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Causas         Ver artigo principal: Causas da Revolução Francesa  Os sans-culottes eram artesãos, trabalhadores e até peq...
   o Clero ou Primeiro Estado, composto pelo Alto Clero, que representava 0,5% da população francesa, era    identificado...
Jacques Necker.Por sugestão do Ministro dos assuntos econômicos à época, Jacques Necker, o rei Luís XVI convocou a Assembl...
A RevoluçãoA Revolução Francesa pode ser subdividida em quatro períodos: a Assembléia Constituinte, a Assembléia Legislati...
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O rei decidiu reagir fechando a Assembléia, mas foi impedido por uma sublevação popular em Paris, reproduzida aseguir em o...
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.A Assembléia Nacional Constituinte aprovou a legislação, pela qual era aboli...
o déficit público, o governo desapropriou os bens da Igreja, colocou-os à venda e, com o produto, emitiu bônus dotesouro, ...
Em setembro de 1791, foi promulgada a primeira Constituição da França que resumia as realizações daRevolução.Foi implantad...
Embora a burguesia tivesse de enfrentar, dentro da Assembléia, a oposição da aristocracia, cujos deputadosocupavam o lado ...
O povo, entre o pânico e o rancor, responsabiliza os inimigos internos pela situação. Entre 2 e 6 desetembro de 1792, são ...
Maximilien de Robespierre.Entre os revolucionários de 1789, houve divisão. A grande burguesia não queria aprofundar a revo...
acomodar com a nobreza, tentar salvar a vida do rei e combater os revolucionários mais radicais. Nesseprimeiro período, fo...
de Hébert, cercou o prédio da convenção, pedindo a prisão dos deputados girondinos. Os membros daGironda foram expulsos da...
Quando, em julho, Marat foi assassinado pela jovemCharlotte Corday, os ânimos se exaltaram. Consideradoexcessivamente mode...
encerramento da supremacia da Junta de Salvação Pública. Foram extintas as prisões arbitrárias e os  julgamentos sumários....
Ver artigo principal: 18 de Brumário               Destacando-se no assédio deToulon, em 1793, Napoleão Bonaparte tornou-s...
   1791: Tentativa de fuga e prisão do rei Luís XVI.                 1792: Invasão da França pela Áustria e Prússia.    ...
Referências  1.   ↑ A Revolução Francesa. História do Mundo - Educa Terra, Terra.com.br. Página       visitada em 2 de mai...
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Revolução francesa

  1. 1. Revolução FrancesaOrigem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Este artigo ou secção cita fontes fiáveis e independentes, mas elas não cobrem todo o texto (desde fevereiro de 2011). Por favor, melhore este artigo providenciando mais fontes fiáveis e independentes, inserindo-as em notas de rodapé ou no corpo do texto, nos locais indicados. Encontre fontes: Google — notícias, livros, acadêmico — Scirus — Bing. Veja como referenciar e citar as fontes. Revolução Francesa Queda da Bastilha em 14 de julho de 1789. Participantes Sociedade francesa Localização França Data 1789–1799 Resultado Abolição e substituição da monarquiafrancesa, com uma república democrática radical. Radical mudança social para formulários com base em princípios iluministas de cidadania e de direitos inalienáveis. Conflitos armados com outros países europeusRevolução Francesa é o nome dado ao conjunto de acontecimentos que, entre 5 de maio de 1789 e 9 denovembro de 1799[1], alteraram o quadro político e social da França. Ela começa com a convocação dos Estados Gerais e aQueda da Bastilha e se encerra com o golpe de estado do 18 de brumário de Napoleão Bonaparte. Em causa estavamo Antigo Regime (Ancien Régime) e os privilégios do clero e da nobreza. Foi influenciada pelos ideais do Iluminismo [2] edaIndependência Americana (1776). Está entre as maiores revoluções da história da humanidade.A Revolução é considerada como o acontecimento que deu início à Idade Contemporânea. Aboliu a servidão e osdireitos feudais e proclamou os princípios universais de "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" (Liberté, Egalité, Fraternité),frase de autoria de Jean-Jacques Rousseau. Para a França, abriu-se em 1789 o longo período de convulsões políticas doséculo XIX, fazendo-a passar por várias repúblicas, uma ditadura, uma monarquia constitucional e dois impérios. Índice [esconder]1 Antecedentes2 Causas
  2. 2. o 2.1 Sociais o 2.2 Econômicas o 2.3 Política3 A Revolução4 A Assembleia Constituinte o 4.1 A Elaboração de uma Constituição5 A Constituição de 17916 A Assembleia Legislativa (1791-1792) o 6.1 A Queda da Monarquia7 A Convenção (1792-1795) o 7.1 República Jacobina o 7.2 Reação Termidoriana8 O Diretório (1795-1799) o 8.1 Napoleão Bonaparte no Poder9 Datas e Fatos Essenciais10 Reações e comentários no estrangeiro o 10.1 Reino Unido11 Raymond Aron12 Referências13 Ver também14 Ligações externasAntecedentes A Liberdade Guiando o Povo, por Eugène Delacroix. Série História da França Pré-história da França Gália céltica Gália romana Francos  Merovíngios
  3. 3.  Carolíngios Dinastia Capetiana Dinastia de Valois Guerra dos Cem Anos, Jacquerie Dinastia de Bourbon e o Antigo Regime Massacre da noite de São Bartolomeu Império Francês Revolução Francesa Napoleão e as Guerras Napoleónicas Guerra franco-prussiana França de Vichy (1940-1944) Governo Provisório (1944-1946) Quarta República Francesa (1946-1959) Quinta República Francesa (1959-) Categoria: História da FrançaA França tomada pelo Antigo Regime era um grande edifício construído por cinquenta gerações, por mais de quinhentosanos. As suas fundações mais antigas e mais profundas eram obras da Igreja, estabelecidas durante mil e trezentos anos.A sociedade francesa do século XVIII mantinha a divisão em três Ordens ou Estados típica do Antigo Regime – Clero ouPrimeiro Estado, Nobreza ou Segundo Estado, e Povo ou Terceiro Estado – cada qual regendo-se por leis próprias(privilégios), com um Rei absoluto (ou seja, um Rei que detinha um poder supremo independente) no topo da hierarquiados Estados. O Rei fora antes de tudo o obreiro da unidade nacional através do seu poder independente das Ordens,significando que era ele quem tinha a última palavra sobre a justiça, a economia, a diplomacia, a paz e a guerra, e quem selhe opusesse teria como destino a prisão da Bastilha. A França sofrera uma evolução assinalável nos últimos anos: nãohavia censura, a tortura fora proibida em 1788, e a representação do Terceiro Estado nos Estados Gerais acabava de serduplicada para contrariar a Nobreza e o Clero que não queriam uma reforma dos impostos. Em 14 de julho de 1789,quando a Bastilha foi tomada pelos revolucionários, albergava oito prisioneiros.Com a exceção da nobreza rural, a riqueza das restantes classes sociais na França tinha crescido imensamente nasúltimas décadas. O crescimento da indústria era notável. No Norte e no Centro, havia uma metalurgia moderna (Le Cresotdata de 1781); em Lyon havia sedas; em Rouen e em Mulhouse havia algodão; na Lorraine havia o ferro e o sal; havialanifícios em Castres, Sedan, Abbeville e Elbeuf; em Marselha havia sabão; em Paris havia mobiliário, tanoaria e asindústrias de luxo, etc..Existia uma Bolsa de Valores, vários bancos, e uma Caixa de Desconto com um capital de cem milhões que emitia notas.Segundo Jacques Necker, a França detinha, antes da Revolução, metade do numerário existente na Europa. Nobres eburgueses misturavam muitos capitais em investimentos. Antes da Revolução, o maior problema da indústria