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DESEMPENHO E COMPORTAMENTO DE VACAS LACTANTES EM PASTAGENS DE CULTIVARES DE BRAQUIÁRIAS
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DESEMPENHO E COMPORTAMENTO DE VACAS LACTANTES EM PASTAGENS DE CULTIVARES DE BRAQUIÁRIAS

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  • 1. INSTITUTO DE ZOOTECNIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PRODUÇÃO ANIMAL SUSTENTÁVEL DESEMPENHO E COMPORTAMENTO DE VACAS LACTANTES EM PASTAGENS DE CULTIVARES DE BRAQUIÁRIAS Joana Baptista Demski Nova Odessa Janeiro – 2013
  • 2. GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO SECRETARIA DE AGRICULTURA E ABASTECIMENTO AGÊNCIA PAULISTA DE TECNOLOGIA DOS AGRONEGÓCIOS INSTITUTO DE ZOOTECNIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PRODUÇÃO ANIMAL SUSTENTÁVEL Desempenho e comportamento de vacas lactantes em cultivares de Braquiárias Joana Baptista Demski Dr. Irineu Arcaro Junior Dra. Flávia Maria de Andrade Gimenes Nova Odessa Janeiro – 2013 Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação do Instituto de Zootecnia, APTA/SAA, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Produção Animal Sustentável.
  • 3. Desempenho e comportamento de vacas lactantes em cultivares de Braquiárias Ficha catalográfica elaborada pelo Núcleo de Informação e Documentação do Instituto de Zootecnia D369d Demski, Joana Baptista Desempenho e comportamento de vacas lactantes em cultivares de Braquiárias. / Joana Baptista Demski. Nova Odessa – SP, 2012. 80p.: il. Dissertação (mestrado) – Instituto de Zootecnia. APTA/SAA. Orientador: Dr. Irineu Arcaro Junior. Co-orientador: Dra. Flávia Maria de Andrade Gimenes. 1. Capim-convert HD364. 2. Capim-marandu 3. Manejo intermitente. 4. Produção de forragem. 5. Produção de Leite. 6. Valor nutritivo. I. Arcaro Junior, Irineu. II. Gimenes, Flávia Maria de Andrade. III. Titulo. CDD 637.127
  • 4. GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO SECRETARIA DA AGRICULTURA E ABASTECIMENTO AGÊNCIA PAULISTA DE TECNOLOGIA DOS AGRONEGÓCIOS INSTITUTO DE ZOOTECNIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PRODUÇÃO ANIMAL SUSTENTÁVEL CERTIFICADO DE APROVAÇÃO DESEMPENHO E COMPORTAMENTO DE VACAS LACTANTES EM PASTAGENS DE CULTIVARES DE BRAQUIÁRIAS JOANA BAPTISTA DEMSKI Irineu Arcaro Junior Flávia Maria de Andrade Gimenes Aprovado como parte das exigências para obtenção de título de MESTRE em Produção Animal Sustentável, pela Comissão Examinadora: Irineu Arcaro Junior Alessandra Aparecida Giacomini Instituto de Zootecnia Soraia Vanessa Matarazzo Universidade Estadual de Santa Cruz Data da realização: 25 de Janeiro de 2013 Presidente da Comissão Examinadora Prof. Dr. Irineu Arcaro Junior
  • 5. iv Dedico A minha amada mãe Orlanda e meus amados irmãos Cristina, Guilherme e Lizandro (por ordem alfabética, para não gerar conflitos) por todo apoio e por tudo que eu sou nessa vida. E também a minha sobrinha Ana Gabriela última a chegar à família, mas já chegou dando muito orgulho. Ao meu pai (in memorian) que me ensinou através do exemplo o gosto pelo trabalho no campo e me deixou de herança a teimosia atualmente indispensável para alcançar meus objetivos. A todos os amigos queridos que fizeram e fazem parte da minha vida, me impedindo de perder a fé nos seres humanos. Amo vocês e a distância só faz crescer em mim o desejo de estar perto. “Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira.” (Johann Goethe)
  • 6. v
  • 7. vi AGRADECIMENTOS Primeiramente aos animais que a vida toda me ensinaram valiosas lições e incontáveis vezes foram a minha única companhia. Neste caso especialmente para as vacas: Nélia (in memoriam), Gaucha, Vectra, Heide, Amada e a Flecha que fizeram meus dias no campo muito mais empolgantes. Ao Instituto de Zootecnia, ao programa de pós-graduação em Produção Animal Sustentável e ao CAPTA Bovinos de leite. A Empresa DowAgroscience pelo apoio financeiro na execução do projeto. Ao Professor Dr. Irineu Arcaro Junior, pela orientação, conselhos, incentivo, ajuda e pela paciência nesses anos. A Dra. Flávia Maria de Andrade Gimenes pela orientação, conselhos e apoio. A Professora Dra. Luciandra Macedo de Toledo pelos conselhos, por sempre estar pronta para ajudar e pela amizade. Ao Dr. Luis Alberto Ambrósio por toda ajuda, pela paciência, pelos conselhos e por tornar os dias no escritório mais alegres. A todos os funcionários da Fazenda em especial para: Gilberto, Ivo, Ana, Donizete, Creuza e Ivana. Também para funcionários dos demais setores do Instituto de Zootecnia que sempre me auxiliaram quando precisei em especial para Ester sempre muito solicita. Aos estagiários e técnicos que me auxiliaram e dividiram o trabalho árduo do campo, especialmente: Débora, Nathália e Gustavo.
  • 8. vii A todos os colegas que eu conheci no mestrado e as pessoas que eu conheci nessa caminhada, em especial Evandro que sempre deu ótimos conselhos e proporcionou boas risadas. As pessoas que dividiram a casa comigo e me suportaram em especial: Gianni, Cyntia, Gisele, Katyele e Lucas, obrigada pelo carinho e pela paciência. Ao casal Claiton e Maria Luisa pela amizade, apoio e incentivo. Os primeiros a me guiar para essa maravilhosa fase da minha vida. Aos pesquisadores do Instituto: Dra. Alessandra Aparecida Giacominni, Dra. Luciana Gerdes, Dra. Ivani Pozar Otsuk e Dra. Rosana Aparecida Possenti. Ao povo de Piracicaba os primeiros a me acolher quando cheguei no estado de São Paulo. A toda minha família e aos meus amigos de Chapecó-SC que mesmo a distancia guardo no coração, em especial aos amigos Tiago, Robson, Mateus, Elena, Juciane, Alyssa, Reinoldo, Vitor e João sempre presentes e tendo que me agüentar nas visitas a minha “Never Land”. Antes de terminar eu gostaria de agradecer ao Zeus e a Zara queridos que sempre me cumprimentam abanando o rabo ao me ver, não importando quantas vezes eles me vejam no mesmo dia, e ao Bob também. Os “Filhos” dos meus amigos queridos. A bicharada da casa da mãe: Emilio, Nina, Rosinha, Urso, Baby e o caco. Sempre os primeiros a me receber quando adentro a casa. Enfim, a todos e se eu esqueci neste momento o nome de alguém, saiba que não é menos importante para mim do que os que foram citados. Todas as participações que houveram nessa caminhada foram decisivas para o que eu sou hoje.
  • 9. viii CALMA Se você está no ponto de estourar mentalmente, silencie alguns instantes para pensar. Se o motivo é moléstia no próprio corpo, a intranquilidade traz o pior. Se a razão é enfermidade em pessoa querida, o seu desajuste é fator agravante. Se você sofreu prejuízos materiais, a reclamação é bomba atrasada, lançando caso novo. Se perdeu alguma afeição, a queixa tornará você uma pessoa menos simpática, junto de outros amigos. Se deixou alguma oportunidade valiosa para trás, a inquietação é desperdício de tempo. Se contrariedades aparecem, o ato de esbravejar afastará de você o concurso espontâneo. Se você praticou um erro, o desespero é porta aberta a faltas maiores. Se você não atingiu o que desejava, a impaciência fará mais larga à distância entre você e o objetivo a alcançar. Seja qual for a dificuldade, conserve a calma trabalhando, porque, em todo problema, a serenidade é o teto da alma, pedindo o serviço por solução. (André Luiz)
  • 10. ix
  • 11. x SUMÁRIO RESUMO ......................................................................................................................XII ABSTRACT .................................................................................................................XIII LISTA DE TABELAS ................................................................................................ XIV LISTA DE FIGURAS ...................................................................................................XV 1. INTRODUÇÃO.............................................................................................. 16 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA....................................................................... 18 2.1. Pastagens - Brachiaria ................................................................................... 18 2.2. Capim-marandu .............................................................................................. 20 2.3. Capim-convert HD364 ................................................................................... 20 2.4. Características da pastagem e sua influencia sobre o comportamento animal e o desempenho ................................................................................................................. 21 2.5. Altura do dossel.............................................................................................. 22 2.6. Densidade populacional de perfilhos.............................................................. 23 2.7. Massa de forragem, composição morfológica e acúmulo de MS................... 24 2.8. Simulação do pastejo e valor nutritivo ........................................................... 25 2.9. Comportamento animal em pastagens............................................................ 27 2.10. Produção e composição do leite em pastagens............................................... 28 3. MATERIAL E MÉTODOS............................................................................ 32 3.1. Espécie vegetal ............................................................................................... 32 3.2. Local do experimento..................................................................................... 32 3.3. Clima .............................................................................................................. 32 3.4. Delineamento experimental – Pastagem......................................................... 33 3.1. Delineamento experimental – Desempenho animal ....................................... 34 3.2. Área experimental e instalações ..................................................................... 34 3.3. Instalação das condições experimentais ......................................................... 35 3.4. Animais........................................................................................................... 36 3.5. Monitoramento das condições experimentais na pastagem............................ 38 3.6. Densidade populacional de perfilhos.............................................................. 38 3.7. Massa de forragem (MF), composição morfológica e acumulo de MF ......... 39
  • 12. xi 3.8. Simulação de pastejo e valor nutritivo ........................................................... 40 3.9. Comportamento ingestivo: tempo de pastejo e taxa de bocado ..................... 41 3.10. Desempenho animal: produção e composição do leite................................... 42 3.11. Análise estatística ........................................................................................... 42 3.12. Pastagem......................................................................................................... 42 3.13. Desempenho animal ....................................................................................... 43 3.14. Comportamento animal .................................................................................. 43 4. RESULTADOS .............................................................................................. 44 4.1. Altura pré-pastejo ........................................................................................... 44 4.2. Densidade populacional de perfilhos.............................................................. 45 4.3. Acúmulo de forragem e composição morfológica ......................................... 46 4.4. Simulação do pastejo e valor nutritivo ........................................................... 47 4.5. Tempo de pastejo............................................................................................ 49 4.6. Taxa de bocado............................................................................................... 50 4.7. Produção de leite ............................................................................................ 51 4.8. Composição do leite ....................................................................................... 52 5. DISCUSSÃO.................................................................................................. 54 5.1. Pastagem......................................................................................................... 54 5.2. Comportamento ingestivo .............................................................................. 57 5.3. Produção e composição do leite ..................................................................... 59 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................... 62 7. CONCLUSÃO................................................................................................ 64 8. REFERENCIAS ............................................................................................. 66 ANEXOS........................................................................................................................ 76
  • 13. xii RESUMO Devido à importância da produção de leite e a grande utilização de pastagens compostas por Braquiária pelos produtores, faz-se necessários maiores estudos avaliando a produção de leite e aspectos nutricionais e produtivos em cultivares dessa forrageira. Por isso este trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar a produção de leite e o comportamento ingestivo de vacas holandesas em pastejo no capim-convert HD364 e capim-marandu, e caracterizar o dossel forrageiro dessas duas gramíneas. O experimento foi conduzido numa área de 4 ha dividida em 28 piquetes, para avaliações da pastagem foi utilizado delineamento inteiramente casualizado com 2 tratamentos (capim-convert HD364 e capim-marandu) e para avaliação dos animais optou-se pelo delineamento de blocos pareados ao acaso, utilizando 20 vacas da raça holandesa de peso médio de 550 kg, que formaram 10 blocos contendo dois animais cada. As variáveis medidas foram à produção e a composição de leite, o comportamento ingestivo (tempo de pastejo e taxa de bocados), altura da pastagem (variável controle), acúmulo de forragem e composição morfológica, densidade populacional de perfilhos (DPP), o valor nutritivo da simulação de pastejo. Apesar da estrutura do dossel de ambos os capins ser semelhante o capim-convert HD364 apresentou maior DPP (822 perfilhos.m-2 ) em relação ao capim-marandu (636 perfilhos.m-2 ) característica que confere maior produtividade e melhor distribuição dos componentes morfológicos no dossel. Os resultados da análise bromatológica mostraram que o capim-convert HD364 apresentou média no período de 14,35 % de PB enquanto o capim-marandu apresentou média de 13,03 % de PB. Os valores de celulose (26,48 %) e hemicelulose (30,73 %) foram maiores no capim-marandu e a lignina foi maior (3,70 %) no capim-convert HD364. Na avaliação de comportamento ingestivo os animais sob pastejo no capim- convert HD364 permaneceram menor tempo em atividade de pastejo, sendo que o tempo médio foi de 234 min. no período de verão e 246 min. no período de outono, já o tempo na atividade de ruminação teve efeito inverso. A produção de leite média no período foi de 15,3 kg.vaca-1 .dia-1 no capim-convert HD364 e 14,3 kg.vaca-1 .dia-1 no capim-marandu. Para as demais avaliações feitas neste experimento não foi encontrada diferença entre os capins. O capim-convert HD364 apresentou menor tempo de pastejo, maior tempo de ruminação, e aumentou o desempenho demonstrando sua eficiência em otimizar o tempo que os animais dispõe para as atividades diárias. Portanto, tanto o capim-convert HD364 quanto o capim-marandu podem ser utilizados com sucesso em sistemas de produção de leite a pasto. . Palavras-chave: Capim-convert HD364, Capim-marandu, Lotação intermitente, Produção de forragem, Produção de Leite, Valor nutritivo
