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  • 1. Ofidismo Marcelo Araújo16/05/2003 Página 1 de 9Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado.Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: URL: http://www. lava.med.br/livroOfidismoMarcelo AraújoINTRODUÇÃOO acidente ofídico por se só não constitui umaafecção vascular propriamente dita, mas porter características comuns a outrasangiopatias (edema, dor , flogose, impotênciafuncional,etc.)1,2resultar em desfechoscomuns à especialidade (isquemia, necrose einfecção)2,3,4ou necessitar procedimentoscirúrgicos corriqueiros (debridamentos e atéamputação)5fazem com que a consulta vascularseja se não indispensável, ao menosprudentemente indicada. Desta forma, afamiliarização com aspectos importantesencontrados nestes casos, não deve serabstraídos do aprendizado do cirurgiãovascular.Os acidentes ofídicos são mais comuns do queaparentam e ocorrem amplamente em muitasregiões do globo terrestre.6Dos vários tiposde serpente existentes no Brasil, destacam-seas dos gêneros Bothrops, Lachesis e Crotalus,sendo o primeiro o de maior interesse paraaespecialidade e sobre as quais daremos maioratenção. As serpentes deste gênero são asresponsáveis por 90% dos acidentes noterritório nacional. Um fluxograma7paraidentificação dos principais gêneros deserpentes venenosas é mostrado a seguir(figura 1). Para uma consulta mais ampla sobreserpentes sugerimos consulta à publicaçõesespecializadas.Figura 1 - Fluxograma para identificação dasserpentes venenosas da fauna brasileiraFosseta LorealPresenteAusenteNãopeçonhentasCaudacomchocalhoCaudacomescamasarrepiadasCaudalisaCaudacomanéiscoloridosBothropus Lachesis CrotalusMicrurus**Peçonhentas*As falsas corais podem apresentar o mesmo padrão decoloração das corais verdadeiras, sendo distinguíveis pelaausência de dente inoculador (dentição opistóglifa).**Na Amazônia ocorrem corais verdadeiras desprovidasde anéis vermelhos.Nota. Extraído dos cadernos técnicos de MedicinaVeterinária da UFMG.
  • 2. Ofidismo Marcelo Araújo16/05/2003 Página 2 de 9Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado.Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: URL: http://www. lava.med.br/livroFarmacologia do veneno ofídicoMuita controvérsia tem sido encontrada naliteratura sobre os venenos ofídicos. Isto sedeve em parte, às diversas ações dos múltiploscomponentes destes venenos.8Corroborandoeste fato, observa-se a falta de padronizaçãonos trabalhos publicados e as diferentescaracterísticas das serpentes que habitamlocais diversos. Para que possamos entender asações biológicas dos venenos, devemosconhecer as suas propriedades mais relevantes– proteólise, efeitos sobre a coagulação,efeitos cardiovasculares e renais, e efeitossobre o sistema nervoso.8,9,10A necrose tecidual é gerada pela atividade deenzimas proteolíticas sendo responsáveis pelasalterações locais habitualmente encontradasnos acidentes botrópicos e eventualmentelaquéticos. Outras enzimas descritas são asproteinases incluindo a proteinase botrópicaA,11hialuronidase, L-aminoácido-oxidase, ófio-L-aminoácido-oxidase, fosfolipase e fosfatse,8A colinesterase é encontrada em casos deenvenenamento neurotóxico (elapídico).Os fenômenos cardiovasculares decorrem dealterações endoteliais provocadas pelosvenenos proteolíticos, seqüestro periférico delíquido, liberação de bradicinina e outrospolipeptídeos levando à inibição das enzimasconversoras da angiotensina e outrassubstância vasoativas12podendo chegar aochoque. Envenenamentos crotálicos ebotrópicos produzem efeitos cardiovascularessemelhantes.7A insuficiência renal aguda pode ser umacomplicação do envenenamento7,13,em especialcrotálico, porém picadas de serpentes dogênero bothrops, também podem fazê-lo.8Necrose tubular aguda pode ocorrer por açãodireta do veneno associado ou não aovasoespasmo. Rabdomiólise14,15e necrosecortical bilateral em grandes envenenamentostambém podem levar à insuficiência renalaguda.12Os efeitos sobre o sistema nervoso podemvariar de parestesias até paralisia muscular emorte.12São freqüentes nos acidenteselapídicos e assim