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A metodologia da pesquisa e a importância das imagens

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  • 1. 1 Importância das Imagens na Metodologia de Pesquisa em Representações Sociais A imagem não é simples cópia psíquica de objetos externos, mas uma representação imediata, produto da função imaginativa do inconsciente, que se manifesta de maneira súbita, mas sem possuir necessariamente caráter patológico, desde que o individuo a distinga do real sensorial, percebendo-a como imagens internas. Na qualidade de experiência psíquica, a imagem interna será mesmo, em muitos casos, mais importante que as imagens das coisas externas. Acentuemos que a imagem interna não é um simples conglomerado de conteúdos do inconsciente. Constitui uma unidade e contém um sentido particular: expressão da situação do consciente e do inconsciente, constelados por experiências vividas pelo individuo (SILVEIRA, Nise da. 1992, p. 82). Tem sido uma prática dominante na Psicologia Social, inclusive nas pesquisasutilizando a abordagem da teoria das representações sociais, a utilização demetodologias cujo produto final disponível para a análise do cientista psicossocial secompõe unicamente de formas verbais: palavras, frases, narrativas ou discurso. Noentanto, cada vez mais se acentua a consciência da limitação e das dificuldadesprovenientes de uma análise científica em Psicologia Social realizada a partir de umacoleta de dados e informações centradas unicamente na linguagem verbal, já que oprocesso de comunicação humana é multimodal e multicódigo, ou seja, ocorremsimultaneamente várias modalidades de comunicação, cada uma delas possuindocódigos diferentes socialmente compartilhados. Os pesquisadores em Psicologia Social, em especial aqueles que se vinculam àteoria das representações sociais, não podem mais ignorar tal fato. Sabemos dasdificuldades que se apresentam na pesquisa de campo em nossas entrevistas quando nosdeparamos com a gestão de impressão (processo de manipulação conveniente docomportamento e do discurso) por parte de nossos sujeitos de pesquisa. Estes desejamparecer inteligentes, politicamente corretos ou evitar qualquer problema a posteriori,que possa derivar daquilo que foi declarado nas entrevistas, na instituição a que estãovinculados. A abordagem antropológica de Denise Jodelet (2005) na teoria dasrepresentações sociais nos ensina a importância de se perceber além dos discursos. Estaautora, em seu trabalho sobre as representações sociais da loucura, nos comprova aimportância da observação participante das formas das práticas sociais e do
  • 2. 2comportamento dos grupos sociais que podem ser omitidos ou disfarçados na dimensãodo verbal, como nos mostra.Linguagem Imagética e Linguagem Verbal O império autocrático da linguagem verbal, escrita ou falada, foi apontado edesmascarado por diversos autores ao longo das últimas décadas. Gilbert Durand (2001)chama de “iconoclasmo endêmico” o processo de desvalorização das imagens nomundo ocidental. Este processo é muito antigo e remonta aos primórdios do pensamentohumano. O método de busca da verdade proposto por Sócrates, o socratismo, compõe-se de uma abordagem exclusivamente lógico-verbal: todas as imagens eram tidas comofalsificação da realidade, incluindo aqui as imagens poéticas. A fase posterior desteprocesso de desvalorização da imagem ocorreu durante a escolástica medieval. Seguiu-se a atuação dos principais fundadores da ciência moderna: René Descartes, IsaacNewton, David Hume e Augusto Comte, entre outros, uma longa linhagem depensadores que estabeleceu o que podemos denominar de método científico moderno,totalmente centrado na linguagem verbal. A imagem foi desvalorizada e todo o seupotencial para a compreensão do mundo da vida foi totalmente excluído. É o processode desencantamento do mundo. Esta herança, especialmente no que se refere ao positivismo, contaminou todo opensamento ocidental e se tornou responsável, no interior das Ciências Sociais e daPsicologia Social pela “opção „monoteísta‟ da psicologia discursiva” (DE ROSA eFARR, 1996, p. 237). Segundo esses autores há ainda hoje uma grande predominânciade métodos verbais: Nos últimos dez anos grande ênfase tem sido dada aos “aspectos retóricos do pensamento social” (Billig, 1987, 1991) e à “análise do discurso” (ver Potter & Wetherel 1987, Potter 1996) mesmo que tais rótulos incluam muitas e várias abordagens metodológicas tais como a análise de textos e repertórios, gravações de programas de rádio e televisão, transcrições ou entrevistas ou conversações, etc. Paradoxalmente este campo de estudos – iniciado à partir de um interesse crítico na ontologia do cognitivismo – gerou uma nova forma de ontologia baseada no monoteísmo logocêntrico. Isto não é apenas uma questão de método, mas - de acordo com estes autores – uma opção teórica mais substancial. A extrema conseqüência da tese da análise do discurso é a identificação tautológica entre discurso, realidade e sujeitos: perspectiva que
