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Análise crítica do desempenho da vale em 2009 rev
 

Análise crítica do desempenho da vale em 2009 rev

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    Análise crítica do desempenho da vale em 2009 rev Análise crítica do desempenho da vale em 2009 rev Document Transcript

    • ANÁLISE CRÍTICA DO DESEMPENHO DA VALE EM 2009
      • José Arnaldo dos Santos Ribeiro Junior (1); Prof. Dr. Horácio Antunes de Sant’Ana Júnior (2)
      • Discente do curso de Geografia, UFMA. Membro do Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA). Professor do Ensino Médio Regular do Centro de Ensino José Justino Pereira e integrante da Campanha Justiça nos Trilhos; e-mail: [email_address]
      • (2) Docente do Departamento de Sociologia e Antropologia (DESOC) e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS). Coordenador do Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA). E-mail: [email_address]
      INTRODUÇÃO A Vale é uma das maiores transnacionais e uma das maiores mineradoras do mundo. Seu grupo empresarial é composto por pelo menos 27 empresas coligadas, controladas ou joint-ventures distribuídas em mais de 30 países, dentre eles Brasil, Angola, Austrália, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Indonésia, Moçambique, Nova Caledônia e Peru, nos quais desenvolve atividades de prospecção e pesquisa mineral, mineração, operações industriais e logística. Os segmentos de atuação da Vale são: minerais ferrosos; alumínio e sua cadeia produtiva (bauxita, alumina e alumínio primário); minerais não ferrosos (minério de cobre, cloreto de potássio, caulim); siderurgia; e carvão. A empresa investe também no setor logístico, infra-estrutura portuária e transporte ferroviário. Reflexo da internacionalização do capital é uma empresa multinacional sediada no Brasil que conta com mais de 100 mil empregados, entre terceirizados e próprios. Esse pequena contextualização nos permite compreender a grandeza econômica da Vale, bem como direciona a nossa análise crítica e radical no sentido de examinar minuciosamente o desempenho econômico da Vale em 2009. Isso porque, quando um projeto de desenvolvimento (indústrias principalmente) se instala em um determinado lugar, profundas mudanças estruturais (e não apenas econômicas) são processadas, tais como: mudanças na articulação e apropriação do território, reorganização da economia e crescimento urbano desordenado (RIBEIRO JUNIOR; SANT’ANA JÚNIOR, 2010).   OBJETIVOS E METODOLOGIA   O presente trabalho, a partir de uma perspectiva crítica, identificada com a ecologia política (MARTÍNEZ ALIER, 2007), visa analisar o discurso (FOUCAULT, 2009a e 2009b) contido no documento intitulado: “ Desempenho da Vale em 2009 ”, apresentado durante a Assembleia Ordinária de Acionistas ocorrida no Rio de Janeiro (RJ), sede mundial da Vale, no dia 27 de abril de 2010. tal documento foi disponibilizado posteriormente no site www.vale.com . Procuramos aqui identificar como a Vale avalia a sua performance econômica, contrapondo com casos concretos de injustiça socioambiental. O trabalho aqui apresentado é parte da pesquisa “Projetos de desenvolvimento e conflitos socioambientais no Maranhão”, realizada pelo Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA), da UFMA, e conta com apoio financeiro do CNPq e da FAPEMA.   