UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ANIMAIS
APOSTILA DIDATICA
PROTOZOOLOGIA VETERINÁRIA
Prof...
Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 2
DADOS BIOGRÁFICOS
Sílvia Maria Me...
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PROTOZOOLOGIA VETERINARIA
A ciênc...
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duas zonas, uma externa, hialina,...
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Imagens de um ciliado e de uma Am...
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Esquema da reprodução do T.gondii...
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www.umanitoba.ca
OBS: Os protozoá...
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6. CLASSIFICAÇÃO SIMPLIFICADA DO ...
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Tritrichomonas a transmissao é me...
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6.Não adquirir touros de fazenda...
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Trofozoito da Giardia lamblia (h...
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Profilaxia: Lavar bem os aliment...
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ondulante, o cinetoplasto fica n...
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Ciclo biológico: O barbeiro inge...
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Rosado, 2006Rosado, 2006
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Características morfológicas:
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Local: Os protozoários se multip...
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Características morfológicas (co...
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Sintomatologia no cão
OBS. Foi p...
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Profilaxia: Eliminação de cães i...
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Coccídeo com ciclo evolutivo dir...
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3.Macrogametócito - estrutura ar...
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II - Ciclo evolutivo proliferati...
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3. Coccidiose em coelhos: Deve s...
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Patogenia: A patogenia depende d...
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Esses merozoítas rompem a célula...
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Estrutura de oocisto esporulado ...
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Características: esporulação den...
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oral, de animais para o homem ou...
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reprodução lenta do Toxoplasma g...
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Ciclo biológico: O Toxoplasma go...
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anticorpos e os taquizoítas entã...
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deve-se impedir o acesso dos gat...
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Importância em Medicina Veteriná...
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Ciclo do Isospora: o período de ...
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8.2 Classe Piroplasmasida - Orde...
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Sangue de cão: grandes babesias ...
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oocineto. Este penetra nas célul...
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REFERENCIAS CONSULTADAS
ALMOSNY,...
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Apostila didatica protozoologia veterinária

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ANIMAIS APOSTILA DIDATICA PROTOZOOLOGIA VETERINÁRIA Profa. Dra. Sílvia Maria Mendes Ahid MOSSORÓ – RN 2009
  2. 2. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 2 DADOS BIOGRÁFICOS Sílvia Maria Mendes Ahid, natural de São Luis, Estado do Maranhão. Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual do Maranhão (1984), possui especialização em Biologia Parasitária pela Universidade Federal do Maranhão (1986); Mestrado em Medicina Veterinária, área de concentração em Acarologia Veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1990); Doutorado em Biologia Parasitária (1999), área de concentração em Entomologia Médica pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ-RJ). Docente em Parasitologia Animal na Medicina Veterinária desde 1987. Atualmente, como docente nos cursos de graduação em Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). Participa como pesquisadora docente no Programa de Mestrado em Ciências Animal do Departamento de Ciências Animal da UFERSA. Imagem da Capa: A - Oocisto esporulado de Eimeira spp. B – lesões provocadas pela gametogonia da Eimeria no intestino delgado de pequenos ruminantes. Permitido a reprodução pela autora 4ª Edição – 2009.
  3. 3. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 3 PROTOZOOLOGIA VETERINARIA A ciência que estuda os protozoários denomina-se Protozoologia. FILO PROTOZOA Na taxonomia de Lineu, estavam agrupados no filo Protozoa (em grego protos = primeiro e zoon = animal) do reino Animalia, todos os organismos eucariontes (com núcleo celular organizado) e unicelulares, maioritariamente heterotróficos (que não realizam a fotossíntese). Muitos protozoários apresentam orgânulos especializados em determinadas funções, daí serem funcionalmente, semelhantes aos órgãos. Suas células, no entanto, podem ser consideradas “pouco especializadas”, já que realizam sozinhas, todas as funções vitais dos organismos mais complexos, como locomoção, obtenção do alimento, digestão, excreção, reprodução. Nos seres pluricelulares, há divisão de trabalho e as células tornaram-se muito especializadas, podendo até perder certas capacidades como digestão, reprodução e locomoção. O protozoário é uma única célula que, para sobreviver, realiza todas as funções mantenedoras da vida: alimentação, respiração, reprodução, excreção e locomoção. Para cada função existe uma organela própria, como, por exemplo: • Cinetoplasto: mitocôndria especializada, rico em DNA; • Corpúsculo basal: onde estão inseridos os cilios e flagelos; • Reservatório: local de secreção, excreção e ingestão de macromoléculas, por pinocitose; 1. MORFOLOGIA DOS PROTOZOÁRIOS Unicelulares, eucariontes, com organelas adaptadas ao parasitismo, membrana lipoprotéica para limitar as trocas (permeabilidade), que pode ser fina ou grossa, uninucleados, sendo que o período que precede a divisão pode ter vários núcleos, presença de organelas estáticas, como a membrana cística, e de organelas dinâmicas, como flagelo e cílios. A célula do protozoário tem uma membrana simples ou reforçada por capas externas protéicas ou, ainda, por carapaças minerais, como certas amebas (tecamebas) e foraminíferos. Há estruturas de sustentação, como raios de sulfato de estrôncio, carapaças calcáreas ou eixos protéicos internos, os axóstilos, como em muitos flagelados. O citoplasma está diferenciado em
  4. 4. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 4 duas zonas, uma externa, hialina, o ectoplasma, e outra interna, granular, o endoplasma. Nesta, existem vacúolos digestivos e inclusões. Fonte: Rey (2001) Flagelo: Organela que se origina do cinetoplasto e ao se dirigir para a cauda carrega uma membrana, formando a membrana ondulante. Ele precisa de muita energia e aparece na classe dos Trypanosoma. A função é criar movimento, quer da célula em si (nos organismos unicelulares), quer do fluido envolvente. Exemplar de TrypanosomA: flagelo livre (Rey, 2001) Outros exemplos: Leishmania chagasi, causa a leishmaniose tegumentar. Trypanosoma cruzi, causa a doença de Chagas, Trichomonas sp. causa a tricomoníase. Cílios: dão impulso ao parasito, mas atuam compondo a flora intestinal de ruminantes. São apêndices com movimento constante numa única direção. São estruturalmente idênticos aos flagelos e geralmente usa-se o termo quanto eles são numerosos e curtos. Os protozoários com cílios (Ciliophora ou ciliados) usam-nos na locomoção ou simplesmente para moverem o líquido em que se encontram. Pseudópodes: são prolongamentos citoplasmáticos encontrado em amebas. Geralmente emite apenas um prolongamento citoplasmatico e o corpo acompanha.
  5. 5. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 5 Imagens de um ciliado e de uma Ameba em movimento. Existem os Esporozoários, que não possuem orgânulos para locomoção. São parasitas que apresentam reprodução assexuada chamada de esporulação: uma célula divide seu núcleo numerosa vezes; depois, cada núcleo com um pouco de citoplasma é isolado por uma membrana, formando esporos a partir de uma célula. Eimeria e Isospora Babesia SP 2. REPRODUÇÃO DOS PROTOZOÁRIOS 2.1. Assexuada: célula mãe origina célula filha 2.1.1. Divisão binária simples - Núcleo se divide igualmente dando origem a duas células idênticas à mãe. Ex.: Trypanosoma e Leishmania. Fonte: Fortes (1997) 2.1.2. Divisão binária sucessiva ou divisão múltipla - é o caso das amebas. 2.1.3. Brotação - brotamento de novas células dentro da célula mãe. Ex. Babesia 2.1.4. Endodiogenia - dentro da célula mãe ocorre a formação das células filhas (núcleo e citoplasma) e só depois se rompe a membrana citoplasmática da mãe. Ex. Toxoplasma.
