Identificação e Manejo das  Principais Doenças do   Cacaueiro no Brasil
Identificação e Manejo das  Principais Doenças do   Cacaueiro no Brasil      Marival Lopes de Oliveira  Eng. Agrônomo, M. ...
© 2004 by Marival Lopes de Oliveira          Edna Dora Martins Newman LuzDireitos de edição reservados aos autores. Nenhum...
A meus pais, irmãos e demais familiares,À minha esposa Valdívia e filhas Julianna e Isadora,                              ...
APRESENTAÇÃO   Doenças são responsáveis por elevadas perdas naprodução de cacau no Brasil e no mundo. O primeiro passopara...
PREFÁCIO    Este trabalho é fruto de experiências de dois autores quepor mais de vinte anos de pesquisas adquiriramconheci...
SUMÁRIOCAPÍTULO I  Introdução                                         13CAPÍTULO II  Vassoura-de-bruxa                    ...
CAPÍTULO VII  Cancros                                           81    1. Cancro-de-Phytophthora                       81  ...
Principais doenças do cacaueiro no Brasil                                                 Capítulo I                      ...
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Principais doenças do cacaueiro no Brasil                                                  Capítulo II                    ...
Oliveira e Luzsão comparados. Tal variabilidade tem sido traduzida, por exemplo,em termos de crescimento micelial em meios...
Principais doenças do cacaueiro no Brasilcomo: T. grandiflorum (Willd. Ex. Spreng) Schum. (cupuaçu), T.bicolor Humb. & Bom...
Oliveira e Luzpartenocárpicos com formas diferentes (morango, cenoura, etc.)da sua morfologia normal (Figura 2b, c, d, e, ...
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Oliveira e LuzSamson, um fungo encontrado hiper-parasitando basidiocarposde C. perniciosa, também produzia uma substância ...
Principais doenças do cacaueiro no Brasilcontrole da VB (Holliday, 1954, 1960; Cronshaw, 1979; Bastos &Evans, 1979; Almeid...
Oliveira e Luza realmente mostrar alguma eficácia in vivo foi o dos triazóis(Anônimo, 1980; Bastos, 1982; Silva et al., 19...
Principais doenças do cacaueiro no Brasil(Oliveira, 2004b). Confirmando sua ação destacada no controlede doenças em outras...
Oliveira e Luz24     Figura 1. Sintomas da vassoura-de-bruxa do cacaueiro causada por Crinipellis perniciosa: aspectos    ...
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Principais doenças do cacaueiro no Brasil   Commonwealth Mycological Institute, Phytopathological   Paper no 2. 42p.BARTLE...
Oliveira e Luz   orgânicos no controle da vassoura-de-bruxa. In Belém,   CEPLAC/DEPEA. Informe de Pesquisas. pp. 43-44.BAS...
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Oliveira e Luz                                            Capítulo III                                     Podridão-parda ...
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Principais doenças do cacaueiro no BrasilONESIROSAN, P. 1971. The survival of Phytophthora palmivora   in a cocoa plantati...
Oliveira e Luz                                                 Capítulo IV                           Murcha-de-Verticilliu...
Principais doenças do cacaueiro no Brasil  Etiologia   A murcha-de-Verticillium é causada por V. dahliae Kleb., fungoperte...
Oliveira e Luzpermanecendo o restante da planta, aparentemente, sadia. Damesma forma, folhas também podem apresentar áreas...
Principais doenças do cacaueiro no Brasil   No Brasil, conquanto não tenham sido realizados estudosepidemiológicos nem lev...
Oliveira e Luzpertencentes ao banco de germoplasma do CEPEC, como é ocaso do clone Pound 7 (Braga & Silva, 1989). De acord...
Principais doenças do cacaueiro no BrasilFigura 1. Sintomas da murcha-de-Verticillium do cacaueiro: amarelecimento        ...
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Principais doenças do cacaueiro no BrasilMATOVU, S. 1973. A survey of cocoa diseases in Uganda. East    African Agricultur...
Oliveira e LuzPEGG, G. F. 1974. Verticillium diseases. Review of Plant Pathology    53: 157-182.SILVA, P. 1938. Morte súbi...
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Oliveira e LuzSão produzidos em ascas evanescentes, cujas paredesdissolvem-se facilmente, e então liberados através do ost...
Principais doenças do cacaueiro no Brasilavermelhada, a púrpura, estendendo-se para cima e para baixoem torno do ponto de ...
Oliveira e Luz   Ceratocystis fimbriata possui distribuição mundial, estandoassociado a uma ampla diversidade de condições...
Principais doenças do cacaueiro no Brasildo nível de inóculo e da população de insetos na área (Iton, 1966).Assim inspeçõe...
Oliveira e Luz60     Figura 1. Sintomas da murcha-de-Ceratocystis em cacau: planta nova (a) e enxerto (b) exibido sintoma ...
Principais doenças do cacaueiro no BrasilFigura 2. Sintomas externos (a, b, f) e internos (c) da murcha-de-        Ceratoc...
Oliveira e LuzReferências BibliográficasBARROS, N. O. 1981. Cacao. Manual de Asistencia Técnica nº    23. Instituto Colomb...
Principais doenças do cacaueiro no Brasil   index to volumes 1-40 (1922-61). Kew, England.   Commonwealth Mycological Inst...
Oliveira e Luz                                             Capítulo VI                                Doenças de raízes   ...
Principais doenças do cacaueiro no Brasil   1. Podridão-negra   A podridão-negra é uma doença comum em plantas lenhosastro...
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  1. 1. Identificação e Manejo das Principais Doenças do Cacaueiro no Brasil
  2. 2. Identificação e Manejo das Principais Doenças do Cacaueiro no Brasil Marival Lopes de Oliveira Eng. Agrônomo, M. Sc., Ph. D., Fitopatologista Pesquisador do Centro de Pesquisas do Cacau Ilhéus, BA Edna Dora Martins Newman Luz Eng. Agrônoma, M. Sc., Ph. D., FitopatologistaPesquisadora do Centro de Pesquisas do Cacau Ilhéus, BA Seção de Fitopatologia Centro de Pesquisas do CacauComissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira Ilhéus - Bahia 2005
  3. 3. © 2004 by Marival Lopes de Oliveira Edna Dora Martins Newman LuzDireitos de edição reservados aos autores. Nenhuma parte poderá serreproduzida sem a autorização expressa e por escrito dos autores ou doeditor, conforme a legislação.Capa: Gildefran Alves Dimpino de AssisIlustração da Capa: Marival Lopes de OliveiraDiagramação: Jacqueline Conceição C. AmaralNormalização de referências bibliográficas: Maria Christina de C. FariaEditor: Centro de Pesquisas do Cacau Miguel Antonio Moreno RuizCentro de Pesquisas do Cacau (CEPEC)Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC)Rodovia Ilhéus – Itabuna, Km 22Fone: (73) 3214-300045600-970 – Itabuna – BA – BrasilHome-page: www.ceplac.gov.br. 633.744 O48 Oliveira, M. L.; LUZ, E.D.M.N. 2005. Identificação e manejo das principais doenças do cacaueiro no Brasil. Ilhéus, CEPLAC/ CEPEC/SEFIT. 132p. ISBN 85-99169-01-7 1. Theobroma cacao - Doenças - Identificação. 2. Theobroma cacao - Doenças - Manejo. I. Título.
  4. 4. A meus pais, irmãos e demais familiares,À minha esposa Valdívia e filhas Julianna e Isadora, Dedico. Marival Lopes de Oliveira A meus pais, irmãos, sobrinhos e tias, A meu marido Emanoel e a todos os inúmeros filhos que a ciência me deu, Dedico com amor. Edna Dora Martins Newman Luz
  5. 5. APRESENTAÇÃO Doenças são responsáveis por elevadas perdas naprodução de cacau no Brasil e no mundo. O primeiro passopara a redução nos danos provocados por elas é oconhecimento dos seus diferentes aspectos. Infelizmente,embora muitos conhecimentos tenham sido gerados ao longodos anos, tais informações encontram-se, muitas vezes,dispersas em um grande número de publicações científicas,a maioria das quais em linguagem complexa para os nãoespecialistas, e grande parte delas escrita em outras línguasque não o português. O presente livro, Identificação e manejodas principais doenças do cacaueiro no Brasil aborda temascomo etiologia, sintomatologia, epidemiologia e controle dasprincipais doenças do cacaueiro que ocorrem no Brasil, deforma simples, ilustrativa e concisa, preenchendo assim umaimportante lacuna na literatura de cacau no Brasil. Com isso,coloca-se à disposição dos não especialistas e produtores,informações que antes só aquelas pessoas trabalhando nodia-a-dia com doenças do cacaueiro tinham acesso. Assim,mais uma das missões da CEPLAC é cumprida, ou seja, ademocratização do conhecimento gerado por ela e por outros. Uilson Vanderlei Lopes PhD em Genética, Centro de Pesquisas do Cacau
  6. 6. PREFÁCIO Este trabalho é fruto de experiências de dois autores quepor mais de vinte anos de pesquisas adquiriramconhecimentos práticos sobre as enfermidades da planta decacau, observando seus surtos epidêmicos, tomando dadosexperimentais, analisando variáveis e verificando os efeitosdo manejo destas doenças sobre sua produção. Não faltaembasamento teórico e qualificação acadêmica a essesilustres colegas, ambos detentores do título de PhD emrenomadas universidades americanas. Pelo contrário, essepreparo científico os capacita a enxergar e entender muitasvezes o óbvio, ao vivenciarem o dia a dia do produtor decacau e os resultados da sua forma de conduzir a plantação. O grande mérito deste livro está em retratar a vivênciafitopatológica atualizada de dois eminentes pesquisadoresda região cacaueira da Bahia. A revisão bibliográfica inclui trabalhos modernos e antigos,mas não pretende ser exaustiva. Em boa hora os autores resolveram escrever estecompêndio sobre as doenças do cacaueiro que será muitoútil a extensionistas, pesquisadores, professores, estudantese produtores que terão acesso direto à experiência abalizadadesses colegas que falam do que sabem e não do queouviram dizer. José Luiz Bezerra Pesquisador, PhD em Micologia, Centro de Pesquisas do Cacau, Ilhéus, Bahia, Novembro de 2004.
