A prosa modernista
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A prosa modernista A prosa modernista Presentation Transcript

  • A PROSA MODERNISTA DE 22
    A FASE DE RUPTURA
  • A PROSA MODERNISTA DE 22
    • O modernismo de 22 enfatizou muito mais a produção poética, os manifestos e os movimentos primitivistas.
    • A produção romanesca foi resumida, destacando-se Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Antônio Alcântara Machado.
    • Mário de Andrade produziu dois romances exemplares: Macunaíma e Amar, verbo intransitivo, além da narrativa curta: Contos novos e Contos de Belazarte.
    • Oswald de Andrade destacou-se com os romances Memórias sentimentais de João Miramar e Serafim Ponte Grande.
    • Antônio Alcântara Machado produziu um livros de contos com o título de Brás, Bexiga e Barra funda.
  • MACUNAÍMA
    • É uma obra classificada não propriamente como um romance, mas como uma rapsódia, já que a narrativa é uma mistura de lendas, mitos e folclore.
    • Narrada em terceira pessoa, a obra procura sintetizar os elementos da cultura brasileira, apoiando-se, portanto, no índio, negro, mestiço e no branco.
    • Perpassa por toda a narrativa um tom de paródia, principalmente, no tocante ao índio, à cultura acadêmica e à visão idealizada da formação cultural e racial brasileira.
    • É uma narrativa mágica, sobrenatural, em que o narrador enfatiza o caráter primitivo e mítico da cultura indígena e negra.
    • O protagonista, Macunaíma, sintetiza o homem latino-americano ou brasileiro, já que seu caráter é multifacetado, e, por isso, é chamado de herói sem nenhum caráter.
  • AMAR, VERBO INTRANSITIVO
    • Romance narrado em terceira pessoa, narrador onisciente e intruso e com intensa quebra da linearidade.
    • Percebe-se que a intenção de Mário foi refletir sarcasticamente sobre a cultura brasileira europeizada e sobre os valores culturais e sociais burgueses.
    • A trama gira em torno de uma relação afetivo-amorosa entre um rapaz de classe burguesa e uma governanta ariana, chamada Elza, denominada de Fraulein.
    • O romance coloca em choque elementos da cultura nacional e da cultura europeia, desmistificando o conceito de superioridade que se tem da cultura estrangeira.
    • Através da ironia e do humor, Mário reafirma, como já fez em Macunaíma, os valores da cultura e da sociabilidade brasileira.
    • Do ponto de vista estrutural, o romance apresenta um estilo moderno, sem enredo tradicional, e com constantes intromissões do narrador através de comentários e explicações.
  • MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE JOÃO MIRAMAR
    • O principal romance de Oswald de Andrade apresenta um estilo transgressor, sendo denominado de antirromance.
    • A obra foge completamente ao padrão tradicional de narrativa, não tendo propriamente um enredo, sendo formado de uma mistura de gêneros.
    • O enredo é centrado nas digressões do protagonista, João Miramar, um intelectual burguês que morou em Paris e no retorno ao Brasil procurar refletir sobre vários aspectos da cultura brasileira e europeia.
    • As digressões aparecem em formas diversas de linguagem não configurando, portanto, uma narrativa tradicional.
    • A obra é permeada de um tom irônico, humorístico, satírico e parodístico, em que o alvo é a cultura burguesa e acadêmica.
    • O romance ou antirromance vale muito mais pelo caráter de invenção, de paródia e de experimentação de linguagem do que pela história, pelo enredo.
  • BRÁS, BEXIGA E BARRA FUNDA
    • É a principal obra de Antônio Alcântara Machado, escritor descendente de italianos.
    • Os contos que compõem a obra tematizam a vida do imigrante italiano na cidade de São Paulo.
    • São narrativas que destacam as relações sociais e culturais nos bairros Brás, Bexiga e Barra funda, envolvendo normalmente personagens italianos e brasileiros.
    • Os contos revelam como os italianos vão se adaptando à cultura brasileira e as influências da cultura italiana no Brasil.
