Pap0066
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×
 

Like this? Share it with your network

Share

Pap0066

on

  • 1,176 views

 

Statistics

Views

Total Views
1,176
Views on SlideShare
1,176
Embed Views
0

Actions

Likes
0
Downloads
3
Comments
0

0 Embeds 0

No embeds

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Adobe PDF

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

Pap0066 Document Transcript

  • 1. 1 IX ENGEMA - ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA, 19 a 21 de novembro de 2007GESTÃO AMBIENTAL E PRODUÇÃO MAIS LIMPA O CASO DE UMAINDÚSTRIA DE ALIMENTOS CEARENSEResumoEste trabalho analisa o processo de gestão ambiental em uma indústria alimentícia verificandosua abrangência, procedimentos de transformação industrial e o uso de práticas ambientaisrelacionadas à Produção Mais Limpa. Analisa ainda a postura ambiental da indústria e açõeshostis e/ou amigáveis ao meio ambiente. O estudo justifica-se pela preocupação emestabelecer parâmetros compatíveis com as diretrizes do desenvolvimento sustentável. Apesquisa é um estudo de caso descritivo, qualitativo, aplicado mediante entrevista pessoal eobservação com o auxílio de roteiro estruturado aos gestores da produção de 3 plantas de umagrande indústria de alimentos cearense, que atua na extração da castanha de caju. O marcoteórico utiliza os conceitos de posicionamento ambiental de (North (1992); Produção MaisLimpa (CTNL – Centro Nacional de Tecnologias Limpas do SENAI/RS) e sistema “fim-de-tubo” (Christie et al apud Lemos, 1998). Os resultados revelaram a existência de processopoluente, ocorrência de insalubridade de altas temperaturas e aspectos agressivos ao meioambiente quanto à transformação e beneficiamento da castanha-de-caju. Observou-seposicionamento amigável ao meio ambiente quanto à poluição da atmosfera e redes públicas,pelo descarte responsável de resíduos perigosos. A abrangência da gestão ambiental foipontualmente identificada no inicio do processo até a disposição de resíduos em armazénsporém não se verificou o uso sistemático e estruturado de um sistema de gestão ambiental. Aspráticas de fim de tubo evidenciaram alto desperdício de água e energia no processo produtivoe ausência de controle estruturado. Devido à especificidade do produto não existe reciclagemda matéria prima, contudo observou-se o reuso de resíduos em fornos e caldeiras comreciclagem externa do excedente. As práticas de produção mais limpa foram observadas nosníveis da minimização de resíduos e emissões pela reciclagem externa e redução na fonte; ena reutilização de resíduos captados ao longo do processo, por lavadores de gases e estaçõesde tratamento de efluentes líquidos, não sendo identificados ciclos biogênicos.Palavras-chave: Gestão Ambiental; Produção mais Limpa; Preservação ambiental naIndústriaIntrodução A discussão sobre temas relacionados ao meio ambiente e sua articulação com a gestãode organizações tem deixado de ser tratada como questão emergente para se tornar pautaprioritária dos dirigentes de segmentos estruturais da economia, setores políticos,governamentais e, mais que isso, passou a ser objeto de accountability junto à sociedadeorganizada, elemento de governança fator crítico do desenvolvimento sustentável. Nesse contexto, o presente trabalho analisa o processo de gestão ambiental em umagrande indústria alimentícia localizada no estado do Ceará, verificando a abrangência doprocesso, os procedimentos de transformação industrial e o uso de práticas ambientaisrelacionadas à Produção Mais Limpa. Analisa ainda a postura ambiental da indústria e açõeshostis e/ou amigáveis ao meio ambiente. O estudo justifica-se pela preocupação emestabelecer parâmetros compatíveis com as diretrizes do desenvolvimento sustentável. Apesquisa é um estudo de caso descritivo, qualitativo, aplicado mediante entrevista pessoal eobservação com o auxílio de roteiro estruturado aos gestores da produção de 3 plantas de umagrande indústria de alimentos cearense, que atua na extração da castanha de caju. O marcoteórico utiliza os conceitos de posicionamento ambiental de (North (1992); Produção Mais
  • 2. 2 IX ENGEMA - ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA, 19 a 21 de novembro de 2007Limpa (CTNL – Centro Nacional de Tecnologias Limpas do SENAI/RS) sistema “fim-de-tubo” (Christie et al apud Lemos, 1998). O paper está estruturado em quatro seções, iniciando pela revisão da literatura sobre otema, seguindo-se dos procedimentos metodológicos. A seguir apresentam-se os resultados econclusão.Gestão Ambiental e posicionamento ambiental A Gestão Ambiental representa um conjunto de medidas e procedimentos bemdefinidos e adequadamente aplicados com o fim de reduzir e controlar os impactosintroduzidos por um empreendimento sobre o meio ambiente (GIORDANO ET ALII, 2000).A gestão ambiental empresarial está essencialmente voltada para organizações e pode serdefinida como um conjunto de políticas, programas e práticas administrativas e operacionaisque levam em conta a saúde e segurança das pessoas; a proteção do meio ambiente pelaeliminação/minimização de impactos e danos ambientais decorrentes do planejamento,implantação, operação, ampliação, realocação e desativação de empreendimentos ouatividades, em todas as fases do ciclo de vida de um produto. (DONAIRE, 1999). A abrangência da gestão ambiental contempla uma visão sistêmica e se dá desde aconcepção do projeto até a eliminação efetiva dos resíduos gerados pelo empreendimentodurante toda a sua vida útil. Dessa forma visa a garantir a melhoria contínua das condições desegurança, higiene e saúde ocupacional de empregados e estabelecer um relacionamento sadiocom os segmentos da sociedade que inter-relacionam com esse empreendimento e com aempresa (GIORDANO ET ALII, 2000). O objetivo maior da gestão ambiental deve ser a busca permanente de melhoria daqualidade ambiental dos serviços, produtos e ambiente de trabalho de qualquer organizaçãopública ou privada. Essa busca é, portanto um processo de