KIT DIVERSIDADE:A EXPERIÊNCIA DE GUARACIABA NA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS    PARA O AUTOCONSUMO                         1
KIT DIVERSIDADE: ALIMENTAÇÃO PARA O AUTOCONSUMO EM GUARACIABA– SC.                                                        ...
KIT DIVERSIDADE: ALIMENTAÇÃO PARA O AUTOCONSUMO EM GUARACIABA- SC.      1. Antecedentes        A partir do desenvolvimento...
3. Associação de Desenvolvimento da Microbacia        A idéia do Kit Diversidade surgiu a partir da constituição da Associ...
4. Objetivos do Kit de Diversidade        O objetivo principal do Kit Diversidade é a produção de alimentos para o autocon...
5. A agrobiodiversidade e a diversidade do Kit de Guaraciaba        A agrobiodiversidade é definida como as diferentes for...
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visto que em cada situação devem sempre se considerar a diversidade de fatores existentes nascomunidades locais e suas car...
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7.5. Seleção das sementes        As sementes foram selecionadas pelas próprias famílias que multiplicaram esses materiaisc...
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7.9. Divulgação das ações do Kit Diversidade        Em todas as etapas do trabalho buscou-se divulgar as ações realizadas ...
9 – Escolha das famílias responsáveis pela multiplicação das sementes que compõem o kitdiversidade. As famílias se apresen...
10. Pesquisa, Extensão e Aprendizagem Participativa        O desenvolvimento de trabalhos de Pesquisa, Extensão e Aprendiz...
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Alimentos para auto consumo

  1. 1. KIT DIVERSIDADE:A EXPERIÊNCIA DE GUARACIABA NA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS PARA O AUTOCONSUMO 1
  2. 2. KIT DIVERSIDADE: ALIMENTAÇÃO PARA O AUTOCONSUMO EM GUARACIABA– SC. Sumário Página1. Antecedentes ................................................................................................................. 32. Kit Diversidade – O que é? .......................................................................................... 33. Associação de Desenvolvimento da Microbacia ........................................................ 44. Objetivos do Kit de Diversidade ................................................................................. 55. A agrobiodiversidade e a diversidade do Kit de Guaraciaba ................................... 66. Metodologia de implementação do Kit Diversidade ................................................. 97. Etapas da implementação do Kit Diversidade ........................................................... 97.1. Reunião com lideranças comunitárias das Associações de Microbacias .............. 107.2. Reunião com as comunidades rurais ....................................................................... 107.3. Escolha das Espécies e Variedades Locais .............................................................. 117.4. A produção de sementes ........................................................................................... 127.5. Seleção das sementes ................................................................................................. 137.6. Armazenamento e embalagem das sementes .......................................................... 137.7. Distribuição das sementes do Kit Diversidade ....................................................... 137.8. Avaliação do Kit Diversidade ................................................................................... 147.9. Divulgação das ações do Kit Diversidade ................................................................ 158. Resumo da metodologia de implementação do Kit Diversidade .............................. 159. Parcerias na implementação e avaliação dos trabalhos ............................................ 1610. Pesquisa, Extensão e Aprendizagem Participativa ................................................. 1711. Referências Bibliográficas ......................................................................................... 18 2
  3. 3. KIT DIVERSIDADE: ALIMENTAÇÃO PARA O AUTOCONSUMO EM GUARACIABA- SC. 1. Antecedentes A partir do desenvolvimento do projeto Microbacias 2 com a elaboração dos Planos deDesenvolvimento das Microbacias Hidrográficas (PDMH) de Guaraciaba foram realizadosdiagnósticos no ano de 2005 que revelaram dados alarmantes sobre o elevado percentual defamílias agricultoras que não mais cultivavam em suas propriedades os alimentos que consomem:75% para o arroz; 65% para a batatinha; 50% para o feijão e alho; 40% para a abóbora ehortaliças folhosas. Apesar disso, a agricultura familiar do extremo-oeste catarinense aindaconserva uma ampla diversidade para o autoconsumo, estimada em mais de 200 cultivares locais,mantidas pelas famílias por apresentarem sabor especial, agradável ao paladar, por tradiçãomantida ao longo do tempo, por herança repassada através de gerações, para reduzir os custos demanutenção da propriedade e por serem saudáveis devido ao modo como são produzidas, que sãoelementos formadores da segurança alimentar e ações participativas com enfoque agroecológico. 