Artigo Ti Verde Insep Alisson Ferreira 2009
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TI Verde

TI Verde
Tecnologia da Informação Verde
Artigo de conclusão de curso de Especialização em Ecologia Humana pelo INSEP - Instituto Superior de Educação do Paraná - Maringá - 2009

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Artigo Ti Verde Insep Alisson Ferreira 2009 Artigo Ti Verde Insep Alisson Ferreira 2009 Document Transcript

  • INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO PARANÁ ALISSON GONÇALVES FERREIRA TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO VERDES MARINGÁ 2009
  • INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO PARANÁ ALISSON GONÇALVES FERREIRA TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO VERDES Trabalho de Conclusão do Curso de Especialização, apresentado como requisito parcial para obtenção do Título de Especialista em Ecologia Humana, sob orientação do Prof. Fábio Angeoletto MARINGÁ 2009
  • RESUMO Este artigo objetiva demonstrar ações que organizações e empresas estão desenvolvendo na área de TI Verde, uma nova tendência incorporada ao conceito de Tecnologia da Informação. O comportamento orientado pela TI Verde implica em maior atenção e preocupação com os recursos computacionais e tecnológicos quanto ao seu impacto no meio ambiente. A TI Verde está presente na busca por controle de resíduos eletrônicos, conhecido como e-waste ou lixo eletrônico; na eficiência na produção de eletrônicos, com a utilização de materiais menos tóxicos e com melhor aproveitamento e maior facilidade na reciclagem dos mesmos; na racionalização, reutilização e reciclagem dos consumíveis como papel, cartuchos e baterias e na economia de energia com utilização de equipamentos mais econômicos e procedimentos que contribuam para menor consumo de energia. A TI verde também contribui para uma imagem de sustentabilidade para as organizações que a adotam e contribui com a lucratividade do negócio. PALAVRAS CHAVE: TI Verde, Tecnologia da Informação, lixo eletrônico, sustentabilidade, energia.
  • 1. INTRODUÇÃO A evolução tecnológica das últimas décadas vem nos envolvendo com os mais incríveis aparelhos eletrônicos. Modernos celulares, televisores ultra finos, tocadores de Mp3, navegadores GPS e computadores, este último, o campeão de demanda. O computador faz parte de nossa rotina desde o começo dos anos 90 do século passado e sua procura sempre esteve em alta desde então. Dentre os fatores que contribuem para essa procura, está a famosa Lei de Moore, segundo a qual a velocidade de processamento de seu chip dobra a cada 18 meses, ou seja, seu processador fica obsoleto em um ano e meio e o computador todo em cerca de três anos ou menos. Com o surgimento de novos computadores, mais potentes e mais avançados, os equipamentos antigos são substituídos. Essa evolução, além de permitir um grande avanço no desempenho dos computadores, contribui para a diminuição de seus custos, dessa forma, ao substituir um equipamento, o antigo normalmente é totalmente descartado. Esse descarte é altamente prejudicial para o meio ambiente. O impacto é causado tanto pelo material com que os computadores, monitores e periféricos são fabricados, quanto pela velocidade do processo de substituição desses equipamentos. O lixo eletrônico demora anos para se decompor, tornando um sério problema de saúde ambiental e também de saúde pública, pois para a fabricação de equipamentos eletrônicos muitas vezes são utilizados substâncias tóxicas, como chumbo e mercúrio, que podem contaminar o ecossistema e causar doenças nas pessoas. O aumento do volume desses resíduos contribui para uma maior complexidade no controle do descarte. Hoje não é segredo mais que a Tecnologia da Informação (TI) tem gerado um passivo ambiental grave. Com isso, cada vez mais profissionais da área estão se preocupando com o caminho a ser dado aos resíduos produzidos pela TI. Essa nova postura é chamada de TI Verde, é o conceito de desenvolvimento sustentável aplicado também na área da Tecnologia da Informação. Inicialmente, a TI Verde estava voltada para o e-waste ou lixo eletrônico, era inaceitável que os resíduos produzidos no início deste século tivessem o mesmo destino que os produzidos no início dos anos 90do século passado, dividindo o espaço em aterros com antigos computadores, monitores ultrapassados, celulares e tocadores de mp3, formando toneladas de e-waste. Assim, hoje, a maioria dos envolvidos na fabricação e comercialização de componentes eletrônicos deve tomar medidas de controle de descarte, reciclagem e reaproveitamento do e-waste. Em 2007 foram produzidos 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico, composto de computadores, celulares, eletroeletrônicos e eletrodomésticos que, com ciclos de reposição cada vez mais curtos, vão parar no lixo representando 5% de todo o lixo gerado pela humanidade (MOREIRA, 2007). Além do problema com o passivo da TI com a disposição dos produtos que estão sendo substituídos, outra preocupação é a fabricação. A TI Verde busca uma produção menos agressiva ao meio ambiente, com materiais que ofereçam menos impactos ecológicos quando descartados e maior facilidade na reciclagem e reutilização.
  • TABELA 1: Materiais usados na fabricação de um computador: 32% Metal Ferroso 23% Plástico 18% Metais não ferrosos (chumbo, cádmio, belírio, mercúrio) 15% Vidro 12% Placas eletrônicas (ouro, platina, prata e paládio) Fonte: Programa Ambiental das Nações Unidas apud Moreira (2007) No total, 94% dos componentes de um computador são recicláveis, mas menos de 1% do lixo eletrônico gerado no mundo é encaminhado para a reciclagem. Do percentual reciclado, 75% é realizado pelas grandes empresas, que fabricam os produtos (AVILA, 2008). Também estão na mira da TI Verde os produtos de consumo dos equipamentos computacionais e eletrônicos como papel, cartuchos e baterias. Estes consumíveis devem ser controlados e racionalizados, destinados à reciclagem e reaproveitados o quanto possível. A Tecnologia da Informação é uma importante fonte emissora de gases que contribuem para o aquecimento global. Um estudo da consultoria Gartner Group estima que globalmente as empresas do setor contribuem com 2% das emissões de gás carbônico (CO2). Segundo o grupo, os computadores e servidores são responsáveis por aproximadamente 0,75% do total de dióxido de carbono lançado na atmosfera do planeta, um percentual elevado, se comparado, por exemplo, com as emissões da indústria da aviação, da ordem de 2% ao ano (MOREIRA, 2007). A dependência das organizações em relação a Tecnologias da Informação está exigindo grandes estruturas computacionais, as quais consomem muita eletricidade. Um dos pesos pesados no consumo de energia dentro das empresas é o datacenter. O datacenter é um local fechado onde se concentram os computadores servidores de uma empresa. Neste espaço estão dispostos equipamentos de alto desempenho que oferecem recursos de processamento e armazenamento de dados em larga escala. Normalmente os equipamentos estão alocados em racks (armários de metal), e em grande quantidade, exigindo alto consumo de energia para sua operação e para a refrigeração do local. Desta forma, os datacenters também estão na mira da TI Verde. A TI verde ajuda a olhar para os datacenters através de um prisma ambiental, onde mudanças básicas podem garantir substanciais reduções no consumo de energia. Na ótica da redução de energia na infra-estrutura tecnológica das empresas está a questão financeira, ao proporcionar virtualização nos servidores dos datacenters, é possível fazer mais com menos equipamentos, também é possível diminuir consumo com refrigeração, assim caem os custos com TI. Em tempos de crise, a TI Verde auxilia na redução de custos com infra-estrutura e ainda esverdeiam os negócios, melhorando a imagem das organizações frente aos clientes e tornando-os mais competitivos dentro de um mercado global que exige sustentabilidade. Este artigo objetiva analisar as Tecnologias da Informação Verdes. Nossos objetivos específicos são: 1. Conceitualizar Tecnologia da Informação; 2. Conceitualizar Tecnologia da Informação Verde; 3. Descrever o impacto da fabricação de componentes eletrônicos no meio ambiente e na saúde humana; 4. Demonstrar ações de TI Verde que envolvidos na produção, operação e descarte de eletrônicos estão realizando para diminuir esse impacto;
