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Best management practices in shrimp farming (in Portuguese)
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Best management practices in shrimp farming (in Portuguese)

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Survey conducted in 2005 in 43 commercial shrimp farms located in the State of Ceará, NE Brazil. Based on their technical profile, material provides guidance on the implementation of best management ...

Survey conducted in 2005 in 43 commercial shrimp farms located in the State of Ceará, NE Brazil. Based on their technical profile, material provides guidance on the implementation of best management practices on each aspect of shrimp production involved.

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Best management practices in shrimp farming (in Portuguese) Best management practices in shrimp farming (in Portuguese) Document Transcript

  • Superintendência Estadual do Meio Ambiente Princípios para Boas Práticas de Manejo (BPM) na Engorda de Camarão Marinho no Estado do Ceará.
  • Princípios para Boas Práticas de Manejo (BPM) na Engorda de Camarão Marinho no Estado do Ceará. Governo do Estado do Ceará SOMA - Secretaria da Ouvidoria Geral e do Meio Ambiente SEMACE - Superintendência Estadual do Meio Ambiente Universidade Federal do Ceará (UFC) Instituto de Ciências do Mar (LABOMAR) Fortaleza - Ceará Março - 2005
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO Alberto J.P. Nunes, Ph.D. Professor Adjunto – Labomar/UFC Tereza Cristina Vasconcelos Gesteira, Ph.D. Coordenadora do CEDECAM – Labomar/UFC Glauber Gomes de Oliveira, Eng. de Pesca Engenheiro de Pesca – Labomar/UFC Ricardo Cunha Lima, M.Sc. Presidente da ACCC – DFA-CE – Labomar/UFC Paulo de Tarso de Castro Miranda, M.Sc. Engenheiro de Pesca – SEMACE-CE Raul Malvino Madrid, Dr. Analista Ambiental – IBAMA/CE – Labomar/UFC Elaboração Publicação Instituto de Ciências do Mar (LABOMAR) Universidade Federal do Ceará (UFC) Ministério da Educação Apoio e Suporte Técnico Governo do Estado do Ceará SEMACE - Superintendência Estadual do Meio Ambiente Ceará Secretaria da Ouvidoria Geral e do Meio Ambiente
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO © 2005 Elaborado e publicado pelo COMO CITAR ESTA PUBLICAÇÃO Nunes, A.J.P., Gesteira, T.C.V., Oliveira, G.G., Lima, R.C., Miranda, P.T.C. e Madrid, R.M. 2005. Princípios para Boas Práticas de Manejo na Engorda de Camarão Marinho no Estado do Ceará. Instituto de Ciências do Mar (Labomar/UFC). Programa de Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) do Estado do Ceará, Fortaleza, Ceará. 109 p. PARA OBTER CÓPIAS DESTA PUBLICAÇÃO: Instituto de Ciências do Mar (LABOMAR) Universidade Federal do Ceará (UFC) Avenida da Abolição, 3207, Meireles 60.165-081, Fortaleza, Ceará Telefone: 85-32426422 Fax: 85-32428355 labomar@labomar.ufc.br www.labomar.ufc.br
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO AGRADECIMENTOS Os autores agradecem aos proprietários das fazendas listadas abaixo que gentilmente participaram das entrevistas e permitiram visitas as suas instalações de cultivo. 1. AMILCAR MONTEIRO COSTA LIMA 2. AQUAMAR 3. AQUAPLAN EXPORTAÇÃO LTDA. 4. ARGENBRAS 5. ARTEMISA AQÜICULTURA S.A. 6. ARTUR AQÜICULTURA 7. ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DE REQUENGUELA 8. ATLÂNTICO MARICULTURA LTDA. 9. BIOTEK MARINE E COMÉRCIO 10. CAJUCÔCO AQUACULTURA E AGROPECUÁRIA LTDA. 11. CAMACEL 12. CAMARÃO DA ILHA 13. CAMARISCO CAMOCIM M. LTDA. 14. CEAQUA CEARÁ AQUACULTURA LTDA. 15. CELM AQÜICULTURA 16. CINA COMPANHIA NORDESTE DE AQÜICULTURA E ALIMENTAÇÃO 17. COMPESCAL COMÉRCIO DE PESCADO ARACATIENSE 18. COPES AQÜICULTURA E EXPORTAÇÃO LTDA. 19. CRISTAL AGROPECUÁRIA LTDA. (FAZENDA I) 20. CRISTAL AGROPECUÁRIA LTDA. (FAZENDA II) 21. DACE DALLAS AQÜICULTURA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO 22. FAZENDA CORREIA 23. FAZENDA SÃO JOSÉ 24. GOLD SHRIMP CARCINICULTURA 25. IMA PRODUÇÕES LTDA. 26. JOLI AQÜICULTURA 27. LAIS CARCINICULTURA 28. LIBRA PESCADOS LTDA. 29. LUCRI AQÜICULTURA LTDA. 30. MANOR MARICULTURA DO NORDESTE LTDA. 31. MARICULTURA ACARAÚ PESCA 32. PEQUENO PRODUTOR EM CRUZ, CEARÁ 33. PMC PRODUÇÃO DE MARISCOS E CAMARÕES LTDA. 34. PROCAM PRODUTORA DE CAMARÃO LTDA. 35. REVESA ADMINISTRAÇÃO PARTICIP.E IMPORTAÇÃO LTDA. 36. RIVERS MARINES AQÜICULTURA LTDA. 37. SAMARISCO SAMBURÁ CAMARONEIRA LTDA. 38. SANTA BÁRBARA AQÜICULTURA 39. SÃO BENTO AQÜICULTURA 40. SEAFARM CRIAÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS AQUÁTICOS LTDA. 41. SITIO PEDRINHAS I E II 42. VIP CAMARÕES 43. ZUMBI AQÜICULTURA LTDA.
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO PREFÁCIO A carcinicultura marinha ou o cultivo de camarão marinho em cativeiro é uma das atividades do agronegócio brasileiro mais representativas na Região Nordeste. Desde o início desta década que o setor cresce de forma acelerada, em particular no Estado do Ceará, um dos maiores produtores nacionais. Apesar dos seus benefícios sócio-ecônomicos, existe uma preocupação cada vez maior quanto aos possíveis impactos da atividade sobre o meio ambiente. Efeitos ambientais adversos advindos da carcinicultura marinha possuem uma estreita relação com a engenharia, a construção e a operacionalização da fazenda de cultivo. Aspectos como a proteção dada aos taludes e diques, tipo de material utilizado na compactação, posicionamento de aeradores e profundidade dos viveiros podem reduzir drasticamente o potencial erosivo no sistema de produção, melhorando a qualidade dos efluentes gerados. A captação de água, sua distribuição aos viveiros e os métodos de drenagem adotados durante a renovação e a despesca também exercem forte influência sobre a qualidade da água e o meio ambiente. As BPM (Boas Práticas de Manejo, do inglês “Better Management Practices, BMPs”) compõem um sistema de princípios técnicos que objetivam oferecer referências a uma determinada atividade produtiva e a seus órgãos reguladores, recomendando procedimentos operacionais que mantenham a harmonia e o equilíbrio ambiental capazes de perpetuar a atividade em questão. O objetivo das BPM não é impor normas ou regras, mas sugerir procedimentos que pela experiência prática demonstram ser mais eficazes e rentáveis do ponto de vista ambiental e econômico. Na carcinicultura marinha, as BPM da Global Aquaculture Alliance (Boyd, 1999), da Australian Shrimp Prawns Association (Donavan, 2001 e da Asociación Nacional de Acuicultores de Honduras (Haws et al., 2001) foram as precursoras de códigos de conduta locais, como o da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC, 2001) e mais recentemente do Estatuto e Código de Conduta da Associação Cearense de Criadores de Camarão (ACCC, 2004). Os Princípios para Boas Práticas de Manejo apresenta o resultado de um estudo sobre o perfil técnico e operacional de 43 empreendimentos de engorda de camarão marinho do Estado do Ceará. Os resultados demonstram que apesar de existirem distinções operacionais como tamanho da fazenda, aporte de mão-de-obra, insumos e tecnologia, a maioria das operações de engorda de camarão no Estado adotam procedimentos de cultivo relativamente padronizados. As BPM apresentadas nesta publicação é a compilação de práticas encontradas na literatura, bem como resultantes da experiência e de trabalhos realizados em laboratório e em campo pelos autores. As BPM sugerem adoção de medidas proativas por parte dos produtores e abrangem desde aspectos relacionados à construção da fazenda, avaliação de áreas propícias ao cultivo, engenharia e construção de viveiros até o uso de rações, agentes terapêuticos, manejo de doenças e outras rotinas do dia-dia. Os autores.
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO Lista de Figuras........................................................................................................................... Pg 01 - Raio de Cobertura do Presente Estudo ................................................................................... xii 02 - Localização das fazendas abrangidas no presente estudo (pontos vermelhos) ........................xiii 03 - Camarões estocados sob densidade de 12animais/m2 em tanque de cultivo........................ 18 04 - Canaletas de drenagem de água em um viveiro de engorda de camarão ............................. 29 05 - Canal de descarga de água de uma fazenda de engorda de camarão ................................. 30 06 - Fases do ciclo de muda de um camarão marinho e os principais sinais para identificação ... 52 07 - Gaiola telada para estimar a mortalidade de camarões em viveiros de engorda após o povoamento ........................................................................................................................ 54 08 - Aeradores de pás em funcionamento em um viveiro de engorda de camarão ....................... 63 09 - Esquema de distribuição de ração em viveiros de engorda, após o povoamento com PL2 ou superior ........................................................................................................................... 69 10 - Disposição apropriada para o armazenamento de ração ...................................................... 72 11 - Funcionário preparado para distribuição de calcário em viveiro de engorda de camarão ..... 79 12 - O uso de máscara é essencial para manipulação do metabisulfito ....................................... 99 13 - Tanques berçários em uma fazenda de engorda de camarão .............................................. 105 14 - Camarão em estágio avançado de necrose cuticular .......................................................... 107 Lista de Tabelas 01 - Medidas de tratamento adotadas nos afluentes e efluentes ................................................... 56 02 - Medidas de tratamento adotadas para os riscos de contaminação........................................ 57 03 - Taxa de aeração mecânica recomendada(cv/ha) em função da densidade de camarões estocados, peso médio populacional e sobrevivência estimada .............................................................. 64 04 - Número de refeições diárias e densidade de bandejas de alimentação em função da densidade de estocagem de camarões e fase de cultivo ...................................................... 70 05 - Tipos de rações utilizadas nas diferentes fases de desenvolvimento dos camarões................. 72 06 - Parâmetros aceitáveis e preferíveis nas rações....................................................................... 74 07 - Corretivos comumente utilizados para o tratamento do solo de viveiros de camarão ............ 79 08 - Quantidade de corretivo (kg/ha) recomendado em função do pH do solo de viverios de camarão com vistas a neutralização da acidez .................................................................................... 82 09 - Grau de pureza ou eficiência (%) do calcário em funcção de sua granulometria................... 82 10 - Níveis ideais de qualidade de água de viveiros de camarão e frequência recomendada para monitoramento ..................................................................................................................... 86 11 - Esquema de troca d´água observado nas fazendas de camarão ........................................... 88 Lista de Gráficos 001 - Tempo de Funcionamento das Fazendas ............................................................................. 16 002 - Número de Viveiros na Fazenda ......................................................................................... 17 003 - Área Média de cada viveiro ................................................................................................ 17 004 - Profundidade dos viveiros ................................................................................................... 17 005 - Densidade de Estocagem .................................................................................................... 18 006 - Número de ciclos ao ano ................................................................................................... 19 007 - Tempo do ciclo de engorda ................................................................................................ 19 008 - Peso dos camarões na despesca ......................................................................................... 20 009 - Média de sobrevivência ...................................................................................................... 20 ILUSTRAÇÕES
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 010 - Fator de conversão alimentar.............................................................................................. 20 011 - Produtividade de camarões ................................................................................................. 20 012 - Produção de camarão em 2003 ......................................................................................... 21 013 - Mudanças ocorridas na produção 2002 - 2003 ................................................................. 21 014 - Mudanças previstas na produção 2003 - 2004 .................................................................. 21 015 - Mudanças previstas na produção 2004 - 2006 .................................................................. 21 016 - Critérios adotados na seleção de área................................................................................ 24 017 - Conflito com outras atividades............................................................................................ 24 018 - Concetração de fazendas de camarão ................................................................................ 25 019 - Proximidade da fazenda com área urbana .......................................................................... 25 020 - Análises para correção química do solo ............................................................................. 26 021 - Análise de solo em laboratório especializado...................................................................... 26 021 - Configuração dos viveiros .................................................................................................. 27 022 - Proteção de diques e taludes .............................................................................................. 28 023 - Tipo de proteção de diques e taludes.................................................................................. 28 024 - Alcança drenagem total da água dos viveiros ..................................................................... 29 025 - Canais individuais de adução e drenagem ......................................................................... 30 026 - Regime de Cultivo............................................................................................................... 31 027 - Disponibilidade de tanques e berçario ................................................................................ 34 028 - Configuração de tanques e berçario ................................................................................... 35 029 - Revestimento interno dos berçarios ..................................................................................... 35 030 - Sistema de aeração predominante ...................................................................................... 36 031 - Sistema de gerador para berçário ....................................................................................... 36 032 - Área de localizaçõo do berçários........................................................................................ 37 033 - Acesso a berçários .............................................................................................................. 37 034 - Origem da água de abastecimento..................................................................................... 38 035 - Água do berçário submetida ............................................................................................... 38 036 - Sifonagem de água do berçário.......................................................................................... 39 037 - Destino da água de drenagem/sifonagem .......................................................................... 39 038 - Teste de avaliação de pós-larvas......................................................................................... 42 039 - Teste conduzidos de estresse ............................................................................................... 42 040 - Método de ccontagem de pós-larvas .................................................................................. 43 041 - Critérios exigidos ao laboratório ......................................................................................... 43 042 - Providências na recepção de pós-larvas.............................................................................. 44 043 - Densidade e estocagem no berçário ................................................................................... 44 044 - Tempo de cultivo no berçário .............................................................................................. 45 045 - Alimento utilizado na fase de berçário ................................................................................ 45 046 - Frequência alimentar na fase de berçário ........................................................................... 45 047 - Horários de transferência/povoamento de PL’s em viveiros.................................................. 46 048 - Acondicionamento de PL’s durante transferência para viveiros ............................................ 46 049 - Medidas tomadas diante de diferenças na qualidade de água ............................................ 46 050 - Densidade de estocagem no tanque de transferência.......................................................... 47 051 - Desinfecção e limpeza das caixas de transferência de PL’s ................................................. 47 052 - Frequência de biometrias na fazenda .................................................................................. 50 053 - Estágio de realização da primeira biometria ....................................................................... 50 054 - Exames realizados na biometria .......................................................................................... 50
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 055 - Monitoramento e estoque em outras circunstâncias ............................................................ 51 056 - Outras situações de monitoramento do estoque ................................................................. 51 057 - Períodos de avaliação do estágio de muda da população .................................................. 52 058 - Métodos de avaliação do estágio de muda......................................................................... 53 059 - Método adotado pora estimar a sobrevivência.................................................................... 54 060 - Tratamento de afluentes e efluentes .................................................................................... 56 061 - Riscos de contaminação da água por esgotos domésticos e industriais ............................... 57 062 - Nível de influência na água de captação dos efluentes de fazendas vizinhas ...................... 58 063 - Permanência da água de captação no canal de adução ..................................................... 58 064 - Drenagem total e limpeza do canal de adução ................................................................... 58 065 - Tratamento de esgotos e resíduos sólidos............................................................................ 59 066 - Destino de esgotos e resíduos sólidos ................................................................................. 59 067 - Emprego de aeração mecânica .......................................................................................... 62 068 - Objetivos da aeração mecânica ......................................................................................... 62 069 - Horário e tempo de funcionamento dos aeradores ............................................................. 63 070 - Critérios para definir a potência de aeradores por área de cultivada .................................. 64 071 - Momento de introdução de aeradores nos viveiros ............................................................. 64 072 - Forma de Posicionamento dos aeradores ............................................................................ 65 073 - Distância dos aeradores em relação ao taludes .................................................................. 65 074 - Método predominante de distribuição de ração .................................................................. 68 075 - Distribuição de ração em bandejas ..................................................................................... 68 076 - Base para ajuste das refeições ofertadas ........................................................................... 68 077 - Frequência nos ajustes de refeição...................................................................................... 69 078 - Número diário de refeições ministradas .............................................................................. 70 079 - Número de bandejas por área cultivada ............................................................................. 70 080 - Forma de armazenamento da ração ................................................................................... 71 081 - Armazenamento próximo ao viveiro .................................................................................... 71 082 - Rotatividade de cargas de ração na fazenda ....................................................................... 71 083 - Tipos de ração empregadas no berçário de engorda .......................................................... 72 084 - Marcas de ração empregadas noberçário de engorda ........................................................ 73 085 - Critérios para aquisição de ração ....................................................................................... 73 086 - Realização testes de qualidade física .................................................................................. 74 087 - Frequência de testes físicos ................................................................................................. 74 088 - Parâmetros utilizados para avaliar o desempenho da ração ................................................ 75 089 - Utilização de área de bioensaios para testes de qualidade nutricional ................................ 76 090 - Uso do terreno anterior a constução da fazenda................................................................. 78 091 - Textura predominate do solo nos viveiros ............................................................................ 78 092 - Tratamento do solo ............................................................................................................. 79 093 - Forma de revirada do solo .................................................................................................. 80 094 - Limpeza e desinfecção de trator .......................................................................................... 80 095 - Objetivos da calagem......................................................................................................... 81 096 - Frequência da calagem ...................................................................................................... 81 097 - Número e pontos de coleta de solo no viveiro .................................................................... 81 098 - Parâmetros analisados de qualidade de água ..................................................................... 84 099 - Finalidade das análises de qualidade de água .................................................................... 84 100 - Método de realização de análises ....................................................................................... 85
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 101 - Limpeza e calibração do equipamento de qualidade de água............................................. 85 102 - Disponibilidade de laboratório de qualidade de água na fazenda ...................................... 85 103 - Disponibilidade de cerca ou outro tipo de proteção no ponto de captação ........................ 87 104 - Tipos de bombas empregadas ............................................................................................ 87 105 - Influência da água de descarga da própria fazenda no ponto captação ............................. 87 106 - Taxa diária de renovação de água ...................................................................................... 88 107 - Fatores considerados no momento do bombeamento ......................................................... 88 108 - Emprego de filtragem da água por telas na comporta de abastecimento ............................ 90 109 - Objetivo da filtragem da água por telas na comporta de abastecimento............................. 90 110- Substâncias químicas empregadas no cultivo ....................................................................... 92 111 - Objetivos do uso dos produtos químicos............................................................................. 92 112 - Base para cálculo de dosagens de químicos ....................................................................... 94 113 - Forma de aplicação dos químicos....................................................................................... 94 114 - Critérios para definir o momento da despesca .................................................................... 96 115 - Horários regularmente empregado para despesca .............................................................. 96 116 - Preparativos essenciais para despesca ................................................................................ 96 117 - Equipamentos e insumos para despesca ............................................................................. 97 118 - Empréstimo de material de despesca de outras fazendas .................................................... 98 119 - Desinfecção de equipamentos e utensílios empregados na despesca .................................. 98 120 - Formas de descarte da mistura de gelo e metabisulfito ....................................................... 99 121 - Equipamentos de Proteção Individual - EPI´s utilizados durante a manipulação do metabisulfito 100 122 - Padrões sanitários das instalações .................................................................................... 102 123 - Compatibilidade das instalações sanitárias com o número de funcionários ....................... 102 124 - Controle no fluxo de visitantes e fornecedores a fazenda .................................................. 103 125 - Disponibilidade de cerca de proteção ............................................................................... 103 126 - Sistemas de desinfecção utilizados .................................................................................... 104 127 - Exigência do uso de luvas, botas e aventais pelos funcionários e (ou) visitantes ................ 104 128 - Adoção do manejo “All in All out”........................................................................................ 105 129 - Doenças já observadas na fazenda ................................................................................... 106 130 - Procedimentos utilizados no caso da presença de enfermidades ....................................... 106 131 - Forma de descarte de camarões encontrados mortos.............................................. 106 e 108 132 - Destino dados ao camarões após as biometrias................................................................ 108 133 - Tipo de licença para construção de diques, canais e viveiros ............................................ 110 134 - Distância mínima em média da área dos diques para Áreas de Preservação Permanente .. 110 135 - Ecossistemas permanentes no entorno da fazenda ............................................................ 112 136 - Áreas legalmente protegidas na propriedade .................................................................... 112 137 - Execução de reflorestamento para compensação de passivo ambiental ............................ 112 138 - Instalações disponíveis na fazenda .................................................................................... 116 139 - Funcionários atendidos pelas instalações .......................................................................... 116 140 - Número de funcionários que fazem parte da comunidade local ........................................ 117 141 - Grau de escolaridade dos funcionários............................................................................. 117 142 - Tipo de apoio social ao funcionário ou sua família ........................................................... 118 143 - Adoção do sistema de premiação por resultado alcançado .............................................. 118 144 - Regime de trabalho dos funcionários ................................................................................ 119 145 - Equipe de despesca .......................................................................................................... 119 146 - Número de funcionários equipados e protegidos .............................................................. 120 147 - Número de funcionários por área de atuação na fazenda ................................................ 120
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO SUMÁRIO Prefácio ........................................................................................................................................ v Universo Pesquisado, Localização e Metodologia........................................................................xiii Agradecimentos ........................................................................................................................... iv 1. Aspectos Operacionais ...........................................................................................................15 1.1 Tempo de Funcionamento .................................................................................................. 16 1.2 Viveiros de Engorda ........................................................................................................... 17 1.3 Densidade de Estocagem................................................................................................... 18 1.4 Duração do Cultivo ........................................................................................................... 19 1.5 Parâmetros de Desempenho Zootécnico ............................................................................ 20 1.6 Produção de Camarões ..................................................................................................... 21 2. Construção da Fazenda..........................................................................................................23 2.1 Critérios para Seleção de Área .......................................................................................... 24 2.2 Localização da Fazenda..................................................................................................... 25 2.3 Análises do Solo ................................................................................................................ 26 2.4 Configuração dos Viveiros ................................................................................................. 27 2.5 Proteção de Diques e Taludes ............................................................................................ 28 2.6 Drenagem de Água dos Viveiros ........................................................................................ 29 2.7 Canais Individuais de Adução e Drenagem de Água.......................................................... 30 2.8 Regime de Cultivo ............................................................................................................. 31 3. Unidade de Berçário ..............................................................................................................33 3.1 Sistema de Tanques Berçários ............................................................................................ 34 3.2 Configuração dos Berçários............................................................................................... 35 3.3 Aeradores e Geradores...................................................................................................... 36 3.4 Localização e Acesso ......................................................................................................... 37 3.5 Água de Abastecimento ..................................................................................................... 38 3.6 Manejo da Água................................................................................................................ 39 4. Recepção e Povoamento de Pós Larvas - PL’s ..........................................................................41 4.1 Testes de Avaliação de Pós Larvas - PLs ............................................................................. 42 4.2 Transporte e Contagem ..................................................................................................... 43 4.3 Recepção de Pós Larvas - PLs ............................................................................................ 44 4.4 Manejo Alimentar .............................................................................................................. 45 4.5 Transferência e Povoamento .............................................................................................. 46 4.6 Manejo das Caixas de Transferência .................................................................................. 47 5. Monitoramento do Estoque cultivado ......................................................................................49 5.1 Biometria Populacional ...................................................................................................... 50
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 5.2 Monitoramento do Estoque ................................................................................................ 51 5.3 Determinação da Muda ..................................................................................................... 52 5.4 Estimativa de Sobrevivência ............................................................................................... 53 6. Afluentes, Efluentes e Resíduos Sólidos ...................................................................................55 6.1 Tratamento de Efluentes e Afluentes ................................................................................... 56 6.2 Riscos da Contaminação da Água de Captação ................................................................ 57 6.3 Manejo do Canal de Adução............................................................................................. 58 6.4 Esgotos e Resíduos Sólidos ................................................................................................ 59 7. Aeração Mecânica .................................................................................................................61 7.1 Objetivos da Aeração Mecânica ........................................................................................ 62 7.2 Horário e Tempo de Aeração ............................................................................................. 63 7.3 Taxa de Aeração ................................................................................................................ 64 7.4 Posicionamento e Alinhamento dos Aeradores ................................................................... 65 8. Ração e Alimentação..............................................................................................................67 8.1 Métodos de Distribuição de Ração..................................................................................... 68 8.2 Ajuste das Refeições Ofertadas .......................................................................................... 69 8.3 Número de Refeições e Densidade de Bandejas................................................................. 70 8.4 Armazenamento de Ração ................................................................................................. 71 8.5 Número de Rações Empregadas ........................................................................................ 72 8.6 Critérios Utilizados para Seleção de Ração ........................................................................ 73 8.7 Inspeção e Testes de Qualidade da Ração ......................................................................... 74 8.8 Parâmetros para Avaliar o Desempenho de Rações............................................................ 75 9. Manejo do Solo......................................................................................................................77 9.1 Tipo e Uso Anterior do Solo ............................................................................................... 78 9.2 Tratamentos do Solo .......................................................................................................... 79 9.3 Revirada do Solo ............................................................................................................... 80 9.4 Calagem ........................................................................................................................... 81 10. Qualidade de Água..............................................................................................................83 10.1 Parâmetros de Qualidade de Água .................................................................................. 84 10.2 Análise dos Parâmetros de Qualidade de Água ............................................................... 85 10.3 Bombeamento de Água ................................................................................................... 86 10.4 Renovação de Água ........................................................................................................ 87 10.5 Filtragem de Água ........................................................................................................... 88 11. Substâncias Químicas ..........................................................................................................91 11.1 Químicos e seus Objetivos .............................................................................................. 92 11.2 Dosagens e Formas de Aplicação .................................................................................... 94
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 12. Despesca .............................................................................................................................95 12.1 Preparação para Despesca .............................................................................................. 96 12.2 Equipamentos e Insumos ................................................................................................. 97 12.3 Higienização de Veículos, Equipamentos e Pessoal .......................................................... 95 12.4 Manipulação do Metabisulfito ......................................................................................... 99 13. Sanidade e Biossegurança..................................................................................................101 13.1 Instalações Sanitárias .................................................................................................... 102 13.2 Acesso a Fazenda .......................................................................................................... 103 13.3 Barreiras Sanitárias........................................................................................................ 104 13.4 Manejo "All-In-All-Out" .................................................................................................. 105 13.5 Enfermidades ................................................................................................................. 106 13.6 Descarte de Camarões Mortos....................................................................................... 107 14. Aspectos Ambientais ........................................................................................................ 109 14.1 Licenciamento Ambiental ......................................................................................... 110 14.2 Áreas Especialmente Protegidas ............................................................................... 112 15. Relação com os Funcionários .............................................................................................115 15.1 Infra-estrutura de Apoio................................................................................................. 116 15.2 Comunidade e Escolaridade dos Funcionários ............................................................... 117 15.3 Apoio Social e Premiação .............................................................................................. 118 15.4 Regime de Trabalho ....................................................................................................... 119 15.5 Equipamentos de Proteção Individual - EPIs e Áreas de Atuação .................................... 120 Bibliografia Consultada ............................................................................................................121
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO UNIVERSO PESQUISADO, LOCALIZAÇÃO E METODOLOGIA aplicação foi feita através de visitas às unidades de produção, quando o pesquisador entrevistou o técnico responsável ou o seu proprietário. Na ocasião foram também obtidos registros fotográficos. Para cada tópico abordado, são apresentados os resultados em forma de gráficos ou tabelas. No caso de gráficos é indicada a participação relativa das respostas para cada pergunta (gráfico tipo pizza) ou sua freqüência relativa (gráfico em barras), sendo também informado o número (n) de respostas obtidas. Anexo aos resultados encontra-se comentários sobre a pergunta em questão e as recomendações de BPM. A investigação foi realizada no período de 12 a 30 de julho de 2004 e de 30 de agosto a 10 de setembro de 2004. Inicialmente foram selecionadas cinco Regiões Hidrográficas do Estado do Ceará, de acordo com a classificação do IPLANCE (1997), assim distribuídas: Acaraú, Baixo Jaguaribe, Coreaú, Litoral e Metropolitana. Considerando o número total de 185 fazendas de cultivo de camarão em funcionamento no Estado do Ceará, em cada uma dessas Regiões, foram definidos os números amostrais como se seguem: Acaraú, 6; Baixo Jaguaribe, 19; Coreaú, 11; Litoral, 3, e; Metropolitana, 4. Também foram levados em consideração os tamanhos das empresas existentes nas Regiões: 7 grandes (> 50 ha), 27 médias ( > 10 ha e < 50 ha) e 9 pequenas (< 10 ha). Em uma etapa subseqüente, foram elaborados questionários tipo checklist com 171 perguntas, aplicados em cada unidade visitada. Os questionários abrangeram os seguintes itens: identificação, operacional, berçário, pós-larvas, estoque, engorda, qualidade da água, aeradores, efluentes, solo, ração, químicos, despesca, sanidade, funcionários e preservação. Sua
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  • 1. Aspectos Operacionais 1.1. Tempo de Funcionamento 1.2. Viveiros de Engorda 1.3. Densidade de Estocagem 1.4. Duração do Cultivo 1.5. Parâmetros de Desempenho Zootécnico 1.6. Produção de Camarões
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 17 1. TEMPO DE FUNCIONAMENTO O tempo de funcionamento das empresas visitadas é relativamente recente, verificando-se que apenas 4,7% têm mais de 15 anos e 58,1 % estão na faixa de 2 a 5 anos. Vale salientar que a atividade de carcinicultura marinha, no Estado do Ceará, teve início na década de 70 do século passado e só atingiu um melhor desempenho a partir da metade da década de 90, observando-se uma maior expansão nos últimos cinco anos. Hoje o Ceará conta com um total de 185 fazendas de carcinicultura, sendo 12 grandes, 46 médias e 127 pequenas, perfazendo um total de 3.376 ha de área cultivada. O crescimento da carcinicultura no Estado trouxe uma série de benefícios econômicos e sociais, gerando divisas através das exportações e criando empregos diretos e indiretos. Entre o período de 1999 a 2003, a exportação de camarão cultivado no Estado do Ceará evoluiu de US$ 6.228.900 para US$ 80.944.384, representando um aumento de valores da ordem de 1.199,5%. No que diz respeito à geração de empregos, a carcinicultura pode gerar cerca de 3,75 empregos diretos e indiretos por hectare, o que significa que este agronegócio trouxe em torno de 12.660 empregos. Por outro lado, devido à melhoria do poder aquisitivo desse contingente, o comércio nas localidades onde a atividade se estabelece, tende a crescer e conseqüentemente criar novas oportunidades de trabalho e trazer mais progresso através da aplicação dos impostos arrecadados. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1. Monitorar a expansão da atividade de cultivo de camarões de forma criteriosa, a fim de evitar um aumento desordenado e garantir sua sustentabilidade econômica, ambiental e social. 2. Não exceder a capacidade de carga de áreas exploradas pela carcinicultura, regulando a qualidade dos efluentes em bacias hidrográficas com grandes concentrações de fazendas. Capacidade de carga é a máxima produção de camarão e de outras atividades geradoras de resíduos líquidos que pode ser suportada pela massa d’água receptora, sem comprometer a sua qualidade original. 3. Planejar e ordenar a construção de novas operações de cultivo considerando o Zoneamento Econômico e Ecológico (ZEE) da região. 4. Delimitar distâncias mínimas entre fazendas de cultivo e plantas processadoras de camarão para evitar o risco de entrada e disseminação de enfermidades por esta rota. Tempo de Funcionamento 30,2% 58,1% 7,0% 4,7% < 2 anos 2 - 5 anos 6 - 10 anos 11 - 15 anos > 15 anos n = 43 Gráfico 1 - Tempo de Funcionamento das Fazendas
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 18 1.2. VIVEIROS DE ENGORDA A variedade observada no número de viveiros (5 a 100) está relacionada com o tamanho das empresas visitadas, verificando-se o menor número nas pequenas empresas. Os primeiros projetos de fazendas de carcinicultura, instalados no Ceará, se caracterizaram pela construção de viveiros de grande porte, chegando até 50,0 ha. Com a continuidade, observou-se a dificuldade do controle do ambiente de cultivo em grandes áreas, sendo as unidades subdivididas, dando origem a viveiros menores. Assim, os novos empreendimentos buscaram a modernização, modificando seu lay out, passando a predominar a construção de viveiros com áreas entre 1,0 ha e 5,0 ha e profundidades entre 0,75 m e 1,75 m. Com a intensificação dos cultivos e o uso de aeradores mecânicos, as operações de cultivo passaram a construir viveiros mais profundos, oferecendo um maior volume de água por ha cultivado, conseqüentemente proporcionando condições ambientais mais estáveis e confortáveis para os camarões cultivados. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1. Fazendas com um espelho d'água inferior a 50 ha, que operam sob uma condição intensiva de engorda, devem adotar áreas individuais de cultivo menores que 2,0 ha. 2. Evitar a construção de viveiros com áreas superiores a 5,0 ha, exceto quando se opera sob condições semi-intensivas (densidade de estocagem inferior a 35 camarões/ m2 ). 3. Evitar a construção de viveiros com profundidades inferiores a 0,75 m. Viveiros rasos podem sofrer com um rápido aquecimento da água, uma alta turbidez inorgânica e uma baixa produtividade biológica, podendo favorecer ainda o crescimento de algas bênticas. Número de Viveiros na Fazenda 27,9% 34,9% 14,0% 20,9% 2,3% < 5 viveiros 5-10 viveiros 11-20 viveiros 21-50 viveiros 51-100 viveiros 101-200 viveiros > 200 viveiros n = 43 Área Média de Cada Viveiro 2,3% 20,9% 76,7% < 0,5 ha 0,5-1 ha 1,1-5 ha 5,1-10 ha 10,1-15 ha 15,1-20 ha Mais de 20 ha n = 43 Profundidade dos Viveiros 14,0% 25,6% 20,9% 14,0% 25,6% < 0,75 m 0,75 - 1 m 1,1 - 1,25 m 1,26 - 1,5 m 1,51 - 1,75 m > 1,75 m n = 43 Gráfico 2 - Número de Viveiros na Fazenda Gráfico 3 - Área Média de cada viveiro Gráfico 4 - Profundidade dos viveiros
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 19 4. Adotar profundidades entre 1,2 m e 1,8 m. Viveiros mais profundos possuem uma maior quantidade de água para produção biológica, são menos susceptíveis a flutuações bruscas nas variáveis ambientais, contudo demandam o uso de aeradores mecânicos para evitar zonas de estratificação. 1.3 DENSIDADE DE ESTOCAGEM A densidade de estocagem de camarões reflete os níveis de intensificação adotados. Enquanto no início do cultivo de camarão no Brasil era comum à adoção de densidades de um indivíduo/ m², um maior aporte tecnológico permitiu um incremento considerável nas densidades de estocagem. A densidade de estocagem tem uma relação direta com a produção dos viveiros. Sob o ponto de vista econômico, as baixas densidades de estocagem são desvantajosas, contudo à proporção que se incrementa o número de indivíduos por m², aumentam os riscos de transmissão de enfermidades. De um modo geral deve- se ter o cuidado quanto à escolha da densidade, principalmente em áreas com grande concentração de viveiros e em fazendas pouco tecnificadas. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Somente incrementar as densidades de estocagem de camarão na engorda quando prevalecerem condições ambientais favoráveis. 2.Fornecer um devido aporte tecnológico na medida em que as densidades de estocagem forem incrementadas. Sistemas mais intensivos requerem uma capacitação técnica de pessoal, maiores taxas de aeração mecânica, intensificação das Densidade de Estocagem 18,6% 4,7% 39,5% 34,9% 2,3% < 5 cam./m2 5-10 cam./m2 11-15 cam./m2 16-20 cam./m2 21-30 cam./m2 31-50 cam./m2 51-100 cam./m2 > 100 cam./m2 n = 43 Gráfico 5 - Densidade de Estocagem Figura 3 - Camarões estocados sob densidade de 120 animais/m2 em tanque de cultivo medidas de tratamento do solo entre os ciclos de produção, monitoramento rotineiro dos parâmetros de qualidade de água e do estoque cultivado. 3. Evitar densidades de estocagem demasiadamente baixas (< 5 camarões/m2) ou excessivamente elevadas (> 80 camarões/m2), pois ambas podem levar a perdas econômicas e (ou) ambientais. 4. Em fazendas nas quais as enfermidades virais já se manifestaram sem uma evidente perda de produção, deve-se reduzir ou manter constante as densidades de estocagem de camarão.