2. Kit Diversidade – O que é? O Kit Diversidade é um conjunto de sementes de diferentes espécies de variedades locaisproduzidas e distribuídas entre famílias de agricultores(as) de microbacias hidrográficas deGuaraciaba. A composição do kit é formada por sementes de diversas espécies cultivadas emantidas pelas famílias em suas propriedades e pode eventualmente conter variedadesmelhoradas não híbridas. O kit diversidade visa estimular a produção de alimentos paraautoconsumo. Além disso, o kit é uma ferramenta para promover a segurança e soberaniaalimentar, compreender os elementos da territorialidade e promover a agroecologia comoestratégia do desenvolvimento sustentável. Essa experiência pioneira realizada no Brasil econstruída de forma participativa permite contribuições na dimensão ecológica e desustentabilidade social, econômica, político-institucional, geográfica e cultural As ações do kit integram a produção e o consumo de alimentos livres de agrotóxicos paraa melhoria da saúde das pessoas e do ambiente. O cultivo de diferentes espécies manejadas pelosagricultores conserva e amplia a agrobiodiversidade encontrada e estimula a preservação doequilíbrio natural entre os inimigos naturais e os agentes causadores de danos às culturas. Asfamílias cultivam hábitos de produzir os alimentos de que mais gostam e preservam há váriosanos, conservando espécies e variedades diferentes daquelas que compõem o kit, ampliando abase genética existente. A distribuição e troca de sementes entre as famílias provoca amanutenção e ampliação das relações sociais existentes nas comunidades, promove adisseminação dos saberes populares relacionados ao cultivo e conservação de cada semente,época preferencial de plantio, cuidados e tratos culturais, conservação e formas deaproveitamento desses produtos, valorizando os diversos gostos e sabores. O aspecto econômicotambém é destacado, pois quando as famílias produzem o próprio alimento, ocorre uma melhoriada renda familiar através da redução de gastos com a compra de alimentos em mercados quemuitas vezes não revelam a origem e a qualidade dos produtos, nem tampouco o modo comoforam produzidos. A difusão do kit diversidade é facilitada no meio rural devido aos seuscomponentes relacionados principalmente com a agricultura familiar, mas pode ocorrer tambémno espaço urbano onde se destacam as hortaliças, as frutíferas nativas e plantas exóticas. 3
  4. 4. 3. Associação de Desenvolvimento da Microbacia A idéia do Kit Diversidade surgiu a partir da constituição da Associação deDesenvolvimento da Microbacia Hidrográfica (ADM) Rio Flores, no ano de 2004, com 145famílias associadas. A ADM é a estrutura organizacional onde ocorrem os processos de tomadade decisão em ações participativas planejadas que dizem respeito ao grupo de famílias e asinstituições parceiras. A identificação do Grupo da Associação da Microbacias (GAM) formadopor lideranças naturais das comunidades rurais e a eleição da primeira Diretoria da ADM ocorreuna implementação das ações do projeto Microbacias 2, executado pela Secretaria de Estado daAgricultura e Desenvolvimento Rural através da EPAGRI – Empresa de Pesquisa Agropecuária eExtensão Rural de Santa Catarina. A elaboração do Plano de Desenvolvimento da MicrobaciaHidrográfica (PDMH), com a facilitação dos extensionistas da Epagri e do facilitador técnicocontratado para assessorar cada ADM, foi desenvolvida através de metodologias participativasque diagnosticaram as prioridades das famílias dos agricultores, contemplando aspectosambientais, sociais e econômicos que objetivam a melhoria da qualidade de vida das famíliasrurais. Os trabalhos envolveram inicialmente as famílias das comunidades de Linha São Roque,Linha Tigre e Linha Perondi em Guaraciaba. As duas primeiras ações priorizadas por esta ADMforam à produção de alimentos para subsistência, que evoluiu para o conceito de alimentaçãopara autoconsumo e a redução do uso de agrotóxicos. No ano de 2005, o facilitador contratado pelo Projeto Microbacias 2 e agricultores dasADMs Rio Flores e Lajeado Ouro Verde participaram de um Curso de Agrobiodiversidade,promovido pelo Núcleo de Estudos em Agrobiodiversidade - NeaBio/UFSC. Neste evento opesquisador Bhuwon Sthapit do International Plant Genetic Resources Institute - IPGRI, doNepal/ASIA relatou uma estratégia de multiplicação de sementes desenvolvida naquele país.Está idéia foi adaptada às prioridades e ações propostas no PMDH e serviu de referência para aassociação local implementar o Kit Diversidade, visto que o relato do pesquisador estava emconsonância com o planejamento elaborado anteriormente pelas famílias da ADM. Por ocasiãodo curso surgiu o nome “Kit Diversidade” adotado na experiência do Nepal, o qual tornou-se emGuaraciaba, nome fantasia, marca e sinônimo da produção de alimentos para autoconsumo.Figura 1: Lideranças das ADMs debatem estratégias para desenvolver o Kit Diversidade. 4
  5. 5. 4. Objetivos do Kit de Diversidade O objetivo principal do Kit Diversidade é a produção de alimentos para o autoconsumodas famílias, com o resgate das sementes crioulas, a diversificação da dieta alimentar, a melhoriada renda e da saúde das famílias, a eliminação do uso de agrotóxicos nos alimentos e oaprimoramento das relações sociais entre as famílias. Essa ação foi definida como a primeiraprioridade do PDMH da ADM Rio Flores na área da melhoria da renda aliada ao enfoque socialda participação comunitária das famílias. A produção de alimentos sem o uso de agrotóxicos foi aprincipal prioridade eleita para ser trabalhada na área ambiental. A necessidade da redução decustos de produção, especialmente da cesta básica das famílias, foi incorporada como umaprioridade na área econômica do plano estratégico dessa microbacia. O desenvolvimento e a implementação do Kit Diversidade nas comunidades aliou a estesobjetivos outros elementos de caráter subjetivo como o prazer das famílias em produzir o próprioalimento e serem mais felizes. A relação do agricultor com a terra, a importância da família ruralcolher alimentos saudáveis para o seu consumo e também socializar os frutos desse trabalho comoutras pessoas, remete a valorização dos aspectos culturais mantidos pelas comunidades ao longodo tempo e reforça o capital social existente entre as famílias organizadas em associações. Amelhoria da dieta alimentar, das condições de saúde e de bem estar está diretamente relacionadacom a conscientização da necessidade de redução e/ou eliminação do uso de agrotóxicos naprodução de alimentos. O direito das famílias de produzirem os