aprimoramento constante dosistema de gestão ambiental global de acordo com a política ambiental estabelecida pelaorganização (REIS, 2002). A gestão ambiental pode assumir importância estratégica, nocontexto empresarial, a depender do grau de sensibilidade demonstrado pela altaadministração para com o meio ambiente, daí decorrendo o potencial para que uma gestãoambiental efetiva possa ser implantada. De acordo com North (1992 apud DONAIRE, 1999)pode-se avaliar a partir de aspectos inerentes à gestão de recursos, produtos e processos,caracterizando posicionamento agressivo ou amigável ao meio ambiente. O autor explica quepara uma correta avaliação ambiental da empresa devem ser considerar as seguintes variáveis: a) O Ramo de Atividade como a mais importante ameaça que pode ser causada pela empresa ao meio ambiente, bem como os custos necessários para a regularização de acordo com normatização ambiental, não sendo, contudo, suficiente conhecer apenas o ramo de atividade, devido à variação nos níveis de tecnologias. b) O Produto em especial oriundo de matérias primas renováveis ou recicláveis, que não agridem o meio ambiente tem a preferência de empresas que respeitam a causa do meio ambiente. c) Os Processos de trabalho, considerando também todas as entradas e saídas, os padrões ambientais estabelecidos são relevantes para avaliar se a empresa está longe ou perto dos objetivos capazes de enquadrá-la ambientalmente como amigável ou hostil. d) A Consciência Ambiental dos stakeholder, pois a falta de consumidores conscientizados ambientalmente pode ocasionar falsa impressão no mercado de bens e serviços, de que não existem ameaças pela crescente alteração de produtos amigáveis; e assim, devem-se acompanhar as reivindicações ambientais. e) Os Padrões Ambientais representam indicadores relevantes. Quanto maior a conscientização social mais restrita será a legislação ambiental. Nos países onde o uso 2
  • 3. 3 IX ENGEMA - ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA, 19 a 21 de novembro de 2007 de padrões é crescente, maiores as oportunidade de novos negócios relacionados à questão ambiental. f) O Comprometimento Gerencial sinaliza uma das mudanças no nível interno da organização com relação a questão ambiental e representa a conscientização do nível gerencial. Este comprometimento dissemina um clima propício na qualidade ambiental. g) O Nível de Capacidade do Pessoal requer investimentos em tecnologia e equipamentos além de treinamento e qualificação para todos os envolvidos para poder transformar projetos em ações eficazes, o que pode gerar compromisso com a questão ambiental Tais aspectos foram estruturados por North (1992, apud Donaire 1999) de modo apermitir a avaliação do posicionamento ambiental de organizações conforme quadro 1. Empresas agressivas (Alta poluição) 1 2 3 4 5 Empresas amigáveis (Baixa poluição) Questão ambiental como ameaça Questão ambiental como oportunidade 1. Ramo de atividade 2. Produtos Matérias-Primas Não renováveis Matérias-primas renováveis Não há reciclagem Reciclagem Não há aproveitamento de resíduos Reaproveitamento de resíduos não poluidores poluidores Alto consumo de energia Baixo consumo de energia 3. Processo Poluente Não poluentes Resíduos perigosos Poucos resíduos Alto consumo de energia Baixo consumo de energia Uso ineficiente dos recursos Uso eficiente dos recursos Insalubre aos trabalhadores Não afeta trabalhadores 4. Consciência Ambiental Consumidores não conscientes Consumidores conscientes 5. Padrões ambientais Baixos padrões Altos padrões Desobediência às restrições Obediência às restrições 6. Comprometimento Gerencial Não comprometido Comprometimento 7. Nível de capacidade do pessoal Baixo Alto Acostumado a velhas tecnologias Voltado para novas tecnologias 8. Capacidade de P & D Alta criatividade Baixa criatividade Curtos ciclos de desenvolvimento Longos ciclos de desenvolvimento 9. Capital Ausência de capital Existência de capital Pouca possibilidade de empréstimos Alta possibilidade de empréstimosQuadro 1: Avaliação do posicionamento ambiental. Fonte: North (1992, apud Donaire 1999). Environmentalbusiness managementA Produção Mais Limpa A Produção mais Limpa significa a aplicação contínua de uma estratégia econômica,ambiental e tecnológica integrada aos processos e produtos, a fim de aumentar a eficiência nouso de matérias-primas, água e energia, através da não-geração, minimização ou reciclagemde resíduos gerados em um processo produtivo. Esta visão é oriunda do Centro Nacional deTecnologias Limpas – CTNL – do SENAI/RS, que relata que a prática conduz ao 3
  • 4. 4 IX ENGEMA - ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA, 19 a 21 de novembro de 2007desenvolvimento econômico sustentado e propicia competitividade às organizações. Alémdisso, o CTNL SENAI/RS aponta que as tecnologias ambientais convencionais trabalhamprincipalmente no tratamento de resíduos e emissões gerados em um processo produtivo. Sãoas chamadas técnicas de fim-de-tubo. Já a Produção mais Limpa busca a integração dosobjetivos ambientais aos processos de produção para reduzir os resíduos e as emissões emtermos de quantidade e periculosidade (http://www.rs.senai.br/cntl/cntl.htm). A prioridade da Produção mais Limpa está no primeiro nível do fluxograma e visa aevitar a geração de resíduos e emissões. No caso da ocorrência de resíduos que não podem serevitados passa-se ao nível 2 e dessa forma, tais resíduos devem, preferencialmente, serreintegrados ao processo de produção da empresa. A CTNL aponta ainda que na suaimpossibilidade, devem ser adotadas ações em terceiro nível, que contemplam a utilização demedidas de reciclagem fora da empresa, bem como aos ciclos biogênicos que promovemtransformações no sistema buscando retornar ao estado inicial. Nesse sentido a entidaderegistra a aplicabilidade de várias estratégias visando à Produção mais Limpa e a minimizaçãode resíduos, o que pode ser visualizado na figura 1 a seguir.Figura 1: estratégias visando a Produção mais Limpa e a minimização de