  6. 6. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 6 Esquema da reprodução do T.gondii por endodiogenia: A - trofozoita; B – inicio com formação de dois conoides filhos e o núcleo com aspecto um U; C- completa divisão nuclear e individualização dos trofozoítas filhos, pelo crescimento da membrana em direção posterior; C e D – separação dos dois novos trofozoítas, abandonando os restos da célula mãe que irá degenerar em seguida (REY, 2001). 2.1.5. Esquizogonia - esquizonte (célula que sofrerá esquizogonia) o núcleo se divide sucessivamente e ocorre formação de milhões de merozoítos, com invasão de novas células. Precede uma Gametogonia. 2.2. Sexuada (Gametogonia ou Esporogonia): Ocorre após a esquizogonia, nela há troca de material genético entre os gametócitos. 1.Cópula - Acasalamento dos gametas. 2.Conjugação- fusão entre célula fêmea e macho dando origem à célula filha. O macho (microgameta) geralmente é menor que a fêmea (macrogameta), mas as células filhas são todas iguais (isogametas), chamadas de oocistos que são liberados no meio ambiente.
  7. 7. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 7 www.umanitoba.ca OBS: Os protozoários podem apresentar 2 tipos de reprodução juntos. Os estágios infectantes são Esporozoítos no meio ambiente e Trofozoítos e Bradizoítos no hospedeiro 3. NUTRIÇÃO DOS PROTOZOÁRIOS I -Holozóica - Nutrem-se de matéria orgânica já elaborada. Envolve a captura, ingestão, assimilação e eliminação das porções não digeridas. Protozoário tira a substância do hospedeiro, digere e joga fora. Ocorre na maior parte dos protozoários. Ex.: Amebas, Plasmodium. II - Saprozóica - Utilizam a matéria orgânica e inorgânica dissolvida em líquidos. São osmotróficos (absorvem substâncias digeridas da célula ou do tecido do hospedeiro). Ex.: Trypanosoma. III - Holofítica - Protozoários sintetizam seu material nutricional usando raios solares como fonte de energia. Não tem importância veterinária. Ex.: fitoflagelados. Digestão: Nas espécies de vida livre há formação de vacúolos digestivos. As partículas alimentares são englobadas por pseudópodos ou penetram por uma abertura pré-existente na membrana, o citóstoma. Já no interior da célula ocorre digestão, e os resíduos sólidos não digeridos são expelidos em qualquer ponto da periferia, por extrusão do vacúolo, ou num ponto determinado da membrana, o citopígio ou citoprocto. 4. RESPIRAÇÃO DOS PROTOZOÁRIOS I- Aeróbica- Vive em meio rico em oxigênio. II- Anaeróbica- Vivem em meio onde não há muito oxigênio. 5. TIPOS DE PARASITAS SEGUNDO O CICLO DE VIDA I - Monoxeno: Só necessita de um hospedeiro. Ex: Eimeria, Trichomonas. II - Heteroxeno: Precisa de + de 1 hospedeiro para completar o ciclo. Ex. Leishmania
  8. 8. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 8 6. CLASSIFICAÇÃO SIMPLIFICADA DO FILO PROTOZOA: (Disciplina Parasitologia Animal/UFERSA) SUBFILOS SARCOMASTIGOPHORA APICOMPLEXA (SPOROZOA) Classes Mastigophora Sporoasida ou Coccidia Locomoção por flagelos Tritrichomonas, Giardia, Histomonas, Trypanosoma, Leishmania, Eimeria, Isospora, Cryptosporidium, Neospora, Toxoplasma, Sarcocystis Piroplasmasida Babesia 7. SUBFILO SARCOMASTIGOPHORA Estão compreendidos os protozoários que possuem organelas para sua locomoção como: flagelos, pseudópodes ou ambos. Normalmente não são intracelulares. 7.1. CLASSE MASTIGOPHORA: Locomoção por flagelos 7.1.1. Ordem Trichomonadida: Possuem 3 a 6 flagelos (sendo um recorrente) unidos a uma membrana ondulante. Família Trichomonadidae: Espécie Tritrichomonas foetus O Trichomonas são protozoários simbióticos obrigatórios dos vertebrados e são caracterizados morfologicamente pelo formato piriforme, quatro a seis flagelos anteriores e um flagelo recorrente (OLSEN, 1991). Diferentes espécies de Trichomonas parasitam vários grupos de animais. Assim, o Tritrichomonas suis pode ser encontrado na cavidade nasal, estômago, ceco, colo e ocasionalmente no intestino delgado de porcos domésticos. O Trichomonas gallinae acomete o trato digestivo superior e vários órgãos de diferentes grupos de aves, particularmente comum nos columbiformes. Outras espécies de Trichomonas parasitam répteis, peixes e anfíbios (NEVES, 1998). O T. foetus (RIEDMÜLLER, 1928), encontrado no trato genital de bovinos e zebuínos e mais recentemente identificado como patógeno intestinal de gatos domésticos (GOOKIN et al., 1999; LEVY et al., 2003).
  9. 9. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 9 Tritrichomonas a transmissao é mecânica, se dá através do coito, por isso esse protozoário não apresenta forma cística, já que não necessita de forma resistente no meio ambiente. O macho uma vez infectado passa a ser o agente transmissor e reservatório. Pode ocorrer contaminação por fômites e inseminação artificial. As vacas por sua vez adquirem resistência com o tempo, podendo dar origem a terneiros sãos por inseminação artificial (para não contaminar os touros). Fêmeas jovens podem se infectar ao entrar em contato com animais infectados ou através de insetos veiculadores. Importância em Medicina Veterinária: A repetição de cios com intervalos irregulares e o aborto, com maior freqüência até os cinco meses de gestação, com ou sem o aparecimento de piometra (eliminação de pus do útero) são os principais sinais clínicos no rebanho, para os quais o produtor deve estar atento. Vários métodos podem ser utilizados para o controle da tricomonose em rebanhos, sendo todos baseados na separação de touros e matrizes positivos. 1.Descarte periódico de touros velhos (acima de 6 anos) e introdução de touros jovens testados ou virgens. 2. Evitar touros “arrendados” ou utilizados em parceria. 3. Testar os touros antes da estação de monta, para proceder a escolha dos reprodutores que vão entrar na monta e após o seu termino, para identificar animais que serão descartados. 4.Em rebanhos positivos submeter a repouso sexual fêmeas positivas, ou que não emprenharam por, no mínimo, três ciclos consecutivos, para que as mesmas possam adquirir imunidade ao Tritrichomonas foetus. 5.Descarte seletivo: Devem ser descartados todos os touros positivos e as fêmeas que falharem na concepção, abortarem ou apresentarem piometra, assim como as que forem comprovadamente positivas no teste.
