Cidadão completo 35 1

on

  • 1,409 views

 

Statistics

Views

Total Views
1,409
Views on SlideShare
1,409
Embed Views
0

Actions

Likes
1
Downloads
3
Comments
0

0 Embeds 0

No embeds

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Adobe PDF

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

    Cidadão completo 35 1 Cidadão completo 35 1 Document Transcript

    • Jornal-laboratório produzido pelos alunos de Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul Ano XI - Número 35 - Outubro de 2010 Anderson Brito Carlos AlbertoCarrão Conheça o polêmico projetoprevê av. Conselheiro Carrão, que dacorredores exclusivos para os ônibus e proíbe oestacionamento de veículos. Página 7 Isis Stelmokas Belém Abandono e descaso é a situação atual dos imóveis históricos pertencentes ao poder público na Vila Maria Zélia, no Belenzinho, Zona Leste de São Paulo. Páginas 4 e 5 Tatuapé Problemas como trânsito e violência Carol Marangoni incomodam quem mora há anos no Tiago Paixão bairro, mas não retira do local a crescente vocação para a gastronomia, o lazer, o entretenimento e a moradia. Página 2 Brás Região é destaque no universo da moda pela vocação no mercado de confecções e venda de roupas e acessórios na Zona Leste. Página 8 Henrique Jacob Mooca Matéria mostra os fatores que transformaram o antigo reduto operário e os motivos de sua atualAnália Franco Ao atingir o patamar de bairro autossustentável, a região é considerada como uma das melhores para se viver em São Paulo. Página 3 desindustrialização. Página 6
    • PÁGINA 2 - OUTUBRO DE 2010 TATUAPÉ Violência preocupa morador tatuapeense EDITORIAL Bairro se torna foco de ações criminosas e tira sossego dos moradores Identidade, progresso e Rebeca Candido consequências Fotos Isis Stelmokas Em 2008, o Instituto Datafolha Falar da Zona Leste de Sãodivulgou dados sobre o perfil do Paulo é como falar de uma cidadepaulistano morador da Zona Leste. A dentro de outra. E dentro desta,pesquisa apontou que no ano avaliado, cada bairro com sua tradição, seuso Tatuapé registrou o maior número moradores e seus diversos estilosde assaltos ou agressões sofridas por de vida.moradores do próprio bairro. Ainda Por razões históricas e geo-segundo o estudo, a violência é a maior gráficas, a segunda maior regiãopreocupação de quem mora na região. do município subdivide-se. A área O historiador Pedro Abarca ex- periférica registra menor concen-plica que a parte alta do Tatuapé ficou tração de atividade econômica elotada de pontos de encontro, em que a pior renda média familiar, nãoas bebidas, o funcionamento além da só da região, mas de toda capital.meia noite e a prostituição são consi- O desenvolvimento é maior nasderados comuns. A área também sofre áreas próximas ao centro, ondecom os altos níveis de violência e, por também encontram-se os maisconsequência, a estagnação da chamada variados temas e as inúmeras“parte baixa” (localizada ao norte da curiosidades a serem discutidasRadial Leste) reflete e sofre dos mesmos nesta edição.males. “Junto com o progresso vêm os O Jardim Anália Franco, porproblemas sociais”, diz Abarca. exemplo, é hoje um dos bairros A violência pode ser explicada pelo PATRULHA - Segurança reforçada na praça Sílvio Romero, uma das mais movimentadas da região mais valorizados de São Paulo porcrescimento descontrolado do comér- sua concentração de condomínioscio em áreas residenciais. Os bares, que de bar e quadra de futebol na avenida anos e agora quer comprar um imóvel tante desembarque, então, é comum as empresariais e residenciais. Consi-atraem visitantes de outros bairros, não Celso Garcia, e conta que é comum ver no bairro. “Quando eu falo do Tatuapé pessoas serem furtadas nos ônibus, no derando o crescimento constanteseguem a lei do silêncio. O público usuários e traficantes de drogas durante eu já logo penso em ‘bairro balada’, centro, e só dão queixa quando chegam de venda de imóveis e a quan-que apenas frequenta a região não leva todo o dia nas redondezas. Outra aqui só tem isso. Bar tem em todo aqui.” Isso mostra que nem todos os tidade de serviços de qualidadeem consideração reclamação é a canto.” Os números da violência tatua- crimes registrados na região realmente disponíveis, a tendência é que onem respeita os respeito dos rou- peense não parecem afetar a escolha de ocorrem no bairro. O delegado defende bairro siga em sua plena expansão.moradores das ca- “Junto com o bos: “Tem muita Neves, que conta: “Estaciono o carro que o alto número de ocorrências não Mas o progresso não traz sósas no entorno dos gente que tem na rua sem me preocupar.” necessariamente indica que o bairro benefícios. No Tatuapé, por contaestabelecimentos. progresso vêm os que passar pela seja perigoso. do excesso de comércio e opçõesOutra reclamação problemas sociais” avenida para ir O outro lado Já o delegado da 52ª DP, Cármino noturnas de lazer, moradores doconstante dos ta- trabalhar e ir para Pepe, fala das recomendações para bairro sofrem com a violência.tuapeenses é a falta casa, e também O delegado titular André Pimentel, evitar os pequenos furtos. “Carregar E nas preocupações com ade fiscalização, o tem muita gente da 81ª DP que fica na parte baixa da bolsas junto ao corpo e evitar o uso vida moderna, pode haver certoque torna a área um alvo fácil para os que se aproveita do movimento e sai Celso Garcia, explica que a maior parte de celulares nas calçadas.” O delegado descaso por parte do poder públi-usuários de drogas e assaltantes. assaltando.” das queixas registradas são de peque- também explica que caso o crime co com os patrimônios históricos, Já o cozinheiro William Patrick nos furtos, como carteiras e celulares. ocorra é importante não reagir e seguir como acontece na Vila Maria Pontos de vista Silva Neves é frequentador há quatro Segundo ele, “aqui é uma área de cons- as instruções do assaltante. “Nada do Zélia. Localizada no bairro do que você tem vale mais que a sua vida.” Belém, a primeira vila operária Quem mora no bairro do Tatuapé, Após o ocorrido, é indicado procurar do Brasil encontra-se em ruínas.como o advogado Leandro Zerbinatti, uma delegacia para registrar o boletim Já na Mooca é dado o devidoreclama: “Antigamente aqui era tran- de ocorrência. A vítima também tem valor à preservação desse tipo de Vivian Fróesquilo. Você podia ficar na porta da sua a possibilidade de prestar queixa pela patrimônio, tendo em vista quecasa, os bares fechavam cedo e quem internet por meio do site: www.ssp. o bairro teve grande importânciafrequentava respeitava, eram pessoas sp.gov.br/bo. histórica no período industrial dadaqui. Hoje, o pessoal que frequenta cidade.