo social – econômico, apropriação, por uma minoria, dascoloca também um desafio no campo Foram propostas ações de político, jurídico, cultural e religioso. riquezas produzidas pelo trabalhodo confronto ideológico. formação com base na nossa A implementação dos grandes experiência, em várias partes do Foto: Gêprojetos têm destruído a forma de Brasil, de luta e resistência frente aviver das populações ribeirinhas esse modelo. E precisamos acalentare quilombolas. A proposta de nossa rebeldia fortalecendo nossareforma do Código Florestal amplia ação na rua!20 21
  • 12. da maioria. Uma das principais pauta que vem ganhando forçacaracterísticas do capitalismo é dentro da AMB, fruto de umaseu caráter expansionista marcado disposição política e da ação daspela apropriação privada dos bens mulheres negras no interior donaturais para exploração, geração movimento, sendo necessáriode lucro, negação e dizimação das enfrentá-lo na sua articulação com odiversidades culturais. O Estado capitalismo e com o patriarcalismo.brasileiro é um espaço contraditório, Esse debate, necessariamente,mas tende a favorecer a acumulação passa pelas políticas públicas,e concentração de riquezas e apenas por isso é importante incidir noscompensar os efeitos negativos que processos de PPA – Plano plurianual,ela produz. Muitas políticas e projetos pois a igualdade depende muito dogovernamentais se voltam para isso, investimento nas políticas públicas.é o caso dos benefícios fiscais para Além disso, foi discutida a Foto: Gêempreendimentos empresariais; necessidade de se realizar o debateprojetos de desenvolvimento que sobre a história do feminismo, semcausam danos sociais e ambientais; datá-lo a partir dos anos 70 (30 anos), trabalho doméstico; aprofundamento buscando formação para resistire a arrecadação de impostos que pois isso ajuda a ver o feminismo da luta pela reforma da Previdência; ao racismo individualmente e parafavorece aos ricos. só a partir das mulheres brancas entre outras. saber lidar coletivamente com esse de classe média. O feminismo na Para viabilizar essas lutas é preciso problema; desenvolver estratégiaslutas antirracistas América Latina é de muito antes, dar visibilidade às desvantagens pedagógicas sobre como abordar a e as lutas das mulheres negras é que as mulheres negras sofrem questão da negritude na política de O debate chamou a atenção dos 500 anos do Brasil. Também (número de mulheres assassinadas; formação; discutir o poder no âmbitopara a importância de se divulgar foi ressaltada a importância desse as que não têm acesso às políticas organizacional, para saber ondea história do povo negro, porque debate para as mulheres indígenas. etc.); fortalecer as organizações de estão as mulheres negras e qual amuitas pessoas negras ainda não As lutas a serem assumidas, são: mulheres negras; realizar ações estratégia de ampliação desse poderconseguem se ver como tal. As a defesa da liberdade e do direito ao públicas, como por exemplo, ação nas organizações e movimentos;mulheres negras, por sua vez, são culto e da crença religiosa; garantia de constrangimento nos shoppings aprofundar o diálogo com asguardiãs de valores civilizatórios, dos territórios quilombolas; cotas para (“dar vexame”) para repudiar as organizações de mulheres negras;embora ainda careçam do devido a população negra; implementação violências sofridas pela população favorecer encontros entre mulheresreconhecimento. Do nosso ponto de da Lei 10.639/03; republicação da negra naqueles espaços; enfrentar indígenas e negras etc.vista, a democracia só acontecerá lei que criminaliza o racismo; luta o debate do racismo institucional Muitos desafios foram apontadosse incluir na sua pauta a luta contra contra o crack, que dizima os núcleos e denunciá-lo, principalmente nas tendo como ponto de partida enxergaro racismo, compreendendo que as familiares das mulheres negras; relações de trabalho no mercado