Os Exercícios Do Ver

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Os Exercicios Do Ver: baseado no livro de Jesús Martin-Barbero e Gérman Rey, cujo o título é o mesmo desta apresentação.

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Os Exercícios Do Ver

  1. 1. Hegemonia Audiovisual e Ficção Televisiva  Hegemonia Audiovisual e Fic  ç  Aprendemos...  Ø10%  do que lemos  Ø20%  do que ouvimos  Ø30%   do que vemos  Ø50%  do que vemos e ouvimos  Ø70%  do que discutimos com outras pessoas  Ø80%  do que experimentamos  Ø95%  do que ensinamos a outras pessoas  William Glasser in Seven Ways of Knowing  Criado por Alex Sandro C. Sant’Ana – Dezembro/2006
  2. 2. Os Exerc ícios do Ver: Os Exerc cios do Ver:  í 
  3. 3. n  Jesús  Martín­Barbero  é  espanhol,  n Jes ú  Mart n  í  ­  residente desde 1963 na Colômbia,  e  um  dos  maiores  teóricos  te  ó  contemporâneos da comunicação e  contemporâneos da comunica  ç  da cultura na América Latina. Uniu­  da cultura na Am  rica Latina. Uniu  é  Martín­Barbero  se,  neste  livro,  ao  psicólogo  e  psic ó  professor  colombiano  Germán  Rey  Germ  á  para análise de um fenômeno social  para an  á  e  cultural  de  crescente  importância  também  no  Brasil:  o  poder  da  tamb  é  televisão  sobre  o  imaginário  das  imagin  á  Rey pessoas. 
  4. 4. A  obra  de  Martín­Barbero  é  conhecida  por  realizar  Mart n  í  ­  n  n deslocamentos  e  rupturas .  Deslocamentos  dos  lugares  rupturas  tradicionais  de  onde  são  feitas  as  perguntas.  Rupturas  com  as  respostas  reducionistas  e  maniqueístas  “à  direita  manique  í  e  à  esquerda”.  O  resultado  pode  ser  sintetizado  num  esquerda  ”  trabalho  de  construção  teórico­metodológica  conhecido  constru  ç  te  rico  metodol  ó  ­  ó  como  mapa  noturno ,  uma  cartografia  para  explorar  as  noturno  mediaç ões  que  é  um  marco  a  partir  do  qual  se  podem  media  ç  estudar  as  novas  complexidades  nas  relações  entre  rela  ç  comunicação, cultura e política. comunica  ão, cultura e pol tica.  ç  í 
  5. 5. n  Proposta  do  autor:  Seguir  e  explorar  as  n mediações  que  se  dão  entre  as  ll  gicas  de  ó media ç  ó  produ ç ão  e as  ll  gicas de recep ç ão , entre as  ó gicas de recep  ão  produ ç  ó  ç  matrizes culturais e os formatos industriais . formatos industriais  . 
  6. 6. n  Seus  estudos  dos  últimos  anos  é  um  notável  ú  not  á  n esforço  no  sentido  de  oferecer  pistas  para  esfor  ç  elucidar  “entre­ver”  (como  diz  ele)  cada  vez  “  entre  ver  ­  mais as relações entre meios e mediaç ões . mais as rela ç  media  ões  ç  . 
  7. 7. n  Nele  reaparece  a  centralidade  ocupada  n pela  mediação  da  cultura  popular,  media  ç  verdadeira marca registrada do autor. E a  novidade  fica  por  conta  da  análise  do  an á  meio  televisão  como  mediaç ão  “tecno­  media  ç  “  tecno  ll  gica”  e  cultural,  pela  qual  a  televisão  é  ó gica  ó  tratada  através  das  hibridações  entre  atrav  é  hibrida ç  tecnicidade e visualidade. visualidade  . 