  7. 7. SUMÁRIOCAPÍTULO I Introdução 13CAPÍTULO II Vassoura-de-bruxa 15 Referências bibliográficas 28CAPÍTULO III Podridão-parda 34 Referências bibliográficas 41CAPÍTULO IV Murcha-de-Verticillium 46 Referências bibliográficas 52CAPÍTULO V Murcha-de-Ceratocystis 55 Referências bibliográficas 62CAPÍTULO VI Doenças de raízes 64 1. Podridão-negra 65 2. Podridão-vermelha 71 3. Podridão-castanha 76 4. Podridão-branca 76 5. Podridão associada ao fungo Mycoleptodiscus 76 terrestris Referências bibliográficas 79
  8. 8. CAPÍTULO VII Cancros 81 1. Cancro-de-Phytophthora 81 2. Cancro-de-Lasiodiplodia 83 Referências bibliográficas 89CAPÍTULO VIII Morte-descendente 91 Referências bibliográficas 96CAPÍTULO IX Mal-rosado 97 Referências bibliográficas 101CAPÍTULO X Galha-floral 102 Referências bibliográficas 107CAPÍTULO XI Antracnose 109 Referências bibliográficas 113CAPÍTULO XII Monilíase 114 Referências bibliográficas 122CAPÍTULO XIII Clínica Fitopatológica 127 Instruções para coleta e envio de amostras para 128 análise Referências bibliográficas 132
  9. 9. Principais doenças do cacaueiro no Brasil Capítulo I Introdução A podridão-parda permaneceu durante muitos anos como amais importante doença do cacaueiro na região Sul da Bahia,acarretando perdas estimadas entre 20 a 30% da produção anual.Entretanto, desde o aparecimento da vassoura-de-bruxa (VB) em1989, na região, a doença foi praticamente relegada aoesquecimento, em decorrência não só das condições ambientaisdesfavoráveis, como também dos sérios problemas econômicosacarretados pela VB. Ao encontrar condições ambientaisextremamente favoráveis, a VB disseminou-se, rapidamente,atingindo proporções epidêmicas e causando, em curto espaçode tempo, problemas sociais profundos e um virtual colapso naeconomia regional. No momento, em função do sucesso alcançadopelos clones de cacau com resistência à VB e das condiçõesclimáticas voltando a ser favoráveis, a podridão-parda começa areaparecer, trazendo novamente preocupações aos agricultores. Com a implantação de novas áreas, o replantio e oadensamento com materiais genéticos resistentes à VB, outradoença igualmente importante, a murcha-de-Ceratocystis,favorecida pela prática da enxertia adotada na propagaçãovegetativa e das freqüentes podas de formação do materialgenético, começou a se manifestar principalmente na variedadeTheobahia acarretando preocupações adicionais aoscacauicultores. Anteriormente, a partir da década de 70, com o advento doPrograma de Expansão da Cacauicultura Nacional (PROCACAU),que compreendia além do plantio de novas áreas a renovação decacauais decadentes, incentivado pelo governo federal, uma 13
  10. 10. Oliveira e Luzdoença até então conhecida sob a denominação genérica demorte súbita, passou a ser melhor estudada resultando nadescrição e caracterização etiológica de uma série de novasenfermidades sobre o cacaueiro. Entre elas destacam-se amurcha-de-Verticillium, o cancro-de-Lasiodiplodia, e as podridõesnegra e vermelha das raízes, causadas respectivamente, pelosfungos Rosellinia pepo Pat. e Ganoderma philippii (Bres. et Henn)Bres. Cita-se também o mal-rosado que chegou a assumir algumaimportância econômica no passado em função da renovação edos novos plantios, uma vez que se trata de uma doença commaior incidência em plantios novos. Além destas, são também abordadas neste livro algumasdoenças que embora sejam de ocorrência bastante antiga naregião cacaueira da Bahia, não chegam a causar prejuízos oupreocupações sérias, como são os casos do cancro-de-Phytophthora, da galha-floral, da antracnose e da morte-descendente. Também é feita referência à monilíase causada pelofungo Moniliophthora roreri, que embora não ocorra no nosso país,constitui-se em uma séria ameaça à cacaicultura nacional. Espera-se que este livro venha preencher algumas lacunasobservadas na literatura brasileira no que se refere aos principaisproblemas fitopatológicos da cultura do cacau, contribuindo parao seu melhor conhecimento, facilitando assim a busca desoluções para os mesmos, uma vez que as informações geradasaté então, nem sempre eram acessíveis à maioria das pessoas,estando normalmente dispersas em uma série de publicações,geralmente em forma de artigos científicos. 14
  11. 11. Principais doenças do cacaueiro no Brasil Capítulo II Vassoura-de-Bruxa A vassoura-de-bruxa (VB) é uma das mais importantes edestrutivas doenças do cacaueiro, chegando a causar perdas deaté 90% na produção (Evans, 1981; Evans & Bastos, 1981;Bastos, 1988). A doença foi descoberta pela primeira vez noSuriname, em 1895 (Wheeler & Mepsted, 1988), e emboraocorresse de forma endêmica na região Amazônica, desde oséculo XIX, além de estar presente em diversos países da Américado Sul e Central como: Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana,Granada, Peru, Suriname, Venezuela, Trinidad e Tobago, só foiconstatada na principal região produtora de cacau do Brasil, o sul daBahia, em 1989. Ao encontrar condições ambientais favoráveis,disseminou-se rapidamente, provocando um virtual colapso naeconomia regional. A doença foi registrada inicialmente no municípiode Uruçuca (Pereira et al., 1989) e logo em seguida em Camacã,estando disseminada, no momento, em toda a região cacaueira daBahia, já tendo sido detectada, inclusive, no estado do Espírito Santo. Etiologia A doença é causada por Crinipellis perniciosa (Stahel) Singer,fungo pertencente à classe dos Basidiomicetos, ordem Agaricalese família Tricholomataceae. Produz basidiomas (basidiocarpos)pileados e estipitados, lignícolas, apresentando impressão deesporos de coloração branca. Levando em consideração,principalmente, a coloração do píleo, Pegler (1978) reconheceutrês variedades do patógeno: C. perniciosa var. perniciosa; C.perniciosa var. equatoriensis e C. perniciosa var. citriniceps.Variabilidade dentro da espécie tem sido também detectadaquando isolados, de um ou de diferentes países ou hospedeiros, 15
  12. 12. Oliveira e Luzsão comparados. Tal variabilidade tem sido traduzida, por exemplo,em termos de crescimento micelial em meios de cultura, tipos dereação em alguns testes bioquímicos, compatibilidade somáticae patogenicidade ao cacaueiro e a outros hospedeiros (Thorold,1975; Bartley, 1977; Evans, 1978; Wheeler & Mepsted, 1982, 1988;Rocha, 1983; Andebhran & Almeida, 1984; Andebhran, 1985,1988a; Andebhran & Bastos, 1985; Bastos & Evans, 1985; Bastos,1986; McGeary & Wheeler, 1988). Em função dessecomportamento, é possível se esperar variação do patógeno atémesmo com referência à sensibilidade a fungicidas, o que poderiaeventualmente explicar o maior ou menor sucesso dasrecomendações de controle da doença em determinadassituações. Crinipellis perniciosa possui um ciclo de vida dividido em duasfases principais, uma parasítica e outra saprofítica. A faseparasítica é constituída pelo micélio monocariótico, sem gramposde conexão, apresentando crescimento intercelular. Seu micélioé mais espesso que o saprofítico e dicariótico, que ao contráriodo da fase parasítica, apresenta grampos de conexão e podecrescer tanto inter- quanto intracelularmente (Evans, 1980, 1981;McGeary & Wheeler, 1988). Os basidiocarpos, produzidos tanto sobre vassouras secasquanto sobre frutos infectados (Figura 4c), após alternâncias deperíodos secos e úmidos (Rocha & Wheeler, 1982), constituem-se em fontes primárias de inóculo, liberando basidiósporos, quesão as principais unidades infectivas do patógeno (Bastos, 1986).A liberação dos basidiósporos se dá, preferencialmente, durantea noite (Solorzano, 1977; Evans & Solorzano, 1982; Rodrigues,1983; Lawrence et al., 1991), com umidade relativa do ar entre 80e 85% e temperatura entre 20-25 o C (Rocha & Wheeler, 1985). Hospedeiros O fungo é endêmico na Região Amazônica onde ocorre desdeo século XIX não só em cacau nativo e cultivado, como tambémem espécies relacionadas dos gêneros Theobroma e Herrania, 16
  13. 13. Principais doenças do cacaueiro no Brasilcomo: T. grandiflorum (Willd. Ex. Spreng) Schum. (cupuaçu), T.bicolor Humb. & Bompl. (cacau-do-Pará), T. microcarpum (cacaujacaré), T. subincanum (cupuí), T. obovatum Barn. (cacau-cabeça-de-urubu), T. speciosum Willd. (cacaui); H. albiflora, H. nitida(Poepp.) Schultes e H. purpurea; em liana (Entada gigas (L.) Falc.& Rendle); além de espécies da família Solanaceae, pertencentes,principalmente, aos gêneros Solanum e Capsicum, como: S.paniculatum L. (jurubeba), S. gilo Raddi (jiló), S. stipulaceum Willdex. Roem & Shult. (caiçara), S. melogena L. (berinjela), C. annuumL. (pimentão) e C. frutescens (pimenta malagueta) (Thorold, 1975;Evans, 1978; Bastos & Evans, 1985; Wood & Lass, 1985, Luz etal., 1997). Existem evidências de que diferentes patótipos estejamassociados a cacau, liana, Bixa orellana L. (urucum) e solanáceas.Um novo hospedeiro, Stigmatophylum sp., pertencente à famíliaMalpighiaceae foi também relatado no sul da Bahia (Luz et al.,1997). Evans (1978) encontrou que isolados de C. perniciosa decacau foram patogênicos a cacau, T. bicolor e H. nitida, enquantoisolados de liana só o foram à liana. Bastos e Evans (1985)trabalhando com isolados de C. perniciosa de Solanum rugosumDum. e S. lasiantherum v. Heurck foram incapazes de induzirsintomas da doença em clones de cacau consideradossusceptíveis, embora tenham infectado outras plantas da famíliaSolanaceae. Bastos (1986) constatou também diferenças empatogenicidade entre isolados de C. perniciosa provenientes dediversos hospedeiros. Os isolados de cacau foram patogênicosa cacau, T. speciosum e Herrania, enquanto que o isolado de T.grandiflorum, não o foi a cacau, mas sim às demais espécies deTheobroma e Herrania. Sintomas Os sintomas da doença são caracterizados pelosuperbrotamento de lançamentos foliares, com proliferação degemas laterais, e engrossamento de tecidos infectados emcrescimento (Figura 1c, d). Almofadas florais infectadas podemproduzir vassouras vegetativas, além de flores anormais (Figura2a, b, c), e os frutos produzidos em tais casos são, freqüentemente, 17