como o racismo gera desigualdade,mulheres negras não são ‘público por uma educação não sexista e privado. injustiça e pobreza, e articular apara atividades’, e sim sujeitos antirracista; pela implementação Precisamos criar espaços, no batalha contra o racismo dentro daspolíticos, e precisam ser tratadas das políticas públicas de saúde, com âmbito da AMB, para que as militantes frentes de luta da AMB, para inserir acomo iguais. ênfase nas doenças que acometem fortalecerem sua identidade racial, questão nas políticas públicas, com A luta contra o racismo é uma a população negra; valorização do discutindo a experiência do racismo; ênfase para o acompanhamento22 23
  • 13. da SEPPIR. Para isso, devemos da Penha; pela saúde da mulher manter permanentemente nossas formular, a partir do feminismo, qualreconhecer a diversidade étnico- no campo; monitorar o orçamento mobilizações e viabilizar nossas a sociedade que a gente quer.racial da AMB, apesar da dificuldade público para as mulheres e garantir, lutas, fugindo da padronizaçãode muitas mulheres se identificarem na luta, dotações orçamentárias; estética e construindo nossa forma Temos defendido, para alémcomo negras; a discriminação que reivindicar os dhescas para todas de nos comunicar com o mundo; dos limites do capitalismo, umainda existe entre as mulheres as mulheres, principalmente do estabelecer relações entre nossa socialismo com democracia quee contra as religiões de matrizes meio popular, historicamente mais agenda feminista e a agenda ainda está por ser construído, masafricana e as dificuldade de trazer vulnerabilizadas pelas injustiças de outros movimentos sociais; que, concretamente, nos identificaas mulheres para a construção do e desigualdades; reivindicar o intensificar o diálogo entre nós, como anticapitalistas. Nossa éticamovimento. cumprimento das cotas nos partidos já que nem todas as mulheres anticapitalista caminha no sentido de e a destinação do percentual para compreendem, por exemplo, a luta que queremos ser o que queremoslutas antipatriarcais formação das mulheres, a fim de pela não criminalização das mulheres ver na sociedade, daí a proposição de acessarem as candidaturas. e pela legalização do aborto ou a sintetizarmos as lutas anticapitalistas No diálogo entre as participantes Para fortalecer a luta antipatriarcal, discussão sobre mulheres lésbicas num projeto popular feminista parafoi reafirmado que a divisão sexual temos que enfrentar o tensionamento e suas diversas expressões de a defesa da vida das mulheres. Issodo trabalho, o uso da violência como das religiões sobre o Estado, a lesbianidades. Queremos aprofundar inclui o debate sobre o consumismo, ainstrumento de dominação, o controle ideologia do amor romântico e a a articulação entre o feminismo e a produção da pobreza, e a exploraçãodo corpo e da sexualidade, os manutenção da família; fazer avançar vida das mulheres trabalhadoras existente também entre mulheres.obstáculos à participação política das o debate da heteronormatividade. do campo e da cidade e estreitarmulheres e a heteronormatividade, Nossa luta é também em função relações com os diversos feminismos Os indicativos de luta para AMBsão ferramentas do patriarcado. do acirramento da violência contra as da América Latina. podem ser organizados a partir deEste, por sua vez, é um sistema mulheres (em especial o aumento dos eixos:de poder simbólico e material, estupros). Precisamos fazer o debate lutas anticapitalistas Lutas frente ao capital: Campanhaonde o capitalismo se estrutura sobre as relações de gênero nas de boicote à Natura, denunciandoreestruturando-o. Nesse sentido, escolas, com ações voltadas para a O capitalismo é um sistema a exploração das mulheres, daa maior conquista das mulheres educação de crianças e jovens sobre baseado na exploração. Ele se natureza, e o reforço a um modelo deé a organização do movimento a história das mulheres, o