  8. 8. n  Nos  marcos  dessas  duas  categorias  a  televisão  n torna­se  experiência  comunicativa  e  cultural  nos  torna ­  processos  de  “des­construção”  e  “re­construção”  “  ­  des  constru  ão  ç  “  ­  re  constru  ão  ç  das  identidades  coletivas,  lugar  onde  se  trava  a  estratégica  batalha  cultural  do  nosso  tempo.  estrat é  Desse  referencial  teórico  desenvolvido  ao  longo  te ó  dos  capítulos  I  e  II  resulta,  no  capítulo  III,  uma  cap  í  cap í  pesquisa empírica na forma de um notável estudo  pesquisa emp rica na forma de um not  í  á  de caso da ficção televisiva na Colômbia. da fic  ão televisiva na Colômbia.  ç 
  9. 9. n  Fazer  avançar  metodologicamente  a  pesquisa  avan ç  n das  mediaç ões  (até  agora  referida  como  media  ç  (at  sinônimo  de  pesquisa  de  recep ç ão )  é  fazer  do  recep  ão  ç  cotidiano  mediatizado  o  seu  ll  cus  preferencial  de  ó ó  estudo,  porém  mais  ampliado,  tal  como  aqui  por  é  sugerimos,  por  meio  da  incorporação  das  noções  incorpora  ç  no  ç  de  tecnicidade  e  de  visualidade  como  novos  “lugares metodológicos”. “  lugares metodol  gicos  .  ó  ” 
  10. 10. n Por  meio  da  noção  de  no  ç  n tecnicidade  é  possível  entender  poss  í  a técnica como constitutiva, como  a t  é  dimensão imanente de uma visão  antropológica de comunicação. antropol  gica de comunica  ão.  ó  ç 
  11. 11. n  Na  técnica  há  novos  modos  de  perceber,  ver,  t  é  h  n ouvir,  ler,  aprender  novas  linguagens,  novas  formas  de  expressão,  de  textualidade  e  escritura.  Haveria  uma  espécie  de  esp  é  intermedialidade  como  experiência  comunicativa,  ou  seja,  de  muitas  interfaces  comunicativa  entre  os  diferentes  meios  e  destes  nos  diferentes  espaços  comunicativos  do  consumo  espa ç  e criação. e cria  ão.  ç 
  12. 12. n  A técnica, portanto, está recolocando o lugar  n A t  cnica, portanto, est  é  da  imagem  tanto  na  ciência  (imagem  não  mais como obstáculo, mas parte de um novo  mais como obst á  modo  de  conhecer  e  de  construir  o  conhecimento) como na prática cotidiana. conhecimento) como na pr  tica cotidiana.  á 
  13. 13. Encaminha  para  que  se  pesquise  a  partir  do  n  n reconhecimento  da  presença  central  da  cultura  oral  presen ç  como  oralidade  secund ária,  formada  por  aquelas  secund  ria  á  complexas  relações  que  hoje  se  produzem  na  rela  ç  América  Latina  entre  a  oralidade  que  perdura  como  Am  é  experiência  cultural  primária  das  maiorias  e  a  prim  á  visualidade  tecnológica,  tecidas  e  organizadas  pelas  tecnol ó  gramáticas  tecnoperceptivas  do  rádio, cinema,  vídeo,  gram  á  r  á  v í  música, computador. m  sica, computador.  ú 
  14. 14. I  trodu  ão ntrodu ç ão  n ç 
  15. 15. n  Desde o princípio, a imagem foi ao  n Desde o princ í  mesmo  tempo  meio  de  expressão,  de  comunicação  e  também  de  comunica  ç  tamb  é  adivinhação  e  iniciação,  de  adivinha  ç  inicia ç  encantamento e cura. encantamento e cura. 
  16. 16. n  O livro  trata  dos  avatares  n culturais,  políticos  e  pol  í  narrativos  do  audiovisual,  especialmente da televisão. especialmente da televisão. 
  17. 17. Primeiro Movimento  n  A hegemonia  audiovisual  está  est  n des­localizando  o  ofício  (e  a  des ­  of í  autoridade),  dos  intelectuais  e  introduzindo,  no  mundo  da  cultura  ocidental,  um  acre  sabor  de  decadência  incoercível, produzida pela des­  incoerc í  des  ordem  de  que  sofrem  as  autoridades e as hierarquias. autoridades e as hierarquias. 
  18. 18. n  Na  América  Latina,  a  Am é  n hegemonia audiovisual  des­  des  cobre, põe a descoberto, as  cobre  contradições  de  uma  contradi ç  modernidade  outra,  à  qual  têm  acesso  e  da  qual  se  apropriam as maiorias, sem  deixar  a  cultura  oral,  mesclando­a  com  as  mesclando  ­  imagísticas  da  visualidade  imag í  eletrônica. eletrônica. 
  19. 19. Segundo Movimento  n  Mais que uma enfermidade  n da  política,  a  mídia  de  pol  í  m í  massa  televisiva  indica  a  direção  da  crise  da  dire  ç  representação  e  as  representa  ç  transformações  que  está  transforma  ç  est  atravessando  a  identidade  da mídia. da m dia.  í 
  20. 20. n  E isso  por  causa  das  rupturas  n vividas  pelo  espaço  audiovisual  espa  ç  em  seus  ofícios  e  alianças,  em  of  í  alian  ç  suas estruturas de propriedade e  gestão, e nas reconfigurações do  reconfigura ç  discurso televisivo. discurso televisivo. 
