Aden stone contra o reino das bruxas

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Aden Stone Contra O Reino das Bruxas



Aden Stone se tornou o novo rei dos vampiros e não está muito certo de que é a pessoa mais indicada para isso. Porém, antes de qualquer coisa, ele terá que descobrir o local onde acontecerá o encontro das bruxas para que assim, possa quebrar o feitiço lançado contra ele e seus amigos. Somente depois Aden poderá encarar o desafios que surgem com a posição de Rei,Ele também deve tomar conta das três almas que vivem dentro de sua cabeça, uma das quais previu sua morte, ao mesmo tempo em que tenta ser um adolescente normal.

Em meio a tudo isso Aden inda precisa lidar com as emoções do seu namoro conturbado com Victoria, a princesa-vampira. Ele enfrentará todas as bestas e monstros existentes para ficar ao lado de sua amada.

Enquanto isso, Mary Ann Gray, sua amiga também enfrenta problemas. Embora a garota saiba que é capaz de neutralizar as habilidades de outras pessoas, ela também descobre que esse pode não ser seu único dom. Conforme as criaturas sobrenaturais começam a agir de forma cada vez mais estranha, Mary Anna começa a se perguntar o que ela realmente é. A resposta a esse questionamento poderá fazer ela se afastar de Riley. E isso será o fim para ambos.

As maldições foram lançadas… Será que os amigos conseguirão sobreviver.

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Aden stone contra o reino das bruxas

  1. 1. Interligados Aden Stone Contra O Reino das BruxasPRÓLOGOAden Stone se debatia na cama, lençóis estavam caindo no chão. Quente demais. Osuor respingava, fazendo sua samba canção, a única peça que vestia, ficar coladaem suas coxas. Demais. Sua mente... Ah, sua pobre e arruinada mente. Tantasimagens piscavam e se misturavam com a escuridão intensa, com o caos horrível,com a dor brutal.Não posso aguentar... Muito mais... Ele era humano, embora o sangue ardente dosvampiros agora corresse em suas veias. O sangue poderoso dos vampiros quepermitia que o garoto visse o mundo pelos olhos do doador, mesmo que apenaspor um breve intervalo. Aquilo era tão horrível. Aden já tinha vivenciado esse tipode situação antes. No entanto, naquela noite, ele tinha ingerido sangue de duasfontes distintas. Acidentalmente, é claro, mas essa condição não era relevante paraaquela dor avassaladora.Uma das fontes era sua namorada, a Princesa Victoria. A outra, Dmitri, o ex-noivoda vampira que havia falecido. Enfim.Agora os sangues se enfrentavam em um cabo de guerra pela atenção do garoto.Idas e vindas tóxicas. Nada demais, certo? Durante os anos de sua vida, Adentinha lutado contra zumbis, viajado no tempo e conversado com fantasmas. Eledevia ser capaz de rir dessa nova condição. Errado! Ele sentia como se tivesseingerido uma garrafa de ácido e cacos de vidro como aperitivo. Um desses oqueimava enquanto o outro o cortava em pedaços.E agora ele estava...Mudando o foco novamente.– Ah, Pai – Aden subitamente ouviu Victoria sussurrar.