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 20 1.4 DURAÇÃO DO CULTIVO A duração do cultivo é um fator de extrema importância para viabilidade econômica do empreendimento e sua rentabilidade. Este parâmetro varia de acordo com a idade ou o tamanho do camarão no povoamento, as densidades de estocagem empregadas e as metas desejáveis de produção em relação ao peso do camarão no momento da despesca. Enquanto em outras regiões do país, o número de ciclos alcançados ao ano tem uma estreita relação com a temperatura anual da água, na Região Nordeste, este fator não sofre grandes oscilações. Portanto, o número de ciclos de engorda alcançados durante o ano varia conforme a duração da engorda e os intervalos adotados para descanso e tratamento do fundo dos viveiros. Em média, quando se adota sistemas bifásicos de produção (engorda realizada em duas fases, incluindo a de berçários) é possível alcançar 2,5 safras anuais, considerando períodos de engorda de 115 dias e dois intervalos de 10 dias entre as despescas. Por outro lado, na medida em que se elevam as densidades de estocagem, a tendência é alcançar períodos de engorda mais prolongados. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1. Iniciar a engorda com camarões com idade ou peso mais elevado possível, de forma a reduzir a duração do ciclo de engorda e assim aumentar a rotatividade dos cultivos. 2.Trabalhar com densidades de estocagem de camarão que não gerem aumentos substanciais na duração do ciclo de engorda. 3. Considerar criteriosamente o peso do camarão para despesca. O cultivo de camarões acima de 12 g é mais difícil, pois prolonga a engorda, demanda um maior aporte de insumos e mobilização de capital. Contudo, dependendo da época do ano, seus preços mais elevados podem compensar os riscos e os maiores custos operacionais. Número de Ciclos ao Ano 26,8% 19,5% 4,9% 48,8% 1 ciclo 2 ciclos 2,5 ciclos 3 ciclos 4 ciclos n = 43 Tempo do Ciclo de Engorda 2,4% 14,6% 17,1% 2,4% 51,2% 12,2% < 90 dias 90-110 dias 111-120 dias 121-130 dias 131-140 dias 141-150 dias > 150 dias n = 43 Gráfico 6 - Número de ciclos ao ano Gráfico 7 - Tempo do ciclo de engorda
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 21 1.5 PARÂMETROS DE DESEMPENHO ZOOTÉCNICO As operações de cultivo no Brasil se caracterizam por produzir camarões de tamanhos médios como forma de reduzir os riscos econômicos e minimizar a mobilização de capital necessária para desenvolver o cultivo. A produção de camarão dentro de uma única faixa de peso restringe os nichos de mercado que poderiam ser atendidos, inibindo a diversificação e a agregação de valor do produto final. Isto é em parte resultado da ineficácia das poucas políticas de concessão de crédito para custeio da carcinicultura disponíveis no país. A engorda de camarão no Estado do Ceará sempre se caracterizou por aportar um nível tecnológico mais elevado nos cultivos e uma mão- de-obra mais qualificada, resultando em produtividades recordes. Mais recentemente, devido ao surgimento de novas patologias nos cultivos e sua disseminação entre áreas, observou- se uma queda na sobrevivência final de camarões e na produtividade, além de uma elevação do fator de conversão alimentar (FCA). Enquanto uma série de fatores pode influenciar o FCA, como condições ambientais, manejo alimentar e qualidade da ração, neste caso, o aumento do FCA teve como causa a mortalidade de camarões já numa avançada fase de crescimento. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Manter um ambiente de cultivo saudável dentro dos padrões de segurança, evitando, ao máximo, situações de estresse para a população estocada, com vistas a reduzir perdas na produção. 2.Certificar-se quanto ao estado sanitário dos indivíduos estocados, evitando o povoamento com camarões debilitados ou com sinais clínicos de enfermidades. 3.Em face de um incremento na mortalidade de camarões durante o ciclo de engorda, considerar uma despesca emergencial, quando os camarões já apresentarem peso aceitável de comercialização Peso dos Camarões na Despesca 90,2% 9,8% < 10 g 10 - 15 g 16 - 20 g 21 - 25 g 26 - 30 g > 30 g n = 43 Média de Sobrevivência 17,1% 26,8% 9,8% 36,6% 7,3% 2,4% < 20% 21-30% 31-40% 41-50% 51-60% 61-70% 71-80% > 80% n = 43 Fator de Conversão Alimentar 7,3% 29,3% 9,8% 29,3% 24,4% < 1 1-1,25 1,26-1,5 1,51-1,75 1,76-2 2,1-2,25 > 2,25 n = 43 Produtividade de Camarões 46,3% 7,3% 9,8% 7,3% 2,4% 22,0% 2,4% 2,4% < 500 kg/ha/ciclo 500-1.000 kg/ha/ciclo 1.001-2.000 kg/ha/ciclo 2.001-3.000 kg/ha/ciclo 3.001-5.000 kg/ha/ciclo 5.001-7.000 kg/ha/ciclo 7.001-10.000 kg/ha/ciclo 10.001-15.000 kg/ha/ciclo > 15.000 kg/ha/ciclo n = 43 Gráfico 8 - Peso dos camarões na despesca Gráfico 9 - Média de sobrevivência Gráfico 10 - Fator de conversão alimentar Gráfico 11 - Produtividade de camarões
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 22 A produção anual de camarão nas fazendas entrevistadas varia de menos de 10 toneladas a mais de 5.000 toneladas, com uma maior representatividade entre 10 e 500 toneladas. Estabelecendo-se comparações entre as produções dos anos de 2002 e 2003, a maioria (57,6%) declarou que houve uma redução em maior ou menor grau, apenas 27,0% logrou aumento e 15,6% manteve-se estável. Quando indagados sobre a produção esperada em 2004, 77,4% esperam uma queda variando de menos de 25,0% a 50,0%, em relação a 2003. Com respeito à expectativa de crescimento para o ano de 2006 em relação a 2004, os dados foram otimistas, tendo 62,5% declarado esperar um incremento entre menos de 25,0 e 50,0%. A queda da produção que se manifestou de forma mais acentuada no ano de 2003 ocorreu devido ao surgimento da Mionecrose Infecciosa (IMN), sendo um vírus seu agente etiológico. Este fato, trouxe um sinal de alerta sobre a necessidade de implantação de medidas de biossegurança nas fazendas e da melhoria das práticas de manejo, como forma de reduzir o estresse aos indivíduos cultivados. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Adotar medidas para reduzir ao máximo a entrada do agente infeccioso através de potenciais vetores, como água de transporte de pós-larvas, veículos de despesca, água de captação, entre outros. 2.Praticar a higienização de equipamentos e utensílios empregados no cultivo, evitando-se o empréstimo de material de fazendas vizinhas. 3.Intensificar os tratamentos de solo entre os ciclos de produção, realizando a desinfecção de fundo quando for observado um aumento de mortalidade de camarões ou um acúmulo de matéria orgânica. 4.Adotar uma parada sanitária na operação de cultivo, quando a fazenda se apresenta extremamente impactada por doenças e sem prévios sinais de recuperação. 1.6 PRODUÇÃO DE CAMARÕES Produção de Camarão em 2003 33,3% 17,9% 2,6% 30,8% 2,6% 12,8% < de 10 tons 10-100 tons 101-500 tons 501-1000 tons 1001-5000 tons > 5000 tons n = 43 Mudanças Ocorridas na Produção 2002-2003 15,2% 3,0%39,4% 3,0% 18,2% 15,2% 6,1% Reduziu >50% Reduziu 25-50% Reduziu <25% Não houve alteração Aumentou <25% Aumentou 25-50% Aumentou >50% n = 43 Mudanças Previstas na Produção 2004-2003 10,3% 33,3% 2,6% 30,8% 7,7% 15,4% Reduzir >50% Reduzir 25-50% Reduzir <25% Nenhuma alteração Aumentar <25% Aumentar 25-50% Aumentar >50% n = 43 Mudanças Previstas na Produção 2004-2006 5,0% 37,5% 7,5% 25,0% 2,5% 22,5% Reduzir >50% Reduzir 25-50% Reduzir <25% Nenhuma alteração Aumentar <25% Aumentar 25-50% Aumentar >50% n = 43 Gráfico 12 - Produção de camarão em 2003 Gráfico 13 - Mudanças ocorridas na produção 2002 - 2003 Gráfico 14 - Mudanças previstas na produção 2003 - 2004 Gráfico 15 - Mudanças previstas na produção 2004 - 2006
  • 2. Construção da Fazenda 2.1 Critérios para seleção de área 2.2 Localização da fazenda 2.3 Análises do solo 2.4 Configuração dos viveiros 2.5 Proteção de diques e taludes 2.6 Drenagem de água dos viveiros 2.7 Canais individuais de adução e drenagem de água 2.8 Regime de cultivo
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 25 A seleção de área para implantação da fazenda de engorda é um aspecto bastante considerado, pois dele depende a sustentação técnica, econômica e ambiental do empreendimento de cultivo. Áreas ecologicamente sensíveis podem apresentar restrições legais, enquanto regiões com crescimento demográfico elevado e com outras atividades econômicas em ascensão são propensas a limitações de caráter técnico. A qualidade de água é sem dúvida o principal obstáculo para identificação de áreas propícias ao cultivo de camarão. Águas, mesmo distantes de grandes centros urbanos, podem apresentar contaminação química e (ou) biológica. Sob tais condições, o desempenho zootécnico e a qualidade sanitária dos camarões podem ser comprometidos. Uma vez identificada a área, prospecções são iniciadas para determinar sua viabilidade técnica e legal. Terrenos que possam gerar conflitos com comunidades locais ou impor desafios técnicos à viabilidade econômica do empreendimento não devem ser ocupados. PRÁTICAS RECOMENDADAS Não selecionar áreas: 1.Ecologicamente sensíveis, como manguezais ou outros ecossistemas protegidos pela legislação brasileira. 2.Com impedimentos em órgãos ambientais ou com problemas de litígio de posse. 3.Em conflito com outras atividades produtivas, como a agricultura ou a pesca. 4.Com grande concentração de fazendas de cultivo de camarão. 5.Com topografia acidentada, com restrições topográficas ou requerendo grandes investimentos na limpeza ou correção do terreno. 6.Destinada previamente a atividades que faziam o uso de inseticidas ou herbicidas. 7.Fisicamente limitadas, que não atendem as metas de expansão do empreendimento de cultivo. 8.Com solos arenosos ou notadamente argilosos, com característica ácida (pH < 5) ou com grande quantidade de matéria orgânica (> 5%). 9.Com a fonte d'água eutrofizada (transparência d'água < 25 cm), com excesso de partículas em suspensão ou apresentando salinidade superior a 45 ppt e inferior a 0,5 ppt. 10.Sujeitas à captação de águas de drenagem de fazendas circunvizinhas. 2.1 CRITÉRIOS PARA SELEÇÃO DE ÁREA Critérios Adotados na Seleção de Área 90,7% 88,4% 76,7% 93,0% 95,3% 90,7% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Disponibilidade de terra Acesso a vias de transporte Preço do terreno Qualidade da água Qualidade do solo Fora de áreas de proteção ambiental n = 43 Conflito com Outras Atividades 7,0% 9,3% 83,7% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Agricultura Pesca Pecuária Turismo Navegação Outros Não existe conflito n = 43 Gráfico 16 - Critérios adotados na seleção de área Gráfico 17 - Conflito com outras atividades
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 26 Selecionar áreas: 1. Com disponibilidade de energia elétrica, telefonia, mão-de-obra, serviços básicos, gelo, pós- larva, ração, estradas, com transporte e acesso durante todo ano. 2. Distantes em pelo menos 5 km da operação de cultivo mais próxima. 3. Livre de enchentes nos últimos 10 anos. 4. Com fácil acesso a água de boa qualidade. 5. Livre de poluição hídrica, de caráter químico e microbiológico. 6. Com topografia plana e inclinação inferior a 3%. Como resultado do crescimento da atividade de cultivo de camarão marinho no Brasil, muitas microrregiões passaram a ser ocupadas por múltiplos empreendimentos. Em áreas com alta concentração de fazendas, os riscos com a propagação de enfermidades são mais elevados, caso não sejam adotadas medidas de biossegurança e tratamento de efluentes. Da mesma forma, fazendas próximas a centros urbanos são mais vulneráveis a contaminação biológica por esgotos domésticos e industriais, necessitando que sejam implementadas medidas para o tratamento das águas de captação. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.As fazendas devem manter distancias representativas de outros empreendimentos de cultivo e de centros urbanos por questões de biossegurança. 2.As fazendas já implementadas que mantêm distancias inferiores a 5 km a outras operações de cultivo ou centro urbanos, devem adotar medidas para o tratamento biológico, químico e físico das águas de captação e descarga (consultar seção 6). 2.2 LOCALIZAÇÃO DA FAZENDA Concentração de Fazendas de Camarão 95,3% 2,3% 2,3% No entorno (< 5 km) 5-10 km > 10 km n = 43 Proximidade da Fazenda com Área Urbana 74,4% 23,3% 2,3% No entorno (< 5 km) 5-10 km > 10 km n = 43 Gráfico 18 - Concetração de fazendas de camarão Gráfico 19 - Proximidade da fazenda com área urbana
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 27 Os solos devem ser avaliados durante a seleção de área e a operacionalização da fazenda. Devido aos procedimentos de calagem, alimentação, fertilização e renovação de água, o solo dos viveiros sofre alterações na sua composição química. Mesmo em viveiros novos, ao longo de um curto espaço de tempo, (dentro de 4-5 despescas) a quantidade de matéria orgânica alcança uma concentração onde a taxa de decomposição anual torna-se igual à adição de matéria orgânica através do arraçoamento e fertilização. A partir deste ponto, as densidades de estocagem de camarão e os aportes de fertilizantes e ração, precisam se manter equilibrados para viabilizar a decomposição da matéria orgânica acumulada, através da ação dos microorganismos existentes no viveiro. PRÁTICAS RECOMENDADAS Durante a avaliação do terreno para construção da fazenda, realizar as análises indicadas abaixo em laboratório especializado. 1.Composição textural: classificação do solo em relação a sua granulometria. 2.Índice de plasticidade: propriedade do solo para se deixar moldar quando submetido a uma pressão, permanecendo na nova forma ao ser cessada a ação da força. 3.Taxa de permeabilidade: capacidade do solo de deixar transpassar água ou ar em uma maior ou menor intensidade. 4.Características químicas: pH, carbono total, nitrogênio total, fósforo total, matéria orgânica, cálcio, potássio, magnésio, sódio, ferro, manganês, zinco, cobre e alumínio. 2.3 ANÁLISES DO SOLO Análises para Correção Química do Solo 63,4% 2,4% 2,4% 92,7% 26,8% 29,3% 43,9% 0% 20% 40% 60% 80% 100% pH Matéria orgânica Nutrientes Carbonatos e bicarbonatos Bacteriológica Nenhuma Outras n = 41 Análise de Solo em Laboratório Especializado 44,2% 55,8% Sim Não n = 43 uma vez a cada 4,5 meses Gráfico 20 - Análises para correção química do solo Gráfico 21 - Análise de solo em laboratório especializado
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 28 A configuração dos viveiros reflete a evolução dos projetos de engenharia e lay outs das fazendas de engorda ao longo dos anos e os vários níveis de intensificação encontrados na atividade. No Brasil, viveiros com configuração bem definida e uniforme, apresentam formato retangular e são mais comuns em fazendas construídas a partir de meados dos anos 90. Viveiros que acompanham o contorno ou topografia do terreno derivam de projetos mais antigos, onde se priorizava a ocupação integral da área para construção de viveiros e se operava sob condições extensivas de cultivo. Viveiros que seguem a topografia do terreno podem apresentar áreas mortas ou de baixa circulação de água, zonas não ocupadas por camarão, maior grau de erosão dos taludes, além de uma drenagem de água incompleta. Os viveiros quadrados são úteis para sistemas que adotam uma drenagem central de água, visando o acúmulo e a coleta de material mineral e orgânico e uma otimização dos processos de circulação de água e aeração mecânica no ambiente de cultivo. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Adotar configurações que possam sobrepor as limitações físicas do terreno e otimizar o uso do terreno disponível, mas que não venham a comprometer as características hidráulicas do viveiro. 2.Construir viveiros com uma configuração mais uniforme possível visando flexibilizar e otimizar os processos de troca d'água, aeração mecânica e despesca. 3.Evitar a construção de viveiros quadrados ou circulares, exceto para operacionalização de sistemas intensivos de engorda, com drenagem central de água. 4.Identificar e eliminar áreas mortas ou de baixa circulação de água em viveiros com configuração indefinida, com o uso de aeração mecânica localizada, mas moderada. 5.Em viveiros com configuração indefinida, contabilizar as possíveis zonas rasas ou não ocupadas por camarões, através de tarrafadas em pontos previamente definidos de modo a não superestimar a área de cultivo disponível durante o povoamento de camarões. 6.Construir viveiros com o eixo mais longo paralelo a direção predominante do vento, de forma a facilitar o movimento de água gerado pela ação dos ventos, favorecendo o aumento nos níveis de oxigênio e as diferenças térmicas na área de cultivo. 2.4 CONFIGURAÇÃO DOS VIVEIROS Configuração dos Viveiros 27,9% 72,1% 32,6% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Retangular Quadrado Topografia do terreno Outro n = 43 Gráfico 21 - Configuração dos viveiros
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 29 Os viveiros de engorda são escavados em terra e envoltos por paredes denominadas de taludes para contenção da água de cultivo. Os diques servem para delimitar o perímetro da fazenda, funcionando também contra proteção a enchentes. Ambos podem ser ou não trafegáveis por veículos, dependendo das necessidades da fazenda. Diques e taludes são construídos com material proveniente da escavação lateral dos próprios viveiros, e em certos casos, transportados de áreas circunvizinhas a fazenda. A proteção dos diques e taludes visa reduzir a ação erosiva da água de cultivo e de chuvas sobre suas estruturas, prolongando a vida útil, diminuindo a presença de materiais em suspensão durante as drenagens, minimizando a infiltração, a perda de profundidade e de área cultivável. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Construir diques e taludes que previnam a erosão e permitam uma baixa manutenção. 2.Evitar o uso de solos ácido sulfatados ou altamente permeáveis (arenosos) durante a moldagem dos diques e taludes, sempre empregando material de boa compactação, com 5% a 10% de argila. Evitar o uso de solos com mais de 20% de matéria orgânica e muito compactos. 3.No uso de solo de baixa compactação, executar o envelopamento e o revestimento dos taludes e diques com material impermeável. 4.Proteger integralmente todos os taludes, quando o nível de intensificação a ser adotado requerer o uso de aeração mecânica intensa. 5.Enroncar diques e taludes nos lados que não se apresentam paralelos ao sentido dos ventos predominantes ou que sofrem maior ação da água de cultivo. 6. No caso do uso de lonas ou mantas de PVC, fixa-las de forma a evitar a penetração de água e sua soltura durante o cultivo. 7.No caso do uso de vegetação, escolher plantas nativas da região com crescimento rápido, resistentes às condições adversas de temperaturas e salinidade. 8.Não adotar inclinações íngremes nos taludes, pois são mais sujeitas a uma maior erosão. Usar inclinações com uma razão largura e altura de 1,5-2,0:1,0. 2.5 PROTEÇÃO DE DIQUES E TALUDES Proteção de Diques e Taludes 28,6% 21,4% 19,0% 35,7% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Total em ambos Parcial em ambos Só no canal de adução Só no canal de drenagem Nenhuma proteção n = 42 Tipo de Proteção 39,5% 2,3% 7,0% 2,3% 81,4% 2,3% 27,9% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Pedras Lonas Vegetação Manta asfáltica Alvenaria Argila Sacos Outro n = 35 Gráfico 22 - Proteção de diques e taludes Gráfico 23 - Tipo de proteção de diques e taludes
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 30 Viveiros de engorda devem ser capazes de alcançar um escoamento completo de água após a despesca. Viveiros com uma drenagem ineficaz prolongam o tempo requerido para despesca e podem levar a perda de camarão e comprometer a qualidade final do produto. Para auxiliar nos processos de drenagem de água, em particular de viveiros com áreas superiores a 2 ha, valas conhecidas como canaletas são construídas diagonal e paralelamente aos taludes. Estas estruturas, além de possibilitarem uma melhor circulação de água e coleta de resíduos sólidos, funcionam como refúgio para os camarões durante dias muito quentes. Das fazendas entrevistadas, 58,1% (n = 43) possuem viveiros com canaletas internas. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Construir nos viveiros de engorda canaletas internas com 5-10 m de largura e 30-50 cm de profundidade. 2.Uma das canaletas deve ser construída ligando diretamente as comportas de abastecimento e drenagem de água, diagonal ou paralelamente aos taludes. 3.As canaletas laterais aos taludes devem ser posicionadas distantes de forma a evitar uma velocidade excessiva das correntes d'água e erosão sobre sua estrutura. 4.Submeter as canaletas a limpeza a cada ciclo para remover excesso de partículas minerais e material orgânico acumulados. 2.6 DRENAGEM DE ÁGUA DOS VIVEIROS Alcança Drenagem Total da Àgua dos Viveiros 78,6% 19,0% 2,4% Em todos Em nenhum Somente em alguns Na maioria n = 43 Gráfico 24 - Alcança drenagem total da água dos viveiros Figura 4 - Canaletas de drenagem de água em um viveiro de engorda de camarão
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 31 As fazendas devem contemplar canais de adução e drenagem de água individuais visando permitir uma exposição dos camarões a bons níveis de qualidade de água ao longo de todo ciclo de engorda, além de uma maior flexibilidade nos processos de troca d'água e despesca. Contudo, os canais devem ser fisicamente interligados, para viabilizar o reuso parcial ou integral dos efluentes gerados pela troca d'água e despesca, após seu devido tratamento. De 42 fazendas entrevistadas, apenas 5,4% dispunham de uma interligação entre os dois canais. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Construir canais individuais de adução e drenagem de água para toda fazenda ou para núcleos distintos da fazenda. 2.Conceber o projeto de engenharia de forma a garantir a interligação entre os canais de adução e drenagem de água, por meio de bacias ou lagoas de sedimentação. 3.Reutilizar a água de drenagem somente após seu devido tratamento, respeitando os níveis ideais para a espécie cultivada. 4.Quando a água de captação ou drenagem apresentar-se eutrofizada, com excesso de partículas em suspensão ou com suspeita da presença de organismos 2.7 CANAIS INDIVIDUAIS DE ADUÇÃO E DRENAGEM DE ÁGUA Canais Individuais de Adução e Drenagem 11,9% 4,8% 83,3% Sim, toda fazenda Somente parte dela Não n = 42 Gráfico 25 - Canais individuais de adução e drenagem Figura 5 - Canal de descarga de água de uma fazenda de engorda de camarão
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 32 As fazendas de engorda de camarão podem operar sob três regimes de cultivo: (1) monofásico, cultivo realizado em uma única etapa com o povoamento de camarões na fase de pós-larva 11 (PL11, pós-larva com 11 dias de vida) diretamente em viveiros de engorda; (2) bifásico, cultivo em duas etapas, de PL11 até PL25 em tanques circulares de alvenaria denominados de berçário, sendo os animais posteriormente transferidos para viveiros de engorda; (3) trifásico, cultivo em três etapas, com uma fase adicional de pré-engorda realizada após a despesca do berçário, compreendendo o cultivo de pós-larvas (PLs) com 20 a 25 dias de vida até juvenis com 0,8 a 1,5 g. Os regimes de cultivo bifásico e trifásico objetivam, entre outros aspectos, otimizar a eficiência da engorda, reduzindo os custos operacionais e o tempo de cultivo nos viveiros de produção. PRÁTICAS RECOMENDADAS Operar a fazenda sob um regime de cultivo que permita: 1.Aclimatar os camarões às condições ambientais da fazenda precedendo o início da engorda. 2.Manter um inventário e avaliar a qualidade dos estoques de PLs adquiridas. 3.Reduzir o risco de exposição de camarões muito jovens a potenciais patógenos e predadores. 4.Detectar precocemente problemas e enfermidades, antecipando a aplicação de medidas profiláticas e (ou) curativas. 5.Implementar programas mais agressivos de nutrição e alimentação de PLs logo após sua chegada a fazenda. 6.Padronizar as características zootécnicas dos camarões a serem utilizados na engorda. 7.Formar estoques reguladores de PLs na fazenda em períodos de escassez de PL. 8.Estabelecer projeções mais confiáveis referentes à produção dos viveiros de engorda com base na contagem de camarões no momento do povoamento. 2.8 REGIME DE CULTIVO Regime de Cultivo 41,9% 55,8% 2,3% Monofásico Bifásico Trifásico n = 43 Gráfico 26 - Regime de Cultivo
  • 3. Unidade de Berçário 3.1 Sistema de Tanques Berçários 3.2 Configuração dos Berçários 3.3 Aeradores e Geradores 3.4 Localização e Acesso 3.5 Água de Abastecimento 3.6 Manejo da Água
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 35 Algumas fazendas de engorda possuem uma unidade formada pelo complexo de berçários intensivos. Esta unidade ocupa uma pequena área do empreendimento, entre 100 m2 e 0,5 ha, variando de acordo com as necessidades de fluxo de pós-larvas. Os tanques berçários intensivos circulares se constituem uma etapa adicional de cultivo conduzida em um ambiente independente dos viveiros de produção, uma fase intermediária entre a larvicultura e a engorda. Os berçários são particulares aos sistemas bifásicos de engorda (cultivo em duas fases) e abrangem o estágio de crescimento do camarão entre as idades de PL10 e PL30, sendo considerados uma extensão da larvicultura. Os tanques berçários intensivos são uma importante ferramenta para otimizar a logística de produção, regularizando o fluxo de recebimento de PLs dos laboratórios e o povoamento de viveiros recém preparados. Começar a engorda com juvenis ou PLs em um estágio mais avançado de desenvolvimento, além de reduzir os riscos financeiros, diminui o tempo de permanência dos camarões nos viveiros, aumentando a rotatividade dos ciclos de engorda e a produtividade anual do empreendimento. PRÁTICAS RECOMENDADAS Empregar os tanques berçários com os seguintes objetivos: 1.Reservatório temporário para o armazenamento de PLs. 2.Aclimatar camarões as condições ambientais da fazenda. 3.Manter um inventário de PLs e avaliar a qualidade dos estoques adquiridos. 4.Reduzir o risco de exposição de camarões muito jovens a potenciais patógenos e predadores. 5.Detectar precocemente problemas e enfermidades, antecipando a aplicação de medidas profiláticas e (ou) curativas. 6.Homogeneizar as características zootécnicas dos camarões a serem utilizados na engorda. 7.Diminuir a freqüência de viveiros com baixas taxas de sobrevivência. 8.Formar estoques reguladores de PLs. 9.Elaborar projeções mais confiáveis referentes à engorda. 3.1 SISTEMA DE TANQUES BERÇÁRIOS Dispõe de Tanques Berçários 58,1% 41,9% Não Sim n = 43 Gráfico 27 - Disponibilidade de tanques e berçario