  14. 14. Oliveira e Luzpartenocárpicos com formas diferentes (morango, cenoura, etc.)da sua morfologia normal (Figura 2b, c, d, e, f). Em frutos adultospodem ser observadas algumas variações nos sintomas, ora comamarelecimento precoce sem sintomas necróticos (Figura 3a,b), ora deformados sem (Figura 3c) ou com a presença de lesõesnecróticas externas (Figura 3d), podendo ainda, apresentarem-se deprimidas ou não, e circundadas por halos cloróticos (Figura3e, f, g, h). Os danos internos em frutos são mais pronunciadosque os da podridão-parda, com as amêndoas, na maioria dasvezes, apresentando-se completamente danificadas (Figura 4a),e em fase mais avançada, com crescimento micelial do fungona sua superfície (Figura 4b). O fungo também infecta gemasapicais, em mudas, induzindo a proliferação de brotaçõeslaterais (vassouras terminais) (Figura 4d, e), podendo ainda,causar a formação de cancros, tanto em mudas quanto emramos (Figura 4f, g). Epidemiologia A principal forma de disseminação da doença é pelo ar, emborachuvas não deixam de exercer também um importante papel(Evans, 1981; Andebhran, 1988b). Após a infecção dos tecidossusceptíveis, principalmente, os meristemáticos (Cronshaw &Evans, 1978), observa-se a formação de brotações hipertrofiadas,com internódios mais curtos, e excessiva proliferação de gemaslaterais, comumente denominadas de vassouras verdes (Evans,1981) (Fig. 1a, b, c, d; 2 d, e). O período em que as vassouraspermanecem nesta fase é variável, dependendo do vigor da plantae do patótipo do fungo (Wheeler & Mepsted 1982), ficando emmédia entre cinco e doze semanas (Baker & Holliday, 1957;Solorzano, 1977). Após a seca das vassouras, observa-se umperíodo de dormência antes que os basidiocarpos comecem aser produzidos. Este período, também é variável, estendendo deum mínimo de quatro a um máximo de 66 semanas (Baker &Holliday, 1957; Solorzano, 1977; Evans, 1981). A produção debasidiocarpos é favorecida por períodos alternados de ganho e 18
  15. 15. Principais doenças do cacaueiro no Brasilperda de água durante a estação chuvosa (Baker & Holliday,1957). Rocha (1983) demonstrou que basidiocarpos poderiamser produzidos, em quantidade e de forma regular, sobrevassouras secas em regimes alternados de 8 horas demolhamento e 16 horas de seca, e temperaturas variando de20-25 º C, na presença de luz. Controle Desde seu primeiro registro, no Suriname, diferentesestratégias de controle da doença, compreendendo podafitossanitária, os controles químico e biológico, a seleção emelhoramento genético visando resistência, além do manejointegrado como um todo, têm sido tentadas. Enquanto a utilizaçãode materiais genéticos resistentes é considerada a solução maiseconômica e desejável, resultados obtidos no passado, nemsempre foram consistentes, com determinados materiais oracomportando-se como resistentes em alguns países, esusceptíveis em outros. Esforços recentes visando a seleção denovos materiais têm sido intensificados, o que vemproporcionando alento e esperança na busca de soluções maisduradouras para o problema, não obstante a poda fitossanitária,a despeito do seu custo elevado, ainda continuar sendo utilizadacom freqüência. Atualmente, diversos clones apresentando bonsníveis de resistência à doença, já foram disponibilizados peloCentro de Pesquisas do Cacau (CEPEC) aos produtores daregião sul da Bahia. Controle biológico seria outra alternativa viável no manejo dadoença. A utilização de microorganismos antagônicos envolvendodiferentes mecanismos de ação como competição, antibiose ehiperparasitismo, poderia desempenhar importante papel numprograma de manejo integrado da doença envolvendo,adicionalmente, resistência, controle químico e cultural (podafitossanitária). Trabalho inicial desenvolvido por Bastos et al. (1981)mostrou que Cladobotryum amazonense Bastos, Evans et 19
  16. 16. Oliveira e LuzSamson, um fungo encontrado hiper-parasitando basidiocarposde C. perniciosa, também produzia uma substância antibióticacapaz de inibir o crescimento micelial e a germinação debasidiósporos do fungo in vitro. Entretanto, o seu papel sobre adoença, em condições de campo, ainda merece ser melhoravaliado. No momento, dentro do enfoque do controle biológico,já existe uma alternativa disponibilizada pelo CEPEC aosprodutores da região cacaueira da Bahia, que é a utilização doproduto Tricovab®, que foi desenvolvido e formulado a partir dofungo Trichoderma stromaticum Samuels & Pardo-Shultheiss. A poda fitossanitária, recomendada inicialmente por Stahel,em 1915, ainda permanece como uma medida efetivamenteutilizada no controle da doença, a despeito de aumentarsobremaneira os custos de produção. O controle químico da VB foi primeiro testado em 1909 noSuriname (Van Hall & Drost, 1909) através da utilização da caldabordaleza. Desde então, novas tentativas foram feitas, inclusiveno Brasil, sem que os resultados tivessem sido inteiramentesatisfatórios e/ou econômicos, como já enfatizaram Baker eHolliday (1957). Rudgard e Lass (1985) salientaram que, em funçãoda inadequação de outras medidas de controle, o controle químicoainda ofereceria, em curto prazo, as melhores opções decontenção da doença, criando estabilidade econômica até queoutras estratégias fossem disponibilizadas. A associação doscontroles cultural e químico, por exemplo, foi recomendada porStahel, desde 1915. Experimentos conduzidos por Thorold (1953), avaliandofungicidas à base de cobre e enxofre mostraram-se inconclusivos.Entretanto, alguns trabalhos posteriores demonstraram a eficáciada calda bordaleza no controle da doença sobre frutos (Holliday,1954; Silva et al., 1985; Bastos et al., 1987a, b). Testes com outrosfungicidas à base de cobre, na sua maioria realizados no Brasil,apresentaram, da mesma forma, algumas inconsistências.Embora, algumas vezes tais produtos tenham mostrado efeitospositivos em controlar a doença sobre frutos, na grande maioria,entretanto, as avaliações concluíram pela sua ineficácia no 20
  17. 17. Principais doenças do cacaueiro no Brasilcontrole da VB (Holliday, 1954, 1960; Cronshaw, 1979; Bastos &Evans, 1979; Almeida, 1982; Almeida & Andebhran, 1984; Coelho,1986; Bastos et al ., 1987b). Outro grupo de fungicidasamplamente testado, principalmente no Brasil, é o dos orgânicosprotetores. Neste caso, as mesmas conclusões com relação aosfungicidas cúpricos, são também aplicáveis (Cronshaw, 1979;Almeida, 1982; Silva et al., 1985; Coelho, 1986). Possíveis razõespara as discrepâncias nos resultados das pesquisas poderiamestar associadas às perdas dos produtos provocadas por chuvas,tão comuns na maioria das áreas produtoras de cacau em todomundo; baixa tenacidade, principalmente, dos fungicidasorgânicos; e provavelmente na maioria dos casos, pelainadequação, falta de uniformidade dos métodos, épocas,número e tecnologias de aplicação dos fungicidas. Atualmente, dos produtos à base de cobre, apenas o óxidocuproso é recomendado pelo CEPEC no controle da VB.Trabalhos conduzidos em Rondônia demonstraram a eficácia dofungicida na redução de infecções em frutos. Entretanto, poucaou nenhuma ação tem sido encontrada no controle da doençaem outras partes da planta, como almofadas florais elançamentos foliares. As dosagens recomendadas são de trêsou seis gramas do princípio ativo por planta, caso as aplicaçõessejam efetuadas a intervalos mensais ou bimestrais,respectivamente, de forma preventiva e no momento adequado.O seu uso tem que estar associado, entretanto, à podafitossanitária (remoção de vassouras e outros tecidos atacados),além da necessidade de tais recomendações serem seguidasde forma criteriosa, para que surtam os efeitos desejados. O surgimento no mercado dos fungicidas sistêmicos,principalmente, daqueles com atividade contra fungos da classedos basidiomicetos tem criado novas perspectivas para o controleda VB, não só em frutos, mas também em lançamentos foliarese almofadas florais. Alguns destes fungicidas têm mostradoatividade contra C. perniciosa, principalmente in vitro (Anônimo,1980; Bastos, 1982, 1987; Silva et al., 1985; Laker et al., 1988;McQuilken et al., 1988; Oliveira, 2000), entretanto, o primeiro grupo 21