  10. 10. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 10 6.Não adquirir touros de fazendas com problema de tricomonose, ainda que touros virgens. Não adquirir também fêmeas prenhes, que falharam ou abortaram. Só adquirir novilhas. 7.Vacinação: mais recentemente têm sido desenvolvidas vacinas de eficiência comprovada em estudos isolados, não tendo ainda sido largamente aplicadas com sucesso no país, para que possam ser recomendadas em detrimento dos métodos tradicionais de controle. 8.Introduzir manejo exclusivo com inseminação artificial (quando viável, em gado leiteiro, por ex.) significando não usar em hipótese nenhuma o touro de repasse. 9. Quando o produtor não tiver possibilidade de efetuar um descarte mais rigoroso logo que detecta a doença na propriedade, uma alternativa é a manutenção de um rebanho com animais infectados e outro de animais livres, que devem ser mantidos absolutamente separados. Os touros infectados devem ser utilizados para cobrir exclusivamente fêmeas infectadas. As fêmeas sadias, novilhas ou fêmeas que levaram a gestação a termo devem ser cobertas por touros virgens ou comprovadamente negativos (três testes negativos consecutivos). Isto, entretanto, pode surtir resultado somente em rebanhos menores, sendo quase inviável em sistemas extensivos. Qualquer animal que for introduzido na propriedade deve provir de rebanhos sem histórico de tricomonose e ainda assim possuírem três resultados negativos para o parasito. Adicionalmente, antes da estação de monta deve-se examinar os touros, descartando os que se apresentarem positivos. 7.1.2. Ordem Diplomonadida: Família Hexamitidae: Gênero Giardia: Apresentam simetria bilateral e 6 a 8 flagelos. Localizaçao no intestino delgado Existem evidências de que Giardia lamblia não apresenta especificidade quanto ao hospedeiro e pode parasitar seres humanos, assim como uma variedade de outros animais, sendo considerada uma importante zoonose (SOGAYAR; GUIMARÃES, 2000). Embora alguns autores prefiram separar as espécies segundo o hospedeiro: G. canis – cão; G. bovis - bovinos; G. cati - gato; G. caprae – caprinos; G. equi – eqüinos e G. duodenalis – coelho. Características morfológicas: As formas evolutivas são: cistos e trofozoítos. A forma trofozoíta possui dois núcleos, oito flagelos, dois axóstilos, discos suctórios (ventosas) que mantém o parasito na mucosa para que ele se alimente. A forma cística possui quatro núcleos e sem flagelos. Ambos possuem simetria bilateral. As formas evolutivas são:
  11. 11. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 11 Trofozoito da Giardia lamblia (humano): vista frontal (1), vista lateral (2). A. núcleos, B. Blefaroplastos, C. Disco suctorio, D. Flagelo anterior, E. Flagelo mediano, F. Flagelo ventral, G. flagelo caudal, H. corpos parabasais, Ax. anoxemas. (CAMPOS, 1994). Cisto de Giardia: Cisto com quatro núcleos (Giardia), dois cistos com dois núcleos (Entamoeba), N. núcleos, A. axonemas, CP. Corpos parabasais. (CAMPOS, 1994). (CAMPOS, 1994). Transmissão: Ingestão de cistos contidos nos alimentos e água. Os cistos são viáveis por até duas semanas no ambiente. Ciclo biológico: A contaminação se dá através da ingestão de alimentos ou água contaminados com a forma cística. No intestino ocorre a liberação dos trofozoítas que se multiplica por fissão binária. Algumas formas se encistam na mucosa do intestino e evoluem até cisto que é eliminado com as fezes, outras irão dar origem a formas trofozoítas que se fixam nas células do intestino. Mais tarde esses, se encistam, amadurecem e são eliminados como cistos ao meio exterior com as fezes. Bartmann e Araújo (2004) ao analisarem 526 amostras de fezes de cães de Porto Alegre, RS, 38% foram positivas para cistos de Giardia lamblia, sendo 22% eram menores de 11 meses de idade e 16% por animais com 12 meses ou mais de idade. Importância em Medicina Veterinária: Leva a casos de cólica e diarréia.
  12. 12. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 12 Profilaxia: Lavar bem os alimentos e só beber água filtrada. A forma cística (infectante) pode permanecer viável no ambiente por duas semanas. Os discos suctórios produzem irritação na mucosa intestinal, impedindo a absorção dos nutrientes e interfere na digestão. As fezes geralmente são anormais, pálida, tendo odor desagradável e parecendo gorduras, geralmente os animais perdem o apetite. 7.2. Ordem Rhizomastigina Família Mastigamoebidae : Histomonas meleagridis: organismos amebóides e uninucleados. Seu único flagelo nasce de um grânulo basal próximo ao núcleo. Localização na mucosa de ceco de aves e no fígado de perus. Fonte: Fortes (1997) Hospedeiro definitivo: Galinhas e perus. Podem aparecer em codornas, pintos e faisão. Hospedeiro intermediário: o verme nematóide Heterakis gallinarum. Ciclo biológico: A transmissão ocorre quando a ave ingere ovos de H. gallinarum (parasita dos cecos das aves) contendo cisto de Histomonas. O verme H. gallinarum ao se
  13. 13. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 13 alimentar da mucosa do ceco ou do fígado das aves se infecta com o protozoário. As aves ao se alimentarem podem ingerir ovos embrionados desse verme e quando a larva eclode, se fixa no intestino e os parasitos (Histomonas) liberam-se e penetram na mucosa do intestino onde se reproduzem por fissão binária. Importância em Medicina Veterinária: Pode levar a inflamação do ceco seguida de alterações patológicas no fígado (enterohepatite), acarretando na queda de produtividade do plantel e até morte das aves. É uma doença principalmente de aves jovens. Profilaxia: Os perus devem ser criados em terrenos que não tenham sido utilizados por galinhas, pois estas são os principais reservatórios da doença já que disseminam o parasito sem adoecer. Corte histológico do fígado de peru comprometido pela H. meleagridis. 7.3. Ordem Kinetoplastida: Família Trypanosomatidae: Gêneros Trypanosoma e Leishmania Estágios de vida conforme a forma evolutiva Forma tripomastigota: Estrutura em forma de foice que aparece sempre em esfregaço de sangue e em hospedeiro vertebrado. Apresenta flagelo livre na extremidade anterior, membrana ondulante, um núcleo central, cinetoplasto e blefaroplasto (local exato onde o flagelo se forma). Forma opistomastigota: Estrutura em forma de foice que apresenta cinetoplasto posterior e perto do núcleo e flagelo livre sem membrana ondulante. Forma epimastigota: Estrutura em forma de foice onde o cinetoplasto é anterior e aparece próximo ao núcleo. Forma promastigota: estrutura em forma de foice que aparece em cultura de células e em hospedeiro invertebrado. Ë uma forma alongado, onde o flagelo não forma membrana
  14. 14. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 14 ondulante, o cinetoplasto fica na extremidade anterior, longe do núcleo e também apresenta núcleo central. Forma amastigota: estrutura arredondada que aparece dentro de células e por isso não necessita de movimento, logo não apresenta flagelo. Possui um núcleo central e um cinetoplasto em forma de bastão. Sempre em hospedeiro vertebrado. Reprodução: Assexuada por divisão binária Transmissão: inoculativo (Seção salivaria) ou contaminativo (Seção Stercoraria) Seção Stercoraria (Transmitido através das Fezes) I- Trypanosoma cruzi Características morfológicas: Forma tripomastigota (circulante), forma de C, extremidades pontiagudas, forma infectante, núcleo central grande (se cora em roxo), presença de membrana ondulante e flagelo, cinetoplasto grande (forte) e próximo à extremidade posterior (se cora em roxo). Na forma arredondada, é encontrada fixa nos tecidos, é a fase de multiplicação, núcleo não tão grande e se localiza em células cardíacas. Vetor: barbeiros