alimentos desejados, as tradiçõesrelacionados às variedades locais, a garantia do consumo de alimentos saudáveis promovem averdadeira segurança e soberania alimentar. A facilidade de acesso a variedades locais e o resgatedo uso de sementes crioulas pelos agricultores, aumentando o número de espécies e variedadescultivadas e conservando as existentes, com a possibilidade da troca solidária de sementes entreas comunidades locais contribui para a conservação da biodiversidade. Desse modo, o conjuntode atividades que compõem o Kit Diversidade possibilita avançar em busca da sustentabilidadeatravés de processos participativos com enfoque agroecológico (Guadagnin et al., 2007). As ações do projeto Microbacias 2 com o Kit Diversidade ampliaram a pesquisa, extensãoe aprendizagem participativa (PEAP) entre as famílias de agricultores, técnicos, extensionistas,pesquisadores, professores, estudantes e entidades parceiras. Entre as iniciativas de PEAP,destacou-se o trabalho desenvolvido com variedades locais de arroz de sequeiro em Guaraciaba,espécie símbolo do Kit em função da importância alimentar da cultura.Figura 2: O Arroz crioulo é o símbolo do Kit Diversidade. 5
  6. 6. 5. A agrobiodiversidade e a diversidade do Kit de Guaraciaba A agrobiodiversidade é definida como as diferentes formas de vida presentes naagricultura composta de dezenas de espécies e centenas de variedades cultivadas e utilizadaspelos agricultores. No Oeste Catarinense a agrobiodiversidade mantida pelos agricultoresfamiliares abrange cerca de 50 variedades de arroz, 100 variedades de milho e em torno de 120de feijão além de diversas outras espécies e variedades locais (Canci et al., 2004). Essa região érica em espécies e variedades selecionadas e mantidas pelas famílias ao longo das geraçõesprincipalmente através de sistemas informais de conhecimento e manejo da agrobiodiversidade(Canci, 2006). Essas variedades acumulam diferentes formas, tamanhos, cores e sabores como: oarroz preto, vermelho, branco e creme; o milho roxo, branco, multicolorido e rajado; o feijãomouro, preto, vermelho, branco e até mesmo verde, as dezenas de variedades de hortaliças, favascom vagens compridas e curtas, ervilhas beges e verdes, lisas e rugosas. Há espécies e variedadescultivadas somente pelos agricultores, sem similares no mercado, como o tradicional porongoutilizado para fabricação da cuia para o chimarrão. Toda esta diversidade ainda está presente noscorações e na memória dos agricultores e afloraram nas reuniões para definir a composição doKit Diversidade. Nas Associações de Desenvolvimento das Microbacias envolvidas somaram 16espécies e 52 variedades, conforme tabela 1. Vale salientar que se optou por variedades jáconhecidas, produtivas e conservadas há muitos anos pelos agricultores, como o arroz crioulo desequeiro, que é um dos símbolos do Kit Diversidade em Guaraciaba e que obteve a produtividadede 7.495,68 kg/ha, considerada excelente pelas famílias.Tabela 1. Espécies que compuseram o kit Diversidade nas ADMs de Guaraciaba. ESPÉCIE Nº VARIEDADES PROCEDÊNCIA Feijão 11 Guaraciaba Milho 5 Guaraciaba e Epagri Milho Pipoca 4 Guaraciaba Batatinha 2 Guaraciaba Fava 1 São Miguel do Oeste Alho 2 Guaraciaba Ervilha 2 Guaraciaba e São Miguel do Oeste Arroz 7 Guaraciaba e Anchieta Feijão de Porco 1 São Miguel do Oeste Chícharo 1 Epagri Abóbora 4 Guaraciaba Moranga 2 Guaraciaba Melão 2 Guaraciaba Amendoim 1 Guaraciaba Tomate 2 Guaraciaba Batata Doce 1 Guaraciaba Melancia 4 Guaraciaba 6
  7. 7. Milho Oito Carreiras Roxo Milho AmarelãoMilho Oito Carreiras Rajado e Branco Feijão Mourinho Miúdo e Graúdo Feijão de Vagem Phutspona Feijão Carioca “nativo” Feijão Mourinho Graúdo Feijão Azulão 7
  8. 8. Ervilha Branca “do Orlando” Batata de ano Jantsch, Jhares KarthoflenPipoca preta, amarela, roxa e branca Feijão Preto “Schmitz” Variedades locais de arroz de sequeiro Figura 3: Algumas espécies e variedades locais do Kit Diversidade. 8
  9. 9. 6. Metodologia de implementação do Kit Diversidade A metodologia utilizada para a implementação constituiu-se de estratégias participativassimples e de fácil adaptação pelas famílias de agricultores. Todas as ações do kit foramelaboradas conjuntamente entre as famílias das associações de microbacias, técnicos locais,pesquisadores e entidades parceiras envolvidas com as ações do Projeto Microbacias 2 emGuaraciaba. Através de diversos encontros, reuniões, assembléias, visitas individuais, excursões,unidades demonstrativas e de pesquisa, extensão e aprendizagem participativa construiram-se asdiferentes etapas para implementação do Kit Diversidade. A flexibilidade e a independência nosprocessos de tomada de decisão, como também na composição diferenciada do kit entre asmicrobacias facilitaram o processo. Em todos os momentos sempre se considerou a filosofia e asnormas do Projeto Microbacia 2, que objetiva a melhoria da qualidade de vida das famílias. Os trabalhos do kit envolveram metodologias participativas com diagnósticos rápidosparticipativos, tardes de campo, reuniões comunitárias e respeitaram as diferentes realidadeslocais de cada microbacia e a complexidade de fenômenos sociais, ambientais e econômicosexistentes em cada comunidade. Diante de condições que privilegiam a complexidade dosagroecossistemas existentes, um método único, padronizado e extremamente rígido apresentapouca eficácia e baixa aplicabilidade. Na implementação do kit considerou-se as linhas gerais deação previstas no PDMH, através de metodologias que consideraram esta flexibilidade eadaptabilidade. Como exemplo, a Microbacia Lajeado ouro Verde entregou as sementes do kitem uma assembléia com um único grupo de 130 famílias, ao passo que na Microbacia Rio Floresos membros da Diretoria e do Grupo de Animação/GAM organizaram reuniões individualizadascom seus vizinhos onde aconteceu a entrega das sementes, abrangendo todas