  • 3. 3 adota implicitamente uma pressuposição ontológica e dogmática baseada na declaração religiosa: “No princípio era o verbo” (Verbo=Deus). 1 Os autores citados acima chamam fortemente a nossa atenção para o fatoaparentemente contraditório de a imagem estar, atualmente, tão desvalorizada nointerior da ciência de uma sociedade fortemente caracterizada pela predominânciaimagética no mundo da vida em geral. A esfera pública atual, que se constitui no espaçofundamental para a construção e transformação das representações sociais, se encontraamplamente mediada e influenciada pelas imagens criadas pela indústria dacomunicação (televisão, cinema, publicidade, design, política etc.). O fato de que o pensamento humano constitui-se conjuntamente de imagem epalavras é observado e destacado por importantes autores como Le Goff, Piaget eMoscovici. Não há pensamento apenas lingüístico, sem imagem. Há uma relaçãodinâmica entre os dois códigos de pensamento e de comunicação, o imagético e overbal. Antes do mundo da lógica ser construído na cultura do homem já existia omundo das imagens. O pensamento é originariamente imagético e podemos traduzi-lo,transcodificá-lo e expressá-lo por meio de palavras para comunicá-lo a outrem ou a si erefletir sobre o mesmo. Por outro lado, as palavras proferidas ou escritas sãoimediatamente traduzidas em imagens pelo receptor através de sua memória e suaimaginação. Sabemos, seguindo Roland Barthes (1984), que palavra e imagem se articulam ese compõem dinamicamente nos processos de comunicação. A imagem estabelece umainfinidade de possibilidades de significados enquanto o texto verbal a limita,restringindo e focando o significado da comunicação. Neste sentido, uma imagem semum texto aposto a ela possui a única restrição de ser uma imagem específica e1 Tradução livre do texto seguinte: In the last ten years great emphasis has been given to the “rhetorical aspects ofsocial thinking” (Billig 1987, 1991) and to “discourse analysis” (see Potter & Wetherell 1987, Potter 1996) eventhough such labels include many and various methodological approaches the analysis of texts and repertoires,recording of radio and television programmes, transcriptions of interviews or conversations, etc. Paradoxically thisfield of studies – starting from an interesting critique of the ontology of cognitivism – has generated a new form ofontology, based on a language-centered monotheism. This is not simply a question of method, but – according tothese authors – a more substantial theoretical option. The extreme consequence of the discourse analytic thesis is thetautological identification between discourse, reality and subjects: a perspective which implicitly adopts anontological and dogmatic presupposition based on the religious statement “In the beginning was the Word” (Word =God) (op. cit., p. 237-238).1
  • 4. 4determinada e não outra imagem qualquer. Mas não se pode jamais auferir dela umúnico significado. Podemos afirmar que possui ilimitados significados possíveis. O texto verbal sem a presença de imagens também se constitui em um conjuntoaberto à imputação de diversas significações, não somente pela ambigüidadeconstituinte dos signos verbais, mas também pela possibilidade que se tem de atribuirdiferentes imagens a qualquer texto através do exercício de nossa fantasia e criatividadepessoal. Tal fato se manifesta patentemente quando lemos um livro e depois assistimosao filme nele baseado: podemos nos decepcionar ou nos surpreender com o que virmos,pois a nossa criatividade individual pode (e possivelmente o fez) ter atribuído ao textoimagens bem diferentes daquelas escolhidas pelo diretor do filme. A imputação deimagens específicas a um texto escrito o restringe, criando limitações que podem setornar restrições à criatividade pessoal ou coletiva. Penn (2000) nos fala sobre estarelação entre imagens e palavras: Esta questão realça uma diferença importante entre linguagem e imagens: a imagem é sempre polissêmica ou ambígua. É por isso que a maioria das imagens está acompanhada de algum tipo de texto: o texto tira a ambigüidade da imagem – uma relação que Barthes denomina de ancoragem, em contraste com a relação mais recíproca de revezamento, onde ambos, imagens e texto, contribuem para o sentido completo. As imagens diferem da linguagem de outra maneira importante para o semiólogo: tanto na linguagem escrita como na falada, os signos aparecem seqüencialmente. Na imagem, contudo, os signos estão presentes simultaneamente. Suas relações sintagmáticas são espaciais e não temporais (PENN, 2000, p. 322). Portanto, o homem precisa atribuir sentidos (utilizando palavras) às imagenspara evitar a polissemia, no processo denominado por Barthes de ancoragem, e,portanto, limitar o sentido destas imagens ao que já conhece e se identifica (tornafamiliar), aos seus valores e crenças. Assim, ao estudar as representações sociais éimportante estar atento às imagens que estão associadas à expressão verbal. Somentedispor do discurso verbal pode empobrecer nossas possibilidades científicas. Ao obter, nas nossas pesquisas de campo, por meio de questionários, entrevistasou grupo focal, todo um produto constituído de material exclusivamente verbal,obtemos um conjunto de dados e informações que deveremos analisar com a maiorprecisão, imparcialidade e objetividade possível. Certamente dispomos da possibilidadeda vivência direta no campo e das técnicas da abordagem etnográfica, da prática deleitura da linguagem não-verbal (posturas, gestos, expressões faciais etc.), das leiturasanalógicas das falas (tempos, ritmos, pausas etc.), das técnicas e instrumentais
