04 ofidismo em sergipe- epidemiologia

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04 ofidismo em sergipe- epidemiologia

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPENÚCLEO DE ESTUDOS DO SEMI-ÁRIDO - NESAMESTRADO EM DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE- PRODEMAOfidismo em Sergipe: epidemiologia eplantas da caatinga utilizadas popularmente como antiofídicasJeane Carvalho VilarOrientadores: Dr. Angelo Roberto AntoniolliDra. Maria de Fátima Domingues Furtado2004
  2. 2. iiOfidismo em Sergipe: epidemiologia eplantas da caatinga utilizadas popularmente como antiofídicasJeane Carvalho VilarDissertação apresentada ao curso deMestrado em Desenvolvimento e MeioAmbiente– Prodema – Nesa, UniversidadeFederal de Sergipe, como parte dosrequisitos para obtenção do título de mestreem Desenvolvimento e Meio Ambiente.2004
  3. 3. iiiOfidismo em Sergipe: epidemiologia eplantas da caatinga utilizadas popularmente como antiofídicasJeane Carvalho VilarBanca ExaminadoraDr. Celso Morato de CarvalhoUniversidade Federal de Sergipe -Instituto Nacional de Pesquisa da AmazôniaDra. Maria de Fátima Domingues FurtadoInstituto Butantan- Secretaria da Saúde de São PauloDr. Angelo Roberto AntoniolliUniversidade Federal de Sergipe27.ii.2004
  4. 4. ivDedico este trabalho aos meusqueridos pais: Joel e Hélia
  5. 5. vAgradecimentosAo Dr. Celso Morato de Carvalho, Universidade Federal de Sergipe, pelo constanteapoio, auxílio na bibliografia e, principalmente, pela agradável companhia durante aexecução do trabalho.A Dra. Maria de Fátima Domingues Furtado, Instituto Butantan, São Paulo, queorientou e incentivou a pesquisa em todas as fases, auxiliou na bibliografia e pela gentilacolhida que tive no Instituto Butantan.Ao Dr. Paulo Emílio Vanzolini, Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo,pelas sugestões, auxílio na bibliografia e, principalmente, pela amizade.A Dra. Vera Lúcia Gomes Klein, Universidade Federal de Goiás e Dra. Lúcia Rossi,Instituto de Botânica, São Paulo, que identificaram as plantas das famílias Cucurbitaceae eEuphorbiaceae.A médica veterinária Gina Maria Freire Brandão Linofi, Vigilância Epidemiológica,Secretaria Estadual de Saúde de Sergipe, pelas informações dos acidentes ofídicos.Ao Dr. José Wellington Carvalho Vilar, Centro Federal de Educação Tecnológica deSergipe, pelas valiosas sugestões.Ao MSc. Clóvis Roberto Pereira Franco, que auxiliou nas edições de fotografias; Dr.Carlos Dias da Silva Júnior e Dr. Angelo Roberto Antoniolli, professores da UniversidadeFederal de Sergipe, que deram suporte durante as fases experimentais do trabalho.
  6. 6. viSumárioResumo............................................................................................................................ xiiiAbstract........................................................................................................................... xivIntrodução....................................................................................................................... 01Literatura........................................................................................................................ 04A origem e evolução do estudo dos venenos ofídicos............................................. 04Plantas medicinais e ofidismo................................................................................... 09Materiais e Métodos...................................................................................................... 141. Epidemiologia......................................................................................................... 142. Parâmetros biológicos do veneno de Bothrops jararaca.................................. 153. Verificação da eficácia das plantas..................................................................... 18Resultados....................................................................................................................... 221. Epidemiologia dos acidentes ofídicos.................................................................. 222. Parâmetros biológicos do veneno de Bothrops jararaca.................................. 33Dose letal (DL50) ................................................................................................... 33Dose mínima hemorrágica (DMH)...................................................................... 363. Eficácia das plantas............................................................................................... 37Dose letal (DL50) ................................................................................................... 37Inibição da letalidade........................................................................................... 38Inibição da hemorragia local............................................................................... 44Discussão......................................................................................................................... 601. Epidemiologia dos acidentes ofídicos.................................................................. 602. Parâmetros biológicos do veneno botrópico....................................................... 703. Eficácia das plantas em inibir os efeitos do veneno de Bothrops jararaca..... 79Conclusões....................................................................................................................... 87Referências...................................................................................................................... 89Apêndices........................................................................................................................ 98
  7. 7. viiLista de tabelasTabela 1. Distribuições de freqüências do número de ampolas de soros antiofídicosutilizados em Sergipe................................................................................... 26Tabela 2. Coeficientes de incidência anuais dos acidentes ofídicos em Sergipe (1999-2002)............................................................................................................. 27Tabela 3. Distribuição anual dos acidentes ofídicos por gênero de serpente.................. 27Tabela 4. Distribuições de freqüências dos acidentes ofídicos por idade, sexo............... 27Tabela 5. Sazonalidade dos acidentes ofídicos: proporção entre períodos seco (verão)e chuva (inverno)........................................................................................... 28Tabela 6. Acidentes ofídicos: associações entre sexo dos acidentados, períodoanalisado e sazonalidade............................................................................... 28Tabela 7. Proporções dos acidentes ofídicos por região.................................................. 29Tabela 8. Distribuições de freqüências dos acidentes ofídicos por regiões (1999-2002).............................................................................................................. 29Tabela 9. Acidentes ofídicos, Sergipe (1999-2002): sintomas locais mais freqüentesnas três horas do acidente e após este período.............................................. 31Tabela 10. Envenenamentos ofídicos, Sergipe: alterações locais e sistêmicas................ 32Tabela 11. Classificação de acidentes ofídicos de Sergipe quanto à gravidade doscasos.............................................................................................................. 32Tabela 12. Bothrops jararaca, proporção entre camundongos mortos e inoculadosapós 24 horas de observação......................................................................... 34Tabela 13. Bothrops jararaca, DL50 do veneno: programa probítico da OMS............... 34Tabela 14. Bothrops jararaca, valores probíticos do número de camundongos mortos(y) sobre a concentração de veneno (x): programa probítico da OMS......... 34Tabela 15. Bothrops jararaca, estatística da regressão do número de camundongosmortos (y) sobre a concentração de veneno (x): comparações entre retas.... 34Tabela 16. Bothrops jararaca, DL50 do veneno: comparações entre retas e programaprobítico da OMS.......................................................................................... 35Tabela 17. Bothrops jararaca, diâmetro da área hemorrágica........................................ 36
  8. 8. viiiTabela 18. Bothrops jararaca, estatística da regressão do diâmetro da áreahemorrágica (mm) sobre a concentração de veneno.................................... 36Tabela 19. Dose letal 50% (DL50) dos extratos das plantas............................................. 37Tabela 20. Bothrops jararaca, homogeneidade entre os grupos controles: estatísticada distribuição de freqüência do tempo de sobrevida dos camundongos (h)................... 38Tabela 21. Bothrops jararaca, homogeneidade entre grupos controles: Anova dotempo de sobrevida dos camundongos (h)....................................................................... 38Tabela 22. Apodanthera villosa, estudo piloto: estatística da distribuição defreqüência do tempo de sobrevida dos camundongos (h)................................................ 39Tabela 23. Apodanthera villosa, estudo piloto: Anova do tempo de sobrevida doscamundongos (h)........................................................................................ 40Tabela 24. Apodanthera villosa, homogeneidade entre experimentos: estatística dadistribuição de freqüência do tempo de sobrevida dos camundongos (h). 40Tabela 25. Apodanthera villosa, homogeneidade entre experimentos: Anova do tempode sobrevida dos camundongos (h).................................................................................. 40Tabela 26. Apodanthera villosa, estatística da distribuição de freqüência do tempo desobrevida dos camundongos (h)................................................................... 40Tabela 27. Apodanthera glaziovii, homogeneidade entre experimentos: estatística dadistribuição de freqüência do tempo de sobrevida dos camundongos (h).... 41Tabela 28. Apodanthera glaziovii, homogeneidade entre experimentos: Anova dotempo de sobrevida dos camundongos (h)................................................... 41Tabela 29. Apodanthera glaziovii, estatística da distribuição de freqüência do tempode sobrevida dos camundongos (h).............................................................. 41Tabela 30. Apodanthera glaziovii, Anova do tempo de sobrevida dos camundongos(h).................................................................................................................. 42Tabela 31. Jatropha mollissima, homogeneidade entre experimentos: estatística dadistribuição de freqüência do tempo de sobrevida dos camundongos (h). 42Tabela 32. Jatropha mollissima: estatística da distribuição de freqüência do tempo desobrevida dos camundongos (h)................................................................... 42Tabela 33. Jatropha elliptica, estatística da distribuição de freqüência do tempo desobrevida dos camundongos (h)................................................................. 43Tabela 34. Jatropha elliptica, Anova do tempo de sobrevida dos camundongos (h)..... 43
  9. 9. ixTabela 35. Apodanthera villosa, homogeneidade entre experimentos: estatística dadistribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica (mm)........... 44Tabela 36. Apodanthera villosa, homogeneidade entre grupos controles: Anova,diâmetro da área hemorrágica (mm).......................................................... 44Tabela 37. Apodanthera villosa, homogeneidade entre experimentos: estatística dadistribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica (mm)........... 45Tabela 38. Apodanthera villosa, estatística da distribuição de freqüência do diâmetroda área hemorrágica (mm)......................................................................... 45Tabela 39. Apodanthera villosa, Anova, diâmetro da área hemorrágica (mm).............. 45Tabela 40. Apodanthera villosa, teste de Tukey , diâmetro da área hemorrágica(mm)........................................................................................................... 45Tabela 41. Apodanthera glaziovii, homogeneidade entre os grupos controles:estatística da distribuição de freqüência do diâmetro da áreahemorrágica (mm)...................................................................................... 47Tabela 42. Apodanthera glaziovii, homogeneidade entre experimentos: estatística dadistribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica (mm)........... 48Tabela 43. Apodanthera glaziovii, estatística da distribuição de freqüência dodiâmetro da área hemorrágica (mm).......................................................... 48Tabela 44. Apodanthera glaziovii, Anova, diâmetro da área hemorrágica (mm)........... 48Tabela 45. Apodanthera glaziovii, teste de Tukey, diâmetro da área hemorrágica(mm)........................................................................................................... 49Tabela 46. Jatropha mollissima, estatística da distribuição de freqüência do diâmetroda área hemorrágica (mm), homogeneidade entre os grupos controles..... 51Tabela 47. Jatropha mollissima, homogeneidade entre grupos controles: Anova,diâmetro da área hemorrágica (mm).......................................................... 51Tabela 48. Jatropha mollissima, homogeneidade entre experimentos: estatística dadistribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica (mm)........... 52Tabela 49. Jatropha mollissima, estatística da distribuição de freqüência do diâmetroda área hemorrágica (mm)......................................................................... 52Tabela 50. Jatropha mollissima, Anova, diâmetro da área hemorrágica (mm).............. 52Tabela 51. Jatropha mollissima, teste de Tukey, diâmetro da área hemorrágica (mm). 52
  10. 10. xTabela 52. Jatropha elliptica, homogeneidade entre os grupos controles: estatísticada distribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica (mm)...... 54Tabela 53. Jatropha elliptica, Anova, homogeneidade entre os grupos controles:diâmetro da área hemorrágica (mm).......................................................... 54Tabela 54. Jatropha elliptica, homogeneidade entre experimentos: estatística dadistribuição de freqüência do diâmetro da área hemorrágica (mm)........... 55Tabela 55. Jatropha elliptica, estatística da distribuição de freqüência do diâmetro daárea hemorrágica (mm).............................................................................. 55Tabela 56. Jatropha elliptica, Anova, diâmetro da área hemorrágica (mm).................. 55Tabela 57. Jatropha elliptica, teste de Tukey (q), diâmetro da área hemorrágica(mm)........................................................................................................... 56
