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Qual é a sua tribo?
Tribos urbanas: encontros entre oarcaico e o tecnológico.• Os escritos de Simmel têm inspirado até hoje muitos  autores a ...
• Um dos mais renomados cientistas sociais que olharam  de perto o fenômeno das tribos urbanas é o diretor do  Centro de E...
Identidade ou identificação?É interessante notar que, para Michel Maffesoli, o Brasil é umdos países em que melhor se pode...
É por isso que Michel Maffesoli propõe a substituiçãoda noção de identidade pela de identificação. Qual é adiferença     e...
Comic-con 2009, San Diego, EUA.                         Comic-con 2009, San Diego, EUA.
Surfistas caminham na praia de Manly, norte da Austrália.
"Eu sou o punk da periferia".É importante observar que, nas ciências sociais, as novas"tribos" são analisadas em sua relaç...
A antropóloga critica o que chama de "definição negativa doacontecimento punk" e afirma que não faz sentido vê-locomo "o r...
ConclusãoA sociabilidade urbana, marcada pelo anonimato, permiteàs pessoas se reinventar, se recriar, se reorganizar e ses...
Exercícios• 1. Após fazer a leitura completa do resumo, crie  uma definição para tribos urbanas.• 2. O que significa dizer...
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  1. 1. Qual é a sua tribo?
  2. 2. Tribos urbanas: encontros entre oarcaico e o tecnológico.• Os escritos de Simmel têm inspirado até hoje muitos autores a pensar sobre vários temas relativos ao modo de vida urbano - afinal, como dizem nossas avós, "os tempos são outros" e os "modos não são os mesmos" nas grandes cidades. Instituições tradicionais, como a Igreja, a família e o Estado, disputam com a indústria do consumo e com a mídia a produção de referenciais de identificação. Esse contexto de fragmentação e multiplicação de referenciais morais, políticos, religiosos e estéticos tem levado alguns antropólogos e sociólogos interessados em compreender a realidade das sociedades ocidentais a trabalhar com a noção de "tribos urbanas".
  3. 3. • Um dos mais renomados cientistas sociais que olharam de perto o fenômeno das tribos urbanas é o diretor do Centro de Estudos do Atual e do Cotidiano da Universidade de Paris V, Michel Maffesoli, autor, entre outros, de um livro chamado O tempo das tribos (1987). Para ele, o "neotribalismo" constitui o paradigma mais adequado para interpretar a sociedade contemporânea, que se caracteriza pela combinação entre práticas arcaicas e desenvolvimento científico, entre princípios "tribais" e novas tecnologias. O sucesso de histórias como O Senhor dos Anéis e Harry Potter, em que o místico e os "efeitos especiais", o mágico e o tecnológico se encontram, seriam, segundo Maffesoli, sinais sociológicos de que os sujeitos urbanos estão buscando um "reencantamento" para suas vidas.
  4. 4. Identidade ou identificação?É interessante notar que, para Michel Maffesoli, o Brasil é umdos países em que melhor se pode observar as dinâmicas doneotribalismo, porque entre nós o tradicional e o tecnológico secombinam o tempo todo. De fato, no cenário das grandes cidadesbrasileiras, a todo momento surgem novas "tribos" (wiccas,emos, patricinhas, pitboys), enquanto outras praticamentedesaparecem (darks, grunges) e outras, ainda, sobrevivem hábastante tempo (metaleiros, punks, surfistas). Em sua maioria,essas "tribos" - ou "comunidades estéticas", para usarmos aexpressão de outro sociólogo famoso chamado Zigmunt Bauman- se distinguem umas das outras sobretudo por quesitos visuais epadrões de consumo, que se tornam elementos próprios de suaidentidade. Mas se antes a noção de identidade, de um grupo oude um indivíduo, remetia à ideia de unidade, estabilidade ecoerência, hoje não é necessariamente assim. Alguém quedurante a pré-adolescência se identificava como funkeiro aos 14anos pode se "converter" em emo, e aos 16 passar a se apresentarcomo ex-funkeiro-ainda-emo-e-também-vegetariano!
