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04  ofidismo em sergipe- epidemiologia
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  • 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPENÚCLEO DE ESTUDOS DO SEMI-ÁRIDO - NESAMESTRADO EM DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE- PRODEMAOfidismo em Sergipe: epidemiologia eplantas da caatinga utilizadas popularmente como antiofídicasJeane Carvalho VilarOrientadores: Dr. Angelo Roberto AntoniolliDra. Maria de Fátima Domingues Furtado2004
  • 2. iiOfidismo em Sergipe: epidemiologia eplantas da caatinga utilizadas popularmente como antiofídicasJeane Carvalho VilarDissertação apresentada ao curso deMestrado em Desenvolvimento e MeioAmbiente– Prodema – Nesa, UniversidadeFederal de Sergipe, como parte dosrequisitos para obtenção do título de mestreem Desenvolvimento e Meio Ambiente.2004
  • 3. iiiOfidismo em Sergipe: epidemiologia eplantas da caatinga utilizadas popularmente como antiofídicasJeane Carvalho VilarBanca ExaminadoraDr. Celso Morato de CarvalhoUniversidade Federal de Sergipe -Instituto Nacional de Pesquisa da AmazôniaDra. Maria de Fátima Domingues FurtadoInstituto Butantan- Secretaria da Saúde de São PauloDr. Angelo Roberto AntoniolliUniversidade Federal de Sergipe27.ii.2004
  • 4. ivDedico este trabalho aos meusqueridos pais: Joel e Hélia
  • 5. vAgradecimentosAo Dr. Celso Morato de Carvalho, Universidade Federal de Sergipe, pelo constanteapoio, auxílio na bibliografia e, principalmente, pela agradável companhia durante aexecução do trabalho.A Dra. Maria de Fátima Domingues Furtado, Instituto Butantan, São Paulo, queorientou e incentivou a pesquisa em todas as fases, auxiliou na bibliografia e pela gentilacolhida que tive no Instituto Butantan.Ao Dr. Paulo Emílio Vanzolini, Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo,pelas sugestões, auxílio na bibliografia e, principalmente, pela amizade.A Dra. Vera Lúcia Gomes Klein, Universidade Federal de Goiás e Dra. Lúcia Rossi,Instituto de Botânica, São Paulo, que identificaram as plantas das famílias Cucurbitaceae eEuphorbiaceae.A médica veterinária Gina Maria Freire Brandão Linofi, Vigilância Epidemiológica,Secretaria Estadual de Saúde de Sergipe, pelas informações dos acidentes ofídicos.Ao Dr. José Wellington Carvalho Vilar, Centro Federal de Educação Tecnológica deSergipe, pelas valiosas sugestões.Ao MSc. Clóvis Roberto Pereira Franco, que auxiliou nas edições de fotografias; Dr.Carlos Dias da Silva Júnior e Dr. Angelo Roberto Antoniolli, professores da UniversidadeFederal de Sergipe, que deram suporte durante as fases experimentais do trabalho.
  • 6. viSumárioResumo............................................................................................................................ xiiiAbstract........................................................................................................................... xivIntrodução....................................................................................................................... 01Literatura........................................................................................................................ 04A origem e evolução do estudo dos venenos ofídicos............................................. 04Plantas medicinais e ofidismo................................................................................... 09Materiais e Métodos...................................................................................................... 141. Epidemiologia......................................................................................................... 142. Parâmetros biológicos do veneno de Bothrops jararaca.................................. 153. Verificação da eficácia das plantas..................................................................... 18Resultados....................................................................................................................... 221. Epidemiologia dos acidentes ofídicos.................................................................. 222. Parâmetros biológicos do veneno de Bothrops jararaca.................................. 33Dose letal (DL50) ................................................................................................... 33Dose mínima hemorrágica (DMH)...................................................................... 363. Eficácia das plantas............................................................................................... 37Dose letal (DL50) ................................................................................................... 37Inibição da letalidade........................................................................................... 38Inibição da hemorragia local............................................................................... 44Discussão......................................................................................................................... 601. Epidemiologia dos acidentes ofídicos.................................................................. 602. Parâmetros biológicos do veneno botrópico....................................................... 703. Eficácia das plantas em inibir os efeitos do veneno de Bothrops jararaca..... 79Conclusões....................................................................................................................... 87Referências...................................................................................................................... 89Apêndices........................................................................................................................ 98
  • 7. viiLista de tabelasTabela 1. Distribuições de freqüências do número de ampolas de soros antiofídicosutilizados em Sergipe................................................................................... 26Tabela 2. Coeficientes de incidência anuais dos acidentes ofídicos em Sergipe (1999-2002)............................................................................................................. 27Tabela 3. Distribuição anual dos acidentes ofídicos por gênero de serpente.................. 27Tabela 4. Distribuições de freqüências dos acidentes ofídicos por idade, sexo............... 27Tabela 5. Sazonalidade dos acidentes ofídicos: proporção entre períodos seco (verão)e chuva (inverno)........................................................................................... 28Tabela 6. Acidentes ofídicos: associações entre sexo dos acidentados, períodoanalisado e sazonalidade............................................................................... 28Tabela 7. Proporções dos acidentes ofídicos por região.................................................. 29Tabela 8. Distribuições de freqüências dos acidentes ofídicos por regiões (1999-2002).............................................................................................................. 29Tabela 9. Acidentes ofídicos, Sergipe (1999-2002): sintomas locais mais freqüentesnas três horas do acidente e após este período.............................................. 31Tabela 10. Envenenamentos ofídicos, Sergipe: alterações locais e sistêmicas................ 32Tabela 11. Classificação de acidentes ofídicos de Sergipe quanto à gravidade doscasos.............................................................................................................. 32Tabela 12. Bothrops jararaca, proporção entre camundongos mortos e inoculadosapós 24 horas de observação......................................................................... 34Tabela 13. Bothrops jararaca, DL50 do veneno: programa probítico da OMS............... 34Tabela 14. Bothrops jararaca, valores probíticos do número de camundongos mortos(y) sobre a concentração de veneno (x): programa probítico da OMS......... 34Tabela 15. Bothrops jararaca, estatística da regressão do número de camundongosmortos (y) sobre a concentração de veneno (x): comparações entre retas.... 34Tabela 16. Bothrops jararaca, DL50 do veneno: comparações entre retas e programaprobítico da OMS.......................................................................................... 35Tabela 17. Bothrops jararaca, diâmetro da área hemorrágica........................................ 36
  • 8. viiiTabela 18. Bothrops jararaca, estatística da regressão do diâmetro da áreahemorrágica (mm) sobre a concentração de veneno.................................... 36Tabela 19. Dose letal 50% (DL50) dos extratos das plantas............................................. 37Tabela 20. Bothrops jararaca, homogeneidade entre os grupos controles: estatísticada distribuição de freqüência do tempo de sobrevida dos camundongos (h)................... 38Tabela 21. Bothrops jararaca, homogeneidade entre grupos controles: Anova dotempo de sobrevida dos camundongos (h)....................................................................... 38Tabela 22. Apodanthera villosa, estudo piloto: estatística da distribuição defreqüência do tempo de sobrevida dos camundongos (h)................................................ 39Tabela 23. Apodanthera villosa, estudo piloto: Anova do tempo de sobrevida doscamundongos (h)........................................................................................ 40Tabela 24. Apodanthera villosa, homogeneidade entre experimentos: estatística dadistribuição de freqüência do tempo de sobrevida dos camundongos (h). 40Tabela 25. Apodanthera villosa, homogeneidade entre experimentos: Anova do tempode sobrevida dos camundongos (h).................................................................................. 40Tabela 26. Apodanthera villosa, estatística da distribuição de freqüência do tempo desobrevida dos camundongos (h)................................................................... 40Tabela 27. Apodanthera glaziovii, homogeneidade entre experimentos: estatística dadistribuição de freqüência do tempo de sobrevida dos camundongos (h).... 41Tabela 28. Apodanthera glaziovii, homogeneidade entre experimentos: Anova dotempo de sobrevida dos camundongos (h)................................................... 41Tabela 29. Apodanthera glaziovii, estatística da distribuição de freqüência do tempode sobrevida dos camundongos (h).............................................................. 41Tabela 30. Apodanthera glaziovii, Anova do tempo de sobrevida dos camundongos(h).................................................................................................................. 42Tabela 31. Jatropha mollissima, homogeneidade entre experimentos: estatística dadistribuição de freqüência do tempo de sobrevida dos camundongos (h). 42Tabela 32. Jatropha mollissima: estatística da distribuição de freqüência do tempo desobrevida dos camundongos (h)................................................................... 42Tabela 33. Jatropha elliptica, estatística da distribuição de freqüência do tempo desobrevida dos camundongos (h)................................................................. 43Tabela 34. Jatropha elliptica, Anova do tempo de sobrevida dos camundongos (h)..... 43
  • 9. ixTabela 35. Apodanthera villosa, homogeneidade entre experimentos: estatística dadistribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica (mm)........... 44Tabela 36. Apodanthera villosa, homogeneidade entre grupos controles: Anova,diâmetro da área hemorrágica (mm).......................................................... 44Tabela 37. Apodanthera villosa, homogeneidade entre experimentos: estatística dadistribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica (mm)........... 45Tabela 38. Apodanthera villosa, estatística da distribuição de freqüência do diâmetroda área hemorrágica (mm)......................................................................... 45Tabela 39. Apodanthera villosa, Anova, diâmetro da área hemorrágica (mm).............. 45Tabela 40. Apodanthera villosa, teste de Tukey , diâmetro da área hemorrágica(mm)........................................................................................................... 45Tabela 41. Apodanthera glaziovii, homogeneidade entre os grupos controles:estatística da distribuição de freqüência do diâmetro da áreahemorrágica (mm)...................................................................................... 47Tabela 42. Apodanthera glaziovii, homogeneidade entre experimentos: estatística dadistribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica (mm)........... 48Tabela 43. Apodanthera glaziovii, estatística da distribuição de freqüência dodiâmetro da área hemorrágica (mm).......................................................... 48Tabela 44. Apodanthera glaziovii, Anova, diâmetro da área hemorrágica (mm)........... 48Tabela 45. Apodanthera glaziovii, teste de Tukey, diâmetro da área hemorrágica(mm)........................................................................................................... 49Tabela 46. Jatropha mollissima, estatística da distribuição de freqüência do diâmetroda área hemorrágica (mm), homogeneidade entre os grupos controles..... 51Tabela 47. Jatropha mollissima, homogeneidade entre grupos controles: Anova,diâmetro da área hemorrágica (mm).......................................................... 51Tabela 48. Jatropha mollissima, homogeneidade entre experimentos: estatística dadistribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica (mm)........... 52Tabela 49. Jatropha mollissima, estatística da distribuição de freqüência do diâmetroda área hemorrágica (mm)......................................................................... 52Tabela 50. Jatropha mollissima, Anova, diâmetro da área hemorrágica (mm).............. 52Tabela 51. Jatropha mollissima, teste de Tukey, diâmetro da área hemorrágica (mm). 52
  • 10. xTabela 52. Jatropha elliptica, homogeneidade entre os grupos controles: estatísticada distribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica (mm)...... 54Tabela 53. Jatropha elliptica, Anova, homogeneidade entre os grupos controles:diâmetro da área hemorrágica (mm).......................................................... 54Tabela 54. Jatropha elliptica, homogeneidade entre experimentos: estatística dadistribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica (mm)........... 55Tabela 55. Jatropha elliptica, estatística da distribuição de freqüência do diâmetro daárea hemorrágica (mm).............................................................................. 55Tabela 56. Jatropha elliptica, Anova, diâmetro da área hemorrágica (mm).................. 55Tabela 57. Jatropha elliptica, teste de Tukey (q), diâmetro da área hemorrágica(mm)........................................................................................................... 56
  • 11. xiLista de figurasFigura 1. Localização da região de Curituba, Sergipe..................................................... 18Figura 2. Localização das regionais de saúde e os domínios morfoclimáticos dasregiões de Sergipe............................................................................................ 25Figura 3. Regressão dos valores probíticos sobre as dosagens: comparações entre asretas.................................................................................................................. 35Figura 4. Apodanthera villosa, manchas hemorrágicas: grupo experimental (extrato eveneno) e controle (veneno).......................................................................... 46Figura 5. Apodanthera glaziovii, manchas hemorrágicas: grupo experimental (extratoe veneno) e controle (veneno)......................................................................... 50Figura 6. Jatropha mollissima, manchas hemorrágicas: grupo experimental (extrato eveneno) e controle (veneno)............................................................................ 53Figura 7. Jatropha elliptica, manchas hemorrágicas: grupo experimental (extrato eveneno) e controle (veneno)............................................................................ 57Figura 8. Manchas hemorrágicas dos extratos das plantas: Apodanthera villosa eApodanthera glaziovii...................................................................................... 58Figura 9. Manchas hemorrágicas dos extratos das plantas: Jatropha mollissima eJatropha elliptica............................................................................................. 59
  • 12. xiiApêndicesApêndice 1. Proporção de camundongos mortos/inoculados com relação àconcentração de extrato............................................................................ 99Apêndice 2. Homogeneidade entre grupos controles: tempo de sobrevida (h)................ 100Apêndice 3. Apodanthera villosa, estudo piloto: tempo de sobrevida (h)....................... 100Apêndice 4. Apodanthera villosa: tempo de sobrevida (h).............................................. 101Apêndice 5. Apodanthera glaziovii: tempo de sobrevida (h)........................................... 101Apêndice 6. Jatropha mollissima: tempo de sobrevida (h).............................................. 102Apêndice 7. Jatropha elliptica: tempo de sobrevida (h).................................................. 102Apêndice 8. Apodanthera villosa: diâmetro da área hemorrágica (mm)......................... 103Apêndice 9. Apodanthera glaziovii: diâmetro da área hemorrágica (mm)...................... 103Apêndice 10. Jatropha mollissima: diâmetro da área hemorrágica (mm)....................... 103Apêndice 11. Jatropha elliptica: diâmetro da área hemorrágica (mm)........................... 103Apêndice 12. Diâmetro da área hemorrágica com relação à concentração de extrato..... 104Apêndice 13. Espécies de plantas citadas como antiofídicas na literatura...................... 105
  • 13. xiiiResumoForam analisados os aspectos epidemiológicos dos acidentes ofídicos que ocorreramem Sergipe no período 1999-2002 e verificado as ações de plantas indicadas popularmentecomo antiofídicas na catinga, utilizando o veneno de Bothrops jararaca (Viperidae) comomodelo experimental.No período analisado ocorreram 95 casos de acidentes ofídicos notificados; oscoeficientes de incidência anual variaram entre 0,16 a 0,88 casos por 10000 habitantes dazona rural. Os homens foram mais atingidos; a maior ocorrência dos acidentes foi na faixaetária até 20 anos; no período anual seco (setembro a abril) ocorreram mais acidentes.Acidentes causados por Bothrops foram mais freqüentes (93%), seguidos por Crotalus(5%) e Micrurus (1%). Dois acidentes notificados como tendo sido causado por Lachesisprovavelmente estão em erro. A soroterapia foi aplicada em pelo menos 65% dos casos, osdemais não constam nas notificações.Para verificar as ações antiofídicas das plantas, primeiro foram determinados osparâmetros biológicos das ações letais e hemorrágicas do veneno de B. jararaca, através decomparações entre retas das regressões e análises probíticas. A DL50 do veneno foi 37.1g,a DMH foi 0.24g; as doses-desafio utilizadas nos experimentos foram 2DL50(74.2g) e5DMH (1.2g).Três plantas da caatinga foram analisadas para verificar a inibição das açõeshemorrágicas e letais do veneno: Apodanthera villosa, batata-de-teiú (Cucurbitaceae);Apodanthera glaziovii, cabeça-de-negro (Cucurbitaceae) e Jatropha mollissima, pinhão-bravo (Euphorbiaceae). A planta Jatropha elliptica, batata-de-teiú (Euphorbiaceae),coletada no cerrado do rio Tocantins (Peixe, To), também foi analisada. O extrato aquosoda A. villosa (1mg) aumentou o tempo de sobrevida dos animais experimentais quandocomparado com os animais controles inoculados apenas com o veneno de B. jararaca. Asmanchas hemorrágicas dos animais experimentais, inoculados com veneno mais osextratos aquosos de A. villosa (1.0, 3.0 e 6.0mg), A. glaziovii (1.0, 3.0, 6.0 e 10.0mg), J.mollissima (1.0, 3.0 e 6.0mg) e J. elliptica (1.0, 3.0, 6.0 e 10.0mg), foramsignificantemente menores do que os controles.
  • 14. xivAbstractEpidemiological aspects of the ophidic accidents ocurred in Sergipe in the period of1999-2002 were analysed and verified the actions of the “caatinga” plants popularlyindicated as antiophidic, using the venom of Bothrops jararaca as experimental model.It was notified 95 cases of ophidic accidents in the analysed period; the annualcofficient of incidence varied from 0.16 to 0.88 cases per10000 habitants in the rural zone.Man were most hited; the major ocurrence of the accidents was in the age class up to 20years; in the dry period (September to April) ocurred more accidents. Accidents caused byBothrops were the most frequent (93%); followed by Crotalus (5%) and Micrurus (1%).Two accidents notified as beeing caused by Lachesis are probably in error. Thesorotherapy was applied in at least 65% of the cases, the others are not in thenotifications.In order to verify the antiophidic actions of the plants, first it were determined thebiological parameters of the lethal and hemorragic actions of the venom of B. jararaca, bycomparisons between the regression lines and probitic analysis. The LD50 of the venomwas 37.1g, the MHD was 0.24g; the limit dose (dose-desafio) used in the experimentswere 2 LD50 (71.2g) and 5MDH (1.2g).Three “caatinga” plants were analysed in order to verify the inhibiton of thehaemorragic and lethal actions of the venom: Apodanthera villosa, batata-de-teiú(Cucurbitaceae); Apodanthera glaziovii, cabeça-de-negro (Cucurbitaceae) and Jatrophamollissima, pinhão-bravo (Euphorbiaceae). The plant Jatropha elliptica, batata-de-teiú(Euphorbiaceae), collected in the “cerrado” area of rio Tocantins (Peixe, To), was alsoanalysed. The aqueous extract of A. villosa (1mg) increased the survivorsip time in theexperimental animals when compared to control animals inoculated only with the venomof B. jararaca. The hemorragic marks of the experimental animals, inoculated with venomplus the aqueous extract of A. villosa (1.0, 3.0 e 6.0mg), A. glaziovii (1.0, 3.0, 6.0 e10.0mg), J. mollissima (1.0, 3.0 e 6.0mg) and J. elliptica (1.0, 3.0, 6.0 e 10.0mg) weresignificantly smaller then controls.
  • 15. 1IntroduçãoOfidismo é o estudo do veneno de serpentes, cujo entendimento inclui não só osaspectos relacionados à composição e ações destes, mas deve também englobar os demaisfatores diretamente relacionados aos envenenamentos, tais como, avaliaçõesepidemiológicas regionais dos acidentes ofídicos, análise dos parâmetros biológicos dosvenenos e aplicação da soroterapia (Vital Brazil, 1987; Raw et al., 1991; Furtado et al,1991a, 1991b; Pinho & Pereira, 2001). Neste contexto, situam-se também as diversaspráticas populares utilizadas nos casos de envenenamentos por serpentes, dentre as quais,a mais importante é a utilização das plantas medicinais regionais, como coadjuvantes àsoroterapia ou como medicamento alternativo aplicado na falta de recursos soroterápicos(Otero, Fonnegra & Jiménez, 2000; Mors et al, 2000; Cardoso, 2003).Cerca de 300 espécies de serpentes estão distribuídas nas várias formações vegetaisda América do Sul; destas, aproximadamente 90 espécies são venenosas, pertencentes àfamília Viperidae, repesentada por várias espécies dos gêneros Atropoides, Bothriechis,Bothriopsis, Bothrocophias, Bothrops, Crotalus, Lachesis e Porthridium e famíliaElapidae, com apenas um gênero sul americano, Micrurus, composto por diversas espécies(Campbel & Lamar, 1989; Peters & Orejas-Miranda, 1986)No Brasil, distribuídas em todos os domínios morfoclimáticos, ocorremaproximadamente 70 espécies de serpentes venenosas, pertencentes aos gênerosBothriopsis, encontradas na amazônia; Bothrops e Crotalus, na amazônia, caatinga,cerrado e mata atlântica; Lachesis, na amazônia e mata atlântica e Micrurus, na amazônia,caatinga, cerrado e mata atlântica (Peters & Orejas-Miranda, Vanzolini et al., 1980;Vanzolini & Caleffo, 2002; Cunha & Nascimento, 1993). Estas espécies causam cerca devinte mil acidentes ofídicos por ano, com incidências que variam entre sete a vinte e quatrocasos anuais em cada cem mil habitantes, dependendo da região (Brasil, 1991,1999). Cercade noventa por cento dos acidentes são provocados por várias espécies do gênero Bothrops,oito por cento dos envenenamentos são causados por Crotalus e, menos freqüentes, doispor cento são causados por Micrurus e Lachesis (Brazil, 1901; Brasil, 1999; Amaral et al.,
  • 16. 21986). Nas regiões mais carentes, com dificuldades de assistência à saúde, os índices deacidentes ofídicos podem estar subestimados (Brasil, 1991,1999).Apesar das estratégias do Ministério da Saúde em distribuir imunobiológicos, comoos soros antiofídicos, para as Secretarias Estaduais de Saúde, frequentemente os casos deenvenenamentos por serpentes (e outros animais) são tratados com preparados popularesfeitos com plantas medicinais regionais. Muitas destas plantas estão identificadas, porém amaioria nunca foi estudada para verificar suas ações e validar os usos, as quais sãoindicadas por rezadores e raizeiros somente pelos nomes populares. Um problema sobre oreconhecimento das plantas pelos nomes populares é que estes variam de região pararegião, dificultando ainda mais os estudos. Por exemplo, as plantas cabeça-de-negro e abatata-de-teiú são citadas na literatura como tendo propriedades antiofídicas, mas existempelo menos dez espécies com estes nomes, distribuídas em todas as regiões brasileiras(Mors et al., 2000; Martz, 1992). Em 1998 foi criada a Subcomissão Nacional deAssessoramento em Fitoterápicos (Conafit) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitáriado Ministério da Saúde. A Conafit recomenda que sejam realizados estudos sobre asplantas medicinais regionais utilizadas popularmente, como forma de validar o uso dasplantas e proteger o patrimônio genético deste recurso natural (Brasil, 1999).O presente estudo é sobre ofidismo, analisado sob três aspectos. O primeiro é umaanálise epidemiológica dos acidentes ofídicos que ocorrem na região de Sergipe, relatandoos índices de incidência por envenenamentos crotálico, botrópico, laquético e elapídicoocorridos na região, bem como analisa as variáveis epidemiológicas associadas (Bochner& Struchiner, 2003; Rouquayrol & Almeida Filho, 1999). O segundo é relacionado aosparâmetros biológicos do veneno de Bothrops jararaca (Wied, 1824), cujos ensaios sãonecessários para servirem como modelo (controle) na verificação da eficácia das plantasestudadas. O veneno de B. jararaca foi escolhido como modelo porque não existedisponível para estudo venenos das espécies de Bothrops da região e o veneno deB.jararaca se ajusta perfeitamente para os objetivos do trabalho. O terceiro é com relação àverificação da eficácia de plantas utilizadas popularmente como antiofídicas na caatinga deSergipe.As metodologias da parte experimental são adequadas às questões para verificar seos extratos das plantas inibem a hemorragia local causada pelo veneno botrópico e se
  • 17. 3diminuem o tempo de letalidade do veneno. Os aspectos bioquímicos, farmacológicos efisiológicos dos fenômenos observados são discutidos com base na literatura consideradarelevante no contexto das questões delimitadas no estudo. A epidemiologia dos acidentesofídicos da região de Sergipe é analisada entre 1999 a 2002, cujos dados estãoinformatizados no Setor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado deSergipe. Os dados anteriores a 1999 não estavam disponíveis. O estudo como um todo –plantas medicinais, veneno de B. jararaca e epidemiologia dos acidentes ofídicos –,apresenta informações e discute resultados que, somados a outros, poderão contribuir comas pesquisas da mesma linha que são realizadas por instituições acadêmicas, bem comopoderão contribuir com informações que possam ser utilizadas pelos órgãosgovernamentais locais da área da saúde e meio ambiente.A apresentação do trabalho está na seguinte seqüência: i) breve abordagem daliteratura sobre os aspectos populares e científicos do ofidismo e das plantas medicinaisutilizadas como antiofídicas. A literatura sobre ofidismo abrange a origem e a evolução doestudo sobre os venenos de serpentes, até os estudos de Vital Brazil, porque após esta faseos trabalhos tratam principalmente da bioquímica e da farmacologia, cuja literatura,embora vasta, traz poucas informações gerais no contexto das questões da dissertação. Aliteratura sobre plantas segue a mesma estratégia: uma abordagem sobre o conhecimentopopular das plantas, com base nas representações, até a década de 80, porque após esteperíodo predominam os trabalhos sobre bioquímica e síntese dos produtos naturais dasplantas. Esta literatura é vasta e será melhor aproveitada nas discussões, ii) metodologiado trabalho, descrevendo os métodos utilizados para a análise epidemiológica dosacidentes ofídicos de Sergipe, mostrando a área de coleta das plantas, os protocolosexperimentais para os parâmetros biológicos do veneno e verificação da eficácia dasplantas; as estatísticas utilizadas são descritas em todas as análises, iii) resultados,apresentados na seguinte ordem: 1. epidemiologia dos acidentes ofídicos; 2. parâmetrosbiológicos do veneno de Bothrops jararaca – dose mínima hemorrágica (DMH) e DL50; 3.eficácia das plantas – DL50, inibição da letalidade do veneno e inibição da hemorragialocal; iv) discussão dos resultados, v) conclusões gerais e vi) referências.
  • 18. 4LiteraturaA origem e evolução do estudo dos venenos ofídicosO conhecimento que os povos antigos tinham sobre ofidismo era fundamentadoprincipalmente nas representações, carregadas de simbolismos e em grande partereligiosas. Dentre estas, destacava-se o mito de que as serpentes possuíam “espíritosruins”, os quais eram responsáveis pelos sintomas do envenenamento. Estes mitos nãoimpediram, entretanto, que Athanasius Kirsher, em 1675, incluísse várias espécies decobras na Arca de Noé idealizada por ele. Os escritos de Aristóteles (384 – 322 a.C.),reunidos em nove volumes na sua “Historia animalium” e as descrições um tantofantasiosas de Plínio (23 – 79 d.C), reunidas em 37 volumes na sua “História Natural”,foram os primeiros relatos sobre a história natural das serpentes, principalmente asdescrições de Aristóteles, que foi um grande zoólogo, o primeiro a classificar osorganismos com base nas características morfológicas (Goin, Goin & Zug, 1978; Medawar& Medawar, 1977).Os primeiros relatos sobre experimentos com venenos de serpentes foram publicadosem 1664 pelo italiano Francesco Redi (1626-1696). Ele relatou que o veneno das serpentesse encontrava em um líquido amarelo, o qual fluía por sulcos através dos dentes. Rediobservou que alguns animais sobreviviam sem tratamento ao envenenamento por serpentese descreveu diferenças entre as venenosas e não-venenosas, utilizando os dentes comoprincipal caráter definidor. Estas diferenças foram também relatadas pelos naturalistasingleses John Ray em 1693 e Patrick Russel em 1787. Ray escreveu a clássica obra“Synopsis methodica animalium quadrupedum et serpentini”, na qual diferencia asserpentes peçonhentas das não peçonhentas (Goin, Goin & Zug, 1978; Habermehl, 1994;Hawgood, 1999).O primeiro experimento in vitro com venenos de serpentes foi realizado pelo inglêsRichard Mead, em 1708. Ele caracterizou o veneno de cobras no grupo dos ácidos, porqueassociou algumas propriedades do veneno com compostos ácidos conhecidos na época. Apartir daí surgiu a idéia de que um álcali volátil, como o amoníaco, seria o antídoto paravenenos ofídicos.