  21. 21. n  Porém, pelo adensamento das mediações da  n Por  m, pelo adensamento das media  é  ç  sensibilidade e da teatralidade da política, ao  sensibilidade e da teatralidade da pol  í  mesmo  tempo  espaço  de  simulação  e  de  espa ç  simula ç  reconhecimento  social,  do  fazer  socialmente  visível  tanto  a  corrupção  como  sua  vis í  corrup  ç  fiscalização  e  denúncia,  tanto  os  dolorosos  fiscaliza  ç  den  ú  avatares da guerra. da guerra. 
  22. 22. Terceiro Movimento  n  O  das  narrações  televisivas  narra  ç  n que  encarnam  a  inextricável  inextric  á  conexão  das  memórias  e  dos  mem  ó  imaginários,  a  geografia  imagin á  sentimental  que,  a  partir  do  bolero  e  do  tango,  se  reencantou  na  radionovela, no  radionovela  melodrama  cinematográfico  e,  cinematogr  á  finalmente na telenovela finalmente na telenovela 
  23. 23. n  Com tudo que aí  circula de experiência  n Com tudo que a  do  mercado  em  renovar  o  desgaste  narrativo  –  juntando  o  contar  contos  com  o  saber  fazer  contas  ­,  porém  ­  por é  também com as lutas dos povos do sul  tamb é  para  passar  a  contar  nas  decisões,  que  os  afetam,  isto  é,  pelo  direito  de  é  contar  suas  histórias  e  hist  ó  descobrir/recriar  nelas  –  nos  relatos  que  as  fazem  local  e  mundialmente  reconhecíveis – sua identidade plural. reconhec  í  sua identidade plural. 
  24. 24. n  O  estouro  das  fronteiras  espaciais  e  n temporais  que  eles  introduzem  no  campo  cultural,  des­localiza  os  saberes,  des  ­  deslegitimando as fronteiras entre razão e  imaginação, saber e informação, natureza  imagina  ão, saber e informa  ç  ç  e  artifício,  ciência  e  arte,  saber  artif  í  especializado e experiência profana. especializado e experiência profana. 
  25. 25. Que relaç ões os professores e  Que rela  ç  alunos estão estabelecendo com  as tecnologias? as tecnologias? 
  26. 26. n  Se j á não se escreve, nem se lê como  n Se j  antes,  é  porque  tampouco  se  pode  ver, nem expressar como antes. ver, nem expressar como antes. 
  27. 27. Experiência Audiovisual e Des ­Ordem  Des ­  Cultural  Clique aqui e faça o download do curta­metragem  “Compre­me: Eu, Vontade de Morrer”
  28. 28. n  Confundindo  iletrado  com  n inculto,  as  elites  ilustradas,  desde  o  século  XVIII,  ao  s  é  tempo  que  afirmavam  o  povo  na  política,  o  negavam  na  pol  í  cultura, fazendo da incultura o  traço  intrínseco  que  tra  ç  intr  í  configurava  a  identidade  dos  setores  populares  e  o  insulto  com  que  tapavam  sua  interessada  incapacidade  de  aceitar  que,  nesses  setores,  pudesse  haver  experiências  e  matrizes de outra cultura. matrizes de outra cultura. 
  29. 29. n  A  televisão  tem  muito  menos  n de  instrumento  de  ócio  de  ó  diversão  do  que  de  cenário  cen á  cotidiano  das  mais  secretas  perversões  do  social  e  também  da  constituição  de  tamb  é  constitui ç  imaginários  coletivos,  a  partir  imagin  á  dos  quais  as  pessoas  se  reconhecem e representam o  que  têm  direito  de  esperar  e  desejar. desejar. 
  30. 30. Os  autores  lançam  então  a  lan  ç  n  n seguinte  questão:  Que  política  pol  í  educativa  seria  cabível  em  um  cab  í  contexto  em  que  a  mídia  nos  m  í  idiotiza,  nos  poupa  de  pensar  e  nos  rouba  a  solidão?  Os  mesmos  em  seguida  afirmam  que  é  a  televisão  em  si  mesma,  e  não  algum  tipo  de  programa,  que  reflete  e  reforça  a  incultura  e  a  refor  ç  estupidez  das  maiorias.  Com  o  argumento  de  que  “para  ver  “  televisão  não  se  necessita  aprender”,  a  escola  –  que  nos  aprender  ”  ensina  a  ler  –  não  teria  nada  a  fazer aqui. fazer aqui. 
  31. 31. Nenhuma  possibilidade,  nem  necessidade,  n  n de  formar  uma  visão  crítica  que  distinga  cr  í  entre  informação  independente  e  informa  ç  informação  submissa  ao  poder  econômico  informa  ç  e político, entre os programas que buscam  e pol í  se conectar com as contradições, as dores  se conectar com as contradi  ç  e  as  esperanças  de  nossos  países  e  esperan  ç  pa  í  aqueles  que  nos  oferecem  evasão  e  consolo,  entre  cópias  baratas  do  que  é  c ó  imperante  e  trabalhos  que  fazem  experiência  com  as  linguagens,  entre  o  esteticismo  formalista  que  explora  as  tecnologias  de  maneira  exibicionista  e  a  investigação estética que incorpora o vídeo  investiga  ão est  tica que incorpora o v  ç  é  í  e  o  computador  à  construção  de  nossas  constru  ç  memórias  e  à  imaginação  de  nossos  mem  ó  imagina  ç  futuros. futuros. 