é de fora do bairro, usa drogas e para Nesta edição também vere-o carro na porta das casas, ninguém se Delegacias mos como o Brás, procurado porresponsabiliza por nada e os morado- consumidores do país todo, temres, que não usam estes serviços dos na região chamado a atenção pelos preçosbares, são obrigados a conviver e se baixos, pela qualidade e diversida-tornam reféns.” 30º DP - Rua Antônio Camardo, de de suas confecções. Para o comerciante Pedro Santos, 69, telefone: 2295-0103. Em cada matéria, um bairro,a melhora na situação da parte baixa Delegado responsável: Adilson da uma história, e incontáveis per-do Tatuapé só acontece quando há Silva Aquino. sonagens que emprestam à Zonainteresse da prefeitura. Santos é dono 52º DP - Rua Dr. Corinto Baldoino Leste suas identidades. Estamos Costa, 400, telefone: 2093-3632. diante de uma região incansável e Delegado responsável: Cármino mutante. Constantes mudanças, Pepe. no ritmo da cidade que nunca 81º DP - Avenida Celso Garcia, para. São transformações dia 2.875, telefone: 2693-9496. após dia, em grandes e pequenos Delegado responsável: André detalhes que fazem uma história Luiz Pimentel de Queiroz. que também é nossa. Reitora: Sueli Cristina Marquesi Pró-reitor de Graduação: Luiz Henrique Amaral Pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários: Renato Padovese Pró-reitor de Pós-graduação e Pesquisa: Danilo Antonio Duarte Coordenador do Curso de Comunicação Social: Carlos Barros Monteiro Jornal laboratório do curso de Comunicação Social (Jornalismo) da Universidade Cruzeiro do Sul - Contato: (11) 2037-5706 Ano XI - Número 35 - Outubro de 2010 Impressão: Jornal Última Hora - (11) 4226-7272 Tiragem: 3 mil exemplares Professores orientadores: Cecília Luedemann (1º semestre de 2010), Dirceu Roque de Sousa, Flávia Serralvo e Regina Tavares. Também participaram desta edição: Camila Servilha, Cristiano Almeida, Igor Mariano, Juliana Bacci, Marcos Antonio Santos, Mayara Lopes e Thiago Quirino (Diagramação).GCM – Postos móveis da Guarda Municipal procuram reduzir ocorrências violentas na região
    • ANÁLIA FRANCO OUTUBRO DE 2010 - PÁGINA 3Anália Franco, uma área em plena expansão Para conquistar o conceito de “bairro-cidade”, há projetos para a instalação de teatros e hospitais Mara Speri de beleza, escola de idiomas e vários Fotos Carol Marangoni Viviane Evangelista outros comércios. A empresária e moradora da re- O Jardim Anália Franco, antes gião há cinco anos, Eduarda Fonseca,habitado por agricultores e operários, diz que se mudou para o bairro comtornou-se há algumas décadas um o objetivo de melhorar sua qualidadebairro “auto-sustentável”. De acordo de vida e de toda sua família. “Depoiscom a subprefeitura da região, o ob- que mudei, percebi que minha vidajetivo é cada vez mais tornar o Anália ficou muito melhor, afinal tenhoFranco um “bairro-cidade”, ou seja, tudo no bairro, como ótimas lojas,trazer para o bairro diversos serviços hospitais, além de diversão, segurançaque hoje são encontrados apenas no e conforto que sempre busquei paracentro, como grandes empresas, tea- minha família”, diz Eduarda.tros, hospitais, entre outros. Assim, O Anália Franco é classificadoevitando que a população precise se pelo Creci como Zona de Valor A,deslocar do bairro para o centro em assim como Higienópolis, Jardins ebusca de serviços de qualidade. Moema, em razão do desenvolvi- Um dos motivos de grande mento do bairro, infra-estrutura eprocura pela população deve-se à nível social dos moradores. A médiaexplosão imobiliária. Segundo o do valor de um imóvel na regiãodelegado titular da Zona Leste do varia de R$ 250 mil a R$ 2 milhõesCreci-SP (Conselho Regional de e, em alguns casos, esse valor podeCorretores de Imóveis de São Paulo), ser ainda mais alto.José Francisco Paronette, o bairro Mesmo procurado por pessoascresce anualmente de 30% a 46%, de classe alta, existem aqueles queaumentando cada vez mais o número não honram os pagamentos. “Comode vendas e o valor do aluguel. “As em qualquer outro segmento, existemvendas de imóveis na região não CONCENTRAÇÃO - Condomínios empresariais e residenciais transformaram o bairro numa área luxuosa os inadimplentes, apesar de o índiceparam de crescer. Quanto à locação, ser considerado baixo, em vista deo valor dos alugueis é altíssimo, Seguindo o mesmo estilo dos construtoras. O grande centro co- de luxo, como o Shopping Anália outros bairros da capital”, acrescentatornando-se assim um ótimo negócio condomínios, os prédios empresa- mercial de compras movimenta R$ Franco, concessionárias de carros im- o corretor de imóveis do Creci, Idevalpara o investidor”, afirma Paronette. riais são cada vez mais a aposta das 500 milhões, com empreendimentos portados, clínicas de estética, salões Schiavinato. Andar de táxi também é cultura Terra de Regente vira espaço empresarial Patrícia Ramos Mara Speri No começo do século XX as Embalado ao som de jazz, Viviane Evangelista terras foram vendidas à Associação Quem foio taxista Lineu Delfino carrega Feminina Beneficente e Instrutiva,diariamente seus passageiros No lugar de áreas descampadas e entidade dedicada à crianças abando- Regente Feijó?que consideram a corrida um terras de antigos agricultores, gran- nadas, criada pela educadora Análiapasseio cultural. Antes de virar des edifícios residenciais e centros Franco. Em 2001, uma parte foi uti- Diogo Regente Feijó nasceutaxista, Delfino trabalhava para empresariais. Foi assim que o Jardim lizada para abrigar um dos campus da em 17 de agosto de 1784, em Sãoo governo paraguaio como segu- Anália Franco nasceu em 1968, e Universidade Cruzeiro