  • 5. Apresentar normas e leis ambientais que estão relacionadas a Tecnologia da Informação; 6. Apresentar certificações “verdes” disponíveis para a área da Tecnologia da Informação; 7. Demonstrar dados sobre consumo de energia elétrica pela Tecnologia da Informação, em especial nos datacenters e formas de melhorar sua eficiência energética; 8. Apresentar consumo de computadores comuns e formas de melhorar sua eficiência energética; 9. Demonstrar produtos tecnológicos “verdes”; 10. Por fim, apresentar como a TI Verde está proporcionando lucro e melhorando a imagem das empresas. 2. DESENVOLVIMENTO 2.2 Tecnologia da Informação A sigla TI, Tecnologia da Informação, abrange todas as atividades desenvolvidas na sociedade pelos recursos da informática. O conceito de Tecnologia da Informação engloba um conjunto de recursos tecnológicos e computacionais na geração e uso da informação, com o objetivo de armazenamento, processamento e comunicação da informação. A TI vai além dos equipamentos computacionais e softwares, ela está presente nas decisões e implementações relacionadas à tecnologia, como um planejamento de informática, processos de produção e operação, desenvolvimento de sistemas e suporte de hardware. Nos negócios é improvável que alguma organização nos dias de hoje não se utilize da Tecnologia da Informação para auxiliar em suas atividades. Algumas utilizam mais outras menos, mas todas estão se utilizando deste conceito, mesmo sem saber. O conceito de Tecnologia da Informação é usado também para designar um ramo de atividade de negócio. Empresas de Tecnologia da Informação são empresas especializadas em serviços relacionados à tecnologia, como software, web, telecomunicações, fabricação de componentes eletrônicos dentre outras. Mas o termo já está familiarizado em empresas que não têm seu fim na tecnologia, isso porque em sua maioria, não somente empresas de grande porte já possuem suas atividades dependentes de alguma forma de tecnologia. Empresas de grande porte e até mesmo as médias estão hoje tão dependente da tecnologia que se vêem obrigadas a incorporar a Tecnologia da Informação no negócio, criando departamentos de TI, setor que fica responsável por pensar e manter processos tecnológicos dentro das organizações. Quando não existe um setor de TI nas empresas, é comum que elas possuam parceiros e fornecedores desses serviços para auxiliar nos negócios. 2.3 Tecnologia da Informação Verde Em 2008 foram vendidas somente no Brasil cerca de 11,8 milhões de computadores, segundo a consultoria IDC Brasil. Esse número é expressivo se comparado aos anos anteriores, em 2006 foram vendidos 6 milhões e em 2007, 10,7 milhões de unidades. Esses números refletem o consumo de computadores corporativos quanto pessoais, outro comportamento em crescimento no Brasil (IDGNOW!, 2009). Como ocorreu no final do século XX, essa quantidade de computadores
  • adquiridos hoje certamente serão descartados nos próximos anos, e como no passado, se nada for feito a respeito acabarão em aterros sem controle nenhum a um alto custo para o meio ambiente. Outra questão a ser discutida é com respeito ao consumo de energia que esses recursos computacionais representarão nos próximos anos. Há datacenters consumindo energia suficiente para abastecer cidades inteiras. Dependendo da quantidade de desktops de uma organização, seu consumo de energia, incluindo CPUs e monitores, pode ser bem maior que o dos servidores. Um custo financeiro e ambiental que não deve mais ser passado despercebido por diretores e gerentes de infra-estrutura e TI. Essa preocupação com o impacto dos recursos tecnológicos no meio ambiente é uma nova tendência no mundo, chamada de TI Verde ou Green IT, ou Tecnologia da Informação Verde. A TI Verde engloba, entre outros, o cumprimento da legislação ambiental, diagnósticos dos aspectos e impactos ambientais de atividades relacionadas à área da Tecnologia da Informação, seguindo e desenvolvendo procedimentos e planos de ação com objetivos de eliminação ou diminuição da agressão ambiental. A redução do consumo de energia é uma ação prioritária do movimento da TI Verde. Isso é feito através de inúmeras ações como: racionalização e virtualização de servidores, configuração para economia de energia nos computadores e servidores, ajuste do ar-condicionado e do fluxo de ar dentro dos datacenters, aquisições de equipamentos com certificados, etc. Fabricantes de equipamentos eletro-eletrônicos também podem fazer sua parte, optando por desenvolver produtos que utilizam materiais menos nocivos ao meio ambiente e com maior chance de aproveitamento no caso de descarte e que consumam menos energia. Distribuidores e varejistas que são responsáveis pela logística nas vendas de produtos eletrônicos já estão desenvolvendo meios de captação dos produtos antigos que os clientes substituem, proporcionando um destino correto e organizado dos resíduos dos produtos eletrônicos. No que diz respeito aos consumíveis como papel, cartuchos e baterias, estes devem ser controlados e racionalizados. Devem ser priorizadas a reciclagem e a reutilização desses materiais assim como conhecer o destino correto no caso de não aproveitamento. Com a crescente pressão de órgãos internacionais e nacionais por negócios sustentáveis e com a mídia disseminando práticas ecologicamente corretas, toda a sociedade está atenta em ações que beneficiem o meio ambiente. Segundo Cerioni (2007), “conforme cresce a preocupação com a proteção ambiental, aumenta também a pressão por áreas de TI ecologicamente responsáveis”. Mais do que benefícios à imagem ou um apelo social percebidos pelos clientes e pela sociedade, as empresas que adotam TI Verde estão também vendo seus lucros crescerem por causa dessa opção. Para se adotar a TI Verde, ao invés de olhar para iniciativas individuais, é necessário uma visão holística sobre o impacto ambiental da TI nas organizações, como dito anteriormente, a maioria das empresas atuais estão imersas na Tecnologia da Informação, dessa forma é possível agir em diversas áreas de uma empresa. A TI Verde pode estar inserida no departamento de Compras de uma empresa, por exemplo, onde processos pelos quais uma organização compra equipamentos, suprimentos e serviços. Esses processos devem possuir procedimentos internos que levem em conta o impacto ambiental de qualquer tipo de aquisição realizada pela empresa. O ambiente de trabalho é repleto de dispositivos eletrônicos, que vão desde computadores (desktops e laptops), impressoras e dispositivos móveis. A TI Verde também ajuda na percepção do uso consciente desses equipamentos, fazendo com que ele seja eficiente e consuma menos energia. Os servidores e datacenters das empresas são grandes vilões quando o quesito é consumo de energia, enquanto o foco tradicional em termos de consumo de energia é o datacenters, é importante ter uma visão holística das áreas que podem ser melhoradas. Também vale a pena notar que consumo de energia e refrigeração são e continuarão a ser a primeira preocupação dos
  • administradores dos datacenters. É possível ir além da capacidade computacional das empresas, pensar nas estações de trabalho individualmente, optando por computadores menos potentes e monitores que consomem menos energia, como Thin Clients (computadores de baixo custo, sem disco rígido que processam informações diretamente no servidor) que utilizam menos energia que computadores comuns e ocupam menos espaço, também existe a possibilidade de implementar aplicativos remotos nos computadores da empresa, pois permitem menos deslocamentos. Se tratando de cidadania corporativa a TI Verde atua na forma pela qual as organizações de TI interagem com as comunidades locais, regionais e globais, pois além da percepção que os clientes tem dela, profissionais também estão optando por dar preferência em trabalhar em empresas que se preocupam com o meio ambiente. Segundo a Accenture, empresa prestadora de serviços na área de tecnologia, em uma pesquisa, 80% dos formandos entrevistados disseram que estavam interessados em trabalhar para companhias que tivessem um impacto ambiental positivo enquanto 92% optariam por trabalhar em empresas mais “verdes” (AROS, 2008). Com a difusão e o amadurecimento do conceito de TI Verde, surgem melhores práticas com foco na forma como a TI é executada nas empresas, incluindo localidades, processos e estruturas. Exemplos dessas melhores práticas podem ser: − E-Invoicing e E-Billing, onde transações entre empresas são feitas eletronicamente, como faturamento e pagamento, não utilizando de nenhum documento impresso ou deslocamento entre as partes envolvidas. − Facilidades via Web, reduzindo deslocamentos dos clientes, como lojas virtuais, atendimento por telefone e vídeo conferência, etc. − Facilidades via Intranet, reduzindo o uso de papel e impressões, o que também aumenta a eficiência organizacional dos processos burocráticos, com maior controle e organização de informações. − Melhor logística (empacotamento, envio transporte, etc.) – reduzir o nível de empacotamento e organizar as entregas em lotes e não em ordens individuais, sempre que possível. − Utilização de softwares de gestão centralizados, com banco de dados único e informações acessíveis a todos com facilidade, velocidade e segurança. A TI Verde é uma área complexa com vários pontos de vista possíveis. Para a Accenture, é necessário um conjunto de princípios básicos para as organizações que pretendem iniciar um tratamento organizado deste tema tenha êxito. É preciso que os processos de transformação da Tecnologia da Informação ande junto com os objetivos ambientais pré estabelecidos pelas empresas. Todas as “Iniciativas Verdes” devem ser focadas na obtenção de um benefício alinhado com um destes três princípios: redução, reutilização e reciclagem. Através do entendimento da forma com que as empresas conduzem seus negócios e pela identificação de oportunidades de melhoria em suas atividades, produzindo um impacto ambiental positivo, se concretiza a TI Verde (AROS, 2008). 2.3.1 Produção de componentes eletrônicos 2.3.1.1 Materiais A fabricação de produtos eletrônicos e computacionais utiliza muitos elementos prejudiciais ao meio ambiente, alguns deles altamente nocivos ao ser humano, segue um explicação dos elementos mais usados:
