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Balanço de inovações em educação a distância

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  • 1. BALANÇO DE INOVAÇÕES EM EDUCAÇÃO ON-LINE Marcelo Giordan Professor Doutor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo Liliana Vasconcellos Jacobsohn Mestra em Administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo Andrea Filatro Mestra em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo1. INTRODUÇÃOUma década após a expansão comercial da Internet no Brasil, que balanço se pode fazer dosanúncios e promessas que acompanharam a incorporação da telemática à educação? O quemuitos pregavam como revolução educacional de fato se transformou em algo realmentenovo?Este artigo pretende analisar em que aspectos a introdução das tecnologias de informação ecomunicação (TIC) possibilitam inovações significativas nos processos de ensino-aprendizagem. Para isso, devemos antes de tudo delimitar nosso campo de análise.Estamos falando de um tipo específico de educação a distância, a educação on- line, queabrange processos intencionais de ensino apoiados total ou parcialmente pelas tecnologias deInternet.Estamos considerando aqui, portanto, todo um continuum de ações educacionais a distância,que variam de um estágio meramente informacional, no qual são entregues informaçõesrelativamente estáveis, como ementa do curso, agenda e dados de contato, até um estágiocompletamente imersivo, em que todo o conteúdo do curso se encontra no ambiente virtual etodas as interações ocorrem on- line (MASON, 2002; HARMON & JONES, 1999).O texto está organizado em três partes: primeiramente, a proposta e a metodologia do estudosão comentadas; em seguida, são analisadas as inovações em relação à educação presencial,aos aspectos pedagógicos e tecnológicos e à gestão educacional; por fim, as conclusões ereferências bibliográficas são apresentadas.2. PROPOSTA E METODOLOGIA DO ESTUDOTendo em vista o objetivo de analisar as inovações resultantes da introdução de TICs nosprocessos de ensino-aprendizagem e a amplitude do tema, foram selecionados três aspectosprincipais a serem pesquisados: pedagogia, tecnologia e gestão educacional. A Figura 1apresenta a relação estabelecida entre o conteúdo / os objetivos de aprendizagem e o aluno,mediada pelas escolhas pedagógicas e tecnoló gicas e apoiada pelo professor; dinâmica estasuportada pela gestão educacional. 1
  • 2. Figura 1 – Foco do Trabalho Conteúdo Pedagogia Aluno Objetivos Tecnologia Professor Gestão EducacionalAlém de discutir as inovações nos aspectos mencionados acima, uma análise comparativaentre a educação on- line e a educação presencial é apresentada, visando analisar de formamais amplas as transformações relacionadas às TICs.Esta pesquisa pode ser caracterizada como exploratória, na medida em que buscou obtermaior conhecimento sobre o tema e propor hipóteses e “insights”. Foi realizado umlevantamento de dados secundários, através de uma extensa pesquisa bibliográfica sobreteorias e experiências inovadoras na educação on- line, disponíveis em revistas, teses, livros ena Internet.3. INOVAÇÕES EM RELAÇÃO À EDUCAÇÃO PRESENCIALUma análise comparativa entre os espaços de aprendizagem tradicionais e os espaços deaprendizagem on- line nos permite identificar algumas mudanças estruturais significativas naeducação.Historicamente, a educação presencial se moldou para ocorrer em local e horário convenientesao encontro face a face entre alunos e professores. Nesse formato, as atividades deaprendizagem são fixas termos de espaço e tempo e baseiam-se prioritariamente nacomunicação oral síncrona, dentro de regras específicas e bem delimitadas. Os conteúdos, asestratégias e as pessoas estão de certa forma predeterminados.A educação on- line, por sua vez, recém-surgida no lastro da expansão da Internet comercial,concretiza-se em um espaço que se estende para além da tela de um computador, virtualmenteilimitado e atemporal. As pessoas, as informações, as atividades