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  1. 1. “EVASÃO” ESCOLAR DE ALUNOS TRABALHADORES NA EJA OLIVEIRA, Paula Cristina Silva de Faculdade de Educação/UFMG EITERER, Carmem Lúcia. (Orientadora) Faculdade de Educação/UFMG RESUMO: Este é um trabalho de pesquisa a partir de uma demanda vivida no PROEF-2 – Projeto de Ensino Fundamental do Segundo Segmento, projeto de extensão que compõe o Programa de Educação Básica de Jovens e Adultos da UFMG. Este estudo pretende investigar a “evasão” de alunos trabalhadores na Educação de Jovens e Adultos (EJA), identificando suas possíveis causas e refletindo sobre estratégias pedagógicas e sobre o próprio acontecimento que por vezes possui razões que vão além do ambiente escolar. Ao final, pretendemos identificar as possíveis causas da “evasão” levantadas pelas fontes, refutar, ou não, as hipóteses levantadas, e, por fim, discutir sobre o assunto, na busca de estratégias que levam ao entendimento acerca da vida destes sujeitos, pois apenas o oferecimento da oportunidade educacional pode não ser suficiente para a estadia e sucesso escolar destes alunos. PALAVRAS-CHAVE: Evasão escolar; aluno trabalhador; EJA. Apresentação Este trabalho está organizado em três capítulos. O primeiro, intitulado “Introdução ao problema” tem como objetivo explicar como surgiu as primeiras indagações acerca desta pesquisa. O segundo, “A “evasão” do aluno trabalhador” pretende explicitar a contribuição da literatura a respeito de alunos trabalhadores da EJA que, muitas vezes se deparam diante da escolha: trabalho/família X educação. E, por fim, o capítulo de número três: “A especificidade da educação de jovens e adultos trabalhadores”, tem o intuito de demonstrar que a educação voltada para este público possui características próprias que devem ser respeitadas pelos educadores e pela sociedade, de modo geral. 1. Introdução ao problema 1
  2. 2. Esta pesquisa foi realizada com base na investigação de fontes que tratam sobre a temática “evasão” escolar. Este é um trabalho de pesquisa em coordenação pedagógica, a partir de uma demanda vivida em um projeto de extensão da Universidade Federal de Minas Gerais, o PROEF-2 – Projeto de Ensino Fundamental do 2° Segmento, que compõe o Programa de Educação Básica de Jovens e Adultos da UFMG. Neste Projeto, alunos dos cursos de licenciatura atuam como professores orientados por professores do Centro Pedagógico e/ou professores da Faculdade de Educação. A iniciativa de voltar este trabalho investigativo para a Educação de Jovens e Adultos – EJA – deu-se por conta da íntima relação construída com este público. Durante a permanência no PROEF-2, enquanto monitora da área de Pedagogia, várias foram as ações pedagógicas desenvolvidas, bem como as questões e problematizações que permearam a prática educativa. Dentre as atividades desenvolvidas, cabia a área de Pedagogia a aplicação de questionários com vistas à elaboração do perfil dos alunos; a organização e o planejamento de projetos inter e transdisciplinares e a participação no desenvolvimento destes projetos; a participação em reuniões de turmas junto aos monitores de cada área e em RCPE’s (Reflexões Coletivas sobre a Prática Educativa), em que sempre eram discutidas situações-problemas enfrentadas no dia-a-dia; além do atendimento individualizado dos alunos. Uma das situações-problema com que convivemos e que despertou-me a atenção foi a “evasão” dos alunos. Questões como por que este aluno pára de freqüentar as aulas, depois de ter tomado a iniciativa de voltar a estudar, e é tido como: “evadido” incomodavam-me. Será a metodologia utilizada em sala de aula que não condiz com o que o aluno esperava? Ou será a situação econômica, o local de trabalho, que, de repente, tornou-se um empecilho para sua continuidade? Ou ainda, a inexistência de apoio familiar? Tudo isso traduz-se em dois eixos: fatores internos e externos. 2
  3. 3. Tais indagações aguçaram-me o pensamento e, como educadora, gostaria de refletir acerca do fenômeno chamado aqui de “evasão”. Ao fazer uma revisão bibliográfica sobre o tema abordado, pudemos perceber que existe e persiste a demanda de produção de conhecimento sobre a área temática – EJA – , pois, segundo Arroyo (2006) o campo da EJA tem uma longa história, entretanto não é ainda um campo consolidado nas áreas de pesquisa, de políticas públicas e diretrizes educacionais, da formação de educadores e intervenções pedagógicas. Nesta pesquisa o que pretendeu-se foi, inicialmente, conhecer o perfil destes sujeitos que encontram-se num processo educativo que tem como um de seus objetivos atender às suas especificidades, partindo do