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Aee deficiência visual

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Texto do Mec de Deficiência Auditiva

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  • 1. Deficiência Visual Elizabet Dias de Sá Izilda Maria de CamposMyriam Beatriz Campolina Silva
  • 2. PresidenteLuiz Inácio Lula da SilvaMinistério da EducaçãoFernando HaddadSecretário de Educação a DistânciaRonaldo MotaSecretária de Educação EspecialCláudia Pereira Dutra
  • 3. Formação Continuada a Distância de Professores para oAtendimento Educacional Especializado Deficiência Visual SEESP / SEED / MEC Brasília/DF – 2007
  • 4. F icha TécnicaSecretário de Educação a DistânciaRonaldo Mota Coordenação do Projeto de Aperfeiçoamento de Professores dos Municípios-Polo do Programa “Educação Inclusiva; direito à diversidade” emD iretor do Departamento de Políticas de Educação a Distância Atendimento Educacional Especializado Helio Chaves Filho Cristina Abranches Mota Batista Edilene Aparecida RopoliCoordenadora Geral de Avaliação e Normas em Educação a Maria Teresa Eglér MantoanDistância Rita Vieira de FigueiredoMaria Suely de Carvalho Bento Autores deste livro: Atendimento EducacionalCoordenador Geral de Articulação Institucional em Especializado em Deficiência VisualEducação a Distância Elizabet Dias de SáWebster Spiguel Cassiano Izilda Maria de Campos Myriam Beatriz Campolina SilvaSecretária de Educação EspecialCláudia Pereira Dutra P rojeto Gráfico Cícero Monteferrante - monteferrante@hotmail.comD epartamento de Políticas de Educação Especial Cláudia Maffini Griboski R evisãoCoordenação Geral de Articulação da Política de InclusãoDenise de Oliveira Alves I mpressão e Acabamento Gráfica e Editora Cromos - Curitiba - PR - 41 3021-5322 I lustrações Alunos da APAE de Contagem - Minas Gerais Alef Aguiar Mendes (12 anos) Felipe Dutra dos Santos (14 anos) Marcela Cardoso Ferreira (13 anos) Rafael Felipe de Almeida (13 anos) Rafael Francisco de Carvalho (12 anos)
  • 5. PREF˘CIO O Ministério da Educação desenvolve a política de educação inclusiva que pressupõe a ãotransformação do Ensino Regular e da Educação Especial e, nesta perspectiva, são implementadas diretrizese ações que reorganizam os serviços d Atendimento Educacional Especializado oferecidos aos alunos com de d d l l d f d ldeficiência visando a complementação da sua formação e não mais a substituição do ensino regular. Com este objetivo a Secretaria de Educação Especial e a Secretaria de Educação a Distânciapromovem o curso de Aperfeiçoamento de Professores para o Atendimento Educacional Especializado,realizado em uma ação conjunta com a Universidade Federal do Ceará, que efetiva um amplo projeto deformação continuada de professores por meio do programa Educação Inclusiva: direito à diversidade. Incidindo na organização dos sistemas de ensino o projeto orienta o Atendimento EducacionalEspecializado nas salas de recursos multifuncionais em turno oposto ao freqüentado nas turmas comunse possibilita ao professor rever suas práticas à luz dos novos referenciais pedagógicos da inclusão. O curso desenvolvido na modalidade a distância, com ênfase nas áreas da deficiência física,sensorial e mental, está estruturado para: - trazer o contexto escolar dos professores para o foco da discussão dos novos referenciais para a inclusão dos alunos; - introduzir conhecimentos que possam fundamentar os professores na reorientação das suas práticas de Atendimento Educacional Especializado; - desenvolver aprendizagem participativa e colaborativa necessária para que possam ocorrer mudanças no Atendimento Educacional Especializado. Nesse sentido, o curso oferece fundamentos básicos para os professores do AtendimentoEducacional Especializado que atuam nas escolas públicas e garante o apoio aos 144 municípios-pólopara a implementação da educação inclusiva. CLAUDIA PEREIRA DUTRA Secretária de Educação Especial
  • 6. APRESENTAÇ‹OP ara a compreensão deste tema, sugerimos um olhar que transponha a cegueira e qualquer ensão outro impedimento visual.O que vamos conhecer por estes textos é uma fascinante apresentação do que é oferecido comoAtendimento Educacional Especializadoa alunos com problemas visuais de todosos níveis em um centro especializado,coordenado por uma professora cega.E sta condição particular faz a diferença neste caso e o que as demais autoras trazem como contribuição complementame esclarecem pontos de vista sobre esse tipode atendimento. Coordenação do Projeto.
  • 7. SUM˘RIOCAP¸TULO IINCLUS‹O ESCOLAR DE ALUNOS CEGOS E COM BAIXA VIS‹O ................................................. 13 1. Quando Falta a Visão ............................................................................................................................................ 15 2. Baixa Visão............................................................................................................................................................... 16 2.1. Avaliação Funcional da Visão ...................................................................................................................... 17 2.2. O Desempenho Visual na Escola ................................................................................................................ 18 2.3. Recursos Ópticos e Não-Ópticos ................................................................................................................ 19 2.3.1. Recuros Ópticos .................................................................................................................................. 19 2.3.2. Recuros Não-Ópticos .......................................................................................................................... 20 2.4. Recomendações Úteis .................................................................................................................................... 20 3. Alfabetização e Aprendizagem ............................................................................................................................. 21 3.1. Espaço Físico e Mobiliário ........................................................................................................................... 22 3.2. Comunicação e Relacionamento ................................................................................................................ 22 3.3. O Sistema Braille............................................................................................................................................ 22 3.4. Atividades ........................................................................................................................................................ 25 3.5. Avaliação .......................................................................................................................................................... 26 4. Recursos Didáticos ................................................................................................................................................. 26 4.1. Sugestões .......................................................................................................................................................... 28 4.2. Outros Recursos ............................................................................................................................................. 32 4.2.1. Modelos e Maquetes ........................................................................................................................... 32 4.2.2. Mapas .................................................................................................................................................... 32 4.2.3. Sorobã .................................................................................................................................................... 32 4.2.4. Livro Didático Adaptado ................................................................................................................... 32 4.2.5. Livro Acessível...................................................................................................................................... 33 4.2.6. Recursos Tecnológicos ........................................................................................................................ 33 5. Perguntas Freqüêntes.............................................................................................................................................. 34 6. Considerações Finais ............................................................................................................................................. 37
  • 8. CAP¸TULO IIPROJETO ASSINO EMBAIXO .............................................................................................................................. 41CAP¸TULO IIIINFORM˘TICA PARA AS PESSOAS CEGAS E COM BAIXA VIS‹O .................................................. 49 Introdução .................................................................................................................................................................... 49 Os Leitores de Tela e a Leitura do Mundo ............................................................................................................. 50 Barreiras Reais e Virtuais ........................................................................................................................................... 51 Acessibilidade e Desenho Universal ........................................................................................................................ 52 Conclusão..................................................................................................................................................................... 53
  • 9. Inclusão escolar de alunos cegos e com baixa visão Elizabet Dias de Sá Izilda Maria de Campos Myriam Beatriz Campolina SilvaA linguagem, a comunicação e as múltiplas com abertura e disposição para rever as práticas formas de expressão cultural ou artística convencionais, conhecer, reconhecer e aceitar as constituem-se de imagens e apelos diferenças como desafios positivos e expressão visuais cada natural das potencialidadesvez mais complexos e humanas.sofisticados. Os conteúdos Desta forma,escolares privilegiam a será possível criar,visualização em todas as descobrir e reinventar 13áreas de conhecimento, estratégias e atividadesde um universo permeado pedagógicas condizentesde símbolos gráficos, Capítulo I - Inclusão escolar de alunos cegos e com baixa visão com as necessidades geraisimagens, letras e números. e específicas de todos e deAssim, necessidades cada um dos alunos. Nestedecorrentes de limitações sentido, explicitamosvisuais não devem ser alguns dos principaisignoradas, negligenciadas aspectos, características eou confundidas peculiaridades em relaçãocom concessões ou aos alunos cegos e comnecessidades fictícias. baixa visão com o objetivoPara que isso não ocorra, de apontar caminhos,devemos ficar atentos referências e pistas aosem relação aos nossos educadores tendo em vistaconceitos, preconceitos, a inclusão escolar dessegestos, atitudes e posturas alunado.
  • 10. Nesta perspectiva, abordaremos os seguintes dos estímulos no ambiente. Ao entrar na mesma sala conteúdos: baixa visão; alfabetização e aprendizagem com os olhos vendados, a professora parece sofrer de de pessoas cegas e com baixa visão; uso de recursos uma súbita amnésia visual. Ela não consegue localizar didáticos para sua educação; finalizando com algumas a mesa, a cadeira e se sente incapaz de escrever qualquer perguntas freqüentes acerca desses temas. coisa no quadro negro. Fica aturdida com o vozerio, Ao entrar na sala de aula, a professora tem não consegue entender o que os alunos dizem, tem uma visão panorâmica da configuração do ambiente, dificuldade para se deslocar e se orientar de um lado na qual percebe imediatamente seus componentes para o outro e não localiza a porta de saída. Ela se internos, externos, estáveis ou dinâmicos. Em uma lembra de que fica perdida e desorientada em sua casa fração de segundo, captura uma infinidade de estímulos sempre que falta luz elétrica. que entram pelos olhos: as formas, o tamanho, as Essa perturbação artificial e momentânea cores, os objetos, as dimensões, a disposição do nada tem a ver com a privação real e definitiva da mobiliário, as características do chão, do teto e das visão, uma situação complexa e permanente vivenciada paredes, o tipo de iluminação, a decoração, o estilo por alunos cegos e com baixa visão que entram pela dos móveis, a quantidade deles, o tipo e a posição das primeira vez na escola e na sala de aula. Esses alunos janelas, o estado de conservação ou de deterioro, o recebem e organizam a informação no processo14 coletivo de alunos sentados, de pé, parados, inquietos, de apropriação do conhecimento e construção da as feições, posições, vestuário, adereços, movimentos, realidade em um contexto impregnado de padrões de gestos, caras e bocas. Sem contar que já havia captado referências e experiências eminentemente visuais queAtendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual uma cena curiosa no corredor antes de entrar na sala e os coloca em situação de desvantagem. avistado, pela janela, um casal de corujas no jardim da Por isso, necessitam de um ambiente escola. Assim, ela tem o controle visual do ambiente estimulador, de mediadores e condições favoráveis à e da turma. exploração de seu referencial perceptivo particular. No Na sala dos professores, ela leu, sem querer, o mais, não são diferentes de seus colegas que enxergam bilhete que estava em cima da mesa, elogiou o corte de no que diz respeito ao desejo de aprender, aos interesses, cabelo da colega e pegou o brinco que caiu na cadeira à curiosidade, às motivações, às necessidades gerais de ao mesmo tempo em que prestava atenção em um cuidados, proteção, afeto, brincadeiras, limites, convívio e mostruário de bijuterias discretamente apresentado recreação dentre outros aspectos relacionados à formação ao grupo. Ela vê tudo isso e muito mais porque tem da identidade e aos processos de desenvolvimento e um par de olhos que permite visualizar o que ela quer aprendizagem. Devem ser tratados como qualquer e também o que ela não quer. educando no que se refere aos direitos, deveres, normas, Considere-se que o sistema visual detecta e regulamentos, combinados, disciplina e demais aspectos integra de forma instantânea e imediata mais de 80% da vida escolar.