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 36 Os tanques berçários intensivos podem ter um formato quadrado, retangular ou circular. Os tanques circulares são os mais utilizados no Brasil e apresentam algumas vantagens operacionais em relação às outras configurações. São mais fáceis de limpar, pois não possuem cantos e, portanto, não tendem a acumular restos de ração, algas, sedimento ou outros resíduos. Devido ao seu formato, propicia uma melhor circulação de água e uma renovação mais homogênea. No fundo, os tanques berçários apresentam uma geometria parcialmente cônica, ou seja, o piso possui uma leve declividade de 0,5% a 1% em direção ao centro do tanque onde é montado o sistema de drenagem. Os tanques podem ser construídos de fibra de vidro, de materiais metálicos galvanizados resistentes a corrosão ou de alvenaria, sendo este último mais comum. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Utilizar tanques berçários com configuração circular. 2.Com exceção dos tanques de fibra de vidro, revestir internamente os tanques berçários com tinta epoxi ou metalatex preta, azul ou branca, ou ainda revestidos com uma manta PEAD (Membrana de Polietileno de Alta Densidade). 3.Não empregar tanques berçários sem revestimento interno. Asperezas nas paredes internas podem causar danos às PLs, por atrito, e também levar a colonização das paredes por bactérias indesejáveis, devido ao acúmulo de toxinas na superfície porosa. 3.2 CONFIGURAÇÃO DOS BERÇÁRIOS Configuração de Tanques Berçários 100,0% Retangular Quadrado Circular Outro n = 25 Revestimento Interno dos Berçários 48,0% 36,0% 8,0% 4,0% 4,0% Nenhum, no cimento Tinta epóxi Manta de PVC Fibra de vidro Terra n = 25 Gráfico 28 - Configuração de tanques e berçario Gráfico 29 - Revestimento interno dos berçarios
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 37 Para um suprimento regular de oxigênio nos tanques berçários são empregados sopradores de ar com motor elétrico dotado de uma potência variando entre 5 cv e 10 cv. Os sistemas de provimento de ar, empregado para oxigenação e circulação de água são independentes, contudo interconectados a uma única válvula operacional para regular a pressão e o fluxo de ar. O sistema de oxigenação da água dos berçários pode ser aéreo ou submerso. O sistema aéreo de oxigenação utiliza mangueiras flexíveis, preferivelmente de silicone, conectadas a pedras porosas com poros entre 20-40 micras de diâmetro, dispostas sobre toda área cultivada. As pedras são suspensas com o auxílio de cordas fixadas perpendicularmente sobre o tanque, formando uma teia em toda sua extensão. Os sistemas submersos são construídos com canos de PVC interconectados e fixados no piso do tanque. A configuração dos canos varia, podendo ser dispostos paralelamente ou numa conformação circular. Os canos devem ser perfurados com microfuros para gerar pequenas bolhas de ar (quanto menor maior a eficácia da oxigenação). 3.3 AERADORES E GERADORES Sistema de Aeração Predominante 12,0% 48,0% 40,0% Aéreo Submerso Utiliza ambos n = 25 Sistema de Gerador para Berçários 8,0% 92,0% Sim Não n = 25 Gráfico 30 - Sistema de aeração predominante Gráfico 31 - Sistema de gerador para berçário Tanto o sistema aéreo como o submerso são amplamente utilizados, e aparentemente não divergem em relação ao nível de eficiência de oxigenação da água e os resultados zootécnicos obtidos. A escolha entre os dois sistemas geralmente recai sobre a facilidade de montagem, manutenção e limpeza. O sistema aéreo requer a troca rotineira de mangueiras que geralmente enrijecem e de pedras porosas que entopem ou quebram. Contudo, ainda é um sistema que apresenta maior facilidade de manutenção e limpeza (realizada com imersão em uma solução de ácido muriático) em relação ao sistema submerso. O sistema submerso tende a acumular resíduos no fundo, é mais susceptível a aderência de algas, dificultando os processos de limpeza entre ciclos. Contudo, auxilia na ressuspensão e concentração de material particulado. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Dotar os sopradores dos berçários com um grupo gerador de igual potência a diesel ou a gasolina para eventuais quedas de energia elétrica ou falhas de equipamento. Nunca permitir quedas nas concentrações de OD. Sempre dispor de soprador de reserva. 2.Equipar o grupo gerador com uma chave automática de ignição para uma recuperação rápida dos processos artificiais de oxigenação da água. 3.Dispor de pequenos compressores à bateria (12 V) para unidade de berçário a fim de oxigenar a
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 38 Os tanques são geralmente dispostos um ao lado do outro em áreas abertas, propositadamente expostas a elementos naturais, como chuva, sol, ventos, ciclos lunares, etc. Os tanques podem ser escavados em terra ou edificados sobre uma área com topografia plana. Em ambos os casos, a área deve ser livre de vegetação, com boa circulação de ar e facilidade de acesso. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Edificar os tanques berçários em uma área totalmente aberta, localizada em uma região central da operação a fim de flexibilizar e agilizar os processos de transferência de PLs para os viveiros de engorda. 2.Instalar os berçários em um local que viabilize a captação de água dos canais de adução, de preferência nos pontos de melhor qualidade de água. 3.Manter a área de berçários isolada, limitando o fluxo de pessoas que não estejam diretamente ligadas às atividades de manutenção e operacionalização. 4.Proibir o acesso de visitantes ou pessoas externas a fazenda. Os funcionários devem estar calçados 3.4 LOCALIZAÇÃO E ACESSO Área de Localização de Berçários 96,0% 4,0% Em área totalmente aberta Em área totalmente coberta Em área parcialmente coberta n = 25 Acesso a Berçários 24,0% 28,0% 16,0% 64,0% 0% 20% 40% 60% 80% 100% É restrita a equipe técnica Não existe restrição Possui isolamento Não dispõe de nenhum tipo de isolamento n = 25 com botas de borracha ao adentrar a área de berçários. Gráfico 32 - Área de localizaçõo do berçários Gráfico 33 - Acesso a berçários
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 39 A água de abastecimento da unidade de berçário deve apresentar características físico-químicas mais próximas daquelas dos viveiros de produção. Os berçários são abastecidos mecanicamente com água provinda dos canais de adução dos viveiros, utilizando-se uma bomba elétrica centrífuga de 1-2 cv. O abastecimento mecânico é utilizado, pois se faz necessário uma filtragem preliminar da água, feita por meio do uso de filtros de bolsa fabricados com uma malha de 300 micras. Na captação, é construído um sistema de filtro simples utilizando tubulações de PVC. Imerso no canal de adução, deve ser instalado um cano de PVC com 6" de diâmetro (bitola) por 1,5 m de comprimento, lacrado com um cap em uma de suas extremidades e possuindo ao longo de toda sua extensão, perfurações com 2 cm de diâmetro. No seu interior, é fixado um tubo de PVC de 110 mm de diâmetro corrugado e perfurado. O cano deve ser revestido com uma bolsa feita com uma malha de 1.000 micras. Esta estrutura tem como objetivo reduzir a incidência de pequenas pedras, gravetos ou de materiais finos, como areia, nos sistema de abastecimento. Estes materiais podem vir a danificar a bomba ou entupir as tubulações. No ponto de captação, o filtro deve manter-se completamente imerso na água, posicionado horizontalmente e distante cerca de 10-15 cm do fundo do canal de adução. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Equipar cada tanque berçário com um sistema independente de abastecimento e drenagem de água. 2.Filtrar mecanicamente toda água de abastecimento dos berçários utilizando filtros de areia, tanques de decantação e (ou) filtros de bolsa feitos com malha fina. 3.Instalar filtros de bolsa em dois pontos, no local de sucção de água e na torneira de abastecimento do tanque berçário. 4.Submeter a água de abastecimento a uma desinfecção somente quando prevalecer incidência de enfermidades na fazenda. 5.Fixar na torneira de abastecimento de água do berçário, uma manga de filtragem com aproximadamente 20 cm de comprimento, feita com malha de 300 micras. 6.No bombeamento de água, selecionar pontos de captação que não apresentam riscos de refluxo ou contaminação pela água de drenagem dos viveiros e que permitam um bombeamento de água a qualquer hora do dia. 7.Evitar selecionar pontos de captação muito rasos nos canais de adução, sujeitos a uma maior elevação térmica e (ou) estagnação da água. 3.5 ÁGUA DE ABASTECIMENTO Origem da Água de Abastecimento 4,0% 8,0% 88,0% Diretamente do canal de abastecimento Da gamboa De poço Outro (do rio) n = 25 Água do Berçário Submetida 88,0% 4,0% 0,0% 4,0% 28,0% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Filtragem mecânica Filtragem com manga de proteção Desinfecção Nenhum dos itens acima Outro n = 25 Gráfico 34 - Origem da água de abastecimento Gráfico 35 - Água do berçário submetida
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 40 O sistema de drenagem de água dos tanques berçários consiste de uma tubulação de escoamento, montada abaixo e no interior da estrutura do berçário. Em todo sistema, pode ser empregada tubulação de PVC com 6" de diâmetro, de forma a permitir uma vazão suficiente durante a renovação de água e a despesca. No caso da necessidade de integração do sistema de drenagem de vários tanques, o canos de PVC deverão ser ligados a uma tubulação central de esgoto com um maior diâmetro interno. O sistema de escoamento se prolonga desde o dreno central, localizado no centro do tanque, até a caixa de despesca. No orifício central de escoamento de água do tanque, é fixado um cano de PVC com um comprimento superior em 20-30 cm em relação a cota máxima de água empregada. Este cano deve possuir orifícios com 20 cm de diâmetro, distribuídos ao longo de toda sua superfície ou restritos a área do cano que permanece acima da lâmina d'água. Os canos com orifícios distribuídos ao longo de toda sua extensão permitem uma renovação mais uniforme na coluna d'água, facilitando a remoção de dejetos. Para evitar o escape de PLs, a área do cano com 3.6 MANEJO DA ÁGUA Sifonagem de Água do Berçário 64,0% 24,0% 16,0% 28,0% Não realizada 1 vez por dia 2-3 vezes por dia 1 vez a cada 2 dias n = 25 Destino da Água de Drenagem/Sifonagem 12,0% 56,0% 12,0% 8,0% 12,0% Gamboa Canal de abastecimento Viveiros Canal de drenagem Bacia de sedimentação Outro (rio, mar, salgado) n = 25 Gráfico 36 - Sifonagem de água do berçário orifícios é revestida com uma camisa feita com malha de 300 micras. O cano deve ser mantido numa posição vertical, por meio de enroscamento no dreno central, visando sua remoção durante a despesca e procedimento de limpeza. A caixa de despesca das PLs é escavada em terra e construída de alvenaria. Esta estrutura deve ser situada anexa aos tanques berçários, rebaixada a uma altura que viabilize a completa drenagem de água dos tanques. Pode ser projetada de forma a integrar a canalização de drenagem de dois ou mais tanques berçários. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Edificar os berçários de forma que possam ser drenados por completo, a cada ciclo de produção para eficiente limpeza e esterilização. 2.Restringir a taxa diária de renovação de água nos primeiros três dias de cultivo visando manter florações de fitoplâncton, e em especial as diatomácias. 3.A partir do quarto dia de cultivo, intensificar o sifonamento de água do fundo do tanque a fim de remover resíduos de fezes, restos de ração não consumida, sedimento e excesso de microalgas. 4.Destinar toda água de drenagem ou sifonamento ao sistema de tratamento de efluentes do empreendimento de cultivo (canais, bacia de sedimentação, etc.). Gráfico 37 - Destino da água de drenagem/sifonagem
  • 4. Recepção e Povoamento de Pós- Larvas - PL’s 4.1 Testes de Avaliação de PL’s 4.2 Transporte e Contagem 4.3 Recepção de PL’s 4.4 Manejo Alimentar 4.5 Transferência e Povoamento 4.6 Manejo das Caixas de Transferência
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 43 A qualidade das pós-larvas é indispensável para obter resultados zootécnicos favoráveis na engorda. PL’s de boa qualidade conseguem tolerar as mais adversas condições de despesca, transporte e contagem, além de facilmente se adaptar em uma variedade de condições de qualidade de água na fazenda. As PL’s devem ser adquiridas de laboratórios idôneos, com licença ambiental e com um bom histórico no mercado. Os testes de estresse visam fornecer um critério subjetivo de qualidade dos camarões e devem ser feitos em combinação com avaliações da aparência morfológica e comportamental dos animais. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Conduzir testes de estresse com PLs ainda no laboratório, antes do seu empacotamento e embarque. 2.Submeter cerca de 200 PL’s a um choque de salinidade (imersão em água doce por 30 minutos) ou temperatura (queda na temperatura da água para 22-24oC por 5-10 minutos). Os animais devem apresentar uma sobrevivência superior a 85%. Observar as seguintes condições: 3.As PL’s devem apresentar tamanho e peso compatíveis com sua idade cronológica. 4.A variação de peso ou tamanho das PLs no lote adquirido deve ser o menor possível. O coeficiente de variação (desvio padrão dividido pela média) nunca deve ser superior a 15%. 5.Os padrões de movimento das antenas das PLs deve ter formato em V. 6.A cutícula (casca) deve ser suave e limpa, sem a presença de necroses, algas ou protozoários. 7.O leque caudal deve ser bem aberto durante o nado do animal. 8.O rostro (chifre) e os apêndices devem estar presentes, íntegros e normais no formato. 9.A cauda deve apresentar-se translúcida, não opaca, esbranquiçada ou com a presença de sujeiras. 10.O intestino deve estar preenchido com alimento assemelhando-se a uma linha de cor amarronzada, ao longo de toda parte superior do abdômen. 11.As PLs devem reagir quando perturbadas, geralmente pulando para superfície sólida. 4.1 TESTES DE AVALIAÇÃO DE PLS Testes de Avaliação de PL 11,6% 44,2% 2,3% 41,9% Na chegada da PL na fazenda No laboratório de origem Em ambos Em nenhum n = 43 Testes Conduzidos de Estresse 93,0% 74,4% 62,8% 67,4% 46,5% 72,1% 44,2% 79,1% 90,7% 0% 20% 40% 60% 80% 100% n = 43 93,0%74,4%62,8%67,4%46,5% 72,1% 44,2% 90,7% 0% 20%40% 60%80%100% Estresse a temperatura Estresse a salinidade Distribuição na água Atividade natatória Presença de lipídeos no hepatopâncreas Preenchimento do trato digestivo Coloração de musculatura Aparência do exoesqueleto (carapaça) Sistema branquial Gráfico 38 - Teste de avaliação de pós-larvas Gráfico 39 - Teste conduzidos de estresse
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 44 100,0% 93,0%90,7%90,7%7,0% 88,4% 74,4%81,4% 97,7% 0%20%40%60%80%100% Dados de temperatura Dados de salinidade Presença de alimento nos sacos de transporte Transporte em embalagens com isolamento térmico Densidade de PLs no transporte Idade da PL Uniformidade Atestado de sanidade Outros (pH da água) 12.As brânquias devem possuir todos os seus arcos braquiais em pelo menos 80% das PLs. 13.Os túbulos do hepatopâncreas devem estar completamente preenchidos com lipídeos. 14.As PL’s devem exibir natação ativa e bentônica. Não devem apresentar-se letárgicas ou com nado em zig-zag ou em espiral. 15.Todo o músculo abdominal deve apresentar-se revestido pela cutícula, desde o final do cefalotórax até o leque caudal. As pós-larvas são geralmente transportadas por vias rodoviárias, acondicionadas em sacos plásticos contendo água e oxigênio, protegidos em caixas de isopor ou papelão. Para se obter êxito neste procedimento, é necessário manipular a temperatura da água de transporte e a densidade de PL’s conforme a distância a ser percorrida. O método de contagem de PLs predominantemente utilizado no Brasil é o volumétrico com água. A água contida em um tanque com PL’s é agitada para uniformizar a distribuição dos animais. Cerca de seis ou mais amostras são coletadas com um becker de volume entre 0,1-1,0 L para contagem do número total de PL’s contidas no recipiente. Calcula-se a média das contagens, cujo resultado é multiplicado pelo volume total de água contida no tanque e por fim dividido pelo volume de água do becker. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Durante amostragem de PL’s para contagem, sempre agitar a água do tanque de coleta, efetuando coletas rápidas. 2.Coletar amostras de PL’s sempre da superfície da água, não submergindo o becker ou o empurrando na coluna d'água. Quando totalmente ou parcialmente submerso, o becker cria correntes na água dificultando a captura de PL’s. 3.Visitar o laboratório para conhecer as condições sanitárias e de manejo. 4.Não adquirir PL’s expostas a drogas durante o processo de larvicultura. O uso de químicos reduz as respostas naturais de defesa do animal. 4.2 TRANSPORTE E CONTAGEM Método de Contagem de PLs 2,3% 9,3% 88,4% Método volumétrico com água Método volumétrico sem água Pesagem Outro n = 43 Critérios Exigidos ao Laboratório 93,0% 90,7% 90,7% 7,0% 100,0% 97,7% 81,4% 74,4% 88,4% 0% 20% 40% 60% 80% 100% n = 43 Gráfico 40 - Método de ccontagem de pós-larvas Gráfico 41 - Critérios exigidos ao laboratório
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 45 5.Acompanhar todo processo de contagem, empacotamento e transporte das PL’s. 6.Solicitar previamente a larvicultura, aclimatação das PL’s a salinidade da água da fazenda. 7.Os sacos de transporte devem apresentar uma relação de água:oxigênio de 1:1 ou de 1:2. 8.Empregar densidades iguais ou inferiores a 1.000 PL’s por litro nos sacos de transporte, diminuindo progressivamente com um aumento das distâncias a serem percorridas. 9.Minimizar o tempo de transporte de PL’s entre a larvicultura e a fazenda. Evitar transportes superiores a 20 horas. 10.Resfriar a água de transporte para 22-24oC, quando o tempo a ser percorrido excede 3 horas. 11.Sempre que possível, transportar os animais com um cilindro de oxigênio para situações de emergência. 12.Quando o transporte de PLs ocorrer em sacos de polietileno, acondiciona-los em caixas de papelão como forma de minimizar a ação térmica. As embalagens devem ser transportadas em horários amenos do dia, protegidas do sol, de preferência em caminhão baú. Evitar o uso de caixas de isopor por questões de biossegurança. Previamente a aquisição das pós-larvas, a fazenda deve tomar providências no que diz respeito à preparação das estruturas de aclimatação e de berçário. Antes da estocagem nos berçários, os mesmos já devem ter sido esterilizados, cheios com água, fertilizados e inoculados com diatomáceas. No caso da estocagem direta em viveiros, é necessário que todos os procedimentos relativos a preparação dos mesmos tenha também sido obedecida, no que diz respeito a secagem e a calagem do solo, e ao seu enchimento e fertilização da água. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Os tanques berçários devem ser submetidos à escovação, desinfecção com solução de hipoclorito de sódio a 20 ppm, lavagem com água corrente e secagem ao sol por 24 horas. 2.Empregar densidades de no máximo 30 PL’s/L nos tanques berçários, não excedendo duas semanas de cultivo, exceto em densidades inferiores a 10 PL/L. 3.Sempre conduzir aclimatação de PLs, acondicionamento ao pH (uma unidade/hora), salinidade (2-3 ppt/ hora) e temperatura (4oC/hora) da água de cultivo em caixas de aclimatação adotando uma densidade de 1.000 PL/L. 4.No uso de berçário cercado em viveiros, instalar em área com boa profundidade e circulação de água, preferivelmente de fácil acesso para alimentação. Remover, lavar e desinfetar telas após soltura dos animais no viveiro. 4.3 RECEPÇÃO DE PL’s Providências na Recepção de PLs 88,4% 55,8% 11,6% 81,4% 65,1% 67,4% 95,3% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Esterilização Fertilização Aclimatação Inoculação de alimento natural Análise de água Análise de solo Outro n = 43 Densidade de Estocagem no Berçário 25,6% 58,1% 11,6% 4,7% Até 15 PL´s/Litro De 15 a 30 PL´s/Litro Mais de 30 PL´s/Litro Não sabe n = 43 Gráfico 42 - Providências na recepção de pós-larvas Gráfico 43 - Densidade e estocagem no berçário
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 46 5.Somente efetuar a transferência ou povoamento de PLs em viveiros de engorda quando forem constatados níveis favoráveis de oxigênio dissolvido, temperatura, salinidade, pH e transparência da água. Tempo de Cultivo no Berçário 7,5% 70,0% 22,5% < 10 dias 11-20 dias > 21 dias n = 43 A fase de berçário representa uma boa oportunidade de munir as pós-larvas com um aporte adequado de nutrientes e assim fortifica-las para início da engorda em viveiros. Nesta fase de cultivo, é importante que o alimento atenda a todas as exigências nutricionais e ao metabolismo mais acelerado do animal. Para isto é necessário empregar um alimento balanceado de boa qualidade, sendo ministrado todos os dias com um maior número de vezes possível. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Durante a fase de berçário, empregar alimentos balanceados de alta qualidade nutricional, com nível protéico igual ou superior a 40%. 2.Utilizar uma granulometria do alimento artificial compatível com o tamanho do animal. Todo alimento deve possuir granulometria inferior a 800 micras. Evitar realizar a moagem de ração peletizada para fornecimento às PLs. 3.Sempre alimentar o maior número de vezes possível, preferivelmente em intervalos contínuos de uma ou duas horas durante períodos de 24 horas. 4.Reduzir a quantidade de alimento ofertado quando forem observadas sobras, empregando duas ou três bandejas de alimentação por berçário como indicadores de consumo. 4.4 MANEJO ALIMENTAR Alimento Utilizado na Fase de Berçário94,9% 0,0% 2,6% 17,9% 5,1% 79,5% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Artemia Ração fina/moída Molusco triturado Dietas comerciais líquidas para larvas ou PLs Dietas comerciais secas para larvas ou PLs Outros n = 43 Freqüência Alimentar na Fase de Berçário 7,7% 12,8% 74,4% 2,6% 2,6% Até 4 vezes ao dia 4-6 vezes ao dia De hora em hora em períodos contínuos de 24 hrs A cada 2 horas em períodos contínuos de 24 hrs Outro n = 39 Gráfico 44 - Tempo de cultivo no berçário Gráfico 45 - Alimento utilizado na fase de berçário Gráfico 46 - Frequência alimentar na fase de berçário
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 47 A transferência e povoamento de camarões, seja no estágio de pós-larva ou juvenil, é estressante para os animais devido ao manuseio a que são submetidos. Os animais devem ser transferidos ao viveiro de engorda quando prevalecerem condições adequadas de qualidade de água e os indivíduos apresentarem boa condição de saúde. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Realizar a transferência e o povoamento dos camarões em horários amenos do dia, de preferência cedo pela manhã, logo após o nascer do sol. 2.Não transferir os animais em jejum. Ministrar uma refeição no máximo duas horas antes da transferência. 3.Checar a condição de saúde dos animais e a presença de alimento no trato digestório antes de iniciar a transferência. 4.Determinar a população disponível de PLs para definir a densidade de estocagem no viveiro de engorda. 5.Evitar realizar despescas parciais dos berçários. Uma vez iniciado a drenagem de água dos berçários, proceder até seu esvaziamento completo, exceto quando os animais apresentarem sinais de estresse. 6.Manter a área de despesca dos berçários e de povoamento protegida contra a ação solar. 7.Medir os parâmetros de qualidade de água do viveiro 2 horas antes do povoamento. Se observadas discrepâncias, conduzir aclimatação dos animais às condições de temperatura, pH e salinidade de água do viveiro. 8.Utilizar água de boa qualidade quando a aclimatação for necessária. 4.5 TRANSFERÊNCIA E POVOAMENTO Horários de Transferência/Povoamento de PLs em Viveiros 20,9% 41,9% 9,3% 37,2% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Manhã Tarde Noite Indiscriminado n = 43 Acondicionamento de PLs durante Transferência para Viveiros 80,0% 97,5% 82,5% 100,0% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Com aeração contínua Com controle de temperatura Com controle de exposição solar Com controle da densidade de estocagem n = 40 Medidas Tomadas Diante de Diferenças na Qualidade de Água 56,1% 7,3% 2,4% 17,1% 24,4% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Aclimatação no berçário Aclimatação nas caixas de transferência Aclimatação em sacos de transporte no momento do povoamento Aclimatação em caixas de 500-1.000 L Povoamento sem aclimatação n = 41 Gráfico 47 - Horários de transferência/povoamento de PL’s em viveiros Gráfico 48 - Acondicionamento de PL’s durante transferência para viveiros Gráfico 49 - Medidas tomadas diante de diferenças na qualidade de água 9.Quando a aclimatação exceder mais de duas horas, ministrar alimento balanceado aos animais na quantidade de 1 kg por hora para cada 1 milhão de PLs. 10.Sempre manter oxigenação contínua nas caixas de transferência e transporte. Não manter as caixas expostas ao sol por longos períodos ou sem aeração artificial. 11.No povoamento não adentrar o viveiro, para evitar a movimentação do fundo e a ressuspensão de matéria orgânica. Fazer a transferência utilizando mangueiras de sinfonamento.