    • Antônio Alcântara Machado é considerado autor de um “português macarrônico” porque em suas narrativas tematiza a mistura linguística entre italiano e português em função do encontro das culturas europeia e brasileira.
    • As narrativas também revelam a formação da consciência proletária brasileira proporcionada pelos operários italianos e a penetração dos chamados “carcomanos” no universo aristocrático brasileiro, sempre com uma boa dose de ironia.
  • O ROMANCE DE TRINTA
    UMA REFLEXÃO SOBRE O SUBDESENVOVIMENTO BRASILEIRO
  • O NEORREALISMO DE TRINTA
    • A mais substancial literatura brasileira surge na década de trinta, principalmente, no Nordeste brasileiro.
    • De feição neorrealista, o romance de trinta aborda as questões sociais , econômicas e políticas que fazem do Brasil um país subdesenvolvido.
    • O manifesto regionalista do Recife, elaborado por intelectuais nordestinos, como Gilberto Freire e José Lins do Rego, foi o responsável pela solidificação uma literatura nordestina.
    • A literatura de trinta não foi somente do Nordeste, pois apareceram escritores no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.
  • O ROMANCE DE TRINTA NO BRASIL
    • Érico Veríssimo será o principal escritor deste período no Rio Grande do Sul, fazendo uma obra em que aparecem duas tendências: um romance histórico, de feições sociais e políticas, com destaque para a trilogia O Tempo e O Vento e Incidente em Antares; um romance urbano de tendência psicossocial, em que se destacam Clarissa e Olhai os lírios do campo.
    • No Rio de Janeiro, Marques Rebelo é o destaque, principalmente, com o seu A estrela sobe, em que traça um painel crítico das questões sociais e culturais de um Rio de Janeiro que está se tornando uma metrópole capitalista.
  • O ROMANCE DE TRINTA NO BRASIL
    • Em Goiás, o grande destaque é Bernardo Élis com o seu romance épico, O Tronco, em que tematiza a saga dos coronéis latifundiários em confronto com o novo governo.
    • Avultam, Nordeste, entretanto, os escritores mais importantes deste período: do Ceará à Bahia aparecem obras que deixarão para sempre uma visão de mundo marcada pela reflexão crítica sobre o subdesenvolvimento da região.
    • O grande destaque de trinta, indubitavelmente, está relacionado com Raquel de Queiroz, no Ceará; José Américo de Almeida e José Lins do Rego na Paraíba.
  • O ROMANCE DE TRINTA NO BRASIL
    • Em Pernambuco, Gilberto Freire vai influenciar a geração de trinta ao fazer Casa Grande e Senzala, um misto de sociologia e literatura, em que discute a formação da sociedade patriarcal nordestina.
    • Em Alagoas, o destaque fica por conta de Graciliano Ramos, escritor clássico, universal, mas dono de uma obra humanista sem precedentes, principalmente, pela abordagem que faz da relação entre o homem e o meio opressor.
    • Vidas secas, São Bernardo, Angústia e o autobiográfico Memórias do cárcere estão entre as melhores obras do período.
  • O ROMANCE DE TRINTA NO BRASIL
    • Em Sergipe, aparece Amando Fontes, inserindo o estado na Literatura de trinta com dois romances de formação proletária: Os Corumbas e Rua do Siriri.
    • Jorge Amado será o responsável pela obra mais extensa e mais comprometida politicamente produzida no país a partir deste período.
    • Basicamente sua produção literária possui duas fases: a primeira, de 30 a 56, apresenta uma coloração política ideológica bem nítida, o que levou seus críticos a chamarem de panfletária.
    • A segunda, a partir de Gabriela, cravo e canela se volta para questões de ordem social e cultural em que aborda questões como preconceito, racismo e liberdade.
  • O MUNDO DO ENGENHO EM A BAGACEIRA
  • MODERNISMO DE TRINTA
    • A Bagaceira, em 1928, é o primeiro romance de feições neorrealistas a ser publicado pelo chamado grupo nordestino.
    • O romance de José Américo de Almeida aborda questões econômicas, sociais, culturais e políticas do Nordeste brasileiro, denunciando o subdesenvolvimento da região.