  • - Mercúrio: Encontrado em: sensores, termostatos, relays, chaves circuitos impressos, baterias, vídeos planos (que estão substituindo os CRTs) etc. Pode provocar: danos no cérebro, rins e nos fetos. Tem efeito cumulativo nos organismos vivos, por exemplo através do consumo de peixe contaminado. - Cádmio: Encontrado em: detectores infravermelho, resistores e semicondutores. Danos: afeta irreversivelmente a saúde (em especial os rins). - Chumbo Encontrado em: monitores, soldas em circuitos integrados e outros componentes. Pode afetar: sistema nervoso, sangue, rins, sistema reprodutivo, sistema endócrino (efeitos no desenvolvimento cerebral de crianças). - Cromo Hexavalente Encontrado em: circuitos integrados, peças cromadas, utilizado para proteger metal de corrosão e partes de componentes eletrônicos. Danos: é radioativo e prejudica o metabolismo celular e o DNA. - Plásticos PVC Encontrado em: cabos de computadores. Danos: tóxico quando submetido à alta temperatura forma dioxinas, que afeta as defesas do organismo, provoca câncer e geração de crianças com deformidades.
  • - Bário Encontrado em: monitores CRT para proteger contra radiação. Danos: inchação cerebral, enfraquecimento muscular, coração, fígado. - Carbono Preto Encontrado em: toner (cartucho de impressora a laser). Danos: câncer, irritação respiratória. 2.3.1.2 Contaminação Normalmente a contaminação se dá no processo de reciclagem dos materiais eletrônicos, onde pessoas que sobrevivem desse tipo de atividade buscam em aterros clandestinos e lixões sem controle de acesso, produtos onde possam ser retiradas suas partes plásticas e metálicas, a extração dessas partes é feita através de processos químicos (solventes e ácidos) e físico (queima) expondo o ser humano à contaminação. O meio ambiente também sofre impacto quando esses produtos são deixados sobre o solo podendo poluir a água subterrânea. A queima gera gases altamente tóxicos como metais em forma de vapor – chumbo. 2.3.1.3 Fabricação Em um estudo coordenado pelo professor Ruediger Kuehr, encontrado em seu livro Computers and the Environment (2004) e divulgado pela Universidade das Nações Unidas, o pesquisador afirma que cerca de 1,8 tonelada de materiais, dos mais diversos tipos, são utilizados para se construir um único computador. O cálculo foi feito tomando-se como base um computador de mesa com um monitor CRT de 17 polegadas. Somente em combustíveis fósseis, o processo de fabricação de um computador consome mais de 10 vezes o seu próprio peso. São, por exemplo, 240 quilos de combustíveis fósseis, 22 quilos de produtos químicos e - talvez o dado mais impressionante - 1.500 quilos de água. O problema é que a fabricação dos chips consome uma enormidade de água. Cada etapa da produção de um circuito integrado, da pastilha de silício até o microprocessador propriamente dito, exige lavagens seguidas em água extremamente pura. Que não sai assim tão pura do processo, obviamente (ROSA, 2007). O estudo mostra que a fabricação de um computador é muito mais material- intensiva - em termos de peso - do que a fabricação de eletrodomésticos da linha branca, como refrigeradores e fogões, e até mesmo do que a fabricação de automóveis. Esses produtos exigem apenas de 1 a 2 vezes o seu próprio peso em combustíveis fósseis.
  • Em países menos desenvolvidos, problemas ambientais causados por empresas de eletrônicos são mais evidentes: As grandes empresas do ramo de fabricação de eletrônicos dão preferência sempre os países mais pobres para instalar suas sedes, pois são bem recebidas pelos políticos locais e moradores, por proporcionarem bons empregos e melhorias na cidade, como é o caso da sede de uma fábrica localizada em Albuquerque, no estado do Novo México, a qual produz, em sua maioria, semicondutores e chips. Porém, essa produção já infringiu diversas vezes as leis ambientais, poluindo os recursos hídricos da região, como o Rio Grande e o ar, chegando a contaminar, além daquela cidade, as vizinhas como a cidade de Corrales (MACOHIN, 2007). No processo de fabricação, para cada quilo de computador produzido são gerados 3 quilos de e-waste, ou lixo eletrônico, essa atividade também envolve grandes quantidades de elementos químicos e gases tóxicos que contaminam o ar, a água e o solo, um exemplo é destruição da camada de ozônio pelo CFC, usado pelas indústrias para a limpeza de circuitos eletrônicos. Os trabalhadores da indústria de computadores estão expostos em média a três vezes mais toxinas (gases e resíduos) do que em outros ramos de produção (MACEDO, 2007). 2.3.1.4 Ações que diminuem poluição na fabricação Para que o processo de fabricação de componentes eletrônicos e computacionais se torne menos agressivos ao meio ambiente e as pessoas é necessário partir dos seguintes pontos: utilização de materiais e procedimentos que diminuam ou eliminem elementos nocivos, cumprimento de legislação ambiental e criação de novas normas e novas atitudes de empreendedores envolvidos no negócio, com uma nova consciência ecológica. Hoje já existem novas técnicas e utilização de novos materiais na fabricação de computadores que consomem menos recursos naturais e geram menos lixo. Um exemplo disso seria a utilização de cobre apenas quando necessário quando a criação de um circuito impresso, não partindo de uma placa toda em cobre e utilizando ácido na remoção do metal quando necessário uso de cobre nas soldas ao invés de chumbo. Processos mais limpos de produção e produtos mais econômicos também são possíveis com pesquisa e desenvolvimento. Novos equipamentos devem ser desenvolvidos para que sua desconstrução seja facilitada para o reaproveitamento, assim como componentes com vida útil mais longa. Todas essas medidas devem ser acompanhadas de ações que desenvolvam a consciência ecológica nas organizações, para que exista um consumo mais responsável e que sejam utilizados cada vez mais produtos menos agressivos a natureza. Na tentativa de amenizar a situação atual de descontrole de resíduos e-waste, grandes corporações como IBM, HP, Compaq, Fujitsu, Toshiba, Dell, Sony, Sharp e Unisys criam programas de reciclagem embutindo taxas de devoluções na compra dos produtos, dessa forma garante que o produto terá um destino que possa ser controlado. A Apple, fabricante de computadores, telefone e tocadores de mp3 teve uma redução de quase 100% do chumbo ao substituir monitores CRT (tubo) por LCD (tela fina), neste último item também foi retirado o arsênico do vidro dos monitores. A Apple também se destaca pela tentativa de eliminação do mercúrio na telas que possuem iluminação, diminuição de aplicações em PVC e BRF (Trifluoreto de bromo) e uma política de processamento do lixo produzido nos EUA no próprio país. Em 2004 foi criada a STEP, Solving the E-waste Problem (Solucionando o problema do lixo eletrônico), iniciativa que envolve três agências da ONU (Organização das Nações Unidas), o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), universitários, governos dos mais diversos países e dezesseis empresas, entre elas a Dell, Microsoft, Hewlett Packard (HP), Ericsson, Cisco Systems e Philips, nos quais se pretende padronizar globalmente os processos de reciclagem para recuperar os componentes dos resíduos eletrônicos que podem ser reutilizados e harmonizar as legislações e políticas, tudo para tentar reduzir a velocidade com que esse lixo cresce e um melhor tratamento do e-waste (MACOHIN, 2007).