  2. 2. Aden recuou. Ela tinha sussurrado, sim, mas alto demais. Os ouvidos do garotoestavam tão sensíveis quanto o restante de seu corpo.De alguma forma, ele encontrou forças para afastar a dor e focar seu olhar. Umgrande erro. Claro demais. A forte melancolia dos arredores de Dmitri tinha abertocaminho para as cores vibrantes de Victoria. Aden agora enxergava pelos olhosdela, incapaz de sequer piscar sozinho.– Você foi o homem mais forte que já existiu – ela continuou em um tom solene.Para Aden, aquilo era como se ele estivesse falando, sua garganta raspava como seestivesse em carne viva. – Como você pode ter sido derrotado tão rapidamente? –Como eu pude não saber que isso estava acontecendo?, pensou Victoria.Ela, seu guarda-costas Riley e sua amiga Mary Ann tinham levado Aden para casana noite anterior. Victoria queria ficar com o garoto, mas ele a dispensara. Adennão sabia como iria reagir a dois tipos diferentes de sangue em seu corpo e Victoriaprecisava estar com os vampiros durante o período de luto. Por algum tempo, eletinha tentado dormir, agitando-se e se revirando, seu corpo se recuperava dasagressões que tinha causado... E recebido. Então, aproximadamente, uma horaatrás, aquele cabo de guerra tinha começado. Graças a Deus Victoria tinha seretirado. Que pesadelo terrível teria sido para Aden ver, pelos olhos da vampira, asi mesmo, naquela situação patética, e saber o que ela estava pensando dele.Quando Victoria pensasse nele, ele queria que ela se apegasse à palavra invencível.Ou, se isso não fosse possível, que ela, pelo menos, se apegasse à palavra lindo.Qualquer outro termo, não, obrigado. Porque ele pensava que ela era perfeita, detodas as formas.Perfeita e doce, e linda. E dele. A imagem da vampira invadiu a mente de Aden.Ela tinha cabelos longos e escuros que se derramavam sobre aqueles ombrospálidos; olhos azuis que brilhavam como cristais; lábios tão vermelhos quantocerejas. Para beijar. Para lamber.Ele a tinha conhecido há poucas semanas, embora tivesse a impressão de que aconhecia desde sempre. O que, de uma forma confusa, era verdade. Bem, eleconhecia Victoria há pelo menos seis meses, graças às informações fornecidas poruma das almas que viviam em sua cabeça. Sim, como se vampiros e sanguestelepáticos não fossem estranhos o suficiente, Aden dividia sua cabeça, agora, comtrês outras almas humanas. Mais do que isso, cada uma dessas almas possuía umahabilidade sobrenatural.
  3. 3. Julian era capaz de levantar os mortos.Caleb podia possuir outros corpos.E Elijah tinha o dom de prever o futuro.Por meio de Elijah, Aden tinha descoberto que encontraria Victoria antes mesmode ela chegar a Crossroads, Oklahoma. Um lugar que, no passado, Adenconsiderava a filial do inferno na Terra, mas que agora ele pensava ser o Paraíso,muito embora aquele fosse um solo extremamente fértil para criaturassupostamente míticas. Bruxas, duendes, fadas, elfos (todos inimigos de Victoria) e,é claro, vampiros. Ah, e lobisomens, os protetores dos vampiros.E tudo bem. Isso era um monte de criaturas esquisitas. No entanto, se um mitofosse verdadeiro, de certa forma fazia sentido que todos os mitos também setornassem verdadeiros.– O que eu vou fazer com... – Victoria começou a falar novamente, trazendo aatenção de Aden para o presente.Ele realmente queria ouvi-la completar a sentença. Entretanto, antes que a vampirapudesse pronunciar outra palavra, o foco do garoto mudou. Mais uma vez. Aescuridão subitamente o envolveu, consumindo-o, fazendo sua ligação comVictoria desaparecer. Aden voltou a se debater na cama, a dor explodia por todocorpo antes de ele se ligar ao outro vampiro. Dmitri. O Dmitri morto.O garoto queria abrir os olhos, ver alguma coisa, qualquer coisa, mas suaspálpebras estavam, de alguma forma, coladas. Em meio a uma respiração trêmula,ele sentia o cheiro de terra e de... Fumaça. Sim. Fumaça. Espessa e nauseante,fazendo sua garganta coçar. Ele tossiu, e tossiu. Ou aquilo era Dmitri tossindo?Dmitri ainda estava vivo? Ou aquele corpo apenas reagia porque os pensamentosde Aden corriam por uma mente compartilhada?Ele tentou movimentar os lábios de Dmitri, forçar para que palavras saíssem parachamar a atenção de alguém. No entanto, os pulmões se apertaram, rejeitando o arpoluído. E, de repente, ele já não conseguia respirar.– Queime-o – disse friamente alguém – Vamos nos assegurar de que o traidoresteja realmente morto.– Será um prazer – respondeu outro, com um tom ligeiramente eufórico.