as famílias damicrobacia. Qual foi a melhor maneira? As duas, pois cada associação fez de acordo com suavisão, capacidade e conhecimento. Entretanto, essas experiências vivenciadas não excluem anecessidade de estudar, conhecer e avaliar outros métodos participativos, inclusive clássicos, re-planejando e aprimorando o método e as ações realizadas. É importante considerar que mesmonão havendo um método clássico, isso não significa desorganização, mas flexibilidade diante dascondições encontradas, o que na proposta do kit diversidade permitiu a sua implementação nasassociações de microbacias. Esse conjunto de estratégias revelaram-se uma metodologia eficaz, principalmente por serdesburocratizada, de fácil compreensão e aplicação. Em todos os momentos de tomada dasdecisões houve a participação das famílias de agricultores (as), do técnico facilitador do ProjetoMicrobacias 2 e de extensionistas da Epagri local, com o apoio do Neabio/UFSC. O trabalhoconduzido pelas organizações do próprio município e colaboradores facilitaram a organização deuma estrutura de funcionamento dos trabalhos. 7. Etapas da implementação do Kit Diversidade As etapas que permitiram a implementação do Kit Diversidade nas Associações deMicrobacias de Guaraciaba sempre estiveram em consonância com as ações desenvolvidas noprojeto Microbacias 2 neste município. A maneira como essas etapas aconteceram nestaexperiência devem ser consideradas como uma possibilidade desta proposta se desenvolver epodem contribuir como uma das diversas referências na implementação de ações como esta.Porém não devem ser consideradas isoladamente como uma metodologia ou estratégia única, 9
  10. 10. visto que em cada situação devem sempre se considerar a diversidade de fatores existentes nascomunidades locais e suas características políticas, culturais, ecológicas, sociais e econômicas.Portanto, as etapas descritas na experiência de Guaraciaba podem apenas servir de referência paraoutros estudos e propostas participativas semelhantes com enfoque agroecológico. 7.1. Reunião com lideranças comunitárias das Associações de Microbacias A primeira etapa foi a reunião com a diretoria e grupo de animação formado com 20pessoas eleitas entre as lideranças das comunidades que integram a associação da microbacia.Esse grupo avaliou as ações priorizadas no Plano da Microbacia e a compatibilidade da propostado Kit Diversidade com as demandas eleitas pela maioria das famílias dessa associação. Os agricultores e o facilitador que participaram do curso de Agrobiodiversidadeorganizado pelo Neabio/UFSC apresentaram para a diretoria da ADM e Grupo deAnimação/GAM a experiência do kit diversidade idealizada no Nepal. Neste mesmo encontro foielaborada uma proposta de ação do Kit Diversidade para debate e implementação com toda ascomunidades, que foi realizada em assembléia geral da associação. A diretoria da ADM teve umpapel destacado na proposta de implementação do kit, gerenciando e encaminhando os trabalhos,de modo que todas as ações desenvolvidas na associação aconteceram através de processosconjuntos de tomada de decisões, no qual a Diretoria propôs essa ação do kit para as famíliasassociadas. O debate permite o planejamento das ações futuras e o empoderamento de todos osmembros envolvidos, que serão os principais agentes de divulgação e animação do processo. 7.2. Reunião com as comunidades rurais A etapa seguinte foram as reuniões com as famílias de todas as comunidades rurais. Nosegundo semestre de 2005 ocorreram encontros para definir as estratégias de desenvolvimentodas etapas do Kit Diversidade nas três comunidades pertencentes a microbacia Rio Flores queiniciou este trabalho, e posteriormente, também na microbacia do Lajeado Ouro Verde. Nasdemais microbacias isto ocorreu a partir de 2006. Em 2008 o kit diversidade foi desenvolvido emseis associações de microbacias de Guaraciaba envolvendo aproximadamente 700 famílias rurais. Nestas reuniões foi incentivado que cada participante manifestasse a sua opinião sobreessa proposta de trabalho. Este momento serviu também para relembrar que a produção dealimentos pelas famílias era uma ação já priorizada anteriormente no plano da microbacia. Foramdiagnosticados as espécies e cultivares de interesse de cada família integrante da associação e aspropriedades que ainda mantinham esses cultivos. Também se obteve informações dosparticipantes sobre os motivos pelos quais desejavam determinadas variedades. Os principaisaspectos destacados, principalmente pelas mulheres agricultoras, foram o sabor agradável,preferências ao paladar das famílias, a tradição de determinados cultivos e hábitos mantidos aolongo do tempo, a herança do modo de cultivo e da conservação das espécies repassada atravésde gerações, a necessidade de redução dos custos de manutenção da propriedade e as qualidadesnutricionais desses alimentos indispensáveis à saúde das pessoas devido ao modo como sãoproduzidas e conservadas sem o uso de agrotóxicos. Nas reuniões comunitárias foram discutidos os motivos pelos quais muitas famíliasdeixaram de cultivar variedades mantidas basicamente para a alimentação de autoconsumo.Foram destacadas a redução do número de integrantes das famílias pela saída da propriedade, 10