  32. 32. n  Inserida na experiência global,  n a  experiência  cultural  latino­  latino  americana deste fim de século  americana deste fim de s  é  não  pode  ser  pensada  fora  das  novas  estruturas  comunicativas  da  sociedade,  uma  vez  que  elas  configuram  boa  parte  de  suas  apostas  e  de seus pesadelos. de seus pesadelos. 
  33. 33. Os autores se referem  à  hegemonia  n  n da razão comunicacional que, diante  do  consenso  dialogal,  do  qual  se  nutra,  segundo  Habermas,  a  “razão  Habermas  “  comunicativa”,  se  acha  carregada  comunicativa  ”  de  opacidade  discursiva  e  de  ambigüidade  política,  introduzida  ambig  ü  pol  í  pela  mediação  tecnológica  e  media ç  tecnol  ó  mercantil,  cujos  dispositivos  –  a  fragmentação  que  desloca  e  fragmenta  ç  descentra,  o  fluxo  que  globaliza  e  comprime,  a  conexão,  que  desmaterializa e hibrida  –  agenciam  o devir mercado da sociedade. o devir mercado da sociedade. 
  34. 34. n  A fascinação  tecnológica  produz  fascina  ç  tecnol ó  n densos  e  desconcertantes  paradoxos:  a  convivência  da  opulência  comunicacional  com  debilidade  do  público,  a  maior  p ú  disponibilidade  de  informação  com  informa ç  a  deterioração  palpável  da  deteriora  ç  palp  á  educação  formal,  a  explosão  educa  ç  contínua  de  imagens  com  o  cont  í  empobrecimento  da  experiência,  a  multiplicação infinita dos signos em  multiplica ç  uma  sociedade  que  padece  do  maior déficit simbólico. maior d  ficit simb  lico.  é  ó 
  35. 35. n  A  convergência  entre  sociedade  de  n mercado  e  racionalidade  tecnológica  tecnol  ó  dissocia  a  sociedade  em  “sociedades  “  paralelas”:  a  dos  conectados  à  infinita  paralelas ”  oferta de bens e saberes, a dos  inforricos  e  a  dos  excluídos  tanto  dos  bens  mais  exclu  í  elementares  como  da  informação  exigida  informa ç  para poder decidir como cidadãos. para poder decidir como cidadãos. 
  36. 36. n  É  impossível  saber  o  que  a  televisão  faz  imposs  í  n com  as  pessoas,  se  desconhecermos  as  demandas  sociais  e  culturais  que  as  pessoas fazem à televisão.  n  Se  a  televisão  atrai  é  porque  a  rua  n expulsa,  é  dos  medos  que  vivem  as  mídias. m dias.  í 
  37. 37. n  Se as novas condições de vida na cidade  n Se as novas condi ç  exigem  a  reinvenção  de  laços  sociais  e  reinven ç  la  ç  culturais,  são  as  redes  audiovisuais  que  instauram,  a  partir  de  sua  própria  ll  gica,  ó pr  ó  ó  as  novas  figuras  dos  intercâmbios  urbanos. urbanos. 
  38. 38. n  Enquanto a cultura do texto criou espaços  n Enquanto a cultura do texto criou espa ç  de  comunicação  exclusiva  entre  os  comunica  ç  adultos,  instaurando  uma  marcada  segregação  entre  adultos  e  crianças,  a  segrega  ç  crian  ç  televisão  provoca  um  curto­circuito  nos  curto  ­  filtros  da  autoridade  parental,  transformando os modos de circulação da  transformando os modos de circula  ç  informação no lar. informa  ão no lar.  ç 
  39. 39. n  Enquanto  o  livro  disfarça  seu  controle  disfar  ç  n através  de  seu  estatuto  de  objeto  cultural  atrav  é  e  da  complexidade  de  seus  temas  e  de  seu  vocabulário,  o  controle  da  televisão  vocabul  á  não admite disfarces, tornando explícita a  não admite disfarces, tornando expl  í  censura. censura. 