RESULTADOS E DISCUSSÕES Segundo o Financial Times: em um ranking das 500 maiores empresas do mundo por valor de mercado a Vale ocupava a posição 446 em 2002, enquanto em 31 de dezembro 2009 ela ocupava a vigésima-quarta posição (FIGURA 01). Apesar da recessão econômica em 2008/2009, ela apresentou um lucro líquido de US$ 5,349, o que permitiu distribuir sólidos dividendos aos acionistas: só para o período que vai de 2005 a 2010 a Vale distribuiu US$ 10,0 bilhões. Nesse cenário de recessão econômica, a Vale alcançou em 2009 um recorde de volume de vendas para a China, conseguindo expandir os embarques em 53,6%. Segundo o gráfico de vendas de minério de ferro para a China, medido em Milhões de toneladas métricas, para o ano de 2001 o total fora de 15, 8; 20,1 em 2002;29,5 em 2003;41,0 em 2004;54,2 em 2005; 75,7 em 2006; 94,5 em 2007; 91,4 em 2008; e 140,4 em 2009 (FIGURA 02). Figura 01. Vale consolida seu valor de mercado. Figura 02. Vendas de minério de ferro para China. Fonte: Vale, 2010. Fonte: Vale, 2010. Muito desse sucesso realizado pela Vale reflete o seu posicionamento no mercado mundial (exportadora de matéria-prima), no qual a sua transnacionalização e o seu crescimento assombroso deve-se, em parte, a demanda industrial da China (GODEIRO et al , 2007). Com efeito, as negociações entre as mineradoras mundiais com a Baosteel chinesa tornam-se referência para o preço anual do minério de ferro no mercado internacional. Em matéria publicada no jornal “O Estado de São Paulo”, David Friedlander escreve que depois de dobrar o preço do minério de ferro, a Vale o reajustará em 35%. Com novo reajuste, previsão é que Vale dobre o faturamento este ano; siderúrgicas já se preparam para repassar o aumento de custos. o novo preço vigorará a partir de 1º de julho e, segundo os analistas o faturamento da Vale deve dobrar, fechando o ano em mais de US$ 40 bilhões( http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,depois-de-dobrar-o-preco-do-minerio-vale-tera-novo-reajuste-de-35,20565,0.htm consultado em 29 de maio de 2010). O reajuste foi feito em consonância com o mercado chinês: a cotação do minério de ferro no mercado chinês bateu em US$ 189,50 a tonelada, enquanto a mineradora brasileira vendia seu produto por cerca de US$ 110 - que foi o preço fixado pela Vale para o trimestre que vai de abril a junho. Nesse sentido a Vale está tentando recuperar a defasagem adquirida em relação à China. A começar de julho, o preço do minério de ferro da Vale será reajustado de US$ 110 para algo em torno de 140 e US$ 145 a tonelada. É significativo o reajuste, ainda mais se considerarmos que antes da crise econômica global, que desencadeou um período de recessão nas mais diversas economias do mundo, em setembro de 2008 a Vale vendia a tonelada de minério de ferro por US$80. É interessante perceber como a empresa que se diz comprometida com o “desenvolvimento dos empregados”, por serem “dinâmicos e persistentes”, não levou em consideração que poderia estar sendo descompromissada quando, ao aumentar o preço do minério de ferro, promoveu o fechamento das portas da companhia siderúrgica Vale do Pindaré. No início da década o preço de cada tonelada de ferro valia US$ 30. Atualmente varia entre US$ 130 e US$ 150. Isso é aproximadamente um aumento de cinco vezes em 10 anos. Com a alta no preço, a Vale contribuiu negativamente para a produção de ferro gusa no Distrito Industrial de Pequiá, em Açailândia - MA. Com efeito, não apenas a Companhia Siderúrgica Vale do Pindaré, mas também a Siderúrgica do Maranhão, que juntas geram cerca de 500 empregos diretos e 2000 indiretos, foram diretamente afetadas. O impasse chegou à Assembléia Legislativa do Maranhão, no qual uma comitiva de metalúrgicos se reuniu com os deputados: Helena Barros Heluy (PT), Antônio Bacelar (PV), Antônio Pereira (DEM), Irmão Carlos (PSDB), João Batista (PP), Nonato Aragão (PSL) e o ex-senador Francisco Escórcio. Os impactos no setor de empregos podem chegar a três mil diretos e 6 mil indiretos ( http://www.al.ma.gov.br/index.php , consultado em 08 de agosto de 2010). Em termos de investimento, para o ano de 2009, a empresa gastou US$9,0 bilhões para a modalidade crescimento orgânico e US$ 3,7 bilhões para a modalidade aquisições, totalizando US$12,7 de dólares (FIGURA 03). Em contrapartida, em virtude da recessão