  • 2.3.2 Legislação Bom senso, consumo responsável e consciência ecológica contribuem consideravelmente para que a sociedade desenvolva atividades menos agressivas a natureza e procure chegar a um ponto de equilíbrio entre o ser humano e o meio em que vive. Mas infelizmente isso não é o suficiente, e num sistema capitalista onde a busca por lucratividade é o principal alvo das empresas, as consequências do impacto de suas atividades no meio ambiente são muitas vezes desprezadas, portanto deve existir também outras maneiras de se barrar tal agressão. Governos começam a se movimentar, surge à legislação para conter, diminuir ou eliminar abusos de organizações que insistem em manter atividades que agridam o meio ambiente. No caso da TI, Tecnologia da Informação, já não é segredo pra ninguém que ela gera um passivo ambiental grave. Dessa forma foram criadas regulamentações para atacar o problema, demandando proibições de uso de substâncias tóxicas. A União Européia, uma das administrações mais avançadas neste sentido, criou em meados de 2006, duas diretrizes chamadas WEEE (Waste Electrical and Electronic Equipment, que significa Resíduos de Equipamentos Eletrônicos) e RoHS (Restriction of Hazardous Substances, que significa Restrição a substâncias perigosas). Ambas buscam garantir que o lançamento dos resíduos químicos oriundos de eletrônicos, especialmente o chumbo e mercúrio, sejam menos agressivos ao meio ambiente, o que fez e vem fazendo com que empresas de TI se reestruturem para a conformidade com a norma, o que não é fácil, considerando o alto custo envolvido bem como que, a solda tradicional hoje, que liga os componentes eletrônicos em placas, é em regra composta por 60% de estanho e 20% de chumbo. A RoHS introduz no cenário mundial a obrigatoriedade da indústria ou importador em se responsabilizar pelo "ciclo de vida" dos produtos que insere no mercado de consumo, através de um programa de gerenciamento de impacto, coleta e reciclagem dos produtos descartados, certamente sendo recepcionada no Brasil pelo Código de Defesa do Consumidor (Lei 8078/1990), em sua política nacional de relações de consumo, que também zela pela integridade da saúde de consumidores. Igualmente, a RoHS contempla o princípio de Direito Ambiental do "Poluidor Pagador", segundo o qual a poluição resulta em enriquecimento ilícito e degradação ambiental, gerando direito à reparação pecuniária. Outras iniciativas merecem destaque, como no caso do Japão que, ao regulamentar sua Lei de Incentivo a Utilização Eficaz de Recursos (Law for the Promotion of Effective Utilization of Resources), editou a norma JIS C 0950:2005, a conhecida "J-Moss", que prevê inclusive que os fabricantes informem aos consumidores, até mesmo via website corporativo, a aposição de componentes químicos perigosos em equipamentos eletrônicos como computadores pessoais e televisores. A Coréia do Sul por sua vez, adotando o padrão RoHS, editou recentemente o Act for Resource Recycling of Electrical and Electronic Equipment and Vehicles (Bill 6319 of 30 March 2007). Na América, o Estado da Califórnia, que concentra as principais empresas de tecnologia do mundo, também conta com legislação específica, a Electronic Waste Recycling Act of 2003 (EWRA), que dá ênfase à poluição de monitores e displays, inclusive LCDs, e que desde janeiro de 2007, obriga os fabricantes a respeitar os limites máximos permitidos de substâncias perigosas, na concepção de tais produtos. Já no Estado Americano do Texas, a preocupação como e-waste (desperdício eletrônico) levou o Estado à aprovação da House Bill 2714, uma Lei Estadual que penaliza o fabricante pelo impacto ambiental do equipamento: Segundo a Lei, os fabricantes são responsáveis pela reciclagem e retorno do equipamento utilizado, rotulando inclusive suas máquinas, com informações claras ao consumidor para que as destinem à empresa fabricante em caso do descarte ou obsolescência. Para o consumo de energia, ainda no plano internacional, demandas como a Energy Star 4.0, da agência de proteção do meio ambiente dos EUZ, cobra dos fabricantes maior eficiência
  • energética nos produtos. A quantidade de energia consumida pelos centros de dados corporativos e estatais; Medidas da indústria no sentido de desenvolver servidores eficientes em relação ao consumo de energia; Possíveis incentivos que convençam as empresas a optarem pela utilização de tecnologias com funções para poupar energia. O selo "Energy Star" vem sendo hoje um dos mais cobiçados pelas empresas que já atentaram ao novo modelo, onde CIOs já estudam projetos e auditorias objetivando as certificações. No Brasil, possuidor de uma das legislações mais complexas do mundo, menciona em seu conjunto de leis diversas determinações em que as políticas de TI e TI Verde devem estar atentas, tais como: Leis 6.938/1981 (Política Nacional do Meio Ambiente), Lei 9.605/1968 (Lei de Crimes Ambientais), Lei da Ação Civil Pública nº 7.347/1985 no que cerne a responsabilidade por danos causados ao meio ambiente, além é claro da Lei da Ação Popular nº 4.717/1965, nos seus aspectos referentes à lesão e a proteção ao meio-ambiente (MILAGRE, 2008). Mesmo com esses avanços no campo da legislação internacional, com órgãos de fiscalização e certificações, um estudo realizado pelo Greenpeace, organização não-governamental (ONG), revelou que os eletrônicos ainda não são ecologicamente corretos, a ONG afirma que hoje os novos produtos são um pouco mais ecológicos que os fabricados há um ano. Segundo o Greenpeace poucos contem menos substâncias tóxicas dos que os produzidos no ano de 2008. Mas houve uma melhora em relação ao uso de telas com tecnologia LED, que são mais econômicas e livres de mercúrio, substância que pode ser tóxica e era encontrada em vários modelos de televisores. Outra boa notícia é que mais empresas estão usando materiais reciclados em seus produtos. Além disso, as companhias também estão se responsabilizando por receber e reciclar aparelhos usados. Periodicamente o Greenpeace divulga uma lista classificando o nível de sustentabilidade das empresas fabricantes de eletrônicos. Para avaliar as empresas, são estudados requisitos relacionados a substâncias tóxicas presentes nos produtos, o tratamento do lixo eletrônico e fatores relacionado ao consumo de energia. Veja no último relatório (TABELA 2), de março de 2009 o quão “verde” estão as gigantes do mundo da tecnologia segundo a ONG. O Greepeace apresenta também uma imagem que permite visualizar e incorporar nos sites quais empresas estão sendo avaliadas e em que posição se encontram segundo a avaliação. Fonte: Greenpeace
  • TABELA 2: Ranking Greenpeace 1 7,5 Nokia Se mantem no topo pelo programa de coleta de celulares inativos e através de novas metas de emissão de CO2. 2 6,9 Samsung Subiu no ranking duas posições graças ao claro apoio a cortes que provocam alterações climáticas globais. 3 5,7 Sony Ericsson Desceu uma posição, pois existe mais a ser feito pela reciclagem. 4 5,7 Philips Deu um salto de 11 posições devido a grande melhoria na política de reciclagem. 5 5,5 Sony Subiu duas posições devido a uma melhor eficiência energética. 6 5,5 LG Perdeu pontos por atrasar o progresso de eliminação de substâncias tóxicas de seus Electronics produtos. 7 5,3 Toshiba Perde pontos pela pobre redução na emissão de CO2 e falta de dados sobre eficiência energética. 8 5,3 Motorola Precisa melhorar em matéria de resíduos e energia. 9 4,9 Sharp Ganhou pontos no regime de reciclagem dentro dos EUA, mas perdeu quanto a redução de emissões globais 10 4,7 Apple Subiu quatro posições devido a eliminação de produtos químicos e melhoria na reciclagem, mas ainda está pobre em matéria de energia. 11 4,5 Acer Caiu ligeiramente devido a uma pobre pontuação quanto aos resíduos. 12 4,3 Panasonic Perde três posições devido a uma pobre definição sobre o princípio da precaução e dados sobre eficiência energética. 13 3,7 Dell Em queda, penalizada devido a falta de metas para eliminação de toxinas até o final de 2009. 14 3,1 Lenovo Também penalizada devido a falta de metas para eliminação de toxinas até o final de 2009 15 2,7 Microsoft Pontuação caiu devido a má performance quanto aos resíduos. 