não são fixas; pelo contrário,assim como os conteúdos e as pessoas, assumem um caráter transitório e fluido. Acomunicação se apóia primordialmente na escrita e na representação iconográfica de idéias econceitos.Tais características, por si só tão diferentes, representam alterações de foco, papéis econdições de trabalho que nos levam a perguntar se é adequado ou mesmo admissíveltransplantar para os novos ambientes (virtuais) de aprendizagem métodos, técnicas eferramentas historicamente desenvolvidos para a sala de aula tradicional.No sentido inverso deste raciocínio, os resultados de uma pesquisa sobre a forma de utilizaçãodas TICs para suportar práticas inovadoras em sala de aula, realizada em 28 países, indicamque a tecnologia está favorecendo mudanças significativas no ensino e aprendizagem. Nos174 casos analisados “os alunos se envolveram ativamente no que muitas vezes é chamado de“atividades construtivistas”, como pesquisar informações, desenhar produtos e publicar e 2
  • 3. apresentar os resultados do próprio trabalho. Freqüentemente, nestes projetos, os alunoscolaboraram entre eles e ocasionalmente colaboraram com pessoas de fora da sala de aula,como alunos em outros países”. Softwares de apoio para elaboração de textos e apresentações,recursos da Internet, e- mail e software multimídia foram utilizados na maioria dos casos(SITES-M2, 2003).De fato, a modalidade híbrida de educação, em metodologias de ensino a distância sãocombinadas a atividades presenciais, tem sido mencionado na literatura como uma dastendências da educação a distância (CAFARDO, 2003; FINN, 2002). De acordo comMURRAY e MASON (2003), a comunicação mediada por computador está cada vez maispresente nos cursos presenciais das instituições de ensino.Os modelos de cursos híbridos permitem combinar as vantagens das atividades presenciais e adistância. No entanto, este modelo traz um outro desafio: integrar de forma adequada as duasmetodologias, possibilitando que estas efetivamente se complementem.4. INOVAÇÕES EM PEDAGOGIA E TECNOLOGIAÉ importante destacar que poucas ferramentas tecnológicas empregadas em educação têm seudesign ou funcionalidade originalmente projetados em uma base pedagógica. Algumas delassurgiram como desdobramentos dos sistemas de gerenciamento da informação, queimportaram da gestão corporativa e militar as funcionalidades de acesso hierárquico eestruturas rígidas de controle. Outras, tais como os newsgroups, tiveram sua origem naInternet, guiadas pela premissa de uma espécie de igualitarismo anárquico (HEWSON &HUGHES, 2001).Autores como HEWSON & HUGHES (2001) apontam a não utilização dos conhecimentoshistoricamente acumulados sobre o processo de ensino-aprendizagem tradicional como umadas causas para a resistência à temática educacional entre professores e alunos. É como se asinovações viessem de fora para dentro, encontrando pouca receptividade por parte daquelesque se tornam objeto e não sujeitos da inovação. Nesse sentido, parece desejável aproximar arealidade virtual da prática presencial, pela construção de uma infra-estrutura tecnológica quereflita processos educacionais familiares. Dessa forma, professores e alunos serão receptivos epoderão acessar ferramentas e processos semelhantes ou melhores que os disponíveis em salade aula.PETERS (2001b) destaca novas funções técnicas disponibilizadas pelas TICs, as quais que seintegram em novos espaços virtuais e suportam atividades pedagógicas realmente inovadoras,baseadas por exemplo no modelo do aprendiz autônomo auto-regulado e na aprendizagemcolaborativa entre pares.A Figura 2, a seguir, apresenta uma breve descrição dos novos espaços virtuais, com asrespectivas inovações em tecnologia e pedagogias: 3