  11. 11. xiLista de figurasFigura 1. Localização da região de Curituba, Sergipe..................................................... 18Figura 2. Localização das regionais de saúde e os domínios morfoclimáticos dasregiões de Sergipe............................................................................................ 25Figura 3. Regressão dos valores probíticos sobre as dosagens: comparações entre asretas.................................................................................................................. 35Figura 4. Apodanthera villosa, manchas hemorrágicas: grupo experimental (extrato eveneno) e controle (veneno).......................................................................... 46Figura 5. Apodanthera glaziovii, manchas hemorrágicas: grupo experimental (extratoe veneno) e controle (veneno)......................................................................... 50Figura 6. Jatropha mollissima, manchas hemorrágicas: grupo experimental (extrato eveneno) e controle (veneno)............................................................................ 53Figura 7. Jatropha elliptica, manchas hemorrágicas: grupo experimental (extrato eveneno) e controle (veneno)............................................................................ 57Figura 8. Manchas hemorrágicas dos extratos das plantas: Apodanthera villosa eApodanthera glaziovii...................................................................................... 58Figura 9. Manchas hemorrágicas dos extratos das plantas: Jatropha mollissima eJatropha elliptica............................................................................................. 59
  12. 12. xiiApêndicesApêndice 1. Proporção de camundongos mortos/inoculados com relação àconcentração de extrato............................................................................ 99Apêndice 2. Homogeneidade entre grupos controles: tempo de sobrevida (h)................ 100Apêndice 3. Apodanthera villosa, estudo piloto: tempo de sobrevida (h)....................... 100Apêndice 4. Apodanthera villosa: tempo de sobrevida (h).............................................. 101Apêndice 5. Apodanthera glaziovii: tempo de sobrevida (h)........................................... 101Apêndice 6. Jatropha mollissima: tempo de sobrevida (h).............................................. 102Apêndice 7. Jatropha elliptica: tempo de sobrevida (h).................................................. 102Apêndice 8. Apodanthera villosa: diâmetro da área hemorrágica (mm)......................... 103Apêndice 9. Apodanthera glaziovii: diâmetro da área hemorrágica (mm)...................... 103Apêndice 10. Jatropha mollissima: diâmetro da área hemorrágica (mm)....................... 103Apêndice 11. Jatropha elliptica: diâmetro da área hemorrágica (mm)........................... 103Apêndice 12. Diâmetro da área hemorrágica com relação à concentração de extrato..... 104Apêndice 13. Espécies de plantas citadas como antiofídicas na literatura...................... 105
  13. 13. xiiiResumoForam analisados os aspectos epidemiológicos dos acidentes ofídicos que ocorreramem Sergipe no período 1999-2002 e verificado as ações de plantas indicadas popularmentecomo antiofídicas na catinga, utilizando o veneno de Bothrops jararaca (Viperidae) comomodelo experimental.No período analisado ocorreram 95 casos de acidentes ofídicos notificados; oscoeficientes de incidência anual variaram entre 0,16 a 0,88 casos por 10000 habitantes dazona rural. Os homens foram mais atingidos; a maior ocorrência dos acidentes foi na faixaetária até 20 anos; no período anual seco (setembro a abril) ocorreram mais acidentes.Acidentes causados por Bothrops foram mais freqüentes (93%), seguidos por Crotalus(5%) e Micrurus (1%). Dois acidentes notificados como tendo sido causado por Lachesisprovavelmente estão em erro. A soroterapia foi aplicada em pelo menos 65% dos casos, osdemais não constam nas notificações.Para verificar as ações antiofídicas das plantas, primeiro foram determinados osparâmetros biológicos das ações letais e hemorrágicas do veneno de B. jararaca, através decomparações entre retas das regressões e análises probíticas. A DL50 do veneno foi 37.1g,a DMH foi 0.24g; as doses-desafio utilizadas nos experimentos foram 2DL50(74.2g) e5DMH (1.2g).Três plantas da caatinga foram analisadas para verificar a inibição das açõeshemorrágicas e letais do veneno: Apodanthera villosa, batata-de-teiú (Cucurbitaceae);Apodanthera glaziovii, cabeça-de-negro (Cucurbitaceae) e Jatropha mollissima, pinhão-bravo (Euphorbiaceae). A planta Jatropha elliptica, batata-de-teiú (Euphorbiaceae),coletada no cerrado do rio Tocantins (Peixe, To), também foi analisada. O extrato aquosoda A. villosa (1mg) aumentou o tempo de sobrevida dos animais experimentais quandocomparado com os animais controles inoculados apenas com o veneno de B. jararaca. Asmanchas hemorrágicas dos animais experimentais, inoculados com veneno mais osextratos aquosos de A. villosa (1.0, 3.0 e 6.0mg), A. glaziovii (1.0, 3.0, 6.0 e 10.0mg), J.mollissima (1.0, 3.0 e 6.0mg) e J. elliptica (1.0, 3.0, 6.0 e 10.0mg), foramsignificantemente menores do que os controles.
  14. 14. xivAbstractEpidemiological aspects of the ophidic accidents ocurred in Sergipe in the period of1999-2002 were analysed and verified the actions of the “caatinga” plants popularlyindicated as antiophidic, using the venom of Bothrops jararaca as experimental model.It was notified 95 cases of ophidic accidents in the analysed period; the annualcofficient of incidence varied from 0.16 to 0.88 cases per10000 habitants in the rural zone.Man were most hited; the major ocurrence of the accidents was in the age class up to 20years; in the dry period (September to April) ocurred more accidents. Accidents caused byBothrops were the most frequent (93%); followed by Crotalus (5%) and Micrurus (1%).Two accidents notified as beeing caused by Lachesis are probably in error. Thesorotherapy was applied in at least 65% of the cases, the others are not in thenotifications.In order to verify the antiophidic actions of the plants, first it were determined thebiological parameters of the lethal and hemorragic actions of the venom of B. jararaca, bycomparisons between the regression lines and probitic analysis. The LD50 of the venomwas 37.1g, the MHD was 0.24g; the limit dose (dose-desafio) used in the experimentswere 2 LD50 (71.2g) and 5MDH (1.2g).Three “caatinga” plants were analysed in order to verify the inhibiton of thehaemorragic and lethal actions of the venom: Apodanthera villosa, batata-de-teiú(Cucurbitaceae); Apodanthera glaziovii, cabeça-de-negro (Cucurbitaceae) and Jatrophamollissima, pinhão-bravo (Euphorbiaceae). The plant Jatropha elliptica, batata-de-teiú(Euphorbiaceae), collected in the “cerrado” area of rio Tocantins (Peixe, To), was alsoanalysed. The aqueous extract of A. villosa (1mg) increased the survivorsip time in theexperimental animals when compared to control animals inoculated only with the venomof B. jararaca. The hemorragic marks of the experimental animals, inoculated with venomplus the aqueous extract of A. villosa (1.0, 3.0 e 6.0mg), A. glaziovii (1.0, 3.0, 6.0 e10.0mg), J. mollissima (1.0, 3.0 e 6.0mg) and J. elliptica (1.0, 3.0, 6.0 e 10.0mg) weresignificantly smaller then controls.
  15. 15. 1IntroduçãoOfidismo é o estudo do veneno de serpentes, cujo entendimento inclui não só osaspectos relacionados à composição e ações destes, mas deve também englobar os demaisfatores diretamente relacionados aos envenenamentos, tais como, avaliaçõesepidemiológicas regionais dos acidentes ofídicos, análise dos parâmetros biológicos dosvenenos e aplicação da soroterapia (Vital Brazil, 1987; Raw et al., 1991; Furtado et al,1991a, 1991b; Pinho & Pereira, 2001). Neste contexto, situam-se também as diversaspráticas populares utilizadas nos casos de envenenamentos por serpentes, dentre as quais,a mais importante é a utilização das plantas medicinais regionais, como coadjuvantes àsoroterapia ou como medicamento alternativo aplicado na falta de recursos soroterápicos(Otero, Fonnegra & Jiménez, 2000; Mors et al, 2000; Cardoso, 2003).Cerca de 300 espécies de serpentes estão distribuídas nas várias formações vegetaisda América do Sul; destas, aproximadamente 90 espécies são venenosas, pertencentes àfamília Viperidae, repesentada por várias espécies dos gêneros Atropoides, Bothriechis,Bothriopsis, Bothrocophias, Bothrops, Crotalus, Lachesis e Porthridium e famíliaElapidae, com apenas um gênero sul americano, Micrurus, composto por diversas espécies(Campbel & Lamar, 1989; Peters & Orejas-Miranda, 1986)No Brasil, distribuídas em todos os domínios morfoclimáticos, ocorremaproximadamente 70 espécies de serpentes venenosas, pertencentes aos gênerosBothriopsis, encontradas na amazônia; Bothrops e Crotalus, na amazônia, caatinga,cerrado e mata atlântica; Lachesis, na amazônia e mata atlântica e Micrurus, na amazônia,caatinga, cerrado e mata atlântica (Peters & Orejas-Miranda, Vanzolini et al., 1980;Vanzolini & Caleffo, 2002; Cunha & Nascimento, 1993). Estas espécies causam cerca devinte mil acidentes ofídicos por ano, com incidências que variam entre sete a vinte e quatrocasos anuais em cada cem mil habitantes, dependendo da região (Brasil, 1991,1999). Cercade noventa por cento dos acidentes são provocados por várias espécies do gênero Bothrops,oito por cento dos envenenamentos são causados por Crotalus e, menos freqüentes, doispor cento são causados por Micrurus e Lachesis (Brazil, 1901; Brasil, 1999; Amaral et al.,
  16. 16. 21986). Nas regiões mais carentes, com dificuldades de assistência à saúde, os índices deacidentes ofídicos podem estar subestimados (Brasil, 1991,1999).Apesar das estratégias do Ministério da Saúde em distribuir imunobiológicos, comoos soros antiofídicos, para as Secretarias Estaduais de Saúde, frequentemente os casos deenvenenamentos por serpentes (e outros animais) são tratados com preparados popularesfeitos com plantas medicinais regionais. Muitas destas plantas estão identificadas, porém amaioria nunca foi estudada para verificar suas ações e validar os usos, as quais sãoindicadas por rezadores e raizeiros somente pelos nomes populares. Um problema sobre oreconhecimento das plantas pelos nomes populares é que estes variam de região pararegião, dificultando ainda mais os estudos. Por exemplo, as plantas cabeça-de-negro e abatata-de-teiú são citadas na literatura como tendo propriedades antiofídicas, mas existempelo menos dez espécies com estes nomes, distribuídas em todas as regiões brasileiras(Mors et al., 2000; Martz, 1992). Em 1998 foi criada a Subcomissão Nacional deAssessoramento em Fitoterápicos (Conafit) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitáriado Ministério da Saúde. A Conafit recomenda que sejam realizados estudos sobre asplantas medicinais regionais utilizadas popularmente, como forma de validar o uso dasplantas e proteger o patrimônio genético deste recurso natural (Brasil, 1999).O presente estudo é sobre ofidismo, analisado sob três aspectos. O primeiro é umaanálise epidemiológica dos acidentes ofídicos que ocorrem na região de Sergipe, relatandoos índices de incidência por envenenamentos crotálico, botrópico, laquético e elapídicoocorridos na região, bem como analisa as variáveis epidemiológicas associadas (Bochner& Struchiner, 2003; Rouquayrol & Almeida Filho, 1999). O segundo é relacionado aosparâmetros biológicos do veneno de Bothrops jararaca (Wied, 1824), cujos ensaios sãonecessários para servirem como modelo (controle) na verificação da eficácia das plantasestudadas. O veneno de B. jararaca foi escolhido como modelo porque não existedisponível para estudo venenos das espécies de Bothrops da região e o veneno deB.jararaca se ajusta perfeitamente para os objetivos do trabalho. O terceiro é com relação àverificação da eficácia de plantas utilizadas popularmente como antiofídicas na caatinga deSergipe.As metodologias da parte experimental são adequadas às questões para verificar seos extratos das plantas inibem a hemorragia local causada pelo veneno botrópico e se
  17. 17. 3diminuem o tempo de letalidade do veneno. Os aspectos bioquímicos, farmacológicos efisiológicos dos fenômenos observados são discutidos com base na literatura consideradarelevante no contexto das questões delimitadas no estudo. A epidemiologia dos acidentesofídicos da região de Sergipe é analisada entre 1999 a 2002, cujos dados estãoinformatizados no Setor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado deSergipe. Os dados anteriores a 1999 não estavam disponíveis. O estudo como um todo –plantas medicinais, veneno de B. jararaca e epidemiologia dos acidentes ofídicos –,apresenta informações e discute resultados que, somados a outros, poderão contribuir comas pesquisas da mesma linha que são realizadas por instituições acadêmicas, bem comopoderão contribuir com informações que possam ser utilizadas pelos órgãosgovernamentais locais da área da saúde e meio ambiente.A apresentação do trabalho está na seguinte seqüência: i) breve abordagem daliteratura sobre os aspectos populares e científicos do ofidismo e das plantas medicinaisutilizadas como antiofídicas. A literatura sobre ofidismo abrange a origem e a evolução doestudo sobre os venenos de serpentes, até os estudos de Vital Brazil, porque após esta faseos trabalhos tratam principalmente da bioquímica e da farmacologia, cuja literatura,embora vasta, traz poucas informações gerais no contexto das questões da dissertação. Aliteratura sobre plantas segue a mesma estratégia: uma abordagem sobre o conhecimentopopular das plantas, com base nas representações, até a década de 80, porque após esteperíodo predominam os trabalhos sobre bioquímica e síntese dos produtos naturais dasplantas. Esta literatura é vasta e será melhor aproveitada nas discussões, ii) metodologiado trabalho, descrevendo os métodos utilizados para a análise epidemiológica dosacidentes ofídicos de Sergipe, mostrando a área de coleta das plantas, os protocolosexperimentais para os parâmetros biológicos do veneno e verificação da eficácia dasplantas; as estatísticas utilizadas são descritas em todas as análises, iii) resultados,apresentados na seguinte ordem: 1. epidemiologia dos acidentes ofídicos; 2. parâmetrosbiológicos do veneno de Bothrops jararaca – dose mínima hemorrágica (DMH) e DL50; 3.eficácia das plantas – DL50, inibição da letalidade do veneno e inibição da hemorragialocal; iv) discussão dos resultados, v) conclusões gerais e vi) referências.