fogem ao escopo destecapítulo.A coagulação16-20pode ser afetada nosacidentes ofídicos. O veneno tem uma açãocoagulante que dura alguns minutos. Esta açãono local da picada limita a absorção do venenopela coagulação local na lesão. São três osmecanismos básicos da ação pró-coagulantedos venenos: ação sobre a pró-trombina, açãosobre o fibrinogênio e ativação do fator X.8Aação anticoagulante é mais freqüentementeencontrada e a monitorização do tempo decoagulação é um dos parâmetros utilizados naestimativa da gravidade do acidente ofídico.21O mecanismo envolve três situações: açãofibrinolítica, ativação enzimática doplasminogênio e ativação da fosfolipase A2.As plaquetas22são também afetadas podendoocorrer tanto adesão, a agregação e adesagregação. Plaquetopenia podeocorrer.13,16,19,23Este quadro pleomórfico decorre do fato deque os venenos podem conter diversas fraçõesafetando a coagulação em várias etapas,variando seus efeitos na dependência daquantidade, local da inoculação (dentro do vasopode ter conseqüência s mais graves). O efeitosobre a circulação pode ser sinérgico ouantagônico.8O veneno ofídico provoca também alteraçõesno sistema imunológico.9DIAGNÓSTICOO quadro clínico varia em função do gênero daserpente. Venenos constituídos por diversassubstâncias determinam efeitos distintos.Podem ser predominantemente de três tipos:7a) coagulante e necrosante – botrópicob) hemolítico e neurotóxico – laquésicoc) neurotóxico – elapídico e crotálicoOs acidentes crotálico e elapídico nãoprovocam habitualmente alterações quenecessitem a intervenção do cirurgiãovascular. Os acidentes botrópico e laquésicoproduzem quadro clínico semelhante.7Aintensidade dos sintomas e sinais dependem daquantidade de veneno. O acidente laquésico éclassificado apenas como moderado ou grave.Muitas vezes, o diagnóstico clínico diferencial
  • 3. Ofidismo Marcelo Araújo16/05/2003 Página 3 de 9Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado.Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: URL: http://www. lava.med.br/livroé feito apenas pelos sintomas vagais5e atéchoque, mais comuns ao acidente laquésico. Arepercussão poderá ser local e ou sistêmicacaracterizando a gravidade do acidente7(quadro 1).Quadro 1 - Acidente botrópico: classificaçãoquanto à gravidade e soroterapia recomendadaManifestações Leve Moderado GraveLocais (dor,edema,equimose)Ausentes oudiscretasEvidentes IntensasSistêmicas(hemorragiagrave, choque,anúria)Ausentes Ausentes PresentesTempo decoagulaçãoTC*Normal oualteradoNormal oualteradoNormal oualteradoSoroterapia(número deampolas)SAB/SABC/SABL2 a 4 4 a 8 12Via deadministraçãointravenosaExtraído do Manual de Diagnóstico e Tratamento deAcidentes por Animais Peçonhentos. MS/FNS. TC normalaté 10 min; TC prolongado: de 10 a 30 min.; TC =incoagulável: maior que 30 min. Manifestações locaisintensas podem ser o único critério para classificação dagravidade. SAB = soro antibotrópico/ SABC = soroantibotrópico-crotálico/ SABL = soro antibotrópico-laquéticoDor e edema local podem surgir em maior oumenor grau. Nos casos leves, tais achadospodem ser quase imperceptíveis (figuras 2) oumais evidentes (figura 3). Alguns podem viracompanhados de lesões cutâneas comoflictenas (figura 4). Outros sinais locais sãoequimoses, bolhas, isquemia, necrose e atégangrena2,5,24(Quadro 2). Algumasmanifestações sistêmicas encontradas sãonáuseas, vômitos, sudorese, hipotensãoarterial e mais raramente choque. Entretanto,as manifestações sistêmicas mais marcantesestão relacionadas às alterações dacoagulação. Epistaxes, equimoses,gengivorragias, hematêmese, hematúria ehemorragia uterina (em gestantes) podemocorrer.7As áreas mais comumente atingidaspelas picadas são os pés e mãos.5,8Figura 2 – Fotografia mostrando discreto edema do 2º e3º quirodáctilos direitos encontrados em um acidentebotrópico leve.Figura 3 - Fotografia mostrando edema do e pernaesquerda encontrados em um acidente botrópicomoderado.Figura 4 – Fotografia mostrando flictenas em pernaencontradas em um acidente ofídico moderado.Quadro 2 - Sintomatologia e complicações maisfreqüentes encontradas em 3.139 casos deacidente botrópico atendidos no Hospital VitalBrasil.Sintomatologia ComplicaçõesDor 95,6% Necrose 16,5%Edema 95,4% Abscesso 11,0%