  • 11. 1. Quando Falta a Visão do globo ocular e a conseqüente necessidade de uso de próteses oculares em um dos olhos ou em ambos. Se a falta da visão afetar apenas um dos olhos (visão monocular), o outro assumirá as funções visuais A criança que enxerga estabelece uma sem causar transtornos significativos no que dizcomunicação visual com o mundo exterior desde respeito ao uso satisfatório e eficiente da visão.os primeiros meses de vida porque é estimulada Os sentidos têm as mesmas característicasa olhar para tudo o que está à sua volta, sendo e potencialidades para todas as pessoas. Aspossível acompanhar o movimento das pessoas informações tátil, auditiva, sinestésica e olfativa sãoe dos objetos sem sair do lugar. A visão reina mais desenvolvidas pelas pessoas cegas porque elassoberana na hierarquia dos sentidos e ocupa uma recorrem a esses sentidos com mais freqüência paraposição proeminente no que se refere à percepção decodificar e guardar na memória as informações.e integração de formas, contornos, tamanhos, cores Sem a visão, os outros sentidos passam a recebere imagens que estruturam a composição de uma a informação de forma intermitente, fugidia epaisagem ou de um ambiente. É o elo de ligação fragmentária.que integra os outros sentidos, permite associar O desenvolvimento aguçado da audição, do 15som e imagem, imitar um gesto ou comportamento tato, do olfato e do paladar é resultante da ativaçãoe exercer uma atividade exploratória circunscrita a contínua desses sentidos por força da necessidade.um espaço delimitado. Capítulo I - Inclusão escolar de alunos cegos e com baixa visão Portanto, não é um fenômeno extraordinário ou um A cegueira é uma alteração grave ou total efeito compensatório. Os sentidos remanescentesde uma ou mais das funções elementares da visão funcionam de forma complementar e não isolada.que afeta de modo irremediável a capacidade deperceber cor, tamanho, distância, forma, posição A audição desempenha um papelou movimento em um campo mais ou menos relevante na seleção e codificação dos sons queabrangente. Pode ocorrer desde o nascimento são significativos e úteis. A habilidade de atribuir(cegueira congênita), ou posteriormente (cegueira significado a um som sem perceber visualmente aadventícia, usualmente conhecida como adquirida) sua origem é difícil e complexa.em decorrência de causas orgânicas ou acidentais. A experiência tátil não se limita aoEm alguns casos, a cegueira pode associar-se à perda uso das mãos. O olfato e o paladar funcionamda audição (surdocegueira) ou a outras deficiências. conjuntamente e são coadjuvantes indispensáveis.Muitas vezes, a perda da visão ocasiona a extirpação
  • 12. O sistema háptico é o tato ativo, constituído por 2. Baixa Visão componentes cutâneos e sinestésicos, através dos quais impressões, sensações e vibrações detectadas pelo indivíduo são interpretadas pelo cérebro e constituem fontes valiosas de informação. As A definição de baixa visão (ambliopia, visão retas, as curvas, o volume, a rugosidade, a textura, subnormal ou visão residual) é complexa devido à a densidade, as oscilações térmicas e dolorosas, variedade e à intensidade de comprometimentos entre outras, são propriedades que geram sensações das funções visuais. Essas funções englobam desde a táteis e imagens mentais importantes para a simples percepção de luz até a redução da acuidade comunicação, a estética, a formação de conceitos e e do campo visual que interferem ou limitam a execução de tarefas e o desempenho geral. Em de representações mentais. muitos casos, observa-se o nistagmo, movimento Uma demonstração surpreendente da rápido e involuntário dos olhos, que causa uma capacidade de coleta e do processamento de redução da acuidade visual e fadiga durante a leitura. informações pela via do tato é o tadoma, mecanismo É o que se verifica, por exemplo, no albinismo, de comunicação utilizado por pessoas surdocegas. falta de pigmentação congênita que afeta os olhos e16 Trata-se de uma comunicação eminentemente tátil que limita a capacidade visual. Uma pessoa com baixa permite entender a fala de uma pessoa, ao perceber as visão apresenta grande oscilação de sua condiçãoAtendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual vibrações e os movimentos articulatórios dos lábios e visual de acordo com o seu estado emocional, as maxilares com a mão sobre a face do interlocutor. circunstâncias e a posição em que se encontra, dependendo das condições de iluminação natural Cada pessoa desenvolve processos ou artificial. Trata-se de uma situação angustiante particulares de codificação que formam imagens para o indivíduo e para quem lida com ele tal é mentais. A habilidade para compreender, interpretar a complexidade dos fatores e contingências que e assimilar a informação será ampliada de acordo influenciam nessa condição sensorial. As medidas com a pluralidade das experiências, a variedade e de quantificação das dificuldades visuais mostram- qualidade do material, a clareza, a simplicidade e se insuficientes por si só e insatisfatórias. É, pois, a forma como o comportamento exploratório é muito importante estabelecer uma relação entre estimulado e desenvolvido. a mensuração e o uso prático da visão, uma vez que mais de 70% das crianças identificadas como legalmente cegas possuem alguma visão útil.
  • 13. A baixa visão traduz-se numa redução A acuidade visual é a distância de umdo rol de informações que o indivíduo recebe do ponto ao outro em uma linha reta por meio daambiente, restringindo a grande quantidade de qual um objeto é visto. Pode ser obtida atravésdados que este oferece e que são importantes para da utilização de escalas a partir de um padrão dea construção do conhecimento sobre o mundo normalidade da visão.exterior. Em outras palavras, o indivíduo pode terum conhecimento restrito do que o rodeia. O campo visual é a amplitude e a A aprendizagem visual depende não apenas abrangência do ângulo da visão em que os objetosdo olho, mas também da capacidade do cérebro são focalizados.de realizar as suas funções, de capturar, codificar, A funcionalidade ou eficiência da visão éselecionar e organizar imagens fotografadas pelos definida em termos da qualidade e do aproveitamentoolhos. Essas imagens são associadas com outrasmensagens sensoriais e armazenadas na memória do potencial visual de acordo com as condições depara serem lembradas mais tarde. estimulação e de ativação das funções visuais. Esta Para que ocorra o desenvolvimento da peculiaridade explica o fato de alguns alunos comeficiência visual, duas condições precisam estar um resíduo visual equivalente apresentarem umapresentes: notável discrepância no que se refere à desenvoltura 17 e segurança na realização de tarefas, na mobilidade e percepção de estímulos ou obstáculos. Isto significa 1) O amadurecimento ou desenvol- que a evidência de graves alterações orgânicas que Capítulo I - Inclusão escolar de alunos cegos e com baixa visão vimento dos fatores anatômicos e fisiológicos do olho, vias óticas e reduzem significativamente a acuidade e o campo córtex cerebral. visual deve ser contextualizada, considerando- 2) O uso dessas funções, o exercício de se a interferência de fatores emocionais, as ver. condições ambientais e as contingências de vida do indivíduo. A avaliação funcional da visão revela dados 2.1. Avaliação Funcional da Visão quantitativos e qualitativos de observação sobre o nível da consciência visual, a recepção, assimilação, Na avaliação funcional da visão considera- integração e elaboração dos estímulos visuais, bemse a acuidade visual, o campo visual e o uso eficiente como sobre o desempenho e o uso funcional dodo potencial da visão. potencial da visão.
  • 14. 2.2. O Desempenho Visual na Escola claridade. Esses alunos costumam trocar a posição do livro e perder a seqüência das linhas em uma página ou mesclar letras semelhantes. Eles demonstram falta de interesse ou Na escola, os professores costumam confundir dificuldade em participar de jogos que exijam visão de ou interpretar erroneamente algumas atitudes e condutas distância. de alunos com baixa visão que oscilam entre o ver e o não ver. Esses alunos manifestam algumas dificuldades Para que o aluno com baixa visão desenvolva de percepção em determinadas circunstâncias tais como: a capacidade de enxergar, o professor deve despertar o objetos situados em ambientes mal iluminados, ambiente seu interesse em utilizar a visão potencial, desenvolver a muito claro ou ensolarado, objetos ou materiais que não eficiência visual, estabelecer o conceito de permanência do proporcionam contraste, objetos e seres em movimento, objeto, e facilitar a exploração dirigida e organizada. visão de profundidade, percepção de formas complexas, As atividades realizadas devem proporcionar representação de objetos tridimensionais, e tipos impressos prazer e motivação, o que leva à intencionalidade e esta ou figuras não condizentes com o potencial da visão. desenvolve a iniciativa e a autonomia, que são os objetivos O trabalho com alunos com baixa visão baseia-se primordiais da estimulação visual. no princípio de estimular a utilização plena do potencial A baixa visão pode ocasionar conflitos emocionais,18 de visão e dos sentidos remanescentes, bem como na psicológicos e sociais, que influenciam o desempenho superação de dificuldades e conflitos emocionais. Para isso, visual, a conduta do aluno, e refletem na aprendizagem. Um ambiente de calma, encorajamento e confiança contribuiráAtendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual é necessário conhecer e identificar, por meio da observação contínua, alguns sinais ou sintomas físicos característicos e positivamente para a eficiência na melhor utilização da visão condutas freqüentes, tais como: tentar remover manchas, potencial que deve ser explorada e estimulada no ambiente esfregar excessivamente os olhos, franzir a testa, fechar e educacional, pois o desempenho visual está relacionado cobrir um dos olhos, balançar a cabeça ou movê-la para com a aprendizagem. É recomendável, portanto, provocar frente ao olhar para um objeto próximo ou distante, levantar a conduta de utilizar a visão para executar todo tipo de para ler o que está escrito no quadro negro, em cartazes ou tarefas, pois a visão não se gasta com o uso. Além disso, o mapas, copiar do quadro negro faltando letras, tendência de professor deve proporcionar ao aluno condições para uma trocar palavras e mesclar sílabas, dificuldade na leitura ou boa higiene ocular de acordo com recomendações médicas. em outro trabalho que exija o uso concentrado dos olhos, Conhecer o desenvolvimento global do aluno, piscar mais que o habitual, chorar com freqüência ou irritar- o diagnóstico, a avaliação funcional da visão, o contexto se com a execução de tarefas, tropeçar ou cambalear diante familiar e social, bem como as alternativas e os recursos de pequenos objetos, aproximar livros ou objetos miúdos disponíveis, facilitam o planejamento de atividades e a para bem perto dos olhos, desconforto ou intolerância à organização do trabalho pedagógico.