movimento realiza de forma imbricada com beleza (ideia de lema: “Quem protegefeminista para confrontar o feminista; e enfrentar a criminalização o patriarcalismo e o racismo. a Amazônia somos nós mulheres”).patriarcado. Lembrou-se, ainda, que da prostituição e as condições de vida Enquanto perdurar a contradição Enfrentamento nos territórios depara dentro do movimento somos das profissionais do sexo, debatendo capital/trabalho, não há como haver implantação dos grandes projetos,diferentes e desiguais e, como o reconhecimento. Discutimos a ideia liberdade e autonomia para as inclusive os do PAC, dando umestamos submetidas ao mesmo de fazer uma grande ação contra o mulheres. Mas a superação dessa caráter nacional a essas lutas.sistema, terminamos reproduzindo patriarcalismo. contradição não nos dá nenhuma Lutas frente ao Estado: Lutaro machismo, razão pela qual a AMB Para garantir essas lutas garantia de superação da opressão contra o modelo de desenvolvimentoprecisa continuar investindo na precisamos aprofundar nossa das mulheres. Por isso, articular hegemônico, os grandes projetos,formação de sua militância. formação para ampliar a compreensão o feminismo com a discussão de a taxação das grandes fortunas e A AMB deve intensificar a luta política sobre a sociedade e, classe é condição imprescindível políticas públicas de redistribuiçãocontra a feminilização da aids; assim, repensá-las, focado-as para impulsionar as lutas feministas de riquezas; críticas e pressão sobrepela implementação da Lei Maria apenas em ‘temáticas’. Precisamos de enfrentamento ao capitalismo e a ação do Estado que favorece o24 25
  • 14. 4. A experiência de mobilização de recursos para o Enamb 2011 Para a AMB, é sempre um enorme através de algum financiamento, a desafio financiar seus encontros AMB custeava a viagem e estada de Foto: Gê nacionais. Em anos passados, cada uma integrante do comitê político de participante buscava solucionar cada estado, bancava a participaçãocapital, mas apoiar quando agir para contra os grandes projetos sem individualmente essa questão. Assim, de uma segunda integrante e osreverter e coibir a privatização; propor sermos contra a geração de emprego; foram realizadas várias reuniões do estados bancavam integralmente apolíticas que enfrentem a divisão refletir sobre o consumo; enfrentar o Comitê Político Nacional e o Encontro sua terceira representante no Comitê.sexual do trabalho (creches, escolas debate sobre as lutas necessárias Nacional de 1994, preparatório a Para o ENAMB de 2006, emem tempo integral, restaurantes, frente à Copa do Mundo e a empresas Beijing. A hospedagem era na casa Goiânia, instalamos uma novalavanderias coletivas etc.); lutas pela como Natura e Avon. A tudo isso se de companheiras do movimento e a política de financiamento: a criaçãoredução da jornada de trabalho. soma a questão da sustentabilidade passagem paga por cada militante. de um fundo solidário combinada Luta frente à sociedade e junto de nosso movimento. Em outras ocasiões, a AMB com a mobilização descentralizadacom movimentos: mobilização contra O debate sobre as lutas realizou as reuniões do comitê político nos estados. Para o ENAMB 2011, aa cultura consumista, mercantilista, feministas, considerando os aproveitando passagens financiadas experiência foi repetida e aprimorada.individualista e privatista; buscar avanços, as derrotas e os desafios, para algum seminário do movimento. O Fundo Solidário destina-se aarticulação com outros movimentos demonstrou a necessidade de As hospedagens eram em casas cobrir exclusivamente alojamentosociais cujas bandeiras de luta estabelecermos prioridades para a de companheiras e as passagens coletivo com café da manhã e asanticapitalistas são comuns; discutir AMB. Precisamos articular processos custeadas pela organização viagens das caravanas. O Fundoo poder popular; somar-se à luta nacionais de luta, permanentes e