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 48 As caixas de transferência podem ser empregadas para transporte de pós- larvas da larvicultura ou dos berçários até os viveiros de engorda. São geralmente empregadas bombonas de 200 L, submarinos de 900 L, tanques plásticos de 1.000 L ou ainda caixas industriais de fibra de vidro, manufaturadas especificamente para o transporte de organismos aquáticos. As caixas de transferência devem ser equipadas internamente com mangueiras e (ou) pedras porosas para aeração artificial, devendo possuir fácil acesso para o acondicionamento e a retirada de PLs. As caixas não devem possuir cantos ou relevos que propiciem o acúmulo de sujeiras, o aprisionamento de PLs ou dificultem sua limpeza. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Empregar densidades de estocagem compatíveis com o volume e a capacidade de aeração da caixa de transporte. 2.Nunca exceder a densidade de 1.000 PL por m3 de água. 3.Não realizar o transporte ou transferência de animais em caixas que não foram submetidas a limpeza e desinfecção após o uso. 4.Dotar as caixas com um sistema de aeração submerso, empregando difusores de ar (pedras porosas) que produzam micro bolhas. 4.6 MANEJO DAS CAIXAS DE TRANSFERÊNCIA Densidade de Estocagem no Tanque de Transferência 12,8% 35,9% 51,3% < 1.000 PL para 1.000 L de água 1.000 – 5.000 PL para cada 1.000 L de água > 5.000 PL para cada 1.000 L de água n = 39 Desinfecção e Limpeza das Caixas de Transferência de PLs 95,3% 4,7% A cada ciclo ou transferência Raramente Não realiza n = 43 Gráfico 50 - Densidade de estocagem no tanque de transferência Gráfico 51 - Desinfecção e limpeza das caixas de transferência de PL’s
  • 5. Monitoramento do Estoque Cultivado 5.1 Biometria Populacional 5.2 Monitoramento do Estoque 5.3 Determinação da Muda 5.4 Estimativa de Sobrevivência
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 51 A biometria tem como intuito possibilitar mensurações do desempenho zootécnico da população cultivada, no que diz respeito ao crescimento e a sobrevivência dos camarões. A biometria é também um momento para averiguar o estado de saúde dos camarões. Ela é realizada somente quando os camarões apresentam tamanhos suficientes para serem capturados por rede de tarrafa, entre a terceira semana e o 45º dia de engorda. O período exato em que são capturados dependerá do tamanho dos animais no momento do povoamento. Contudo, quando necessária, a biometria pode ser realizada com animais menores utilizando uma rede de arrasto possuindo uma malha fina. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Dentro do primeiro mês de cultivo, avaliar o crescimento e a sobrevivência populacional através de bandejas de alimentação, no momento em que são retiradas para inspeção de sobras de ração e novas ofertas. 2.Após o primeiro mês de cultivo, realizar biometrias a cada 7 dias durante todo ciclo de produção. 3.Realizar tarrafeamento em várias áreas do viveiro, em regiões rasas e profundas, amostrando de modo mais homogêneo possível à distribuição espacial dos camarões. Camarões grandes geralmente procuram regiões mais profundas, enquanto camarões menores agregam-se próximo aos taludes do viveiro. 4.Evitar realizar biometrias logo após a alimentação. Camarões maiores tendem a apresentar uma maior concentração próxima aos pontos de alimentação, resultando em um maior número de indivíduos maiores nas capturas. 5.Não coletar camarões de bandejas de alimentação para biometrias. 6.Após a biometria, não retornar os camarões capturados ao viveiro. Destiná-los ao consumo interno da fazenda, a comercialização ou descarta-los. 5.1 BIOMETRIA POPULACIONAL Freqüência de Biometrias na Fazenda 0% 100% Semanal Quinzenal Mensal n = 43 Estágio de Realização da Primeira Biometria 41,9% 58,1% Dentro do primeiro mês de engorda Após o primeiro mês de engorda Outro n = 43 Exames Realizados na Biometria 4,7% 100,0%100,0% 67,4% 55,8% 69,8% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Presença de necroses Presença de alimento no trato digestório Condição do hepatopâncreas Condição das brânquias Grau de infecção por doenças virais Outro n = 43 Gráfico 52 - Frequência de biometrias na fazenda Gráfico 53 - Estágio de realização da primeira biometria Gráfico 54 - Exames realizados na biometria
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 52 7.Durante a biometria examinar se está ocorrendo ganho de peso (se a cauda está magra ou gorda), e se os estômagos estão cheios com ração, após 30 min a 1 hora após a última alimentação. 8.Durante as capturas, averiguar as condições do viveiro e a presença de predadores, como siris ou caranguejos. 9.Para biometria, capturar um total de 250 a 300 animais em três a quatro tarrafadas, em viveiros de até 5 ha. Em viveiros maiores, aumentar em 20% por ha adicional, o número de camarões capturados. 10.Evitar a captura de animais para biometria nos períodos de lua cheia e nova, como também nas marés de sizígia. Estes períodos representam fatores de estímulo para o comportamento migratório dos camarões peneídeos e para uma redução no consumo de ração, representando uma fase de estresse para os animais. Devido ao comportamento bentônico dos camarões e as grandes extensões das áreas de engorda, durante praticamente todo ciclo de produção os animais estão inacessíveis e pouco visíveis até o momento da despesca, quando os viveiros são esvaziados. Portanto, o monitoramento contínuo do estoque torna-se crítico em todas as fases da engorda, mas particularmente com a proximidade da despesca, quando os camarões estão mais susceptíveis a captura e consequentemente a furtos e roubos. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Utilizar o consumo diário de ração como indicador de sobrevivência e da condição de saúde da população. Suspeitar caso o consumo de ração se mantiver reduzido por vários dias consecutivos. 2.Tabular e analisar todos os dados coletados na biometria. Comparar o desempenho com ciclos anteriores de engorda. 3.Em sinais de queda de desempenho zootécnico, averiguar as taxas de alimentação adotadas, a qualidade da ração empregada e os parâmetros de qualidade de água. 4.Seguir os padrões diários de qualidade de água. Quando forem detectadas quedas de oxigênio dissolvido, monitorar os camarões mortos e tomar as medidas cabíveis. 5.Observar a presença de pássaros nas bordas dos viveiros o que pode indicar a ocorrência de camarões mortos próximos aos taludes. 6.Contabilizar diariamente o número de camarões mortos encontrados em bandejas. Reportar os dados como número de camarões mortos por cada 100.000 PLs estocadas. 5.2 MONITORAMENTO DO ESTOQUE Monitora o Estoque em Outras Circunstânceas 55,8% 44,2% Sim Não n = 43 Outras Situações de Monitoramento do Estoque 10,0% 20,0% 25,0% 10,0% 30,0%5,0% Observações visuais do viveiro Análise saúde do camarão Cálculos no computador Estimativa do consumo de ração Muda Pesagem diária n = 19 Gráfico 55 - Monitoramento e estoque em outras circunstâncias Gráfico 56 - Outras situações de monitoramento do estoque
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 53 7.Conduzir verificações freqüentes na condição de saúde (exoesqueleto, leque caudal, hepatopâncreas, cauda) e na presença de alimento no trato digestório do camarões. A presença de fezes de coloração avermelhada pode ser indicativo de canibalismo, enquanto com coloração preta é sugestivo de consumo de detrito presente no fundo do viveiro. Em ambos os casos, a quantidade de ração deve ser aumentada. As fezes devem ter coloração amarronzada. 8.Sempre manter uma ou duas bandejas de alimentação ao lado da comporta de abastecimento e descarga d'água. Elas são utilizadas para um rápido acesso aos animais e verificações rápidas quanto a condição de saúde e o consumo alimentar da população. 9.Nas avaliações da condição de saúde dos animais determinar o percentual de camarões apresentando as seguintes condições em relação aos níveis aceitáveis: cutícula mole (< 10%), lesões na cutícula (< 5%), necrose muscular (< 5%), trato digestório vazio (< 5%), gregarinas no trato digestório anterior (< 10 unidades/g de camarão), deformidades no corpo (< 10%). 10.Não manipular excessivamente a população. Capturas diárias de camarões devem ser evitadas, exceto quando próximo a despesca. A muda é um processo no qual os camarões trocam o exoesqueleto ou casca para permitir um aumento de sua massa corporal. Os camarões mudam em intervalos de dias ou semanas em um processo praticamente contínuo. Se os camarões possuem pesos semelhantes, as mudas tendem a ocorrer em um intervalo de 2 a 3 dias uma para outra. Caso o viveiro seja povoado com camarões de pesos ou idades diferentes, o ciclo de mudas ocorre em períodos distintos, gerando dificuldades no manejo. Durante a muda, os camarões acumulam uma grande quantidade de água e interrompem voluntariamente o consumo alimentar. Nesta fase, os animais encontram-se mais sensíveis a alterações ambientais e imunodeprimidos. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Sempre avaliar o estágio e o percentual de muda na população cultivada durante as biometrias. 5.3 DETERMINAÇÃO DA MUDA Períodos de Avaliação do Estágio de Muda da População 30,2% 44,2% 20,9% 32,6% 0% 20% 40% 60% 80% 100% A cada biometria Durante o arraçoamento, na coleta de camarões de bandejas de alimentação Antecedendo a despesca Outro n = 43 Figura 6 - Fases do ciclo de muda de um camarão marinho e os principais sinais para identificação Gráfico 57 - Períodos de avaliação do estágio de muda da população
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 54 Intensificar as avaliações de muda próximo a despesca, quando os camarões atingirem 9g. 2.Não avaliar a muda em camarões capturados de bandejas. Sempre utilizar tarrafas. 3.Para maior precisão, determinar a muda com base no aspecto dos urópodos (leque caudal) nos estágios de pré-muda tardia e pós-muda precoce. 4.Sempre ajustar as refeições com base na biomassa estocada de camarões apta a consumir a ração. O consumo alimentar é interrompido nos estágios de pré-muda tardia (D4), muda (camarões com casca mole) e pós- Métodos de Avaliação do Estágio de Muda 51,2% 4,7% 67,4% 2,3%0,0% 83,7% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Grau de rigidez e textura da carapaça/casca Quantidade de casca observada em bandejas de alimentação Redução do consumo alimentar Surgimento de novas cerdas nos urópodos Fase lunar Outro n = 43 Gráfico 58 - Métodos de avaliação do estágio de muda muda (recém mudado). 5.Evitar drenagem ou trocas bruscas de água durante a renovação ou despesca. 6.Não realizar deliberadamente redução drástica no nível de água para estimular a muda. A muda somente favorece o crescimento do animal quando esta ocorre no seu ciclo natural. 7.Ligar aeradores ou efetuar a troca de água quando a temperatura da água se apresentar excessivamente alta (> 32oC).
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 55 Enquanto o crescimento de camarões na engorda pode ser determinado por amostragens rotineiras da população, a sobrevivência é geralmente baseada em cálculos anteriores de estimativas do consumo de ração, pelo uso de tarrafa ou por informações padronizadas de sobrevivência. A sobrevivência é um parâmetro essencial para calcular com mais precisão as quantidades de ração a serem ofertadas, possibilitando também um planejamento mais acurado da despesca. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.No momento do povoamento de camarões no viveiro de engorda, estocar em uma pequena gaiola um número conhecido de animais. Recontar os animais após 48 horas para estimar o êxito do povoamento e a sobrevivência dos animais a este procedimento. 2.Não empregar tarrafas para determinar a sobrevivência da população. A precisão deste método é limitada devido à distribuição espacial dos camarões no viveiro, especialmente em condições de baixa densidade de estocagem. 3.Determinar a sobrevivência com base no consumo diário de ração, empregando como referência taxas de alimentação obtidas de ciclos anteriores. 5.4 ESTIMATIVA DE SOBREVIVÊNCIA Método Adotado para Estimar a Sobrevivência 44,2% 4,7% 39,5% 79,1% 0,0% 34,9% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Tabelas padrões de sobrevivência Dados históricos de sobrevivência final Tarrafa Consumo de ração Gaiolas flutuantes Outro n = 43 Gráfico 59 - Método adotado pora estimar a sobrevivência Figura 7 - Gaiola telada para estimar a mortalidade de camarões em viveiros de engorda após o povoamento
  • 6. Afluentes, Efluentes e Resíduos Sólidos 6.1 Tratamento de Efluentes e Afluentes 6.2 Riscos de Contaminação da Água de Captação 6.3 Manejo do Canal de Adução 6.4 Esgotos e Resíduos Sólidos
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 57 Os efluentes da carcinicultura podem ser ricos em nutrientes, material orgânico e sólido em suspensão, apresentados na forma particulada e (ou) dissolvida na água. Os materiais particulados são detritos orgânicos como fezes de camarão, além de restos de ração não consumida e fertilizantes. Os materiais solúveis são geralmente subprodutos inorgânicos da excreção dos animais. Os nutrientes são derivados principalmente de ração não consumida, de fertilizantes empregados para estimular o florescimento do fitoplâncton e dos produtos metabólicos gerados pelos camarões cultivados. A composição dos efluentes (água que sai) das operações de cultivo é também afetada pela qualidade dos seus afluentes (água que entra). Algumas fazendas, podem apresentar melhor qualidade dos efluentes quando comparado aos afluentes. Os camarões marinhos são exigentes quanto à qualidade da água de cultivo, e sob condições inadequadas, não crescem ou sobrevivem. Em alguns 6.1 TRATAMENTO DE AFLUENTES E EFLUENTES Tratamento de Afluentes e Efluentes 32,6% 67,4% Sim Não n = 43 Gráfico 60 - Tratamento de afluentes e efluentes Tabela 01 - Medidas de tratamento adotadas nos afluentes e efluentes casos, os afluentes necessitam ser submetidos a um tratamento prévio e desinfecção para permitir sua utilização no cultivo. A água da despesca e de drenagem dos viveiros é a que representa a maior preocupação em relação a sua qualidade, pois pode ter uma alta carga de sólidos em suspensão. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Submeter os efluentes gerados pelas fazendas de camarão a um tratamento prévio, sob qualquer circunstância, precedendo seu lançamento no meio adjacente, utilizando o sistema de tratamento de efluentes aprovado pelo órgão ambiental (SEMACE). 2.Sempre tratar os afluentes previamente, quando a operação de cultivo for próxima a centros urbanos, fazendas ou plantas de processamento de camarão, em zonas onde se pratica a pecuária e (ou) a agricultura ou durante a estação chuvosa. 3.Implementar uma ou mais das seguintes medidas para o tratamento dos afluentes e efluentes: decantação, desinfecção, oxigenação, retenção de sólidos em suspensão e filtragem biológica. 4.Os efluentes das fazendas de camarão devem apresentar uma qualidade de água igual ou superior aos afluentes.
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 58 5.Sempre que possível, reutilizar as águas de descarga dos viveiros, quando submetidas a um tratamento. 6.Reduzir a descarga de efluentes em mananciais que apresentam baixo fluxo e renovação de água ou que já sejam receptores de um grande volume de efluentes. 7.Realizar drenagem gradativa dos viveiros durante a despesca. Durante a despesca, grande parte dos nutrientes e sólidos em suspensão tende a se concentrar nos últimos 5% a 20% de água residual. Uma drenagem lenta e gradativa evitará a ressuspensão de material repousado no piso do viveiro, reduzindo as concentrações de fósforo, nitrogênio e sólidos em suspensão nos efluentes. 8.Manter em repouso por 72 horas no canal ou bacia de decantação, os 25% residuais de água de despesca do viveiro antes da descarga no ambiente, exceto no caso em que os sólidos em suspensão não excedam 50 mg/L. 9.Aumentar ao máximo o tempo de retenção da água de cultivo nos viveiros e canais de descarga. Isto pode ser feito incrementando as taxas de aeração mecânica além dos níveis de oxigênio requeridos para o crescimento e a sobrevivência dos camarões. Deste modo, haverá uma maior remoção de nitrogênio e fósforo da água por meio de processos naturais do viveiro. As fazendas de camarão são geralmente construídas em áreas estuarinas com amplo acesso a água de alta qualidade biológica, livre de poluente e rica em microorganismos. Esta condição é imprescindível para garantir padrões elevados de qualidade do produto final e manter índices zootécnicos adequados. Contudo, a água é o principal vetor de doenças no cultivo de camarão, e caso esteja contaminada, pode deflagrar uma série de problemas de ordem técnica. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.No caso de enfermidades em fazendas circuvizinhas, desinfetar a água de abastecimento e mantê-la sob repouso no canal de adução precedendo o abastecimento dos viveiros. 2.Constatada a ocorrência de uma enfermidade viral na fazenda, informar as fazendas vizinhas, recomendando evitar o bombeamento de água imediatamente e 7 dias depois da despesca. 3.Caso a drenagem da água ainda não tenha sido efetuada, conter a água contaminada no canal de descarga ou na bacia de sedimentação, efetuando sua desinfecção com cloro. 4.Evitar bombear água não tratada no viveiro por pelo menos 30 dias após o povoamento de PLs. 6.2 RISCOS DA CONTAMINAÇÃO DA ÁGUA DE CAPTAÇÃO Riscos de Contaminação da Água por Esgotos Domésticos e Industriais 34,9% 65,1% Nenhuma Mínima Moderada Alta n = 43 Tabela 02 - Medidas de tratamento adotadas para os riscos de contaminação Gráfico 61 - Riscos de contaminação da água por esgotos domésticos e industriais
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 59 5.Evitar o bombeamento de marés de sizígia, de água de despesca ou de descarga de operações adjacentes, bem como a captação de água com floração de cianofíceas e (ou) dinoflagelados. 6.Aplicar medidas corretivas ou incrementar a renovação de água caso tenho sido realizado o bombeamento de água com a presença de patógenos ou com a floração de microalgas. Nível de Influência na Água de Captação dos Efluentes de Fazendas Vizinhas 23,3% 11,6% 32,6% 32,6% Nenhum Mínimo Moderado Alto n = 43 O canal de adução distribui água de captação para os viveiros de cultivo, funcionando como uma zona tampão entre a fazenda e o ambiente natural. O canal de adução é também rotineiramente projetado para funcionar como um reservatório de água, permitindo o abastecimento dos viveiros em horários que impossibilitam a captação de água (falta de energia elétrica, maré baixa, reparo de equipamentos) do ambiente natural. A permanência da água de captação no canal de adução está geralmente associada às taxas de renovação de água da fazenda e às condições de qualidade de água do cultivo. As taxas de renovação de água estão por sua vez condicionadas à biomassa estocada de camarões e ao estágio em que se encontra o cultivo. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Projetar o canal de adução para manter uma reserva mínima de 10% a 30% de água em excedente a necessidade diária de renovação da fazenda. 2.Utilizar o canal de adução como uma bacia de decantação, submetendo a água de captação a um repouso 6.3 MANEJO DO CANAL DE ADUÇÃO Permanência da Água de Captação no Canal de Adução 13,2% 34,2% 52,6% < 24 horas 24 – 48 horas > 48 horas n = 38 Drenagem Total e Limpeza do Canal de Adução 5,1% 41,0% 35,9% 17,9% duas vezes ao ano uma vez ao ano uma vez a cada dois anos a cada > dois anos Não faz n = 39 Gráfico 62 - Nível de influência na água de captação dos efluentes de fazendas vizinhas Gráfico 63 - Permanência da água de captação no canal de adução Gráfico 64 - Drenagem total e limpeza do canal de adução quando esta se apresentar com uma grande quantidade de sólido em suspensão (> 150 mg/L) ou contaminada por doenças.
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 60 3.Drenar e despescar por completo o canal de adução uma vez ao ano, realizando em seguida sua secagem, calagem e desinfecção com uma solução clorada, esta última nos casos em que houver uma alta incidência de doenças na fazenda ou quando a concentração de matéria orgânica no solo exceder os 6%. Esgotos e resíduos sólidos são resultantes da atividade humana, constituídos de substâncias putrescíveis, combustíveis e incombustíveis. Resíduos dispostos inadequadamente em fazendas de camarão podem poluir o solo, o ar, e as águas de cultivo, alterando suas características físicas, químicas e biológicas, constituindo-se em problema de ordem estética, sanitária e ambiental. O sistema de esgotos existe para afastar a possibilidade de contato de despejos, esgoto e dejetos humanos com a população, águas de abastecimento e cultivo, vetores de doenças e alimentos. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Distribuir coletores de lixo de pequeno volume (< 50 L) em pontos estratégicos da fazenda, adjacente a viveiros de cultivo, área de berçários, armazéns de estocagem de insumos, refeitórios, acomodações, banheiros e escritório administrativo. 2.Adotar um sistema de coleta seletiva de todo material inorgânico ou reciclável (plástico, metal, vidro e papel) e orgânico gerado pela fazenda. 3.Verificar diariamente a presença de lixo nos coletores de pequeno volume, para sua devida coleta e transferência para armazenamento temporário em containeres de maior volume, com fechamento hermético, a fim de evitar a proliferação de insetos e outros animais nocivos. 4.Armazenar temporariamente o lixo em um área externa, mas adjacente a fazenda, ampla e ventilada, evitando a ocorrência de odores desagradáveis e o aparecimento de insetos e animais nocivos, além do risco de combustão do material estocado. 5.Dispor de forma adequada todo resíduo sólido, orgânico ou inorgânico, proveniente das operaçõs de cultivo. 6.Construir um sistema de tratamento primário de esgotos na fazenda, na forma de uma fossa séptica, de acordo com normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e aprovado pelo órgão ambiental (SEMACE). 6.4 ESGOTOS E RESÍDUOS SÓLIDOS Tratamento de Esgotos e Resíduos Sólidos 2,4% 11,9% 85,7% Somente esgotos Somente resíduos sólidos Ambos n = 42 Destino de Esgotos e Resíduos Sólidos 25,6% 1,2% 6,1% 23,2% 43,9% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Fossa Sólidos Queima Enterra Aterro sanitário da fazenda Aterro sanitário da cidade n = 43 Gráfico 65 - Tratamento de esgotos e resíduos sólidos Gráfico 66 - Destino de esgotos e resíduos sólidos
  • 7. Aeração Mecânica 7.1 Objetivos da Aeração Mecânica 7.2 Horário e Tempo de Aeração 7.3 Taxa de Aeração 7.4 Posicionamento e Alinhamento dos Aeradores
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 63 Os aeradores mecânicos são empregados para compensar as flutuações diárias de oxigênio dissolvido, mantendo níveis aceitáveis ou superiores a concentrações cujo os processos naturais de produção de oxigênio nos viveiros de cultivo são incapazes de proporcionar. Os aeradores são capazes de diminuir as diferenças térmicas na coluna d'água, aumentando as concentrações de OD e as taxas de degradação de matéria orgânica e nutrientes, diminuindo o acúmulo de compostos nitrogenados e homogeneizando os parâmetros de qualidade da água no ambiente de cultivo. Na maioria das fazendas de camarão, os aeradores mecânicos são empregados para permitir um aumento nas densidades de estocagem a fim de alcançar produtividades mais elevadas ou empregados como uma medida preventiva contra uma possível queda nas concentrações de OD. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Utilizar os aeradores mecânicos em qualquer fase de cultivo e horário do dia ou da noite, sob as seguintes circunstâncias: (a) biomassa estocada de camarões for superior a 2.000 kg/ha; (b) temperatura da água apresentar-se superior a 31oC; (c) concentração de oxigênio dissolvido for inferior a 3,0 mg/ L. 2.Para maior eficiência produtiva, evitar ligar os aeradores quando a água de cultivo apresentar-se supersaturada com oxigênio dissolvido (> 100%). 3.Ligar aeradores quando houver queda ou redução dos parâmetros de qualidade da água, abaixo dos níveis ideais para espécie cultivada. 7.1 OBJETIVOS DA AERAÇÃO MECÂNICA Emprego de Aeração Mecânica 90,7% 9,3% Sim Não n = 43 Objetivos da Aeração Mecânica 82,1% 74,4% 2,6% 76,9% 76,9% 89,7% 76,9% 97,4% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Aumentar oxigênio dissolvido Misturar estratos de água Eliminar estratificação térmica Melhorar desempenho zootécnico Reduzir estresse Melhorar qualidade dos efluentes Prevenir enfermidades Outros n = 39 Gráfico 67 - Emprego de aeração mecânica Gráfico 68 - Objetivos da aeração mecânica
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 64 Em viveiros de camarões marinhos, as concentrações de oxigênio dissolvido variam de forma dinâmica, podendo exibir tanto ciclos diários (diferenças entre o dia e a noite), como uma estratificação vertical (variação entre a superfície e o fundo do viveiro). Estas alterações se devem ao fenômeno natural da fotossíntese (conversão em energia solar em energia química pelas microalgas), e da respiração dos camarões e de outros organismos aquáticos que povoam o ambiente de cultivo, como as bactérias, plâncton, plantas aquáticas, etc. Os aeradores mecânicos são ligados visando compensar principalmente as oscilações de oxigênio dissolvido que ocorrem nos horários mais críticos, em particular durante a noite quando o consumo de oxigênio pode exceder as taxas de produção. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Priorizar o uso dos aeradores mecânicos durante toda a noite, logo após o por do sol, e início da manhã, quando as concentrações de oxigênio dissolvido estão mais susceptíveis a quedas, abaixo dos níveis considerados ideais para os camarões cultivados. 2.Manter os aeradores ligados durante 7.2 HORÁRIO E TEMPO DE AERAÇÃO Horário e Tempo de Funcionamento dos Aeradores 21,8% 5,5% 72,7% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Manhã Tarde Noite n = 55 3,5 hrs ± < 0,01 2,1 hrs ± 1,0 8,0 hrs ± 3,1 Gráfico 69 - Horário e tempo de funcionamento dos aeradores Figura 8 - Aeradores de pás em funcionamento em um viveiro de engorda de camarão os horários mais quentes do dia, em particular quando a ação dos ventos for mínima. 3.Ligar e desligar os aeradores mecânicos sempre apoiado por medições da concentração de oxigênio dissolvido e da temperatura da água de cultivo.