  • 4. Ofidismo Marcelo Araújo16/05/2003 Página 4 de 9Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado.Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: URL: http://www. lava.med.br/livroEquimose 56,1% Choque 0,7%Flictenas 13,8% Amputação 0,7%Morte 0,3%ComplicaçõesComplicações sistêmicas como choque einsuficiência renal aguda podem ocorrer.15Ochoque é raro e de patogênese multifatorial.Coexistem mecanismos envolvendo liberaçãode substâncias vasoativas, perda de líquidopela depleção volêmica da hemorragia e pelaretenção na área do edema.7,8A ação direta desubstâncias do veneno nos rins, microtrombosede capilares, desidratação, hipotensão arterialou choque são fatores que levam àinsuficiência renal aguda.25Coagulaçãointravascular disseminada é uma complicaçãofreqüentemente fatal.26Complicações locais15,24podem acompanhar aevolução das lesões. Abscessos ocorrem em 10a 20% das picadas (figura 5). Sejam emdecorrência de bactérias da boca da serpente,da pele do acidentado ou de agentescontaminantes colocados inadvertidamentesobre o local da picada.7As bactérias maisencontradas são: Morganella morganii,Providencia rettgeri, Providencia sp.,Enterobacter sp., Escherichia coli,Streptococcus do grupo D, Clostridium sp. eBacteroides sp.3,4Trombose venosa e embolia pulmonar sãocomplicações raras. Quando ocorrem, parecemdecorrer da inoculação do veneno diretamentena veia.26A necrose é devida principalmente a ação dasenzimas proteolíticas e fatores como aisquemia provocada por lesão vascular,trombose arterial, infecção síndrome decompartimento e uso indevido detorniquetes7,24que podem agravar a isquemia econseqüentemente estender a área denecrose1(figuras 6 e 7).A síndrome de compartimento27,28é umdesfecho que pode ocorrer em casos graves,como conseqüência da compressão neuro-vascular pelo edema e como resultante darabdomiólise.14,15A extremidade afetadaapresenta edema volumoso, dor intensa,parestesias, diminuição da temperatura,cianose, os pulsos podem estar ausentes edéfcit motor (figura 8). Numa série de 13casos de acidentes por B. moojenii,28medindoentre 80 e 147 cm de comprimento, foirelatado síndrome compartimental e infecçãoem mais da metade dos casos. Isto portanto,só ocorreu com serpentes consideradas degrande tamanho. Sem dúvida é uma entidadegrave que deve ser prontamente identificada etratada para evitar a perda do membro.Figura 5 - Eritema e edema e edema na região medial dopé direito encontrados em um acidente ofídico moderado.A gangrena2,5,15pode ser a mais temidacomplicação para a extremidade, sendohabitualmente resultante de acidentes gravescom as complicações supramencionadas(figuras 9 e 10). Fatores prognósticos paraamputação em decorrência do acidentebotrópico, foram descritos num estudoenvolvendo 3.139 pacientes.2Nesta sérieapenas 21 (0,67%) foram submetidos àamputação. Foi encontrado uma relaçãosignificativa entre o mês e a hora do acidente,o tamanho da cobra, a região anatômicaatingida, a ocorrência de sangramentosistêmico e falência renal. Os fatores de
  • 5. Ofidismo Marcelo Araújo16/05/2003 Página 5 de 9Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado.Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: URL: http://www. lava.med.br/livrorisco29para amputação identificados foram:pacientes picados no dedo entre 00:00 e12:00h e ou cobras maiores que 60 cm decomprimento, que desenvolveram flictenas eabscessos no local da picada, sangramentosistêmico e ou falência renal foram maiscomumente levados à amputação. Num outroestudo feito no estado do Amazonas,5ondepraticamente metade dos acidentes ofídicospertenciam ao grupo laquésico – as maioresserpentes da América – encontrou-se uma taxade amputação bem superior (10,5%).Figura 6 - Necrose extensa da perna esquerda decorrentede acidente laquético grave, vista lateral.Figura 7 – Necrose extensa da perna esquerda decorrentede acidente laquético grave, vista medial.Exames complementaresOs exames complementares a seremsolicitados