PSICOPATOLOGIA II: Aula 03 (CID-10 – F00 a F09)
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PSICOPATOLOGIA II: Aula 03 (CID-10 – F00 a F09) PSICOPATOLOGIA II: Aula 03 (CID-10 – F00 a F09) Presentation Transcript

  • Curso de Psicologia Disciplina: Psicopatologia II (72 hs/aula) Período: 6 o Professor Alexandre Simões
  • Tema:
    • NOSOGRAFIA
    • PSICOPATOLÓGICA:
    • CID-10 (F00 a F09):
    • Transtornos mentais orgânicos, inclusive os sintomáticos
  • Transtornos mentais orgânicos, inclusive os sintomáticos (F00 a F09): Este agrupamento compreende uma série de transtornos mentais reunidos, tendo em comum uma etiologia demonstrável tal como doença ou lesão cerebral ou outro comprometimento que leva à disfunção cerebral. A disfunção pode ser primária, como em doenças, lesões e comprometimentos que afetam o cérebro de maneira direta e seletiva; ou secundária, como em doenças e transtornos sistêmicos que atacam o cérebro apenas como um dos múltiplos órgãos ou sistemas orgânicos envolvidos. OBS.: usar código adicional, se necessário, para identificar a doença subjacente.
  • Este agrupamento (F00 a F09) contém as seguintes categorias de três caracteres: F00 Demência na doença de Alzheimer (G30) F01 Demência vascular F02 Demência em outras doenças classificadas em outra parte F03 Demência não especificada F04 Síndrome amnésica orgânica não induzida pelo álcool ou por outras substâncias psicoativas F05 Delirium não induzido pelo álcool ou por outras substâncias psicoativas F06 Outros transtornos mentais devidos a lesão e disfunção cerebral e a doença física F07 Transtornos de personalidade e do comportamento devidos a doença, a lesão e a disfunção cerebral F09 Transtorno mental orgânico ou sintomático não especificado
  • A demência (F00 a F03) é uma síndrome promovida por uma doença cerebral, usualmente de natureza crônica ou progressiva, na qual há comprometimento de numerosas funções corticais superiores, tais como a memória, o pensamento, a orientação, a compreensão, o cálculo, a capacidade de aprendizagem, a linguagem e o julgamento (por pelo menos 6 meses).
    • Esta síndrome (a demência) não se acompanha de obnubilação da consciência. Ou seja, a percepção do ambiente é preservada durante um tempo suficientemente longo para permitir a demonstração dos sintomas anteriores.
    • Recomendação: quando há episódios de delirium sobrepostos, o diagnóstico de demência deve ser postergado.
    • Notemos, portanto, que nas demências o principal sintoma é a alteração da memória, podendo coexistir com algum outro sintoma cognitivo, como alterações na linguagem (especialmente anomias – dificuldades de nomear objetos, pessoas etc.) ou dificuldades práxicas (na realização de atos voluntários);
    • A alteração da memória começa na memória para fatos mais recentes, progredindo para a memória de fatos mais remotos.
    • Existem dezenas de causas de demência (exemplo: alterações nutricionais, endócrinas etc.). É importante pesquisar, em cada paciente, se há uma causa identificável, pois muitas causas são tratáveis, sendo possível reverter o quadro.
  • O comprometimento das funções cognitivas se apresenta habitualmente e é por vezes precedido por uma deterioração do controle emocional, do comportamento social ou da motivação. A síndrome ocorre na doença de Alzheimer, em doenças cerebrovasculares e em outras afecções que atingem primária ou secundariamente o cérebro.
    • A causa mais freqüente de demência é a doença de Alzheimer (responde por até 50% dos casos de demência). Ela não tem como ser detectada por exames de rotina, e seu diagnóstico às vezes é por exclusão, quando não achamos outra causa.
    O segundo tipo de demência mais comum é a demência por múltiplos infartos. Acontece em pessoas que têm doenças cardiovasculares, como arritmias ou pressão arterial elevada, o que predispõe a pequenos acidentes vasculares cerebrais (AVCs,) que levam progressivamente à demência (evolução “em degraus”). Outra causa freqüente de demência é o alcoolismo (síndrome de Wernicke – Korsakoff). Geralmente o principal sintoma é o prejuízo na memória recente, mas há também alterações emocionais.
