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  • 1. UNIVERSIDADE DO OESTE DE SANTA CATARINA UNOESC ÁREA DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS MICROECONOMIA PROF. ACILOM ANTUNES
  • 2. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC UNIVERSIDADE DO OESTE DE SANTA CATARINA UNOESC ÁREA DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADASO material apostilado desta disciplina é para uso exclusivamente didático, semintenção comercial. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida outransmitida, sob qualquer forma – fotocópia, gravação – ou por qualquer meio –eletrônico, mecânico – sem a permissão da UNOESC e do autor/organizador domaterial. Disciplina: MICROECONOMIA Docente responsável pela disciplina: Professor: Acilom Gonçalves Antunes E-mail: acilao.antunes@unoesc.edu.br acilomantunes@yahoo.com.br Fones: 35212404 ou 9103 2245Nota: esta apostila foi adaptada do trabalho da professora Tânia Nodari. 2Microeconomia
  • 3. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC Um Mantra!!!!!!!!!!!!!!!“Gostaria de compartilhar com você um modelo sublime de propósito de vida, que háde se perpetuar no tempo dos homens e de Deus e que serviu de bússola a MartinLuther king, líder do movimento civil americano: Quero que digam que eu tentei ser direito e caminhar ao lado do próximo. Quero que vocês possam mencionar o dia em que tentei vestir o mendigo,tentei visitar os que estavam na prisão, tentei amar e servir a humanidade. Sim, se quiserem dizer algo, digam que eu fui um arauto da justiça, um arautoda paz, um arauto do direito. Todas as outras coisas triviais não têm importância. Não quero deixar nenhuma fortuna. Eu só quero deixar uma vida dededicação! E isto é tudo o que eu tenho a dizer: Se eu puder ajudar alguém a seguir adiante, Se eu puder animar alguém com uma canção, Se eu puder mostrar a alguém o caminho certo, Se eu puder cumprir o meu dever cristão, Se eu puder levar a salvação para alguém, Se eu puder divulgar a mensagem que o Senhor deixou...... .......então, minha vida não terá sido em vão”. Gutemberg de Macedo, Consultor (VOCÊ S/A, p. 82 – Agosto de 2003) 3Microeconomia
  • 4. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC SUMÁRIOPARTE I ................................................................................................................... 061 DIMENSÕES HISTÓRICAS E SOCIAIS DA ECONOMIA .................................... 061.1 OBJETO DA CIÊNCIA ECONÔMICA.................................................................. 071.2 O QUE É ECONOMIA ....................................................................................... 071.2.1 Outros Enfoques da Definição ..................................................................... 081.3 DIVISÕES E NATUREZA DA ECONOMIA.......................................................... 091.4 A ECONOMIA COMO CIÊNCIA .......................................................................... 101.5 CONCEITOS DE MICROECONOMIA E MACROECONOMIA ............................ 111.6. DO QUE SE OCUPA A ECONOMIA .................................................................. 121.7. ESCASSEZ DE RECURSOS ............................................................................. 141.8. A QUESTÃO DA ESCASSEZ E OS PROBLEMAS ECONÔMICOSFUNDAMENTAIS ..................................................................................................... 141.9. BENS ECONÔMICOS ....................................................................................... 15PARTE II .................................................................................................................. 192 O SISTEMA ECONÔMICO ................................................................................... 192.1 DEFINIÇÃO DE SISTEMA ECONÔMICO ........................................................... 192.2. COMPOSIÇÃO DO SISTEMA ECONÔMICO .................................................... 202.3. OS FLUXOS DO SISTEMA ECONÔMICO......................................................... 20PARTE III ................................................................................................................. 233 INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA .................................................................. 233.1. CONCEITO ........................................................................................................ 233.2.PRESSUPOSTOS BÁSICOS DA ANÁLISE MICROECONÔMICA ..................... 243.2.1 A hipótese coeteris paribus.......................................................................... 243.2.2 Papel dos preços relativos ........................................................................... 243.2.3 Objetivos da empresa ................................................................................... 253.3. APLICAÇÕES DA ANÁLISE MICROECONÔMICA............................................ 253.4. DIVISÃO DO ESTUDO MICROECONÔMICO ................................................... 263.4.1 Análise da Demanda...................................................................................... 263.4.2 Análise da oferta ............................................................................................ 263.4.3 Análise das estruturas de mercado ............................................................. 273.4.4 Teoria do equilíbrio geral .............................................................................. 28PARTE IV ................................................................................................................. 334 O MERCADO, COMPOSIÇAO E PREÇOS .......................................................... 334.1. DEMANDA DE MERCADO ................................................................................ 334.1.1.Outras Variáveis que afetam a demanda de um bem ................................. 344.2. OFERTA DE MERCADO ................................................................................... 344.3. DETERMINAÇÃO DO PREÇO DE EQUILÍBRIO ............................................... 364.3.1.Oferta, demanda e equilibrio em um mercado competitivo ....................... 374.4. CLASSIFICAÇÃO DOS MERCADOS ................................................................ 514.5. AÇÃO GOVERNAMENTAL E ABUSOS DE MERCADO .................................... 55 4Microeconomia
  • 5. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCREFERÊNCIAS ........................................................................................................ 57ANEXOS .................................................................................................................. 58GLOSSÁRIO ............................................................................................................ 66 5Microeconomia
  • 6. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCPARTE I1 DIMENSÕES HISTÓRICAS E SOCIAIS DA ECONOMIA O marco inicial da etapa científica da Teoria Econômica coincidiu com osgrandes avanços da técnica e das ciências físicas e biológicas, nos séculos XVII eXVIII. Nesse notável período de evolução do conhecimento humano, a Economiaconstituiu seu núcleo científico, estabeleceu sua área de ação e delimitou suasfronteiras com outras ciências sociais. Embora a ação econômica tenha sempre despertado a atenção dos povos, sóa partir do século XVIII a Economia tornou-se acadêmica. Adam Smith publicou seuprimeiro livro – pioneiro -, “A Riqueza das Nações”, em 1776. No período de mais de um século e meio que decorreu entre o aparecimentode “A Riqueza das Nações” e a Publicação da Teoria Geral, em 1936, por JohnMaynard Keynes, a Economia passou por muitos estágios de desenvolvimento. Em1867, surgiu O Capital, a crítica mais radical ao capitalismo, de Karl Marx. Neste século, tem sido notável o avanço da Economia como ciência e dointeresse por esse ramo do conhecimento. Por ele se interessam desde osestadistas aos trabalhadores de uma pequena unidade de produção. Na verdade, cada ciência observa e analisa a realidade do aspecto materialdo seu objeto, segundo sua própria lógica formal. O fato, porém é que as visõessobre o mesmo objeto acabam se inter-relacionando, como veremos a seguir:a) Economia e Política - Essa interdependência é secular, pois sendo a política a arte de governar, ou o exercício do poder, é natural que esse poder tente exercer o domínio sobre a coisa econômica. Através de instituições, principalmente do Estado, os grupos de dominação procuram interferir numa distribuição de renda que lhes seja conveniente. Por exemplo, (no Brasil), os agricultores na época da política do “café com leite”, mantinham o uso da Política do Estado para lhes conceder vantagens econômicas. O mesmo ocorre hoje com os industriais que querem apropriar-se de crédito subsidiado ou tarifas aduaneiras que lhes protejam o mercado interno, fora da competição externa, garantindo-lhes lucros maiores. Coisa não muito distinta é a ação dos trabalhadores organizados, petroleiros, metalúrgicos do ABC, bancários, etc., que conseguem salários maiores que os demais trabalhadores pouco organizados, logo com menor força política. Finalmente, cabe no Brasil falar da oligarquia nordestina que politicamente vem de longa data se beneficiando com as transferências de rendas inter-regionais.b) Economia e Geografia – Os acidentes geográficos interferem no desempenho das atividades econômicas e, inúmeras vezes, as divisões regionais são realizadas para se produtivos, de localização de empresas, dos efeitos da poluição sobre o meio ambiente, do equilíbrio dado pelos custos de transporte, das economias de aglomeração urbana etc. Na verdade, todas as atividades econômicas têm um conteúdo espacial, que muitas vezes não se refere apenas aos custos de transporte.c) Economia e Sociologia – Quando a política econômica visa atingir os indivíduos de certas classes sociais, interfere diretamente no objeto da sociologia, isto é, a dinâmica da mobilidade social entre as diversas classes de renda. As políticas 6Microeconomia
  • 7. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC salariais ou de gastos sociais (educação, saúde, transportes, alimentação etc.) são exemplos que direta ou indiretamente influenciam essa mobilidade.d) Economia, Matemática e Estatística – A economia faz uso da lógica matemática e das probabilidades estatísticas.1.1 OBJETO DA CIÊNCIA ECONÔMICA Em economia tudo se resume a uma restrição quase física – a lei daescassez, isto é, produzir o máximo de bens e serviços a partir dos recursosescassos disponíveis a cada sociedade. Na realidade, ocorre que a escassez dosrecursos disponíveis acaba por gerar a escassez dos bens – chamados “benseconômicos”. Temos matéria-prima abundante, mas as necessidades humanas,entendidas as econômicas, são ilimitadas, contudo, a sua satisfação é limitada pelaescassez de recursos para produzir os bens de que necessitamos para satisfazeressas mesmas necessidades. Exemplificando: para os muito pobres, a carne secapode ser uma necessidade e não o ser para os mais ricos; para os pobres um carropode não ser uma necessidade, porém, para os da classe média já o é; para os ricosa construção de uma mansão pode ser uma necessidade ao passo que pode não oser para os de renda média. Do eterno conflito entre nossas necessidades, que sãoilimitadas, e a escassez dos recursos disponíveis para a produção dos bens eserviços que satisfaçam nossos desejos, emerge o objeto da Economia, a busca derespostas para três perguntas fundamentais: a) O que produzir? b) Como produzir? c) Para quem produzir? Concluindo, o objeto da Economia pode ser descrito como: “com desejosilimitados e recursos limitados, o problema fundamental da Economia é aESCASSEZ.1.2 O QUE É ECONOMIA Uma vez explicado o sentido econômico de escassez e necessidade, torna-sefácil entender o que é a economia. Em primeiro lugar, a palavra economia tem suaorigem no grego oikos, que significa casa, riqueza, fortuna, patrimônio, e nomos, quesignifica estudo ou administração. Neste sentido, a idéia inicial de economiarestringe-se aos princípios de gestão dos bens privados. Como ciência, a Economiatrata das relações econômicas entre os indivíduos na sociedade. Estuda osfenômenos relativos à produção, distribuição, acumulação e consumo de bensmateriais. “Economia é a ciência social que se ocupa da administração dos recursosescassos entre usos alternativos e fins competitivos”, ou “Economia é o estudo daorganização social, através da qual os homens satisfazem suas necessidades debens e serviços escassos” (Equipe de Professores da USP, 2000, pag.13). Uma definição muita aceita entre os estudiosos é a seguinte: “Economia é oestudo de como a sociedade decide empregar recursos escassos, que poderiam terutilizações alternativas, para produzir bens variados e distribuí-los para consumo,agora ou no futuro, entre os vários indivíduos e grupos da sociedade”. John Kenneth Galbraith, economista americano, respondeu o seguintequando lhe perguntaram sobre o que é a Economia? “Alfred Marshall, o grande 7Microeconomia
  • 8. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCeconomista de Cambridge que dominou o ensino tradicional de economia naInglaterra – e nos Estados Unidos – de 1880 até a década de vinte, disse que aEconomia nada mais era que o estudo da humanidade no que se referia aosnegócios normais da vida. Eu acrescentaria agora uma referência à organização –ao estudo da maneira como as pessoas são influenciadas sobre as questõeseconômicas através das empresas, dos sindicatos e do governo. Outrossim, decomo e quando e até que ponto as organizações servem aos seus próprios objetivosem oposição aos do povo em geral. E de como fazer para que os objetivos públicosprevaleçam (Galbraith, 1976, pag. 1).” Ainda Galbraith, “Entender o funcionamento da Economia é entender a maiorparte de nossa vida. A maioria de nós passa os anos meditando sobre a relaçãoentre o dinheiro que ganhamos e o dinheiro de que necessitamos, ficando nossospensamentos em suspenso, por assim dizer, entre um e outro. A Economia ocupa-se com o que ganhamos e com o que podemos conseguir com isso. Portanto, umacompreensão da Economia é uma compreensão da principal preocupação da vida.Existe ainda outra coisa que ela pode fazer por você. As manchetes dos jornais,quando fogem às guerras e às crises, dedicam-se em boa parte às resoluções deordem econômica dos governos. Se o povo não se esforçar por entender taisdecisões, não tomar uma atitude inteligente e não propalar essa atitude estaráevidentemente entregando todo o poder àqueles que realmente entendem, quefingem entender ou que acreditam entender. E pode estar certo de que tais decisõesdificilmente serão prejudiciais àqueles que as tomam ou às pessoas que elesrepresentam.” (Galbraith, 1976, pag. 3).1.2.1 Outros Enfoques da Definição Economia é o estudo das escolhas das pessoas face à escassez de recursos.Escassez é uma situação em que os recursos são limitados e podem ser usados dediferentes maneiras, de tal modo que devemos sacrificar uma coisa por outra.Seguem alguns exemplos de escassez.• Você tem tempo limitado hoje. Se ler um livro por uma hora, terá menos uma hora para gastar em outras atividades, tais como estudar, ler jornais ou fazer ginástica.• Uma cidade tem sua área limitada. Se a cidade usa um terreno para construir um parque, haverá uma área de terra menor para construir apartamentos, prédios de escritórios ou fábricas.• Uma nação tem um contigente populacional limitado. Se forma um exército, terá menos pessoas para desempenhar a função de professores, doutores e vendedores. Por causa da escassez, pessoas devem fazer escolhas difíceis: você devedecidir como gasta seu tempo; a cidade deve decidir como usar suas terras; e anação deve decidir como dividir sua população entre atividades civis e militares. Para onde quer que você olhe, estamos cercados de consideraçõeseconômicas.“Economia é o estudo das atividades cotidianas da humanidade” (AlfredMarshal 1842-1924) 8Microeconomia
  • 9. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC Cada pessoa se defronta com dúzias de decisões, incluindo que produtoscomprar, que ocupação exercer, quantas horas trabalhar e quanto dinheiro poupar.Uma empresa deve decidir que bens produzir e como produzi-los. Um governo deveescolher um conjunto de programas públicos e decidir como levantar dinheiro parafinanciá-los. Juntas, as escolhas feitas por indivíduos, firmas e governo determinamas escolhas da sociedade e respondem as questões fundamentais da economia.Que bens e serviços produziremos? Como produziremos esses bens e serviços equem consome os bens e serviços que são produzidos?O FUNDADOR DA ECONOMIAADAM SMITH (1723-1790)Nasceu na Escócia, em Kirkcaldy, Fifeshire. Faleceu em Edimburgo, capital da Escócia, no dia 17-07-1790. Foi um dos grandes gênios da humanidade. Fundador da escola clássica inglesa e daEconomia (a partir de Smith a economia é tratada como ciência). Sua obra-prima Riqueza dasNações (título abreviado), publicada em 1776, constitui um marco na história da Economia, trazendoidéias que serviram de base para novos conhecimentos. Como já visto, a palavra economia deriva do grego oikosnomos (de oikos,casa, e nomos - normas, lei), que significa a administração de uma casa, ou doEstado, e poder ser assim definida: Vamos rever a seguinte definição de economia: Economia é a ciênciasocial que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem (escolhem) empregarrecursos produtivos escassos na produção de bens e serviços, de modo a distribuí-los entre as várias pessoas e grupos da sociedade, a fim de satisfazer asnecessidades humanas. Essa definição contém vários conceitos importantes, que são a base e oobjeto do estudo da Ciência Econômica:• Escolha;• Escassez;• Necessidades;• Recursos;• Produção;• Distribuição Em qualquer sociedade, os recursos ou fatores de produção são escassos;contudo, as necessidades humanas são ilimitadas, e sempre se renovam. Issoobriga a sociedade a escolher entre alternativas de produção e de distribuição dosresultados da atividade produtiva aos vários grupos da sociedade.Aristóteles (384-322 a.C) é considerado um dos primeiros pensadores econômicos. O aparecimentoda moeda inspirou a discussão a respeito da “crematística natural”, ou economia doméstica, e da“crematística não-natural”, ou economia mercantil, na sua obra denominada Política, em cuja escritase utilizou tanto do método dedutivo como o indutivo. Suas idéias tiveram profunda influência nasdoutrinas econômicas da Idade Média e em doutrinas mais recentes.Nota: pesquise o que é o método dedutivo e o indutivo.1.3 DIVISÕES E NATUREZA DA ECONOMIA Com já vimos o termo economia origina-se das palavras gregas oikos (casa) enomos (normas). Na Grécia antiga, Economia significava a arte de bem administrar olar, levando-se em conta a renda familiar e os gastos efetuados, durante um período. 9Microeconomia
