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Entrevista exclusiva tim berners lee
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Em entrevista exclusiva, Tim Bereners-Lee, o criador da web, fala como a Web Semântica vai deixar a rede mais inteligente.

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Entrevista exclusiva tim berners lee Entrevista exclusiva tim berners lee Document Transcript

  • http://www.computerworld.com.brNEGÓCIOS > INTERNETQual é o futuro da web, segundo Tim Berners-Lee(http://computerworld.uol.com.br/negocios/2007/07/09/idgnoticia.2007-07-09.9970442373)Por Peter Moon, especial para o IDG Now!Publicada em 09 de julho de 2007 - 15h00Atualizada em 23 de janeiro de 2009 - 09h52Em entrevista exclusiva, Tim Berners-Lee, o criador da web, fala como a WebSemântica vai deixar a rede mais inteligente.O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa define o termo semântico como sendo “o componente dosentido das palavras e da interpretação das sentenças e dos enunciados”. Tim Berners-Lee, o homemque inventou sozinho a World Wide Web em 1989, pegou emprestado este termo para batizar a internetdo futuro. Trata-se da Web Semântica, um conjunto revolucionário de tecnologias que ele estádesenvolvendo neste exato momento, como diretor do World Wide Web Consortium, órgão ligado aoInstituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).Nesta entrevista exclusiva por telefone, este londrino de 52 anos, agraciado em 2004 com o título de Sirpela Rainha Elizabeth II, explica como imagina o futuro da maior de todas as redes e decreta: a WebSemântica será muito mais poderosa do que tudo o que conhecemos.Antes de mais nada, devo chamá-lo de Sir Timothy, Professor Timothy ou Mr. Berners-Lee?Tim Berners-Lee – Você pode me chamar de Tim.Bem, Tim, minha primeira pergunta é aquela que sempre lhe perguntam: O que vem a ser a WebSemântica?Sim, é verdade. Frequentemente me perguntam sobre isso. E o modo mais simples de explicar é: no seucomputador você tem seus arquivos, os documentos que você lê, e existem arquivos de dados comoagendas, programas de planejamento financeiro, planilhas de cálculo. Estes programas contêm dadosque são usados em documentos fora da web. Eles não podem ser colocados na web. Um exemplo: vocêestá procurando uma página na web para encontrar uma palestra que quer assistir ou um evento quequer participar. O evento tem um local e um horário e pessoas associadas a ele. Mas você precisa ler apágina da web ao mesmo tempo em que abre a sua agenda para inserir as informações. Se quiser acharnovamente aquela página, terá que digitar o seu endereço para ela voltar até ela. Se quiser os detalhescorporativos das pessoas, terá que cortar e colar as informações de uma página na web para dentro dasua agenda, porque o arquivo da sua agenda e os arquivos de dados originais não estão integrados comos dados na web. Assim, a Web Semântica trata da integração desses dados.Quando você usa um aplicativo, deveria poder inserir seus dados de modo a poder configurá-los,informando o computador: “Eu vou nesta reunião”. Quando dissesse isso, a máquina iria entender osdados. A Web Semântica é sobre a colocação de arquivos de dados na web. Não é apenas uma web dedocumentos, mas também de dados. A tecnologia de dados da Web Semântica terá muitas aplicações,todas interconectadas. Pela primeira vez haverá um formato comum de dados para todos os aplicativos,permitindo que os bancos de dados e as páginas da web troquem arquivos.Mas, afinal, qual é a diferença entre uma web de documentos e outra de dados?Existem muitas diferenças. Pegue, por exemplo, os seus dados financeiros. Existem duas formas deobservá-los. Se olhar numa página normal na web, eles parecem com uma folha de papel. A única coisaque se pode fazer é lê-los. Mas se observá-los num site da Web 3.0, você poderá, por exemplo, usar ummecanismo de busca para alterar a ordem dos dados, obtendo desta forma um acesso muito melhor aosmesmos.Hoje, antes de realizar uma tarefa como pagar seus impostos, você precisa de um programa degerenciamento financeiro. Ao fazê-lo, os dados não são carregados como uma página na web, mas comoarquivos de dados. Esta é a diferença entre documentos e dados. Quando você procura documentos nos
  • seus dados bancários, só é possível lê-los. Quando procura dados, pode descobrir o quanto de impostosestá devendo ou qual é o total das contas a pagar. Não podemos fazer isso na web atual.Se fosse possível, as informações reunidas nos seus dados bancários seriam convertidas num padrãoque só funcionaria com bancos. Mas haverá padrões totalmente diferentes, padrões para uso emagendas, por exemplo. Hoje não se pode perguntar ao computador: “Quando foi que eu preenchi estecheque? Qual é o nome da função? Quando eu fui naquela reunião?” Não se podem conectar itens emdiferentes arquivos de dados, a não ser que se use a Web Semântica. Ela é muito mais poderosa, porquenela é possível conectar dados sobre pessoas que tenham a ver com um determinado local e umdeterminado momento.Mas