  • 14. xiii ABSTRACT Due to the importance of milk production and the use large of pastures composed by Braquiária. It is necessary further studies evaluating milk production, aspects nutritional and productive cultivars of forage. Therefore this study was to evaluate milk production and ingestive behavior of dairy cows grazing in grass-convert HD364 and grass-marandu and characterize the canopy of these two grasse. The experiment was conducted in an area of 4 hectares divided into 28 paddocks. Ratings for the pasture was used completely randomized design with two treatments (grass-convert HD364 and grass-marandu), using 20 Holstein cows with an average weight of 550 kg, which formed 10 blocks containing two animals each. The variables measured were the production and composition of milk, ingestive behavior (grazing time and bite rate), pasture height (variable control), herbage accumulation and morphological composition, tiller density (DPP), the nutritional value simulation grazing. Despite the canopy structure of both grasses look like the HD364 convert grass showed higher TPD (822 tiller.m-2 ) relative to grass-marandu (636 tiller.m-2 ) feature that provides greater productivity and better distribution of morphological components in the canopy. The results of chemical analysis showed that grass-convert HD364 presented in the average period of 14.35 % CP while grass-marandu had a average 13.03 % de CP. The values of cellulose (26.48%) and hemicellulose (30.73%) were higher in grass-marandu and the lignin was higher (3.70%) in grass-convert HD364. In the evaluation of ingestive behavior under grazing animals in grass-convert HD364 spent less time grazing activity, and the average time was 234 min. in summer and 246 min. during autumn, as the weather in rumination activity had the opposite effect. The average milk production in the period was 15.3 kg.cow-1 .day-1 in grass-convert HD364 and 14.3 kg.cow-1 .day-1 in grass-marandu. For other evaluations in this experiment there was no difference between the grasses. Grass-convert HD364 presented less time grazing, higher time rumination, and increased performance demonstrating their efficiency in optimizing the time that animals have for daily activities. Therefore, both grass-convert HD364 as the grass-marandu can be used successfully in systems milk production in pasture. Keywords: Forage Production, Grass-convert HD364, Grass-marandu, Management intermittent, Milk Production, Nutritive value
  • 15. xiv LISTA DE TABELAS Tabela 1. Condição inicial dos animais no ano de 2012: número do animal, número de lactações, início da lactação e produção inicial. ........................................................ 37 Tabela 2. Densidade populacional de perfilhos (perfilhos.metro-2 ) de pastos de capim-convert HD364 e capim-marandu pastejados por vacas em lactação, durante os meses de janeiro, fevereiro e março do ano de 2012...................................................... 45 Tabela 3. Taxa de acúmulo (kg.ha-1 .dia-1 ), acúmulo mensal (kg.ha-1 ) e acúmulo de folhas (kg.ha-1 ) de pastos de capim-convert HD364 e capim-marandu pastejados por vacas em lactação, durante os meses de janeiro, fevereiro e março do ano de 2012. .... 46 Tabela 4. Composição morfológica (%) de pastos de capim-convert HD364 e capim- marandu pastejados por vacas em lactação, durante os meses de janeiro, fevereiro e março do ano de 2012..................................................................................................... 47 Tabela 5. Composição bromatológica de pastos de capim-convert HD364 e capim- marandu pastejados por vacas em lactação, durante os meses de janeiro (1), fevereiro (2), março e abril (3) do ano de 2012. ............................................................................ 48 Tabela 6. Valores percentuais dos componentes do leite gordura, proteína, sólidos totais e lactose das vacas pastejando no capim-convert HD364 e Marandu. ................. 52
  • 16. xv LISTA DE FIGURAS Figura 1. Dados climáticos durante o período experimental. Colunas representam a precipitação pluvial, e a linha refere-se à temperatura do ar média. .............................. 33 Figura 2. Diagrama de representação da distribuição dos piquetes de avaliação no total de piquetes do experimento em 2012 entre os capim-convert HD364 e capim- marandu. .................................................................................................................... 34 Figura 3. Croqui da área experimento com dimensionamento dos piquetes, corredor, medidas de largura e comprimento, localização dos tratamentos (capim-convert HD364 e capim-marandu) na área experimental, da porteira (1), da sombra artificial (2), das caixas de água (3). .......................................................................................................... 35 Figura 4. Altura do dossel: pré-pastejo (cm) de pastos de capim-convert HD364 e capim-marandu pastejados por vacas em lactação, durante os meses de janeiro, fevereiro, março e abril do ano de 2012. ........................................................................ 44 Figura 5. Altura do dossel: pós-pastejo (cm) de pastos de capim-convert HD364 e capim-marandu pastejados por vacas em lactação, durante os meses de janeiro, fevereiro, março e abril do ano de 2012. As barras representam o desvio padrão da média por tratamento...................................................................................................... 45 Figura 8. Número de bocados.minuto-1 em pastos de capim-convert HD364 e capim- marandu pastejados por vacas em lactação, durante verão de 2012. As barras representam o desvio padrão da média por tratamento. ................................................. 51 Figura 9. Produção de leite de vacas sob pastejo em pastagens de capim-convert HD364 e capim-marandu durante os meses de janeiro, fevereiro, março e abril do ano de 2012. As barras representam o desvio padrão da média por tratamento. .................. 52 Figura 10. Temperatura (°C) nos dias de comportamento no período de verão por horário de avaliação........................................................................................................ 76 Figura 11. Umidade relativa do ar (%) nos dias de comportamento no período de verão por horário de avaliação........................................................................................ 76 Figura 12. Umidade relativa do ar (%) nos dias de comportamento no período de outono por horário de avaliação. .................................................................................... 77 Figura 13. Temperatura em °C nos dias de comportamento no período de verão por horário de avaliação........................................................................................................ 77
  • 17. 16 1. INTRODUÇÃO A produção de leite é um importante setor da pecuária que cresce continuamente e possui potencial para expandir ainda mais. Esse aumento precisa estar embasado na busca pela sustentabilidade e consequentemente na preservação do meio ambiente e na garantia de renda ao pecuarista. A produção de leite nos sistemas de apresenta uma série de vantagens em relação ao sistema confinado, como, por exemplo, a diminuição da utilização de mão- de-obra e maquinário para alimentar os animais, não há concentração de dejetos e por isso não há gastos com tratamento e destinação, fatores que viabilizam e tornam o sistema uma excelente opção para os produtores. Em climas tropicais há predominância de gramíneas C4 que atualmente são consideradas muito produtivas se bem manejadas, mas que ainda não tem todo seu potencial explorado pelos produtores de leite, o que ocorre pela adoção de idéias hoje já desmistificadas pela pesquisa, como a de que esses capins não possuem qualidade para sustentar e trazer ganhos à produção de leite. As gramíneas forrageiras do gênero Brachiaria são de grande importância econômica no Brasil e compreendem cerca de 100 espécies (VALLE et al, 2009), dentre as espécies de importância mais expressiva encontra-se o capim-marandu, utilizado em larga escala nas pastagens cultivadas e por isso é amplamente estudado pelas pesquisas que obtiveram ótimos resultados em desempenho animal, valor nutritivo e produtividade com este capim.
  • 18. 17 Por sua expressividade no cenário nacional as Brachiarias têm sido alvo dos programas de melhoramento, que exploram a variabilidade genética dessas plantas dando origem a cultivares melhorados. Esses programas têm por objetivo aumentar a diversificação de pastagens e trazer ganhos em produtividade por animal e por área, junto ao aumento da resistência a estresses bióticos e abióticos (VALLE et al., 2009). Esse é caso do capim-mulato II, agora comercializado como Convert HD364. Teodoro (2011) avaliou a produção de matéria seca (MS) e o valor nutritivo dos capins capim-marandu e Mulato II (capim-convert HD364) em experimento com corte e encontrou resultados semelhantes entre os capins nas características analisadas. Porém, é necessário que sejam realizados experimentos com uso de animais em pastejo, pois há uma complexa interação entre plantas e animais em sistemas de pastagens, de forma que um componente causa efeitos no outro e estudos isolados geram apenas resultados parciais do que ocorre nas pastagens. Diante disso o objetivo deste trabalho foi avaliar a produção de forragem, valor nutritivo, comportamento ingestivo, produção e composição do leite no capim-convert HD364 e capim-marandu sob pastejo em sistema rotacionado.
  • 19. 18 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1. Pastagens - Brachiaria As pastagens correspondem a um dos maiores ecossistemas do Brasil, são entidades complexas formadas por componentes bióticos e abióticos arranjados de forma hierárquica e interativa, que determina a amplitude das respostas de plantas e animais (DA SILVA et al. 2008). Suas relações de causa e efeito compreendem a influencia do ambiente, da planta e do pastejo (animal) sobre a produção total, formando a associação dos componentes dentro do sistema. Um dos componentes do ecossistema das pastagens é a planta forrageira, definida como toda planta que é consumida por herbívoros (PEREIRA et al., 2001). Dentre as plantas forrageiras mais utilizadas temos as do gênero Brachiaria que pertence á família das poáceas e reúne cerca de 100 espécies (VALLE et al., 2009). São gramíneas de grande importância econômica, distribuídas pelas regiões tropicais e subtropicais e que ocupam a maior parte da área de pastagens cultivadas (VALLE et al., 2009). Do total da área ocupada por pastagens, estima-se que 60 milhões de hectares sejam formados por Brachiarias principalmente a Brachiaria brizantha cv. Marandu, que representa 65% da área plantada na região Norte e 50% na região Centro-Oeste (BARBOSA, 2006). Estudos com capim-marandu mostram que essa planta forrageira é uma boa opção tanto para produção de carne como para produção de leite.
  • 20. 19 Porém, Valle et al. (2003) alertaram para a baixa diversidade genética nas pastagens cultivadas, demonstrando que é imprescindível ações visando a redução de riscos potenciais desses extensos monocultivos. Uma das alternativas para diminuir este problema, é a liberação de novos cultivares melhorados para uso pelos produtores rurais (Valle, 2001). Vários cultivares podem ser utilizados na diversificação de pastagens, um deles é o capim-mulato II, um híbrido de Brachiaria lançado no ano 2000 pelo Projeto de Forragens Tropicais do CIAT e comercializado inicialmente pela empresa Semillas Papalotla S.A. Mas que a partir de 2009 foi denominado capim-convert HD364 e comercializado pela empresa Dow Agroscience. A fim de manter o rigor cientifico, a partir desse ponto o nome utilizado será capim-convert HD364. Esse capim apresenta bons resultados em produção de leite em países como a Colômbia (ARGEL et al, 2007) O objetivo dos programas de melhoramento de forragens é o aumento da produtividade e da qualidade da planta, bem como adaptação a estresses edáficos e climáticos (VALLE et al., 2008). O potencial produtivo da planta é determinado geneticamente, porém para alcançar todo seu potencial a planta precisa ser bem manejada. Hodgson e Da Silva (2002) apontaram algumas alternativas de manejo para plantas forrageiras tropicais com base no conceito de “sward target” ou alvo de manejo, utilizado em pastagens de clima temperado. A base desse conceito é a utilização de características inerentes à planta forrageira como critério de manejo, por exemplo, altura do dossel, massa de forragem, interceptação luminosa (IL) e índice de área foliar (IAF). Para aplicar esse conceito, é necessária a elaboração de um banco de dados com informações sobre características ecofisiológicas e sobre os comportamentos de plantas e animais na pastagem (NASCIMENTO Jr. et al., 2003). Esse banco de dados deve contemplar tanto as plantas forrageiras já utilizadas em grande escala por produtores como é o caso do capim-marandu, quanto as forrageiras recentes no mercado, de modo a evitar que o manejo inadequado desses novos materiais comprometa sua produtividade e perenidade agravando o problema de baixa diversidade genética nas pastagens brasileiras.