16 2,7 HP Penalizada devido a falta de metas para eliminação de toxinas até o final de 2009 17 0,8 Nintendo Em último, não sofreu alteração na pontuação. Fonte: Guide to Greener Electronics. Versão 11 de março de 2009. Existe também uma movimentação positiva em vários pontos da cadeia de negócios de TI. A GSM Association é um exemplo disso. Ela prevê redução de lixo eletrônico com carregador de celular que funcione em qualquer aparelho. A criação de um carregador de celular universal, anunciada durante o Mobile World Congress 2009, será não somente confortável como reduzirá a quantidade de material desperdiçado. Mesmo não existindo uma legislação específica que imponha atitudes mais ecologicamente corretas em relação a produtos que não atendem mais as expectativas dos usuários, fabricantes de hardware vêm criando formas de reaproveitamento de produtos em comunidades carentes, proporcionando inclusão digital, criando coletas seletivas e sites de armazenamento. 2.3.3 Certificações No mesmo ritmo do acompanhamento a legislação, surge na outra ponta as certificações e as SGAs (Sistemas de Gestão Ambiental). No que diz respeito a certificações, entre as mais conhecidas estão especialmente à família ISO 14000, que segue indicando caminhos para a produção ambientalmente responsável, obrigando empresas certificadas a controlar seus resíduos e a sua disposição no meio ambiente. Cada vez mais, diretores e gerentes de infra-estrutura de indústrias de todos os setores preocupam-se com o caminho dado aos resíduos de suas áreas despejados no meio ambiente. E nesse contexto, a norma ISO 14001 pode ser um apoio. A ISO (sigla em inglês para Internacional Standardization for Organization) é uma
  • organização não-governamental sediada em Genebra, fundada na década de 40. O objetivo é ser o fórum mundial de normalização. A série de normas ISO 14000 especifica os elementos de um sistema de gestão ambiental. Além disso, oferece ajuda prática para sua implantação ou aprimoramento. A norma isso 14001 inclui os elementos centrais do sistema de gestão ambiental para a certificação. A empresa que possui este certificado é capaz de atestar responsabilidade ambiental no desenvolvimento das atividades de uma companhia. Entre os pré-requisitos para um empresa se certificar estão: cumprimento da legislação ambiental, diagnóstico atualizado dos aspectos e impactos ambientais de suas atividades, procedimentos-padrão e planos de ação para eliminar ou diminuir impactos ambientais, além de pessoal devidamente treinado e qualificado e campanhas internas constantes. A indústria de computadores dos Estados Unidos possui um programa voluntário chamado Ferramenta de Avaliação Ambiental de Produtos Eletrônicos (EPEAT, na sigla em inglês), dedicado a fornecer padrões para computadores mais “verdes”, assim como para manter o lixo eletrônico fora dos aterros, onde a maior parte vai parar. Atualmente não há qualquer regulamentação para o descarte de eletrônicos nos Estados Unidos, mas alguns estados, como Califórnia e Massachusetts, com a ajuda de ambientalistas, estão pressionando o congresso americano a adotar leis federais. A EPEAT foi lançada há três anos pelo Conselho de Eletrônicos “Verdes” (GEC, na sigla em inglês), uma organização sem fins lucrativos em Portland, no estado de Oregon, criada em 2004 para encorajar a produção de eletrônicos que não causassem danos ao meio ambiente. Uma de suas propostas é avaliar desktops, notebooks e monitores de acordo com 51 critérios ecológicos, como limites para a quantidade de cádmio e embalagem em materiais recicláveis. Assim, os produtos recebem uma “medalha” de bronze, prata ou ouro de acordo com essas orientações: ganhar o ouro significar atender pelo menos a 41 dos critérios. Até hoje, apenas 68 (dos 601 modelos de computadores avaliados) atingiram a classificação máxima. A maioria (510) ficou com a prata (ou seja, atendem a pelo menos 35 dos critérios) e 23 levaram o bronze, de acordo com o site da EPEAT (www.epeat.net). Cerca de 109 milhões desses computadores e monitores certificados pela EPEAT foram vendidos no mundo todo no ano passado (apenas 22% das vendas globais), de acordo com o relatório do programa. A EPEAT também ressalta que esses computadores usaram 75,5 milhões de toneladas a menos de materiais tóxicos em sua fabricação, inclusive 3.220 toneladas a menos de mercúrio. O programa ajudou a eliminar mercúrio suficiente para encher mais de 480 mil termômetros, principalmente porque os grandes compradores, como as agências governamentais norte- americanas, compararam monitores com luz de LED – uma nova tecnologia de iluminação que não emprega o mercúrio, como as lâmpadas fluorescentes compactas de cátodo frio no passado. Os computadores certificados pela EPEAT também economizam energia, de acordo com o site: 42,2 bilhões de kWh de eletricidade ao longo de sua vida útil, o que significa 3,31 milhões de toneladas a menos de emissões de gases de efeito estufa que seus concorrentes não certificados – o equivalente a retirar 2,6 milhões de carros das ruas. Se a economia de energia for levada em conta, os computadores da EPEAT na verdade economizam dinheiro – US$ 3,7 bilhões ao longo de sua vida útil, em comparação aos eletrônicos não certificados. Consumidores interessados na avaliação da EPEAT para alguma marca específica podem acessar o site do programa. No entanto, ainda há a questão das impressoras, televisores e 130 milhões de telefones celulares descartados no mundo inteiro a cada ano, de acordo com o Programa Ambiental das Nações Unidas, que enfoca o monitoramento e solução de problemas ambientais. A EPEAT espera expandir seus programas para esses aparelhos também num futuro próximo (BIELLO, 2008). 2.3.4 Energia Na Tecnologia da Informação o consumo de energia está na fabricação dos equipamentos computacionais, na operação desses produtos e também na reciclagem e descarte dos mesmos. Mas
  • o ponto crítico está na operação, e os grandes sugadores atuais de energia no setor de tecnologia são os datacenters, local onde são concentrados os computadores servidores responsáveis pelo processamento de dados de uma empresa ou organização. Em um datacenter, 99,9997% dos watts que entram se transformam em calor, enquanto que 0,0003% dos watts restantes se transformam em processamento. A necessidade de operação de datacenters nas organizações só tem aumentado com a crescente dependência que as empresas têm na Tecnologia da Informação. Não obstante, a potência dos servidores segue seu curso normal de aceleração de desempenho, e ainda, consumindo maior energia em sua operação, a um menor custo. Segundo dados do Gartner, um rack que há três anos consumia entre 2 mil e 3 mil watts de energia, hoje pode chegar a 30 mil watts, dependendo da quantidade de equipamentos empilhados. Junto a esses dados, a IDC previu que entre os anos de 2010 e 2015, os gastos com energia superarão os investimentos em equipamentos (SATUDI, 2008). Fonte: IDC (International Data Corporation) apud Miranda (2007) Ainda segundo a Gartner, os datacenters representaram cerca de 23% da energia consumida na área de Tecnologia da Informação: Fonte: Gartner Group apud Vilela (2008)