resíduos. Fonte: CTNL – CentroNacional de Tecnologias Limpas do SENAI/RS (http://www.rs.senai.br/cntl/cntl.htm). O Greenpeace reeport (1997 declara que os governos tradicionalmente abordam ogerenciamento ambiental pelo estabelecimento de padrões de cargas de poluição admissíveispara água, ar e terra. A indústria reage instalando equipamentos — como filtros — só nosdispositivos de final de processo para manter esses padrões de emissão. A contínuadegradação do ambiente é prova de que essa abordagem tem falhas graves. Em primeirolugar, ela supõe que o ambiente pode tolerar certa quantidade de poluição. Além disso, comoágua, ar e terra em geral são regulamentados por autoridades diferentes, essa fragmentaçãoresulta na troca de substâncias tóxicas entre ar, água e solo. Contudo, a estratégia mais bem-sucedida para eliminar substâncias tóxicas de processos de produção foi a introdução deproibições e reduções progressivas em âmbito nacional e regional. Um exemplo dessa práticadiz respeito ao uso de materiais mais limpos ao tempo em que ocorreram proibições ao uso depesticidas e embalagens de PVC, bem como por estratégias governamentais de âmbitonacional para eliminação gradativa defendida por alguns governos locais da Europa.http://www.greenpeace.org.br/toxicos/pdf/producao_limpa.doc Outras normas físicas que os governos podem impor para a eliminação gradativa daprodução e do uso de substâncias químicas perigosas podem ser Leis de planejamento 4
  • 5. 5 IX ENGEMA - ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA, 19 a 21 de novembro de 2007obrigatório para a redução do uso de substâncias tóxicas, bem como a definição de prazoslimites do uso de poluentes cujas permissões estabeleçam reduções progressivas até zero nasemissões de substâncias perigosas. Para impedir que tecnologias e produtos em fase deeliminação gradativa em um país sejam transferidos para outro, há necessidade de acordosinternacionais em algumas áreas, tais como: a) Responsabilidade pelo ciclo de vida útil, conjunta, particular ou estrita, por danos ambientais, tanto para investidores como banqueiros, independente do país de origem; b) Proibição da transferência de tecnologias e produtos perigosos; c) Adoção de padrões comuns para avaliação e auditoria de impactos ambientais. O Greenpeace reeport (1997) estabelece uma analogia entre atitudes relacionadas aoaspecto tradicional, que enfoca o controle da poluição e o desenvolvimento de práticas deprodução mais limpa (quadro 2).O enfoque do controle de poluição O enfoque da produção mais limpaPoluentes são controlados por filtros e métodos de Poluentes são evitados na origem, através detratamento do lixo medidas integradasO controle de poluição é avaliado depois do A prevenção da poluição é parte integrante dodesenvolvimento de processos e produtos e quando os desenvolvimento de produtos e processosproblemas aparecemControles de poluição e avanços ambientais são sempre Poluição e rejeitos são considerados recursosconsiderados fatores de custo pelas empresas potenciais e podem ser transformados em produtos úteis e sub-produtos desde que não tóxicosDesafios para avanços ambientais devem ser Desafios para avanços ambientais deveriam ser deadministrados por peritos ambientais tais como responsabilidade geral na empresa, inclusive deespecialistas em rejeitos trabalhadores, designers e engenheiros de produto e de processoAvanços ambientais serão obtidos com técnicas e Avanços ambientais incluem abordagens técnicas etecnologia não técnicasMedidas de avanços ambientais deveriam obedecer aos Medidas de desenvolvimento ambiental deveriampadrões definidos pelas autoridades ser um processo de trabalho contínuo visando a padrões elevadosQualidade é definida como ‘atender as necessidades dos Qualidade total significa a produção de bens queusuários’ atendam às necessidades dos usuários e que tenham impactos mínimos sobre a saúde e o ambienteQuadro 2: Atitudes De Controle Da Poluição e Produção Mais Limpa Fonte: adaptado do HusinghEnvironmental Consultants Inc. 1994 De acordo com o Greenpeace reeport (1997) a abordagem da Produção Limpaenvolve as seguintes etapas (quadro 3):Etapas especificação 1. Identificação da substância perigosa a ser gradualmente eliminada com base no Princípio Precautório. 2. Execução de análises química e de fluxo de material. 3. Estabelecimento e implementação de um cronograma para a eliminação gradual da substância nociva do processo de produção, bem como de correspondente tecnologia de gerenciamento de resíduos. 4. Implementação de processos de produção limpa para produtos existentes e pesquisa de novos. 5. Treinamento e fornecimento de apoio técnico e financeiro. 6. Ativa divulgação de informações para o público e garantia de sua participação na tomada de decisões. 7. Viabilização da eliminação gradativa da substância poluente através de incentivos normativos e financeiros. 8. Viabilização da transição para a Produção Limpa com planejamento social, envolvendo trabalhadores e comunidades afetados.Quadro 3: etapas da produção limpa. Fonte: Greenpeace reeport (1997). 5
  • 6. 6 IX ENGEMA - ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA, 19 a 21 de novembro de 2007 O instituto Brasileiro de Produção Sustentável e Direito Ambiental – IBPS(http://www.ibps.com.br/index.asp? idmenu=producaomaislimpa) assinala que a Produçãomais Limpa é uma Ação Preventiva que busca evitar a geração dos resíduos peloaproveitamento máximo das matérias-primas utilizadas no processo produtivo. Já técnicas defim- de- tubo são ações que apenas ajudam a diminuir o impacto ambiental de determinadosresíduos e não solucionam o problema, principalmente nos casos de efluentes líquidos eemissões gasosas sendo válidas para tratar resíduos que não puderam ser evitados noprocesso, sendo considerada uma opção paliativa enquanto a Produção mais Limpa é umaproposta de solução. Desse modo, a introdução de técnicas de Produção mais Limpa em um processoprodutivo, pode utilizar várias estratégias, considerando as metas