  • 19. 5Um século após os experimentos de Francesco Redi, Ablé Felice Fontana (1730-1805), também italiano, escreveu “Traité sur le vénin de la vipère”, um texto clássico detoxinologia, traduzido do italiano e publicado em 1781. Ao lado dos trabalhos de Redi eMead, embora com muitos anos de diferença, os trabalhos de Fontana foram pioneiros emutilizar a experimentação nos estudos sobre venenos de cobras. Felice Fontana descreveu aglândula e o ducto de veneno, o sulco dos dentes e o mecanismo pelo qual as serpentesarticulam a boca e inoculam o veneno na presa. Ele descreveu também algumas açõesbiológicas do veneno de Vipera berus (Viperidae), como a hemorragia e miotoxicidade,além de ter demonstrado que o veneno de serpentes não era um ácido. Desse modo,Fontana mostrou que o amoníaco utilizado nos envenenamentos ofídicos também não eraeficaz para neutralizar as ações do veneno de serpentes. Apesar disso, o uso do amoníacocontinuou a ser utilizado nos casos de envenenamentos durante os 100 anos seguintes(Hawgood, 1995; Otero, Fonnegra & Jiménez, 2000).Um dos pioneiros nas pesquisas sobre os efeitos sistêmicos dos envenenamentosofídicos foi o médico inglês Joseph Fayrer (1824-1907). Ele trabalhou no Serviço Médicoda India e, em 1872, escreveu um tratado tão longo quanto o título “The thanatophidia ofIndia being a description of the venomous snakes of the Indian Peninsula with an accountof the influence of their poison on life and a series of experiments”. Fayrer relacionou como curare os efeitos do envenenamento por Naja naja (Elapidae) – bloqueio da junçãoneuro-muscular. Em 1875 uma comissão médica da India apoiou definitivamente osestudos de Fontana, Russel e Fayrer sobre a ineficácia do amoníaco em inibir o veneno deserpentes e, em 1878, Brunton e Fayrer relataram que o permanganato de potássio destruíain vitro a atividade letal do veneno de N. naja, mas não protegia completamente oorganismo quando submetido a altas doses de veneno (Hawgood, 1996, Otero, Fonnegra &Jiménez, 2000).Os estudos sobre a toxinologia de venenos ofídicos avançaram bastante durante asegunda metade do século XIX. Em 1860, Silas Weir Mitchell descreveu a naturezaproteica do veneno de Crotalus horridus; em 1873, Brunton Fayrer relataram que a paradarespiratória era a causa da morte pelo envenenamento de C. horridus; em 1890, VictorRazotzi mostrou experimentalmente que a parada respiratória causada pelo veneno de C.
  • 20. 6horridus era devido ao bloqueio da junção neuro-muscular, e que este veneno tinha açãomiotóxica sobre o músculo cardíaco e esquelético (Hawgood, 1996).No Museu Nacional do Rio de Janeiro, em 1881, o fisiologista João Batista deLacerda relatou sobre a eficácia do permanganato de potássio (1%) em neutralizar in vitroa ação letal do veneno botrópico. O estudo de Lacerda foi realizado independentementedas pesquisas de Brunton e Fayrer de 1878, os quais também relataram o uso dopermanganato nos envenenamentos ofídicos. Embora ineficaz, o uso do permanganato foiutilizado até o desenvolvimento da soroterapia (Brazil, 1911; Hawgood, 1996; Otero,Fonnegra & Jiménez, 2000; Cardoso, 2003).Quando o médico francês Albert Calmette (1863-1933) iniciou em 1891 seusestudos sobre o veneno de Naja naja, no laboratório de Roux no Instituto Pasteur, nenhummétodo era eficiente para neutralizar venenos de cobras. Fundamentado nas descobertas deBehring e Kitassato sobre a imunidade contra as toxinas da difteria e tétano, publicadasem 1890, Calmette verificou que doses repetidas do veneno de N. naja (recebido daIndochina) injetadas em cavalos, conferiam imunidade aos animais. Estimulado pelosresultados, Calmette aperfeiçoou o método para neutralizar o veneno de várias espécies deserpentes e o seu eu protocolo foi adotado por Vital Brazil no Brasil em 1898, porMacFarland nos Estados Unidos em 1899, por Tidswell na Austrália em 1901, por Lambna India em 1904 e por Ishizaka no Japão em 1907.As pesquisas realizadas após a descoberta de Calmette apontaram para asespecificidades bioquímicas dos venenos, porque o soro elaborado com o veneno de Najanão neutralizava o veneno de outras serpentes, nem mesmo as espécies da famíliaElapidae. Calmette então formulou a hipótese de que os venenos de serpentes possuíamdois tipos de proteínas (Hawgood, 1992, 1999; Vital Brazil, 1987): uma predominante nosviperíneos, que era destruída pelo calor a 75-85oC, de alto peso molecular; outrapredominante nos elapídeos, mais resistente ao calor e de baixo peso molecular. Calmettenão testou a sua hipótese.Coube ao médico brasileiro Vital Brazil Mineiro da Campanha dar continuidade aosestudos de Calmette. Os experimentos de Vital Brazil sobre imunização de animais contrao veneno de cobras foram iniciados em 1897, em São Paulo, num anexo do InstitutoBacteriológico (posteriormente Instituto Serumterápico e atualmente Instituto Butantan,
  • 21. 7vinculado à Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo). Vital Brazil foi quemdemostrou a especificidade do soro antiveneno e desenvolveu o soro monovalente contra oveneno de Bothrops jararaca e Crotalus durissus terrificus (Hawgood, 1992; Vital Brazil,1987; Raw & Sant´Anna, 2002).Vital Brazil realizou vários estudos; no presente contexto destacam-se as suaspesquisas sobre a catalogação das serpentes venenosas brasileiras, descrições damorfologia dos dentes e glândulas de veneno, estudos sobre a toxicidade do veneno deCrotalus durissus terrificus, Bothrops jararaca, B. alternatus e B. jararacussu paradeterminar a dose letal (em microgramas) dos venenos e descrever os efeitosfisiopatológicos dos envenenamentos (Brazil, 1901, 1901a). Num dos experimentos, eleinoculou os venenos pelas vias gástrica (oral), hipodérmica, venosa, intramuscular eintraserosa (intraperitoneal), utilizando pombos, cobaias, coelhos e cães. Ele distinguiudois fenômenos distintos das ações dos venenos sobre o organismo, os quais denominoufenômenos locais e fenômenos gerais (sistêmicos), descrevendo também alguns sintomasespecíficos.Com relação à composição química dos venenos, Vital Brazil relatou a presença deágua, sais, materiais corantes e substâncias albuminóides, as quais considerou como partestóxicas do veneno. Após imunizar cães contra o veneno de cascavel e jararacas,separadamente, ele verificou que o soro do animal imunizado contra o veneno da jararacanão tinha ação sobre o veneno da cascavel, bem como o soro ativo contra o venenocrotálico se mostrou inócuo sobre o veneno botrópico (Brazil, 1901b).Atualmente o soro antiveneno ofídico é obtido de cavalos hiperimunizados contra oantígeno correspondente – o veneno. Depois de aplicadas algumas doses, a concentraçãode anticorpos é grande e o animal é sangrado. As hemácias são colocadas para decantar, osoro é retirado e as hemácias devolvidas ao cavalo, para o animal não ficar anêmico. Afração de imunoglobulinas é precipitada com sulfato de amônia e depois tratada compepsina para digerir as proteínas e remover o segmento Fc das moléculas de anticorpo;estas neutralizam o veneno (Raw & Sant’Anna, 2002).Vital Brazil abriu o caminho para os estudos sobre a toxinologia de venenosofídicos. A partir dos seus trabalhos no Instituto Butantan inicia-se uma nova fase (revisãoem Gutiérrez, 2002) na toxinologia de venenos de serpentes, com trabalhos cada vez mais
  • 22. 8voltados para estudos sobre a farmacologia e bioquímica dos venenos. Um dos trabalhospioneiros nesta área foi realizado por Slotta & Fraenkel-Conrat (1939), que purificaram ecristalizaram a crotoxina, principal componente tóxico de várias espécies de Crotalus,responsável pelas ações miotóxica e neutóxica do veneno crotálico. A descoberta dabradicinina por Rocha e Silva, Beraldo & Rosenfeld (1949) inaugurou uma fase muitoimportante na toxinologia de venenos ofídicos. A bradicinina, polipeptídeo isolado doveneno de Bothrops jararaca, é liberada no plasma através da ação enzimática do venenobotrópico e estimula a musculatura lisa, causando principalmente vasodilatação e aumentoda permeabilidade capilar.Os trabalhos de Kondo et al. (1960) e Villarroel (1977) estabeleceram novos critériosmetodológicos das pesquisas sobre venenos de serpentes e soroneutralização cruzada. Adescrição da botroxina do veneno de Bothrops atrox, em 1976, por Stoker e Barlow, e ostrabalhos de Lomonte e Gutiérrez e colaboradores, nas décadas de 1980-2000, têmcontribuído com novas informações sobre os efeitos hemorrágicos causados pelo venenodas viperíneas e crotalíneas, principalmente com relação ao estudo das miotoxinas(proteínas com fosfolipase A2 da classe II) e metaloproteínas. Os trabalhos de Furtado ecolaboradores, realizados no Instituto Butantan nas décadas de 1980-90, estudaram váriosaspectos relacionados à variabilidade dos venenos de serpentes e propuserampadronizações de métodos para verificar atividades indutoras de hemorragia, necrose,edema e atividades caseinolíticas, bem como as atividades promotoras da coagulação dofibrinogênio e do plasma.A revisão mais recente sobre a toxinologia do veneno de serpentes foi realizada porGutiérrez (2002), a qual traz excelentes descrições dos principais estudos sobre acomposição química e mecanismo da ação das toxinas dos venenos de serpentes daAmérica do Sul. Gutiérrez descreveu as neurotoxinas dos venenos, as proteínas que afetama coagulação sanguínea, as inflamações e necroses musculares induzidas por toxinas dosvenenos, as metaloproteínas e fosfolipases. Além disso, ele analisou criteriosamente osestudos sobre as novas terapias antiofídicas e estudos clínicos para compreensão dafisiopatologia dos envenenamentos ofídicos, analisando também o desenvolvimento denovas tecnologias para a melhoria da qualidade dos antivenenos produzidos nasinstituições sul-americanas.
  • 23. 9Plantas medicinais e ofidismoO conhecimento sobre as plantas medicinais foi adquirido com base nas experiênciasindividuais e repassados pelas gerações através das representações populares. Os textos dosbabilônios, assírios e hebreus já traziam as utilizações terapêuticas de preparados complantas, mas foram os gregos quem sistematizaram o uso de plantas medicinais, através derelatos contidos nas obras de Aristóteles (384-322 a.C.), Hipócrates (460-377a.C.) eTeofrasto (370-285 a.C.).Dentre os relatos importantes sobre fitoterapia, são relevantes as descrições dePedanius Dioscórides (século I d.C.), contidas no tratado “Matéria Médica” com cerca de600 plantas medicinais conhecidas na época; as descrições do alquimista Celsius na obra“De Medicina” que relata usos de plantas e demais preparados, inclusive algumasprescritas como antídotos contra venenos de serpentes, e as descrições dos romanos Plínio(61-113 d.C.) e Galeno (130-200 d.C.), as quais contêm diversos preparados de plantaspara tratamento de doenças, traumatismos e outras indicações, mais ou menos comoelaborados atualmente (Otero, Fonnegra & Jiménez, 2000).Durante a Idade Média houve uma sensível redução nos relatos sobre fitoterapia. Nasegunda metade do século XV e no final do século XVIII ressurgiram as obras sobreplantas medicinais, com destaque para as idéias de Paracelso, explicadas na Teoria dasAssinaturas. De acordo com esta teoria, os deuses teriam colocado indicadores nas plantas,como sinais para orientar os humanos a descobrir o valor curativo destas, os quais seriamrevelados por intuições e antropomorfias, através de tentativas e erros. Por exemplo,poderiam servir como antiofídicas as plantas que apresentassem algum caráter quelembrasse o zig-zag da locomoção de serpentes ou qualquer aspecto da planta ou dosfrutos e sementes que sugerissem alguma semelhança com cobras; as plantas queapresentassem coloração avermelhada nos frutos, flores ou folhas serviriam como anti-hemorrágicas, devido à semelhança com a cor do sangue (Otero, Fonnegra & Jiménez,2000).No Brasil, um dos primeiros relatos sobre o uso de plantas para inibir os efeitos deenvenenamentos por serpentes foi feito no século XIX, através das descrições das viagensque os dois naturalistas bávaros Johann Baptist von Spix (1781-1826) e Carl Friedrich
  • 24. 10Phillip von Martius (1794-1868) empreenderam por diversas regiões brasileiras entre1817-1820, a convite da arquiduquesa Leopoldina, no contexto cultural da vinda de váriosnaturalistas ao Brasil em meados do século XVIII (Vanzolini, 1996). Em 1818, Spix eMartius relataram que no arraial do Rio Verde, Minas Gerais, usava-se uma plantagenericamente conhecida como cainca nos envenenamentos por Bothrops urutu(Viperidae) (Sommer, 1953). Na caatinga e no cerrado a cainca é o nome comum que se dáa várias espécies de plantas da família Rubiaceae, também conhecida como cipó-cruz ecaninana; na Amazônia é conhecida popularmente como raiz-preta (Chiococca anguifugaMart.) (= C. brachiata Ruiz & Pav.). Com a morte de Spix, seu fiel amigo Martiusprosseguiu o trabalho de catalogar os exemplares dele e descrever a flora brasileira em umacoleção de 15 volumes, reunidos na “Flora Brasiliensis”, obra clássica publicada em 1882por Martius, em Munique (Sommer, 1953; Vanzolini, 1996).Os primeiros livros que descreveram as propriedades curativas das plantasmedicinais brasileiras foram “Ensaio sobre o cinchoeiro e sua influência nas virtudes daquina”, escrito pelo português Bernardino Antonio Gomes em 1812, e o livro “Systema deMatéria Medica Vegetal Brasileira”, escrito por Henrique Velloso D’Oliveira, em 1854(Cardoso, 2003; D’Oliveira, 1854). Gomes cita a planta Aristolochia sp como antiofídica.D’Oliveira comenta sobre o uso das plantas conhecidas pelas propriedades medicinais,citando os nomes populares e científicos. Para acidentes ofídicos, ele relatou o uso da raiztuberosa da jararaca ou erva-de-santa-maria (Dracontium polyphyllum L., Araceae) (= D.asperum C.Koch). Interessante é que o uso antiofídico desta planta era recomendadodevido à semelhança com a cor “sarapintada” das serpentes, de acordo com a Teoria dasAssinaturas, de Paracelso. As demais plantas citadas por D’Oliveira como tendopropriedades antiofídicas foram: a raiz da Arisaema phythonium (= Zomicarpa phytonium(Mart.) Schott, Araceae), planta da caatinga que os índios empregavam no local da picadaquando envenenados por cobras; a raiz de cipó-de-jarrinha ou milome (Aristolochiaantihysterica) (= A. triangularis, Aristolochiaceae); o alecrim-bravo (Hypericumlaxiusculum, Hypericineae); Eupatorium crenatum (= Mikania cordifolia, Asteraceae);orelha-de-onça (Cissampelos ovalifolia Chodat & Hassl., Menispermaceae); a fruta-de-pombo (Erythroxylon anguifugum, Erythroxylaceae); a erva-mular ou curraleira (Crotonsp, Euphorbiaceae) e o tuiuiá ou abobrinha-do-mato (Bryonia bonariensis ficifolio) (=
  • 25. 11Cayaponia bonariensis (Mill.) Mart. Crav., Cucurbitaceae). D’Oliveira cita no seu livro aanálise que Thomé Rodrigues Sobral fez da planta Aristolochia sp (citada Aristolochiaantihysterica), em Coimbra. Sobral encontrou “um princípio volátil aromático solúvel emálcool, um princípio oleoso resinoso, um amargo análogo ao gentianino, uma porçãopequena de mucilagem, cal, potassa e ferro”, combinação que teria ação antiofídica(D’Oliveira, 1854).Ainda no final do século XIX, o botânico Schindler publicou no Rio de Janeiro umcatálogo das plantas medicinais brasileiras, com descrições das propriedades terapêuticas,usos e doses administradas (Schindler, 1884). Ele relatou o uso de seis espécies de plantasantiofídicas: i) a raiz do cipó-de-cobra (Cissampelos glaberrima St.Hill.,Menispermaceae), ii) a raiz da orelha-de-onça (C. ebracteata, Menispermaceae), iii) o sucodo guaco (Mikania guaco Humb. & Bonpl., Asteraceae), iv) o suco da erva-de-cobra (M.opifera) (= M. cordifolia Wild., Asteraceae), v) a raiz do para-tudo (Gomphrena officinalis,Amaranthaceae), vi) o paracari ou hortelã-branco (Peltodon radicans Pohl, Labiatae).Em 1888, Theodoro Peckolt e Gustavo Peckolt, pai e filho, escreveram um livrosobre a história das plantas medicinais no Brasil, no qual constam descrições botânicas eetnobotânicas, partes da planta utilizadas, composição química, usos industriais efitoterápicos e as doses utilizadas (Peckolt & Peckolt, 1888). Oito espécies de plantas,pertencentes a 5 famílias, foram por eles descritas como antiofídicas: i) família Isoetaceae,representada por Isoetes martii A. Braum, conhecida popularmente como batatinha-d’água; ii) família Ophioglossaceae, representada por Ophioglossum palmatum Plum, cujonome popular é língua-de-víbora, é citada principalmente contra a mordida de “víboras”(lagartos do gênero Diploglossus, que no imaginário popular vira cobra), e por Botrichiumvirginicum Swartz, a língua-de-víbora-do-campo, iii) família Zamiaceae, representada porZamia brongniartii Wedd, popularmente conhecida como salgueiro-da-terra, da qual seutiliza a goma do tronco contra mordidas de cobras, iv) famíia Commelinaceae,representada por Tradescantia geniculata Velloso (= Gibasis geniculata (Jacq. Rohweder),conhecida como trapoeiraba-efêmera, v) família Araceae, representada por Dracontiumpolyphyllum L. (= D. asperum C. Kock, Araceae), popularmente conhecida como jararaca-mirim; e Staurostigma luschnathianum C. Kock, popularmente conhecida como jararaca-do-rio. Na maioria das preparações citadas por Peckolt & Peckolt (1888) eles
  • 26. 12recomendaram também o uso de cachaça com as plantas, cujas infusões deveriam serbebidas ou aplicadas no local da mordida da cobra. Em 1914, Gustavo Peckolt continuou oestudo sobre a história das plantas medicinais e úteis do Brasil, que ele iniciou com seu paiem 1888. Gustavo descreveu o uso das sementes do araticum (Annona furfuracea St.-Hill,Anonaceae), cuja mistura com cachaça era indicada como um bom antídoto nos casos deenvenenamento por cascavel (Peckolt, 1914).O brasileiro Manuel Pio Corrêa (1874-1934) foi naturalista do Jardim Botânico doRio de Janeiro e um dos pioneiros nos estudos sobre plantas medicinais. Todas asinformações relatadas por Pio Corrêa sobre a utilização das plantas foram reunidas em seisvolumes na clássica obra “Dicionário das plantas úteis do Brasil”, com a colaboração deLeonam de Azeredo Penna. Cada espécie relatada apresenta uma diagnose, nomespopulares e informações sobre a utilização como alimento, aplicações industriais eterapêuticas. As plantas citadas no dicionário como antiofídicas são (ver também PioCorrêa, 1909): a raiz do cipó-de-cobra (Cissampelus glaberrima St. Hil, Menispermaceae),citada também por Shindler (1884); a erva-de-jararaca (Dracontium asperum C. Kock,Araceae); as folhas de contra-cobra (Aegiphila salutaris H.B.K., Verbenaceae); a abutua-miúda (Cocculus filipendula M., Menispermaceae); a contra-erva, calunga ou jarrinha(Aristolochia trilobata, Aristolochiaceae); a batatinha-d’água (Isoetes martii, Isoetaceaea)e o alecrim-bravo (Hypericum laxiusculum, Hypericineae). Estas duas últimas foramtambém citadas por Peckolt & Peckolt (1888) e D’Oliveira (1854).Silveira (1921) descreveu o uso do agrião-do-brejo, Eclypta alba (= E. prostrata (L.)L. Asteraceae) contra picadas de serpentes, planta citada na literatura como antiofídicadesde 1882, quando Martius publicou a “Flora Brasiliensis”. Renato Braga escreveu umtambém clássico trabalho sobre etnobotânica, “Plantas do Nordeste, especialmente doCeará” (Braga, 1960). Neste livro, ele relatou o uso de plantas indicadas nos casos deenvenenamentos por serpentes, como a raiz-preta (Chiococca anguifuga, Rubiaceae),citada também por Martius em 1818; a milho-de-cobra (Dracontium asperum, Araceae),também relatada como antiofídica por Pio Corrêa (1909); a língua-de-tiú (Caseariasylvestris Swartz, Flacurtiaceae); a erva-de-cobra (Mikania cordifolia Willd, Asteraceae) eo paracari ou hortelã-bravo (Peltodon radicans Pohl, Labiatae).
  • 27. 13Na década de 1980, houve um expressivo avanço nos estudos sul-americanos sobreplantas medicinais, principalmente as antiofídicas: em vez de citar os usos das plantasapenas com base nas representações populares, como ainda hoje ocorre na maioria daspublicações, os efeitos das plantas começaram a ser verificados biológica, bioquímica efarmacologicamente, através de experimentos controlados (e.g. Pio Corrêa, 1909; Vieira,1992; Caribé & Campos, 1997; Simões et al., 1998; Agra, 1996). Inicia-se então uma novafase, com trabalhos cada vez mais voltados para estudos sobre a bioquímica e síntese deprodutos naturais das plantas, como, por exemplo, a descoberta das cabenegrinas I e II,substâncias isoladas de uma planta supostamente amazônica, que inativaram o veneno deBothrops atrox (Nakagawa et al.,1982).No Brasil, o trabalho de Calixto e colegas, realizado em 1985, foi um dos pioneirosnesta linha de experimentos controlados com plantas medicinais antiofídicas (ver Martz,1992). Eles trabalharam com o extrato bruto de Mandevilla velutina (Apocynaceae) e oveneno de B. jararaca, utilizando útero isolado de rato e verificaram que o extrato teveação sobre a bradicinina, um peptídeo hipotensor liberado pelo veneno de B.jararaca,descoberto por Rocha e Silva e colaboradores em 1949. Assim foram os estudos com aatropina, extraída de Atropa belladonna L. (Solanaceae), que protege o organismo contraas ações sinérgicas da toxina F7 do veneno da mamba Dendroaspis polylepis polylepis(Elapidae) e os trabalhos do químico de produtos naturais Walter Mors, cuja equipe decolaboradores isolou os compostos wedelolactona, sitosterol e stigmasterol da plantaEclipta prostrata L. (Asteraceae), mostrando que o extrato protegeu as ações miotóxicasdo veneno de Crotalus durissus, inibindo as ações das cininas. O estudo de Mors ecolaboradores utilizou preparações de músculo esquelético (Mors et al., 1989).As melhores revisões sobre plantas antiofídicas são as de Martz (1992), sobre osextratos de plantas com potencial em neutralizar as toxinas dos venenos de cobras, na qualele relata o uso de compostos isolados de plantas com ação antiofídica; Pereira et al.(1994), sobre compostos isolados de plantas e descreve alguns prováveis mecanismos deação, e os estudos realizados por Castro et al. (1999) e Otero, Fonnegra & Jiménez (2000),os quais verificaram a neutralização das ações dos venenos por alguns extratos de plantasda Costa Rica e da Colombia, além de citarem cerca de 85 espécies de plantas utilizadascomo antiofídicas com base nos relatos populares.
  • 28. 14Materiais e Métodos1. Epidemiologiai) Coleta de Dados: Os dados para as análises epidemiológicas dos acidentes ofídicosocorridos em Sergipe foram obtidos nas fichas de notificação de acidente por animaispeçonhentos do Sinam Windows – versão 4.0DocumentaçãoDicionário deDadosDICANIMAIS-DELPHI.doc 07/03/2002, os quais foram cedidos pela vigilânciaepidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado de Sergipe.ii) Variáveis: Para as análises utilizei as seguintes variáveis: número de acidentes ofídicospor ano, idade, sexo dos acidentados, tempo decorrido entre o acidente e o atendimento,número de ampolas de soros antiofídicos (botrópico, crotálico, laquético e elapídico)utilizadas durante o período e classificação quanto a gravidade do caso, segundo critériosestabelecidos pela Fundação Nacional da Saúde (Brasil, 1999).iii) Análise dos Dados: Para compor o quadro epidemiológico, inicialmente foram feitas asdistribuições de freqüências destas variáveis com relação ao município e mês de ocorrênciado acidente, tempo decorrido entre o acidente e o atendimento, partes do corpo atingidas eàs alterações locais e sistêmicas decorrentes dos envenenamentos ofídicos. Após verificar adistribuição de cada variável, as seguintes análises foram feitas: i) a incidência dosacidentes ofídicos (Rouquayrol & Almeida Filho, 1999) através do quociente entre onúmero de casos ocorridos nas áreas rurais de Sergipe durante o período 1999-2002 e onúmero de pessoas expostas, multiplicado pela população de referência, neste caso 10000indivíduos, ii) as proporcões dos acidentes ofídicos com relação às diferentes regiõesecológicas de Sergipe, idade e sexo dos acidentados e a sazonalidade dos acidentes, iii) ossintomas (locais e sistêmicos) com relação ao tempo decorrido entre o acidente e asoroterapia, iv) partes do corpo atingidas e gravidade dos casos. A estatística qui-quadradofoi utilizada para verificar as hipóteses nulas de proporções iguais ou desiguais, conformeo caso, e de homogeneidade entre as variáveis.
  • 29. 152. Parâmetros biológicos do veneno de Bothrops jararacaOs seguintes testes foram realizados para analisar os parâmetros biológicos doveneno: dose letal 50% (DL50) e dose mínima hemorrágica (DMH). Estes testes sãoimportantes para verificar as doses-desafios e a eficácia das plantas em inibir o veneno.i) Veneno: Mistura de veneno liofilizado de B. jararaca, procedente da Seção de Venenosdo Instituto Butantan. A mistura foi estocada e mantida a -20ºC até o momento de uso.ii) Animais: Camundongos Swiss, não-isogênicos, de ambos os sexos, pesando entre 18 e22 g. Os animais foram fornecidos pelo Biotério Central da Universidade Federal deSergipe.iii) Dose Letal 50% (DL50): A DL50 é a unidade tóxica do veneno, definida como aquantidade de veneno capaz de em 48 horas provocar a morte de 50% dos animaisinoculados por via intraperitoneal (Vilarroel, 1977). Com base na DL50 foi determinado aconcentração da dose-desafio dos experimentos de inibição da letalidade do veneno pelosextratos.iv) Experimentos e concentrações DL50: Fiz seis experimentos em dias diferentes para adeterminação da dose letal do veneno de B. jararaca; destes, quatro foram utilizados paraanálises porque apresentaram relação mortos/nº de animais inoculados proporcional aoaumento das concentrações do veneno. Os dois primeiros foram descartados porque asdoses não estavam bem determinadas e ficaram muito baixas (sobreviveram todos osanimais) ou muito altas (morriam todos os animais). As concentrações do veneno em todosos experimentos foram: 23.0, 27.6, 33.1, 39.7 e 47.6 µg. O intervalo entre as doses foiestabelecido com base na DL50 do veneno de B. jararaca já determinado no InstitutoButantan, por isso a menor dose de 23.0µg, menor do que a DL50 do veneno, foiestabelecida como um dos extremos; a partir desta foram determinadas as demais dosesutilizando um fator de diluição de 1.2 (padronizado para estudos com veneno). Para cadaconcentração foram utilizados seis camundongos, inoculados via intraperitonial (i.p.) com0,5 ml de veneno dissolvido em NaCl 0,9%.