  4. 4. Em meio à escuridão, Aden não conseguia enxergar os falantes. Não sabia se eleseram humanos ou vampiros. Não sabia onde ele estava ou... As palavras doprimeiro homem finalmente foram absorvidas, consumindo os pensamentos deAden. Queime-o...Não. Não, não, não. Não enquanto Aden estivesse ali. E se ele sentisse cadalabareda das chamas?Não!, o garoto tentou gritar. Novamente, nenhum som saiu.O corpo de Dmitri foi erguido. Aden sentia como se estivesse suspenso, preso a umfio, com a cabeça caindo para trás e os membros esquecidos. Próximo dali, eleouviu o estalar daquelas chamas assustadoras. O calor passava por ele, girando emvolta dele, envolvendo-o.Não! Ele tentava se debater, lutar, mas o corpo continuava sem nenhummovimento. Não!Um momento depois, houve um contato. E, ah, sim. Ele sentiu. As primeiraschamas tocaram os pés antes de incendiarem... De espalharem-se. Agonia. Agoramaior do que qualquer agonia que ele já tinha sentido. A pele estava derretendo.Músculos e ossos, liquefazendo-se. O sangue, desintegrando-se. Meu Deus.Ainda assim, ele tentava lutar, afastar-se e correr. Entretanto, o corpo sem vida serecusava a obedecer. Não! Ajuda! Embora parecesse impossível, a agonia seintensificou... Ardendo por todo corpo, devorando-o, pedaço por pedaço. O queaconteceria se ele continuasse ligado a Dmitri até o fim? O que aconteceria se ele...Pontos de luz piscaram em meio à escuridão, pontos que cresciam até se juntareme, novamente, ele passou a ver o mundo pelos olhos de Victoria. Mais umamudança. Graças a Deus. Aden tremia, tão ensopado de suor que poderiapraticamente nadar. No entanto, apesar da mudança, a dor residual, muito maiorque o ácido que ainda raspava nas veias, escorregava dos pés até o cérebro. Elequeria gritar.Aden estava... Tremendo, ele se deu conta. Não, Victoria estava tremendo.Uma mão suave e aquecida encostou-se em seu ombro. No ombro dela. Victoriaolhou para cima, a visão se embaçava em consequência das lágrimas. A luz da luabrilhava no céu, ele percebeu, assim como as estrelas. Alguns pássaros da noite
  5. 5. voavam, gritando uns para os outros... Com medo? Provavelmente. Eles deviamsentir o perigo que estava logo abaixo deles.Victoria baixou o olhar e Aden observou os vampiros ao redor dela. Todos eramaltos, pálidos, lindos. Vivos. A maior parte deles não estava de acordo com aimagem retratada nos romances. Eles apenas eram diferentes; os humanos eramuma fonte de comida da qual eles não podiam se importar.Afinal, vampiros viviam séculos enquanto os humanos se debilitavam e morriamrapidamente. Exatamente como Aden logo morreria.Elijah já tinha previsto a morte do garoto. Essa previsão era um saco, sim, mas opior dos problemas era como a morte ocorreria: uma faca afiada atravessaria o tãonecessário coração de Aden.O garoto sempre rezava para que esse como mudasse milagrosamente. Até mesmoagora. Uma faca enfiada em um coração queimando até a morte dentro de umcorpo que não pertencia somente a ele em nenhum dia da semana. E quando eleteria uma folga, hein? Nada de torturas, nada de lutar contra criaturas, nada deesperar pelo fim, mas apenas desafios como ser