    • Basicamente a temática de A Bagaceira gira em torno das transformações que ocorrem no interior do mundo do engenho de cana de açúcar.
    • Avultam também questões relativas aos códigos morais, culturais e éticos do mundo patriarcal nordestino.
    • Observa-se o fenômeno do cangaço que aparece como elemento de resistência à exploração e à opressão do senhor de engenho.
  • JOSÉ LINS DO REGO
  • O ENGENHO DE JOSÉ LINS DO REGO
  • O CICLO DA CANA DE AÇÚCAR
    • A obra de José Lins do Rego tematiza o mundo do engenho no interior do Nordeste brasileiro, revelando principalmente o processo de decadência do mundo rural.
    • Nos romances inseridos no ciclo da cana de açúcar ocorre um resgate das relações sociais, econômicas e políticas através de um tom saudosista do autor.
    • A maior parte dos romances de José Lins do Rego possui um cunho memorialista e com fortes traços autobiográficos, já que o autor é oriundo da região.
    • Dos romances do ciclo, Menino de engenho é o que apresenta uma visão mais lírica do mundo do engenho, enquanto que Fogo Morto é o seu romance mais crítico em relação ao processo de decadência do engenho.
  • CASA GRANDE X SENZALA
    • A visão lírica, saudosista, da maior parte dos romances do ciclo, em Fogo Morto, é substituída por uma crítica contundente ás relações sociais.
    • O Senhor de engenho aparece com elemento opressor, explorador das classes marginalizadas, no romance, simbolizadas pelo mestre José Amaro.
    • Surge então como elemento de resistência o cangaceiro que representa os pobres e oprimidos, respondendo com violência a opressão dos senhores de engenho.
    • Em Fogo Morto, a figura do personagem quixotesco, capitão Vitorino, simbolicamente representa a justiça num mundo em que a lei é a do mais forte.
  • O ENGENHO, UM MUNDO EM DESTRUIÇÃO
    • Em Menino de engenho, o menino Carlos Melo representa o alter-ego de José Lins do Rego, neto de senhor de engenho e criado em sua infância entre os moleques da bagaceira.
    • O romance, entretanto, não é apenas saudosista, porque à medida que o menino Carlos Melo vai relembrando o auge do engenho e seu declínio emana uma visão crítica de um mundo em derrocada.
    • De Menino de Engenho a Usina, José Lins do Rego nos dá painel das relações sociais, políticas e econômicas no interior do engenho, desde seu apogeu à sua decadência, na primeira metade do século XX, com a chegada da Usina e consequentemente do Capitalismo.
  • GRACILIANO RAMOS
  • A LITERATURA HUMANISTA
    • Indubitavelmente a literatura mais importante de trinta é a de Graciliano Ramos, visto que o escritor alagoano extrapolou as questões regionais, para se fixar em dramas humanos e universais.
    • Vidas Secas, por exemplo, não aborda apenas a seca e o latifúndio como elementos de opressão ao sertanejo no Nordeste brasileiro, mas a relação direta do homem com uma sociedade ditatorial, adversa, que coisifica e reifica o ser humano.
    • Em São Bernardo, Graciliano reflete como o processo capitalista reduz o homem a um mero joguete das forças produtivas, tornando-o desumano, bruto, alienado ao sistema.
  • VIDAS SECAS
  • VIDAS SECAS
    • Único romance de Graciliano Ramos narrado em terceira pessoa, mas com uma temática acentuadamente psicológica.
    • O narrador em discurso indireto e indireto livre perscruta a vida interior do vaqueiro Fabiano e de sua família num verdadeiro estudo da alma humana.
    • O romance, entretanto, não se resume à interrogação psicológica, mas a uma reflexão profunda sobre o embrutecimento do homem em sua relação com o meio social e o ambiente hostil.
    • O tema do romance gira em torno do processo de coisificação a que são submetidos os personagens em sua relação com a estrutura social e o embrutecimento a que são reduzidos em contato com a natureza adversa.