  18. 18. Oliveira e Luza realmente mostrar alguma eficácia in vivo foi o dos triazóis(Anônimo, 1980; Bastos, 1982; Silva et al., 1985; Lins, 1985;Bastos, 1987; McQuilken et al ., 1988; Oliveira, 2000). Asbenzanilidas, com destaque para o fungicida flutalonil (Laker eRudgard, 1989), foi outro grupo com atividade contra a doença,suprimindo a formação de vassouras em plantas de cacau, comnove meses de idade, quando aplicado no solo. No Brasil, fungicidas do grupo dos triazóis têm se destacadonão só em ensaios de laboratório e casa-de-vegetação (Oliveira,2000), mas também e principalmente em condições de campo(Oliveira, 2004a). Em uma série de experimentos realizados naregião cacaueira da Bahia, o fungicida tebuconazole foi aqueleque apresentou os melhores resultados, o que motivou suarecomendação no controle da VB tanto em viveiros quanto emcampo (Oliveira, 2004a). Em plantios safreiros tradicionais,quando pulverizado a intervalos mensais, quatro a cinco vezesao ano, à dosagem de 1,2 litro por hectare, o tebuconazole temmostrado eficácia na redução de infecções em almofadas florais,diminuindo ou eliminando a produção de frutos-morango evassouras vegetativas, além de reduzir a formação de vassourasem lançamentos foliares e a infecção de frutos. O fungicida foiigualmente eficiente na redução da esporulação, diminuindo aprodução de basidiocarpos (cogumelos) tanto em frutos quantoem vassouras, bem como no controle da doença em condiçõesde viveiros, em dosagens desde 1,0 a 2,5 mL do produto, por litrode água. Em ensaios recentes utilizando-se clones com diferentesníveis de resistência à doença, em condições de campo, aaplicação do fungicida em dosagens já a partir de 0,3 mL doproduto comercial, por planta, reduziu a incidência da VB emfrutos, resultado este importante, principalmente, quando adotadono controle da doença em materiais genéticos mais produtivos,que embora apresentem bons níveis de resistência na copa, aindamostram alguma susceptibilidade em frutos, o que viabilizariaassim o controle químico da doença com este fungicida. Outro grupo de fungicidas que tem apresentado atividade contraa VB é o das estrobilurinas, com destaque para a azoxystrobina 22
  19. 19. Principais doenças do cacaueiro no Brasil(Oliveira, 2004b). Confirmando sua ação destacada no controlede doenças em outras culturas, a azoxystrobina, em dosagensrelativamente baixas, tem apresentado resultados satisfatóriostambém contra a VB, principalmente, no que se refere ao controleem almofadas florais e lançamentos foliares, a despeito de suamenor eficácia na redução de infecções em frutos, quandocomparada à do tebuconazole. Neste sentido, ao serem avaliadasdosagens variando de 200 a 700 g do produto comercial porhectare, observou-se redução significativa no número de infecçõesem almofadas florais, na ordem de 73% já à dosagem de 200 g /ha, embora este percentual tenha caído para 48% quando seconsiderou o percentual de frutos infectados (M. L. Oliveira, dadosnão publicados). 23
  20. 20. Oliveira e Luz24 Figura 1. Sintomas da vassoura-de-bruxa do cacaueiro causada por Crinipellis perniciosa: aspectos de duas áreas severamente afetadas pela doença (a, b), e alguns tipos de vassouras em lançamentos foliares (c, d).
  21. 21. Principais doenças do cacaueiro no Brasil25 Figura 2. Sintomas da vassoura-de-bruxa em almofadas florais: Vassouras vegetativas (a, b, c) e frutos partenocárpicos (morango) (b, c, d, e, f).
  22. 22. Oliveira e Luz26 Figura 3. Sintomas da vassoura-de-bruxa em frutos: frutos com amarelecimento precoce (a, b, d, e, g), deformados sem (c) e com a presença de lesões necróticas (d), apresentando lesões circundadas por halos amarelados (f, g), e quase totalmente necrosado (h).
  23. 23. Principais doenças do cacaueiro no Brasil27 Figura 4. Sintomas da vassoura-de-bruxa: amontoa de frutos infectados mostrando danos internos (a). Amêndoas mumificadas apresentando crescimento micelial do fungo (b). Fruto esporulado exibindo um grande número de basidiocarpos (cogumelos) (c). Sintomas em mudas: infecção da gema apical (d), proliferação de brotações laterais (vassouras) (e), e mudas ou ramos exibindo cancros característicos (f, g).
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  30. 30. Oliveira e Luz Capítulo III Podridão-parda Mesmo após o surgimento da vassoura-de-bruxa na regiãosul da Bahia, e a despeito das condições ambientaispermanecerem desfavoráveis por vários anos, a podridão-pardado cacaueiro ( Theobroma cacao L.) ainda apresentapotencialidades de assumir os mesmos níveis de importânciaeconômica registrados no passado, quando chegava a causarperdas estimadas entre 20 a 30 % da produção anual de cacauno Brasil (Medeiros et al., 1977). Etiologia Até 1979 o agente causal da podridão-parda do cacaueiro eraclassificado como Phytophthora palmivora (Butler) Butler. Desdeentão, a taxonomia de Phytophthora em cacau tem se modificadobastante. Três das quatro formas morfológicos (MF) de P.palmivora reconhecidas até então: MF1, MF3 e MF4, agora sãoconsideradas espécies distintas. A forma morfológica 1 (MF1) foireconhecida como P. palmivora ‘sensu Butler’. A MF3 foi descritacomo uma nova espécie, Phytophthora megakarya Brasier &Griffin, e a MF4 é agora considerada como Phytophthora capsiciLeonian. Phytophthora megakarya só ocorre na África, P.palmivora tem uma distribuição mundial e P. capsici foi relatadatanto nas Américas Central e do Sul (Brasier & Griffin, 1979),quanto em Camarões na África (Zentmyer et al., 1981). Em adiçãoa estas espécies, Phytophthora citrophthora (Smith & Smith) 34
  31. 31. Principais doenças do cacaueiro no BrasilLeonian foi também descrita causando podridão-parda docacaueiro no Brasil (Kellam & Zentmyer, 1981). Existem maisduas espécies: Phytophthora heveae Thompson causandopodridão em frutos na Malásia (Turner, 1968) e no México(Lozano-Trevino & Romero-Cova, 1974), e Phytophthoramegasperma Drechsler infectando frutos na Venezuela (Reyeset al., 1972). Das três espécies que causam a podridão-pardado cacaueiro, no Brasil, P. citrophthora é a mais virulenta seguidapor P. palmivora e P. capsici (Lawrence et al., 1990). O gêneroPhytophthora pertence à classe dos Oomicetos, ordem Pythialese família Pythiaceae. Hospedeiros As três espécies de Phytophthora que causam a podridão-parda do cacaueiro no Brasil possuem um amplo círculo dehospedeiros podendo infectar diversos cultivos de importânciaeconômica. Phytophthora palmivora é a espécie com círculo dehospedeiros mais amplo, compreendendo diversas famíliasbotânicas, possuindo a habilidade de infectar quase todas aspartes da planta, desde folhas, ramos, frutos, caule e raízes, oque faz dela um dos mais importantes patógenos de plantas nasregiões de climas mais quentes no mundo (Wood & Lass, 1985).Phytophthora palmivora já foi relatada atacando espéciespertencentes a 41 famílias de plantas (Chee, 1969, 1974), entreelas, muitas com importância econômica como: abacaxi, abacate,mamão, citros, feijão, noz-moscada, algodão, seringueira,pimenta-do-reino, coco, dendê, mamona, fumo, tomate, cebola,berinjela, pimentão, ervilha, além de plantas ornamentais e desombra. Phytophthora capsici , além de cacau pode atacarpimentão, tomate, berinjela, seringueira, pimenta-do-reino, eplantas da família das cucurbitáceas. Por sua vez, P. citrophthoraé um importante patógeno, principalmente, de citros e de algumasrosáceas de clima temperado (Luz et al., 1997). 35
  32. 32. Oliveira e Luz Sintomas Um dos primeiros sintomas da podridão-parda vistosaproximadamente 30 horas após a infecção, é o aparecimentode pequenas manchas na superfície dos frutos, sob condiçõesde alta umidade. As lesões desenvolvem-se rapidamente,escurecem assumindo a coloração castanha característica(Figura 1 a), podendo atingir toda a superfície do fruto entre 10 a14 dias (Figura 1 b). A infecção pode ocorrer em qualquer local dasuperfície do fruto e em qualquer fase do seu desenvolvimento(Figura 1 b). Em condições de alta umidade, entre três a cincodias após o aparecimento dos primeiros sintomas da doença,pode-se observar sobre as lesões o aparecimento de umcrescimento pulverulento branco formado pelo micélio eesporângios do fungo (Figura 1 a, b). Os sintomas mais avançadosda doença em frutos jovens (bilros), podem ser, muitas vezes,confundidos com os de peco fisiológico. No início da infecção,quando a lesão ainda não atingiu todo o fruto é possível a distinção,mas à medida que os sintomas evoluem culminando com anecrose completa dos frutos, tal tarefa torna-se quase impossívelde ser concretizada (Wood & Lass, 1985). Infecções de Phytophthora spp. podem também ocorrer emoutras partes da planta, sem, entretanto, causar danoseconômicos importantes. Em chupões e lançamentos foliaresnovos nota-se o aparecimento de lesões necróticas escurastanto no limbo foliar quanto na haste, ramos e pecíolos. Emfolhas novas, observa-se, adicionalmente, a necrose dasnervuras e seca das folhas. Em condições de viveiros, emsituações de alta umidade, tais sintomas são observados comfreqüência, além da murcha e seca das plântulas (Figura 1d,e). As três espécies de Phytophthora responsáveis pelapodridão-parda do cacaueiro, no Brasil, podem se manifestarcom diferentes níveis de virulência em frutos de cacau, sendoP. citrophthora a espécie mais virulenta, seguida por P.palmivora e P. capsici (Figura 1c). 36