  15. 15. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 15 Ciclo biológico: O barbeiro ingere as formas circulantes (tripomastigota) na picada ao hospedeiro contaminado. No tubo digestivo o protozoário se multiplica e se transforma em promastigota e depois epimastigota e no final do trato digestivo encontra-se a forma infectante (tripomastigota metacíclica). Quando o barbeiro se alimentar à noite defeca próxima a picada (Trypanosoma da secção stercoraria - transmissão contaminativa). Ao se coçar, as fezes contaminadas contaminam a ferida. No tecido retículo endotelial a forma amastigota sofre divisão binária e vai à circulação, onde se transforma em tripomastigota (cinco na circulação). Grande número de tripomastigotas é destruído, os que escapam realizam novas localizações em diferentes órgãos e tecidos (musculaturas do cólon, esôfago, baço, fígado, coração) onde se transformam em amastigotas constituindo os focos secundários e generalizados. Destes focos secundários, os amastigotas, após multiplicação, com novas invasões, evoluem para a forma flagelada e voltam ao sangue periférico para recomeçar o ciclo. O inseto é infectado ao picar o homem para se alimentar. Seção Salivaria (transmitido por picada; inoculativo) II - Trypanosoma vivax. O Trypanosoma vivax é um hemoprotozoário que infecta ungulados selvagens e domésticos. No Pantanal, foram relatados surtos que, embora esporádicos, são responsáveis por perdas econômicas consideráveis. Esses prejuízos devidos à alta mortalidade e morbidade resultam em perdas na produção de carne e leite. Os bovinos infectados apresentam como sintomatologia febre, letargia, anorexia, diarréia, anemia, conjuntivite, aborto e morte. Esses
  16. 16. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 16 sintomas dependem da virulência da cepa, suscetibilidade da espécie hospedeira e resistência dos animais infectados. Este trabalho teve como objetivo determinar a epidemiologia de T. vivax, avaliando a dinâmica da infecção num rebanho de vacas adultas, Nelore, onde esse hemoprotozoário ocorre endemicamente (Melo et al, 2003) . Cães e suínos são refratários. Vetores: o Stomoxys calcitrans e tabanídeos (mutucas). Encontrado no Pantanal do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, recentemente na Paraíba (ROSADO, 2006). Características morfológicas: Forma tripomastigota; forma de foice, mas sem forma de C e bem menor que o T. cruzi; núcleo grande e central (se cora em roxo); cinetoplasto pequeno e fraco (se cora em roxo); extremidade posterior mais arredondada. Importância em Medicina Veterinária: Leva a doença de caráter crônico onde, ao longo dos anos, o animal pode ou não estar contaminado. Na África ele utiliza como vetor a mosca Tsé tsé e leva a doença do sono. Pode causar morte por hemorragia ou isquemia. Rosado (2006); Carvalho et al (2008) Ciclo biológico: O vetor pica o hospedeiro contaminado ingerindo a forma tripomastigota e na sua probóscida se transforma em promastigota, que se multiplica por divisões binárias sucessivas e quando o inseto pica novamente outro animal inocula as formas promastigotas que penetram nas células retículo endoteliais virando amastigotas e caem na circulação sangüínea virando tripomastigota. A Profilaxia é feita pelo combate aos vetores.
  17. 17. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 17 Rosado, 2006Rosado, 2006 Rosado, 2006 III - Trypanosoma evansi (= T. equinum) Hemoprotozoario flagelado conhecido por causar a doença denominada “mal das cadeiras” em eqüinos. De ampla distribuição geográfica, especialmente na Africa e America Latina. Hospedeiro: comumente acomete os eqüinos. Registros em cães e ruminantes. A capivara e os morcegos hematófagos são reservatórios. A literatura registra como vetores mecânicos os tabanídeos (mutucas), especialmente nas épocas quentes dos anos e as moscas hematófagas Stomoxys calcitrans, embora possa existir a possibilidade de transmissão por morcegos hematófagos. A transmissão oral é possível entre cães, quatis e capivaras durante ataques entre os parasitados e os sadios. Características morfológicas: Protozoário geralmente monomorfo, com núcleo visível; cinetoplasto pequeno, quase invisível, bem terminal; aparece sempre em um bom número; membrana ondulante bem visível e grânulos no citoplasma. Localiza-se no sangue e linfa
  18. 18. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 18 . Typanosoma evansi, imagem por microcopia eletronica. (Adapted from Vickerman K: Protozoology. Vol. 3 London School of Hygiene and Tropical Medicine, London, 1977, with permission.) Ciclo biológico: Os vetores picam o hospedeiro contaminado e se alimentam da forma tripomastigota e essa forma que é diretamente inoculada em outros animais (Trypanosoma da secção salivariava - transmissão inoculativa). Não ocorre desenvolvimento do Trypanosoma no inseto, a transmissão é mecânica. Como a picada do tabanídeo é dolorosa facilita a transmissão, pois o animal sente logo e se coça. Importância em Medicina Veterinária: essa espécie causa na América do Sul a doença crônica (curso de uma semana a seis meses) nos cavalos chamada de "Mal das cadeiras", quebra bunda, Mal das ancas ou surra. Doença nas quais os sintomas na fase aguda se caracteriza pelo aparecimento de febre intermitente,e edema subcutâneo, anemia progressiva, cegueira, letargia e alterações hemostáticas e paralisia progressiva dos membros posteriores. Esse protozoário também tem relação com anemia infecciosa eqüina, desenvolve- se muito bem em animais de laboratório matando-os por hemorragia interna generalizada. As formas tripanosoma são viáveis até 8 horas. A parasitemia ocorre de 4 a 8 dias. Nos cães podem apresentar edema de subcutâneo nas pernas e no focinho. Podendo ter comprometimento renal levando a morte (SILVA et al., 2008). Geograficamente, no Brasil estar limitada na região do Pantanal do Mato Grosso. A Profilaxia deve ser feita pelo Combate aos vetores. IV - Trypanosoma equiperdum. Hospedeiros: Eqüinos. Os asininos são reservatórios. A transmissão é direta, através do coito (hospedeiro para outro sem auxílio de insetos vetores)..
  19. 19. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 19 Características morfológicas: Forma tripomastigota; núcleo bem visível; cinetoplasto bem pequeno; aparece sempre em um bom número; membrana ondulante bem visível; número maior de grânulos no citoplasma. Ciclo biológico: É um Trypanosoma da secção stercoraria cuja transmissão é venérea, ou seja, via sexual. Raramente ocorre, mecanicamente, através de picadas de insetos. Importância em Medicina Veterinária: Leva a uma doença venérea chamada Durina ou Mal do coito, no qual os sintomas são: secreção da mucosa genital em excesso; edema dos órgãos genitais; prurido da região; despigmentação das áreas circunvizinhas; manchas de sapo; paralisia dos músculos faciais e oculares em casos severos pode ocorrer aborto. V - Gênero Leishmania É transmitido para o vertebrado pela picada de um inseto vetor. Há duas espécies de importância: L. chagasi (Leishmaniose visceral) e L. braziliensis. (Cutânea). I- Leishmania chagasi Hospedeiro definitivo: homem e cães. Vetores: Lutzomyia longipalpis no Brasil. Imagens acima: formas promastigotas; esquema da inoculação pelo mosquito no vertebrado.
  20. 20. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 20 Local: Os protozoários se multiplicam no interior de macrófagos, que acabam sendo destruídos, causando a liberação dos parasitos, que acabam por invadir macrófagos vizinhos. Distribuição Geográfica:
  21. 21. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 21 Características morfológicas (corte histológico de fígado ou baço) as estruturas são arredondadas pequenas e aglomeradas; Núcleo central; Ausência de flagelo; Encontrada nos vertebrados; Encontrada no inseto vetor; Corpo alongado; Flagelo livre na extremidade anterior do corpo. Ciclo de vida: Na picada o vetor se infecta com a forma amastigota e essas se transformam em promastigotas, que ao se multiplicarem podem até obstruir o canal alimentar do inseto. Esse ao inocular saliva no hospedeiro definitivo manda aquele “bolo” de formas promastigotas que penetram nas células retículo endotelial e se transformam em amastigotas, que se multiplicam e ganham a corrente sangüínea e vão ao baço ou fígado. Importância em Medicina Veterinária: a L. chagasi é um parasito exclusivo do Sistema Fagocitário Mononuclear (antigo Sist. Ret. Endotelial), principalmente das células localizadas no baço, fígado e medula óssea, quando os parasitos são liberados, fagocitados por novas células e este ciclo continua indefinidamente. A conseqüência é o aumento dos órgãos (hepato e esplenomegalia), a medula óssea sofre atrofia uma vez que as células reticulares aí situadas são desviadas, pelo parasitismo, para a função macrofágica. Provoca a leishmaniose visceral ou calazar, onde as formas promastigotas se proliferam nos macrófagos e os destroem. Em casos avançados pode atingir o tubo digestivo causando diarréia e abdome distendido. A mortalidade alcança 70 a 90% nos casos não tratados. É uma zoonose e os cães são excelente reservatório de Leishmania para o homem. Há uma teoria de que os cães não gastam as unhas pelo fato de estarem fracos.