econômica na qual a Vale reduziu os investimentos de US$ 14 bilhões para US$ 9 bilhões, como também demitiu, é bom reforçar, 2 mil trabalhadores diretos e 13 mil terceirizados, a empresa economizou com essa demissão de trabalhadores diretos aproximadamente US$ 200 milhões e US$ 616 milhões com os terceirizados, totalizando US$ 816 milhões. Já os investimentos previstos para 2010 estão orçados em US$ 12,9 bilhões. E dividem-se por categoria e por área de negócio . O item por categoria subdivide-se em projetos (67,1%), manutenção (23,4%) e P& D(9,5%). Já se considerando por área de negócio a Vale apresenta os seguintes dados: Siderurgia (2,7%) Energia (6,5%) Logística (20,6%) Outros (1,8%) Minerais ferrosos (30,0%) Carvão (6,9%) Minerais-não-ferrosos (31,6%) (FIGURA 04). Figura 03. Investimentos da Vale no último triênio. Figura 04. Investimentos previstos para 2010. Fonte: Vale, 2010. Fonte: Vale, 2010 Ela também elenca sete novos projetos iniciando em 2010, a saber: Minério de ferro (Carajás Adicional 10 Mtpa) Pelotas (Omã 9,0 Mtpa) Níquel (Onça Puma 58.000 tpa) Cobre (Tres Valles 18.000 tpa) Rocha fosfática (Bayóvar 3,9 Mtpa) Energia¹ (Estreito 1.087 MW) Siderurgia² (CSA 5,0 Mtpa). Cabe destacar que no conséorcio de Estreito a participação da Vale é de 30,0%, enquanto que na Companhia Siderúrgica do Atlântico é de 26,87%. Cabe relevar que em Estreito, o conflito se processa em duas frentes que se chocam: primeiro, o potencial hidrelétrico da bacia Araguaia-Tocantins sinaliza a necessidade de energia elétrica para levar a frente as atividades sidero-metalúrgicas; em contrapartida, o empreendimento de R$3,1 bilhões, atinge agricultores familiares, povos indígenas e a população ribeirinha, evidentemente. CONCLUSÃO O que se pode esperar de todos esses números, de toda essa riqueza gerada, de todos esses investimentos? Para um lado é mais riqueza, lucro; para outro são demissões, perdas. O desempenho econômico da Vale está longe de ser um desempenho socialmente positivo. As vendas de minério de ferro converteram-se em desemprego para trabalhadores em Açailândia; quanto mais a Vale consolida seu valor de mercado, mais ela participa de projetos de desenvolvimento que massacram as poucas perspectivas de famílias que buscam emprego, trabalho e renda (casos de Estreito, Belo Monte). O contraponto são os barracos, as favelas, o paraíso destruído (Parauapebas e Marabá). A sidero-metalurgia desestrutura os grupos sociais locais e seu território; retira-os daquilo que os sustenta e entrega-os a um novo modelo de apropriação do espaço e dos recursos naturais que é existencialmente precário, quando não é excludente. O desenvolvimento se converte em desenraizamento, em deslocamento; as promessas do progresso e da modernidade que preconizavam educação, moradia e qualidade de vida convertem-se em desemprego e marginalização para os homens e, muitas vezes, prostituição para as mulheres. REFERÊNCIAS FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber . Trad. Luiz Felipe Baeta NEVES. 7ªed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009a. FOUCAULT, Michel. A Ordem do Discurso . Trad. Laura Fraga de Almeida SAMPAIO. 19ªed. São Paulo: Edições Loyola, 2009b. GODEIRO, Nazareno (org.) Vale do Rio Doce. Nem tudo que reluz é ouro, da privatização à luta pela reestatização . São Paulo: Sundermann, 2007. MARTÍNEZ ALIER, Juan. O Ecologismo dos Pobres : conflitos ambientais e linguagens de valoração. Trad. Mauricio WALDMAN. São Paulo: Contexto, 2007. RIBEIRO JUNIOR, J. A. S; SANT’ANA JÚNIOR, H. A. A política de desenvolvimento sustentável da Vale . Anais do XVI Encontro Nacional de Geógrafos - ENG, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 25 a 31 de julho de 2010. VALE. Desempenho da Vale em 2009 . Disponível em www.vale.com . Conteúdo Institucional acessado em 28 de abril de 2010.