  18. 18. 4LiteraturaA origem e evolução do estudo dos venenos ofídicosO conhecimento que os povos antigos tinham sobre ofidismo era fundamentadoprincipalmente nas representações, carregadas de simbolismos e em grande partereligiosas. Dentre estas, destacava-se o mito de que as serpentes possuíam “espíritosruins”, os quais eram responsáveis pelos sintomas do envenenamento. Estes mitos nãoimpediram, entretanto, que Athanasius Kirsher, em 1675, incluísse várias espécies decobras na Arca de Noé idealizada por ele. Os escritos de Aristóteles (384 – 322 a.C.),reunidos em nove volumes na sua “Historia animalium” e as descrições um tantofantasiosas de Plínio (23 – 79 d.C), reunidas em 37 volumes na sua “História Natural”,foram os primeiros relatos sobre a história natural das serpentes, principalmente asdescrições de Aristóteles, que foi um grande zoólogo, o primeiro a classificar osorganismos com base nas características morfológicas (Goin, Goin & Zug, 1978; Medawar& Medawar, 1977).Os primeiros relatos sobre experimentos com venenos de serpentes foram publicadosem 1664 pelo italiano Francesco Redi (1626-1696). Ele relatou que o veneno das serpentesse encontrava em um líquido amarelo, o qual fluía por sulcos através dos dentes. Rediobservou que alguns animais sobreviviam sem tratamento ao envenenamento por serpentese descreveu diferenças entre as venenosas e não-venenosas, utilizando os dentes comoprincipal caráter definidor. Estas diferenças foram também relatadas pelos naturalistasingleses John Ray em 1693 e Patrick Russel em 1787. Ray escreveu a clássica obra“Synopsis methodica animalium quadrupedum et serpentini”, na qual diferencia asserpentes peçonhentas das não peçonhentas (Goin, Goin & Zug, 1978; Habermehl, 1994;Hawgood, 1999).O primeiro experimento in vitro com venenos de serpentes foi realizado pelo inglêsRichard Mead, em 1708. Ele caracterizou o veneno de cobras no grupo dos ácidos, porqueassociou algumas propriedades do veneno com compostos ácidos conhecidos na época. Apartir daí surgiu a idéia de que um álcali volátil, como o amoníaco, seria o antídoto paravenenos ofídicos.
  19. 19. 5Um século após os experimentos de Francesco Redi, Ablé Felice Fontana (1730-1805), também italiano, escreveu “Traité sur le vénin de la vipère”, um texto clássico detoxinologia, traduzido do italiano e publicado em 1781. Ao lado dos trabalhos de Redi eMead, embora com muitos anos de diferença, os trabalhos de Fontana foram pioneiros emutilizar a experimentação nos estudos sobre venenos de cobras. Felice Fontana descreveu aglândula e o ducto de veneno, o sulco dos dentes e o mecanismo pelo qual as serpentesarticulam a boca e inoculam o veneno na presa. Ele descreveu também algumas açõesbiológicas do veneno de Vipera berus (Viperidae), como a hemorragia e miotoxicidade,além de ter demonstrado que o veneno de serpentes não era um ácido. Desse modo,Fontana mostrou que o amoníaco utilizado nos envenenamentos ofídicos também não eraeficaz para neutralizar as ações do veneno de serpentes. Apesar disso, o uso do amoníacocontinuou a ser utilizado nos casos de envenenamentos durante os 100 anos seguintes(Hawgood, 1995; Otero, Fonnegra & Jiménez, 2000).Um dos pioneiros nas pesquisas sobre os efeitos sistêmicos dos envenenamentosofídicos foi o médico inglês Joseph Fayrer (1824-1907). Ele trabalhou no Serviço Médicoda India e, em 1872, escreveu um tratado tão longo quanto o título “The thanatophidia ofIndia being a description of the venomous snakes of the Indian Peninsula with an accountof the influence of their poison on life and a series of experiments”. Fayrer relacionou como curare os efeitos do envenenamento por Naja naja (Elapidae) – bloqueio da junçãoneuro-muscular. Em 1875 uma comissão médica da India apoiou definitivamente osestudos de Fontana, Russel e Fayrer sobre a ineficácia do amoníaco em inibir o veneno deserpentes e, em 1878, Brunton e Fayrer relataram que o permanganato de potássio destruíain vitro a atividade letal do veneno de N. naja, mas não protegia completamente oorganismo quando submetido a altas doses de veneno (Hawgood, 1996, Otero, Fonnegra &Jiménez, 2000).Os estudos sobre a toxinologia de venenos ofídicos avançaram bastante durante asegunda metade do século XIX. Em 1860, Silas Weir Mitchell descreveu a naturezaproteica do veneno de Crotalus horridus; em 1873, Brunton Fayrer relataram que a paradarespiratória era a causa da morte pelo envenenamento de C. horridus; em 1890, VictorRazotzi mostrou experimentalmente que a parada respiratória causada pelo veneno de C.
  20. 20. 6horridus era devido ao bloqueio da junção neuro-muscular, e que este veneno tinha açãomiotóxica sobre o músculo cardíaco e esquelético (Hawgood, 1996).No Museu Nacional do Rio de Janeiro, em 1881, o fisiologista João Batista deLacerda relatou sobre a eficácia do permanganato de potássio (1%) em neutralizar in vitroa ação letal do veneno botrópico. O estudo de Lacerda foi realizado independentementedas pesquisas de Brunton e Fayrer de 1878, os quais também relataram o uso dopermanganato nos envenenamentos ofídicos. Embora ineficaz, o uso do permanganato foiutilizado até o desenvolvimento da soroterapia (Brazil, 1911; Hawgood, 1996; Otero,Fonnegra & Jiménez, 2000; Cardoso, 2003).Quando o médico francês Albert Calmette (1863-1933) iniciou em 1891 seusestudos sobre o veneno de Naja naja, no laboratório de Roux no Instituto Pasteur, nenhummétodo era eficiente para neutralizar venenos de cobras. Fundamentado nas descobertas deBehring e Kitassato sobre a imunidade contra as toxinas da difteria e tétano, publicadasem 1890, Calmette verificou que doses repetidas do veneno de N. naja (recebido daIndochina) injetadas em cavalos, conferiam imunidade aos animais. Estimulado pelosresultados, Calmette aperfeiçoou o método para neutralizar o veneno de várias espécies deserpentes e o seu eu protocolo foi adotado por Vital Brazil no Brasil em 1898, porMacFarland nos Estados Unidos em 1899, por Tidswell na Austrália em 1901, por Lambna India em 1904 e por Ishizaka no Japão em 1907.As pesquisas realizadas após a descoberta de Calmette apontaram para asespecificidades bioquímicas dos venenos, porque o soro elaborado com o veneno de Najanão neutralizava o veneno de outras serpentes, nem mesmo as espécies da famíliaElapidae. Calmette então formulou a hipótese de que os venenos de serpentes possuíamdois tipos de proteínas (Hawgood, 1992, 1999; Vital Brazil, 1987): uma predominante nosviperíneos, que era destruída pelo calor a 75-85oC, de alto peso molecular; outrapredominante nos elapídeos, mais resistente ao calor e de baixo peso molecular. Calmettenão testou a sua hipótese.Coube ao médico brasileiro Vital Brazil Mineiro da Campanha dar continuidade aosestudos de Calmette. Os experimentos de Vital Brazil sobre imunização de animais contrao veneno de cobras foram iniciados em 1897, em São Paulo, num anexo do InstitutoBacteriológico (posteriormente Instituto Serumterápico e atualmente Instituto Butantan,
  21. 21. 7vinculado à Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo). Vital Brazil foi quemdemostrou a especificidade do soro antiveneno e desenvolveu o soro monovalente contra oveneno de Bothrops jararaca e Crotalus durissus terrificus (Hawgood, 1992; Vital Brazil,1987; Raw & Sant´Anna, 2002).Vital Brazil realizou vários estudos; no presente contexto destacam-se as suaspesquisas sobre a catalogação das serpentes venenosas brasileiras, descrições damorfologia dos dentes e glândulas de veneno, estudos sobre a toxicidade do veneno deCrotalus durissus terrificus, Bothrops jararaca, B. alternatus e B. jararacussu paradeterminar a dose letal (em microgramas) dos venenos e descrever os efeitosfisiopatológicos dos envenenamentos (Brazil, 1901, 1901a). Num dos experimentos, eleinoculou os venenos pelas vias gástrica (oral), hipodérmica, venosa, intramuscular eintraserosa (intraperitoneal), utilizando pombos, cobaias, coelhos e cães. Ele distinguiudois fenômenos distintos das ações dos venenos sobre o organismo, os quais denominoufenômenos locais e fenômenos gerais (sistêmicos), descrevendo também alguns sintomasespecíficos.Com relação à composição química dos venenos, Vital Brazil relatou a presença deágua, sais, materiais corantes e substâncias albuminóides, as quais considerou como partestóxicas do veneno. Após imunizar cães contra o veneno de cascavel e jararacas,separadamente, ele verificou que o soro do animal imunizado contra o veneno da jararacanão tinha ação sobre o veneno da cascavel, bem como o soro ativo contra o venenocrotálico se mostrou inócuo sobre o veneno botrópico (Brazil, 1901b).Atualmente o soro antiveneno ofídico é obtido de cavalos hiperimunizados contra oantígeno correspondente – o veneno. Depois de aplicadas algumas doses, a concentraçãode anticorpos é grande e o animal é sangrado. As hemácias são colocadas para decantar, osoro é retirado e as hemácias devolvidas ao cavalo, para o animal não ficar anêmico. Afração de imunoglobulinas é precipitada com sulfato de amônia e depois tratada compepsina para digerir as proteínas e remover o segmento Fc das moléculas de anticorpo;estas neutralizam o veneno (Raw & Sant’Anna, 2002).Vital Brazil abriu o caminho para os estudos sobre a toxinologia de venenosofídicos. A partir dos seus trabalhos no Instituto Butantan inicia-se uma nova fase (revisãoem Gutiérrez, 2002) na toxinologia de venenos de serpentes, com trabalhos cada vez mais
  22. 22. 8voltados para estudos sobre a farmacologia e bioquímica dos venenos. Um dos trabalhospioneiros nesta área foi realizado por Slotta & Fraenkel-Conrat (1939), que purificaram ecristalizaram a crotoxina, principal componente tóxico de várias espécies de Crotalus,responsável pelas ações miotóxica e neutóxica do veneno crotálico. A descoberta dabradicinina por Rocha e Silva, Beraldo & Rosenfeld (1949) inaugurou uma fase muitoimportante na toxinologia de venenos ofídicos. A bradicinina, polipeptídeo isolado doveneno de Bothrops jararaca, é liberada no plasma através da ação enzimática do venenobotrópico e estimula a musculatura lisa, causando principalmente vasodilatação e aumentoda permeabilidade capilar.Os trabalhos de Kondo et al. (1960) e Villarroel (1977) estabeleceram novos critériosmetodológicos das pesquisas sobre venenos de serpentes e soroneutralização cruzada. Adescrição da botroxina do veneno de Bothrops atrox, em 1976, por Stoker e Barlow, e ostrabalhos de Lomonte e Gutiérrez e colaboradores, nas décadas de 1980-2000, têmcontribuído com novas informações sobre os efeitos hemorrágicos causados pelo venenodas viperíneas e crotalíneas, principalmente com relação ao estudo das miotoxinas(proteínas com fosfolipase A2 da classe II) e metaloproteínas. Os trabalhos de Furtado ecolaboradores, realizados no Instituto Butantan nas décadas de 1980-90, estudaram váriosaspectos relacionados à variabilidade dos venenos de serpentes e propuserampadronizações de métodos para verificar atividades indutoras de hemorragia, necrose,edema e atividades caseinolíticas, bem como as atividades promotoras da coagulação dofibrinogênio e do plasma.A revisão mais recente sobre a toxinologia do veneno de serpentes foi realizada porGutiérrez (2002), a qual traz excelentes descrições dos principais estudos sobre acomposição química e mecanismo da ação das toxinas dos venenos de serpentes daAmérica do Sul. Gutiérrez descreveu as neurotoxinas dos venenos, as proteínas que afetama coagulação sanguínea, as inflamações e necroses musculares induzidas por toxinas dosvenenos, as metaloproteínas e fosfolipases. Além disso, ele analisou criteriosamente osestudos sobre as novas terapias antiofídicas e estudos clínicos para compreensão dafisiopatologia dos envenenamentos ofídicos, analisando também o desenvolvimento denovas tecnologias para a melhoria da qualidade dos antivenenos produzidos nasinstituições sul-americanas.