  • Detalhes sobre a Demência na doença de Alzheimer (F00) A doença de Alzheimer é uma doença cerebral degenerativa primária de etiologia desconhecida com aspectos neuropatológicos e neuroquímicos característicos. O distúrbio é normalmente insidioso no início e se desenvolve lenta mas firmemente , durante um período de vários anos. Progride depois para sintomas ainda mais graves: idéias deliróides, agitação, comportamento inadequado (desinibido), o paciente pode perder-se na rua (ou mesmo em casa), começa a desconhecer os mais próximos, etc.
    • Para o paciente, o início do quadro é angustiante, pois ele mesmo percebe que está perdendo a memória. Nas fases seguintes da doença, ele pode perder esta percepção de si e o quadro clínico começa a ser mais problemático para sua família;
    • Atinge cerca de 1% das pessoas na faixa de 60 anos. Nas com 85 anos, este índice chega a 20%.;
    • Em pessoas com baixa atividade intelectual durante a vida, o transtorno tem evolução pior;
    • A sobrevida dos pacientes é menor que da população na mesma faixa etária.
  • F00.0 * Demência na doença de Alzheimer de início precoce (G30.0) : Demência na doença de Alzheimer com início antes dos 65 anos de idade , com um curso de deterioração relativamente rápido e com transtornos múltiplos e marcantes das funções corticais superiores . F00.1 * Demência na doença de Alzheimer de início tardio (G30.1): Demência na doença de Alzheimer com início após 65 anos de idade , geralmente no final dos anos 70 ou depois, com uma progressão lenta, com perda de memória como o recurso principal. F00.2 * tipo de demência na doença de Alzheimer , forma atípica ou mista ( G30.8): forma atípica da demência, mas ainda preenchendo critérios do tipo Alzheimer F00.9 * Demência na doença de Alzheimer não especificada (G30.9)
  • Notas sobre ‘ Delirium não induzido pelo álcool ou por outras substâncias psicoativas’: F05
    • Os delirium são também chamados genericamente de estados confusionais (uma vez que as alterações da consciência implicam em quadro de confusão mental);
    • A alteração orgânica promovedora do delirium usualmente é exterior ao sistema nervoso central (por isso, estamos às voltas com disfunções neurofisiológicas temporárias, ao invés de alterações neuroanatômicas como ocorre nas demências);
    • Os delirium costumam ter início súbito e curso breve (e flutuante), com oscilações ao longo do dia;
    • São frequente as perturbações do ritmo do sono;
    • Costuma não deixar sequelas após o tratamento;
  • Critérios diagnósticos propostos pela CID 10 para F05 :
    • A) Há obnubilação da consciência (com capacidade reduzida de focar, manter ou mudar a atenção);
    • B) A perturbação da cognição é manifesta por ambos:
    • 1) comprometimento das memórias imediata e recente, com memória remota relativamente intacta e
    • 2) desorientação temporal, espacial ou pessoal.
    • C) Pelo menos uma das seguintes perturbações psicomotoras está presente:
    • 1) mudanças rápidas e imprevisíveis de hipo a hiperatividade;
    • 2) tempo de reação aumentado;
    • 3) aumento ou diminuição do fluxo da fala;
    • 4) intensificação da reação de susto;
    • D) Há perturbação do ciclo sono-vigília, manifestada por pelo menos um dos seguintes:
    • 1) insônia (pode, em casos mais graves, envolver total perda de sono) com ou sem sonolência diurna, ou reversão do ciclo sono-vigília;
    • 2) piora noturna dos sintomas;
    • 3) sonhos perturbadores e pesadelos, os quais podem continuar como alucinações ou ilusões após o despertar;
    • E) Os sintomas têm início rápido e mostram flutuações ao longo do dia;
    • F) Há evidência objetiva a partir da história do paciente e de exames de uma doença cerebral ou sistêmica (outra que não relacionada à substância psicoativa) que pode ser presumida como responsável pelas manifestações clínicas nos critérios A a D.
