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Informe estrategias das mulheres para a rio 20 poa - janeiro 2012

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Transcript

  • 1. Estratégias das Mulheres para a Rio + 20 27-28 de Janeiro 2012 Fórum Social Temático - Porto AlegreDurante a atividade “As estratégias das Mulheres para a Rio+20” que teve lugar durante o FórumSocial Temático em Porto Alegre nos dias 27 e 28 de Janeiro a AMB contou com a participação deMulheres do Brasil e de 4 continentes, América Latina, Europa, Asia e Africa. Os debates foramprecedidos da projeção do vídeo “Planeta Fêmea” que mostra a exitosa participação das mulheresna ECO92 e que emocionou tanto as que 20 anos atrás estavam lá presentes como as que nãoestavam. A atividade teve como objetivo preparar a participação das mulheres para a a Rio+20, em junho de 2012, na perspectiva de articular a maior unidade possível do movimento de mulheres globalmente.(1) Na primeira mesa, no dia 27 de Janeiro, discutimos “O que estará em jogo na Rio+20?” econtamos para isso com a presença de Graciela Rodriguez (Articulação de Mulheres Brasileiras /Instituto Equit -Brasil), Lilian Celiberti (Articulación Feminista Marcosul / Cotidiano Mujer-Uruguay), Gigi Francisco (DAWN-Filipinas), Vera Baroni (Articulação Nacional de MulheresNegras/Brasil), Lourdes Huanca (Federación Nacional de Mujeres Campesinas, Artesanas,Indígenas, Nativas y Asalariadas del Perú - Perú) e Carmen Foro (Coordenadora Marcha dasMargaridas / CONTAG/CUT - Brasil).Durante as apresentações foram abordadas a crise financeira global, a proposta de tema daConferência oficial - a chamada “economia verde” – cujo debate precisa ser melhor, pois trata-seuma economia maquiada mas com as mesmas mazelas do modelo de desenvolvimento hegemônicoe temas como o racismo ambiental, os direitos sexuais e reprodutivos, o modelo dedesenvolvimento, sustentabilidade política, ambiental, cultural, social e econômica, entre outros. Entre as participantes da mesa, Lilian Celiberti enfatizou que na realidade a verdadeira sustentabilidade é a justiça social, que hoje está atravessada pelo derrotado sistema de dominação racista, lesbofóbico, homofóbico, hetero-sexista e sexista. Também lembrou que há 20 anos um dos aportes mais inovadores que trazia o feminismo ao debate público foi a “ética de um outro mundo”, ou seja a idéia que não precisamos só mudar algumas Lourdes Huanca, Graciela Rodriguez, Lilian coisas do modelo, mas sim a raiz, a base dele. Celiberti, Gigi Francisco
  • 2. Vera Baroni colocou o pertinente debate sobre o racismo ambiental, com todos os impactosespecíficos tanto das mudanças climáticas quanto dos desastres naturais e dos processos produtivoscontaminantes especialmente sobre as populações negras e quilombolas do campo e da cidade.Também observou como a utopia das elites brasileiras de que o desenvolvimento industrial iriasuperar o subdesenvolvimento e a pobreza não se realizou, e agora a “economia verde” significamais um rearranjo do capitalismo para continuar tirando proveito do modelo de sempre. Lourdes Huanca ressaltou a importância de mostrar a aliança estratégica campo-cidade para que as mulheres ganhem força na luta feminista contra a sociedade patriarcal. Destacou que graças a suas irmãs feministas, ela aprendeu a dar valor ao ser mulher a ao seu corpo. Assim, disse “como defendo o território da minha terra, também defendo o território do meu corpo. Por isso me considero uma camponesa feminista”.Gigi Francisco considera a Rio+20 como uma oportunidade para que as mulheres do Brasil e detoda a América Latina se unam, mas também ela enfatiza que o processo deve se expandir paraincluir movimentos de mulheres de todo mundo para que a Rio+20 seja um evento verdadeiramenteglobal. Nesse sentido destacou também a importância de interligar a Rio+20 com Cairo+20 (em2014 serão comemorados os 20 anos da Conferência Internacional sobre População eDesenvolvimento (CIPD) que teve lugar em Egito, na cidade do Cairo em 1994). Carmen Foro enfatizou a necessidade de ampliar a participação das mulheres no processo de construção da Rio+20 