  • VIDAS SECAS
    • A disposição dos personagens no romance ocorre dentro de uma estrutura de poder: de um lado, a classe dominante formada pelo fazendeiro, pelo cobrador de impostos e pelo soldado amarelo; do outro, a classe dominada composta por Fabiano, o vaqueiro, sua mulher, Sinhá Vitória, o menino mais velho e o menino mais novo.
    • A cachorra baleia e um papagaio fazem parte da estrutura familiar em sua luta pela sobrevivência.
    • Aparecem ainda no romance Seu Tomaz da Bolandeira, o guarda livros da fazenda, e Sinhá Terta, a costureira.
    • O personagem protagonista Fabiano é explorado brutalmente pelos três personagens da classe dominante, representando a estrutura social, política e fundiária do Nordeste brasileiro.
  • VIDAS SECAS
  • VIDAS SECAS
    • Não bastasse a exploração a que é submetido pela estrutura social, Fabiano e sua família também é oprimido pela seca.
    • O romance possui uma estrutura cíclica, ou seja, inicia-se com os personagens fugindo de uma seca e termina com outra fuga, revelando, pois, uma situação que não apresenta saída.
    • A modernidade de Vidas Secas reside não só na estrutura cíclica, mas também na quebra da linearidade, já que os capítulos formam blocos, como se fossem pequenos contos.
    • A opressão e a exploração a que são submetidos os personagens marginais são os elementos temáticos de ligação entre os capítulos.
  • A LINGUAGEM ANTI LÍRICA
    • Graciliano Ramos produziu uma obra sem concessão ao sentimentalismo e, por isso, a sua linguagem trabalhada artisticamente constitui um dos aspectos mais importantes de sua literatura.
    • Uma linguagem sem adjetivação abundante, eivada de frases curtas, objetivas, através de um vocabulário seco e frases sintéticas, tudo devidamente adequado ao tema abordado.
    • Do ponto de vista sintático, Graciliano foi um escritor clássico, pautando sua escrita com uma linguagem correta, sem o coloquialismo que aparece exageradamente em escritores de sua época.
    • Sua obra é fortemente introspectiva, ensimesmada, de forte conteúdo psicológico, mas com reflexões de teor universal.
  • SÃO BERNARDO
  • SÃO BERNARDO, UMA CRÍTICA AO CAPITALISMO
    • Romance narrado em primeira pessoa, narrador personagem Paulo Honório que, em determinado momento, resolve escrever sobre sua vida, fazendo uma reflexão do que teria levado sua trajetória ao fracasso existencial.
    • O personagem é um ex-guia de cego obcecado por possuir a fazenda São Bernardo de seu ex-patrão e para tanto se acerca do herdeiro, um liberal chamado Padilha, emprestando-lhe dinheiro para depois arrematar a propriedade.
    • Paulo Honório representa em todos os aspectos o sistema capitalista, mas, ao mesmo tempo, em que enriquece, embrutece-se num processo de coisificação e reificação.
  • SÃO BERNARDO
    • Paulo Honório é um homem rude, que vive no interior de Alagoas, obcecado pela acumulação de capital e tratando todos a sua volta como se fossem coisas, objetos, numa verdadeira atitude desumana.
    • Depois da morte de sua mulher, a professora Madalena, o personagem sente-se desanimado e solitário e, por isso, resolver escrever sobre sua vida.
    • A narrativa torna-se, portanto, um balanço de sua trajetória existencial e social em que, as poucos, ele vai revelando o processo de reificação e coisificação por que passou.
    • A narrativa é um libelo contra o chamado capitalismo selvagem, que embrutece as pessoas no processo de acumulação de capital.
  • MEMÓRIAS DO CÁRCERE
  • MEMÓRIAS DO CÁRCERE
    • Considerado o romance autobiográfico de Graciliano Ramos, escrito depois que saiu da prisão, o tema gira basicamente em torno dos percalços sofridos por ele quando preso pela polícia de Vargas.
    • O romance, contudo, extrapola a mera narrativa dos episódios autobiográficos, para se tornar uma reflexão sobre a relação homem X sociedade ditatorial.
    • O narrador, o próprio Graciliano Ramos, reflete também sobre o papel do intelectual, do escritor e da imprensa numa sociedade ditatorial.