do Sul. Paulo. Ordenou-se padre e lecio-rança pessoal, porém, por moti- como resultado de sua contínua Segundo o arquiteto responsável nou como professor de história,vos políticos, teve de se desligar expansão, atualmente é considerado pelo projeto, Samuel Kruchin, a geografia e francês. Mudou-sedessa atividade. Veio para São um dos bairros mais valorizados da construção da instituição no local para a cidade de Itu onde iniciouPaulo, sentiu a necessidade de cidade de São Paulo. teve boa aprovação. “Na ápoca, o carreira política. Feijó comproumudança na carreira e decidiu se As terras onde está localizado o projeto de restauração e instalação da em São Paulo o “sítio-do-capão”tornar taxista. bairro pertenciam ao Regente Feijó, universidade foi muito bem recebido para abrigar-se durante suas Pelas ruas em que passa, que na época construiu o Sítio do pelos moradores”, afirma Kruchin. passagens pela capital. Hoje,conta suas famosas histórias ex- Capão. Há alguns anos, o local foi Apesar da construção de um dos parte da área abriga o campusplicando tudo o que sabe daquele restaurado e tombado por ser um im- campus da universidade, uma senzala da Universidade Cruzeiro do Sullugar. Numa corrida exclusiva portante remanescente da arquitetura criada no final do século XIX pelo e a principal avenida do Jardimcom a repórter do Cidadão, Delfino, pronto para mais um passeio conhecida como bandeirista. “É mui- Regente Feijó foi preservada e existe Anália Franco. Aos 59 anos, oDelfino contou, por exemplo, to importante preservar a memória até hoje nos fundos do terreno da regente faleceu em São Paulo,que a rua Francisco Marengo tem onde cada passageiro deixa algo escri- histórica da cidade para que futuras instituição. “Temos até hoje a senzala devido a uma parada cardior-como origem a família de Benedito to durante a viagem”, relata Delfino, gerações possam ter conhecimento que era habitada pelos escravos na respiratória. Seus restos mortaisMarengo, que produzia uvas Niágara. que pretende publicar o livro Um beijo de tudo que aconteceu no passado”, época do regente, isso tem um grande foram enterrados na Catedral daAs uvas de Marengo se tornaram pra São Paulo, com uma seleção das diz a historiadora e moradora da re- valor histórico para as pessoas da re- Sé, no centro da capital.nacionalmente melhores mensa- gião, Wildney Feres Contrera. gião”, ressalta a historiadora Wildney.conhecidas e jun- gens deixadas aoto com seu su- O taxista mais famoso taxista. Após acessor, Francisco da região do Anália publicação, Del-Marengo, foram fino pretendeimportantes para Franco transforma doar o dinhei-o crescimento suas corridas na ro arrecadado ados negócios da diversão de seus fiéis uma entidade defamília e do bair- assistência socialro. Há também a passageiros da região.história do “Se- Além da pu-nhor do Cuco” blicação, outroque é a única pessoa do bairro que objetivo de Delfino é prestar vesti-ainda conserta os relógios. bular para Turismo, onde pretende Considerado pelos seus passagei- ampliar ainda mais seu conhecimentoros um “homem de buscas”, Delfino retribuindo todo o aprendizado aosprocura adquirir o máximo de conhe- seus fiéis passageiros.cimento sobre o bairro e a cidade.Esse conhecimento é repassado atodos que querem fazer de suas cor- Taxista Lineu Delfino, tele-ridas um momento de aprendizado, fone 9428-9840. De terça-feira aassim como o taxista diz aprender domingo, das 12 horas ao últimomuito com seus passageiros. passageiro. Ponto de táxi em frente “Todo dia alimento meu caderno ao Shopping Anália Franco.de pensamentos, uma espécie de livro SENZALA - Lugar histórico preservado nos fundos da Universidade Cruzeiro do Sul
    • PÁGINA 4 - OUTUBRO DE 2010 BELÉM Fotos Anderson BritoSALÃO DE FESTAS - Ruínas de um patrimônio histórico abandonado Burocracia dificulta restaurações na Vila Imóveis da primeira vila operária do Brasil estão em ruínas com o descaso do poder público Diogo Leite da primeira vila operária do Brasil. A butários, que sirvam como estímulo tipo de preocupação por parte das os moradores até nadavam no rio”, Roberta Zambelli obra foi inaugurada em 1917 e rece- para que os proprietários conservem autoridades. Alguns moradores, que relembra Pimentel. Vanessa Perandin beu de nome da filha de Street, que os traços originais de seus imóveis, o preferiram não se identificar, relata- Para o morador Edécio Pereira, morrera no mesmo ano: Maria Zélia. que já é previsto no Artigo nº 263 da ram o interesse de empresas privadas a Vila é um lugar único em São Localizada no bairro do Belém, Na época, foram erguidas 198 Constituição do Estado de São Paulo, na restauração do tradicional grupo Paulo. “Parece uma cidadezinha láZona Leste de São Paulo, a Vila Maria casas com dois, três e quatro dormi- como incentivo para restauração de escolar. No entanto, até agora não do interior, escondidinha, fora desseZélia abriga dezenas de construções tórios, especialmente projetados para imóveis na cidade. houve nenhuma iniciativa concreta. reboliço todo. Eu não sairia daqui porcentenárias que fazem parte da os funcionários da fábrica de tecidos. A Lei Munici- Um dos mais dinheiro nenhum”, afirma Pereira.história de São Paulo. Apesar disso, Havia água encanada, energia elétrica pal nº 10.598, de antig os mora- De fato, as ruas são bastante tranqui-muitas dessas construções tombadas e pavimentação. As casas tinham 19 de agosto de “Eu não sairia daqui d o r es, N i l to n las, cercadas por árvores e pássaros.pelo patrimônio histórico estão em assoalho de pinho-de-riga e portas 1980, estabeleceu por dinheiro nenhum” Pimentel, tem A Vila conta com alguns funcio-ruínas. Com o passar dos anos, o de madeira maciça. Os moradores aos proprietários orgulho de mo- nários que realizam a manutençãodesgaste das fachadas foi inevitável pagavam um valor simbólico pela que investissem rar na Vila Maria das vias e de áreas sociais, os saláriose muitos imóveis acabaram perden- energia elétrica, aluguel e água. na restauração de fachadas de imó- Zélia desde os 14 anos de idade. Ele são mantidos com a colaboração dosdo sua originalidade. A necessidade