  • 15. 2.3. Recursos Łpticos e Não-Łpticos 2.3.1. Recursos Łpticos Recursos ou auxílios ópticos são lentes Recursos ópticos para longe: telescópio:de uso especial ou dispositivo formado por um usado para leitura no quadro negro, restringemconjunto de lentes, geralmente de alto poder, muito o campo visual; telessistemas, telelupas ecom o objetivo de magnificar a imagem da retina. lunetas.Esses recursos são utilizados mediante prescrição eorientação oftalmológica. Recursos ópticos para perto: óculos especiais com lentes de aumento que servem para É importante lembrar que a indicação de melhorar a visão de perto. (óculos bifocais, lentesrecursos ópticos depende de cada caso ou patologia. esferoprismáticas, lentes monofocais esféricas,Por isso, não são todos os indivíduos com baixa sistemas telemicroscópicos).visão que os utilizam. Convém lembrar também queo uso de lentes, lupas, óculos, telescópios representa Lupas manuais ou lupas de mesa e deum ganho valioso em termos de qualidade, conforto apoio: úteis para ampliar o tamanho de fontes para a leitura, as dimensões de mapas, gráficos,e desempenho visual para perto, mas não descarta diagramas, figuras etc. Quanto maior a ampliação do 19a necessidade de adaptação de material e de outroscuidados. tamanho, menor o campo de visão com diminuição da velocidade de leitura e maior fadiga visual. Capítulo I - Inclusão escolar de alunos cegos e com baixa visão A utilização de recursos ópticos e não-ópticos envolve o trabalho de pedagogia, depsicologia, de orientação e mobilidade e outros quese fizerem necessários. As escolhas e os níveis deadaptação desses recursos em cada caso devem serdefinidos a partir da conciliação de inúmeros fatores.Entre eles, destacamos: necessidades específicas,diferenças individuais, faixa etária, preferências,interesses e habilidades que vão determinar asmodalidades de adaptações e as atividades maisadequadas.
  • 16. 2.3.2. Recursos Não-Łpticos 2.4. Recomendações Ðteis Tipos ampliados: ampliação de fontes, de • Sentar o aluno a uma distância de aproximadamente sinais e símbolos gráficos em livros, apostilas, textos um metro do quadro negro na parte central da avulsos, jogos, agendas, entre outros. sala. Acetato amarelo: diminui a incidência de • Evitar a incidência de claridade diretamente nos claridade sobre o papel. olhos da criança. Plano inclinado: carteira adaptada, com a mesa • Estimular o uso constante dos óculos, caso seja esta inclinada para que o aluno possa realizar as atividades a indicação médica. com conforto visual e estabilidade da coluna vertebral. • Colocar a carteira em local onde não haja reflexo Acessórios: lápis 4B ou 6B, canetas de ponta de iluminação no quadro negro. porosa, suporte para livros, cadernos com pautas pretas • Posicionar a carteira de maneira que o aluno não espaçadas, tiposcópios (guia de leitura), gravadores. escreva na própria sombra. Softwares com magnificadores de tela e • Adaptar o trabalho de acordo com a condição Programas com síntese de voz. visual do aluno. • Em certos casos, conceder maior tempo para o20 Chapéus e bonés: ajudam a diminuir o reflexo término das atividades propostas, principalmente da luz em sala de aula ou em ambientes externos. quando houver indicação de telescópio. Circuito fechado de televisão --- CCTV:Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual aparelho acoplado a um monitor de TV monocromático • Ter clareza de que o aluno enxerga as palavras e ou colorido que amplia até 60 vezes as imagens e as ilustrações mostradas. transfere para o monitor. • Sentar o aluno em lugar sombrio se ele tiver fotofobia (dificuldade de ver bem em ambiente com muita luz). • Evitar iluminação excessiva em sala de aula. • Observar a qualidade e nitidez do material utilizado pelo aluno: letras, números, traços, figuras, margens, desenhos com bom contraste figura/fundo. • Observar o espaçamento adequado entre letras, palavras e linhas. • Utilizar papel fosco, para não refletir a claridade. • Explicar, com palavras, as tarefas a serem realizadas.
  • 17. 3. Alfabetização e Aprendizagem 1) Aqueles que têm significado real para elas a partir de suas experiências. 2) Aqueles que fazem referência a Para que o aprendizado seja completo e situações visuais, que embora sejam importantessignificativo é importante possibilitar a coleta de meios de comunicação, podem não serinformação por meio dos sentidos remanescentes. A adequadamente compreendidos ou decodificadosaudição, o tato, o paladar e o olfato são importantes e ficam desprovidos de sentido. Nesse caso, essascanais ou porta de entrada de dados e informações crianças podem utilizar palavras ou expressõesque serão levados ao cérebro. Lembramos que se descontextualizadas, sem nexo ou significado real,torna necessário criar um ambiente que privilegia por não basearem-se em experiências diretas ea convivência e a interação com diversos meios de concretas. Esse fenômeno é denominado verbalismoacesso à leitura, à escrita e aos conteúdos escolares e sua preponderância pode ter efeitos negativos emem geral. relação à aprendizagem e ao desenvolvimento. A linguagem amplia o desenvolvimentocognitivo porque favorece o relacionamento e Algumas crianças cegas congênitas podem manifestar maneirismos, ecolalia e 21proporciona os meios de controle do que estáfora de alcance pela falta da visão. Trata-se de uma comportamentos estereotipados. Isso porque aatividade complexa que engloba a comunicação e falta da visão compromete a imitação e deixa um Capítulo I - Inclusão escolar de alunos cegos e com baixa visãoas representações, sendo um valioso instrumento vazio a ser preenchido com outras modalidadesde interação com o meio físico e social. O de percepção. A falta de conhecimento, deaprimoramento e a aplicação das linguagens estímulos, de condições e de recursos adequadosoral e escrita manifestam-se nas habilidades de pode reforçar o comportamento passivo, inibir ofalar e ouvir, ler e escrever. É tarefa do educador interesse e a motivação. A escassez de informaçãoobservar como os alunos se relacionam com os seus restringe o conhecimento em relação ao ambiente.colegas e com os adultos e verificar a qualidade da Por isso, é necessário incentivar o comportamentoexperiência comunicativa nas diversas situações de exploratório, a observação e a experimentação paraaprendizagem. que estes alunos possam ter uma percepção global As crianças cegas operam com dois tipos necessária ao processo de análise e síntese.de conceitos:
  • 18. 3.1. Espaço Físico e Mobiliário aos alunos cegos. Eles manifestam dificuldade de aproximação e de comunicação, não sabem o que fazer e como fazer. Nesse caso, torna-se necessário Lembramos que a configuração do espaço quebrar o tabu, dissipar os fantasmas, explicitar o físico não é percebida de forma imediata por alunos conflito e dialogar com a situação. Somente assim cegos, tal como ocorre com os que enxergam. Por será possível assimilar novas atitudes, procedimentos isso, é necessário possibilitar o conhecimento e o e posturas. reconhecimento do espaço físico e da disposição do mobiliário. A coleta de informações se dará de Os educadores devem estabelecer um forma processual e analítica através da exploração relacionamento aberto e cordial com a família dos do espaço concreto da sala de aula e do trajeto alunos para conhecer melhor suas necessidades, rotineiro dos alunos: entrada da escola, pátio, hábitos e comportamentos. Devem conversar cantina, banheiros, biblioteca, secretaria, sala dos naturalmente e esclarecer dúvidas ou responder professores e da diretoria, escadas, obstáculos. perguntas dos colegas na sala de aula. Todos precisam criar o hábito de evitar a comunicação gestual e As portas devem ficar completamente visual na interação com esses alunos. É recomendável abertas ou fechadas para evitar imprevistos22 desagradáveis ou acidentes. O mobiliário deve ser também evitar a fragilização ou a superproteção e combater atitudes discriminatórias. estável e qualquer alteração deve ser avisada. ConvémAtendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual reservar um espaço na sala de aula com mobiliário adequado para a disposição dos instrumentos 3.3. O Sistema Braille utilizados por esses alunos que devem incumbir-se da ordem e organização do material para assimilar pontos de referência úteis para eles. Criado por Louis Braille, em 1825, na França, o sistema braille é conhecido universalmente como código ou meio de leitura e 3.2. Comunicação e Relacionamento escrita das pessoas cegas. Baseia-se na combinação de 63 pontos que representam as letras do alfabeto, os números e outros símbolos gráficos. A combinação A falta da visão desperta curiosidade, dos pontos é obtida pela disposição de seis pontos interesse, inquietações e não raro, provoca grande básicos, organizados espacialmente em duas colunas impacto no ambiente escolar. Costuma ser abordada verticais com três pontos à direita e três à esquerda de forma pouco natural e pouco espontânea porque de uma cela básica denominada cela braille. os professores não sabem como proceder em relação
  • 19. Alfabeto Braille (Leitura) Disposição Universal dos 63 Sinais Simples do Sistema Braille1º série - série superior -utiliza os pontos superiores12452º série é resultante da adiçãodo ponto 3 a cada um dossinais da 1º série3º série é resultante da adiçãodo pontos 3 e 6 aos sinais da1º série4º série é resultante da adição 23do ponto 6 aos sinais da 1ºsérie Capítulo I - Inclusão escolar de alunos cegos e com baixa visão5º série é formada pelos sinaisda 1º série posicionados naparte inferior da cela6º série é formada com acombinação dos pontos 34567º série é formada por sinaisque utilizam os pontos dacoluna direita da cela (456)
  • 20. A escrita braille é realizada por meio A máquina de escrever tem seis teclas de uma reglete e punção ou de uma máquina de básicas correspondentes aos pontos da cela braille. escrever braille. O toque simultâneo de uma combinação de teclas produz os pontos que correspondem aos sinais e símbolo desejados. É um mecanismo de escrita mais rápido, prático e eficiente. A escrita em relevo e a leitura tátil baseiam-se em componentes específicos no que diz respeito ao movimento das mãos, mudança de linha, adequação da postura e manuseio do papel. Esse processo requer o desenvolvimento de habilidades do tato que envolvem conceitos espaciais e numéricos, sensibilidade, destreza motora, coordenação bimanual, discriminação, dentre outros aspectos. Por isso, o aprendizado24 do sistema braille deve ser realizado em condições adequadas, de forma simultânea e complementar ao A reglete é uma régua de madeira, metal ouAtendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual processo de alfabetização dos alunos cegos. plástico com um conjunto de celas braille dispostas em linhas horizontais sobre uma base plana. O punção é um instrumento em madeira ou plástico no formato de pêra ou anatômico, com ponta metálica, utilizado para a perfuração dos pontos na cela braille. O movimento de perfuração deve ser realizado da direita para a esquerda para produzir a escrita em relevo de forma não espelhada. Já a leitura é realizada da esquerda para a direita. Esse processo de escrita tem a desvantagem de ser lento devido à perfuração de cada ponto, exige boa coordenação motora e dificulta a correção de erros.