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 65 A potencia de aeração por área cultivada (taxa de aeração) deve obedecer proporcionalmente ao aumento da biomassa estocada de camarões ao longo do ciclo de engorda. Na medida em que o ganho de peso dos camarões proporciona um aumento de biomassa estocada, é necessária uma maior taxa de aeração. A aeração mecânica é necessária em qualquer fase de cultivo, sempre quando a biomassa de camarões for superior a 2.000 kg/ ha. Acima deste limite, para cada 350 kg de biomassa estocada é necessário adotar uma taxa de aeração de 1 cv/ ha a fim de garantir níveis equilibrados de oxigênio dissolvido. Outras condições como incidências de doenças seguido da mortalidade de camarões, alta acidez do solo, excesso de material orgânico acumulado e florescimento de microalgas, podem potencializar uma maior demanda de oxigênio dissolvido no ambiente de cultivo, independente da biomassa estocada de camarões. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Introduzir os aeradores no viveiro precedendo o povoamento dos camarões de modo a evitar o estresse durante o ciclo de engorda. 2.Adotar um aumento progressivo das taxas de aeração mecânica em resposta a um aumento da biomassa estocada de camarões. 7.3 TAXA DE AERAÇÃO Critério para Definir a Potência de Aeradores por Área Cultivada 20,5% 97,4% 5,1% 15,4% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Densidade ou biomassa estocada Níveis históricos de oxigênio dissolvido Enfermidades ou grau de estresse do ambiente Outro n = 39 Momento de Introdução de Aeradores nos Viveiros 20,5% 2,6% 41,0% 2,6%0,0% 33,3% 0% 20% 40% 60% 80% 100% No abastecimento No povoamento Após o 1º mês de cultivo No final do cultivo De acordo com os níveis de OD De acordo com a estação do ano n = 39 Gráfico 70 - Critérios para definir a potência de aeradores por área de cultivada Gráfico 71 - Momento de introdução de aeradores nos viveiros Tabela 03 - Taxa de aeração mecânica recomendada(cv/ha) em função da densidade de camarões estocados, peso médio populacional e sobrevivência estimada.
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 66 O posicionamento dos aeradores no viveiro é um aspecto importante, pois afeta a circulação da água, o transporte de sólidos em suspensão, definindo as áreas preferenciais para maior oxigenação no ambiente de cultivo. Os camarões tendem a evitar regiões mortas do viveiro com baixa oxigenação ou onde exista um excesso de compostos nitrogenados, como amônia, metano ou gás sulfídrico. As áreas de posicionamento dos aeradores devem ser definidas precedendo o povoamento dos camarões. O sistema de fiação elétrica, submerso ou aéreo, e o quadro de comando, também já devem estar prontos para acionamento. Os aeradores são ancorados na área de cultivo por meio de estacas de madeira introduzidas no piso do viveiro e amarradas ou inseridas nas argolas de fixação da base do aerador. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Em viveiros retangulares, instalar os aeradores paralelamente e eqüidistantes em até 10 m um do outro 2.Posicionar todos os aeradores no mesmo sentido conforme a direção predominante do vento. 3.Alojar os aeradores dentro de um raio de 45º a 90º em relação aos taludes, no lado de maior extensão do viveiro. 4.Em viveiros sem enroncamento, posicionar os aeradores distantes em pelo menos 10 m dos taludes para evitar a erosão. 5.Não relocar os aeradores uma vez instalados e fixados em uma determinada área do viveiro. A redistribuição durante o ciclo de produção pode levar a agitação de material repousado no piso do viveiro, podendo ocasionar a liberação de substâncias tóxicas na água. 6.Para promover uma melhor circulação da água e a centralização de dejetos, posicionar os aeradores nas laterais interna dos viveiros de engorda. 7.4 POSICIONAMENTO E ALINHAMENTO DOS AERADORES Forma de Posicionamento dos Aeradores 10,3% 5,1% 17,9% 59,0% 0,0% 15,4%17,9% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 45º em relação aos taludes Um ao lado do outro Dispostos em fileiras Em torno de todos os taludes Nas áreas centrais do viveiro Na direção do vento Outro n = 39 Distância dos Aeradores em Relação aos Taludes 12,8% 82,1% 5,1% < 5 m 5 - 10 m > 10 m n = 39 Gráfico 72 - Forma de Posicionamento dos aeradores Gráfico 73 - Distância dos aeradores em relação ao taludes
  • 8. Ração e Alimentação 8.1 Métodos de Distribuição de Ração 8.2 Ajuste das Refeições Ofertadas 8.3 Número de Refeições e Densidade de Bandejas 8.4 Armazenamento de Ração 8.5 Número de Rações Empregadas 8.6 Critérios Utilizados para Seleção de Ração 8.7 Inspeção e Testes de Qualidade da Ração 8.8 Parâmetros para Avaliar o Desempenho de Rações
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 69 Os métodos predominantes de distribuição de ração em viveiros de engorda de camarão são dois: (1) distribuição manual a lanços em áreas pré-definidas do viveiro, (2) concentração de ração exclusivamente em bandejas de alimentação ou comedouros, instaladas em toda área de cultivo. As bandejas tradicionais são circulares fabricadas da virola de pneus de veículos, podendo ser equipadas com apetrechos que variam de bóias duplas para reduzir velocidade de afundamento da bandeja na coluna d'água até canos de PVC removíveis que operam como transportadores de ração até a bandeja repousada no fundo. Após a estocagem das pós-larvas nos viveiros de engorda, são introduzidas entre 10 e 30 bandejas/ha, adicionado- se semanalmente mais unidades na medida em que se aproxima do 30o dia de cultivo, iniciando-se a instalação da periferia para o centro do viveiro. Camarões menores de 3 g ainda exibem um zoneamento irregular com pouca movimentação na área de cultivo, concentrando-se em regiões rasas do viveiro próximo aos taludes. Neste estágio, para atender esta distribuição espacial, a ração é ministrada através de lanços conduzidos com o auxílio de caiaques em áreas próximas aos taludes e o restante nas bandejas já instaladas PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Utilizar a distribuição de ração a lanço em situações especiais: (a) logo após a estocagem de PLs, até no máximo a primeira quinzena de engorda, sendo as ofertas por lanços intercaladas com a utilização de bandejas, e; (b) quando da adoção de alimentações noturnas, em que a distribuição de ração em bandejas fica inviabilizada devido a pouca visibilidade. 2.Após o primeiro mês de cultivo, somente adotar o método de distribuição de ração por lanço em combinação com bandejas indicadoras de consumo e quando as taxas de alimentação forem inferiores a 50 kg/ha/dia ou em densidades menores que 20 camarões/m2. 3.Adotar a oferta exclusiva em bandejas de alimentação como o método predominante de distribuição de ração ao longo do ciclo de engorda. 4.Equipar as bandejas tradicionais com bóias duplas circulares fixadas no cordão de sustentação do comedouro. 5.Quando as condições de vento permitirem, ministrar a ração em bandejas com o auxilio de um cano de PVC removível como guia de transporte da ração até o fundo. 6.Durante as fases de lua cheia e lua nova, priorizar a oferta de ração nas bandejas localizadas na 8.1 MÉTODOS DE DISTRIBUIÇÃO DE RAÇÃO Método Predominante de Distribuição de Ração 83,7% 16,3% 9,3%4,7% 9,3% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 1º mês somente a lanço 1º mês a lanço alternando com bandejas Em bandejas a partir do 2o mês A lanço durante todo ciclo de produção Bandejas desde a estocagem n = 43 Distribuição em Bandejas Utiliza 16,3% 0,0% 9,3% 88,4% 9,3% 7,0%4,7% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Bandeja tradicional Canos de PVC removíveis Bandeja com bordas elevadas Bandeja com tampa com fechamento automático Bandeja plástica Canos de PVC fixos Outro n = 43 Gráfico 74 - Método predominante de distribuição de ração Gráfico 75 - Distribuição de ração em bandejas
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 70 O apetite dos camarões varia conforme mudanças nas condições ambientais dos viveiros, tais como temperatura, dias ensolarados ou nublados, fase da lua; fatores fisiológicos, como doenças, muda, atividade enzimática, e; fatores ambientais, como sazonalidade e hora do dia e da noite. Nos camarões peneídeos predomina o modo alimentar bentônico, no qual o animal permanece maior parte do ciclo de engorda pouco visível, a procura de alimento no fundo do viveiro. As bandejas funcionam como um indicador do consumo de ração. As refeições são ministradas com base no monitoramento das sobras de ração encontradas nos comedouros, inspecionados dentro de um intervalo de tempo predefinido, geralmente a cada 3 ou 4 horas. As bandejas de alimentação permitem que os ajustes das refeições sejam realizados individualmente para cada ponto de alimentação e a cada trato, considerando as sobras observadas. Este método permite aferir as refeições com base no apetite do animal e na capacidade máxima de ingestão de ração pela espécie, além dos padrões de zoneamento da população estocada. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Ajustar as refeições diariamente, para cada ponto de alimentação e trato, considerando as sobras observadas a cada oferta individual de ração. 2.Realizar amostragens semanais da população para determinar o peso médio dos camarões e possibilitar um ajuste mais efetivo das refeições semanais. 8.2 AJUSTE DAS REFEIÇÕES OFERTADAS Base para Ajuste das Refeições Ofertadas 65,1% 2,3% 0,0% 41,9% 16,3% 7,0% 44,2% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Tabela de alimentação ou bandas Consumo em bandejas Nas sobras de ração nas bandejas Saciedade Crescimento Conversão alimentar Outro n = 43 Freq?ência nos Ajustes de Refeição 37,2% 32,6% 2,3% 27,9% Diariamente com o consumo alimentar A cada biometria Ambos Outros n = 43 periferia do viveiro, reduzindo a distribuição nas bandejas localizadas no platô. Nestes períodos lunares, os camarões tendem a alterar seus padrões de atividade locomotora, nadando agrupados próximos aos taludes no sentido anti- horário e reduzindo o consumo alimentar por 4 a 5 dias. Figura 9 - Esquema de distribuição de ração em viveiros de engorda, após o povoamento com PL20 ou superior Gráfico 76 - Base para ajuste das refeições ofertadas Gráfico 77 - Frequência nos ajustes de refeição
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 71 3.Gerar tabelas de alimentação em cada ciclo de engorda, com base nos consumos médios semanais de ração, contabilizados entre cada biometria. 4.Empregar as tabelas de alimentação para determinar projeções esperadas de consumo e sobrevivência da população. 5. Não utilizar tabelas restritivas de consumo alimentar, exceto em situações de manutenção do estoque cultivado. O consumo alimentar tende a elevar-se quando os camarões alcançam entre 6 g e 8 g, reduzindo a demanda alimentar a partir deste ponto, sem efeitos deletérios sobre as taxas de crescimento. 6.Não estipular limites máximos de consumo alimentar, pois pode favorecer a subalimentação. 7.Nunca padronizar as taxas de alimentação, pois podem variar conforme a estação do ano, a condição de saúde da população e o estágio de crescimento do camarão. Em viveiros de engorda, acredita-se que diversos arraçoamentos ao longo do dia promovem um ganho de peso mais rápido e mais eficiente em camarões, reduz a dissolução de nutrientes da ração e melhoram os índices de conversão alimentar. Da mesma forma, um maior número de pontos de alimentação por área cultivada pode favorecer um acesso mais elevado e mais homogêneo à ração por toda população de camarões. Tanto o número diário de arraçoamentos como a densidade de bandejas deve variar conforme as densidades de estocagem de camarão e sua fase de crescimento. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Adicionar mais pontos de alimentação na medida em que as densidades de estocagem aumentam. 2.Aumentar o número de tratos ao dia proporcionalmente as densidades de estocagem utilizadas. 3.Manter intervalos de alimentação constantes, com períodos não superiores a 4 horas ou inferiores a 2 horas. 8.3 NÚMERO DE REFEIÇÕES E DENSIDADE DE BANDEJAS Número Diário de Refeições Ministradas 48,8% 2,3% 7,0% 4,7% 41,9% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 1-2 2-3 3-4 4-5 6 n = 43 Número de Bandejas por Área Cultivada 27,3% 2,3% 18,2% 43,2% 9,1% < 30 por ha 30 – 50 por ha 50 – 70 por ha > 70 por ha Outros n = 43 Fase - Dens. de Estocagem Número de Refeições Diárias Bandejas/ha PL11 - 3,5 g 4 15 – 30 > 3,5 g à despesca > 15 camarão/m 2 2 20 – 30 16 - 40 camarão/m 2 3 30 – 60 41 - 60 camarão/m 2 4 60 – 80 61 - 80 camarão/m 2 5 80 – 100 > 80 camarão/m 2 6 > 120 Gráfico 78 - Número diário de refeições ministradas Gráfico 79 - Número de bandejas por área cultivada Tabela 04 - Número de refeições diárias e densidade de bandejas de alimentação em função da densidade de estocagem de camarões e fase de cultivo
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 72 As rações podem sofrer perdas de natureza física e nutricional durante seu armazenamento, afetando diretamente sua qualidade. As rações submetidas a um armazenamento impróprio podem apresentar perda de palatabilidade e atratividade, redução de sua integridade física, além da lixiviação de vitaminas, degradação de aminoácidos e oxidação de ácidos graxos, componentes importantes para o crescimento e a sobrevivência de camarões cultivados. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Armazenar rações em locais secos e ventilados, protegidos do sol e chuva, preferivelmente com temperaturas abaixo de 250 C e umidade relativa do ar inferior a 75%. 2.O local de armazenamento do estoque de ração deve ser seguro contra roubos ou furtos, telado contra roedores, insetos e pássaros. 3.O armazém deve possuir tamanho suficiente para permitir que a ração seja armazenada em lotes identificados, de acordo com o tipo, marca e data de aquisição do produto. 4.O armazém deve ser convenientemente situado para entrega e distribuição da ração na fazenda, isolado das áreas de cultivo, com acesso individual, para reduzir o risco de transmissão de doenças pelo tráfico de veículos externos no interior da propriedade. 5.O posicionamento dos sacos de ração no estabelecimento de armazenagem deve ser de tal maneira que facilite a retirada das sacarias com mais tempo de estocagem. 6.Quando armazenada próximo a viveiros, abrigar a ração sob tendas, abrigos ou ainda em pequenos silos. Não exceder 4 dias de armazenamento. 7.Quando acondicionada em sacos, manter a ração empilhada em paletes (pranchas de madeira), longe do contato direto com o chão ou paredes. Evitar empilhamento excessivo de sacarias. 8.4 ARMAZENAMENTO DE RAÇÃO Forma de Armazenamento da Ração 95,3% 0,0% 0,0% 97,7% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Em galpão coberto protegido do sol e chuva Em paletes ou estrados Em contato com chão ou paredes Outro n = 43 Armazenamento Próximo ao Viveiro 15,9% 70,5% 4,5% 0,0% 9,1% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Não realiza Em silos Em pequenas casas Exposto ao sol e chuva Outro n = 43 4,0 dias ± 2,2 1,0 dias ± < 0,01 1,3 dias ± 0,5 Rotatividade de Cargas de Ração na Fazenda 25,6% 7,0% 32,6% 34,9% Semanal Quinzenal Mensal > hum mês n = 43 Gráfico 80 - Forma de armazenamento da ração Gráfico 81 - Armazenamento próximo ao viveiro Gráfico 82 - Rotatividade de cargas de ração na fazenda
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 73 8.As rações devem ser totalmente utilizadas dentro de no máximo 2 semanas após sua aquisição. 9.Manter um estoque regulador de ração na fazenda de no máximo 5 dias de consumo. 10.Em períodos quentes e chuvosos, ou quando a data de fabricação da ração exceder os 30 dias, certificar-se da presença de antioxidantes na sua composição a fim de evitar a rancificação de óleos e gordura e preservar sua qualidade nutricional. As rações balanceadas para camarões possuem características nutricionais distintas em relação ao aporte de proteína, gordura, carboidratos, vitaminas, minerais e níveis energéticos. Existem pelo menos seis grupos de rações para camarões divididas em larvais, pré-iniciais, iniciais, crescimento, terminação e maturação. Rações balanceadas são formuladas para conter todos os nutrientes essenciais em níveis considerados ideais para os camarões nas diferentes fases de engorda, condições de cultivo e intensificação. Os camarões possuem uma maior exigência nutricional nos seus estágios iniciais de desenvolvimento, diminuindo na medida em que crescem. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Empregar rações que atendam os requisitos nutricionais dos camarões e que mantenham um desempenho zootécnico condizente com a espécie, as condições e os desafios de cultivo existentes na fazenda. 2.Adotar um programa alimentar que contemple rações com características nutricionais distintas para cada fase de crescimento dos camarões e condições diferenciadas de cultivo e desafio ambiental. 3.Utilizar rações com maior nível protéico nas fases iniciais, reduzindo gradativamente nas fases subseqüentes de engorda, quando diminuem as exigências nutricionais do animal e seu potencial de crescimento. 8.5 NÚMERO DE RAÇÕES EMPREGADAS Tipos de Ração Empregadas no Berçário e Engorda 0,0% 0,0% 41,9% 23,3% 14,0% 0,0% 20,9% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Somente um Dois Três Quatro Cinco Seis > seis n = 43 Figura 10 - Disposição apropriada para o armazenamento de ração Tabela 05 - Tipos de rações utilizadas nas diferentes fases de desenvolvimento dos camarões Gráfico 83 - Tipos de ração empregadas no berçário de engorda
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 74 5.Reduzir ao máximo o número de marcas de ração empregadas na engorda visando evitar expor o animal a dietas com balanceamento e fontes de ingredientes distintos. Marcas de Ração Empregadas no Berçário e Engorda 0,0% 0,0% 14,0% 0,0%0,0% 62,8% 23,3% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Somente uma Duas Três Quatro Cinco Seis > seis n = 43 As rações balanceadas comercializadas para engorda de camarão apresentam diferenças em relação a sua apresentação, composição nutricional, qualidade e aparência física, além de preços e condições de pagamento. O nível de proteína está entre um dos principais quesitos utilizados para definir o valor das rações pelos carcinicultores. A proteína é, contudo um parâmetro subjetivo de qualidade, pois seu valor biológico está associado à natureza nutricional dos ingredientes empregados para atender o nível protéico da ração. Os ingredientes protéicos de origem vegetal e de animais terrestres são menos aproveitáveis pelos camarões em comparação aos de origem marinha. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Averiguar quanto a qualidade e a aparência física da ração, além de sua composição de ingredientes e níveis nutricionais. 2.Sempre que possível, avaliar o desempenho da ração adquirida, ponderando quanto às relações custo-benefício no momento da aquisição do produto. 3.Rotineiramente realizar análises bromatológicas da ração em laboratório de referência, certificando-se que os níveis dos parâmetros analisados estão de acordo com os reportados na sacaria do produto. 8.6 CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA SELEÇÃO DE RAÇÃO Critérios para Aquisição de Ração 88,4% 41,9% 0,0% 67,4% 88,4% 76,7% 79,1% 62,8% 86,0% 62,8% 0% 20% 40% 60% 80% 100% n = 43 88,4%88,4% 67,4% 41,9% 0,0% 62,8% 86,0% 62,8% 79,1%76,7% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Preço Condição de pagamento (crédito) Nível de proteína Serviços Resultados zootécnicos Aparência física (coloração, integridade dos peletes) Qualidade física (% finos, moagem, hidroestabilidade, granulometria) Qualidade nutricional (digestibilidade, perfil de aminoácidos e ácidos graxos) Nível de vitamina C Outros Gráfico 84 - Marcas de ração empregadas noberçário de engorda Gráfico 85 - Critérios para aquisição de ração
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 75 4.Utilizar rações de alta qualidade. Rações com boa estabilidade na água mantêm sua integridade física por mais tempo, permitindo um maior consumo pelos camarões e uma menor lixiviação. Rações de melhor qualidade são também melhor digeridas pelos camarões, permitindo uma redução na quantidade de fezes e resíduos metabólicos excretados. Todas as cargas ou pequenos lotes de ração que chegam à fazenda devem ser submetidos a uma inspeção. Testes de qualidade física da ração podem servir de indicativo quanto à qualidade do produto. O aspecto físico da ração é fortemente influenciado pelo processo de manufatura ao qual o produto foi submetido. Fatores como o grau de moagem dos ingredientes, a mistura, a adição de óleos, o tempo e a temperatura de cozimento, entre outros, exercem um papel importante na aparência e na qualidade física dos peletes. A qualidade física de peletes pode também ser influenciada por fatores como o transporte por longas distâncias em estradas irregulares e o manuseio inadequado da ração durante a preparação da carga e a descarga. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Inspecionar a carga ou lote de ração antes do seu desembarque na fazenda, verificando indícios de umidade ou mofo, presença insetos ou de metais, pedras, sujeira ou outros contaminantes não biológicos. 2.As sacarias não devem apresentar-se molhadas, úmidas ou descolorando- se. 3.Verificar o odor da ração que não deve possuir cheiro de ranço (peróxidos), mas de peixe ou de lula. O ranço é produto da oxidação dos ácidos graxos. 4.Na sacaria, avaliar a composição básica do produto e dos seus eventuais substitutos. Preferivelmente não deve conter subprodutos de animais terrestres (ruminantes) devido a exigências do mercado internacional. 5.Verificar se os níveis de garantia do produto excedem ou estão aquém dos requerimentos nutricionais do animal. 8.7 INSPEÇÃO E TESTES DE QUALIDADE DA RAÇÃO Realiza Testes de Qualidade Física 25,6% 74,4% Sim Não n = 43 Freqüência de Testes Físicos 12,5% 6,3% 81,3% Por carga recebida Uma vez por mês Outro n = 32 Tabela 06 - Parâmetros aceitáveis e preferíveis nas rações Gráfico 86 - Realização de testes de qualidade física Gráfico 87 - Frequência de testes físicos
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 76 6.Observar a data de fabricação na sacaria. Não utilizar rações após 60 dias de sua data de fabricação. Rações que passam do seu prazo de validade perdem nutrientes essenciais, sua integridade física e tornam-se não palatáveis a camarões. Podem também apresentar fatores antinutricionais ou substâncias tóxicas e gerar comportamentos anormais, baixa resposta alimentar, crescimento reduzido e perda de saúde dos animais. 7.Avaliar a quantidade de finos da ração. Fazer peneiramento de três sacos de ração coletados em áreas distintas da carga em tela de 1.000 micras. Contabilizar os finos. Preferível: < 0,5% de finos. Tolerável: < 1% de finos. Legislação: até 2% de finos. 8.Não utilizar coloração de ração como indicativo de qualidade. Alguns ingredientes ou processos de manufatura têm a capacidade de escurecer a ração sem fornecer um aporte nutricional adequado. 9.Rações não devem apresentar-se excessivamente duras ou com uma hidroestabilidade superior a 95%. Preferivelmente devem manter no mínimo 80% de estabilidade em água dentro de um período de 4 horas. 10.Verificar o afundamento dos peletes em água salgada entre 30-35 ppt. Todos os peletes devem afundar de imediato logo após entrar em contato com a água. As rações balanceadas exercem um papel importante nos resultados de desempenho zootécnico dos camarões cultivados, que por sua vez influenciam diretamente na rentabilidade do empreendimento. O fator de conversão alimentar (FCA) e as taxas semanais de crescimento dos camarões são os principais parâmetros empregados para avaliar o desempenho de rações balanceadas. Contudo, deve-se ressaltar que estes parâmetros também sofrem a influência da qualidade genética e da sanidade dos camarões, do manejo adotado e das condições ambientais da água e do solo, que prevalecem nos viveiros de engorda, durante o ciclo de produção. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Não utilizar viveiros comerciais para avaliações preliminares de desempenho de ração, uma vez que alterações de caráter ecológico entre viveiros não permitem um julgamento apurado dos dados. 2.Conduzir avaliações de desempenho de rações em uma área anexa aos viveiros comerciais, em viveiros de terra entre 0,1 ha e 1,0 ha de área, em cercados entre 10-50 m2 instalados em viveiros comerciais ou em tanques de fibra de vidro com volumes de água igual ou superior a 500 L. 8.8 PARÂMETROS PARA AVALIAR O DESEMPENHO DE RAÇÕES Parâmetros Utilizados para Avaliar o Desempenho da Ração 69,8% 79,1% 72,1% 67,4% 0,0% 97,7% 88,4% 34,9% 76,7% 44,2% 0% 20% 40% 60% 80% 100% n = 43 0 % 2 0 % 4 0 % 6 0 % 8 0 % 10 0 % Taxa semanal crescimento Fator de conversão alimentar (FCA) Qualidade da água Qualidade do solo Produtividade de camarão Sobrevivência final de camarão Tempo de engorda Sobras de ração em bandejas Receita gerada por kg de camarão produzido Outro Gráfico 88 - Parâmetros utilizados para avaliar o desempenho da ração
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 77 3.Utilizar os viveiros comerciais para validar resultados preliminares de desempenho. 4.Sempre adotar no mínimo três réplicas para cada tipo de ração testada e avaliar os parâmetros de desempenho do animal durante toda sua fase de engorda. Área de Bioensaios para Testes de Qualidade Nutricional 11,6% 88,4% Sim Não n = 43 Gráfico 89 - Utilização de área de bioensaios para testes de qualidade nutricional
  • 9. Manejo do Solo 9.1 Tipo e Uso Anterior do Solo 9.2 Tratamentos do Solo 9.3 Revirada do Solo 9.4 Calagem
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 79 Os solos mais propícios para a carcinicultura são aqueles que apresentam graus crescentes de salinidade, correspondendo aos solos impróprios para atividade agrícola. O solo deve apresentar uma textura composta de uma mistura de silte, argila e areia. Enquanto alguns tipos de solo podem favorecer o cultivo de camarão, outros geram efeitos deletérios após alguns anos de uso, levando a um decréscimo na produtividade de camarões e a uma maior incidência de enfermidades. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Selecionar áreas com solos apresentando as seguintes características: (a) com concentrações medianas entre arenosos, siltosos e argilosos; (b) conteúdo de argila entre 15-25%; (c) baixa infiltração e alta plasticidade de forma a proporcionar a consistência necessária para construção de diques e taludes; (d) teores médios de matéria orgânica (< 5%); (e) pH próximo ao neutro e nunca inferior a 5. 2.Ficar atento as seguintes colorações: (a) cor vermelha (abundância de óxido de ferro sob condições oxidadas); (b) cor escura (alta quantidade de material orgânico em decomposição); (c) cor amarela (óxido de ferro hidratado e sulfato férrico de potássio); (d) nódulos pretos (óxido de manganês), e; (e) manchas abundantes de amarelo pálido combinado com baixo pH (indicativo de possível solo ácido sulfatado). 3.Evitar os seguintes tipos de solos: (a) arenosos: ausência de reservas de nutrientes, baixa concentração de nitrogênio dificultando a fertilização do viveiro, baixa capacidade de adsorção de fósforo e outros nutrientes, lixiviação acentuada de nitratos, ressecamento rápido devido sua alta porosidade, difícil compactação, susceptível a erosão e requerendo material externo aumentando os custos de construção; (b) solos orgânicos e de mangue: podem conter excesso de Ca, Al e Fe que reagem com o O2 para formar óxidos, apresentam um pH inferior a 5, possuem excesso de carbono, deficiência de oxigênio e alta quantidade de matéria orgânica, exibem condições favoráveis para o desenvolvimento de fungos e inibição de bactérias nitrificadoras e mineralizadoras. 9.1 TIPO E USO ANTERIOR DO SOLO Uso do Terreno Anterior a Construção da Fazenda 2,3% 51,2% 4,7% 27,9% 23,3% 0,0% 4,7%0,0% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Agricultura Pecuária Piscicultura Carcinicultura Nenhuma atividade produtiva Salgado Salina Outro n = 43 Textura Predominante do Solo nos Viveiros 4,7% 4,7% 41,9% 72,1% 46,5% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Argiloso Arenoso Siltoso Lamoso Combinação n = 43 Gráfico 90 - Uso do terreno anterior a constução da fazenda Gráfico 91 - Textura predominate do solo nos viveiros
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 80 O fundo dos viveiros de produção é o principal habitat dos camarões durante a engorda. Sua qualidade tem papel fundamental nas características químicas e biológicas da água de cultivo. Para que os camarões se mantenham saudáveis, com um crescimento adequado em um ambiente dentro de padrões considerados aceitáveis para o cultivo, a cada ciclo de engorda é necessário implementar tratamentos no sentido de recompor a qualidade do solo. Estes tratamentos se resumem ao esvaziamento completo da água dos viveiros após a despesca, secagem do solo ao sol, calagem, revolvimento, e em alguns casos, a remoção de sedimento acumulado (raspagem). O propósito da secagem do solo é reduzir o nível de umidade para possibilitar a penetração de ar entre os espaços porosos das partículas de solo do viveiro. A melhor aeração do solo favorece o suprimento de oxigênio e promove a decomposição aeróbica de matéria orgânica acumulada. Com isto, a demanda de oxigênio é reduzida ao máximo antes do enchimento do viveiro. O revolvimento permite a revirada das camadas mais profundas do solo, expondo-as ao contato com ar. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Após cada ciclo de engorda, esvaziar e repousar o viveiro por pelo menos 14 dias, ou até possibilitar a implementação de todos os procedimentos de tratamento do solo. 9.2 TRATAMENTOS DO SOLO Tratamento do Solo 100,0% 30,2% 86,0% 53,5% 100,0% 95,3% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Desinfecção Exposição ao sol Revirada Calagem Fertilização Raspagem n = 43 Gráfico 92 - Tratamento do solo Figura 11 - Funcionário preparado para distribuição de calcário em viveiro de engorda de camarão Tabela 7 - Corretivos comumente utilizados para o traatamento do solo de viveiros de camarão
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 81 2.Coletar manualmente siris, peixes e camarões remanescentes após a despesca e o esvaziamento do viveiro, descartando-os adequadamente. 3.Esterilizar poças d'água remanescentes no viveiro usando cloro (hipoclorito de cálcio) diluído na proporção de 900 g para cada 10 L de água. 4.Realizar análises de pH e matéria orgânica do solo entre os ciclos de produção, como forma de obter um melhor direcionamento em relação aos tratamentos e corretivos a serem utilizados. Forma de Revirada do Solo 51,2% 4,7% 14,0% 30,2% Mecânica Manual Ambos Nenhum n = 43 Solos com alto teor de argila ou com profundas camadas de silte quando secam, racham formando blocos. Superficialmente, os blocos aparentam secos e oxidados, contudo dentro e nas camadas mais profundas ainda estão úmidos e escuros (não oxidados). Neste ponto, a secagem adicional não traz muito benefício pois a superfície serve como barreira para evaporação. Somente o revolvimento ou revirada é capaz de romper os blocos do solo e penetrar em camadas mais densas promovendo a secagem e a aeração. A revirada do solo também promove uma melhor incorporação dos corretivos. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Não efetuar o revolvimento mecânico quando o solo ainda apresentar-se úmido. Sulcos formados pelos pneus de tratores serão preenchidos com sedimento fino funcionando como provável zona para condições anaeróbicas. 2.Tratores utilizados no revolvimento devem possuir pneus duplos ou pneus com largura extra para prevenir formação de sulcos. Sulcos também interferem com a drenagem de água e aumentam a dificuldade de secagem do solo. 3.Sempre submeter o trator a limpeza e a desinfecção do arado e pneus antes de compartilhá-lo com outros viveiros. 4.Para uma melhor eficiência no revolvimento e em solos muito compactados, efetuar uma gradagem cruzada (norte-sul e leste-oeste). 9.3 REVIRADA DO SOLO Trator Submetido a Limpeza e Desinfecção 66,7% 33,3% Sim Não n = 36 5.Aplicar de 150-200 g/m2 de óxido de cálcio (cal virgem) para desinfetar comportas, regiões de drenagem de água, taludes e enroncamentos de pedras, canaletas internas ou valas e áreas de posicionamento de bandejas de alimentação. 6.Em áreas mais degradadas e com alta concentração de matéria orgânica, ou em solos extremamente orgânicos, aplicar de 20-40 g/m2 de nitrato de sódio ou de potássio sobre o solo ainda úmido. O suprimento adicional de nitrogênio irá acelerar a degradação de matéria orgânica acumulada por bactérias nitrificantes, oxidando substâncias tóxicas como ferro, manganês e sulfato de hidrogênio. Gráfico 93 - Forma de revirada do solo Gráfico 94 - Limpeza e desinfecção de trator
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 82 A calagem de viveiros de engorda tem como objetivo neutralizar a acidez do solo entre os ciclos de produção e aumentar as concentrações de alcalinidade e dureza total da água de cultivo. Estas condições favorecem a produção de fontes naturais de alimento no viveiro, propiciando um incremento dos resultados zootécnicos dos camarões. O solo de viveiros de engorda precisa ser submetido a calagem quando apresentam uma ou mais das seguintes condições: (a) pH abaixo de 5,0 unidades (b) alcalinidade inferior a 100 mg/L de CaCO3; (c) matéria orgânica superior a 6%; (d) recente ocorrência de doenças virais ou bacterianas; (e) viveiro não responde a fertilização da água; (f) floração de microalgas ou excesso de material inorgânico em suspensão. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Não aplicar corretivos sobre solo seco, pois o mesmo não reage sob tais condições. Na aplicação do corretivo, o solo deve apresentar-se visivelmente úmido, suficiente para permitir que se caminhe sobre ele sem aderir ao solado do sapato. 2.Determinar as dosagens com base no mapeamento do pH do solo do viveiro. O requerimento do corretivo depende do pH inicial do solo e de seu poder tampão. Poder tampão do solo refere-se à resistência do solo a mudanças no seu pH após a adição de bases alcalinas. 3.Adotar o seguinte procedimento quando da análise do pH do solo: (a) coletar 5-10 cm de solo de pontos distintos do viveiro distantes 50 m, um do outro; (b) secagem das amostras de solo a 600 C em estufa ou ao sol distribuindo as amostras em uma lona plástica; (c) pulverizar o solo seco e peneirar com malha de 2 mm; (d) misturar solo seco (10- 9.4 CALAGEM Objetivos da Calagem 79% 81% 0% 21% 72% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Água Solo Animal cultivado Água e solo Outro n = 43 Freqüência de Calagem 0%2% 35% 84% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Semanal com o viveiro povoado Quinzenal com o viveiro povoado Esporadicamente com o viveiro povoado quando houver necessidade Durante a preparação do viveiro n = 43 No. e Pontos de Coleta de Solo no Viveiro 2,3% 83,7% 9,3% 4,7% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Fundo do viveiro Talude Outro Não realiza análise de solo n = 43 8,7 pontos/ha ± 6,0 1,0 pontos/ha ± < 0,01 60 pontos/ha (viveiro) 3 pontos/ha (plato e valas) Gráfico 95 - Objetivos da calagem Gráfico 96 - Frequência da calagem Gráfico 97 - Número e pontos de coleta de solo no viveiro 20 g por amostra) com água destilada numa proporção de 1:1 (em solo muito argilosos usar 1:1,5 ou 1:2 de solo:água); (e) misturar por 30 minutos sem parar; (d) inserir o eletrodo do pHmetro diretamente na mistura; (e) proceder à mistura da amostra durante a leitura do pH; (f) obter média aritmética do pH das amostras analisadas.