  • 30. 16v) Análise dos dados DL50: A dose letal 50% do veneno foi determinada com base na razãoentre os camundongos mortos e o número total de animais inoculados com o veneno,valores que expressam a freqüência com que uma observação está acima do valor esperadona distribuição normal, conhecida como valores probíticos (Fisher, 1949). Foramutilizados dois métodos para encontrar os valores probíticos: o primeiro foi através doprograma de computador elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) paradeterminar a regressão linear e a dose letal 50%; o segundo foi através de regressõeslineares, utilizando a variável dependente (y) como probit e a variável independente (x)como log da dose, o ‘b’ é o aumento dos valores probíticos de acordo com o aumento dolog da dose. Nos ensaios biológicos com venenos de serpentes, geralmente a distribuiçãode freqüência da dose letal individual não é normal, quando a dose de veneno é colocadana abscissa; para torná-la normal ou aproximadamente normal a dose foi transformada emunidades logaritmizadas. Estas doses transformadas são freqüentemente chamadasdosagens (Sokal & Rholf, 1995). As comparações entre os dois métodos foram feitas paraverificar se os resultados eram iguais. A seqüência de análise dos dados foi: i) para cadaexperimento determinei a regressão linear e a DL50 no programa, ii) depois as doses foramlogaritimizadas e substituídas nas respectivas equações da regressão (x), para encontrar ovalor probítico de cada dose (y), iii) para cada experimento fiz uma regressão para verificarcorrelações entre as doses e os valores probíticos, iv) após determinar a regressão paracada experimento, fiz uma comparação simultânea entre as 4 retas das regressões(Vanzolini, 1993), v) por último fiz uma análise probítica conjunta para encontrar a DL50de todos os ensaios. O resultado da análise probítica conjunta foi comparado com aequação geral das 4 retas para verificar e confirmar as análises (Fisher, 1949; Fisher &Yates, 1953; Zar, 1996).vi) Dose Mínima Hemorrágica (DMH): A dose mínima hemorrágica é definida como amenor quantidade de veneno (g) capaz de produzir uma área hemorrágica de 10 mm dediâmetro em animais experimentais (Castro et. al., 1999; Furtado et. al., 1991, Bolaños,1984). Com base na DMH foi determinada a dose-desafio utilizada para testes de inibiçãoda hemorragia local do veneno pelos extratos.
  • 31. 17vii) Experimentos e concentrações DMH: Fiz cinco experimentos para determinar a DMHdo veneno de B.jararaca. Apenas dois experimentos foram utilizados para análise porapresentarem resultados mais coerentes, com diâmetros da hemorragia cerca de 10mm eproporcionais às concentrações do veneno. Os demais foram descartados, porque as dosesutilizadas eram muito baixas (os animais não apresentaram hemorragia) ou muito altas(hemorragia maior do que 10mm). Experimento 1: concentrações 0.10, 0.14, 0.18, 0.22 e0.26 µg. Experimento 2: concentrações 0.14, 0.18, 0.22, 0.26 e 0.30 µg. Para cadaconcentração foram utilizados 4 camundongos. Os camundongos receberam injeçõesintradérmicas no abdome com doses crescentes de veneno (0,1ml/animal) dissolvido emNaCl 0,9%.viii) Análise dos dados DMH: Duas horas após injetados, os camundongos foramsacrificados, a pele removida e esticada em placa de vidro, sobre a qual a manchahemorrágica foi copiada em papel milimetrado. Ao redor da mancha hemorrágica forma-seum edema, não copiado no papel. O número de quadrículas contidas na mancha é a áreahemorrágica, inferida através da área da circunferência a = ð r², transformada paradiâmetro = 2 √a/ð (Bolaños, 1984). A determinação da dose mínima hemorrágica foi feitada seguinte maneira: i) análise de regressão, tendo sido encontrado duas equações, umapara cada experimento, cujas variáveis dependentes são os diâmetros das áreashemorrágicas (y) e as independentes são as concentrações do veneno (x), ii) substituição davariável dependente (y) por 10mm (diâmetro padrão da DMH), que constitui a dosemínima hemorrágica, iii) as doses mínimas hemorrágicas foram praticamente idênticas(0.23g e 0.24g), por isso os experimentos foram somado e feita uma análise conjuntados experimentos para encontrar a dose mínima hemorrágica do veneno. As análisesestatísticas seguiram os protocolos e algoritmos usuais (Vanzolini, 1993; Zar, 1996).
  • 32. 183. Verificação da eficácia das plantasOs seguintes ensaios foram realizados para verificar a toxicidade das plantas e testara eficácia destas sobre o veneno de B. jararaca: DL50, análise da letalidade e testes deinibição da hemorragia comparados com grupos de controle.i) Material botânico: As plantas utilizadas para verificar as ações antiofídicas foramcoletadas na região de caatinga de Curituba, Sergipe (09o41’S, 37o53’W) (Figura 1) durante2002/2003, com base nas informações de benzedores e moradores locais. Adicionalmente,foi incluída nas análises uma amostra de plantas da região do cerrado de Peixe, rioTocantins, no Estado homônimo, indicada popularmente na região como antiofídica econhecida como batata-de-teiú.Curituba, Se: batata-de-teiú (Apodanthera villosa C. Jeffrey, Cucurbitaceae).cabeça-de-negro (Apodanthera glaziovii Glaziou ex Cogniaux,Cucurbitaceae).pinhão-bravo (Jatropha mollissima (Pohl) Baill, Euphorbiaceae).Peixe, To: batata-de-teiú (Jatropha elliptica (Pohl) Muell. Arg., Euphorbiaceae).As plantas foram coletadas e herborizadas com material fértil para identificação. Orestante do material foi coletado em quantidades suficientes para preparar os extratosaquosos. As cucurbitáceas foram identificadas no Departamento de Botânica daUniversidade Federal de Goiás; as euforbiáceas foram identificadas no Instituto deBotânica da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.Figura 1. Localização da região de Curituba, Sergipe.CuritubaRio São FranciscoOceano Atlântico
  • 33. 19ii) Preparação do extrato aquoso: As raízes tuberosas de A. villosa , A. glaziovii, J.elliptica e o caule de J. mollissima tiveram o seguinte tratamento para preparar os extratos:1. secagem a 40oC em estufa, 2. trituração em moinho até a obtenção do polvilho, 3.preparação dos extratos brutos por decocção, durante 10 minutos, de 200 gramas dopolvilho, 4. filtragem do extrato bruto, 5. liofilização do extrato filtrado. O pó liofilizado,pesado para cada concentração e diluídos em salina, foi utilizado nos experimentos.iii) Animais: Camundongos Swiss, não-isogênicos, de ambos os sexos (18-22g). Osanimais foram fornecidos pelo Biotério Central da Universidade Federal de Sergipe.iv) Dose letal 50% (DL50): A DL50 de cada extrato também foi determinada com base narazão entre os camundongos mortos e número total de animais inoculados com o extrato,após 48 horas de observação, como realizado para o veneno. A dose letal 50% de cadaplanta foi encontrada para selecionar as doses de extrato utilizadas nos ensaios biológicosde inibição da hemorragia e da letalidade. As concentrações dos extratos foramdeterminadas por tentativa e erro até encontrar a relação entre animais mortos e inoculadosproporcional às concentrações dos extratos. Foram realizados dez ensaios com as plantas,com os seguintes intervalos de doses:3 ensaios com A. villosa; concentrações 0.008-0.04g,3 ensaios com A. glaziovii; concentrações 0.001-0.011g,3 ensaios com J.mollissima; concentrações 0.0003-0.04g,1 ensaio com J. elliptica; concentrações 0.01-0.03g.v) Análise dos dados DL50 das plantas: Para cada concentração foram utilizados seiscamundongos. A estatística utilizada para verificação da DL50 foi a análise probítica(Fisher, 1949; Fisher & Yates, 1953). Em cada ensaio, a variação entre animais mortoscom relação à concentração do extrato foi muito grande, dificultando encontrar a DL50. Porisso somei os 3 experimentos de cada planta para encontrar um valor probítico maisajustado. Isto foi feito para A. villosa, A. glaziovii e J. mollissima. Para J. elliptica fiz sóum experimento, cujo resultado foi proporcional às concentrações e não julguei necessáriofazer repetições.
  • 34. 20vi) Inibição da letalidade: Para verificar a neutralização do veneno pelas plantas (ouantivenenos) há a necessidade de ser selecionada uma dose-desafio, definida como a dosesuficiente para apresentar o efeito subliminar e máximo do veneno (Gutiérrez et al, 1990).A dose-desafio do veneno de B. jararaca utilizada para verificar a inibição da letalidadepelos extratos das plantas foi de 2DL50 (74.2g). Foram utilizados dois grupos nascomparações: i) grupo controle - animais inoculados com 74.2g de veneno dissolvido emNaCl 0.9%, ii) grupo experimental - animais receberam a mesma dose-desafio de venenodo grupo controle incubado a 37oC com diluições diferentes de extrato em NaCl 0.9%,durante 30 minutos. Cada camundongo foi inoculado via intraperitonial (i.p.) com 0,5 mlda solução. Os animais foram observados durante 48 horas, com intervalos de 1hora pararegistro do tempo de sobrevida (em minutos). As concentrações de cada extrato foramdeterminadas após encontrar as DL50 correspondentes:Apodanthera villosa: concentrações 0.74, 1.00 e 1.48mg,Apodanthera glaziovii: concentrações 1.00, 1.48, 3.0 e 5.0mg,Jatropha mollissima: concentração1.0mg,Jatropha elliptica: concentrações 0.74, 1.00, 1.48, 5.0 e 10.0mg.vii) Análise dos dados da letalidade: No caso dos experimentos de padronização das açõesbiológicas do veneno havia um resultado esperado. Nos testes de letalidade, que avaliam otempo de sobrevida, o que se esperava era que durante as repetições os resultados fossempróximos, para poder confiar no ensaio. A análise foi feita da seguinte forma: i) osexperimentos com as plantas foram repetidos 2-4 vezes, ii) cada repetição foi consideradauma amostra, iii) cada amostra teve um grupo controle, iv) verifiquei a homogeneidadeentre os controles, para confirmar os experimentos, v) os controles de cada planta foramagrupados para análise estatística, vi) verifiquei também a homogeneidade entre asamostras dos grupos experimentais, para cada dose de extrato – consideradas homogêneas,os dados eram agrupados, vii) nas análises finais ficaram para cada planta um grupoexperimental com 1-5 doses (dependendo da planta) e um grupo controle. As estatísticasutilizadas foram análise de variância com um fator e teste t (de Student) para verificar asignificância entre duas amostras (Vanzolini, 1993; Zar, 1996).
  • 35. 21viii) Inibição da hemorragia local: Para verificar se os extratos neutralizavam ahemorragia local do veneno de B. jararaca a dose desafio foi de 5DMH (1.2g). Foramutilizados dois grupos nas comparações: i) grupo controle – animais inoculados com 1.2gde veneno, ii) grupo experimental – animais injetados com quantidade constante de veneno(1.2g), o qual foi incubado com diluições diferentes de extrato, durante 30 minutos a37oC. Os camundongos receberam injeções intradérmicas no abdome com doses de extratoe veneno ou só de veneno (0,1ml/animal), dissolvidos em NaCl 0,9%. Duas horas, apósinjetados, os camundongos foram sacrificados, a pele removida e determinado a áreahemorrágica como na metodologia descrita para determinar a dose mínima hemorrágica.As concentrações dos extratos foram as seguintes:Apodanthera villosa: concentrações 1.0, 3.0 e 6.0mg,Apodanthera glaziovii: concentrações 1.0, 3.0, 6.0 e 10.0mg,Jatropha mollissima: concentração1.0, 3.0 e 6.0mg,Jatropha elliptica: concentrações 1.0, 3.0, 6.0 e 10.0mg.ix) Análise dos dados da inibição da hemorragia: O extrato de cada planta foi testado 2-4vezes, com 3-4 concentrações diferentes. Foram realizados 8 experimentos com as quatroplantas, com duas repetições por dose de extrato. Cada experimento teve um grupocontrole para comparação. Para análise segui os seguintes passos: i) como havia duasrepetições por dose, fiz para cada planta teste de homogeneidade entre as doses –consideradas homogêneas, os dados eram agrupados nas análises seguintes, ii) cadarepetição do grupo experimental teve um grupo controle, então verifiquei também ahomogeneidade entre os controles de cada grupo experimental – se homogêneos, os dadoseram agrupados, iii) nas análises finais ficaram para cada planta: um grupo experimentalcom 3-4doses (dependendo da planta) e um grupo controle. As estatísticas utilizadas foramanálise de variância com um fator e teste t (de Student) para verificar a significância entreduas amostras (Vanzolini, 1993; Zar, 1996).Para verificar se as próprias plantas não estavam também contribuindo para ashemorragias, fiz alguns ensaios com os extratos isolados (sem o veneno), utilizando asmesmas concentrações e três animais em cada dose: os extratos não causaram hemorragia.
  • 36. 22Resultados1. Epidemiologia dos acidentes ofídicosA maioria dos acidentes ofídicos em Sergipe ocorreu na zona rural. Até a década de1980 as notificações eram feitas através de prontuários nas unidades de saúde; após estaépoca, o Ministério da Saúde recomendou o registro em prontuários próprios – asnotificações de acidentes por animais venenosos. A partir de 1999 estas notificações estãoinformatizadas no setor de vigilância epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde.Além da soroterapia, os tratamentos ocasionados por envenenamentos ofídicos emSergipe incluem as rezas e benzeduras, preparados de contra-venenos e os preparados complantas, principalmente nas formas de infusão e decocção. A combinação destestratamentos é comum em Sergipe, não só com relação aos envenenamentos por serpentes,mas todas as afecções são de alguma forma tratadas com combinações de métodos.Preparados PopularesOs preparados populares para tratar envenenamentos ofídicos na região de Sergipesão misturas elaboradas principalmente a base de plantas e materiais orgânicos diversos,conforme informado pelas pessoas que comercializam estes produtos. Os componentes dospreparados são mantidos em segredo e os produtos podem ser encontrados nas barracasque vendem plantas medicinais nas feiras livres, nas casas de produtos agropecuários oucomercializados por vendedores que anunciam produtos milagrosos específicos, como apomada da gordura de sucuri (Eunectes murinus L., 1758) e choque de poraquê(Electrophorus electricus L., 1758), ambas para dores e reumatismos.Os produtos e preparados recomendados para envenenamentos de cobras sãoencontrados sob diversas formas: infusões de plantas com cachaça, onde as partes dasplantas, secas ou verdes, são colocadas no líquido sem serem processadas – as dosesvariam de acordo com a gravidade do caso; infusões mistas, a base de plantas e outrosmateriais orgânicos mantidos em segredo; misturas feitas por decocção de partes dasplantas; dose pó-de-caboclo, um contraveneno para cobras (e insetos também), elaborado abase de plantas e fabricado em Feira de Santana, Bahia; permanganato de potássio em
  • 37. 23concentrações desconhecidas, que é vendido em pequenos frascos, cujas doses dependemda gravidade do caso.É comum também encontrar no comércio cobras conservadas na cachaça, cujoconteúdo é indicado contra acidentes ofídicos. As espécies identificadas conservadas noálcool são: as colubrídeas Oxyrhopus trigeminus Duméril, Bibron & Duméril, 1854;Leptodeira annulata L., 1758, Liophis poecilogyrus (Wied, 1825) a leptototiflopídeaLeptotyphlops sp e a elapídea Micrurus ibiboboca (Merrem, 1820). O “EspecíficoPessoa”, fabricado em Sobral, Ceará, com propaladas atividades antiofídicas, não écomercializado na região de Sergipe.As rezas e benzeduras também fazem parte dos tratamentos populares alternativos,cujos ritos são praticados por benzedores locais, homens e mulheres. Fazem parte dosrituais benzer as pessoas e partes vegetais que servem de amuleto contra picadas de cobras,como a semente do cajú; rezar sobre a parte do corpo atingida pela serpente, benzerlíquidos (geralmente água) que devem ser bebidos de acordo com as prescrições, as quaisincluem doses certas e horários pré-estabelecidos que variam conforme o caso e obenzedor. Humanos e animais, mais comumente eqüinos e bovinos, quando sofremacidentes ofídicos são tratados da mesma forma pelos benzedores.FitoterapiaTrês plantas do semi-árido de Curituba e arredores são indicadas por benzedores emoradores locais como tendo ações antiofídicas: batata-de-teiú (Apodanthera villosaC.Jeffrey, Cucurbitaceae), cabeça-de-negro (Apodanthera glaziovii Glaziou ex Cogniaux,Cucurbitaceae) e pinhão-bravo (Jatropha mollissima (Pohl) Baill., Euphorbiaceae). Asduas cucurbitáceas são muito semelhantes, ambas são trepadeiras, mas podem serencontradas também no chão, as flores são bem pequenas e têm raízes tuberosas, a dabatata-de-teiú é mais compridada. O preparado antiofídico com as cucurbitáceas éelaborado com base na fécula da raíz, formando uma papa com a recomendação de serutilizada em doses baixas. O pinhão-bravo é um arbusto de 1- 3 metros de altura, bemramificado, casca do caule adulto acinzentado. Esta planta tem um látex muito branco, oqual é indicado para beber direto da planta em caso de acidente ofídico.
  • 38. 24Estas foram as plantas da caatinga coletadas para verificação das atividadesantiofídicas. Em todas as feiras percorridas na região da caatinga de Sergipe e parte daBahia, até Feira de Santana, as plantas cabeça-de-negro e batata-de-teiú são conhecidascomo antiofídicas, mas várias espécies são confundidas sob estes nomes. Infelizmente nãofoi possível coletar estas plantas para identificar, além do que o material fornecido pelosfeirantes estava preparado na forma de pó ou partes cortadas. Na região de Peixe, no rioTocantins, Estado homônimo, uma planta conhecida como batata-de-teiú (Jatrophaelliptica (Pohl) Muell. Arg., Euphorbiaceae) é indicada como antiofídica e foi tambémtestada a sua eficácia, juntamente com as plantas coletadas na região de Curituba.SoroterapiaO soro antiofídico é, em Sergipe, aplicado na unidade regional de saúde maispróxima de onde o acidente ocorreu. O caso é notificado e encaminhado para o setor devigilância epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde; posteriormente é arquivado nosetor de vigilância ambiental da saúde. No setor estadual de vigilância epidemiológica asnotificações dos acidentes ofídicos estão informatizadas de 1999 a 2002, de acordo com oprograma implantado em 2003 pelo Centro Nacional de Epidemiologia da FundaçãoNacional da Saúde – Sistema de Informação de Agravo de Notificação, Dicionário deDados – SINAN, Animais Peçonhentos. As informações anteriores a 1999 encontram-sedispersas e de difícil acesso.Em Sergipe funcionam seis regionais de saúde e uma metropolitana, com asseguintes sedes: Regional Metropolitana – Aracaju, Hospital João Alves Filho; 1aRegional– Estância, Hospital Regional Amparo de Maria; 2a– Itabaiana, Hospital Pedro GarciaMoreno Filho; 3a– Maruim, Hospital de Maruim; 4a– Nossa Senhora da Glória, HospitalJoão Alves Filho; 5a– Neópolis, Hospital de Neópolis; 6a– Lagarto, Hospital NossaSenhora Conceição (Figura 2). São estes hospitais regionais que recebem os sorosantiofídicos da Central Nacional de Armazenamento e Distribuição de Imunobiológicos(Cenadi/Ministério da Saúde) através da Secretaria Estadual da Saúde de Sergipe, a qual osrepassa para as regionais de saúde onde os casos de acidentes ofídicos são encaminhados.
  • 39. 25Figura 2. Localização das regionais de saúde e os domíniosmorfoclimáticos das regiões de Sergipe (segundo Ab’Saber, 1977). M =Regional Metropolitana, Aracaju; I = 1aRegional, Estância; II = 2aRegional, Itabaiana; III = 3aRegional, Maruim; IV = 4aRegional, NossaSenhora da Glória; V = 5aRegional, Neópolis; VI = 6aRegional, Lagarto.De oeste para leste: caatinga (áreas hachuradas), agreste e mata atlântica.Dentre os 95 casos de envenenamentos ofídicos registrados em Sergipe durante 1999a 2002, observamos que: i) 61 dos acidentados (64%) receberam soroterapia, ii) foramutilizadas 319 ampolas de soro antibotrópico, 46 de antibotrópico-crotálico, 6 deanticrotálico e 10 de antielapídico, iii) 34 casos (36%) não estão notificados se receberamou não antivenenos, embora os sintomas estejam registrados, iv) em 6 casos a soroterapiafoi aplicada sem constar o gênero da serpente que causou o acidente, v) cinco registros deacidentes ofídicos nas notificações não indicam se a soroterapia foi ou não utilizada. Nasnotificações também constam que em alguns casos de envenamentos por Crotalus foiutilizado soro antibotrópico (4 ampolas) e antibotrópico-crotálico (3 ampolas); em outrosconstam os registros de envenenamento crotálico, mas não informam a soroterapiautilizada. Nas notificações dos dois casos de acidentes por Lachesis não constam se osacidentados receberam ou não soroterapia. A Tabela 1 mostra a distribuição de freqüênciados soros utilizados em Sergipe.WOceano AtlânticoRio São Francisco
  • 40. 26Tabela 1. Distribuições de freqüências do número de ampolas de sorosantiofídicos utilizados em Sergipe.1999 2000 2001 2002ampolas f ampolas f ampolas f ampolas f1 1 1 1 4 2 5 22 1 2 1 6 3 6 23 1 3 1 8 2 8 34 8 4 2 10 25 26 127 18 5Antibotrópico10 3Soma 197 14 62 463 1 3 3 1 14 1 4 15 1 5 17 1 128 1Antibotrópico-crotálicoSoma 27 18 12 1 4 1AnticrotálicoSoma 2 4Antiela-pídico10 1Soma10Incidência dos acidentes ofídicosForam notificados 95 acidentes ofídicos em Sergipe entre 1999-2002; oscoeficientes de incidência anual variaram de 0,16 a 0,88 caso por 10000 habitantes da zonarural (Tabela 2).Dentre os casos registrados, em apenas 55 (58%) constam os gêneros das serpentesnas notificações: 48 casos foram causados por Bothrops, 4 por Crotalus, 2 por Lachesis e1 caso por Micrurus; quatro casos foram notificados como tendo sido causados porserpentes não peçonhentas (Tabelas 3)
  • 41. 27Tabela 2. Coeficientes de incidência anuais dos acidentes ofídicosem Sergipe (1999-2002).1999 2000 2001 2002 Soma43 8 23 21 95(0,88) (0,16) (0,46) (0,42)( ) coeficiente de incidência/10000 habitantes da zona rural.Média da população rural no período foi 493549 habitantes (IBGE, 2000).Tabela 3. Distribuição anual dos acidentes ofídicos por gênerode serpente.1999 2000 2001 2002 SomaBothrops 26 4 7 11 48Crotalus 1 0 3 0 4Micrurus 0 0 0 1 1Lachesis 0 0 2 0 2Soma 27 4 12 12 55Não-peçonhenta 2 0 1 1 4Idade e sexoA proporção dos acidentes ofídicos variou significativamente com relação à idadedos acidentados; pessoas de ambos os sexos foram mais atingidas na faixa etária até os 20anos (2= 34.07; p<0.001). A proporção dos acidentados também foi diferente entre ossexos; (2= 20.59; p<0.001); os homens foram duas vezes mais acidentados do que asmulheres (Tabela 4).Tabela 4. Distribuições dos acidentes ofídicos por idade, sexo. (ffreqüência observada; (fi) freqüência esperada).Intervalos de Idade1-20 21-40 41-60 >60 Somaf 45 25 18 6 94(fi) (23.5) (23.5) (23.5) (23.5)Hipótese nula: proporções 1:1:1:12= 34.07; p<0.001Sexo♀ ♂ nf 25 69 94f(i) (47) (47)Hipótese nula: proporção 1:12= 20.59; p<0.001
  • 42. 28SazonalidadeA proporção dos acidentes ofídicos entre os períodos seco e chuvoso foisignificantemente diferente (2=13.78; p<0.001); o predomínio dos casos foi durante osmeses secos (Tabela 5).Com relação a uma possível associação entre sexo, período analisado (1999-2002) esazonalidade, as freqüências anuais de acidentes foram proporcionalmente iguais entrehomens e mulheres (2= 1.15; p>0.05); a proporção de acidentes entre os sexos dosacidentados e os períodos chuvoso e seco também não foi significantemente diferente (2=1.33; p>0.05; Tabela 6).Tabela 5. Sazonalidade dos acidentes ofídicos: proporção entre períodosseco (verão) e chuva (inverno). (fi, freqüência observada; (fi) freqüênciaesperada).PeríodoVerão Inverno Somaf 65 29 94(fi) (47) (47)Hipótese nula: proporção 1:12= 13.78; p<0.001Tabela 6. Acidentes ofídicos: associações entre sexo dos acidentados,período analisado e sazonalidade.AnoSexo 1999 2000 2001 2001 Soma♂ 30 7 16 16 69♀ 12 1 7 5 25Soma 42 8 23 21 942= 1.15; p>0.05SazonalidadeSexo Verão Inverno Soma♂ 50 19 69♀ 15 10 25Soma 65 29 942= 1.33; p>0.05
  • 43. 29Regiões de ocorrênciaA região de Sergipe, está situada nos domínios morfoclimáticos da Mata Atlântica eda caatinga, separados por uma faixa de agreste, a qual é uma caatinga mitigada paralela àcosta (Vanzolini, 1972, ver Figura 2). Os acidentes ofídicos são atendidos nas regionais desaúde mais próximas onde ocorrem. Os três ecossistemas foram comparados com relaçãoao ofidismo; a freqüência de acidentes foi bem menor na caatinga (2= 34.77; p<0.001);no agreste e áreas de mata as freqüências de acidentes foram praticamente iguais. Asregiões de agreste que apresentaram mais casos durante o período analisado foram NossaSenhora das Dores (11 casos) e Lagarto (7 casos), na Mata Atlântica as regiões queapresentaram maior freqüência de acidentes ofídicos foram Estância (10 casos) e Aracaju(8 casos). As Tabelas 7 e 8 mostram as freqüências de acidentes ofídicos nos ecossistemasTabela 7. Proporção de acidentes ofídicos por região.(f, freqüência observada; (fi) freqüência esperada).Caatinga Agreste Mata Atl. Somaf 5 49 41 95(fi) (31.6) (31.6) (31.6)Hipótese nula: proporções 1:1:12= 34.77; p<0.001Tabela 8. Distribuições de freqüências dos acidentes ofídicos (1999-2002) por regiões. As populações sãocitadas no Censo Demográfico, 2000, IBGE.Caatinga Pop. rural f Agreste Pop. rural f Mata Atlântica Pop. rural fCarira 8327 2 Areia Branca 8015 1 Aracaju* 461534 8Frei Paulo 5643 1 Arauá 5745 1 Brejo Grande 3155 2Monte A. de Sergipe 5119 1 Cristinápolis 7823 1 Carmópolis 1746 1Porto da Folha 16952 1 Canhoba 2370 1 Estância 8148 10Cumbe 1516 1 Indiaroba 8471 1Gararu 8375 1 Itaporanga d’Ajuda 16323 2Itabaianinha 19895 3 Neópolis 8092 5Itabaiana 21341 5 Propriá 3818 3Laranjeiras 2347 4 Rosário do Catete 1445 3Lagarto 42807 7 S. Amaro das Brotas 2588 1Moita Bonita 7125 3 Santa Luzia do Itanhi 11363 1N. Senhora das Dores 8671 11 São Cristóvão 1531 3Pedrinhas 2531 2 N. Senhora do Socorro 400 1Riachão do Dantas 14932 3Riachuelo 1630 1São Miguel do Aleixo 1968 1Telha 1575 2Umbaúba 8279 1Soma 5 49 41* Em Aracaju consta a população total.f = freqüência
  • 44. 30Sintomas e tempo decorrido entre o acidente e a soroterapiaA dor local foi um dos sintomas mais freqüentes. Quando o atendimento foi feito nas3 primeiras horas após a picada, a proporção de indivíduos que relataram dor(envenenamento botrópico) foi de 3:1 em relação aos que não relataram (2= 0.03;p>0.05). A proporção aumentou de 7:1 ocorreu nos casos em que o atendimento foi feitoapós três horas de o acidentado ter sido picado pela cobra (2= 0.22; p>0.05).O edema (envenenamento botrópico) também foi um dos sintomas mais freqüentesrelatado nas notificações. Até 3 horas do acidente, a proporção de indivíduos queapresentaram edema foi de 1:1 em relação aos que não apresentaram este sintoma (2=0.13; p>0.05); após este período, a proporção de indivíduos que apresentaram edemaaumentou de 7:1 em relação aos que não apresentaram este sintoma (2= 0.22; p>0.05),indicando persistência e aumento do edema após as 3 primeiras horas.Com relação ao eritema e sangramento local (características do envenenamentobotrópico), nas 3 primeiras horas entre a picada e o atendimento a proporção deacidentados que apresentaram e não apresentaram eritema foi de 1:3 (2= 0.34; p>0.05); amesma proporção de 1:3 ocorreu entre os acidentados que apresentaram e nãoapresentaram sangramento local (2= 0.01; p>0.05). Após três horas do acidente, aproporção aumentou de 1:4 entre aqueles acidentados que apresentaram e nãoapresentaram eritema (2= 0.88; p>0.05) e aumentou de 1:6 entre os que apresentaram enão apresentaram sangramento local (2= 0.1; p>0.05). As distribuições dos sintomaslocais mais freqüentes nas notificações dos acidentes ofídicos de Sergipe podem serobservados na Tabela 9.A Tabela 10 mostra os demais sintomas relatados nas notificações: necrose,equimose, abcesso e bolha, gengivorragia e tempo de coagulação alterado, oligúria e anúria(envenenamento botrópico); mialgia, urina escura, ptose palpebral e diplopia(envenenamentos crotálicos e elapídico) e urina escura (envenenamento crotálico).Com relação à letalidade, não houve notificação de óbito durante o períodoanalisado.