  33. 33. Principais doenças do cacaueiro no Brasil Epidemiologia A podridão-parda é conhecida como uma doença de ocorrênciacíclica, observando-se com freqüência, dentro de uma mesmafazenda, diferenças em termos de incidência e severidade (áreas-foco). Este fato sugere uma relação estreita com fatoresmeteorológicos, com o micro-clima assumindo um papelimportante na ocorrência dos surtos da doença (Medeiros, 1977).Muitos autores têm tentado correlacionar o aparecimento deepidemias da podridão-parda com fatores meteorológicos (Dade,1927). No Brasil, Lellis (1952) notou que as maiores perdas naprodução de cacau eram registradas em meses mais frios doano, ficando estabelecida uma correlação negativa entre atemperatura e a incidência da doença. Miranda e Cruz (1953),por sua vez, encontraram correlação entre temperaturas baixas(20 ºC) e umidades relativas do ar acima de 85 % com oaparecimento da podridão-parda. Medeiros (1967), observou quea incidência da podridão-parda era diretamente proporcional aonúmero de frutos por planta e à ocorrência de chuvas. Rocha eMachado (1972) mostraram uma correlação negativa entre suaincidência e o déficit de pressão de vapor. Como fontes de inóculo para o início de surtos epidêmicos dapodridão-parda destacam-se propágulos que sobrevivem no solo,almofadas florais e casqueiros (Dakwa, 1974; Jackson &Newhook, 1978; Manço, 1974; Medeiros, 1974, 1977; Muller, 1974;Newhall et al., 1966a; Newhook & Jackson, 1977; Okaisabor, 1974;Onesirosan, 1971; Turner, 1965). Fontes adicionais incluemraízes, frutos mumificados, casca, folhas, chupões e cancros(Asomaning, 1964; Jackson & Newhook, 1978; Manço, 1966,1974; Medeiros, 1977; Newhall, 1967; Newhall & Diaz, 1966;Turner, 1960; Turner & Wharton, 1960). Em geral, o solo tem sidoconsiderado como principal reservatório de inóculo para início deepidemias da podridão-parda em muitos países (Grimaldi, 1957;Newhall et al., 1966b; Onesirosan, 1971; Thorold, 1955). No Brasil,papel igualmente importante tem sido atribuído, adicionalmente,aos casqueiros (Medeiros, 1977). 37
  34. 34. Oliveira e Luz Como um dos principais agentes de disseminação da doença,favorecendo igualmente sua infecção, destaca-se a chuva.Respingos de chuva têm sido implicados no início de surtosepidêmicos, ao transportar propágulos do solo para os frutospróximos ao chão. Chuva também pode lavar propágulos delesões esporuladas, carreando-os no sentido descendente. Outrosagentes de disseminação de menor importância incluem o vento,insetos e ratos. De acordo com Medeiros et al. (1969) o progresso de umaepidemia da podridão-parda, pode ser dividido em dois estágios:a disseminação horizontal e a vertical. A disseminação horizontalocorre, normalmente, no início do surto epidêmico, enquanto quea vertical é observada dois ou três meses depois, através doaumento no número de frutos infectados por planta, tanto nosentido ascendente quanto descendente. Para que a epidemiaalcance seu pico máximo, são requeridos normalmente de três acinco meses. Controle As estratégias de controle para a podridão-parda baseiam-se,principalmente, na adoção de medidas profiláticas, envolvendo ouso de fungicidas protetores, principalmente, os à base de cobre,além do emprego de práticas culturais como: remoção de frutosinfectados, colheitas freqüentes, eliminação de casqueiros, alémda redução no sombreamento, poda e drenagem do solo,visando tornar o ambiente desfavorável à doença (Medeiros,1965, 1974, 1977). No Brasil, as primeiras tentativas de controle químico dapodridão-parda tiveram início nos anos 50 (Cruz & Paiva, 1956).Desde então, fungicidas à base de cobre vêm sendo utilizadosde forma bem sucedida, embora existam relatos de usoinsatisfatórios em outros países, onde muitas vezes, sãorequeridas até doze aplicações, ao ano, para se ter um controleadequado (Wood & Lass, 1985). 38
  35. 35. Principais doenças do cacaueiro no Brasil O surgimento de produtos sistêmicos com atividade contraoomicetos modificou bastante os conceitos quanto ao controlequímico de doenças causadas por espécies de Phytophthora.Entre os fungicidas de maior destaque estão o metalaxyl e ophosetyl-Al, empregados com sucesso no controle de um grandenúmero de doenças causadas por espécies de Phytophthora.Ambos têm proporcionado excelente controle de patógenosfoliares e de solo (Anderson & Buzzell, 1982; Bruck et al., 1980;Clergeau & Beyries, 1977; Cohen et al., 1979; Davis, 1981, 1982;Easton & Nagle, 1985; Falloon et al, 1985), não obstante ometalaxyl ser o de maior destaque, controlando um número maiorde espécies em uma gama de hospedeiros bem mais ampla.Excelente eficácia do metalaxyl foi obtida por Oliveira e Menge(1995, 1998) na inibição da produção e da esporulação de algumasestruturas do ciclo de vida das três espécies de Phytophthoraque causam a podridão-parda do cacaueiro. No Brasil, entretanto,existem poucas tentativas experimentais visando comprovar suaeficácia sob condições de campo (Pereira, 1988; Oliveira &Almeida 1999). Oliveira e Almeida (1999) avaliando umaformulação granulada do produto, em condições de campo,objetivando principalmente o controle da doença pela redução doinóculo do solo, encontraram que o metalaxyl aplicado duas vezesao ano, em dosagens relativamente baixas, foi tão eficiente quantoa recomendação tradicional de três a quatro pulverizações anuaiscom produtos à base de cobre. Resistência genética seria outra importante alternativa decontrole para a podridão-parda, não fossem as dificuldadesencontradas na seleção de materiais resistentes pela existênciade mais de uma espécie de Phytophthora causando a doença noBrasil. Entre 82 genótipos testados na Bahia, por exemplo, apenasas cultivares PA 30 e PA 150 apresentaram resistência a P.palmivora , P. capsici e P. citrophthora , ao mesmo tempo.Dezenove outros materiais mostraram resistência ora a uma ouduas espécies, mas não às três, podendo ainda assim serutilizados em programas de melhoramento genético visandoresistência às doenças do cacaueiro ( Luz et al., 1996; 1997). 39
  36. 36. Oliveira e Luz40 Figura 1. Sintomas típicos da podridão-parda do cacaueiro: frutos com lesões arredondadas, com bordos bem definidos, e sem a presença de halos amarelados como no caso da vassoura-de- bruxa (a, b c), frutos inoculados artificialmente com Phytophthora citrophthora, P. palmivora e P. capsici, respectivamente (c), e mudas de cacau com sintomas da doença (d, e).
  37. 37. Principais doenças do cacaueiro no BrasilReferências BibliográficasANDERSON, T. R.; BUZZELL, R. I. 1982. Efficacy of metalaxyl in controlling phytophthora root rot and stalk rot of soybean cultivars differing in field tolerance. Plant Disease 66: 1144- 1145.ASOMANING, E. J. A. 1964. Black pod disease. Root infection of cocoa by P. palmivora Butl. Studies on varietal resistance. In Ghana, Cocoa Research Institute. Report 1962-1963, pp. 23-25.BRASIER, C. M.; GRIFFIN, M. J. 1979. Taxonomy of Phytophthora palmivora on cocoa. Transactions of the British Mycological Society 72:111-143.BRUCK, R. I.; FRY, W. E.; APPLE, A. E. 1980. Effect of metalaxyl, an acylalanine fungicide, on developmental stages of Phytophthora infestans. Phytopathology 70:597-601.CHEE, K. H. 1969. Hosts of Phytophthora palmivora. Review of Applied Mycology 48: 337-344.CHEE, K. H. 1974. Hosts of Phytophthora palmivora. In P. H. Gregory ed. Phytophthora diseases of cocoa. London, Longman Group Limited. pp. 71-81.CLERGEAU, M.; BEYRIES, A. 1977. Etude comparee de l’action preventive et du pouvoir systemic de quelques fungicides nouveaux (phosphite, proteocarb, pyroxiclore) sur pivron vis- a-vis de P. capsici (Leon.) Leonian. Phytatr. Phytopharm. 26:73-83.COHEN, Y.; REUVENI, M.; EYAL, H. 1979. The systemic antifungal activity of Ridomil against Phytophthora infestans on tomato plants. Phytopathology 69:645-649.CRUZ, H. M.; PAIVA, E. M. 1956. A campanha de combate as pragas e doenças do cacaueiro na Bahia. In Reunião do Comitê Técnico Interamericano de Cacau, 6, Salvador, Ba, Brasil. ICB. pp. 277-290.DADE, H. A. 1927. Economic significance of cacao pod disease and factors determining their incidence and control. Bulletin of Department Agriculture n0 6. 41