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 83 4.Coletar as amostras para análise de pH com o solo ainda úmido, logo após a despesca e a drenagem do viveiro. 5.Nunca supercalar o solo, pois isto pode criar deficiências em fósforo e outros m i c r o n u t r i e n t e s , dificultando a mineralização de matéria orgânica e a fertilização da água. 6.Sempre realizar a calagem entre os ciclos de engorda, com um intervalo mínimo de uma semana antes do enchimento com água e fertilização. 7.Grandes quantidades de corretivo são necessárias em solos com pH baixo e alto poder tampão. 8.Utilizar corretivos bem moídos. O grau de eficiência (PRNT, Poder Relativo de Neutralização Total) de um corretivo está relacionado ao nível de moagem das partículas. 9.Evitar a aplicação rotineira, entre ciclos de engorda, da cal virgem ou da cal hidratada. São produtos que agem rapidamente sobre o pH, mas por um período curto. Devem ser utilizadas para desinfetar o fundo, quando prevalecerem condições de pH muito baixo (< 4,0 unidades) ou sob situações de enfermidades, como necroses ou doenças parasitárias e bacterianas. 10.Utilizar o calcário agrícola dolomítico ou o calcítico para correção do pH do solo entre os ciclos de produção. 11.Aplicar o gesso agrícola (sulfato de cálcio desidratado, CaSO4·2H2O) sobre a água para controlar a floração de microalgas ou o excesso de material inorgânico em suspensão. Deve ser utilizado numa quantidade de 1-4 toneladas de gesso agrícola para cada metro cúbico de água. Tabela 8- Quantidade de corretivo (kg/ha) recomendado em função do pH do solo de viverios de camarão com vistas a neutralização da acidez Tabela 9 - Grau de pureza ou eficiência (%) do calcário em funcção de sua granulometria
  • 10. Qualidade de Água 10.1 Parâmetros de Qualidade de Água 10.2 Análise dos Parâmetros de Qualidade de Água 10.3 Bombeamento de Água 10.4 Renovação de Água 10.5 Filtragem de Água
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 85 A qualidade da água é um dos fatores determinantes do sucesso de uma operação de engorda de camarões. Níveis inadequados de qualidade da água levam os camarões ao estresse, gerando problemas na produção como uma maior susceptibilidade a enfermidades, menores taxas de crescimento e baixo consumo alimentar. Estes fatores afetam diretamente a produtividade do empreendimento, pois reduzem os níveis de sobrevivência e a conversão alimentar, incidindo diretamente sobre a rentabilidade da fazenda. Os parâmetros de qualidade de água são classificados em fatores químicos, físicos e biológicos, e incluem dentre outros, a temperatura, o pH, o oxigênio dissolvido, a salinidade e a transparência d'água. A análise destes parâmetros visa garantir uma boa condição ambiental durante o cultivo de camarões, evitando mudanças bruscas e níveis considerados estressantes para os animais. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Realizar um acompanhamento sistemático dos parâmetros físicos, químicos e biológicos das águas em uso, incluindo as de captação, as armazenadas nos canais de abastecimento, em uso nos berçários e viveiros e das águas de drenagem. 2.Empregar os dados de qualidade de água para a tomada de decisões relativas ao povoamento, a despesca ou ainda para aplicação de medidas corretivas ou emergenciais. 3.Respeitar os níveis de qualidade de água considerados ideais para a espécie cultivada, evitando ultrapassar os limites críticos. 4.Estabelecer ações de correção e controle para cada um dos parâmetros de qualidade de água quando forem detectadas alterações nos níveis considerados aceitáveis para o camarão. 5.Evitar mudanças bruscas em qualquer um dos parâmetros de qualidade de água, adotando imediatamente medidas corretivas a qualquer sinal de alteração. 10.1 PARÂMETROS DE QUALIDADE DE ÁGUA Parâmetros Analisados de Qualidade de Água 95% 12% 21% 12% 19% 21% 5% 14% 7% 7% 7% 21% 16% 100% 98% 23% 93% 95% 0% 20% 40% 60% 80% 100% n = 43 0% 20% 40%60% 80% 100% Oxigênio Dissolvido Temperatura Salinidade pH Alcalinidade Dureza Fósforo total Nitrogênio total Nitrito Amônia Transparência d’água DBO Material em suspensão Contagem total de bact. Contagem total de vibrio Bentos Fitoplâncton Zooplâncton Finalidade das Análises de Qualidade de Água 9,3% 2,3% 93,0% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Utilizados para tomada de decisões Analisados e armazenados Somente armazenados n = 43 Gráfico 98 - Parâmetros analisados de qualidade de água Gráfico 99 - Finalidade das análises de qualidade de água
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 86 6.Conhecer e interpretar as relações entre os parâmetros de qualidade de água para melhor diferenciar as mudanças de caráter natural e aquelas resultantes do manejo. 7.Aplicar com moderação fertilizantes à base de nitrogênio, evitando o uso de adubos orgânicos. Os parâmetros de qualidade de água nos viveiros de cultivo são dinâmicos, sofrendo mudanças temporais reguladas por fatores ambientais e operacionais. Estações do ano, horário do dia e da noite, velocidade e ação dos ventos, profundidade dos viveiros, taxas de alimentação e biomassa estocada, são alguns fatores que podem promover alterações significativas na qualidade da água. O monitoramento destes parâmetros nas fazendas de camarão é normalmente realizado através da leitura de instrumentos em campo. A água é analisada em pontos distintos da fazenda, em horários preestabelecidos. O objetivo deste monitoramento é detectar se algum parâmetro encontra- se fora dos níveis considerados ideais para a espécie, permitindo adoção de medidas corretivas, caso se faça necessário. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Estabelecer uma rotina de análise dos parâmetros de qualidade de água na fazenda, delegando um ou mais funcionários para esta função. 2.Padronizar os pontos e os horários de análise dos parâmetros de qualidade de água. 3.Plotar as alterações diárias nos parâmetros de qualidade de água, verificando diariamente suas tendências. 4.Dotar a fazenda com equipamentos para análise dos parâmetros de qualidade de água considerados essenciais, tais como oxímetro (oxigênio dissolvido e temperatura), refratômetro (salinidade) e pHmetro (pH). 5.Quando viável, equipar a fazenda com equipamentos de colorimetria ou espectrometria. 10.2 ANÁLISE DOS PARÂMETROS DE QUALIDADE DE ÁGUA Método de Realização de Análises 23,8% 85,7% 9,5% 2,4% 4,8% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Por leitura de instrumento em campo Em laboratório especializado Por colorimetria Por espectrometria A olho nu n = 43 Limpeza e Calibração do Equipamentos de Qualidade de Água 87,8% 12,2% Sempre Raramente Nunca n = 43 Fazenda Dispõe de Laboratório de Qualidade de Água 11,6% 69,8% 18,6% Sim Não Em implementação n = 43 Gráfico 100 - Método de realização de análises Gráfico 101 - Limpeza e calibração do equipamento de qualidade de água Gráfico 102 - Disponibilidade de laboratório de qualidade de água na fazenda
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 87 6.Manter todos os equipamentos de qualidade de água em perfeito funcionamento, calibrando-os de forma rotineira. 7.Dispor de equipamentos de reserva, caso ocorra quebra ou mal funcionamento. Manter em estoque pilhas, baterias, soluções químicas, água destilada e membranas para um contínuo funcionamento dos equipamentos. 8.Monitorar no mínimo três vezes ao dia as concentrações de oxigênio dissolvido. Selecionar um equipamento de boa precisão e resistente as condições adversas de salinidade e temperatura. 9.Sempre analisar o oxigênio dissolvido (OD) mais próximo possível do fundo do viveiro, onde os camarões passam a maior parte do tempo. Adotar um monitoramento noturno como padrão para este parâmetro. 10.Manter níveis de OD sempre acima de 3 mg/L a qualquer hora do dia, preferivelmente com uma margem de segurança de +1 mg/L. 11.Não ligar os aeradores mecânicos quando a água de cultivo estiver supersaturada com OD, ou seja, quando as c o n c e n t r a ç õ e s ultrapassarem 100%. 12.Monitorar diariamente a salinidade da água, administrando os aumentos e as quedas de forma a reduzir ao máximo o gasto osmoregulatório do animal. 13.Em áreas susceptíveis a alta salinidade, utilizar poços de água doce para equilibrar a salinidade e monitorar a liberação de água mãe de salinas (água de alta salinidade). 14.Realizar análises quantitativas e qualitativas de fitoplâncton no ponto de captação, canal de abastecimento e viveiros de cultivo. 15.Realizar análises que requerem um maior grau de precisão e tecnificação (compostos nitrogenados e avaliações bacteriológicas) em laboratórios especializados. 16.Registrar todos os valores de análise dos parâmetros de qualidade de água em um banco de dados a fim de antecipar tendências estacionais e correlações com resultados de desempenho zootécnico. 17.Estabelecer um plano de monitoramento ambiental dos efluentes da fazenda de acordo com a Resolução do CONAMA No. 312/02. Tabela 10 - Níveis ideais de qualidade de água de viveiros de camarão e frequência recomendada para monitoramento
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 88 A captação é considerada o fator determinante para o sucesso dos cultivos de camarão. Faz-se necessário um estudo prévio para sua correta localização. É necessário que o local permita um maior número de horas de bombeamento ao dia, pois assim procedendo poderá ser minimizado possíveis entraves relacionados com a sanidade do plantel, com quedas bruscas nas concentrações de oxigênio dissolvido ou ainda com a descarga de massa d'água super enriquecida com microalgas. O conjunto de bombas pode ser flutuante, axial ou centrífuga conforme exigências do empreendimento. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Edificar a estação de bombeamento a montante para minimizar os riscos de recaptação das águas de drenagem da própria fazenda. 2.Posicionar as bombas em uma área que não provoque o assoreamento, a sedimentação ou um aumento da turbidez no ambiente circunvizinho ao empreendimento ou nas águas de captação. 3.Definir o ponto de captação com base nas características hidrológicas do manancial, se esta apresenta um bom fluxo de correntes e renovação de água, uma profundidade adequada e a possibilidade de captação a qualquer hora do dia. Evitar locais muito confinados, dando preferência as áreas mais abertas. 4.Proteger na área de sucção, a válvula de pé por um sistema de telas ou cerca para evitar que resíduos ou organismos aquáticos conduzidos pela massa d'água sejam sugados, provocando danos ao sistema ou simplesmente introduzidos no canal de abastecimento. 5.Manter um controle sobre o horário de bombeamento em função do fluxo das marés e de possíveis interferências de águas residuais de uma outra propriedade, o que representa também uma forma de controle financeiro sobre o custo da energia elétrica. 6.Realizar as devidas manutenções do sistema de bombeamento para que se obtenha uma vazão máxima permitida pelo conjunto de bombas. 10.3 BOMBEAMENTO DE ÁGUA Ponto de Captação Dispõe de Cerca ou Outro Tipo de Proteção 88,4% 11,6% Sim Não n = 43 Tipo de Bombas Empregadas 7,0% 93,0% Elétrica a diesel n = 43 Influência da Água de Descarga da Própria Fazenda no Ponto de Captação 76,8% 41,9% 7,0% 14,0% Nenhuma Mínima Moderada Alta n = 43 Gráfico 103 - Disponibilidade de cerca ou outro tipo de proteção no ponto de captação Gráfico 104 - Tipos de bombas empregadas Gráfico 105 - Influência da água de descarga da própria fazenda no ponto captação
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 89 7.Na ausência de enfermidades e caso apresente uma boa qualidade físico-química e biológica, reutilizar a água de drenagem dos viveiros de engorda após o devido tratamento com vistas a reduzir os custos de bombeamento e fertilização da água. Os viveiros de camarão são em grande parte ricos em nutrientes (eutróficos) e sob condições intensivas de cultivo, podem apresentar características heterotróficas (respiração excede a fotossíntese). Portanto, muitos destes ambientes dependem da renovação de água e, às vezes da aeração mecânica, para manter os parâmetros de qualidade de água dentro de níveis aceitáveis. A renovação de água é uma prática usual de manejo, considerada barata e eficiente, empregada com inúmeros objetivos: (a) adição de alimento natural; (b) recuperação de baixas concentrações de oxigênio dissolvido; (c) diluição da salinidade; (d) controle de compostos nitrogenados, como amônia e nitrito, e; (e) indução da muda para eliminação de necroses e outros defeitos visuais na exoesqueleto dos camarões, antecedendo à despesca. Além da troca diária de água, os viveiros de camarão necessitam ser esvaziados entre os ciclos de produção para realização da despesca. Os requerimentos de renovação de água são variáveis e fortemente dependentes do manejo adotado. Hoje se sabe que a produtividade de camarão e a intensificação dos sistemas de produção não seguem uma relação proporcional às taxas de renovação de água, mas sim aos aportes tecnológicos dados a operação de cultivo. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Não renovar a água dos viveiros, caso a qualidade e a lâmina d'água estejam favoráveis. Uma renovação desnecessária acarretará através da descarga d'água, perdas de plâncton e nutrientes presentes no viveiro, além de um maior risco na introdução de enfermidades. 2.Adotar a renovação simultânea de água (drenar e encher simultaneamente) ao invés do modo step- wise (drenar seguido de enchimento) a fim de manter um fluxo contínuo de água de boa qualidade nos viveiros. 3.Antes do início da renovação de água observar se o canal de abastecimento possui volume suficiente para tal procedimento. 10.4 RENOVAÇÃO DE ÁGUA Taxa Diária de Renovação de Água 38,1% 50,0% 11,9% < 1% 1% – 5% 5% - 10% > 10% n = 43 No Momento do Bombeamento Leva em Consideração 43,9% 19,5% 0,0% 51,2% 22,0% 58,5% 51,2% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Chuva Descarga de fazendas circunvizinhas Florescimento de algas ou dinoflagelados Sólidos em suspensão Presença de enfermidades Nenhuma n = 43 Gráfico 106 - Taxa diária de renovação de água Gráfico 107 - Fatores considerados no momento do bombeamento Tabela 11 - Esquema de troca d´água observado nas fazendas de camarão
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 90 4.Sempre manter uma proporcionalidade entre os volumes da água de abastecimento e drenagem, como forma de minimizar o estresse na biomassa de camarão existente. 5.Utilizar estacas fixas para visualizar a profundidade do viveiro. Sempre trabalhar com a máxima profundidade operacional permitida. 6.Manusear as táboas protetoras ou stop logs fixadas nas comportas de drenagem de água para permitir uma renovação da massa d'água de forma estratificada. Drenar a água do fundo do viveiro para aumentar os níveis de oxigênio dissolvido ou reduzir a estratificação térmica. A drenagem superficial deve ser conduzida para remover água doce da superfície após fortes chuvas ou para controlar a floração de dinoflagelados e cianofíceas, que geralmente se acumulam nos primeiros 15 cm superficiais da lâmina d'água. 7.Evitar a troca de água noturna dado as dificuldades visuais de observações dos procedimentos relativos à renovação. 8.Instalar em todos os pontos de descarga de água da fazenda ao ambiente, telas para prevenir o escape de camarões.
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 91 Duas são as área básicas onde a filtragem se torna indispensável, na área dos berçários e nos viveiros. Nos berçários o processo é mais rigoroso pois é necessário o uso de micro telas e fibras para melhor reter as partículas em suspensão. Já nos viveiros, a filtragem geralmente é feita por um conjunto de telas, dispostas em seqüência onde partículas, ovos e predadores são previamente retidos. Desta forma faz- se necessário uma constante manutenção (escovação) deste conjunto de telas disposto na comporta de abastecimento. O mesmo procedimento é realizado na comporta de drenagem, onde a escovação é realizada para prevenir que algas filamentosas e pequenos crustáceos reduzam o fluxo da água de descarga. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Instalar no cano de abastecimento de água dos berçários, uma manga de filtragem com malha de 300 micras. 2.No caso da presença de enfermidades de ordem viral, adotar uma filtragem mecânica com filtros de piscina em toda água de abastecimento do berçário. 3.Fixar sequencialmente, na comporta de abastecimento de água, dois jogos de telas com malhas de 1.000 e 500 micras, antes do enchimento do viveiro e durante os primeiros 30 dias de engorda. 4.Realizar a troca de abertura de malhas das telas fixadas na comporta de abastecimento de água de cada viveiro, na medida em que os camarões apresentam pesos mais elevados. Estágio de PL até camarões de 3 g, malhas de até 500 micras; camarões entre 4 g e 8 g, malhas de até 1.000 micras; camarões entre 9 g e 12 g, malhas de até 5.000 micras. 5.No caso da presença de enfermidades de ordem viral, instalar bolsões na forma de bag net nos tubos de saída de água das bombas de captação e nos túneis de entrada de água dos viveiros. Utilizar malhas de 1.000 micras e 300 micras, respectivamente. 6.Sempre destinar telas para um único módulo ou bateria de viveiros, de forma a minimizar a dispersão de algum problema infeccioso no resto da operação de cultivo. 7.Escovar as malhas a cada troca d'água para evitar seu entupimento e rompimento. Sempre incluir malhas de reposição no estoque, estabelecendo um sistema de rotatividade preventiva conforme o nível de entupimento observado. 10.5 FILTRAGEM DE ÁGUA Emprega Filtragem da Água por Telas na Comporta de Abastecimento 100% Logo após povoamento do viveiro A partir do enchimento do viveiro Sim, exceto nos horários de limpeza e manutenção das telas Somente em certas fases do cultivo n = 43 Objetivo da Filtragem da Água por Telas na Comporta de Abastecimento 30,2% 76,8% Evitar a entrada de competidores ou predadores no ambiente de cultivo Evitar a entrada de vetores de enfermidades Outro n = 43 Gráfico 108 - Emprego de filtragem da água por telas na comporta de abastecimento Gráfico 109 - Objetivo da filtragem da água por telas na comporta de abastecimento
  • 11. Substâncias Químicas 11.1 Químicos e seus Objetivos 11.2 Dosagens e Formas de Aplicação
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 93 Durante os ciclos de cultivo de camarões uma série de produtos terapêuticos e substâncias químicas podem ser empregadas. Estes produtos precisam ser bem dosados para não causar prejuízo ao meio ambiente e nem comprometer a qualidade do produto final. Os produtos empregados podem ser classificados como desinfetantes (cloro, ácido muriático, iodo e amônia quaternária); fertilizantes (uréia, silicato e super fosfato); corretivos agrícolas (cal e calcário); quimioterápicos (antibióticos e permanganato de potássio), e; conservantes (metabisulfito de sódio). Entre os desinfetantes, o mais empregado é o cloro, hipoclorito de cálcio, que é comprovadamente seguro, sendo comumente também aplicado em piscinas e reservatórios de água públicos, não causando danos ao ambiente de entorno, quando usados em viveiros de cultivo. Os fertilizantes, têm como objetivo estimular o crescimento do fitoplâncton e garantir uma melhor qualidade da água. O uso do silicato visa o florescimento de diatomáceas, microalgas de grande importância para a carcinicultura. Os corretivos agrícolas têm como objetivo reduzir a matéria orgânica do solo, neutralizar a acidez do solo e da água, bem como aumentar a alcalinidade e a dureza total. A calagem também é empregada para reduzir o florescimento de microalgas e endurecer o exoesqueleto do camarão. O emprego de antibióticos na carcinicultura, durante muitos anos foi uma prática rotineira, sendo inclusive usado como medida preventiva contra o NHP (Hepatopancreatite Necrosante). Com decorrer do tempo, foram evidenciados os resultados maléficos desse procedimento, que provocava o surgimento de cepas de bactérias resistentes, causando danos a saúde humana, além de comprometer a qualidade do produto para exportação.Os Estados Unidos e a União Européia, principais mercados importadores do camarão brasileiro, através dos seus departamentos de controle de qualidade de produtos para consumo humano, divulgaram uma lista de produtos terapêuticos cuja aplicação é proibida. Os nitrofuranos e cloranfenicois têm sua 11.1 QUÍMICOS E SEUS OBJETIVOS Substâncias Químicas Empregadas 100% 7% 0% 100% 0% 98%100% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Corretivos agrícolas. Cal, calcário Fertilizantes. Uréia, silicato, SPT Desinfetantes. Cloro, ácido muriático, iodo, amônia quaternária Conservantes. Metabisulfito Quimoterápicos. Antibióticos, pergamanato de potássio Suplementos microbianos. Probióticos Outros n = 43 Objetivos do Uso dos Produtos Químicos 86% 70% 37% 42% 23% 16%19% 14% 72% 60% 95% 5% 100% 81% 95% 49% 0% 20% 40% 60% 80% 100% n = 43 8 6 % 7 0 % 3 7 % 4 2 % 2 3 % 1 6 % 1 9 % 1 4 % 7 2 % 6 0 % 9 5 % 5 % 4 9 % 9 5 % 8 1 % 1 0 0 % 0 % 2 0 % 4 0 % 6 0 % 8 0 % 1 0 0 % Preparação do viveiro Incremento da comunidade primária Controle de doenças Desinfecção da água Desinfecção do solo Esterilização de equipamentos Higienização de pessoal Redução no florescimento de microalgas Redução na quantidade de matéria orgânica Redução na quantidade de sólidos em suspensão na água Melhorar conversão alimentar Diminuir a mortalidade de camarões Favorecer endurecimento da carapaça/casca Promover a muda Evitar melanose no camarão despescado Outros Gráfico 110 - Substâncias químicas empregadas no cultivo Gráfico 111 - Objetivos do uso dos produtos químicos
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 94 administração proibida. Apenas três antibióticos têm sua aplicação permitida nos organismos cultivados: oxitetraciclina-HCL, sulfamerezin e Romet®30. Dos três, a oxitetraciclina (OTC) é empregada na carcinicultura no combate ao NHP. Trabalhos indicam que após 16 dias do término do tratamento com OTC, resíduos da droga no músculo do camarão já atingem níveis de segurança para o consumo humano. Os entrevistados afirmaram não usar quimioterápicos nas fazendas. O metabisulfito de sódio é usado durante o choque térmico dos camarões, por ocasião da despesca, com o objetivo de evitar a melanose. Este produto em contato com a água libera o SO2, substância altamente tóxica quando inalada, podendo causar danos irreversíveis ao aparelho respiratório do manipulador. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Selecionar de forma criteriosa o local de construção da fazenda, considerando a qualidade da água e do solo. Esta medida irá influenciar na quantidade de corretivos e fertilizantes empregados. 3.Adotar medidas de prevenção de doenças e procedimentos de biossegurança, adquirindo PLs de boa procedência e rações de alta qualidade, mantendo ao mesmo tempo um equilíbrio ambiental no sistema de cultivo. 4.Adquirir produtos químicos de elevada qualidade, aprovadas pelo Ministério da Agricultura para uso na carcinicultura e que contenham informações relativas aos riscos à saúde humana e meio ambiente, modo de uso, composição, percentual de produto ativo, restrições de uso, armazenamento, descarte, tempo de carência e procedimentos emergenciais em caso de acidentes. 5.Seguir as informações contidas nos rótulos de cada produto sobre seu uso. 6.Fornecer EPIs (equipamentos de proteção individual) e fiscalizar seu uso por funcionários que irão trabalhar com produtos químicos, especialmente o metabisulfito de sódio e cloro. 7.Estabelecer procedimentos de emergências no caso de acidentes (contato, inalação ou ingestão do químico). Instruir todos os funcionários sobre estes procedimentos, expondo-os em área visível tráfego de funcionários. 8.Armazenar drogas e químicos em área ventilada, inacessível a pessoas não autorizadas, crianças e animais. Não armazenar estes produtos próximos a rações balanceadas. 9.No uso de produtos com efeitos bioacumulativos ou potencialmente tóxicos, a água de cultivo deve ser submetida a um tempo de repouso antes do seu lançamento no ambiente natural, suficiente para permitir sua total degradação. 10.Não utilizar produtos químicos que possam por em risco a biota natural, o estoque cultivado e (ou) a saúde humana. 11.Manter um relatório contendo todas as informações relativas ao uso de drogas e químicos, como tipo de produto utilizado, identificação do viveiro, dosagem, data de aplicação, lote de camarões, etc. 12.Somente fazer uso de drogas para o tratamento de doenças após um criterioso diagnóstico. Doenças de caráter viral em camarões não podem ser tratadas com antibióticos ou outras drogas.