O processo de tombamento da veis no centro da cidade de São Paulo é responsável pela organização da moradores, que é parcial e insufi-de reformas e a falta de incentivo Vila foi iniciado em 1985, mas só ficariam isentos do pagamento de Vila, pois não há um órgão definido ciente. Dentre as atuais instalaçõesfinanceiro fizeram com que alguns concluído em 1992 pelo Conde- IPTU por dois anos consecutivos. para administrá-la. “Ela foi fundada incluem-se quadra esportiva, salãomoradores re- phaat. Uma vez Já em 1994, foi instituído o decreto no local onde o rio Tietê sofreu de festas e ginásio onde ocorre oformassem seus tombada, a Vila nº 34.720 que estendeu o incentivo um desvio. Na época, era possível tradicional campeonato de bocha noimóveis em vez “Na época, era Maria Zélia cons- para outras áreas da cidade, mas bu- pescar peixes como cará e lambari e mês de junho.de restaurá-los, o titui patrimônio rocratizou a lei anterior,que desencadeou possível pescar peixes cultural brasileiro dificultando o pedidouma intensa des- como cará e lambari e seus imóveis de abatimento do im-caracterização. e os moradores até só podem ser posto predial, uma vez O projeto vendidos se fo- que os proprietáriosarquitetônico da nadavam no rio.” rem oferecidos precisariam apresentarVila Maria Zé- primeiramente à diversos documentoslia, assinado pelo União, ao Estado do imóvel junto à pre-arquiteto francês Paulo Pedarrieux, e ao Município. feitura para obter oseguiu o padrão das vilas operárias Segundo a arquiteta Diana Da- benefício.inglesas do século XIX. É um dos non, em relatório ao Condephaat, até O problema maislocais mais requisitados para grava- a década de 70, a Vila encontrava-se aparente do local é ações de comerciais, novelas, filmes e bem preservada, com 74,80% das destruição e o aban-reportagens. residências apresentando poucas mo- dono dos imóveis, que De acordo com os registros his- dificações. Naquela época, os imóveis ainda hoje pertencemtóricos do Condephaat (Conselho pertenciam ao Iapas (Instituto de ao INSS, como o teatro,de Defesa do Patrimônio Histórico, Administração Financeira da Previ- a escola de meninas, oArtístico, Arqueológico e Turístico dência e Assistência Social), extinto antigo açougue e o ve-do Estado de São Paulo), o industrial ao ser fundido ao INPS na criação lho armazém. São ins-Jorge Street fez um grande emprés- do INSS, e somente depois foram talações históricas quetimo junto aos bancos ingleses em vendidos aos atuais proprietários. atualmente estão em1912 para a criação de uma fábrica de Diana ressalta a necessidade da im- ruínas, destruídas pelaalgodão, a Cia. de Tecidos da Juta, e plantação de incentivos fiscais e tri- erosão e sem qualquer É POSSÍVEL - À esquerda, imóvel original; à direita, imóvel restaurado
    • BELÉM OUTUBRO DE 2010 - PÁGINA 5 Fotos Anderson BritoImóveis ainda conservam traços arquitetônicos originais, apesar do descaso do Poder Público e da inviabilidade da preservação do patrimônio por parte de determinados moradores Patrimônio histórico em risco Apesar de constantes reformas, a Vila mantém características arquitetônicas europeias do século XIX Roberta Zambelli com uma capela, jardins, duas escolas sistência médica e odontológica. Só Maria Zélia. Devido às dívidas fiscais, Tenentes” (1987), com Paulo Autran. Vanessa Perandin (de meninos e de meninas), creche, os trabalhadores da fábrica de Jorge a Vila passa para o IAPI (Instituto de Em 9 de dezembro de 1992, a coreto, armazéns, ambulatório mé- Street podiam morar ali. Aposentadorias e Pensões dos Indus- Condephaat e o Conpresp (Con- Em 1912, o empresário Jorge dico, dentista, açougue e salão de Depois da renúncia de Street triários), atual INSS. Em 1931, a fá- selho Municipal de Preservação doStreet comprou algumas terras na re- festas. Isso representava um avanço do comando da Cia. de Tecidos, brica foi desativada, sendo mais tarde Patrimônio Histórico, Cultural egião onde hoje se localiza o bairro do para a política industrial da época. em 1923, a fábrica e a vila passaram utilizada como presídio político pelo Ambiental da Cidade de São Paulo),Belenzinho, em São Paulo, para dar Street chefiava a execução do projeto por vários compradores, ficando em Estado Novo, abrigando cerca de 700 ambos órgãos de preservação deinício ao seu projeto de construção pessoalmente e acreditava que não iria mãos da família Scarpa até 1928, presos, como Caio Prado Jr., Quirino nível estadual e municipal, optaramda fábrica de tecidos e da Vila Ope- construir nenhuma obra de caridade, quando foi então rebatizada como Pucca, entre outros. Intelectuais na por seu tombamento, em três níveis,rária Maria Zélia. A Vila foi projetada mas sim uma obra de justiça e de Vila Scarpa. época transformaram o presídio em englobando os traços urbanos, ar-pelo arquiteto Paul Pedraurrieux, direito social. Cerca de 2.100 pessoas De acordo com o levantamento “Universidade Maria Zélia”. quitetônicos e as árvores que esta-baseada nas cidades europeias do moravam na vila operária e as casas histórico presente no site www.vila- Na Vila ocorreram filmagens de vam no local. A Vila é de extremoinício do século XX, conforme as eram divididas entre as famílias dos mariazelia.com.br, em 1929, como comerciais, novelas e longas-metra- interesse para pesquisadores, o quecaracterísticas de suas ruas e pela trabalhadores. As crianças eram pagamento das hipotecas vencidas, gens, como “O Corintiano”, com traz importantes colaborações para aornamentação de suas edificações. obrigadas a estudar e as que tinham o grupo Guinle toma posse da Vila, Mazzaropi (1966), “Ravina”, com história de nossa cidade e para toda Tratava-se de uma mini cidade até seis anos de idade recebiam as- restituindo-lhe o antigo nome: Vila Eliana Lage (1959), e “O País dos uma sociedade. Vila esportiva O esporte também fez história na Maria Zélia. O Clube Atlético Recreativo, por exemplo, foi um celeiro de craques da várzea paulistana, revelando jogadores notáveis que, mais tarde, fizeram parte de diversos times grandes da capital, do interior de São Paulo e de outros Estados do Brasil. O sonho acabou em 1976 com a de- sapropriação do terreno onde se encontrava o campo, perdendo as- sim o encanto do futebol de finais de semana da várzea paulistana. O Clube Atlético Recreativo Maria Zélia se destacou como o primeiro clube da várzea paulistana a ter o campo com iluminação.A Vila está localizada na rua dos Prazeres, 362, Belenzinho, SP