pressuposto de Arroyo (2006): Penso que a reconfiguração da EJA não pode começar por perguntar-nos pelo seu lugar no sistema de educação e menos pelo seu lugar nas modalidades de ensino. (...) O ponto de partida deverá ser perguntar-nos quem são esses jovens e adultos. (ARROYO, 2006, p.22) Levaremos em conta que os sujeitos desta modalidade de ensino (especialmente os alunos trabalhadores), devido as mais variadas e diversas situações vividas em seu cotidiano, às vezes se deparam com períodos de interrupções nos estudos. Neste sentido, foram as razões destes períodos de interrupções dos estudos o objeto de estudo desta pesquisa: a chamada “evasão” de jovens e adultos em um Projeto do 2º Segmento do Ensino Fundamental da UFMG. Santos, G. L. (2003) desenvolveu uma pesquisa com base na análise das narrativas de quatro egressos do Projeto de Ensino Fundamental para Jovens e Adultos do Segundo Segmento, localizado no Centro Pedagógico da UFMG evidenciando, dentre outros fatores, aproximações e semelhanças de sujeitos que, embora únicos em sua existência, compartilham de uma mesma realidade social. A autora fundamenta-se na descrição destes sujeitos, e, dessa forma, tem nestas narrativas a principal fonte de informações para o desenvolvimento de seu trabalho. 3
  4. 4. Sendo assim, temos em vista o que Santos, G. L. (2003) afirma, para assumir e manter a identidade de alunos esses sujeitos, tendo no trabalho e na família a centralidade de suas vidas, acabam precisando arcar com custos objetivos e subjetivos diversos, e, em muitos casos, bastante altos; o que pode se tornar um empecilho na permanência dos estudos. Dessa maneira, os objetivos deste artigo são apresentar o estudo realizado sobre as possíveis causas da “evasão” em alunos jovens e adultos trabalhadores na modalidade EJA, buscando estratégias, e refletindo acerca da vida destes sujeitos. 2. A “evasão” do aluno trabalhador Campos (2003) desenvolveu sua pesquisa acerca da relação trabalho/ educação na EJA. A autora, ao trazer um breve histórico das políticas públicas educacionais da EJA notou que o pouco que foi feito não permite que jovens e adultos possam inserir-se e manter- se como trabalhadores-cidadãos em condições de igualdade e competitividade no mercado de trabalho, além de não permitir a promoção do acesso e permanência a uma educação básica, de qualidade. A autora, ao tratar dos motivos da infreqüência dos alunos trabalhadores jovens e adultos em um curso de alfabetização oferecido pelo PROEF-I (Projeto de Ensino Fundamental – 1º Segmento) da UFMG assinala que em muitos desses trabalhadores/alunos que buscam a (re)escolarização há uma contradição entre o seu discurso e a realidade. Os alunos afirmam que estudar é importante, mas quando estão matriculados em um programa de EJA, o que se verifica é uma significativa taxa de infreqüência. Entretanto, cabe ressaltar que infreqüência não está relacionada com o mesmo conceito de “evasão”. Para Campos (2003) a evasão escolar na EJA pode ser registrada como um abandono por um tempo determinado ou não. Diversas razões de ordem social e principalmente econômica concorrem para a “evasão” escolar dentro da EJA, transpondo a sala de aula e indo além dos muros da escola. 4
  5. 5. Campos (2003) citando Fonseca (2002), afirma que os motivos para o abandono escolar podem ser ilustrados quando o jovem e adulto deixam a escola para trabalhar; quando as condições de acesso e segurança são precárias; os horários são incompatíveis com as responsabilidades que se viram obrigados a assumir; evadem por motivo de vaga, de falta de professor, da falta de material didático; e também abandonam a escola por considerarem que a formação que recebem não se dá de forma significativa para eles. Dessa forma, a autora que desenvolveu sua dissertação também no Programa de Educação Básica de Jovens e Adultos da UFMG, observa que para se entender melhor a especificidade da EJA, se faz necessário o conhecimento do fenômeno da infreqüência como uma variável que pode ocasionar a inviabilidade dos cursos e programas para este público, bem como os motivos que levam estes jovens e adultos a serem infreqüentes. Faz-se importante, também, identificar e levar em consideração em que medida as expectativas trazidas por estes alunos vão ao encontro do compromisso de se manterem freqüentes. Santos M. A. (2007) fez um estudo sobre a permanência de jovens e adultos no ambiente escolar. Ela afirma que é importante pensar o trabalho pedagógico da EJA de forma que o educando participe do desenvolvimento da sociedade. Sendo assim, nós, enquanto educadores, temos a responsabilidade de criarmos uma dinâmica