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  39. 39. Principais doenças do cacaueiro no Brasil V.; BRAGA, M. C. T. ; BRUGNEROTTO, M. I. B. 1996. Selection of cacao genotypes resistant to Phytophthora capsici, P. palmivora and P. citrophthora in Bahia, Brazil. Fitopatologia Brasileira 21: 71-79.LUZ, E. D. M. N.; BEZERRA, J. L.; RESENDE, M. L. V.; OLIVEIRA, M. L. 1997. Cacau – controle de doenças. In Vale, F. X. R. & Zambolim, L. eds. Controle de Doenças de Plantas - Grandes Culturas Vol. II. Viçosa, MG, UFV. pp. 611-649.MANÇO, G. R. 1966. Phytophthora palmivora in flower cushions, old infected pods and leaves of cacao plants. Turrialba (Costa Rica) 16: 148 -155.MANÇO, G. R. 1974. Blight of shoots, chupons, cuttings, grafts and seedlings. In Gregory, P. H. ed. Phytophthora disease of cocoa. London, Longman. pp. 149-152.MEDEIROS, A. G. 1965. Combate à podridão-parda. Cacau Atualidades (Brasil) 2: 3 - 4.MEDEIROS, A. G. 1967. Evolução da podridão-parda nos cacaueiros. In Ilhéus, CEPLAC/CEPEC. Informe Técnico. pp. 39-40.MEDEIROS, A. G. 1974. Novos conceitos sobre a podridão parda do cacau. Cacau Atualidades (Brasil) 11: 20-26.MEDEIROS, A. G. 1977. Sporulation of Phytophthora palmivora (Butl.) Butl. in relation to epidemiology and chemical control of cacao black pod disease. Itabuna, CEPLAC, Publicação Especial, n.o 1. 220p.MEDEIROS, A. G.; BEZERRA, C. S.; MANDARINO, E. P. 1977. Considerações práticas sobre o controle químico da podridão-parda. Ilhéus, CEPLAC/CEPEC. Extensão Rural. Série Cacau n.o 1. 20 pp.MEDEIROS, A. G.; MELO, J. W.; SANTANA, J. B. 1969. Incidência e disseminação da podridão parda em cacaueiros na Bahia. In Ilhéus, CEPLAC/CEPEC. Informe Técnico. pp. 68-69.MIRANDA, S.; CRUZ, H. M. 1953. Fighting Brown pod disease in Bahia. In Cocoa Conference of the Cocoa Chocolate and Producers Alliance, Ltd, London. pp. 120 -122.MULLER, R. A. 1974. Effect of prophylactic measures on the 43
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  42. 42. Oliveira e Luz Capítulo IV Murcha-de-Verticillium A doença conhecida como morte súbita do cacaueiropermaneceu com sua etiologia desconhecida, no Brasil, até adécada de 80. Foi registrada pela primeira vez em 1938, emboraexistissem indicações da sua ocorrência desde 1929 (Silva, 1938).Silva (1950) no sentido de estabelecer possíveis causas para adoença associou-a a problemas fisiológicos relacionados a fatoresde solo e sombreamento, além da ação do fungo Diplodia theobromaeDowel. Por outro lado, Manço e Medeiros (1969), com base naobservação de que a planta regenerava-se quando recepadaadmitiram uma causa não patológica para ela. A doença tambémocorre em outros países produtores de cacau como Ilhas de SãoTomé e Príncipe, Gabão, Sri Lanka e Uganda (Chalot & Luc, 1906;Kaden, 1933; Leakey, 1965; Matovu, 1973; Navel, 1921; Park, 1933,1934). Em Uganda, estudos etiológicos comprovaram que o fungoVerticillium dahliae Kleb era o agente causal da doença (Emechebeet al., 1971) . Segundo os autores, V. dahliae seguido por Armillariamellea (Vahl.) Pat., Phytophthora palmivora (Butl.). Butl. e Albonectriarigidiuscula (B. & Br.) Rossman & Samuels (sinônimo: Calonectriarigidiuscula (B. & Br.) Sacc.), constituíam-se no principal problemafitopatológico da cultura do cacau naquele país. No Brasil, o fungo V. dahliae foi isolado pela primeira vez decacaueiros procedentes do município de Linhares (ES)apresentando sintomas característicos da morte súbita (Oliveira,1980a, 1983), sendo logo em seguida também encontrado emdiversos municípios da região cacaueira da Bahia (Oliveira,1980b). Recentemente a doença foi constatada também naColômbia (Granada, 1989). 46
  43. 43. Principais doenças do cacaueiro no Brasil Etiologia A murcha-de-Verticillium é causada por V. dahliae Kleb., fungopertencente aos fungos anamórficos, ordem Moniliales e famíliaMoniliaceae. O fungo produz conídios hialinos, unicelulares, ovaisa oblongos sobre conidióforos verticilados. O que distingue estaespécie de outra igualmente importante, V. albo-atrum Reinke &Berth., é a produção de estruturas de resistência características,os microesclerócios (Figura 1f). Uma característica das doençasvasculares, causadas por fungos, é que o patógeno permaneceno interior dos vasos do xilema até o final do processo depatogênese, passando então a produzir estruturas de resistênciaque vão permitir a sua sobrevivência tanto em restos de culturaquanto no solo, por vários anos. (Pegg, 1981). Hospedeiros O círculo de hospedeiros de V. dahliae é bastante amplo(Ebbels, 1976; Pegg, 1974), podendo incluir tanto plantas lenhosasquanto herbáceas, cultivadas ou não. No Brasil, segundo Galli etal. (1980), ele é mais predominante nas culturas de algodão,quiabo, berinjela, jiló e tomate. Sintomas Os sintomas da doença iniciam, geralmente, com a murcha eamarelecimento das folhas, as quais sem perda aparente daturgidez pendem-se, verticalmente, começando a secar e enrolar,continuando, entretanto, aderidas à planta, mesmo após sua morte(Figura 1a). Algumas vezes, as plantas infectadas sequer chegama apresentar sintomas de amarelecimento, passando diretamentedo estágio de murcha para seca completa e repentina da folhagem.Outras vezes, os sintomas manifestam-se de forma unilateralem função do nível de obstrução vascular, na forma depontuações, observadas nas partes lenhosas do tronco, galhose ramos. Em tais casos, apenas um ou outro galho pode secar, 47
  44. 44. Oliveira e Luzpermanecendo o restante da planta, aparentemente, sadia. Damesma forma, folhas também podem apresentar áreas cloróticaslocalizadas, as quais evoluem para necrose e queima de bordos,principalmente, em plântulas inoculadas em casa-de-vegetação.Na maioria das vezes, plantas completamente secas eaparentemente mortas, são capazes de regenerar quandorecepadas, observando-se freqüentemente a emissão debrotações na base ou até em partes superiores do caule, adepender do nível de obstrução vascular, já que aparentemente osistema radicular permanece sadio e desempenhando,normalmente, suas funções. Contudo, tais brotações nãoconseguem sobreviver por muito tempo, ocasião em que inclusivea maioria dos vasos lenhosos das partes inferiores do caule e dosistema radicular, encontra-se também obstruída. O sintoma devalor diagnóstico para a murcha-de-Verticillium do cacaueiro, àsemelhança do observado em outros hospedeiros, é adescoloração dos vasos do xilema que se manifesta na forma depontuações de coloração castanho a negro em secçõestransversais (Figura 1b), e listras descontínuas, em secçõeslongitudinais (Figura 1c). Através do exame de secçõeshistológicas, longitudinais (Figura 1d) e transversais (Figura 1e),pode-se observar que o escurecimento e a obstrução dos vasosdo xilema se dá em decorrência da presença de tiloses ou calos,depósito de goma, ou ainda, pela própria necrose das paredesdos vasos do xilema (Figura 1d, e). Epidemiologia Dentre as mais importantes doenças de plantas cultivadas,incluindo ornamentais, em todo o mundo, encontram-se aquelascausadas por espécies do gênero Verticillium, entre elas: V. albo-atrum Reinke & Berth. e V. dahliae são as que causam maioresprejuízos. Ambas possuem ampla distribuição mundial, ocorrendotanto em regiões temperadas quanto tropicais (Pegg, 1974), sendoque V. dahliae é a espécie mais amplamente envolvida comopatógeno em todo o mundo. 48
  45. 45. Principais doenças do cacaueiro no Brasil No Brasil, conquanto não tenham sido realizados estudosepidemiológicos nem levantamentos exaustivos, a murcha-de-Verticillium foi encontrada no município de Linhares, ES (Oliveira,1980 a), e em diversos municípios da região cacaueira da Bahia(Oliveira, 1980b). Até o final dos anos 80, antes do surgimento davassoura-de-bruxa, que quase dizimou a cultura do cacau daregião sul da Bahia, a murcha-de-Verticillium chegou a atingiralguma importância econômica, principalmente, nos municípioslocalizados em áreas de transição, sujeitas a períodos secosprolongados. Aparentemente, o déficit hídrico observado em taisregiões contribui para apressar o processo de morte das plantas,uma vez que em função da obstrução ter atingido a maior partedos vasos do xilema e à medida que tais plantas estão sujeitas auma maior transpiração, a quantidade de água absorvida e quechega à parte aérea é insuficiente para manter a turgidez dasfolhas, por isso se observa a murcha e seca repentina dafolhagem, sem que a mesma chegue sequer a exibir sintomasde amarelecimento. Argumentação semelhante seria tambémapropriada para o efeito do sombreamento na incidência dadoença, uma vez que sombreamento deficitário exporia aindamais as plantas ao sol, aumentando assim o stress hídrico.Observações semelhantes foram também efetuadas em Uganda,na África (Trochmé, 1972). Em função da capacidade do fungo de produzir estruturas deresistência, os microesclerócios, os quais permitem suasobrevivência no solo e em restos vegetais, por vários anos, tem-se observado com freqüência, a morte de plantas entre um e trêsanos de idade, principalmente em áreas-foco replantadas comcacau (Oliveira, 1982a). Controle Ainda não existem recomendações, completamente eficientese/ou econômicas, para o controle bem sucedido da murcha-de-Verticillium do cacaueiro, não obstante terem sido identificadasalgumas fontes de resistência entre os materiais genéticos 49