  40. 40. n  Que  atenção  estão  prestando  as  aten ç  n escolas,  e  inclusive  as  faculdades  de  educação,  às  modificações  profundas  educa  ç  à  modifica  ç  na  percepção  do  espaço  e  do  tempo  percep  ç  espa ç  vividas  pelos  adolescentes,  inseridos  em  processos  vertiginosos  de  desterritorialização  da experiência e da  desterritorializa  ç  identidade,  apegados  a  uma  contemporaneidade  cada  dia  mais  reduzida  à  atualidade,  e  no  fluxo  incessante  e  embriagador  de  informações e imagens? informa  ões e imagens?  ç 
  41. 41. n  Que significam aprender e saber no tempo  n da  sociedade  informacional  e  das  redes  que  inserem  instantaneamente  o  local  no  global? global? 
  42. 42. Que  deslocamentos  cognitivos  e  n  n institucionais  estão  exigindo  os  novos  dispositivos  de  produção  e  produ ç  apropriação  do  conhecimento  a  apropria  ç  partir  da  interface  que  enlaça  as  enla  ç  telas domésticas da televisão com  telas dom  é  as  laborais  do  computador  e  as  ll  dicas dos videogames?  ú ú  n  Está  a educação se encarregando  n Est  a educa  ç  dessas indagações? dessas indaga  ões?  ç 
  43. 43. n  E,  se  não  o  está  fazendo,  como  pode  est  n pretender  ser  hoje  um  verdadeiro  espaço  espa  ç  social  e  cultural  de  produção  e  produ ç  apropriação de conhecimentos? apropria  ão de conhecimentos?  ç 
  44. 44. n  O problema  de  fundo  está  no  desafio  est  n proposto  por  um  ecossistema  comunicativo  no  qual  o  que  emerge  é  outra  cultura,  outro  modo  de  ver  e  de  ler,  de aprender e conhecer. de aprender e conhecer. 
  45. 45. n  A realidade cotidiana da escola demonstra  n que  a  leitura  e  a  escritura  não  são  uma  atividade  criativa  e  prazerosa,  porém,  por é  predominantemente uma tarefa obrigatória  predominantemente uma tarefa obrigat  ó  e  entediante,  sem  possibilidades  de  entediante  conexão  com  dimensões­chave  da  vida  dimensões  ­  dos adolescentes. dos adolescentes. 
  46. 46. n  Diante  da  cultura  oral,  a  escola  se  n encontra  tão  desprovida  de  modos  de  interação, e tão na defensiva, como diante  intera  ç  do audiovisual. do audiovisual. 
  47. 47. Pela  maneira  como  se  apega  ao  livro,  a  escola  n  n desconhece tudo o que de cultura se produz e circula  pelo  mundo  da  imagem  e  das  oralidades:  dois  mundos  que  vivem,  justamente,  da  hibridação  e  da  hibrida  ç  mestiçagem, do revolvimento de memórias territoriais  mesti  agem, do revolvimento de mem  ç  ó  com imaginários des­localizados. com imagin á  des  localizados  ­  . 
  48. 48. n  Ao reivindicar a presença da cultura oral e da  n Ao reivindicar a presen ç  audiovisual,  não  estamos  desconhecendo,  de  modo  algum,  a  vigência  da  cultura  letrada, mas desmontando sua pretensão de  ser  a  única  cultura  digna  desse  nome  e  o  ú  eixo cultural de nossa sociedade. eixo cultural de nossa sociedade. 
  49. 49. Estamos  diante  de  uma  mudança  nos  mudan  ç  n  n protocolos  e  processos  de  leitura,  que  não  significa,  nem  pode  significar,  a  simples  substituição  de  um  modo  de  ler  substitui  ç  por  outro,  senão  a  articulação  complexa  articula ç  de  um  e  outro,  da  leitura  de  textos  e  da  de  hipertextos,  da  dupla  inserção  de  uns  inser ç  em outros, com tudo o que isso implica de  continuidades  e  rupturas,  de  reconfiguração  da  leitura  como  conjunto  reconfigura  ç  de  modos  muito  diversos  de  navegar  pelos textos. pelos textos. 
  50. 50. n  É por  essa  pluralidade  de  escritas  que  n passa,  hoje,  a  construção  de  cidadãos,  constru  ç  que  saibam  ler  tanto  jornais  como  noticiários  de  televisão,  videogames,  notici  á  videoclipes e hipertextos. videoclipes e hipertextos. 
  51. 51. Imagens e Pol ítica  Imagens e Pol í  Apresentação: Impactos das Tecnologias na Sociedade
  52. 52. n  As televisões  públicas  deveriam  encontrar  p ú  n um  equilíbrio  difícil  entre  uma  programação  equil í  dif  í  programa  ç  generalista,  isto  é,  orientada  para  a  maioria  é  do público, com uma programação que leve  do p  blico, com uma programa  ú  ç  em  conta  os  direitos  das  minorias,  aquelas  que  não  costumam  se  acomodar  às  à  descrições das populações­objetivos. descri  ões das popula  ões  objetivos.  ç  ç  ­ 
  53. 53. n  Uma  televisão  que  n transmita futebol junto com  encenações de  ópera e de  encena  ç  ó  filmes,  que  não  costumam  ser  exibidos  normalmente  nas salas comerciais, com  eventos  próximos  às  pr  ó  à  sensibilidades  mais  contemporâneas  dos  jovens. jovens. 