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 95 A qualidade do produto empregado (pureza), quantidade e forma de aplicação irão influenciar na eficiência dos resultados dos tratamentos químicos adotados durante os ciclos de cultivo. A quase totalidade das empresas visitadas adota como critério básico para o cálculo da dosagem dos produtos empregados, o volume de água dos viveiros. Considerando o empirismo na escolha e na quantidade do produto empregado, a possibilidade da eficiência das respostas obtidas é bastante reduzida. O uso de qualquer produto deve ser baseado no conhecimento da real qualidade da água, que irá ditar a melhor prática. A dosagem de corretivo calcário irá variar de acordo com o pH do solo e o produto selecionado. O mesmo acontece com a fertilização dos viveiros que irá depender do sistema de água, que por sua vez irá ditar a quantidade e a freqüência de aplicação. Embora existam sugestões de como e quanto aplicar, o bom senso e o conhecimento devem prevalecer. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Realizar análises da água e do solo como base para decisão do produto a ser aplicado e a dosagem necessária. 2.A calagem em solos cuja alcalinidade total encontra-se abaixo de 50 mg/L deve ser de 500-1.000 kg de carbonato de cálcio/ha ou 100-200 kg de óxido de cálcio/ha/semana. 3.Realizar a calagem apenas em viveiros com solos ácidos ou com pH abaixo de 5,0 unidades. 4.Águas salgadas e salobras não necessitam de calagem, elas normalmente apresentam alcalinidade total igual ou superior a 50 mg /L. 5.Calcular a dosagem de fertilizantes com base no conhecimento dos níveis de nutrientes dos viveiros para evitar custos desnecessários e deterioração da qualidade da água do cultivo. 6.Dar preferência a fertilizantes líquidos, que dissolvem rapidamente na água, cujos nutrientes são melhor aproveitados pelo fitoplâncton. Estes fertilizantes são aplicados na superfície da água. 7.Quando usar fertilizante granulado deixar imerso em água por aproximadamente 12 horas e somente depois incorporar ao solo. 8.Sempre realizar a calagem antes da fertilização. 9.Realizar o monitoramento semanal dos nutrientes do viveiro para definir a necessidade de fertilizações de manutenção, em especial em fazendas que operam com água oceânica. 10.Somente use antibiótico em caso extremo e ao término de sua aplicação, averiguar os níveis residuais no músculo e hepatopâncreas do camarão. Nunca comercializar o camarão antes do período adequado de carência. 11.2 DOSAGENS E FORMAS DE APLICAÇÃO Base para Cálculo de Dosagens 86% 0% 2% 0% 2% 2% 0% 5% 2% 9% 7% 2% 5% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Biomassa estocada viva Volume de água estocado Análise da água Análise do solo Biomassa despescada Grau de infecção Disponibilidade de nutrientes na água Contagem total de bactérias Mortalidade de camarões Recomendação técnica Observação visual em outra fazenda Prática do dia-dia Outro n = 43 Forma de Aplicação de Químicos 100% 0% 16% 7%5% 98% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Diretamente na água Diretamente no solo Por imersão Por aspersão Sobre o alimento Outro n = 43 Gráfico 112 - Base para cálculo de dosagens de químicos Gráfico 113 - Forma de aplicação dos químicos
  • 12. Despesca 12.1 Preparação para Despesca 12.2 Equipamentos e Insumos 12.3 Higienização de Veículos, Equipamentos e Pessoal 12.4 Manipulação do Metabisulfito
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 97 O momento da despesca deve ser avaliado considerando fatores econômicos, mercadológicos e tecnológicos. Aspectos como o percentual de camarões dentro de uma determinada classificação de peso (ex., 80/100) e os custos adicionais e tempo requerido para que o mesmo salte para uma classificação superior devem ser criteriosamente estudados. Classificações mais elevadas possuem preços mais atrativos, contudo as margens financeiras podem ser mais reduzidas devido aos custos extras com ração e com o tempo adicional de mobilização dos camarões no viveiro. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Antes da despesca, realizar avaliações para determinar o peso médio populacional, a aparência física dos animais e o percentual de camarões moles e defeituosos. 2.Determinar o percentual de camarões grandes, médios e pequenos (ex., classificações 70/80, 80/100 e 100/ 120). 3.Postergar a despesca quando o percentual de camarões fora dos padrões de qualidade exceder os 10%. Os defeitos mais comuns são: camarões com casca mole (muda), necrose, camarão com areia no estômago, camarão com gosto de lama, milho ou peixe e camarão com brânquias sujas. 4.Reduzir, mas não suspender a alimentação dos camarões precedendo a despesca. Adotar o uso de uma ração com menos proteína e gordura na última semana de cultivo. 5.Providenciar todos os equipamentos, utensílios e insumos 24 horas antes da despesca, definindo a equipe de trabalho e o horário de início da despesca. 6.Iniciar a drenagem do viveiro 48 horas antes do início da despesca. Sempre efetuar uma drenagem lenta de forma a não suspender matéria orgânica e inorgânica repousada no fundo do viveiro e não desencadear uma muda (troca do exoesqueleto) generalizada na população. 12.1 PREPARAÇÃO PARA DESPESCA Critérios para Definir o Momento da Despesca 95,3% 67,4% 76,7% 95,3%90,7% 97,7% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Peso médio da população Muda Biomassa estocada Enfermidades Preço do camarão no mercado Liquidez n = 43 Horários Regularmente Empregados para Despesca 4,8% 35,7% 11,9% 50,0% 0% 20% 40% 60% 80% 100% A qualquer hora Somente durante o dia Somente durante a noite Outro n = 42 Preparativos Essenciais para Despesca 85,7% 95,2% 0,0%2,4% 92,9% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Isopor para acondicionamento de camarões Basqueta para acondicionamento de camarões Gelo clorado Despescador mecânico n = 42 Gráfico 114 - Critérios para definir o momento da despesca Gráfico 115 - Horários regularmente empregado para despesca Gráfico 116 - Preparativos essenciais para despesca
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 98 7.Reduzir ao máximo o armazenamento temporário do camarão em gelo após a despesca. O camarão deve ser transportado para a planta de beneficiamento o mais rápido possível a fim de evitar o rompimento do hepatopâncreas e o surgimento da "cabeça vermelha". 8.Não expor camarões à temperatura elevada ou à incidência de raios solares. Dar preferência aos horários noturnos devido às temperaturas mais amenas. 9.Verificar atentamente a condição dos camarões retirados do bag net durante a despesca, interrompendo a mesma ou adotando medidas corretivas quando necessário. 10.Realizar o transporte do camarão despescado às indústrias de processamento somente em caminhões isotérmicos ou refrigerados e em caixas isotérmicas fechadas com a devida quantidade de gelo, de forma que a temperatura dos mesmos não ultrapasse os 50 C. A despesca deve ser planejada e conduzida criteriosamente. Pequenas falhas podem acarretar atrasos ou perdas, resultando na maioria das vezes em prejuízos econômicos. A equipe deve ser experiente e treinada para executar todos os procedimentos relativos a despesca de forma segura, com o mínimo possível de erros. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Providenciar os seguintes equipamentos, utensílios e insumos: (a) tanques de fibra de vidro ou polietileno de 500 L para acomodar a solução de gelo triturado, água e metabisulfito, este último caso, se faça necessário; (b) basquetas plásticas para acondicionamento e transporte de camarões com gelo da fazenda para planta de processamento; (c) monoblocos para recolher camarão no bag net e sua imersão na solução de metabisulfito; (d) gelo clorado e triturado; (e) baldes para coletar água dos viveiros e encher os tanques de abate; (f) pá plástica para gelo; (g) balança eletrônica com capacidade de até 100 kg; (h) metabisulfito de sódio; (i) máscara anti-pó para proteção contra o metabisulfito; (j) luvas; (l) óculos de proteção; (m) lona para armar barraca de apoio e reduzir a insolação solar sobre o produto; (n) lona encerada para cobrir o chão; (o) pá para misturar a solução de gelo, água e metabisulfito; (p) estrados, lona ou manta para acomodar os tanques de choque térmico; (q) iluminação, e; (r) bag net. 2.Durante a despesca, evitar trabalhar em contato com terra batida. Preferivelmente realizá-la em plataforma ou palco construído de madeira ou alvenaria. 3.Prover na área de manipulação de metabisulfito e os tanques de choque térmico com solo abaulado, barreiras de contenção e (ou) lona encerada a fim de impedir infiltração no solo e vazamento da solução para gamboa, viveiros ou canais de descarga. 12.2 EQUIPAMENTOS E INSUMOS Equipamentos e Insumos para Despesca 28,6% 95,2% 0,0% 83,3% 19,0% 71,4% 16,7% 85,7% 0% 20% 40% 60% 80% 100% n = 42 0 % 2 0 % 4 0 % 6 0 %8 0 % 10 0 % Plataforma ou palco de despesca de madeira ou alvenaria Revestimento de estrado, lona ou manta Em terra batida Solo abaulado ou proteção para evitar vazamento de água de choque térmico Cobertura de proteção do sol Reservatório com água clorada para desinfecção de equipamentos e pessoal Iluminação Outro Gráfico 117 - Equipamentos e insumos para despesca
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 99 Higienização é a eliminação de microrganismos e produtos químicos residuais de áreas e equipamentos utilizados para despesca. A higienização de equipamentos e utensílios deve ser realizada com até 10 ppm de cloro residual livre e de até 100 ppm para as superfícies que entram em contato com os alimentos. Acima destes limites, caso não ocorra enxágüe posterior com água menos clorada, o cloro pode provocar a corrosão dos equipamentos. Para fumigação de veículos na entrada da fazenda, pode ser utilizada amônia quartenária, para evitar a oxidação de ferro e outros materiais. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Caminhões de despesca e outros veículos de apoio devem passar pelo rodolúvio e arco sanitário na entrada da fazenda e terem seus baús devidamente higienizados. 2.A higienização dos baús de caminhões deve ser efetuada em uma área da fazenda que não represente risco de contaminação ao empreendimento. 3.Traçar antecipadamente a trajetória a ser seguida pelo caminhão até o viveiro onde será efetuada a despesca. 4.Certificar-se que o veículo de despesca apresenta condições apropriadas para evitar o vazamento acidental da água de despesca em viveiros circunvizinhos, canais de adução, drenagem e gamboas. 5.Todos os equipamentos e utensílios empregados na despesca devem estar limpos, lavados e higienizados. 6.Dispor na área de despesca de um tanque com água clorada para desinfecção de equipamentos e pessoal. 7.Providenciar no palco da área de despesca um pedilúvio com pastilhas de cloro e água para constante desinfecção e remoção de resíduos de areia e terra levados pela sola das botas do pessoal de despesca. 8.Exigir a lavagem das mãos do pessoal de despesca com detergente neutro e sem aroma, enxaguando- as em água com 5-7 ppm de cloro. 9.Instruir os funcionários para evitar o contato do camarão, do gelo e das caixas de despesca com terra. 10.Funcionários gripados, com tosse ou machucados não devem trabalhar na despesca e no transporte da matéria-prima até a unidade de processamento. 11.Descartar de forma adequada a solução de metabisulfito a cada 200 kg de produto tratado, ou quando sua concentração é reduzida e a mesma se torna suja. 12.Sempre utilizar gelo clorado e de boa qualidade. 13.Não permitir aproximação de cães, gatos, vacas, cabras e outros animais terrestres durante a despesca de camarões. 12.3 HIGIENIZAÇÃO DE VEÍCULOS, EQUIPAMENTOS E PESSOAL Material de Despesca é Emprestado de Outras Fazendas 69,0% 14,3% 16,7% Nunca Sempre As vezes Raramente n = 42 Desinfecção de Equipamentos e Utensílios Empregados na Despesca 7,1% 7,1% 11,9%14,3% 59,5% Sempre totalmente desinfetados Sempre parcialmente desinfetados Nunca ocorre desinfecção As vezes ocorre desinfecção parcial As vezes ocorre desinfecção total n = 42 Gráfico 118 - Empréstimo de material de despesca de outras fazendas Gráfico 119 - Desinfecção de equipamentos e utensílios empregados na despesca
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 100 14.Nunca utilizar equipamentos e utensílios emprestados de outras fazendas sem antes submetê-los a uma devida higienização. 15.Abolir a reutilização de caixas de isopor e de outros materiais que possam favorecer a transmissão de microorganismos para os camarões despescados. 16.Após a despesca, higienizar e guardar todos os materiais em local limpo e protegido contra poeira, insetos e exposição ao sol e chuva. O metabisulfito é utilizado para prevenir as reações de formação de manchas pretas na casca e no abdômen de camarões no momento da despesca. O metabisulfito é aprovado para o beneficiamento de camarões pelo Conselho Nacional de Saúde (Resolução CNS/MS N0 4/88) e pelo FDA (Food and Drugs Administration, EUA), desde que as concentrações no produto final não ultrapassem a 100 ppm (produto cru). O metabisulfito é um produto químico pertencente à família dos sais inorgânicos, apresenta fórmula molecular NaHSO3-Na2S2O3 e têm alguns sinônimos como sulfito de sódio ácido, bissulfito de sódio anidro, dissulfito de sódio e pirossulfito de sódio. O metabisulfito utilizado durante a despesca de camarões apresenta-se na forma sólida em pó ou granulado, possuindo cor branca a levemente amarelada, variando entre inodor, leve odor de enxofre a odor irritante, sendo solúvel na água e pouco solúvel em álcool. O metabisulfito pode causar reações alérgicas a indivíduos asmáticos ou sensíveis a sulfito. Quando aquecido ou misturado com ácidos, o metabisulfito de sódio libera o anidrido sulfuroso (SO2), tóxico e (ou) letal quando inalado. O produto é geralmente apresentado em sacos de 25 kg. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Dividir o metabisulfito em sacos de 2 kg antecedendo seu transporte para o viveiro a ser despescado, a fim de facilitar o trabalho de diluição com água e gelo, evitando possíveis erros de dosagem. 2.Preparar a solução de metabisulfito em um tanque de polietileno ou fibra de vidro com capacidade entre 500 e 1.000 L. 3.Utilizar equipamentos de proteção individual (EPIs) durante a diluição e o manuseio do metabisulfito. O produto pode irritar olhos, nariz e a pele. Sua ingestão é nociva à saúde. 4.Treinar as pessoas que trabalham diretamente com o metabisulfito de sódio quanto a sua manipulação, riscos e procedimentos emergenciais em caso de ingestão ou contato com o produto. 12.4 MANIPULAÇÃO DO METABISULFITO Formas de Descarte da Mistura de Gelo e Metabisulfito 35,7% 2,4% 7,1% 2,4% 21,4% 26,2% 4,8% 42,9% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Depositada em sumidouro Retirada e neutralizada Coletada por carro pipa ou caminhão com tanques Jogada em terras altas Descartada no canal de descarga ou gamboa Reutilizada Depositada na lagoa de estabilização Outro destino n = 42 Figura 12 - O uso de máscara é essencial para manipulação do metabisulfito Gráfico 120 - Formas de descarte da mistura de gelo e metabisulfito
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 101 5.Equipar todos os funcionários que manipularem o metabisulfito com luvas impermeáveis, botas e roupas de borracha butílica ou natural, PVC ou neoprene, máscara contra pó (filtro P1 para partículas sólidas) e óculos de acrílico com proteção lateral. 6.Evitar fumar ou realizar a ingestão de alimentos ou bebidas nas áreas de manuseio do produto. 7.Para o tratamento com camarões que serão processados inteiros com cabeça, utilizar o metabisulfito numa concentração de 4-6%. Adicionar 7 kg de metabisulfito para cada 100 L de água e 60 kg de gelo, podendo EPIs Utilizados Durante a Manipulação do Metabisulfito 97,6% 2,4% 4,8% 4,8% 19,0% 26,2% 2,4% 92,9% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Máscara Luvas Roupas térmicas Nenhum Avental Óculos Uniforme ou bata Botas n = 42 esta solução ser utilizada para banhar 200 kg de camarão. Reduzir pela metade a dosagem de metabisulfito, caso os camarões sejam processados sem cabeça ou descascados. A remoção do cefalotórax ou cabeça do animal, reduz o problema da mancha-preta. 8.Manter os camarões mergulhados em metabisulfito por 5-7 minutos. Após sua retirada, manter os camarões em uma caixa de grade, escorrendo a solução de metabisulfito por 2-3 minutos. Não misturar o metabisulfito com cloro, pois este último tem o poder de reduzir a eficiência de ação do produto. 9.Retirar os camarões do bag net, recolhendo-os em monoblocos. Sacrificar os camarões por choque térmico em uma solução de água, gelo triturado e metabisulfito. O tratamento em camarões vivos visa aumentar a absorção desta solução através das brânquias dos animais. 10.Não descartar a solução de metabisulfito em recursos hídricos, canais de descarga ou bacias de sedimentação. Dispor o refugo em lagoas ou tanques de oxidação. 11.Caso não existam locais adequados para dispor do produto, coleta-lo em tanques ou carros pipas para oxigená-lo mecanicamente até que o mesmo se oxide para bisulfato. A solução ácida resultante deve apresentar uma concentração de oxigênio dissolvido superior a 4 mg/L. Esta solução deve ser ainda neutralizada com hidróxido de cálcio ou hidróxido de sódio. Cada 1 kg de metabisulfito de sódio adicionada à solução requer 360 g de hidróxido de cálcio ou 380 g do hidróxido de sódio. 12.As embalagens vazias de metabisulfito não devem ser reutilizadas mesmo depois de esvaziadas e limpas. Nunca utilizá-las para transporte de alimentos destinadas ao consumo humano. 13.Não neutralizar o metabisulfito pelo tratamento com hipoclorito de sódio ou outros compostos clorados, pois quando estes são misturados com soluções ácidas podem ser liberados gases altamente tóxicos. Gráfico 121 - Equipamentos de Proteção Individual - EPI´s utilizados durante a manipulação do metabisulfito
  • 13. Sanidade e Biossegurança 13.1 Instalações Sanitárias 13.2 Acesso a Fazenda 13.3 Barreiras Sanitárias 13.4 Manejo "All-In-All-Out" 13.5 Enfermidades 13.6 Descarte de Camarões Mortos
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 103 As instalações sanitárias das fazendas devem estar de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e órgão ambiental (SEMACE), no que diz respeito ao destino final dos efluentes, bem como ter capacidade de atender de forma satisfatória aos funcionários. O conforto e a higiene no local de trabalho, resultam em um ambiente saudável e que proporciona bem estar às pessoas que passam grande parte do dia na empresa. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Revestir as paredes dos banheiros e da cozinha com azulejo para facilitar a sua limpeza. 2.Dispor os banheiros com pia, bacia sanitária e ducha. 3.Os serviços de instalação hidráulica devem suprir os pontos de utilização, com vazão e pressões constantes, de modo a garantir a continuidade do abastecimento de água. 4.As caixas de inspeção e de gordura deverão ser construídas em alvenaria revestidas com cimento e dotadas de tampas de concreto armado. 5.Manter uma declividade que permita o total escoamento dos efluentes dos compartimentos sanitários. 6.Um coletor deverá levar os efluentes até as fossas sépticas que são ligadas a sumidouros. 13.1 INSTALAÇÕES SANITÁRIAS Padrões Sanitários das Instalações 73,5% 38,2% 26,5% 97,1% 11,8% 35,3% 82,4% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Refeitório Alojamento Instalações sanitárias Área de lazer Ambulatório Farmácia Não possui nenhum dos itens listados n = 34 Instalações Sanitárias Compatíveis com o Número de Funcionários 69,8% 30,2% Sim Não n = 43 Gráfico 122 - Padrões sanitários das instalações Gráfico 123 - Compatibilidade das instalações sanitárias com o número de funcionários
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 104 Um dos pontos mais importantes dentro das regras de biossegurança, é o controle do fluxo de pessoas entre e dentre fazendas, uma vez que elas poderão funcionar como rota de entrada de enfermidades infecciosas e sua disseminação entre viveiros. O uso de cercas de proteção evita a entrada de animais domésticos potenciais vetores de enfermidades e portadores de colibacilos e salmonelas. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Estabelecer os limites da fazenda, através de barreiras físicas como cerca de arame farpado para evitar o livre acesso de pessoas ou animais, respeitando as áreas de servidão. 2.Todas as aberturas de acesso, como portões, devem ser mantidas fechadas, adotando-se critérios rígidos para o controle de trânsito. 3.Evitar trânsito desnecessário na fazenda, devendo limitá-lo o máximo possível aos funcionários. 4.Em caso de recepção de visitas técnicas ou comerciais, agendar com antecedência para que possa ser programada. 5.Somente autorizar as visitas para as primeiras horas da manhã, de forma a minimizar a possibilidade que os visitantes tenham estado em outras fazendas. 6.Registrar toda entrada de visitantes, sua procedência, data e horário de visita e instalações percorridas. 7.Não permitir em nenhuma hipótese a entradas de pessoas provenientes de visitas a outras fazendas, sem antes adotar um processo adequado de higienização do visitante. Dispor de botas na entrada da fazenda para visitantes. 8.Em caso de funcionamento de mais de um núcleo de produção (maturação, larvicultura e engorda), orientar para que não haja movimento de pessoas entre setores e nem intercâmbio de uso de equipamentos. 9.Não permitir a entrada de animais domésticos como cães e gatos no interior da fazenda, não permitindo qualquer prática de pecuária na propriedade. 10.Controlar o ingresso de aves nas áreas dos viveiros, uma vez que suas fezes podem ser uma rota de propagação de enfermidades e de microorganismos patogênicos para o homem.. 13.2 ACESSO A FAZENDA Controle no Fluxo de Visitantes e Fornecedores a Fazenda 65,1% 34,9% Sim Não n = 43 Disponibilidade de Cerca de Proteção 11,6% 88,4% Sim Não n = 43 Gráfico 124 - Controle no fluxo de visitantes e fornecedores a fazenda Gráfico 125 - Disponibilidade de cerca de proteção
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 105 O uso de sistemas de desinfecção, bem como botas, luvas e aventais, há muito tempo se constitui uma rotina em outras áreas de cultura animal como a avicultura e a suinocultura. São formas relativamente simples, mas que oferecem resultados satisfatórios. As barreiras sanitárias têm como objetivo reduzir o risco da entrada e disseminação de agentes infecciosos na fazenda, minimizando o número de contatos entre o animal cultivado e o patógeno que podem resultar em doenças. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.É indispensável o uso de pedilúvio, rodolúvio e aspersores de veículos na entrada da fazenda. 2.Desinfetar equipamentos e apetrechos usados nos viveiros como oxímetros, pHmetros, redes de tarrafa, entre outros. Redes de tarrafa e outros apetrechos devem ser imersos em água por 10 minutos contendo uma solução de cloro a 30 mg/L. 3.Para fumigação de veículos, a vala e o arco sanitário devem ser abastecidos com uma solução de amônia quaternária a 3%. A solução contida na vala deve ser trocada diariamente ou conforme o fluxo de veículos. 4.Exigir dos funcionários o uso de 13.3 BARREIRAS SANITÁRIAS Sistema de Desinfecção 7,0% 4,7% 88,4% 2,3%4,7% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Pedilúvio para funcionários e visitantes Rodolúvio para veículos Aspesores para veículos Equips fumigação ou containeres para desinfecção de equipamentos Não possui n = 43 Exige o uso de Luvas, Botas e Aventais pelos Funcionários e(ou) Visitantes 2,3% 62,8% 34,9% Somente funcionários Somente visitantes Funcionários e visitantes Não n = 43 Gráfico 126 - Sistemas de desinfecção utilizados Gráfico 127 - Exigência do uso de luvas, botas e aventais pelos funcionários e (ou) visitantes indumentárias de proteção como luvas, botas, aventais, não só para contribuir para a melhoria da sanidade do ambiente de cultivo, como também por ser uma forma de auto-proteção. 5.Restringir o tráfego de veículos somente para aqueles ligados às atividades da fazenda, como transportadores de insumos, alimentos e combustíveis. 6.Por ocasião das despescas, desinfetar externamente os caminhões de transportes e inspecionar as basquetas e isopor para evitar que sejam lançados nas proximidades dos viveiros, restos de água proveniente de despescas conduzidas em outras empresas. 7.Construir um estacionamento externo a fazenda para reduzir o fluxo de veículos de pequeno porte na propriedade, empregando veículos da própria fazenda para trânsito interno. 8.Construir a área de apoio geral (escritório de gerência, banheiros e acomodações), berçários intensivos, como também o armazém de insumos (ração, fertilizantes e corretivos) próximo ao portão de entrada da fazenda.
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 106 O regime de manejo "todos dentro todos fora" (all-in all-out) é uma estratégia de produção que consiste no povoamento e despesca simultânea de todos os viveiros da fazenda ou de núcleos da fazenda fisicamente isolados. Este manejo possibilita a limpeza e a desinfecção completa da unidade produtiva e a implementação da parada sanitária, práticas consideradas eficientes no controle de doenças instaladas em um determinado empreendimento. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Como medida de biossegurança, todas as fazendas de engorda devem operar sob regime "all-in all-out". 2.Dividir a fazenda em núcleos produtivos para que estes operem independentes em relação ao acesso de funcionários, tráfego de veículos para povoamento e despesca de camarões, fluxo de insumos, abastecimento e descarga de água. 3.No caso da divisão da área produtiva em núcleos, fazendas que adotam povoamento indireto devem ser projetadas para operar com áreas individuais de berçários primários e (ou) secundários. 4.Equipamentos, insumos e utensílios não devem ser compartilhados entre os núcleos produtivos. 13.4 MANEJO "ALL-IN ALL-OUT" Adota Manejo "All-In All-Out" 83,7% 4,7% 11,6% Parcialmente Totalmente Não n = 43 Gráfico 128 - Adoção do manejo “All in All out” Figura 13 - Tanques berçários em uma fazenda de engorda de camarão 5.Veículos, funcionários e visitantes devem ser devidamente desinfetados ao adentrar núcleos distintos.