aprovado no colégio e beijar suanamorada.Aden se esforçou para se concentrar antes de se enfurecer de uma forma que eleesperava ser incapaz de amenizar. A mansão dos vampiros, escura e misteriosa, seelevava atrás da multidão como uma mistura de casa mal-assombrada comcatedral romana. Victoria lhe tinha contado que aquela casa estava aqui, emOklahoma, há quatrocentos anos e que os vampiros a tinham “tomadoemprestada” do dono quando chegaram. Aden entendeu que isso significava que oantigo dono tinha servido um excelente bufê de almoço para os vampiros...Usando seus próprios órgãos como prato principal.– Ele era poderoso, você está certa quanto a isso – disse uma garota que parecia tera idade de Victoria. Ela tinha o cabelo da cor da neve recém-caída, olhos verdescomo um campo e o rosto de um anjo. Ela usava uma toga negra que deixava oombro pálido à mostra, a vestimenta tradicional das vampiras, mas aquilo dealguma forma parecia... Fora do lugar. Talvez porque ela tenha estourado umabola de chiclete.– Um excelente rei – acrescentou outra garota, colocando a mão do outro lado docorpo de Victoria. Outra loura, mas dessa vez com olhos cristalinos como os deVictoria e com o rosto de um anjo caído. Diferentemente das outras garotas, ela
  6. 6. usava um top de couro preto e calças também de couro preto. Havia armas presasà cintura e arame farpado em volta do pulsos. E não, o arame não era umatatuagem.– Sim – respondeu Victoria com uma voz suave. Queridas irmãs.Irmãs? Sim, ele sabia que Victoria tinha irmãs, mas nunca as tinha conhecido. Elasestavam trancafiadas em seus respectivos quartos durante o Baile dos Vampiros,cerimônia que tinha como propósito celebrar o despertar oficial de Vlad, oEmpalador, depois de um século de sono. Aden se perguntava se a mãe de Victoriatambém estaria aqui. Aparentemente, ela tinha sido presa na Romênia por tercontado segredos dos vampiros a humanos. Ordens de Vlad. Que cara legal, esseVlad.Aden era humano e sabia muito mais do que devia saber. Alguns vampiros (comoVictoria) eram capazes de se teletransportar, viajar de um local a outro usandoapenas o pensamento. Portanto, se a informação da morte do rei já tivesse chegadoà Romênia, a mamãe vampira podia ter chegado a Crossroads em questão desegundos.– Mas ele era um pai terrível, não era? – continuou a primeira garota enquantomascava o chiclete.As três compartilharam um sorriso pesaroso.– De fato, ele era – disse Victoria. – Inflexível, exigente. Brutal com seus inimigos e,às vezes, também conosco. E, ainda assim, é tão difícil dizer adeus.Ela olhou para baixo, encarando os restos mortais carbonizados de Vlad. Ele foi oprimeiro a transformar humanos em vampiros. Bem, o primeiro de que se teveconhecimento. Seu corpo estava inteiro, embora queimado a ponto de não serreconhecível. Uma coroa se pendurava negligentemente no topo da cabeça calvade Vlad.Vários anéis decoravam os dedos do vampiro; um tecido de veludo preto envolviao peito e as pernas.O corpo morto ainda estava onde Dmitri o tinha deixado. Havia algum tipo deprotocolo sobre mover o cadáver real? Ou aquele povo ainda estava chocadodemais para tocar em Vlad?