    • PÁGINA 6 - OUTUBRO DE 2010 MOOCA Mooca industrial ganha mais residências Como a desindustrialização mudou a cara de um dos bairros mais tradicionais de São Paulo Raquel Santos foi um grande vilão na continui- Fotos Henrique Jacob dade destas empresas. Basicamen- A Mooca é atualmente um te, não havia mais espaço de sebairro de característica residencial e manter indústrias poluentes, comcomercial, com um alto valor imo- maquinários e métodos obsoletos.biliário. O bairro abriga pelo menos “Enquanto os governos paulistasduas grandes universidades, super- sobrecarregavam as indústrias commercados, fácil acesso ao Metrô e tributos pesados, outros Estadosestá próximo ao centro da cidade. incentivavam a entrada dessas Mas quem conhece a história da empresas por meio de incentivosMooca (Zona Leste) sabe que ela já fiscais”, diz Elizabeth.foi bem diferente. Um dos bairros As indústrias deixaram o bairromais antigos e tradicionais de São e migraram para fora do centroPaulo, a Mooca foi um dos pontos expandido da cidade e para outrosestratégicos para a industrialização Estados brasileiros. A herançada cidade, pois, assim como os bair- deixada na Mooca são os galpõesros do Bom Retiro (Centro), Lapa vazios e o solo contaminado com(Zona Oeste), Barra Funda (Zona os resíduos que não foram tratadosOeste) e Pari (Centro), localizava-se pelos proprietários das fábricas,ao longo da estrada de ferro que resíduos que prejudicam a cons-ligava Santos à Jundiaí, inaugurada trução em várias áreas, tanto pelaem 1867 para fazer o escoamento instabilidade do solo, quanto peloda produção brasileira de café. perigo para a saúde das pessoas. No final do século XIX e início Sem as antigas indústrias, a Moocado século XX, os bairros próximos ganha uma vocação residencial eà malha ferroviária concentravam o de serviços.maior número de indústrias na cida- Acácio Pereira da Costa, mo-de. A ferrovia facilitou o transporte Chaminé da antiga fábrica da Companhia União em contraste com o avanço da especulação imobiliária rador da Mooca há 37 anos, contade matéria prima e o escoamento que a qualidade de vida no bairroda produção industrial. Outros Ano de fundação Atividade atual Labor, Frigorífico Anglo, Máqui- melhorou muito nas últimas déca-pontos importantes que tornaram nas Piratininga, Alumínios Fulgor, das. “Quando havia as indústrias, Cotonifício Crespi - 1897 Extra Hipermercadoestes bairros tão atrativos para a Companhia União dos Refinadores, o cheiro era muito ruim e no arindústria foram sua proximidade Alpargatas - 1907 Faculdade Anhembi Morumbi Companhia Antarctica Paulista, sempre havia uma nuvem de poeira,com fontes de água, como o rio Di Cunto - 1935 Em atividade entre outras. as portas e janelas das casas viviamTamanduateí, o baixo preço dos Lorenzetti - 1923 Em atividade Com estas indústrias, o pro- fechadas”, recorda.terrenos e a energia, fornecida pela Antarctica - 1891 Galpão desativado cesso natural foi a transformação Elizabeth ressalta que a voca-São Paulo Tramway, Light and Companhia União dos Galpão demolido e terreno destes bairros em redutos operá- ção da Mooca mudou, assim comoPower Company, mais conhecida rios. Os imigrantes trouxeram de mudou a vocação da própria São Refinadores - 1910 sem ocupaçãocomo Light São Paulo, responsável seus países de origem a tradição das Paulo. Este já não é mais um bairropelo fornecimento de energia aos Moinho Gamba - 1914 Moinho Eventos lutas trabalhistas, ideias modernas operário. Segundo ela, a vinda debondes do município de São Paulo. para transformar a cidade, que era novos empreendimentos imobi- Pedro Perduca, secretário da basicamente liderada pela mão de liários provoca a “retirada” dosAssociação Amo a Mooca, explica “A partir de 1914, as indústrias na- A pioneira foi a Indústria Ro- obra rural cafeeira. moradores originais. “Da tradiçãoque esta industrialização começou cionais tiveram a oportunidade de dolpho Crespi, inaugurada em Segundo a historiadora Eliza- do bairro restou muito pouco, masde forma simples, com a fabrica- crescimento, pois com a 1ª Guerra 1897. Depois vieram os Armazéns beth Florido, a saída real e maciça ainda é possível notar alguns traçosção de produtos de baixo valor e Mundial as importações pararam e Matarazzo, Moinhos Gamba, Casa destas indústrias começou nos anos do que era antes, como as conversaspouco elaborados, usando matérias as indústrias brasileiras precisaram Vanordim, Tecelagem Três Irmãos, 1990. Além da falta de incentivo nas portas de casa e o cheiro forteprimas nacionais como o próprio suprir as necessidades do nosso Andrauss Cia Paulista de Louças fiscal por parte dos governos da de temperos no ar”, comenta acafé, algodão, couro e o açúcar. mercado interno”, ressalta Perduca. Esmaltadas, Fábrica de Tecidos época, a obsolescência também historiadora. “História da Mooca merece ser preservada” Alessandra Costa Cidadão - O que rege o Plano Di- nização do desenvolvimento urbano de uma ceu uma série de medidas para um melhor de São Paulo) tombou vários prédios como retor e qual a sua atuação em cada região. O Plano Diretor é um instrumento crescimento da cidade, estabeleceu operações o antigo Moinhos Gamba, atual Moinho A arquiteta e urbanista Lucila bairro? de estratégia de política do desenvolvimento urbanas , que são áreas onde você pode au- Eventos, projetado entre 1909 e 1938, e oLacreta, diretora técnica do mo- Lucila Lacreta - O Plano Diretor urbano, determinante, tanto para os agentes mentar a construção a partir do pagamento conjunto de armazéns da antiga São Paulovimento Defenda São Paulo, fala atual foi promulgado em 13 de setembro públicos quanto privados, para saber o que da Outorga Onerosa (é um instrumento que Railway, construídos entre 1898 e 1900.sobre o Plano Diretor da Mooca. de 