francesa era afalta de mão de obra.Desde a morte do rei Luís XIV, o comércio com o exterior tinha mais do que quadruplicado. Em 1788, eram 1,061 milhõesde livres, um valor que só se voltará a verificar depois de 1848. Os grandes portos, como Marselha, Bordéus, Nantes,floresciam como grandes centros cosmopolitas. O comércio interior seguia uma ascensão paralela.Sabendo-se que existia uma burguesia tão enriquecida, muitos historiadores colocaram a hipótese de haver uma massaenorme de camponeses famintos. Na França, o imposto rural por excelência era a "taille", um imposto recolhido com basenos sinais exteriores de riqueza, por colectores escolhidos pelos próprios camponeses. A servidão dos campos, que aindase mantinha em quase todos os países da Europa, persistia apenas em zonas recônditas da França, e sob forma muitomitigada, no Jura e no Bourbonnais. Em 1779, o Rei tinha apagado os últimos traços de servidão nos seus domínios, tendosido imitado por muitos senhores.Ao longo da História, a miséria tem provocado muitos motins, mas em regra não provoca revoluções. A situação da França,antes da Revolução, era a de um Estado pobre num país rico.[3]
  4. 4. Causas Ver artigo principal: Causas da Revolução Francesa Os sans-culottes eram artesãos, trabalhadores e até pequenos proprietários que viviam nos arredores de Paris. Recebiam esse nome porque não usavam os elegantes calções que a nobreza vestia, mas uma calça dealgodão grosseira. As causas da revolução francesa são remotas e imediatas. Entre as do primeiro grupo, há de considerar que a França passava por um período de crise financeira. A participação francesa naGuerra da Independência dos Estados Unidos da América, a participação (e derrota) na Guerra dos Sete Anos, os elevados custos da Corte de Luís XVI, tinham deixado as finanças do país em mau estado. Os votos eram atribuídos por ordem (1- clero, 2- nobreza, 3- Terceiro Estado) e não por cabeça. Havia grandes injustiças entre as antigas ordens e ficava sempre o Terceiro Estado prejudicado com a aprovação das leis. Os chamados Privilegiados estavam isentos de impostos, e apenas uma ordem sustentava o país, deixando obviamente a balança comercial negativa ante os elevados custos das sucessivas guerras, altos encargos públicos e os supérfluos gastos da corte do rei Luís XVI. O rei Luís XVI acaba por convidar o Conde Turgot para gerir os destinos do país como ministro e implementar profundas reformas sociais e econômicas. Sociais O Terceiro-Estado carregando o Primeiro e o Segundo Estados nas costas. A sociedade francesa da segunda metade do século XVIII possuía dois grupos muito privilegiados:
  5. 5.  o Clero ou Primeiro Estado, composto pelo Alto Clero, que representava 0,5% da população francesa, era identificado com a nobreza e negava reformas, e pelo Baixo Clero, identificado com o povo, e que as reclamava; a Nobreza, ou Segundo Estado, composta por uma camada palaciana ou cortesã, que sobrevivia à custa do Estado, por uma camada provincial, que se mantinha com as rendas dosfeudos, e uma camada chamada Nobreza Togada, em que alguns juízes e altos funcionários burgueses adquiriram os seus títulos e cargos, transmissíveis aos herdeiros. Aproximava-se de 1,5% dos habitantes.Esses dois grupos (ou Estados) oprimiam e exploravam o Terceiro Estado, constituído por burgueses, camponesessem terra e os "sans-culottes", uma camada heterogênea composta por artesãos, aprendizes e proletários, que tinhameste nome graças às calças simples que usavam, diferentes dos tecidos caros utilizados pelos nobres. Os impostos econtribuições para o Estado, o clero e a nobreza incidiam sobre o Terceiro Estado, uma vez que os dois últimos não sótinham isenção tributária como ainda usufruíam do tesouro real