  • 21. O domínio do alfabeto braille e 3.4. Atividadesde noções básicas do sistema por parte doseducadores é bastante recomendável e pode seralcançado de forma simples e rápida, uma vez Algumas atividades predominantementeque a leitura será visual. Os profissionais da visuais devem ser adaptadas com antecedência eescola podem aprender individualmente ou em outras durante a sua realização por meio de descrição,grupo, por meio de cursos, oficinas ou outras informação tátil, auditiva, olfativa e qualquer outraalternativas disponíveis. Uma dessas alternativas referência que favoreçam a configuração do cenárioé o Braille Virtual, um curso on-line, criado e ou do ambiente. É o caso, por exemplo, de exibiçãodesenvolvido por uma equipe de profissionais de filmes ou documentários, excursões e exposições.da Universidade de São Paulo – USP – com o A apresentação de vídeo requer a descrição oral deobjetivo de possibilitar o aprendizado do sistema imagens, cenas mudas e leitura de legenda simultâneabraille de forma simples, gratuita e lúdica. se não houver dublagem para que as lacunas sejam preenchidas com dados da realidade e não apenas O programa para download está com a imaginação. É recomendável apresentar umdisponível em: http://www.braillevirtual.fe.usp.br resumo ou contextualizar a atividade programada 25 Um conhecimento mais aprofundado para esses alunos.do sistema braille é necessário para quem realiza Os esquemas, símbolos e diagramastrabalhos de revisão, adaptação de textos e livros Capítulo I - Inclusão escolar de alunos cegos e com baixa visão presentes nas diversas disciplinas devem ser descritose de produção braille em geral. oralmente. Os desenhos, os gráficos e as ilustrações Os meios informáticos ampliam devem ser adaptados e representados em relevo.significativamente as possibilidades de produção O ensino de língua estrangeira deve priorizar ae impressão braille. Existem diferentes tipos de conversação em detrimento de recursos didáticosimpressoras com capacidade de produção de visuais que devem ser explicados verbalmente.pequeno, médio e grande portes que representam Experimentos de ciências e biologia devem remeterum ganho qualitativo e quantitativo no que se ao conhecimento por meio de outros canais derefere à produção braille em termos de velocidade, coleta de informação.eficiência, desempenho e sofisticação. As atividades de educação física podem ser adaptadas com o uso de barras, cordas, bolas com guiso etc. O aluno deve ficar próximo do professor
  • 22. que recorrerá a ele para demonstrar os exercícios ao Convém observar a necessidade de mesmo tempo em que ele aprende. estender o tempo da avaliação, considerando-se as Outras atividades que envolvem expressão peculiaridades já mencionadas em relação à percepção corporal, dramatização, arte, música podem ser não visual. Os alunos podem realizar trabalhos e desenvolvidas com pouca ou nenhuma adaptação. tarefas escolares utilizando a máquina de escrever em Em resumo, os alunos cegos podem e devem braille ou o computador, sempre que possível. participar de praticamente todas as atividades com diferentes níveis e modalidades de adaptação que envolvem criatividade, confecção de material e cooperação entre os participantes. 4. Recursos Didáticos 3.5. Avaliação A predominância de recursos didáticos eminentemente visuais ocasiona uma visão fragmentada26 da realidade e desvia o foco de interesse e de motivação Alguns procedimentos e instrumentos de dos alunos cegos e com baixa visão. Os recursos avaliação baseados em referências visuais devem ser destinados ao Atendimento Educacional EspecializadoAtendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual alterados ou adaptados por meio de representações e desses alunos devem ser inseridos em situações e relevo. É o caso, por exemplo, de desenhos, gráficos, vivências cotidianas que estimulem a exploração e diagramas, gravuras, uso de microscópios. o desenvolvimento pleno dos outros sentidos. A Em algumas circunstâncias é recomendável variedade, a adequação e a qualidade dos recursos valer-se de exercícios orais. A adaptação e produção disponíveis possibilitam o acesso ao conhecimento, à de material, a transcrição de provas, exercícios e de comunicação e à aprendizagem significativa. textos em geral para o sistema braille podem ser Recursos tecnológicos, equipamentos realizadas em salas multimeios, núcleos, serviços e jogos pedagógicos contribuem para que as ou centros de apoio pedagógico. Se não houver situações de aprendizagem sejam mais agradáveis ninguém na escola que domine o sistema braille, e motivadoras em um ambiente de cooperação e será igualmente necessário fazer a conversão da reconhecimento das diferenças. Com bom senso e escrita braille para a escrita em tinta. criatividade, é possível selecionar, confeccionar ou adaptar recursos abrangentes ou de uso específico.
  • 23. Os sólidos geométricos, os jogos de encaixe, pertinência em relação ao conteúdo e à faixa etária.os ligue-ligues e similares podem ser compartilhados As dimensões e o tamanho devem ser observados.com todos os alunos sem necessidade de adaptação. Objetos ou desenhos em relevo pequenos demaisOutros se tornam significativos para alunos cegos não ressaltam detalhes de suas partes componentesou com baixa visão mediante adaptações que ou se perdem com facilidade. O exagero no tamanhosão atraentes e eficientes também para os demais pode prejudicar a apresentação da totalidadealunos. É o caso de jogos, instrumentos de medir, dificultando a percepção global.mapas de encaixe e diversos objetos que podem ser A estimulação visual baseia-se na escolhaadaptados. Pode-se produzir uma infinidade de adequada do material, que deve ter cores fortes ourecursos e jogos didáticos com material de baixo contrastes que melhor se adaptem à limitação visualcusto e sucata: embalagens descartáveis, frascos, de cada aluno e significado tátil.tampas de vários tamanhos, retalhos de papéise tecidos com texturas diferentes, botões, palitos, O relevo deve ser facilmente percebidocrachás, barbantes, sementes etc. pelo tato e, sempre que possível, constituir-se de diferentes texturas para melhor destacar as Para promover a comunicação e o partes componentes do todo. Contrastes do tipo 27entrosamento entre todos os alunos, é indispensável liso/áspero, fino/espesso, permitem distinçõesque os recursos didáticos possuam estímulos adequadas. O material não deve provocar rejeiçãovisuais e táteis que atendam às diferentes condições ao manuseio e ser resistente para que não se estrague Capítulo I - Inclusão escolar de alunos cegos e com baixa visãovisuais. Portanto, o material deve apresentar cores com facilidade e resista à exploração tátil e aocontrastantes, texturas e tamanhos adequados para manuseio constante. Deve ser simples e de manuseioque se torne útil e significativo. fácil, proporcionando uma prática utilização e não A confecção de recursos didáticos para deve oferecer perigo para os alunos.alunos cegos deve se basear em alguns critérios muito A disponibilidade de recursos que atendamimportantes para a eficiência de sua utilização. ao mesmo tempo às diversas condições visuais dosEntre eles, destacamos a fidelidade da representação alunos pressupõe a utilização do sistema braille,que deve ser tão exata quanto possível em relação de fontes ampliadas e de outras alternativas noao modelo original. Além disso, deve ser atraente processo de aprendizagem.para a visão e agradável ao tato. A adequação éoutro critério a ser respeitado, considerando-se a
  • 24. 4.1. Sugestões • Cela braille Vasada: confeccionada em vários tamanhos com acetato usado em radiografias ou • Cela braille: confeccionada com caixas de papelão, papelão.28 frascos de desodorantes e embalagem de ovos.Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual • Celinha braille: feitas com caixas de chicletes, botões, cartelas de comprimidos, caixa de fósforo, • Caixa de vocabulário: caixa de plástico ou de emborrachado. papelão contendo miniaturas coladas em cartões com o nome do objeto em braille e em tinta.
  • 25. • Alfabeto: letras cursivas confeccionadas comemborrachado, papelão ou em arame flexível.• Gaveteiro alfabético: cada gaveta contémminiaturas de objetos iniciados com a letra fixadaem relevo e em braille na parte externa.• Pesca-palavras: caixa de plástico ou de papelãocontendo cartelas imantadas com palavras embraille para serem pescadas com vareta de churrascocom imã na ponta.• Roleta das letras: disco na forma de relógiocom um ponteiro giratório contendo as letras do • Medidor: garrafas plásticas de água mineralalfabeto em braille e em tinta. cortadas, com capacidade para um litro e meio.• Livro de bolso: as páginas são bolsos de panocontendo reálias e com palavras, frases ou expressões 29escritas em braille. Capítulo I - Inclusão escolar de alunos cegos e com baixa visão • Caixa de números: caixas de plástico ou de• Grade para escrita cursiva: pautas confeccionadas papelão contendo miniaturas. Colar na parte externa ocom caixa de papelão, radiografias, emborrachado e numeral, em tinta, relevo e em braille, correspondente àoutros. quantidade de objetos guardados no interior da caixa.
  • 26. • Brincando com as frações: representação de frações utilizando embalagens de pizza e bandejas de isopor. • Figuras geométricas em relevo: confeccionadas com emborrachado, papelão e outros. • Fita métrica adaptada: com marcações na forma de orifícios e pequenos recortes.30Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual • Caneta maluca: caneta Bic com um fio comprido de lã enrolado em um carretel na parte superior e com a ponta enfiada no lugar da carga para desenhar sobre prancha de velcro. • Livro de texturas. • Calendário-mural: confeccionado em • Pranchas para desenhos em relevo: retângulo de cartolina com cartelas móveis para o registro em eucatex recoberto com tela de náilon de proteção para tinta e em braille dos dias, meses e ano. produção de desenhos com lápis-cera ou recoberto com couro para desenhos com carretilhas.