  7. 7. Eles perderam o rei exatamente na mesma noite em que deviam se reunirnovamente com ele. Dmitri o tinha queimado até a morte antes de a cerimôniacomeçar e afirmado que o trono agora era seu. Depois, Aden matou Dmitri, o quesignificava que o garoto agora deveria liderar os chupadores de sangue. De todasas pessoas do mundo, de todos os humanos, Aden. Isso era realmente umaloucura. Ele seria um péssimo rei. Não que ele quisesse tentar ser o soberano.Aden queria Victoria. Nada mais, nada menos.– Apesar de nossos sentimentos, ele terá um lugar de honra, mesmo depois damorte – afirmou Victoria. Seu olhar passou por suas irmãs, chegando aos vampirosque ainda se aproximavam delas. – O funeral dele deve acontecer...– Em alguns meses – interrompeu a segunda irmã.Victoria piscou uma vez, duas vezes, como se tentasse dar partida em seuspensamentos. – Por quê?– Ele é nosso rei. Ele sempre foi nosso rei. Mais do que isso, ele é o mais forte denós. E se ele ainda estiver vivo sob toda essa fuligem? Precisamos esperar eobservar. Precisamos ter certeza.– Não. – Aden sentiu o deslizar dos cabelos de Victoria, que tocavam nos ombrosda vampira, enquanto ela sacudia a cabeça violentamente. – Isso só vai nos darfalsas esperanças.– Alguns meses é uma espera longa demais, sim – disse a vampira de olhos verdesque mascava chiclete. Se Aden estivesse lendo os pensamentos de Victoriacorretamente, o nome dessa garota era Stephanie. – Mas eu concordo que esperarum pouco antes de cremá-lo é uma escolha inteligente. Assim podemos fazer todosse acostumarem com a ideia de que vamos ter um rei humano. Então, por que nãochegamos a esse acordo, hein? Vamos esperar, ah, não sei, um mês. Podemosmanter nosso pai em uma cripta subterrânea.– Em primeiro lugar, a cripta é para nossos humanos mortos. E, em segundo lugar,um mês ainda é tempo demais – Victoria rangeu os dentes. – Se temos queesperar... – Ela fez uma pausa até que suas irmãs acenassem com a cabeça,concordando – …Então vamos esperar... Metade de um mês. – Ela queria dizer umdia, talvez dois, mas sabia que essa sugestão seria recebida com resistência. E,assim, Aden teria tempo para se acostumar com a ideia de ser rei.
  8. 8. A outra irmã passou a língua sobre os dentes muito brancos, muito afiados.– Muito bem. Concordo. Esperaremos quatorze dias. E sim, nós vamos mantê-lo nacripta. Ele ficará preso lá dentro, o que vai evitar que qualquer rebelde que aindaexista por aí o fira ainda mais.Victoria suspirou.– Sim. Tudo bem. Você concordou com a minha condição, portanto, vou concordarcom a sua.– Nossa! Ninguém precisou partir para a violência para ganhar a discussão. Amudança de governo já está funcionando a seu favor. – Stephanie estourou outrabola de chiclete. – Então, enfim, de volta ao Nosso Querido Pai. Ele tem sorte,vocês sabem. Ele morreu aqui, então ele vai poder ficar aqui. Se isso tivesseacontecido na Romênia, o resto da família cuspiria na cripta.Houve um momento de silêncio intenso antes que suspiros de indignaçãopreenchessem o local.– O que foi? – Stephanie abriu os braços, toda inocente. – Vocês sabem que estãopensando a mesma coisa.Graças a Deus! Victoria não teria que ir para sua terra natal para participar dofuneral. Aden não conseguiria viajar com ela, afinal, ele vivia no Rancho D&M,uma casa de recuperação para jovens “rebeldes”, também conhecidos comodelinquentes indesejados, onde todas as suas ações eram monitoradas.Todos acreditavam que Aden era esquizofrênico, afinal, ele conversava com asalmas que “moravam” dentro da própria cabeça. E isso lhe havia rendido umavida de remédios e hospitais. Esse rancho era a tentativa final do sistema paratentar salvá-lo e, se ele estragasse essa chance, seria transferido. Boom. Feito.Adeus. Em outras palavras, Aden teria uma vida de confinamento em um quartoacolchoado.Ele perderia Victoria para sempre.– Cale a boca, Stephanie, antes que eu tenha que forçá-la a fazer isso. Vlad nosensinou a sobreviver e a fazer que os humanos não saibam que nós existimos. Elenos tornou uma lenda, um mito. Ele também ensinou nossos inimigos a nostemerem. Só por isso, ele já tem meu respeito – disse a irmã de olhos azuis,