  • 10. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCEm seu tratado Ho Oikonomikos, Xenofonte (431-355 a. C.) ensinou as regrasbásicas para a administração de uma casa, para a caça, pesca, agricultura e omanejo dos escravos. Posteriormente, as normas relativas à administração do lar edas terras de um senhor em particular foram estendidas a polis (cidade-estado). Modernamente, define-se Economia como a ciência que estuda o empregode recursos escassos, entre usos alternativos, com o fim de obter os melhoresresultados, seja na produção de bens, ou na prestação de serviços. Os recursosescassos são os bens e serviços empregados na produção, mediante umatecnologia conhecida, para a produção de outros bens e serviços de maior valor totale destinados a atender a demanda. Os usos são alternativos, porque os fatores e asmatérias-primas podem ser utilizados para produzir mais estradas ou mais escolas,mais canhões ou mais tratores. A produção de todos os bens não pode seraumentada ao mesmo tempo, no curto prazo, porque os recursos são limitados. Os bens produzidos, como alimentos, vestuário, estradas, máquinas e osserviços prestados à população, como os ligados à saúde, educação e lazer,atendem às necessidades do indivíduo que, por definição, são ilimitadas, ao passoque a oferta dos bens e serviços que compõem sua cesta de consumo é escassa.Além disso, o consumidor só pode comprar todos os bens que deseja até o limite desua renda. Portanto, a Economia estuda as atividades econômicas cujas operaçõesenvolvem o emprego de moeda e a troca entre indivíduos, empresas e órgãospúblicos. Ela enfoca, de um lado, o comportamento das empresas, que procuramproduzir de modo mais eficiente, reduzindo custos, sem perder qualidade, a fim deobter os melhores resultados, ou lucro. De outro lado, ela avalia o comportamentodos consumidores, tendo em vista os preços, a renda de que dispõem e a oferta debens e serviços no mercado. A expressão Economia Política era utilizada pelos economistas clássicospreferencialmente ao termo Economia. Com a análise marxista, a Economia Políticapassou a ter maior amplitude, com ênfase no estudo das relações sociais deprodução, no sentido de luta de classes entre capitalistas e trabalhadores. Conforme seu objetivo, a Economia situa-se em dois campos perfeitamentedelimitados:a) Enfocamos a Economia Positiva, quando formulamos teorias e modelos com o objetivo de descrevermos o funcionamento das relações econômicas;b) Atemo-nos a Economia Normativa, quando tivermos por objetivo interferir em fenômenos econômicos, por meio de políticas que envolvam juízo de valor, para tentar resolver problemas como desemprego, inflação, má distribuição de renda etc.1.4 A ECONOMIA COMO CIÊNCIA A Economia é uma ciência social que usa métodos de análise de outrasciências, como a biologia, Física, Matemática e Estatística. Ela formula seusmodelos, ou teorias, para representar a realidade de forma simplificada e descrevere interpretar os fatos, a fim de realizar previsões econômicas. Um modelo é umaabstração da realidade e, não podendo usar todas as variáveis possíveis, adotam-seas mais relevantes. O modelo parte de um conjunto de argumentos consideradosverdadeiros, as suposições, e estabelece um conjunto de hipóteses derelacionamentos entre variáveis. 10Microeconomia
  • 11. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC A teoria científica, em geral, procura estabelecer relações de causa e efeito apartir de evidências do mundo real. Da mesma forma, a Economia baseia-se emevidências para estabelecer relações e leis econômicas. A dificuldade é não podercontrolar evidências, como fazem a Agronomia e a Química, por meio de seus testesde laboratório. Como uma ciência social, não podendo controlar evidências e incluirtodas as variáveis possíveis em seus modelos, a Economia não faz previsões comcerteza matemática, mas indica probabilidades da ocorrência de eventoseconômicos. Elas são feitas dentro de margem aceitável de erro, determinadaestatisticamente. Uma teoria engloba um conjunto de definições das variáveis e termosempregados, certo número de precondições, ou suposições, e uma ou maishipóteses. As suposições constituem um conjunto de postulados consideradosinvariáveis ou verdadeiros no período na análise. Se as condições iniciais não semantiverem no período em que se realizam as predições, certamente elas não severificarão. Por exemplo, quando se diz que as quantidades demandadas de carnebovina dependem do preço, significa que, se o preço baixar, aumentarão asquantidades demandadas no mercado e vice-versa. A ciência, como em tudo no que diz respeito à economia, divide-se sobrecomo se dá a atividade econômica. Para a escola marxista, a atividade econômicatem um cunho social, para os marginalistas ou neoclássicos, assume um cunhoindividualista. Na ótica marxista, a atividade econômica é sempre coletiva, é realizada poruma sociedade, que pode ser uma nação ou uma tribo. Em cada célula de produçãodo trabalho, na qual ocorre a especialização produtiva, os elementos produtores seespecializam, desempenhando tarefas distintas, todas contribuindo para a produçãoe circulação de determinada quantidade de produtos, que podem ser bens(materiais) ou serviços (imateriais). Faz parte da economia o trabalho do operário nafábrica, do agricultor no campo, da vendedora na loja, do bancário, do pedreiro... Há ainda, atividades, como as dos executivos das empresas, dos advogados,da polícia, do diplomata, do fiscal, etc., que não contribuem para a produção nempara a circulação de mercadorias. Não obstante, fazem parte da divisão social dotrabalho, sendo essenciais à ordem institucional, que assegura os privilégios daclasse dominante. Apesar disso, essas atividades integram a economia tanto quantoas demais. (Singer, 1998, pag. 9). É importante destacar que cada indivíduo assumeo seu papel na economia de acordo com a sua condição social. Não optando pelopapel que quer desempenhar, mas impingido pela sua posição na sociedade em quefaz parte.1.5 CONCEITOS DE MICROECONOMIA E MACROECONOMIA A Teoria Econômica compreende um conjunto de conhecimentos sobre osfatos ou fenômenos econômicos, ou seja, o comportamento da realidade. Osconhecimentos da realidade possibilitam nortear ou estabelecer as normas dapolítica econômica de um país. Os fatos econômicos podem ser observados de doisângulos diferentes, razão pela qual a teoria econômica se classifica em dois grandesgrupos:a) Microeconomia, estuda o comportamento dos consumidores, das firmas e dos mercados individualmente. Pode ser considerado o estudo das escolhas feitas por famílias, firmas e governos, e como essas escolhas afetam os mercados 11Microeconomia
  • 12. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC para todos os tipos de produtos e serviços. Por exemplo, você pode analisar como os consumidores responderiam a um aumento no preço da gasolina: gastando menos/e ou comprando carros mais econômicos. Do mesmo modo, você poderia estudar como uma firma que detém o monopólio da produção de uma nova droga determina o preço dessa droga. Você estuda como os preços são estabelecidos em um mercado individual.b) Macroeconomia, diz respeito aos grandes agregados nacionais, estuda o funcionamento do conjunto da economia de um país, envolvendo o nível geral dos preços, formação da renda nacional, mudanças na taxa de desemprego, taxa de câmbio, balanço de pagamentos etc. É a parte que trata da economia de um país como um todo. Esse é o campo da economia que focaliza os temas econômicos vistos freqüentemente na mídia: desemprego, inflação, crescimento, comércio, indústria e produto interno bruto. Estes temas estão no centro do debate político. As questões macroeconômicas afetam profundamente nosso cotidiano. Por exemplo, se a economia não conseguir gerar um número suficiente de empregos, haverá trabalhadores desempregados. Para compreender as diferenças entre macroeconomia e microeconomia,considere alguns exemplos:1. Em micro, você pode estudar o que determina o número de automóveis no Brasil. Em macro, você estudará o que determina o produto total da economia brasileira como um todo.2. Em micro, você pode estudar por que há trabalhadores desempregados na indústria metal-mecânica. Em macro, você estudará o que determina o desemprego como um todo.3. Em micro, você pode estudar por que o preço do milho aumenta se os fazendeiros têm uma safra ruim e uma colheita menor que a normal. Em macro, você irá estudar por que todos os preços podem estar subindo à taxa de 5% ao ano.4. Em micro, você pode estudar como um banco individualmente tenta obter lucro aceitando depósitos e fazendo empréstimos. Em macro, você estudará como todo o sistema bancário opera em todo o país. Por meio do estudo do comportamento dessas variáveis macroeconômicas,as autoridades econômicas estabelecem políticas monetárias, fiscais, cambiais, taxade juro etc., visando influenciar o nível da atividade econômica, para que semantenha em uma situação de equilíbrio, ou em direção às metas estabelecidas. Asdecisões do nível macroeconômico têm suas repercussões no equilíbriomicroeconômico do mercado. Da mesma forma, o comportamento dos consumidorese das firmas reflete-se no nível agregado, influenciando variáveis macroeconômicas.1.6. DO QUE SE OCUPA A ECONOMIA A despeito da complexa teia de relações sociais e da multiplicidade dosfatores condicionantes que envolvem a ação econômica, há, entretanto, um conjuntodestacado de aspectos particulares da realidade social que gravitam maisespecificamente no campo de interesse da economia. Uma relação de alguns dosgrandes temas de que se ocupa a economia incluiria: 12Microeconomia
  • 13. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC• Escassez. A escassa disponibilidade de recursos para o processo produtivo. Sua exaustão ou capacidade de renovação.• Emprego. O emprego dos recursos. A ociosidade dos que se encontram disponíveis. O desemprego, suas causas e conseqüências.• Produção. O processo produtivo. Decorrências da produção: a geração de renda, o dispêndio e a acumulação. A riqueza, a pobreza e o bem-estar.• Agentes. Como se comportam os agentes econômicos. Em que conflitos e interesses se envolvem. Quais suas funções típicas. Quais suas motivações.• Trocas. Fundamentos do sistema de trocas: divisão do trabalho, especialização, busca por economias de escala. Eficiência comparativa dos sistemas de trocas em relação à auto-suficiência.• Valor. Fundamentos do valor dos recursos e dos produtos dele decorrentes.• Moeda. Como e por que se deu seu aparecimento. Como evoluiu. Formas atuais e futuras moedas. Razões da variação de seu valor. Conseqüências das duas categorias básicas de variação do valor da moeda: inflação e deflação.• Preços. Os preços como expressão monetária do valor. Como resultado da interação de forças de oferta e de procura. Como orientadores para o emprego dos recursos. Como mecanismos de coordenação do processo econômico como um todo.• Mercados. Tipologia e características dos mercados. A procura e a oferta: fatores determinantes. O equilíbrio, as funções e as imperfeições dos mercados.• Concorrência. Estruturas concorrenciais: da concorrência perfeita ao monopólio. Impactos sociais de cada uma delas. Funções da concorrência.• Remunerações. Tipologia e características das diferentes formas de remunerações pagas aos recursos de produção. Os salários, os juros, as depreciações, os alugueis, os royalties, o lucro. Conflitos que decorrem de suas diferentes participações na renda da sociedade como um todo.• Agregados. Denominação dada às grandes categorias da Contabilidade Social, como o Produto Interno Bruto e a Renda nacional. Como medí-los. O que significam. Como empregá-los para aferir o desempenho da economia como um todo.• Transações. Categorias básicas: reais e financeiras. Abrangência: internas, de âmbito nacional; externas, de âmbito internacional. Meios de pagamento envolvidos. Causas e conseqüências de desequilíbrios, notadamente no âmbito externo.• Crescimento. A expansão da economia como um todo. Crescimento e desenvolvimento: diferenças conceituais. Crescimento e ciclos econômicos.• Equilíbrio. Como se estabelece o equilíbrio geral, estático e dinâmico do processo econômico. Como e por que, a despeito da complexa teia das relações econômicas e dos decorrentes conflitos de interesse que as envolvem, a ordem se sobrepõe ao caos. Quais os mecanismos que dão sustentação ao processo econômico, para que siga seu curso, apesar da amplitude dos movimentos de alta e de baixa, de depressão e de expansão.• Organização. Formas alternativas, do ponto de vista institucional, para a organização econômica da sociedade. Antagonismos entre o capitalismo liberal e o socialismo centralista. Matrizes ideológicas que os suportam. Padrões e desdobramentos das alternativas extremadas. Objetivos e resultados. 13Microeconomia
  • 14. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC1.7. ESCASSEZ DE RECURSOS A Economia fundamenta sua existência na escassez de bens e serviços paraconsumo e uso no sistema produtivo. Se todos os bens fossem livres, o problemaeconômico fundamental de quanto, como e para quem produzir deixaria de existir.Mas os bens são econômicos, isto é, relativamente raros. Os conceitos de escasseze de abundância diferenciam-se pela intensidade: terras agricultáveis nos cerrados eminério de ferro em Minas Gerais são recursos abundantes, mas alimentos eprodutos siderúrgicos são bens escassos, porque sua obtenção é relativamentedispendiosa. Os recursos escassos são os insumos, ou fatores de produção utilizados noprocesso produtivo para obter outros bens, destinados à satisfação dasnecessidades dos consumidores. Os fatores de produção são:a) Terra, ou recursos naturais, são criados pelos atos da natureza e utilizados para produzir bens e serviços; por exemplo, terras aráveis, depósitos minerais, depósitos de óleo e gás, água e plantas naturais. Alguns utilizam o termo terra para referir genericamente aos recursos naturais. Este fator inclui água, minerais, madeiras, peixes, solo para as fábricas e terra fértil para a agricultura;b) Trabalho, ou recursos humanos, é o esforço usado para produzir bens e serviços, incluindo esforço físico e mental. O trabalho é escasso porque há apenas 24 horas em cada dia: se gastarmos tempo em uma atividade, teremos menos tempo para outras atividades. Este fator engloba os trabalhadores qualificados e não qualificados, pessoal administrativo, técnicos, engenheiros, gerentes e administradores;c) Capital físico, é um objeto feito por seres humanos e usado para produzir bens e serviços. Este fator compreende o conjunto de bens e serviços, como máquinas, equipamentos, prédios, ferramentas e dinheiro, necessários para a produção de outros bens e serviços. O capital financeiro, necessário para a aquisição do capital fixo e o giro dos negócios (pagamento de salários e serviços e compra de matérias-primas) pode ser obtido em parte pelo crédito bancário;d) Capacidade empresarial, envolvendo um segmento dos recursos humanos da economia, que assume riscos de perder seu capital, ou o capital tomado emprestado, ao empreender um negócio. O empresário é a pessoa que reúne capitais para adquirir recursos produtivos e produzir bens ou serviços destinados ao mercado, mediante determinada tecnologia, com o objetivo de realizar lucros.e) Tecnologia, envolve o conjunto de habilidades e de conhecimentos que dão sustentação ao processo produtivo. É o aperfeiçoamento dos meios de produção. É a invenção, a inovação de produtos.1.8. A QUESTÃO DA ESCASSEZ E OS PROBLEMAS ECONÔMICOSFUNDAMENTAIS Todas as sociedades, qualquer que seja seu tipo de organização econômica ouregime político, são obrigados a fazer opções, escolhas entre alternativas, uma vezque os recursos não são abundantes. Elas são obrigadas a fazer escolhas sobre OQUE E QUANTO, COMO E PARA QUEM produzir.• O que e quanto produzir: a sociedade deve decidir se produz mais bens de consumo ou bens de capital, ou, como num exemplo clássico: quer produzir 14Microeconomia
  • 15. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC canhões ou mais manteiga? Em que quantidade? Os recursos devem ser dirigidos para a produção de mais bens de consumo, ou bens de capital?• Como produzir: trata-se de uma questão de eficiência produtiva: serão utilizados métodos de produção com capital intensivo? Ou mão-de-obra intensiva? Ou terra intensiva? Isso depende da disponibilidade de recursos de cada país;• Para quem produzir: a sociedade deve decidir quais setores que serão beneficiados na distribuição do produto: trabalhadores, capitalistas ou proprietários da terra? Agricultura ou indústria? Mercado interno ou mercado externo? Região Sul ou Norte? Ou seja, trata-se de decidir como será distribuída a renda gerada pela atividade econômica.1.9. BENS ECONÔMICOS Um bem econômico é o que possui uma raridade relativa e, portanto, umpreço. A escassez só existe porque há procura para o bem, que tem uma utilidadesuscetível de atender a determinada necessidade dos consumidores. O produto éum bem, porque satisfaz uma necessidade humana. O fumo, embora faça mal àsaúde, é considerado um bem econômico, porque satisfaz a necessidade dofumante. A Economia, como Ciência, não entra em considerações éticas ou dejuízos de valor; ela não questiona o que é um bem ou um mal para o indivíduo e nãodetermina quais as transações que devem ou não ser efetuadas. O consumidor é soberano e a ele cabe decidir qual ser á a composição desua cesta de consumo, em função de suas preferências, necessidades e a renda deque dispõe. Alguns indivíduos preferem levar uma vida mais simples e gastar comviagens; outros decidem trocar de carro todos os anos. A composição da cesta deconsumo dos indivíduos depende também dos gostos e hábitos de consumo, quevariam entre regiões e classes sociais. O desenvolvimento dos meios decomunicação, a publicidade, as facilidades de pagamento com o uso do créditotendem a homogeneizar os hábitos de consumo da população e a criar novasnecessidades a serem satisfeitas. Os bens econômicos são desejáveis porque são úteis e escassos (como aágua e o diamante). Existem, porém, bens abundantes e úteis aos homens que seencontram fora da Economia. Estes são os bens livres, ou seja, os que seencontram disponíveis a custo zero. O ar atmosférico constitui um exemplo típico debem livre e, de certo modo, a água dos rios. No entanto, em determinados casos, aágua utilizada para a irrigação, por exemplo, pode ser taxada, deixando de ser umbem livre típico. Os bens econômicos classificam-se em bens de consumo final, bens deconsumo intermediário e bens de capital. Os bens de consumo final são aquelesadquiridos pelas famílias e dividem-se em bens de consumo durável e não durável.Os bens de consumo duráveis são os utilizados durante um tempo relativamentelongo, como um refrigerador ou um automóvel. Os bens de consumo nãoduráveis, como alimentos, são usados apenas uma vez, ou poucas vezes. Os bens de consumo intermediários, ou insumos, são aqueles utilizadospelas empresas, direta e indiretamente, para a fabricação de outros bens, comomatérias-primas, barras de ferro, peças de reposição, componentes e material deescritório. Esses bens têm ciclo curto no processo produtivo, enquanto os bens decapital, também empregados direta e indiretamente na geração de outros bens, têmciclo longo. Exemplos: máquinas, equipamentos, prédios e material de transporte. 15Microeconomia