  • 27. • Baralho: adaptado com inscrição em braille • Jogo da velha: adaptado com peças de encaixedo número e naipe. ou imantadas. 31• Mural do tempo: cartaz com frases curtasem braille e em tinta e desenho em relevoexpressando as condições do tempo em cada dia Capítulo I - Inclusão escolar de alunos cegos e com baixa visãoda semana.• Bandeira do Brasil: confeccionada comdiferentes materiais em relevo com encaixe ousuperposição das partes.• Dominó: adaptado com diferentes texturasde tecido.• Jogo de dama: adaptado com velcro. • Resta-um: adaptado com embalagem de ovos e bolinhas de isopor ou papel machê e bolinhas de gude.
  • 28. 4.2. Outros Recursos 4.2.3. Sorobã 4.2.1. Modelos e Maquetes Nem tudo que é visto pelos olhos está ao alcance das mãos devido ao tamanho original dos objetos, à distância, à localização e à impossibilidade de tocar. Como superar essa dificuldade entre os alunos cegos e com baixa visão que têm um contato limitado com o ambiente? A utilização de maquetes e de modelos é uma boa maneira de trabalhar as noções e os conceitos relacionados aos acidentes geográficos, ao sistema planetário e aos fenômenos da natureza. Os modelos devem ser criteriosamente Instrumento utilizado para trabalhar cálculos32 escolhidos e demonstrados com explicações e operações matemáticas; espécie de ábaco que contém objetivas. Os objetos muito pequenos devem ser ampliados para que os detalhes sejam percebidos. cinco contas em cada eixo e borracha compressora paraAtendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual Objetos muito grandes e intocáveis devem ser deixar as contas fixas. convertidos em modelos miniaturizados, por exemplo, as nuvens, as estrelas, o sol, a lua, os 4.2.4. Livro Didático Adaptado planetas, entre outros. 4.2.2. Mapas Os livros didáticos são ilustrados com desenhos, gráficos, cores, diagramas, fotos e outros Os mapas políticos, hidrográficos e outros recursos inacessíveis para os alunos com limitação podem ser representados em relevo, utilizando-se de visual. A transcrição de um texto ou de um livro para o cartolina, linha, barbante, cola, e outros materiais sistema braille tem características específicas em relação de diferentes texturas. A riqueza de detalhes em ao tamanho, à paginação, à representação gráfica, aos um mapa pode dificultar a percepção de aspectos mapas e às ilustrações devendo ser fiel ao conteúdo e respeitar normas e critérios estabelecidos pela Comissão significativos. Brasileira do Braille.
  • 29. A adaptação parcial ou integral desses 4.2.6. Recursos Tecnológicoslivros é complexa e pode ser realizada nos Centrosde Apoio Pedagógico aos Deficientes Visuais (CAPs) Os meios informáticos facilitam as atividadesou em serviços similares, enquanto a produção de educadores e educandos porque possibilitam aem grande escala fica sob a responsabilidade das comunicação, a pesquisa e o acesso ao conhecimento.instituições especializadas em parceria com o Existem programas leitores de tela com sínteseMinistério da Educação. de voz, concebidos para usuários cegos, que possibilitam a navegação na internet, o uso do correio eletrônico, o 4.2.5. Livro Acessível processamento de textos, de planilhas e uma infinidade de aplicativos operados por meio de comandos de teclado que dispensam o uso do mouse. O livro acessível visa contemplar a todos Entre os programas mais conhecidos eos leitores. Para isso, deve ser concebido como difundidos no Brasil, destacamos:um produto referenciado no modelo do desenhouniversal. Isso significa que deve ser concebido a DOSVOX: sistema operacional desenvolvidopartir de uma matriz que possibilite a produção pelo Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade 33de livros em formato digital, em áudio, em braille Federal do Rio de Janeiro. Possui um conjunto dee com fontes ampliadas. Esse é o livro ideal, mas ferramentas e aplicativos próprios além de agenda, chat e jogos interativos. Pode ser obtido gratuitamente Capítulo I - Inclusão escolar de alunos cegos e com baixa visãoainda não disponível nas prateleiras das livrarias e por meio de “download” a partir do site do projetodas bibliotecas e se constitui como objeto de debate DOSVOX:que depende de regulamentação e de negociação http://intervox.nce.ufrj.br/dosvoxentre o governo e os elos da cadeia produtiva dolivro. Enquanto isso, surgem os primeiros livros VIRTUAL VISION: é um software brasileirode literatura infantil em áudio-livro ou impressos desenvolvido pela Micropower, em São Paulo, concebidoem tinta e em braille com desenhos em relevo para operar com os utilitários e as ferramentas doou descrição sucinta das ilustrações. Trata-se de ambiente Windows. É distribuído gratuitamente pelainiciativas pontuais e isoladas que representam um Fundação Bradesco e Banco Real para usuários cegos.grão de areia no universo da cultura e da leitura No mais, é comercializado. Mais informações no sitepara as pessoas cegas e com baixa visão. da empresa: http://www.micropower.com.br
  • 30. JAWS: software desenvolvido nos Estados 5. Perguntas Freqüentes Unidos e mundialmente conhecido como o leitor de tela mais completo e avançado. Possui uma ampla gama de recursos e ferramentas com tradução para diversos idiomas, inclusive para o português. No Brasil, não há alternativa de subvenção ou distribuição 1. Como identificar o aluno com baixa visão? gratuita do Jaws, que é o mais caro entre os leitores de Alguns sinais e condutas recorrentes, observados tela existentes no momento. Outras informações sobre informalmente dentro ou fora da sala de aula, esse software estão disponíveis em: podem ser indícios de baixa visão. Por exemplo: dor de cabeça constante, olhos vermelhos http://www.lerparaver.com ou lacrimejantes, inclinação da cabeça para http://www.laramara.org.br enxergar, intolerância à luz, hábito de apertar ou esfregar os olhos, trazer o papel, o caderno ou livro para perto dos olhos, chegar bem Existem, ainda, outras ferramentas que próximo do quadro negro ou da televisão para possibilitam a produção de livros em formato digital, enxergar, tropeçar ou esbarrar em móveis ou34 em áudio e em braille. É o caso, por exemplo, de objetos com freqüência, evitar executar tarefas scanner, de programas de reconhecimento óptico de que dependem da visão, demonstrar oscilação caracteres para a digitalização de textos e programas queAtendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual entre ver e não ver algo ou alguém etc. permitem converter o texto digitalizado em arquivo de áudio. Além disso, há programas magnificadores 2. de tela, geralmente, conjugados com síntese de voz, Uma pessoa da família pode permanecer desenvolvidos para quem tem baixa visão. É necessário na sala de aula para auxiliar o aluno com que essas ferramentas estejam disponíveis no âmbito deficiência visual? do sistema escolar, nos serviços e centros de apoio que Essa alternativa não é recomendável porque visam promover a inclusão escolar e social. pode criar uma situação de discriminação, de Os laboratórios de informática, os telecentros inibição e de constrangimento para o aluno. e os programas de inclusão digital devem contar com Além disso, pode causar uma confusão de meios informáticos acessíveis para pessoas cegas e com papéis, criar um vínculo de dependência ao baixa visão, porque o uso de computadores e de outros invés de estimular a emancipação, a autonomia recursos tecnológicos são tão fundamentais para elas e a cooperação entre os alunos. quanto os olhos são para quem enxerga.
  • 31. 3. Quem ensina braille ao aluno cego no ensino regular? 6. Que cuidados devemos ter com a comunicação oral em relação aos alunos cegos? A atitude dos professores é muito importante e decisiva Quem estiver qualificado e disponível para para uma comunicação efetiva e motivadora da este fim. aprendizagem. Neste sentido, salientamos o cuidado de nomear, denominar, explicar e descrever, de forma precisa e objetiva, as cenas, imagens e situações que4. O professor que tem um aluno cego necessita aprender o braille? dependem de visualização. Os registros e anotações no quadro negro e outras referências em termos de localização espacial devem ser falados e não apontados O aprendizado do sistema braille certamente com gestos e expressões do tipo aqui, lá, ali, que devem facilitará e enriquecerá o seu trabalho, pois será ser substituídas por direita, esquerda, tendo como mais fácil e mais ágil acompanhar a evolução referência a posição do aluno. Por outro lado, não se e os progressos do aluno sem a necessidade de deve usar de forma inadequada o verbo ouvir em lugar intermediários, especialmente no que diz respeito de ver, olhar, enxergar para que a comunicação seja à leitura e à escrita. coerente, espontânea e significativa.5. Alunos cegos demoram mais para aprender do que os outros? 7. Quais são as habilidades que devemos desenvolver no caso de alunos cegos? Esses alunos devem desenvolver a formação de hábitos 35 Não. Eles podem ser mais lentos na realização e de postura, destreza tátil, o sentido de orientação, Capítulo I - Inclusão escolar de alunos cegos e com baixa visão o reconhecimento de desenhos, gráficos e maquetes de algumas atividades, pois a dimensão analítica em relevo dentre outras habilidades. As estratégias da percepção tátil demanda mais tempo. Esses e as situações de aprendizagem devem valorizar o alunos precisam manipular e explorar o objeto comportamento exploratório, a estimulação dos sentidos para conhecer as suas características e fazer uma remanescentes, a iniciativa e a participação ativa. análise detalhada das partes para tirar conclusões. Essa diferença básica é importante porque influi na elaboração de conceitos e interiorização do conhecimento. Assim, a falta da visão não interfere 8. Como trabalhar cores com alunos cegos? As cores devem ser apresentadas aos alunos cegos por meio de associações e representações que possibilitem na capacidade intelectual e cognitiva. Esses alunos compreender e aplicar adequadamente o vocabulário e têm o mesmo potencial de aprendizagem e podem o conceito de cores na fala, na escrita, no contexto da demonstrar um desempenho escolar equivalente escola e da vida. Assim, as cores podem ser associadas aos ou superior ao de alunos que enxergam mediante elementos da natureza, aos aromas, às notas musicais e a condições e recursos adequados. outras simbologias presentes na experiência dos alunos.