feminista, parceira ou integrante da recebe doações de ONGs feministas,pela reforma urbana e os direitos sistemáticos, que gerem forte adesão AMB, que estivesse promovendo agências de cooperação, doaçõesdas mulheres à cidade, pelo controle entre os agrupamentos estaduais, e financiando o seminário. Em individuais de pessoas, os recursossocial do orçamento, do executivo e nos permitam gerar mobilizações geral, eram seminários cujos temas da taxa de inscrição no encontrodo legislativo; fortalecer a luta pela e fomentar alianças com outros mantinham estreita relação com e mais o dinheiro que os estadosprevidência universal; as lutas pelo movimentos sociais até o ponto de causas pelas quais lutamos. Essa tenham levantado com venda deacesso à água e contra as barragens; termos algumas conquistas que, estratégia exigia realizar duas produtos relativos ao encontro.e pela valorização do trabalho realmente, cheguem à vida de cada atividades subsequentes, o seminário Para o ENAMB 2011, vendemosdoméstico. uma de nós mulheres. Precisamos e, depois ou antes, a reunião do blusas e bolsas produzidas pelas Para levar essas lutas adiante, construir o caráter antipatriarcal, comitê político. Dessa experiência companheiras do Fórum Cearenseprecisamos aprofundar a formação antirracista e anticapitalista em emergiu a máxima de que “na AMB de Mulheres, e vendemos cartõespolítica sobre o capitalismo e nossa cada uma de nossas lutas, de quando não temos dinheiro para postais e fotos do encontro,perspectiva anticapitalista, discutindo forma articulada, do plano local fazer uma atividade, fazemos duas”. produzidos pelo Coletivo dea economia solidária como modelo até internacional. Nesse processo, Sempre que a AMB tinha condição Comunicação da AMB. Recebemosalternativo. Permanece o desafio de fortaleceremos as frentes de luta da de financiar seminários e reuniões doações da Oxfam GB e Unifem,comunicar à sociedade que somos AMB. do Comitê, com recursos obtidos e ainda do Cfêmea, SOS Corpo,26 27
  • 15. Cunhã Coletivo Feminista, Coletivo as despesas de viagem, as taxasLeila Diniz e Instituto Patrícia Galvão. de inscrição e, sempre que possível, 5. Comunicação no ENAMB 2011Assim ficou garantido o recurso para contribuir com o pagamento doas passagens e estada em Brasília, alojamento (via doações ao Fundode todas que precisaram chegar Solidário ou pagamento direto). A constituição do coletivo de quatro boletins preparatórios para oantes para preparar o encontro, de Bazar de produtos usados, em comunicação da Articulação de ENAMB 2011, e artes finais de doistoda a coordenação, das pessoas geral, vestuário, foi a atividade que Mulheres Brasileiras nasceu da postais com finalidade de mobilizaçãoque não podiam viajar de ônibus, do mais rendeu dinheiro, exigindo pouco ideia de agregarmos saberes e de recursos para a AMB durante essealojamento para 600 participantes investimento. Além do bazar, houve acúmulos nas questões relacionadas processo. A lista Articulando Entrecom café da amanhã e o complemento também o bom e velho “Livro de à comunicação, considerando a Nós também teve um papel centraldo pagamento de alguns ônibus, Ouro”. Mas também teve muita festa necessidade de fortalecermos uma no processo de disponibilização dede algum agrupamento estadual feminista, feijoada feminista, chá atuação de militância feminista nos informações sobre o encontro, eque estivesse mobilizado, mas sem feminista etc. sendo que algumas processos de comunicação, a partir mobilização da militância.condição de arrecadar a totalidade festas resultaram em muito prazer da referência político-pedagógica da Em março, durante a reuniãodo dinheiro necessário à viagem de mas nenhum dinheiro, tendo quem AMB. entre a comissão de metodologiasua caravana. ficou com dívida para pagar após o O coletivo foi formado em junho do ENAMB e o coletivo de Para as viagens das caravanas encontro. de 2010, como parte do