esta integração completa entre dados pessoais, empresariais e governamentais não podelevar a uma invasão de privacidade?Sim. Eu também tenho este medo! Um aspecto importante da Web Semântica se chama provenance.Esta palavra é um código que define de onde vêm os dados e o que pode ser feito com eles. Os padrõesda Web Semântica permitem que se defina como você deseja manipular os dados aos quais tem direitosde acesso. Estamos desenvolvendo no MIT sistemas para mostrar, sem sombra de dúvidas, quais são osusos permitidos para as informações, de modo que se possa checar de onde elas vêm e o que significam,tendo-se a certeza de que não serão usadas em nenhuma forma não autorizada.Mas não é preciso ter um mínimo de conhecimento técnico para definir estas preferências, o quenão é o caso da maioria da população mundial?Em primeiro lugar, quando se usa a Web Semântica para dados pessoais, eles não são colocados nainternet aberta. Existe dentro do seu computador uma web pessoal para os dados da sua vida, paraserem navegados localmente. No caso de softwares de planejamento financeiro, os sistemas dos bancosnavegam através da rede no interior de um canal seguro e são executados localmente, no PC. Não seusa tecnologia de web. Seus dados pessoais não estão na internet. O que estamos falando é permitir aousuário combinar as informações pessoais e empresariais a que tem direitos de acesso com informaçõespúblicas de modo a criar um conteúdo muito mais rico.Sobre o fato das pessoas precisarem de algum conhecimento técnico, isso às vezes é verdade. Mas nocaso de uma agenda estamos manipulando dados, certo? Quando você usa uma agenda de endereçosvocê está criando dados. Estes programas possuem interfaces amigáveis que permitem uma utilizaçãosem grandes problemas, a menos que se usem programas incompatíveis. Estas interfaces foramdesenhadas para facilitar o seu emprego pelo usuário comum.Estamos trabalhando para tornar esta tecnologia disponível àqueles que quiserem manipular documentosnas empresas. É verdade que não existe ainda tecnologia de Web Semântica que seja facilmenteutilizável por pessoas idosas ou crianças. Mas no MIT temos um grupo de pesquisadores trabalhandoexatamente nisso, produzindo programas que permitam ao cidadão comum ler, escrever e processar osseus próprios dados.Foi você quem formulou o termo Web Semântica? É a mesma coisa que a Web 3.0? Qual é adiferença entre a Web 2.0 e a 3.0?Sim, fui eu. Foi em 1999, no meu livro "Weaving the Web" (Tecendo a Teia). A Web 2.0 é um nome paradescrever como operam os arquivos usados na web. Com relação ao conteúdo gerado pelos usuários,isso ocorre quando as pessoas acessam web sites e classificam (tagging) informações, sobem umafotografia ou constroem sites comunitários. A Web 2.0, portanto, é baseada em sites comunitários. Masnão fui eu quem inventou este termo. Foi Tim O’Reilly, em 2005.Sobre a Web 3.0, algumas pessoas usam este termo para definir uma nova arquitetura de dados. Jáoutras usam como uma forma de regulamentação da tecnologia da web. Mas considere o futuro datecnologia da web. Um problema típico bem conhecido dos arquivos 2.0 é que seus dados não seencontram num site, mas num banco de dados. Eles não estão na web, não podem ser manipulados.Pegue por exemplo um site profissional com informações sobre os seus colegas de trabalho, um outrosite com informações sobre os seus amigos, além de sites de diferentes comunidades. Na Web 2.0 vocênão pode enxergar o quadro completo; ninguém pode ver o quadro completo. É por isso que algumaspessoas dizem que a Web 3.0 será uma realidade quando os sites exibirem dados que possam sermanipulados.Vejamos um outro exemplo: se um determinado site encontra informações úteis sobre os meus amigos no
  • meu blog, então eu posso definir um ícone para informar ao meu computador: “extraia estes dados,analise-os e os adicione aos dados que tenho de outros sites, para então exibi-los todos juntos”.Quando a Web Semântica atingir todo o seu potencial, ela desencadeará um segundo boom dainternet?Bem, sob certo ponto de vista isso já está acontecendo. Mas eu não acho que a web já atingiu todo o seupotencial, e ela já está aí faz quase 16 anos. A Web Semântica irá decolar quando as pessoascomeçarem a colocar links públicos de dados na web, adicionando dados e arquivos pessoais. Masacredito que ainda vai levar muitos anos, porque muita coisa terá que ser feita para torná-la umarealidade.O que é a Neutralidade na Net? Qual é a sua posição com relação a isto?Trata-se do seguinte: quando você e eu pagamos para nos conectar na internet, podemos nos comunicarnão importando quem quer que nós sejamos. O que mais chama atenção hoje na rede são os vídeos.Eles estão tomando conta da net. Uma empresa como o YouTube atrai muita atenção porque transmitevídeo pela web, aproveitando-se do fato de que, em muitas regiões do mundo, a largura de banda está setornando cada vez maior.Agora suponha que eu esteja em Massachusetts, seja um fã de cinema independente e queira encontrarum filme brasileiro. Eu entro