  11. 11. principalmente dos jovens que vão para centros maiores; a maior dedicação do tempo destinadoàs atividades produtivas de maior expressão econômica, como a cultura do fumo e a expansão dabovinocultura de leite; a perda de determinadas variedades em função de pragas, doenças ouadversidades climáticas; a possibilidade de aquisição desses produtos nos mercados locais e adiminuição das trocas de sementes entre as famílias, principalmente mantidas pelas mulheres. Um elemento importante do trabalho, também diagnosticado nos encontros realizados nascomunidades, foi a identificação de famílias de agricultores que mantinham em suas propriedadesos cultivos daquelas espécies e variedades antigas do interesse da comunidade para fazer parte dokit. Em todas as reuniões surgiram informações sobre variedades de feijão, arroz, batatinha deano, alho, melancia, amendoim, abóbora, melão e diversas outras espécies e aspectos relevantesde seu cultivo, como época de plantio, tratos culturais, colheita e conservação das sementes.Nestas etapas dos encontros buscou-se identificar as famílias que desejavam multiplicar assementes de interesse das demais famílias da microbacia, que poderiam ser as mesmas que jámantinham essas variedades ou outras famílias que receberiam as sementes para posterior cultivoe distribuição. No caso de não haver o cultivo da espécie ou variedade desejada na mesmamicrobacia, buscou-se identificar numa microbacia ou regiões mais próximas a fim de garantir asqualidades desejadas pelas famílias e a facilidade de adaptação as condições locais de cadapropriedade. 7.3. Escolha das Espécies e Variedades Locais A composição do Kit Diversidade foi definida em cada comunidade através de processosparticipativos de tomada de decisão. Assim, os kits distribuídos foram diferentes, constituídoscom 5 a 12 cultivares de 5 a 8 espécies, respeitando-se as preferências das famílias e adisponibilidade de cultivares e/ou sementes. Foram escolhidos os interessados em multiplicar assementes, o dimensionamento das áreas a fim de suprir as quantidades desejadas, o método dearmazenagem e a forma de distribuição dos kits nas comunidades. A aquisição das sementes foirealizada preferencialmente entre famílias da comunidade ou regiões vizinhas, a partir dasinformações obtidas anteriormente com estas pessoas. A escolha das espécies e variedades que compõem os kits distribuídos às famílias ocorreude modo participativo através de encontros entre as famílias e os técnicos locais. Nestas reuniões,após debates sobre a proposta do kit, as famílias de agricultores eram questionadas sobre “quaisas cultivares que gostariam de ter?”, valorizando-se as preferências e os gostos locais. Nessemomento resgataram-se diversos conhecimentos sobre aquelas variedades que se cultivavamdesde a chegada dos imigrantes de descendência italiana e alemã, entre outros, que povoaram aregião do oeste catarinense a partir da década de 1950, como a batata de ano Jhares Karthoflen,a diversidade dos feijões, dos tipos de arroz, as cultivares de hortaliças e outras variedades locais. Conforme Sthapit (2007), a contribuição dos conhecimentos informais mantidos pelasfamílias de agricultores através das gerações, sobre como e quando plantar e conservar, associadaaos conhecimentos formais é fundamental para preservar esse patrimônio genético de inestimávelvalor e conhecimento agregado. Dessa forma as famílias que receberam esse conjunto desementes e conhecimentos que compõem o kit diversidade adquirem as condições necessáriaspara a multiplicação das sementes em suas propriedades, possibilitando a garantia da manutençãoe amplicação da agrobiodiversidade existente. 11
  12. 12. Segundo Dominguez et al., (2000) a semente é o primeiro anel na cadeia alimentar,entendida como o “órgão da planta que é utilizado pelos agricultores para multiplicar umaespécie cultivada em seu benefício” é considerada a base fundamental, sem a qual a agriculturanão prosperaria. A semente é vital para a sustentabilidade da agricultura familiar e, como mais de70% da semente utilizada nos países onde predominam famílias de agricultores familiares sãoproduzidas por eles próprios, especialmente pelas mulheres, nada mais racional do que se adotarsistemas informais para suprir as necessidades das comunidades rurais existentes nesses países,cujo objetivo principal é a segurança alimentar. A partir da relação das espécies e cultivares eleitas pelas famílias para integrar o KitDiversidade, seguiu-se com outro questionamento: “quem tem essas variedades e quem gostariade multiplicar essas sementes para serem distribuídas às famílias?”. Assim, foram escolhidos asvariedades, algumas delas cultivadas há mais de 40 anos na região, como o arroz da variedade“Mato-Grosso” cultivado pelo o agricultor Roque de Moura da Linha Ouro Verde, o feijão“Schmitz” cultivado pelo agricultor Leonildo Schmitz da Linha Tigre, a ervilha branca e amelancia “do Orlando”, do agricultor Orlando Glaas da Linha Ouro Verde, o alho da DonaTerezinha, a Ervilha da Dona Clarinda, todos moradores da microbacias. Os aspectos mais importantes que foram considerados para a composição do kit foram: avontade das famílias em produzir determinada espécie ou cultivar; os aspectos culturais etradicionais mantidos pelos agricultores familiares; as características positivas de determinadaespécie, como produtividade, resistência ou tolerância à “pragas” e doenças; o sabor e demaisqualidades favoráveis ao paladar das pessoas; a flexibilidade e a simplicidade de cultivo, devidosa variabilidade genética, a adaptabilidade às condições locais e aos métodos simples de seleção earmazenamento; a possibilidade de cultivar sem o uso de agrotóxicos; 7.4. A produção de sementes As sementes que compõem o kit foram produzidas pelos agricultores familiares, na suamaioria, em propriedades localizadas nas mesmas comunidades das microbacias onde foramdistribuídas. Quando não havia disponibilidade das sementes de interesse das famílias dedeterminada comunidade, recorreu-se à comunidade mais próxima num raio de até 25quilometros, a fim de garantir as condições de adaptação da variedade desejada às condiçõeslocais. Foi necessário o planejamento do tamanho da área de produção de acordo com o númerode famílias da Microbacia, ou comunidade e espécie envolvida, respeitando os princípios daagroecologia. O acompanhamento dos técnicos locais foi indispensável como agentesanimadores, facilitando as decisões e orientações sobre as tecnologias de produção. Algumasfamílias ficaram responsáveis pelo cultivo de mais de uma variedade, de acordo coma suadisposição e capacidade. Durante o ciclo de desenvolvimento dos cultivo houve o assessoramentopor parte dos técnicos e de agricultores interessados em avaliar o desenvolvimento dasvariedades. Os cultivos dessas variedades foram desenvolvidos de modo a não se utilizaragrotóxicos, visto que conforme a decisão das famílias no plano de desenvolvimento na áreaambiental, havia necessidade de não utilizar agrotóxicos. O plantio das sementes para compor okit diversidade aconteceu de acordo com as informações decididas anteriormente nas reuniões,mas sempre respeitando as particularidades e condições locais de cada família e ambiente. 12