  • 45. 31Tabela 9. Acidentes ofídicos, Sergipe (1999-2002): sintomas locais mais freqüentes nas três horasdo acidente e após este período. (f freqüência observada; (fi) freqüência esperada).Até 3 horas Soma Após 3 horas SomaDor DorSim Não Sim Nãof 50 16 66 16 3 19(fi) (44) (22) (12.66) (6.33)Ho: a proporção é 3:1 Ho: a proporção é 7:12= 0.03; p>0.05 2= 0.22; p>0.05Edema EdemaSim Não Sim Nãof 34 31 65 16 3 19(fi) (32.5) (32.5) (12.66) (6.33)Ho: a proporção é 1:1 Ho: a proporção é 7:12= 0.13; p>0.05 2= 0.22; p>0.05Eritema EritemaSim Não Sim Nãof 14 50 64 4 14 18(fi) (21.33) (42.66) (6) (12)Ho: a proporção é 1:3 Ho: a proporção é 1:42= 0.34; p>0.05 2= 0.08; p>0.05Sangramento local Sangramento localSim Não Sim Nãof 17 50 67 2 10 12(fi) (22.33) (44.66) (4) (8)Ho: a proporção é 1:3 Ho: a proporção é 1:62= 0.01; p>0.05 2= 0.1; p>0.05
  • 46. 32Tabela 10. Envenenamentos ofídicos, Sergipe: alterações locais e sistêmicas.1999 2000 2001 2002 1999 2000 2001 2002Abcesso BolhaSim 1 0 1 1 1 1 4 0Não 38 8 22 17 38 7 19 19Soma 39 8 23 18 39 8 23 19Necrose GengivorragiaSim 0 0 1 0 1 0 0 1Não 40 8 22 18 37 6 19 14Soma 40 8 23 18 38 6 19 15Tempo de coagulação alterado DiplopiaSim 2 0 3 1 2 1 1 0Não 37 6 13 15 37 6 18 20Soma 39 6 16 16 39 7 19 20Ptose palpebral MialgiaSim 0 0 1 0 5 0 5 2Não 40 7 20 19 35 7 15 16Soma 40 7 21 19 40 7 20 18Urina escura OligúriaSim 0 0 2 1 0 0 0 3Não 38 7 18 17 39 7 20 15Soma 38 7 20 18 39 7 20 18AnúriaSim 0 0 0 1Não 39 7 20 17Soma 39 7 20 18Partes do corpo atingidas e gravidade dos casosAs partes mais atingidas foram os pés e pernas (66 casos, aproximadamente 70%),seguida das mãos e braços (15 casos), cabeça (2 casos) e tórax (1 caso). As proporçõesentre as partes do corpo atingidas foi de 12:3:1:1; respectivamente, pés e pernas, mãos ebraços, cabeça e tórax (2= 5.66; p>0.05).De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde de Sergipe, os acidentes ofídicosocorridos na região foram classificados em três categorias: leves, moderados e graves; amaioria dos casos foi classificada como leve (Tabela 11).Tabela 11. Classificação de acidentes ofídicos de Sergipe quantoà gravidade dos casos .1999 2000 2001 2002 SomaLeves 34 3 13 16 66Moderados 7 0 3 3 13Graves 1 0 2 1 4Soma 42 3 18 20 83
  • 47. 332. Parâmetros biológicos do veneno de B. jararacai) Dose letal 50% (DL50)Dados brutos experimentais: Os quatro experimentos realizados variaram comrelação à proporção de animais mortos e inoculados; no geral apresentaram proporção deacordo com o aumento das doses, mas com variações extremas. Para diminuir as variaçõesos experimentos foram agrupados (Tabela 12).Regressão linear e DL50: As análises mostraram valores diferentes para oscoeficientes das regressões (b), bem como para as constantes das regressões (a), devido àsvariações nas proporções entre animais mortos e inoculados para as mesmas doses. AsDL50 de cada experimento variaram entre 32.8 a 44.1g e a análise conjunta entre osquatro experimentos mostrou valores intermediários para os parâmetros da regressão e daDL50, quando comparado com os valores dos experimentos (Tabela 13).Valores probíticos das doses: As doses dos quatro experimentos foramlogaritmizadas e substituídas nas respectivas equações de regressões (uma para cadaexperimento) para encontrar o valor probítico de cada dose (Tabela 14). As análises deregressões dos valores probíticos (y) sobre as dosagens (x) também apresentaram variaçõesentre os coeficientes das regressões. Por isso foi necessário fazer uma comparação entre asquatro retas, para encontrar uma equação geral que descrevesse os valores probíticos para adose letal 50% que representasse todos os experimentos, permitindo assim oaproveitamento de todos os dados (Tabela 15).As retas diferiram quanto ao paralelismo (F0.05(1)3;12=16.927; p<0.001) e afastamento(F0.05(1)3;12=47.684; p<0.001) (Figura 3). A dose letal 50% da equação geral obtida atravésda comparação entre as 4 retas dos experimentos foi 37.1g, valor próximo da DL50 daanálise probítica conjunta utilizando o método da OMS, que foi 37.09g. Os coeficientes econstantes das regressões foram também semelhantes entre os dois métodos. Assumi entãoque as doses letais 50% não são diferentes quando determinadas utilizando as comparaçõesentre as retas e o método probítico da OMS (Tabela 16).
  • 48. 34Tabela 12. Bothrops jararaca, proporção entre camundongosmortos e inoculados, após 48 horas de observação.Dose de veneno (µg)ExperimentosI II III IV Soma23.0 0/6 1/6 1/6 0/6 2/2427.6 0/6 0/6 2/6 0/6 2/2432.1 1/6 4/6 2/6 0/6 7/2439.7 0/6 5/6 5/6 3/6 13/2447.6 5/6 5/6 5/6 6/6 21/24Tabela 13. Bothrops jararaca, DL50 do veneno: programa probítico da OMS.b a y=a+bx Iy DL50 (µg)Experimento I 9.0153 - 9.8323 - 9.8323+9.0153x 38.1272±67.9041 44.1810Experimento II 8.076 - 7.2535 - 7.2535+8.076x 26.6044±39.5182 32.9051Experimento III 6.6686 - 5.1133 - 5.1133+6.6686x 25.5320±41.6518 32.852Experimento IV 13.0515 - 15.7375 - 15.7375+13.0515x 34.8539±45.1052 38.8054Análise conjunta 8.283 - 7.9989 - 7.9989+8.283x 34.4318±40.4588 37.0962b = coeficiente de regressãoa = constante de regressãoIy = limite de confiança inferior e superiorDL50 = dose letal 50 %, y=5Tabela 14. Bothrops jararaca, valores probíticos do número de camundongos mortos (y) sobre aconcentração de veneno (x): programa probítico da OMS.Dose de veneno (g) Experimento I Experimento II Experimento III Experimento IVx y x y x y x y23.0 1.36 3.44 1.36 3.74 1.36 3.96 1.36 2.0327.6 1.44 3.15 1.44 4.38 1.44 4.49 1.44 3.0633.1 1.51 3.86 1.51 5.02 1.51 5.02 1.51 4.0939.7 1.59 4.58 1.59 5.65 1.59 5.54 1.59 5.1247.6 1.67 5.29 1.67 6.29 1.67 6.07 1.67 6.15x = log da dosey = probit.Tabela 15. Bothrops jararaca, estatística da regressão do número de camundongos mortos (y) sobre aconcentração de veneno (x): comparação entre retasN b a y=a+bx F r2DL50 (µg)Experimento I 5 6.4809 -5.7809 -5.7809+6.4809 19.6354* 0.86 44.1810Experimento II 5 8.2687 -7.5028 -7.5028+8.2687 5875.226*** 0.99 32.5091Experimento III 5 6.8408 -5.3409 -5.3409+6.8408 5688.69*** 0.99 32.8520Experimento IV 5 13.0594 -15.7445 -15.7445+13.0594 367020.3*** 0.99 38.8054Comparação das 4 retas 20 8.5801 -8.4705 -8.4705+8.5801 16.9279* - 37.1509N = amostrasb = coeficiente de regressãoa = constante de regressãoF = Variância maior/variância menorr2= coeficiente de determinaçãoDL50 = dose letal 50%, y = 5
  • 49. 35Tabela 16. Bothrops jararaca, DL50 do veneno, comparação entre retas e programa probítico daOMS.Método b x y a Reta Probit (y=5) DL50m retas,4 experimentos8.5801 1.5174 4.5489 -8.4705 y=-84705+8.5801x 1.5699 37.1509análise conjunta,4 experimentos8.2830 - - 7.9989 y=-7.9989+8.2830x - 37.0962b = coeficiente de regressãoa = constante de regressãox = média do log da dosey = média dos probitsDL50 = dose letal 50%, y=51.36Figura 3. Regressão dos valores probíticos sobre as dosagens: comparaçõesentre as retas. Experimentos I, II, III, IV.1.671.591.511.443.02.04.05.06.0II y= -7.5+8.26xIII y= -5.34+6.84xIV y= -15.74+13.05xI y= -5.78+6.48xlog doseprobit
  • 50. 36ii) Dose mínima hemorrágica (DMH)Dados brutos experimentais: Os diâmetros das áreas hemorrágicas dos doisexperimentos variaram entre 5.0mm a 13.2mm (Tabela 17). A dose mínima hemorrágicapara uma área exata de 10mm de diâmetro foi determinada através de regressão linear dodiâmetro da área hemorrágica (y) sobre a concentração do veneno (x), cujos coeficientes econstantes das duas regressões foram próximos. Apesar destes valores próximos, optei porfazer uma análise conjunta, cujo resultado da DMH foi 0.24g, praticamente igual às dosesmínimas hemorrágicas de cada experimento, que foram 0.23g e 0.24g (Tabela 18).Tabela 17. Bothrops jararaca, diâmetro da área hemorrágica.Dose de veneno (µg) Diâmetro da área hemorrágica (mm)Experimento I0.10 - - - -0.14 5.75 6.28 9.30 11.050.18 5.17 6.58 6.86 7.570.22 9.44 9.51 10.34 11.560.26 10.09 10.34 10.40 12.86Experimento II0.14 4.78 5.75 6.28 6.770.18 6.38 8.05 8.44 9.440.22 8.95 9.09 10.34 10.580.26 9.23 10.02 10.02 10.020.30 11.05 11.78 12.15 13.25Tabela 18. Bothrops jararaca, estatística da regressão do diâmetro da área hemorrágica (mm) sobre aconcentração de veneno.N R (x) R (y) b a F r2DMH (µg)Experimento I 16 0.10 - 0.26 5.75 - 12.86 30.375 2.869 8.527 * 0.3785 0.23Experimento II 20 0.14 - 0.30 4.78 - 13.25 35.175 1.380 84.131*** 0.8238 0.24Experimento I e II 36 0.14 - 0.30 5.75 - 13.25 32.688 2.140 53.170 *** 0.610 0.24N = amostrasR = intervalos de x e yb = coeficiente de regressãoa = constante de regressãor2= coeficiente de determinaçãoDMH = dose mínima hemorrágica, y = 10mm
  • 51. 373. Eficácia das plantasi) Dose letal 50% (DL50)Foram feitos nove experimentos (três para cada planta) com os extratos da raiz deApodanthera villosa, Apodanthera glaziovii e Jatropha mollisima. A DL50 destas plantasfoi obtida através da análise conjunta de todos os experimentos, utilizando probites. Asdoses dos extratos variaram de 0.008-0.004g; 0.001-0.011g, 0.0003-0.04g,respectivamente. Para a análise da dose letal 50% da Jatropha elliptica utilizei apenas umexperimento, porque o resultado foi coerente com a relação entre os animaismortos/inoculados, proporcional ao aumento da concentração do extrato, cujas dosesvariaram de 0.01-0.03g. A tabela 19 mostra a dose letal 50% de todas as plantas utilizadas;o Apêndice 1 mostra os dados brutos da proporção de animais mortos/inoculados comrelação à concentração de extrato.Tabela 19. Dose letal 50% (DL50) dos extratos das plantas.Planta b a y=a+bx Iy DL50 (g)Apodanthera villosa 3.358 10.797 10.797+3.358x 0.0150.023 0.018Apodanthera glaziovii 3.596 12.722 12.722+3.596x 0.00590.0089 0.007Jatropha mollissima 1.831 9.910 9.910+1.831x 0.00130.003 0.002Jatropha elliptica 6.193 15.691 15.691+6.193x 0.0130.023 0.018b = coeficiente de regressãoa = constante de regressãoIy = limite de confiança inferior e superiorDL50 = dose letal 50 %, y=5
  • 52. 38ii) Inibição da letalidadeHomogeneidade entre os grupos controleForam realizados seis experimentos com as plantas; para cada experimento havia umgrupo controle. As amostras controles foram homogêneas entre si (F0.05(1)5;27=1.436;p>0.05; Tabelas 20 e 21 e Apêndice 2), mas para as análises foram agrupados somente oscontroles de cada planta.Tabela 20. Bothrops jararaca, homogeneidade entre os grupos controle: estatística dadistribuição de freqüência do tempo de sobrevida dos camundongos (h).Experimento N A x s CV IxI 6 2.66-3.66 3.0750.166 0.406 13.20 2.6483.502II 6 2.53-4.23 3.1750.274 0.671 21.13 2.473.88III 6 2.26-5.93 3.3750.642 1.574 46.63 1.7225.028IV 5 2.70-3.75 3.1840.233 0.522 16.39 2.5363.832V 5 3.00-4.93 3.6240.377 0.844 23.28 2.5764.672VI 5 3.46-5.13 4.3320.324 0.725 16.73 3.4325.232N = amostrasA = amplitudex = médiaerro padrãos = desvio padrãoCV = coeficiente de variaçãoIx = intervalo de confiança da médiaTabela 21. Bothrops jararaca, homogeneidade entre grupos controle:Anova do tempo de sobrevida dos camundongos (h).Fonte davariaçãoGraus deliberdadeSoma dosquadradosQuadradomédioFGrupos 5 5.721 1.144Erro 27 21.52 0.79711.436ns
  • 53. 391. Apodanthera villosaO primeiro experimento com o extrato da batata-de-teiú, para verificar a inibição daletalidade do veneno, foi um estudo piloto para determinar os intervalos entre as doses doextrato (Apêndice 3). Foram utilizados três grupos para comparações: um grupo controle,cujos animais receberam apenas a dose desafio de veneno (74.2g) e dois gruposexperimentais, cujos animais foram inoculados com veneno incubado com doses diferentesde extrato (0.74mg e 1.48mg, respectivamente). O tempo de sobrevida dos camundongosfoi o mesmo entre os grupos (F0.05(1)2;12=1.859; p>0.05; Tabelas 22 e 23).Desse modo encontrei o menor e o maior intervalo de doses do extrato da batata-de-teiú (0.74-1.48mg), que não neutralizaram o efeito letal do veneno. Após determinar essasconcentrações foram realizados quatro experimentos utilizando a concentração de 1mg deextrato - porque nesta concentração o extrato aumentou o tempo de sobrevida-, os quaisforam homogêneos (F0.05(1)3;42=0.857; p>0.05. Tabelas 24 e 25).Como os grupos controles e experimentais foram homogêneos, agrupei os dados decada grupo, comparando-os através de um teste de t (Student): o resultado foi significante,indicando que o extrato da batata-de-teiú (1mg) aumentou o tempo de sobrevida doscamundongos (t0.05(1);45=2.084; p<0.05; Tabela 26 e Apêndice 4).Tabela 22. Apodanthera villosa, estudo piloto: estatística da distribuição de freqüência do tempo desobrevida dos camundongos (h).GrupoDose deveneno (µg)Dose deextrato (mg)N A x s CV IxControle 74.2 - 3 1.28-2.45 1.9930.361 0.625 31.35 0.43863.548Extrato 74.2 0.74 6 1.46-3.21 2.270.229 0.562 24.75 1.682.8674.2 1.48 6 0.75-2.15 1.650.213 0.523 31.69 1.1012.199N = amostrasA = amplitudex = médiaerro padrãos = desvio padrãoCV = coeficiente de variaçãoIx = intervalo de confiança
  • 54. 40Tabela 23. Apodanthera villosa, estudo piloto: Anova do tempode sobrevida (h) dos camundongos.Fonte davariaçãoGraus deliberdadeSoma dosquadradosQuadradomédioFGrupos 2 1.156 0.5779Erro 12 3.731 0.31091.859 nsTabela 24. Apodanthera villosa, homogeneidade entre experimentos: estatística dadistribuição de freqüência do tempo de sobrevida dos camundongos (h).Experimento N A x s CV IxI 8 1.56-48.00 14.1547.391 20.905 147.6 -3.32631.633II 16 1.66-48.00 5.8682.82 11.28 192.2 -0.14111.877III 16 1.76-48.00 7.8693.917 15.668 199.1 -0.47716.217IV 8 2.3-3.38 2.8180.158 0.388 13.76 2.4113.226N = amostrasA = amplitudex = médiaerro padrãos = desvio padrãoCV = coeficiente de variaçãoIx = intervalo de confiança da médiaTabela 25. Apodanthera villosa, homogeneidade entreexperimentos: Anova do tempo de sobrevida (h) doscamundongos.Fonte davariaçãoGraus deliberdadeSoma dosquadradosQuadradomédioFGrupos 3 529.95 176.65Erro 42 8650.7 205.970.857 nsTabela 26. Apodanthera villosa, estatística da distribuição de freqüência do tempo de sobrevida dos camundongos (h).GrupoDose deveneno (µg)Dose deextrato (mg)N A x s CV Ix tControle 74.2 - 23 2.26-5.93 3.2031.182 0.875 27.31 2.8253.5812.084 **Extrato 74.2 1.0 46 1.56-48.0 7.6092.106 14.283 187.7 3.36411.854N = amostrasA = amplitudex = médiaerro padrãos = desvio padrãoCV = coeficiente de variaçãoIx = intervalo de confiança da média
  • 55. 412. Apodanthera glazioviiForam realizados três experimentos com o extrato da cabeça-de-negro (1mg); asamostras foram homogêneas (F0.05(1)2;31=2.872; p>0.05. Tabelas 27 e 28) e agrupadas nasanálises seguintes. Além desta dose de extrato foram também testadas as doses de 1.48mg,3.0mg e 5.0mg, de acordo com a DL50 do extrato (ver tabela 19). Quando comparadas como grupo controle nenhuma dose alterou o tempo de sobrevida dos camundongos(F0.05(1)4;63=0.544; p>0.05. Tabelas 29 e 30 e Apêndice 5).Tabela 27. Apodanthera glaziovii, homogeneidade entre experimentos: estatística dadistribuição de freqüência do tempo de sobrevida dos camundongos (h).Experimento N A x s CV IxI 6 2.13-48.0 10.7157.468 18.292 170.7 -8.48429.914II 5 2.23 2.230.0 0.0 0.0 2.23III 23 2.05-4.3 2.930.115 0.551 18.8 2.6913.168N = amostrasA = amplitudex = médiaerro padrãos = desvio padrãoCV = coeficiente de variaçãoIx = intervalo de confiança da médiaTabela 28. Apodanthera glaziovii, homogeneidade entreexperimentos: Anova do tempo de sobrevida (h) doscamundongos.Fonte davariaçãoGraus deliberdadeSoma dosquadradosQuadradomédioFGrupos 2 311.20 155.60Erro 31 1679.6 54.1822.872 nsTabela 29. Apodanthera glaziovii, estatística da distribuição de freqüência do tempo de sobrevida doscamundongos (h).GrupoDose deveneno (µg)Dose deextrato (mg)N A x s CV IxControle 74.2 - 16 2.26-5.93 3.6140.284 1.138 31.48 3.004.221Extrato 74.2 1.00 34 2.05-48.0 4.2011.332 7.767 184.8 1.4896.91274.2 1.48 6 2.16 2.160.0 0.0 0.0 2.1674.2 3.00 6 1.35-3.45 2.0270.3 0..737 36.35 1.2532.874.2 5.00 6 1.06-1.56 1.2970.08 0.218 16.80 1.0681.526N = amostrasA = amplitudex = médiaerro padrãos = desvio padrãoCV = coeficiente de variaçãoIx = intervalo de confiança da média
  • 56. 42Tabela 30: Apodanthera glaziovii, Anova do tempo de sobrevida(h) dos camundongos.Fonte davariaçãoGraus deliberdadeSoma dosquadradosQuadradomédioFGrupos 4 69.532 17.383Erro 63 2013.2 31.9560.544 ns3. Jatropha mollissimaForam realizados dois experimentos com o extrato do pinhão-bravo (1mg), os quaisforam homogêneos (t0.05(2)10=0.991; p>0.05; Tabela 31) e agrupados para comparação como grupo controle. O extrato aquoso do pinhão-bravo não alterou o tempo de sobrevida dosanimais (t0.05(1)19=0.631; p>0.05. Tabela 32 e Apêndice 6).Tabela 31. Jatropha mollissima, homogeneidade entre experimentos: estatística da distribuição de freqüência do tempode sobrevida dos camundongos (h).GrupoDose deveneno (µg)Dose deextrato (mg)N A x s CV Ix tControle 74.2 - 6 2.35-48.0 10.0187.597 18.608 185.7 -9.51229.5490.991 nsExtrato 74.2 1.0 6 1.55-3.33 2.4850.254 0.623 25.07 1.833.14N = amostrasA = amplitudex = médiaerro padrãos = desvio padrãoCV = coeficiente de variaçãoIx = intervalo de confiança da médiaTabela 32. Jatropha mollissima: estatística da distribuição de freqüência do tempo de sobrevida dos camundongos (h).GrupoDose deveneno (µg)Dose deextrato (mg)N A x s CV Ix tControle 74.2 - 10 2.70-5.13 3.7580.268 0.849 22.59 3.1514.3650.631 nsExtrato 74.2 1.0 16 1.55-48.0 6.5174.15 13.763 211.1 -2.72815.763
  • 57. 434. Jatropha ellipticaForam feitos cinco experimentos com o extrato da batata-de-teiú, com dosesvariando entre 0.74-10mg (ver tabela 19 e Apêndice 7). Não houve alteraçõessignificativas no tempo de sobrevida dos camundongos submetidos ao veneno mais oextrato (F0.05(1)5;39=0.727; p>0.05. Tabela 34). A tabela 33 mostra a estatística dadistribuição de freqüência do tempo de sobrevida dos animais.Tabela 33. Jatropha elliptica, estatística da distribuição de freqüência do tempo de sobrevida doscamundongos (h).GrupoDose deveneno (µg)Dose deextrato (mg)N A x s CV IxControle 74.2 - 11 2.66-4.93 3.3250.202 0.670 20.15 2.8743.775Extrato 74.2 0.74 6 2.25-3.26 2.9450.144 0.353 11.98 2.5743.31674.2 1.00 6 2.00-3.53 2.8420.207 0.508 17.87 2.3083.37574.2 1.48 6 1.63-3.38 2.730.247 0.605 22.16 2.0943.36674.2 5.00 8 1.48-48.0 7.8415.74 16.236 207.0 -5.73421.41774.2 10.00 8 1.4-2.68 2.0830.196 0.555 26.64 1.6182.547N = amostrasA = amplitudex = médiaerro padrãos = desvio padrãoCV = coeficiente de variaçãoIx = intervalo de confiança da médiaTabela 34. Jatropha elliptica, Anova do tempo de sobrevida (h)dos camundongos.Fonte davariaçãoGraus deliberdadeSoma dosquadradosQuadradomédioFGrupos 5 173.16 34.632Erro 39 1855.6 47.5800.727 ns
  • 58. 44iii) Inibição da hemorragia local1. Apodanthera villosaForam realizados três experimentos de hemorragia local com o veneno e extrato dabatata-de-teiú (1.0, 3.0 e 6.0mg); para cada experimento havia um grupo controle. Oprimeiro passo foi verificar a homogeneidade entre os grupos controles; as amostras foramhomogêneas (F0.05(1)2;7=3.273; p>0.05; Tabelas 35 e 36). Para cada dose de extrato, oexperimento foi repetido duas vezes; como as amostras apresentaram homogeneidade,foram agrupadas nas demais comparações (ver Tabela 37 e Apêndice 8).Com relação ao diâmetro da área hemorrágica induzida pelo veneno de B. jararaca,os resultados mostraram diferenças significativas entre os camundongos do grupo controlee dos grupos experimentais (F0.05(1)3;31=49.84; p<0.001; Tabelas 38 e 39). Comparado como grupo controle, o extrato aquoso de A. villosa nas concentrações de 1.0, 3.0 e 6.0mgreduziu o diâmetro da área hemorrágica induzida pelo veneno (q0.05;4;31=6.078; p<0.05,q0.05;4;31=12.349; p<0.05 e q0.05;4;31=15.887; p<0.05, respectivamente; Figura 4). Embora asdoses de 3.0mg e 6.0mg do extrato tenham apresentado reduções estatisticamente próximasnos diâmetros das áreas hemorrágicas (q0.05;4;31=3.357; p>0.05), estas foram diferentesquando comparadas com a dose de 1mg (q0.05;4;31=6.307; p<0.05 e q0.05;4;31=9.762; p<0.05).A tabela 40 mostra estas comparações.Tabela 35. Apodanthera villosa, homogeneidade entre os grupos controle: estatística dadistribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica (mm).Experimento N A x s CV IxI 4 16.31-20.25 18.080.986 1.973 10.91 14.94121.219II 3 16.62-19.61 18.1170.863 1.495 8.25 14.40321.831III 3 12.91-17.44 14.4871.478 2.560 17.67 8.12820.846N = amostrasA = amplitudex = médiaerro padrãos = desvio padrãoCV = coeficiente de variaçãoIx = intervalo de confiança da médiaTabela 36. Apodanthera villosa, homogeneidade entre gruposcontrole: Anova, diâmetro da área hemorrágica (mm).Fonte davariaçãoGraus deliberdadeSoma dosquadradosQuadradomédioFGrupos 2 27.355 13.678Erro 7 29.249 4.1783.273 ns
  • 59. 45Tabela 37. Apodanthera villosa, homogeneidade entre experimentos: estatística da distribuição de freqüênciado diâmetro da área hemorrágica (mm).Dose deextrato/animalExperimento N A x s CV Ix tI 5 9.77-14.45 12.1520.84 1.88 15.47 9.81814.4861mgII 4 12.05-13.25 12.4530.273 0.547 4.39 11.58213.3230.305 nsI 4 4.06-9.77 6.6331.202 2.404 36.24 2.80710.4583mgII 4 3.90-11.17 7.5631.531 3.062 40.48 2.69112.4340.477 nsI 4 4.65-6.48 5.5430.385 0.77 13.89 4.3166.7696mgII 4 7.98 2.9701.906 3.81 128.3 -3.0969.0361.323 nsN = amostrasA = amplitudex = médiaerro padrãos = desvio padrãoCV = coeficiente de variaçãoIx = intervalo de confiança da médiaTabela 38. Apodanthera villosa, estatística da distribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica(mm).GrupoDose deveneno (µg)Dose deextrato (mg)N A x s CV IxControle 1.2 - 10 12.91-20.25 17.0130.793 2.508 14.74 15.21918.807Extrato 1.2 1.0 9 9.77-14.45 12.2860.460 1.380 11.23 11.22513.3471.2 3.0 8 3.90-11.17 7.0980.918 2.597 36.58 4.9269.2691.2 6.0 8 7.98 4.2561.023 2.894 67.99 1.8366.676Tabela 39. Apodanthera villosa, Anova, diâmetro da área hemorrágica(mm).Fonte davariaçãoGraus deliberdadeSoma dosquadradosQuadradomédioFGrupos 3 856.91 285.64Erro 31 177.66 5.73149.84 ***Tabela 40. Apodanthera villosa (E), teste deTukey, diâmetro da área hemorrágica (mm).Comparação MédiaControle x E1 4.727 ***Controle x E2 9.916 ***Controle x E3 12.757 ***E1 x E2 5.188 ***E1 x E3 8.029 ***E2 x E3 2.841 nsControle = veneno de B. jararaca (1.2µg)E1 = veneno e extrato (1mg)E2 = veneno e extrato (3mg)E3 = veneno e extrato (6mg)