  • 32. As atividades escolares que se baseiam na visualização de cores podem ser adaptadas por meio da utilização de texturas, de equivalências, de convenções ou de outros 11. Como uma pessoa cega identifica e escolhe as suas roupas? Algumas pessoas utilizam etiquetas de recursos não visuais. identificação, enquanto outras separam lotes de roupas da mesma cor ou preferem usar apenas 9. Como trabalhar produção de textos com alunos cegos? Esses alunos são potencialmente capazes de cores neutras. A combinação das peças do vestuário e dos acessórios se dará pelo reconhecimento dos compreender, interpretar e estabelecer relações. Estão diferentes modelos e texturas, formatos, detalhes habituados a exercitar predominantemente a escuta e outras referências. A conjugação das roupas, a e a fala que costumam ser mais encorajadas do que o distinção de cores, a organização geral têm a ver exercício da escrita. A produção de texto contribui para com os esquemas e as estratégias individuais. A a estruturação da linguagem e do pensamento, além identificação do vestuário, as preferências e as de despertar a imaginação e a criatividade. Esta é uma situação de aprendizagem muito rica que possibilita escolhas são fruto da elaboração de conceitos, o contato e a interação com diversos códigos de do conhecimento e reconhecimento de padrões expressão oral e escrita. É uma boa oportunidade para a ou modalidades estéticas, do desenvolvimento observação e a compreensão de algumas peculiaridades e de habilidades táteis, de critérios de organização36 cuidados relativos à grafia braille, à leitura tátil, aos tipos e de funcionalidade. Enfim, a composição ampliados, aos meios informáticos, entre outros. do figurino dependerá do estilo de vida e dasAtendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual experiências do sujeito. 10. Qual é o sentido mais aguçado nas pessoas cegas? As pessoas cegas que lêem muito por meio do sistema braille ou que executam trabalhos manuais tendem a desenvolver maior refinamento 12. Ficar muito perto da televisão ou da tela do computador e fazer esforço para enxergar o que está escrito no caderno ou do tato. Quem se dedica à música, à afinação de no livro prejudica a visão? instrumentos ou à discriminação de sons aguça a capacidade de discriminação auditiva. A degustação Não, essa aproximação é natural para que a e a depuração de aromas ativam mais o paladar e pessoa possa ver melhor. O que pode ocorrer o olfato. Portanto, são aguçados os sentidos mais são momentos de fadiga. Nesse caso, é presentes no processamento de informações, na recomendável piscar os olhos e fazer pequenas exploração do ambiente, no exercício constante de orientação e mobilidade, na realização de atividades pausas. O esforço visual é positivo e deve ser de vida diária, na formação de competências e estimulado por meio de orientação e exercícios no desenvolvimento de habilidades gerais ou adequados. específicas.
  • 33. 13. Como se explica o fato de uma pessoa cega descer do ônibus na parada certa sem pedir ajuda? Acreditamos que as expectativas e os investimentos dos educadores devem ser os mesmos em relação a todos os educandos. Os alunos cegos e com baixa Ela faz isso porque se familiarizou com o visão têm as mesmas potencialidades que os outros, pois percurso rotineiro do ônibus e assimilou a deficiência visual não limita a capacidade de aprender. pontos de referência importantes para o As estratégias de aprendizagem, os procedimentos, os reconhecimento do trajeto. meios de acesso ao conhecimento e à informação, bem Essas referências são estáveis e têm a ver com como os instrumentos de avaliação, devem ser adequados a topografia, os movimentos de retas e curvas às condições visuais destes educandos. Neste sentido, dentre outros aspectos que foram introjetados procuramos compartilhar nossos achados, indicar rumos, constituindo um mapa mental da região. elucidar algumas questões, provocar novas indagações e Certamente, ela terá dificuldade para pegar o acenar para algumas práticas possíveis em um contexto mesmo ônibus sozinha em um ponto onde ao mesmo tempo real e idealizado. Assim, esperamos param várias linhas para diferentes bairros. colaborar com aqueles que desejam contribuir para a concretização de uma escola para todos na perspectiva de uma sociedade justa e igualitária. 37 6. Considerações Finais Capítulo I - Inclusão escolar de alunos cegos e com baixa visão Para saber mais... Este trabalho foi desenvolvido a partir de COSTA, Jane A. Adaptando para baixa visão. Brasília:nossa vivência, convivência e experiência pessoal e MEC, SEESP, 2000.profissional. Procuramos explicitar idéias, conceitos, FERREIRA, Elise M. B. [Monografia] „Recursos Didáticossugestões e princípios norteadores de uma ação --- uma possibilidade de produzir conhecimentos‰.educativa voltada para o respeito e a valorização das UNIRIO, Rio de Janeiro/RJ, 1998.diferenças entre os que aprendem e os que ensinam. LARAMARA --- Associação Brasileira de Assistência aoPartimos do princípio de que o desejo de ensinar e Deficiente Visual. Revista Contato. Conversas sobrede aprender, a postura de observação, indagação e Deficiência Visual, ano 3, nª 5, p. 33-44, maio, 1993.investigação constantes bem como a valorização e OLIVEIRA, Regina C. S.; Newton Kara-José e Marcosa aceitação das diferenças são fatores importantes W.S. Entendendo a Baixa Visão: orientações aosque repercutem positivamente na elaboração do professores. MEC, SEESP, 2000.conhecimento e internalização do mundo exterior.
  • 34. SIAULYS, Mara O. C. Brincar para todos. MEC, SEESP, 2005. MEC. Secretaria de Educação Especial. Programa de Capacitação de Recursos Humanos do Ensino Fundamental, Deficiência Visual, vol. 2, 2001. _______. Saberes e Prática da Inclusão. Dificuldades de Comunicação e Sinalização Deficiência Visual, 3º edição, 2005. ROSA, Alberto; OCHAÍTA, Esperanza. Psicologia de la Cegueira. Alianza Editorial S.A. Madrid, 1993. SANTIN, Sílvya; SIMMONS Joyce Nester. Crianças Cegas Portadoras de Deficiência Visual Congênita. Revista Benjamin Constant, nª 2, janeiro, 1996. Sites na internet: BANCO DE ESCOLA http://www.bancodeescola.com38 BENGALA LEGAL]Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual http://bengalalegal.com BRAILLE VIRTUAL http://www.braillevirtual.fe.usp.br INSTITUTO BENJAMIM CONSTANT http://www.ibc.gov.br FUNDAÇÃO DORINA NOWILL http://www.fundacaodorina.org.br LARAMARA http://www.laramara.org.br LERPARAVER http://www.lerparaver.com
  • 35. Projeto ASSINO EMBAIXO* A grafia do nome e a assinatura na construção de identidade das pessoas cegas Izilda Maria de CamposO projeto ASSINO EMBAIXO O projeto ASSINO EMBAIXO surgiu foi desenvolvido a partir da do desejo de ajudar um colega de trabalho, cego constatação de que algumas pessoas congênito, a assinar a folha manual de presença cegas, adultas, alfabetizadas e com do servidor. Ele tem 36 anos, é auxiliar dediferentes níveis de escolaridade assinavam através biblioteca, faz faculdade de Letras e trabalhava nada impressão digital. Essas pessoas são usuárias Biblioteca do Professor na Secretaria Municipal 41do Centro de Apoio Pedagógico às Pessoas com de Educação. Lá ele usava a impressão digital para assinar mensalmente o registro de presença, Capítulo II - Projeto Assino Embaixo - A grafia do nome e a assinaturaDeficiência Visual de Belo Horizonte – CAP/BH. o que me incomodava e a ele também. Em nossaPara elas, as pessoas cegas que não assinam são primeira conversa, percebi que ele seria capaz detratadas como se fossem analfabetas e passam por na construção de identidade das pessoas cegas assinar e desejava muito aprender a escrever o seusituações de constrangimento no momento em que nome completo. Assumimos este compromisso,vão abrir uma conta ou um crediário ou quando estabelecemos uma disciplina de horário para nossanão conseguem dar um autógrafo, assinar uma atividade e, assim, começamos...lista de presença, o comprovante de matrícula ouo diploma, firmar um contrato, entre outros atos Realizei uma consulta junto ao Institutode rotina. de Identificação e ao Ministério de Educação sobre as normas de validação de assinatura e rubrica com a intenção de orientar meu trabalho no sentido* A inclusão deste projeto entre os textos desse livro tem de respeitar os requisitos formais para fins de como objetivo demonstrar a importância da aprendizagem registro de identidade, reconhecimento de firma da assinatura para pessoas cegas.
  • 36. e documentação em geral. Assim, estudei a forma mais adequada de padronização da assinatura, uma vez que o nome e o sobrenome devem ser escritos por extenso, apenas os nomes complementares podem ser abreviados e a assinatura deve ser estável para ter validade legal. Criamos uma assinatura condizente com essas normas e meu colega passou a escrever dentro de uma “janela” (retângulo confeccionado com papelão), utilizada com o objetivo de guiar o movimento das mãos, estabelecer limites para orientação e divisão do espaço. Ao perceber que ele já estava escrevendo seu nome utilizando o espaço de forma correta e com42 um bom traçado das letras passamos a utilizar uma janela menor. Assim ele foi forçado a diminuir o tamanho das letras em relação ao espaço delimitado.Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual No início, ele reclamou, disse que não daria conta, mas em pouco tempo lá estava ele escrevendo dentro das novas dimensões e dos limites demarcados. Em menos de um mês, já conseguia assinar de forma legível e estável. A partir dessa experiência, passei a desenvolver o projeto com os usuários do Centro perderam a visão prematuramente em decorrência de Apoio Pedagógico às Pessoas com Deficiência de catarata congênita ou glaucoma. Entre eles, 5 são Visual de Belo Horizonte – CAP/BH. servidores públicos municipais, sendo 2 professoras, 2 auxiliares de biblioteca e 1 auxiliar de secretaria. Os primeiros participantes do projeto Os demais trabalham de forma autônoma como constituem um grupo de 5 mulheres e 3 homens, músicos ou operadores de telemarketing. Entre os cuja faixa etária é de 24 a 39 anos. Nasceram cegos ou servidores públicos, uma tem curso superior, 1 é
  • 37. estudante universitário e 3 têm o ensino médio. Os O projeto tem como objetivos:outros apresentam ensino fundamental e ensinomédio incompletos. Todos foram alfabetizados por — Substituir a impressão digital pela assinatura emmeio do sistema braille em uma escola de ensino tinta.especial durante o ensino fundamental. — Estimular e promover a emancipação, autonomia e o sentido de privacidade. O ensino da assinatura baseia-se em umametodologia aberta, flexível e individualizada por — Possibilitar o fortalecimento da confiança em si mesmo e a auto-estima.meio da qual se aprende a escrever o nome porextenso, a rubricar e a usar um marcador ou guia — Respeitar a individualidade e exercer a capacidade de decisão.confeccionado para este fim. Consiste em umainteração dialógica, centrada nos conhecimentosprévios, interesses, motivações e experiênciasindividuais na qual se valorizam a percepção tátile a expressão corporal. As atividades são definidas e modificadas 43dinamicamente, de acordo com as características Capítulo II - Projeto Assino Embaixo - A grafia do nome e a assinaturapessoais, as manifestações e o desempenhodo sujeito, o que consiste em um exercício de na construção de identidade das pessoas cegasobservação e criatividade para quem se dispõea ensinar esta tarefa de forma atraente e não deforma padronizada. O trabalho é realizado duas vezes porsemana durante uma hora, considerando-se oslimites de resistência ou de fadiga em relação aomanuseio do material. Os sujeitos são estimuladosa praticar a assinatura, em suas horas livres,utilizando as grades confeccionadas para este fime com as quais já têm familiaridade.