processo de comunicação de preparação para omuitas atividades foram realizadas A realização dessas atividades transição da Secretaria Executiva. encontro nacional, em João Pessoa,nos estados. Houve quem criasse mobilizou de forma permanente um Uma das suas principais tarefas foi a elaboramos alguns princípios deuma espécie de consórcio, com a número significativo de militantes comunicação do ENAMB 2011. atuação do Coletivo conforme abaixo:compra de um pacote de bilhetes em 19 estados, onde constituíram Entre as ações de comunicação “O Coletivo de Comunicaçãoaéreos para toda a delegação, comissões de finanças que, em sua preparatórias ao ENAMB destacamos da AMB, formado por ativistaslevantando fundos mensalmente maioria, traçaram um plano para a construção do novo site da AMB, feministas, tem atuado no sentidopara pagar as 12 prestações do mobilizar apoios. Entre cinco e até 30 que era apontado como central de desenvolver processos depacote. Em outros estados foi feita companheiras estavam na comissão no processo de mobilização da comunicação que reflitam acampanha de doação de milhas e de finanças, além da coordenação militância para o encontro nacional. nossa forma de organização e debilhetes avulsos, formando assim local do agrupamento. Construído a partir de um recurso confrontação das estruturas deum volume de bilhetes que bancou Além do dinheiro, a mobilização financeiro da Cunhã, voltado para a dominação, que são o capitalismo, oparcial ou totalmente a ida e volta de de recursos um estímulo importante criação do sítio institucional, a criação patriarcado e o racismo.muitas participantes. As caravanas para as caravanas estaduais, muita da página da AMB foi finalizada Realizamos uma comunicação naque viajaram de ônibus obtiveram visibilidade para a luta feminista da em fevereiro de 2011. Entretanto, perspectiva de expressar o sentidoapoio na Assembleia Legislativa de AMB, entre redes e movimentos colaborou tanto para a divulgação da nossa luta, quem somos e o queseu estado ou contaram com doações sociais no âmbito estadual, promoveu de informações sobre o encontro, queremos transformar no mundo;de aliados(as) no legislativo e nos o engajamento de mais mulheres na incluindo os processos preparatórios confrontar a ordem estabelecida;governos. AMB e carreou o apoio financeiro de nos agrupamentos estaduais, como ser um instrumento de expressão da Em toda parte, foi preciso fazer outras pessoas à AMB, em especial para a realização das inscrições on- liberdade e autonomia das mulheres;muitas atividades para levantar integrantes do movimento sindical, line, com pagamento via cartão de incluir todas as formas de expressãorecursos, tanto para complemento organizações não governamentais e crédito e/ou boleto bancário. (teatro, música, imagem, expressãode passagens, como para garantir parlamentares aliados(as). Além do site, foram elaborados corporal etc.) que transformam,28 29
  • 16. provoquem reflexão e rompam com manter informadas as pessoas que também o trabalho. Tínhamos precisa debater questões comoa ordem estabelecida; incluir todas não estavam presentes participando muitas tarefas para dar conta, e era nova pactuação sobre papéis eas mulheres e que as reconheçam do encontro. constante a presença de pessoas na responsabilidades no coletivo, a partircomo sujeitos políticos; considerar Consideramos um avanço a AMB sala pedindo informações, querendo do que a AMB tem demandado dasa diversidade das mulheres que ter tido a preocupação de montar imprimir relatórios dos grupos, enfim, comunicadoras. Um desafio é mantercompõem a AMB; utilizar todos os uma equipe grande de comunicação com demandas que não eram da a adesão das novas companheirasmeios de comunicação e usufruir para o encontro, e essa iniciativa comunicação, mas que acabavam que podem se comprometer com osdas novas tecnologias de difusão da produziu um diferencial em relação nos