ambientais, econômicas etecnológicas da organização, que definirá suas diretrizes, políticas e prioridades. A PMLbaseia-se em novas tecnologias especializadas e abordagens de desenho, projeto e gestão daprodução; assim como, em novas maneiras de pensar e agir dos gestores em relação à questãoambiental (Christie et al. 1995 apud Lemos, 1998). Os autores acrescentam que aimplementação da P+L também pode determinar uma nova trajetória tecnológica na empresa.São necessárias novas tecnologias gerenciais, que possibilitem um novo relacionamento coma natureza. Uma trajetória tecnológica é o “caminho da inovação no qual uma empresa, cadeiade valor e setor são estabelecidos através de escolhas feitas pelos empresários, consumidorese legisladores. Nesse sentido, a escolha de implementação também pode estar relacionada àconformidade com as regulamentações ambientais e à responsabilidade social e ética daempresa Christie et al. (1995 apud Lemos (1998).. A mudança “do paradigma “fim-de-tubo”ou “end-of-pipe” para o paradigma de P+L, mas isso envolve o repensar dos sistemas,conforme podemos visualizar na figura2.Figura 2: Sistema “ fim-de-tubo” e Sistema de PML. Fonte: Christie et al. Apud Lemos (1998)Metodologia 6
  • 7. 7 IX ENGEMA - ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA, 19 a 21 de novembro de 2007 A pesquisa caracteriza-se no tocante à abrangência como estudo de caso aplicado emuma empresa da indústria de alimentos do Ceará, mais especificamente da castanha de caju.É descritiva quanto ao objetivo e grau do problema e qualitativa quanto à natureza dasvariáveis. Um estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenômenocontemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre ofenômeno e o contexto não são claramente definidos (YIN, 2001: 32). No tocante àAbrangência a pesquisa é um estudo de caso aplicado em uma empresa da indústria dealimentos do Ceará, mais especificamente da castanha de caju. A pesquisa descritiva é aquelaque observa, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos (variáveis) sem manipulá-los,buscando conhecer as diversas situações e relações que ocorrem na vida social, política,econômica e demais aspectos do comportamento humano, tanto do indivíduo tomadoisoladamente como de grupos e comunidades mais complexas (CERVO E BERVIAN, 2002).Malhotra (2001:155), afirma que a pesquisa qualitativa proporciona uma melhor visão ecompreensão do contexto do problema, enquanto a pesquisa quantitativa procura quantificaros dados e aplica alguma forma da analise estatística. A investigação contemplou uma pesquisa de campo em três unidades fabris daindústria estudada e teve como foco o corpo de lideranças da empresa, perfazendo trêsrepresentantes funcionais envolvidos com o sistema de gestão e operacionalização daspráticas de controle ambiental, que atuam como coordenadores de produção das três plantas. A coleta dos dados compreendeu a consulta de dados primários e secundários.Segundo Cervo, Amado (2002), a coleta de dados ocorre após a escolha e delimitação doassunto, a revisão bibliográfica, a definição dos objetivos, a formulação do problema e ashipóteses. A coleta dos dados primários ocorreu no período de outubro a novembro de 2005,sendo realizada por meio de entrevistas pessoais com os representantes da instância gerencialda área de produção das unidades fabris estudadas. Utilizou-se como instrumento de pesquisaum questionário semi-estruturado, que foi entregue a cada respondente escolhido para roteirode apoio e acompanhamento durante as entrevistas. O instrumento foi elaborado com base nosmodelo teóricos que tratam da Avaliação do posicionamento ambiental de North (1992, apudDonaire, 1999) no Environmental business management, nas estratégias visando à Produçãomais Limpa e a minimização de resíduos do CTNL – Centro Nacional de Tecnologias Limpasdo SENAI/RS (http://www.rs.senai.br/cntl/cntl.htm). Os dados secundários foram obtidospela consulta às fontes bibliográficas, referentes a livros, artigos e dissertações, bem comomídia eletrônica e consulta à internet. A análise dos dados foi realizada pela avaliação qualitativa dos posicionamentosmanifestados pelos representantes da organização à luz dos modelos teóricos deposicionamento ambiental e produção mais limpa.CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE E OBJETO DA PESQUISA A empresa pesquisada é do segmento econômico da indústria, do setor privado, noramo de atividade de beneficiamento de castanha de caju. A empresa foi fundada na décadade 1940 voltada a produção de Líquido da Castanha de Caju LCC destinado à fabricação deinsumo para a indústria automobilística. Nesta época, surpreendentemente as castanhas decaju eram descartadas como parte do processo de extração. A indústria mudou de controlealgumas vezes, de uma multinacional para outra, sendo a última mudança ocorridarecentemente em 2004. Localizada no estado do ceará, emprega cerca de 2.700 funcionários, distribuídos emtrês plantas fabris e em três turnos, durante as 24 horas diárias e 06 dias por semana, com umaprodução estimada em 3.800 toneladas de amêndoas. Possui um parque industrial dividido emtrês plantas, cujos equipamentos e tecnologias configuram-se adequados e necessários para o 7