  • 4. Figura 2 – Inovações Tecnológicas e Pedagógicas Espaço virtual de Inovações tecnológicas e pedagógicas aprendizagem1. Apresentação Um ambiente digital de aprendizagem é eficaz em reproduzir e aperfeiçoar as de informações funções expositivas do ensino tradicional, em que as atividades de o ferecer, apresentar, mostrar e ilustrar informações estruturam e caracterizam as atividades de ensino e aprendizagem. Entretanto, levando em conta a aprendizagem autônoma e auto-regulada, os estudantes podem utilizar-se das TICs para expor e publicar suas idéias, descobertas e argumentações.2. Obtenção de Com a ajuda de servidores e motores de busca, informações globais podem ser informações fácil e rapidamente consultadas, localizadas e utilizadas a partir de bancos de dados internos e externos, em páginas ou sites da Internet, em bibliotecas, dicionários e revistas profissionais eletrônicas.3. Comunicação A ferramenta de correio eletrônico (escrito e de voz) e os recursos de distribuída teleconferência que utilizam vídeo possibilitam comunicação entre professores, colegas de estudo e comunidade externa (especialistas e outros stakeholders), de forma síncrona ou assíncrona, com o adicional de transformar essa comunicação em informação sujeita aos mesmos recursos de exibição, consulta e utilização dos itens 1 e 2 anteriores.4. Colaboração Com a ajuda das tecnologias de comunicação distribuída, tornam-se possível distribuída ações de planejamento, desenvolvimento e avaliação conjuntos simultânea e ou remotamente, em modelos de parcerias, gestão de projetos e colaboração em comunidades de prática, ensino e pesquisa.5. Exploração A organização hipertextual do conhecimento, e a possibilidade de navegação e consulta digital favorecem a aprendizagem autônoma na medida em que os estudantes podem explorar o conhecimento segundo seus próprios interesses e preferências.6. Documentação A retenção e organização sistemática de informações pode ser facilmente integradas ao processo de aprendizagem, beneficiando o desenvolvimento de habilidades de gerenciamento de conteúdos que extrapolam os limites de situações didáticas específicas.7. Multimídia Textos, gráficos, imagens, vídeo, áudio e animação podem ser utilizados para exposição e publicação de fatos, conceitos e princípios de modo versátil e variado, adaptando-se à natureza diversa dos conteúdos educacionais e atingindo diferentes estilos cognitivos e de aprendizagem8. Processamento A utilização do hipertexto permite aos alunos não apenas aprender de forma eletrônico de autônoma com textos, mas também compilar, introduzir, transmitir, processar, texto selecionar, salvar, estabelecer links e liberar informações. (hipertextos)9. Simulação Os estudantes podem “vivenciar” uma realidade simulada (modelo), para beneficiar-se por exemplo de estudos em gerenciamento, macroeconomia , experimentos científicos, visitas a museus, paisagens e outros locais de outra forma inacessíveis.10. Realidade Os estudantes podem interagir com objetos e pessoas em espaços e paisagens virtual simulados em três dimensões, tendo suas ações convertidas diretamente em dados, o que possibilita que as conseqüências dessas ações sejam vivenciadas diretamente no espaço de aprendizagem tridimensional, por exemplo no treinamento de piloto de aviões ou na prática de técnicas cirúrgicas.Fonte: Adaptado de PETERS (2001b).Vale destacar os estudos de ROVAI (2002) a respeito da formação de comunidades nos nosespaços tradicionais e virtuais de ensino. Pesquisando alunos de um curso presencial e de umcurso online assíncrono (Asyncchronous Learning Network), através do Índice de Percepção 4
  • 5. de Comunidade em Sala de Aula (Sense of Classroom Community Index)1 , o autor verificouque não existe diferença significativa no sentimento geral da comunidade formada por alunosnos dois formatos de curso. Inclusive, em alguns cursos, os alunos de e-learning tiveram umsenso de comunidade maior que nos cursos presenciais. Esse resultado sugere que osentimento de isolamento relatado em vários cursos tende a estar relacionado ao formato epedagogia de cada curso, ao invés do sistema de e-learning como um todo. Verificou-semaior variabilidade nas comunidades formadas a distância, indicando que a comunidadeonline é mais sensível ao formato e