fazendo parar o que estávamos processos de comunicação na AMB.informação; ser um instrumento da ao encontro anterior. Porém, fazendo para dar algum retorno ou Para isso, está posto o desafio departicipação política das mulheres. enfrentamos problemas que poderão tentar resolver o problema. mantermos um diálogo permanente Na reunião de João Pessoa, servir de aprendizado para outros Outro problema foi a pouca com a Secretaria Executiva, atiramos ainda como um dos momentos. disponibilidade de equipamentos Coordenação e o Comitê Político,encaminhamentos articular outras Outra ideia que foi discutida para a comunicação (atuamos com os considerando que as participantesmilitantes da AMB para um plano na equipe de comunicação, ainda equipamentos das militantes, como do coletivo não mais estão ligadasde comunicação específico para durante o encontro, foi a de valorizar câmeras de vídeo e fotográficas, diretamente à Secretaria Executiva,o ENAMB 2011. Entre os dias 29 a iniciativa das participantes de laptops, havendo apenas dois precisamos construir novos canais ede março e 30 de abril, o coletivo fazerem seus próprios registros computadores de baixa velocidade formas de diálogo permanente.de comunicação contou com um (inicialmente pensamos no registro para trabalhar), pouco diálogo com Um encaminhamento da reuniãogrupo de 11 militantes para atuação fotográfico). O intuito era baixar os demais grupos envolvidos na realizada durante o ENAMB 2011em Brasília. A primeira ação foi a nos computadores da comunicação organização e realização do encontro foi a realização de um encontro dearticulação da mídia local e nacional esses registros, para serem (metodologia, infra, secretaria), o que comunicadoras feministas, com suportepara o ato político que marcou o início divulgados também. Foi possível nos impossibilitou de colaborar de das demais instâncias da AMB, parado Encontro Nacional da Articulação acolher algumas fotos, mas por falta forma mais ampla para a realização pensar nossa política de comunicação,de Mulheres Brasileiras. de equipamentos e de mais pessoas do ENAMB 2011. onde poderemos aprofundar questões As comunicadoras feministas para contribuírem nessa ação, Apesar das dificuldades, avaliamos sobre o lugar da comunicação nativeram uma boa interação, não conseguimos fazer com todas coletivamente que a experiência articulação na AMB, o papel do coletivo,desempenhando diferentes ações de as pessoas que nos procuraram, durante o encontro foi bastante a comunicação interna da articulação,comunicação: entrevistas, registros tampouco incentivar essa iniciativa. positiva, e todas as presentes se plano estratégico de comunicaçãofotográficos e em vídeo, produção de Ao final do encontro, fizemos uma colocaram para continuar a participar e metodologias de construção danotícias para enviarmos para portais, breve reunião de avaliação, onde a do coletivo de comunicação, com a memória do nosso movimento. Outralistas de discussão e redes sociais equipe dialogou sobre dificuldades inclusão imediata na lista do coletivo, questão levantada no coletivo de(Facebook e Twitter), alimentação do e pontos positivos do processo. o que aconteceu antes do final do comunicação é a necessidade da AMBsite da AMB, de portais de imagens Entre as dificuldades, destacamos encontro. incidir sobre as políticas públicas decomo o flickr, produção de vídeo, problemas na infreaestrutura em Passado o ENAMB, o coletivo comunicação.contato com a imprensa. função de compartilhamos a sala Além de alimentar a mídia com a secretaria, o que tornou difícilcom informações sobre o ENAMB o trabalho em vários momentos.2011 diariamente, o coletivo de O número insuficiente de pessoascomunicação cumpriu um papel de na secretaria e logística dificultou30 31