  23. 23. 9Plantas medicinais e ofidismoO conhecimento sobre as plantas medicinais foi adquirido com base nas experiênciasindividuais e repassados pelas gerações através das representações populares. Os textos dosbabilônios, assírios e hebreus já traziam as utilizações terapêuticas de preparados complantas, mas foram os gregos quem sistematizaram o uso de plantas medicinais, através derelatos contidos nas obras de Aristóteles (384-322 a.C.), Hipócrates (460-377a.C.) eTeofrasto (370-285 a.C.).Dentre os relatos importantes sobre fitoterapia, são relevantes as descrições dePedanius Dioscórides (século I d.C.), contidas no tratado “Matéria Médica” com cerca de600 plantas medicinais conhecidas na época; as descrições do alquimista Celsius na obra“De Medicina” que relata usos de plantas e demais preparados, inclusive algumasprescritas como antídotos contra venenos de serpentes, e as descrições dos romanos Plínio(61-113 d.C.) e Galeno (130-200 d.C.), as quais contêm diversos preparados de plantaspara tratamento de doenças, traumatismos e outras indicações, mais ou menos comoelaborados atualmente (Otero, Fonnegra & Jiménez, 2000).Durante a Idade Média houve uma sensível redução nos relatos sobre fitoterapia. Nasegunda metade do século XV e no final do século XVIII ressurgiram as obras sobreplantas medicinais, com destaque para as idéias de Paracelso, explicadas na Teoria dasAssinaturas. De acordo com esta teoria, os deuses teriam colocado indicadores nas plantas,como sinais para orientar os humanos a descobrir o valor curativo destas, os quais seriamrevelados por intuições e antropomorfias, através de tentativas e erros. Por exemplo,poderiam servir como antiofídicas as plantas que apresentassem algum caráter quelembrasse o zig-zag da locomoção de serpentes ou qualquer aspecto da planta ou dosfrutos e sementes que sugerissem alguma semelhança com cobras; as plantas queapresentassem coloração avermelhada nos frutos, flores ou folhas serviriam como anti-hemorrágicas, devido à semelhança com a cor do sangue (Otero, Fonnegra & Jiménez,2000).No Brasil, um dos primeiros relatos sobre o uso de plantas para inibir os efeitos deenvenenamentos por serpentes foi feito no século XIX, através das descrições das viagensque os dois naturalistas bávaros Johann Baptist von Spix (1781-1826) e Carl Friedrich
  24. 24. 10Phillip von Martius (1794-1868) empreenderam por diversas regiões brasileiras entre1817-1820, a convite da arquiduquesa Leopoldina, no contexto cultural da vinda de váriosnaturalistas ao Brasil em meados do século XVIII (Vanzolini, 1996). Em 1818, Spix eMartius relataram que no arraial do Rio Verde, Minas Gerais, usava-se uma plantagenericamente conhecida como cainca nos envenenamentos por Bothrops urutu(Viperidae) (Sommer, 1953). Na caatinga e no cerrado a cainca é o nome comum que se dáa várias espécies de plantas da família Rubiaceae, também conhecida como cipó-cruz ecaninana; na Amazônia é conhecida popularmente como raiz-preta (Chiococca anguifugaMart.) (= C. brachiata Ruiz & Pav.). Com a morte de Spix, seu fiel amigo Martiusprosseguiu o trabalho de catalogar os exemplares dele e descrever a flora brasileira em umacoleção de 15 volumes, reunidos na “Flora Brasiliensis”, obra clássica publicada em 1882por Martius, em Munique (Sommer, 1953; Vanzolini, 1996).Os primeiros livros que descreveram as propriedades curativas das plantasmedicinais brasileiras foram “Ensaio sobre o cinchoeiro e sua influência nas virtudes daquina”, escrito pelo português Bernardino Antonio Gomes em 1812, e o livro “Systema deMatéria Medica Vegetal Brasileira”, escrito por Henrique Velloso D’Oliveira, em 1854(Cardoso, 2003; D’Oliveira, 1854). Gomes cita a planta Aristolochia sp como antiofídica.D’Oliveira comenta sobre o uso das plantas conhecidas pelas propriedades medicinais,citando os nomes populares e científicos. Para acidentes ofídicos, ele relatou o uso da raiztuberosa da jararaca ou erva-de-santa-maria (Dracontium polyphyllum L., Araceae) (= D.asperum C.Koch). Interessante é que o uso antiofídico desta planta era recomendadodevido à semelhança com a cor “sarapintada” das serpentes, de acordo com a Teoria dasAssinaturas, de Paracelso. As demais plantas citadas por D’Oliveira como tendopropriedades antiofídicas foram: a raiz da Arisaema phythonium (= Zomicarpa phytonium(Mart.) Schott, Araceae), planta da caatinga que os índios empregavam no local da picadaquando envenenados por cobras; a raiz de cipó-de-jarrinha ou milome (Aristolochiaantihysterica) (= A. triangularis, Aristolochiaceae); o alecrim-bravo (Hypericumlaxiusculum, Hypericineae); Eupatorium crenatum (= Mikania cordifolia, Asteraceae);orelha-de-onça (Cissampelos ovalifolia Chodat & Hassl., Menispermaceae); a fruta-de-pombo (Erythroxylon anguifugum, Erythroxylaceae); a erva-mular ou curraleira (Crotonsp, Euphorbiaceae) e o tuiuiá ou abobrinha-do-mato (Bryonia bonariensis ficifolio) (=
  25. 25. 11Cayaponia bonariensis (Mill.) Mart. Crav., Cucurbitaceae). D’Oliveira cita no seu livro aanálise que Thomé Rodrigues Sobral fez da planta Aristolochia sp (citada Aristolochiaantihysterica), em Coimbra. Sobral encontrou “um princípio volátil aromático solúvel emálcool, um princípio oleoso resinoso, um amargo análogo ao gentianino, uma porçãopequena de mucilagem, cal, potassa e ferro”, combinação que teria ação antiofídica(D’Oliveira, 1854).Ainda no final do século XIX, o botânico Schindler publicou no Rio de Janeiro umcatálogo das plantas medicinais brasileiras, com descrições das propriedades terapêuticas,usos e doses administradas (Schindler, 1884). Ele relatou o uso de seis espécies de plantasantiofídicas: i) a raiz do cipó-de-cobra (Cissampelos glaberrima St.Hill.,Menispermaceae), ii) a raiz da orelha-de-onça (C. ebracteata, Menispermaceae), iii) o sucodo guaco (Mikania guaco Humb. & Bonpl., Asteraceae), iv) o suco da erva-de-cobra (M.opifera) (= M. cordifolia Wild., Asteraceae), v) a raiz do para-tudo (Gomphrena officinalis,Amaranthaceae), vi) o paracari ou hortelã-branco (Peltodon radicans Pohl, Labiatae).Em 1888, Theodoro Peckolt e Gustavo Peckolt, pai e filho, escreveram um livrosobre a história das plantas medicinais no Brasil, no qual constam descrições botânicas eetnobotânicas, partes da planta utilizadas, composição química, usos industriais efitoterápicos e as doses utilizadas (Peckolt & Peckolt, 1888). Oito espécies de plantas,pertencentes a 5 famílias, foram por eles descritas como antiofídicas: i) família Isoetaceae,representada por Isoetes martii A. Braum, conhecida popularmente como batatinha-d’água; ii) família Ophioglossaceae, representada por Ophioglossum palmatum Plum, cujonome popular é língua-de-víbora, é citada principalmente contra a mordida de “víboras”(lagartos do gênero Diploglossus, que no imaginário popular vira cobra), e por Botrichiumvirginicum Swartz, a língua-de-víbora-do-campo, iii) família Zamiaceae, representada porZamia brongniartii Wedd, popularmente conhecida como salgueiro-da-terra, da qual seutiliza a goma do tronco contra mordidas de cobras, iv) famíia Commelinaceae,representada por Tradescantia geniculata Velloso (= Gibasis geniculata (Jacq. Rohweder),conhecida como trapoeiraba-efêmera, v) família Araceae, representada por Dracontiumpolyphyllum L. (= D. asperum C. Kock, Araceae), popularmente conhecida como jararaca-mirim; e Staurostigma luschnathianum C. Kock, popularmente conhecida como jararaca-do-rio. Na maioria das preparações citadas por Peckolt & Peckolt (1888) eles
  26. 26. 12recomendaram também o uso de cachaça com as plantas, cujas infusões deveriam serbebidas ou aplicadas no local da mordida da cobra. Em 1914, Gustavo Peckolt continuou oestudo sobre a história das plantas medicinais e úteis do Brasil, que ele iniciou com seu paiem 1888. Gustavo descreveu o uso das sementes do araticum (Annona furfuracea St.-Hill,Anonaceae), cuja mistura com cachaça era indicada como um bom antídoto nos casos deenvenenamento por cascavel (Peckolt, 1914).O brasileiro Manuel Pio Corrêa (1874-1934) foi naturalista do Jardim Botânico doRio de Janeiro e um dos pioneiros nos estudos sobre plantas medicinais. Todas asinformações relatadas por Pio Corrêa sobre a utilização das plantas foram reunidas em seisvolumes na clássica obra “Dicionário das plantas úteis do Brasil”, com a colaboração deLeonam de Azeredo Penna. Cada espécie relatada apresenta uma diagnose, nomespopulares e informações sobre a utilização como alimento, aplicações industriais eterapêuticas. As plantas citadas no dicionário como antiofídicas são (ver também PioCorrêa, 1909): a raiz do cipó-de-cobra (Cissampelus glaberrima St. Hil, Menispermaceae),citada também por Shindler (1884); a erva-de-jararaca (Dracontium asperum C. Kock,Araceae); as folhas de contra-cobra (Aegiphila salutaris H.B.K., Verbenaceae); a abutua-miúda (Cocculus filipendula M., Menispermaceae); a contra-erva, calunga ou jarrinha(Aristolochia trilobata, Aristolochiaceae); a batatinha-d’água (Isoetes martii, Isoetaceaea)e o alecrim-bravo (Hypericum laxiusculum, Hypericineae). Estas duas últimas foramtambém citadas por Peckolt & Peckolt (1888) e D’Oliveira (1854).Silveira (1921) descreveu o uso do agrião-do-brejo, Eclypta alba (= E. prostrata (L.)L. Asteraceae) contra picadas de serpentes, planta citada na literatura como antiofídicadesde 1882, quando Martius publicou a “Flora Brasiliensis”. Renato Braga escreveu umtambém clássico trabalho sobre etnobotânica, “Plantas do Nordeste, especialmente doCeará” (Braga, 1960). Neste livro, ele relatou o uso de plantas indicadas nos casos deenvenenamentos por serpentes, como a raiz-preta (Chiococca anguifuga, Rubiaceae),citada também por Martius em 1818; a milho-de-cobra (Dracontium asperum, Araceae),também relatada como antiofídica por Pio Corrêa (1909); a língua-de-tiú (Caseariasylvestris Swartz, Flacurtiaceae); a erva-de-cobra (Mikania cordifolia Willd, Asteraceae) eo paracari ou hortelã-bravo (Peltodon radicans Pohl, Labiatae).