  • 60. 46Figura 4. Apodanthera villosa, manchas hemorrágicas: grupo experimental (extrato e veneno) e controle(veneno).*** inibição significativa da hemorragia1mg*** de extrato e 1.2g de veneno 3mg*** de extrato e 1.2g de veneno6mg*** de extrato e 1.2g de veneno Grupo controle: 1.2g de veneno
  • 61. 472. Apodanthera glazioviiForam realizados dois experimentos com o extrato da cabeça-de-negro. Em cadaexperimento o extrato foi testado nas doses de 1.0, 3.0, 6.0 e 10.0mg e comparados com ogrupo controle (Apêndice 9). As amostras controles foram homogêneas (t0.05(2)5=0.015;p>0.05; Tabela 41), assim como entre as doses de extrato (Tabela 42).Os diâmetros das áreas hemorrágicas induzidas pelo veneno foram significantementediferentes entre os camundongos dos grupos controles e experimentais (F0.05(1)4;34=18.428;p<0.001; Tabelas 43 e 44). O extrato aquoso de A. glaziovii nas concentrações de 1.0, 3.0,6.0 e 10mg reduziu o diâmetro da área hemorrágica quando comparado com o grupocontrole (Tukey: q0.05;5;34=6.745; p<0.05, q0.05;5;34=6.932; p<0.05; q0.05;5;34=11.272; p<0.05e q0.05;5;34=9.771; p<0.05, respectivamente; Figura 5). A significância das áreashemorrágicas foram iguais entre as concentrações de 1.0mg, 3.0 e 10.0mg (q0.05;5;34=0.194;p>0.05, q0.05;5;34=3.133; p>0.05 e q0.05;5;34=2.938; p>0.05) e entre 6.0 e 10.0mg(q0.05;5;34=1.553; p>0.05); mas foram diferentes entre as concentrações de 1.0 e 6.0mg(q0.05;5;34=4.686; p<0.05) e 3.0 e 6.0mg (q0.05;5;34=4.492; p<0.05). A Tabela 45 mostra ascomparações simultâneas entre as médias de todos os grupos testados.Tabela 41. Apodanthera glaziovii, homogeneidade entre os grupos controle: estatística dadistribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica (mm).Experimento N A x s CV Ix tI 4 12.91-16.89 14.4630.85 1.702 11.76 11.75517.1700.015 nsII 3 12.91-17.44 14.4871.478 2.56 17.67 8.12820.846N = amostrasA = amplitudex = médiaerro padrãos = desvio padrãoCV = coeficiente de variaçãoIx = intervalo de confiança da média
  • 62. 48Tabela 42. Apodanthera glaziovii, homogeneidade entre experimentos: estatística da distribuição defreqüência do diâmetro da área hemorrágica (mm).Dose deextratoExperimento N A x s CV Ix tI 4 4.51-12.26 9.5351.733 3.466 36.35 4.02115.0491mgII 4 5.86-12.10 9.3431.442 2.884 30.86 4.75413.9310.085 nsI 2 8.66-8.95 8.8050.145 0.205 2.32 6.96310.6473mgII 6 8.52-10.15 9.4630.267 0.655 6.92 8.77510.1521.334 nsI 4 4.65-6.58 5.2950.442 0.884 16.69 3.8876.7036mgII 4 5.75-9.09 6.8250.763 1.527 22.37 4.3959.2551.734 nsI 4 5.64-6.77 6.390.257 0.514 8.04 5.5727.20810mgII 4 5.17-12.91 7.971.73 3.46 43.41 2.46513.4750.903 nsN = amostrasA = amplitudex = média erro padrãos = desvio padrãoCV = coeficiente de variaçãoIx = intervalo de confiança da médiaTabela 43. Apodanthera glaziovii, estatística da distribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica(mm).GrupoDose deveneno (µg)Dose deextrato (mg)N A x s CV IxControle 1.2 - 20 12.91-22.20 17.1750.623 2.789 16.23 15.86918.48Extrato 1.2 1.0 8 4.51-12.26 9.4391.044 2.953 31.28 6.96911.9081.2 3.0 8 8.52-10.15 9.2990.225 0.637 6.85 8.7669.8321.2 6.0 8 4.65-9.09 6.0600.500 1.416 23.36 4.8767.2441.2 10.0 8 5.17-12.91 7.1800.862 2.441 33.99 5.1399.221N = amostrasA = amplitudex = média erro padrãos = desvio padrãoCV = coeficiente de variaçãoIx = intervalo de confiança da médiaTabela 44. Apodanthera glaziovii, Anova, diâmetro da área hemorrágica(mm).Fonte davariaçãoGraus deliberdadeSoma dosquadradosQuadradomédioFGrupos 4 306.60 76.651Erro 34 141.42 4.15918.428 ***
  • 63. 49Tabela 45. Apodanthera glaziovii (E), teste de Tukey,diâmetro da área hemorrágica (mm).Comparação médiaControle x E1 5.034 ***Controle x E2 5.174 ***Controle x E3 8.413 ***Controle x E4 7.293 ***E1 x E2 0.140 nsE1 x E4 2.259 nsE2 x E4 2.119 nsE1 x E3 3.379 *E2 x E3 3.239 *E3 x E4 1.120 nsControle = veneno de B. jararaca (1.2µg)E1 = veneno e extrato (1mg)E2 = veneno e extrato (3mg)E3 = veneno e extrato (6mg)E4 = veneno e extrato (10mg)
  • 64. 50Figura 5. Apodanthera glaziovii, manchas hemorrágicas: grupo experimental (extrato e veneno) e controle(veneno).*** inibição significativa da hemorragia1mg*** de extrato e 1.2g de veneno 3mg*** de extrato e 1.2g de veneno6mg*** de extrato e 1.2g de veneno 10mg*** de extrato e 1.2g de venenoGrupo controle: 1.2g de veneno
  • 65. 513. Jatropha mollissimaForam realizados quatro experimentos com as doses de 1.0, 3.0 e 6.0mg do extratodo pinhão bravo (Apêndice 10). As amostras controles foram homogêneas e puderam seragrupadas para análise (F0.05(1)3;9=1.754; p>0.05; Tabelas 46 e 47), bem como o foram asamostras de cada dose de extrato testada, as quais mostraram homogeneidade (Tabela 48).Os diâmetros das áreas hemorrágicas induzidas pelo veneno mostraram diferençassignificantes entre os camundongos dos grupos controles e experimentais(F0.05(1)3;39=25.712; p<0.001; Tabelas 49 e 50). Nas doses de 3.0 e 6.0mg o extrato reduziuo diâmetro da área hemorrágica (q0.05;4;39=9.0; p<0.05 e q0.05;4;39=9.488; p<0.05; Tabela 40;Figura 6). A dose de 1mg de extrato não foi significantemente diferente do controle(q0.05;4;39=0.759; p>0.05; Tabela 51). As significâncias das áreas hemorrágicas foram iguaisentre as concentrações de 2.0 e 3.0mg (q0.05;4;39=0.192; p>0.05). As demais comparaçõesapresentaram variações com relação à significância (Tabela 51).Tabela 46. Jatropha mollissima, homogeneidade entre os grupos controle: estatística dadistribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica (mm).Experimento N A x s CV IxI 4 12.91-16.89 14.4630.85 1.702 11.76 11.75517.170II 2 12.91-13.11 13.010.1 0.141 1.08 11.73914.281III 2 14.93-16.43 15.680.75 1.061 6.76 6.15125.210IV 5 12.10-14.67 13.7860.47 1.051 7.62 12.48115.091N = amostrasA = amplitudex = médiaerro padrãos = desvio padrãoCV = coeficiente de variaçãoIx = intervalo de confiança da médiaTabela 47. Jatropha mollissima, homogeneidade entre os gruposcontrole: Anova, diâmetro da área hemorrágica (mm).Fonte davariaçãoGraus deliberdadeSoma dosquadradosQuadradomédioFGrupos 3 8.331 2.777Erro 9 14.251 1.5831.745 ns
  • 66. 52Tabela 48. Jatropha mollissima, homogeneidade entre os experimentos: estatística da distribuição defreqüência do diâmetro da área hemorrágica (mm).Dose deextrato/animalExperimento N A x s CV Ix tI 7 6.77-16.85 12.2391.408 3.724 30.42 8.79415.6831mgII 4 13.82-17.48 16.0200.784 1.570 9.8 13.52318.5171.901 nsI 3 5.97-9.44 7.4831.026 1.777 23.74 3.06911.8983mgII 6 4.51-10.03 7.1050.944 2.314 32.56 4.6769.5340.246 nsI 3 7.31-13.96 9.291.935 3.352 36.08 0.96217.6176mgII 7 4.22-9.44 6.1260.686 1.816 29.64 4.4467.8051.995 nsN = amostrasA = amplitudex = médiaerro padrãos = desvio padrãoCV = coeficiente de variaçãoIx = intervalo de confiança da médiaTabela 49. Jatropha mollissima, estatística da distribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica(mm).GrupoDose deveneno (µg)Dose deextrato (mg)N A x s CV IxControle 1.2 - 13 12.10-16.89 14.1660.38 1.372 9.68 13.33714.995Extrato 1.2 1.0 11 6.77-17.48 13.6141.07 3.564 26.17 11.22016.0081.2 3.0 9 4.51-10.03 7.2320.68 2.042 28.23 5.6628.8021.2 6.0 10 4.22-13.16 7.0750.83 2.652 37.48 5.1788.972Tabela 50. Jatropha mollissima, Anova, diâmetro da área hemorrágica (mm).Fonte davariaçãoGraus deliberdadeSoma dosquadradosQuadradomédioFGrupos 3 487.04 162.35Erro 39 246.24 6.31425.712 ***Tabela 51. Jatropha mollissima (E), teste de Tukey,diâmetro d área hemorrágica (mm).Comparação MédiaControle x E1 0.5525 nsControle x E2 6.934 ***Controle x E3 7.091 ***E1 x E2 6.381 ***E1 x E3 6.539 ***E2 x E3 0.1572 nsControle = veneno de B. jararaca (1.2µg)E1 = veneno e extrato (1mg)E2 = veneno e extrato (3mg)E3 = veneno e extrato (6mg)
  • 67. 53Figura 6. Jatropha mollissima, manchas hemorrágicas: grupo experimental (extrato e veneno) e controle(veneno).*** inibição significativa da hemorragia; ns, não significante.1mgnsde extrato e 1.2g de veneno 3mg*** de extrato e 1.2g de veneno6mg*** de extrato e 1.2g de veneno Grupo controle: 1.2g de veneno
  • 68. 544. Jatropha ellipticaForam realizados quatro experimentos com as doses de 1.0, 3.0, 6.0 e 10mg doextrato da batata-de-teiú (Apêndice 11). As amostras controles foram homogêneas epuderam ser agrupadas para análise (F0.05(1)3;12=2.639; p>0.05; Tabelas 52 e 53), assimcomo o foram as amostras de cada dose de extrato testada, as quais mostraramhomogeneidade (Tabela 54).Os diâmetros das áreas hemorrágicas induzidas entre os camundongos dos gruposcontroles e experimentais foram significantemente diferentes (F0.05(1)4;43=47.387; p<0.001;Tabelas 55 e 56). O extrato nas doses de 6.0 e 10.0mg reduziu o diâmetro da áreahemorrágica (q0.05;5;43=14.988; p<0.05 e q0.05;5;43=15.560; p<0.05. Tabela 57; Figura 7). Asdoses de 1.0 e 3.0mg de extrato não apresentaram diferenças significantes em relação aogrupo controle (q0.05;5;43=4.024; p>0.05 e q0.05;5;43=3.071; p>0.05; Tabela 46). Asignificância das áreas hemorrágicas foram iguais entre as concentrações de 1.0 e 3.0mg(q0.05;5;43=0.677; p>0.05); 6.0 e 10.0mg (q0.05;5;43=1.014; p>0.05). As demais comparaçõesapresentaram variações com relação à significância (Tabela 57).Tabela 52. Jatropha elliptica, homogeneidade entre os grupos controle: estatística dadistribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica (mm).Experimento N A x s CV IxI 5 13.96-22.20 19.411.42 3.176 16.36 15.46923.355II 5 16.31-20.25 18.5020.872 1.952 10.55 16.07920.925III 3 16.62-19.61 18.1170.863 1.495 8.25 14.40321.831IV 3 12.91-17.44 14.4871.478 2.560 17.67 8.12820.846N = amostrasA = amplitudex = médiaerro padrãos = desvio padrãoCV = coeficiente de variaçãoIx = intervalo de confiança da médiaTabela 53. Jatropha elliptica, homogeneidade entre os gruposcontrole: Anova, diâmetro da área hemorrágica (mm).Fonte davariaçãoGraus deliberdadeSoma dosquadradosQuadradomédioFGrupos 3 48.276 16.092Erro 12 73.162 6.0972.639 ns
  • 69. 55Tabela 54. Jatropha elliptica, homogeneidade entre experimentos: estatística da distribuição de freqüência dodiâmetro da área hemorrágica (mm).Dose deextrato/animalExperimento N A x s CV Ix tI 5 13.61-20.09 15.9661.318 2.948 18.46 12.30619.6261mgII 3 8.59-14.4 11.51.677 2.905 25.26 4.28318.7172.093 nsI 5 13.25-19.93 16.5141.255 2.806 16.99 13.03019.9983mgII 2 8.37-14.27 11.322.95 4.172 36.85 -26.16348.8031.620 nsI 5 2.52-10.46 6.071.516 3.389 55.83 1.8630.2806mgII 4 1.95-5.97 3.2330.927 1.855 57.37 10.2776.1841.597 nsI 4 2.76-6.38 4.190.777 1.555 37.11 1.7166.66410mgII 4 2.76-3.9 3.3530.245 0.49 14.61 2.5734.1321.027 nsN = amostrasA = amplitudex = médiaerro padrãos = desvio padrãoCV = coeficiente de variaçãoIx = intervalo de confiança da médiaTabela 55. Jatropha elliptica, estatística da distribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica(mm).GrupoDose deveneno (µg)Dose deextrato (mg)N A x s CV IxControle 1.2 - 16 12-91-22.2 17.9610.711 2.845 15.83 16.44519.477Extrato 1.2 1.0 8 8.59-20.09 14.2911.261 3.567 24.95 11.30917.2731.2 3.0 7 8.37-19.93 15.031.443 3.818 25.40 11.49918.5611.2 6.0 9 1.95-10.46 4.8091.015 3.045 63.31 2.4697.1491.2 10..0 8 2.76-6.38 3.7710.409 1.157 30.68 2.8034.739Tabela 56. Jatropha elliptica, Anova, diâmetro da área hemorrágica (mm).Fonte davariaçãoGraus deliberdadeSoma dosquadradosQuadradomédioFGrupos 4 1681.6 420.39Erro 43 381.47 8.87147.387 ***
  • 70. 56Tabela 57. Jatropha elliptica (E), teste de Tukey,diâmetro da área hemorrágica (mm).Comparação MédiaControle x E1 3.670 nsControle x E2 2.931 nsControle x E3 3.152 ***Controle x E4 14.190 ***E1 x E2 0.7387 nsE1 x E3 9.482 ***E1 x E4 10.520 ***E2 x E3 10.221 ***E2 x E4 11.259 ***E3 x E4 1.038 nsControle = veneno de B. jararaca (1.2µg)E1 = veneno e extrato (1mg)E2 = veneno e extrato (3mg)E3 = veneno e extrato (6mg)E3 = veneno e extrato (10.0mg)
  • 71. 57Figura 7. Jatropha elliptica, manchas hemorrágicas: grupo experimental (extrato e veneno) e controle(veneno).*** inibição significativa da hemorragia; ns, não significante.1mgnsde extrato e 1.2g de veneno 3mgnsde extrato e 1.2g de veneno6mg*** de extrato e 1.2g de venenoGrupo controle: 1.2g de veneno10mg*** de extrato e 1.2g de veneno
  • 72. 58Verificação da atividade hemorrágica dos extratos: Os extratos das plantas não apresentaramatividade hemorrágica (Figura 8 e 9; Apêndice 12).Apodanthera villosa (batata-de-teiú)Apodanthera glaziovii(cabeça-de-negro)Figura 8. Manchas hemorrágicas dos extratos das plantas: Apodanthera villosa e Apodanthera glaziovii.1mg de extrato1mg de extrato3mg de extrato 6mg de extrato3mg de extrato6mg de extrato 10mg de extrato
  • 73. 59Jatropha elliptica (batata-de-teiú)Figura 9. Manchas hemorrágicas dos extratos das plantas: Jatropha mollissima e Jatropha elliptica6mg de extrato 10mg de extrato1mg de extrato 3mg de extratoJatropha mollissima (pinhão-bravo)1mg de extrato 6mg de extrato3mg de extrato
  • 74. 60Discussão1. Epidemiologia dos acidentes ofídicosVital Brazil e a epidemiologia de acidentes ofídicosO primeiro estudo epidemiológico de acidentes ofídicos no Brasil foi realizado porVital Brazil, em 1901, registrando o número de óbitos por picadas de serpentes no Estadode São Paulo em 1897, 1899 e 1900 (Brazil, 1901). Vital Brazil produziu as primeirasampolas de soro antiveneno e as distribuía através do Instituto Butantan, juntamente com o“Boletim para observação de accidente ophidico”, para ser preenchido com dadosreferentes ao acidente com serpente. O soro era obtido de imunoglobulinas IgG de cavalos,através da hiperimunização dos eqüinos com venenos específicos e para isso eramnecessários obter os venenos, principalmente de Crotalus e Bothrops. A técnica que eleutilizava era simples e funcionava muito bem: estimulava o envio de serpentes de diversasregiões para o Butantan, as quais eram transportadas por via férrea, e não só enviava aosdoadores laços e caixas, inventados por ele para capturar e manter as cobras, masprincipalmente, enviava também soros antibotrópico e anticrotálico aos doadores (VitalBrazil, 1987; Raw & Sant´Anna, 2002).Até 1945, foram realizados estudos epidemiológicos dos acidentes ofídicos apenasnos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, o que pode ser explicado pelalocalização dos Institutos públicos que produziam antivenenos: Instituto Serumterápico(atualmente Instituto Butantan), em São Paulo, fundado em 1897; Instituto Vital Brazil, noRio de Janeiro, fundado em 1919; e a Fundação Ezequiel Dias, em Minas Gerais, fundadaem 1907 (Raw et al., 1991; Bochner & Struchiner, 2003).Entre 1946 e 1953 não foram publicados trabalhos sobre epidemiologia de acidentesofídicos; a maior concentração de estudos epidemiológicos foi durante 1986 a 1993,possivelmente devido ao bom funcionamento do sistema de informação dos acidentes poranimais peçonhentos na época, que condicionava a distribuição do soro às notificações doscasos (Nishioka & Silveira, 1992; Silveira & Nishioka, 1992; Ribeiro et al., 1993).
  • 75. 61A revisão mais recente sobre epidemiologia de acidentes ofídicos no Brasil, durante1901 a 2000, é a de Bochner & Struchiner (2003). Eles apresentaram um perfilepidemiológico dos acidentes com serpentes de acordo com as principais variáveisutilizadas nestes estudos, e concluíram que o perfil epidemiológico não havia mudadosubstancialmente, ocorrendo ainda conforme descrito em 1911 por Vital Brazil no trabalho“A defesa contra o ophidismo”.Os métodos populares utilizados nos acidentes ofídicosAs representações populares, com seus métodos alternativos para tratar os diversosmales que acometem as comunidades carentes da caatinga, são ainda muito fortes, comoacontece também em todas as regiões da América Latina, envolvendo rituais e preparadosdiversos (Otero, Fonnegra & Jiménez, 2000; Grenand, 1977). Os ritos em todas as regiões,no geral, têm em comum a finalidade de afastar entidades espirituais ruins, as quais estãocontidas no veneno. Na Amazônia, por exemplo, os índios yanomami não reconhecem asserpentes nas categorias venenosas ou não, mas sim pelos espíritos que representam,chamados Riori. As serpentes (e outros animais, como lagartos e sapos) têm espíritos queo xamã tenta retirá-los quando em contato com algum yanomami, muitas vezes comsucesso, mas deixa sempre seqüelas no local da picada, caso o contato tenha sido comBothrops, Bothriopsis ou Lachesis (Carvalho, com.pes.).Os preparados contra envenenamentos ofídicos possuem as mais diversas misturas,porém todas têm plantas como constituintes. Um dos mais famosos contravenenos é oEspecífico Pessoa, fabricado em Sobral, no Ceará, elaborado com a raiz de uma plantaconhecida como cabeça-de-negro. Nakagawa et al. (1982) isolaram as cabenegrinas I e IIdesta planta, relatando que estes compostos têm propriedades antiofídicas, porém elesomitiram a espécie, citando apenas o nome popular. O contraveneno Pau X, produzido noPará, é indicado para envenenamentos de serpentes e também para insetos venenosos.Outro específico (medicamento que tem ação especial contra determinada doença) utilizadonos envenenamentos ofídicos é o composto P.Esser, produzido em Santa Catarina à basedas plantas jaborandi (várias espécies de Pilocarpus, Rutaceae), mucuracaá ou pipi(Petiveria sp, Fitolacaceae) e caçau (Aristolochia sp, Aristolochiaceae). O Kutelak éproduzido no litoral norte de São Paulo, fabricado com base na planta pata-de-vaca ou
  • 76. 62mororó (Bauhinia sp, Leguminosae), recomendada para picadas de cobras, insetos,escorpiões e aranhas (Cardoso, 2003).Os produtos antiofídicos populares mais comercializados em Sergipe foram o “PóContraveneno”, fabricado em Feira de Santana, Bahia e o permanganato de potássio,ambos vendidos nas feiras livres e nas casas de produtos agropecuários. Durante aexecução deste estudo fui a Feira de Santana procurar o fabricante do contraveneno, mas,ambos, produto e fabricante, são mantidos em segredo. Quanto ao permanganato depotássio, é interessante notar que o método ainda existe popularmente, apesar de não serutilizado nas unidades de saúde desde a época de Calmette e Vital Brazil (Hawgood, 1992).Fitoterapia e ofidismo na região de SergipeMuitas plantas têm sido citadas na literatura como antiofídicas, porém a maioriadestas são recomendadas com base apenas no conhecimento popular. Mors (1991) e Martz(1992) encontraram na literatura 578 espécies de plantas, pertencentes a 94 famílias,citadas como antiofídicas. Otero Fonnegra & Jiménez (2000) relatam que mais da metadedos acidentes ofídicos das regiões de Antióquia e Choco, Colombia (aproximadamente250-300 casos por ano) são tratados com fitoterápicos e benzeduras. Nestas regiões, elesidentificaram 105 espécies de plantas utilizadas como antiofídicas, a metade destasadministrada na forma de extratos associados com aguardente. As demais são aplicadas naforma de vapores e banhos externos, muitas vezes mesclando estas formas de uso.Durante a execução deste estudo visitei várias vezes a região de Curituba, com asfinalidades de coletar plantas para fazer os extratos e obter informações sobre o uso que sefazem destas. Atualmente são poucos os benzedores naquela região; eles informaramaproximadamente 30 plantas da caatinga que são utilizadas para tratar diversos males, amaioria como antiinflamatórias. As três plantas utilizadas como antiofídicas na caatinga,Apodanthera villosa (batata-de-teiú), A. glaziovii (cabeça-de-negro) e Jatropha mollissima(pinhão-bravo) não são citadas na literatura especializada, apesar de os nomes popularesserem citados e recomendados em casos de picadas de cobras (Mors, 1991; Nakagawa etal., 1972; Braga, 1960).Outros aspectos sobre a fitoterapia, relacionados aos constituintes químicos dasplantas que atuam inibindo as ações sistêmicas e locais provocadas pelo veneno de
  • 77. 63serpentes são abordados mais à frente, juntamente com a discussão dos resultados dosextratos, os quais inibiram a hemorragia causada pelo veneno de B. jararaca, mas apenas abatata-de-teiú retardou os efeitos de letalidade.Envenenamentos por serpentes e soroterapia em SergipeOs soros antiofídicos devem ser específicos, com exceção dos envenenamentos poralgumas espécies, como Bothrops jararacussu Lacerda, 1884, cuja mistura de venenosbotrópico e crotálico é importante para neutralizar a fração miotóxica do veneno (DosSantos et al., 1992). Desse modo, o soro antibotrópico neutraliza as ações proteolíticas,coagulantes e hemorrágicas do veneno botrópico; o soro anticrotálico neutraliza as açõesneurotóxicas, miotóxicas e coagulantes do veneno crotálico; o soro antielaquéticoneutraliza as ações proteolíticas, coagulantes, hemorrágicas e neurotóxica do venenolaquético e o soro antielapídico neutralizam as ações das neurotoxinas NTX que atuam nasjunções pré e pós-sinápticas (Brasil, 1999; Soerensen, 1990; Pinho & Pereira, 2001). OMinistério da Saúde recomenda ainda o uso do soro antibotrópico-laquético para acidentescom Bothrops e Lachesis na Amazônia.Com relação aos soros antiofídicos administrados nos acidentes que ocorreram emSergipe durante o período analisado, notei algumas contradições nas notificações,infelizmente sem poderem ser esclarecidas. Na maioria dos registros consta o gênero daserpente que causou o envenenamento e os sintomas apresentados pelo acidentado, masdentre os 95 casos notificados de envenenamentos ofídicos em Sergipe, aproximadamenteum terço não recebeu soro antiofídico. Os registros não esclarecem se o soro antivenenonão foi aplicado porque os casos foram considerados leves ou se, na realidade, estes casosforam atendidos com soroterapia, mas por qualquer razão não constam nas notificações. Osregistros também não esclarecem alguns casos nos quais a soroterapia foi aplicada, mas nãoconstam os gêneros das serpentes que causaram os envenenamentos. Outros registrosconfusos notificam envenenamentos por Crotalus, mas constam que os acidentadosreceberam soro antibotrópico e, ainda, há vários casos cujos sintomas descritos nãocondizem com o tipo de envenenamento, confundindo os sintomas de acidentes crotálicos ebotrópiocs entre si. Há várias possibilidades para explicar essas falhas, no momento não hácomo verificar a fonte de erro.
