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Aula iv gã«neros textuais e  intertextualidade
 

Aula iv gã«neros textuais e intertextualidade

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    Aula iv gã«neros textuais e  intertextualidade Aula iv gã«neros textuais e intertextualidade Document Transcript

    • Gêneros Textuais e Intertextualidade Estrutura profunda do texto Imagine um texto em que se falasse dos problemas acarretados pelaurbanização intensa ocorrida em nosso século, que insistisse na deterioração daqualidade de vida nas grandes cidades: poluição, trânsito caótico, precariedade dostransportes coletivos, violência crescente, ausência de relações interpessoais maisprofundas... Imagine ainda que esse texto propusesse o abandono das cidades,advogando que a salvação da humanidade estaria na volta ao contato com a natureza,às delícias do ar puro, da vida em pequenas comunidades, onde não existem osproblemas que nos afligem, etc. Todo texto se estrutura em níveis de abstração crescente. Para chegar àestrutura profunda, o nível mais abstrato, você deve agrupar os significadosaparentados, os significados que têm algo em comum. No texto que imaginamos, percebemos que podem ser reunidos num bloco osproblemas da vida urbana: poluição, trânsito caótico, precariedade dos transportescoletivos, violência crescente, ausência de relações interpessoais mais profundas.Noutro bloco, aglomeram-se elementos que indicam a negação dessa forma de vida:abandono das cidades. Um terceiro bloco agrupa os termos que se referem à vida emcontato com a natureza – delícias do ar puro, da vida em pequenas comunidades. O último bloco remete à natureza; o primeiro, por oposição à civilização. Osegundo nega a civilização e implica a natureza. Isso significa que há uma oposição,natureza versus cultura, que regula e ordena os significados do texto. O nível profundo de um texto constitui-se de uma oposição do tipo: liberdadeversus submissão, unicidade versus multiplicidade, etc. A análise de um texto nãoconsiste em encontrar a oposição reguladora dos seus significados, pois, se somenteisso for feito, reduziremos sua riqueza significativa a quase nada. No entanto, aimportância de detectar a estrutura fundamental de um texto reside no fato de que elapermite dar uma unidade profunda aos elementos superficiais, que à primeira vista,parecem dispersos e caóticos.Cada um dos pólos opostos da estrutura profunda vem investido de uma apreciaçãovalorativa. No texto imaginado acima, a natureza recebe uma valorização positiva; acivilização negativa. Depreende-se essa valorização de vocábulos como ―problemas‖ edelícias. A valorização é dada pelo texto, e não cabe ao leitor alterá-la. Um outro texto que fizesse elogios à vida nas atuais metrópoles estariaconsiderando o termo civilização como o valor positivo e o termo natureza comonegativo. No texto imaginado no princípio desta lição, trabalha-se com a oposiçãocivilização versus natureza. É preciso agora ver como se encadeiam esses termos aolongo do texto. Temos nele o seguinte esquema: apresentam-se os elementosrelativos à civilização urbana, ou seja, afirma-se o termo civilização; propõe-se oabandono das cidades, isto é, nega-se a civilização; mostram-se os elementosconcernentes à natureza, ou seja, afirma-se a natureza. Nos textos, a oposiçãofundamental encadeia-se da seguinte maneira: afirma-se um dos termos da oposição;em seguida, nega-se o termo que fora afirmado; depois, afirma-se o outro. Assim,como a oposição de base regula os diferentes sentidos superficiais, esse esquemabásico em que se nega um termo da oposição e se afirma o outro explica o movimentodo texto, ou seja, como se encadeiam seus significados.Monte casteloLegião Urbana
    • Ainda que eu falasseA língua dos homensE falasse a língua do anjosSem amor, eu nada seria…É só o amor, é só o amorQue conhece o que é verdadeO amor é bom, não quer o malNão sente invejaOu se envaidece…O amor é o fogoQue arde sem se verÉ ferida que dóiE não se senteÉ um contentamentoDescontenteÉ dor que desatina sem doer…Ainda que eu falasseA língua dos homensE falasse a língua dos anjosSem amor, eu nada seria…É um não quererMais que bem quererÉ solitário andarPor entre a genteÉ um não contentar-seDe contenteÉ cuidar que se ganhaEm se perder…É um estar-se presoPor vontadeÉ servir a quem venceO vencedorÉ um ter com quem nos mataA lealdadeTão contrário a siÉ o mesmo amor…Estou acordadoE todos dormem, todos dormemTodos dormemAgora vejo em parteMas então veremos face a faceÉ só o amor, é só o amorQue conhece o que é verdade…Ainda que eu falasseA língua dos homensE falasse a língua do anjosSem amor, eu nada seria…