mobilizando as que não estão ainda envolvidas mas que sofrem as consequências do atual modelo de desenvolvimento. Também foi destacada a necessidade de estarmos “juntas e separadas” ao mesmo tempo, ou seja cada organização pudendo realizar ações de forma separada, mas também termos ações conjuntas a partir da agenda comum de lutas. Lourdes Huanca, Vera Baroni, Graciela Rodriguez, Carmen Foro e Gigi FranciscoGraciela Rodriguez colocou sua enfase na necessidade de analisar o marco da crise financeiraglobal que atravessa o mundo e o poder crescente das empresas transnacionais, a partir do queanalisou que a Rio+20 será um cenário de negocios que buscam desenhar a nova matriz energéticapos – petroleo e as crescentes necesidades do capital de apropriação da biomasa e da bioeconomiade forma geral. Assim, a questão da defesa dos bens comuns da terra e da humanidade torna-secentral para a resistência dos povos do mundo na Conferência de Junho. Lembrou que as mulheresdo campo e da cidade tem um grande potencial para enfrentar esse embate.Carmen Louw da Rede de Mulheres Rurais de Africa do Sul (Women on Farms) destacou aimportância de pensarmos na questão da terra. Na Africa do Sul o colonialismo provocou uma forteconcentração da propriedade da terra. Hoje os “sem terra”, e as mulheres em particular, estão seorganizando para recuperar suas terras de volta, questionado um modelo exportador que coloca apopulação e em particular as trabalhadoras em risco.
  • 3. (2)No segundo dia, 28 de Janeiro, na mesa “O processo na ONU, a Comissão Nacional Brasileirae a Cúpula dos Povos – Como nós mulheres estaremos nisso?” Participaram da mesa, nosajudando a entender melhor todos estes processos, Iara Pietricosvsky (INESC/Comitê Facilitador daSociedade Civil para a Rio+20), Sascha Gabizon (Women in Europe for a Common Future/ WomenMajor Group) e Graciela Rodriguez (I. EQUIT/ Articulação de Mulheres Brasileiras / ComitêFacilitador da Sociedade Civil para a Rio+20)Iara Pietricovsky fez um histórico recuperando os processos de luta da sociedade civil no Brasil edo processo nas Nações Unidas de debate sobre o futuro do planeta, apontando também aproblemática do ingresso do setor corporativo dentro da ONU no começo do milênio. “Ocapitalismo está tendo muita dificuldade em se reconfigurar” afirmou. Ela analisou o “RascunhoZero”, destacando que esse documento – que será a base das negociações dos governos em Junho -é uma tentativa de acomodar todos os setores, esvaziando todos os enfrentamentos políticos,enquanto deveria recuperar os acúmulos do ciclo de conferências sociais da ONU.Hoje o desafio é constituir uma agenda de consenso mínimo que possa impulsionar um movimentoglobal, crítico, que não se encerra na Rio + 20, e que possa mobilizar pessoas nas ruas paraconstranger os governos e as corporações e que possa dizer que nós estamos fora da saídacapitalista. “Não devemos dizer apenas que somos contra a economia verde, mas sim que sociedadee economia nós queremos: uma economia de direitos, comprometida com a sustentabilidade.” Sacha Gabizon, membro do Women Major Group (ou Grupo de Mulheres) que representa as Mulheres no processo oficial das Nações Unidas para a Rio+20, e convidou as mulheres brasileiras e latino-americanas a participar desse espaço. Ressaltou que organizaram a contribuição das mulheres para o documento base da Rio + 20 (Rascunho Zero) e destacou os pontos principais: crítica ao neoliberalismo e a política econômica hegemônica; críticas a economia verde como um Sascha Gabizon e Iara Pietrikovsky meio para incorporar mais tecnologias perigosas, comogeo-engenharia e nanotecnologia, necessidade de visibilização do trabalho reprodutivo dasmulheres que não é valorizado pelas sociedades. Finalmente, enfatizou a necessidade de defesa domecanismo de precaução e do principio “o poluidor paga” como também atentar para oenfrentamento das saídas pelas políticas malthusianas de controle demográfico e,consequentemente, pelo controle do corpo e violação dos direitos reprodutivos das mulheres.Graciela Rodriguez por sua vez destacou que não é só a Rio + 20 que está pensando a economiaverde, mas