por meio de pensões e cargos públicos.A França ainda tinha grandes características feudais: 80% de sua economia era agrícola. Quando uma grandeescassez de alimentos ocorreu devido a uma onda de frio na região, a população foi obrigada a mudar-se para ascidades e lá, nas fábricas, era constantemente explorada e a cada ano tornava-se mais miserável. Vivia à basede pão preto e em casas de péssimas condições, sem saneamento básico e vulneráveis a muitas doenças.A reavaliação das bases jurídicas do Antigo Regime foi montada à luz do pensamento Iluminista, representadopor Voltaire, Diderot,Montesquieu, John Locke, Immanuel Kant etc. Eles forneceram pensamentos para criticar asestruturas políticas e sociais absolutistas e sugeriram a idéia de uma maneira de conduzir liberal burguesa. A situaçãosocial era tão grave e o nível de insatisfação popular tão grande que o povo foi às ruas com o objetivo de tomar opoder e arrancar do governo a monarquia comandada pelo rei Luis XVI. O primeiro alvo dos revolucionários foi aBastilha. A Queda da Bastilha em 14 de Julho de 1789 marca o início do processo revolucionário, pois a prisão políticaera o símbolo da monarquia francesa.EconômicasA causa mais forte de Revolução foi a econômica, já que as causas sociais, como de costume, não conseguem serouvidas por si sós. Os historiadores sugerem o ano de 1789 como o início da Revolução Francesa. Mas esta, por umadas "ironias" da história, começou dois anos antes, com uma reação dos notáveis franceses - clérigos e nobres - contrao absolutismo, tendo sido inspirada em idéias iluministas, e se pretendia reformar e para isso buscava limitar seusprivilégios. Luís XVI convocou a nobreza e o clero para contribuírem no pagamento de impostos, na altamentearistocrática Assembleia dos Notáveis (1787).No meio do caos econômico e do descontentamento geral, Luís XVI da França não conseguiu promover reformastributárias, impedido pela nobreza e pelo clero, que não "queriam dar os anéis para salvar os dedos". Não percebendoque seus privilégios dependiam doAbsolutismo, os notáveis pediram ajuda à burguesia para lutar contra o poder real -era a Revolta da Aristocracia ou dos Notáveis (1787-1789). Eles iniciaram a revolta ao exigir a convocação dosEstados Gerais para votar o projeto de reformas.
  6. 6. Jacques Necker.Por sugestão do Ministro dos assuntos econômicos à época, Jacques Necker, o rei Luís XVI convocou a Assembléiados Estados Gerais, instituição que não era reunida desde1614. Os Estados Gerais reuniram-se em maiode 1789 no Palácio de Versalhes, com o objetivo de acalmar uma revolução de que já falava a burguesia.As causas econômicas também eram estruturais. As riquezas eram mal distribuídas; a crise produtiva manufatureiraestava ligada ao sistema corporativo, que fixava quantidade e condições de produtividade. Isso descontentou aburguesia.Outro fator econômico foi a crise agrícola, que ocorreu graças ao aumento populacional. Entre 1715 e 1789, apopulação francesa cresceu consideravelmente, entre 8 e 9 milhões de habitantes. Como a quantidade de alimentosproduzida era insuficiente e as geadas abatiam a produção alimentícia, o fantasma da fome pairou sobre os franceses.PolíticaEm fevereiro de 1787, o ministro das finanças, Loménie de Brienne, submeteu a uma Assembleia de Notáveis,escolhidos de entre a nobreza, clero, burguesia e burocracia, um projeto que incluía o lançamento de um novo impostosobre a propriedade da nobreza e do clero. Esta Assembleia não aprovou o novo imposto, pedindo que o rei LuísXVI convocasse os Estados-Gerais. Em 8 de agosto, o rei concordou, convocando os Estados Gerais para maiode 1789. Fazendo parte dos trabalhos preparatórios da reunião dos Estados Gerais, começaram a ser escritos ostradicionais