  54. 54. n  Se as  televisões  comerciais  aumentam  as  n possibilidades  de  contraste  cultural,  bem  como o acesso à informação ou à recorrência  informa  ç  a  modelos  de  vida  diferentes  dos  próprios,  pr  ó  também  segmentam,  padronizam  e  tamb é  submetem  as  realidades  a  incisivos  processos de redução e banalização. processos de redu  ão e banaliza  ão.  ç  ç 
  55. 55. n  Seria de supor que as televisões públicas se  n Seria de supor que as televisões p ú  defrontam  com  o  desafio  de  oferecer  outros  âmbitos  de  ficção  e  imaginação,  outras  fic  ç  imagina  ç  entradas  compreensivas  aos  problemas  cotidianos,  outras  maneiras  de  confrontar  publicamente  os  temas  concernentes  aos  cidadãos. cidadãos. 
  56. 56. n  Como afirmou Umberto Eco para a leitura,  n todo  texto  gera  seu  leitor­modelo.  Canais  leitor  ­  e programas criam audiências­modelo que  e programas criam audiências  ­  são  muito  mais  do  que  espectadores  fortuitos.  Trata­se  de  grupos  ou  de  tribos  Trata  ­  identificáveis  tanto  por  suas  preferências  identific  á  midiáticas como por suas decisões vitais. midi á  como por suas decisões vitais. 
  57. 57. n  A  renovação  dos  públicos  é  renova  ç  p ú  n acompanhadas  pelas  modificações  modifica ç  cognitivas,  isto  é,  pelas  diferentes  formas  é  de  interpretação  e  apropriação  das  interpreta  ç  apropria  ç  mensagens  televisivas  e  de  sua  localização  em  outros  contextos  de  suas  localiza ç  vidas cotidianas. vidas cotidianas. 
  58. 58. n  A empresarialização  produz  uma  gama  empresarializa ç  n importante  de  efeitos:  ao  lado  das  necessidades  de  adequar  as  propostas  comunicativas  às  exigências  do  consumo  à  estão  os  processos  de  padronização,  padroniza ç  reduzindo as especificidades para circular  mais  facilmente  em  circuitos  comerciais  que  requerem  produtos  bastante  homogêneos  e  que,  além  disso,  al  é  costumam ter uma rápida obsolescência. costumam ter uma r  pida obsolescência.  á 
  59. 59. n  Os tempos  internos  da  elaboração  midiática  elabora  ç  midi  á  n variam  ao  ingressar  nas  ll  gicas  da  produção  ó ó  produ  ç  industrial, enquanto suas realizações são mais  industrial, enquanto suas realiza  ç  permeáveis  à  intersecção  de  gêneros,  à  perme  á  intersec  ç  experimentação e à espetacularização. experimenta  ç  espetaculariza  ão  ç  . 
  60. 60. A  diversificação  da  produção  da  empresa  diversifica  ç  produ ç  n  n multimidial  (que  integra  recreação,  acesso  ao  recrea  ç  conhecimento,  educação,  informação,  etc.)  gera  educa  ç  informa  ç  especialização  ainda  mais  sofisticadas  tantos  dos  especializa ç  tipos  de  jornalismo  como  de  suas  modalidades  narrativas e de integração das mídias. narrativas e de integra  ão das m dias.  ç  í 
  61. 61. n  A consolidação  de  um  “nós”  da  sociedade  consolida  ç  “  ó  n  s  n civil  diante  das  manifestações  autoritárias,  manifesta ç  autorit  á  venham  de  onde  vierem,  a  formação  de  um  forma ç  espaço  comum  e  de  revelação,  onde  a  espa  ç  revela ç  sociedade  civil  se  expresse  em  sua  pluralidade,  são  desafios  com  que  hoje  se  defrontam as mídias na busca de visibilidade. defrontam as m dias na busca de visibilidade.  í 
  62. 62. n  O  que  se  viu  na  histórica  da  televisão  foi  hist  ó  n uma  paulatina  moldabilidade  do  público  a  p  ú  qual  emerge  das  tensões  entre  o  comercial  e  o  cultural,  da  significação  do  significa  ç  massificado  inaugurada  pela  mídia  diante  m í  de uma tradição marcada por experiências  de uma tradi  ç  mais  elitistas,  das  interações  –  quase  intera  ç  sempre  conflituosas  –  entre  as  iniciativas  privadas  e  os  limites  regulamentares  dos  Estados protetores. Estados protetores. 