  • Dentro de um datacenter o consumo de energia se compõe da seguinte forma (TABELA 3): TABELA 3: Consumo de energia em um datacenter 33% Refrigeração 30% Equipamentos computacionais 18% Suprimento de energia ininterrupta, bateria 19% Outro, como iluminação, equipamento de rede Fonte: APC American Power Conversion apud Satudi (2008) Partindo do pressuposto de que não é possível controlar algo que não pode ser medido, esse prognóstico auxilia em medidas para tornar os datacenters mais verdes, dessa forma, além de economizarem energia eles também pode reduzir a necessidade de expansão de infra-estrutura, reduzindo uso de refrigeração. Fazendo mudanças básicas dentro dos datacenters já é possível garantir substancial economia. Segue algumas das maneiras para tornar-los eficientes: Consolidação Essa medida corresponde em fixar o armazenamento de informações em um único local, o que já ocorre, mas também vai além quando sugere verificar servidores que possam ser desativados migrando aplicações para um menor número de equipamentos. O aumento no armazenamento, uso de discos rígidos de grande capacidade, é outro caminho sugerido na consolidação. A consolidação de unidades físicas afeta imensamente o volume de energia e proporciona custos de aquisição mais baixos. Virtualização Com a virtualização é possível executar diversos sistemas operacionais em um único equipamento físico. Essa medida permite a criação de máquinas virtuais em um mesmo equipamento, onde vários serviços de servidores, incluindo sistemas operacionais distintos, compartilham o mesmo hardware . A virtualização é uma funcionalidade que permite alocar a carga de trabalho entre os servidores, tratando-os como uma única região de processamento de forma dinâmica, realocando o processamento de acordo com a demanda por atividade. Gerenciamento de consumo de energia Em um típico datacenter a quantidade de eletricidade não muda durante o dia, mesmo que a carga de processamento não seja constante no período. Para manter um ambiente de TI em funcionamento é essencial fornecer o grau exato de energia para os servidores. Ainda que fornecedores de processadores tenham colocado novas funções de energia em suas linhas e existam ferramentas de gestão de energia disponíveis, os administradores de TI não estão familiarizados com tais ferramentas, pois no momento a prioridade está voltada para a disponibilidade e desempenho. O gerenciamento de energia de servidores e processadores contribui para a vida útil desses eletrônicos e no sistema de resfriamento. Outro foco na gestão de energia são as fontes de alimentação dos servidores. Há fontes ineficientes sendo vendidas que causam maior gasto com energia do que qualquer outro componente dentro de um datacenter. Ainda que novos modelos sejam mais eficientes, eles não são comprados por serem mais caros. As fontes comuns nos servidores podem ser responsáveis por metade da energia consumida pelo equipamento. Soma-se a isso que cada Watt perdido com a fonte equivale a mais um gasto com o sistema de refrigeração. Mesmo mais caras, as mudanças para fontes mais eficientes representa tanto redução de custo operacional quanto financeiro. A referência 8oPlus.org é um programa de certificação que agracia fontes de energia que mantêm 80% de eficiência mesmo quando a carga está em 20%, 50% e mesmo 100% (COMPUTERWORLD, 2007).
  • Refrigeração e ventilação O Gartner identificou 11 melhores práticas que, implementadas, podem reduzir, anualmente, milhões de kWh (ANTONELLI, 2008): – Fechar brechas e vãos em ambientes com pisos elevados para evitar a saída de ar frio. Só com este cuidado, as empresas economizam cerca de 10% de energia; – Utilizar painéis de isolamento para aperfeiçoar o sistema de arrefecimento de racks; – Coordenar o funcionamento dos condicionadores de ar com novos equipamentos nas salas de computadores para que, ao mesmo tempo, refrigerem e desumidifiquem o ambiente. A função de desumidificação não pode ser atribuída unicamente aos condicionadores de ar; – Melhorar o fluxo de retirada de ar quente e a entrada de ar fresco nos locais embaixo dos pisos elevados dos datacenters, mantendo organizado este espaço que, geralmente, é composto por um emaranhado de cabos que prejudicam o funcionamento do sistema de refrigeração; – Utilizar racks que dispõem de corredores independentes de ar quente e frio e que possuem entradas de ar em diferentes direções, para melhor controle do fluxo de ar; – Instalar sensores de temperatura em áreas em que há suspeita de problemas com refrigeração; – Implantar sistemas de contenção nos corredores de ar quente e frio para aperfeiçoar a refrigeração dos servidores; – Elevar e manter a temperatura no datacenter entre 24ºC e 25ºC; – Instalar ventiladores com velocidades variáveis. Estes sistemas permitem o funcionamento de ventiladores, motores, compressores e bombas a uma velocidade adequada às necessidades. A simples redução de 10% da velocidade resulta em uma economia de 27% do consumo de energia destes equipamentos; – Usar a técnica Free Cooling, que consiste na utilização do ar fresco de ambientes exteriores para efetuar o arrefecimento; – Desenvolver novos datacenters usando refrigeração modular. Trata-se de um sistema de refrigeração mais eficiente. Segundo o grupo, grande parte da energia consumida em um datacenter convencional, cerca de 35% a 50%, provém da refrigeração. Por isso, a Gartner, empresa de pesquisas e aconselhamento sobre tecnologia, divulga algumas boas práticas que, caso implementadas, podem reduzir esse consumo para cerca de 15%. 2.3.5 Case Sun Microsystem A Sun Microsystems, empresa que fornece componentes e serviços na área de Tecnologia da Informação, iniciou no começo do ano um projeto para um novo datacenter, em Broomfield, Colorado, nos Estados Unidos. O projeto é a maior consolidação de hardware da história da companhia e permitirá uma economia de até 11 mil toneladas métricas de CO² por ano. Utilizando os mais recentes sistemas de eficiência energética, incluindo design e tecnologias inovadores de alimentação de energia e de resfriamento, a companhia almeja 20% na redução do consumo energético. Além da economia de 11 mil toneladas métricas de CO² por ano – redução de 6% das emissões da empresa nos Estados Unidos - a Sun Microsystems estima economizar mais de 1
  • milhão de dólares em custos de eletricidade. Segundo a empresa, o datacenter verde permitiu a diminuição de 1 milhão de kWh por mês do consumo de eletricidade. Com a substituição de hardwares, a Sun Microsystem conseguiu uma redução de espaço físico de 66%. Em um exemplo, a companhia consolidou 63 servidores e 30 dispositivos de armazenamento ligados diretamente, em apenas dois de seus servidores (FERRARI, 2009). 2.3.6 Consumo de energia de computadores Os computadores comuns utilizados como estações de trabalho ou para uso pessoal atualmente possuem características distintas de consumo de energia. Os computadores são constituídos por diversos componentes alimentados por eletricidade. Processadores, discos rígidos, placas de vídeo, fonte de alimentação entre outros se diferenciam de acordo com a qualidade, potência e desempenho desses componentes, a combinação entre eles também faz com que o consumo de energia seja diferenciado. O mesmo acontece quanto ao uso do monitor, modelos CRTs (tubo) consomem mais energia que modelos LCDs (tela fina), o tamanho da tela também influencia. O computador pode ser configurado para operar em modo econômico, onde aplicativos gerenciam o consumo de energia do hardware, proporcionando menor consumo de energia quando ocioso, desligando o monitor e até mesmo o disco rígido após determinado período automaticamente. Essa configuração de gestão de energia é comumente usada em computadores portáteis que são alimentados por bateria, que em modo econômico prolonga sua autonomia. Para se ter uma noção aproximada do consumo de energia de um computador comum o site www.eu-energystar.org oferece uma calculadora para esse fim. De acordo com as informações preenchidas sobre as características do equipamento e forma de operação é possível obter o consumo aproximado do computador. O site é uma iniciativa Comunidade Europeia Programa Energy Star de eficiência energética do equipamento de escritório . A calculadora considera o custo de aquisição do equipamento, permitindo informar o valor monetário do CPU e do monitor, custo do consumo de energia em uma ano, e o custo de propriedade total, que considera o valor de aquisição somado ao consumo de energia durante a vida útil do equipamento. Em duas simulações com computadores estações de trabalho, foram alterados apenas o modelo do monitor e o modo de gestão de energia. Segundo a Energy Star os monitores LCD (em inglês Liquid Crystal Display) utilizam em média 50 a 70% menos energia do os modelos CRT (em inglês Cathode Ray Tube) monitores. Quanto ao modo de gestão de energia, a “Função normal” ativa o modo de espera do computador em 30 minutos quando ocioso, já na “Função poupança de energia” o modo de espera é ativado em 10 minutos. Ao entrar em modo de espera, não apenas o disco rígido e o monitor, mas quase todo o computador é desligado, incluindo o processador, o cooler, placa de vídeo ou som, etc. Apenas a memória RAM, partes da placa mãe, modem e placa de rede continuam ativos. Em modo de espera o equipamento consome de 15 a 20 Watts de energia (MORIMOTO, 2001).