são bastante si mples.7O tempo decoagulação (TC), que é de grande importância,baixo custo e fácil realização, é útil para aelucidação diagnóstica e acompanhamentodestes casos. O valor poderá estar normal (até10 min), prolongado (entre 10 e 30 min) ouincoagulável (>30 min). Após a terapia com soroanti-botrópico deve-se fazer o controle até asua normalização. Picadas de bothrops jovens,menores que 50 cm de comprimento podemocasionar sangramento mais graves15ou ser aincoagulabilidade sanguínea o único ponto derelevância no diagnóstico.7É interessantesalientar, que o tempo de sangramento (TS)não se altera.O hemograma geralmente revela leucocitosecom neutrofilia e desvio à esquerda. Avelocidade de hemossedimentação (VHS) podeestar elevada nas primeiras horas e podeocorrer plaquetopenia.13,16,19O sumário de urina pode revelar hematúria,proteinúria e leucocitúria.7TRATAMENTOO tratamento deve ser instituído o mais rápidopossível. Medidas de suporte geral incluemmanter elevado e estendido o membroafetado, utilizar analgésicos, hidrataçãoprocurando manter o débito urinário entre 30a 40ml/h no adulto e de 1 a 2 ml/kg/h nacriança.7Quando houver evidência de infecção,3deve-seinstituir antibioticoterapia adequada. Aprevalência de bactérias gram-negativa s eanaeróbios, permite a utilização docloranfenicol como uma opção segura e debaixo custo. Clindamicina e aminoglicosídeos4podem ser empregados se houver necessidadede uma terapia mais potente. Devido aocorrência de Streptococcus do grupo D, emcasos mais leves a ampicilina ou penicilina Gpodem ser uma alternativa.Pelo risco de contaminação, deve-se tambémverificar o estado da vacinação para tétano.8Embora alguns profissionais utilizem heparinasistematicamente no tratamento dos acidentesbotrópicos, isto só se justifica em caso detrombose venosa profunda26comprovada porflebografia ou dúplex scan. A ação coagulanteé rápida, normalmente prevalecendo os efeitosanticoagulantes.7,30O risco de tromboseentretanto é maior quando há inoculação degrande quantidade de veneno diretamentedentro da veia.30O edema,1,18às vezesacentuado, costuma ser conseqüência daintensa atividade inflamatória e proteolítica doveneno5,8,27e não de trombose venosa. Alémdisto, estudos revelam que a heparina éincapaz de neutralizar a ação trombínica dosvenenos ofídicos.31,32Tratamento específicoA soroterapia específica ou com soropolivalente é o ponto mais importante da
  • 6. Ofidismo Marcelo Araújo16/05/2003 Página 6 de 9Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado.Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: URL: http://www. lava.med.br/livrotratamento7,14(Quadro 1). Entretanto, o soro éapenas um neutralizador do veneno, nãodeterminando a regeneração das hemácias, doendotélio ou dos tecidos em geral, mas evita aprogressão destes fenômenos. Apenas asalterações neurológicas podem regredir porquenão há lesão anatômica. Atualmente emprega-se uma dose menor que no passado. Istodeveu-se a estudos realizados com dosesmenores que garantiram resultadossatisfatórios com doses menores econseqüentemente, menos efeitos adversos eredução dos custos.33,34Tratamento das complicações locaisA presença de edema maciço, dor intensa,acentuada à palpação do compartimentoafetado, tensão muscular, cianose e redução ouausência de pulsos, podem compor o quadro desíndrome compartimental.27,28Deve-se – comoem qualquer quadro similar de origem vascular– imediatamente proceder a realização dafasciotomia descompressiva27(figura 11) paraevitar a ocorrência de lesões permanentes ouameaça à viabilidade da extremidade.Entretanto, atenção especial deve ser dada àscondições de hemostasia. Transfusão desangue, plasma fresco ou crioprecipitado,podem ser necessários.7Figura 8 – Compartimento com flictenas.Figura 9 – Gangrena do membro superior direitodecorrente de acidente ofídico grave, vista dorsal.Figura 10 – Gangrena do membro superior direitodecorrente de acidente ofídico grave, vista volar.Figura 11 – Fasciotomia tardiaFigura 12 – Faciotomia com necrose superficial em criança.Fugura 13 – Fasciotomia com necrose superficial emcriança.