  • 5. 5computadorizados para análise de conteúdo e análise do discurso e das técnicas deconstrução de redes de significados que nos fornecem fortes metodologias de análisedos resultados que coletamos. Apesar das abordagens metodológicas atuais nos permitirem o alcance dosresultados pretendidos em nossas pesquisas na teoria das representações sociais, creioque o desenvolvimento de técnicas ativas de coletas de informações imagéticas poderáenriquecer, facilitar e tornar mais precisas as nossas metodologias de trabalho. Associaro código de representação verbal ao código de representação icônico certamentepotencializará nossas análises e fortalecerá os resultados e conclusões de nossostrabalhos.As imagens nas ciências humanas e sociais Na Psicologia e na Psiquiatria podemos ressaltar a contribuição de S. Freud e deC.G. Jung e sua discípula brasileira, Nise da Silveira, responsável por um trabalhopioneiro e revolucionário. Freud ressaltou a importância da arte para a psicanálise eescreveu um trabalho sobre a pintura do renascentista Leonardo da Vinci, denominadaA Virgem das Rochas. A sua teoria do inconsciente influenciou uma vanguarda artísticamuito importante do século XX: o surrealismo. A figuralidade é, para Freud, a base dossonhos, sendo estes o caminho régio para o inconsciente. Jung sempre atribuiu alta importância às imagens do inconsciente comoexpressão simbólica fundamental no processo de desenvolvimento do homem, quechamou de processo de individuação. Ressaltou a importância das imagens tanto noâmbito individual (sonhos e imaginação ativa) quanto no da cultura (imagensarquetípicas). Referindo-se a seu mestre, Nise da Silveira (1992) esclarece que: Ao contrário da psicologia de Freud, a psicologia junguiana reconhece nas imagens grande importância, bem como nas fantasias e nos delírios. Jung vê nos produtos do inconsciente auto-retratos do que está acontecendo no espaço interno da psique, sem quaisquer disfarces ou véus, pois é a peculiaridade essencial da psique configurar imagens de suas atividades por um processo inerente à sua natureza. A energia psíquica faz-se imagem, transforma-se em imagem. Se nos é difícil entendê-las de imediato, não é por serem máscaras de conteúdos reprimidos, mas por se exprimirem noutra linguagem diferente daquela que consideramos única – a linguagem racional. Exprimem-se por meio de símbolos ou de mitologemas cuja significação desconhecemos, ou melhor, já esquecemos (SILVEIRA, N, 1992, p.85-86)
  • 6. 6 Sem entrar nas discussões referentes aos conceitos de inconsciente einconsciente coletivo, já que não constituem meu foco de trabalho aqui, devo ressaltarque toda esta dimensão imagética e simbólica está contida no plano social, no espaço eno tempo de uma cultura social determinada, o imaginário social. É este imagináriosocial um importante componente do campo do compartilhamento comunicacional,onde se realiza a construção e a transformação das representações sociais. Sendo a subjetividade humana composta por razão e emoção, pode-se entenderque a razão se estabelece nos processos lingüísticos do verbo e a emoção nos processosimagéticos. É o acesso às imagens que possibilita entender a dimensão espontânea eafetiva, expressa de forma individualizada das representações sociais, fundamental paraque, nas nossas pesquisas, melhor se possa entender como estas representações estãoconstituídas neste momento no interior de um determinado grupo social.Imagens e significados O acesso às imagens é a nossa primeira questão. Como entendê-las e utilizá-las éo problema mais importante a resolver. Um dos pioneiros na utilização de técnicasimagéticas na psiquiatria é Hans Prinzhorn (Artistry of the mentally ill: a contribution tothe psychology and psychopathology of configuration), que formulou uma tentativa desistematizar a leitura e o entendimento da imagem. Este autor... ...focaliza sua atenção nos princípios formais de configuração que se manifestam nas pinturas: tendências repetitivas, ornamentais, ordenadoras, simétricas, simbólicas, que são, em sua maneira de ver, criação de uma forma de linguagem para o próprio autor (SILVEIRA, 1992, p.88) O conhecimento da sintaxe da linguagem visual é bastante recente na história dohomem, mas está ainda restrito a um grupo seleto de artistas plásticos, cineastas,designers e profissionais da área de comunicação e publicidade. A imagem éabsolutamente tão natural que simplesmente a aceitamos sem qualquer questionamento,mesmo que esta tenha sido criada pelo homem no interior de uma determinada cultura. A estrutura da linguagem visual vem sendo ensinada nas escolas de arte, demestre para aprendiz, através de séculos, mas foi somente com a invenção da fotografiaque a própria arte se viu instigada a procurar novos caminhos que a levaram a refletirsobre ela mesma. Assim, a arte, nas grandes vanguardas do final do século XIX e iníciodo século XX, exercita o expressar e refletir a si própria na intenção de se compreender.