  • 21. 20 2.2. Capim-marandu O capim-marandu, de acordo com Nunes et al. (1985), é um ecotipo originário de regiões vulcânicas da África tropical que durante muitos anos foi cultivado no Brasil, na região do município de Ibirarema, estado de São Paulo. Em 1977 a Estação de Pesquisas em Pastagens de Marandela - Zimbabwe, na África, enviou amostras do material vegetal para a EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. No ano de 1984 houve o lançamento oficial do cultivar, servindo como mais uma alternativa aos pecuaristas brasileiros (NUNES et al. 1985; RENVOIZE et al.,1996). O capim-marandu é uma das plantas forrageiras mais utilizadas em todo o país, perfazendo mais de 20% de todas as pastagens cultivadas (MACEDO, 1995; SANTOS FILHO, 1996). O cultivar é recomendado para áreas de média à boa fertilidade, embora tolere acidez no solo. A temperatura ótima para seu desenvolvimento está entre 30 e 35 ºC, sendo a mínima para crescimento de 15ºC, embora tolere geada. Apresenta reduzida tolerância ao sombreamento, desenvolvendo-se abundantemente a sol pleno e suporta bem o fogo (GHISI e PEDREIRA, 1987). Do total da área ocupada por pastagens no Brasil, estima-se que 60 milhões de hectares sejam formados pela Brachiaria brizantha cv. Marandu, que representa 65% da área plantada na região Norte e 50% na região Centro-Oeste (BARBOSA, 2006). Estudos com capim-marandu mostram que essa planta forrageira é uma opção tanto para produção de carne como para produção de leite. Em experimento sob lotação rotativa com 3 dias de ocupação e 30 dias de descanso o capim-marandu não diferiu dos capins tanzânia (Panicum maximum cv. Tanzânia) e grama-estrela (Cynodon nlemfluenses) para produção de leite de vacas Holandês x Zebu (8,7; 9,1; 9,1 kg.vaca-1 .dia-1 de leite respectivamente), também a composição química do leite e taxa de lotação dos piquetes não diferiu entre os capins apesar de o consumo de matéria seca ter sido maior para o Tanzânia (2,6% do PV) em relação a capim-marandu (2,4%) e grama-estrela (2,3%) (FUKUMOTO et al, 2010). 2.3. Capim-convert HD364 O híbrido capim-convert HD364 é apresentado como uma nova opção de diversificação das pastagens cultivadas. Porém, ainda são escassas informações científicas sobre esse híbrido no Brasil. Foi obtido pelo cruzamento entre a Brachiaria
  • 22. 21 decumbens, Brachiaria ruziziensis e a Brachiaria brizantha possui uma ampla faixa de adaptação desenvolvendo-se bem do nível do mar até altitudes de 1.800m e de elevadas precipitações até 700 mm/ano, tem boa adaptação a solos ácidos e de baixa fertilidade apresentando também resistência a cigarrinhas das pastagens. O capim-convert HD364 apresentou teor de proteína bruta superior (11,4%) aos B. brizantha cv. Xaraés (9,1%) e Mulato (9,7%) e digestibilidade in vitro da matéria seca (66,3%) semelhante a esses cultivares em trabalho realizado na Colômbia (ARGEL et al, 2007). Resultados publicados pelo Boletim do CIAT revelaram produção de leite.vaca-1 .dia-1 para o capim-convert HD364 superior à B. decumbens cv. Basilisk, B. brizantha cv. Xaraés e Mulato, indicando potencial para uso em sistemas de produção animal em pastagens nas regiões tropicais. 2.4. Características da pastagem e sua influencia sobre o comportamento animal e o desempenho A estrutura da pastagem foi definida por Laca e Lemaire (2000), como sendo a distribuição do arranjo espacial dos componentes da parte aérea dentro de uma comunidade de plantas, representada pela altura do dossel, massa de forragem, densidade populacional de perfilhos, densidade volumétrica, índice de área foliar e relação folha/colmo. É caracterizada com o objetivo de explicar fenômenos como taxa de crescimento, interceptação luminosa, qualidade da dieta e taxa de consumo dos animais em pastejo (LACA E LEMAIRE, 2000). A estrutura do dossel forrageiro influencia na facilidade de apreensão da forragem pelos animais (NABINGER e PONTES 2001). Segundo Van Soest (1994), quanto maior a relação folha/colmo, maior é o valor nutritivo da forragem, porque as folhas são a fração da planta forrageira com alta digestibilidade, ricas em proteína bruta e com menor teor de fibra. O desempenho de vacas leiteiras na pastagem é função da ingestão de forragem, do valor nutritivo da forrageira e do potencial genético do animal (GOMIDE, 1994). O consumo é o principal fator que afeta o desempenho dos animais a pasto (NOLLER et al. 1996), influenciando cerca de 60 a 90% dos resultados em ganho animal enquanto somente 10 a 40 % das variações no consumo são explicados pela digestibilidade da matéria seca (MS) da dieta (MERTENS, 1994).
  • 23. 22 O consumo de forragem em condições de pastejo é fortemente influenciado e condicionado por fatores não-nutricionais (POPPI et al., 1987). Estes, por sua vez, são influenciados por variações em estrutura do dossel forrageiro (DA SILVA et al, 2012). Características associadas à planta como altura, massa de forragem e perfilhamento apresentam correlação positiva com características nutricionais e apreensibilidade da forragem (PRACHE e PEYRAUD, 1997). No Brasil há uma tendência de maior especialização dos sistemas de produção de leite, nos quais são usados animais de potencial genético elevado (ALVIM et al.1999). Vacas em lactação com grande potencial genético para produção de leite como é o caso dos animais da raça holandesa, apresentam elevadas exigências nutricionais principalmente de energia (OLIVEIRA e NASCIMENTO JR, 2012). Como na fase de lactação a capacidade ingestiva do animal é limitada, a dieta do animal deve contar com alimentos de alta qualidade. Diante disso, aumenta a demanda por informações sobre volumosos de boa qualidade, capazes de reduzir os custos da alimentação (ALVIM et al., 1999). As características das forragens de maior importância são aquelas que determinam o consumo voluntário e a quantidade de nutrientes digestíveis (SOARES FILHO, 1994), como altura, relação folha-colmo, densidade volumétrica e disponibilidade de pasto, que influenciam o comportamento de pastejo do animal. 2.5. Altura do dossel Vários experimentos vêm sendo realizados nos últimos anos com gramíneas tropicais para determinar alturas de manejo de acordo com o conceito de interceptação luminosa (IL) que é o passo inicial para uma sequência de processos que resultam na produção de forragem (MOLAN, 2004). As pesquisas buscam determinar o momento ideal para a interrupção do período de rebrotação de pastos sob desfolha intermitente (PEDREIRA et al., 2007; GIACOMINI et al., 2009) e a severidade de corte ideal (resíduo pós-pastejo). O momento ideal seria aquele que possibilita a melhor eficiência na utilização da pastagem produzida. Hogson (1990) dividiu o processo produtivo no sistema pastoril em três fases: crescimento (acumulo de forragem), utilização (colheita) e conversão (produção animal). Dentro de uma comunidade de plantas a melhor forma de maximizar
  • 24. 23 a produtividade seria aumentando a eficiência do processo de colheita, ou seja, da fase de utilização. A eficiência de utilização pode ser definida como a proporção de forragem que é consumida antes de entrar em senescência (LEMAIRE e CHAPMAN, 1996) e ajustada pela freqüência e a intensidade da desfolha (manejo do pastejo). A freqüência e a intensidade da desfolha determinam a forma como o pasto é apresentado ao animal (estrutura do dossel), a manipulação dessas variáveis é denominada de manejo do pastejo (HODGSON e DA SILVA, 2002) e correspondem a altura de entrada e saída dos animais do piquete, respectivamente, em pastejo sob lotação intermitente. Vários trabalhos foram realizados obtiveram bons resultados utilizando altura como critério de manejo em pastagens de braquiaria sob lotação intermitente (TRINDADE et al., 2007; GIACOMINI, et al., 2009; GIMENES et al., 2011). A altura de pastejo que corresponde a 95% de IL resulta em balanço ideal entre os processos de crescimento, senescência, fotossíntese e respiração, em pastagens de clima tropical. Gimenes et al. (2011) em pesquisa que avaliaram metas de manejo sob lotação intermitente já estabelecidas por Trindade et al., 2007 e Giacomini et al., 2009 (25cm de altura pré-pastejo e 15cm de altura pós-pastejo) e encontraram melhor desempenho animal na altura pré-pastejo de 25 cm (interceptação de 95% da luz incidente) em relação a 35 cm (100% de interceptação da luz incidente), corroborando mais uma vez . A altura pós-pastejo variou de 15 a 20 cm, faixa que garante um bom desempenho animal, coincidindo com a melhor composição da planta e maior quantidade de folhas (GIMENES et al., 2011). 2.6. Densidade populacional de perfilhos O perfilho é a unidade básica das gramíneas (HODGSON, 1990), formado por uma sucessão de fitômeros em diferentes fases de desenvolvimento (VALENTINE e MATTHEW, 1999). A produção de perfilhos é controlada pela disponibilidade de água, luz, temperatura, nutrientes (N, P, K), e pelo estágio de desenvolvimento da planta (LANGER, 1979). Existem várias características determinantes da estrutura do dossel (LEMAIRE e CHAPMAN, 1996), mas a densidade populacional de perfilhos (DPP) é que gera maior impacto (MATTHEW et al., 2000). Mudanças na densidade populacional de
  • 25. 24 perfilhos são resultado da competição por luz dentro da comunidade de plantas, com a finalidade de atingir um equilíbrio entre crescimento e senescência (LEMAIRE e CHAPMAN, 1996). Em pastos mantidos mais baixos há ocorrência de maior numero de perfilhos de menor tamanho, à medida que a altura do dossel aumenta, o número de perfilhos diminui e há a tendência de aumento de colmos, essa é resposta clássica da adaptação da planta ao pastejo e da competição por luz dentro da comunidade (SBRISSIA e DA SILVA, 2008). Essa dinâmica afeta a proporção e a distribuição dos componentes morfológicos preferidos pelos animais. 2.7. Massa de forragem, composição morfológica e acúmulo de MS Massa de forragem é um componente da estrutura do dossel e utilizado para entender os processos relativos à atividade de pastejo e o comportamento ingestivo dos animais (DA SILVA e NASCIMENTO JR, 2006). Quando a massa de forragem está adequada o que o animal despende menor tempo com alimentação ingerindo uma dieta de qualidade elevada (CARVALHO et al., 2005). Porém o estudo da massa de forragem confere outras respostas importantes como, por exemplo, a produção de forragem (acúmulo de forragem) que pode ser definida como o balanço entre crescimento e senescência. O acúmulo de matéria seca é um indicador do potencial produtivo da planta, porém nem sempre é suficiente para explicar diferenças em desempenho animal, porque para um mesmo valor de acúmulo o dossel pode se apresentar ao animal de várias formas (BIRCHAM e HODGSON, 1983). Portanto é necessário conhecer a composição morfológica da pastagem que pode ser desmembrada nos componentes: lâminas foliares, colmo e material morto. A dieta do animal em pastejo contém uma grande proporção de folhas em relação a colmo e material morto (HODGSON, 1990). Portanto a presença de folhas em relação aos outros componentes é uma condição importante para satisfazer as necessidades nutricionais dos animais (STOBBS, 1973). Por possuir um maior valor nutricional (TRINDADE et al., 2007), a folha é o componente do dossel que mais influencia o consumo e o desempenho (CHACON e STOBBS, 1976), por ser determinante da facilidade de colheita da pastagem pelos animais (STOBBS, 1973). Já a proporção de colmos dificulta o pastejo, dependendo da
  • 26. 25 sua proporção e da distribuição espacial na massa de forragem (MF), podem constituir barreiras ao pastejo, além de serem de qualidade nutritiva inferior às folhas. As folhas jovens são componentes com maior valor nutritivo e mais fotossintéticamente ativas, portanto uma massa de forragem com maior proporção de folhas garante a planta uma rebrota mais rápida resultando em maior produção e também pode conferir maior valor nutritivo a dieta dos animais. 2.8. Simulação do pastejo e valor nutritivo Várias pesquisas com bovinos em pastejo têm sido realizadas para o aperfeiçoamento da determinação da qualidade da forragem ingerida pelos animais (MORAES et al., 2005). O uso de animais fistulados é forma comumente utilizada para coletar amostras de forragem pastejada, porém além de questões financeiras, éticas e de bem-estar animal, o uso de animais fistulados pode ocasionar problemas como a possibilidade de contaminação por nitrogênio salivar ou a perda de materiais solúveis, o que pode alterar a digestibilidade e a exatidão das análises (MINSON et al., 1976). A simulação manual de pastejo tem sido indicada como um método viável por ser representativo e prático (DE VRIES, 1995; GOES et al., 2003). A simulação de pastejo consiste na coleta manual da forragem, simulando o hábito de pastejo do animal, mediante observação cuidadosa da preferência do animal (JOHNSON, 1978). E permite reproduzir resultados semelhantes ao método de extrusa esofágica em trabalhos de avaliação de qualidade de forrageiras destinadas ao pastejo (LISTA et al. 2007). Silveira et al. (2005) encontraram resultados que permitiram indicar a simulação de pastejo como método de amostragem para avaliação da qualidade de forragem, devido à sua efetividade e facilidade de coleta. E a análise bromatológica dos componentes colhidos na simulação de pastejo é mais próxima do valor nutritivo real que o animal consome do que a análise feita na matéria seca total. Conhecer o valor nutritivo de uma forragem é importante para identificar e determinar fatores que limitam o consumo e o desempenho animal, além de saber se a forragem está adequada às exigências dos animais. A redução no valor nutritivo da forragem pode ser explicada pela redução da proporção de folhas, aumento de colmos e