  22. 22. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 22 Sintomatologia no cão OBS. Foi proibido no Brasil tratar cães positivos para Calazar (Portaria Interministerial N.1426, de 11.07.2008).
  23. 23. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 23 Profilaxia: Eliminação de cães infectados e combate aos vetores. II - Leishmania braziliensis Hospedeiro definitivo: Homem e cães. vetores: Lutzomyia Características morfológicas (em corte histológico de pele): Estruturas arredondadas pequenas e aglomeradas; Núcleo central; Ausência de flagelo. Patogenia: A infecção estabelece-se pela inoculação de promastigotas através da picada de flebotomíneos. Os parasitos ficam incubados (média de 2 semanas a 2 meses) nas células histiocitárias da pele onde se multiplicam, sob a forma de amastigotas, aparece então a lesão inicial. Ciclo biológico: Na picada o vetor se infecta com a forma amastigota e essas se transformam em promastigotas, que ao se multiplicarem podem até obstruir o canal alimentar do inseto. Esse ao inocular saliva no HD manda aquele “bolo” de formas promastigotas que penetram nas células do retículo endotelial e se transformam em amastigotas, que se multiplicam e ficam ali mesmo na pele do hospedeiro. Profilaxia: eliminar cães infectados e combater os vetores. Se prevenir contra insetos principalmente nos bosques úmidos. 8. SUBFILO APICOMPLEXA Características: Com complexo apical (serve para penetração na célula) em alguma fase de sua vida; Parasitas intracelulares; Só os microgametas (gametas masculinos) apresentam flagelos. 8.1. Classe Sporozoa: Ordem Eucoccidiorina. 8.1.1. Subordem Eimerina - Família Eimeriidae
  24. 24. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 24 Coccídeo com ciclo evolutivo direto; Oocistos contendo esporocistos, cada um com esporozoítos no seu interior. A reprodução merogonia e gametogonia ocorre nos hospedeiros e a esporogonia podendo ocorrer fora ou dentro do hospedeiro dependendo do coccídeo. Gêneros: Eimeria e Isospora Hospedeiros - mamíferos, aves, répteis, peixes e ocasionalmente artrópodes. Características morfológicas: 1. Oocisto esporulado - estrutura ovóide, translúcida, esverdeado, com parede dupla e contendo esporocistos e esporozoítas. No caso de Eimeria são 4 esporocistos com 2 esporozoítas no seu interior e Isospora com 2 esporocistos com 4 esporozoítas no seu interior. 2.Esquizonte ou meronte - estruturas arredondadas grandes, contendo merozoítas (forma de foice) no seu interior. Merozoítas de 1ª geração - pequenos tanto em Eimeria quanto em Isospora. Merozoítas de 2ª geração - pequenos (microzoítas) em Eimeria e grandes (macrozoítas) em Isospora. www.iah.ac.uk/divisions/images/figure-1.JPG www.iah.ac.uk/divisions/images/figure-1.JPG
  25. 25. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 25 3.Macrogametócito - estrutura arredondada repleta de grânulos grandes e periféricos e um núcleo central que é o macrogameta. Da esquerda para direita: macrogametocito em corte histológico em microscopia eletrônica (E. tennela, seis dias pós infecção) (www.iah.ac.uk/divisions/images/figure-1.JPG), e lesão macroscópica em intestino delgado de pequeno ruminantes. 4. Microgametócito - estrutura com formato irregular (meio oval) com milhares de grânulos pequenos espalhados no citoplasma que são os microgametas. Fases de reprodução: 1. Assexuada: Esquizogonia ou merogonia ocorre dentro do hospedeiro. 2. Sexuada ou gametogonia: ocorre dentro do hospedeiro, fusão de gameta masculino com gameta feminino. 3. Esporogonia (esporos = oocisto): na maioria ocorre no meio ambiente, é chamado de esporulação. Tipos de Ciclo biológico: I - Ciclo evolutivo propagativo: ocorre em aves, com espécies como E. tenella (que ocorre em aves de corte), E. acervulina e E. necatrix (ambas ocorrem em poedeiras). Nesse ciclo, são formados três tipos de merozoítas: um que formará os macrogametócitos, outro que formará o microgametócito e um terceiro, sem diferenciação que vai à merontes levando a 2ª geração e depois a macro e microgametócitos. www.iah.ac.uk/divisions/images/figure-1.JPG
  26. 26. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 26 II - Ciclo evolutivo proliferativo: Ocorre em ruminantes, como E. bovis e E. zuerni (em bovinos) e E. arloingi e E. christenseni (em caprinos) e que ocorre também em suínos, como Isospora suis. No caso de ruminantes, depois da fase trofozoíta é formado o primeiro meronte no intestino delgado e quando os merozoítas vão ao intestino grosso, dão origem a um segundo meronte bem pequeno e esse é quem forma os macro e microgametócitos para chegar ao oocisto. Nos suínos ocorre o mesmo, sendo que tudo no intestino delgado. Importância em Medicina Veterinária: Nos ruminantes esses protozoários causam doença típica em filhotes com diarréia acentuada. Em aves, a mortalidade pode chegar a 100%. Em coelhos, E. stieda se encontra no fígado. O esporozoíta vai ao fígado pela via porta e no endotélio do ducto biliar forma merontes I e II, macro e microgametócitos, gametas e oocisto, e depois vai à bile e sai nas fezes. Cada geração é mais patogênica que a outra porque produz mais oocistos. E são formados mais macrogametócitos que micro porque esse último produz milhões de microgametas Profilaxia das Coccidioses: 1. Coccidiose aviária: Deve ser feito bom manejo e o emprego de coccidiostáticos na ração e na água. O galpão deve ser bem ventilado para diminuir a umidade local e manter a cama sempre seca. 2. Coccidiose de ruminantes: Deve ser feito bom manejo, comedouros e bebedouros sempre trocados e camas secas.