    • Observa-se também uma análise acurada sobre o sistema penitenciário brasileiro, sendo que, no desfecho, o romance acaba se tornando uma defesa dos valores humanos numa sociedade ditatorial.
  • RAQUEL DE QUEIROZ
  • RAQUEL DE QUEIROZ
    • Sua literatura é também engajada, neorrealista, em que o social se funde com o psicológico, numa visão profunda das relações humanas e sociais no interior do Nordeste.
    • O Quinze é indiscutivelmente seu principal romance, ambientado no interior do Ceará, com temática centrada no impacto da seca de 1915 nos sertanejos nordestinos.
    • Mas, a exemplo de Graciliano Ramos, Raquel não cai no esquematismo comum ao sistema político de achar no ambiente climático a causa principal dos sofrimentos do sertanejo nordestino, pois, ao extrapolar a relação clima X homem, nos proporciona um testemunho da exploração e opressão exercida pela latifúndio na região.
  • RAQUEL DE QUEIROZ
    • Sem ser feminista, Raquel de Queiroz produz uma literatura feminina, na medida em que seus personagens apresentam uma visão da mulher que se afirma num mundo patriarcal e machista.
    • Assim é o que acontece com Conceição, em O Quinze; Noemi, em Caminho de Pedra; Maria Moura, no Memorial; Maria Beata, em Maria Beata do Egito; Josefa, Marta e Cremilde, em As três Marias.
    • A obra de Raquel de Queiroz é um compromisso de resgatar a dignidade dos pobre e oprimidos numa luta incansável de resistência contra um sistema opressor e explorador, em que, às vezes, o cangaço aparece como forma de resistência.
  • AMANDO FONTES SERGIPE NO ROMANCE DE TRINTA
  • A TEMÁTICA PROLETÁRIA
    • Sua obra pode ser inserida no chamado romance proletário da década de trinta, de feição neorrealista e neonaturalista.
    • Em Rua do Siriri, a temática da prostituição em Aracaju é vista pelo ângulo da opressão e exploração de classe.
    • Em Os Corumbas, o tema gira em torno:
    • Da formação do proletariado em Aracaju em que se colocam em posição antagônica os trabalhadores da indústria têxtil e a classe dominante.
    • Do drama da prostituição vista pelos aspectos sociais e econômicos, num nítido painel das relações sociais na Aracaju dos anos vinte.
    • Do processo de migração do sertanejo para a periferia da capital reforçando os bolsões de pobreza.
  • ÉRICO VERÍSSIMO
  • O ROMANCE DE TEMÁTICA HISTÓRICA
    • Sua obra basicamente pode ser dividida em dois blocos temáticas: romances de fundo histórico-político e romances de feição psicossocial.
    • O Tempo e o vento é a sua obra principal, trilogia formada pelo O Continente, O Arquipélago e O Retrato.
    • Nesses três romances narra em tom épico a história do Rio Grande do Sul, desde o século XVIII até meados do século XX.
    • A narrativa privilegia momentos importantes do ponto de vista político, econômico e cultural da formação do estado a partir dos cruzamentos raciais e culturais.
    • Incidente em Antares é um romance alegórico com temática centrada no Brasil dos anos sessenta, revelando aspectos peculiares da história política.
  • O ROMANCE URBANO E PSICOLÓGICO
    • Porto Alegre dos anos trinta é o cenário da maioria dos romances urbanos, cujas histórias possuem um fundo psicológico e social.
    • As tramas dos romances giram em torno dos conflitos psicológicos vividos pela classe média burguesa porto-alegrense numa sociedade que estava se tornando efetivamente capitalista.
    • Os romances se concentram na luta pela ascensão social, nas relações afetivas por interesse, enfim traçam um painel das relações sociais urbanas.
    • Destacam-se Olhai os lírios do campo, Música ao longe, Caminhos Cruzados, em que ocorre a técnica do contraponto, e Clarissa.
  • GILBERTO FREIRECASA GRANDE E SENZALA
  • CASA GRANDE E SENZALA
    • A casa-grande é utilizada como uma metáfora do Brasil colonial, cuja sociedade teve seu arcabouço na atividade econômica, a monocultura açucareira; dela resultando uma sociedade patriarcal, agrária, escravista e mestiça.