  27. 27. 13Na década de 1980, houve um expressivo avanço nos estudos sul-americanos sobreplantas medicinais, principalmente as antiofídicas: em vez de citar os usos das plantasapenas com base nas representações populares, como ainda hoje ocorre na maioria daspublicações, os efeitos das plantas começaram a ser verificados biológica, bioquímica efarmacologicamente, através de experimentos controlados (e.g. Pio Corrêa, 1909; Vieira,1992; Caribé & Campos, 1997; Simões et al., 1998; Agra, 1996). Inicia-se então uma novafase, com trabalhos cada vez mais voltados para estudos sobre a bioquímica e síntese deprodutos naturais das plantas, como, por exemplo, a descoberta das cabenegrinas I e II,substâncias isoladas de uma planta supostamente amazônica, que inativaram o veneno deBothrops atrox (Nakagawa et al.,1982).No Brasil, o trabalho de Calixto e colegas, realizado em 1985, foi um dos pioneirosnesta linha de experimentos controlados com plantas medicinais antiofídicas (ver Martz,1992). Eles trabalharam com o extrato bruto de Mandevilla velutina (Apocynaceae) e oveneno de B. jararaca, utilizando útero isolado de rato e verificaram que o extrato teveação sobre a bradicinina, um peptídeo hipotensor liberado pelo veneno de B.jararaca,descoberto por Rocha e Silva e colaboradores em 1949. Assim foram os estudos com aatropina, extraída de Atropa belladonna L. (Solanaceae), que protege o organismo contraas ações sinérgicas da toxina F7 do veneno da mamba Dendroaspis polylepis polylepis(Elapidae) e os trabalhos do químico de produtos naturais Walter Mors, cuja equipe decolaboradores isolou os compostos wedelolactona, sitosterol e stigmasterol da plantaEclipta prostrata L. (Asteraceae), mostrando que o extrato protegeu as ações miotóxicasdo veneno de Crotalus durissus, inibindo as ações das cininas. O estudo de Mors ecolaboradores utilizou preparações de músculo esquelético (Mors et al., 1989).As melhores revisões sobre plantas antiofídicas são as de Martz (1992), sobre osextratos de plantas com potencial em neutralizar as toxinas dos venenos de cobras, na qualele relata o uso de compostos isolados de plantas com ação antiofídica; Pereira et al.(1994), sobre compostos isolados de plantas e descreve alguns prováveis mecanismos deação, e os estudos realizados por Castro et al. (1999) e Otero, Fonnegra & Jiménez (2000),os quais verificaram a neutralização das ações dos venenos por alguns extratos de plantasda Costa Rica e da Colombia, além de citarem cerca de 85 espécies de plantas utilizadascomo antiofídicas com base nos relatos populares.
  28. 28. 14Materiais e Métodos1. Epidemiologiai) Coleta de Dados: Os dados para as análises epidemiológicas dos acidentes ofídicosocorridos em Sergipe foram obtidos nas fichas de notificação de acidente por animaispeçonhentos do Sinam Windows – versão 4.0DocumentaçãoDicionário deDadosDICANIMAIS-DELPHI.doc 07/03/2002, os quais foram cedidos pela vigilânciaepidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado de Sergipe.ii) Variáveis: Para as análises utilizei as seguintes variáveis: número de acidentes ofídicospor ano, idade, sexo dos acidentados, tempo decorrido entre o acidente e o atendimento,número de ampolas de soros antiofídicos (botrópico, crotálico, laquético e elapídico)utilizadas durante o período e classificação quanto a gravidade do caso, segundo critériosestabelecidos pela Fundação Nacional da Saúde (Brasil, 1999).iii) Análise dos Dados: Para compor o quadro epidemiológico, inicialmente foram feitas asdistribuições de freqüências destas variáveis com relação ao município e mês de ocorrênciado acidente, tempo decorrido entre o acidente e o atendimento, partes do corpo atingidas eàs alterações locais e sistêmicas decorrentes dos envenenamentos ofídicos. Após verificar adistribuição de cada variável, as seguintes análises foram feitas: i) a incidência dosacidentes ofídicos (Rouquayrol & Almeida Filho, 1999) através do quociente entre onúmero de casos ocorridos nas áreas rurais de Sergipe durante o período 1999-2002 e onúmero de pessoas expostas, multiplicado pela população de referência, neste caso 10000indivíduos, ii) as proporcões dos acidentes ofídicos com relação às diferentes regiõesecológicas de Sergipe, idade e sexo dos acidentados e a sazonalidade dos acidentes, iii) ossintomas (locais e sistêmicos) com relação ao tempo decorrido entre o acidente e asoroterapia, iv) partes do corpo atingidas e gravidade dos casos. A estatística qui-quadradofoi utilizada para verificar as hipóteses nulas de proporções iguais ou desiguais, conformeo caso, e de homogeneidade entre as variáveis.
  29. 29. 152. Parâmetros biológicos do veneno de Bothrops jararacaOs seguintes testes foram realizados para analisar os parâmetros biológicos doveneno: dose letal 50% (DL50) e dose mínima hemorrágica (DMH). Estes testes sãoimportantes para verificar as doses-desafios e a eficácia das plantas em inibir o veneno.i) Veneno: Mistura de veneno liofilizado de B. jararaca, procedente da Seção de Venenosdo Instituto Butantan. A mistura foi estocada e mantida a -20ºC até o momento de uso.ii) Animais: Camundongos Swiss, não-isogênicos, de ambos os sexos, pesando entre 18 e22 g. Os animais foram fornecidos pelo Biotério Central da Universidade Federal deSergipe.iii) Dose Letal 50% (DL50): A DL50 é a unidade tóxica do veneno, definida como aquantidade de veneno capaz de em 48 horas provocar a morte de 50% dos animaisinoculados por via intraperitoneal (Vilarroel, 1977). Com base na DL50 foi determinado aconcentração da dose-desafio dos experimentos de inibição da letalidade do veneno pelosextratos.iv) Experimentos e concentrações DL50: Fiz seis experimentos em dias diferentes para adeterminação da dose letal do veneno de B. jararaca; destes, quatro foram utilizados paraanálises porque apresentaram relação mortos/nº de animais inoculados proporcional aoaumento das concentrações do veneno. Os dois primeiros foram descartados porque asdoses não estavam bem determinadas e ficaram muito baixas (sobreviveram todos osanimais) ou muito altas (morriam todos os animais). As concentrações do veneno em todosos experimentos foram: 23.0, 27.6, 33.1, 39.7 e 47.6 µg. O intervalo entre as doses foiestabelecido com base na DL50 do veneno de B. jararaca já determinado no InstitutoButantan, por isso a menor dose de 23.0µg, menor do que a DL50 do veneno, foiestabelecida como um dos extremos; a partir desta foram determinadas as demais dosesutilizando um fator de diluição de 1.2 (padronizado para estudos com veneno). Para cadaconcentração foram utilizados seis camundongos, inoculados via intraperitonial (i.p.) com0,5 ml de veneno dissolvido em NaCl 0,9%.
  30. 30. 16v) Análise dos dados DL50: A dose letal 50% do veneno foi determinada com base na razãoentre os camundongos mortos e o número total de animais inoculados com o veneno,valores que expressam a freqüência com que uma observação está acima do valor esperadona distribuição normal, conhecida como valores probíticos (Fisher, 1949). Foramutilizados dois métodos para encontrar os valores probíticos: o primeiro foi através doprograma de computador elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) paradeterminar a regressão linear e a dose letal 50%; o segundo foi através de regressõeslineares, utilizando a variável dependente (y) como probit e a variável independente (x)como log da dose, o ‘b’ é o aumento dos valores probíticos de acordo com o aumento dolog da dose. Nos ensaios biológicos com venenos de serpentes, geralmente a distribuiçãode freqüência da dose letal individual não é normal, quando a dose de veneno é colocadana abscissa; para torná-la normal ou aproximadamente normal a dose foi transformada emunidades logaritmizadas. Estas doses transformadas são freqüentemente chamadasdosagens (Sokal & Rholf, 1995). As comparações entre os dois métodos foram feitas paraverificar se os resultados eram iguais. A seqüência de análise dos dados foi: i) para cadaexperimento determinei a regressão linear e a DL50 no programa, ii) depois as doses foramlogaritimizadas e substituídas nas respectivas equações da regressão (x), para encontrar ovalor probítico de cada dose (y), iii) para cada experimento fiz uma regressão para verificarcorrelações entre as doses e os valores probíticos, iv) após determinar a regressão paracada experimento, fiz uma comparação simultânea entre as 4 retas das regressões(Vanzolini, 1993), v) por último fiz uma análise probítica conjunta para encontrar a DL50de todos os ensaios. O resultado da análise probítica conjunta foi comparado com aequação geral das 4 retas para verificar e confirmar as análises (Fisher, 1949; Fisher &Yates, 1953; Zar, 1996).vi) Dose Mínima Hemorrágica (DMH): A dose mínima hemorrágica é definida como amenor quantidade de veneno (g) capaz de produzir uma área hemorrágica de 10 mm dediâmetro em animais experimentais (Castro et. al., 1999; Furtado et. al., 1991, Bolaños,1984). Com base na DMH foi determinada a dose-desafio utilizada para testes de inibiçãoda hemorragia local do veneno pelos extratos.
  31. 31. 17vii) Experimentos e concentrações DMH: Fiz cinco experimentos para determinar a DMHdo veneno de B.jararaca. Apenas dois experimentos foram utilizados para análise porapresentarem resultados mais coerentes, com diâmetros da hemorragia cerca de 10mm eproporcionais às concentrações do veneno. Os demais foram descartados, porque as dosesutilizadas eram muito baixas (os animais não apresentaram hemorragia) ou muito altas(hemorragia maior do que 10mm). Experimento 1: concentrações 0.10, 0.14, 0.18, 0.22 e0.26 µg. Experimento 2: concentrações 0.14, 0.18, 0.22, 0.26 e 0.30 µg. Para cadaconcentração foram utilizados 4 camundongos. Os camundongos receberam injeçõesintradérmicas no abdome com doses crescentes de veneno (0,1ml/animal) dissolvido emNaCl 0,9%.viii) Análise dos dados DMH: Duas horas após injetados, os camundongos foramsacrificados, a pele removida e esticada em placa de vidro, sobre a qual a manchahemorrágica foi copiada em papel milimetrado. Ao redor da mancha hemorrágica forma-seum edema, não copiado no papel. O número de quadrículas contidas na mancha é a áreahemorrágica, inferida através da área da circunferência a = ð r², transformada paradiâmetro = 2 √a/ð (Bolaños, 1984). A determinação da dose mínima hemorrágica foi feitada seguinte maneira: i) análise de regressão, tendo sido encontrado duas equações, umapara cada experimento, cujas variáveis dependentes são os diâmetros das áreashemorrágicas (y) e as independentes são as concentrações do veneno (x), ii) substituição davariável dependente (y) por 10mm (diâmetro padrão da DMH), que constitui a dosemínima hemorrágica, iii) as doses mínimas hemorrágicas foram praticamente idênticas(0.23g e 0.24g), por isso os experimentos foram somado e feita uma análise conjuntados experimentos para encontrar a dose mínima hemorrágica do veneno. As análisesestatísticas seguiram os protocolos e algoritmos usuais (Vanzolini, 1993; Zar, 1996).