  • 27. 26 material morto e pela lignificação das paredes celulares ao longo do desenvolvimento do ciclo das forrageiras (ROCHA et al. 2007). Segundo Gerdes et al. (2000) o termo valor nutritivo refere-se a composição química da forragem e a digestibilidade. Principal indicativo para caracterização de forragens por sua influencia no consumo (SOUZA NETO, 2004). O baixo valor nutritivo de uma forragem está associado ao baixo conteúdo de PB, alto conteúdo de parede celular e baixa digestibilidade da MS (EUCLIDES, 1995), fatores relevantes na alimentação de ruminantes, para se obter um balanço ótimo de nutrientes para os microrganismos ruminais (ILLIUS e JESSOP, 1996). No sistema de avaliação da fibra na análise bromatologica são extraídos as porções de fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido (FDA). A porção de FDN corresponde à soma dos teores de celulose, hemicelulose, lignina e resíduos de N e cinzas que estão intimamente associados à fibra do alimento e a porção de FDA corresponde aos mesmos constituintes da FDN menos a hemicelulose. A recomendação de consumo de FDN mínimo para vacas em lactação situa-se em torno de 1,2 % do PV por dia (MERTENS, 1994), em condições brasileiras esse nível é facilmente atingido em pastagens. As gramíneas de clima tropical possuem teores de PB inferiores ao das espécies de clima temperado (MINSON, 1990) variando de 10 – 15 % no verão (REIS, 2009). Grande parte das gramíneas tropicais apresenta teores de PB inferiores a 10% na MS, que pode acarretar no não atendimento das exigências de níveis de produção de leite e crescimento de médios a elevados. Sendo que a maior concentração de PB ocorre nas folhas (REIS, 2009). A ingestão máxima de matéria seca ocorre quando a digestibilidade da dieta se encontra entre 66 e 68% (FARIA e MATTOS, 1995). Valores de 65,68 % foram encontrados por Gerdes et al. (2000) no capim-marandu e estão muito próximos da faixa ideal. Gerdes et al. (2000) em trabalho com capim-marandu encontrou no período de verão 12,06 % de PB, 73,95 % de FDN e 65,68 % de digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) na massa de lâminas foliares, demonstrando o bom valor nutritivo deste capim. Teodoro (2011) testou o capim-marandu e capim-mulato II (CIAT 36087) e ambos os capins apresentaram bons teores de PB, sendo que o capim-mulato II apresentou maior teor de proteína bruta (14,60%) na matéria seca total em relação ao
  • 28. 27 capim-marandu (13,72%), na média das estações do ano, quando o dossel foi manejado com altura de resíduo 20 cm. 2.9. Comportamento animal em pastagens O comportamento dos animais em pastejo é uma porção importante do conhecimento para o entendimento das relações planta-animal no ecossistema pastagem (DA SILVA, 2006). O sistema de criação de bovinos a pasto é caracterizado por uma série de fatores e suas interações podem afetar o comportamento ingestivo dos animais, afetando seu desempenho e, conseqüentemente, a viabilidade da propriedade (PARDO et al, 2003). Os herbívoros co-evoluiram com as plantas forrageiras e durante este processo adquiriram uma série de adaptações para se alimentar dessas plantas (CARVALHO e MORAES, 2005). A ingestão de forragem é determinada por fatores nutricionais e não- nutricionais, sendo que os fatores não-nutricionais são aqueles ligados ao comportamento animal (POPPI et al., 1987). O comportamento ingestivo de um animal em pastejo pode ser descrito por variáveis que compõem o processo de pastejo (CARVALHO et al., 2001). O conhecimento dos padrões de comportamento dos animais para escolha, localização e ingestão de alimento é crucial para o desenvolvimento e sucesso da prática de manejo (FRASER, 1985) que deve ser encarado como a ação de criar ambientes pastoris adequados, que otimizem o consumo de nutrientes pelos animais em pastejo (CARVALHO et al., 1999; DA SILVA e CARVALHO, 2005). Durante o pastejo os animais manipulam a forragem, realizando a apreensão, mastigação e deglutição da forragem apreendida (DA SILVA, 2006). O tempo despendido em excesso em algum desses processos pode ocasionar uma diminuição no consumo e o não atendimento das necessidades do animal, pois o tempo para realização da atividade de pastejo é limitado (DA SILVA e CARVALHO, 2005), o animal ainda precisa ruminar e realizar outras atividades como descanso, interações com outros animais, ingestão de água e comportamentos exploratórios e lúdicos. As atividades dos animais nos sistemas de produção animal em pastagens compreendem períodos de pastejo, ruminação e descanso. O tempo de pastejo pode durar de 6 a 12 horas, o tempo de ruminação de 6 a 8 horas (HODGSON, 1990). O
  • 29. 28 tempo de pastejo tem relação direta com a taxa de ingestão e o consumo diário de forragem pelo animal (HODGSON et al., 1997), é distribuído em picos no decorrer do dia mais intensamente no inicio da manhã e no fim da tarde (COSGROVE, 1997) e é importante para entender a relação planta-animal no ecossistema da pastagem (DA SILVA, 2006).O método de avaliação baseado na mensuração do tempo de pastejo é especialmente apropriado para avaliação do comportamento ingestivo (ÍTAVO et al, 2008). A ruminação ocorre principalmente à noite (ROVIRA, 1996) e está relacionada à quantidade de material ingerido e a necessidade de remastigação deste material. Já o tempo de pastejo é inversamente proporcional ao consumo, quanto maior a abundancia de forragem menor o tempo de pastejo (CARVALHO e MORAES, 2005). A pastagem é um ambiente complexo e heterogêneo, onde o animal precisa colher o alimento da forma mais eficiente possível. Para isso ele terá que tomar decisões sobre como e onde realizar o pastejo, a menor escala de decisão do animal nesta situação é o bocado, que é o ato de apreender a forragem (GIBB, 1998). O bocado é a máxima interação entre a planta e o animal (CARVALHO et al, 1999). O fator que mais influencia na taxa de bocado é a oferta de forragem, em quantidades menores o animal tende a realizar mais bocados para compensar um tamanho de bocado reduzido (HODGSON, 1990), aumentando assim a freqüência de bocados (taxa de bocados = n° de bocados.minuto- ¹). 2.10. Produção e composição do leite em pastagens Em pastagens bem formadas e manejadas é possível obter produções diárias de 9 a 12 kg de leite.vaca-1 .dia-1 e ganhos de peso vivo de 700 a 900 g.novilho-1 .dia-1 , com cargas animais de acordo com sua capacidade de suporte, ou seja, oferta de forragem ótima para cada situação de pastejo (GOMIDE, 1983).Gomide et al, (2001) estudaram a produção de leite em experimento com vacas mestiças em pastagens de B. decumbens suplementada com 2 kg de concentrado sob ofertas de forragem variáveis (4 e 8% PV), obtendo resultados de produção de leite em torno de 11 kg-1 .vaca-1 .dia-1 . Produções médias de leite de 12 a 14 kg.vaca-1 .dia-1 foram observadas em pastagem de capim-elefante, adubada com 200 kg.ha-1 .ano-1 de N e K2O, sem suplementação com concentrado, quando manejado em sistema rotacionado durante a
  • 30. 29 época das chuvas (DERESZ, 2001). Potencial esse que pode ser alcançado pelos capins avaliados neste trabalho. Hack et al. (2007) em experimento com capim-mombaça (Panicum maximum Jacq.) submetidos a diferentes alturas de corte pré e pós-pastejo encontraram resultados de produção de leite de 10,8 a 14,0 kg.animal- ¹.dia- ¹, sendo que a maior produção foi encontrada nos pastos com menor altura pré-pastejo (90 cm ou 95% de interceptação luminosa) e pós-pastejo de 40 cm em relação à maior altura pré-pastejo (110 cm ou 100% de interceptação de luz), , pois na primeira situação havia maior proporção de folhas. Fukomoto et al. (2010) avaliaram a produção e a composição química do leite de vacas mestiças mantidas em pastagens de capim-tanzânia (Panicum maximum Jacq. cv. Tanzânia), grama-estrela (Cynodon nlemfuensis Vanderyst cv. Estrela-Africana) e capim-marandu (Brachiaria brizantha Stapf cv. Marandu) suplementados com 2 kg de concentrado.dia-1 e não encontraram diferença na produção de leite e os valores encontrados foram de 9,1; 9,1 e 8,7 kg.vaca-1 .dia-1 em pastagens de capim-tanzânia, grama-estrela e capim-marandu, respectivamente. A alimentação de vacas leiteiras tem grande importância para a produção e qualidade do leite. Os principais componentes do leite, a lactose, as proteínas e a gordura são sintetizados nas células que formam os alvéolos da glândula mamária, a partir de substâncias extraídas do sangue (MÜHLBACH, 2003). A proteína do leite é produzida a partir dos aminoácidos provenientes das proteínas digeridas no intestino delgado (AMÉDÉO, 1997), a gordura do leite é composta por ácidos graxos de cadeia longa e curta, provenientes da alimentação, da mobilização de reservas ou produto da fermentação da fibra. De acordo com Fredeen (1996), a dieta tem pouco efeito em relação as alterações no conteúdo de lactose do leite. Dos componentes do leite o teor de gordura é o que mais pode variar em função da alimentação, de modo geral, diminuindo com o aumento no volume de produção (MÜHLBACH, 2003). O teor de gordura no leite é proporcional ao teor de fibra da dieta (OLIVEIRA e FONSECA, 1999), que é usada para produção de acetato na síntese da gordura do leite na glândula mamária (TEIXEIRA, 1992). Voltolini et al. (2010) em experimento com capim-elefante manejado com freqüência de pastejo baseada na IL (95%) ou fixa (26 dias), em lotação rotacionada,
  • 31. 30 avaliaram a produção e a composição do leite de vacas da raça holandesa suplementadas com 6,3 kg de MS/dia de concentrado, parcelados em dois fornecimentos diários. A produção de leite foi de 16,72 e 14,09 para o manejo com IL de 95% e com dias fixos, respectivamente. Apenas o uso da frequência de desfolhação baseada na interceptação luminosa aumentou a taxa de lotação e a produção de leite por área sem que fosse necessário nenhum custo adicional de insumos ou mão-de-obra, evidenciando a importância do uso de alvos de manejo adequados para se obter maiores produtividades e tornar a atividade mais eficiente.
  • 32. 31
  • 33. 32 3. MATERIAL E MÉTODOS 3.1. Espécie vegetal As espécies estudadas pertencem à família Poaceae e gênero Urochloa. Sendo elas o capim-marandu (Brachiaria brizantha cv. Marandu (Hochsct ex.A. Rich) Stapf.) e capim-convert HD364 (Brachiaria híbrida CIAT 36087). 3.2. Local do experimento O experimento foi conduzido no Instituto de Zootecnia (IZ) de Nova Odessa, nas dependências do Centro de Análise e Pesquisa Tecnológica do Agronegócio Bovinos de Leite, localizado no município de Nova Odessa/SP, nas coordenadas geográficas aproximadas de 22º 42’ latitude (sul), 47º 18’ longitude (oeste) e 528 m de altitude. 3.3. Clima De acordo com o sistema Köppen, o clima dessa região é caracterizado como mesotérmico úmido, subtropical de inverno seco, classificado como Cwa, com temperaturas médias inferiores a 18ºC no mês mais frio e superiores a 22ºC na época mais quente. Os dados climáticos durante o período em que foi realizado o experimento
  • 34. 33 foram obtidos a partir do monitoramento climatológico realizado pelo Centro Integrado de Informações Agrometeorologias (CIIAGRO/IAC), através da estação meteorológica situada em Nova Odessa/Instituto de Zootecnia a uma distância de aproximadamente 10 km do local do experimento (Figura 1). 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 Janeiro Fevereiro Março Abril Meses do ano Precipitação(mm) 21 21 22 22 23 23 24 24 25 25 26 Temperatura(°C) Precipitação Temperatura Figura 1. Dados climáticos durante o período experimental. Colunas representam a precipitação pluvial, e a linha refere-se à temperatura do ar média. 3.4. Delineamento experimental – Pastagem O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente ao acaso, com medidas repetidas no tempo onde foram estudados 2 tratamentos (capim-convert HD364 e capim-marandu) e 3 períodos (janeiro: correspondeu ao período de 21 de dezembro de 2011 a 31 de janeiro de 2012, fevereiro: 01 de fevereiro a 28 de fevereiro de 2012, março: 01 de março a 21 de abril de 2012) e 6 repetições, correspondentes aos piquetes de avaliação. Estes foram escolhidos dentre os 14 piquetes alocados para cada capim devido à sua representatividade do tratamento e neles foram realizadas todas as mensurações das variáveis relacionadas à pastagem. Os piquetes foram distribuídos conforme demonstra a Figura 2 buscando levar em conta a declividade do terreno (capins marandu e convert na parte acima e abaixo do corredor) e de forma a facilitar a logística de plantio e o manejo de ajuste dos grupos de animais.
  • 35. 34 Piquete1 Avaliação Piquete2 Piquete3 Avaliação Piquete4 Piquete5 Avaliação Piquete6 Piquete7 Piquete1 Avaliação Piquete2 Piquete3 Avaliação Piquete4 Piquete5 Avaliação Piquete6 Piquete7 Piquet9 Avaliação Piquete8 Piquete11 Avaliação Piquete10 Piquete13 Avaliação Piquete12 Piquete14 Piquet9 Avaliação Piquete8 Piquete11 Avaliação Piquete10 Piquete13 Avaliação Piquete12 Piquete14 Marandu Convert Piquete1 Avaliação Piquete2 Piquete3 Avaliação Piquete4 Piquete5 Avaliação Piquete6 Piquete7 Piquete1 Avaliação Piquete2 Piquete3 Avaliação Piquete4 Piquete5 Avaliação Piquete6 Piquete7 Piquet9 Avaliação Piquete8 Piquete11 Avaliação Piquete10 Piquete13 Avaliação Piquete12 Piquete14 Piquet9 Avaliação Piquete8 Piquete11 Avaliação Piquete10 Piquete13 Avaliação Piquete12 Piquete14 Marandu Convert Figura 2. Diagrama de representação da distribuição dos piquetes de avaliação no total de piquetes do experimento em 2012 entre os capim-convert HD364 e capim-marandu. 3.1. Delineamento experimental – Desempenho animal O delineamento experimental para avaliação do desempenho animal foi o de blocos pareados ao acaso (Blocked Randomized Paired Design), utilizando 20 vacas da raça holandesa de peso médio de 550 kg, que formaram 10 blocos contendo dois animais cada, pareados e sorteados ao acaso para cada tratamento (capim). Cada animal representou uma unidade experimental. 3.2. Área experimental e instalações O experimento foi conduzido em uma área de 4 ha, dividida em 28 piquetes cada um deles com área de 1.428,5 m². Os piquetes foram delimitados por cerca elétrica, colocada nos limites entre piquetes e corredor e demais instalações como caixas de água e sombra (Figura 3).