    • Freyre discute a formação da sociedade brasileira a partir das contribuições das raças branca, índia e negra, imbricado aos conceitos de raça e cultura.
    • Através da relação entre os primeiros portugueses, degredados ou não, e as índias, vistas com exuberância pelos olhos europeus, que tem início a povoação num clima de "intoxicação sexual".
  • O ROMANCE DE 45
  • O REGIONALISMO DE GUIMARÃES ROSA
    • O regionalismo de Guimarães Rosa renova e inova esta tendência da Literatura brasileira, tanto do ponto de vista linguístico quanto do temático.
    • A linguagem regionalista do Modernismo pde Guimarães Rosa é transfigurada por um processo de reinvenção.
    • São rupturas sintáticas, inversões violentas, neologismos, arcaísmos, hibridismos e expressões do falar sertanejo misturadas com a oralidade urbana.
    • Semanticamente opera uma simbiose de provérbios e ditos populares com cantigas, literatura de cordel e manifestações do folclore.
    • Uso constante de elementos sonoros, tais como, aliteração, assonância, paronomásia e onomatopeias.
  • A LINGUAGEM NAS MINAS GERAIS
    “Compadre meu Quelemém me hospedou, deixou meu contar minha história inteira. Como vi que ele me olhava com aquela enorme paciência - calma de que minha dor passasse; e que podia esperar muito longo tempo. O que vendo, tive vergonha, assaz .Mas , por fim , eu tomei coragem , e tudo perguntei:-"O senhor acha que a minha alma eu vendi , pactário?! "Então ele sorriu, o pronto sincero, e me vale me respondeu :-"Tem cisma não. Pensa para diante. Comprar ou vender, às vezes, são as ações que são as quase iguais ..."
  • A TEMÁTICA ROSEANA
    A linguagem de Guimarães Rosa ultrapassa os limites "prosaicos" para ganhar dimensão poético-filosófica, como se pode observar, em Grande Sertão: Veredas, quando Riobaldo expressa seus sentimentos a Diadorim através de aforismos:
    • Viver é muito perigoso.
    • Deus é paciência
    • Sertão. O senhor sabe: sertão 'onde manda quem é forte, com as astúcias.
    • ...sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar .
    • ...toda saudade é uma espécie de velhice.
    • Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas.
    • ...quem ama é sempre muito escravo , mas não obedece nunca de verdade.
  • OS TEMAS MAIS OBSERVADOS
    • A psicologia mítica e mística do sertanejo do interior do Brasil, através de crenças no sobrenatural, no mágico.
    • O culto da cultura primitiva em que se observa valores assentados em códigos morais e éticos.
    • O choque entre o racional e o primitivo no interior do Brasil, proveniente da chegada de valores capitalistas.
    • A violência e a Jagunçagem no interior do Sertão Mineiro, como resultantes do mundo primitivo em que vivem os personagens.
    • O questionamento do sentido de Sertão como um espaço social.
    • A loucura e os fenômenos paranormais.
    • O questionamento da existência de Deus e do diabo.
  • CLARICE LISPECTOR
  • CARACTERÍSTICAS TEMÁTICAS E ESTILÍSTICAS
    • Sua obra é densamente psicológica, introspectiva, intimista.
    • Suas narrativas em sua maior parte são de primeira pessoa.
    • Normalmente, o narrador de Clarice é uma mulher, que reflete sobre uma situação existencial.
    • O universo ficcional de Clarice gira em torno da mulher pequeno-burguesa ou burguesa.
    • Clarice flagra seus personagens no momento da “descoberta”, da autodescoberta, da “Epifania”.
    • Em algumas situações seus personagens se encontram em situação “absurda” diante da vida.
  • CARACTERÍSTICAS TEMÁTICAS E ESTILÍSTICAS
    • Normalmente, o narrador de Clarice depara-se com o problema da “escritura”, ou seja, da “expressão”, o que envolve uma preocupação metalinguística.