metodológica que atinja o interesse do educando, de maneira que a escola recupere seu objetivo social e supere o fracasso escolar, a repetência e a “evasão”. A autora ainda considera que diversos são os fatores que interferem no cenário escolar em forma de repetência e “evasão”, uma vez que ainda não há compreensão de que a função da escola não é somente ensinar ler e escrever. A mesma autora chama atenção para o fato de que o aluno de EJA é um aluno diferente, um pouco inseguro e, são as diversas derrotas vividas ao longo de um processo escolar, muitas vezes já iniciada no ensino regular, que irão abalar sua auto-estima. Para a autora, qualquer decepção, por mínima que seja sofrida na escola faz com que este sujeito abandone o ambiente escolar. 5
  6. 6. Santos, M. A. (2007) ainda traz dados sobre os fatores que causam evasão no Distrito Federal: a distância da escola; o cansaço do alfabetizando que trabalha o dia inteiro; a inadequação da sala de aula para jovens e adultos/ idoso, que muitas vezes não tem iluminação adequada; a ausência de um lanche a ser distribuído ao aluno que vem direto do trabalho para a escola; e o despreparo do corpo docente para trabalhar com a especificidade da EJA, pois, muitas vezes o professor não valoriza a experiência de vida que este aluno já traz consigo, como trabalhador, como adulto inserido num processo de produção. 3. A especificidade da educação de jovens e adultos trabalhadores Santos, G.L. (2001) chama atenção de que durante os “percalços e interrupções nos estudos” dos alunos de EJA a exclusão precoce da escola ocorre também na escolarização tardia, resultado da baixa escolaridade, que acarreta constrangimentos sociais diversos. A autora trabalha na perspectiva de que por mais que seja importante ampliar a compreensão da exclusão e da reinserção enquanto fenômenos do sistema educacional brasileiro, não se pode deixar de considerar que tais fenômenos constituem experiências que sujeitos específicos vivenciam em momentos determinados de suas vidas. Sendo assim, após analisarmos todos os fatores internos e externos citados pelos autores e ao analisarmos o contexto no qual a Educação de Jovens e Adultos está inserida, havemos de tomar o devido cuidado para não cairmos na perspectiva que Arroyo (2006) assinala a seguir: ...os jovens e adultos continuam vistos na ótica das carências escolares: não tiveram acesso, na infância e na adolescência, ao ensino fundamental, ou dele foram excluídos ou dele se evadiram; logo propiciemos uma segunda oportunidade. (ARROYO, 2006, p.23). Dessa maneira, muitas vezes o sistema escolar continua a ser pensado em uma lógica e estrutura interna que nem sempre tem facilidade de se abrir para a pluralidade de indicadores que vem da sociedade e dos próprios alunos jovens e adultos. Assim, 6
  7. 7. concordamos com a perspectiva de Arroyo (2006), quando o autor afirma que a juventude e a vida adulta trazem consigo um tempo de marcas de socialização e de sociabilidade, de formação e intervenção. Dessa forma, esses “tempos de vida” do jovem e do adulto, assinalados pelo autor, devem ser tratados como “tempo de direito” que culmina na urgência de se elaborar e implementar políticas públicas dirigidas à garantia da pluralidade de seus direitos e ao reconhecimento de seu protagonismo na sociedade. Referências: ARROYO, M. Educação de Jovens e Adultos: um campo de direitos e de responsabilidade pública. In: GIOVANETTI, Maria Amélia, GOMES, Nilma Lino e SOARES, Leôncio (Orgs.). Diálogos na Educação de Jovens e Adultos. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2006, p.19-50. CAMPOS, E. L. F.; OLIVEIRA D. A. A Infrequência dos alunos adultos trabalhadores, em processo de alfabetização, na Universidade Federal de Minas Gerais. 2003. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2003. SANTOS, G. L. Quando adultos voltam para a escola: o delicado equilíbrio para obter êxito na tentativa de elevação da escolaridade. In: SOARES, Leôncio (Org.). Aprendendo com a diferença – estudos e pesquisas em educação de jovens e adultos. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2003, p.11-38. SANTOS, G. L.; SOARES, L. J. G. Educação ainda que tardia a exclusão da escola e a reinserção em um programa de educação de jovens e adultos entre adultos das camadas populares. 2001. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2001. SANTOS, M. A. M. T., A produção do sucesso na educação de jovens e adultos: o caso de uma escola pública em Brazlândia. 2007. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade de Brasília, Brasília, 2007. 7

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