  • 36. 35 Figura 3. Croqui da área experimento com dimensionamento dos piquetes, corredor, medidas de largura e comprimento, localização dos tratamentos (capim-convert HD364 e capim-marandu) na área experimental, da porteira (1), da sombra artificial (2), das caixas de água (3). 3.3. Instalação das condições experimentais A semeadura dos capins foi realizada no dia 29 de novembro de 2010, após gradeação pesada, calagem e adubação com 100 kg.ha-1 de P2O5 na forma de superfosfato simples e gradeação leve. Para semeadura foi utilizada semeadora- adubadora de 4 linhas com sistema de distribuição graviométrico de fluxo continuo, foram lançados 7 kg de sementes.ha-1 . No inicio de fevereiro de 2011 foi realizado um pastejo de uniformização até que os pastos fossem rebaixados para a altura de 20 cm, com intuito de promover a adaptação da pastagem ao pastejo. Nos meses de março a abril de 2011 foi realizado um pré-experimento em que foram colocadas 10 vacas em lactação por tratamento para pastejar sob lotação rotativa com uso de frequência de desfolhação baseada em dias fixos, ou seja, os animais entravam nos piquetes a cada 28 dias onde permaneciam por 2 dias. A altura do dossel forrageiro foi mensurada como variável-resposta e a altura pré-pastejo foi de 40 cm e altura pós-pastejo de 20 cm para ambos os capins. Terminado este pré-experimento as alturas do dossel forrageiro foram baixadas com a presença de animais (novilhas e vacas secas) seguindo o manejo do pastejo preconizado neste experimento que consiste na
  • 37. 36 entrada dos animais no piquete quando o dossel atingia a altura de 25 e saída quando o dossel era rebaixado a altura de 15 a 20 cm como critério para saída. De acordo com resultados de experimentos em pastos de capim-marandu essas condições apresentaram melhores resultados em desempenho animal e produtividade com bovinos de corte (GIMENES et al., 2011). Como para o capim-convert HD364 não há alturas de pré ou pós-pastejo estabelecidas pela literatura optou-se por utilizar as mesmas alturas empregadas no capim-marandu. Houve apenas um manejo de adubação em que foram distribuídos 100 kg de nitrato de amônia (NH4NO3) por há, em duas aplicações (30 e 60 kg de N), com 3 dias de intervalo entre elas entre o dia 10 e o dia 15 de janeiro de 2012. 3.4. Animais As avaliações tiveram inicio no dia 20 dezembro de 2011 e término em 30 de abril de 2012. Foram utilizadas 20 vacas da raça holandesa preta e branca, em lactação, de peso médio de 550 kg, distribuídas entre os tratamentos de acordo com idade, ordem de parição, produção de leite, peso e estagio de lactação (Tabela 1).
  • 38. 37 Tabela 1. Condição inicial dos animais no ano de 2012: número do animal, número de lactações, início da lactação e produção inicial. N° animal Média Produção Último Parto Ordem Lactação 1232 16,6 22/08/2010 3 1126 14,1 02/03/2011 7 1193 15,4 04/02/2011 4 4452 14,4 03/02/2011 2 1270 17,0 10/11/2010 2 1391 21,3 30/07/2011 1 1387 19,9 17/09/2011 1 4417 22,1 04/08/2011 2 1352 22,7 04/08/2011 1 4408 13,3 06/09/2011 3 N° animal Média Produção Último Parto Ordem Lactação 1289 16,4 22/09/2010 1 1172 13,8 13/02/2011 6 1241 14,7 12/11/2010 3 1265 14,5 18/09/2010 1 1214 19,5 24/07/2011 4 1364 20,4 06/08/2011 1 1377 18,4 10/09/2011 1 1360 25,1 10/09/2011 2 1380 21,9 14/09/2011 1 4457 14,1 09/02/2011 2 Capim - marandu Capim - convert HD364 O manejo dos animais consistia em pela manhã reuni-los no pasto e levá-los até a ordenha e no fim da tarde reuni-los novamente na ordenha e levá-los até o pasto onde era feita separação em lotes, nos seus respectivos tratamentos. A ordenha foi realizada em dois momentos do dia: pela manhã as 7 h e a tarde as 16 h, com ordenhadeira mecânica, em sala de ordenha tipo tanden, sistema de colheita individual, em balão volumétrico e armazenamento em tanque de expansão resfriado. Durante o intervalo entre as ordenhas os animais permaneciam em uma área de descanso onde era fornecido concentrado dividido em duas refeições, a primeira logo após a ordenha da manhã e a segunda antes da ordenha da tarde. A suplementação dos animais seguiu as recomendações do NRC de 1998 de maneira a suprir suas exigências nutricionais e para tanto foi fornecido individualmente 1 kg de concentrado para cada 3 kg de leite produzido (Tabela 2). O controle de
  • 39. 38 ectoparasitas e a pesagem dos animais foram feitos quinzenalmente, no intervalo entre as ordenhas. Tabela 2. Ingredientes e composição química do concentrado fornecido aos animais de acordo com a produção de leite. Ingredientes Dieta (%) Milho 69,0% Farelo de soja 28,5% Bicarbonato de Sodio 1,5% Mistura mineral 1,0% Matéria Seca % 88,04 Proteína Bruta % 23,49 Fibra Bruta % 2,95 Extrato Etéreo % 4,00 Extrativo Não-nitrogenado % 66,52 Matéria Mineral % 3,06 Nutrientes Digestíveis Totais % 86,21 Composição Química 3.5. Monitoramento das condições experimentais na pastagem A altura pré-pastejo do dossel forrageiro foi utilizada para determinar o momento de entrada dos animais no piquete e como meta foi adotado o valor de 25 cm. A altura pós-pastejo do dossel tinha como meta a variação de 15 a 20 cm. A mensuração da altura do dossel foi realizada em 50 pontos por parcela, em linhas transectas ao longo de cada um dos 28 piquetes, utilizando o equipamento sward stick (bastão medidor) (BARTHRAM, 1985) nas condições de pré e pós-pastejo. A altura do dossel foi considerada a média das leituras obtidas. 3.6. Densidade populacional de perfilhos A densidade populacional de perfilhos (DPP) foi determinada pela contagem do total de perfilhos existentes no interior de 3 armações metálicas de 0,25 m² por piquete de avaliação, lançadas em pontos com condição semelhante à média do dossel quanto a altura da pastagem e massa de forragem depois de avaliação visual. Os dados coletados foram utilizados para o cálculo da densidade populacional de perfilhos, que representa o número de perfilhos por unidade de área (perfilhos/m²).
  • 40. 39 3.7. Massa de forragem (MF), composição morfológica e acumulo de MF A estimativa de massa de forragem foi realizada antes da entrada e após saída dos animais do piquete mediante cortes no interior de armações metálicas de 0,25 m², correspondente às avaliações de pré e pós-pastejo respectivamente. Foram efetuadas 4 amostragens em pontos representativos da condição média dos pastos no momento da amostragem (avaliação visual da média de altura e massa do dossel), totalizando uma área de 1m².piquete-1 de 1428,5 m de avaliação. Cada uma das amostras colhidas foi pesada e separada em duas sub-amostras, uma foi colocada em estufa com circulação forçada de ar a 65 ºC, onde permaneceu até atingir peso constante para estimar a massa seca, enquanto a outra foi utilizada para determinação da composição morfológica da forragem (folha+colmo+material morto) para estimar a proporção desses componentes. Para determinação da composição morfológica foi feita separação manual dos componentes: folhas (lâminas foliares), colmo (bainhas foliares+colmos) e material morto. Após a separação os componentes foram secos em estufa de forma análoga as amostras para determinação da massa de forragem seca dos componentes. A relação folha:colmo foi obtida pela divisão do peso das folhas, pelo peso dos colmos. O acúmulo de forragem para cada período de pastejo em cada piquete de avaliação foi calculado pela fórmula: AF = MF pré-pastejo – MF pós-pastejo, onde: AF = Acúmulo de forragem MF pré-pastejo = massa de forragem no pré-pastejo (do ciclo de pastejo atual). MF pós-pastejo = massa de forragem no pós-pastejo (do ciclo de pastejo anterior) As taxas de acúmulo de forragem (kg.ha-1 .dia-1 de MS) foram calculadas dividindo-se o acúmulo de forragem pelo número de dias de rebrotação para cada pastejo em cada piquete. A taxa de acúmulo mensal foi calculada pela média ponderada das taxas obtidas em cada período, no piquete no mês avaliado.
  • 41. 40 TXacmesx = (TX1*ND1)+(TX2*ND2)/NDmes Txacmesx = Taxa de acúmulo diária no mês de avaliação Tx1 = Taxa de acúmulo do primeiro período de pastejo ND1 = Número de dias de rebrota do primeiro período de pastejo Tx2 = Taxa de acúmulo do segundo período de pastejo ND2 = Número de dias de rebrota do segundo período de pastejo NDmes = Número de dias do mês de avaliação O acúmulo de forragem mensal (kg.ha-1. mes-1 de MS) foi calculado multiplicando a taxa de acúmulo diário pelo número total de dias do mês avaliado. Para o cálculo da massa de folhas a MF foi multiplicada pela proporção (%) do componente folha nas condições pré e pós pastejo, e utilizando a mesma metodologia para o acúmulo de forragem foram feitas as determinações de acúmulo de folhas. 3.8. Simulação de pastejo e valor nutritivo O método de simulação de pastejo, proposto por Sollenberger e Cherney (1995) foi utilizado para coleta de amostras representativas da forragem consumida. As amostras foram coletadas pelo método “hand-plucking”, segundo o qual a forragem é colhida manualmente após observação prévia do hábito de pastejo dos animais. Foram coletados aproximadamente 500 g de forragem fresca por piquete de avaliação em cada ciclo de pastejo na condição de pré-pastejo. De cada amostra foi retirada uma sub- amostra, que foi colocada em estufa com circulação forçada a temperatura de 65 ºC, onde permaneceu até peso constante. Após a secagem, o material foi moído em moinho tipo Wiley com peneira de 1 mm e encaminhado para as análises químicas no Laboratório de Referência em Nutrição Animal do Instituto de Zootecnia, para determinação de: proteína bruta (PB) de acordo com AOAC (1990), fibra insolúvel em detergente neutro (FDN), fibra insolúvel em detergente ácido (FDA) e lignina (LIG) segundo Van Soest et al. (1991), matéria mineral (cinzas) segundo Goering e Van Soest (1970) e digestibilidade “in vitro” da matéria seca (DIVMS) por Goering e Van Soest (1970).
  • 42. 41 3.9. Comportamento ingestivo: tempo de pastejo e taxa de bocado As avaliações de comportamento animal foram divididas na determinação do tempo de pastejo, ruminação e descanso e na taxa de bocados. O período de avaliação foi dividido em duas épocas, a primeira época ocorreu no verão e foi denominada “verão” compreendendo 6 dias: dia 1 = 23/01/2012; dia 2 = 25/01/2012; dia 3 = 27/01/2012; dia 4 = 29/01/2012; dia 5 = 31/01/2012 e dia 6 = 02/02/2012. A segunda compreendeu o inicio do outono e foi denominada “outono”, compreendendo 3 dias: dia 1 = 19/04/2012; dia 2 = 20/04/2012; dia 3 = 21/04/2012. No verão as observações foram iniciadas as 18 h do primeiro dia e encerradas 6 h e 50 min. do segundo dia e no outono as observações foram iniciadas as 17 h e 20 min. do primeiro dia e encerradas 7 h e 50 min. do segundo dia. Para as avaliações comportamentais foram sorteados 3 animais focais em cada tratamento, seguindo esquema de pares, com produção semelhante. Estes foram identificados através de fitas envoltas no pescoço do animal e pelas próprias marcas naturais. O tempo de pastejo foi considerado como o tempo gasto pelos animais na seleção e apreensão da forragem. Determinado a partir da freqüência de pastejo, realizada utilizando a técnica de varredura instantânea, com observações a cada 10 min., no período em que o animal permaneceu no pasto, por meio de observação visual (JAMIESON e HODGSON, 1979). Foram mensuradas as posturas corporais (1- deitado, 2- em pé) e as atividades (1- ruminando, 2- pastejando, 3- Outras). O tempo de ruminação foi considerado o tempo que o animal, remastigava o bolo alimentar e a variável “outras atividades” compreendia tudo que o animal fazia, exceto pastejar e ruminar. A medida para determinação da taxa de bocados foi mensurada por meio de vídeos em que o foco da imagem foi o focinho do animal durante a primeira hora de pastejo, os vídeos possuíam duração de 3 a 5 minutos na quantidade necessária para que permitisse uma contagem precisa do número de bocados que o animal estava realizando no momento. O bocado foi definido como o movimento mandibular de apreensão da forragem caracterizado pelo movimento do animal com a cabeça e/ou som característico da forragem sendo arrancada. A taxa de bocados foi considerada como o tempo
  • 43. 42 necessário para realização de 20 bocados (HODGSON, 1990). Os valores foram transformados matematicamente em numero de bocados.minuto-1 (FORBES e HODGSON, 1985). 3.10. Desempenho animal: produção e composição do leite As coletas para medir a produção de leite foram feitas diariamente iniciando no dia 6 de janeiro de 2012 e encerrando no dia 30 de abril de 2012. A produção de cada animal foi medida no balão volumétrico ao fim de cada ordenha (manhã e a tarde) e a produção total de leite no dia foi a soma das duas ordenhas. Para determinar a composição do leite quanto a: Sólidos Totais, Gordura, Proteína e Lactose, as coletas foram feitas quinzenalmente mediante retirada de amostras do leite do balão volumétrico depois que o leite foi homogeneizado. A amostra total do dia foi composta de uma sub-amostra coletada na ordenha da manhã e outra durante a tarde. As amostras foram conservadas refrigeradas até o dia seguinte e levadas até o laboratório na Clínica do Leite da ESALQ para análises. A produção de leite foi corrigida para 4 % de gordura (PLC) pela equação citada por Sklan et al. (1992): PLC= (0,432+0,1625 x G) x kg de leite. 3.11. Análise estatística 3.12. Pastagem Os dados foram analisados através do procedimento MIXED do programa SAS (Statistical Analysis System), SAS Institute (2001), a fim de se determinar a estrutura de matriz de variância e covariância. O nível de significância adotado para a análise de variância foi de 5%.