  46. 46. Oliveira e Luzpertencentes ao banco de germoplasma do CEPEC, como é ocaso do clone Pound 7 (Braga & Silva, 1989). De acordo comCooper et al. (1995), em alguns casos pode-se observar arecuperação de plantas doentes, principalmente naquelasapresentando sintomas de desfolha precoce, através dodesenvolvimento de gemas axilares nos ramos principais, e quetais sintomas são uma indicação da resistência do materialgenético. Da mesma forma, foi constatada a eficácia dos fungicidas dogrupo dos benzimidazóis no controle da doença, embora aimplementação de medidas baseadas na sua utilização sofrarestrições principalmente em função dos custos elevados(Oliveira, 1982a, b, c; 1984). Como não existem outras estratégias de controle, algumasmedidas baseadas no bom senso seriam úteis no manejoadequado da doença, visando diminuir principalmente suaincidência e disseminação. Assim, plantas mortas, incluindo seusistema radicular, bem como quaisquer materiais de cacaueliminados, devem ser queimados. Adubação rica em potássio,que normalmente contribui para o aumento na resistência àsdoenças vasculares (Shnathorst, 1981), e a recomposição dosombreamento em áreas deficitárias, são procedimentos quepoderiam melhorar o manejo da doença e prolongar a vida útildas plantas. 50
  47. 47. Principais doenças do cacaueiro no BrasilFigura 1. Sintomas da murcha-de-Verticillium do cacaueiro: amarelecimento e seca da folhagem permanecendo aderida à planta mesmo após a sua morte (a), descoloração vascular na forma de pontuações e listras descontínuas em cortes transversais (b) e longitudinais (c), e secções histológicas longitudinais (d) e transversais (e) mostrando a obstrução dos vasos do xilema. Microesclerócios produzidos pelo fungo (f). 51
  48. 48. Oliveira e LuzReferências BibliográficasBRAGA, M. C. T.; SILVA, S. D. V. M. 1989. Resistência do cacaueiro (Theobroma cacao L.) a Verticillium dahliae Kleb. Agrotrópica (Brasil) 1:116-121.CHALOT, C. H.; LUC, M. 1906. Maladies. In Chalot et Luc, Le cacaoyer au, Congo Francais. Paris, Bhallamel. Bibliotheque D’agriculture Coloniale. 40p.COOPER, R. M.; FLOOD, J.; ROWAN, M. G.; RESENDE, M. L. V.; BEALE, M. H. 1995. The role of tannins and phytoalexins in the resistance of cocoa ( Theobroma cacao L.) to Verticillium dahliae. Aspects Applied Biology 42: 315-322.EBBELS, D. L. 1976. Diseases of upland cotton in Africa. Review of Plant Pathology 55: 747-763.EMECHEBE, A. M.; LEAKEY, C. L. A.; BANAGE, W. B. 1971. Verticillium wilt of cacao in Uganda: symptoms and establishment of pathogenicity. Annals of Applied Biology 69:223-227.GALLI, F.; TOKASHI, H.; CARVALHO, P. C. T.; BALMER, E.; KIMATI, H.; CARDOSO, C. O. N.; SALGADO, C. L. 1980. Manual de Fitopatologia. Doença das plantas cultivadas. 2°ed. vol. 2. São Paulo, Editora Agronômica Ceres. 587p.GRANADA, G. G. 1989. Marchitez del cacao por Verticillium dahliae. El Cacaotero Colombiano 12:1728.KADEN, O. F. 1933. UntersuchuNgserge bnisse uber nicht parasitare kakaokrankheiten in San Tome und Principe. Tropenpflanzer 36 (8): 321-340.LEAKEY, C. L. A. 1965. Sudden death disease of cacao in Uganda associated with Verticillium dahliae Kleb. East African Agricultural and Forestry Journal 31:21-24.MANÇO, C. R.; MEDEIROS, A. G. 1969. Considerações sobre a morte súbita do cacaueiro na Bahia. In Conferência Internacional de Pesquisas em Cacau, 2, 1967. Salvador e Itabuna. Memórias. Ilhéus, CEPLAC. pp. 237-240. 52
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  51. 51. Principais doenças do cacaueiro no Brasil Capítulo V Murcha-de-Ceratocystis A murcha-de-Ceratocystis do cacaueiro, também conhecidacomo mal-do-facão, foi descrita pela primeira vez no Equadorem 1918 (Delgado & Echondi, 1965), e posteriormente, em outrospaíses das Américas do Sul (Colômbia, Equador, Peru eVenezuela) e Central (Costa Rica, Guatemala, México, RepúblicaDominicana, Trinidad e Haiti) (Thorold, 1975). No Brasil, foiencontrada pela primeira vez em Rondônia (Bastos & Evans,1978), e mais recentemente, na região sul da Bahia (Bezerra etal., 1998). É possível até que a doença estivesse presente, deforma esporádica na região, já por alguns anos, só começandorealmente a apresentar alguma importância econômica com oplantio de alguns novos materiais genéticos, a partir de 1995, quea despeito de apresentarem resistência à vassoura-de-bruxa,mostraram-se bastante susceptíveis à murcha-de-Ceratocystis,como foi o caso da variedade Theobahia. Etiologia A murcha-de-Ceratocystis é causada pelo fungo Ceratocystisfimbriata Ell. & Halst., pertencente à classe dos Ascomycetos,subclasse Plectomycetidae, ordem Microascales e famíliaOphiostomataceae. O fungo produz peritécios superficiais,parcial- ou completamente imersos no substrato, globosos, compescoços longos e fimbriados, e com coloração castanha a preto.Os ascósporos são elipsóides, hialinos, possuindo uma espéciede bainha gelatinosa, o que lhes dá uma aparência de chapéu. 55
  52. 52. Oliveira e LuzSão produzidos em ascas evanescentes, cujas paredesdissolvem-se facilmente, e então liberados através do ostíolo emuma substância gelatinosa. Na fase assexuada são produzidosdois tipos de esporos: os conídios hialinos, cilíndricos,catenulados, e os clamidósporos terminais, também em cadeias,obovatos a ovais, com paredes espessas e coloração castanha(Morgan-Jones, 1967; Thorold, 1975; Lawrence et al., 1991b). Hospedeiros O fungo tem uma distribuição mundial sobre uma variedadede hospedeiros, afetando mais de 50 famílias de angiospermas,sendo particularmente mais freqüente em coco, café, seringueira,batata doce, manga e cacau. Outros hospedeiros incluem cássia,crotalária e mamona (Morgan-Jones, 1967; MacFarlene, 1968). Sintomas Os sintomas da doença, na parte aérea, são caracterizadospor murcha, amarelecimento e seca de galhos, ou da planta toda,a depender do local de infecção (Figura 1a, b, c). As folhas perdema turgidez, pendendo verticalmente, enrolando, secando,permanecendo aderidas aos ramos por algumas semanas,mesmo após a morte aparente da planta (Figura 1c). Quando seinspeciona os tecidos lenhosos, nota-se, facilmente, a presençade lesões necróticas deprimidas ou cancros, resultantes dapenetração do fungo, principalmente, através de ferimentosdeixados durante as práticas de poda, limpeza do solo, desbrota,colheita de frutos, estendendo-se desde a região próxima ao coletoaté as bifurcações dos galhos (forquilha). Tais lesões iniciam apartir do ponto de penetração do fungo, assumindo normalmenteuma coloração escura, de onde se pode observar, algumas vezes,a exsudação de um líquido escuro (Figuras 1d, e, f, g, h; 2a, b, c).Sobre o lenho, a lesão apresenta-se com coloração castanha 56
  53. 53. Principais doenças do cacaueiro no Brasilavermelhada, a púrpura, estendendo-se para cima e para baixoem torno do ponto de infecção e diminuindo em intensidade, emdireção aos tecidos sadios (Figura 1g, h; 2c) (Hardy, 1961).Variações na coloração, tais como a presença de estrias, podemser observadas, provavelmente, em função da participação deoutros fungos como invasores secundários (Iton & Conway, 1961;Thorold, 1975). A associação dos sintomas da murcha-de-Ceratocystis com a presença de insetos dos gêneros Xyleboruse Xylosandrus, é freqüente. Tais insetos perfuram os tecidosinfectados, abrindo galerias e liberando, pelos orifícios,fragmentos de madeira, pó-de-serra, juntamente com propágulosdo fungo, contribuindo assim, indiretamente, para adisseminação da doença (Iton, 1961). O inseto pode tambémdisseminá-la de forma direta, transportando externamente,aderidos ao corpo, e internamente, no trato alimentar, propágulosdo fungo (Thorold, 1975). Na região cacaueira da Bahia, a doençapassou a assumir importância econômica, com o plantio e aenxertia com materiais genéticos, que embora resistentes àvassoura-de-bruxa, apresentavam elevada susceptibilidade àmurcha-de-Ceratocystis, favorecida por freqüentes podas deformação e principalmente pela prática da enxertia que por si sójá facilitava tanto a penetração quanto a disseminação do fungo(Figura 2d, e, f). Epidemiologia A produção de esporos pelo fungo se dá, principalmente, dentrodos tecidos da planta, especialmente, em galerias abertas porespécies do gênero Xyleborus. Tais esporos são liberados noambiente juntamente com pó-de-serra, e são disseminados, tantopelo vento, quanto pelos próprios insetos, ficando assim evidenteo papel destes não só na disseminação indireta quanto direta dofungo (Thorold, 1975; Wood & Lass, 1985). É possível, segundoIton (1966), que outros insetos, ácaros e até nematóides estejamtambém envolvidos na disseminação do patógeno. 57