  • 16. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCOs bens de produção compreendem os bens de consumo intermediário e bens decapital. Como as necessidades são ilimitadas, as pessoas precisam estabelecerprioridades de gastos. Todos precisam de habitação, alimentação, vestuário,educação, saúde, lazer. Para ter acesso a esse conjunto de bens, segundo suasnecessidades e preferências, elas precisam ter uma renda disponível emquantidades suficientes. Além disso, o setor produtivo precisa produzir os bens e serviços desejados.Pode ocorrer que não seja possível ofertar algum tipo de produto por falta dematéria-prima no mercado nacional. É possível ofertar determinado produto,importando-se a matéria-prima necessária de outros países. Pode ocorrer, noentanto, que o país não tenha as divisas necessárias para pagar as importações.Quando o preço do petróleo quadruplicou nos anos de 1970, o racionamento decombustíveis no País foi evitado pelo financiamento de importações medianteendividamento externo. Existem necessidades que não podem ser atendidas porque o setor produtivoainda não sabe como produzir. Exemplo disso são os medicamentos para a curadefinitiva do câncer e da AIDS. Esse é outro exemplo de que apenas ter poder decompra não é suficiente para que as pessoas possam satisfazer determinadasnecessidades. Após Fleming ter descoberto a penicilina, em 1929, o setorfarmacêutico pôde produzir um medicamento capaz de curar doenças contagiosas,como a tuberculose. O acesso a novas tecnologias permite grandes lucros para as empresas eisso as leva a gastar grandes somas de recursos financeiros na P&D de novosprodutos e novos processos de produção. Novos produtos podem satisfazernecessidades ainda não satisfeitas, como novos medicamentos para combater ocâncer. Eles atendem a necessidades novas ou de que os consumidores ainda nãohaviam se dado conta. Exemplos: telefone celular, videocassete, microcomputador,televisão a cabo, comunicação via Internet etc. Nas economias desenvolvidas e nas classes sociais ricas dos países emdesenvolvimento, na maior parte dos casos, o consumo ultrapassa as necessidadesfisiológicas dos indivíduos. Isso se deve à publicidade e aos ditames da moda. Aexceção fica por conta da economia japonesa, em que os indivíduos possuemgrande propensão a poupar, consumindo menos do que a média dos países ricos. Asolução encontrada pelas autoridades japonesas é promover campanhas de maiorconsumo interno e de incentivo às exportações, para absorver o excesso de bensproduzidos e manter a economia em crescimento, ou, pelo menos, "aquecida". Em síntese, devido à escassez de recursos produtivos, utilizados na produçãode bens e serviços para o atendimento das necessidades dos consumidores, osagentes econômicos (produtores, consumidores, tomadores de decisão de órgãosdo governo) precisam utilizá-los de forma mais racional e eficiente possível, de modoa obter os melhores resultados, em termos de quantidade e qualidade. A teoria econômica supõe que as firmas e os consumidores sejam racionaisem suas decisões, isto é, que os empresários procurem o máximo lucro e osconsumidores à máxima satisfação no consumo de bens e serviços. O produtor querminimizar custos e vender seus produtos aos preços mais altos possível. Oconsumidor, pelo contrário, age no sentido de obter o máximo de produtos, segundoseus gostos, com um mínimo de dispêndio. Seguindo a idéia de racionalidade, elenão age por caridade ou capricho, mas visando ao interesse próprio. 16Microeconomia
  • 17. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC A economia decidirá o quê, quanto, como e para quem produzir em funçãoda demanda dos consumidores, da disponibilidade de recursos e da dotaçãotecnológica. Nas economias de mercado, essas repostas são fornecidas pelaconcorrência e pelo sistema de preços. Nas economias centralmente planificadas,essas decisões competem ao órgão central de planificação, enquanto naseconomias mistas, cabe tanto às empresas estatais e ao plano central indicativo,como às empresas privadas. Para entender melhor:Os conceitos de bens intermediários e bens finais dependem da utilização que se faz do bem ouserviço. Tudo que é vendido diretamente às famílias, ao governo e ao setor externo, é consideradoum bem final. Neste sentido, a reposição de pneus ou a exportação de matérias-primas, também sãoconsiderados como bens finais. Também são bens finais as matérias-primas que permanecerem emestoque, já que não foram utilizadas na elaboração de outros produtos no período.(VASCONCELLOS, 2000, p. 197) CLASSIFICAÇÃO DOS BENS ECONÔMICOS A – QUANTO Á RARIDADE 1. Bens não econômicos 2. Bens econômicos B – QUANTO Á NATUREZA 1. Bens materiais 2. Bens imateriais C – QUANTO AO DESTINO (OU USO) 1. Bens de consumo 1.1 Não duráveis 1.2 Duráveis 2. Bens de produção (ou de capital) 2.1 Transitórios (ou intermediários) 2.2 DuráveisQUESTÕES PARA REVISÃO1. Por que precisamos estudar economia?2. O que é para você economia?3. Quais são os problemas econômicos fundamentais? A que se refere cada um?4. De onde deriva a palavra economia?5. Conceitue economia a partir dos conceitos trabalhados na apostila.6. Que relação há entre economia e política?7. Que influência tem a geográfica sobre a economia?8. John Kenneth Galbraith, economista americano, respondeu o seguinte quando lhe perguntaram sobre o que é a Economia?9. O que é escassez?10. Relacione alguns temas estudados pela ciência econômica.11. Há vários conceitos importantes, que são a base e o objeto do estudo da Ciência Econômica. Detalhe-os!12. Diferencie microeconomia de macroeconomia. 17Microeconomia
  • 18. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC13. Cite alguns problemas econômicos brasileiros.14. Quais são e a que se referem fatores de produção?15. Por que os agentes econômicos precisam escolher onde investir os recursos?16. Diferencie bens livres de bens econômicos.17. Diferencie: economia positiva versus economia normativa.18. Pesquise o são os métodos indutivos e dedutivos de análise!19. O que você compreende por modelo econômico? E teoria econômica?20. A economia faz previsões determinísticas?21. Na ótica marxista a atividade econômica é sempre coletiva! Explique! 18Microeconomia
  • 19. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCPARTE II2 O SISTEMA ECONÔMICO2.1 DEFINIÇÃO DE SISTEMA ECONÔMICO Nas sociedades modernas, onde é produzido um grande número de bens eserviços, podemos observar que o consumo de uma pessoa é composto por bens eserviços produzidos em áreas de atividade econômica diferentes daquela em queexerce seu trabalho. Um operário que trabalhe numa metalúrgica, por exemplo,produz chapas de aço, mas necessita de alimentos, roupas, uma casa, transporteetc. Entretanto, na economia em que esse operário vive, é permitido que eletroque sua força de trabalho (um fator de produção que concorre para a produçãodas chapas de aço) por um salário que lhe permita adquirir os bens e serviços deque necessita. Isto ocorre em razão do funcionamento daquilo que chamamos desistema econômico. Um sistema econômico pode ser definido como a reunião dos diversoselementos participantes da produção de bens e serviços que satisfazem asnecessidades da sociedade, organizados não apenas do ponto de vista econômico,mas também social, jurídico, institucional etc. Observe que os elementos integrantesde um sistema econômico não são apenas pessoas, mas todos os fatores deprodução: trabalho, capital e recursos naturais. Entretanto, para que esses fatores façam parte do processo produtivo, elesprecisam estar organizados de tal forma que a sua combinação resulte em algumbem ou serviço. As instituições onde são organizados os fatores de produção sãodenominadas unidades produtoras. Uma fábrica de automóveis, um banco e umafazenda são exemplos de unidades produtoras, pois em cada uma delas os fatorestrabalho, capital e recursos naturais estão organizados para a produção de algumbem ou serviço. No entanto, não devemos pensar que tudo aquilo que for obtido pelasunidades produtoras será destinado diretamente ao consumo pelas pessoas. Umafábrica de chapas de aço, por exemplo, não tem as pessoas, em geral, comoconsumidores diretos dos seus produtos, da mesma forma que uma empresa deprocessamento de dados. As chapas de aço e os serviços de computação sãoapenas um bem e um serviço que entram na produção de outros bens e serviços. Essa complexidade da produção é uma característica fundamental dosmodernos sistemas econômicos e explica como as pessoas que desempenham umatarefa específica, como o operário de quem falamos anteriormente, pode adquirir ascoisas necessárias à satisfação de suas necessidades. A produção econômica pode ser classificada em três categorias, de acordocom a sua destinação:• Bens e serviços de consumo: são aqueles bens e serviços que satisfazem as necessidades das pessoas quando são consumidos no estado em que se encontram, como alimentos, roupas, serviços médicos etc.• Bens e serviços intermediários: são os bens e serviços que não atendem diretamente às necessidades das pessoas, pois precisam ser transformados 19Microeconomia
  • 20. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC para atingir sua forma definitiva. Como exemplo, podemos citar as chapas de aço, que serão empregadas na produção de automóveis; os serviços de computação, que preparam folhas de pagamentos para as empresas etc.• Bens de capital: também não atendem diretamente às necessidades dos consumidores, mas destinam-se a aumentar à eficiência do trabalho humano no processo produtivo, como as máquinas, as estradas etc..2.2. COMPOSIÇÃO DO SISTEMA ECONÔMICO No sistema econômico de uma nação, encontramos um grande e diversificadonúmero de unidades produtoras, cada qual organizando os fatores da produção paraa obtenção de um determinado produto ou para a prestação de um serviço.Entretanto, apesar da diversidade de objetivos das inúmeras unidades produtoras,podemos classificá-las de acordo com as características fundamentais de suaprodução. Utilizando esse critério, veremos que as unidades produtoras podem seragrupadas em três setores básicos, que compõem o sistema econômico:• Setor primário: constituído pelas unidades produtoras que utilizam intensamente os recursos naturais e não introduzem transformações substanciais em seus produtos. Neste setor, estão às unidades produtoras que desenvolvem atividades agrícolas, pecuárias e extrativas, sejam minerais, animais ou vegetais.• Setor secundário: constituído pelas unidades produtoras dedicadas às atividades industriais, através das quais os bens são transformados. Caracteriza- se pela intensa utilização do fator de produção capital, sob a forma de máquinas e equipamentos. Indústrias de automóvel, de refrigerantes e de roupas são exemplos de unidades produtoras incluídas no setor secundário.• Setor terciário: este setor se diferencia dos outros pelo fato de seu produto não ser tangível, concreto, embora seja de grande importância no sistema econômico. É composto pelas unidades produtoras que prestam serviços, como os bancos, as escolas, as empresas de transporte, o comércio etc. SETORES PRODUTIVOS SETOR ATIVIDADES Primário (agropecuário) Lavouras, produção animal e derivados, extrativa vegetal, indústria rural. Secundário (indústria) Indústria de extração mineral, indústria de transformação, indústria da construção civil, serviços industriais de utilidade pública. Terciário (serviços) Comércio, transporte e comunicações, governo, intermediários financeiros, autônomos, outros serviços. Poderemos ter uma idéia do grau de desenvolvimento de um país seobservarmos a importância relativa dos três setores em seu sistema econômico.Uma economia em que o setor primário tem maior peso revela, quase sempre, umnível de desenvolvimento não satisfatório, enquanto aquelas em que o setorsecundário é preponderante apresentam maior grau de desenvolvimento.2.3. OS FLUXOS DO SISTEMA ECONÔMICO 20Microeconomia
  • 21. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC Durante o processo de produção, em que são obtidos bens e serviços, asunidades produtoras remuneram os fatores de produção por elas empregados:pagam salários aos seus trabalhadores, aluguel pelas instalações que ocupam, jurospelos financiamentos obtidos e distribuem lucros aos seus proprietários. Essaremuneração é recebida pelos proprietários dos fatores de produção e permite-lhesadquirir os bens e os serviços de que necessitam. Este é um aspecto fundamental do sistema econômico, e que garante suaeficiência: as unidades produtoras, ao mesmo tempo em que produzem bens eserviços, remuneram os fatores de produção por elas empregados, permitindo queas pessoas adquiram bens e serviços produzidos por todas as outras unidadesprodutoras. Uma pessoa que trabalha numa fábrica de roupas, por exemplo, não vaiadquirir apenas o produto de seu trabalho (as roupas) com o salário que recebe.Precisa, também, comprar alimentos, alugar ou comprar uma casa, tomar conduçãoetc. É através da remuneração de sua força de trabalho (fator de produção queconcorreu para a produção das roupas) que ela poderá adquirir as coisas de quenecessita para viver. Pode-se dizer, portanto, que num sistema econômico existem dois fluxos. Oprimeiro é o fluxo real, formado pelos bens e serviços produzidos no sistemaeconômico, que também recebe o nome de produto. O segundo é o fluxo nominalou monetário, formado pelo pagamento que os fatores de produção recebemdurante o processo produtivo, também denominado renda. Esses dois fluxos têm um significado muito importante para a teoriaeconômica. O fluxo real, formado pelos bens e serviços produzidos, constitui aoferta da economia, ou seja, tudo aquilo que foi produzido e está à disposição dosconsumidores. O fluxo monetário, formado pelo total da remuneração dos fatoresprodutivos, é a demanda ou procura da economia, ou seja, aquilo que as pessoasprocuram para satisfazer suas necessidades e desejos. A oferta e a procura são as duas funções mais importantes de um sistemaeconômico. Essas duas funções formam o mercado onde as pessoas que queremvender se encontram com as pessoas que querem comprar. É importante observar que o termo mercado, na Teoria Econômica, nãosignifica apenas o lugar físico onde as pessoas estão localizadas, como uma feiralivre, por exemplo. Seu significado é mais amplo. O termo mercado se refere atodas as compras e vendas realizadas no sistema econômico, tanto de bens deconsumo, intermediários e de capital como de serviços. Em suma, sintetiza aessência do sistema econômico, em que as necessidades são satisfeitas através davenda e da compra de mercadorias e serviços. Os fluxos monetários e reais do sistema econômico e a formação do mercadopodem ser sintetizados no esquema a seguir: 21Microeconomia
  • 22. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCQUESTÕES PARA REVISÃO1. Defina sistema econômico.2. O que entendemos por unidades produtoras?3. Como pode ser classificada a produção econômica, de acordo com sua destinação?4. Identifique os três setores da economia e apresente as características de cada um deles.5. Diferencia fluxo real de fluxo monetário.6. Qual o significado do termo mercado, na teoria econômica?7. Qual a importância do aparelho produtivo no sistema econômico?8. Quais os benefícios que as Unidades Produtoras proporcionam ao país?9. Qual a importância do fluxo monetário e do fluxo real no sistema econômico? 22Microeconomia
  • 23. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCPARTE III3 INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA “Microeconomia é o ramo da Economia que trata da firma comercial e do lar, a estrutura celular de base; assim, ela tem a riqueza sugestiva do microscópio e da microbiologia. E daí passa a tratar do mercado – para revelar, ou de qualquer forma imaginar, como os consumidores, dadas suas rendas e preferências, atua reciprocamente através do mercado junto às empresas comerciais para determinar o que é produzido, em que quantidade, com que margem de lucro e a que preço.” “A macroeconomia tornou-se um tópico ou tema de discussão em separado e recebeu esse nome em conseqüência de John Maynard Keynes e da Grande Depressão. Então tornou-se generalizada a idéia de que os consumidores e as firmas comerciais poderiam não ter rendimento suficiente para gastar ou não gastar ou investir o suficiente do seu rendimento para comprar todos os bens e serviços que pudessem ser produzidos. Em conseqüência disso, haveria uma capacidade ociosa nas fábricas e desemprego. Ou, embora isso não fosse um problema durante a Depressão, as pessoas e os governos poderiam gastar além da capacidade produtiva da economia. Nesse caso, haveria inflação.” “Por isso, tornou-se uma função do governo regulamentar as relações gerais ou conjuntas entre todos os compradores e todos os vendedores. Isso significava proporcionar maior poder aquisitivo e maior procura quando fosse indicado, restrição do poder aquisitivo e da demanda quando fosse necessário.” “A expansão era obtida baixando-se os impostos ou aumentando os gastos públicos ou, então, incentivando os empréstimos dos bancos e conseqüente dispêndio em investimentos nos negócios, compra de casas e automóveis. A restrição era conseguida invertendo a ação de todos esses fatores. Essa é a política da macroeconomia.” “Eu poderia acrescentar que a distinção entre microeconomia e macroeconomia, embora continue sendo muito acalentada pelos economistas ao instituir cursos e examinar candidatos a doutorado, de nada mais serve na vida real. Mais provavelmente, ela constitui agora uma barreira a uma melhor compreensão da matéria. Isso porque a linha divisória entre microeconomia e macroeconomia torna-se extremamente difusa numa época em que as empresas podem aumentar seus preços e os sindicatos podem obter altas de salários. Tais ações, tanto quanto o excesso de poder aquisitivo, podem tornar-se uma causa de inflação. E o desemprego é hoje em dia a conseqüência normal do empenho em evitar que as empresas, os sindicatos e outros órgãos aumentem os seus preços e salários reduzindo a demanda. Assim, a inflação como o desemprego são agora tanto ou mais uma conseqüência de fenômenos microeconômicos, quanto de uma política macroeconômica. Em economia, divisões artificiais da matéria – ou seja, a especialização – podem ser uma fonte primordial de erro. A verdade econômica só vem a tona quando as coisas são examinadas como um todo.” John Kenneth Galbraith, Economista, (A Economia ao Alcance de Todos, Pag.11, Livraria Pioneira, 1992).3.1. CONCEITO A Microeconomia, ou Teoria dos Preços, analisa a formação de preços nomercado, ou seja, como a empresa e o consumidor interagem e decidem qual opreço e a quantidade de um determinado bem ou serviço em mercados específicos. Assim, enquanto a Macroeconomia enfoca o comportamento da Economiacomo um todo, considerando variáveis globais como consumo agregado, rendanacional e investimentos globais, a análise microeconômica preocupa-se com aformação de preços de bens e serviços (soja, automóveis) e de fatores de produção(salários, aluguéis, lucros) em mercados específicos. 23Microeconomia