  • 38. Inicialmente, desenvolvemos atividades exploratórias com movimentos livres para identificação e reconhecimento da posição do corpo, dos braços e das mãos. Percebemos o movimento da mão dominante e da mão guia em relação à coordenação e ao deslocamento de um ponto a outro da folha de papel e de uma superfície plana. As linhas retas, quebradas e curvas são representadas por objetos e outras referências, tais como as posições vertical, horizontal ou dobrada dos braços. Os primeiros traços ou rabiscos são feitos Utilizamos uma seqüência de cinco grades livremente em uma folha de papel com um lápis- ou guias de papelão com pautas vazadas, cujas cera ou de carpinteiro, que é substituído ao longo do dimensões variam até atingir a extensão e largura processo pelo lápis comum e pela caneta esferográfica. mais adequada para a grade de assinatura a ser Introduzimos uma grade de papelão, confeccionada padronizada. Também, pode-se usar como guia44 com tampa de caixa de sapatos com um retângulo cartões de banco sem validade, crachá, papel-cartão, central vazado de aproximadamente 20 x 3cm, dentro cartolina entre outros. Para escrever, pode-se usar, do qual será grafado o nome completo do sujeito.Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual lápis-cera, pincel atômico, lápis de carpinteiro, até A compreensão das formas das letras se dá a alcançar a caneta esferográfica. partir do toque físico e da comparação com as partes O desempenho do sujeito durante o do corpo ou de objetos familiares. Assim, a letra “c” desenvolvimento da assinatura é observado e pode ser comparada com o formato da orelha ou com avaliado continuamente em uma interação recíproca a curvatura dos dedos polegar e indicador. O círculo formado por esses dedos corresponde a letra “o”, assim na qual ressaltamos os pontos positivos e aqueles que como o “n” ou o “m” lembram as ondulações das podem ser melhorados. O desenho das letras e os mãos fechadas ou entreabertas. As letras maiúsculas traços são examinados e confrontados com exemplos e minúsculas do nome são confeccionadas com e modelos já conhecidos e esboçados anteriormente. barbante, arame flexível, papelão, brailon, cola em Assim, reproduzimos em relevo o nome tal como foi relevo, entre outros, para que o sujeito possa manusear grafado para mostrar, através de referências táteis, as os contornos, as semelhanças e as diferenças entre as letras e fragmentos que precisam ser aperfeiçoados. letras e fazer a representação gráfica e mental. Essa representação em relevo é importante para
  • 39. espelhar as características e os detalhes da caligrafia Destacamos, a seguir, alguns depoimentosque não podem ser visualizados. e comentários obtidos em conversas informais e depoimentos espontâneos que demonstram a Nessa avaliação, valorizamos a qualidade mudança de status, o sentimento de pertença e dee o estilo da assinatura, procurando aperfeiçoá-la auto-estima.cada vez mais até alcançar o padrão estável que seráadotado. Os resultados são alcançados rapidamente,considerando-se que o tempo empregado nessaatividade tem sido de 8 a 20 aulas de uma hora. 1. Auxiliar de secretaria, 23 anos, casada, mãe de dois filhos, ensino médio. Considera que aprender assinar é importante porque hoje emO sujeito é considerado apto para assinar e poderáobter o novo registro de identidade quando conseguir dia serve para tudo... Tendo um documentoescrever seu nome com segurança e sua assinatura assinado posso ter conta corrente, cartão de crédito, fazer compras pelo crediário, assinar oestiver estável, atingindo os objetivos propostos. ponto, enfim exercer a cidadania. A culminância do projeto se dá com a Ela admite ter passado por situaçõesobtenção de uma nova carteira de identidade. Esse constrangedoras quando foi fazer um empréstimomomento é aguardado com expectativa, insegurança, e comprar no crediário porque, depois de tudoansiedade e hesitação. Encorajamos o sujeito a escrever preenchido, não podia assinar, ficando na 45e reescrever seu nome em uma folha de papel até dependência de terceiros. Ressalta que a assinaturasentir-se preparado e à vontade para fazer a assinatura vai mudar sua vida. Capítulo II - Projeto Assino Embaixo - A grafia do nome e a assinaturadefinitiva. Neste ato, presenciamos diferentes reaçõesque vão de um gesto de alegria ao ímpeto de rasgar na construção de identidade das pessoas cegasou queimar a carteira velha. Durante o desenvolvimento do projeto, 2. Auxiliar de biblioteca, solista de uma banda de música, 34 anos, divorciada, tem dois filhos, ensino médio. Relatou que há muito tempopercebemos que o revisor de textos em braille do CAP/ despertou nela o desejo de aprender a assinarBH, depois que aprendeu a assinar, passou a anotar e, às vezes, ficava triste por ter uma formação,com um lápis as letras corrigidas na própria folha de saber ler, escrever e, no entanto, constar narevisão, o que facilita a interação com os profissionais identidade um não assina.que fazem a transcrição e a adaptação de textos em Para ela, assinar significa ter maisbraille. Uma vendedora de cosméticos quis aprender independência, não precisar mais de um procurador,os números para registrar os telefones das clientes ou poder realizar coisas simples como ter cartão dede pessoas que ligavam para sua casa e pediam que crédito, ter uma conta no banco, poder movimentá-la,anotasse o telefone para alguém da família. assinar cheques, contratos de aluguel, dar autógrafos,
  • 40. assinar a folha de presença do trabalho... E o mais A partir da incorporação do projeto entre as importante, assinar a matrícula do filho e os bilhetes atividades do CAP/BH, outros usuários manifestaram que recebe da escola. o desejo de aperfeiçoar sua assinatura e despertaram Numa conversa com o filho, ele diz todo a curiosidade e o interesse em aprender as letras do feliz: Agora, mamãe, você já pode assinar os meus alfabeto e os números. Eles se sentem encorajados bilhetes!... Eu vou te mostrar as letras baixinhas e com as experiências dos outros e perdem o receio, altinhas... pois a assinatura deixa de ser um tabu uma vez que as dificuldades são desmistificadas. Ela diz: Não vou precisar pedir para minha ajudante assinar por mim! A importância do ato de assinar passou despercebida ou foi negligenciada durante a infância ou a juventude dessas pessoas, talvez pelo fato de ainda não 3. Músico autônomo, 38 anos, casado, um filho, ensino fundamental incompleto. Para ele, assinar significa Ser igual aos outros, se confrontarem com as exigências e responsabilidades inerentes à vida adulta. Além disso, elas conviveram, e ainda convivem, com a ignorância de pessoas que realizar o sonho de abrir uma conta corrente enxergam e não acreditam que pessoas cegas sejam capazes e conseguir financiamento para a compra de assinar ou de desempenhar outros atos corriqueiros.46 da casa própria. Contou que foi fazer um Para muitos, a escrita do nome em braille empréstimo na Caixa Econômica Federal e corresponde à assinatura. Para outras, basta a impressão lhe disseram, diante de todo mundo, que nãoAtendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual digital. Existem, ainda, aquelas que se contentam com a podia fazer porque não assinava seu nome. escrita simplificada por meio de letra de forma. Depois que aprendeu a assinar, resolveu O ensino da escrita cursiva em tinta para formar palavras com as letras de seu nome e pedia pessoas cegas é importante, seja para escrever o nome ao filho de 6 anos para ler. Considera que mudou por extenso, reconhecer letras e números, ou formar de status porque as pessoas agora o colocam nas palavras e sentenças, facilitando a comunicação com as nuvens e ele passou a ser visto como uma pessoa de pessoas que enxergam. A escrita do nome, de números muita inteligência. e de pequenas anotações tem uma utilidade e uma Na rodoviária de São Paulo foi exigida função social que não deve ser subestimada. Por isso, assinatura para a compra da passagem no cartão de o projeto ASSINO EMBAIXO vai além do simples ato crédito. Como ele sabia assinar, conseguiu comprar de assinar, uma vez que repercute na vida do sujeito a passagem. Comentou também que faz compras de forma abrangente, representando emancipação, em diversas lojas e as pessoas ficam surpresas porque independência, responsabilidade. A assinatura contribui ele assina. significativamente para o fortalecimento da auto-estima, afirmação de identidade e legitimação da cidadania.