  • 17. dispuseram a apoiar a dinâmica do Sousa Brito, Eunice Borges, Camila encontro construindo a metodologia, Galdino, Maria Angélica Lemos, Paula facilitando, registrando e divulgando as Andrade e Gê. atividades. Agredecemos por isto. Também é motivo de alegrias sem A Lilian Celiberti, da Articulacão fim termos conosco tantas artistas, Feminista Marcosul, que contribuiu com cantantes e cantoras, batuqueiras, sua experiência e reflexão política nos repentistas e poetas, que encantaram e debates e trabalhos de grupo. alegraram nosso ENAMB. Às companheiras de outras E, por fim, agradecemos a cada articulações e redes nacionais de uma das muitas que contribuiram de mulheres que se fizeram presentes em diferentes formas no credenciamento,Agradecimentos Foto: Priscilla Caroline Brito nosso encontro. A todas da comissão de metodologia, às companheiras Rivane Arantes e na distribuição dos lanches, varrendo o salão de manhã, preparando as salas das oficinas, fazendo a festa, carregando Verônica Ferreira, que se somaram cadeiras de um lado a outro, limpando à mesma, e às que contribuiram no o lixo, fazendo música, cantando, À Universidade de Brasília que · À Associação Lésbica Feminista registro e produção da memória do recitando e cuidando de nossa saúdegentilmente cedeu suas instalações de Brasília – Coturno de Vênus, com encontro: Silvia Dantas, Edna Calabrez, corporal.para os trabalhos do ENAMB, através especial carinho a Karen Lúcia e Lan Sula Valongueiro e Lidia Costa. Agradecemos também a quemdo reitor José Geraldo de Sousa Jr. Em Matos. A todas as coordenadoras e relatoras contribuiu na sitematização da memóriaespecial, agradecemos à colaboração · Às integrantes do Fórum de dos grupos de trabalho e debatedoras deste encontro, resultando nestado Chefe de Gabinete, Wellington Mulheres Negras do Distrito Federal. das plenárias. publicação.Almeida ,e da Secretária Administrativa, · Às companheiras do Fórum de Ao coletivo de comunicação da AMB Esperamos que nos encontremosAdriana Lima, e agradecemos às Promotoras Legais Populares do Distrito e às que se somaram a ele no ENAMB: sempre por aí e por aqui, nas lutas eprofessoras e professores das áreas Federal. Angélica Mendes, Priscilla Caroline de conquistas e nos espaços da AMB!de Ciências Humanas, Comunicação e · A Setorial de Mulheres do PT/DF.Direito dessa instituição de ensino, que · A Gráfica Athalaia de Brasília, quecontribuíram para tornar realidade este apoiou com cartazes para o ENAMB. Comitê Político Nacionalencontro. · A toda equipe do CFEMEA, pela da Articulação de Mulheres Brasileiras A todo o pessoal do DCE/UnB, em empreitada de contribuir na organizaçãoespecial a Priscilla Caroline Brito, pelo e realização do ENAMB 2011, a Gildaapoio e parceria durante o encontro. Cabral e também ao companheiro Ivonio Às muitas companheiras feministas Barros, da Universidade Livre Feminista.do DF, em especial, a Leila Regina Fundamentais foram também asLopes Rebouças, nosso obrigado pelo mulheres feministas da equipe dasmeses de dedicada preparação e pela Cunhã - Coletivo Feminista, do Coletivoacolhida: Leila Diniz e do SOS CORPO. A todas, · À Ana Liesi Thurler e às muito obrigada.companheiras do Fórum de Mulheres do Ficamos felizes e orgulhosas porDistrito Federal. contar com tantas feministas que se32 33
  • 18. ANEXo Relação de Oficinas/Responsáveis do dia 31 de Março de 2011 – NoiteConversando com Gilda Cabral sobre orçamento Gilda Cabral/DFO encontro da AMB no olhar das mulheres de bairro Aline/PEReunião sobre a frente de luta contra a lesbofobia Alessandra e Luana/CEReunião com mulheres negras Vera Baroni/PEDiscutindo Economia Solidária Dina Lopes/BAConversando sobre mulher e poder Mary Ferreira - MAReunião das Promotoras Legais Populares Olga/DFMassoterapia Fátima CastroCorpos sadios, vaginas felizes Marta Geane/PAAuto cuidado, massagens e relaxamento Luíza Hubert/BAFalando de aids e preconceitos Rosária/BAMulher – corpos livres Civone Medeiros/RNPercussão Flavia/CE Foto: Gê34
  • 19. Foto: Cláudia Gazolawww.articulacaodemulheres.org.br