  • 78. 64A proporção de ampolas de soro utilizadas durante os quatro anos analisados foi de 7antibotrópicos: 1 antibotrópico-crotálico: 0,3 anticrotálico: 0,6 antielapídico. Aqui noteitambém outro problema nas notificações, que foi a utilização do soro antibotrópico-crotálico em alguns casos de envenenamentos botrópicos: este soro deve ser utilizadoapenas nos envenenamentos provocados por algumas espécies de Bothrops que possuemenzimas do tipo fosfolipases A2 (que têm ação miotóxica) na composição do veneno, cujasenzimas são também encontradas nos venenos de Crotalus. Nos experimentos de DosSantos et al. (1992), eles mostraram que a associação de venenos para compor o soroantibotrópico-crotálico é mais eficaz na neutralização de espécies cujo veneno tenha açãomiotóxica também, como B. jararacussu. Neste caso, o soro antibotrópico é eficaz contraeste tipo de veneno, devido às fosfolipases. Como será abordado mais à frente, as espéciesde Bothrops com provável ocorrência em Sergipe não apresentam venenos desta natureza.O soro antibotrópico-crotálico foi administrado, segundo as notificações, em casos deacidentes com cascavel, o que não é recomendável, entretanto fica a dúvida se o problemafoi na decisão ao administrar o soro ou no preenchimento das notificações.O único acidente com cobra-coral no período analisado recebeu 10 ampolas de soroantielapídico, como recomendado nos manuais (Pinho & Pereira, 2001). Devido àsconseqüências sistêmicas – parada respiratória – uma mordida de Micrurus deve sempreser considerado um caso grave. Nos dois casos de acidentes registrados como tendo sidocausados por Lachesis não constam se os acidentados receberam ou não soroterapia. Estesregistros nas notificações serão comentados a seguir.Incidência dos acidentes ofídicos e as cobras venenosas da região de SergipeDe um modo geral, embora tenham sido constatadas algumas informações confusasnas notificações, o índice anual de incidência de acidentes ofídicos na região de Sergipe ébaixo, menos de 1/ 10000 habitantes. A maioria dos acidentes ocorridos durante o períodoanalisado foi causada por Bothrops, como também acontece em todas as regiões brasileiras,seguido por acidentes com Crotalus (Feitosa, Melo & Monteiro, 1997; Nascimento, 2000;Bochner & Struchiner, 2003; Pinho e Pereira, 2001).De acordo com o setor de vigilância epidemiológica do Estado de Sergipe, muitosacidentes não são notificados, sendo tratados com terapias alternativas. Estas omissões
  • 79. 65devem contribuir para o baixo índice de acidentes notificados. A forma de ocupaçãohumana da região e os ecossistemas que compõem a região de Sergipe também devem tercontribuído para estes baixos índices: grande parte da vegetação natural de Mata Atlânticade Sergipe não existe mais, numa área cuja presença de manguezais é forte. Junto com asáreas antropizadas algumas populações de cobras devem ter diminuído por interferênciasno nicho ou caça, como as populações de Bothrops; já os manguezais não constituemhábitats para jararacas. Estes dois fatores juntos devem ter contribuído para diminuir apresença de Bothrops em Sergipe e, conseqüentemente, diminuindo também aprobabilidade de ocorrer acidentes com indivíduos desta espécie. Com relação às cascavéis,estas são de áreas abertas, caatinga ou agreste, ecossistemas que compõem mais da metadede Sergipe, porém, por alguma razão, Crotalus não é freqüente na região, o que explicaria abaixa freqüência de acidentes. Apesar de serem serpentes comuns, os acidentes comMicrurus são os menos freqüentes em todas as regiões, inclusive em Sergipe, onde ocorreuuma vez e os acidentes com Lachesis são mais comuns na Amazônia. Os dois acidentescom surucucu registrados para Sergipe são duvidosos, além do que não constam nasnotificações nenhuma aplicação de soro antilaquético durante o período analisado.Nas notificações de acidentes por animais peçonhentos, registrados pela SecretariaEstadual de Saúde, as serpentes estão identificadas até gênero, mas não há informaçõessobre como foram feitas as identificações (provavelmente através dos sintomasapresentados pelos acidentados), como também são inexistentes na literatura informaçõessobre a ofidiofauna da região.Duas famílias de serpentes venenosas ocorrem na mata atlântica, agreste e caatinga deSergipe: Viperidae (subfamília Crotalinae, representada pelo gênero Crotalus e subfamíliaViperinae, representada por Bothrops; a ocorrência de Lachesis em Sergipe é duvidosa). Asespécies de Bothrops com possíveis ocorrências para a região são (Campbell & Lamar,1989; Peters & Orejas-Miranda, 1980; Vanzolini et.al, 1980; Ferrarezi & Freire, 2001):B.moojeni Hoge, 1966; B.erythromelas Amaral, 1923; B.neuwiedi piauhyensis Amaral,1925; B.leucurus (Wagler, 1824); B.pirajai Amaral, 1923 e B.muriciensis Ferrarezi &Freire, 2001. A cascavel de Sergipe pode ser Crotalus durissus cascavella Wagler, 1824; acobra-coral é provavelmente Micrurus ibiboboca Merrem, 1820 (Vanzolini et al., 1980).
  • 80. 66As identificações são fáceis, embora devam ser feitas por um profissional (Vanzoliniet al., 1980). Micrurus tem coloração característica, constituída por anéis vermelhos, pretose brancos, arranjados em tríades. A espécie que pode ser confundida com a cobra coral éOxyrhopus trigeminus, conhecida também como coral, mas é facilmente diferenciada deMicrurus porque esta tem os anéis completos em volta do corpo. As corais são comuns emSergipe, principalmente na época das chuvas, quando aparecem mais (Carvalho, com.pes.). Bothrops e Crotalus são semelhantes morfologicamente; Crotalus tem umcrepitáculo na ponta da cauda e as escamas internasais e prefrontais diferenciadas,separadas por uma sutura transversal reta, subcaudais simples; Bothrops tem o topo dofocinho coberto por escamas irregulares, internasais arredondadas e subcaudais duplas.Lachesis tem as escamas fortemente carenadas, lembrando a parte externa do sincarpo(pseudocasca) das jacas, a qual apresenta numerosos “picos” (espinhos, bicos) quandomadura, daí seu nome surucucu-pico-de-jaca.As duas notificações de acidentes por Lachesis foram para as regiões de NossaSenhora das Dores e Lagarto, ambas situadas no agreste. A forma de provável ocorrênciaem Sergipe é L.muta rhombeata Wied, 1824, que se distribui na Mata Atlântica do Alagoasaté o Rio de Janeiro (Vanzolini, 1986; Hoge & Romano-Hoge, 1976-1977). Não existeevidência da ocorrência de surucucu em Sergipe, sendo improvável a ocorrência destaespécie em áreas de agreste. Nos trabalhos de campo para coleta de plantas e demais dadospara compor o trabalho, houve referências inequívocas de jararaca, cascavel e cobra-coral,além de vários exemplares coletados, mas os moradores não souberam responder sobre apresença da surucucu, uma cobra facilmente idenficável quando ocorre numa região,devido ao seu porte, atingindo até 2 metros de comprimento.Idade e sexoA proporção dos acidentes variou significativamente com relação à idade dosacidentados. Os casos mais freqüentes ocorreram entre 1-20 anos de idade (sexosagrupados), indicando que este grupo etário foi submetido a maiores riscos durante operíodo. A literatura cita que em São Paulo os acidentes ofídicos são mais freqüentesentre10-20 anos de idade, 10-19 anos em Minas Gerais e no Ceará, 15-30 anos em Roraimae 15-49 anos notificado pela Fundação Nacional da Saúde. Estes dados indicam que na
  • 81. 67faixa etária de maior concentração da força de trabalho no campo é onde ocorre a maiorfreqüência de acidentes ofídicos (Silveira & Nishioka, 1992; Ribeiro et al., 1993; Brasil,1999; Nascimento, 2000; Pinho & Pereira, 2001). Não existem informações sobre apredominância da faixa etária na força de trabalho nas áreas rurais de Sergipe, mas o limiteda faixa etária onde ocorreram os acidentes ofídicos com maior freqüência foi de 20 anos,situando-se entre São Paulo e Minas Gerais.A proporção de acidentes ofídicos também foi diferente entre os sexos; os homenssofreram mais acidentes, talvez por exercerem atividades fora das suas moradias commaior freqüência do que as mulheres, expondo-se mais aos fatores de risco, conformerelatado também para outras regiões (Acosta et al.,2000).Sazonalidade e regiões de ocorrênciaA proporção dos acidentes ofídicos entre os períodos seco e chuvoso foisignificantemente diferente, com a predominância dos casos durante os meses secos.Possivelmente esta proporção esteja relacionada à maior duração dos meses secos na regiãoe, conseqüentemente, à maior exposição dos habitantes ao meio ambiente nesta época, quese estende por oito meses na região de Sergipe (setembro a abril). Feitosa, Melo &Monteiro (1997) relataram resultados diferentes quando analisaram no Ceará aepidemiologia dos acidentes ofídicos de 1992-1995; os acidentes foram mais freqüentes noperíodo de maior pluviosidade, que vai de abril a setembro. A mesma relação com apluviosidade e envenenamentos por serpentes ocorre na região sudeste, onde os acidentesofídicos ocorrem principalmente nos meses quentes e chuvosos, provavelmenterelacionados com as épocas reprodutivas das serpentes e com a maior atividade agrícola,durante a qual aumenta a exposição dos trabalhadores rurais ao meio (Ribeiro et al., 1993).Sintomas e tempo decorrido entre o acidente e a soroterapiaPara aplicar o soro antiofídico adequado é necessário identificar a serpente quecausou o acidente. Na ausência do exemplar para reconhecimento da espécie, os sintomasapresentados pelos acidentados constituem a única base para deduzir o tipo deenvenenamento, embora possam ser realizados testes Elisa, através de antígenos dosvenenos botrópico e crotálico, tempo de coagulação, tempo parcial de tromboplastina e
  • 82. 68testes de creatinofosfoquinase, desidrogenase lática e aspartase-alanino-transferase, oúltimo para diagnosticar envenenamento crotálico (Pinho & Pereira, 2001).Em Sergipe a rotina parece ser o dignóstico através dos sintomas apresentados, comotambém relatado para o Ceará (Feitosa, Melo e Monteiro, 1997). O envenenamentobotrópico causa sintomas locais e sistêmicos, os efeitos locais são os mais problemáticos,devido à precocidade com que aparecem, 3-5 minutos após a picada. Os principaissintomas, relatados até 3 horas após o acidente, são: dor, edema, hemorragia no local dapicada, hemorragia sistêmica e aumento do tempo de coagulação sangüínea. Outrasconseqüências podem aparecer na evolução dos casos, como equimoses, eritemas, oligúria,bolhas, abcessos e anúria, acompanhado ou não de necrose (Raw et al., 1991; Brasil, 1999;Soerensen, 1990; Pinho & Pereira, 2001; Araújo, 2003). As manifestações clínicas doenvenenamento por Lachesis são, no geral, semelhantes aos envenenamentos causados porBothrops. O envenenamento crotálico não provoca efeitos notáveis no local da picada. Até3 horas após o acidente, os principais sintomas são decorrentes da atividade neurotóxica doveneno crotálico, ocorrendo ptose palpebral e flacidez da musculatura da face (fáciesmiastênico ou neurotóxico); outros sintomas do envenenamento crotálico são decorrentesda miotoxicidade do veneno, ocorrendo dores musculares generalizadas e mioglobinúria(consequência da necrose da fibra muscular). Dentre as complicações mais graves nosacidentes crotálicos, que ocorrem após 3 horas, está a insuficiência renal aguda, que podelevar o acidentado à morte (Raw et al., 1991; Lúcia, 2000; Pinho & Pereira, 2001). Osacidentes com Micrurus são pouco freqüentes, mas potencialmente graves. Os sintomaspodem surgir em menos de uma hora após a picada, ocorrendo ptose palpebral, diplopia,dificuldade de deglutição e insuficiência respiratória aguda (Vital Brazil, 1990; Soerensen,1990; Brasil, 1999; Casais e Silva, 2001; Pinho & Pereira, 2001).Nas notificações de Sergipe constam três casos de acidentados associados aenvenenamentos botrópico e laquético que apresentaram urina escura, mas este sintoma éassociado ao envenenamento crotálico, devido à lesão da fibra muscular esquelética quelibera mioglobina, a qual é excretada pela urina, daí a cor escura. Um caso de acidentadoassociado a envenenamento elapídico apresentou abcesso local. Entretanto, é a açãoproteolítica do veneno botrópico que pode causar o desenvolvimento de infecções locais,além do que, geralmente as manifestações locais, como edema, bolha e necrose decorrem,
  • 83. 69em parte, da liberação de mediadores da resposta inflamatória e da ação das hemorraginas,características do envenenamento botrópico. Três casos associados a envenenamentobotrópico apresentaram diplopia, entretanto a diplopia é geralmente associada ao efeitosistêmico decorrente da ação neurotóxica do veneno crotálico ou elapídico. Nove casosassociados a envenenamentos botrópico, laquético, elapídico e crotálico apresentarammialgia, porém a mialgia geralmente está associada à ação neurotóxica sistêmica do venenobotrópico ou elapídico. Provavelmente estes sintomas foram associados por descuido aostipos de acidentes ofídicos, porém o fato é preocupante, visto que a aplicação doantiveneno é feita em Sergipe com base nos sintomas apresentados pelo acidentado.Partes do corpo atingidas e gravidade dos casosAs partes mais atingidas do corpo nos casos de acidentes ofídicos em Sergipe foramos membros inferiores (66 casos, aproximadamente 70%); o mesmo observado em outrasregiões (Silveira & Nishioka, 1992; Ribeiro et al.1993, Saborío, Gonzalez & Cambronero,1998; Borges, Sadahiro & Santos, 1999; Acosta et al., 2000). De acordo com a SecretariaEstadual da Saúde de Sergipe, os acidentes ofídicos ocorridos na região foram classificadoscomo leves, moderados e graves. De um modo geral, a maioria dos acidentes comserpentes peçonhentas foi notificado como leve (Tabela 11).Nos acidentes botrópicos considerados leves os efeitos locais (dor, edema eequimose) estão ausentes ou discretos, evoluindo para intensos nos casos graves; os efeitossistêmicos (hemorragia, anúria, oligúria e tempo de coagulação alterado) estão ausentes noscasos leves ou moderados e presentes nos casos graves. Nos acidentes crotálicos a fáciesmiastênica, mialgia, a presença de urina vermelha, oligúria e anúria estão ausentes ou sãodiscretos nos casos leves e moderados; estão presentes e são intensos nos casos graves. Nosacidentes elapídicos os sintomas sistêmicos (principais) podem surgir em até menos de umahora após a picada e os casos devem ser considerados graves, devido ao risco deinsuficiência respiratória (Brasil, 1999; Soerensen, 1990; Pinho & Pinheiro, 2001; Araújo,2003).
  • 84. 702. Parâmetros biológicos do veneno botrópicoEfeitos sistêmicos e locaisDentre os vários componentes dos venenos de serpentes (ânions e cátions,aminoácidos livres e peptídeos, nucleotídeos e nucleosídeos, lipídeos, carbohidratos eaminas biogênicas) três componentes são de extrema importância nos envenenamentos: i)as enzimas, tais como a fosfolipase A2, proteases, enzimas proteolíticas, cininogenase(liberadora da bradicinina), enzimas protocoagulantes e fibrinolíticas, ii) as proteínas epolipeptídeos não enzimáticos, como as neurotoxinas (pré e pós-sinápticas), cardiotoxinascapazes de provocar parada cardíaca e mionecrose, miotoxinas, responsáveis pelos eventosque levam à necrose, iii) as hemorraginas, que são metaloproteínas dependentes de cátionsbivalentes, como Ca++, Mg++e Zn++, cujas ações são inibidas pelo EDTA (Bolaños, 1984;Kamiguti et al., 1996; Borkow, Gutiérrez & Ovadia, 1993; Gutiérrez, 2002).Os efeitos dos venenos das viperíneas devem-se principalmente às proteínas epolipeptídeos de alto peso molecular, que atuam sistêmica e localmente. As principaisações farmacológicas sistêmicas causadas por envenenamento botrópico são os distúrbiosda coagulação sangüínea. Estas ações são causadas por neurotoxinas, cardiotoxinas eenzimas, tais como a fosfolipase A, a fosfodiesterase e as proteases, as quais participam detodo o processo localmente (Elliott, 1978; Bolaños, 1984; Mebs, 1978; Gonçalves &Mariano, 2000). Uma boa revisão sobre os venenos de serpentes e os agentesmodificadores da coagulação sangüínea, foi feita por Meaume (1966). Ele discutiu a açãode venenos de serpentes das famílias Hydrophiidae, Elapidae, Crotalidae e Viperidae sobrea coagulação do sangue, ressaltando o papel do fibrinogênio e trombinas. Dez anos depois,em 1976, Stocker & Barlow descreveram a “botroxina”, uma enzima tipo trombina isoladado veneno de B.atrox, a qual afeta a coagulação sangüínea (Gutiérrez, 2002).A miotoxicidade do veneno botrópico é um efeito local causado por miotoxinas. Asmiotoxinas são proteínas com estrutura de fosfolipase A2 da classe II, que atuam nascélulas musculares causando necrose do tecido muscular (mionecrose). As miotoxinaspodem ser caracterizadas em dois grupos, de acordo com o grupamento protéico: i) as queapresentam lisina no resíduo 49 (Lis49), ii) ou aspartato (Asp49). Ambas atuamdiretamente na membrana plasmática das células musculares, originando um fluxo de
  • 85. 71cálcio no citosol, o qual induz uma série de eventos degenerativos que causam lesõescelulares irreversíveis (Gutiérrez, 2002). A primeira miotoxina do veneno de Bothrops foiisolada em 1984 por Gutiérrez e colaboradores, utilizando o veneno de B. asper (Gutiérrez,Ownby & Odell, 1984). Alguns anos depois, Lomonte et al. (1990) isolaram trêsmiotoxinas de Bothrops, duas do veneno de B. moojeni e uma de B. atrox, e descreveram acomposição química e atividades biológicas destes venenos.A letalidade do veneno botrópico deve-se principalmente à ação coagulante doveneno, que ativa o fator X e a protrombina, isolada ou simultaneamente. O venenobotrópico possui também ação semelhante à trombina, convertendo fibrinogênio emfibrina, formando coágulos de fibrinogênio. Como o fibrinogênio é um fator de coagulaçãosangunínea, estas ações induzem às deficiências na coagulação sangüínea. A insuficiênciarenal aguda pode ser causada pelos microcoágulos de fibrina nos capilares, desidratação ehipotensão arterial, devido à ação da bradicinina. O choque decorrente dos casos graves deenvenenamento botrópico é decorrente da liberação de substâncias vasoativas, do aumentode líquido na área edemaciada e perda de líquido por hemorragias (Meaume, 1966; Brasil,1999; Pinho & Pereira, 2001).As principais ações locais devido aos envenenamentos botrópicos são: i) edema,devido ao efeito da fração cardiotóxica, cuja ação farmacológica é mediada pela ação deadrenoreceptores (1 e 2) e, principalmente, por produtos da cicloxigenase e lipoxigenase;ii) efeito hemorrágico e degenerativo das fibras musculares, principalmente devido àfosfolipase A e iii) aumento da permeabilidade vascular, causado pela liberação de cininas,fosfolipase A e histamina (Trebien & Calixto, 1989; Cury, Teixeira & Sudo, 1994;Gonçalves & Mariano, 2000).A bradicininaUma pesquisa importante na história da toxinologia foi realizada por Rocha e Silva,Beraldo & Rosenfeld (1949), com implicações terapêuticas até hoje na utilização doveneno de B. jararaca como agente hipotensor. Rocha e Silva e colaboradores descobrirama “bradicinina”, um polipeptídeo de natureza endógena liberada no plasma, através da açãoenzimática do veneno, por um precursor protéico chamado bradicininogênio. As principaisações farmacológicas da bradicinina incluem a estimulação da musculatura lisa,
  • 86. 72vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar e dor. A bradicinina libera cininogenasesque interferem no mecanismo das cininas no sangue; a atividade das cininas sob a ação doveneno de serpentes rapidamente inativa a bradicinina, devido à ação proteolítica doveneno.Outra importante contribuição derivada da descoberta de Rocha e Silva, Beraldo &Rosenfeld foi a descoberta de Sérgio Ferreira e seus colaboradores na década de 1960, queisolaram um princípio ativo do veneno de B. jararaca capaz de intensificar a resposta àbradicinina. Ferreira e seus colegas chamaram este princípio de “fator potenciador dabradicinina”. Este fator é formado por polipeptídeos que atuam inibindo as cininas e aconversão da angiotensina-A na angiotensina-B (Mebs, 1978; Gutiérrez, 2002).As variações dos venenos de serpentesFurtado et al. (1991b) compararam os venenos de nove espécies de Bothrops(alternatus, cotiara, erythromelas, jararaca, jararacussu, moojeni, neuwiedi, neuwiediparanaensis, neuwiedi pauloensis e neuwiedi urutu), obtidos de fêmeas adultas e suasninhadas. Eles estudaram as atividades proteolíticas, coagulantes e a ação letal destesvenenos, além de determinarem o conteúdo protéico e o padrão eletroforético dos mesmos.Furtado e colaboradores concluíram que: i) as atividades da trombina, toxicidade eamidolítica/fibrinolítica variaram com relação ao tamanho dos indivíduos, ii) B. neuwiediparanaensis e B. neuwiedi pauloensis possuem as atividades mais tóxicas, iii) a atividadecaseinolítica de todos os venenos das fêmeas e as atividades pró-coagulantes dos jovensforam altas, iv) o veneno de B. erythromelas das fêmeas adultas e filhotes não mostraramatividade amidolítica e apresentaram o mais alto nível de atividades do fator X eprotrombina, sem a ação da trombina, v) os venenos dos filhotes de B. cotiaraapresentaram as maiores atividades de trombina, enquanto B. jararacussu fêmeas nãoapresentaram nenhuma atividade pró-coagulante específica, vi) os filhotes das espéciesestudadas apresentaram alta atividade pró-coagulante. Conforme observaram Furtado ecolegas, as atividades do veneno podem variar entre indivíduos da mesma população e atémesmo a composição do veneno pode variar entre populações da mesma espécie.Uma boa revisão sobre a variabilidade local e geográfica dos venenos de serpentesfoi realizada por Chippaux e colaboradores, cujas variações podem ser atribuídas a
  • 87. 73sazonalidade reprodutiva, dieta, hábitat, idade e dimorfismo sexual (Chippaux, Williams &White, 1991). Eles enfatizaram a importância de se conhecer esta variabilidade, poisvenenos de indivíduos da mesma espécie podem apresentar diferenças na composição doveneno, dependendo da região ecológica onde foram coletados e isto pode ter implicaçõesregionais na eficácia do antiveneno.Outra pesquisa relacionada às variações dos venenos entre indivíduos da mesmapopulação foi realizada por Lomonte e colaboradores. Lomonte et al. (1983) estudaram asvariações ontogenéticas do veneno de Crotalus durissus terrificus, utilizando indivíduosadultos e recém-nascidos. Eles verificaram a ação letal e as atividades proteolíticas,hemolíticas, hemorrágicas, mionecróticas e edematogênicas. O veneno dos recém-nascidospossui características bioquímicas diferentes dos adultos. É notável a alta letalidade dosvenenos de recém-nascidos. As análises imunoeletroforética e eletroforética mostram queexistem variações quantitativas e qualitativas na composição dos venenos. A atividadehemorrágica aumentou com a idade e os recém-nascidos não produzem hemorragia e, comrelação a atividade proteolítica, esta foi maior nos adultos (Gutiérrez, 2002).As vias de administração do veneno também são fontes de variação quando se estudaa sensibilidade de venenos.Vários trabalhos descrevem as ações dos venenos de cobrascom relação às vias administradas, principalmente para estudar os efeitos hemorrágicos.Bolaños (1984) foi um dos pioneiros nos estudos sobre a toxicidade de venenos deserpentes da Costa Rica, inoculando camundongos através das vias intraperitoneal eintravenosa; a via intravenosa apresentou maior sensibilidade ao veneno. O mesmoresultado foi encontrado por Kawamura & Sawai (1984), os quais utilizaram o antivenenode Naja kaouthia (Elapidae) para mostrar maior eficácia quando administrado por viaintravenosa.Sobre a determinação da DL50 do venenoA dose letal 50% é a unidade tóxica de veneno definida como a quantidade de venenocapaz de em 48 horas provocar a morte de 50% dos animais inoculados (Fisher, 1949).Neste estudo, a DL50 do veneno de B. jararaca foi obtida através de: i) regressões dosvalores probíticos sobre as concentrações do veneno, utilizando o programa da OMS e ii)comparação entre os coeficientes (b) e as constantes (a) das quatro retas de regressões dos
  • 88. 74experimentos. Os resultados da DL50 utilizando os dois métodos foram praticamente iguais,embora as retas tivessem sido significantes quanto ao paralelismo e afastamento, devido àsvariações do número de camundongos mortos com relação às doses de veneno.Existem na literatura bons trabalhos sobre análise de dados experimentais (e.g.,Sprugel, 1983; Bryant, 1986; Fisher, 1949), mas não encontrei nenhum trabalho ou citaçãoque discutisse como os experimentos entre repetições e réplicas são descartados e oaproveitamento dos melhores dados – aqueles mais coerentes com relação às mudanças davariável dependente (y) de acordo com a evolução da variável independente (x). Aoagrupar os experimentos neste estudo, segui o princípio metodológico básico de que todosos ensaios foram retirados da mesma população e portanto apresentaram os mesmoscomportamentos biológicos (Zar, 1996; Fisher, 1949; Hulbert, 1984). Desse modo todos osdados puderam ser aproveitados, com exceção dos primeiros experimentos, os quais foramrealizados para treinamento.Um trabalho relevante sobre os métodos quantitativos utilizados na pesquisa sobreDL50 do veneno de cobras, foi o de Villarroel (1977), sobre probites e animaisexperimentais. A metodologia desenvolvida por Vital Brazil utilizava pombos paradeterminar a toxicidade de venenos botrópicos e Villarroel propôs a utilização decamundongos como modelo animal para determinação da DL50. Seu método utiliza a viaintraperitoneal em camundongos para dosar antivenenos botrópicos. Ele verificou “in vivo”a soroneutralização cruzada, utilizando antivenenos de B. jararaca, B. moojeni e B.neuwiedi, para neutralizar os venenos de B. jararaca, B. alternatus, B. cotiara, B. neuwiedi,B. pradoi, B. jararacussu e B. moojeni.Dose letal 50% dos venenos botrópicos e variações experimentaisNeste estudo, a dose letal do veneno de B. jararaca, utilizando animais experimentaisprovenientes do Biotério da Universidade Federal de Sergipe, foi 37.1g. As doses letais50% citadas na literatura para outras espécies de Bothrops são: 58.8g para B. jararacussu;92.3g para B. moojeni e 30.3g para B. neuwiedi (Dos-Santos et al., 1992; Furtado et al.,1991a).As doses letais 50% do veneno de B. jararaca variaram entre os experimentos doestudo. Todos os ensaios realizados neste estudo foram padronizados; dois deles foram
  • 89. 75excluídos das análises, por terem sido realizados para treinamento. Com relação àsvariações encontradas na determinação da DL50 entre os experimentos, a probabilidade deerro experimental sempre existe, alguns experimentos podem apresentar variaçõesextremas ou discordantes, porém neste estudo as variações da DL 50 ocorreram em todos osexperimentos, apesar de terem sido padronizados.Considerei então três hipóteses que pudessem explicar as variações: i) a primeira foicom relação à possibilidade de erro experimental, apesar da atenção e planejamento parapadronizar todos os experimentos, ii) a segunda foi que as variações pudessem ter sidocausadas por fatores externos aos experimentos e independentes das padronizações, porexemplo acondicionamento do veneno e iii) a terceira foi com relação à chance de que asvariações tenham ocorrido devido à biologia e manutenção dos animais experimentais.Com relação a erro experimental, todos os ensaios foram padronizados, as metodologias eos materiais foram os mesmos em todos os experimentos. Algum fator externo poderia tercausado variabilidade nos experimentos; com relação ao veneno, este foi acondicionado emanipulado sempre da mesma maneira. Com relação às próprias variações individuais nosanimais experimentais, sabe-se que o estresse dos animais pode causar variações nosresultados e considerei esta hipótese a mais plausível para explicar as variações nas dosesletais encontradas nos ensaios (Araujo & Araujo, 1994).Sobre a dose mínima hemorrágica (DMH)A dose mínima hemorrágica do veneno de B. jararaca determinada neste estudo foi0.24g, obtida através da análise de regressão do diâmetro da área hemorrágica (y) sobre aconcentração do veneno (x). Os estudos toxinológicos exigem a realização de experimentosmanipulativos que possam ser verificados; a verificação é feita através da utilização demétodos quantitativos. Neste contexto foi relevante o trabalho realizado por Kondo ecolaboradores na década de 1960. Partindo do princípio que a hemorragia é o efeitosistêmico mais importante causado por envenenamentos de viperíneas e crotalíneas, elespropuseram um método quantitativo para determinar a atividade hemorrágica dos venenos.Kondo et al. (1960) definiram a dose mínima hemorrágica como sendo a menor quantidadede veneno capaz de produzir uma lesão de 10mm de diâmetro, após injeção cutânea emcoelhos. Eles também analisaram curvas log-dose para verificar as relações existentes entre
  • 90. 76as dosagem e respostas: encontraram para cada preparação respostas lineares e paralelas,com manchas variando entre 10 a 18 milímetros de diâmetro.A técnica de Kondo e colaboradores foi modificada por Ownby, Colberg & Odel em1984 e por Gutiérrez et al. (1985), para ser utilizada em camundongos. Gutiérrez et al.(1990) discutiram os métodos utilizados para estudo das atividades tóxicas dos venenos deserpentes da Costa Rica. Eles estudaram as ações hemorrágicas, edematogênicas,miotóxicas, necrosantes, coagulantes, a ação letal e os efeitos desfibrinante e enzimáticodos venenos, propondo a substituição do método in vivo pela técnica in vitro para estudaros antivenenos. Um dos métodos discutidos por Gutiérrez e colaboradores foi a técnicadescrita por Kondo e colegas em 1960.Furtado, Colletto & Dias da Silva (1991a) realizaram um elegante trabalho sobrevenenos de serpentes, envolvendo, entre outras análises, as determinações das dosesmínimas hemorrágicas e DL50. A pesquisa de Furtado, Coleto e Silva utilizaram umametodologia que é referência na pesquisa e na rotina do controle de qualidade na produçãode antivenenos do Instituto Butantan. Eles padronizaram os métodos de ensaios paradeterminar as atividades dos venenos de várias espécies de Bothrops e Crotalus: i)determinaram a DL50 em camundongos, ii) padronizaram os métodos para verificaratividades promotoras da coagulação do fibrinogênio e do plasma e atividades indutoras dahemorragia, necrose, edema e atividades caseinolíticas. A importância do trabalho deFurtado e colaboradores foi que pela primeira vez no Brasil analisaram-secomparativamente amostras de veneno liofilizado e seco a vácuo, como eratradicionalmente preparado no Instituto Butantan; as amostras não apresentaram diferençasentre as variáveis estudadas. A DMH dos venenos das serpentes do gênero Bothrops variouentre 8-17g/rato.As doses mínimas hemorrágicas dos venenos botrópicosComparações entre a DMH (bem como DL50) do veneno de B. jararaca utilizadaneste estudo e dados da literatura são difíceis de serem feitos, devido à utilização deanimais procedentes de diferentes biotérios; utilização de animais experimentais, comoratos e camundongos, vias de inoculação do veneno e diferenças nas metodologiasutilizadas, como a determinação da DMH pela concentração de hemoglobina (Mebs, 1978;
  • 91. 77Furtado et al, 1991a; Gonçalves & Mariano, 2000) e pela menor dose capaz de causar umaárea hemorrágica de 10mm de diâmetro (Kondo et al., 1960; Furtado et al., 1991a). Asdoses mínimas hemorrágicas citadas na literatura para outras espécies de Bothrops são:B.asper 2.0g, B.jararacussu 8.25g, B.atrox 20.0g, B.godmani 5.0g, B.nasutus30.0g, B.neuwiedi 8.0g, B.moojeni 5.0g (Dos-Santos et al., 1992; Neves-Ferreira et al.,1997; Castro et al., 1999; Borges et al., 2001).Ação hemorrágica local do veneno botrópico e as hemorraginasDentre as ações biológicas locais dos venenos botrópicos, a hemorragia é um dosprincipais efeitos devido às hemorraginas, as quais causam degenerações microvasculares eperda sangüínea, levando a degeneração muscular e de outros tecidos. Hemorraginas sãometaloproteínas, termolábeis e sensíveis a valores extremos de pH. O peso moleculardestas proteínas ácidas variam entre 20000 a 100000. As hemorraginas podem serclassificadas em três grupos, dependendo do peso molecular: i) grupo I – pequenas (20000-30000), não induzem hemorragia, possuem ação sinérgica; ii) grupo II – médias (30000-60000), com ação hemorrágica; iii) grupo III – grandes (60000-100000), são as mais ativas.As hemorraginas no grupo I e II não induzem à hemorragia, mas possuem ação sinérgicacom as hemorraginas do grupo 3; as três classes juntas contêm 50% das atividadeshemorrágicas do veneno.A atividade hemorrágica das hemorraginas é reduzida por inibidores demetaloproteínas, como o EDTA (ácido etilenodiaminotetracético), um agente quelante queinibe as hemorraginas. Possivelmente o EDTA atraia alguns íons metálicos dashemorraginas, inibindo assim os efeitos hemorrágicos do veneno botrópico (Isla, Malaga &Yarlequé, 2003).Existem pelo menos 43 hemorraginas isoladas de 15 espécies de Bothrops; algumasespécies contêm as três classes de hemorraginas, como encontradas em B. asper daAmérica Central. As hemorraginas têm ação proteolítica sobre a membrana basal dascélulas endoteliais. Entretanto, se a proteólise da membrana basal é por si só suficiente parainduzir a hemorragia ainda é inconclusivo, porque ocorre lise das células endoteliais,juntamente com a degeneração da membrana basal e o contato entre as células é tambémdestruído (Borkow, Gutiérrez & Ovadia, 1993; Kamiguti et al., 1996).