há uma articulação das agendas do G20, das COPs e da Rio + 20 nesta direção. O G20tem atualmente um papel central na governança global. São os mesmos temas: a economia verdepara superar a crise, o controle pela bio-economia e definição da matriz energética do planeta na erapós-petróleo. Importante atentar para o processo de articulação da governança global em todos essesprocessos.Teremos duas reuniões que acontecem ao mesmo tempo: G20 nos dias 18 e 19 de junho, noMéxico, e depois, na Rio + 20. Cúpula – entre 15 e 23 de junhoO processo organizativo da Cúpula dos Povos, que será realizado no Aterro do Flamengo, estásendo impulsionado pelo Comitê Facilitador da sociedade civil que está buscando construir umaunidade como também ampliar e internacionalizar o campo de alianças. No comitê facilitador asmulheres estão representadas pela AMB e pela MMM.Nós mulheres temos que organizar um processo participativo o mais amplo e representativopossível. Para isso, é necessário buscar articular as redes nacionais e internacionais de mulheres.
  • 4. Esta reunião representa um momento fundamental para discutir como será nossa presença naCúpula dos Povos e como iremos fazer este processo de mobilização.O que já está sendo pensado pelo Comitê Facilitador: no dia 20 de junho está previsto o dia demobilização global que poderá ser organizado como uma marcha. A idéia é que esse dia global sereproduza em outros lugares ao redor do mundo. Temos que pensar numa manifestação dasmulheres e temos que avançar na unidade ampla e possível para ter uma mensagem clara paragovernos e sociedades: basta de acordos não cumpridos e basta de soluções de mercado.(3) Debate sobre as Estratégias das Mulheres para a Rio+20Durante os debates foram surgindo as propostas, como da Schuma que analisou: estamos ajudandoa construir a Cúpula dos Povos e compreendemos que é um espaço nosso, onde buscamos avisibilidade das mulheres e de nossa agenda, e também que o documento conjunto seja consistente eforte. Mas também queremos um momento para a agenda das mulheres e para dar visibilidade àsmulheres como sujeitas político, uma mobilização das diferentes redes de mulheres que tambémreivindique o nosso corpo como um território livre. Num primeiro momento, pensamos em fazerum tribunal de mulheres; depois um grande ato na rua ainda sem um formato definido.Para Diana Aguiar o fórum da AWID em Istambul-Turquia de 19 a 22 de Abril será um espaçointeressante para avançar na articulação internacional e pode ser um momento de enlace para aRio+20.Gigi Francisco de Filipinas colocou os desafios logísticos e principalmente de recursos, paraconseguir dar visibilidade as mulheres: no dia de ação global, e num espaço próprio das mulherescom música, poesia, feira de produtos artesanais, etc.Segundo Iara, temos que querer “ser escandalosamente felizes”. As pessoas estão capturadas pelalógica do consumo. Assim, precisamos re-capturar os desejos para uma lógica de harmonia entrehomens e mulheres e com a Natureza.Carmen Foro, da CUT e CONTAG, e coordenadora da Marcha das Margaridas, que levou emagosto passado 60.000 mulheres de todo o pais a Brasilia, defendeu a realização de um dia demobilização das mulheres na Cúpula dos Povos na Rio + 20.A AMB quer se unir a articulação dessa mobilização nacional e internacional numa propostacomum, plural e global.Entidades e redes, tais como o Movimento de Mulheres Camponesas – MMC, a UBM, aCoordenação Nacional de Comunidades Quilombolas, a REPEM - Rede de Educação Popular entreMulheres, o FPMM – Forum Permanente de Mulheres de Manaus, Women on Farms (Africa doSul), dentre outras, se comprometeram no esforço mobilizador em seus âmbitos de atuação.Também outras redes internacionais presentes mostraram o interesse de se engajar neste processopreparatório, e neste sentido o formato organizativo precisa incluir metodologias e meios decomunicação virtuais que permitam a participação a distancia. Precisamos eleger temas que nosunam, para ter força e visibilidade no contexto da Rio + 20.Foi remarcada a importância de dar visibilidade as Alternativas e Experiencias positivas que asmulheres temos.