  • 24. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC A Teoria Microeconômica não deve ser confundida com economia deempresas, pois tem enfoque distinto. A Microeconomia estuda o funcionamento daoferta e da demanda na formação do preço no mercado, isto é, o preço sendo obtidopela interação do conjunto de consumidores com o conjunto de empresas quefabricam um dado bem ou serviço. Do ponto de vista da economia de empresas,onde se estuda uma empresa específica, prevalece a visão contábil - financeira naformação do preço de venda de seu produto, baseada principalmente nos custos deprodução, enquanto na Microeconomia prevalece a visão do mercado. A conceituação de empresa, entretanto, possui duas visões: a econômica e ajurídica. Do ponto de vista econômico, empresa ou estabelecimento comercial é acombinação, pelo empresário, dos fatores de produção: capital, trabalho, terra etecnologia, de tais modos organizados para se obter o maior volume possível deprodução ou de serviços ao menor custo. Na doutrina jurídica reconhece-se o estabelecimento como umauniversalidade de direito, incluindo-se na atividade econômica um complexo derelações jurídicas entre o empresário e a empresa. O empresário é, assim, o sujeitoda atividade econômica, e o objeto é constituído pelo estabelecimento, que é ocomplexo de bens corpóreos e incorpóreos utilizados para o processo de produção.A empresa, nesse contexto, é o complexo de relações jurídicas que unem o sujeitoao objeto da atividade econômica.3.2. PRESSUPOSTOS BÁSICOS DA ANÁLISE MICROECONÔMICA3.2.1 A hipótese coeteris paribus Para analisar um mercado específico, a Microeconomia se vale da hipótesede que "tudo o mais permanece constante" (em latim, coereris paribus). O foco deestudo é dirigido apenas àquele mercado, analisando-se o papel que a oferta e ademanda neIe exercem, supondo que outras variáveis interfiram muito pouco, ouque não interfiram de maneira absoluta. Adotando-se essa hipótese, torna-se possível o estudo de um determinadomercado selecionando-se apenas as variáveis que influenciam os agenteseconômicos - consumidores e produtores - nesse particular mercado,independentemente de outros fatores, que estão em outros mercados, podereminfluenciá-los. Sabemos, por exemplo, que a procura de uma mercadoria énormalmente mais afetada por seu preço e pela renda dos consumidores. Paraanalisar o efeito do preço sobre a procura, supomos que a renda permaneçaconstante (coeteris paribus); da mesma forma, para avaliar a relação entre a procurae a renda dos consumidores, supomos que o preço da mercadoria não varie. Temos,assim, o efeito "puro" ou "líquido" de cada uma dessas variáveis sobre a procura.3.2.2 Papel dos preços relativos Na análise microeconômica, são mais relevantes os preços relativos, isto é,os preços de um bem em relação aos demais, do que os preços absolutos (isolados)das mercadorias. Por exemplo, se o preço do guaraná cair em 10%, mas também o preço dasoda cair em 10%, nada deve acontecer com a demanda (procura) dos dois bens 24Microeconomia
  • 25. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC(supondo que as demais variáveis permaneceram constantes). Agora, tudo o maispermanecendo constante, se cair apenas o preço do guaraná, permanecendoinalterado o preço da soda, deve-se esperar um aumento na quantidade procuradade guaraná, e uma queda na de soda. Embora não tenha havido alteração no preçoabsoluto da soda, seu preço relativo aumentou, quando comparado com o doguaraná.3.2.3 Objetivos da empresa A grande questão na Microeconomia, que inclusive é a origem das diferentescorrentes de abordagem, reside na hipótese adotada quanto aos objetivos daempresa produtora de bens e serviços. A análise tradicional supõe o Princípio da Racionalidade, segundo o qual oempresário sempre busca a maximização do lucro total, otimizando a utilização dosrecursos de que dispõe. As correntes alternativas consideram que o objetivo do empresário não seriaa maximização do lucro, mas fatores como aumento da participação nas vendas domercado, ou maximização da margem sobre os custos de produção, independenteda demanda de mercado.3.3. APLICAÇÕES DA ANÁLISE MICROECONÔMICA A análise microeconômica, ou Teoria dos Preços, como parte da CiênciaEconômica, preocupa-se em explicar como se determina o preço dos bens eserviços, bem como dos fatores de produção. O instrumental microeconômicoprocura responder, também, a questões aparentemente triviais; por exemplo, porque, quando o preço de um bem se eleva, a quantidade demandada desse bemdeve cair, coereris paribus. Entretanto, deve-se salientar que, se a Teoria Microeconômica não é ummanual de técnicas para a tomada de decisões do dia-a-dia, mesmo assim elarepresenta uma ferramenta útil para estabelecer políticas e estratégias, dentro deum horizonte de planejamento, tanto ao nível de empresas quanto ao nível depolítica econômica. A nível de empresas, a análise microeconômica pode subsidiar as seguintesdecisões:• Política de preços da empresa;• Previsões de demanda e de faturamento;• Previsões de custos de produção;• Decisões ótimas de produção (escolha da melhor alternativa de produção, isto é, da melhor combinação de fatores de produção),• Avaliação e elaboração de projetos de investimentos (análise custo-benefício da compra de equipamentos, ampliação da empresa etc.);• Política de propaganda e publicidade (como as preferências dos consumidores podem afetar a procura do produto);• Localização da empresa (se a empresa deve situar-se próxima aos centros consumidores ou aos centros fornecedores de insumos);• Diferenciação de mercados (possibilidades de preços diferenciados, em diferentes mercados consumidores do mesmo produto). 25Microeconomia
  • 26. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC A nível de política econômica, a Teoria Microeconômica pode contribuir naanálise e tomada de decisões das seguintes questões:• Efeitos de impostos sobre mercados específicos;• Política de subsídios (nos preços de produtos como trigo e leite, ou na compra de insumos como máquinas, fertilizantes etc.);• Fixação de preços mínimos na agricultura• Controle de preços;• Política salarial;• Política de tarifas públicas (água, luz etc.);• Política de preços públicos (petróleo, aço etc.);• Leis antitrustes (controle de lucros de monopólios e oligopólios). Como se observa, são decisões necessárias ao planejamento estratégico dasempresas e à política e programação econômica do setor público. Evidentemente, a contribuição da Microeconomia está associada à utilizaçãode outras disciplinas, como a Estatística, a Matemática Financeira, a Contabilidade emesmo a Engenharia, de forma a dar conteúdo empírico a suas formulações econceitos teóricos.3.4. DIVISÃO DO ESTUDO MICROECONÔMICO Teoria Microeconômica consiste nos tópicos a seguir.3.4.1 Análise da demanda A Teoria da Demanda ou Procura de uma mercadoria ou serviço divide-se emTeoria do Consumidor (demanda individual) e Teoria da Demanda de Mercado.3.4.2 Análise da oferta A Teoria da Oferta de um bem ou serviço também subdivide-se em oferta dafirma individual e oferta de mercado. Dentro da análise da oferta da firma sãoabordadas a Teoria da Produção, que analisa as relações entre quantidades físicasproduzidas, entre o produto e os fatores de produção, e a Teoria dos Custos deProdução, que incorpora, além das quantidades físicas, os preços dos insumos. Nota: Em administração e microeconomia, Firmas são organizações queproduzem e vendem bens e serviços, que contratam e utilizam fatores de produção,que podem ser classificados em primárias ou secundárias. A Teoria da Firma, ou Teoria de Empresa, foi um conceito criado peloeconomista britânico Ronald Coase, em seu artigo The Nature of Firm, de 1937.Em 2009, o economista Oliver Williamson ganhou o prêmio Nobel por estudos sobreos limites da firma.[1] Segundo essa teoria, as firmas trabalham com o lado da oferta de mercado,ou seja, com os produtos que vão oferecer aos consumidores, como bens e serviçosproduzidos. As firmas são de extrema importância para os mercados, pois reúnem ocapital e o trabalho para realizar a produção e são as responsáveis por agregar valoràs matérias-primas utilizadas nesse processo, com uso de tecnologia. 26Microeconomia
  • 27. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC As empresas produzem conforme a demanda do mercado e a oferta éajustada por aqueles que estão dispostos a consumir. A Teoria da Firma não tem como objetivo o interesse de definir a empresa doponto de vista jurídico ou contábil. A empresa é vista com uma unidade técnica deprodução, propriedade de indivíduos ou famílias que compram fatores de produçãopara produção de bens e serviços. Fonte: www.wikedpedia.org.estado do bem estar social – consultado em 12.01.2010Nota 2: A Teoria da Produção é uma teoria que faz parte da teoria microeconômicaintegrada. A teoria da produção é sobre o processo de produção, ou seja, oprocesso de conversão dos fatores de produção nos produtos finais. Os fatores deprodução são bens cuja utilidade é derivada da sua capacidade em ser convertidosem bens finais.A relação entre as funções de produção, em relação a variação doproduto final em relação a variação da aplicação de um fator de produção especificoou a variação de todos os fatores simultaneamente é o tópico central dessa teoria.Podemos definir produção como qualquer utilização dos recursos que converte outransforma uma mercadoria em uma mercadoria diferente no tempo e/ou no espaço. A função de produção mostra a produção máxima que uma empresa podeobter para cada combinação específica de insumos.Fonte: www.wikedpedia.org.estado do bem estar social – consultado em 12.01.20103.4.3 Análise das estruturas de mercado A partir da demanda e da oferta de mercado são determinados o preço e aquantidade de equilíbrio de um dado bem ou serviço. O preço e a quantidade,entretanto, dependerão da particular forma ou estrutura desse mercado, ou seja, seele é competitivo, com muitas empresas produzindo um dado produto, ouconcentrado em poucas ou em uma única empresa. Na análise das estruturas de mercado avaliam-se os efeitos da oferta e dademanda, tanto no mercado de bens e serviços quanto no mercado de fatores deprodução. As estruturas do mercado de bens e serviços são:a) Concorrência perfeita;b) Concorrência imperfeita ou monopolista;c) Monopólio;d) Oligopólio. As estruturas do mercado de fatores de produção são:a) Concorrência perfeita;b) Concorrência imperfeita;c) Monopsônio;d) Oligopsônio.Nota: façam uma pesquisa sobre os termos utilizados acima em seus aspectosconceituais. No mercado de fatores de produção, a procura de fatores produtivos échamada de demanda derivada, uma vez que a demanda por insumos (mão-de-obra, capital) está condicionada, ou deriva, da procura pelo produto final da empresano mercado de bens e serviços. 27Microeconomia
  • 28. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC3.4.4 Teoria do equilíbrio geral A análise do equilíbrio geral leva em conta as inter-relações entre todos osmercados, diferentemente da análise de equilíbrio parcial, que analisa um mercadoisoladamente, sem considerar suas inter-relações com os demais. Ou seja, procura-se analisar se o comportamento independente de cada agente econômico conduztodos a uma posição de equilíbrio global, embora todos sejam, na realidade,interdependentes. A Teoria do Bem-Estar, ou Weltfare, estuda como alcançar soluçõessocialmente eficientes para o problema da alocação e distribuição dos recursos, ouseja, encontrar a "alocação ótima dos recursos". Há de se destacar que no estudo microeconômico um dos tópicos consiste naanalisa das imperfeições de mercado, onde se analisam situações nas quais ospreços não são determinados isoladamente em cada mercado. Na realidade, tanto a Teoria do Equilíbrio Geral e do Bem-Estar como aTeoria do Consumidor são fundamentalmente abstratas, utilizando-se, comfreqüência, modelos matemáticos de razoável grau de dificuldade. Como o objetivodesta disciplina é procurar fornecer aos estudantes de jornalismo econômicoconceitos básicos de economia, que dêem subsídios para sua atuação no dia-a-diae um melhor, entendimento das principais questões econômicas de nosso tempo,esses dois tópicos não serão discutidos aqui. Esses temas também não costumamser abordados nos cursos introdutórios de Economia.Nota: Teoria do consumidor: A teoria do consumidor, ou teoria da escolha, é umateoria microeconômica, que busca descrever como os consumidores tomamdecisões de compra e como eles enfrentam os tradeoffs e as mudanças em seuambiente. Os fatores que influênciam as escolhas dos consumidores estãobasicamente ligados a sua restrição orçamentária e preferências. Para a teoria do consumidor, as pessoas escolhem obter um bem emdetrimento do outro em virtude da utilidade que ele lhe proporciona.Notas 2: Estado de bem-estar social: Estado de bem-estar social (em inglês: WelfareState), também conhecido como Estado-providência, é um tipo de organizaçãopolítica e econômica que coloca o Estado (nação) como agente da promoção(protetor e defensor) social e organizador da economia. Nesta orientação, o Estadoé o agente regulamentador de toda vida e saúde social, política e econômica do paísem parceria com sindicatos e empresas privadas, em níveis diferentes, de acordocom a nação em questão. Cabe ao Estado do bem-estar social garantir serviçospúblicos e proteção à população.[1] Os Estados de bem-estar social desenvolveram-se principalmente na Europa,onde seus princípios foram defendidos pela social-democracia, tendo sidoimplementado com maior intensidade nos Estados Escandinavos (ou paísesnórdicos) tais como a Suécia, a Dinamarca e a Noruega e a Finlandia),[2] sob aorientação do economista e sociologista sueco Karl Gunnar Myrdal. IronicamenteGunnar Myrdal, um dos principais idealizadores do Estado de bem-estar-socialdividiu, em 1974, o Prêmio de Ciências Econômicas (Premio Nobel) com seu rivalideológico Friedrich August von Hayek, um dos maiores defensores do livremercado, economista da Escola Austríaca. Esta forma de organização político-social, que se originou da GrandeDepressão, se desenvolveu ainda mais com a ampliação do conceito de cidadania,com o fim dos governos totalitários da Europa Ocidental (nazismo, fascismo etc.) 28Microeconomia
  • 29. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCcom a hegemonia dos governos sociais-democratas e, secundariamente, dascorrentes euro-comunistas, com base na concepção de que existem direitos sociaisindissociáveis à existência de qualquer cidadão. Pelos princípios do Estado de bem-estar social, todo o indivíduo teria o direito,desde seu nascimento até sua morte, a um conjunto de bens e serviços quedeveriam ter seu fornecimento garantido seja diretamente através do Estado ouindiretamente, mediante seu poder de regulamentação sobre a sociedade civil.Esses direitos incluiriam a educação em todos os níveis, a assistência médicagratuita, o auxílio ao desempregado, a garantia de uma renda mínima, recursosadicionais para a criação dos filhos, etc. A idéia de usar a "política social", como um meio para se obter a eficiênciaeconômica, incorporou-se no Socialismo Fabiano inglês, no Socialismo FuncionalSueco e no Marxismo Austríaco (Tilton, 1991; Karlsson, 2001). O conceito de"políticas sociais produtivas" encontrou apoio nos movimentos de trabalhadores,especialmente na Suécia, onde o conceito ressurgiu durante a Grande Depressãodos anos 30 (Andersson, 2003; Kulawik, 1993). Na Suécia a crise. em termos deefeitos sociais da Grande Depressão e de desemprego em massa coincidiu com a"questão da população" e a queda dos índices de natalidade, e modelou o discursode uma crise social e nacional (Hirdman, 2002). Este discurso estruturou as idéiasde intervenção estatal na economia como um processo de racionalização dareprodução da população e da esfera domicilar, baseadas na observação de que oscustos de reprodução e de criação de filhos estavam desigualmente distribuídosentre as classes sociais (Myrdal-Myrdal, 1987). Da mesma maneira que osmercados de trabalho e a mais ampla organização da produção poderiam serracionalizadas mediante a utilização de regulamentações sociais para se obter umnível mais alto de produtividade, também a esfera social deveria ser racionalizadaatravés do uso de políticas sociais, como políticas familiares, sempre em benefíciode maior eficiência nacional. Esta noção de "racionalização" foi incorporada noconceito de "política social produtiva". Em 1932 o sociólogo e economista socialista Gunnar Myrdal escreveu que asmodernas políticas sociais diferiam totalmente das antigas políticas de auxílio àpobreza, uma vez que eram investimentos e não custos. As políticas sociaismodernas seriam eficientes e produtivas devido à sua ação profilática e preventiva,direcionada para evitar o surgimento de problemas nos organismos político-sociais.Nesse sentido as novas políticas sugeridas por Myrdal contrastavam fortemente comas antigas políticas de "remediar a pobreza", sendo destinadas e evitar o surgimentode bolsões de pobreza e a criar maiores riquezas. Myrdal, retornando dos EstadosUnidos, onde tornou-se um admirador do New Deal, escreveu um artigo intituladoQual é o custo da Reforma Social, onde desenvolvia sua argumentação e atacavaos críticos das despesas sociais, da (antiga) escola de Estocolmo.[3] Contra as recomendações dos que pregavam uma "maior economiaorçamentária" para sair da Grande Depressão, Myrdal argumentava que as políticassociais não eram meramente uma questão de redistribuição de renda, mas eramuma questão vital para o próprio desenvolvimento econômico e tinham comoobjetivo principal o aumento do PIB. Estes conceitos de Myrdal sustentaram adefesa retórica de um Estado de bem-estar social que se expandiu, contra o desejodos liberais e fundamentalistas de livre mercado, que viam as políticas sociais como"custos" e não com "investimentos" (Myrdal, 1932b; Jonung, 1991). A Social-Democracia sueca era totalmente orientada para uma maior eficiência dos mercadose via nas políticas sociais um meio de obter não só a segurança social dos 29Microeconomia