  • Síntese distintiva entre Delirium e Demência:
    • Delirium
    • Etiologia freqüentemente extra-encefálica;
    • Geralmente não há substrato cerebral histopatológico;
    • Costumam ser quadros agudos e reversíveis
    • Afetam sobretudo o nível de consciência (orientação e atenção
    • Exemplo: delirium conseqüente à abstinência de substâncias psicoativas
    • Demência
    • A participação etiopatogênica do cérebro é primária
    • O substrato histopatológico cerebral costuma ser irreversível
    • São quadros crônicos, com agravamento progressivo
    • Afetam sobretudo a inteligência e a memória
    • Exemplo: doença de Alzheimer
  • Fragmento clínico número 1:
    • Senhor X., 51 anos, sexo masculino.
    • Mora em um asilo; há alguns meses vem apresentando comportamento alterado (há relatos de estar se envolvendo em confusões, ameaçando outras pessoas e recusar comida). Nesta entrevista, mostra certo descuido com a higiene; está calmo e colaborativo. Foi atendido em um serviço público especializado em saúde mental.
    • -Por que veio parar aqui?
    • -Tem um rapaz lá (no abrigo) que não trabalha, ele veio de outro lugar e foi pra lá, só faz confusão, ele é meio doente. Aí entrei no meio da conversa, aí a Patrícia disse que eu tava meio doente e me trouxe pra cá, pra tomar uns remédios. Tou precisando só de umas vitaminas.
    • -Você estava andando com um pau?
    • -Pois é! Uma vez um cachorro quase me mordeu, aí passei a andar com um pau pra espantar os cachorros. Mas não vou fazer nada com ninguém.
    • -Você bateu em alguém? Ameaçou alguém?
    • - Não! Não! Deus me livre!
    • -Falaram que você disse que não era comida lá, era lavagem, e não estava comendo...
    • -Não, é que depois a gente pega a comida e dá pros porcos. Vim pra tomar umas vitaminas, parece que a comida não tá descendo. Se a gente não come, não fica vivo, né?
    • -O senhor sabe que dia é hoje? O ano que a gente está?
    • -1984... Agosto. Dia 6. [OBS.: data da entrevista: 27 de maio de 2005]
    • -Quando o senhor nasceu?
    • -Março de 88.
    • -O senhor estudou?
    • -Até o segundo ano.
    • -Ficou quanto tempo na escola?
    • -Cinco meses.
    • -O senhor está há quantos dias aqui?
    • -Eu vim na segunda. Segunda, terça, quarta, 4 dias. [OBS.: esta sessão ocorreu em uma sexta-feira]
    • -Vou falar 3 palavras para o senhor guardar...
    • [OBS.: ao fim de 1 minuto, lembrou das 3 corretamente]
    • OBS.: entrevista realizada no dia seguinte, com o mesmo paciente:
    • -Quando o senhor nasceu mesmo?
    • -Março de 1947. (Segundo os registros: 1954)
    • -Qual a idade do senhor?
    • -47.
    • -Que ano o senhor nasceu mesmo?
    • -48.
    • -O senhor sabe em que ano estamos?
    • -1948. 44.
    • -O senhor se lembra de mim?
    • -Já me atendeu lá na minha cidade, né? Eu já tive aqui. Acho que me atendeu foi aqui mesmo.
    • -Tem quanto tempo?
    • -Uns 4 meses, uns 5 meses...
    • -O senhor estudou até que série?
    • -Segunda.
    • -Aprendeu a ler e escrever?
    • -Aprendi.
    • -O que está escrito aqui? (Examinador mostra nome da clínica, escrito em letras grandes e de fôrma)
    • -Não sei não...
    • (Insiste-se com a pergunta e se obtém a mesma resposta)
    • -O senhor é casado?
    • -Sou.
    • -Tem quantos filhos?
    • -Dois.
    • -Qual o nome dos seus filhos?
    • -Manoel e José.
    • -E netos?
    • -Tem um.
    • -Qual o nome?
    • -José.
    • -É o mesmo nome do seu filho? Como chamam seus filhos?
    • -Manoel e Pedro.
    • -Qual o nome dos filhos do senhor?
    • -José e Pedro.
    • -E do seu neto?
    • -Francisco.
    • -E dos seus filhos?
    • -Manoel e José.
    • -O que o senhor veio fazer aqui?