  32. 32. 183. Verificação da eficácia das plantasOs seguintes ensaios foram realizados para verificar a toxicidade das plantas e testara eficácia destas sobre o veneno de B. jararaca: DL50, análise da letalidade e testes deinibição da hemorragia comparados com grupos de controle.i) Material botânico: As plantas utilizadas para verificar as ações antiofídicas foramcoletadas na região de caatinga de Curituba, Sergipe (09o41’S, 37o53’W) (Figura 1) durante2002/2003, com base nas informações de benzedores e moradores locais. Adicionalmente,foi incluída nas análises uma amostra de plantas da região do cerrado de Peixe, rioTocantins, no Estado homônimo, indicada popularmente na região como antiofídica econhecida como batata-de-teiú.Curituba, Se: batata-de-teiú (Apodanthera villosa C. Jeffrey, Cucurbitaceae).cabeça-de-negro (Apodanthera glaziovii Glaziou ex Cogniaux,Cucurbitaceae).pinhão-bravo (Jatropha mollissima (Pohl) Baill, Euphorbiaceae).Peixe, To: batata-de-teiú (Jatropha elliptica (Pohl) Muell. Arg., Euphorbiaceae).As plantas foram coletadas e herborizadas com material fértil para identificação. Orestante do material foi coletado em quantidades suficientes para preparar os extratosaquosos. As cucurbitáceas foram identificadas no Departamento de Botânica daUniversidade Federal de Goiás; as euforbiáceas foram identificadas no Instituto deBotânica da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.Figura 1. Localização da região de Curituba, Sergipe.CuritubaRio São FranciscoOceano Atlântico
  33. 33. 19ii) Preparação do extrato aquoso: As raízes tuberosas de A. villosa , A. glaziovii, J.elliptica e o caule de J. mollissima tiveram o seguinte tratamento para preparar os extratos:1. secagem a 40oC em estufa, 2. trituração em moinho até a obtenção do polvilho, 3.preparação dos extratos brutos por decocção, durante 10 minutos, de 200 gramas dopolvilho, 4. filtragem do extrato bruto, 5. liofilização do extrato filtrado. O pó liofilizado,pesado para cada concentração e diluídos em salina, foi utilizado nos experimentos.iii) Animais: Camundongos Swiss, não-isogênicos, de ambos os sexos (18-22g). Osanimais foram fornecidos pelo Biotério Central da Universidade Federal de Sergipe.iv) Dose letal 50% (DL50): A DL50 de cada extrato também foi determinada com base narazão entre os camundongos mortos e número total de animais inoculados com o extrato,após 48 horas de observação, como realizado para o veneno. A dose letal 50% de cadaplanta foi encontrada para selecionar as doses de extrato utilizadas nos ensaios biológicosde inibição da hemorragia e da letalidade. As concentrações dos extratos foramdeterminadas por tentativa e erro até encontrar a relação entre animais mortos e inoculadosproporcional às concentrações dos extratos. Foram realizados dez ensaios com as plantas,com os seguintes intervalos de doses:3 ensaios com A. villosa; concentrações 0.008-0.04g,3 ensaios com A. glaziovii; concentrações 0.001-0.011g,3 ensaios com J.mollissima; concentrações 0.0003-0.04g,1 ensaio com J. elliptica; concentrações 0.01-0.03g.v) Análise dos dados DL50 das plantas: Para cada concentração foram utilizados seiscamundongos. A estatística utilizada para verificação da DL50 foi a análise probítica(Fisher, 1949; Fisher & Yates, 1953). Em cada ensaio, a variação entre animais mortoscom relação à concentração do extrato foi muito grande, dificultando encontrar a DL50. Porisso somei os 3 experimentos de cada planta para encontrar um valor probítico maisajustado. Isto foi feito para A. villosa, A. glaziovii e J. mollissima. Para J. elliptica fiz sóum experimento, cujo resultado foi proporcional às concentrações e não julguei necessáriofazer repetições.
  34. 34. 20vi) Inibição da letalidade: Para verificar a neutralização do veneno pelas plantas (ouantivenenos) há a necessidade de ser selecionada uma dose-desafio, definida como a dosesuficiente para apresentar o efeito subliminar e máximo do veneno (Gutiérrez et al, 1990).A dose-desafio do veneno de B. jararaca utilizada para verificar a inibição da letalidadepelos extratos das plantas foi de 2DL50 (74.2g). Foram utilizados dois grupos nascomparações: i) grupo controle - animais inoculados com 74.2g de veneno dissolvido emNaCl 0.9%, ii) grupo experimental - animais receberam a mesma dose-desafio de venenodo grupo controle incubado a 37oC com diluições diferentes de extrato em NaCl 0.9%,durante 30 minutos. Cada camundongo foi inoculado via intraperitonial (i.p.) com 0,5 mlda solução. Os animais foram observados durante 48 horas, com intervalos de 1hora pararegistro do tempo de sobrevida (em minutos). As concentrações de cada extrato foramdeterminadas após encontrar as DL50 correspondentes:Apodanthera villosa: concentrações 0.74, 1.00 e 1.48mg,Apodanthera glaziovii: concentrações 1.00, 1.48, 3.0 e 5.0mg,Jatropha mollissima: concentração1.0mg,Jatropha elliptica: concentrações 0.74, 1.00, 1.48, 5.0 e 10.0mg.vii) Análise dos dados da letalidade: No caso dos experimentos de padronização das açõesbiológicas do veneno havia um resultado esperado. Nos testes de letalidade, que avaliam otempo de sobrevida, o que se esperava era que durante as repetições os resultados fossempróximos, para poder confiar no ensaio. A análise foi feita da seguinte forma: i) osexperimentos com as plantas foram repetidos 2-4 vezes, ii) cada repetição foi consideradauma amostra, iii) cada amostra teve um grupo controle, iv) verifiquei a homogeneidadeentre os controles, para confirmar os experimentos, v) os controles de cada planta foramagrupados para análise estatística, vi) verifiquei também a homogeneidade entre asamostras dos grupos experimentais, para cada dose de extrato – consideradas homogêneas,os dados eram agrupados, vii) nas análises finais ficaram para cada planta um grupoexperimental com 1-5 doses (dependendo da planta) e um grupo controle. As estatísticasutilizadas foram análise de variância com um fator e teste t (de Student) para verificar asignificância entre duas amostras (Vanzolini, 1993; Zar, 1996).
  35. 35. 21viii) Inibição da hemorragia local: Para verificar se os extratos neutralizavam ahemorragia local do veneno de B. jararaca a dose desafio foi de 5DMH (1.2g). Foramutilizados dois grupos nas comparações: i) grupo controle – animais inoculados com 1.2gde veneno, ii) grupo experimental – animais injetados com quantidade constante de veneno(1.2g), o qual foi incubado com diluições diferentes de extrato, durante 30 minutos a37oC. Os camundongos receberam injeções intradérmicas no abdome com doses de extratoe veneno ou só de veneno (0,1ml/animal), dissolvidos em NaCl 0,9%. Duas horas, apósinjetados, os camundongos foram sacrificados, a pele removida e determinado a áreahemorrágica como na metodologia descrita para determinar a dose mínima hemorrágica.As concentrações dos extratos foram as seguintes:Apodanthera villosa: concentrações 1.0, 3.0 e 6.0mg,Apodanthera glaziovii: concentrações 1.0, 3.0, 6.0 e 10.0mg,Jatropha mollissima: concentração1.0, 3.0 e 6.0mg,Jatropha elliptica: concentrações 1.0, 3.0, 6.0 e 10.0mg.ix) Análise dos dados da inibição da hemorragia: O extrato de cada planta foi testado 2-4vezes, com 3-4 concentrações diferentes. Foram realizados 8 experimentos com as quatroplantas, com duas repetições por dose de extrato. Cada experimento teve um grupocontrole para comparação. Para análise segui os seguintes passos: i) como havia duasrepetições por dose, fiz para cada planta teste de homogeneidade entre as doses –consideradas homogêneas, os dados eram agrupados nas análises seguintes, ii) cadarepetição do grupo experimental teve um grupo controle, então verifiquei também ahomogeneidade entre os controles de cada grupo experimental – se homogêneos, os dadoseram agrupados, iii) nas análises finais ficaram para cada planta: um grupo experimentalcom 3-4doses (dependendo da planta) e um grupo controle. As estatísticas utilizadas foramanálise de variância com um fator e teste t (de Student) para verificar a significância entreduas amostras (Vanzolini, 1993; Zar, 1996).Para verificar se as próprias plantas não estavam também contribuindo para ashemorragias, fiz alguns ensaios com os extratos isolados (sem o veneno), utilizando asmesmas concentrações e três animais em cada dose: os extratos não causaram hemorragia.
  36. 36. 22Resultados1. Epidemiologia dos acidentes ofídicosA maioria dos acidentes ofídicos em Sergipe ocorreu na zona rural. Até a década de1980 as notificações eram feitas através de prontuários nas unidades de saúde; após estaépoca, o Ministério da Saúde recomendou o registro em prontuários próprios – asnotificações de acidentes por animais venenosos. A partir de 1999 estas notificações estãoinformatizadas no setor de vigilância epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde.Além da soroterapia, os tratamentos ocasionados por envenenamentos ofídicos emSergipe incluem as rezas e benzeduras, preparados de contra-venenos e os preparados complantas, principalmente nas formas de infusão e decocção. A combinação destestratamentos é comum em Sergipe, não só com relação aos envenenamentos por serpentes,mas todas as afecções são de alguma forma tratadas com combinações de métodos.Preparados PopularesOs preparados populares para tratar envenenamentos ofídicos na região de Sergipesão misturas elaboradas principalmente a base de plantas e materiais orgânicos diversos,conforme informado pelas pessoas que comercializam estes produtos. Os componentes dospreparados são mantidos em segredo e os produtos podem ser encontrados nas barracasque vendem plantas medicinais nas feiras livres, nas casas de produtos agropecuários oucomercializados por vendedores que anunciam produtos milagrosos específicos, como apomada da gordura de sucuri (Eunectes murinus L., 1758) e choque de poraquê(Electrophorus electricus L., 1758), ambas para dores e reumatismos.Os produtos e preparados recomendados para envenenamentos de cobras sãoencontrados sob diversas formas: infusões de plantas com cachaça, onde as partes dasplantas, secas ou verdes, são colocadas no líquido sem serem processadas – as dosesvariam de acordo com a gravidade do caso; infusões mistas, a base de plantas e outrosmateriais orgânicos mantidos em segredo; misturas feitas por decocção de partes dasplantas; dose pó-de-caboclo, um contraveneno para cobras (e insetos também), elaborado abase de plantas e fabricado em Feira de Santana, Bahia; permanganato de potássio em
  37. 37. 23concentrações desconhecidas, que é vendido em pequenos frascos, cujas doses dependemda gravidade do caso.É comum também encontrar no comércio cobras conservadas na cachaça, cujoconteúdo é indicado contra acidentes ofídicos. As espécies identificadas conservadas noálcool são: as colubrídeas Oxyrhopus trigeminus Duméril, Bibron & Duméril, 1854;Leptodeira annulata L., 1758, Liophis poecilogyrus (Wied, 1825) a leptototiflopídeaLeptotyphlops sp e a elapídea Micrurus ibiboboca (Merrem, 1820). O “EspecíficoPessoa”, fabricado em Sobral, Ceará, com propaladas atividades antiofídicas, não écomercializado na região de Sergipe.As rezas e benzeduras também fazem parte dos tratamentos populares alternativos,cujos ritos são praticados por benzedores locais, homens e mulheres. Fazem parte dosrituais benzer as pessoas e partes vegetais que servem de amuleto contra picadas de cobras,como a semente do cajú; rezar sobre a parte do corpo atingida pela serpente, benzerlíquidos (geralmente água) que devem ser bebidos de acordo com as prescrições, as quaisincluem doses certas e horários pré-estabelecidos que variam conforme o caso e obenzedor. Humanos e animais, mais comumente eqüinos e bovinos, quando sofremacidentes ofídicos são tratados da mesma forma pelos benzedores.FitoterapiaTrês plantas do semi-árido de Curituba e arredores são indicadas por benzedores emoradores locais como tendo ações antiofídicas: batata-de-teiú (Apodanthera villosaC.Jeffrey, Cucurbitaceae), cabeça-de-negro (Apodanthera glaziovii Glaziou ex Cogniaux,Cucurbitaceae) e pinhão-bravo (Jatropha mollissima (Pohl) Baill., Euphorbiaceae). Asduas cucurbitáceas são muito semelhantes, ambas são trepadeiras, mas podem serencontradas também no chão, as flores são bem pequenas e têm raízes tuberosas, a dabatata-de-teiú é mais compridada. O preparado antiofídico com as cucurbitáceas éelaborado com base na fécula da raíz, formando uma papa com a recomendação de serutilizada em doses baixas. O pinhão-bravo é um arbusto de 1- 3 metros de altura, bemramificado, casca do caule adulto acinzentado. Esta planta tem um látex muito branco, oqual é indicado para beber direto da planta em caso de acidente ofídico.