    • A linguagem de Clarice é densamente simbólica, alegórica, metafórica.
    • A linguagem é intensamente introspectiva, visto que o que interessa em Clarice é a sondagem interior do Personagem.
    • Os personagens de primeira pessoa desnudam-se e os de terceira desnudam os protagonistas.
    • Usa constantemente o “Fluxo da Consciência” à maneira de Joyce, Proust e Virgínia Wolf.
  • A PROSA CONTEMPORÂNEA
    ( romances, contos e crônicas )
  • O TROPICALISMO
    • A Tropicália, Tropicalismo ou Movimento tropicalista foi um movimento cultural brasileiro que surgiu sob a influência das correntes artísticas de vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira (como o pop-rock e o concretismo).
    • Misturou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais, resgatando alguns pressupostos do Modernismo de 22.
    • Tinha objetivos comportamentais radicais, que encontraram eco em boa parte da sociedade, sob o regime militar que impunha severa censura.
    • O movimento manifestou-se principalmente na música, nas artes plásticas, no cinema e no teatro brasileiro.
  • A TEMÁTICA DA VIOLÊNCIA URBANA
    RUBEM FONSECA
    • Suas narrativas são, em maior parte, curtas, ou seja, de contos e o tema principal gira em torno da “violência urbana”.
    • Em Rubem a “violência urbana” assume uma conotação sócio-política, em que os assuntos são abordados sociologicamente.
    • Há nele uma nítida preferência por personagens “marginalizados” e de nomes exóticos, esquisitos, quase todos denominados por uma falha física no corpo.
    • O mundo da transgressão em Rubem assume uma função simbólica de luta de classe, em que um grupo tenta ter aquilo que lhe é negado pela sociedade.
  • A TEMÁTICA DA VIOLÊNCIA URBANA
    • Sua linguagem assume também uma função transgressora, por isso faz uso constantemente de “palavras eróticas” consideradas pela sociedade como “pornográficas”.
    • Rubem Fonseca ficou conhecido por causa de Agosto, obra em que tematiza em tom policialesco os episódios que culminaram com a morte de Getúlio Vargas. Esta obra foi adaptada para uma série da televisão.
    • Principais contos: Feliz Ano Novo, O Cobrador, Passeio Noturno um e dois, Intestino Grosso e As Agruras de um Jovem Escritor.
  • A TEMÁTICA DA VIOLÊNCIA URBANA
    DALTON TREVISAN
    • Sua obra é basicamente composta por contos e coloca Curitiba como o cenário simultaneamente mágico e vulgar de seus relatos.
    • Seus personagens vivem em torno dos desastres do amor, numa sucessão de desejos alucinados, taras, compulsões, traições cruéis, crimes do coração, paixões proibidas e infelizes.
    • Um personagem símbolo desse mundo de paixões terríveis e solidão não menos assustadora é Nelsinho, rapaz que vaga pela cidade em busca de sexo e afeto. Ele é o célebre vampiro de Curitiba.
  • A TEMÁTICA DA VIOLÊNCIA URBANA
    JOÃO ANTONIO
    • Um dos escritores que mais contestaram a ditadura militar nos anos de 1970, o carioca João Antônio fez uma obra da “estetização da miséria” em contraste com a propagando opulenta da época em obras como Lambões de caçarola e Leão de Chácara.
    • Seu livro de contos “Malagueta, perus e bacanaço”, em que expõe de forma simples e lírica (mas contundente), flagrantes da vida de personagens suburbanos, registrando especialmente o drama dos jogadores de sinuca, os últimos malandros paulistas, condenados ao desaparecimento pela urbanização feroz da cidade.
  • LIGIA FAGUNDES TELES
    • Sua obra se diferencia da de Clarice à medida que desenvolve uma temática social, sem deixar de ser introspectiva, destacando principalmente as posições políticas da mulher e seus dramas nos conflitos individuais em diversos níveis.
    • Lya Luft e Nélida Piñon também se dividem entre as solicitações da velha ordem patriarcal, representadas pela estrutura familiar, e um fundo desejo de ruptura e libertação. Desse debate, resultam os conflitos nucleares que estruturam as narrativas da autora, sempre caracterizadas por um estilo de alto refinamento e vigor lírico.