2002 e é a lei máxima que rege a orga- está acontecendo no município de São Paulo, consiste na autoriza- Como o bairro tem é uma orientação ção para construir toda esta história na construção dos além dos limites a ser preservada e espaços urbanos e estabelecidos para “Como o bairro tem também é hoje uma na oferta dos serviços o local, mediante área em franco cres- públicos essenciais, pagamento ao poder toda esta história a cimento imobiliário, visando assegurar público). ser preservada e as compras de ter- melhores condições também é hoje renos e contruções de vida para a po- Cidadão - Para são questões muito pulação. um bairro como uma área em delicadas. a Mooca, qual a franco crescimento Cidadão - O que importância de Cidadão - Como prevê o Plano um Plano Dire- imobiliário, as resolver esta Diretor da Moo- tor adequado? compras de terrenos questão? ca? Lucila - A Mooca e construções são Lucila - O bairro Lucila - O Plano tem muitos prédios tem diversos exem- Diretor da Mooca interessantes que questões muito plos de imóveis in- estabeleceu o zonea- retratam uma época delicadas” dustriais, um patri- mento urbano entre da cidade de São mônio importante a os 31 planos regio- Paulo que já aca- ser preservado. Uma nais, planos estes bou, e justamente alternativa interes- em que a Mooca está é uma região de muito conflito, porque o sante é a chamada “retrofit”, que pode inserida e localizada Compresp (órgão municipal responsável ser entendido como uma “reciclagem”; você no livro 25, disponí- pelo tombamento dos bens considerados adapta um prédio antigo para um novo vel na subprefeitura de interesse histórico, cultural e ambiental uso sem demolí-lo, é uma modernização doArquitetura original do Cotonifício Rodolfo Crespi, atual Hipermercado Extra do bairro. Estabele- para a preservação da memória da cidade prédio sem alteração em sua estética original.
    • VILA CARRÃO OUTUBRO DE 2010 - PÁGINA 7 Carlos AlbertoHOJE - Trânsito intenso nos horários de pico é problema atual da avenida Conselheiro Carrão; a solução seria o alargamento da pista e a implantação de corredores de ônibus Projeto de revitalização causa polêmica A Vila Carrão, principal eixo de ligação entre os bairros Tatuapé e Vila Formosa, precisa de mudanças Aline Messias com o engenheiro Vagner Landi e a Além dos corredores, o projeto independência”, afirma a moradora mil projetos por ano e que verificaria Naiara Teles arquiteta Paula Zanelato, criaram em prevê também padronização das Bruna de Lima Rodrigues. se houve alguma alteração no projeto. 2008 um projeto de revitalização para calçadas para 3 metros de largura, “Revitalizar a avenida é incen- Até o fechamento, não recebemos A obra que prevê melhorias na a avenida, apresentado ao subprefeito confeccionadas em piso de concreto tivar o crescimento de comércio e resposta sobre a situação do mesmo.avenida Conselheiro Carrão e criará da época, Vicente Marques. moldado, facilitando o deslocamento entidades, deixar bonitas as praças “Todas as obras que são pedidascorredores de ônibus e maior aces- Visando a criação de corredores de cadeirantes; plataforma elevada e as fachadas dos estabelecimentos, por subprefeitos são encaminhadassibilidade nas calçadas, causa um para aliviar o fluxo de 3.270 metros em diversos trechos, com piso des- deixando-os visíveis para que todos para a Siurb. Não há prazos, podedilema entre moradores e comer- da Conselheiro, que vai do viaduto tacado e mais alto para a travessia de encontrem logo o lugar que pro- ser que saia, como pode ser que não,ciantes locais. Em pesquisa informal Antônio Abdo até a avenida Dezeno- pedestres e redução da velocidade curam, e melhorar a iluminação de estamos aguardando”, pontua Landi.realizada pela equipe de reportagem ve de Janeiro, com faixas exclusivas de veículos; proibição de estaciona- todas as partes da avenida durante “Posteriormente, abriremos umado Cidadão na região, 70% dos de ônibus próximas às calçadas e de mento, possibilitando maior fluidez a noite”, opina o comerciante Ales- audiência pública, na qual a comuni-entrevistados são contra a criação duas pistas em cada sentido ao longo no trânsito; transformação de toda a sandro Go Nozaki. “Os corredores dade poderá participar em diversasdos corredores. Sem esclarecimentos da via para carros e motos. Para isso, extensão da avenida em mão dupla e atingiriam o comércio local e trariam questões. Queremos que o projetoem audiência pública para discutir o a avenida deverá ser alargada por implantação de lixeiras, mobiliário ur- desemprego para região”, completa o satisfaça a todos”, conclui Paula.projeto, os moradores acabam sendo meio da desapropriação de imóveis bano completo e plantio de árvores. trabalhador Everton Santos.influenciados pelos próprios comer- em uma área total de 8,9 mil m², em A questão da acessibilidade divide Segundo o engenheiro urbanista,ciantes, que fazem parte de uma área trecho que vai da rua Valente Xavier opiniões, pois as calçadas já possuem “o custo aproximado é de R$ 20 mi- Mais informaçõesde nove quadras da avenida, avaliada até o viaduto. “Fizemos esse projeto rampas de acesso, porém, a maioria lhões, traz a valorização comercial eem R$ 19 milhões. Os empresários não pensando só nos ônibus, mas dos comércios, não. “Sou a favor da residencial, e a expansão da região. ACSP - Associação Comercialalegam que não foram consultados também nas motos e nos carros; revitalização, nem tanto pelas calça- Além de valorizar imóveis, surgirão de São Paulo Ditrital Tatuapé,e temem a desvalorização dos seus quanto aos imóveis, haverá desapro- das, pois essas estão em plena condi- compradores interessados em esta- praça Silvio Romero, 29, telefone:negócios, assim como ocorreu na priação somente no ponto baixo da ção para os deficientes, mas sim pelo cionamentos, uma das propostas doavenida Celso Garcia, no Tatuapé. Conselheiro, depois do Córrego do comércio que não tem estrutura para Plano Diretor”. 