  13. 13. 7.5. Seleção das sementes As sementes foram selecionadas pelas próprias famílias que multiplicaram esses materiaiscom o acompanhamento do técnico facilitador do projeto Microbacias 2 e os extensionistas daEpagri do município de Guaraciaba. Essa etapa apresentou algumas dificuldades em função dafalta de equipamentos adequados à realidade local, devido ao seu alto custo e capacidadeoperacional inadequada para a diversidade de produtos existentes. A seleção e limpeza das sementes que compõem o kit diversidade foi realizada naspropriedades dos agricultores conforme as decisões tomadas nas reuniões. Algumas sementes,como de variedades de feijão e de arroz foram acondicionadas em embalagens individuais pelospróprios agricultores em suas propriedades. Outras sementes, como as de milho, melancia, alho eervilha tiveram uma seleção, limpeza e foram embalados fora das propriedades devido asdificuldades das famílias em realizarem esses processos. De acordo com Dominguez et. Al (2000), a agricultura familiar aperfeiçoou os métodostradicionais, constituindo o sistema informal de sementes, enquanto a agricultura comercialaperfeiçoou ferramentas mais sofisticadas para melhorar as espécies e criou leis e normas pararegulamentar a produção e o uso das sementes, constituindo o sistema formal. A resposta àsnecessidades de produção está acumulada na informação genética das sementes, que por sua vez,está fortemente influencida pelo sistema de produção. A dinâmica do sistema informal nasce darepetida seleção nas condições locais de produção, o intercâmbio de sementes entre as famílias deagricultores e a pressão exercida pelos fatores naturais e humanos, o que permite e favorece asmutações genéticas e as hibridações, os quais são selecionadas pelos agricultores para seadaptarem às diversas necessidades da agricultura desenvolvida para a produção de alimentospara o autoconsumo das famílias. 7.6. Armazenamento e embalagem das sementes A etapa de armazenamento e embalagem aconteceu tanto nas propriedades das famíliasque produziram as sementes como nas famílias que receberam as mesmas. Uma estratégiautilizada foi manter as sementes a serem distribuídas o menor espaço de tempo possível napropriedades, de modo que cada família a partir do momento em que recebeu o kit diversidadeficasse responsável pela conservação das sementes até o momento do plantio. As sementes decada variedade foram embaladas individualmente em envelopes de papel e o conjunto dasdiferentes espécies que compuseram o kit foram acondicionados em caixas de papelão. Integrou okit um material contendo as informações resgatadas com as famílias que produziram essassementes sobre os principais cuidados no plantio, tratos culturais e manejo das espécies. 7.7. Distribuição das sementes do Kit Diversidade A distribuição dos kits foi realizada em reuniões em cada uma das comunidadespertencentes a microbacia, com a participação de integrantes das famílias associadas quereceberam individualmente o kit diversidade. Em algumas comunidades, lideranças locaispertencentes a diretoria das ADMs se encarregaram da distribuição dos kits aos seus vizinhos. Aestratégia de distribuição dos kits de sementes a todas as famílias associadas aconteceu nummomento próximo a colheita das sementes nas propriedades para que cada família que recebeu o 13
  14. 14. kit diversidade ficasse responsável pela conservação das sementes até o momento do plantio dasmesmas, visando reduzir o potencial de contaminação e deterioração desses produtos.Identificou-se ainda que algumas famílias que realizaram a troca solidária de variedades desementes de interesse. A distribuição das sementes com antecedência a época de plantio permitiualém da melhor conservação das sementes, o planejamento do cultivo com melhor definição epreparo do solo a fim de garantir um bom desenvolvimento das culturas. Mesmo assim, em certoscasos, ocorreram problemas como adversidades climáticas e dificuldades no cultivo quedificultaram o desenvolvimento das variedades. Até o mês de junho de 2007 foram distribuídos 2000 kg de sementes de 10 cultivares defeijão, 5 de milho, 4 de arroz, 2 de pipoca, 2 de batata, 2 de ervilha,1 de fava, 1 de melancia, 1 dealho e 1 de adubo verde. Na safra 2006/2007, mais de 20% dos agricultores(as) familiares deGuaraciaba cultivaram milhos crioulos, sendo o 2º maior plantador do estado de Santa Catarina.Em 2008 as ações do Kit Diversidade foram ampliadas para 6 microbacias de Guaraciaba,abrangendo 700 famílias de agricultores. Exemplares do kit foram disponibilizados para outrosmunicípios da região como forma de divulgar a proposta de trabalho para outras comunidadesrurais onde o projeto Microbacias 2 também é desenvolvido.Figura 4: Reunião para distribuição do Kit Diversidade na ADM Ouro Verde. 7.8. Avaliação do Kit Diversidade A fim aprimorar o processo de desenvolvimento do kit são realizados encontros e visitasindividuais de asessoramento às famílias para avaliar os aspectos positivos desse trabalho e anecessidade de alterações a serem realizadas nas próximas etapas. Nas reuniões comunitáriasbusca-se discutir as adaptações e mudanças necessárias para aprimorar as ações do kit. A partirdessas avaliações buscou-se implementar novas unidades de Pesquisa, Extensão e AprendizagemParticipativa para ampliar o conhecimento sobre cultivares locais de milho, milho pipoca, feijão,arroz, adubos verdes de inverno e de verão, uso de pó de basalto em pastagens e outros.Incrementaram-se ainda cursos de higiene e limpeza com os alimentos e formas deaproveitamento e conservação de produtos produzidos nas propriedades rurais. A participação do Neabio/UFSC com a presença de uma estudante de Mestrado contribuiusignificativamente para avaliar o desenvolvimento do Kit Diversidade em Guaraciaba. Nessapesquisa a estudante coletou informações sobre a amplitude dos trabalhos desenvolvidos com oKit Diversidade nas ADMs Ouro Verde e Rio Flores e a eficiência dos processos realizados. 14