na internet para procurar no Brasil os meus diretores e filmes independentesprediletos. Mas de repente o provedor de acesso em Massachusetts bloqueia a transmissão dizendo:“Não vamos deixar você fazer isso, porque nós vendemos filmes. Sim, nós fornecemos a você acesso àinternet, mas impedimos que assista filmes. Queremos controlar quais filmes você compra.”Eu já vi empresas de tevê a cabo tentarem impedir o uso de ligações telefônicas na internet. Isso mepreocupa. Eu não quero que isso aconteça. Acredito ser muito importante manter a internet aberta paraquem quer que seja. É isso que chamamos de Neutralidade na Net. É imprescindível preservá-la para ofuturo.Em 2003, o governo brasileiro ao lado de outras nações propôs uma administração internacionalpara a internet, espelhada nos exemplos da União Européia e das Nações Unidas. Será que algumdia Washington irá permiti-lo?Acredito que a internet irá se burocratizar aos poucos. Isso é inevitável. É importante permitir que aspessoas de diversos países, dos países emergentes, desenvolvam o seu uso da internet o mais rápidopossível. Mas a administração de algo tão grande nunca poderá ser controlada por uma burocracia única.Não sei que forma essa burocracia assumirá, já que existe muita política envolvida. Mas penso que seriaimportante manter a rede livre da ação dos governos e sem censurar as pessoas que a utilizam.Certa vez você disse que criou a web para resolver uma frustração que tinha no CERN – oConselho Europeu para a Pesquisa Nuclear, em Genebra. Como foi isso?O CERN possui uma maravilhosa diversidade de culturas, porque gente de todo o mundo vai lá parapesquisar física. Em 1989, antes de existir a web, eu escrevi um memorandoexplicando como ela seria.Eu mencionava o sistema de hipertextos e a World Wide Web como um método para agregar e editardados. Eu queria que todas as informações na rede do CERN pudessem ser facilmente acessáveis.Queria desenvolver ferramentas para permitir às pessoas produzir e usar informações de formacolaborativa. A primeira ferramenta foi um editor de web que permitia aos pesquisadores do CERN usarum documento, editá-lo e alterá-lo para então enviá-lo, inserindo links entre as páginas da web edocumentos científicos. Minha frustração era que eu queria trabalhar com pessoas de países diferentes,usando máquinas diferentes, operando bancos de dados diferentes e distribuindo dados em formatosdiferentes. A web forneceu um padrão para tudo isso.Muitos pesquisadores ganharam milhões com a web, mas você preferiu continuar desenvolvendopadrões. Não acha que perdeu a chance de uma vida por não criar uma web proprietária?Não, não acho, porque se ela fosse proprietária as pessoas não teriam usado nem contribuído para o seucrescimento. Ela não teria decolado e nós não estaríamos conversando agora.
  • Empreendedores como Nova Spivak e o co-fundador da Microsoft, Paul Allen, trabalham com umalinha do tempo que prevê o advento da Web 3.0 em 2010 e até mesmo uma futura Web 4.0 em 2020.Consegue imaginar como seria esta Web 4.0?(Risos) Não, eu não consigo. Eu estudo tecnologia real. Eu não inventei a palavra Web 3.0 (ela surgiupela primeira vez num blog em janeiro de 2006). A web está em constante evolução. Na Web 2.0 existemtecnologias, como o JavaScript, que surgiram e se tornaram padrões por auxiliar as pessoas em suastarefas. A maioria dos padrões que estão surgindo agora dará um grande impulso a iniciativas como aweb móvel, que é o uso da web nos mais diversos dispositivos.No futuro teremos a Web Semântica que permitirá muitas outras coisas. Uma das características maispoderosas das tecnologias de rede como a internet, a web ou a Web Semântica é que as coisas queconseguimos fazer vão muito além da imaginação de seus criadores. Pegue, por exemplo, os inventoresdo TCP/IP (Transmission Control Protocol-Internet Protocol), os protocolos originais para a comunicaçãoentre computadores na internet, criados por Vinton Cerf e Robert Kahn em 1974. Como eles imaginariamque aqueles protocolos iriam se tornar a maior de todas as redes?Quando inventei a web, pensava nela como uma infra-estrutura, como uma fundação para muitas outrascoisas. A Web 2.0 permitiu o surgimento das redes sociais e muitos outros serviços. Quando a WebSemântica surgir daqui alguns anos, os usuários irão utilizá-la em formas que ainda não podemos prever.Por isso é uma bobagem tentar imaginar como será uma Web 4.0 quando nem sabemos o que será feitona 3.0.As pessoas que a estudam a Web 3.0 terão que desenvolver ideias para fazer esta nova tecnologia tersucesso. Eles irão projetar coisas fantásticas, assim como os pesquisadores da Web 2.0 estãodesenhando coisas fantásticas neste instante. Quem trabalhar com a Web Semântica irá fazer coisasmuito mais poderosas. Não podemos imaginar como elas serão. Mas temos que construir a web para seruma infra-estrutura. Ela nunca deverá ser usada para propósitos particulares. Somente como umafundação para futuros desenvolvimentos.Copyright 2012 Now!Digital Business Ltda. Todos os direitos reservados.