  38. 38. 24Estas foram as plantas da caatinga coletadas para verificação das atividadesantiofídicas. Em todas as feiras percorridas na região da caatinga de Sergipe e parte daBahia, até Feira de Santana, as plantas cabeça-de-negro e batata-de-teiú são conhecidascomo antiofídicas, mas várias espécies são confundidas sob estes nomes. Infelizmente nãofoi possível coletar estas plantas para identificar, além do que o material fornecido pelosfeirantes estava preparado na forma de pó ou partes cortadas. Na região de Peixe, no rioTocantins, Estado homônimo, uma planta conhecida como batata-de-teiú (Jatrophaelliptica (Pohl) Muell. Arg., Euphorbiaceae) é indicada como antiofídica e foi tambémtestada a sua eficácia, juntamente com as plantas coletadas na região de Curituba.SoroterapiaO soro antiofídico é, em Sergipe, aplicado na unidade regional de saúde maispróxima de onde o acidente ocorreu. O caso é notificado e encaminhado para o setor devigilância epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde; posteriormente é arquivado nosetor de vigilância ambiental da saúde. No setor estadual de vigilância epidemiológica asnotificações dos acidentes ofídicos estão informatizadas de 1999 a 2002, de acordo com oprograma implantado em 2003 pelo Centro Nacional de Epidemiologia da FundaçãoNacional da Saúde – Sistema de Informação de Agravo de Notificação, Dicionário deDados – SINAN, Animais Peçonhentos. As informações anteriores a 1999 encontram-sedispersas e de difícil acesso.Em Sergipe funcionam seis regionais de saúde e uma metropolitana, com asseguintes sedes: Regional Metropolitana – Aracaju, Hospital João Alves Filho; 1aRegional– Estância, Hospital Regional Amparo de Maria; 2a– Itabaiana, Hospital Pedro GarciaMoreno Filho; 3a– Maruim, Hospital de Maruim; 4a– Nossa Senhora da Glória, HospitalJoão Alves Filho; 5a– Neópolis, Hospital de Neópolis; 6a– Lagarto, Hospital NossaSenhora Conceição (Figura 2). São estes hospitais regionais que recebem os sorosantiofídicos da Central Nacional de Armazenamento e Distribuição de Imunobiológicos(Cenadi/Ministério da Saúde) através da Secretaria Estadual da Saúde de Sergipe, a qual osrepassa para as regionais de saúde onde os casos de acidentes ofídicos são encaminhados.
  39. 39. 25Figura 2. Localização das regionais de saúde e os domíniosmorfoclimáticos das regiões de Sergipe (segundo Ab’Saber, 1977). M =Regional Metropolitana, Aracaju; I = 1aRegional, Estância; II = 2aRegional, Itabaiana; III = 3aRegional, Maruim; IV = 4aRegional, NossaSenhora da Glória; V = 5aRegional, Neópolis; VI = 6aRegional, Lagarto.De oeste para leste: caatinga (áreas hachuradas), agreste e mata atlântica.Dentre os 95 casos de envenenamentos ofídicos registrados em Sergipe durante 1999a 2002, observamos que: i) 61 dos acidentados (64%) receberam soroterapia, ii) foramutilizadas 319 ampolas de soro antibotrópico, 46 de antibotrópico-crotálico, 6 deanticrotálico e 10 de antielapídico, iii) 34 casos (36%) não estão notificados se receberamou não antivenenos, embora os sintomas estejam registrados, iv) em 6 casos a soroterapiafoi aplicada sem constar o gênero da serpente que causou o acidente, v) cinco registros deacidentes ofídicos nas notificações não indicam se a soroterapia foi ou não utilizada. Nasnotificações também constam que em alguns casos de envenamentos por Crotalus foiutilizado soro antibotrópico (4 ampolas) e antibotrópico-crotálico (3 ampolas); em outrosconstam os registros de envenenamento crotálico, mas não informam a soroterapiautilizada. Nas notificações dos dois casos de acidentes por Lachesis não constam se osacidentados receberam ou não soroterapia. A Tabela 1 mostra a distribuição de freqüênciados soros utilizados em Sergipe.WOceano AtlânticoRio São Francisco
  40. 40. 26Tabela 1. Distribuições de freqüências do número de ampolas de sorosantiofídicos utilizados em Sergipe.1999 2000 2001 2002ampolas f ampolas f ampolas f ampolas f1 1 1 1 4 2 5 22 1 2 1 6 3 6 23 1 3 1 8 2 8 34 8 4 2 10 25 26 127 18 5Antibotrópico10 3Soma 197 14 62 463 1 3 3 1 14 1 4 15 1 5 17 1 128 1Antibotrópico-crotálicoSoma 27 18 12 1 4 1AnticrotálicoSoma 2 4Antiela-pídico10 1Soma10Incidência dos acidentes ofídicosForam notificados 95 acidentes ofídicos em Sergipe entre 1999-2002; oscoeficientes de incidência anual variaram de 0,16 a 0,88 caso por 10000 habitantes da zonarural (Tabela 2).Dentre os casos registrados, em apenas 55 (58%) constam os gêneros das serpentesnas notificações: 48 casos foram causados por Bothrops, 4 por Crotalus, 2 por Lachesis e1 caso por Micrurus; quatro casos foram notificados como tendo sido causados porserpentes não peçonhentas (Tabelas 3)
  41. 41. 27Tabela 2. Coeficientes de incidência anuais dos acidentes ofídicosem Sergipe (1999-2002).1999 2000 2001 2002 Soma43 8 23 21 95(0,88) (0,16) (0,46) (0,42)( ) coeficiente de incidência/10000 habitantes da zona rural.Média da população rural no período foi 493549 habitantes (IBGE, 2000).Tabela 3. Distribuição anual dos acidentes ofídicos por gênerode serpente.1999 2000 2001 2002 SomaBothrops 26 4 7 11 48Crotalus 1 0 3 0 4Micrurus 0 0 0 1 1Lachesis 0 0 2 0 2Soma 27 4 12 12 55Não-peçonhenta 2 0 1 1 4Idade e sexoA proporção dos acidentes ofídicos variou significativamente com relação à idadedos acidentados; pessoas de ambos os sexos foram mais atingidas na faixa etária até os 20anos (2= 34.07; p<0.001). A proporção dos acidentados também foi diferente entre ossexos; (2= 20.59; p<0.001); os homens foram duas vezes mais acidentados do que asmulheres (Tabela 4).Tabela 4. Distribuições dos acidentes ofídicos por idade, sexo. (ffreqüência observada; (fi) freqüência esperada).Intervalos de Idade1-20 21-40 41-60 >60 Somaf 45 25 18 6 94(fi) (23.5) (23.5) (23.5) (23.5)Hipótese nula: proporções 1:1:1:12= 34.07; p<0.001Sexo♀ ♂ nf 25 69 94f(i) (47) (47)Hipótese nula: proporção 1:12= 20.59; p<0.001
  42. 42. 28SazonalidadeA proporção dos acidentes ofídicos entre os períodos seco e chuvoso foisignificantemente diferente (2=13.78; p<0.001); o predomínio dos casos foi durante osmeses secos (Tabela 5).Com relação a uma possível associação entre sexo, período analisado (1999-2002) esazonalidade, as freqüências anuais de acidentes foram proporcionalmente iguais entrehomens e mulheres (2= 1.15; p>0.05); a proporção de acidentes entre os sexos dosacidentados e os períodos chuvoso e seco também não foi significantemente diferente (2=1.33; p>0.05; Tabela 6).Tabela 5. Sazonalidade dos acidentes ofídicos: proporção entre períodosseco (verão) e chuva (inverno). (fi, freqüência observada; (fi) freqüênciaesperada).PeríodoVerão Inverno Somaf 65 29 94(fi) (47) (47)Hipótese nula: proporção 1:12= 13.78; p<0.001Tabela 6. Acidentes ofídicos: associações entre sexo dos acidentados,período analisado e sazonalidade.AnoSexo 1999 2000 2001 2001 Soma♂ 30 7 16 16 69♀ 12 1 7 5 25Soma 42 8 23 21 942= 1.15; p>0.05SazonalidadeSexo Verão Inverno Soma♂ 50 19 69♀ 15 10 25Soma 65 29 942= 1.33; p>0.05
  43. 43. 29Regiões de ocorrênciaA região de Sergipe, está situada nos domínios morfoclimáticos da Mata Atlântica eda caatinga, separados por uma faixa de agreste, a qual é uma caatinga mitigada paralela àcosta (Vanzolini, 1972, ver Figura 2). Os acidentes ofídicos são atendidos nas regionais desaúde mais próximas onde ocorrem. Os três ecossistemas foram comparados com relaçãoao ofidismo; a freqüência de acidentes foi bem menor na caatinga (2= 34.77; p<0.001);no agreste e áreas de mata as freqüências de acidentes foram praticamente iguais. Asregiões de agreste que apresentaram mais casos durante o período analisado foram NossaSenhora das Dores (11 casos) e Lagarto (7 casos), na Mata Atlântica as regiões queapresentaram maior freqüência de acidentes ofídicos foram Estância (10 casos) e Aracaju(8 casos). As Tabelas 7 e 8 mostram as freqüências de acidentes ofídicos nos ecossistemasTabela 7. Proporção de acidentes ofídicos por região.(f, freqüência observada; (fi) freqüência esperada).Caatinga Agreste Mata Atl. Somaf 5 49 41 95(fi) (31.6) (31.6) (31.6)Hipótese nula: proporções 1:1:12= 34.77; p<0.001Tabela 8. Distribuições de freqüências dos acidentes ofídicos (1999-2002) por regiões. As populações sãocitadas no Censo Demográfico, 2000, IBGE.Caatinga Pop. rural f Agreste Pop. rural f Mata Atlântica Pop. rural fCarira 8327 2 Areia Branca 8015 1 Aracaju* 461534 8Frei Paulo 5643 1 Arauá 5745 1 Brejo Grande 3155 2Monte A. de Sergipe 5119 1 Cristinápolis 7823 1 Carmópolis 1746 1Porto da Folha 16952 1 Canhoba 2370 1 Estância 8148 10Cumbe 1516 1 Indiaroba 8471 1Gararu 8375 1 Itaporanga d’Ajuda 16323 2Itabaianinha 19895 3 Neópolis 8092 5Itabaiana 21341 5 Propriá 3818 3Laranjeiras 2347 4 Rosário do Catete 1445 3Lagarto 42807 7 S. Amaro das Brotas 2588 1Moita Bonita 7125 3 Santa Luzia do Itanhi 11363 1N. Senhora das Dores 8671 11 São Cristóvão 1531 3Pedrinhas 2531 2 N. Senhora do Socorro 400 1Riachão do Dantas 14932 3Riachuelo 1630 1São Miguel do Aleixo 1968 1Telha 1575 2Umbaúba 8279 1Soma 5 49 41* Em Aracaju consta a população total.f = freqüência
  44. 44. 30Sintomas e tempo decorrido entre o acidente e a soroterapiaA dor local foi um dos sintomas mais freqüentes. Quando o atendimento foi feito nas3 primeiras horas após a picada, a proporção de indivíduos que relataram dor(envenenamento botrópico) foi de 3:1 em relação aos que não relataram (2= 0.03;p>0.05). A proporção aumentou de 7:1 ocorreu nos casos em que o atendimento foi feitoapós três horas de o acidentado ter sido picado pela cobra (2= 0.22; p>0.05).O edema (envenenamento botrópico) também foi um dos sintomas mais freqüentesrelatado nas notificações. Até 3 horas do acidente, a proporção de indivíduos queapresentaram edema foi de 1:1 em relação aos que não apresentaram este sintoma (2=0.13; p>0.05); após este período, a proporção de indivíduos que apresentaram edemaaumentou de 7:1 em relação aos que não apresentaram este sintoma (2= 0.22; p>0.05),indicando persistência e aumento do edema após as 3 primeiras horas.Com relação ao eritema e sangramento local (características do envenenamentobotrópico), nas 3 primeiras horas entre a picada e o atendimento a proporção deacidentados que apresentaram e não apresentaram eritema foi de 1:3 (2= 0.34; p>0.05); amesma proporção de 1:3 ocorreu entre os acidentados que apresentaram e nãoapresentaram sangramento local (2= 0.01; p>0.05). Após três horas do acidente, aproporção aumentou de 1:4 entre aqueles acidentados que apresentaram e nãoapresentaram eritema (2= 0.88; p>0.05) e aumentou de 1:6 entre os que apresentaram enão apresentaram sangramento local (2= 0.1; p>0.05). As distribuições dos sintomaslocais mais freqüentes nas notificações dos acidentes ofídicos de Sergipe podem serobservados na Tabela 9.A Tabela 10 mostra os demais sintomas relatados nas notificações: necrose,equimose, abcesso e bolha, gengivorragia e tempo de coagulação alterado, oligúria e anúria(envenenamento botrópico); mialgia, urina escura, ptose palpebral e diplopia(envenenamentos crotálicos e elapídico) e urina escura (envenenamento crotálico).Com relação à letalidade, não houve notificação de óbito durante o períodoanalisado.