  • 30. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCindivíduos, mas sobretudo a organização eficiente da produção (Stephens, 1979;Ryner, 2002).[3]Evolução Hoje em dia existe na Europa, no mundo ocidental, o Estado Providência,resultado da segunda metade da II Guerra Mundial, mas filho directo da crise de1929 (Grande Depressão). O Welfare State teve a origem no pensamentokeynesiano e surgiu como resposta para o que se vivia na Europa. É um sistema emcrise nos dias de hoje, mas que pautou toda a segunda metade do século XX. Entre os seus objectivos há dois essenciais: a garantia do bom funcionamentodo mercado segundo o pensamento de Adam Smith e a defesa dos direitos doscidadãos na saúde, educação e alimentação. Uma das ideias fundamentais destepensamento é a igualdade de oportunidades. Ao longo do tempo vão-se desenvolverpolíticas públicas, aumentando o orçamento do Estado para essas áreas. Hoje, naEuropa, 40% do PIB vai para políticas sociais. A sua origem vem de Lorenz VonStein, jurista alemão, que elaborou nos seus ensaios a ideia de que o Estadotambém deve intervir na economia para corrigir os prejuízos que possam haver paraos seus cidadãos. Von Stein alertava para o perigo de uma reforma social que nãofossem feitas as reformas necessárias. Esta ideia remonta a meados do século XIXe, no final desse século, outro pensador, Wagner, vai criar a Lei de Wagner ondeprevê o aumento da intervenção pública nessas áreas, dizendo que se não houverum aumento de administração não há crescimento econômico. É nos anos 30 quese implementa o Welfare State depois de algumas experiências anteriores. Analisando a intervenção do Estado na sociedade francesa e inglesa, ospolitólogos vão definir três fases de implementação do Estado Providência:1. Experimentação: esta fase coincide com o alargamento do direito de voto e oaparecimento de segurança social, impulsionada por Otto Von Bismarck que vairesultar na política central da Alemanha do pré I Guerra Mundial e depois da própriaRepública de Weimar.2. Consolidação: o Estado não poderia ficar indiferente àquilo que se passava e, porisso, chega a hora de intervir através da criação de emprego, como se pode ver naspolíticas de Franklin Roosevelt3. Expansão: nos pós-II Guerra Mundial, o Estado de bem-estar social expande-se.O modelo tinha sido bem sucedido na Suécia e seria aplicado de uma formageneralizada. Patrocinava um acordo social em três partes: o proletariado(representado pelos sindicatos), o patronato e o Estado, o mediador. Quando apolítica não resulta o Estado intervém e tenta resolver a situação para agradar aambas as partes. Até aos anos 80 o processo produziu os 30 Gloriosos anos decrescimento econômico e estava a ganhar o confronto com o Liberalismo capitalista,modelo em crise após os problemas financeiros de 1973 e pela guerra do Vietname,elemento destabilizador da economia dos EUA. Isso vai levar a que MargaretThatcher diga que o Estado deixou de ter condições econômicas para sustentar umEstado Providência e vai retirar os vários direitos que os cidadãos tinham adquiridoao longo de várias décadas.Esta crise era um facto inegável e daí vão surgir duas correntes explicativas: • Explicação liberal: esta teoria defendia que se está a viver uma crise de governabilidade e a razão é o excesso de democracia, de controlo público sobre as empresas e sobre a economia. É a base da política de Cavaco Silva ou Bagão Félix. • Explicação de Esquerda: há uma sobrecarga do Estado porque existem vários grupos que lutam pelo poder e pelo controlo da economia. Para chegar 30Microeconomia
  • 31. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC ao Governo, cada grupo promete cada vez mais, despoletando os gastos públicos.Fonte: www.wikedpedia.org.estado do bem estar social – consultado em 12.01.2010Resumindo: Microeconomia Parte da economia que se ocupa do estudo dos diferentes agenteseconômicos, entre os quais as empresas e os consumidores. A economia, por suavez, se define como a ciência que estuda a distribuição de recursos entre asdistintas atividades. Em outras palavras, as pessoas têm diversos objetivos, desde asatisfação de necessidades primárias como alimentar-se, vestir-se e proteger-se dasintempéries; até as necessidades mais sofisticadas do tipo material, estético eespiritual. No entanto, os recursos disponíveis para alcançar estes objetivos estãolimitados pela disponibilidade dos fatores de produção (trabalho, capital e matérias-primas). A microeconomia consiste no estudo da forma como se alocam estesrecursos para satisfazer a objetivos diferentes. Diferencia-se da macroeconomia nosentido de que esta se ocupa de estudar até que ponto os recursos disponíveisestão sendo plenamente utilizados, como crescem com o tempo e outros temasrelacionados com estes. Os conceitos básicos da economia são aqueles que se utilizam paradescrever: 1) a forma como os indivíduos ou as famílias (economias domésticas)determinam sua procura de bens e serviços; 2) a forma como as empresas decidemo que e quantos bens e serviços produzirão e com que combinação de fatores deprodução; 3) a forma como os mercados relacionam a oferta e a procura. Esses três componentes podem ser sintetizados em demanda, oferta eequilíbrio do mercado. Entre as sub-áreas mais importantes cabe destacar aeconomia do bem-estar e as finanças públicas. Não se pode deixar de dizer que a microeconomia constitui a base dequalquer ramo da economia. Por exemplo, para analisar o efeito de um impostosobre as finanças públicas utiliza-se o modelo microeconômico para mostrar comotal imposto influencia a oferta, a demanda e os preços e, portanto, quanto se poderálucrar graças a esse imposto ou como ele afetará a oferta de fatores de produção.QUESTÕES PARA REVISÃO1. O estabelecimento comercial pode ser considerado sob duas óticas: a econômica e a jurídica. Explique cada uma delas.2. Qual o principal campo de atuação da Teoria Microeconômica?3. Como se divide o estudo microeconômico?4. Como analisas o Estado do Bem Estar Social no século 21?5. Você acha que o Brasil tem um estado do bem estar social?6. O que aborda a teoria da firma? O que são firmas em economia?7. O que aborda a teria do equilíbrio geral? _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ 31Microeconomia
  • 32. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ 32Microeconomia
  • 33. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCPARTE IV4 O MERCADO, COMPETIÇÃO E PREÇOS Mercado é o encontro entre vendedores e compradores. Um mercado podeestar em qualquer lugar, na esquina de uma rua ou no outro lado do mundo, ou bemperto como o telefone ou os classificados do jornal. Não precisa ser um lugar fixo.Nele estão presentes os fundamentos da procura e da oferta, que representam osinteresses de consumidores e produtores (ou vendedores).4.1. DEMANDA DE MERCADO A demanda ou procura pode ser definida como a quantidade de umdeterminado bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir em determinadoperíodo tempo. A procura depende de variáveis que influenciam a escolha do consumidor.São elas: preço do bem ou serviço, o preço dos outros bens, a renda do consumidore ou, gosto ou preferência do indivíduo. Para estudar-se a influência dessasvariáveis utiliza-se a hipótese do coeteris paribus (a quantidade demandada ouofertada varia apenas em função de alterações de preço), ou seja, considera-secada uma dessas variáveis afetando separadamente as decisões do consumidor. A relação quantidade/preço procurada pode ser representada por uma escalade procura, conforme a apresentada a seguir: Alternativa de preço ($) Quantidade demandada 1,00 12.000 3,00 8.000 6,00 4.000 8,00 3.000 10,00 2.000 Outra forma de apresentar essas diversas alternativas seria através da curvade procura. Para tanto, traçamos um gráfico com dois eixos, colocando no eixovertical os vários preços P, e no horizontal as quantidades demandadas Q. Assim: Os economistas supõem que a curva ou a escala de procura revela aspreferências dos consumidores, sob a hipótese de que estão maximizando suautilidade, ou grau de satisfação no consumo daquele produto. Ou seja, subjacente à 33Microeconomia
  • 34. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCcurva há toda uma teoria de valor, que envolve como vimos os fundamentospsicológicos do consumidor. A curva de procura inclina-se de cima para baixo, no sentido da esquerdapara a direita, refletindo o fato de que a quantidade procurada de determinadoproduto varia inversamente com relação a seu preço, coeteris paribus.4.1.1. Outras Variáveis que afetam a demanda de um bem Efetivamente, a procura de uma mercadoria não é influenciada apenas porseu preço. Existe uma série de outras variáveis que afetam a procura. Para a maioria dos produtos, a procura será afetada também pela renda dosconsumidores, pelo preço dos bens substitutos (ou concorrentes), pelo preço dosbens complementares e pelas preferências e hábitos dos consumidores. Se a renda dos consumidores aumenta e a demanda do produto também,temos um bem normal. Existe também uma classe de bens que são chamados debens inferiores, cuja demanda varia em sentido inverso às variáveis da renda; porexemplo, se o consumidor ficar mais rico, diminuirá o consumo de carne de segundae aumentará o consumo de carne de primeira. Temos ainda o caso de bens deconsumo saciado, quando a demanda de bem não é influenciada pela renda dosconsumidores (arroz, farinha, sal etc.). A demanda de um bem ou serviço também pode ser influenciada pelospreços de outros bens e serviços. Quando há uma relação direta de preço de umbem e quantidade de outro, coeteris paribus, eles são chamados de bens substitutosou concorrentes, ou ainda sucedâneos. Por exemplo, um aumento no consumo nopreço da carne deve elevar a demanda de peixe, tudo o mais constante. Quando hárelação inversa entre o preço de um bem e a demanda de outro, eles são chamadosde bens complementares (quantidade de automóveis e preço da gasolina,quantidade de camisas sociais e preço das gravatas etc.). Finalmente, a demanda de um bem ou serviço também sofre a influência doshábitos e preferências dos consumidores. Os gastos em publicidade e propagandaobjetivam aumentar a procura de bens e serviços influenciando suas preferências ehábitos. Além das variáveis anteriores, que se aplicam ao estudo da procura pelamaior parte dos bens, alguns produtos são afetados por fatores mais específicos,como efeitos sazonais e localização do consumidor, ou fatores mais gerais, comocondições de crédito, perspectivas da economia, congelamentos ou tabelamentos depreços e salário etc. Sob a ótica da demanda, alterações no gosto ou preferência dosconsumidores, na renda da população, nos preços de outros bens e nasexpectativas sobre o futuro podem influenciar significativamente as quantidadesdemandadas pela sociedade, mantendo os demais fatores constantes: - Aumento no consumo de sucos naturais faz com que diminua a quantidade demandada de refrigerantes; - Elevação na renda de uma comunidade determinará maior demanda por bens de consumo duráveis.4.2. OFERTA DE MERCADO Pode-se conceituar oferta como as várias quantidades que os produtoresdesejam oferecer ao mercado em determinado período de tempo. 34Microeconomia
  • 35. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC Quanto mais alto é o preço de mercado, maiores quantidades os vendedoresestarão dispostos a oferecer. Quanto mais baixo é o preço, menores quantidades osvendedores estarão dispostos a oferecer. É a lei da oferta: as quantidadesofertadas variam diretamente com os preços. Da mesma maneira que a demanda, a oferta depende de vários fatores;dentre eles, de seu próprio preço, dos preços de produtos substitutos, daspreferências do empresário, do mercado e da tecnologia. Diferentemente da função demanda, a função oferta mostra uma correlaçãodireta entre a quantidade ofertada e nível de preços, coeteris paribus. É chamadaLei Geral da Oferta. Podemos expressar uma escala de oferta de um bem X, ou seja, dada umasérie de preços, quais seriam as quantidades ofertadas a cada preço: Preço ($) Quantidade ofertada 1,00 1.000 3,00 5.000 6,00 9.000 8,00 11.000 10,00 13.000 Essa escala pode ser expressa graficamente como a seguir: A relação direta entre a quantidade ofertada de um bem e o preço desse bemdeve-se ao fato de que, coeteris paribus, um aumento do preço no mercado estimulaas empresas a produzirem mais, aumentando sua receita. Outra forma de leitura: oscustos de produção aumentarão, e a empresa deverá elevar seus preços paracontinuar produzindo o mesmo que antes. Além do preço do bem, a oferta de um bem ou serviço é afetada por diversascausas. Aperfeiçoamento das técnicas produtivas, redução dos custos de produção,condições climáticas favoráveis ou concessão de subsídios ao produto, certamenteaumentarão as quantidades ofertadas, mesmo mantendo-se estável o preço. Poroutro lado, fatores como condições climáticas desfavoráveis ou aumento dosimpostos sobre o produto provocarão diminuição nas quantidades ofertadas. Parece claro que a relação entre a oferta e o custo dos fatores de produçãoseja inversamente proporcional. Por exemplo, um aumento dos salários ou do custodas matérias-primas deve provocar coeteris paribus, uma retração da oferta doproduto. 35Microeconomia
  • 36. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC A relação entre a oferta e uma melhoria tecnológica é diretamenteproporcional, o mesmo ocorrendo com uma variação no número de empresasofertantes no setor.4.3. DETERMINAÇÃO DO PREÇO DE EQUILÍBRIO O objetivo deste capítulo é demonstrar o funcionamento do mercado numsistema econômico. Para determinar este funcionamento, devemos, antes,compreender o significado da palavra mercado e quais as suas funções. O mercado, num sistema econômico, é formado pelas pessoas que queremcomprar e pelas que querem vender bens e serviços, ou seja, os consumidores e osempresários. Naturalmente, não nos referimos apenas à presença física deconsumidores e produtores, mas sim às suas intenções de compra e venda queestão representadas nas curvas de demanda e de oferta, respectivamente. Assim, omercado pode ser definido como o encontro da oferta com a demanda por bens eserviços em uma economia. O resultado desse encontro é a determinação do preçoa que cada bem ou serviço será negociado, assim como as quantidadestransacionadas. Vejamos como isso ocorre. Conforme estudamos, as curvas de oferta e procura expressam uma relaçãoentre preços e quantidades. Entretanto, essa relação não é efetiva e sim potencial,pois tanto produtores como consumidores estão apenas expressando asquantidades dos bens que ofertariam ou consumiriam a determinados preços.Portanto, com a análise isolada das curvas de oferta e demanda, não é possíveldeterminar a quantidade em que cada bem será comprado e vendido, nem a quepreço será negociado. Para se determinar esse preço e essa quantidade, o mercado deve estar emequilíbrio. Em outras palavras, deve ser encontrado um preço pelo qual osempresários e consumidores realizem seus negócios, isto é, vendam e compremuma certa quantidade de bens ou de serviços. Esse preço é chamado preço deequilíbrio. A figura a seguir representa o mercado de um determinado bem X, com suaoferta e demanda representada pelas letras O e D, respectivamente. No eixovertical, representamos o preço de X (pk) e no horizontal, a quantidade (Q,). Ao preço de R$ 4,00, os consumidores estariam dispostos a comprar apenas10 unidades de X (ponto A), enquanto os produtores oferecem 25 unidades de X(ponto B). Certamente, esse não é o preço de equilíbrio, pois a oferta é maior do quea demanda. Por outro lado, se o preço fosse R$ 2,04, a oferta seria de 10 unidades(ponto C), e a demanda, de 25 unidades (ponto D), o que também não determinariao preço de equilíbrio. 36Microeconomia
  • 37. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC Por definição, o preço de equilíbrio é aquele que torna iguais a oferta e ademanda. Observando o gráfico, verificamos facilmente que esse preço é R$ 3,00 eque nele (ponto E) a oferta e a demanda de X são iguais a 18 unidades. Quandoisso acontece, a oferta e a demanda são iguais a um determinado preço e dizemos,então, que o mercado está em equilíbrio. Efetivamente, esse é o mecanismo que determina os preços dos bens eserviços numa economia capitalista, ou economia de mercado. O preço quepagamos por um maço de cigarros, por um par de sapatos ou por um quilo de feijãoé determinado pelo mercado, pela oferta e procura de cada um desses bens.QUESTÕES PARA REVISÃO1. Conceitue Mercado e quais são os critérios adotados para a sua classificação?2. Defina preço de equilíbrio.3. Cite as principais diferenças entre monopólio e oligopólio.4. O que é o CADE? Como ele atua?5. Conceitue oferta e aponte os fatores que influenciam o comportamento dos ofertantes no mercado.6. Conceitue demanda e aponte os fatores que influenciam os demandantes no mercado.7. Por que os empresários usam a propaganda?8. Quais são os regimes de mercado em que a propaganda é mais eficiente? Por quê?4.3.1 Oferta, Demanda e Equilíbrio em um Mercado Competitivo Em primeiro lugar, é necessário caracterizar o que é um mercado competitivo.Para ser considerado competitivo (ou perfeito), um determinado mercado (o deameixas, por exemplo) deve apresentar as seguintes características. Deve existir umgrande número de compradores e vendedores, de modo que nenhum deles,individualmente, pode influenciar o preço ao decidir comprar ou vender um produto.É lógico que esse raciocínio não vale caso um grande número de participantes domercado tome essa decisão conjuntamente. Além disso, estamos falando de ummercado cujo produto é homogêneo (sem diferenciação). Nesse caso, o produto deuma firma é, essencialmente, um substituto perfeito do produto de outra firma. Se hádiferenciação entre os produtos, não estamos falando de um mercado deconcorrência perfeita (como será visto mais tarde). Adicionalmente, não há barreiras à entrada de novas firmas nesse mercado(mobilidade de recursos e produtos), de tal forma que novos concorrentes podementrar no mercado e os recursos podem ser facilmente transferidos para usos maiseficientes. Por fim, supõe-se que há perfeita informação nesse mercado. Ou seja,demandantes e ofertantes detém perfeito conhecimento das informaçõesnecessárias sobre preços, processos de produção etc. Isso garante queconsumidores não paguem um preço mais alto do que o de equilíbrio de mercado enem empresas vendam a um preço mais baixo. Percebam que pelo tamanho das hipóteses, não é fácil encontrar em nossocotidiano um mercado que atenda simultaneamente a todos esses requisitos.Questões subjetivas como atendimento ou preferência por uma determinada marcapodem resultar em diferenciações que afetam as decisões dos consumidores, ainda 37Microeconomia