  • 8. 8 IX ENGEMA - ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA, 19 a 21 de novembro de 2007desempenho de seu processo. A empresa possui um faturamento em torno de US$20.000.000,00, opera com um fluxo de caixa que preza pela margem de lucro, tendo em vistaque o giro não é possível, pois, depende diretamente da safra que ocorre apenas uma vez porano. O financiamento da matéria prima é totalmente feito por instituições financeiras privadasnão havendo investimentos de capital próprio. A empresa, além de beneficiar a castanha de caju, também embala outros produtos,entre estes a castanha do Pará, o amendoim, o pistache e doces de caju e goiaba. A indústriatem origem no próprio estado, contudo, hoje pertence a grupos internacionais. Tem umaadministração direta do presidente, o qual possui grandes habilidades em negociações comclientes e fornecedores. Uma de suas estratégias de negócio é comprar o máximo possívelpodendo, para tanto, negociar melhores preços e garantir uma produtividade ao longo de todoo ano. Como uma empresa líder de mercado, prima por seus valores humanos, possuindo umaestrutura de recursos humanos para gerenciar seus valores intelectuais e a área dedesenvolvimento, garantindo assim que todos os funcionários independentemente dos níveishierárquicos, passem por vários tipos de treinamentos. A história da cajucultura cearense é dividida em dois ciclos. O primeiro teve origemdurante a colonização, com plantio desorganizado, sem nenhum cuidado e em forma deexploração extrativista. Na década de 60, com o início da expansão do setor agroindustrial,iniciou-se o segundo ciclo. Este é marcado pelo favorecimento do mercado consumidor deamêndoa de castanha de caju e do líquido da castanha, que foi apoiado pela existência deincentivos fiscais e de subsídios. A indústria de castanha de caju no estado do Ceará temgrande importância para a economia regional, especialmente no tocante às exportações,assumindo posição relevante, o que pode ser ilustrado pelo volume de 16,9% das exportaçõescearenses em 2004 equivalentes a US$145.623.482 e que lhe garantiu a posição ocupada de 2ºlugar no período, além do incremento de 29,8% entre os exercícios de 2003 a 2004.Gráfico I – Balança Comercial Cearense do Setor de Castanha de Caju de 1996 à 2006. Fonte: SECEX/MDICElaboração: Centro Internacional de Negócios/FIEC. Dados disponíveis até dezembro de 2006. Um ponto relevante a ser destacado é o decréscimo sistemático da participação doCeará nas exportações brasileiras de castanha de caju nos últimos 10 anos, mesmo com amanutenção dos volumes históricos de exportação de 2004 para o momento atual (tabela 1).Tabela 1: Exportações Cearenses Setor de Castanha de Caju. Participação das Exportações Cearenses nasExportações Brasileiras. Período: 1996 à 2006¹ Valores em US$ FOB 8
  • 9. 9 IX ENGEMA - ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA, 19 a 21 de novembro de 2007 Fonte: SECEX/MDIC. Elaboração: Centro Internacional de Negócios/FIEC (2006). A partir dos dados coletados pôde-se identificar o perfil de cada respondente, tendosido feito a pesquisa em três plantas de uma empresa de alimentos e identificou-se o perfil aseguir (quadro 4). Perfil do Respondente Planta 1 Planta 2 Planta 3 Nível hierárquico Coordenador Coordenador Coordenador Tempo de Empresa De 1 a 5 anos De 1 a 5 anos Mais de 10 anos Formação Superior Pós Graduado Superior Quadro 4: Perfil dos respondentes. Fonte: Coleta de dados primáriosAvaliação do Posicionamento Ambiental Com relação aos produtos utilizados pela empresa observou-se que a matéria prima utilizada é reconhecida como uma matéria prima renovável, a castanha de caju. De conformidade com os respondentes das plantas fabris 1, 2 e 3, pesquisadas, verificou-se que não existe reciclagem do produto, pois este constitui alimento, e uma vez utilizado não há como reaproveitá-lo. Observou-se, ainda, que a empresa faz reaproveitamento de resíduos poluidores em todas as plantas e que estes resíduos são: A casca da castanha, o líquido da castanha de caju (L.C.C) e a película da castanha. Foi possível identificar que existe um alto consumo de energia no setor mecanizado na planta 1, baixo consumo de energia na planta 2 e alto consumo na planta 3 (quadro 5). Tipo de matéria prima Planta 1 Planta 2 Planta 3 Matéria prima Renovável Renovável Renovável Qual a matéria Castanha de caju Castanha de Caju Castanha de caju Reaproveitamento de Reaproveitável Reaproveitável Reaproveitável Resíduo Poluidor Tipo de resíduo Casca, LCC, Casca da castanha Casca da castanha Consumo de energia Alto Baixo Alto Setor Mecanizado Todos os setores Reciclagem de produto Não existe Não existe Não existe Quadro 5: Avaliação do posicionamento ambiental. Fonte: Dados primários. A análise dos dados do produto permite identificar características de biodegradação,reaproveitamento de resíduos poluidores e um alto consumo de energia em duas das 3 plantase torna possível afirmar que o posicionamento do produto, com referência ao meio ambiente,mostra tendências mais amigáveis que hostis. No que se refere ao processo de transformação e conforme os respondentes das plantas1, 2 e 3 pode-se caracterizar o processo industrial como poluente, pois segundo estes, existemvapores que são lançados na atmosfera, os quais contribuem para o aumento da poluição.Com isto identificou-se que neste processo industrial existe produção de resíduos perigosos,que são a casca da castanha de caju e o liquido da casca da castanha (L.C. C). 9
  • 10. 10 IX ENGEMA - ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA, 19 a 21 de novembro de 2007 Notou-se que as plantas 1 e 2 identificaram como baixo o consumo de energia para oprocesso, contudo o respondente da planta 3 identificou como alto este consumo de energia,sendo considerado que todos os recursos disponíveis são eficientemente usados. Além disso,todos os respondentes a consideram que todos os recursos disponíveis são eficientementeusados. Um ponto a ressaltar diz respeito às altas temperaturas existentes em setores doprocesso industrial, o que foi declarado na percepção dos respondentes. Existe adicional deinsalubridades para os trabalhadores o que pode ser mais claramente percebido no quadro 6 ecom bases nesses dados pode-se perceber que o processo industrial desenvolvido pelaempresa mostra-se hostil ao meio ambiente. Processo Planta 1 Planta 2 Planta 3 Poluente Sim Sim Sim Qual Poluente Vapores Vapores Vapores Resíduo perigoso Sim Sim Sim Qual resíduo Casa e LCC Casca Casca Consumo de energia Baixo Baixo Alto Uso dos recursos Eficiente Eficiente Eficiente Insalubridade Sim Sim Sim Qual insalubridade Alta temperatura Alta temperatura Alta temperatura Quadro 6: Práticas ambientais no Processo de transformação. Fonte: Dados primários No tocante à consciência ambiental os respondentes