  • 44. 43 3.13. Desempenho animal A comparação entre os efeitos médios dos tratamentos de capins sobre a produção e a composição do leite foi realizada pelo teste F (com 95% de confiança) da análise da variância, considerando o modelo estatístico para o delineamento de blocos pareados ao acaso (Randomized Paired Design). São 10 blocos contendo dois animais cada, pareados e sorteados ao acaso para o tratamento (tipo de capim). No modelo estatístico para o delineamento em blocos pareados (One-way Blocked NOVA) os pares têm efeitos aleatórios, não há interações e não há repetições dentro de blocos. Como o tratamento possui apenas dois níveis, o teste F é similar ao teste t pareado para testar a hipótese nula (H0: u1 = u2) tendo como hipótese alternativa Ha:u1  u2. yij = u + Ti + Bj + eij Onde, yij é a produção total de leite para o tratamento i e para o par j, para i = 1 a 2 e para j = 1 a 10; u (média) é a constante associada ao modelo, Ti é o efeito fixo do tratamento i; Bj é o efeito aleatório do par j; e eij é o erro experimental suposto NID (0, s2 ) isto é, os desvios são normais e independentemente distribuídos com média 0 e variância s2 , conforme Montgomery (2004). As análises estatísticas foram realizadas no software Minitab, versão 13. Para lactose o teste de Levene a 5% de probabilidade revelou falta de homogeneidade de variância e o teste de Anderson-Darling de normalidade para a variável e portanto aplicou-se o teste não paramétrico de Wilcoxon para dados pareados, para comparar os efeitos dos tratamentos sobre essa variável de qualidade do leite. 3.14. Comportamento animal Para determinar a influência da pastagem no comportamento animal e usar os resultados para comparar os tratamentos (capins), o tempo de pastejo, ruminação e outras atividades e a taxa de bocado foram utilizados como ferramentas para avaliar o comportamento ingestivo. As variáveis comportamentais foram analisadas utilizando o pacote estatístico SPSS-PC, através de análise estatística não-paramétrica. As médias dos tratamentos foram comparadas utilizando os valores de freqüência absoluta, pelo teste qui-quadrado.
  • 45. 44 4. RESULTADOS 4.1. Altura pré-pastejo Como a altura do dossel nas condições de pré e de pós-pastejo foi utilizada como variável controle no experimento, os valores registrados ao longo do período experimental são apresentados utilizando estatística descritiva (média e desvio padrão da média). Na fase de pré-pastejo essa característica apresentou o valor de 26,29 cm para capim-marandu e de 25,80 cm para capim-convert HD364 (Figura 4). 0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 30,00 35,00 Janeiro Fevereiro Março Abril Meses 2012 Altura(cm) Convert HD*364 Marandu Figura 4. Altura do dossel: pré-pastejo (cm) de pastos de capim-convert HD364 e capim-marandu pastejados por vacas em lactação, durante os meses de janeiro, fevereiro, março e abril do ano de 2012.
  • 46. 45 Na fase pós-pastejo apresentou valores de 18,94 cm para capim-marandu e de 18,15 cm para capim-convert HD364 (Figura 5). Em ambas as fases os valores obtidos encontram-se muito próximos as metas estipuladas. 0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 30,00 35,00 Janeiro Fevereiro Março Abril Meses 2012 Altura(cm) Convert HD*364 Marandu Figura 5. Altura do dossel: pós-pastejo (cm) de pastos de capim-convert HD364 e capim-marandu pastejados por vacas em lactação, durante os meses de janeiro, fevereiro, março e abril do ano de 2012. As barras representam o desvio padrão da média por tratamento. 4.2. Densidade populacional de perfilhos Os valores de densidade populacional de perfilhos (DPP) tiveram influencia do mês (P = 0.0132) e variaram entre os tipos de capim (P = 0,0001). O capim-convert HD364 apresentou maior número de perfilhos.metro-2 (822) que o capim-marandu (635) na média geral do experimento (Tabela 3). Tabela 3. Densidade populacional de perfilhos (perfilhos.metro-2 ) de pastos de capim-convert HD364 e capim-marandu pastejados por vacas em lactação, durante os meses de janeiro, fevereiro e março do ano de 2012. Capim-convert HD364 Capim-marandu Janeiro 703,83 (51,80) 585,67 (55,70) Fevereiro 838,32 (55,71) 686,50 (51,80) Março 923,84 (55,71)a 635,71 (55,71)b Média 822,.00 (22,11)a 635,96 (22,11)b Médias seguidas de letras diferentes, diferem entre si pelo teste de Tukey-Kramer (P>0,05) # Estatística referente a dados transformados para Log de X, valores entre parênteses representam o erro padrão da média.
  • 47. 46 4.3. Acúmulo de forragem e composição morfológica As variáveis que correspondem a produção de forragem, taxa de acúmulo de forragem.dia-1 (P=0.8497), acúmulo mensal (P=0.3470) e acúmulo mensal de folhas (P=0.3470) não apresentaram diferenças entre os tratamentos e os meses avaliados (Tabela 4). Tabela 4. Taxa de acúmulo (kg.ha-1 .dia-1 ), acúmulo mensal (kg.ha-1 ) e acúmulo de folhas (kg.ha-1 ) de pastos de capim-convert HD364 e capim-marandu pastejados por vacas em lactação, durante os meses de janeiro, fevereiro e março do ano de 2012. Capim-convert HD364 Capim-marandu Taxa de acumulo Janeiro 132,00 (30,10) 117,00 (30,10) Fevereiro 115,33 (30,10) 85,00 (30,10) Março 20,30 (51,82) 77,79 (36,75) Média 89,21 (21,10) 93,26 (17,23) Acumulo Mensal Janeiro 4084,50 (908,18) 3626,33 (908,18) Fevereiro 3236,00 (908,18) 2376,50 (908,18) Março 834,97 (1283,18) 2653,33 (1111,61) Média 2718,49 (624,78) 2885,39 (587,11) Acumulo de folhas Janeiro 2044,83 (607,07) 2038,17 (607,07) Fevereiro 1623,50 (607,07) 903,33 (607,07) Março 3228,41 (851,72) 1631,05 (739,58) Média 2298,91 (442,03) 1524,18 (419,01) Médias seguidas de letras diferentes, diferem entre si pelo teste de Tukey-Kramer (P>0,05) # Estatística referente a dados transformados para Log de X, valores entre parênteses representam o erro padrão da média. Os valores de composição morfológica da massa de forragem foram semelhantes entre os capins e os meses de avaliação (Tabela 5). A relação folha:colmo na fase pré-pastejo foi de 1,4 e 1,1 e na fase pós-pastejo foi de 0,9 e 0,8 no capim- convert HD364 e capim-marandu respectivamente. A diferença entre os dois compreende 27% a mais de folhas na fase pré-pastejo e de 13% na fase pós-pastejo para o capim-convert HD364.
  • 48. 47 Tabela 5. Composição morfológica (%) de pastos de capim-convert HD364 e capim-marandu pastejados por vacas em lactação, durante os meses de janeiro, fevereiro e março do ano de 2012. Folha (%) Média EP Média EP Média EP Média EP Janeiro 30,67 12,57 29,23 8,83 34,77 10,79 26,85 8,27 Fevereiro 23,00 7,89 34,73 13,91 23,70 12,64 26,33 15,80 Março 32,00 9,62 17,67 1,53 34,71 11,64 27,00 13,11 Média 28,56 10,21 27,21 9,56 31,06 11,72 26,73 12,78 Colmo (%) Média EP Média EP Média EP Média EP Janeiro 26,69 9,95 29,85 7,15 26,69 10,13 23,40 7,51 Fevereiro 21,30 7,90 26,69 9,71 24,30 5,00 21,30 9,82 Março 28,60 7,73 22,67 16,77 30,14 2,89 26,67 6,62 Média 25,53 8,59 26,40 11,93 27,05 6,73 23,79 8,10 Material Morto (%) Média EP Média EP Média EP Média EP Janeiro 45,87 17,92 41,00 10,45 38,77 11,73 47,00 13,84 Fevereiro 55,70 11,37 39,73 16,48 52,30 15,33 55,11 16,80 Março 39,00 11,60 52,30 15,31 35,43 7,91 46,67 14,36 Média 46,86 13,63 44,34 14,08 42,17 11,66 49,59 15,00 Pré-pastejo Pós-Pastejo Pré-pastejo Pós-Pastejo Capim-convert HD364 Capim-marandu Médias seguidas de letras diferentes, diferem entre si pelo teste de Tukey-Kramer (P>0,05) # Estatística referente a dados transformados para Log de X. 4.4. Simulação do pastejo e valor nutritivo Os resultados da analise bromatológica mostraram que o capim-convert HD364 apresentou média do período de 14,35 % de PB enquanto o capim-marandu apresentou média de 13,03 % de PB (P = 0,006), e no mês de fevereiro também houve diferença entre os capins (P = 0,017). Os valores de FDN, FDA, DIVMS não foram diferentes nos capins. Os valores de celulose (26,48 %) e hemicelulose (30,73 %) foram maiores no capim-marandu (P = 0,035) e a lignina (3,70 %) foi maior no capim-convert HD364 (P = 0,0001) conforme pode ser observado na Tabela 6.
  • 49. 48 Tabela 6. Composição bromatológica de pastos de capim-convert HD364 e capim-marandu pastejados por vacas em lactação, durante os meses de janeiro (1), fevereiro (2), março e abril (3) do ano de 2012. Capim-convert HD364 Capim-marandu PB Janeiro 14,18 (0,61) 12,14 (0,73) Fevereiro 16,14 (0,61)a 13,74 (0,59)b Março 12,73 (0,76) 13,22 (0,82) Média 14,35 (0,27a 13,03 (0,29) b FDN Janeiro 61,41 (1,07) 61,80 (1,30) Fevereiro 59,88 (1,08) 62,98 (1,03) Março 62,34 (1,34) 60,97 (1,46) Média 61,21 (0,48) 61,91 (0,53) FDA Janeiro 32,67 (0,53) 31,87 (0,65) Fevereiro 30,53 (0,53) 31,35 (0,51) Março 32,00 (0,69) 30,29 (0,74) Média 31,73 (0,29) 31,17 (0,32) DIVMS Janeiro 69,07 (1,02) 70,54 (1,25) Fevereiro 72,19 (1,02) 70,75 (0,98) Março 68,70 (1,33) 70,70 (1,44) Média 69,99 (0,70) 70,66 (0,76) Hemicelulose Janeiro 28,74 (0,91) 29,86 (1,10) Fevereiro 29,37 (0,91) 31,61 (0,88) Março 30,45 (1,14) 30,73 (1,24) Média 29,52 (0,42)a 30,73 (0,46)b Celulose Janeiro 26,37 (0,56) 27,11 (0,68) Fevereiro 24,70 (0,56) 26,08 (0,54) Março 25,31 (0,73) 26,24 (0,79) Média 25,46 (0,31) a 26,48 (0,33) b Lignina Janeiro 3,51 (0,11) 3,18 (0,13) Fevereiro 3,73 (0,11) a 3,24 (0,10) b Março 3,85 (0,14) 3,38 (0,15) Média 3,70 (0,06)a 3,26 (0,07)b Médias seguidas de letras diferentes, diferem entre si pelo teste de Tukey-Kramer (P>0,05) # Estatística referente a dados transformados para Log de X
  • 50. 49 4.5. Tempo de pastejo Os valores de tempo em pastejo, ruminação e outras atividades no período de verão apresentados no gráfico da Figura 6. 388 234 348 332 273 364 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 Ruminação Pastejo Outras Atv Atividades Minutos Capim-convert HD364 Capim-marandu Figura 6. Tempo gasto em minutos para as atividades de pastejo, ruminação e outras atividades em pastos de capim-convert HD364 e capim-marandu pastejados por vacas em lactação, durante o verão de 2012. O tempo total de observação foi de 16 horas. A média de tempo diário gasto para cada atividade.animal- ¹.dia- ¹ foi de 388 min. de ruminação, 234 min. de pastejo e 348 min. em outras atividades no capim-convert HD364, e de 332 min. ruminação, 273 min. de pastejo e 364 min. em outras atividades no capim-marandu para o período de verão. As freqüências absolutas medidas no período de verão nas atividades de ruminação (²=11,598, G.L.=1, P=0,001), pastejo (²=31,174, G.L.=1, P<0,001) e outras atividades foram de 600, 400, 284 e 211, 355, 226 para os capins capim-convert HD364 e capim-marandu, respectivamente. Os valores de tempo em pastejo, ruminação e outras atividades no período de outono são apresentados no gráfico da Figura 7.