  • 38. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCque, objetivamente, estejamos falando de um mesmo produto. Esse pode ser o casode um produto financeiro como um seguro de automóvel. Mercados competitivos, então, podem ser vistos como uma situação idealque, em geral, tornam as análises econômicas mais simples, visto que, nesse caso,os agentes (empresas e consumidores) consideram os preços dos bens e serviçoscomo dados (não são afetados por suas decisões individuais). Como veremos maistarde, quando algumas dessas condições não são verificadas, observamos outrasestruturas de mercado (monopólio, oligopólio, entre outras) e as decisões deempresas e consumidores tornam-se um pouco mais complexas. Tendo em mente as características de um mercado competitivo, estamosagora em condições de analisar a formação do preço de equilíbrio (ou equilíbrio demercado). O equilíbrio no mercado se origina da interação entre oferta e demanda.Dessa ação conjunta resultará um determinado preço, chamado de preço deequilíbrio, ao qual corresponderá uma igualdade entre as quantidades ofertada edemandada (Gráfico 9). Há uma coincidência de desejos. Assim, ao preço deequilíbrio, à quantidade de um bem desejada pelos consumidores corresponderáuma quantidade ofertada pelas empresas. De outro modo, o preço de equilíbriogarante que cada comprador disposto a pagar aquele preço encontre um vendedordisposto a vender ao mesmo preço. Percebam que esse fato talvez não fossepossível caso os agentes não possuíssem perfeita informação sobre o mercado.Reforçando o conceito: em um mercado competitivo, quem determina o preço deequilíbrio são as condições de oferta e demanda. Todos os vendedores recebem omesmo preço pela venda do produto (denominado preço de mercado). Oscompradores não irão adquirir um produto mais caro, sabendo que poderão adquiri-lo a um preço menor. Por seu lado, os vendedores não venderão mais barato,sabendo que poderão vendê-lo a um preço maior. Dessa forma, uma vez alcançadoo preço de equilíbrio, há uma tendência natural de que esse preço não se altere,pois não existem motivos para isso. A não ser que ocorram mudanças nascondições de oferta e/ou demanda (deslocamentos das curvas). 38Microeconomia
  • 39. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC Mas como se daria essa “tendência natural” dos preços se movimentarem aoponto de equilíbrio? Suponha a situação representada no gráfico dez em que, ao preço P0, osdesejos das empresas em ofertar produtos (QO0) superam os desejos dosconsumidores em adquiri-los (QD0). Nesse ponto, não há coincidência de desejos e,portanto, P0 não pode ser um preço de equilíbrio (o mercado não está em equilíbrio).Tecnicamente, há um excesso de oferta de produto (a distância entre os pontos A eB no gráfico). Em tal situação, as forças de mercado (oferta e demanda) agirão parareconduzir esse mercado ao ponto de equilíbrio. Os vendedores perceberão que nãoconseguem vender tudo que desejam e caso produzam essa quantidade, seusestoques aumentarão. Assim, como há perfeita informação, os consumidorespercebem o excesso de oferta (diferença entre QO0 e QD0) e passam a negociar opreço, motivo pelo qual as empresas oferecem o produto a um preço menor. Esse menor preço resultará em incentivos distintos para consumidores eprodutores. Os primeiros desejarão mais produtos e os últimos não serãoincentivados a produzir a mesma quantidade de antes (setas indicativas ao longodas curvas). Esse movimento de redução nos preços e na quantidade produzida ede elevação no desejo dos consumidores em adquirir o bem acontecerá até queoferta e demanda se igualem novamente. Isso acontecerá quando o preço alcançarPE no gráfico dez. Portanto, em mercados competitivos, o preço de um bem semprecai quando há um excesso de oferta (deslocamento do preço de P0 para PE). 39Microeconomia
  • 40. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC Situação inversa ocorre quando o preço está abaixo do nível de equilíbrio(ponto P0 do gráfico 11). Nesse caso, os consumidores são incapazes de comprartudo que desejam (excesso de demanda) ao preço existente e se dispõem a pagarmais. Os vendedores, observando a escassez, percebem que podem elevar ospreços sem reduzir as vendas. E não só isso. São também incentivados a produzirmais. Desse modo, o movimento de elevação dos preços conduzirá a uma elevaçãoda oferta e a uma redução do desejo dos compradores em adquirir o bem (conformeas setas indicativas ao longo das curvas). Esse movimento continuará até que opreço de equilíbrio (PE) seja alcançado. Retomando o exemplo da Coca-Cola (Gráfico 12): a mudança da tecnologiagerou queda no preço e um aumento na quantidade de Coca-Cola negociada nomercado. Houve um deslocamento da oferta da esquerda (O1) para a direita (O2).Como a demanda pelo produto é negativamente inclinada (diminuições do preçogeram aumento da quantidade demandada) e como houve aumento naprodutividade, a Coca-Cola pôde diminuir seu preço de P1 para P2, gerando um novoequilíbrio de mercado com maiores quantidades negociadas (aumento de Q1 paraQ2). O resultado foi uma melhoria para consumidores e produtores. Estes pelaobtenção de maiores lucros e aqueles por comprarem mais a preços menores. 40Microeconomia
  • 41. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC► Custos e decisões de produção Nas considerações sobre mercado, estabelecemos as decisões dasempresas em termos do preço de mercado dos produtos. Estava implícito na análiseda curva de oferta que o desejo de produzir mais quando o preço aumentava ocorriaporque o custo unitário do produto (ou custo médio) se mantinha constante.Entretanto isso não é verdade sempre e, desse modo, um preço maior nãonecessariamente levará a uma maior produção. Nossa tarefa agora será olhar maisde perto o comportamento dos custos e como eles afetam as decisões dasempresas em produzir ou mesmo encerrar suas operações. Para iniciar a discussão, pense em uma empresa cujo preço de mercado estátão baixo que a receita total (preço multiplicado pela quantidade) é inferior ao custototal. A pergunta que deve se fazer a essa empresa e se ela deve continuar aoperar, mesmo com prejuízo, ou deve fechar as portas. À primeira vista essa pareceuma pergunta não muito inteligente. Afinal de contas, por que uma empresa queopera com prejuízo deveria continuar produzindo? Antes de respondermos à questão acima, é importante estabelecermosalguns conceitos sobre custos, visto que a tomada de decisões econômicas é, emgrande parte, um processo de comparar custos e benefícios:■ Custo fixo (CF) – não dependem da quantidade produzida.■ Custo variável (CV) – como as quantidades produzidas variam diretamente com ouso dos insumos produtivos (fatores de produção), tais custos se alteramproporcionalmente à produção. No limite, quando a produção é zero, ao contrário docusto fixo, o custo variável deveria ser nulo.■ Custo total (CT) – soma do CF e CV.■ Custo médio (Cme) – custo total dividido pela quantidade produzida. 41Microeconomia
  • 42. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC■ Custo variável médio (Cvm) – custo variável dividido pela quantidade produzida.■ Custo marginal (Cmg) – custo de uma unidade adicional de produto. Como ocusto fixo não muda com a produção, pode-se dizer que o custo marginal é oacréscimo do custo variável necessário para se produzir uma unidade a mais deproduto.Ilustrando os conceitos Imagine uma pequena fábrica (Compre Bem) que produza calças. Para oempresário produzir calças, ele aluga uma máquina ou faz um leasing pagandoR$20,00 por semana. Esse será o custo da máquina independente da intensidadede seu uso (custo fixo). A máquina é operada apenas por um trabalhador, cujosalário-hora é de R$1,00 durante a semana. A máquina operada pelo trabalhadorproduz uma calça por hora. Assumindo que a empresa contratou o trabalhadordurante cinco dias da semana trabalhando oito horas por dia, o produto correnteserá de 40 calças semanais e os custos, também por semana, serão osespecificados no quadro dois: Para entendermos a importância desses conceitos, bem como a suaaplicabilidade para a tomada de decisão correta da empresa, suponha que a fábricaCompre Bem receba uma encomenda de 41 calças semanais ao preço de R$ 1,80cada. Para produzir a calça adicional, além das 40 costumeiras, a empresa estápensando na possibilidade de solicitar ao seu funcionário que faça hora-extra. Noentanto, pela legislação vigente, a hora de trabalho adicional custaria à empresa R$2,00. Deveria a fábrica aceitar a encomenda em sua totalidade? A produção da fábrica está em 40 peças semanais e o custo médio é dadopor R$1,50, o que significa que a empresa está obtendo lucros. Se aumentasse asua produção para 41 unidades olhando apenas o custo médio (que agora seria deR$ 1,51), o empresário estaria tomando a decisão errada. Isso porque o que érelevante para decisões na margem (produção adicional) é o custo marginal, não omédio. Como o custo marginal para se produzir mais uma unidade (além das 40) éde R$ 2,00, contratar a hora adicional de trabalho reduzirá o lucro. Isso porque areceita adicional de vender mais uma calça (receita marginal) é menor do que ocusto adicional (marginal) incorrido pela empresa para produzir essa unidade. Emoutros termos, o lucro adicional (ou marginal) é negativo (Quadro 3). 42Microeconomia
  • 43. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC O lucro marginal (acréscimo do lucro decorrente da produção adicional deuma unidade) é igual à diferença entre a receita marginal e o custo marginal.Portanto, o custo marginal deve ser o indicador para a empresa decidir se valea pena produzir unidades adicionais de produto. Agora, suponha que devido à concorrência de produtos chineses, o preço demercado das calças no Brasil caia para R$1,30. Aqui, voltamos à pergunta feita noinício da discussão sobre custos: deveria a fábrica Compre Bem encerrar asatividades? À primeira vista, a resposta é positiva, visto que produzindo as 40 calçassemanais ela estaria trabalhando com prejuízo: receita total de R$ 52,00 e custototal de R$ 60,00. O prejuízo advém do fato de que a receita total não está cobrindo o custo totalou, em outros termos, o custo médio supera a receita média (receita total divididapela quantidade). Apesar disso, se a receita total estiver cobrindo o custo variável,embora não suficiente para cobrir também o custo fixo, a Compre Bem deveriacontinuar a operar, pois, enquanto não puder eliminar o custo fixo, o prejuízo serámenor do que se ela encerrar as atividades. Façamos os cálculos. Portanto, é sensato que a empresa continue suas operações, pois pelomenos uma parte do custo fixo está sendo recuperado. De toda a discussão, nocurto prazo, enquanto os custos fixos não podem ser eliminados, o custo variávelmédio em comparação ao preço deve ser a variável de decisão entre continuaroperando ou não.► Custo de oportunidade e custo afundado Já vimos, no início desta apostila, o que significa custo de oportunidade – obenefício perdido pelo fato de se aplicar o recurso em uso alternativo. Assim, oscustos de oportunidade devem ser levados em consideração na tomada de decisõeseconômicas. Entretanto, existe um outro custo, que se assemelha aos custos fixos,que não deveriam ser levados em conta nas tomadas de decisões econômicas. Elessão chamados de custos afundados. Em geral, ele é definido como um determinado investimento que nãoapresenta nenhum uso alternativo, ou seja, é um ativo sem custo de oportunidade.Suponha que você seja recém-formado em economia e esteja avaliando apossibilidade de pedir demissão do seu emprego para abrir uma consultoria. No seu 43Microeconomia
  • 44. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCcálculo, os custos fixos e variáveis envolvidos no funcionamento do seu escritório,bem como o custo de oportunidade de deixar de receber o salário do empregodevem ser levados em consideração. No entanto, as despesas efetuadas durante asua formação (livros, mensalidade escolar etc.) não deveriam ser ponderadas emsua decisão, pois representam custos afundados. Portanto, as decisões econômicas devem ser baseadas em custoseconômicos (que incluem os custos de oportunidade) e não nos dispêndios járealizados, pois, muitas vezes, tais dispêndios incluem os custos afundados.ELASTICIDADEElasticidade-preço da demanda Sabemos que mudanças nos preços dos bens, ceteres paribus, provocamalterações nas quantidades demandadas. Uma questão prática e de interesse é ograu em que a quantidade demandada responde a uma variação nos preços. Essa éuma consideração importante, pois, de um lado, afeta as despesas do consumidor e,de outro, a receita dos produtores. O conceito de elasticidade- preço da demandapermite determinar o quanto a quantidade demandada depende (ou responde) dospreços, sem que nos preocupemos com as unidades de medida do bem produzido. Um exemplo pode ajudar a entender esse ponto. Imagine duas curvas dedemanda de bens diferentes que mostrem o seguinte: uma variação de R$ 5,00 nospreços provoca uma alteração de 80 unidades na demanda para ambos os bens.Você seria capaz de dizer, com a informação acima, qual dos dois bens é maissensível aos preços? Certamente que não. Imagine que os bens em questão sejamTV’s de LCD e feijão. O aumento de R$ 5,00 no preço da TV de LCD representamuito pouco em relação ao preço total do bem. Contudo, foi suficiente para alterar aquantidade demandada o que nos permite afirmar que a demanda por TV de LCD érelativamente sensível a alterações nos preços. Já para o feijão não se pode dizerque a alteração na quantidade evidencie uma alta sensibilidade da sua demanda emrelação ao preço, uma vez que a variação de R$ 5,00 é bastante significativa emrelação ao preço corrente do feijão. Por isso precisamos de uma medida diferentepara mensurar a sensibilidade da demanda a alterações nos preços. A forma utilizada em economia para medir essa sensibilidade é aelasticidade-preço da demanda, na qual se relaciona a variação percentual daquantidade demandada com a variação percentual nos preços. O resultado dessaconta nos indicará quantos pontos percentuais a demanda pelo bem “x” variaquando observamos uma alteração de 1% no seu preço e pode ser representadapela seguinte fórmula: Onde: E 44Microeconomia
  • 45. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC Como a relação entre preço e quantidade demandada é inversa (negativa), ovalor encontrado para a elasticidade-preço da demanda será sempre negativo. Noentanto, é mais usual representá-la em termos absolutos, porque já está implícitoque o sinal é negativo. Observem que o conceito de elasticidade fornece um número“puro”, pois não depende da unidade de medida utilizada, já que se refere a umarazão entre duas percentagens, de modo que é indiferente a unidade de medida daquantidade demanda estar em quilos ou unidades. Essa característica nos permitecomparar a sensibilidade de resposta da demanda a variações nos preços deprodutos e setores diferentes (automóveis, celulares, feijão etc.). Em valor absoluto, a elasticidade varia entre zero e infinito. Assim,precisamos definir alguns conceitos adicionais para dizer se determinado bem épouco ou muito sensível às variações nos preços. Dizemos que a demanda por um bem é preço-elástica se a variação de 1%nos preços causar uma variação percentual maior do que 1% na quantidadedemandada (ed>1). Por outro lado, uma demanda preço-inelástica ocorre quandodiante de uma variação de 1% nos preços, a variação na quantidade demandada émenor do que 1% (ed<1). Por fim, a demanda possui uma elasticidade-preço igualà unidade (elasticidade unitária) quando as variações percentuais no preço e naquantidade ocorrem na mesma proporção. Antes de prosseguirmos, vale uma ressalva sobre o conceito de elasticidade.Tecnicamente falando, elasticidade se refere a um ponto na curva de demanda (éum conceito pontual) e não à curva de demanda como um todo, de modo que não érigorosamente correto afirmar, como fizemos acima, a não ser em casos especiais(não tratados aqui), que a demanda é elástica ou inelástica (Pinho e Vasconcellos,2006). Um exemplo nos ajudará a entender esse ponto. Suponha que os valoresapresentados no quadro quatro representem combinações de preço e quantidadesda uma curva de demanda por ameixas. 45Microeconomia
  • 46. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC De acordo com esses dados, a curva de demanda por ameixas é a constantedo gráfico 13. Calculemos então a elasticidade-preço da demanda para um aumento dopreço a partir do ponto B para o ponto C e do ponto I ao ponto J. No primeiro caso, utilizando a fórmula, a elasticidade seria: 46Microeconomia
  • 47. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC Portanto, no ponto B, a elevação de 1,0% nos preços provoca uma reduçãode aproximadamente 0,111% na demanda, sugerindo uma demanda inelástica aopreço.Já para o ponto I, teríamos: Esse resultado sugere que no ponto I a demanda seja elástica ao preço. Como mostrado nos cálculos acima, a elasticidade-preço varia ao longo dacurva de demanda, de modo que podemos observar, na mesma curva, regiões emque a demanda é elástica ao preço e regiões em que ela é inelástica. Vejamos um outro exemplo para nos ajudar a fixar o conceito. Suponha queuma situação de equilíbrio seja modificada por um aumento da oferta, comomostrada nos gráficos 14 “a” e 14 “b”. Em ambos os casos, as curvas de oferta sãoas mesmas, assim como o preço e a quantidade inicial de equilíbrio, mas as curvasde demanda são distintas. Na situação expressa pelo gráfico 14 “a”, a partir doequilíbrio inicial, há um grande aumento na quantidade demandada e pequenavariação no preço. Já no gráfico 14 “b”, ocorre o contrário. Então, poderíamos sertentados a dizer que a demanda do primeiro gráfico é elástica ao preço e, dosegundo, inelástica. Mas, como realçado anteriormente, essa seria uma afirmação equivocada,visto que elasticidade é um conceito pontual e, ao longo da mesma curva dedemanda, podemos encontrar situações de elasticidades maiores e menores do quea unidade. Portanto, o correto, no caso de curvas, é uma afirmação relativa: ademanda representada no gráfico 14 “a” é mais elástica do que a representada nográfico 14 “b”. E não que a primeira é elástica e a segunda inelástica.Receita total das empresas e elasticidade-preço da demanda 47Microeconomia