  • 7. 7Os grandes mestres da arte abstrata foram os responsáveis pelo início do entendimentodesta linguagem, em especial, Piet Mondrian e Vassily Kandinsky. Este últimoescreveu Ponto, linha, plano, onde especificou as suas reflexões pioneiras sobre ocódigo universal da linguagem visual. Foram igualmente importantes muitos outrosartistas como os pertencentes ao Suprematismo Soviético, à Escola da Bauhaus, osSurrealistas, os Fauvistas etc. Contribuições posteriores foram muito importantes parasistematizar estes conhecimentos de forma organizada como as de Rudolf Arheim,Donis Dondis, Ernest Fischer, e Fayga Ostrower, apenas para citar apenas algumasdelas. Possuímos, igualmente, códigos de representação icônica que são situacionais etemporais, ligados à memória social de uma determinada cultura. As imagens recebemsentidos diferentes em diversos grupos sociais ao longo do tempo e do espaço dascivilizações. Os dicionários de símbolos como o de Chevalier e Gheerbrant (1994)refletem um esforço de pesquisa e classificação que nos auxiliam a perceber asdiferentes (ou semelhantes) significações de uma imagem em sociedades diversas. Segundo Dondis (1997), a maior parte das pessoas é analfabeto visual, pois aestrutura da linguagem visual não nos é ensinado na escola. Por isso é importante enecessário um processo de alfabetização visual para que se possa aprender a ler,entender e se comunicar através das imagens. Ampliando este pensamento afirmo que,para atingirmos nosso pleno potencial humano, devemos estudar as diversas linguagensdo mundo da vida – a sonora, a corporal, a simbólica etc. – e assim nos capacitar paracomunicar de forma mais eficiente.Imagens e as representações sociais O pensamento humano é primariamente imagético, como o mundo éprimariamente imagético e não lingüístico. Às imagens que acessamos posteriormenteatribuímos os signos verbais para poder comunicá-la. O que chamamos de realidade, omundo visível dos objetos e corpos no espaço, constitui-se de imagens. Como também amemória, o sonho e a imaginação são constituídos de imagens. A civilização humanaconstruiu posteriormente a linguagem verbal, atribuindo signos arbitrários tornadosconsensuais às diversas imagens do mundo. O significado destes signos é construído e
  • 8. 8reconstruído de maneira compartilhada nos processos de relacionamentos sociais, e osresultados destes constituem as representações sociais. As representações sociais compõem-se, conforme Serge Moscovici, de duasdimensões: a imagética e a verbal. O próprio processo de surgimento e transformaçãodas representações sociais ocorre em dois níveis: a ancoragem e a objetivação. Naancoragem o não-familiar é tornado familiar, ao ser integrado ao conjunto deconhecimentos e valores de uma pessoa ou grupo. A objetivação se realiza quando senaturaliza a representação, limitando o objeto à imagem mental. Assim, perdemos aconsciência de que apenas representamos e as nossas representações assumem o caráterde verdade. O papel da ancoragem é aqui crucial. Segundo Jodelet (2001, p. 39): Por outro lado, a ancoragem serve para a instrumentalização do saber, conferindo-lhe um valor funcional para a interpretação e a gestão do ambiente. Assim dá continuidade à objetivação. A naturalização das noções lhes dá valor de realidades concretas, diretamente legíveis e utilizáveis na ação sobre o mundo e os outros. De outra parte a estrutura imagética da representação se torna guia de leitura e, por generalização funcional, teoria de referência para compreender a realidade. E Jodelet (2001) reassegura a importância das imagens nas representaçõessociais ao prosseguir neste texto citando Halbwachs – „não há idéia sem imagens‟ – eMoscovici – que discorreu sobre a importância das idéias-imagens na mobilizaçãopsicológica das multidões. O objeto, pertencente ao que denominamos mundo da realidade, tem, portanto,seu significado fixado, limitado e restringido pela representação social que o grupoconstruiu em sua dimensão imagética. O próprio Moscovici nos ensina que: No real, a estrutura de cada representação apresenta-se-nos desdobrada, tem duas faces tão pouco dissociáveis quanto a página da frente e o verso de uma folha de papel: a face figurativa e a face simbólica. Escrevemos que: Representação = figura/significação querendo dizer que ela faz compreender a toda figura um sentido e a todo sentido uma figura (MOSCOVICI, 1978, p. 65). Resgatamos, portanto, aqui a equação de Moscovici: Representação =figura/significação.