  5. 5. É por isso que Michel Maffesoli propõe a substituiçãoda noção de identidade pela de identificação. Qual é adiferença entre essas duas noções tãoparecidas? Enquanto identidade se refere a um modode ser estável e coerente, identificação diz respeito a"máscaras variáveis", até mesmo descartáveis, arelações "informais" e "afetivas" entre os sujeitos. Se,no início do século XX, as meninas praticamente jánasciam com uma identidade preestabelecida -deveriam se casar na igreja, ter filhos e cuidar da casa -, uma jovem do novo milênio tem um leque muitomaior de possibilidades de identificação à sua frente,tanto em termos de vida afetiva, sexual e familiarquanto de vida profissional.
  6. 6. Comic-con 2009, San Diego, EUA. Comic-con 2009, San Diego, EUA.
  7. 7. Surfistas caminham na praia de Manly, norte da Austrália.
  8. 8. "Eu sou o punk da periferia".É importante observar que, nas ciências sociais, as novas"tribos" são analisadas em sua relação com o contexto maisamplo no qual estão inseridas. A pesquisa de campo feitapela antropóloga Janice Caiafa no Rio de Janeiro na décadade 1980, publicada sob o título Movimento punk na cidade:a invasão dos bandos sub, é um bom exemplo desse tipo deanálise. A autora oferece um mapa da experiência punk apartir de sua música, estética e comportamento, bem comode sua interação com o restante da cidade: "os punks sãojovens entre 15 e 22 anos que se deslocam em bando, e nãoé difícil perceber que estão juntos e algo os une". Apesar daaparência por vezes agressiva e da transgressão de certasnormas próprias da adolescência, na maior parte do tempo,diz ela, os punks seguem pelas ruas "num atrevimentotranquilo e sem revide".
  9. 9. A antropóloga critica o que chama de "definição negativa doacontecimento punk" e afirma que não faz sentido vê-locomo "o resultado de um fracasso das instituições emassimilarem a juventude". Em sua opinião, é preciso queos punks e outras "tribos" sejam compreendidos comomanifestações próprias dos novos arranjos sociais, quepermitem que se estabeleçam parcerias não mais baseadasnos pertencimentos familiares ou partidários, mas nosgostos e nas atitudes.Em sua pesquisa, Janice Caiafa observou que entre os punks, ouentre estes e os "outros" habitantes da cidade, a troca de olharesera sempre rápida, assim como eram efêmeras as relaçõesestabelecidas. Como no caso de várias outras "tribos", seusparticipantes não faziam projetos para o futuro do grupo nemrevelavam preocupações com seu destino. Segundo a autora, erao próprio consumo de adereços e produtos musicais que animavaa existência dos punks enquanto "tribo" ou "movimento".
  10. 10. ConclusãoA sociabilidade urbana, marcada pelo anonimato, permiteàs pessoas se reinventar, se recriar, se reorganizar e sesocializar da forma que escolherem. Bem comportadas ourebeldes, as tribos ostentam padrões estéticos que seopõem às tendências mais amplas da sociedade. Issotransforma os indivíduos identificados com cada uma delasem consumidores de produtos que os singularizam comomembros de uma comunidade particular. Existe, portanto,uma intenção de distinção que parte dos adeptos dastribos. Por outro lado, aqueles que não se identificam ounão aceitam os padrões propostos por uma tribo urbanapodem rotular, estigmatizar e até alimentar uma dinâmicade discriminação e preconceito contra os seus integrantes.
  11. 11. Exercícios• 1. Após fazer a leitura completa do resumo, crie uma definição para tribos urbanas.• 2. O que significa dizer que as sociedades contemporâneas combinam aspectos arcaicos e modernos? Explique com suas próprias palavras.• 3. Que conceito é utilizado pela sociologia para definir uma situação em que um indivíduo é identificado como pertencente a um grupo sem que tal identificação parta dele? Cite um exemplo
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