pedagogia do curso de e-learning do que no caso de aulaspresenciais.ROVAI (2002) menciona ainda que o ambiente de e-learning requer mais atenção e esforçotanto do professor quanto dos alunos. Os resultados mostram uma relação positiva entre aformação de comunidade e o número de mensagens enviadas no sistema de e-learning,confirmando a importância da interatividade como componente para a construção dacomunidade. Os dados também sugerem que instrutores experientes no ambiente onlineconseguem criar e manter níveis de comunidade que são no mínimo iguais àqueles verificadosna sala de aula presencial.O estudo realizado por ROVAI “fornece evidências de que é o método e não a mídia que maisimporta para um aprendizado efetivo” (2002, p. 1). Seguindo a mesma linha, MURRAY eMASON afirmam que “os resultados de aprendizagem estão mais relacionados com a formacomo uma mídia em particular é utilizada do que com características intrínsecas da mídia emsi” (2003, p. 7). Esta questão é importante, pois transfere o foco da tecnologia decomunicação para a questão pedagógica, aspecto essencial do planejamento do curso.5. INOVAÇÕES EM DESIGN E GESTÃO EDUCACIONALSegundo o texto clássico de MOORE & KEARSLEY (1996), o design e desenvolvimento decursos devem responder a questões como: 1. Que conteúdo deve ser incluído ou ignorado? 2. Qual é a melhor maneira de seqüenciar e organizar o material? 3. Qual o melhor meio para apresentar o material? 4. Que tipo de estratégias de ensino devem ser empregadas? 5. Como a aprendizagem pode ser mensurada? 6. Que feedback os alunos devem receber sobre seu progresso? 7. Que métodos devem ser usados para criar os materiais?Essas respostas dependem da natureza do curso, de seus alunos, do conteúdo e especialmentedo nível de organização da educação a distância (programa, unidade, instituição, consórcio).Em todos esses níveis, utilizam-se procedimentos padronizados para o desenvolvimento demateriais, os quais constituem o Instructional Systems Design (ISD).A forte ênfase no planejamento do ISD reflete-se em cinco estágios que compõem um ciclocontínuo do desenvolvimento de um curso: a) Análise: identificação de necessidades;1 Participaram da pesquisa 326 alunos adultos, matriculados em cursos de graduação e pós-graduação em duasuniversidades. 5
  • 6. b) Design: articulação de objetivos em estrutura e forma do curso; c) Desenvolvimento: produção e testes de materiais instrucionais; d) Implementação: registro de alunos, “entrega” de materiais, interação de instrutores e tutores com alunos; e e) Avaliação: avaliação de alunos e da efetividade instrucional do curso.Os autores arrolam princípios gerais de design aplicáveis a diferentes tipos de educação adistância: estrutura adequada, objetivos claros, pequenas unidades de estudo, participaçãoplanejada, completeza dos materiais ou programas, repetição de idéias, síntese, estimulação,variedade de formatos de apresentação da informação, tarefas, exemplos e problemas abertose adaptáveis aos interesses e necessidades dos alunos, feedback sobre as atividades realizadase sobre o progresso individual, avaliação contínua. De acordo com os autores, quanto maisfatores forem endereçados, mais efetivo o curso será.Com a introdução das tecnologias, em especial a Internet, as implicações do designinstrucional se estendem para possibilitar: § maior personalização aos estilos e ritmos individuais de aprendizagem; § adaptação às características institucionais e regionais; § atualização a partir de feedback constante; § acesso a informações e experiências externas à organização de ensino; § possibilidade de comunicação entre os agentes do processo (professores, alunos, equipe técnica e pedagógica, comunidade); e § monitoramento automático da construção individual e coletiva de conhecimentos.As transformações que acompanham a adoção das TICS às práticas educativas refletem ummovimento bem caracterizado dentro da teoria e prática do design instrucional que propõe aadoção de uma nova forma de planejar o