  27. 27. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 27 3. Coccidiose em coelhos: Deve ser feita a limpeza diária das gaiolas, coelheiras ou cercados e a manutenção dos comedouros e bebedouros limpos. Em grandes criações deve-se ter pisos de tela de arame. Gênero Eimeria Características: Eimeriidae cujos oocistos esporulados possuem quatro esporocistos e cada esporocisto com dois esporozoítos. Os oocistos recém saídos nas fezes e que não estão esporulados possuem um núcleo. Hospedeiros: células do epitélio intestinal das aves, ruminantes, coelhos, eqüinos. Localização das lesões causadas por Eimeria aviaria (Reid, 1964 apud Fortes, 1997)
  28. 28. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 28 Patogenia: A patogenia depende da espécie de Eimeria, do número de oocistos ingeridos, da idade da ave (quanto mais jovem mais susceptível), presença e severidade de outras doenças, eficácia do coccidiostático, estado nutricional das aves e nível de medicação na ração. Ciclo biológico: Os oocistos eliminados com as fezes do hospedeiro são imaturos (não esporulados). Ocorre a esporulação dos oocistos na presença de O2, temperatura de 25 a 30 graus e umidade de 70 a 80%. O tempo de esporulação é de 2 a 3 dias. Os oocistos esporulados são infectantes e podem permanecer viáveis por 2 a 3 meses. O hospedeiro se contamina ao ingerir esse oocisto. Na moela (aves) ou estômago o oocisto é destruído, liberando os esporocistos. Depois pela ação da tripsina e da bílis ocorre a liberação dos esporozoítos no intestino delgado. Esses esporozoítos penetram nas células da mucosa intestinal (cada esporozoíto arredonda-se) e origina os trofozoítos, depois o esquizonte iniciando assim a reprodução assexuada denominada de esquizogonia ou merogonia. Cada esquizonte (ou meronte) tem em seu interior um número variável de merozoítas (depende da espécie). Eimeria acervulina E. brunettti E. maxima
  29. 29. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 29 Esses merozoítas rompem a célula hospedeira atingem a luz do intestino e invadem novas células epiteliais, arredondando-se e formando uma nova geração de esquizontes. Alguns merozoítas da segunda geração penetram em novas células e dão início a terceira geração de esquizontes, outros penetram em novas células e dão início a fase sexuada do ciclo, conhecida com o gametogonia. A maioria desses merozoítas se transforma em gametócitos femininos ou macrogametócitos que vão formar os macrogametas. Outros se transformam em microgametas ou gametócitos masculinos que vão dar origem aos microgametócitos. Os microgametas rompem a célula e vão até o macrogameta para a fertilização. Dessa fertilização resulta o zigoto que desenvolve uma parede dupla em torno de si, dando origem ao oocisto que contém 4 esporocistos (com dois esporozoítos em cada esporocisto). Os oocistos rompem a célula e caem na luz do intestino saindo para o exterior com as fezes em forma não infectante, pois não estão esporulados. Importância Médica Veterinária: Essa parasitose destrói as células do intestino causando diarréia sanguinolenta, acarreta uma baixa conversão alimentar, diminuição da resistência orgânica, redução do peristaltismo intestinal, perda de peso, infecção bacteriana secundária. Gênero Isospora (= Cystoisospora) - Eimeriidae cujos oocistos possuem dois esporocistos contendo 4 esporozoítos cada.
  30. 30. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 30 Estrutura de oocisto esporulado de Isospora (Levine e Ivens, 1965). Hospedeiros: Para aves o gênero é Isospora e em carnívoros utiliza-se Cystoisospora. Ciclo biológico: A contaminação se dá através de alimentos como ração, capim e até água contaminados com o oocisto esporulado. No tubo digestivo do animal os esporocistos saem do oocisto e penetram na célula epitelial do intestino e se arredondam, se chamando então de trofozoítas. Começa a reprodução assexuada e sucessivas mitoses vão formando vários núcleos e citoplasmas para formar os esquizontes (ou merontes) que contém os merozoítas. A célula não suporta a pressão e se rompe, liberando os merozoítas que seguem dois caminhos: - Penetram novamente nas células intestinais fazendo outra fase de reprodução assexuada que formará uma 2ª geração. - Continuam para a fase sexuada, onde os merozoítas dão origem a macro e microgametócitos. Os microgametas que estão nos microgametócitos sairão e fecundarão os macrogametas formando o gameta ou oocisto imaturo. Esse sai nas fezes para fazer a esporogonia. Na esporogonia, sob condições ideais de temperatura alta, oxigenação e umidade, o oocisto sofre divisão, formando 2 esporocistos contendo 4 esporozoítas em cada um dos esporocistos. 8.1.2. Família Cryptosporidiidae Espécie: Cryptosporidium parvum. Hospedeiro: animais domésticos e homem. Associado a diarréias em animais jovens.
  31. 31. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 31 Características: esporulação dentro do hospedeiro; oocisto com 4 esporozoítas e sem apresentar esporocistos; a esquizogonia e a gametogonia ocorrem em microvilosidades intestinais, e não no interior das células intestinais. Localização do Cryptosporidium parvum no intestino: A – oocisto maduro com quatro esporozoitos. B – esquizogonia. Reservatório: O homem, o gado e animais domésticos. Complicações: Enterite, seguida de desnutrição, desidratação e morte fulminante. Comprometimento do trato biliar. Diagnóstico Laboratorial: Identificação do oocisto do parasito através de exame de fezes. Biopsia intestinal, quando necessária. O diagnóstico também pode ser realizado pela detecção do antígeno nas fezes, através do ensaio imunoenzimático (ELISA) ou através de anticorpo monoclonal marcado com fluoresceína. Características epidemiológicas: Ocorre em todos os continentes. Em países desenvolvidos, a prevalência estimada é de 1 a 4,5%. Nos países em desenvolvimento, pode atingir até 30%. Os grupos mais atingidos são os menores de 2 anos, pessoas que manipulam animais, viajantes, homossexuais e contatos íntimos de infectados. Há relatos de epidemias a partir de água potável contaminada, além de banhos de piscina ou de lagoas contaminadas. Profilaxia: Água limpa em bebedouros adequados, com altura que impeça dos animais nele defecarem; comedouros que não sejam infectados pela cama; higiene dos estábulos, remoção e incineração das camas; tratamento dos animais parasitados; educação sanitária; eliminação dos animais positivos. Ciclo biológico: Característico de coccídeo, porém a esporulação ocorra no hospedeiro. Os oocistos são produzidos em 72 horas após sua ingestão. A transmissão é Fecal-
  32. 32. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 32 oral, de animais para o homem ou entre pessoas, pela ingestão de oocistos, que são formas infecciosas e esporuladas do protozoário. Período de incubação é de 2 a 14 dias. Ciclo evolutivo do Cryptosporidium parvum (FOREYT, 2005) Período de transmissibilidade: Várias semanas, a partir do início dos sintomas e enquanto houver eliminação de oocistos nas fezes. Fora do organismo humano, em ambientes úmidos, o oocisto pode permanecer infectante por até seis meses. 8.1.3. Família Sarcocystidae Características: Ciclos evolutivos semelhantes à família Eimeriidae, a esporogonia pode ocorrer dentro ou fora do hospedeiro; A reprodução assexuada ocorre no hospedeiro intermediário e a sexuada no definitivo; Ocorre predação, onde o hospedeiro definitivo se infecta ao ingerir restos do hospedeiro intermediário. Gênero Toxoplasma - Espécie Toxoplasma gondii. Causa aborto nos animais O Toxoplasma gondii é um protozoário intracelular obrigatório. Os felinos são os únicos "hospedeiros definitivos". O homem e outros animais de sangue quente são "hospedeiros intermediários". Hospedeiro definitivo (Final): felídeos, principalmente o gato. Hospedeiro intermediário: diversos mamíferos. São problemas nas criações de suínos e pequenos ruminantes, nas quais causa prejuízos pelos abortos, infertilidade, além de diminuir a produção dos animais infectados pela via congênita. Apresenta três formas infectantes: os taquizoítos (taqui=rápido), que são as formas de proliferação rápida, e estão presentes em grande número, nas infecções agudas. No animal afetado, o parasito pode estar no sangue, excreções e secreções. Neste estágio sobrevive no meio ambiente ou na carcaça por poucas horas. Os bradizoítos (bradi = lento) são formas de
  33. 33. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 33 reprodução lenta do Toxoplasma gondii, e estão presentes nas infecções congênitas e crônicas. Organizam-se aos milhares em cistos teciduais, particularmente em músculos e tecido nervoso. Taquizoítos: presentes em grande número, nas infecções agudas; Bradizoítos: infecções congênitas e crônicas Oocistos: resultantes do ciclo sexuado no trato gastrintestinal dos felídeos Ultra-estrutura da forma trofozoita: Ci. citostoma, Co. conóide, Fc. Fibras do conoide, G. aparelho de Golgi, M. mitocôndria, Me. membrana externa. Mi. membrana interna, N .núcleo, R. roptrias, Re. reticulo endoplasmático. Taquizoitos no tecido muscular na fase aguda. (Campos, 1994) Bradizoitos no tecido muscular na fase crônica.
