Como viver para ser feliz

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Aula de Filosofia, 2º Bimestre. 1º Ano.

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Como viver para ser feliz

  1. 1. COMO VIVER PARA SER FELIZ?O que disseram os sábios gregos Prof. Aldenei Barros
  2. 2. Conhecimento e bondade (Platão).No grego antigo, várias palavras traduziam distintosaspectos da felicidade. A principal delas eraeudaimonia, derivada dos termos eu ("bem-disposto") e daimon ("poder divino"). Trata-se dafelicidade entendida como um bem ou poderconcedido pelos deuses. Isso significa que afelicidade era tida como uma espécie de fortuna ouacaso - enfim, um bem instávelque dependia tantoda conduta pessoal, como da boa vontade divina(cf. LAURIOLA, De eudaimonia à felicidade...,Revista Espaço Acadêmico, n. 59).
  3. 3. Para entender a concepção platônica defelicidade, precisamos compreender primeiramente suadoutrina sobre a alma humana, contida na obra Arepública. Para Platão, o ser humano é essencialmentealma, que é imortal e existe previamente ao corpo. Aunião da alma com o corpo é acidental, pois o lugarpróprio da alma não é o mundo sensível, e sim o mundointeligível. A alma se dividiria em três partes:- alma concupiscente - situada no ventre e ligada aosdesejos carnais;- alma irascível - situada no peito e vinculada às paixões;e- alma racional - situada na cabeça e relacionada com oconhecimento.
  4. 4. A vida feliz de uma pessoa dependeria da devidasubordinação e harmonia entre essas três almas. A almaracional regularia a irascível, e esta controlaria aconcupiscente, sempre com a supervisão da parteracional. Há, portanto, uma primazia da parte racionalsobre as demais.Para apoiar essa tarefa, Platão propunha duas práticas:- ginástica - atividade física por meio da qual a pessoadominaria as inclinações negativas do corpo; e- dialética - método de dialogar (praticado por Sócrates)pelo qual se ascenderia progressivamente do mundosensível (que Platão considerava ilusório) ao mundointeligível (que ele considerava verdadeiro), onde seencontram as ideias perfeitas (que correspondemao máximo grau de conhecimento e à realidadeverdadeira).
  5. 5. Por meio dessas práticas - especialmente dadialética - a alma humana penetraria o mundointeligível, conhecido como mundo das ideias, e seelevaria sucessivamente mediante a contemplaçãodas ideias perfeitas, até atingir a ideia suprema, queé a ideia do bem.Essa supremacia deve-se a que, para Platão, o bem éa causa de todas as coisas justas e belas queexistem, incluindo as outras ideias perfeitas, comojustiça, beleza, coragem. Sem o bem não hánenhuma delas, inclusive a ideia perfeita defelicidade.
  6. 6. Questão FilosóficaElabore uma reflexão sobre a importância daginástica, como propunha Platão (e aeducação grega em geral), ou de umaatividade física sistemática em suavida. Como você se sente quandoa pratica? Que resultados concretosobtém? Você vê relação entre os resultados ea teoria platônica sobre a felicidade?
  7. 7. Vidas teórica e prática (Aristóteles).Ocorre frequentemente, na história da filosofia, queum discípulo acabe não sendo um seguidor fiel dasdoutrinas de seu mestre e que até se oponha a ele emvários aspectos, desenvolvendo um pensamentoindependente e original.É o caso de Aristóteles (384-322 a.C.), que refutou ateoria do mundo das ideias, pilar da filosofiaplatônica, propondo um pensamento que, emboravalorizasse a atividadeintelectual, teórica, contemplativa comofundamental, resgatava o papel dos benshumanos, terrenos, materiais para alcançar uma vidaboa.
  8. 8. Aristóteles concordava com Platão que a finalidade últimade todos os indivíduos é a felicidade; mas como alcançá-la? Sua resposta:[...] o que é próprio de cada coisa é, por natureza, o que háde melhor e de aprazível para ela; e assim, para o homema vida conforme a razão é a melhor e a mais aprazível, jáque a razão, mais que qualquer outra coisa, é ohomem. Donde se conclui que essa vida é também a maisfeliz (ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco, p. 190).Podemos assim resumir a resposta dofilósofo, desenvolvida de maneira ampla e expressiva emsua obra Ética a Nicômaco:
  9. 9. - Aristóteles afirma que um ser só alcança seu fim quandocumpre a função (ou faculdade) que lhe é própria e o distinguedos demais seres, isto é, sua virtude.A palavra virtude é entendida aqui como aquela propriedadede um ser que lhe é mais característica e essencial, cujaaplicação conduz à excelência ou perfeição desse ser. Porexemplo: a virtude de uma faca é o seu corte, de umalaranjeira é produzir laranjas, de um dentista é tratar os dentes.- O ser humano dispõe de uma grande quantidade de funçõesou faculdades(caminhar, correr, comer, sentir, dormir, desejar, obrar, amar etc.), mas outros animais parecem também possuí-las. A únicafaculdade que só ele possui e que o distingue dosdemais seres é a de pensar, especialmente a atividaderacional. Essa seria, portanto, sua virtude essencial.- Assim, o ser humano só alcançará seu fim (a felicidade) seatuar conforme sua virtude, a razão.
  10. 10. Para Aristóteles, portanto, não basta ter uma virtude (aracionalidade). É preciso praticá-la. O ser humano precisaesforçar-se para realizar aquilo que lhe é dado pelanatureza como potência (possibilidade de ser).Desse modo, o filósofo preconizava que, para atingir afelicidade verdadeira, o indivíduo deveria dedicar-sefundamentalmente à vida teórica, no sentido de umacontemplação intelectual, buscando observar a beleza e aordem do cosmo, a autêntica realidade das coisas. Eessa forma de atuar deveria manter-se durante a vidainteira,[...] porquanto uma andorinha não faz verão, nem um diatampouco; e da mesma forma um dia, ou um breve espaçode tempo, não faz um homem feliz e venturoso. (Ética aNicômaco, p. 16).

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