  • 92. 78O primeiro fator hemorrágico do veneno de Bothrops neuwiedi foi obtido porMandelbaum, Assakura & Reichl (1984), os quais isolaram duas proteínas ácidas doveneno de B.neuwiedi (jararaca pintada), denominadas fatores hemorrágicos neuwiediNHFa e NHFb. O fator NHFb apresentou atividade hemorrágica vinte e três vezes maior doque o fator NHFa, mas o segundo foi mais ativo em relação à atividade caseinolítica.Paine et al (1992) purificaram, seqüenciaram e clonaram pela primeira vez a“jararagina”, uma metaloproteína hemorrágica presente no veneno de B. jararaca. Em1993, R.B. Zingali e colaboradores isolaram um componente inibidor de trombina,“botrojaracina” do veneno de B. jararaca (Gutiérrez, 2002). Borkow, Gutiérrez & Ovadia(1993) isolaram e caracterizaram três hemorraginas do veneno de B. asper, as quais foramdenominadas BaH1, BH2 e BH3. As doses mínimas hemorrágicas destas hemorraginasforam 0.18g, 2.0 e 16.6g. A atividade hemorrágica dos três fatores foi inibida peloEDTA (ácido etilenodiaminotetracético).Algumas metaloproteínas hemorrágicas dos venenos de serpentes foram estudadaspor Lomonte et al. (1994). Eles investigaram in vitro os efeitos de uma metaloproteínahemorrágica (BaH-1) do veneno de B. asper nas células endoteliais de capilares e nãorelataram um efeito citotóxico direto no endotélio capilar. Kamiguti et al. (1996)discutiram o mecanismo de ação da principal metaloproteína hemorrágica do veneno de B.jararaca, a jararagina, nas plaquetas e proteínas do plasma envolvidas na homeostase.Eles sugeriram que metaloproteínas hemorrágicas além de causarem sangramento local,podem também contribuir para a hemorragia sistêmica. Outra substância isolada do venenobotrópico foi a botroalternina de B. alternatus, inibidora de trombina que forma umcomplexo equimolar não-covalente com a botrojaracina (Castro et al., 1998).Borkow, Gutiérrez & Ovadia (1997a) verificaram a capacidade de vários soros,antivenenos e inibidores sintéticos em neutralizar a atividade hemorrágica causada peloveneno de B. asper. Em outro estudo (Borkow, Gutiérrez & Ovadia, 1997b), elesselecionaram os seis melhores compostos anti-hemorrágicos e os testaram emcamundongos, para verificar a capacidade dos compostos em neutralizar a ação letal e asatividades proteolíticas e hemorrágicas “in vitro” de crotalineas. Além disso, eles testaramtambém uma mistura constituída por antiveneno polivalente produzido em cavalos, oantídoto “natural” de B. asper e a atividade hemorrágica desse veneno.
  • 93. 79Continuando suas pesquisas com as metaloproteínas, Gutiérrez & Rucavado (2000)propuseram uma hipótese para explicar o mecanismo “per rexis” de ação dasmetaloproteínas hemorrágicas de venenos de serpentes da família Viperidae: os eritrócitosatravessariam os vasos sangüíneos através de células endoteliais rompidas. Apesar dahipótese de Gutiérrez e Rucavado ter suporte bioquímico e ultraestrutural, os autores nãodescreveram como ocorrem as alterações na lâmina basal da lesão endotelial.Gonçalves & Mariano (2000) estudaram as alterações morfológicas induzidas porveneno de B. jararaca (via subcutânea) em ratos e a mediação da hemorragia local,comparando-a com a mediação do edema de pata de rato. Eles observaram adesorganização das fibras colágenas perivasculares e perineurais, degranulação demastócitos, além de alterações vasculares, como congestão e hemorragia. A hemorragiaocorreu por diapedese, fenômeno no qual os eritrócitos atravessam o vaso sangüíneoatravés da abertura de junções endoteliais. A hemorragia local foi parcialmente controladapela serotonina e por mediadores neurohumorais. Os produtos do metabolismo do ácidoaraquidônico, principais mediadores do edema induzido pelo veneno de B. jararaca, nãoparticiparam como mediadores da ação hemorrágica local.O estudo mais recente sobre metaloproteínas do veneno de Bohrops foi realizado porIsla, Malaga & Yarlequé (2003). Eles caracterizaram a hemorragina isolada do veneno deB. brazili, relatando a presença de hexosas, hexosamina e ácido siálico. Neste estudo, elestambém verificaram que o soro antibotrópico polivalente (antiveneno crotálico maisbotrópico) reconhecia a fração hemorrágica do veneno e inibia a ação do veneno bruto, masnão da hemorragina purificada.3. Eficácia das plantas em inibir os efeitos do veneno de Bothrops jararacaOs extratos das plantas como inibidores da letalidade e da hemorragia localDentre as quatro plantas testadas (A. villosa, A. glaziovii, J. mollissima e J. elliptica),apenas o extrato (1mg) de A. villosa aumentou o tempo médio de sobrevida dos animaisinoculados com o veneno, as demais plantas não foram eficazes em neutralizar o efeitoletal do veneno. Embora todos os animais tenham apresentado os sinais clássicos deenvenenamento – constricção do abdome e prostração –, alguns não apresentaram
  • 94. 80alterações ou sinais de envenenamento após as 48 horas de observação. Estes camundongospermaneceram vivos e aparentemente sem nenhuma seqüela.Com relação à inibição da hemorragia local do veneno pelos extratos das plantas, osanimais experimentais (inoculados com plantas mais o veneno) apresentaram manchashemorrágicas significantemente menores do que os controles. As concentrações queapresentaram efeito antihemorrágico foram: Apodanthera villosa (1.0, 3.0 e 6.0mg),Apodanthera glaziovii (1.0, 3.0, 6.0 e 10.0mg), Jatropha mollissima (3.0 e 6.0mg) eJatropha elliptica (6.0 e 10.0mg).Dentre as ações biológicas locais dos venenos botrópicos, a hemorragia é uma dasmais problemáticas devido às ações das hemorraginas, as quais causam pricipalmentedegenerações microvasculares, perda sangüínea e mionecrose. Observações microscópicasdo processo hemorrágico indicam que os microvasos se desintegram rapidamente cerca de4-6 minutos após o contato com o veneno, e apresenta em camundongos uma cinética deação que atinge um máximo cerca de 3horas depois de inoculados, cujo quadro permaneceestável até 6 horas (Lomonte et al., 1994; Gonçalvez & Mariano, 2000). As ações locaisdos venenos não têm relações diretas com as ações letais sistêmicas das proteínas eenzimas, mas certamente agravam os sintomas de coagulação e hemorragia interna,conseqüências que podem levar ao choque e parada cardíaca, devido ao efeito hipotensivodo veneno.Vários processos são utilizados como coadjuvante à soroterapia para tratar ossintomas locais dos envenenamentos botrópicos. Por exemplo, são utilizados tratamentoscom analgésicos para inibir os sintomas inflamatórios, profilaxia contra o tétano e às vezesantibioticoterapia e aplicação de heparina no local da picada, que é um anticoagulante queatua na dissolução de coágulos de fibrinogênio, causados pelas hemorraginas. Comoevidenciado neste trabalho, todas as plantas apresentaram forte efeito antihemorrágico, oque as pode qualificar como base para tratamento coadjuvante à soroterapia, já que ossintomas locais aparecem rapidamente, podendo ser atenuados com preparados à base deplantas comprovadamente antihemorrágicas.Os ensaios biológicos deste estudo validaram as representações populares que se dãopara o uso antiofídico de A. villosa, A. glaziovii, J. mollissima e J. elliptica. Não há relatosna literaruta sobre a composição química destas plantas, nem estudos experimentais de
  • 95. 81efeitos antiinflamatórios (maioria dos usos das plantas medicinais em Sergipe e outrasregiões) ou verificações de efeitos antiofídicos. Possíveis mecanismos para explicar asações de inibição da letalidade do veneno botrópico por A.villosa e inibição da hemorragiaverificado nos extratos das quatro plantas testadas, podem ser as mesmas da literatura. Ashipóteses são: i) o extrato pode atuar como antagonista do veneno, por bloqueio dereceptores, ii) o extrato pode ligar-se às enzimas do veneno, formando um complexoinativo, fornecendo assim uma proteção efetiva contra o veneno, iii) o extrato podeapresentar uma ligação com as metaloproteínas do veneno, retirando cátions Zn++(antagonismo químico) ou ligando-se às metaloproteínas, formando um complexo inativo;esta hipótese é específica para as ações hemorrágicas, como verificado para o EDTA(Rang, Dale & Ritter, 1995:13; Mors et al., 1989; Mors et al., 2000; Martz, 1992; Isla,Malaga & Yarlequé, 2003; Pereira et al., 1994).A literatura cita vários compostos de plantas com supostas ações antiofídicas, porémsão poucos os trabalhos que descrevem os possíveis mecanismos de ação dos compostosisolados das plantas. Um trabalho pioneiro (e controverso) sobre plantas que inativamvenenos de cobras foi realizado por Nakagawa e colegas em 1982. Eles verificaram a açãoantiofídica do extrato hidroalcoólico da raiz de uma planta supostamente amazônica, citadasob o nome popular cabeça-de-negro, mas omitiram a identificação (existem váriasespécies de famílias diferentes com este nome popular). Do extrato hidroalcoólico dacabeça-de-negro eles isolaram duas substâncias, às quais denominaram cabenegrinas A-I eA-II. O trabalho relata que o extrato inibiu o efeito cardiovascular do veneno de Bothropsatrox (Viperidae) em cães e diminuiu a letalidade dos camundongos envenenadosexperimentalmente (Nakagawa et al., 1982).Os estudos experimentais de plantas medicinais tiveram um grande avanço na décadade 1980, com as pesquisas do químico de produtos naturais Walter Mors, da UniversidadeFederal do Rio de Janeiro. Mors vem trabalhando com várias plantas, em especial Ecliptaprostrata (L.) L (Asteraceae), depois de ver com sucesso o seu uso como antiofídica naAmazônia. Mors et al. (1989) isolaram três substâncias do extrato etanólico de E. prostrata(wedelolactona, sitosterol e stigmasterol) e verificaram que as substâncias foram capazesde neutralizar a atividade letal do veneno de Crotalus durissus terrificus. Eles testaramtambém a ação do extrato aquoso da planta contra a liberação de creatina-cinase no
  • 96. 82músculo esquelético de ratos expostos ao veneno; o extrato neutralizou, in vitro, o efeitomiotóxico do veneno, inibindo as ações das cininas. O estudo de Mors e colaboradoresutilizou preparações de músculo esquelético.Um bom trabalho sobre a inibição de veneno ofídico por extrato de plantas é o deCalixto e colaboradores, realizado em 1985. Eles trabalharam com o extrato bruto deMandevilla velutina (Apocynaceae) para verificar a inativação do veneno de B. jararaca,utilizando útero isolado de rato, concluindo que o extrato teve ação sobre a bradicinina. Émuito ilustrativa a revisão que Martz fez em 1992, sobre os extratos de plantas compotencial de neutralizar as toxinas dos venenos de cobras. Ele relatou o uso de preparaçõesde várias plantas utilizadas nos acidentes ofídicos, como é o caso do famoso preparado“Específico Pessoa”, contra-veneno muito utilizado nas regiões norte e nordeste do Brasil.Este preparado é feito em Sobral, Ceará, com a raíz da planta cabeça-de-negro, cujafórmula e identificação da espécie são mantidas em segredo pelos fabricantes. Borges etal. (1996) realizaram um estudo com o “Específico Pessoa” para verificar a letalidade e aeficácia deste específico em neutralizar as ações coagulantes, hemorrágicas e fosfolipásicasdo veneno de Bothrops atrox, concluindo que o produto foi ineficaz em todos os aspectos.Nesta revisão de Martz de 1992, ele relatou também o uso de outros compostos comação antiofídica isolados de plantas, como o scumaniofosídeo, extraído daSchumanniophyton magnificum Harms (Rubiaceae). Nos testes experimentais, estecomposto reduziu a ação letal do veneno de Naja melanoleuca (Elapidae) quandoadministrado um minuto após a inoculação do veneno; o mesmo efeito não ocorreu quandoo glicosídeo foi inoculado sessenta minutos após o veneno. Martz relatou o uso de outroscompostos isolados de plantas que neutralizavam a ação hemorrágica dos venenos, taiscomo: i) a alantoína e o ácido aristolóquico da Aristolochia shimadai Hay.(Aristolochiaceae); ambos foram eficazes em neutralizar os fatores hemorrágicos dosvenenos dos elapídeos Naja naja atra e Bungarus multicinctus, ii) o tanino de Diospyroskaki Thunb. (Ebenaceae); testado contra os venenos de Laticauda semifasciata(Hidrophiidae) e Trimeresurus flavoviridis (Viperidae), o tanino apresentou efeitoantihemorrágico, iii) a tripsina-da-soja de Soya hispida (Fabaceae), iv) e a wedelolactonada Eclipta prostrata L. (Asteraceae). A literatura cita ainda vários compostos como tendopossíveis ações antiofídicas, como triterpenos pentacíclicos, compostos fenólicos,
  • 97. 83derivados fenilpropanóides e flavonóides, porém sem citar os mecanismos de ação destescompostos.Em 1994, Melo e colegas verificaram a ação antihemorrágica e antimiotóxica deE.prostrata sobre o veneno de cobras. Eles isolaram as miotoxinas bothropstoxina,bothropsina e crotoxina dos venenos de B. jararaca, B. jararacussu e L. muta, everificaram a neutralização destas pelo extrato aquoso de E. prostrata e por trêsconstituintes isolados desta planta: wadelolactona, stigmaterol e stosterol. O extrato de E.prostata, e seu principal constituinte, a wedelolactona, apresentaram efeito antimiotóxico eantihemorrágico; os outros dois constituintes foram menos eficazes em neutralizar estasações (Melo et al., 1994).O estudo preliminar sobre o efeito protetor do (-)-edunol, um pterocarpano isolado deBrongniartia podalyrioides (Leguminosae) apresentou efeito contra o veneno de B. atrox,reduzindo a mortalidade em camundongos. Estruturalmente o (-)-edunol está relacionadocom a (-)-cabenegrinas A-I e A-II, substâncias isoladas do extrato hidroalcoólico de umadas espécies de plantas popularmente conhecidas como cabeça-de-negro (Reyes-Chilpa etal, 1994).Alguns compostos, como o EDTA (ácido etilenodiaminoteracético), são capazes deinibir a ação das hemorraginas, possivelmente atraindo íons metálicos (principalmente ozinco) desta proteína, inibindo a sua ação hemorrágica (Isla, Malaga & Yarlequé, 2003).Pereira et al (1994) analisaram farmacologicamente as plantas utilizadas como antídotos devenenos de serpentes na medicina popular. Eles isolaram compostos de diferentes plantasque reduziram a letalidade do veneno de B. jararaca: i) triterpenos e esteróides dePeriandra mediterrânea (Vell.) Taub (Fabaceae) e Apuleia leiocarpa (Vogt) Macbr(Caesalpiniaceae); ii) derivados do ácido cafeíco de Vernonia condensata Baker(Compositae) e Cynara scolymus L. (Asteraceae); iii) cumarinas de Mikania glomerataSpreng (Asteraceae) e de Dorstenia brasiliensis Lam. (Moraceae); iv) flavonóides dePhyllanthus klotazschianus M. Arg (Euphorbiaceae), Citrus sinensis (L.) Osbeck(Rutaceae), Apuleia leiocarpa e Derris sericea (H.B.K.) Ducke (Fabaceae); v)lignoflavanóides de Silybum marianum Gaertn. (Compositae); vi) cumestanos de E.prostrata, vii) saponinas de Bredemeyera floribunda Willd (Polygalaceae). Pereira ecolaboradores sugerem que algumas substâncias, como o ácido aristolóquico da planta
  • 98. 84Aristolochia sp, podem inibir as ações do veneno de B. jararaca, através da inibição dafosfolipase (PLA2) do veneno. Esta enzima formaria um complexo 1:1 com o ácidoaristolóquico, porém não inibe totalmente as ações do veneno (Pereira et al., 1994). Martz(1992) relata também que o ácido aristolóquico inibe parcialmente o veneno deTrimeresurus flavoviridis (Viperidae), concluindo pela mesma ação do ácido com afosfolipase.Batina, Giglio & Sampaio (1997) também estudaram a neutralização da ação letal doveneno de C. durissus terrificus por extratos de plantas. Eles utilizaram o extrato aquoso dacasca de Peschiera fuchsiaefolia (Apocynaceae) e inocularam o veneno por viaintramuscular, relatando a neutralização do efeito letal do veneno pelo extrato de P.fuchsiaefolia.Castro et al (1999) verificaram uma possível neutralização da atividade hemorrágicainduzida pelo veneno de B. asper por 48 espécies de plantas da Costa Rica. O métodoutilizado para verificar a atividade hemorrágica do veneno foi a técnica descrita por Kondoe colegas (1960) e modificada por Gutiérrez et al. (1985). Castro e colegas tambémanalisaram a composição química dos extratos que apresentaram ação antihemorrágicautilizando o veneno de B. asper: i) Phoebe brenessii (Lauraceae), ii) Clussia palmana e C.torressii (Clusiaceae), iii) Pimenta dióica (Myrtaceae), iv) Bursera simaruba(Burseraceae), v) Croton draco (Euphorbiaceae), vi) Sapindus saponaria (Sapindaceae),vii) Persea americana (Lauraceae), (viii) Smilax cuculmeca (Smilacaceae) e ix) Virolakoschnyi (Myristicaceae). Eles relatam a presença de flavonóides, antocianinas,protocianinas e taninos nas plantas, concluindo que estes compostos poderiam ter sido osresponsáveis pela inibição da hemorragia local.Uma das melhores revisões sobre compostos químicos de plantas com supostas açõesantiofídicas, é a de Pereira e colaboradores, realizada em 1994. Após esta revisão, poucosestudos com enfoque molecular de plantas sobre a ação dos venenos foram relatados. Umaboa revisão sobre o tema foi publicada por Mors e colegas em 2000. Eles citaram váriassubstâncias isoladas de plantas que neutralizam a ação letal do veneno de B. jararaca emcamundongos: corticosteróides, triterpenos, compostos fenólicos, ácidos hidroxibenzóico,ácidos clorogênicos, curcuminóides, cumarinas, flavonóides, pterocarpanos, ácidosaristolóquicos, taninos e polissacarídeos. Eles relataram que todas estas substâncias têm em
  • 99. 85comum o fato de pertencerem à mesma classe de “metabólitos secundários”, capazes deinteragirem com receptores e enzimas dos venenos.Um excelente estudo sobre plantas da Colombia utilizadas como antiofídicas foirealizado pela equipe de ofidismo da Universidade de Antioquia e Choco, coordenado porRafael Otero Patiño. Deste trabalho resultou o livro “Plantas utilizadas contra mordedurasde serpientes em Antioquia y Chocó, Colombia”, o qual contém informações sobre o uso de85 espécies vegetais relatadas como antiofídicas por curandeiros e xamãs (Otero, Fonnegra& Jiménez, 2000). Eles também estudaram a neutralização do efeito hemorrágico doveneno de B. atrox por 75 extratos de plantas da região da Colombia; 12 neutralizaram invitro o efeito hemorrágico do veneno: i) Brownea rosademonte Berg (Caesalpiniaceae), ii)Pleopeltis percussa (Cav.) Hook & Grev. (Polypodiaceae), iii) Heliconia curtispathaPetersen (Heliconiaceae), iv) Bixa orellana L. (Bixaceae), v) Trichomanes elegans L.C.Rich (Hymenophyllaceae), vi) Citrus limon (L.) Burm. f. (Rutaceae), vii) Fícusnymphaeifolia Miller (Moraceae), ix) Struthanthus orbiculares (H.B.K.) Blume(Loranthaceae), x) Gonzalagunia panamensis (Cav.) Schumm (Rubiaceae), xi) Tabebuiarosea (Ber Told.) DC. (Bignoniaceae) e xii) Sena dariensis (Br. & R.) I. & B.(Caesalpiniaceae).Nos experimentos in vivo realizados por Otero e colegas, apenas os extratos deBrownea rosademonte, Bixa orellana e Ficus nymphaeifolia neutralizaram a hemorragiacausada por veneno botrópico. Os extratos de B. rosademonte e Pleopeltis percussa (Cav.)Hook & Grev. (Polypodiaceae) também inibiram a atividade proteolítica do veneno de B.atrox.Borges et al (2000) verificaram o efeito do extrato aquoso de Casearia sylvestris(Flacourtiaceae) sobre a letalidade, nas atividades da fosfolipase A2 (PLA2) e sobre asatividades coagulante, miotóxica e edematogência dos venenos de várias espécies deBothrops. O extrato de C. sylvestris inibiu as seguintes ações: i) PLA2 miotóxicas, classe II,isoladas dos venenos de B. pirajoi, B. neuwiedi e B. jararacussu, ii) a atividadeanticoagulante de várias PLA2, iii) a atividade miotóxica dos venenos de B. neuwiedi e B.jararacussu, iv) o edema de pata-de-rato, induzido pelo veneno de B. moojeni e B.jararacussu, bem como inibiu a atividade da miotoxina II isolada de B. moojeni e dabothropstoxina I de B. jararacussu.