  • 9. 9Justificativa da utilização de técnicas imagéticas Sendo assim é fundamental que nossas pesquisas em psicologia social abranjamo conteúdo imagético, atingindo assim as informações das dimensões valorativas eafetivas, entendendo como a representação está organizada e qual o seu sentido. Éimportante pesquisar a relação existente entre estes dois lados da representação social:sua parte verbal e sua parte figurativa ou imagética. Este é o motivo principal quefundamenta a nossa opção metodológica de sempre buscar as imagens produzidas pelossujeitos da pesquisa. Seguimos aqui De Rosa e Farr quando afirmam que “imagens e palavras sãosistemas de comunicação providos com diferentes propriedades, e devem,concordantemente, ser considerados como canais específicos da gênese, transmissão eobjetificação das representações sociais” e que a “abordagem verbo-centradaimplicitamente nega o impacto das novas tecnologias de comunicação, baseadas num“hypertrophic use” das imagens e da sua esfera de aplicação em nosso sócio-cognitivoprocesso de representação da realidade” (De Rosa e Farr, p. 240). Deste modo, emnosso entender, não há como estudar profundamente hoje as questões da PsicologiaSocial sem utilizar na metodologia de pesquisa e análise os instrumentos apropriados acaptar e analisar a dimensão imagética das representações sociais. Ainda na década de80 do século XX, Barthes comentava que as sociedades atuais se caracterizam pelo altoconsumo de imagens: O que caracteriza as sociedades ditas avançadas é que hoje essas sociedades consomem imagens e não crenças, como as do passado; são, portanto, mais liberais, menos fanáticas, mas também mais “falsas” (menos “autênticas”) (BARTHES, 1984, p. 174). Acreditamos que a imagem pode fortemente nos auxiliar a conhecer asrepresentações sociais porque nos permite ir além de seus conteúdos ativados eexpressos de forma verbal. Toda representação como produto temporário de processosde comunicação social possui uma imagem objetivada, ou seja, uma representaçãoimagética do objeto social que o simplifica e é naturalizada, ou seja, tomada como opróprio objeto real. A objetivação é a concretização da representação, o processo queestabelece seu núcleo figurativo: “um complexo de imagens que reproduzemvisivelmente um complexo de idéias” (MOSCOVICI, 2003, p. 72).
  • 10. 10 Assim, através de seu núcleo, a representação oculta a avaliação e asimplificação da realidade que aconteceu no processo de ancoragem, ganhando econsolidando sua estrutura e força de permanência. Na objetivação, a construção mentaldo objeto social ganha valor de verdade e uma consistência que resiste às investidas dequestionamento de sua veracidade ou adequação ao contexto atual. Aqui devemosressaltar a existência do papel simplificador da representação e destacar que, ao ocultaro processo de avaliação efetuado sobre o objeto social, a representação social, tornadaobjeto, pode exercer a ação de mascarar os valores através dos quais os grupos sociaisconstroem seus esquemas de pensamento, naturalizando-os e protegendo-os de qualquerpossibilidade de questionamento. É neste sentido que as imagens produzidas eposteriormente comentadas por nossos sujeitos de pesquisa nos auxiliam a obter maiorclareza sobre a representação social. Existem dois tipos de conteúdos que podem não estar contidos claramente naexpressão verbal de uma representação social pelos sujeitos da pesquisa, conforme Jean-Claude Abric: os conteúdos inconscientes individuais, constituídos por processospsicológicos e a denominada Zona Muda das representações sociais (ABRIC, 2005),que são os conteúdos adormecidos e não expressos em face de uma situação socialespecifica. Segundo este autor “existem em toda situação, normas sociais, e a zonamuda é constituída pelos elementos da representação que tem um carátercontranormativo” (ABRIC, 2005, p. 25). A gestão de impressão, conceito desenvolvido por Sharp e Getz, consiste em“querer dar aos outros uma imagem positiva de si” (ABRIC, 2005, p.25). A necessidadede ser aceito como pertencente a um determinado grupo social e a necessidade de evitarproblemas como a exclusão de um grupo social (ser demitido de seu emprego ou perderpossibilidades de promoção profissional) pode levar o indivíduo a manipular seudiscurso de forma conveniente para proteger seus interesses. A observação das práticassignificantes, como propõe Denise Jodelet, é uma metodologia apropriada para nosauxiliar a evitar tais manipulações do discurso. Observar as práticas significantesconsiste essencialmente em levar em conta as imagens dos comportamentos e ações doselementos de um grupo social. A imagem é, simultaneamente, cultural e transcultural, temporal e atemporal esimbólica. Numa sociedade globalizada e imagética é extremamente importante levar