afirmam que os consumidores dosprodutos são conscientes ambientalmente, e por considerarem a empresa comprometida com omeio ambiente, registram sua percepção de que sua indústria mantém altos padrõesambientais, mantendo obediência a todas as restrições legalmente estabelecidas. Nessesentido, parece existir um posicionamento amigável ao meio ambiente, mas cabe umaponderação acerca da natureza de tal posicionamento, pois uma vez que existe a pressão legalnão é possível afirmar a condição amigável como posição deliberada da indústria investigada(quadro 7). Situação ambiental Planta 1 Planta 2 Planta 3 Padrões ambientais Alto Alto Alto Consumidores Conscientes Conscientes Conscientes Comprometimento/Obediência Sim Sim Sim Quadro 7: Consciência ambiental. Fonte: Dados Primários No que se refere à capacidade do pessoal pode-se perceber a partir da percepção dosrespondentes das três plantas que o nível de capacidade do pessoal envolvido no processo éconsiderado alto e que estão voltados para novas tecnologias, tais como os sistemas delavadores de gases, sistemas de tratamento de efluentes e outros processos similares. No quediz respeito à capacidade de planejamento e desenvolvimento, o respondente da planta 1considera baixo o grau de criatividade da empresa, com longos ciclos de desenvolvimento, esegundo este o fato se deve a dificuldade de locação de recursos. Já os respondentes dasplantas 2 e 3 apontam que existe alta criatividade e longos ciclos de desenvolvimento. Assimparece haver a percepção da capacidade do pessoal e do planejamento e desenvolvimento dacapacidade como um aspecto amigável ao meio ambiente o que se retrata no quadro 8. Pessoal / P&D Planta 1 Planta 2 Planta 3 Capacidade do pessoal Alto Alto Alto Ciclo de desenvolvimento Longo Longo Longo Capacidade de P& D Baixo Alto Alto Visão Tecnológica Nova tecnologia Nova tecnologia Nova tecnologia Quadro 8: Capacidade do pessoal envolvido / Planejamento e desenvolvimento. Fonte: Dados Primários 10
  • 11. 11 IX ENGEMA - ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA, 19 a 21 de novembro de 2007 Para os respondentes das três plantas, a possibilidade de investimentos é baixa devidoa ausência de capital e poucas possibilidades de empréstimos pelas instituições financeiras,contudo o respondente da planta 3 acredita que exista perspectivas (quadro 9). Investimentos Planta 1 Planta 2 Planta 3 Capital Ausência Ausência Ausência Possibilidade Empréstimos Baixa Baixa Alta Quadro 9: Investimentos. Fonte: Dados Primários. No aspecto da abrangência do processo de gestão ambiental observou-se entre osrespondentes a percepção de que existe alto grau de preocupação manifestada pela empresaacerca dos impactos ambientais nas etapas de produção, desde o momento que a matériaprima chega às plantas até o momento da disposição dos resíduos gerados neste processo quepassa pelos controles de qualidade. Aqui cabe ressaltar um fator relevante, que se refere àinfra-estrutura das plantas industriais. Os respondentes mencionaram que as plantas sãoconsideradas antigas, e que na época de sua construção não se levava em conta a gestãoambiental. Contudo, enfatizaram a preocupação com as etapas do processo de transformação,e a atenção com a emissão de efluentes sejam estes líquidos, sólidos ou gasosos que éconsiderada prioridade pela administração da empresa, fazendo parte das ações nas váriasinstâncias. Os gestores da produção mostram-se convictos de que a empresa procuraminimizar ou reduzir os seus efluentes e sinaliza o posicionamento amigável ao meioambiente na amplitude do processo de produção.Produção Mais limpa Na análise das práticas de produção mais limpa, os resultados revelaram, de acordocom a declaração dos respondentes de todas as plantas fabris investigadas, que a empresadesenvolve a produção mais limpa em seus três níveis. Na verificação das práticas deprodução mais limpa e segundo os gestores de todas as plantas observou-se que a redução depoluição nas fontes ocorre de forma sistemática por meio da lavagem de gases, estação detratamento de efluentes. Existe disponibilidade de novas tecnologias para buscar aminimização das emissões no meio ambiente, mas não existe mudança de produto e nem deprocesso. Além disso, não existe substituição da matéria prima que é única para estaatividade. Assim, há evidências de execução das práticas de produção mais limpa no nível 1do processo de produção mais limpa na empresa, ilustrado no quadro 10 a seguir: Minimização de Planta 1 Planta 2 Planta 3 resíduos e emissões Redução da poluição Sim Sim Sim na fonte Como reduz Lav. de gases/ETE Lav. de gases/ETE Lav. de gases/ETE Produto/Processo Não há mudança Não há mudança Não há mudança Subst. Matéria prima Não existe Não existe Não existe Nova tecnologia Sim Sim Sim Motivo da mudança Melhoria da qualidade Melhoria da qualidade Melhoria da qualidade e custos e custos e custos Quadro 10 - Produção Mais Limpa – Nível 1 Minimização de resíduos e emissões. Fonte: Dados Primários Na seqüência da avaliação das práticas de produção mais limpa relacionadas àreciclagem interna, que compreende o nível 2 do modelo de produção mais limpa observou-se 11