  • 41. Informática para as pessoas cegas e com baixa visão Elizabet Dias de SáO s meios informáticos ampliam as por essa razão, havia desistido de estudar a partir da possibilidades de comunicação e de quinta ou sexta série. Ele retomou os estudos em autonomia pessoal, minimizam ou 2005, a partir de sua experiência como usuário do compensam as restrições decorrentes Centro de Apoio Pedagógico às Pessoas comda falta da visão. Sem essas ferramentas, o Deficiência Visual de Belo Horizonte — CAP/BHdesempenho intelectual e profissional da pessoa que mantém uma Escola de Informática e Cidadaniacega estaria seriamente comprometido e circunscrito — EIC.a um contexto de limitações e impossibilidades. 49 Outros jovens e adultos cegos ou com A apropriação de recursos tecnológicos baixa visão usam os computadores da EIC para ler Capítulo III - Informática para as Pessoas Cegas e com Baixa Visãomodifica significativamente o estilo de vida, as jornais, realizar pesquisas acadêmicas, fazer inscriçãointerações e as condutas sociais ao inovar hábitos e em concursos públicos, verificar resultados, ouatitudes em relação à educação, ao lazer e ao simplesmente para treinar a digitação e o domíniotrabalho, à vida familiar e comunitária. do teclado. Uma das alunas, que é judoca e tem baixa visão, acompanhou pela internet o noticiário Nesta perspectiva, um estudante de 26 das para-olimpíadas. A maioria desses usuários nãoanos faz as provas e outros trabalhos escolares por tem condições financeiras para comprar ummeio do computador. Ele utiliza o correio eletrônico, computador.o “skype” e o “msn” para enviar e receber arquivos,tirar dúvidas e resolver questões de português e de Nesta experiência, percebemos que o quematemática com seus professores em uma escola de se tornou simples, familiar e corriqueiro para osensino regular noturno. Além disso, utiliza o usuários com deficiência visual, parece estranho,computador como ferramenta de trabalho para curioso e complexo aos olhos dos outros. Nãotransmissão de telemensagens. Esse aluno é cego e, raro, somos interpelados com comentários,
  • 42. observações, perguntas e expressões de admiração, Os softwares ampliadores de tela ou de surpresa ou descoberta diante do desconhecido e caracteres aumentam o tamanho da fonte e das inusitado manejo do computador por meio dos imagens na tela do computador para os usuários comandos de voz e do teclado que dispensam o que têm baixa visão. Muitos deles utilizam uso do mouse e mesmo do monitor. Em geral, as combinações específicas de cores contrastantes para pessoas imaginam que utilizamos um computador texto e fundo da página ou escolhem certos tipos de especial com teclas em braille e outros dispositivos fonte com traços mais adequados e condizentes bem diferentes dos computadores comuns. com o campo ou ângulo de visão. Afinal, vivemos em uma sociedade caracterizada pela preponderância da comunicação visual cada Os leitores de tela são programas com voz vez mais difundida e incrementada. sintetizada, reproduzida através de auto-falantes, para transmitir oralmente a informação visual projetada na tela do computador. São desenvolvidos a partir de certos parâmetros e normas de Os leitores de tela e a leitura do mundo acessibilidade que permitem a utilização dos diversos aplicativos e uma navegação amigável no50 ambiente Windows. Esses programas possibilitam a O uso de computadores por pessoas edição de textos, a leitura sonora de livrosAtendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual cegas é tão ou mais revolucionário do que a digitalizados, o uso do correio eletrônico, a invenção do sistema braille que, aliás, é participação em chats, a navegação na internet, a incorporado e otimizado pelos meios transferência de arquivos e quase todas as aplicações informáticos tendo em vista possibilitar a leitura possíveis e viáveis para qualquer usuário. A diferença inclusive de indivíduos surdocegos. A linha ou está no modo de navegação que se dá por meio das teclas de atalho e dos comandos de teclado. A tecla “display” braille é um dispositivo eletrônico “TAB” é utilizada para navegar somente em links e, que reproduz o texto projetado na tela pelo assim, percorrer de forma ágil o conteúdo da página impulso de agulhas com pontos salientes, e acessar o link desejado mais rapidamente. dispostos em uma superfície retangular acoplada ao teclado, representando a cela braille, para ser As páginas de um texto ou de um livro são lida por meio do tato, de modo equivalente à transferidas para a tela do computador por meio de leitura dos pontos em relevo no papel. Trata-se um scanner com um programa denominado OCR de uma alternativa cara e rara no Brasil. (Reconhecimento Óptico de Caracteres), que
  • 43. processa e converte a imagem para os processadores indispensáveis e eficientes para a navegação nade texto reconhecíveis pelos leitores de tela. WEB, o ciberespaço nem sempre apresenta meios alternativos de acessibilidade para todos os usuários, Esse procedimento é artesanal e visa suprir pois é poluído e desenhado à revelia das pautas dede modo remediativo e precário a falta de livros acessibilidade definidas pelo World Wide Webacessíveis no mercado editorial, o que tem sido objeto Consortium — W3C, que estipula normas e padrõesde negociação e regulamentação entre o governo e os para a construção de páginas acessíveis na redediversos elos da cadeia produtiva do livro. Nesta mundial de computadores.perspectiva, torna-se necessário assegurar a compra e Apresentaremos, a seguir, exemplos devenda de livros em formato acessível, de forma barreiras de acesso ao conteúdo de uma página,autônoma e independente para quem deles conforme portal do Serpro (http://www.serpro.gov.necessitar. br/acessibilidade/acesso.php em 19 de outubro de 2006.) Barreiras Reais e Virtuais • Imagens que não possuem texto alternativo. 51 As pessoas que enxergam detectam, de • Imagens complexas. Exemplo: gráfico ou Capítulo III - Informática para as Pessoas Cegas e com Baixa Visãoforma imediata e instantânea, as cenas, imagens, os imagem com importante significado queefeitos e toda sorte de informação que invade, não possuem descrição adequada.agrada ou satura a visão. Mas, o que entra pelos • Vídeos que não possuem descrição textualolhos não alcança o tato e os ouvidos ou demora ou sonora.para chegar aos outros canais de percepção. Porisso, as pessoas cegas e com baixa visão necessitam • Tabelas que não fazem sentido quando lidasde mediadores para processar a quantidade ilimitada célula por célula ou em modo linearizado.de estímulos visuais presentes no ambiente real e • Frames que não possuem a alternativavirtual. Considere-se, ainda, outras peculiaridades “noframe”, ou que não possuem nomesem relação à percepção – ou não – de certas cores, significativos.como no caso do daltonismo que demanda algumrecurso de adaptação e personalização de links ou • Formulários que não podem ser navegadossites. Embora os programas leitores de tela sejam em uma seqüência lógica ou que não estão
  • 44. rotulados. • Navegadores e ferramentas de autoria que Acessibilidade e Desenho Universal não possuem suporte de teclado para todos os comandos. • Navegadores e ferramentas de autoria que As pessoas com deficiência visual não não utilizam programas de interfaces usufruem plenamente das funcionalidades dos padronizadas para o sistema operacional em equipamentos disponíveis no mercado para os que foram baseados. potenciais usuários. Os computadores, players, • Documentos formatados sem seguir os celulares e outros dispositivos eletrônicos padrões WEB que podem dificultar a proliferam com a produção e oferta de modelos interpretação por leitores de tela. cada vez mais simples, compactos, sofisticados e atraentes. Esses produtos, no entanto, não são • Páginas com tamanhos de fontes absoluta, plenamente acessíveis porque são projetados e que não podem ser aumentadas ou reduzidas desenvolvidos a partir de uma concepção facilmente.52 referenciada em elementos e atributos que • Páginas que, devido ao layout inconsistente, desconsideram a diversidade dos usuários, noAtendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual são difíceis de navegar quando ampliadas que diz respeito às características físicas, por causa da perda do conteúdo adjacente. sensoriais ou mentais dentre outras • Páginas ou imagens que possuem pouco particularidades. Os bens de consumo, os meios contraste. de comunicação, os ambientes reais e virtuais deveriam ser projetados para atender de forma • Textos apresentados como imagens, porque ampla e irrestrita a todos ou quase todos os não quebram as linhas quando ampliadas. indivíduos, independente da idade ou • Quando a cor é usada como único recurso habilidades individuais. para enfatizar o texto. Para isso, seria necessário o cumprimento • Contrastes inadequados entre as cores da rigoroso de padrões flexíveis e abrangentes de fonte e do fundo. acessibilidade baseados nos sete princípios • Navegadores que não suportam a opção para o fundamentais do desenho universal (conforme o site usuário utilizar sua própria folha de estilo. www.acessobrasil.org.br em 19 de outubro de 2006).
  • 45. 1. Equiparação nas possibilidades de uso: o design é útil e comercializável às pessoas com habilidades diferenciadas. Conclusão A informática estimula o desenvolvimento2. Flexibilidade no uso: o design atende a uma ampla gama de indivíduos, preferências e habilidades. cognitivo, aprimora e potencializa a apropriação de idéias, de conhecimentos, de habilidades e de informações que influenciam na formação de identidade, de concepção da realidade e do mundo3. Uso simples e intuitivo: o uso do design é de fácil compreensão, independentemente de experiência, nível de formação, conhecimento do idioma ou no qual vivemos. É uma importante ferramenta de equiparação de oportunidades e promoção de da capacidade de concentração do usuário. inclusão social. Embora seja mais desenvolvida ou difundida na área da deficiência visual, apresenta outras possibilidades de aplicação no caso de4. Captação da informação: o design comunica eficazmente ao usuário as informações necessárias, independentemente de sua capacidade sensorial deficiências física, sensorial e/ou mental, incapacidade motora, disfunções na área da ou de condições ambientais. linguagem, entre outras. 53 Existem projetos e iniciativas que5. Tolerância ao erro: o design minimiza o risco e as apresentam soluções, de baixo custo e de fácil Capítulo III - Informática para as Pessoas Cegas e com Baixa Visão conseqüências adversas de ações involuntárias ou construção, com a finalidade de responder às imprevistas. necessidades concretas de cada indivíduo e possibilitar sua interação com o computador. É o6. Mínimo esforço físico: o design pode ser utilizado com um mínimo de esforço, de forma eficiente e confortável. caso, por exemplo, de adaptações de hardware ou software especiais de acessibilidade com simuladores de teclado e de mouse, com varredura que podem ser baixados gratuitamente via internet, no site7. Dimensão e espaço para uso e interação: o design oferece espaços e dimensões apropriados para interação, alcance, manipulação e uso, www.lagares.org. O custo da produção e da aquisição de independentemente de tamanho, postura ou ferramentas, equipamentos, aparelhos e materiais mobilidade do usuário. auxiliares é problemático no Brasil porque as ajudas técnicas não são obrigatórias. As pessoas com
  • 46. deficiência não contam com subsídios para aquisição de equipamentos, enfrentam barreiras de acessibilidade física e virtual e as alternativas disponíveis são pouco conhecidas e difundidas. O que se observa é a concessão de órteses e próteses, em pequena escala, de uma forma anárquica e insuficiente para atender à demanda de uma população economicamente desfavorecida. Para garantir o acesso de todos à educação o Estado deve doar, financiar ou facilitar a aquisição de equipamentos e de outros recursos técnicos a quem os necessita.54 Para saber mais...Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual Montoya, R. Sanchez. Ordenador y Discapacidad. Practicas de Apoyo a las Personas con Necesidades Educativas Especiales. Disponível em: www. ordenadorydiscapacida.net [acessado em 20/11/2006] Rodrigues, C. L. Bessa. Livro Acessível: Diagnóstico e Agenda para uma Estratégia Regulatória com o Setor Privado. Disponível em: www.bancodeescola.com [acessado em 20/11/2006] SÁ, Elizabet Dias. Oficina Educação Inclusiva no Brasil: Diagnóstico Atual e Desafios para o Futuro — Relatório Sobre Tecnologias Assistivas e Material Pedagógico. Disponível em: www.bancodeescola.com [acessado em 20/11/2006]
  • 47. Capítulo III - Informática para as Pessoas Cegas e com Baixa Visão 55
  • 48. 56 Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual
  • 49. Capítulo I - Inclusão escolar de alunos cegos e com baixa visão 57

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