  54. 54. Oliveira e Luz Ceratocystis fimbriata possui distribuição mundial, estandoassociado a uma ampla diversidade de condições ambientais.Existem indicações de que alguns estresses ambientais podempredispor a planta ao ataque do fungo. Na Colômbia, Equador eTrinidad, incidências sérias da murcha-de-Ceratocystis foramassociadas a condições de seca, enquanto que na Venezuela eCosta Rica a doença foi mais prevalente após períodos chuvosos(Thorold, 1975), não obstante, na Venezuela, segundo Reyes(1978), estar mais localizada em áreas mais secas e de baixaumidade. Parece bastante provável, portanto, que tais fatoresambientais podem, na verdade, estar debilitando as plantas efavorecendo a infecção do fungo (Saunders, 1964). Com relaçãoà altitude, têm sido também observadas algumas variações,podendo a doença estar associada tanto a altitudes variando de500 a 1200 metros, quanto a condições de baixas elevações. Deacordo com Saunders (1964) condições adversas aodesenvolvimento da planta, são favoráveis ao estabelecimento edesenvolvimento do fungo. Controle Diversas estratégias, envolvendo práticas culturais, manejoadequado com o objetivo de reduzir fontes de inóculo responsáveispela disseminação da doença e sobrevivência do inseto, controlequímico tanto do inseto quanto do fungo, além de resistênciagenética, têm sido utilizadas, embora nem sempre de forma bemsucedida, visando o controle da murcha-de-Ceratocystis.Aparentemente, nem o controle químico do inseto ou do fungo, enem a destruição de restos infectados tem sido inteiramentesatisfatórios (Thorold, 1975; Wood & Lass, 1985). Embora algunsautores (Wood & Lass, 1985) chamem a atenção para o fato deque a remoção e queima de materiais infectados podem provocarperturbações tanto no inseto quanto no inóculo, contribuindo paraa maior disseminação da doença, outros acreditam, ainda assim,que tal prática é recomendável já que contribui para a diminuição 58
  55. 55. Principais doenças do cacaueiro no Brasildo nível de inóculo e da população de insetos na área (Iton, 1966).Assim inspeções freqüentes com a finalidade de detectar eeliminar novos casos de plantas mortas ou doentes são bastantedesejáveis para se evitar a disseminação da doença. Uma das recomendações mais úteis na prevenção dadisseminação da doença é, sem sombra de dúvidas, os cuidadosadotados no sentido de minimizar danos mecânicos durante,principalmente, as práticas de poda e colheita (Thorold, 1975;Wood & Lass, 1985). A esterilização das ferramentas com umasolução de hipoclorito de sódio a 1% por ocasião de tais práticas;a remoção cirúrgica de tecidos infectados, e a proteção dostecidos expostas com uma pasta fungicida podem apresentaralgum sucesso no controle e na disseminação da doença (Thorold,1975; Reyes, 1978; Wood & Lass, 1985). Conquanto os resultados obtidos com fungicidas de contatosejam pouco alentadores, alguns sistêmicos têm mostrado-sebastante promissores no controle da murcha-de-Ceratocystis. NoEquador, a utilização de tiofanato metílico no solo, antes dainoculação de plântulas, proporcionou redução na incidência daenfermidade. Na Venezuela resultados semelhantes foram obtidostanto com o fungicida tiofanato metílico, quanto com o benomil(Reyes, 1978). Uma das melhores opções de controle da murcha-de-Ceratocystis é sem sombra de dúvidas a utilização da resistênciagenética. Os trabalhos de Delgado e Echandi (1965) mostraramque os materiais genéticos IMC 67, Pound 12 e SPA 9 eramaltamente resistentes à doença na Costa Rica. Na Colômbia, porsua vez, o ICS 6, TSA 654 e ICS 95, foram aqueles queapresentaram maiores níveis de resistência à doença(Barros,1981). Na Venezuela, Reyes (1981) encontrou que oscultivares mais resistentes eram progênies de IMC 67. No Brasil,entretanto, ainda não se têm informações do comportamento detais materiais genéticos em relação à murcha-de-Ceratocystis,embora trabalhos visando a seleção de materiais resistentesencontrem-se em andamento. 59
  56. 56. Oliveira e Luz60 Figura 1. Sintomas da murcha-de-Ceratocystis em cacau: planta nova (a) e enxerto (b) exibido sintoma de murcha e amarelecimento da folhagem, evoluindo para seca rápida e generalizada, com folhas aderidas à planta (c), e cancros e lesões necróticas no caule iniciadas normalmente a partir de ferimentos na casca (d, e, f), atingindo normalmente grandes extensões do lenho (g, h). (Fotos com a autorização e cortesia do Dr. Asha Ram).
  57. 57. Principais doenças do cacaueiro no BrasilFigura 2. Sintomas externos (a, b, f) e internos (c) da murcha-de- Ceratocystis no caule do cacaueiro: sintomas iniciados, normalmente, através de ferimentos durante a poda, colheita (a, b, c), e clonagem com materiais resistentes à vassoura-de-bruxa, observa-se também plantas com enxertos ainda vivos (d, e), e outros já mortos (f). (Fotos com a autorização e cortesia do Dr. Asha Ram). 61
  58. 58. Oliveira e LuzReferências BibliográficasBARROS, N. O. 1981. Cacao. Manual de Asistencia Técnica nº 23. Instituto Colombiano Agropecuario, Bogotá. 286 p.BASTOS, C. N.; EVANS, H. C. 1978. Ocorrência de Ceratocystis fimbriata Ell. & Halst. na região Amazônica brasileira. Acta Amazônica 8 (4): 543-544.BEZERRA, J. L.; ALMEIDA, O. C.; LUZ, E. D. M. N.; SILVA, S. D. V. M. 1998. Ocorrência de Ceratocystis fimbriata em clones de cacau no Estado da Bahia. Fitopatologia Brasileira 25 (Suplemento). p. 365.DELGADO, U.; ECHANDI, E. 1965. Evaluación de la resistencia de especies y clones de cacao al mal del machete provocado por Ceratocystis fimbriata. Turrialba (Costa Rica)15: 286-289.HARDY, F. 1961. Enfermedades fungosas del cacao y su controle. In Manual de Cacao. Turrialba, Costa Rica, IICA. pp 253-286.ITON, E. F. 1961. Studies on a wilt disease of cacao at River Estate. II. Some aspects of wilt transmission. Report. Cacao Research 1959-60, pp. 47-58. Imperial College.ITON, E. F. 1966. Ceratocystis wilt. Ann. Rep. Cacao Research 1965. St. Augustine, Trinidad. Regional Research Center, Imperial College of Tropical Agriculture, University of West Indies. pp. 44-50.ITON, E. F.; CONWAY, G. R. 1961. Studies on a wilt disease of cacao at River State. III. Some aspects of the biology and habits of Xyleborus spp. and their relation to disease transmission. St. Augustine, Trinidad. Imperial College of Tropical Agriculture. Report Cacao Research 1959-1960. pp. 59-65.LAWRENCE, J. S.; CAMPÊLO, A. M. F. L.; FIGUEIREDO, J. M. 1991. Enfermidades do cacaueiro. III – Doenças fúngicas vasculares e radiculares. Agrotrópica (Brasil) 3(2): 65-73.MACFARLANE, H. H. 1968. Review of Applied Mycology. Compiled from world literature on plant pathology. Plant host-pathogen 62
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  60. 60. Oliveira e Luz Capítulo VI Doenças de raízes O incentivo à renovação de cacauais decadentes e à expansãoda cacauicultura recomendados pela CEPLAC a partir da décadade 70, contribuíram para que as doenças de raízes passassema assumir maior importância econômica. Tais doenças podemser causadas por diversos patógenos e sua importânciaeconômica varia de país para país. Entre as doenças radicularesde maior importância estão aquelas conhecidas como: podridão-negra, vermelha, castanha e branca, causadas,respectivamente, por Rosellinia spp., Ganoderma philippii (Bres.& Henn.) Bres., Phellinus noxius (Corner) Cunn. e Rigidoporuslignosus (Klotzsch) Imazeki. Entre outros patógenos de destaqueestão Armillariella mellea (Vahl. ex Fr.) Karst. e Ustulina deusta(Hoffm., ex Fr.) Lind. Como fontes de inóculo responsáveis peloinício de surtos epidêmicos das doenças radiculares docacaueiro destacam-se tocos remanescentes durante a limpezaou o raleamento da mata para a implantação da cultura. No Brasil, nem todas as doenças mencionadas foramidentificadas, apenas as duas primeiras têm assumido algumaimportância econômica. A podridão-vermelha tem sidoencontrada com maior freqüência em cacaueiros jovens de atéseis anos de idade (Oliveira, 1993), enquanto que a podridão-negra, pode ocasionar a morte de plantas em qualquer fase doseu desenvolvimento (Oliveira, 1992b). Existe um outro tipo depodridão de raiz associada ao fungo Mycoleptodiscus terrestris(Gerd.) Ostazeski, cuja etiologia ainda necessita ser melhorinvestigada e definida (Ram, 1979). 64
  61. 61. Principais doenças do cacaueiro no Brasil 1. Podridão-negra A podridão-negra é uma doença comum em plantas lenhosastropicais e subtropicais, causadas por algumas espécies deRosellinia, embora no Brasil só tenham sido encontradas duasespécies em cacau: R. pepo Pat. e R. bunodes (Berk. et Br.)Sacc. (Oliveira, 1992a). De acordo com Waterston (1941), R.bunodes é a espécie com distribuição geográfica maisgeneralizada, ocorrendo na América, África, Índia, Indonésia (Javae Sumatra), Filipinas, Sri Lanka, Malásia e Papua-Nova Guiné. NoBrasil, entretanto, a primeira espécie é a que tem manifestado-secom maior prevalência. A doença pode causar maiores danoseconômicos em plantas lenhosas, principalmente, em terrenosrecém-desmatados. Etiologia A nível mundial, a doença pode ser causada por três espéciesde Rosellinia: R. pepo Pat., R. bunodes (Berk. et Br.) Sacc. e R.paraguayensis Starb. (Briton-Jones, 1934). No Brasil, entretanto,apenas as duas primeiras foram identificadas. Os anamorfos de R.pepo e R. bunodes são referidos na literatura como Dematophorasp. (Figura 2 b) e Graphium sp. (Booth & Holliday, 1972; Briton-Jones,1934; Brooks, 1953; Nowell, 1923). O gênero pertence à classedos Pyrenomicetos, ordem Sphaeriales e família Xylariaceae. Hospedeiros A doença além de apresentar importância econômica emcacau, pode também assumir algum destaque nas culturas docafé, seringueira, citros, abacate, banana, guandu, cânfora,mandioca, crotalária, gengibre, fruta-pão, inhame japonês, noz-moscada, taioba (Xanthosoma sp.), pimenta-do-reino, chá, entreoutras (Holliday, 1980; Kranz et al., 1978; Thorold, 1975). Na região cacaueira da Bahia, o fungo R. pepo foi tambémassinalado em eritrina (Erythrina spp.) (Oliveira & Lellis, 1985; 65

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