  • 1 – Simulação: Monitor: Sistema CRT 17” Modo de gestão de energia: Função normal 2 – Simulação Monitor: Monitor econômico 17” LCD Modo de gestão de energia: Função poupança de energia
  • Os valores monetários foram alterados para estarem de acordo com os preços praticados no Brasil no mês de abril de 2009, segue conversão de valores (TABELA 4): TABELA 4: Conversão de valores Equipamento Valor em Reais (R$) Valor em Euro (€ ) 2,85 * Computador (apenas 1000,00 350,00 CPU) Monitor CRT 17” 400,00 140,00 Monitor LCD 17” 600,00 210,00 Energia elétrica kWh 0,37 0,12 ** * Cotação de abril de 2009. ** Tarifa Comercial Convencional vigente aplicada pela Copel, Companhia Paranaense de Energia. Resultados Diferença entre consumo de energia e custo em reais.(TABELA 5) TABELA 5 : Consumo total de eletricidade Consumo Custo R$/ kWh/ano ano 1 – Simulação 713,8 264,10 2 – Simulação 487,5 180,37 Economia 226,3 83,73 Ao substituir um monitor CRT por um modelo LCD (mais econômico) e mudar a gestão de energia do equipamento, para que ele desative os componentes quando estes estiverem ociosos, a economia em consumo de energia chega a 226,3 kWh ao ano. Em valores monetários, a mudança provoca uma economia de R$ 83,73. Considerando uma pequena empresa com 10 computadores, a percepção de economia já pode ser percebida. Em uma empresa com 500 computadores a economia de energia seria mais de 100 mil kWh, poupando mais de 40 mil reais ao ano, um valor expressivo. A segunda simulação é 63% mais econômica do que a primeira (TABELA 6). TABELA 6: Custos totais de propriedade Custo de Custo de Propriedade Valor Propriedade Valor em Euro (€ ) 2,85 * em Real R$/ano 1 – Simulação 1003,90 2861,11 2 – Simulação 911,00 2596,35 Economia 92,90 264,76 O site permite calcular o custo de propriedade do equipamento, ou seja, o valor de compra do computador somado ao custo de energia utilizado em sua vida útil. Nas duas simulações os equipamentos tinham vida útil de seis anos. Mesmo que na primeira simulação o monitor tenha um valor menor que o da segunda, a segunda simulação geraria uma economia de R$ 264,76 de custo de propriedade.
  • 2.3.6.1 Dicas para reduzir consumo de energia dos computadores Trocar equipamentos − equipamentos novos são mais sofisticados, tem melhor desempenho e qualidade e consomem menos energia. O monitor é exemplo mais conhecido, a substituição de um modelo CRT por um LCD proporciona melhor uso do espaço, mais qualidade de imagem e uma considerável redução no consumo de energia, cerca de 50 a 70% a menos que os modelos anteriores. − os computadores portáteis, também mais modernos, são mais econômicos que os computadores de mesa (CPU e monitor separados). Eles utilizam telas em LCD, adaptadores, discos rígidos e processadores de melhor rendimento energético. Comparando o consumo de 30 Watts de um poderoso computador portátil (equipado com tela LCD, por exemplo) com o consumo de 120 Watts de um computador de mesa mais 80 Watts do monitor CRT, constata-se que a poupança pode atingir 80%. − os componentes internos e externos, como processadores, placas de vídeo, fontes de alimentação, mouses, teclados, impressoras dentre outros dispositivos são mais econômicos atualmente do que os produzidos no passado. Assim mesmo são mais eficientes, com melhor desempenho e mais “inteligentes” quanto ao consumo de energia, permitindo desativa-los quando ociosos. Os processadores mais recentes operam em várias tensões e frequencias, no caso dos que utilizam múltiplos núcleos, é possível desativar os núcleos não usados em determinadas situações por exemplo. Periféricos − outros equipamentos que são utilizados no trabalho ou em casa e dependem do computador também devem ser desligados quando não estão sendo utilizados, esse é o caso de impressoras, caixas de som, estabilizadores, filtros de energia e dispositivos USB ligados sem necessidade. Gerenciamento de energia − utilize a configuração de modo de espera ou hibernação, são opções fornecidas pelo próprio computador. Segundo a Microsoft, o modo de espera reduz o consumo de energia do computador cortando a energia dos componentes de hardware que não são usados por um período em que o usuário pode determinar (AREAS, 2007). O modo de espera pode desativar dispositivos periféricos, o monitor e mesmo o disco rígido, mas mantém a energia da memória de seu computador para você não perder trabalho. Essa opção pode ser ativada manualmente ou automaticamente, através da configuração do gerenciamento de energia. Já a hibernação salva uma imagem de sua área de trabalho com todos os arquivos abertos e documentos e, em seguida, desliga o computador. Quando você ativar a energia, seus arquivos e documentos continuam abertos em sua área de trabalho exatamente como você os deixou. O modo hibernar também pode ser acionado manualmente ou através de configurações. − não use Protetor de Tela, aquelas animações na tela consomem energia e não são úteis, desative a proteção de tela do seu computador, ao invés dela, coloque o monitor para entrar em stand-by quando estiver inativo. Aplicativos − o uso dos programas e aplicativos também influencia no consumo do equipamento, usam recursos do computador e estes recursos consomem energia. Use apenas programas necessários, pois programas inúteis somente exigem mais esforço do equipamento, o mesmo acontece com programas corrompidos ou com mau
  • funcionamento. Desinstale periodicamente esses aplicativos e faça uma limpeza nos arquivos desnecessários. − segundo o Blackle, um sistema de busca customizada do Google, os monitores necessitam mais energia para mostrar a tela branca (ou clara) do que a preta (ou escura), os resultados das buscas serão exatamente os mesmos que o do site do Google, que possui interface da cor branca, a diferença está nas cores do Blackle que é predominantemente preto, que além de mais saudável aos olhos, isso representa uma economia de energia. Limpeza − Periodicamente limpe seu hardware, equipamentos sujos, com poeira, também consomem mais energia, especialmente se a sujeira estiver acumulada em algum dos coolers, que são ventoinhas que expulsa o ar quente de dentro do computador. Pelo menos uma vez a cada 6 meses abra seu gabinete e execute uma limpeza superficial. A ONG AJA Brasil, em parceria com a Climate Savers Computing, cuja missão é reduzir em 50%, até 2010, o consumo de energia pelos computadores, recomenda as seguintes configurações de gestão de energia: − Monitor: Desligar após 15 minutos ou menos − Desligar ou suspender discos rígidos: Após 15 minutos de inatividade ou menos − Sistema em espera/hibernação: Após 15 minutos ou menos Segundo a ONG, após configurar o Gerenciador de Energia do seu computador, é possível economizar até 600 kWh de eletricidade por ano. A configuração do Gerenciador de Energia para um modo econômico somado a outras dicas irá reduzir o consumo de energia de sua casa ou escritório, diminuir a geração de calor, reduzir geração de ruídos, além de prolongar a vida útil de seu equipamento. 2.3.7 Resultado para o negócio e imagem da empresa Ser “ecológico”, preocupado com os impactos ambientais de atitudes individuais e de ações que o mundo todo faz, hoje não é só responsabilidade apenas dos “bonzinhos”, não é mais uma questão de opção, é preciso que todos tenham essa consciência. Nos negócios, ser sustentável é uma obrigação cobrada pelos consumidores e pela sociedade. As empresas devem procurar minimizar ou eliminar o impacto ambiental produzido por suas operações. Ações responsáveis ambientalmente contribuem para a imagem da empresa e também monetariamente. Um exemplo de crescimento monetário é o desempenho que as empresas listadas pelo índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI). Essas empresas obtiveram valorização superior ao Dow Jones tradicional desde 2002. No Brasil, a Bovespa também lançou em 2005 o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), estimulando empresas importantes como Aracruz, Cemig e Banco Itaú a criarem verdadeiros sistemas de gestão para marcar território no mapa da gestão verde. Adotar TI Verde, atualmente, significa conciliar consciência ecológica e prática de negócios. Representa um forte argumento para se tornar um defensor da saúde do planeta, consumir menos energia, menos gastos com eletricidade, maior possibilidade de expansão e competitividade. Eliminar e minimizar impactos ambientais, além de salvar o planeta do aquecimento global e outro desastre na natureza, contribui para a qualidade de vida das pessoas, isso já é motivo suficiente para que as empresas sejam sustentáveis, mas se tornar Verde também contribui para a lucratividade, é um incentivo que não se deve ignorar. Existe também a necessidade de se adequar a