  • O REGIONALISMO DE FRANCISCO DANTAS
  • MEMORIALISMO E REGIONALISMO
    • O sergipano Francisco Dantas faz da rememoração o procedimento central que dá vida às suas personagens e as anima a contar a trajetória de seus percalços, de resto indissociável da história de seus antepassados e do contexto sociocultural do patriarcalismo nordestino.
    • É assim em seu primeiro romance, não por acaso intitulado Coivara da Memória; já no segundo, Os Desvalidos, o memorialismo é menor, embora permaneça como um motor importante da escrita; em Cartilha do Silêncio, a memória volta a ser o dispositivo matriz que deflagra o relato e lhe dá contorno e consistência.
  • O ESPAÇO SERGIPANO
    • O espaço de Sergipe, através dos pseudônimos de Rio-das-Paridas, Contendas dos papudos, Vilarejo de Alvide e Varginha, constitui um elemento literário recorrente em seus textos, e isso, associado à sua concepção de língua aberta à revitalizante contribuição da cultura popular, explorada a partir do registro da oralidade.
    • A vida rural nordestina, com seu ambiente agreste e atávico, faz parte da literatura de forte caráter memorialístico e elaborada construção verbal, sendo não apenas o pano de fundo, mas personagem central de sua ficção, resgatando uma tendência do Modernismo de trinta e quarenta e cinco.
  • SARGENTO GETÚLIO
    • João Ubaldo Ribeiro situa o enredo deste romance no estado de Sergipe para contar a história de Getúlio, um rude sargento que tem a missão de levar um prisioneiro , que é inimigo político de seu chefe de Paulo Afonso a Aracaju.
    • No meio do caminho, em virtude de uma mudança no panorama político, o sargento recebe a ordem para soltar o prisioneiro, mas devido a seu temperamento avesso às mudanças, ele decide terminar a missão que lhe foi confiada, mesmo que tenha de matar para completá-la.
    • O romance apresenta uma linguagem de experimentação, à maneira de Guimarães Rosa, e intensamente oral e regional.
  • TENDÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS: A CRÔNICA E SUA TIPOLOGIA
    • A narrativa, bem próxima do conto, cujo autor típico é Fernando Sabino.
    • A metafísica, feita de reflexões filosóficas, na tradição de Machado e Drummond e também seguida por Paulo Mendes Campos.
    • A poema-em-prosa, de conteúdo lírico, mostrando o êxtase da alma humana diante de algo carregado de significado para o autor. Seus autores mais representativos são Rubem Braga, Lourenço Diaféria, Carlos Eduardo Novaes.
    • A crônica-comentário, falando de muitas coisas diferentes como no caso de Plínio Marcos, Mário Prata e Inácio de Loyola Brandão.
  • TENDÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS
    Conto
    • São inúmeros os exemplos de contistas de excepcional qualidade na literatura contemporânea. Entre os mais significativos citam-se: Dalton Trevisan, Moacyr Scliar, Rubem Fonseca, Domingos Pellegrini Júnior e João Antônio.
    Romance
    • No romance, temos duas tendências. A dos escritores que adotam recursos e técnicas tradicionais, como Lygia Fagundes Telles, Otto Lara Rezende, Heitor Cony, Mário Palmério. E a dos que se utilizam de recursos experimentais, com Osman Lins, Ariano Suassuna, Geraldo Ferraz.
  • TENDÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS
    Teatro
    • Autores como Nelson Rodrigues, Oduvaldo Viana e Gianfrancesco Guarnieri dão aos seus textos teatrais a função de questionar a realidade brasileira e, por isso, foram muito visados pela ditadura militar que perseguiu e exilou muitos dos dramaturgos.
    Cinema Novo
    • Com o advento do Cinema Novo, o cinema brasileiro realizou verdadeiras obras-primas, adaptando textos literários para a linguagem cinematográfica: Vidas Secas, Memórias do Cárcere, Macunaíma, Lição do Amor, A hora e a vez de Augusto Matraga, Morte e Vida Severina.