  63. 63. n  As idéias de uma globalização do político que  n As id  ias de uma globaliza  ão do pol  é  ç  í  “respeite  os  dialetos”,  segundo  Vattimo,  mas  “  dialetos ”  Vattimo  que,  por  sua  vez,  enfrente  efetivamente  o  poder  das  grandes  instâncias  transnacionais  – diante das quais têm muito pouco a fazer os  Estados nacionais –, faz parte das discussões  –  mais candente hoje. mais candente hoje. 
  64. 64. n  Diante  da  televisão  não  existem  somente  n telespectadores:  cada  vez  são  mais  complexas  as  interações  entre  mídias  e  intera  ç  m í  cidadania, entre televisão e política. cidadania, entre televisão e pol tica.  í 
  65. 65. n  Acostumada  aos  silêncios  n e  ao  subterfúgio,  a  subterf ú  corrupção  tem  uma  corrup  ç  capacidade  de  mimetismo  assombrosa;  com  relativa  facilidade  se  adapta  às à  exigências  da  informação  informa  ç  e  se,  no  passado,  sua  força consistia em proteger  for  ç  a  qualquer  preço  a  sua  pre ç  privacidade,  agora  consiste  em  se  acomodar  com cinismo à visibilidade. visibilidade. 
  66. 66. n  No  que  concerne  às  indústrias  culturais,  à  ind ú  n digamos,  para  começar,  que  elas  constituem  come  ç  hoje  a  mais  complexa  reorganização  da  reorganiza ç  hegemonia. hegemonia. 
  67. 67. n  As  contradições  latino­americanas  que  contradi  ç  latino  ­  n atravessam  e  sustentam  sua  globalizada  integração  desembocam  decisivamente  integra ç  na  pergunta  acerca  do  peso  que  as  indústrias  do  audiovisual  estão  tendo  ind ú  nesses  processos,  jj  que  elas  jogam  no  á  terreno estratégico das imagens que de si  terreno estrat  é  mesmos fazem os povos e com as que se  fazem reconhecer pelos demais povos. fazem reconhecer pelos demais povos. 
  68. 68. n  Se  há  um  poderoso  movimento  de  h  n integração  –  entendida  esta  como  integra ç  superação  de  barreiras  e  dissolução  de  supera  ç  dissolu ç  fronteiras  ­,  este  é  o  que  passa  pelas  ­  indústrias  culturais  das  mídias  de  massa  e  ind ú  m  í  das tecnologias da informação. das tecnologias da informa  ão.  ç 
  69. 69. n  Porém,  por  outro  lado,  são  essas  mesmas  n Por é  indústrias que reforçam e tornam mais densa  ind  strias que refor  ú  ç  a desigualdade do intercâmbio e as que mais  fortemente  aceleram  a  integração  da  integra  ç  heterogeneidade  cultural  de  seus  povos  à  indiferença do mercado. indiferen  a do mercado.  ç 
  70. 70. n  A crise do cinema, por um lado, e a superação  n A crise do cinema, por um lado, e a supera ç  dos  extremismos  ideológicos,  por  outro,  iam  ideol ó  incorporando a televisão, sobretudo através da  incorporando a televisão, sobretudo atrav  é  telenovela,  muitos  artistas,  escritores,  atores,  que  aportam  temáticas  e  estilos  pelos  quais  tem  á  passam  dimensões­chave  da  vida  e  das  dimensões  ­  culturas nacionais e locais. culturas nacionais e locais. 
  71. 71. O  melhor  exemplo  da  complexidade  adquirida,  n  n nesses anos, pela indústria telenovelesca talvez seja  nesses anos, pela ind  ú  Roque Santeiro:  n  Média  de  100  capítulos  e  300  min  de  ficção  por  n M  é  cap  í  fic  ç  semana;  n  Custo  de  uma  novela:  entre  1  milhão  e  1  milhão  e  n meio de dólares.  meio de d ó  n  Cada capítulo: entre $10.000 e $15.000. n Cada cap tulo: entre $10.000 e $15.000.  í 
  72. 72. O  que  torna  especialmente  tenso  o  diálogo  do  di  á  n  n campo  literário  com  a  televisão  é  a  dificuldade  liter  á  de captar que o que faz o sucesso dessa mídia  de captar que o que faz o sucesso dessa m  í  remete  –  mais  além  da  superficialidade  dos  al  é  assuntos,  dos  esquematismos  narrativos  e  dos  estratagemas  do  mercado  –  às  transformações  à  transforma  ç  tecnoperceptivas  que  permitem  às  massas  à  urbanas  se  apropriar  da  modernidade  sem  deixar sua cultura oral, incorporar­se por fora da  deixar sua cultura oral, incorporar  ­  escola  à  alfabetização  das  novas  linguagens  e  alfabetiza  ç  das novas escritas do ecossistema comunicativo  e informacional. e informacional. 