  34. 34. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 34 Ciclo biológico: O Toxoplasma gondii existe em todos os lugares do mundo e infecta a grande maioria dos mamíferos e das aves. Seu ciclo de vida tem duas fases. A primeira é intestinal, só ocorrendo em gatos (selvagens ou domésticos) e produzindo os oocistos. A segunda é extra-intestinal, ocorre em todos os animais infectados (inclusive gatos) e produz taquizoítos, bradizoítos ou zoitocistos que infectam a carne. Transmissão: a) Ingestão de oocistos esporulados: • Ingestão de oocisto nas fezes de gatos jovens infectados, normalmente defecam em torno das casas e jardins e a disseminando-se através de hospedeiros transportadores, tais como moscas, baratas e minhocas. • Ingestão de cistos (cistos presente em carnes): Carne crua e mal cozida e as de suíno e carneiros são as mais comuns formas de contaminação nos humanos. b) Infecção transplacentária: Pode haver transmissão pré-natal (segundo mês e fim da gestação), em 40% dos fetos de mães que adquiriram a infecção durante a gravidez, quando há rompimento dos cistos no endométrio, liberando os Taquizoítos no líquido amniótico. c) Outras formas; Taquizoítos no leite, saliva, esperma e acidente de laboratório O hospedeiro intermediário ingere o oocisto ao pastorear ou ao ingerir alimentos mal lavados. No trato digestivo há a liberação dos esporozoitas e estes vão pela via sangüínea ao fígado, cérebro e outros órgãos passando a se chamar de trofozoitas. Neste ocorre a reprodução assexuada por endodiogenia infectando novas células. Esta fase é tão rápida que os trofozoítas são chamados de taquizoítas e é a fase aguda da doença. O organismo do animal reage e cria
  35. 35. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 35 anticorpos e os taquizoítas então abaixam sua velocidade de reprodução passando a se chamar bradizoítas, que formam uma parede cística (cisto) como proteção aos anticorpos. O gato se infecta ao ingerir restos de animais contendo cistos e na mucosa intestinal há a liberação dos zoitas ocorrendo a gametogonia. E oocistos formados vão ao meio ambiente nas fezes. Aí ocorre a esporulação (cada oocisto com 2 esporocistos com 4 esporozoítas). Os esporozoítas são infectantes para os hospedeiros intermediários. Estes hospededeiros podem até se contaminar-se com carne, mas neste caso não há a reprodução sexuada. Importância em Medicina Veterinária: Nos hospedeiros intermediários pode ocorrer má formação fetal, hidrocefalia fetal, lesões oculares, morte cerebral no homem, aborto em ovinos, e em bovinos e eqüinos pode ocorrer distúrbios pulmonares, fortes dores musculares e queda na produção. Profilaxia: Os felídeos são o ponto-chave da epidemiologia da toxoplasmose, sendo os únicos hospedeiros da forma sexuada do parasita e, por eliminarem oocistos nas fezes, são a única fonte de infecção dos animais herbívoros. Nestes animais como suínos, caprinos, ovinos, roedores e outros mais, ocorre apenas o ciclo extra-intestinal, com proliferação de taquizoítos nos órgãos e, com a resposta imune, desenvolvem-se os cistos teciduais. Estes permanecem viáveis e são infectantes para os gatos e para os outros hospedeiros intermediários como o homem e o cão. Nestes últimos, a infecção geralmente pode acontecer pela ingestão de oocistos, presentes no solo ou alimentos de origem vegetal, ou de carne com cistos tissulares. Deve ser feita a limpeza diária de gatis, remoção adequada de fezes, precauções higiênicas como lavar as mãos antes das refeições e uso de luvas na jardinagem, mulheres grávidas devem evitar contato com fezes de gato, não dar carne crua aos gatos, cobrir as rações;
  36. 36. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 36 deve-se impedir o acesso dos gatos nas instalações que mantêm os animais e aos depósitos de ração e forragem; o controle dos roedores é importante, uma vez que servem de fonte de infecção para os gatos. A profilaxia da toxoplasmose em animais de produção: • Monitorar a infecção do rebanho, pela utilização de testes sorológicos; • Monitorar as causas de aborto, pelo envio de fetos e cordeiros natimortos a laboratórios especializados; • Controlar as populações de gatos e roedores. Gênero Sarcocystis Espécie Hosp. definitivo Hosp.intermediário S. cruzi canídeo bovinos S. hirsuta felídeos bovinos S. hominis homem bovinos S. tenella cão ovinos S. capricanis cão caprinos S. porcifelis gato suínos Características morfológicas em corte histológico de musculatura cardíaca ou estriada: - Formas císticas na musculatura, que são estruturas alongadas e grandes ao microscópio; - No interior do cisto observa-se estruturas em forma de foice que são bradizoítas Ciclo biológico: O hospedeiro intermediário se infecta ao ingerir os oocistos em alimentos contaminados. Os esporozoítas são liberados e vão via sangue às células. endoteliais de diferentes órgãos como fígado e pulmão. Aí ocorre um rápido processo de esquizogonia e os merozoítas se distribuem para atingir a musculatura cardíaca ou estriada. Formam-se então metrócitos, que se multiplica por endodiogenia dando origem aos bradizoítas, que estão em um cisto septado. O hospedeiro definitivo se infecta ingerindo músculos mal cozidos de hospedeiros intermediários e os bradizoítas penetram na mucosa do intestino delgado, onde ocorre a gametogonia e assim a formação de oocistos. A esporogonia ocorre na luz do tubo digestivo e o oocisto já chega ao meio ambiente esporulado.
  37. 37. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 37 Importância em Medicina Veterinária: As formas císticas na musculatura dos hospedeiros intermediários podem levar a inflamação (miocardites) ou miosites, essas nas fases iniciais da esquizogonia. Algumas espécies podem causar abortos. Profilaxia: Não dar carnes mal cozidas a cães e gatos e mantê-los longe de currais para que não defequem ali. 3. Gênero Cystoisospora. Espécies: C. felis, C. rivolta e C. canis. Hosp. definitivo: gato (C. felis, C. rivolta) e cão (C. canis). Hosp. Paratenico: roedores Ciclo biológico: O hospedeiro intermediário se infecta ao ingerir o oocisto em alimentos contaminados e esse se rompe no tubo digestivo liberando esporozoítas. Estes por via sangue alcançam diferentes órgãos, onde ocorre a reprodução assexuada formando os merozoítas. Os merozoitas migram para a pele penetrando nos fibroblastos e aí fazendo a endodiogenia se reproduzindo lentamente e originando cistos de tamanho grande com bradizoítas. O Hospedeiro definitivo ao ingerir carne de bovino contaminada se infecta e faz gametogonia no intestino formando o oocisto não esporulado (esse vai ao meio ambiente fazer a esporogonia formando um conjunto 2 esporocisto com 4 esporozoítos).