  • 100. 86Em outro estudo realizado com o extrato aquoso de Casearia sylvestris, Borges et al(2001) verificaram a neutralização de proteases do veneno de várias espécies de Bothrops.O extrato desta planta neutralizou a atividade hemorrágica causada pelo veneno de B.asper, B. jararacussu, B. moojeni, B. neuwiedi e B. pirajai; além de ter neutralizado asseguintes ações: i) atividade proteolítica sobre a caseína, induzida pelos venenosbotrópicos, ii) a degradação da cadeia -fibrinogênio causada pelo veneno de B.jararacussu, iii) e aumentou o tempo de coagulação do plasma induzido pelo veneno de B.jararacussu, B. moojeni e B. neuwiedi.Ultimamente há poucos trabalhos sobre as ações de extratos de plantas capazes deinibir alguns efeitos de venenos de cobras. Mahanta e Mukherjee (2001) relataram a açãoantiofídica do extrato de Mimosa pudica (Mimoseae) da India. O extrato aquoso da raizdesta mimosácea indiana neutralizou in vitro as enzimas tóxicas do veneno de Naja kauthiae antagonizou in vivo a letalidade e a miotoxicidade deste veneno. Borges et al. (2002)realizaram uma análise química parcial de Musa sp (Musaceae) e mostraram a presença deaçúcar, saponinas e taninos capazes de interagir e neutralizar várias atividades dos venenosde B. jararacussu e C. durissus terrificus. Foram neutralizadas as ações hemorrágicas,além das atividades PLA2, miotoxicidade e coagulação do plasma. Esmeraldino et al.(2002) relataram a inibição da atividade hemorrágica do veneno de B. jararaca por frações(EA2MA e EA2MB) isoladas de Croton urucuruna (Euphorbiaceae). Mendes et al. (2002)relataram o efeito do extrato aquoso das folhas de Schizolobium parayba (Caesalpinoideae)de neutralizar as atividades proteolíticas e PLA2 do veneno de B.alternatus. Silva Júnior etal. (2002) verificaram que o extrato aquoso de Kalonchoe brasiliensis (Crassulaceae)reduziu a hemorragia e o edema induzido pelo veneno de B. alternatus.
  • 101. 87Conclusões1. A epidemiologia dos acidentes ofídicos em Sergipe, analisada durante 1999-2002, nãofoi diferente dos aspectos relatados por Vital Brazil em 1911: i) a maior freqüência foientre os homens, ii) os indivíduos com mais de 15 anos foram acidentados com maiorfreqüência, iii) os membros inferiores foram os mais atingidos; iv) a maioria dos acidentesfoi atribuída a serpentes do gênero Bothrops, v) as manifestações clínicas mais freqüentesforam: dor, edema, hemorragia local e hemorragia sistêmica, vi) e a soroterapia foi aplicadaem mais da metade dos casos; o tipo de soro mais freqüente foi o antibotrópico.2. Além da soroterapia, os tratamentos aplicados nos envenenamentos ofídicos em Sergipeincluem os métodos populares: rezas e benzeduras, preparados de contra-venenos e ospreparados com plantas, principalmente nas formas de infusão e decocção. As plantas dacaatinga de Sergipe conhecidas como antiofídicas (coletadas para verificação dasatividades antiofídicas) foram a cabeça-de-negro, a batata-de-teiú e o pinhão-bravo.3. Quanto à gravidade, a maioria dos envenenamentos em Sergipe foi considerada leve.4. Verifiquei algumas contradições nas notificações dos acidentes que ocorreram emSergipe, durante o período analisado, principalmente: i) confundindo os tipos deenvenenamento, ii) não informam como as serpentes foram identificadas para aplicação dosoro, iii) aplicação de soro crotálico com descrição de sintomas botrópicos, iv)identificação de envenenamento por Lachesis, mas sem aplicação do soro antilaquético, v)utilização de soro antibotrópico-crotálico em acidente causado por Crotalus5. Os efeitos locais dos envenenamentos botrópicos são desencadeados rapidamente, emmenos de dez minutos após a picada da serpente, daí a importância de se estudar os efeitoslocais do envenenamento por Bothrops. As principais ações locais notificadas em Sergipe,devido aos envenenamentos botrópicos foram: dor, edema, eritema e hemorragia.6. As DL50 do veneno de B. jararaca apresentaram variações entre os experimentos. Oscoeficientes de regressões e as constantes de regressões também foram diferentes, mas osdois métodos (análise probítica recomendada pela OMS e comparação entre as retas dasregressões) testados para verificar os experimentos agrupados apresentaram os mesmosvalores para DL50 (37.1g).
  • 102. 887. A DMH do veneno de B. jararaca capaz de formar uma mancha hemorrágica de 10mmde diâmetro no abdome foi 0.24g, determinada através de regressão linear do diâmetro daárea hemorrágica (y) sobre a concentração do veneno (x). Os coeficientes e constantes dasduas regressões foram próximos; a análise conjunta mostrou DMH igual às doses mínimashemorrágicas de cada experimento, 0.23g e 0.24g.8. Foram encontradas na literatura cerca de 300 plantas citadas como tendo atividadesantiofídicas (inibição da letalidade e da hemorragia), a maioria delas com base apenas nasrepresentações populares.9. Na maioria das plantas utilizadas popularmente como antiofídicas, citadas na literaturacom compostos químicos isolados, não foram realizados testes com veneno de cobras paraverificar as ações.10. O extrato aquoso da Apodanthera villosa (1mg) inibiu a letalidade do veneno de B.jararaca, as demais plantas não apresentaram efeito. As variações observadas entre osexperimentos foram minimizadas através de testes de homogeneidade (comparaçõesestatísticas múltiplas e pares); o agrupamento das amostras nas análises pôde ser utilizadopara aproveitar todos os dados devido à homogeneidade entre as repetições.11. Os testes para verificação da inibição da hemorragia local também foram homogêneos,permitindo agrupamentos nas análises. O extrato aquoso das plantas da famíliaCucurbitaceae, Apodanthera villosa (1.0, 3.0 e 6.0mg) e Apodanthera glaziovii (1.0, 3.0,6.0 e 10.0mg), inibiram a ação hemorrágica do veneno.12. As plantas da família Euphorbiaceae, Jatropha mollissima (3.0 e 6.0mg) e Jatrophaelliptica (6.0 e 10.0mg), também inibiram a hemorragia induzida pelo veneno, mas apenasalgumas concentrações apresentaram efeito significativo, quando comparadas com o grupocontrole.13. Embora não tenham sido isolados compostos químicos das plantas estudadas, éprovável que os mecanismos de ações estejam relacionados às atuações específicas dosseus componentes, os quais podem inibir as ações do veneno através de três mecanismosdescritos na literatura: i) o extrato pode atuar como antagonista do veneno, bloqueando osreceptores, ii) o extrato pode ligar-se às enzimas do veneno, como as fosfolipases,
  • 103. 89peptídeos e proteínas, formando um complexo inativo, iii) ou o extrato pode apresentaruma ligação com as metaloproteínas do veneno, retirando os íons Zn++ou ligando-sediretamente a estas, formando um complexo inativo composto pelo extrato e hemorraginas.14. O trabalho evidenciou significante efeito anti-hemorrágico nas quatro plantas testadas einibição da ação letal pelo extrato da batata-de-teiú de Sergipe, validando as representaçõespopulares que se dão para o uso antiofídico de A. villosa, A. glaziovii, J. mollissima e J.elliptica.ReferênciasAb’Saber, A.N., 1977. Os domínios morfoclimáticos na América do Sul – Primeiraaproximação. Geomorfologia, Instituto de Geografia, Universidade de São Paulo, 52:1-21.Acosta, A.R.; W. Uzcategui; R. Azuaje; I. Aguilar & M.E. Girón, 2000. Análisis clínico yepidemiológico de los accidentes por mordeduras de seientes del género Bothrops enVenezuela. Rev. Cubana Med. Trop. 52(2):90-94.Agra, M. F., 1996. Plantas da medicina popular dos cariris velhos. Editora União. JoãoPessoa, 125p.Amaral, C.F.S.; N.A. Rezende; A.O. Silva, 1986. Insuficiência renal aguda secundária aacidentes ofídicos botrópico e crotálico: Análise de 63 casos. Ver. Inst. Med. Trop.28(4):220-227.Araujo, L.C.L. & C.E.P. Araujo, 1994. Farmacologia: roteiros de aulas práticas e estudosdirigidos. Editora Unimep. Piracicaba, 117p.Araújo, M., 2003. Ofidismo. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Uncisal/Ecmal& Lava. Maceió.Batina, M.F.C.; J.R. Giglio & S.V. Sampaio, 1997. Methodological care in the evaluationof the LD50 and of the neutralization of the lethal effect of Crotalus durissus terrificusvenom by the plant Perchiera fuchsiaefolia (Apocynaceae). Journal of VenomousAnimals and Toxins 3(1):1-8.Bochner, R & Struchiner, C.J., 2003. Epidemiologia dos acidentes ofídicos nos últimos 100anos no Brasil: uma revisão. Cad. Saúde Pública 19(1):7-16.Bolaños, R., 1984. Serpientes, venenos y ofidismo em Centroamérica. San José, C.R.Editorial Universidad de Costa Rica, 136p.
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  • 110. 96Silveira, P.V.P. & S.A. Nishioka, 1992. Non-venomous snake bite and snake withoutenvenoming in a brazilian teaching hospital: Analysis of 91 cases. Rev. Inst. Med.Trop. 34(6):499-503.Simões, C.M.O., L.A. Mentz, E.P. Schenkel, B.E.Irgang & J.R. Stehmann, 1998. Plantasda medicina popular no Rio Grande do Sul. 5aedição. Editora da Universidade do RioGrande do Sul. Porto Alegre, 173p.Slotta, C.H. & H.L. Fraenkel-Conrat, 1938-1939. Estudos químicos sobre os venenosofídicos – Purificação e cristalização do veneno da cobra cascavel. Memórias doInstituto Butantan. 12:505-512.Soerensen, B., 1990. Animais peçonhentos. Livraria Atheneu Editora. Rio de Janeiro,138p.Sokal. R.R. & F.J. Rholf, 1995. Biometry. 3rd ed. W.H. Freeman & Co. New York, 887p.Sommer, F., 1953. A vida do botânico Martius. Edições Melhoramentos. São Paulo.Sprugel, D.G., 1983. Correcting for bias in log-transformed allometric equations. Ecology64(1):209-210.Trebien, H.A. & J.B. Calixto, 1989. Pharmacological evaluation of rat paw oedemainduced by Bothrops jararaca venom. Agents and Actions 26(3/4):292-300.Vanzolini, P.E., 1972. Miscellaneous notes on the ecology of some brasilian lizards(Sauria). Papéis Avulsos Zool. São Paulo 26(8):83-115.Vanzolini, P.E.; A.M.M. Ramos-Costa & L.J. Vitt, 1980. Répteis das Caatingas. AcademiaBrasileira de Ciências. Rio de Janeiro, 161p.Vanzolini, P.E., 1986. Addenda and corrigenda to Parte I Snakes. In: Catalogue of theNeotropical Squamata, J.A. Peters & B. Oejas-Miranda. Washington, D.C.Smithsonian institution 347p.Vanzolini, P.E., 1993. Métodos estatísticos elementares em sistemática zoológica. Hucitec.São Paulo, 130p.Vanzolini, P.E., 1996. Introdução à herpetologia no Brasil – O contexto científico e políticoda expedição bávara ao Brasil de Johann Baptis von Spix & Johann Georg Wagler.Imaginário-USP 3:81-121.Vanzolini, P.E. & M.E.V. Caleffo, 2002. A taxonomic bibliography of the south Americansnakes of the Crotalus durissus complex (Serpentes, Viperidae). An. Acad. Bras.Cienc. 74(1):37-83Vieira, L.S., 1992 Fitoterapia da Amazônia – Manual das plantas medicinais. 2aedição.Editora Agronômica Ceres. São Paulo, 347p.Villarroel, M.S., 1977. Contribuição ao estudo de venenos e antivenenos botrópicos. Tesede doutorado. Universidade de São Paulo 53p. Não publicado.Vital Brazil, O., 1987. History of the primordia of snake-bite accidente serotherapy. Mem.Inst. Butantan 49(1):7-20.
  • 111. 97Vital Brazil, O., 1990. Pharmacology of coral snake venoms. Mem. Inst. Butantan 52:31-32.Zar, J.H., 1996. Biostatistical Analysis. Third edition. Prentice Hall. New Jersey, 662p.
  • 112. 98Apêndices
  • 113. 99Apêndice 1. Proporção de camundongos mortos/inoculados com relação à concentração de extrato.Apodanthera villosa (batata-de-teiú)Dose de extrato (g) Experimento I0.002 0/60.004 0/60.008 0/60.015 1/60.03 5/6Dose de extrato (g) Experimento II0.005 0/60.01 0/60.02 3/60.03 5/60.04 4/6Dose de extrato (g) Experimento III0.005 0/60.01 0/60.02 6/60.03 5/60.04 6/6DL50 da análise probítica conjunta = 0.018gJatropha mollissmia (pinhão-bravo)Dose de extrato (g) Experimento I0.001 0/60.004 0/60.009 6/60.01 5/60.04 6/6Dose de extrato (g) Experimento II0.001 3/60.003 5/60.005 6/60.007 6/60.009 6/6Dose de extrato (g) Experimento III0.0003 1/60.0005 1/60.001 0/60.003 5/60.005 4/6DL50 da análise probítica conjunta = 0.002gApodanthera glaziovii (cabeça-de-negro)Dose de extrato (g) Experimento I0.001 0/60.003 0/60.005 2/60.007 1/60.009 3/6Dose de extrato (g) Experimento II0.003 0/60.005 0/60.007 2/60.009 2/60.011 6/6Dose de extrato (g) Experimento III0.003 0/60.005 2/60.007 5/60.009 5/60.011 6/6DL50 da análise probítica conjunta = 0.007gJatropha elliptica (batata-de-teiú)Dose de extrato (g) Experimento I0.010 1/60.015 0/60.020 3/60.025 5/60.030 6/6DL50 da análise probítica conjunta = 0.018g
  • 114. 100Apêndice 2. Homogeneidade entre os grupos controle: tempo desobrevida (h).Nº de controlesI II III IV V VI2.66 2.53 2.26 2.70 3.00 3.462.66 2.66 2.26 2.81 3.08 3.852.91 2.66 2.51 2.91 3.08 4.213.16 3.46 2.53 3.75 4.03 5.013.40 3.51 4.76 3.75 4.93 5.133.66 4.23 5.93Apêndice 3. Apodanthera villosa, estudo piloto: tempo desobrevida (h).ExtratoControle0.74mg 1.48mg1.28 1.46 0.752.25 2.13 1.332.45 2.18 1.782.26 1.862.38 2.033.21 2.15
  • 115. 101Apêndice 4. Apodanthera villosa:tempo de sobrevida (h).Controle Extrato (1mg)Experimento I2.66 1.562.66 2.602.91 2.603.16 2.663.40 3.603.66 4.2148.0048.00Experimento II2.53 1.662.66 2.162.66 2.213.46 2.353.51 2.714.23 2.752.753.053.053.083.133.413.513.916.1648.00Experimento III2.26 1.762.26 1.812.51 1.852.53 1.854.76 1.855.93 1.951.952.102.352.352.432.512.582.6348.0048.00Experimento IV2.70 2.302.71 2.582.91 2.633.75 2.963.75 3.063.38Apêndice 5. Apodanthera glaziovii: tempo desobrevida (h).ExtratoControle1mg 1.48mg 3.0mg 5.0mgExperimento I2.26 2.13 1.35 1.062.26 2.83 1.66 1.152.51 2.83 1.81 1.152.53 3.50 1.81 1.304.76 5.00 2.08 1.565.93 48.00 3.45 1.56Experimento II2.70 2.23 2.162.81 2.23 2.162.91 2.23 2.163.75 2.23 2.163.75 2.23 2.162.16Experimento III3.46 2.053.85 2.084.21 2.605.01 2.605.13 2.602.602.602.602.602.602.602.682.762.883.153.153.153.333.483.483.663.834.30
  • 116. 102Apêndice 6. Jatropha mollissima: tempo desobrevida (h).Controle Extrato (1mg)Experimento I2.70 2.352.81 2.352.91 2.353.75 2.353.75 2.7148.0Experimento II3.46 1.553.85 2.214.21 2.215.01 2.785.13 2.833.33Apêndice 7. Jatropha elliptica: tempo de sobrevida(h).ExtratoControle0.74mg 1.0mg 1.48mg 5.0mg 10.0mgExperimento I3.00 2.25 2.00 1.633.08 3.00 2.73 2.733.08 3.00 2.73 2.734.03 3.08 2.95 2.734.93 3.08 3.11 3.183.26 3.53 3.38Experimento II2.66 1.48 1.402.66 1.48 1.402.91 1.48 1.463.16 2.51 2.433.40 2.51 2.433.66 2.51 2.432.76 2.4348.0 2.68
  • 117. 103Apêndice 8. Apodanthera villosa: diâmetroda área hemorrágica (mm).ExtratoControle1mg 3mg 6mgExperimento I16.31 9.77 4.6516.51 10.88 5.2919.25 12.26 5.7520.25 13.40 6.4814.45Experimento II16.62 12.05 4.0618.12 12.15 5.7519.61 12.36 6.9513.25 9.77Experimento III12.91 3.90 0.013.11 6.67 0.017.44 8.51 3.9011.17 7.98Apêndice 10. Jatropha mollissima: diâmetroda área hemorrágica (mm).ExtratoControle1mg 3mg 6mgExperimento I12.91 6.7714.00 7.5714.05 12.5616.89 13.1114.3614.4516.85Experimento II12.91 13.8213.11 16.1216.6617.48Experimento III14.93 5.97 7.3116.43 7.04 7.409.44 13.16Experimento VI12.10 4.51 4.2213.44 4.78 4.3714.27 6.58 5.2914.45 7.22 5.8614.67 9.51 6.4810.03 7.229.44Apêndice 9. Apodanthera glaziovii: diâmetroda área hemorrágica (mm).ExtratoControle1mg 3mg 6mg 10mgExperimento I12.91 4.51 8.95 4.65 5.6414.00 10.09 8.66 4.78 6.4814.05 11.28 5.17 6.6716.89 12.26 6.58 6.77Experimento II12.91 5.86 8.52 5.75 5.1713.11 8.13 8.88 6.18 6.0717.44 11.28 9.44 6.28 7.7312.10 9.70 9.09 12.9110.0910.15Apêndice 11. Jatropha elliptica: diâmetro da áreahemorrágica (mm).ExtratoControle1mg 3mg 6mg 10mgExperimento I13.96 13.77 13.2519.87 13.61 14.9320.19 18.09 15.5520.84 14.27 18.9122.20 20.09 19.93Experimento II16.31 2.5216.51 2.7619.25 7.1320.19 7.4820.25 10.46Experimento III16.62 1.95 2.7618.12 2.25 3.5619.61 2.76 4.065.97 6.38Experimento IV12.91 8.59 8.37 2.7613.11 11.51 14.27 3.1917.44 14.40 3.563.90
  • 118. 104Apêndice 12. Diâmetro da área hemorrágica com relação à concentraçãode extrato.Dose de extrato (mg) Diâmetro da área hemorrágica (mm)Apodanthera villosa (batata-de-teiú)1.0 - - -3.0 1.59 1.95 -6.0 1.12 - -Apodanthera glaziovii (cabeça-de-negro)1.0 - - -3.0 1.59 2.52 -6.0 1.59 1.95 -10.0 1.95 2.76 -Jatropha mollissima (pinhão-bravo)1.0 - - -3.0 3.90 - -6.0 3.90 4.06 -Jatropha elliptica (batata-de-teiú)1.0 1.12 1.59 1.59 3.563.0 1.59 1.59 2.76 3.566.0 1.95 2.25 2.52 4.9110.0 2.52 2.76 3.19 -
  • 119. 105Apêndice 13. Espécies de plantas citadas como antiofídicas na literatura.Planta Família Composto (s) Autor (es)Aegiphila salutaris (contra-cobra) Verbenaceae Pio Corrêa, 1909Annona furfuracea (araticum) Anonaceae Peckolt, 1814Apuleia leiocarpa Caesalpiniaceae -amirin, apuleína Pereira et al., 1994Arisaema phythonium (=Zomicarpapythonium)Araceaea D’Oliveira, 1854Aristoloquia antihysterica(=Aristoloquia triangularis) (cipó-de-jarrinha ou mil-homens)Aristolochiaceae D’Oliveira, 1854A. shimadai Aristolochiaceae alantoína, ácido aristolóquico Tsai et al., 1975; 1980; Martz,1992A. trilobata (calunga ou jarrinha) Aristolochiaceae Pio Corrêa, 1926-1978Bixa orellana BixaceaeBotrichium virginicum (língua-de-víbora-do-campo)Ophioglossaceae Peckolt & Peckolt, 1888Bredemeyera floribunda Polygalaceae bredemeirosida Pereira et al., 1994Brongniartia podalyrioides Leguminosae (-)-edunol Reyes-Chilpa et al., 1994Brownea rosademonte Caesalpiniaceae Otero et al., 2000Bryonia bonariensis ficifolio(=Cayaponia bonariensis) (tuyutá ouabobrinha-do-mato)Cucurbitaceae D’Oliveira, 1854Bursera simaruba Burseraceae flavanoide e taninos condensados Castro et al., 1999Cabeça-de-negro cabenegrina A-I e A-II Nakagawa et al., 1982Casearia sylvestris (língua-de-tiú) Flacurtiaceae Braga, 1960; Borges, 2000, 2001Chiococca anguifuga (=Chiococcabrachiata) (raiz-preta)Rubiaceae D’Oliveira, 1854; Braga, 1960Cissampelos ebracteata (orelha-de-onça)Menispermaceae Schindler, 1884C. glaberrima (cipó-de-cobra) Menispermaceae Schindler, 1884; Pio Corrêa, 1909C. ovalifolia (orelha-de-onça) Menispermaceae D’Oliveira, 1854Citrus limon Rutaceae Otero et al., 2000C. sinensis Rutaceae hesperidina Pereira et al., 1994Clusia palmana Clusiaceae flavanóides (vitexina e epicatequina),taninosCastro et al., 1999C. torresii Clusiaceae flavanóides (vitexina e epicatequina),taninosCastro et al., 1999Cocculus filipendula (abútua-miúda) Menispermaceae Pio Corrêa, 1926-1978Croton sp. (erva-mular ou curraleira) Euphorbiaceae D’Oliveira, 1854C. draco Euphorbiaceae flavanóides (catequina), taninoscondensadosCastro et al., 1999C. urucuruna Euphorbiaceae EA2MA, EA2MB Esmeraldino, 2002Cynara scolymus Asteraceae cinarina Pereira et al., 1994Derris sericea Fabaceae derricidina Pereira et al., 1994Diospyros kaki Ebenaceae tanino persimmon Okonagi et al.; Martz, 1992Dostenia brasiliensis Moraceae bergapteno Pereira et al., 1994Dracontium polyphyllum(=Dracontium asperum) (milho-de-cobra, jararaca, jararaca-mirim ouerva-de-santa maria)Araceae D’Oliveira, 1854; Peckolt &Peckolt, 1888; Pio Corrêa, 1909;Braga, 1960Eclipta alba (agrião-do-brejo) Asteraceae Silveira, 1921E. prostrata (erva-de-botão) Asteraceae wadelolactona, sitosterol,stigmasterolMartz, 1992; Mors, 1989, 1994Erythroxylon anguifugum (fruta-de-pombo)Erythroxylaceae D’Oliveira, 1854Eupatorim crenatum (=Mikaniacordifolia)Asteraceae D’Oliveira, 1854Ficus nymphaeifolia Moraceae Otero et al., 2000Gomphrena officinalis (para-tudo) Amaranthaceae Schindler, 1884Gonzalagunia panamensis Rubiaceae Otero et al., 2000Heliconia curtispatha Heliconiaceae Otero et al., 2000
  • 120. 106Apêndice 13. Continuação.Planta Família Composto (s) Autor (es)Hypericum irazuensis Clusiaceae Castro et al., 1999H. laxiusculum (alecrim-bravo) Hypericineae D’Oliveira, 1854; Pio Corrêa,1926-1978Isoetes martii (batatinha-d’água) Isoetaceae Peckolt & Peckolt, 1888; PioCorrêa, 1926-1978Kalanchoe brasiliensis Crassulaceae Silva Júnior et al., 2002Mikania glomerata Asteraceae cumarina Pereira et al., 1994M. guaco (guaco) Asteraceae Schindler, 1884M. opifera (=Mikania cordifolia)(erva-de-cobra)Asteraceae Schindler, 1884; Silva Junior et al.,2002Mimosa pudica Mimoseae Mahanta & Mukherjee, 2001Musa sp. Musaceae açúcar, saponinas e taninos Borges et al., 2002Ophioglossum palmatum (língua-de-vébora)Ophioglossaceae Peckolt & Peckolt, 1888Peltodon radicans (paracari ouhortelã-brava)Labiateae Schindler, 1884; Braga, 1960Periandra mediterranea Fabaceae periandrinos Pereira et al., 1994Persea americana Lauraceae flavonóide, monosacarídeo(perseína), protocianidina, taninoscondensadosCastro et al., 1999Peschiera fuchsiaefolia Apocynaceae Batina, Giglio & Sampaio, 1997Phoebe brenesii Lauraceae flavanóides (quercetina), taninoscondensadosCastro et al., 1999Phyllanthus klotzschianus Euphorbiaceae rutina, quercetina Pereira et al., 1994Pimenta dioica Myrtaceae flavanóides (quercetina e catequina),taninos condensadosCastro et al., 1999Pleopeltis percussa Polypodiaceae Otero et al., 2000Sapindus saponaria Sapindaceae flavonóides Castro et al., 1999Schizolobium parayba Caesalpiniaceae Mendes et al., 2002Schumanniophyton magnificum Rubiaceae scumaniofosídeo Akinyili & Akubue, 1986; Martz,1992Sena dariensis Caesalpiniaceae Otero et al., 2000Silybum marianum Asteraceae silimarina Pereira et al., 1994Smilax cuculmeca Smilacaceae antocianinas Castro et al., 1999Soya hispida Fabaceae tripsina da soja Martz, 1992Staurostigma luschnathianum(jararaca-do-rio)Araceae Peckolt & Peckolt, 1888Struhanthus orbiculares Loranthaceae Otero et al., 2000Tabebuia rosea Bignoniaceae Otero et al., 2000Tradescanthia geniculata (=Gibasisgeniculata) (trapoeiraba-efêmera)Commelinaceae Peckolt & Peckolt, 1888Trichomanes elegans Hymenophyllaceae Otero et al., 2000Vernonia condensata Asteraceae ácido clorogênico Pereira et al., 1994Virola koschnyi Myristicaceae taninos condensados Castro et al., 1999Zamia brongniartii (salgueira-da-terra) Zamiaceae Peckolt & Peckolt, 1888Mais plantas em Mors et al. (2000), levantamento de substâncias isoladas de plantas antiofídicas.

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