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 107 Na carcinicultura, enfermidade significa qualquer alteração adversa na saúde ou no desempenho de camarões ou populações de camarões cultivados. No cultivo, as enfermidades são desencadeadas quando ocorre um desequilíbrio entre as condições ambientais do viveiro, o estado de saúde dos camarões cultivados e os agentes potencialmente patogênicos. As enfermidades infecciosas são causadas por patógenos transmissíveis (vírus, bactérias, protozoários e fungos), enquanto as não infecciosas são resultantes de agentes abióticos (efeitos nutricionais, genéticos, ambientais e físicos). Sob uma situação de desequilíbrio no ambiente de cultivo, os camarões são submetidos a uma condição de estresse, gerando uma alteração em seu estado imunológico. Nestas circunstâncias, a população cultivada pode sofrer um ataque de patógenos levando os indivíduos a debilitação ou a morte. Atualmente existem quatro enfermidades causadas por vírus registradas nas fazendas de engorda do Estado do Ceará : IHHN (Infecção Hipodermal e Necrose Hematopoiética), TS (Síndrome de Taura), HPV (Hepatopancreatite Viral) e IMN (Mionecrose Infecciosa). Além disto, já foram também detectadas a ocorrência de enfermidades bacterianas (vibrioses e NHP), enfermidades causadas por protozoários (gregarinas) e outros agentes etiológicos. Apesar desses registros, até bem pouco tempo as perdas decorrentes de enfermidades não eram consideráveis. A partir de 2002, este quadro vem mudando devido ao surgimento do IMNV. Como ocorre em períodos de surtos epidemiológicos, sugerem-se cuidados redobrados com o objetivo de reduzir os estressores e riscos de contaminação. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Evitar temperaturas e pH extremos na água de cultivo, baixas concentrações de oxigênio dissolvido, mudanças abruptas na salinidade e a presença de substâncias tóxicas. Estabelecer condição de alerta após situação de estresse. 13.5 ENFERMIDADES Doenças já Observadas na Fazenda 11,6% 11,6% 4,7% 9,3% 83,7% 4,7% 11,6% 25,6% 0% 20% 40% 60% 80% 100% IMNV ou NIM IHHNV Vibriose Taura NHP Gregarina Nenhuma Outra n = 43 Procedimentos no Caso da Presença de Enfermidades 74,4% 4,7% 7,0% 2,3% 58,1% 58,1% 7,0% 67,4% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Calagem Renovação de água Intensificação da aeração mecânica Despesca Uso de alimentos fortificados Aplicação de produtos químicos Outro Isolamento do viveiro n = 43 Forma de Descarte de Camarões Encontrados Mortos 30,2% 34,9% 44,2% Enterrados Incinerados Transferido para aterro sanitário Outro n = 43 Gráfico 129 - Doenças já observadas na fazenda Gráfico 130 - Procedimentos utilizados no caso da presença de enfermidades Gráfico 131 - Forma de descarte de camarões encontrados mortos
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 108 2.Definir limites críticos sobre os parâmetros ambientais, designando procedimentos emergenciais para correção de situações de estresse. 3.Não captar água contaminada ou potencialmente infectada com patógenos, também evitando o uso de água com a presença excessiva de microalgas, em especial de dinoflagelados e cianofíceas. 4.Implementar procedimentos para diagnosticar precocemente o estado de saúde de camarões cultivados. Educar os funcionários, em particular os arraçoadores, sobre a aparência física e o comportamento dos animais. 5.Quando factível, treinar funcionário(s) sobre técnicas rápidas de diagnóstico e das características de manifestação de cada doença para estabelecer um diagnóstico presuntivo. Este processo agiliza a tomada de decisões na fazenda e a implementação de medidas para contenção e (ou) exclusão da doença. 6.Sempre procurar um laboratório especializado em enfermidades, para obter um diagnóstico definitivo. 7.Utilizar as variáveis de produção como indicador da condição de saúde da população. Taxa de sobrevivência ou de mortalidade, peso corporal e sua homogeneidade e taxa de crescimento são índices sensíveis a alterações adversas na condição saúde da população. 8.Viveiros contaminados ou com indícios da presença de agentes infecciosos devem ser isolados. Evitar manuseio desnecessário da população cultivada. 9.A cada biometria, monitorar necroses, grau de severidade de doenças, muda, consumo alimentar, coloração da carapaça, condição do hepatopâncreas e brânquias. 10.Despescas parciais ou parceladas não devem ser realizadas caso a população encontre-se severamente afetada por doenças ou que tenha sofrido recentemente uma situação de estresse. Figura 14 - Camarão em estágio avançado de necrose cuticular
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 109 A canibalização de um indivíduo portador de uma doença, morto ou moribundo, por um indivíduo sadio (transmissão horizontal) é uma das principais formas de proliferação de enfermidades em fazendas de camarão. Camarões encontrados mortos devem ser tratados como uma fonte de elevado risco na disseminação de enfermidades, tanto na fazenda como em outras operações circunvizinhas. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Realizar a coleta imediata de camarões mortos encontrados em bandejas de alimentação e taludes. 2.Nunca retornar camarões após a biometria ao viveiro, mesmo quando aparentemente sadios. Estes animais podem ser comercializados, adequadamente descartados ou destinados ao consumo interno da fazenda. 3.Após a despesca, coletar todos os camarões mortos e descartá-los em aterro sanitário, enterrando-os ou incinerando-os. Não permitir o consumo de camarões mortos em viveiro por aves, pois podem transmitir o patógeno através de suas fezes ou regurgitação do alimento em viveiros ou fazendas circunvizinhas, ainda não afetadas pela enfermidade. 13.6 DESCARTE DE CAMARÕES MORTOS Forma de Descarte de Camarões Encontrados Mortos 30,2% 34,9% 44,2% Enterrados Incinerados Transferido para aterro sanitário Outro n = 43 Destino Dados aos Camarões Após as Biometrias 9,3% 9,3% 2,3% 4,7% 88,4% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Retorna ao viveiro Descartado Consumo interno da fazenda Comercializado Outro n = 43 Gráfico 132 - Forma de descarte de camarões encontrados mortos Gráfico 133 - Destino dados ao camarões após as biometrias
  • 14. Aspectos Ambientais 14.1 Licenciamento Ambiental 14.2 Áreas Especialmente Protegidas
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 111 O licenciamento ambiental tem como finalidade promover o controle prévio à localização, instalação, ampliação e o funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetivas ou potencialmente poluidoras, bem como capazes de causar degradação ambiental, de forma a garantir o desenvolvimento socioeconômico, em consonância com os princípios do desenvolvimento sustentável. No Estado do Ceará, o licenciamento ambiental é efetuado pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (SEMACE). O licenciamento ambiental, incluindo as atividades de carcinicultura, compreende a concessão das seguintes licenças: Licença Prévia (LP) concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade, aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação. Nesta etapa são definidos os estudos ambientais necessários aos empreendimentos bem como a necessidade ou não de solicitação de Autorização para Desmatamento. Os Estudos Ambientais necessários ao processo de 14.1 LICENCIAMENTO AMBIENTAL Tipo de Licença para Construção de Diques, Canais e Viveiros 68,4% 44,7% 5,3% 81,6% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Licença Prévia - LP Licença de Instalação - LI Licença de Operação - LO Outros n = 38 Distância Mínima em Média da Área dos Diques para Área de Preservação 31,8% 15,9% 36,4% 15,9% 0% 20% 40% 60% 80% 100% < 10 m de 10 a 20 m de 20 a 50 m > 50 m n = 43 Gráfico 134 - Tipo de licença para construção de diques, canais e viveiros licenciamento da atividade de carcinicultura, são principalmente: Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA); Estudo de Viabilidade Ambiental (EVA); Plano de Controle e Monitoramento Ambiental (PCMA); Plano de Controle e Monitoramento Ambiental (PCMA) e Relatório de Auditoria Ambiental (RAA). Saliente-se que nesta fase do licenciamento ainda não é autorizado o início de obras. Licença de Instalação (LI) autoriza o início da instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos executivos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes, da qual constituem motivo determinante. Neste momento não é autorizada a operacionalização do empreendimento. Licença de Operação (LO) autoriza a operação da atividade, obra ou empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento das exigências das licenças anteriores (LP e LI), bem como do adequado funcionamento das medidas de controle ambiental, equipamentos de controle de poluição e demais condicionantes determinados para a operação. Informações detalhadas acerca dos formulários, documentação necessária e custos referentes ao processo de licenciamento da atividade de carcinicultura podem ser encontrados nos Manuais de Licenciamento da SEMACE, no Núcleo Gerencial de Atendimento (NUGA) da SEMACE, bem como através do site <www.semace.ce.gov.br>. Gráfico 135 - Distância mínima em média da área dos diques para Áreas de Preservação Permanente
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 112 PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Verificar a existência de pendências de ordem jurídica e (ou) ambiental antes de adquirir o imóvel para implantação da atividade. 2.Obter informações junto a SEMACE sobre a documentação necessária ao processo de licenciamento ambiental. 3.Certificar-se do atendimento de todas as exigências da SEMACE quando da protocolização dos processos de licenciamento ambiental. 4.Solicitar Licença Prévia à SEMACE para verificar a viabilidade ambiental da localização do empreendimento de carcinicultura. 5.Iniciar as atividades de instalação ou operacionalização do empreendimento somente após a obtenção das respectivas licenças (Licença de Instalação e Licença de Operação). 6.Obedecer, rigorosamente, a instalação do empreendimento, de acordo com o projeto aprovado pela SEMACE, submetendo a análise do órgão ambiental qualquer alteração que porventura se faça necessária. 7.Cumprir rigorosamente todas as medidas de controle e monitoramento ambiental constantes nos estudos ambientais aprovados pela SEMACE. 8.Solicitar a renovação da Licença de Operação do empreendimento 120 (cento e vinte) dias antes da expiração do seu prazo, de acordo com a Resolução do CONAMA Nº 237/97. 9.Requerer à SEMACE a análise e avaliação dos efluentes do empreendimento por ocasião da solicitação da Licença de Operação. 10.Apresentar à SEMACE Relatório de Automonitoramento, de acordo com a Resolução do CONAMA Nº 312/02 e Portaria da SEMACE Nº 154/02. 11.Cumprir, rigorosamente, a legislação ambiental federal, estadual e municipal.
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 113 Áreas de Preservação Permanente são aquelas definidas pela Lei Nº 4.771/65 (Código Florestal) e pela medida Provisória Nº 2.166-67/01. A Resolução do CONAMA Nº 303/02 dispõe sobre parâmetros, definições e limites de Áreas de Preservação Permanente. A função dessas áreas é de proteger os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico da flora e da fauna, o solo e assegurar o bem estar das populações humanas. Constituem Áreas de Preservação Permanente as faixas marginais dos recursos hídricos, as matas ciliares, as nascentes, as restingas, as dunas e os manguezais, dentre outras, sendo vedada a sua utilização. Reserva Legal são aquelas áreas definidas pela Lei Nº 4.771/65 (Código Florestal) e pela medida Provisória Nº 2.166-67/01. A Reserva Legal está localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processo ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção da fauna e flora nativas. Na Região Nordeste a Reserva Legal compreende, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, devendo ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada à alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. Área de salgado é definida pela Resolução COEMA Nº 02/02 como ecossistema desprovido de vegetação vascular desenvolvendo-se entre o nível médio das preamares de quadratura e o nível das preamares de sizígia equinociais, em faixa de terra hipersalina com valores de água 14.2 ÁREAS ESPECIALMENTE PROTEGIDAS Ecossistemas Permanentes no Entorno da Fazenda 9,3% 0,0% 65,1% 2,3% 74,4% 7,0% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Manguezal Várzea Apicum Tabuleiro Carnaubal Outra n = 43 94,9% 30,8% 0,0%0,0% 94,9% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Reserva legal Área de preservação permanente - APP Área de salgado (Resolução COEMA - 02/02) Nenhuma Outra n = 39 Propriedade Executou Reflorestamento Compensar Passivo Ambiental 45,2% 40,5% 14,3% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Sim Não Não houve necessidade n = 42 Gráfico 136 - Ecossistemas existentes no entorno da fazenda Gráfico 137 - Áreas legalmente protegidas na propriedade Gráfico 138 - Execução de reflorestamento para compensação de passivo ambiental intersticial acima de 100 ppm (partes por milhão) normalmente situado em médio litoral superior. Os empreendimentos de carcinicultura a serem implantados nos salgados deverão preservar 20% (vinte por cento) dessas áreas, cuja localização será definida pela SEMACE. Área de apicum é definida pela Resolução COEMA Nº 02/02 como
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 114 ecossistema de estágio sucessional tanto do manguezal como do salgado, onde predomina solo arenoso e relevo elevado que impede a cobertura dos solos pelas marés, sendo colonizado por espécies vegetais de caatinga e (ou) mata de tabuleiro. Os empreendimentos de carcinicultura a serem implantados nos apicuns deverão preservar 20% (vinte por cento) dessas áreas, cuja localização será definida pela SEMACE. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Preservar as áreas especialmente protegidas, identificadas nos estudos ambientais. 2.Não construir viveiros ou de qualquer outra estrutura física em áreas especialmente protegidas, tais como: faixas marginais dos recursos hídricos, matas ciliares, manguezais, restingas, nascentes, áreas de remanescente florestais primários e outras de interesse ambiental, respeitando criteriosamente a legislação ambiental pertinente. 3.Não construir viveiros ou qualquer estrutura física nas áreas destinadas a preservação de salgados e apicuns (20%). 4.Promover, quando necessário, o reflorestamento e a recuperação das áreas especialmente protegidas existentes na propriedade, visando à manutenção desses ecossistemas. 5.Identificar e delimitar fisicamente as áreas especialmente protegidas visando a sua preservação. 6.Implementar os planos de proteção à fauna e flora locais constantes nos estudos ambientais aprovados pela SEMACE. 7.Estabelecer áreas de servidão pública, de modo a assegurar o acesso das populações ribeirinhas aos recursos hídricos. 8.Cumprir, rigorosamente, a legislação ambiental federal, estadual e municipal.
  • 15. Relação com Funcionários 15.1 Infra-estrutura de Apoio 15.2 Comunidade e Escolaridade dos Funcionários 15.3 Apoio Social e Premiação 15.4 Regime de Trabalho 15.5 EPIs e Áreas de Atuação
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 117 A relação empregado/empregador é um ponto vital no sucesso de qualquer empreendimento. O bem estar proporcionado aos funcionários durante o expediente de trabalho, pode reverter em uma melhor produtividade. As empresas devem oferecer além de alojamento, refeitório e instalações sanitárias suficientes para atender os trabalhadores, instalações para serviços de primeiros socorros e área de lazer, pois representa um benefício importante para a empresa. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Garantir condições mínimas de conforto aos funcionários, durante o horário de trabalho. 2.Dotar a fazenda de áreas de lazer para que haja um período de relaxamento entre expedientes. 3.Estimular a prática de esportes depois do expediente ou nos feriados, como forma de socialização das pessoas e criação de um ambiente mais ameno. 4.Realizar reuniões regulares para avaliação dos trabalhos, troca de experiências e ajustes nas técnicas empregadas. 5.Instalar um pequeno ambulatório de primeiros socorros para atendimentos 15.1 INFRA-ESTRUTURA DE APOIO A Fazenda Dispõe em suas Instalações 73,5% 38,2% 26,5% 97,1% 11,8% 35,3% 82,4% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Refeitório Alojamento Instalações sanitárias Área de lazer Ambulatório Farmácia Não possui nenhum dos itens listados n = 34 As Instalações Atendem 2,9% 5,9% 2,9% 8,8% 79,4% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Todos os funcionários 2/3 dos funcionários Metade dos funcionários 1/4 dos funcionários Menos de 25% dos funcionários n = 34 Gráfico 139 - Instalações disponíveis na fazenda emergenciais, que disponha de um profissional qualificado e depois transferir o paciente para um posto de saúde mais próximo. Em caso de dúvida, procurar atendimento médico de urgência. Gráfico 140 - Funcionários atendidos pelas instalações
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 118 A opinião pública muitas vezes é influenciada por informações sobre o impacto social nas comunidades costeiras como resultado da instalação das fazendas de carcinicultura. Na realidade, muitas vezes as leis são ambíguas sobre os direitos dos usuários, levando, em alguns casos, a interpretações contraditórias. Existe portanto, uma necessidade urgente de se estabelecer uma mesa de negociação (sem interferências externas) entre o setor governamental responsável pelo assunto de propriedade, empresários e nativos das áreas onde foram implantadas ou serão implantadas fazendas de carcinicultura, reduzindo assim, os riscos de conflitos. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Estabelecer um contato com a comunidade já nas fases inicias de implantação do projeto através de reuniões para trocas de informações, discussões e socialização. Isto permite atenuar conflitos sociais que porventura possam surgir. 2.Priorizar a contratação de mão de obra local a fim de estabelecer uma boa parceria com a comunidade. 3.Não descriminar quanto ao nível de escolaridade do funcionário. A vantagem de poder absorver mão de obra pouco qualificada, permite a abertura de oportunidade de trabalho em regiões com recursos limitados. 4.Dentro do possível, promover atividades comunitárias que possam vir a contribuir para melhorar as condições locais de saúde, educação e moradia da região. 5.Estimular os funcionários a procurar programas de alfabetização, estabelecendo um sistema de ascensão profissional na empresa fixado em metas de desempenho pessoal e profissionalização. 6.Promover cursos de curta duração para reciclagem dos funcionários, abordando aspectos de caráter técnico, pessoal e ambiental. 15.2 COMUNIDADE E ESCOLARIDADE DOS FUNCIONÁRIOS No. de Funcionários que Fazem Parte da Comunidade Local 20,9% 72,1% 7,0% < 10% 10-25% 25-50% 50-75% Todos n = 43 Grau de Escolaridade dos Funcionários 89,7% 71,8% 46,2% 69,2% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Analfabeto Primeiro Grau Segundo Grau Nível superior n = 34 Gráfico 141 - Número de funcionários que fazem parte da comunidade local Gráfico 142 - Grau de escolaridade dos funcionários
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 119 A área de assistência social nas empresas é muitas vezes negligenciada, partindo do pressuposto de que está é uma obrigação exclusiva do setor governamental. Este fato foi constatado na maioria das empresas, quando 93,0 % declararam não oferecer qualquer tipo de apoio. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Manter uma creche na área da fazenda ou firmar convênio com uma unidade, já existente nas proximidades. 2.Implantar um sistema de cooperativa para atendimento médico-dentário ou consultar a associação de classe sobre a possibilidade da sua criação, que permitiria o envolvimento dos pequenos produtores. 3.Sempre oferecer prêmios, gratificações ou bônus financeiros aos funcionários envolvidos com a produção, objetivando incentivar a melhoria dos resultados zootécnicos da empresa e a competitividade entre funcionários. 4.Aprimorar o sistema de premiação e adotar nas empresas onde não existe, podendo ser tomados como base a taxa de sobrevivência, a conversão alimentar, a produtividade e o tempo de cultivo. 15.3 APOIO SOCIAL E PREMIAÇÃO Tipo de Apoio Social ao Funcionário ou sua Família 93,0% 7,0% Educação Saúde Creche Não possue apoio n = 43 Fazenda Adota Sistema de Premiação por Resultados Alcaçados 48,8% 4,9% 46,3% Sim, por ciclo de produção Somente ao fim de cada exercício Não n = 41 Gráfico 143 - Tipo de apoio social ao funcionário ou sua família Gráfico 144 - Adoção do sistema de premiação por resultado alcançado
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 120 A carcinicultura é capaz de gerar 1,89 empregos diretos, sendo 1,20 empregos por hectare quando é considerado somente a fazenda. Caso seja tomado como base o universo pesquisado, onde 80,0% dos funcionários têm emprego fixo, a atividade de carcinicultura no Estado do Ceará, gera 2.727,8 empregos fixos diretos. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Contratar funcionários fixos ou temporários obedecendo às leis trabalhistas e os salários praticados pela indústria. 2.Sempre oferecer condições adequadas de trabalho aos funcionários, providenciando uniformes, calçados, além de protetores contra luz solar e EPIs. 3.Sempre manter os funcionários informados sobre as normas de segurança e procedimentos emergenciais, em caso de acidentes. 4.Procurar manter o maior número possível de empregos fixos na empresa, logicamente levando em consideração os aspectos práticos e econômicos. 5.Manter todas as obrigações trabalhistas em dia de acordo com a legislação vigente. 6.Respeitar todos os direitos dos empregados como, repouso semanal compensação por horas extras, licenças maternidade e paternidade e outros previstos pela lei. 7.Pagar a percepção adicional de insalubridade ou periculosidade de acordo com o estabelecido pelo Ministério do Trabalho. 15.4 REGIME DE TRABALHO Regime de Trabalho dos Funcionários 19,2% 80,8% Fixos Temporário n = 43 Equipe de Despesca 30,2% 34,9% 34,9% Própria Terceirizada Mista n = 43 Gráfico 145 - Regime de trabalho dos funcionários Gráfico 146 - Equipe de despesca
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 121 A Consolidação das Leis do Trabalho de 1° de maio de 1943, alterada pela Medida Provisória 1.709-1 de 03.09.98, no seu Artigo 166 declara obrigatório o "fornecimento gratuito de Equipamento de Proteção Individual (EPI) aos empregados, adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento, sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra riscos de acidentes e danos à saúde dos empregados". Este item deixou muito a desejar em algumas das fazendas visitadas, observando-se que 27,9 % delas não adotam qualquer tipo de proteção individual dos funcionários. O número relativo de funcionários, de acordo com sua função, foi mais representativo na atividade de despesca, justamente aqueles que poderão estar expostos à ação do metabisulfito, produto químico altamente tóxico, necessitando portanto de EPIs. PRÁTICAS RECOMENDADAS 1.Adquirir EPIs em número suficiente para todos os funcionários sujeitos a acidentes e danos devido às suas funções de trabalho. 2.Orientar os funcionários sobre o uso devido dos EPIs, exigindo seu uso e tomando as medidas cabíveis caso as normas não sejam atendidas. 3.Limitar o tempo de exposição do funcionário a alguma substância tóxica, através do sistema de rotatividade. 4.Reduzir o agravamento dos acidentes dotando a empresa de recursos como chuveiro de emergência e lava olhos. 5.Esclarecer os funcionários sobre alguns cuidados de segurança pessoal como não comer ou beber durante o trabalho, lavar as mãos após manipular qualquer produto químico, apesar do uso das luvas, e não levar embalagens de material tóxico para casa. 6.Manter os rótulos e instruções de primeiros socorros dos produtos manipulados em local visível da empresa, caso não haja um local específico para sua manipulação. 7.Estabelecer sistemas de prevenção de acidentes, minimizando as possíveis causas de perigo inerentes ao ambiente de trabalho. 8.Nomear um funcionário responsável pela saúde e seguridade do pessoal. 15.5 EPIS E ÁREAS DE ATUAÇÃO Funcionários Equipados e Protegidos 65,1% 62,8% 67,4% 27,9% 0,0% 58,1% 67,4% 53,5% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Calagem Aplicação de metabisulfito Manipulação de antibióticos Desinfecção com cloro Arraçoamento Manuseio com energia elétrica Vigilância Não usa EPIs n = 43 No. de Funcionários por Área de Atuação na Fazenda 2,8% 8,2% 6,6% 0,1%27,5% 4,4% 11,1% 7,4% 32,0% Arraçoamento Hidrologia Despesca Vigilância Manutenção Administração Teleiro Bombeiro Outros n = 43 Gráfico 147 - Número de funcionários equipados e protegidos Gráfico 148 - Número de funcionários por área de atuação na fazenda
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 122 ABCC. 2001. Código de Conduta e de Boas Práticas de Manejo para uma Carcinicultura Ambientalmente Sustentável e Socialmente Responsável. Associação Brasileira dos Criadores de Camarão Marinho (ABCC), Recife, Pernambuco. 16 p. <http://www.abccam.com.br/> ABCC. 2005. Programa de Biossegurança para Fazendas de Camarão Marinho. Associação Brasileira dos Criadores de Camarão Marinho (ABCC), Recife, Pernambuco. 61 p. <http:// www.abccam.com.br/> ACCC. 2004. Estatuto e Código de Conduta. Associação Cearense dos Criadores de Camarão (ACCC), Fortaleza, Ceará. 26 p. BOYD, C.E. 1999. Codes of Practice for Responsible Shrimp Farming. Global Aquaculture Alliance, St. Louis, MO, EUA. 48 p. <http://www.gaalliance.org/> BOYD, C.E., Hargreaves, J.A. e Clay, J.W. 2002. Codes of Practice and Conduct for Marine Shrimp Aquaculture. Report prepared under the World Bank, NACA, WWF and FAO Consortium Program on Shrimp Farming and the Environment. 31 p. <http://www.enaca.org/> CHANRATCHAKOOL, P., Turnbull, J.F., Funge-Smith, S. e Limsuwan, C. 1994. Health Management in Shrimp Ponds. Aquatic Animal Health Research Institute, Department of Fisheries, Kasetsart University Campus, Bangkook, Tailândia. 111 p. CLIFFORD III, H.C. 1994. El manejo de estanques camaroneros, p. 16-34. In: J. Zendejas-Hernadez (Editor), Memorias del Seminario Internacional de Camaronicultura, Camarón 94, 10-12 de fevereiro de 1994, Mazatlán, México. 99 p. CRUZ, R.R.M. 2004. O uso do metabisulfito de sódio na criação de camarão marinho em cativeiro e seu perigo para o trabalhador e o meio ambiente. Monografia de Especialização em Gestão Ambiental, Universidade de Fortaleza (Unifor), Fortaleza, Ceará. 46 p. DONAVAN, D.J. 2001. Environmental Code of Practice for Australian Prawn Farmers. Australian Prawn Farmers Association (APFA), South Brisbane, Queensland, Australia. 38 p. <http:// www.apfa.com.au/> FEGAN, D.F. e Clifford III, H.C. 2001. Health management for viral diseases in shrimp farms, p. 168- 198. In: C.L. Browdy e D.E. Jory (Editores), Proceedings of the Special Session on Sustainable Shrimp Farming, Aquaculture 2001, 21-25 de janeiro de 2001, Florida, EUA. The World Aquaculture Society, Baton Rouge, EUA. 375 p. HAWS, M.C., Boyd, C.E. e Green, B.W. 2001. Buenas Práticas de Manejo en el Cultivo de Camarón en Honduras, Asociación Nacional de Acuicultores de Honduras (ANDAH), Costal Resources Center, University of Rhodes Island, Narragansett, EUA. 96 p. <http://www.crc.uri.edu/> HERNÁNDEZ, J.Z. e Nunes, A.J.P. 2000. Manual Purina de Bioseguridade no Cultivo de Camarões Marinhos. Agribrands Purina do Brasil, Paulínia, São Paulo. 36 p. <http:// www.purinabrasil.com.br/> IPLANCE. 1997. Atlas do Ceará. Mapas Coloridos. Escala 1:500.000. Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Estado do Ceará (IPECE), Governo do Estado do Ceará, Fortaleza, Ceará. 65 p. <http://www.iplance.ce.gov.br/> MCINTOSH, R.P., Drennan, D.P., Bowen, B.W. 1999. Belize Aquaculture: development of an intensive sustainable environmentally friendly shrimp farm in Belize, p. 85-99. In: B.W. Green, H.C. Clifford III, M. McNamara e G.M. Montaño (Editores). V Central American Symposium on Aquaculture, Aquaculture and Environment Together Towards the New Millennium, 18-20 de agosto de 1999, ANDAH-WAS-PDACRSP, San Pedro Sula, Honduras. NUNES, A.J.P. 2000. Manual Purina de Alimentação para Camarões Marinhos. Agribrands Purina do Brasil, Paulínia, São Paulo. 40 p. <http://www.purinabrasil.com.br/> NUNES, A.J.P. 2003. Aeração mecânica na engorda de camarões marinhos. Panorama da Aqüicultura, 12: 25-37. <http://www.panoramadaaquicultura.com.br/> NUNES, A.J.P. 2003. Bandejas de alimentação na engorda de camarão marinho. Panorama da Aqüicultura, 12: 39-47. <http://www.panoramadaaquicultura.com.br/> NUNES, A.J.P. 2003. Engenharia e logistica operacional de berçários intensivos. Panorama da Aqüicultura, 12: 25-37. <http://www.panoramadaaquicultura.com.br/> BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
  • ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 123 NUNES, A.J.P. 2003. Tratamento de efluentes e recirculação de água na engorda de camarões marinhos. Panorama da Aqüicultura, 12: 27-39. <http://www.panoramadaaquicultura.com.br/> NUNES, A.J.P. 2004. Fundamentos da Engorda de Camarões Marinhos. Agribrands Purina do Brasil, Paulínia, São Paulo. 42 p. <http://www.purinabrasil.com.br/> NUNES, A.J.P. e Martins, P.C.C. 2003. Avaliando o estado de saúde de camarões marinhos na engorda. Panorama da Aqüicultura, 12: 23-33. <http://www.panoramadaaquicultura.com.br/> NUNES, A.J.P., Martins, P.C.C. e Gesteira, T.C.V. 2004. Carcinicultura ameaçada: produtores sofrem com as mortalidades decorrentes do Vírus da Mionecrose Infecciosa (IMNV). Panorama da Aqüicultura. 14: 37-51. <http://www.panoramadaaquicultura.com.br/> SCHUUR, A.M. 2003. Evaluation of biosecurity applications for intensive shrimp farming. Aquaculture Engineering, 28: 3-20.