  • 51. 50 319 246 316 234 251 394 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 Ruminação Pastejo Outras Atv Atividades Minutos Capim-convert HD364 Capim-marandu Figura 7. Tempo gasto em minutos para as atividades de pastejo, ruminação e outras atividades em pastos de capim-convert HD364 e capim-marandu pastejados por vacas em lactação, durante o outono de 2012. A média de tempo diário gasto para cada atividade.animal- ¹.dia- ¹ no outono foi de 246 min. de pastejo, 319 min. de ruminação e 316 min. em outras atividades no capim-convert HD364, e de 234 min. ruminação, 394 min. de pastejo e 251 min. em outras atividades no capim-marandu. As freqüências absolutas medidas no período de outono nas atividades de ruminação (²=11,598, GL=1, P=0,001), pastejo (²=31,174, GL=1, P<0,001) e outras atividades foram de 287, 221, 404 e 522, 474, 408 para o capim-convert HD364 e capim-marandu, respectivamente. 4.6. Taxa de bocado Os valores de taxa de bocados para o período de verão variaram entre 33 e 55 bocados.minuto-1 (média = 51 ± 10) nos animais pastejando o capim-convert HD364 e de 45 a 61 bocados.minuto-1 (média = 55 ± 10) nos animais pastejando o capim- marandu (Figura 8).
  • 52. 51 Figura 8. Número de bocados.minuto-1 em pastos de capim-convert HD364 e capim-marandu pastejados por vacas em lactação, durante verão de 2012. As barras representam o desvio padrão da média por tratamento. 4.7. Produção de leite A produção de leite média no período foi de 15,3 kg.vaca-1 .dia-1 no capim- convert HD364 e 14,3 kg.vaca-1 .dia-1 no capim-marandu (P < 0,001). A influencia dos meses não foi submetida a analise, portanto a diferença foi detectada apenas entre os capins (Figura 9).
  • 53. 52 0,00 3,00 6,00 9,00 12,00 15,00 18,00 21,00 24,00 Janeiro Fevereiro Março Abril Meses do ano Kg.vaca-¹.dia-¹ Capim-convert HD364 Capim-marandu Figura 9. Produção de leite de vacas sob pastejo em pastagens de capim-convert HD364 e capim- marandu durante os meses de janeiro, fevereiro, março e abril do ano de 2012. As barras representam o desvio padrão da média por tratamento. 4.8. Composição do leite As variáveis de composição do leite: gordura, proteína e sólidos totais não apresentaram diferença (Tabela 7). Para lactose o teste não paramétrico de Wilcoxon para dados pareados, comparou o efeito dos tratamentos sobre essa variável de qualidade do leite, sendo ela maior no capim-marandu (P < 0,001). Tabela 7. Valores percentuais dos componentes do leite gordura, proteína, sólidos totais e lactose das vacas pastejando no capim-convert HD364 e Marandu. Teores (%) Capim-convert HD 364 Capim-marandu Gordura 3,95 3,88 Proteína 3,49 3,46 Sólidos totais 12,57 12,72 Lactose 4,24a 4,3b O resultado de gordura, proteína e sólidos totais foi comparado pelo teste F e a lactose pelo teste de Wilcoxon para comparação dos tratamentos. Médias seguidas de letras diferentes diferem entre si pelo teste de comparação de média realizado na variável.
  • 54. 53
  • 55. 54 5. DISCUSSÃO 5.1. Pastagem A altura da pastagem é determinante da forma com que o alimento é fornecido ao animal, os melhores resultados encontrados na literatura para o manejo do capim- marandu (GIACOMINI et al., 2009; GIMENES et al., 2011) sugerem o valor de altura de entrada de 25 cm e de saída dos animais do piquete em 15 cm. No presente trabalho a meta de entrada foi ultrapassada ficando em torno de 5% acima da meta para os dois capins. Essa variação pode ter ocasionado modificações na estrutura do dossel influenciando o comportamento e o desempenho animal. O capim-convert HD364 não tem altura estabelecida pela pesquisa para entrada e saída dos animais do piquete, mas na altura de 25,8 cm apresentou bons resultados, podendo esta ser recomendada para o manejo deste capim. Os valores encontrados para a fase pós-pastejo em ambos os capins ficaram dentro das metas estipuladas (faixa de variação de 15 a 20 cm). Ambos os capins apresentaram resultados semelhantes entre si ao longo dos meses de avaliação, porém o capim-marandu apresentou valores levemente superiores (18,94 cm) em relação ao capim-convert HD 364, provavelmente a maior dificuldade de rebaixamento deste capim pelos animais.
  • 56. 55 A densidade populacional de perfilhos foi maior no capim-convert HD364 (822 perfilhos m-2 ) em relação ao capim-marandu, como a diferença de altura entre os 2 capins foi de cerca de 2%, a maior DPP nesse caso provavelmente está ligada ao tratamento (capim) e não a estrutura da pastagem que foi semelhante entre os dois eles. Giacominni et al., 2009 estudaram o capim-marandu em dois manejos de entrada (95 e 100% de IL) e encontraram valores semelhantes (896 perfilhos.m-2 ) aos encontrados no presente trabalho no manejo que correspondeu a 95% de IL. A DPP é uma resposta que permite avaliar o potencial produtivo de uma gramínea, pois influencia diretamente a produção de forragem e o consumo dos animais em pastejo (HODGSON, 1990). Uma DPP maior possibilita uma grande produção de massa de forragem composta por componentes preferidos pelos animais. O capim-convert HD364 e o capim-marandu apresentaram produção de forragem semelhante (média de 2718,49 e 2885,39, respectivamente). Apesar da diferença numérica encontrada as altas taxas de variação entre as amostras, expressas pelo erro padrão da média (Tabela 4), não possibilitaram a diferenças significativas estatisticamente. Essa variação pode ter sido causada pela variação de estrutura dentro do pasto e pelo número de amostras retiradas dentro do pasto que pode ter sido insuficiente. No entanto, pertencem à mesma espécie e manejados de forma análoga a estrutura do dossel possibilitou que ambos apresentassem alta produtividade. Não houve diferença entre os meses de avaliação, ambos os capins apresentaram queda na produção no mês de março, época que reflete a produção do mês de fevereiro. Durante este mês a proporção de folhas diminuiu em ambos os capins o que pode influenciar na produtividade, haja vista que as folhas são os componentes mais fotossinteticamente ativos. Os resultados encontrados por Teodoro (2011) também demonstraram produção de matéria seca semelhante entre os dois capins (2.884,5 kg.ha-1 no capim-marandu e 2.586,75 kg.ha-1 ) conforme encontrado no presente trabalho. A proporção dos componentes na massa de forragem não variou entre os capins, mas com maior DPP é possível que o arranjo dos componentes do dossel tenha facilitado o processo de pastejo e isso resultou em menor tempo de pastejo e melhor desempenho animal no capim-convert HD364. Pois segundo Stobbs (1973) a seleção de forragem de alta qualidade depende da distribuição de lâminas foliares dentro dos horizontes de pastejo. Como a relação folha:colmo foi maior no capim-convert HD364
  • 57. 56 (1,4) em cerca de 27% em relação ao capim-marandu (1,1), este fato pode explicar as variações em PB, tempo de pastejo e desempenho, haja vista que o animal no capim- convert HD364 teve maiores oportunidades de selecionar forragens de alta qualidade. No capim-convert HD364 a relação folha:colmo facilitou pastejo seletivo dos animais diminuindo o tempo despendido nesta atividade. Santos et al., (2004) afirmaram que quando ocorre redução da disponibilidade de folha, ocorrem limitações na taxa de ingestão, aumentando nitidamente o tempo de pastejo. Teodoro (2011) estudou a proporção de folha/colmo nesses capins e encontrou valores maiores dos relatados no presente experimento, de 1,84 e 1,95 para o capim-marandu e capim- convert HD364 respectivamente. A maior relação folha:colmo (F:C) facilita a apreensão da forragem resulta em maior valor nutritivo e maior teor de proteína bruta (VAN SOEST, 1994). A relação F:C deve ser maior que 1 para que haja aumento do valor nutritivo da forragem (PINTO et al., 1994). O teor de PB foi maior no capim-convert HD364 (14,35 %) em relação ao capim-marandu (13,03 %), o que indica um melhor valor nutritivo, pois esse capim foi lançado no mercado com o objetivo de aperfeiçoar e trazer ganhos em produtividade animal (ARGEL te al, 2007). O teor de PB é uma característica importante na escolha de uma planta forrageira (MARANHÃO et al, 2009). A PB é porção da análise bromatológica que mais influencia o desempenho, por estar relacionada à qualidade de um alimento para ruminantes (TEODORO, 2011). Pariz et al. (2010) avaliaram quatro espécies de Brachiaria entre elas o capim-marandu e capim-convert HD364 (citado como capim-mulato II no trabalho) também encontraram maiores teores de PB para o capim-convert HD364 variando de 7,2 a 9,2 % em relação ao capim-marandu (5,4 a 7,2 % de PB). Fukomoto et al. (2010) compararam o capim-marandu (Brachiaria brizantha Stapf cv. Marandu), Tanzânia (Panicum maximum Jacq. cv. Tanzânia) e grama-estrela (Cynodon nlemfuensis Vanderyst cv. Estrela-Africana), manejados com 30 dias de intervalo de desfolha e três dias de ocupação do piquete, quanto a produção e a composição de leite de vacas mestiças Holandês x Zebu, suplementadas com 2 kg de concentrado, consumo de MS e características agronômicas. Nas amostras de pastejo simulado o capim-marandu apresentou 10% de PB e produção de leite de 8,7 kg.vaca- 1 dia-1 . Não houve diferença entre produção e composição do leite entre os capins nesse experimento.
  • 58. 57 O teor de proteína bruta encontrado nas pastagens avaliadas no presente trabalho encontra-se na faixa registrada por Pardo et al. (2003), acima dos teores de proteína bruta limitantes à produção animal descritos por Gonçalves e Costa (1991). Segundo esses autores níveis inferiores a 7% de PB provocam baixo consumo voluntário, menor coeficiente de digestibilidade e balanço negativo de nitrogênio. Porto et al. (2009), trabalharam com intervalo de desfolha de 24 dias (janeiro a março). Os autores obtiveram teores médios de 11,1; 11,9 e 9,4% de proteína bruta para as gramíneas capim-tanzânia, grama-estrela e capim-marandu, respectivamente. Gimenes et al. (2011) encontraram valores de 11,17 % de PB e 68,21 % de DIVMS em pastagens de capim-marandu manejadas com alturas pré e pós-pastejo semelhantes a essas na simulação de pastejo. A produtividade de massa seca, associada com satisfatório teor de proteína bruta e aceitabilidade pelos animais são fatores importantes na escolha de uma cultivar para implantação da pastagem (MARANHÃO et al., 2009). O valor nutritivo da forragem, por sua vez, é avaliado pela sua digestibilidade e pelos seus teores de proteína bruta e de parede celular, características estreitamente relacionadas com o consumo de matéria seca. Com base no que foi exposto, o capim-convert HD364, se apresenta como uma forrageira com alta densidade de perfilhos, boa relação F:C, teores de PB acima dos níveis mínimos para ruminantes podendo garantir altos ganhos em produção animal. 5.2. Comportamento ingestivo Os animais sob pastejo no capim-convert HD364 permaneceram menor tempo em atividade de pastejo, sendo que o tempo médio foi de 234 min. no período de verão e 246 min. no período de outono. Esses resultados corroboram com os de Zanine et al. (2007) que em experimento comparando B. brizantha a B. decumbens manejadas sob lotação continua com meta de altura de 30 cm, observaram tempo de pastejo maior (12,86h) no pasto de menor valor nutritivo (B.decumbens). O menor tempo de pastejo se deve ao fato dos animais atingirem mais rapidamente a saciedade (CARVALHO e MORAES, 2005) e também está relacionado às maiores proporções de lâminas foliares no pasto (BREEM et al., 2008). O maior tempo de ruminação pode estar relacionado a maior quantidade de material ingerido.