  • 7. Ofidismo Marcelo Araújo16/05/2003 Página 7 de 9Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado.Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: URL: http://www. lava.med.br/livroFigura 14 - Debridamento extenso no membro inferioresquerdo, lesão mostrada na figura 7, vista medial.Figura 15 - Debridamento extenso no membro inferioresquerdo, lesão mostrada na figura 6, vista lateral.Se houver necrose, o tecido desvitalizado deveser removido (figuras 14 e 15) da maneiratradicional, assim como os abscessos devemser amplamente drenados.Nos casos de gangrena, deve-se proceder àamputação de forma clássica. Gangrenacostuma ocorrer mais freqüentemente naspicadas que atingem os dedos.CONSIDERAÇÕES FINAISO acidente ofídico é um desafio para a qual ocirurgião vascular deve estar habilitado, hajavista as implicações para o sistema circulatórioe a coagulação. O fato de este evento ter umaampla distribuição geográfica no nosso país,acometer principalmente as camadas sociaismais baixas, em geral trabalhadores rurais quenem sempre têm acesso a especialistas, ehabitualmente atingir as extremidades docorpo, reforçam ainda esta necessidade. Oquadro clínico caracterizado por alteraçõesfreqüentemente encontradas em outrasvasculopatias reveste -se de especialimportância no diagnóstico e terapia adequada.Limitar o dano biológico com uma abordagemcorreta utilizando os conhecimentos jádominados pelo cirurgião vascular, dependeapenas de uma mínima familiarização com aetiopatogenia do acidente ofídico.REFERÊNCIAS1. Amaral CF, Da Silva OA, Goody P, Miranda D. Renalcortical necrosis following Bothrops jararaca and B.jararacussu snake bite. Toxicon 1985;23(6):877-85.2. Barravieira B. Venenos: aspectos clínicos eterapêuticos dos acidentes por animais peçonhentos.Rio de Janeiro: EPUB, 1999, 411p.3. Bauab FA, Junqueira GR, Corradini MC, Silveira PV,Nishioka S de A Clinical and epidemiological aspectsof the urutu lance-headed viper (Bothropsalternatus) bite in a Brazilian hospital. Trop MedParasitol 1994;45(3):243-5.4. Borges CC, Sadahiro M, Santos MC. Aspectosepidemiológicos e clínicos dos acidentes ofídicosocorridos nos municípios do Estado do Amazonas /Epidemiological and clincal aspects of snakeaccidentes in the municipalities of the State ofAmazonas, Brazil. Rev Soc Bras Med Trop1999;32(6):637-46.5. Bozola AR, Marteleto LFN, Fernandes CD, Mata PF,Poliselli C. Fasciotomia em acidente ofídico botrópico/ Fasciotomy in bothropic ophidic accident. J BrasMed 1995; 69(1):158-65.6. Cardoso JL, Fan HW, Franca FO, Jorge MT, LeiteRP, Nishioka SA, Avila A, Sano-Martins IS, TomySC, Santoro ML Randomized comparative trial ofthree antivenoms in the treatment of envenoming bylance-headed vipers (Bothrops jararaca) in SaoPaulo, Brazil. Q J Med 1993;86(5):315-25.7. Estrade G, Garnier D, Bernasconi F, Donatien Y.[Pulmonary embolism and disseminated intravascularcoagulation after being bitten by a Bothropslanceolatus snake. Apropos of a case]. Arch MalCoeur Vaiss 1989;82(11):1903-5.8. Jorge MT, Cardoso JL, Castro SC, Ribeiro L, FrancaFO, de Almeida ME, Kamiguti AS, Santo-Martins IS,Santoro ML, Mancau JE. A randomized blindedcomparison of two doses of antivenom in thetreatment of Bothrops envenoming in Sao Paulo,Brazil. Trans R Soc Trop Med Hyg 995;89(1):111-4.9. Jorge MT, Mendonça JS, Ribeiro LA, Silva ML,Kusano EJ, Cordeiro CL. Bacterial flora of the oralcavity, fangs and venom of Bothrops jararaca:possible source of infection at the site of bite].RevInst Med Trop Sao Paulo 1990;32(1):6 -10.10. Jorge MT, Ribeiro LA [Effect of reduction in theBothrops antivenin dose administrated in patients