  • 12. 12 IX ENGEMA - ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA, 19 a 21 de novembro de 2007que devido ao ramo de atividade da empresa alimentos, verificou-se que não existereciclagem interna conforme posicionamento ilustrado no quadro 11. Produção mais limpa Planta 1 Planta 2 Planta 3 Reciclagem interna Não Não Não Quadro11: Produção Mais Limpa – Nível 2 Minimização de resíduos e emissões. Fonte: Dados Primários Por outro lado, todos os respondentes apontaram que o maior resíduo produzido, acasca da castanha, é reutilizada em grande escala nos fornos e nas caldeiras da empresa parageração de energia calorífica, sendo que o excedente produzido é vendido para outrasempresas que possuam o mesmo sistema de produção de energia. No quadro 12 a seguirobserva-se melhor como se comporta a empresa, segundo seus respondentes: Reutilização de Planta 1 Planta 2 Planta 3 resíduos e emissões Reciclagem externa Sim Sim Sim Ciclos biogênicos N/A N/A N/A Quadro 12 - Produção Mais Limpa – Nível 3 Reutilização de resíduos e emissões. Fonte: Dados PrimáriosModelo de controle Fim de tubo Considerando as práticas de fim de linha, ou fim de tubo, que determinam açõesposteriores à ocorrência de emissões poluentes, observou-se, conforme a declaração dosrespondentes das plantas fabris, que existe desperdício no processo produtivo com relação aenergia e recursos renováveis. Nesse sentido, o maior desses desperdícios ficou identificadoclaramente que é a água, muito utilizada na atividade de lavagem da matéria prima antes deser beneficiada. Com relação à captação da poluição dentro da empresa, todos os representantes foramunânimes em afirmar que ela acontece antes dos vapores serem lançados na atmosfera, sendocaptado e lavados em sistemas que os respondentes denominaram de sistemas de lavadores degases. Além disso, ficou consignado que existe captação de poluição nos sistemas detratamento de efluentes líquidos, estação de tratamento de efluentes bem como se verificou aexistência de um programa de coleta seletiva desenvolvido pela empresa. No tocante ao controle de desperdícios, os respondentes das plantas 1 e 3 apontaramque não existe um sistema de controle de desperdícios desses recursos, que é sem dúvida aágua e o vapor super aquecidos, contudo o representante da planta 2 informou que já seaproveita parte dessa água do sistema de lavagem da amêndoa em sua planta, para serreutilizada na lavagem da matéria prima antes de ser beneficiada. No que tocante aos resíduos, cujos volumes são produzidos em grande escala, estessão dispostos em grandes armazéns cobertos. Já os resíduos como as embalagens ou restos demateriais são dispostos em baias, que consistem em locais cobertos e separados por paredespara acondicionar os plásticos, papelão, papeis, sucatas de metais. Apesar da casca dacastanha representar o maior, resíduo produzido, este é bastante reutilizado como combustívelpara gerar calor e vapor que são utilizados no processo industrial. Isto acontece em suascaldeiras e fornos. Além disso, verificou-se que o excedente desse resíduo produzido (casca) évendido em grande escala para todas as indústrias que utilizam o mesmo processo deprodução de energia (vapor e calor), ou seja, indústrias que possuem caldeira e fornos. Istoconforme os respondentes. Fatores básicos como o tipo de atividade, o processo desenvolvido, a consciênciaambiental, os padrões ambientais utilizados, o comprometimento gerencial, o nível decapacidade das pessoas envolvidas, a capacidade de planejamento e desenvolvimento da 12
  • 13. 13 IX ENGEMA - ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA, 19 a 21 de novembro de 2007empresa, o capital disponível para novos investimentos, as tecnologias emergentes (Produçãomais limpa), tudo isto configura no comprometimento e consciência ambiental. No que tocaaos resíduos produzidos no processo industrial verificou-se a partir dos respondentes queexistem procedimentos diversificados. O principal resíduo é a casca da castanha e cujosvolumes são produzidos em grande escala e são dispostos em grandes armazéns cobertos. Jáos resíduos como as embalagens ou restos de materiais, estes são dispostos em baias, queconsistem em locais cobertos e separados por paredes para acondicionar os plásticos, papelão,papeis, sucatas de metais. Apesar de se produzir bastantes resíduos, principalmente a casca da castanha, este ébastante reutilizado como combustível para gerar calor e vapor para o processo industrial. Istoacontece em suas caldeiras e fornos. O excedente desse resíduo produzido (casca) é vendidoem grande escala para todas as indústrias que utilizam o mesmo processo de produção deenergia (vapor e calor), ou seja, indústrias que possuem caldeira e fornos. Segundo osrespondentes não existem regras para disposição dos resíduos gerados, ou seja, na proporçãoque são gerados encaminha-se para os armazéns. Verificou-se, ainda, que nesse processoindustrial é gerado como subproduto o líquido da castanha de caju (L.C. C) (quadro 13). Fim de tubo Planta 1 Planta 2 Planta 3 Desperdício Sim Sim Sim Tipo de desperdício Água Água Água Controle desperdício Não há Não há Existe Captação da poluição Lavador de gás/ETE Lavador de gás/ETE Lavador de gás/ETE Disposição de resíduos Armazéns/Baias Armazéns/Baias Armazéns/Baias Reuso de resíduos Sim Sim Sim Tipo de resíduo Casca Casca Casca Sub-produto L.C.C L.C.C L.C.C Quadro 13: Práticas de fim de tubo. Fonte: dados primários A pesquisa realizada evidenciou que para uma gestão ambiental eficiente torna-senecessária a utilização de técnicas que possibilitem a minimização ou eliminação dos resíduosou partes deles durante o processo, utilizando para isto tecnologias emergentes, como porexemplo, a Produção mais limpa. A utilização ou não de novas tecnologias pode produzir maiores redução dos impactosambientais, como tem mostrado a pesquisa, com a empresa que utiliza sistemas de tratamentode vapores antes lançá-los na atmosfera. Deve-se ressaltar que esta redução de impactosambientais pode aumentar ou diminuir de acordo com o grau de conhecimento dosprofissionais envolvidos e os gestores do sistema ambiental. Isto mostra que os resultadospodem ser diferentes dependendo da forma que gestores e colaboradores encaram osconceitos.Conclusão A pesquisa teve como objetivo geral analisar o processo de gestão ambiental de umaindústria de alimentos verificando o uso de práticas ambientais relacionadas à Produção MaisLimpa. Além disso, analisou o processo de gestão ambiental na empresa, verificando suaabrangência; a postura ambiental da indústria investigada verificando ações hostis e/ouamigáveis ao meio ambiente; e o processo de transformação industrial da empresa,verificando o grau de implementação da Produção Mais Limpa. Os resultados revelaram fortes evidências de que existem práticas de gestão ambientalrelacionada à produção mais limpa, tanto na minimização como na reutilização de resíduos eemissões, pela redução na fonte, porém, devido à especificidade do produto não existe 13