  15. 15. 7.9. Divulgação das ações do Kit Diversidade Em todas as etapas do trabalho buscou-se divulgar as ações realizadas através do Jornal“Visão de Futuro” elaborado pelas oito Associações de Desenvolvimento das Microbacias deGuaraciaba, como também nos sites do Projeto Microbacias 2 e da Epagri, através dos jornais decirculação regional e programas das rádios regionais e com a proposta da edição de um livrodescrevendo as experiências desenvolvidas com o Kit Diversidade em Guaraciaba. Houve também a gravação de uma reportagem que foi apresentado no programa detelevisão da Epagri e várias palestras em diversos municípios do estado de Santa Catarina e noestado do Paraná. Foi elaborado um artigo publicado no Congresso Brasileiro de Agroecologiaem Guarapari/ES em 2007. Houve a apresentação da experiência do kit no Seminário Estadual deAgroecologia em Lages, em julho de 2008. O facilitador do Projeto Microbacias 2 esteve naFrança a convite da associação de agricultores AgroBio Périgord na região da Aquitânia, e da ,Fondation Sciences Citoyennes e da Réseau Semences Paysannes, onde apresentou os trabalhosdesenvolvidos pelas associações de Microbacias de Guaraciaba sobre o Kit Diversidade, ondetambém palestrou sobre pesquisa participativa no Brasil e sobre seleção e melhoramento devariedades crioulas. As experiências desenvolvidas com o Kit Diversidade em Guaraciabaintegrarão um livro que está sendo editado. 8. Resumo da metodologia de implementação do Kit Diversidade As etapas metodológicas de implementação do kit diversidade em Guaraciaba, foram:1 – Identificação da demanda prioritária por parte dos agricultores. No caso de Guaraciaba anecessidade de produção de alimentos para o autoconsumo foi definida no Plano deDesenvolvimento da Microbacia Hidrografica/PDMH através de processos participativos.2 – Formação de conhecimentos por integrantes do grupo. Houve a participação em cursopromovido pelo Núcleo de Estudos em Agrobiodiversidade – UFSC.3 – Reunião com lideranças comunitárias. A diretoria e Grupo de Animação da Microbacia RioFlores e Ouro Verde foram os agentes promotores da proposta.4 – Reuniões Comunitárias e diagnósticos da produção de alimentos para autoconsumo, comobjetivo de conhecer a realidade local, espécies menos e mais plantadas. Foi feito através dereuniões, mas pode ser feito através de entrevistas ou questionários individuais.5 – Capacitações de agricultores e técnicos envolvidos com os trabalhos sobreAgrobiodiversidade, Metodologias Participativas, Métodos de seleção e melhoramento devariedades com agricultores familiares e outros;6 – Assembléias comunitárias. As associações de microbacias, realizaram assembléias, encontrose reuniões formais e informais para debaterem os temas relacionados à produção de alimentospara o autoconsumo, a conservação da biodiversidade e a redução de custos nas propriedadesagrícolas, saúde, entre outros, e para a definição de estratégias de operacionalização, decididasconjuntamente entre as famílias de agricultores associados, facilitadores, técnicos, extensionistas,e entidades governamentais, participantes do projeto Microbacias 2.7 – Diagnóstico das variedades de interesse do grupo de famílias em reuniões comunitárias.8 – Identificação das famílias que mantem o cultivo das variedades de interesse do grupo e oconhecimento dos aspectos principais das culturas e conservação das sementes. 15
  16. 16. 9 – Escolha das famílias responsáveis pela multiplicação das sementes que compõem o kitdiversidade. As famílias se apresentavam espontaneamente nas reuniões e encontros .10 – Reunião técnica de planejamento dos cultivos com agricultores multiplicadores.11 – Plantio e cultivo das variedades do kit diversidade pelas famílias com o acompanhamento eassistência técnica pelos facilitadores do Microbacias 2 e extensionistas da Epagri local.12 – Acompanhamento dos cultivos por parte dos técnicos e agricultores vizinhos.13 – Colheita, seleção e beneficiamento das sementes com a melhor tecnologia disponível.14 – Definição da quantidade de sementes que cada família vai receber, considerando anecessidade de cada espécie, para manter a variabilidade genética e a quantidade beneficiada desementes.15 – Embalagem e conservação das sementes com a participação de agricultores e outrosprofissionais envolvidos no processo.16 – Distribuição do kit diversidade a todas as famílias das comunidades das Associações dasMicrobacias pelos próprios agricultores e lideranças das comunidades, assessorada pelofacilitador e extensionistas da Epagri.17 – Avaliação das etapas de implementação e dos resultados obtidos visando o aprimoramenteconstante do processo. Contou com a colaboração de estudante de Mestrado da UFSC.18 – Divulgação dos trabalhos desenvolvidos e resultados alcançados como estratégia de difusão. 