  • 5. (4) Acordos alcançados para nossa presença na Rio+20Entre os acordos alcançados entendemos que o evento das mulheres será um processo autônomo, nomarco da “Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental” que tem entre suas idéias força adenuncia da mercantilização da vida e das falsas soluções de mercado para a crise climática eambiental que estão contaminando, aquecendo e envenenando o planeta.Concordamos em propor a organização unitária de um Território das Mulheres e em discutir omais amplamente possível como utilizar esse espaço conjuntamente e também com atividadesarticuladas por cada organização, rede ou movimento social.Devemos continuar a aprofundar os temas que estarão em jogo na Rio+20 como a chamadaEconomia verde e as formas que adotará a governança ambiental global, que são na verdade assaídas à crise e o controle dos negócios que tal economia promove pelas grandes corporaçõestransnacionais e os governos dos países mais ricos. O tema do aproveitamento dos recursos naturais,dos bens comuns e do acesso à terra e a Reforma Agrária são questões fundamentais do debate emtorno a Rio+20.Por tudo isto queremos mobilizar uma ampla articulação nacional que busque preservar a unidadedo movimento de mulheres para alcançarmos na Rio+20 uma presença e expressão política damaior força e pluralidade.Neste sentido, iremos promover formas de comunicação e de divulgação de informações através daarticulação de redes e entidades nacionais e internacionais, tentando ao mesmo tempo aproveitar asatividades tais como a Cúpula das Américas (Abril – Colômbia), Fórum AWID (Abril – Turquia),Encontro de Mulheres Rurais (Equador) para articular e ampliar este processo organizativo.A mobilização de recursos torna-se agora fundamental para garantia de um processo amplo einclusivo. Precisamos nos engajar seja no nível nacional quanto internacional para viabilizarrecursos que permitam a chegada das mulheres organizadas a Rio em Junho próximo.Em termos político-operativos, contamos com o Comitê Facilitador da Sociedade Brasileira que é aarticulação ampla de movimentos sociais e organizações, espaço aberto de conexão nacional einternacional, com acordo em termos de temas, organização e mobilização social para Rio+20.Existem diversos Grupos de Trabalho – GT de Metodologia, de Comunicação, de acompanhamentodo Processo Oficial, de Mobilização, Território, e o GT Rio (formado por organizações do RJ).Finalmente, consideramos importante apontar para a unidade de ação das mulheres na Rio+20 euma das propostas seria a organização de um dia de Ação Global das Mulheres durante a Cúpula.Estaremos presentes na Rio+20!. De nós depende a contundência dessa presença.Seja em eventos específicos das mulheres ou somadas às atividades da Cúpula - como o Dia deAção Global - faremos ouvir nossa voz por um planeta justo, eqüitativo e sustentável.Rio de Janeiro, fevereiro de 2012.Informe preparado por: Erika Masinara/Graciela Rodriguez (Instituto Equit)