  • regulamentações governamentais ou de instituições não governamentais que possuem grande peso na sociedade. Reduzir consumo de energia da infraestrutura tecnológica, produzir computadores menos nocimos ao meio ambiente, colocar placas que captam energia solar sobre os tetos dos datacenters, enfim, adotar TI Verde é bem visto pelas pessoas, que gostam de ver nos noticiários que empresas estão dando mais atenção a natureza utilizando de Tecnologias da Informação Verdes. Esse tipo de comportamento funciona como uma publicidade positiva associando uma boa imagem a qualquer tipo de organização, compensando grandes investimentos em TI Verde. Ao se adotar TI Verde, a área de Tecnologia da Informação constrói um mudança que influencia toda a companhia. Vai além, ao conquistar espaço na mídia e na sociedade servindo de exemplo para que outras organizações, vendo vantagens para o meio ambiente e para o negócio, adote uma postura “verde”. 2.3.8 Produtos tecnológicos verdes Produtos tecnológicos verdes são eletrônicos feitos com materiais biodegradáveis, que consomem menos energia e não prejudicam o meio ambiente. Conhecidos como gadgets, dispositivos eletrônicos portáteis como PDAs, celulares, smartphones, tocadores mp3, entre outros são cada vez mais comuns no nosso cotidiano. A TI Verde auxilia na fabricação desses equipamentos, tornando os eletrônicos menos agressivos a natureza, e muitas vezes deixando-os mais criativos, sofisticados e charmosos, permitindo aos fabricantes agregarem mais valor nesse tipo de produto. Veja alguns exemplos: Studio Hybrid O compacto desktop da Dell é feito com 95% de materiais recicláveis e consome 70% menos energia do que os desktops tradicionais. Samsung E200 Eco O celular E200 Eco da Samsung é feito de bioplástico produzido a partir de plantas naturais, entre elas o milho. Uma tonelada de bioplástico utilizado no aparelho é capaz de reduzir até 2,16 toneladas de CO2, em comparação com o uso do policarbonato (plástico comum) produzido a partir do petróleo. ATP EarthDrive O pen drive EarthDrive utiliza a maior quantidade de materiais biodegradáveis possível, processo que torna o produto totalmente reciclável. O modelo, que é oferecido nas capacidades de 1GB a 8GB, dura dez anos e é a prova d´água.
  • Asus EcoBook O Asus EcoBook é apresentado como o primeiro notebook produzido a partir de bambu. A vantagem é que o bambu é encontrado em abundância, cresce muito rapidamente e ao contrário do plástico é biodegradável. Monitor Lenovo O Lenovo ThinkVision L193p LCD de 19 polegadas possui o selo ENERGY STAR, o que garante um consumo em média 30% menor de energia do que outros modelos, com redução de um terço nas emissões de dióxido de carbono. MP3 Player Verio O MP3 Player Verio obtém energia através de uma manivela manual. Gire a alavanca por um minuto e ouça músicas por 15 a 20 minutos. Se você preferir usar energia, o aparelho inclui uma porta USB. O aparelho dispõe de 1GB de memória. myPower A bateria da Sollaric permite carregar a maioria dos portáteis a partir de energia solar. O modelo é compatível com notebooks, câmeras e filmadoras digitais, reprodutores de CD e DVD, entre outros. O aparelho possui ainda porta USB adicional.
  • 3. CONCLUSÃO A busca por atitudes ecologicamente responsáveis e a preocupação com impactos ambientais negativos já estão sendo discutidas há algum tempo. Nos dias atuais, todos devem procurar informações sobre o que está a seu alcance para impedir a degradação da natureza buscando sempre o equilíbrio entre o homem e o meio ambiente. As instituições da sociedade também devem estar engajadas nessa discussão. Todas as organizações, tanto do meio público e privado estão buscando formas menos agressivas de se comportarem para auxiliar na saúde do planeta. Isso está acontecendo nos diversos ramos de organizações e empresas. Com o modo de produção de nossa sociedade, que é voltado para consumo, aliado a modernização, surgiu nas últimas décadas uma grande massificação de produtos eletrônicos altamente sofisticados. Uma alta demanda por esses equipamentos exige uma alta produção. Computadores, celulares, televisores e outros equipamentos eletrônicos são compostos por uma quantidade diversificada de componentes. Sua fabricação exige um expressivo esforço sobre os recursos naturais, onde maquinários e tecnologias complexas transformam minerais e outras matérias primas em chips, placas, transistores entre outros em componentes usados nos equipamentos modernos de hoje. Essa demanda é alimentada pela necessidade de Tecnologia da Informação que está posta em nossa sociedade atual. Empresas que tem suas atividades diretamente voltadas para essa necessidade, como fabricantes de computadores e celulares, estão inseridas no ramo de TI, assim como prestadores de serviços e pesquisa. Mas no que diz respeito ao impacto no meio ambiente, os fabricantes de Tecnologia da Informação são hoje os mais suscetíveis a exigências por mudança de consciência. Os produtos eletrônicos têm grande impacto ambiental na fabricação, operação e descarte de resíduos. Eletrônicos consomem grande quantidade de recursos naturais e energia quando produzidos, consomem energia na operação e quando descartados geram resíduos altamente prejudiciais a natureza. A preocupação em diminuir e eliminar a agressão ambiental que a Tecnologia da Informação vem provocando é uma nova tendência de consciência ambiental para as organizações desse ramo. Essa tendência está sendo chamada de TI Verde, ou Tecnologia da Informação Verde (do inglês Green IT). Organizações que estão adotando a TI Verde buscam em suas ações proporcionar a destinação correta do e-waste ou lixo eletrônico, a fabricação de produtos eletrônicos com materiais menos agressivos ao meio ambiente, mais eficientes quanto ao consumo de energia e com maior capacidade de reciclagem e reaproveitamento quando descartados. O cumprimento de leis ambientais, a busca por processos de fabricação que consuma menos energia, e a investidura por iniciativas verdes através do princípio da redução, reuso e reciclagem contribui para a concretização da TI Verde. Outro fator a ser considerado são os resultados que a Tecnologia da Informação Verde está proporcionando para os negócios. Além de contribuir para a saúde do planeta, a decisão de embarcar na TI Verde está fazendo com que os lucros das empresas aumentem, pela redução de custos com materiais e consumo de energia e pela boa imagem perante os clientes e a sociedade que estão optando por “empresas verdes”.
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