  • 14. 14 IX ENGEMA - ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA, 19 a 21 de novembro de 2007reciclagem da matéria prima, que uma vez beneficiada é consumida e não existe retorno,contudo a empresa faz reciclagem externa. A empresa também utiliza processo de boaspraticas de fabricação como forma de melhorias de qualidade. Os resultados apontaram, ainda, que a empresa adota práticas amigáveis ao meioambiente e à sua preservação no tocante a poluição atmosférica e poluição das redes públicas,evitando jogar resíduos perigosos sem o devido tratamento. Contudo, foram detectadosaspectos agressivos ao meio ambiente no que se relaciona a própria atividade que foiconsiderada poluidora, bem como o desperdício de água ao logo do seu processo. Conclui-se que, o fato de a empresa desenvolver uma atividade considerada poluidora,decorrente de peculiaridades inerentes ao próprio produto não lhe retira o mérito de seramigável ao meio ambiente, uma vez que existe alto comprometimento em minimizar todo oimpacto gerado por sua atividade. Quanto à abrangência da gestão ambiental, os resultados mostraram que existe umapreocupação desde o inicio do processo até a disposição de seus resíduos em seus armazéns,não se verificando ações voltadas ao produto em si, após sua comercialização já que éalimento e biodegradável. Quanto às práticas de fim de tubo, que determinam ações posteriores à emissão depoluentes, os resultados evidenciaram desperdícios de energia e/ou recursos no processoprodutivo, sendo a água o maior dos desperdícios encontrados. Os resultados evidenciaramque existe a preocupação com a captação dos resíduos ao logo do processo, o que seidentificou nos lavadores de gases e nas estações de tratamento de efluentes líquidos. Alémdisso, no armazenamento de resíduos constatou-se que a empresa possui um local certo para adisposição dos resíduos ao longo do seu processo. Finalmente pôde-se observar, diante dos resultados apresentados, que a empresa fazuso da gestão ambiental sem um sistema de gestão estruturado, utiliza práticas ambientaisidentificadas com a produção mais limpa, em seus diversos níveis, porém de modo pontual,pois não possui o processo efetivamente implantado. Nesse sentido, o estudo permitequestionar o aspecto do comprometimento gerencial e corporativo quanto ao meio ambientesinalizado pela ausência de perspectiva de implementar um modelo de gestão ambientalestruturado, nos moldes do SGA ISO 14000 e o uso de tecnologias limpas como diretrizesestratégicas. Cabe ainda uma reflexão sobre os prováveis condicionantes de ações pontuaisdesencadeadas por indústrias de grande porte e com tempo significativo de atuação naatividade e a recomendação de avaliar tais medidas como prioridade do modelo de gestão e ouso de estratégia ambiental como perspectiva de sustentabilidade de empreendimentos.Referências< http://www.portalga.ea.ufrgs.br/arquivo.shtm>. Acesso em: Julho de 2001.CERVO, Amado; BERVIAN, Pedro. Metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Prentice Hal,2002.DEMO, Pedro. Metodologia científica em ciências sociais. São Paulo: Atlas, 1995.____________. Metodologia do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2000.____________. Pesquisa: princípios educativos. São Paulo: Cortez, 1997.DONAIRE, Denis, Gestão Ambiental na Empresa – 2 ed. São Paulo : Atlas 1999ECO, Umberto. Como se faz uma tese. 12 ed. São Paulo: Perspectiva, 1995.GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1996.________________. Métodos e técnicas da pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1999.GIORDANO, Samuel Ribeiro, Gestão Ambiental no Sistema Agroindustrial.In:ZYLBERSZTAJN, Décio,: NEVES, Marcos Fava (organizadores). Economia & Gestão dosNegócios Agroalimentares – SP Pioneira, 2000. 14
  • 15. 15 IX ENGEMA - ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE CURITIBA, 19 a 21 de novembro de 2007GOLDENBERG, M. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em CiênciasSociais. 2 ed. Rio de Janeiro: Record, 1998.Greenpeace Report. O que é Produção Limpa? Outubro de 1997. Disponível em<www.greenpeace.org.br/toxicos/pdf/producao_limpa.doc > acesso em 20/09/2005.Jr, Arlindo philippi; Romero, Marcelo de Andrade;Bruna, Gilda Collet – 1 ed. São paulo ;Manole 2004LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Metodologia científica. São Paulo: Atlas, 1995.____________________________. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas,2002.LEMOS, A. D.; NASCIMENTO, L. F. A produção Limpa como geradora deCompetitividade . Encontro da Associação Nacional de Programs de Pós-Graduação em Fozdo Iguaçu/PR. 28-30 set. de 1998. Anais... XXII ENANPAD (CD-ROM).LEMOS, A. D.;NASCIMENTO,L.F.Perfil de uma empresa inovadora:O Cerro do TigreSimpósio de Gestão da Inovação Tecnológica, 20.,São Paulo/SP. 17-20 XX Simpósio deGestão da Inovação Tecnológica (CD – ROM).MALHOTRA, Naresh. Pesquisa de marketing: uma orientação aplicada. 3. ed.. PortoAlegre: Bookman,2001.MARCONI, Marina: LAKATOS, Eva. Metodologia do trabalho científico. 6. ed. SãoPaulo: Atlas, 2001.MAZZOTI, A. J. A.; GEWANDSZNADJER, F. O método nas ciências naturais e sociais:pesquisa quantitativa e qualitativa. São Paulo: Pioneira, 1998.Produção Mais Limpa. CTNL – Centro Nacional de Tecnologias Limpas do SENAI/RS.disponível em <http://www.rs.senai.br/cntl/cntl.htm)> acesso em 18/09/2005Produção Mais Limpa. Instituto Brasileiro de Produção Sustentável e Direito Ambiental –IBPS disponível em http://www.ibps.com.br/index.asp?idmenu=producaomaislimpa. Acessoem 18/09/2005.Reis, Luis Felipe Sanches de Sousa Dias, Pereira Sandra Mara Gestão Ambiental EmPequenas E Médias Empresas Rio de Janeiro: QualityMark, 2002.VERGARA Sylvia Constant – Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. 5ed.São Paulo: Atlas, 2004YIN, Robert K. Estudo de Caso: Planejamento e Métodos. Trad. Daniel Grassi – 2 ed –Porto Alegre: Bookman, 2001. 15