9. Parcerias na implementação e avaliação dos trabalhos A avaliação das etapas e ações realizadas desde a elaboração até a implementação do kitdiversidade foi considerada elemento importante para que houvesse a continuidade dos trabalhoscom o kit diversidade e para que a idéia pudesse ser difundida entre outras comunidades deagricultores familiares. O apoio recebido por parte de estudantes de graduação e pós-graduação,professores e pesquisadores do Centro de Ciências Agrárias e Faculdade de Agronomia daUniversidade Federal de Santa Catarina, através do Núcleo de Estudos em Agrobiodiversidade -Neabio/UFSC, possibilitou que integrantes desse grupo participassem das etapas de avaliação daimplementação e desenvolvimento do kit diversidade. Houve a participação de uma estudante deMestrado do curso de Agroecossistemas da UFSC que realizou essa etapa com as famílias dasADMs Ouro Verde e Rio Flores. O apoio do projeto Microbacias 2 através da disponibilização de um técnico facilitadorselecionado pelos agricultores componentes das Diretorias e Grupos de Animação das ADMsOuro Verde e Rio Flores foi indispensável para que, juntamente com os extensionistas da Epagri,houvesse o processo de mobilização e organização das comunidades para eleger as demandasprioritárias a serem trabalhadas e decidir o planejamento e as formas de atuação para a resoluçãodas questões anteriormente discutidas. O assessoramento e orientações técnicas são fundamentaispara o sucesso da implementação de metodologias participativas com as famílias rurais. Da mesma forma, a participação das entidades e lideranças locais foi fundamental para osucesso das ações do Kit Diversidade. A presença de integrantes de movimentos sociais,Sindicatos dos Agricultores Familiares, Prefeitura Municipal de Guaraciaba e Secretarias, Centrode Referência e Apoio Social, Casa da Família, Casa Familiar Rural, Universidade Estadual doRio Grande do Sul - UERGS, mesmo que presentes apenas em algumas etapas do trabalho,contribuiu para melhorar a organização, o planejamento e a implementação dos trabalhos. 16
  17. 17. 10. Pesquisa, Extensão e Aprendizagem Participativa O desenvolvimento de trabalhos de Pesquisa, Extensão e Aprendizagem Participativa(PEAP), realizado em Guaraciaba desde 2005, através do componente Pesquisas e Estudos doProjeto Microbacias 2, no qual as ADMs de Guaraciaba participaram de um projeto pilotorealizado em 10 municípios do estado de Santa Catarina, estimulou a integração entre famílias deagricultores, técnicos extensionistas, pesquisadores e entidades parceiras na resolução deproblemas demandados pelas comunidades através de metodologias participativas que valorizamos conhecimentos locais. A necessidade de desenvolver pesquisas e estudos também foi considerada comoelemento indispensável para atingir os objetivos pretendidos com o Kit Diversidade. Devido aointeresse de algumas famílias em avaliar aspectos agronômicos das variedades existentes entre osagricultores, surgiu a idéia de desenvolver unidades de observação e pesquisa de arroz, com assementes de diversas variedades existentes entre os agricultores da região. Foi desenvolvida noano de 2005 uma unidade de PEAP com 14 variedades locais de arroz na propriedade da famíliado agricultor Leonildo Schmitz da Linha Tigre, onde no momento da colheita realizou-se umatarde de campo com grande repercussão na comunidade e região. Esses trabalhos motivaram osparticipantes a melhorar os processos produtivos desenvolvidos anteriormente e difundir asexperiências vivenciadas visando resolver questões priorizadas nas comunidades rurais. Também foram implementadas unidades de observação do uso de pó de basalto napropriedade do agricultor Dirceu Cossa na Linha Tigre, visando identificar as potencialidades douso alternativo de fontes nutricionais de plantas. Posteriormente foram implantados unidades deobservação e pesquisa com o uso de adubos verdes de inverno e de verão, eliminação do uso deherbicidas com o manejo de plantas de cobertura, ensaios com variedades de milho, milhopipoca, arroz e feijão com a participação de pesquisadores do Neabio/UFSC e Centro de Pesquisada Agricultura Familiar - CEPAF/EPAGRI de Chapecó, que foram difundidas e implementadostambém em outros municípios da região. A partir desses trabalhos, foram desenvolvidos outras experiências em pesquisaparticipativa nas ADMs de Guaraciaba. Essas ações aliadas às experiências de outrascomunidades estimularam outras 18 iniciativas em oito municípios da região do extremo-oestecatarinense com o apoio do projeto Microbacias 2 .Figura 5: Pesquisa, Extensão e Aprendizagem Participativa com varieades locais de arroz. 17
  18. 18. 11. Referências Bibliográficas:CANCI, Adriano; VOGT, Gilcimar Adriano; CANCI, Ivan José. A diversidade das espéciescrioulas em Anchieta – SC. Diagnóstico, resultados de pesquisa e outros apontamentos paraa conservação da agrobiodiversidade. São Miguel do Oeste, SC: McLee, 2004. 112p.CANCI, Ivan José. Relações dos sistemas informais de conhecimento no manejo daagrobiodiversidade no oeste de Santa Catarina. 2006. 204f. Dissertação (Mestrado emRecursos Genéticos e Vegetais) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC.DOMINGUEZ, Carlos E.; PESKE, Silmar T.; VILLELA, Francisco A.; BAUDET, Leopoldo.Sistema informal de sementes: causas, conseqüências e alternativas. Pelotas, RS: Editora eGráfica Universitária/UFPel, 2000. 207p.GUADAGNIN, Clístenes Antônio; GUADAGNIN, Cristina Mayumi Ide; CANCI, Adriano;COSSA, Dirceu José. Kit diversidade: uma alternativa sustentável na produção de alimentospara autoconsumo. Guarapari, ES: Resumos do 5º Congresso Brasileiro de Agroecologia.Revista Brasileira de Agroecologia, out/2007. V.2, n.2. p.295-298.STHAPIT, Bhuwon; SUBEDI, Abishkar; GAUTAM, Resham. Ferramentas práticas queestimulam o manejo comunitário da agrobiodiversidade. In: BOEF, Walter Simon;THIJSSEN, Marja Helen; STHAPIT, Bhuwon. Biodiversidade e Agricultores: fortalecendo omanejo comunitário. Porto Alegre : L&PM, 2007. p.136-153. 18

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