ensino-aprendizagem. Esse movimento pode serexemplificado por referências teóricas a um design instrucional contextualizado, cujospressupostos básicos apontam para a necessidade de adaptar o planejamento educacional aocontexto local de implementação (FILATRO, 2004).Além das inovações no design instrucional, outros aspectos relacionados à gestão educacionaltambém se impõem no cenário da educação a distância on- line: capacitação de professores,estabelecimento de parcerias, definição de políticas, acordos sobre direitos autorais,gerenciamento de projetos de desenvolvimento de novos cursos e gestão da mudança.TESTA (2002, p.103-105), com base em nove entrevistas realizadas com especialistas e doisestudos de casos, identificou seis fatores críticos de sucesso para programas de educação adistância (EAD) via Internet; ou seja, questões que foram consideradas importantes ougeraram problemas nos casos estudados: § Capacitação e experiência da equipe: “as pessoas envolvidas [...] devem ter experiência em educação a distância ou receber treinamento específico”; § Envolvimento dos membros da organização: “buscar o apoio de todas as pessoas da organização. E todos os membros da equipe, incluindo professores, deverão estar realmente envolvidos nas atividades do programa”; § Conhecimento e preocupação com as características e comportamento do estudante: “conhecer seus estudantes, para poderem desenvolver ações com o objetivo de atender 6
  • 7. suas necessidades, auxiliá- los na ambientação à Internet e a na disciplina para realizar as exigências dos cursos a distância, e evitar que se sintam abandonados ou isolados”; § Modelo pedagógico: “definir um projeto pedagógico, baseado na interação e colaboração, tendo especial cuidado com o design instrucional, evitando excessiva padronização e respeitando os fatores culturais dos estudantes”; § Tecnologia: “evitar focar na tecnologia, apesar de ser fundamental a avaliação da infra-estrutura tecnológica e dos softwares que compõe o ambiente de aprendizagem”; § Realização de parcerias (terceirização): “buscar parcerias estratégicas ou terceirizar parte de suas atividades”.Experimentos realizados no Projeto IDEAL (2003) revelaram questões importantes a seremconsideradas na implementação e gestão de programas de educação a distância: § Realizar as primeiras iniciativas de aprendizagem a distância como atividades piloto; § Criação de um ambiente que estimula a experimentação, onde os participantes estejam dispostos a tentar novas abordagens, assumir riscos e pensar criativamente; § Definição sobre qual modelo, currículo e tecnologia utilizar em função das necessidades do aluno ; § Planejamento para educação a distância, incluindo o recrutamento e a orientação dos alunos, execução e avaliação; § Novas responsabilidades para os professores, que precisam ser capacitados e apoiados; § Avaliação dos alunos distantes; § Levantamento de dados de programas experimentais, sobre a implantação e o alcance dos objetivos propostos; § Necessidade de ações da liderança para mudança organizacional necessária, uma vez que a decisão de implementar um programa a distância precisa estar fundamentada na missão da organização.6. CONSIDERAÇÕES FINAISOs resultados desta pesquisa apontam as inovações nos processos de ensino-aprendizagem,resultantes da introdução das tecnologias de informação e comunicação (TICs).As principais mudanças em relação à educação presencial se relacionam ao aspecto ilimitadoe atemporal da educação on- line e à participação ativa e colaborativa do aluno no processo deensino-aprendizagem, aspectos que podem ser incorporados ao ensino presencial, com aimplementação de modelos híbridos (CAFARDO, 2003; FINN, 2002).Com relação às inovações em pedagogia e tecnologia, destacam-se os novos espaços virtuaise sua utilização em educação (PETERS, 2001b). Além disso, o esforço de preparação dosprofessores para utilizar as ferramentas tecnológicas disponíveis possibilita uma interaçãomais equilibrada entre pedagogia e tecnologia, considerando a importância da questãopedagógica em relação à tecnologia para o aprendizado efetivo (ROVAI, 2002; MURRAY eMASON, 2003).Na gestão educacional, é ressaltada a importância do aluno e do contexto para o designinstrucional, além dos seus princípios e implicações. Para viabilizar esta prática, é essencial oapoio institucional, tendo em vista a complexidade das ações envolvidas. 7