  • 11. 11em conta os aspectos imagéticos de uma situação social. Como a imagem criada tende aser confundida com o objeto real do mundo, ela cumpre a função de naturalizar umconjunto de idéias, um discurso que pode ser politicamente interessado ou ideológico.Aplicação das imagens na metodologia de pesquisa O campo de pesquisa em representações sociais já conta com alguns trabalhosque se preocuparam em incorporar a dimensão imagética em suas pesquisas de campo.A maior parte destes trabalhos utiliza imagens previamente existentes na sociedade naforma de fotografias que são apresentadas aos sujeitos da pesquisa. Estas imagens jápreviamente prontas foram criadas com fins específicos seja artístico, jornalístico.publicitário, político, ou institucional. Annamaria de Rosa analisa como a Benetton seutiliza de imagens com alta intensidade simbólica para impactar o público e criarvínculos emocionais positivos para a sua marca, mesmo se utilizando de imagens quegeram forte aversão em um grande número de pessoas. Esta autora analisa também oprocesso de modificação imagético-simbólica da bandeira do PCI mostrando como éimportante que esta como imagem representativa das forças políticas esquerdistascontemporâneas esteja adequada aos novos momentos da esquerda mundial. Outrosexemplos são apresentados pela autora como os da British Airways e da água mineralSan Pelegrino. É interessante assinalar aqui o forte uso das imagens em publicidade paraconstruir significados simbólicos para produtos, serviços ou marcas. Como exemplo, aatuação da Coca-Cola, que se apropriou de símbolos de alta importância cultural parafortalecer sua marca. Foi o que fez com uma das mais importantes imagens do mundoocidental: o símbolo do Natal, o bom velhinho Papai-Noel. Este personagem de nossacultura apareceu anos seguidos nas imagens publicitárias desta empresa veiculadas naépoca do Natal como um velhinho simpático, gorducho e bonachão, sorrindo e tomandorefrigerante, vestindo propositalmente sempre roupa vermelha, a cor característica damarca. As imagens antigas deste velho senhor Santa Claus o mostram alto, sisudo emagro, vestindo roupas amarelas, verdes e azuis, e, às vezes, vermelhas. Depois daapropriação desta imagem pelas campanhas publicitárias da Coca-Cola a roupavermelha ficou naturalizada: hoje só representamos suas vestes nesta cor.
  • 12. 12 Na prática específica da pesquisa científica em psicologia social temos umtrabalho pioneiro no Brasil utilizando a técnica artística do desenho para capturar asimagens das Representações Sociais da Escola produzidas pelos sujeitos da pesquisaatravés da técnica do desenho, de autoria de Sandra Acosta (2005) e que constitui suaTese de Doutorado em Educação pela USP cujo título é Escola: as imagens que asrepresentações sociais revelam. Este trabalho faz parte de um projeto mais amplo,Imaginários Latino Americanos sediado pelo Laboratoire Européen de PsychologieSocial – LEPS da Maison des Sciences de l‟Homme – MSH, França, que envolvepesquisadores de diversos países. Segundo a autora: O material imagético, elaborado a partir do desenho, foi considerado um instrumento significativo para pesquisas que se propõem captar outras formas de expressão, mais personalizadas e menos formais, capazes de oferecer novas informações que textos elaborados com a escrita não são capazes de fornecer ou expressar (ACOSTA, 2005, p. 15). Outros autores importantes também se preocuparam com esta inserção daimagem na metodologia de pesquisa em representações sociais como, entre outros, DeRosa (2005, 2006), Angela Arruda e Martha de Alba (2007). Estas duas últimaspesquisadoras coordenaram uma publicação importante que congregou diversostrabalhos que utilizam a imagem e o imaginário em suas pesquisas no campo da teoriadas representações sociais contando com a participação de destacados pesquisadorescomo Denise Jodelet. Neste seu trabalho publicado nesta coletânea intitulado La miradaprópria: cartografias imaginarias em Brasil, utiliza os desenhos de mapas do Brasilpelos seus sujeitos da pesquisa (jovens universitários) para capturar as representaçõesque construíram de seu país. Martha de Alba igualmente utiliza esta metodologia paracapturar os mapas imaginários do centro histórico da cidade do México através dosdesenhos de seus sujeitos da pesquisa (Mapas imaginarios del centro histórico de laciudad de México: de la experiência al imaginário urbano). Em ambos os artigos ficaimpressionante a força que possui a imagem no entendimento da representação social. Em nosso país a pioneira nesta utilização desta metodologia, Angela Arruda vemimplementando esta proposta através da orientação de trabalhos acadêmicos noPrograma de Pós-Graduação em Psicologia da UFRJ onde tivemos uma dissertação deMestrado – Representações Sociais de Universitários Cariocas sobre o Brasil e osBrasileiros, de Ana Carolina Dias Cruz - que utilizou a imagem na metodologia dapesquisa através do instrumento gerador dos mapas mentais, construída no projeto de