  • 8. Versão preliminar Ofidismo Marcelo Araújo16/05/2003 Página 8 de 9Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado.Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: URL: http://www. lava.med.br/livrobitten by the Bothrops snake]. Rev Assoc Med Bras1994;40(1):59-62.11. Jorge MT, Ribeiro LA, da Silva ML, Kusano EJ, deMendonca JS. Microbiological studies of abscessescomplicating Bothrops snakebite in humans: aprospective study. Toxicon 1994;32(6):743-8.12. Jorge MT, Ribeiro LA, OConnell JL. Prognosticfactors for amputation in the case of envenoming bysnakes of the Bothrops genus (Viperidae). Ann TropMed Parasitol 1999;93(4):401-8.13. Kamiguti AS, Cardoso JL, Theakston RD, Sano-Martins IS, Hutton RA, Rugman FP, Warrel DA, HayCR. Coagulopathy and haemorrahage in human victimsof Bothrops jararaca envenoming in Brazil. Toxicon1991;29(8):961-72.14. Kamiguti AS, Matsunaga S, Spir M, Sano-MartinsIS, Nahas L. Alterations of the blood coagulationsystem after accidental human inoculation byBothrops jararaca venom. Braz J Med Biol Res1986;19(2):199-204.15. Kamiguti AS, Theakston RD, Desmond H, Hutton RA.Systemic haemorrhage in rats induced by ahaemorrhagic fraction from Bothrops jararacavenom. Toxicon 1991;29(9):1097-105.16. Kouyoumdjian JA, Polizelli C. [Snake bites byBothrops moojeni: correlation of the clinical picturewith the snake size]. Rev Inst Med Trop Sao Paulo1989;31(2):84-90.17. Magalhäes RA, Ribeiro MMF, Rezende NA, AmaralCFS. Rabdomiólise secundária a acidente ofídicocrotálica (Crotalus durissus terrificus) /Rhabdomyolysis following Crotalus durissusterrificus snake bite. Rev Inst Med Trop Säo Paulo1986;28(4):228-33.18. Manual de Diagnóstico e tratamento de acidentespor animais peçonhentos. Fundação Nacional deSaúde. Ed. COMED/ASPLAN/FNS. 1988, 131p.19. Maruyama M, Kamiguti AS, Cardoso JL, Sano-Martins IS, Chudzinski AM, Santoro ML, Morena P,Tomy SC, Antonio LC, Mihara H. Studies on bloodcoagulation and fibrinolysis in patients bitten byBothrops jararaca (jararaca). Thromb Haemost1990;63(3):449-53.20. Milani Junior R, Jorge MT, de Campos FP, MartinsFP, Bousso A, Cardoso JL, Ribeiro LA, Fan HW,Franca FO, Sano-Martins IS, Cardoso D, IdeFernandez C, Fernandes JC, Aldred VL, SandovalMP, Puorto G, Theakston RD, Warrell DA. Snakebites by the jararacucu (Bothrops jararacussu):clinicopathological studies of 29 proven cases in SaoPaulo State, Brazil.QJM 1997;90(5):323-34.21. Monteiro RQ, Dutra DL, Machado OL, Carlini CR,Guimaraes JA, Bon C, Zingali RB. Bothrops jararacasnakes produce several bothrojaracin isoformsfollowing an individual pattern. Comp Biochem PhysiolB Biochem Mol Biol 1998;120(4):791-8.22. MVZ – UFMG. Serpentes Venenosas. Diagnóstico etratamento dos acidentes ofídicos. Cad Tec Med VetUFMG, FEP-MVZ Editora. 1999;28, 66p.23. Myint-Lwin, Warrel DA, Phillips RE, Tin-Nu Swe,Tun-Pe, Maung-Maung-Lay. 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Silveira PF, Schiripa LN, Carmona E, Picarelli ZP.Circulating vasotocin in the snake Bothrops jararaca.Comp Biochem Physiol Comp Physiol 1992;103(1):59-64.Versão prévia publicada:NenhumaConflito de interesse:Nenhum declarado.
  • 9. Versão preliminar Ofidismo Marcelo Araújo16/05/2003 Página 9 de 9Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado.Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: URL: http://www. lava.med.br/livroFontes de fomento:Nenhuma declarada.Data da última modificação:10 de outubro de 2000.Como citar este capítulo:Araújo M. Ofidismo. In: Pitta GBB,Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular:guia ilustrado. Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003.Disponivel em: URL: http://www.lava.med.br/livroSobre o autor:Marcelo AraújoProfessor Assistente, Mestre, do Departamento de Saúde daUniversidade Estadual de Santa Cruz,Ilhéus, BrasilEndereço para correspondência:Rua Rui Barbosa 376/80145600-901 Itabuna, BAFone: +73 214 2200Correio eletrônico: marcelo_araujo_@hotmail.com

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