  • 8. A decisão de oferecer educação a distância por si só não é suficiente, é preciso colocar emprática um esforço de mudança organizacional (IDEAL, 2003), tendo em visto as barreirasinstitucionais que precisam ser transpostas, tais como: falta de hábito, de conhecimento eafinidade quanto ao uso das tecnologias; necessidade de capacitação dos professores;conservadorismo e acomodação quanto aos métodos tradicionais de aprendizagem; disputapor recursos financeiros limitados; lentidão na tomada de decisões; e as leis de propriedadeintelectual (LEVINE e SUN, 2002; BRAGA, 2002).Este processo de mudança não é fácil, considerando que o desafio dos líderes das instituiçõesatuais está na definição do que precisa ser mudado e na velocidade em que é possívelimplementar esta mudança (KATZ e OBLINGER 2 , 2000 apud TAYLOR, 2003). Apesardisso, muitas instituições têm desempenhado um papel significativo na educação a distância,mantendo-se na vanguarda da inovação e da mudança institucional (TAYLOR, 2003).Por fim, vale ressaltar que este estudo está limitado a uma análise unicamente teórica,resultando apenas em hipóteses e sugestões sobre o tema para realização de pesquisas futuras.7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASHARMON, S. W. & JONES, M. G. (1999). “Planning and implementing web-basedinstruction: tools for decision analysis”. In: SPARKS, K. E. & SIMONSON, M. (eds.)Proceedings of the 1998 international conference of the Association of EducationalCommunications and Technology. Iowa State University, Ames, IA. pp. 423-427.HEWSON, Lindsay & HUGHES, Chris. “Generic structures for online teaching andlearning”. In: LOCKWOOD, Fred & GOOLEY, Anne (eds.) Innovation in Open andDistance Learning: Successful Development of Online and Web-based Learning (Open &Distance Learning S.). Capítulo 7. University of New South Wales, Sidney, Austrália, 2001.IDEAL – Improving Distance Education for Adult Learners. Handbook of DistanceEducation for Adult Learners . 2a. Ed. Project IDEAL Ann Arbor – Michigan: SupportCenter, Institute for Social Research, University of Michigan, Nov. 2003. Disponível em:http://projectideal.org/pdf/handbook/DEHandbk2ndEd.pdfINGLIS, Alistair. “Selecting an integrated electronic environment”. In: LOCKWOOD,Fred & GOOLEY, Anne (eds.) Innovation in Open and Distance Learning: SuccessfulDevelopment of Online and Web-based Learning (Open & Distance Learning S.). Capítulo 8.University of New South Wales, Sidney, Austrália, 2001.MASON, Robin (2002). On-line learning: what have we learned?. Anotações de palestraproferida no IX Congresso Internacional de Educação a Distância 2002.MOORE, Michael & KEARSLEY, Greg. “Course Design and Development” – Capítulo 6 daobra Distance Education – a system view). University of Wadsworth Publishing Company,1996. 2 KATZ, R.N.; OBLINGER, D.G. (Eds.). The “E” is for everything : e-Commerce, e-Business and e-Learning in the future of higher education. San Francisco: Jossey-Bass, 2000. 8
  • 9. PETERS, Otto (2001a). Didática do ensino a distância. São Leopoldo, Unisinos.PETERS, Otto (2001b). Duas mudanças estruturais na educação à distância. Aula Magistral,Unisinos, São Leopoldo, 11/09/2001. Disponível emwww.ricesu.com.br/colabora/n2/destaqueSITES-M2 Second Information Technology in Education Study Module 2. InternationalAssociation for the Evaluation of Educational Achieveme nt - IEA, 2003. Disponível emhttp://www.iea.nl/iea/hq/index.php?id=82&type=1SIMONSON, M. (ed.), Proceedings of selected research and development presentations.Washington D. C.: Association for Educational Communications and Technology. 9