  45. 45. 31Tabela 9. Acidentes ofídicos, Sergipe (1999-2002): sintomas locais mais freqüentes nas três horasdo acidente e após este período. (f freqüência observada; (fi) freqüência esperada).Até 3 horas Soma Após 3 horas SomaDor DorSim Não Sim Nãof 50 16 66 16 3 19(fi) (44) (22) (12.66) (6.33)Ho: a proporção é 3:1 Ho: a proporção é 7:12= 0.03; p>0.05 2= 0.22; p>0.05Edema EdemaSim Não Sim Nãof 34 31 65 16 3 19(fi) (32.5) (32.5) (12.66) (6.33)Ho: a proporção é 1:1 Ho: a proporção é 7:12= 0.13; p>0.05 2= 0.22; p>0.05Eritema EritemaSim Não Sim Nãof 14 50 64 4 14 18(fi) (21.33) (42.66) (6) (12)Ho: a proporção é 1:3 Ho: a proporção é 1:42= 0.34; p>0.05 2= 0.08; p>0.05Sangramento local Sangramento localSim Não Sim Nãof 17 50 67 2 10 12(fi) (22.33) (44.66) (4) (8)Ho: a proporção é 1:3 Ho: a proporção é 1:62= 0.01; p>0.05 2= 0.1; p>0.05
  46. 46. 32Tabela 10. Envenenamentos ofídicos, Sergipe: alterações locais e sistêmicas.1999 2000 2001 2002 1999 2000 2001 2002Abcesso BolhaSim 1 0 1 1 1 1 4 0Não 38 8 22 17 38 7 19 19Soma 39 8 23 18 39 8 23 19Necrose GengivorragiaSim 0 0 1 0 1 0 0 1Não 40 8 22 18 37 6 19 14Soma 40 8 23 18 38 6 19 15Tempo de coagulação alterado DiplopiaSim 2 0 3 1 2 1 1 0Não 37 6 13 15 37 6 18 20Soma 39 6 16 16 39 7 19 20Ptose palpebral MialgiaSim 0 0 1 0 5 0 5 2Não 40 7 20 19 35 7 15 16Soma 40 7 21 19 40 7 20 18Urina escura OligúriaSim 0 0 2 1 0 0 0 3Não 38 7 18 17 39 7 20 15Soma 38 7 20 18 39 7 20 18AnúriaSim 0 0 0 1Não 39 7 20 17Soma 39 7 20 18Partes do corpo atingidas e gravidade dos casosAs partes mais atingidas foram os pés e pernas (66 casos, aproximadamente 70%),seguida das mãos e braços (15 casos), cabeça (2 casos) e tórax (1 caso). As proporçõesentre as partes do corpo atingidas foi de 12:3:1:1; respectivamente, pés e pernas, mãos ebraços, cabeça e tórax (2= 5.66; p>0.05).De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde de Sergipe, os acidentes ofídicosocorridos na região foram classificados em três categorias: leves, moderados e graves; amaioria dos casos foi classificada como leve (Tabela 11).Tabela 11. Classificação de acidentes ofídicos de Sergipe quantoà gravidade dos casos .1999 2000 2001 2002 SomaLeves 34 3 13 16 66Moderados 7 0 3 3 13Graves 1 0 2 1 4Soma 42 3 18 20 83
  47. 47. 332. Parâmetros biológicos do veneno de B. jararacai) Dose letal 50% (DL50)Dados brutos experimentais: Os quatro experimentos realizados variaram comrelação à proporção de animais mortos e inoculados; no geral apresentaram proporção deacordo com o aumento das doses, mas com variações extremas. Para diminuir as variaçõesos experimentos foram agrupados (Tabela 12).Regressão linear e DL50: As análises mostraram valores diferentes para oscoeficientes das regressões (b), bem como para as constantes das regressões (a), devido àsvariações nas proporções entre animais mortos e inoculados para as mesmas doses. AsDL50 de cada experimento variaram entre 32.8 a 44.1g e a análise conjunta entre osquatro experimentos mostrou valores intermediários para os parâmetros da regressão e daDL50, quando comparado com os valores dos experimentos (Tabela 13).Valores probíticos das doses: As doses dos quatro experimentos foramlogaritmizadas e substituídas nas respectivas equações de regressões (uma para cadaexperimento) para encontrar o valor probítico de cada dose (Tabela 14). As análises deregressões dos valores probíticos (y) sobre as dosagens (x) também apresentaram variaçõesentre os coeficientes das regressões. Por isso foi necessário fazer uma comparação entre asquatro retas, para encontrar uma equação geral que descrevesse os valores probíticos para adose letal 50% que representasse todos os experimentos, permitindo assim oaproveitamento de todos os dados (Tabela 15).As retas diferiram quanto ao paralelismo (F0.05(1)3;12=16.927; p<0.001) e afastamento(F0.05(1)3;12=47.684; p<0.001) (Figura 3). A dose letal 50% da equação geral obtida atravésda comparação entre as 4 retas dos experimentos foi 37.1g, valor próximo da DL50 daanálise probítica conjunta utilizando o método da OMS, que foi 37.09g. Os coeficientes econstantes das regressões foram também semelhantes entre os dois métodos. Assumi entãoque as doses letais 50% não são diferentes quando determinadas utilizando as comparaçõesentre as retas e o método probítico da OMS (Tabela 16).
  48. 48. 34Tabela 12. Bothrops jararaca, proporção entre camundongosmortos e inoculados, após 48 horas de observação.Dose de veneno (µg)ExperimentosI II III IV Soma23.0 0/6 1/6 1/6 0/6 2/2427.6 0/6 0/6 2/6 0/6 2/2432.1 1/6 4/6 2/6 0/6 7/2439.7 0/6 5/6 5/6 3/6 13/2447.6 5/6 5/6 5/6 6/6 21/24Tabela 13. Bothrops jararaca, DL50 do veneno: programa probítico da OMS.b a y=a+bx Iy DL50 (µg)Experimento I 9.0153 - 9.8323 - 9.8323+9.0153x 38.1272±67.9041 44.1810Experimento II 8.076 - 7.2535 - 7.2535+8.076x 26.6044±39.5182 32.9051Experimento III 6.6686 - 5.1133 - 5.1133+6.6686x 25.5320±41.6518 32.852Experimento IV 13.0515 - 15.7375 - 15.7375+13.0515x 34.8539±45.1052 38.8054Análise conjunta 8.283 - 7.9989 - 7.9989+8.283x 34.4318±40.4588 37.0962b = coeficiente de regressãoa = constante de regressãoIy = limite de confiança inferior e superiorDL50 = dose letal 50 %, y=5Tabela 14. Bothrops jararaca, valores probíticos do número de camundongos mortos (y) sobre aconcentração de veneno (x): programa probítico da OMS.Dose de veneno (g) Experimento I Experimento II Experimento III Experimento IVx y x y x y x y23.0 1.36 3.44 1.36 3.74 1.36 3.96 1.36 2.0327.6 1.44 3.15 1.44 4.38 1.44 4.49 1.44 3.0633.1 1.51 3.86 1.51 5.02 1.51 5.02 1.51 4.0939.7 1.59 4.58 1.59 5.65 1.59 5.54 1.59 5.1247.6 1.67 5.29 1.67 6.29 1.67 6.07 1.67 6.15x = log da dosey = probit.Tabela 15. Bothrops jararaca, estatística da regressão do número de camundongos mortos (y) sobre aconcentração de veneno (x): comparação entre retasN b a y=a+bx F r2DL50 (µg)Experimento I 5 6.4809 -5.7809 -5.7809+6.4809 19.6354* 0.86 44.1810Experimento II 5 8.2687 -7.5028 -7.5028+8.2687 5875.226*** 0.99 32.5091Experimento III 5 6.8408 -5.3409 -5.3409+6.8408 5688.69*** 0.99 32.8520Experimento IV 5 13.0594 -15.7445 -15.7445+13.0594 367020.3*** 0.99 38.8054Comparação das 4 retas 20 8.5801 -8.4705 -8.4705+8.5801 16.9279* - 37.1509N = amostrasb = coeficiente de regressãoa = constante de regressãoF = Variância maior/variância menorr2= coeficiente de determinaçãoDL50 = dose letal 50%, y = 5
  49. 49. 35Tabela 16. Bothrops jararaca, DL50 do veneno, comparação entre retas e programa probítico daOMS.Método b x y a Reta Probit (y=5) DL50m retas,4 experimentos8.5801 1.5174 4.5489 -8.4705 y=-84705+8.5801x 1.5699 37.1509análise conjunta,4 experimentos8.2830 - - 7.9989 y=-7.9989+8.2830x - 37.0962b = coeficiente de regressãoa = constante de regressãox = média do log da dosey = média dos probitsDL50 = dose letal 50%, y=51.36Figura 3. Regressão dos valores probíticos sobre as dosagens: comparaçõesentre as retas. Experimentos I, II, III, IV.1.671.591.511.443.02.04.05.06.0II y= -7.5+8.26xIII y= -5.34+6.84xIV y= -15.74+13.05xI y= -5.78+6.48xlog doseprobit
  50. 50. 36ii) Dose mínima hemorrágica (DMH)Dados brutos experimentais: Os diâmetros das áreas hemorrágicas dos doisexperimentos variaram entre 5.0mm a 13.2mm (Tabela 17). A dose mínima hemorrágicapara uma área exata de 10mm de diâmetro foi determinada através de regressão linear dodiâmetro da área hemorrágica (y) sobre a concentração do veneno (x), cujos coeficientes econstantes das duas regressões foram próximos. Apesar destes valores próximos, optei porfazer uma análise conjunta, cujo resultado da DMH foi 0.24g, praticamente igual às dosesmínimas hemorrágicas de cada experimento, que foram 0.23g e 0.24g (Tabela 18).Tabela 17. Bothrops jararaca, diâmetro da área hemorrágica.Dose de veneno (µg) Diâmetro da área hemorrágica (mm)Experimento I0.10 - - - -0.14 5.75 6.28 9.30 11.050.18 5.17 6.58 6.86 7.570.22 9.44 9.51 10.34 11.560.26 10.09 10.34 10.40 12.86Experimento II0.14 4.78 5.75 6.28 6.770.18 6.38 8.05 8.44 9.440.22 8.95 9.09 10.34 10.580.26 9.23 10.02 10.02 10.020.30 11.05 11.78 12.15 13.25Tabela 18. Bothrops jararaca, estatística da regressão do diâmetro da área hemorrágica (mm) sobre aconcentração de veneno.N R (x) R (y) b a F r2DMH (µg)Experimento I 16 0.10 - 0.26 5.75 - 12.86 30.375 2.869 8.527 * 0.3785 0.23Experimento II 20 0.14 - 0.30 4.78 - 13.25 35.175 1.380 84.131*** 0.8238 0.24Experimento I e II 36 0.14 - 0.30 5.75 - 13.25 32.688 2.140 53.170 *** 0.610 0.24N = amostrasR = intervalos de x e yb = coeficiente de regressãoa = constante de regressãor2= coeficiente de determinaçãoDMH = dose mínima hemorrágica, y = 10mm

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