    • Essa música fala da perfeição do amor… Deus é amor, na Bíblia Pauloresume o que vê em partes e diz que verá face a face…É a esperança deste amor divido grandioso Deus!Vejamos o testo retirado da bíblia:Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor,serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine.Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todoo conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, mas nãotiver amor, nada serei.Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpopara ser queimado, mas não tiver amor, nada disso me valerá.O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria nãose orgulha.Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, nãoguarda rancor.O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.Tudo sofre tudo crê, tudo espera, tudo suporta.O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguascessarão, o conhecimento passará.Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos;quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá.Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino eraciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás ascoisas de menino.Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas,então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecereiplenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.1 Coríntios 13:1-12
    • O texto retoma o conceito: Entender a humanidade é impossível conhecer, a variedade de línguas éimensa, e se conhecesse o que adiantaria se não há amor entre todos osvontade dele seria colocar amor nos corações, por meio da música ele enviamensagem a todos afirmando que só com amor tudo vale a pena, que o amorsabe que não precisa haver guerra, que quem o tem são pessoas de paz quenão faz mal a ninguém, que não tem inveja, e nem ambição, com a vaidade dequerer tudo pra si. Para que usar bomba se o amor é fogo, e sua ferida é bemmelhor porque arde, queima e provoca feridas que dói e não se sente. É umaloucura que não faz mau,é um cuidado especial,luta sozinho,e consegue tudocom tranquilidade sem machucar ninguém,melhor que uma bomba e maispotente que ela, pois atinge a humanidade em cheio, usando de justiça,lealdade e diálogo até mesmo a quem quer nos matar, mesmo que nos odeiemé necessário provar que o amor é mais forte e que sem ele nada valeapena.Que nós humanos devemos despertar do sono que nos prende ainjustiça a ambição e o egoísmo precisamos dedicarmos mais ao próximo edeixarmos de pensar só em nós.Que ele já acordou pra vida e percebe se queas lutas sem amor não leva a um bom fim que na vitória não há gosto porquecom destruição tudo se torna em vão, que somente o amor enxergar essaverdade.O poema de Luiz de Camões e a carta do Apóstolo Paulo aos coríntios, ambasfalam do AMOR, mas em ideias diferentes.O amor e a mulher Dos temas mais presentes na lírica camoniana o do amor é central eocorre de modo conspícuo também n Os Lusíadas. Na sua conceçãoincorporou elementos da doutrina clássica, do amor cortês e da religião cristã,concorrendo todos para incentivar o amor espiritual e não o carnal. Para osclássicos, especialmente na escola platónica, o amor espiritual é o maiselevado, o único digno dos sábios, e esta espécie de afeto incorpóreo acaboupor ser conhecida como amor platónico. Na religião cristã da sua época o corpoera visto como fonte de um dos pecados capitais, a luxúria, e por isso semprefoi encarado com desconfiança quando não desprezo; conquanto fosseaprovado o amor nas suas versões espirituais, o amor sexual era permitidoprimariamente para a procriação, ficando o prazer em plano secundário. Dapoesia trovadoresca herdou a tradição do amor cortês, que é ele mesmo umaderivação platónica que coloca a dama num patamar ideal, jamais atingível, e
    • exige do cavaleiro uma ética imaculada e uma total subserviência em relação àamada. Nesse contexto, o amor camoniano, como expresso nas suas obras, é,por regra, um amor idealizado que não chega a vias de facto e se expressa noplano da abstração e da arte. Contudo, é um amor preso no dualismo, é umamor que, se por um lado ilumina a mente, gera a poesia e enobrece o espírito,se o aproxima do divino, do belo, do eterno, do puro e do maravilhoso, étambém um amor que tortura e escraviza pela impossibilidade de ignorar odesejo de posse da amada e as urgências da carne. Queixou-se o poetainúmeras vezes, amargamente, da tirania desses amores impossíveis, chorouas distâncias, as despedidas, a saudade, a falta de reciprocidade, e aimpalpabilidade dos nobres frutos que produz. Tome-se como exemplo umsoneto muito conhecido: Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente É dor que desatina sem doer; É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder; É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo amor? — RimasTodos os paradoxos criados pela idealização amorosa são enfatizados pelaprópria estrutura poética, cheia de antíteses, metáforas, silogismos, oposiçõese inversões, que na análise de Cavalcante "... configuram um jogo elegante e sonoro de linguagem enquanto o poema desenvolve os paradoxos para expressar o sentido tanto universal quanto contraditório do amor. Diante do sentimento, o homem torna-se frágil, a linguagem é insuficiente, a palavra, ilógica e sem razão. Ao expressar o "eu" universal, Camões joga com escrita/escritura, fazendo desta última o mais puro "estranhamento" e novidade, ainda que pudesse estar inspirado nos modelos clássicos".[
    • BiografiaKÖCHE, Vanilda Salton; BOFF, Odete Maria Benetti e PAVANI, CinaraFerreira. Resenha de obra ou artigo. In:_____. Prática Textual: atividades deleitura e escrita. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.Luís Vaz de CamõesEscritor português do século XVI, suas poesias e peças de teatro, classicismo,Os Lusíadas e outros livros, literatura portuguesa.Renato Russo morreu em 11 de outubro de 1996 em consequência do vírus doHIV.