  73. 73. n  As maiorias  que  apreciam  a  telenovela  n não mais desfrutam tanto do ato de vê­la,  não mais desfrutam tanto do ato de vê  ­  senão  mais  de  contá­la  e  é  nesse  relato  cont  ­  á  que  se  faz  “realidade”  a  confusão  entre  “  realidade  narração  e  experiência,  em  que  a  narra  ç  experiência  se  incorpora  ao  relato,  que  narra as peripécias da telenovela. narra as perip  cias da telenovela.  é 
  74. 74. Concluindo...  Concluindo,  Jesús  Martín­  Jes  ú  Mart n  í  n  n Barbero  percorre  o  caminho  das  identidades  culturais  e  a  coloca  no  plano  do  descentramento.  descentramento  Para  Ana  Carolina  Escosteguy,  Escosteguy  Martín­Barbero  vê  os  meios  de  Mart n  í  ­  comunicação  como  lugar  de  comunica  ç  construção  de  identidades,  além  constru  ç  al  é  de  ser  um  fenômeno  marcado  por  modernidades  e  descontinuidades  e  de  onde  se  origina  uma  idéia  de  id  é  mestiçagem. mesti  agem.  ç 
  75. 75. A  leitura  de  Martín­Barbero,  que  parte  da  obra  'Dos  Mart n  Barbero  í  ­  n  n meios  às  mediações',  por  exemplo,  é  povoada  de  à  media  ç  questões  que  se  desencontram  durante  o  percurso  teórico do autor.  É difícil traçar um roteiro que indique  te  ó  dif cil tra  í  ç  com  precisão  o  que  Martín­Barbero  entende  por  Mart n  í  ­  identidades na  América­Latina, mas  é  indiscutível sua  Am  rica  Latina  é  ­  indiscut  í  contribuição  com  conceitos  como  o  de  mediações,  contribui ç  media  ç  embora  não  haja  uma  reflexão  maior  a  partir  daí  por  da  parte do autor. parte do autor. 
  76. 76. Escosteguy e  Jacks  Insistem que o pensamento  n  n de  Martín­Barbero,  mesmo  que  ainda  em  Mart n  Barbero  í  ­  andamento,  configura  uma  proposta  teórico­  te  rico  ó  metodológica  fundada  no  deslocamento  do  metodol  ó  estudo  dos  meios  em  si  mesmos  ou  por  si  mesmos  para  sua  inserção  na  cultura.  inser  ç  Entretanto,  essa  quot;outraquot;  percepção  da  cultura,  percep  ç  pelo menos na obra  “Dos meios  às mediações”  “  à  s media  ões  ç  (1997),  reivindica  a  observação  de  dimensões  observa ç  do conflito social. do conflito social. 
  77. 77. REFERÊNCIAS  MARTÍN­BARBERO, Jésus; REY, Germán. Os exercícios do ver: Hegemonia audiovisual e ficção televisiva. 2.  ed. São Paulo: SENAC, 2004.  ICOD  –  RED_IBEROAMERICANA_DE_COMUNICACION_DIGITAL.  Entrevistas:  Jesús  Martín  Barbero  (Espanha). Disponível em: <http://www.icod.ubi.pt/pt/pt_mediateca_barbero.html>. Acesso em: 2 dez. 2006.  GOOGLE  –  Pesquisa  de  Imagens.  Disponível  em:  <http://images.google.com.br/imghp?sourceid=navclient&ie=UTF­8>. Acesso em: 2 dez. 2006.  ESCOSTEGUY,  Ana  Carolina  D.;  JACKS,  Nilda  A.  Objeções  à  associação  entre  estudos  culturais  e  folkcomunicação.  Disponível  em:  <  http://www.versoereverso.unisinos.br/index.php?e=1&s=9&a=10>.  Acesso  em: 2 dez. 2006.  MORTARI,  Elisangela  Machado.  Ordenando  os  Estudos  Culturais.  Disponível  em:  <  http://www.eco.ufrj.br/semiosfera/anteriores/semiosfera03/resenha/txtresen2.htm>. Acesso em: 2 dez. 2006.
  78. 78. REFERÊNCIAS  Kibe  Loco.  A  LENTE  DA  VERDADE  (DESDOBRAMENTOS).  Disponível  em:  <http://kibeloco.blogspot.com/2004_12_05_kibeloco_archive.html>. Acesso em: 2 dez. 2006.  PIREX.  Compre­me:  eu,  vontade  de  morrer.  Disponível  em:  <http://www.pirex.com.br/compre­me­eu­vontade­  de­morrer/>. Acesso em: 2 dez. 2006.

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