  • 48. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC Conhecer a magnitude da elasticidade-preço da demanda em determinadoponto da curva de demanda é importante, pois a partir dela podemos inferir se umaumento de preços elevará ou reduzirá a receita total do vendedor. A receita total de uma empresa é igual à quantidade vendida multiplicada pelopreço da mercadoria. Sendo assim, como uma elevação nos preços reduz aquantidade demandada, qual deve ser o efeito líquido dessa mudança nos preços? A elasticidade-preço da demanda se encarrega de nos responder essaquestão:■ se a demanda por um bem é preço-elástica, um aumento de preço reduz a receitatotal; se há uma queda de preço, a receita total aumenta. Isso acontece no caso deuma demanda preço-elástico, pois a variação na quantidade mais do que compensaa variação nos preços;■ se a demanda de um bem é preço-inelástica (elasticidade menor que 1), um preçomais alto aumenta a receita e uma queda de preço reduz a receita total; e■ se a demanda por um bem tem elasticidade unitária, o aumento de preço nãomuda a receita total visto que as variações no preço e na quantidade secompensam. Considere o seguinte exemplo sobre a venda de anúncios veiculados em umarevista especializada em mercado financeiro. No período 1, foram vendidos oitoanúncios no valor de R$ 7 mil cada. Portanto, a receita publicitária no período 1corresponde a R$ 56 mil. Suponha que houve um reajuste no período 2 e o preço doanúncio passou a valer R$ 9 mil. Com o novo preço, a revista conquistou apenascinco anunciantes. Desse modo, a receita publicitária passou de R$ 56 mil para R$45 mil.Calculando a elasticidade-preço da demanda: Como na combinação de preço e quantidade do exemplo (um pontoespecífico da curva) a demanda é preço-elástica (elasticidade maior que 1), umaumento de preço contribui para a redução da receita total. A redução da receita ocorre porque o aumento do preço gera dois efeitos:■ efeito preço - o aumento de preço tende a aumentar a receita;■ efeito quantidade - o aumento do preço gera a redução da quantidade demandada(lei da demanda), o que tende a diminuir a receita. Considerando o exemplo, pode-se afirmar que o efeito quantidade foi superiorao efeito preço. 48Microeconomia
  • 49. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC Os exemplos acima nos mostraram a importância da elasticidade para adeterminação da receita das empresas diante de uma alteração nos preços. Então,torna-se relevante relacionar alguns elementos que nos ajudem a entender porquedeterminados bens possuem uma elasticidade-preço maior do que outros. Como diversos fatores afetam a demanda, não é fácil precisar o queefetivamente determina a elasticidade-preço da demanda. Contudo, com base naexperiência, é possível relacionar algumas regras relativas aos fatores que ainfluenciam:■ necessidades versus supérfluos - os bens necessários tendem a serem menoselásticos ao preço. A demanda por um remédio de uso contínuo tende a ser menoselástica ao preço do que a demanda por sorvetes;■ disponibilidades de substitutos próximos - bens que dispõem de substitutospróximos tendem a ter uma demanda mais elástica;■horizonte temporal – em geral, a demanda é mais elástica ao preço quanto maioro horizonte temporal em consideração. Isso ocorre porque ao longo do tempopodemos adaptar nosso consumo ou pode surgir um maior número de substitutosaos bens, de modo que a demanda tenderá a ser mais sensível a elevações nospreços. A demanda por petróleo é um bom exemplo. É provável que daqui aalgumas décadas, com o surgimento de fontes alternativas de energia, a demandapor petróleo se torne muito mais sensível aos preços do que é atualmente. Uma última nota sobre elasticidade-preço da demanda refere-se a dois casosextremos mostrados nos gráficos 15 “a” e 15 “b”. No primeiro, temos uma situaçãode total insensibilidade aos preços (demanda perfeitamente inelástica). Já, nosegundo, observamos o outro extremo (demanda perfeitamente elástica).Elasticidade-renda da demanda É a medida de quanto a demanda por um bem é afetada por mudanças narenda dos consumidores. 49Microeconomia
  • 50. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC O sinal da elasticidade-renda da demanda depende do tipo de bem envolvido.Quando envolve bens normais a demanda aumenta diante de um aumento darenda e a elasticidade-renda da demanda é positiva. Por outro lado, quandoenvolve os chamados bens inferiores, a demanda diminui quando a renda aumentae a elasticidade-renda da demanda é negativa. Os bens inferiores normalmentesão caracterizados por bens de pior qualidade e baixo preço, de modo que quandoos consumidores percebem uma elevação de sua renda tendem a substituir oconsumo desses bens por outros de melhor qualidade. Podemos citar comoexemplo de um bem inferior os refrigerantes não tradicionais (as chamadastubaínas) ou mesmo carne de segunda. Em relação aos bens normais (os mais comuns), podem ocorrer duascircunstâncias em relação à elasticidade-renda:■ elasticidade-renda da demanda é maior que 1: a demanda é elástica em relação à renda, ou seja, o aumento da demanda é superior ao aumento da renda. Os economistas costumam rotulares os bens com essa característica como bens superiores. Exemplo: artigos de luxo.■ elasticidade-renda da demanda é inferior a 1: a demanda é inelástica. Nesse caso, em termos proporcionais, a demanda aumenta menos do que o aumento da renda. Exemplo: gêneros de primeira necessidade. Em termos gerais, produtos básicos têm elasticidade-renda baixa e os benssupérfluos têm elasticidade-renda alta.Elasticidade-preço da oferta É a medida de quanto à oferta de um bem é afetada por mudanças no preçodos produtos. Nos gráficos a seguir (16 “a” e 16 “b”), você encontra os casos extremos deelasticidade-preço da oferta. Os casos intermediários são análogos ao estudado nocaso da elasticidade-preço da demanda. No entanto, vale lembrar que, ao contrárioda demanda, a elasticidade-preço da oferta é positiva. Isso decorre do fato de que,na curva de oferta, preço e quantidade variam na mesma direção. 50Microeconomia
  • 51. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCFatores que determinam a elasticidade-preço da oferta:■ disponibilidade de insumos - a elasticidade-preço da oferta tende a ser alta quando não há problema de disponibilidade de insumos e baixa quando os insumos são difíceis de serem obtidos.■ tempo - a elasticidade-preço da oferta tende a tornar-se maior à medida que os produtores têm mais tempo para responder às mudanças de preço.4.4 CLASSIFICAÇÃO DOS MERCADOS Até o momento, estivemos discutindo o mercado considerando a demanda deum consumidor individual e a oferta de um empresário individual, com relação a umdeterminado bem. Entretanto, o mercado de um bem é constituído pela oferta detodos os produtores desse bem e por todos os consumidores que estão dispostos acomprá-lo. Assim, é o equilíbrio entre a oferta dos empresários e a demanda dosconsumidores que estabelece o preço de equilíbrio, ou o preço de mercado, que é amesma coisa. Nesse sentido, do ponto de vista do empresário, é importante saberexatamente quais são as características do mercado para o seu produto, para que aempresa possa tomar as medidas adequadas ao seu bom desempenho. Para que se tenha um bom conhecimento dos mercados, eles sãoclassificados de acordo com dois critérios. O primeiro diz respeito à importância daempresa no mercado em que opera e o segundo refere-se ao fato de os produtosvendidos no mercado serem homogêneos ou não. Com base nesses critérios, osmercados foram classificados em quatro tipos:• Concorrência pura ou perfeita; 51Microeconomia
  • 52. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC• Monopólio puro;• Oligopólio;• Concorrência monopolística. A concorrência pura ou perfeita é um tipo de mercado que exige umnúmero bastante grande de empresas vendendo o mesmo produto. Esse produto éidêntico em todas as empresas, tornando impossível a determinação de sua origempelos consumidores. Quanto aos critérios adotados para a classificação dosmercados, na concorrência pura, cada empresa, tomada individualmente, não éimportante em seu mercado, pois ela contribui com tão pouco para a oferta total quea sua saída do mercado não é notada pelas demais empresas ou pelosconsumidores. O produto oferecido nesse mercado é homogêneo, já que o bemproduzido por uma empresa é exatamente igual ao bem produzido por outra.Quando estão comprando esse produto, os consumidores não são capazes dedeterminar em que empresa ele foi produzido, mas isso também não é importantepara eles. A concorrência pura é um conceito de mercado que, apesar de largamenteempregado na teoria econômica, não é encontrado facilmente no mundo real. Oexemplo que mais se aproxima desse tipo de mercado é o dos produtos agrícolas.Com efeito, a laranja é um produto homogêneo, pois quando um consumidor a estácomprando na feira, não sabe dizer em que fazenda foi produzida e nem se importacom tal fato. Além disso, há um número bastante grande de fazendas que produzemlaranjas e nenhuma delas é importante o bastante dentro do mercado para alterar opreço vigente com a interrupção de sua produção, por exemplo. O monopólio puro é um tipo extremo de mercado, em que apenas umaempresa vende um produto para o qual não existem bens substitutos. A importânciadessa empresa no mercado é absoluta, pois com o encerramento de suas atividadeso mercado deixaria de existir, pelo fato de o bem fabricado por ela não mais serofertado. O produto ofertado nesse mercado é diferenciado, não homogêneo, hápossibilidade de ser substituído por outros satisfatoriamente. O monopólio puro também é uma situação de mercado dificilmenteencontrada no mundo real. Na iniciativa privada, esse tipo de mercado não éencontrado pelo fato de ser impossível para qualquer empresa que esteja operandonesse regime impedir a entrada de outra empresa no mercado ofertando um produtosimilar ao seu. Os únicos casos de monopólio puro são encontrados no setorpúblico, como o abastecimento de água de uma cidade, que está a cargo dogoverno estadual ou da prefeitura. Nesse caso, temos realmente um monopóliopuro, pois a companhia que oferta a água é a única naquele mercado, ou seja, nacidade, e a água não tem nenhum substituto próximo satisfatório. O oligopólio é um regime de mercado intermediário entre a concorrênciapura e o monopólio puro. No oligopólio, temos um número de produtores pequeno osuficiente para que cada empresa seja importante, de modo que as ações de umaafetam as demais e os preços dos bens por elas produzidos. Além disso, essesbens, apesar de perfeitamente substituíveis entre si, são diferenciados, permitindoque o consumidor saiba exatamente qual empresa produziu determinado produto. Esse regime de mercado talvez seja o mais comumente encontrado na vidareal. Os exemplos que podem ser citados são vários, indo desde bens de consumoduráveis, como os eletrodomésticos em geral e os automóveis, até bens deconsumo não-duráveis, como sabão em pó e pasta de dente. O que caracteriza, àprimeira vista, um caso concreto de oligopólio é a marca do produto. De fato, as 52Microeconomia
  • 53. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCgeladeiras, por exemplo, são conhecidas pelo consumidor através de suas marcas,que identificam sua origem e a empresa que as produziu. E embora todas asgeladeiras prestem o mesmo tipo de serviço e satisfaçam às mesmas necessidades,cada consumidor individualmente prefere esta ou aquela marca. O mesmo acontececom o sabão em pó e os automóveis. A concorrência monopolística é uma situação de mercado em que há umnúmero suficientemente grande de produtores, de modo que cada produtorindividualmente não é importante. Todos eles produzem um mesmo produto, mas namente dos consumidores cada um deles é diferente dos demais, de acordo com aempresa que o produz. Neste caso temos um elemento da concorrência perfeita,que é o razoável número de empresas produzindo o mesmo bem, de modo que asaída de uma empresa do mercado não tem efeito sobre as demais. Temos,também, uma característica do oligopólio, que é o fato de cada produto ser diferentedos demais - pelo menos na mente do consumidor -, apesar de altamentesubstituíveis entre si. Como exemplos de concorrência monopolística, temos as fábricas de roupasda moda, os produtos têxteis e a prestação de serviços em grandes cidades. Defato, um vestido que segue as tendências da moda é produzido por um sem-númerode fábricas, mas uma senhora pode preferir o vestido produzido por determinadafábrica. O mesmo ocorre com os serviços nas grandes cidades, como o deencanador, por exemplo. Ele pode ser realizado por um grande número deencanadores, mas uma pessoa com uma pia entupida chamará um profissional queseja de sua confiança. De acordo com a importância da empresa no mercado e a homogeneidade doproduto ofertado, os mercados podem ser classificados em: Concorrência Concorrência Características Monopólio Oligopólio monopolista Perfeita1. Quanto ao Muito grande Só há uma Pequeno. Grande.número? empresa.2. Quanto ao Homogêneo. Não Não há substitutos Poder ser Diferenciado.produto? há quaisquer próximos. homogêneo ou diferenças. diferenciado.3. Quanto ao Não há As empresas têm Embora dificultado Pouca margem decontrole das possibilidades de grande poder para pela manobra, devido àempresas sobre os manobras pelas manter preços interdependência existência depreços. empresas. relativamente entre as empresas, substitutos próximo. elevados, sobretudo estas tendem a quando não há formar cartéis intervenções controlando preços restritivas do e quotas de governo (leis produção antitrustes).4. Quanto à Não é possível nem A empresa É intensa, É intensa,concorrência extra- sempre eficaz. geralmente recorre sobretudo quando exercendo-sepreço. a campanhas há diferenciação do através de institucionais, para produto. diferenças físicas, salvaguardar sua embalagens e imagem. prestação de serviços complementares.5. Quanto às Não há barreiras. Barreiras ao acesso Barreiras ao acesso Não há barreiras.condições de de novas empresas. de novas empresas.ingresso na 53Microeconomia
  • 54. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCindústria.REFORÇANDO O comportamento de ofertantes e demandantes no mercado não sãouniformes. Em decorrência da própria dinâmica da economia capitalista, o poder dosdiferentes agentes econômicos é também diferenciado. Veremos a seguir ascaracterísticas básicas dos principais tipos de mercado.CONCORRÊNCIA PERFEITA- Grande número de consumidores e ofertantes, tornando o mercado pulverizado de tal forma que nenhum comprador ou vendedor tenha condições de influenciar os preços ou o comportamento dos demais agentes;- Perfeito conhecimento do mercado, a começar pelo preço, por parte dos que o integram;- Perfeita mobilidade de recursos;- Ausência de entraves ao ingresso de novas empresas;- Homogeneidade de produtos. Exemplos: feira livre, comércio varejista em geral.CONCORRÊNCIA MONOPOLISTA- Grande número de empresas;- Fracas barreiras ao ingresso e saída do mercado;- Pouca diferenciação dos produtos. Cada concorrente estabelece um produto único e ligeiramente diferenciado pela marca, embalagem, publicidade. A diferenciação é subjetiva. Exemplos: calças jeans, pizzarias, franquias, etc.OLIGOPÓLIO- Pequeno número de empresas controla a quase totalidade do mercado;- Forte bloqueio à entrada de concorrentes;- Concorrência pela diferenciação de produtos;- Tendência à concentração de capitais através de fusões;- Tendência à formação de cartéis e à rigidez de preços; Exemplos: indústria automobilística, de vidros, cimento, aço, pneumáticos,química, petroquímica etc.MONOPÓLIO 54Microeconomia
  • 55. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC- Existência de uma única empresa produtora de bens e serviços para os quais, no curto prazo, não existem substitutos próximos;- Barreiras legais, tecnológicas e econômicas ao ingresso de concorrentes no mercado;- Dimensões do mercado estabelecidas pela empresa viam determinação prévia do volume de produção e dos preços desejáveis;- O lucro total da empresa é máximo para cada nível de produção e preço por ela estabelecido. Exemplo: correios.MONOPSÔNIO- Uma única empresa compradora de determinado produto;- Preço determinado pelo comprador. Exemplo: setor público na compra de produtos específicos.OLIGOPSÔNIO- Poucas empresas compradoras;- Preço do produto determinado pelos demandantes;- Grande dificuldade de entrada no mercado para novos compradores. Exemplo: indústria automobilística, fábricas de cigarros. O mercado também cria algumas imperfeições que impedem o que se poderiachamar de seu comportamento “natural”. Estas imperfeições estão relacionadas aopoder de mercado e formas de atingi-lo ou mantê-lo. É o caso do truste, dumping ecartel. O truste é o tipo de estrutura em que várias empresas, já detendo a maiorparte do mercado, combinam-se ou fundem-se para assegurar esse controle,estabelecendo preços elevados que lhes garantam altas margens de lucro. O dumping se caracteriza pela venda de produtos a preços mais baixos queos custos com a finalidade de eliminar concorrentes e conquistar fatias maiores demercado. Cartel é um grupo de empresas independentes que formalizam um acordopara sua atuação coordenada, com vistas a interesses comuns. O tipo mais comumde cartel é o de empresas que produzem artigos semelhantes, de forma a constituirum monopólio de mercado. Apesar de manterem a sua independência eindividualidade, as empresas participantes do cartel devem respeitar as regrasdeterminadas pelo grupo.4.5 AÇÃO GOVERNAMENTAL E ABUSOS DE MERCADO Criado em 1962 (Lei n. 4.137), o Conselho Administrativo de DireitoEconômico (CADE) é uma autarquia ligada ao Ministério da justiça, que tem por 55Microeconomia
  • 56. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCobjetivo julgar processos administrativos relativos a abusos do poder econômico,bem como analisar fusões de empresas que podem criar situações de monopólio oumaior domínio de mercado. Quando se prova que a limitação da concorrência nãopropicia ganhos aos consumidores em termos de menores preços ou produtostecnologicamente mais avançados, o CADE manda desfazer o negócio entre aspartes. Saiba maisCartel: grupo de empresas independentes que formalizam um acordo para suaatuação coordenada com vistas a interesses comuns. O tipo mais comum é o deempresas que produzem artigos semelhantes, de forma a constituir um monopóliode mercado.Truste: tipo de estrutura em que várias empresas já detendo a maior parte de ummercado, combinam-se ou fundem-se para assegurar este controle, estabelecendopreços elevados que lhes garantam altas margens de lucro. Os trustes, em muitospaíses são proibidos por lei, mas de eficiência duvidosa.(SANDRONI, 1994, p. 44 e 357)QUESTÕES PARA REVISÃOEssas questões serão entregues em sala de aula pelo professor!_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 56Microeconomia