    • -Vim pra ver se já está bom. Eu quebrei o pé, vim fazer a revisão. Tem que trabalhar, tenho que ir embora já, tem mandioca pra limpar...
    • -O senhor é aposentado?
    • -Sou, pelo BNH. Faz muito tempo.
    • -Aposentou por quê?
    • -Porque quebrei o meu pé... e minha mãe... eu quebrei o meu pé.
    • -O senhor mora com quem?
    • -Sozinho. Minha mãe e meu pai mora lá. Mas tou recebendo ainda não. Os documentos tão lá no BNH.
    • -O senhor mora com quem?
    • -Minha mãe, minha irmã...
    • [Solicita-se ao paciente que faça uma cópia de um desenho simples, de uma casa, que lhe é mostrado. O resultado são rabiscos ovalados que não se parecem claramente com nada. O mesmo se dá com o desenho de uma árvore].
  • Análise do fragmento clínico número 1 (Senhor X.):
    • S intomas:
    • agressividade (relatada);
    • déficit importante de memória de evocação, com fabulações;
    • dissimulação (?) de sintomas (nega todos os fatos relatados);
    • desorientação temporal significativa (inclusive com erros na própria data de nascimento);
    • memória de fixação de curtíssimo prazo ocasionalmente prejudicada.
  • Comentários objetivando a elaboração de uma hipótese diagnóstica:
    • Os principais problemas deste paciente encontram-se no campo da memória. E não são brandos. Consegue, alguns segundos após ter dito o nome dos filhos, dar outros nome para os mesmos e, logo em seguida, outros nomes diferentes dos iniciais;
    • Os problemas na memória geralmente começam para as memórias de fatos recentes. As mais antigas estão mais consolidadas e sua perda é mais difícil;
    • Este paciente tem problemas na memória de curto prazo. Pedimos para que guardasse 3 palavras. Conseguiu. Porém, algum tempo depois (não transcrito no relato da entrevista), já havia esquecido. E, como visto, consegue esquecer coisas que acabou de falar – como o nome dos filhos e o ano em que nasceu (“1988”, “1947”, “1948”). Não consegue lembrar-se bem onde e quando viu o psicólogo.
    • Há também outras circunstâncias clínicas que atingem as memórias de longo prazo. Isto faz com que o caso seja grave;
    • Daí termos questionado se há ou não dissimulação (negar os sintomas), quando diz que não agrediu ninguém. Ele pode não estar fingindo, e simplesmente ter, realmente, esquecido que fez isto;
    • De qualquer forma, para ele não há esquecimentos: ele não chega a dizer “não sei, não lembro”. A cognição deste paciente encontra-se tão alterada que não acreditamos que ele pense “não sei, mas vou inventar alguma coisa para não perceberem que não lembro”. Não, o processo parece-se mais com um automatismo. As respostas “surgem”, em sua mente, logo após a pergunta, retirando de uma memória altamente fragmentada qualquer nome, qualquer número, qualquer fato que tenha algo a ver com o que é indagado. Nasceu quando? “47”, “88”. Qual o nome dos seus dois filhos? “Manoel, José, Pedro...” E do seu neto? “José, Francisco...”. Isto é fabulação;
    • Destacamos também a enorme apraxia: foi incapaz de copiar, ou mesmo desenhar sozinho (pois poderia não ter conseguido por problemas na visão), uma casa, uma árvore;
    • Enfim, somando-se os sintomas e a idade, podemos propor a hipótese de demência .
    • A questão mais importante aqui é: qual tipo de demência? Qual a possível causa?
    • Porque há demências tratáveis (reversíveis) e outras não.
    • Devemos pensar primeiramente nas causas mais comuns: Alzheimer, múltiplos infartos, alcoólica. Pensamos na demência por múltiplos infartos quando há história de hipertensão arterial importante, antecedentes de AVC, etc.
    • Este paciente tem 51, e, caso confirme-se o diagnóstico, com uma evolução tão rápida até aqui apresentada, o prognóstico não poderá ser otimista.
    • Hipótese diagnóstica: demência não especificada (F 03) [provável demência na doença de Alzheimer de início precoce (F 00.0)].
  • Prosseguiremos na pr ó xima aula!
    • Prof. Alexandre Simões
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