  9. 9. Lauren... Lauren, esse era o nome dela. Lauren virou a cabeça para o lado,subitamente tornando-se pensativa. – E o que você vai fazer com relação ao mortalenquanto o prazo de quatorze dias já está correndo?– O Aden... Da Victoria? – Stephanie apertou a sobrancelha. – Esse é o nome dele,certo?– Haden Stone, conhecido pelo povo dele como Aden, sim – respondeu Victoria. –Mas eu...– Seguiremos o governo dele – disse uma voz masculina, interrompendo avampira. – Porque, e me diga se você já ouviu isso, ele é nosso governante. – EraRiley, o lobo e segurança de extrema confiança de Victoria, falando enquanto seaproximava do meio círculo que as garotas formaram. Riley olhou para Lauren. –Se você não entende isso, avise-me que desenho. Aden matou Dmitri, Aden está nocomando. Ponto final.Lauren fez uma carranca para ele. As presas da vampira estavam mais afiadas queantes.– Veja lá como você fala comigo, cachorrinho. Eu sou uma princesa. Você nãopassa de um funcionário contratado para nos servir.Mais suspiros reverberaram.Aden continuava sem conseguir visualizar a multidão, mas ela subitamentepreenchera sua linha de visão enquanto Victoria os estudava, pronta para agir sealguém atacasse sua irmã. Eles claramente não gostavam de ver o lobo receberinsultos. Nem ela. Os lobos mereciam respeito, muito mais respeito do que eraexigido até mesmo para Vlad. Os lobos podiam...Aden pestanejou quando Victoria limpou a mente. A vampira fazia esforços parase concentrar no que estava acontecendo à sua volta. Os lobos eram maisimportantes que os vampiros?, Aden se perguntava. Mais importante que a realezados vampiros? Por quê?Riley deu risada, um humor genuíno.– Seu ressentimento está aparecendo, Lore. Se eu fosse você, tomaria cuidado.
  10. 10. Dessa vez, Lauren ignorou Riley, voltando os olhos cristalinos para Victoria ebravejando: – Traga Aden aqui amanhã à noite. Todos vão conhecê-lo.Oficialmente.E matá-lo antes mesmo de terem se passado os quatorze dias?– Sim. – Victoria consentiu com a cabeça, mas não revelou, nem por palavras, nempor ações, seu temor repentino. – Está bem. Amanhã você conhecerá seu novo rei.Enquanto isso, devemos ficar de luto.A conversa terminou com todos devidamente castigados.Victoria suspirou e olhou para o corpo de seu pai. O que significava que Adenestava olhando para o pai da vampira. Ele refletiu sobre os restos mortaiscarbonizados, pensando sobre qual teria sido a aparência do rei antes do ocorrido.Alto e forte, certamente. Teria ele olhos azuis como os de Victoria? Ou verdes comoos de Stephanie?Os dedos de Vlad se moveram, fechando a mão.Aden ficou paralisado. Ele certamente estava tendo alucinações. Devia mesmoestar tendo alucinações, ele pensou, porque Victoria não parecia ter notado o fatoestranhíssimo enquanto Aden observava pelos olhos dela.Os dedos de Vlad se desenrolaram.Mais uma vez, Aden ficou paralisado, esperando, avaliando, com o coraçãoespancando as costelas. Não era imaginação. Ele não podia ter imaginado aquiloporque, mesmo enquanto o pensamento se formava, aqueles dedos se debateramcomo se quisessem se enrolar novamente. Movimento, movimento verdadeiro. Emovimento era sinônimo de vida. Certo?Por que Victoria não tinha notado? Por que ninguém notou? Talvez eles estivessemperdidos demais em meio ao sofrimento. Ou talvez o corpo de Vlad, que nopassado fora considerado imortal, estivesse apenas expelindo seus últimos sinaisde existência. De qualquer forma, Victoria precisava saber daquilo que o garototinha visto.Victoria, Aden tentou projetar a voz, desesperado para conseguir a atenção davampira.
  11. 11. Nada. Nenhuma resposta.Victoria!Ela acariciou o braço de Vlad antes de se levantar para instruir o maior dosvampiros a levar o corpo de seu pai para dentro, para os preparativos do funeral.Victoria claramente não ouvia Aden.E então era tarde demais. O mundo de Aden mudou, realinhou-se, a escuridão oenvolvia novamente. Não, não era escuridão. Era luz. Tanta luz. Chamas azul-esbranquiçadas cobriam todo o corpo de Dmitri e, por consequência, o corpo deAden. Queimando, causticando o que sobrava dele.Dessa vez, Aden gritou. E se debateu.Ele também morreu.

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