  38. 38. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 38 Ciclo do Isospora: o período de pré-patencia é de uma semana (FOREYT, 2005) Importância em Medicina Veterinária: Na diferenciação de oocistos de Isospora. 8.1.4. Família Plasmodidae Haemoproteus columbae. Hospedeiro definitivo: aves. Os Hosp. intermediário: mosca pupípara da espécie Pseudolynchia canariensis Gametócitos - aparece grande, como um gancho de telefone que “abraça” o núcleo da hemácia, sem deslocá-lo. Localização: hemácia nucleada das aves A e B - formas jovens; C – macrogametócito; D – microgametócito; E – macrogametócito e microgametócito em mesma hemacea; F – Haemoproteus livre próximo a hemácea; G – formação de microgameta; H – microgameta livre; I – fecundação de um macrogameta por um microgameta (Fortes, 1997).
  39. 39. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 39 8.2 Classe Piroplasmasida - Ordem Piroplasmorida Família Babesidae; Gênero Babesia Os hemoprotozoários Babesia são transmitidos por carrapatos a várias espécies de animais domésticos e silvestres. As babesioses são enfermidades que se manifestam por quadro clinico de anemia progressiva, depressão, anorexia, palidez de mucosas, febre e esplenomegalia. Esses patógenos são responsáveis por altas taxas de morbidade e mortalidade nos animais. Apesar dos pequenos ruminantes serem acometidos por três tipos de Babesia (B. ovis, B. crassa e B. motasi) o registro em caprinos, bem como seus vetores e modo de transmissão, são pouco esclarecedores. 1. B. bovis (transmissão por larvas do carrapato): Pequena Babesia. Parasitemia muito baixa. Aparece de 1 a 2 trofozoítas dentro de cada hemácia. Pode aparecer nos capilares do cérebro, provocando entupimento dos vasos. 2. B. bigemina (transmissão por ninfas e adultos do carrapato) Aspectos morfológicas podem ser observados abaixo:
  40. 40. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 40 Sangue de cão: grandes babesias – B. canis Cão com icterícia pela B. canis B. bovis e B. bigemina 3. B. equi - pequena babesia. Parasitemia muito alta. Aparecem 1, 2, 3 ou 4 trofozoítas, sendo que quando aparecem 4 são em forma de cruz de malta. 4. B. caballi - Grande babesia. Aparece 1 a 2 trofozoítas. Não é comum no Brasil Babesia caballi nos eritrócitos B. equi nos eritrócitos Ciclo biológico: O hospedeiro invertebrado, o carrapato (definitivo) ao se alimentar do sangue do hospedeiro vertebrado (intermediário) ingere os trofozoítas que se diferenciam e ocorre a reprodução sexuada ou gametogonia que vai dar origem a um zigoto chamado
  41. 41. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 41 oocineto. Este penetra nas células do tubo digestivo do carrapato e nelas se multiplica por divisão binária ou múltipla até as células se romperem originando vermículos (organismos claviformes, móveis e alongados). Esses vermículos migram para os tecidos da fêmea do carrapato, através da hemolinfa, podendo chegar aos ovários (transmissão transovariana) ou às glândulas salivares (transmissão transestadial). No sangue do Hospedeiro vertebrado as babesias se dividem assexuadamente por brotamento formando indivíduos dentro dos eritrócitos. A célula se rompe e os organismos são liberados penetrando em novas hemácias. Tipos de transmissão: - Transovariana - ocorre nas babesioses transmitidas por carrapatos monoxenos, como Rhipicephalus microplus e Anocentor nitens. Por só terem 1 hospedeiro na vida, a transmissão é da fêmea para seus ovos. Esses irão contaminar outros animais. - Transestadial - ocorre nas babesioses transmitidas por carrapatos heteroxenos, como Rhipicephalus sanguineus. Por a muda ocorrer no solo, a larva infectada passa para ninfa com as formas infectantes e essa então transmite a outro animal. Importância Medicina Veterinária: Além da destruição das hemácias gerando anemia, observam-se lesões em outros órgãos como o baço que filtra hemácias parasitadas, causa esplenomegalia e acaba por não identificá-las mais, fagocitando também hemácias sadias e com isso intensifica a anemia. No rim a hemólise e no fígado ocorre hemoglobinúria por não metabolização da hemoglobina. Ainda a Babesia ativa a calicreína levando ao aumento de permeabilidade dos vasos e vasodilatação, provocando estase circulatória. No quadro de babesiose cerebral bovina ocorre destruição dos capilares cerebrais e se observa aumento da coagulação intravascular, hiperexcitabilidade e incoordenação. Profilaxia: Deve ser feito o controle dos vetores e em regiões endêmicas, animais já têm imunidade adquirida através do colostro e deve ser reforçada gradativamente.
  42. 42. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 42 REFERENCIAS CONSULTADAS ALMOSNY, N.R.P. Hemoparasitos em pequenos animais domésticos e como zoonoses. LF Livros. RJ, 2002, 135p. BARNER et al. Trypanosoma cruzi e Doença de Chagas. 2 ed. RJ, Guanabara, 2000, 431p. BARTMANN A.; ARAÚJO, F. A. P. de. Freqüência de Giardia lamblia em cães atendidos em clínicas veterinárias de Porto Alegre, RS, Brasil. Ciência Rural, v.34, n.4, p.1093-1096, 2004. CAMPOS, C. A.M. Roteiro ilustrado de parasitologia: estudo esquemático de protozoários e helmintos da área biomédica. UFRN, Natal, 1994, 136p. CARVALHO et al. Ocorrência de Trypanosoma vivax no estado de Minas Gerais. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.60, n.3, 769-771, 2008. DARCI, L. Textos publicados - Laboratório de Parasitologia Animal do Inst.ituto Biológico de São Paulo, 2003. FOREYT, W.J.. Parasitologia Veterinária: manual de referência. 5ª ed. SP, ROCA, 2005, 240p. FORTES, E. Parasitologia Veterinária. 3a ed. SP, Ed. Ícone, 1997, 153p. MARQUES et al. Experimental infection with Trypanosoma evansi in horse clinical and haematological observations. Rev. Bras. Parasitol. Vet. v.9, n.1, p.11-15, 2000. MELO et al. Dinâmica da infecção do Trypanosoma vivax em bovinos do Pantanal de Miranda, MS, p.129-130. In JORNADA DE PRODUÇÃO CIENTÍFICA DAS UNIVERSIDADES CATÓLICAS DO CENTRO-OESTE, 7. 2003. Caderno de resumos... Campo Grande: UCDB, 2003. NEVES, D.P. Parasitologia Humana. 3ª ed., RJ, Atheneu. 2000, 501p. NELSON, W. et al. Host-ectoparasite Relationships. Journal Med. Entomol.,12: 143-166, 1975. REY, L. Parasitologia. 3ª.ed. RJ, Guanabarakoogan, 2001, 856p. ROSADO, A. M. N. Epidemiologia da Tripanossomíase por Trypanosoma vivax em bovinos Leiteiros do Alto Sertão Paraibano. 2006. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Medicina Veterinária) - Universidade Federal Rural do Semi-Árido. SILVA et al. Sinais clinicos em caes naturalmente infectados por Trypanosoma evansi no RS. Clinica Veterinaria, 72: 66- 68, 2008. SIQUEIRA, T.C.G.O; AMARANTE, A.F.T. Parasitologia Animal: Animais de Produção. SP, EPUB, 2002, 149p. SLOSS et al. Parasitologia Clinica Veterinária. 6ª ed., Manole. SP, 1999, 198p.
  43. 43. Ahid, S.M.M., 2009, Apostila Didática em Protozoologia Veterinária. ahid@ufersa.edu.br 43 SOGAYAR, M.I.T.L.; GUIMARÃES, S. Giardia lamblia. In:NEVES, D.P., et al. Parasitologia humana. 10.ed. São Paulo : Atheneu, 2000. p.107–113. URQUAHART, G.M. et al. Parasitologia Veterinária. 2. ed. RJ, Guanabarakoogan, 1998, 273p.

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