  • 59. 58 O tempo na atividade de ruminação teve efeito inverso sendo maior no capim- convert HD364, resultado do consumo que foi maior e apesar do consumo não ser medido existem outras variáveis como tempo de pastejo, taxa de bocado, desempenho (diretamente ligado ao consumo de matéria seca em animais a pasto), que indicam esse fato. No capim-marandu o tempo de pastejo foi maior e o de ruminação menor, porque aumentando o tempo de pastejo o tempo de ruminação diminui, pois as variáveis analisadas são mutuamente excludentes (AURÉLIO et al., 2007). A média de tempo diário gasto para cada atividade.animal- ¹.dia- ¹ foi de 388 min. de ruminação, 234 min. de pastejo e 348 min. em outras atividades no capim-convert HD364, e de 332 min. ruminação, 273 min. de pastejo e 364 min. em outras atividades no capim-marandu para o período de verão. Quanto menos tempo o animal gasta pastejando maior pode ser a eficiência da colheita realizada por ele. O pastejo é um processo limitado pelo tempo (CARVALHO et al., 1999), sendo o dia dos bovinos dividido entre as atividades de pastejo, ruminação e outras atividades, cada atividade despende em média 8 horas, o tempo de pastejo pode ultrapassar esse valor, mas não passará de 12 horas (HODGSON, 1990). Farinatti et al. (2009) em trabalho com vacas em lactação sob sistema rotativo encontraram tempo médio de pastejo 538 minutos, com uma taxa média de bocado de 42,66 bocados por minuto, ligeiramente menor ao encontrado neste trabalho o que pode ser devido ao fato de que os animais eram submetidos a apenas 1 ordenha diária dispondo assim de maior tempo para o pastejo. O consumo de forragem em condições de pastejo é principalmente função de variáveis associadas ao comportamento do animal que são tempo de pastejo, taxa de bocados e tamanho de bocado (ALLDEN e WHITTAKER, 1970), além do valor nutritivo da forragem.. A taxa de bocado para o capim-convert HD364 foi de 50±10 bocados.minuto-1 , enquanto no capim-marandu foi de 55±10 bocados por minutos, não houve diferença estatística entre os capins para esta variável. A freqüência média dos bocados de apreensão realizados por animais em pastejo está ligada a características inerentes à estrutura do dossel forrageiro (HODGSON et al., 1994; COSGROVE, 1997). Para aumentar o consumo quando o tamanho do bocado é limitado os bovinos aumentam a quantidade de bocados (DEMMENT e GREENWOOD, 1988). Em experimento Chacon e Stobbs (1976) estudaram comportamento ingestivo e observaram
  • 60. 59 que a medida que a oferta de folhas diminuía aumentava o tempo de pastejo. Na primavera encontraram tempo de pastejo médio de 593 minutos e taxa de bocados de 59,4 enquanto no outono o tempo médio de pastejo foi de 646 e minutos 62,4 bocados por minuto. Concluíram que a folha foi o componente que mais influenciou no consumo de forragem por animais sob pastejo. Quando a massa de bocado diminui, aumenta a taxa de bocado, em virtude dos menores tempos de mastigação (GALLI et al., 1996). O aumento no valor da taxa de bocado é um mecanismo que permite manter a taxa de consumo de forragem quando ocorrem variações no pasto que proporcionam menor massa de bocado (BREEM et al, 2008). 5.3. Produção e composição do leite Como produção diária de leite foi maior no capim-convert HD364 e o tempo de pastejo menor em relação ao capim-marandu, podemos inferir que os animais pastejando o capim-convert HD364 tiveram maior facilidade para ingerir forragem. A ingestão diária de forragem é o resultado do produto entre o tempo gasto pelo animal na atividade de pastejo e a taxa de ingestão de forragem durante esse período que, por sua vez, é o resultado do produto entre o número de bocados por unidade de tempo (taxa de bocados) e a quantidade de forragem apreendida por bocado (tamanho de bocado) (ERLINGER et al., 1990). Vilela et al. (2006) avaliaram o desempenho produtivo de vacas da raça Holandesa mantidas em pastos de capim-coastcross (Cynodon dactylon (L.) Pears) fertilizada, irrigada e suplementada com 3 ou 6 kg de concentrado/vaca/dia. As produções médias diárias de leite (corrigidas para 3,5% de gordura) foram de 15,5 e 19,1 kg/vaca e de 77,8 e 94,0 kg/ha, quando foram fornecidos, para cada vaca, 3 e 6 kg de concentrado, respectivamente. Hack et al. (2007) avaliaram os efeitos de duas alturas de pré e pós-pastejo na produção de leite e em algumas características morfológicas e estruturais do capim- mombaça. A produção de leite foi maior (P<0,10) nas vacas mantidas na pastagem com menor altura (altura pré-pastejo ideal correspondente a 95% de interceptação luminosa) sendo de 14 litros.vaca-1 dia-1 e na pastagem mantida mais alta (100% de interceptação luminosa no pré-pastejo) foi de 10,8 kg.vaca-1 .dia-1 . Tal resultado pode ter sido
  • 61. 60 decorrente da maior proporção de lâminas foliares que, reconhecidamente, possuem um melhor valor nutritivo que os colmos em alturas menores. No presente trabalho a produção de leite foi um pouco maior que a relatada por esses autores, evidenciando o potencial dos capins. Os valores encontrados para o presente trabalho são superiores aos citados por Gomide et al. (2001) que avaliaram a produção de leite de vacas mestiças em pastagem de Brachiaria decumbens e encontraram média de a produção de leite de 11,0 kg/vaca.dia. E aos obtidos por Deresz et al. (2006) que em estudos comparando a produção de leite de vacas mestiças, utilizando gramíneas tropicais (capim-marandu, capim-tanzânia e grama-estrela-africana), pastejadas com intervalo de desfolha de 24 dias e suplementando os animais com 2 kg.vaca.dia-1 de concentrado, as produções médias de leite foram de 10,7; 10,4 e 9,4 kg.vaca.dia-1 , para as gramíneas capim- marandu, capim-tanzânia e grama-estrela-africana, respectivamente. Já Voltolini et al. (2010) avaliaram frequências de pastejo em pastagens de capim-elefante e encontraram valores de produção de leite de 14,09 e 16,72 kg.vaca- 1 .dia-1 . Sendo esses valores semelhantes aos encontrados no presente trabalho, fica evidenciado que o capim-convert HD364 e o capim-marandu, podem ser utilizados para bovinos de leite e atingir ganhos semelhantes a capins como o capim-elefante, recomendado para bovinos de leite. Os valores da composição do leite não diferiram entre os tratamentos (Tabela 7). O teor de gordura foi de 3,95% para o capim-convert HD364 e de 3,88% para o capim- marandu, Voltolini et al., (2010) encontraram resultados semelhantes (3,98 e 3,75%) trabalhando com capim-elefante em diferentes condições de entrada (95% de IL e 26 dias de descanso), o teor de proteína encontrado por esses autores ficou um pouco abaixo (3,23 e 3,08%) do encontrado neste trabalho (3,49 e 3,46%), a média de produção de leite foi semelhante (16,72 e 14,09 kg.vaca-1 .dia-1 ), indicando que resultados até melhores podem ser obtidos na composição do leite ao usar esse cultivares de Brachiaria em relação ao capim-elefante.
  • 62. 61
  • 63. 62 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS O capim-convert HD364 apresentou menor tempo de pastejo, maior tempo de ruminação, e aumentou o desempenho demonstrando sua eficiência em otimizar o tempo que os animais dispõe para as atividades diárias. Também apresentou maior teor de PB, o que conferiu melhor valor nutritivo em relação ao capim-marandu. A estrutura do dossel de ambos os capins foi semelhante, porém o capim-convert HD364 apresentou maior DPP característica que confere maior produtividade e melhor distribuição dos componentes morfológicos no dossel. Conforme evidenciado pela produção de leite 7% maior em relação ao capim-marandu. Segundo Oliveira e Nascimento Jr (2012), experimentos avaliando forrageiras não devem ser feitos, isoladamente, estudando apenas a qualidade da planta ou o desempenho animal, visto que são fatores dependentes. É interessante avaliar primeiramente a pastagem para utilizar os dados no experimento com animais. Por isso, o presente experimento avaliou resultados de plantas e animais em sistemas de produção leiteira em pastagens mostrando que tanto o capim-convert HD364 quanto o capim- marandu podem ser utilizados com sucesso nesses sistemas.
  • 64. 63
  • 65. 64 7. CONCLUSÃO Ambos os capins possuem potencial para serem utilizados em sistemas de produção de leite e, portanto podem trazer boa produtividade para os rebanhos leiteiros. Quando manejados nas metas de manejo de 25 cm pré-pastejo e 15 a 20 cm pós-pastejo o capim-convert HD364 pode promover aumento na produção de leite de vacas holandesas em comparação ao capim-marandu.
  • 66. 65
  • 67. 66 8. REFERENCIAS ALLDEN, W. G.; WHITTAKER, A. M. The determinants of herbage intake by grazing sheep: the interrelationship of factors influencing herbage intake and availability. Australian Journal Agricultural Research, v.21,p.755, 1970. ALVIM, M. J. et al. Estratégia de fornecimento de concentrado para vacas da raça holandesa em pastagem de coast-cross. Pesq. agropec. Bras..., Brasília, v.34, n.9, p.1711-1720, set. 1999. AMÉDÉO, J. L. Alimentation et la pathologie nutritionnelle. In: LES RENCONTRES QUALITÉ DU LAIT, I. Rennes. Annales... Rennes:1997 p. 16 – 24. 1997. ARGEL, P.J.; MILES, J.W.; GUIROT, J.D. et al. Cultivar Mulato II (Brachiaria híbrida CIAT 36087) gramínea de alta qualidade e produção forrageira, resistente a cigarrinhas e adaptada a solos tropicais ácidos. Cali: CO. Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), 22p, 2007. AURÉLIO, N. D. et al. Comportamento ingestivo de vacas holandesas em lactação em pastagens de capim-elefante anão (Pennisetum purpureum cv. Mott) e Tifton 85 (Cynodon dactylon x C. nlemfuensis) na região noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Ciência. Rural, Santa Maria, v. 37, n. 2, p. 470-475, 2007. BARBOSA. R. A. (Ed). Morte de pastos de braquiária. Campo Grande: EMBRAPA Gado de Corte, 206 p. (EMBRAPA Gado de Corte, Workshop). 2006. BARTHRAM, G. T. Experimental techniques: the HFRO sward. Stick. In: HILL FARMING RESEARCH ORGANIZATION. Biennial report. Midlothian, p. 29-30. 1985.
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  • 75. 74 TEODORO, M. S. R. Características produtivas e bromatológicas dos capins capim- marandu e mulato II. 2011. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Goiás, Campus Jataí. 2011. TRINDADE, J. K. da, et al. Morphological composition of the herbage consumed by beef cattle during the grazing down process of marandu palisadegrass subjected to rotational strategies. Pesq. Agropec. Bras., 42 (6): 883-890. 2007 VALENTINE, I.; MATTHEW, C. Plant growth, development and yield. In: WHITE, J.; HODGSON, J. (Ed.). New Zealand Pasture and Crop Science. Auckland: Oxford University Press, p. 11-27. 1999. VALLE CB et al. Melhoramento genético de Brachiaria. In: Resende, RMS, Valle CBdo & Jank L (Eds.) Melhoramento de Forrageiras Tropicais.1ª ed.Campo Grande, Embrapa. p. 13-53. 2008. VALLE, C.B. et al. Lançamento de cultivares forrageiras: o processo e seus resultados – cvs. Massai, Pojuca, Campo Grande, Xaraés. In: EVANGELISTA, A.R.; REIS, S.T.; GOMIDE, E.M. (Eds.). Forrageicultura e pastagens – temas em evidência: sustentabilidade, 3, Lavras, 2003. Anais. Lavras:NEFOR, p.179-226. 2003. VALLE, C.B. Genetic resources for tropical areas: achievements and perspectives. In: GOMIDE, J.A. (Ed.). International Grassland Congress, 19, São Pedro, 2001. Proceedings… São Pedro:SBZ, p.477-482. 2001. VALLE, C.B.; Jank, L.; Resende, R.M.S. Forage breeding in Brazil. Revista Ceres 56:460-472 (in Portuguese). 2009. VAN SOEST, P.J. Nutritional ecology of the ruminant. Ithaca: Cornell University, 476p. 1994. VAN SOEST, P.J., et al. Symposium: carboydrate metodology, metabolism, and nutritional implications in dairy cattle. Journal Dairy Science, v.74, n.10, p.3583-3597, 1991. VILELA, D. et al. Desempenho de vacas da raça holandesa em pastagem de coastcross. Revista Brasileira de Zootecnia, v.35, n.2, p.555-561, 2006. VOLTOLINI, T.V. et al. Produção e composição do leite de vacas mantidas em pastagens de capim-elefante submetidas a duas frequências de pastejo. Revista Brasileira de Zootecnia, v.39, n.1, p. 121-127, 2010. ZANINE A..M. et al. Hábito de pastejo de vacas lactantes Holandês x Zebu em pastagens de Brachiaria brizantha e Brachiaria decumbens. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., Belo Horizonte, v.59, n.1, feb. 2007.
  • 76. 75
  • 77. 76 ANEXOS Variáveis climáticas no período de avaliação do comportamento animal (Verão) 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 18:00 20:00 22:00 00:00 02:00 04:00 06:00 Hora Temperaturaem°C Dia 1 Dia 2 Dia 3 Dia 4 Dia 5 Dia 6 Figura 10. Temperatura (°C) nos dias de comportamento no período de verão por horário de avaliação. 0 20 40 60 80 100 18:00 20:00 22:00 00:00 02:00 04:00 06:00 Hora Umidaderelativadoar(%) Dia 1 Dia 2 Dia 3 Dia 4 Dia 5 Dia 6 Figura 11. Umidade relativa do ar (%) nos dias de comportamento no período de verão por horário de avaliação.
  • 78. 77 Variáveis climáticas no período de avaliação do comportamento animal (Outono) 0 20 40 60 80 100 18:00 20:00 22:00 00:00 02:00 04:00 06:00 Hora UmidadeRelativadoar(%) Dia 1 Dia 2 Dia 3 Figura 12. Umidade relativa do ar (%) nos dias de comportamento no período de outono por horário de avaliação. 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 18:00 20:00 22:00 00:00 02:00 04:00 06:00 Hora Temperatura(°C) Dia 1 Dia 2 Dia 3 Figura 13. Temperatura em °C nos dias de comportamento no período de verão por horário de avaliação.

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