2092-2979. O trânsito intenso na região é Sapateiro”, afirma Landi. eles”, afirma a funcionária de loja de Encaminhado em 16 de junho Siurb - Secretaria de Infra-estru-problema para os lojistas, transeuntes A arquiteta e urbanista explica roupas, Priscila de Sousa. de 2008 pela subprefeitura para a tura Urbana, av. São João, 473 -e principalmente para os moradores, que para o alargamento da via haverá “Sou a favor porque a melhoria Coordenadoria de Projetos da Siurb Centro, telefone: 3337-9700.já que o local é, em sua maioria, resi- o recuo de nove metros para dentro do trânsito da região seria nítida, (Secretaria de Infra-Estrutura Urba- Subprefeitura Aricanduva/Viladencial. Por essas questões, o Comitê de cada imóvel e que cerca de 60% principalmente nos horários de pico. na), o projeto continua em fase deTécnico de Política Urbana da Dis- desses imóveis estão degradados, A acessibilidade para os deficientes avaliação. Procurados pela equipe de Formosa/Carrão, rua Eponina,trital Tatuapé da ACSP (Associação enquanto 30% estão fechados ou físicos aumentaria de modo conside- reportagem do Cidadão, o departe- 82 - Carrão, telefone: 3396-0800.Comercial de São Paulo), juntamente para alugar. rável, facilitando a sua locomoção e manto alega que recebe mais de 70 De bairro Cemitérios podem virar área de lazer agrícola a centro comercial O ponto principal da proposta é a criação de um parque ecumênico O bairro comemorou em Aline Messias ção dessa área há o empenho de 59 Divulgação setembro 93 anos de história. Naiara Teles funcionários concursados, jardineiros Serviu como pousada para os credenciados e limpeza terceirizada. bandeirantes, em 1698, como Assim como a av. Conselheiro Em 2007, foram plantadas 7 mil Sítio do Capão Grande do Tatu- Carrão, os cemitérios da Vila Formo- mudas de árvores, além das já exis- apé. A princípio bairro agrícola, sa I e II podem passar por mudanças. tentes que formam uma paisagem passou por diversos proprie- A arquiteta Paula Zanelato criou um verde. As cruzes foram proibidas tários e recebeu vários nomes projeto que visa, entre outros pontos, nos túmulos, pois eram feitas de como Tucuri, Bom Retiro e, em a criação de um parque ecumênico e ferro e cimento, materiais que geram 1865, tornou-se Chácara Carrão, de um crematório. um lixo pesado. Foi inaugurado em pertencente ao conselheiro José “É comum em outros países 2010 um novo velório na área central, João da Silva Carrão. Após o seu que os cemitérios sejam integrados a com estacionamento e guarita para falecimento, em 1888, o local foi parques. Isso melhoraria o valor do PRÉVIA - Visão geral dos cemitérios I e II após a reforma completa segurança 24 horas. Está em cons- nomeado em sua homenagem. bairro, traria mais uma opção de lazer trução no lugar do antigo velório um A Vila Carrão, situada na e mais dignidade para as famílias que espaço para empinar pipas. estava mais maltratada”, confessa. reservatório de contenção de água Zona Leste de São Paulo, con- têm seus entes sepultados ali”, afirma. Há nove anos Lucia saiu do Considerado o maior da Amé- para evitar enchentes do Aricanduva. ta com aproximadamente 7,5 Segundo a administradora dos cemitério da Vila Alpina e assumiu, rica Latina, com 763 mil m², possui O projeto foi enviado para a quilômetros quadrados e cerca cemitérios, Lucia de Carvalho, uma em 2004, a direção do Vila Formosa mais de 77 quadras, abriga 87 mil subprefeitura Aricanduva/Carrão e de 74 mil habitantes, segundo a área verde seria excelente, pois alguns I para posteriormente administrar o sepulturas ativas, que têm rodízio de Vila Formosa e na ACSP – Distrital subprefeitura local. moradores já praticam caminhadas Formosa II. “Fiquei receosa em acei- sepultamentos a cada três anos, além Tatuapé, para futuro encaminhamen- enquanto as crianças aproveitam o tar a proposta, pois aquela unidade dos 110 mil ossários. Para a manuten- to à Siurb.
    • PÁGINA 8 - OUTUBRO DE 2010 BRÁS O bairro que virou moda O Brás conquista o reduto da moda em São Paulo e atrai consumidores de todo o país Mônica Naomi um fornecedor meu acabou virando Tiago Paixão Tiago Paixão meu cliente, pois passei a vender para ele também.” Amplamente conhecido, o bair- Para conquistar ainda mais oro do Brás é o reduto da moda do reduto do comércio e da moda bra-país e vem passando por constantes sileira, o bairro aposta em desfilesmudanças. da Mega Pólo Moda. As grifes que Há mais de 50 anos consumi- habitam o empreendimento do Brásdores de diversas regiões do país que é o maior shopping atacadista davão atrás de montanhas de roupas e América Latina mostram as roupasconfecções baratas, no varejo e ata- que serão vistas nas ruas do país.cado. Mas o público está mudando e, Os desfiles são destinados à lojis-consequentemente, o bairro também. tas, mas estão abertos ao público emHoje, além de comercializar produtos geral. As apresentações acontecemde vestuário mais barato, o distrito em quatro horários durante o dia.de São Paulo oferece diversidade e Toda a produção que vai aos des-qualidade nas roupas. files está à venda no local para lojistas. As vitrines chamam a atenção e Cerca de cem modelos mostram maisos produtos nelas expostos têm inspi- de três mil peças, de 290 marcas.rações internacionais como México, O bairro já reconhecido mun-Estados Unidos e Europa. Silva Telles - A rua mais frequentada do bairro do Brás dialmente é o centro de comércio de Laura Ferreira, estudante de roupas bonitas e baratas.Administração, faz compras no O paetê largo, com formato va- ora em detalhes de mangas, ora em de roupas daqui é o melhor do Brasil Durante a semana o bairro recebeBrás no mínimo uma vez por mês e riado, em dourado ou preto, aparece toda a peça. Brilhos aplicados a quen- e minhas clientes adoram quando os atacadistas, que compram peçasacredita que a variedade de estilos e em várias coleções de grifes famosas, te aparecem também em jaquetas e levo produtos novos”, diz Ana Maria para revender, e nos finais de semanapreços baixos são os diferenciais no e não poderia faltar nas vitrines do camisetas”, finaliza a estilista. Macedo, lojista da região. está aberto para receber o públicomomento das compras: “O que me bairro do Brás. As tendên- O Brás é nomeado como pólo varejista.atrai realmente é o preço. Já era o