  • 13. 13pesquisa “Imaginário e Representações Sociais no Brasil”, que se constitui de duaspartes: na primeira, o respondente desenha seu mapa mental e, na segunda, preenchediferentes contornos de mapas do país seguindo instruções. Outra coletânea - El giro pictórico - organizada por Casanueva e Bolañosdiscute, em seus vários trabalhos, a importância e as conseqüências da utilização daimagem na Ciência.A experiência realizada com imagens e grupos focais A nossa pesquisa de campo constituiu-se de uma série de grupos focaisrealizados com pessoas de nível superior, a elite dos trabalhadores brasileiros e nosinteressou pesquisar como estão constituídas as representações sociais da confiança poreste recorte amostral de sujeitos da pesquisa. Como sabemos, a confiança é a base docapital social (Robert Putnam, James Coleman, Pierre Bourdieu etc.) e, portanto,fundamental na eficácia das organizações de produção. Ao analisar como as pessoas denível superior representam a confiança podemos entender o processo de confiar hojepresente nas organizações sociais de produção e como esta representação influencia naeficácia daquelas. Como confiança é essencialmente um valor fundamental de qualquerrelacionamento, as representações sociais da confiança se constituem em umcomponente básico estrutural de diversas outras representações sociais que sãoconstruídas e modificadas nos relacionamento que ocorrem no interior dos grupos detrabalho das organizações sociais de produção. O meu objetivo de pesquisa foi adetecção, explicitação e a análise profunda desta rede de significados que compõem arepresentação social da confiança. Mas uma questão fundamental apareceurecorrentemente no processo de definição da metodologia de pesquisa: o significado decada um dos termos verbais desta rede é igualmente vago e é definido por diferentesoutras redes de significados. Tal fato me levou a acreditar que poderia ficar paralisadoem uma situação muito imprecisa e de difícil solução sem a obtenção das imagens sobrea confiança que pudessem dialogar com a rede de termos verbais. Assim, decidi utilizara expressão imagética da confiança pelos meus sujeitos da pesquisa. Com esta decisãofacilmente consegui como resultado uma maior clareza sobre a representação social daconfiança.
  • 14. 14 O que fundamentalmente foquei foi a utilização da expressão imagética daconfiança realizada pelos próprios sujeitos da pesquisa. Diversas possibilidades edificuldades de utilização de materiais e técnicas expressivas se apresentaram esofreram a análise e reflexão profunda das suas possibilidades e limites de utilização. Alinguagem imagética possui uma dinâmica e estrutura próprias. Existem diversas formaspossíveis de expressão visual como o desenho, a pintura, a colagem, a fotografia, aescultura, o mosaico, a dobradura de papel, o vídeo, a história em quadrinhos. A decisãode escolher a pintura se baseou no fato de através desta seria mais difícil de controlar osresultados da expressão e traria maiores informações sobre os aspectos emocionais darepresentação. Outra questão importante refletida e prevista é a falta de familiaridade que osindivíduos hoje possuem em relação à expressão artística, devido ao fato de nossosistema educacional ser altamente voltado para a linguagem verbal e a lógica, que sãoformas não-imagéticas e não artísticas. Deparei-me com estas dificuldades expressivasindividuais, durante nossa pesquisa de campo, que apareceram como resistência deindivíduos a se expressar imageticamente sobre o objeto de pesquisa por exageradaautocrítica, temor de ridicularização etc. Senti a necessidade de uma maior espontaneidade da expressão, de um processoque passasse menos pelo racional e pela autocrítica. As imagens que participam de umarepresentação tendem a ficar obscurecidas pelos pensamentos formalizados econgelados sobre o objeto social representado. Por sua estreita ligação com o aspectoemocional e pela dificuldade de controle racional escolhi a pintura como a técnica a seraplicada nos grupos focais. Selecionado o material (papel, tintas) e preparado o espaço da pesquisa de formaapropriada e confortável para o trabalho expressivo, foi solicitado a cada participanteque realizasse a partir da questão focal, formulada de maneira clara e específica visandofacilitar ao máximo, a expressão imagética de nosso objeto de estudo, as representaçõessociais da confiança: “Gostaríamos que vocês fizessem uma pintura que expresse comovocês percebem uma relação de confiança”. Em seqüência todos os trabalhosexpressivos dos nossos sujeitos da pesquisa passaram por uma fase de reflexão ecomentários por aqueles que os produziram. Após o momento expressivo foi feita aseguinte questão: “Fale-nos como estas imagens significam para você a confiança”.