  • 57. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCREFERÊNCIASGREMAUD, A. P, et al. Manual de economia. Equipe de professores da USP. 5 ed.São Paulo: Saraiva, 2004, cap. 20.ROSSETI, José Pachoal. Introdução à economia. 17. ed. São Paulo: Atlas, 1997.SANDRONI, Paulo. Dicionário de economia do século XXI. São Paulo: Record,2005.SILVA, Adelfhino Teixeira da. Economia e mercados. São Paulo: Atlas, 1992._____. Iniciação à economia. São Paulo: Atlas, 2000.SOUZA, Nali de Jesus de. Curso de economia. São Paulo: Atlas, 2000._______. Introdução à economia. São Paulo: Atlas, 1996.VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de. Fundamentos de economia. SãoPaulo: Saraiva, 1998. 57Microeconomia
  • 58. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC ANEXO IQuestões sobre a Teoria do Consumidor – Videtextos:..........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................Existentes no portal 58Microeconomia
  • 59. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC ANEXO IIQuestões sobre a Teoria da Firma! - Videtextos:..........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................Existentes no portal 59Microeconomia
  • 60. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC ANEXO IIILei da utilidade marginal expressa que em uma relação econômica a utilidademarginal decresce à medida que se consome mais uma unidade.[1]A utilidade total de um bem cresce quando se consome maiores quantidades dele,mas seu incremento da utilidade marginal é cada vez menor.O consumidor tem satisfação com um bem, mas a unidade seguinte já não lheproporciona tanto prazer como a anterior.O chamado paradoxo da água e do diamante ilustra a importância do conceito deutilidade marginal. Por que a água, mais necessária é tão barata, e o diamante,supérfluo, tem preço tão elevado? Ocorre que a água tem grande utilidade total, masbaixa utilidade marginal (é abundante), enquanto o diamante, por ser escasso, temgrande utilidade marginal.Conceito de Utilidade MarginalA expressão "marginal" é muito utilizada em economia e pode ser apresentada comosignificado acréscimo. Desta forma, utilidade marginal mais não é do que oacréscimo de utilidade que se verifica quando é consumida mais uma unidade dobem.Enquanto não é atingida a saciedade, a utilidade marginal é sempre positiva, ouseja, existirá sempre algum acréscimo de utilidade quando é consumida mais umaunidade do bem. Contudo, devido à Lei das Utilidades Marginais Decrescentes, esteacréscimo de utilidade é cada vez menor. Por exemplo, quando se consome aprimeira maçã, é retirada uma determinada utilidade; ao consumir a segunda maçã autilidade total aumenta, mas o incremento é inferior ao que se verificou com oconsumo da primeira maçã; quando se consome a terceira maçã, supondo queainda não se atingiu a saciedade, a utilidade volta a aumentar, mas o incrementovolta a reduzir-se, e assim sucessivamente.Apresentação de exemplo numéricoApresentação de um exemplo numérico onde é possível verificar que a utilidade (U)aumenta à medida que é consumida mais uma unidade do bem (Qtd), mas aumentacom acréscimos cada vez menores, isto é, a utilidade marginal é decrescente: Qtd U Umg 0 0,0 - 1 10,0 10,0 2 17,5 7,5 3 23,1 5,6 4 27,3 4,2 5 30,5 3,2 6 32,9 2,4 7 34,7 1,8 8 36,0 1,3 60Microeconomia
  • 61. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCVamos aos conceitos primeiro.Utilidade é a satisfação obtida pelo consumidor ao comprar algo.Marginal é, em economia, acréscimo.Então Utilidade Marginal nada mais é do que o acréscimo da satisfação percebidapelo consumidor quando ele compra mais uma unidade de um produto qualquer.Com exemplo fica mais fácil.Suponhamos que você queira comprar chocolate (imagino que você goste). Vocêcompra 1 chocolate e tem uma certa satisfação com isso. Compra outro e suasatisfação é maior ainda. E outro e outro. Porém, você verifica que o aumento dasua satisfação já não é mais o mesmo que o da primeira vez. Se você ficouextasiada com o primeiro chocolate, no décimo você fica só feliz. Chega um pontotal que você já não tem mais satisfação com o chocolate adquirido. Imagina 100barras de chocolate! Pra mim é demais!Isso é o que se chama de Utilidade Marginal. Por definição ela é decrescente (vimoso porquê) chegando a ser negativa a partir de um determinado ponto.Isto posto, vamos ao "se possível" da sua pergunta.Bom. Utilidade já disse o que é agora falta saber mais profundamente como é o seugráfico.Dê uma olhada nesse gráfico que vai ajudar.http://www.notapositiva.com/dicionario_e…A curva de Utilidade é essa do gráfico. Essa curva é chamada de Isoquanta. (Temosduas curvas de utilidade aí, U1 e U2).Isoquanta é uma curva em que a quantidade é igual ao longo da curva. Isso ésimbólico pra gente, pois representa a Utilidade constante ao longo da curva. Nessacurva "Isoquanta" a Utilidade é sempre a mesma. Ou seja, ao longo da curva U1,qualquer combinação de produtos X, Y gera a mesma satisfação no consumidor.Não estou dizendo que qualquer combinação leva à mesma quantidade de X, Y.Exemplificando fica melhor:Imaginemos o nosso chocolate(X) e coloquemos sorvete(Y) do outro lado.Suponhamos que a nossa curva U1 tenha Utilidade 3. Se você comprar 5 barras dechocolate e 5 de sorvete terá a satisfação 3. Ainda de acordo com ela, você podemudar essa combinação, desde que permaneça na curva, que ainda assim terá amesma satisfação, mesmo que não seja proporcional. Uma outra combinação dechocolates e sorvetes dentro da a curva resulta em uma mesma satisfação, quepode ser 2 chocolates e 6 sorvetes e a Utilidade ainda assim é 3. É isso que aIsoquanta diz, a utilidade é a mesma, mesmo com combinações diferentes de X, Y.A quantidade de curvas é infinita, e elas vão se afastando da origem à medida que aUtilidade aumenta. Ou seja, a U2 gera uma satisfação maior do que a U1Uma propriedade interessante é a de que duas isoquantas nunca se cruzam. Istoporque uma combinação específica de X, Y não pode te proporcionar duassatisfações diferentes.É isso que significa Utilidade Marginal e Utilidade. Todas as duas estão na Teoria doConsumidor.Compreendido? 61Microeconomia
  • 62. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCFonte: WIKEPEDIA, bem como outras fontes adaptadas pelo autor. 62Microeconomia
  • 63. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCANEXO IVExercício – Vivência da Construção de um Modelo Microeconômico, com basesmatemáticas! As teorias econômicas são elaboradas com o recurso a modelos econômicos.Um modelo é uma representação simplificada da realidade que se pretende analisar,que se concentra no que nela é essencial e ignora o que é acessório. Um bomexemplo do que é um modelo é dado pelos mapas. Os mapas são modelos doespaço geográfico que descrevem: o mundo, um continente, um país ou umapovoação. Obviamente que os mapas são representações simplificadas, que nãocontêm todo o detalhe do espaço a que se reportam. Para conterem todo o detalhe,os mapas teriam que ser feitos à escala de 1:1, caso em que perderiam todo ointeresse. Não é fácil dizer o que deve ser mantido e o que deve ser eliminado de ummodelo. Aquilo que é útil numas situações, não é útil noutras. Quando nosdeslocamos de carro entre duas povoações, um mapa de estradas cumpre a suafunção de nos ajudar a encontrar o melhor caminho, se contiver as estradas comindicação de importância e estado de conservação, alguns pontos de referência,como seja o nome das povoações, e pouco mais. Muitos detalhes sobre a orografia,clima ou tipo de vegetação só serviriam para tornar mais difícil a busca do melhorcaminho entre os dois pontos. Contudo, existem mapas que se concentram sobre osdetalhes do relevo ou da divisão política de um determinado território. Os detalhesdo relevo, por exemplo, são úteis não para encontrar a estrada que melhor nosconduz de um ponto a outro, mas para escolher o percurso por onde há de passaruma nova estrada. Neste caso, o grau de detalhe é muito mais importante e ascartas que servem de base ao desenho de estradas são feitas a uma escala muitomaior do que os mapas das estradas. A história do mercado dos telemóveis que serviu de introdução a este capítulo éútil para ilustrar como diferentes modelos podem ser apropriados para a análise dediferentes aspectos da realidade. Por exemplo, para analisar se é melhor ter umdeterminado pagamento por cada período de conversação ou ter também umaassinatura mensal, pode ser útil abstrair do facto de os clientes terem diferençasentre si. Porém, para discutir se a empresa deve ter um ou mais planos tarifários,não é possível ignorar as diferenças entre clientes. Para levar a cabo a análisedestes dois fenômenos, pode ser útil abstrair do fato de cada empresa não estarsozinha no mercado. No entanto, para analisar a resposta de uma empresa aalterações de preços das outras, não fará sentido ignorar a concorrência, mas podeser dispensável incluir no modelo todo o detalhe sobre o sistema tarifário.Obviamente que, na prática, sabemos que as empresas têm que dar resposta aalterações de preços das outras, quando cada uma das empresas tem estruturastarifárias complexas, mas é normalmente muito mais fácil perceber o que está emcausa nas decisões se isolarmos um aspecto de cada vez do que se tentarmosanalisar todos em simultâneo. Ou ainda:A teoria microeconômica é um grande conjunto de modelos teóricos neoclássicos,que são baseados no individualismo metodológico e no subjetivismo de valor.Analisa as escolhas dos indivíduos sob restrição de meios para atingir finspraticamente ilimitados e as consequências dessas escolhas para eles mesmos epara os outros indivíduos no mercado. Esse método de análise é geralmente 63Microeconomia
  • 64. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCutilizado para explicar fenômenos como a relação entre a oferta e a procura, aestrutura de preços no sistema econômico, o rendimento dos proprietários dosfatores de produção derivado da venda desses fatores no mercado, a eficiência ouineficiência de estruturas de organização industrial e outros tipos de problemasencontrados “perto” do domínio de escolha individual de cada agente, querepresenta uma pequena parcela de todos os processos de troca que constituem umsistema econômico de mercado.Esses textos foram adaptados de várias fontes pelo autor, retirados de contribuiçõesvárias pesquisadas na WEB em abril de 2011! Reforçando!A teoria microeconômica é constituída de modelos - São formas auxiliares decompreensão das complexidades econômicas, na tentativa de retratar a forma comoindivíduos (consumidores) e empresas (produtoras) tomam as decisões.Os modelos microeconômicos são de natureza dedutiva. Cada vez que os modelosperdem sua plausibilidade, reformam-se os modelos.As Deduções teóricas sobre as variáveis que não podem ser mensuradas. Não háum “utilitômetro” para medir a “utilidade” ou “desutilidade” de um bem ou serviço.Assim na Microeconomia constantemente são observadas e mensuradasconstantemente situações hipotéticas de causa e efeito (O que aconteceria se?)Vamos a um exemplo de um modelo microeconômico:Construir um modelo microeconômico, pessoal, com bases matemáticas, deum produto ou serviço e sua colocação no mercado, oferta e demanda! Oprofessor explicará essa questão em sala de aula. 64Microeconomia
  • 65. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC...............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................Hipotéticas de causa e efeito (O que aconteceria se?) 65Microeconomia
  • 66. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCGLOSSÁRIOAtivos: bens de propriedade de unidades econômicas, como imóveis, ações, CDB emoeda.Bem de capital: bens utilizados na fabricação de outros bens, mas que não sedesgastam totalmente no processo produtivo. É o caso das máquinas, equipamentose instalações.Bem de consumo: bens destinados diretamente ao atendimento das necessidadeshumanas. Podem ser classificados em duráveis ou não duráveis.Bens Finais: bens que são vendidos para consumo ou utilização final.Bens intermediários: bens que são transformados ou agregados na produção deoutros bens, e que são consumidos no processo produtivo.Bens substitutos: o consumo de um bem substitui o consumo de outro.Cartel: organização (formal ou informal) de produtores dentro de um setor, quedetermina as políticas para todas as empresas desse setor. O cartel fixa os preços eas quotas de cada empresa.Capital especulativo: volume de recursos que os capitalistas destinam para realizarlucros fáceis, na compra de ativos, no país ou fora dele, na esperança de obterganhos extraordinários.Capacidade ociosa: ocorre quando a economia em seu conjunto produz abaixo desuas potencialidades, permanecendo ociosos equipamentos e trabalhadores.Clássicos: predominaram entre o final do século XVIII e início do século XIX,consolidando a economia como corpo científico próprio. Lançaram as bases doliberalismo econômico, onde prevalecem às forças de mercado, sem a intervençãodo governo.Coeteris paribus: expressão latina que significa “tudo o mais constante”.Contabilidade social: registro contábil da atividade econômica de um país numdado período (normalmente um ano). É uma técnica que se preocupa com adefinição e métodos de quantificação dos principais agregados macroeconômicos,com produto nacional, consumo global etc.Crescimento econômico: crescimento contínuo da renda total e per capita ao longodo tempo.Depreciação: desgaste inerente sofrido pelos bens de capital no processo produtivo.Depressão: corresponde a um longo período de queda generalizada de preços, comacentuado desemprego e redução geral da atividade econômica. A economiaapresenta capacidade ociosa generalizada e quebradeira de empresas. 66Microeconomia
  • 67. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCDumping: ocorre quando uma empresa vende um produto no mercado a preçoinferior a seus custos médios, com o fim de aumentar sua participação no mercadoou excluir concorrentes.Fatores de produção: são os recursos de produção da economia, constituídos pelosrecursos humanos (trabalho e capacidade empresarial), terra, capital e tecnologia.Fiscalistas: corrente que defende a atuação ativa do estado, através de políticaeconômica. Também chamados keynesianos.Fluxo circular de renda: compreende o fluxo de pagamentos por parte: a) dasempresas em direção às famílias, pelo pagamento dos fatores de produção; b) dasfamílias em direção às empresas pelo pagamento de bens e serviços.Funções do Banco Central: banco emissor; banco dos bancos; banco do governo;banco depositário das reservas internacionais.Índice de preços: número que reflete o crescimento dos preços de um conjunto debens, servindo para medir a taxa de inflação.Inflação de custos ou de oferta: ocorre quando o nível de demanda agregadapermanece o mesmo, mas os custos de produção aumentam, diminuindo a ofertaagregada.Inflação de demanda: diz respeito ao excesso de demanda agregada, em relação àprodução disponível (oferta agregada) de bens de serviços.Inflação de expectativas ou psicológicas: a inflação corrente provoca aexpectativa de que ela vai continuar aumentando no futuro, e os empresárioscorrigem preventivamente seus preços.Inflação inercial: inflação decorrente dos reajustes de preços e salários provocadospelo mecanismo de indexação ou de correção monetária.Instrumentos fiscais: são as receitas e as despesas públicas.Insumos: matérias-primas e serviços utilizados no processo de produção. Sãotambém chamados de bens de consumo intermediário, a fim de distingui-los dosbens de capital (máquinas e equipamentos) e bens finais de consumo.Lassez-faire: expressão francesa que quer dizer “deixai fazer, deixai passar”.Adotada pela Fisiocracia, incorporou-se ao liberalismo para designar a mais amplaliberdade de produção e de comércio, sem interferência governamental.Lei de Say: princípio criado pelo francês Jean Baptiste Say, segundo o qual a ofertacria sua própria procura.Liberalismo: corrente econômica criada no século XVIII, que acredita que osmercados, sem interferência do governo, como que guiados por uma “mão invisível”,conduzem a economia ao pleno emprego. 67Microeconomia
  • 68. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCMonopólio: estrutura de mercado com uma única empresa, produto sem substitutospróximos, e onde existem barreiras à entrada de novas firmas.Monopsônio: único comprador se defronta com muitos vendedores de fatores deprodução.Neoclássicos: escola que se desenvolveu a partir da Segunda metade do séculoXIX e início do século XX. A partir de princípios liberais, foi responsável pelaconsolidação da formalização analítica em economia e pelo uso intensivo damatemática.Oligopólio: estrutura de mercado com pequeno número de empresas que dominamo mercado, sendo existem barreiras à entrada de novas empresas.Oligopsônio: poucos compradores defrontam-se com muitos vendedores do fator deprodução.Política cambial: refere-se à atuação do governo sobre a taxa de câmbio.Política comercial: refere-se a medidas específicas para incentivar ou inibir ocomércio exterior. Podem ser de ordem monetária, fiscal ou qualitativa, como aimposição de controles e barreiras a determinadas importações.Política de gastos públicos: refere-se à alocação e distribuição dos gastos do setorpúblico.Política de rendas: diz respeito à interferência direta do governo na formação depreços, por meio de congelamento de preços e salários, fixação de reajustes salariaisetc.Política fiscal: controle e administração das contas públicas através da políticatributária e de gastos.Política monetária: diz respeito à atuação do governo sobre a quantidade demoeda, crédito e o nível das taxas de juros, com o objetivo de manter a liquidez dosistema econômico.Política tributária: refere-se à arrecadação de impostos por meio da manipulação daestrutura e das alíquotas de impostos.Pós-keynesianos: corrente que promoveu uma releitura da obra de Keynes,procurando demonstrar que esse autor não desprezou o papel da moeda no sistemaeconômico. Enfatizam o papel da especulação financeira em Keynes, e defendemque o governo deve intervir na atividade econômica quando necessário.Recessão: fase cíclica descendente da economia (após ter atingido o pico). Umadefinição operacional usual caracteriza-a como três trimestres consecutivos de quedado PIB. 68Microeconomia
  • 69. Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESCTaxa de câmbio: preço da moeda (ou divisa) estrangeira (reais por dólares, reais pormarcos etc.)Tributo direto: incide diretamente sobre a renda das pessoas (exemplo: imposto derenda). 69Microeconomia

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