Especialmen- cias de moda que de moda brasileiro porque estimula A estudante Laura, que se diz es-tempo em que o Brás vendia roupas te contrastando “O atacado de o bairro oferece, o comércio nacional. Shoppings, pecialista em pechinchar roupas aosque pareciam baratas e que vestiam com tecidos também chamam lojas de rua e até mesmo grandes sábados, dá a dica de como fazer boasmal. Hoje em dia, a mesma peça que foscos e opacos, roupas do Brás é o a atenção de lojis- marcas vão de encontro ao bairro compras no bairro e já adianta: “Ovocê compra lá, você encontra no como tule, chi- melhor do Brasil” tas de todo o país para buscar fornecedores e as vezes lugar é um paraíso para fãs da modashopping também.” fon, alfaiataria, que revendem as até compradores. como eu, mas precisa ter paciência Rose Mello, estilista de umas das malha e crepe, peças que com- O comerciante paulista Carlos para escolher, porque todas as lojaslojas mais importantes e famosas que estão com pram no atacado. Maeda tem uma loja de bolsas e sem- são muito cheias, e quase nunca podedo Brás, explica que o bairro aposta tudo. “Geralmente em preto, muita “Tenho uma loja de roupas no litoral pre comprou produtos para revender provar a roupa. E é preciso distinguirfortemente nas tendências de moda calça e até bota de paetês. Tachas e e toda semana venho até o Brás para no Brás: “Um dia, o papel se inverteu, o barato que vale a pena, e o que nãointernacional. pinos, bem rock n’ roll, estão em tops, reabastecer meu estoque. O atacado comecei a costurar alguns cintos e vale a pena”. Exploração denigre o mercado da moda Origem a partir da implantação da ferrovia Mônica Naomi Uma boliviana, que não quis se dos imigrantes: “Eles procuram re- identificar, trabalha numa barraca de gistros para poderem ficar no Brasil, A feira de Kantuta Bianca Perez O Brás, que já foi o berço dos imi- roupas infantis na feira boliviana de então se casam, ou, se já têm registro Mônica Naomigrantes italianos, portugueses e espa- Kantuta, localizada perto da estação no país, vêm tirar a certidão de nasci- Todos os domingos, das 11nhóis no século XVIII, hoje é o local do Metrô Armênia, diz que vale mais mento dos seus filhos. O cartório, só às 19 horas, na praça da Kantuta O bairro do Brás teve sua ori-de trabalho e moradia de bolivianos, a pena vender uma calça por R$ 5 tira documentos de imigrantes que já - altura do no 625 da rua Pedro gem na igreja Senhor Bom Jesus delibaneses e coreanos. A perspectiva do que trabalhar no Brás. “Nunca têm a cidadania brasileira.” Vicente, bairro do Pari, São Paulo Matosinhos, erguida pelo portuguêsde trabalho nos cafezais e mais tarde trabalhei nas indústrias no Brás, mas Apesar de o bairro ser o pólo bra- (SP), acontece a feira de Kantuta. José Brás, no século XVIII. Co-nas indústrias, foi o atrativo inicial sei que lá os imigrantes trabalham de sileiro de moda, existem especulações Para chegar de transporte público, meçou a se desenvolver a partir dapara que os imigrantes começassem a maneira irregular contra grandes desça na estação Armênia do Me- implantação da ferrovia, em 1877, oconstruir suas vidas no país. Cerca de e escrava.” lojas de roupas. trô, saída para a rua Pedro Vicen- que definiu a posterior configuração1,5 mil bolivianos chegam por mês ao A boliviana, “Nas indústrias os Por trás da marca te. A praça da Kantuta está a 700 do espaço, pois atraiu atividadesBrasil em busca de emprego. que veio para e da propagan- metros. De carro, vá pela avenida industriais e comerciais. Seus ter- A maior parte encontra trabalho o Brasil há três imigrantes trabalham da, as confecções Cruzeiro do Sul, sentido bairro, e renos inférteis e de baixo custo eem pequenas confecções e oficinas anos, casou-se e quase como escravos” são produzidas vire à direita na rua Pedro Vicente. as indústrias que começavam a seclandestinas de costura já identificadas teve uma filha, em indústrias Aproveite as ocasiões: Festa instalar ali, transformaram-no numem 18 bairros, como Bom Retiro, Pari, responde com irregulares que das Alacitas (24 de janeiro); Carna- bairro consideravelmente popular.Brás e Itaquera, e ao menos em oito um sorriso tími- trabalham com val; Dia das Mães; Independência Segundo o professor de Históriamunicípios do interior paulista. Esti- do quando questionada se sente falta mão de obra imigrante escrava. da Bolívia (6 de agosto); aniversário Caio Victor Schiavinatto, o bairroma-se que existam aproximadamente de seu país de origem: “Não. Aqui no Outra boliviana, que mantém de cidades bolivianas (o de Copa- cresceu com a doação legal de ter-60 mil bolivianos no país, segundo Brasil está bom...” uma barraca na Kantuta, desabafa: cabana, por exemplo, é em 6 de ras e com a posse ilegal de terrenosdados da Polícia Federal. No Brasil, No Cartório da 6ª Oficial de “Estou no Brasil há 60 anos, já vi junho); Dia das Crianças e Natal. devolutos. Gente humilde construía90% dos bolivianos são encontrados registro civil das pessoas naturais do e vivi em muitas indústrias que mal Apresentações folclóricas ocorrem suas casas de taipa ao lado de chá-em São Paulo trabalhando em oficinas Brás, Marli Maria Cruz, oficial interi- pagavam pelo nosso trabalho, pare- também fora das datas festivas. caras de famílias ricas. “Os viajantesde costura. na, explica o processo de legalização cíamos máquinas, só costurávamos.” descreviam o bairro como um con- junto de elegantes casas de campo e chácaras, onde residiam famílias Fotos Bianca Perez abastadas, ao lado de casebres e ran- chos menos aristocráticos”, explica. No século XX o Brás mudou de feição, hoje as ruas do bairro são si- nônimo de comércio popular. Como outros bairros paulistanos com fortes traços de imigração italiana, o Brás também criou sua festa tradicional. É a festa de São Vito, comemorada nas ruas do bairro desde 1919. Em 1895, um grupo de imigrantes italianos trouxe a imagem de São Vito Mártir para o Brasil. O santo começou a ser reverenciado no bairro e, em 1940,IMIGRANTES - Bolivianos caminham pela feira da Kantuta; à direita, artesanato regional presente na feira foi criada a paróquia de São Vito.