  • 15. 15Numa terceira etapa foi conduzida uma discussão geral sobre a confiança semprebaseada nas imagens produzidas. Estas sessões foram gravadas e transcritas para análiseposterior conjuntamente com as imagens. Após o término da fase da coleta dos dados, verbais e imagéticos seguiu-se aanálise dos mesmos e a reflexão sobre como interligar os dois componentes daRepresentação Social coletados, a linguagem e a imagem. Os dois conjuntos de dadosforam objetos de análise em separado e conjuntamente com o objetivo de definir daforma mais clara e completa possível a representação social da confiança assim comoexpressa na formulação original de Moscovici: representação = figura/significado. Assim, foi identificada, a partir dos resultados da pesquisa de campo preliminar,uma rede de significados envolvendo palavras e imagens que se interligam e dão sentidoespecífico situacional à representação social da confiança. Esta rede se constitui deimagens como: pessoas de mãos dadas, ou se mirando face a face, olhos, casa, florsendo regada etc.; e de palavras interrelacionadas: respeito, segurança, amor, atenção,cumplicidade, compromisso, boa vontade, solidariedade, companheirismo. ReferênciasABRIC, J. C. A zona muda das representações sociais. In: OLIVEIRA, DENIZE C.,CAMPOS, PEDRO H. F. Representações sociais, uma teoria sem fronteiras. Rio deJaneiro: Museu da República, 2005, 251 p.ACOSTA, Sandra Ferreira. Escola: as imagens que as representações sociais revelam.Tese de Doutoramento em Educação, USP, 2005 212 p.ARRUDA, ANGELA e de ALBA, MARTHA et alii. Espacios Imaginarios YRepresentaciones Sociales. México: Ed. Anthropos, 2007, 412 p.AUMONT, Jacques. A imagem. Campinas: Papirus, 1995, 320 p.BARTHES, Roland. A câmara clara. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984, 144 p.CHEVALIER, J., GHEERBRANT, A. Dicionário de Símbolos. Rio de Janeiro: JoséOlympio, 1994, 8ª edição, 996 p.DE ROSA, Annamaria Silvana. The “boomerang” effect of radicalism in DiscursivePsychology: a critical overview or the controversy with the Social RepresentationsTheory. In: Journal for the theory of social behavior, 36:2, p. 162-201. UK: BlackwellPublishing, 2006.
  • 16. 16_________________________. O impacto das imagens e a partilha social de emoçõesna construção da memória social: uma chocante memória flash de massa do 11 desetembro até a guerra do Iraque. In: SÁ, Celso Pereira de (org.). Memória, Imaginárioe Representações Sociais. Rio de Janeiro: Editora Museu da República, 2005.DE ROSA, Annamaria Silvana. The “boomerang” effect of radicalism in DiscursivePsychology: a critical overview or the controversy with the Social RepresentationsTheory. In: Journal for the theory of social behavior, 36:2, p. 162-201. UK: BlackwellPublishing, 2006._________________________. O impacto das imagens e a partilha social de emoçõesna construção da memória social: uma chocante memória flash de massa do 11 desetembro até a guerra do Iraque. In: SÁ, Celso Pereira de (org.). Memória, Imaginárioe Representações Sociais. Rio de Janeiro: Editora Museu da República, 2005.DE ROSA, Annamaria Silvana; FARR, Robert. Icon and symbol: two sides of the coinin the investigation of social representations. In: BUSCHINI, F & KALAMPALIKIS,N. Penser la vie, le social, la nature. Melanges en hommage à Serge Moscovici. Paris :Les Editions de la Maison des Sciences de l‟Homme, p. 237-256.DONDIS, Donis A. Sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes, 1997, 236p.DUMONT, Louis. O individualismo. Rio de Janeiro: Rocco, 1993, 284 p.DURAND, Gilbert. O Imaginário: ensaio acerca das ciências e da filosofia da imagem.Rio de Janeiro: Difel, 2001, 126 p.EUGENI, Ruggero. Analisi semiótica dell’immagine:pintura, ilustrazione, fotografia.Milano: Publicazioni dell‟U.Universita Catolica, 2004, 2ª Ed., 286 p.JODELET, D. Loucuras e representações sociais. Petrópolis: Vozes, 2005, 392 p.___________. As representações sociais, Petrópolis: Vozes, 2001, 420 p.JULIEN, N. Dicionário dos Símbolos. São Paulo: Editora Rideel Ltda, 1993, 540 p.MOSCOVICI, Serge. A representação social da Psicanálise. Rio de Janeiro: ZaharEditores, 1978, 291 p.PENN, Gemma. Análise semiótica de imagens paradas. In: BAUER, Martin W. eGASKELL, George. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático.Petrópolis: Editora Vozes, 2000, 516 p.SILVEIRA, Nise da. O mundo das imagens.São Paulo: Ática, 1992, 168 p.