cahiers de doléances, onde se registraram as queixas das três ordens. O Parlamento de Paris proclamaentão que os Estados Gerais se deveriam reunir de acordo com as regras observadas na sua última reunião, em 1614.Aproveitando a lembrança, oClube dos Trinta começa imediatamente a lançar panfletos defendendo o voto individualinorgânico - "um homem, um voto" - e a duplicação dos representantes do Terceiro Estado. Várias reuniões deAssembleias provinciais, como em Grenoble, já o haviam feito.Jacques Necker, de novo ministro das finanças,manifesta a sua concordância com a duplicação dos representantes do Terceiro Estado, deixando para as reuniõesdos Estados a decisão quanto ao modo de votação – orgânico (pelas ordens) ou inorgânico (por cabeça). Serão eleitos291 deputados para a reunião do Primeiro Estado (Clero), 270 para a do Segundo Estado (Nobreza), e 578 deputadospara a reunião do Terceiro Estado (burguesia e pequenos proprietários). Entretanto, multiplicam-se os panfletos,surgindo nobres como o conde dAntraigues, e clérigos como o bispo Sieyès, a defender que o Terceiro estado eratodo o Estado. Escrevia o bispo Sieyès, em janeiro de 1779: ―O que é o terceiro estado? Tudo. O que é que tem sidoaté agora na ordem política? Nada. O que é que pede? Tornar-se alguma coisa‖. A reunião dos Estados Gerais, comoprevisto, vai iniciar-se em Versalhes no dia 5 de maio de1789.
  7. 7. A RevoluçãoA Revolução Francesa pode ser subdividida em quatro períodos: a Assembléia Constituinte, a Assembléia Legislativa,a Convenção e o Diretório.A Queda da Bastilha, símbolo mais radical e abrangente das revoluções burguesas.O período da Assembleia Constituinte decorre de 9 de julho de 1789 a 30 de setembro de1791. As primeiras ações dosrevolucionários deram-se quando, em 17 de junho, a reunião do Terceiro Estado se proclamou "Assembléia Nacional"e, pouco depois, "Assembléia Nacional Constituinte". Em 12 de julho, começam os motins em Paris, culminando em 14de julho com a tomada da prisão da Bastilha, símbolo do poder real e depósito de armas. Sob proposta de doisaristocratas, o visconde de Noailles e do duque de Aiguillon, a Assembleia suprime todos os privilégios dascomunidades e das pessoas, as imunidades provinciais e municipais, as banalidades, e os direitos feudais. Poucodepois, aprovava-se a solene "Declaração dos direitos do Homem e do Cidadão". O lema dos revolucionários era"Liberdade, Igualdade e Fraternidade", mas logo em 14 de junho de 1791, se aprovou a Lei de Le Chapelier queproibia os sindicatos de trabalhadores e as greves, com penas que podiam ir até à pena de morte. Em 19 deabril de 1791, o Estado nacionaliza e passa a administrar todos os bens da Igreja Católica, sendo aprovada em julhoa Constituição Civil do Clero, por intermédio da qual os padres católicos passam a ser funcionários públicos.O período da Assembléia Legislativa decorre de 8 de outubro de 1791, quando se dá a primeira reunião da AssembléiaLegislativa, até aos massacres de 2 a 7 de setembro do ano seguinte. Sucedem-se os motins de Paris provocadospela fome; a França declara guerra à Áustria; dá-se o ataque ao Palácio das Tulherias; a família real é presa, ecomeçam as revoltas monárquicas na Bretanha, Vendeia e Delfinado.Entra o período da Convenção Nacional, de 20 de setembro de 1792 até 26 de outubro de 1795. A Convenção vem aficar dominada pelos jacobinos (partido da pequena e média burguesia, liderado por Robespierre), criando-se o Comitêde Salvação Pública e o Comitê de Segurança Geral iniciando-se o reino do Terror. A monarquia é abolida e muitosnobres abandonam o país, vindo a família de Luís XVI a ser guilhotinada em 1793.Vai seguir-se o período do Diretório até 1799, também conhecido como o período da "Reação Termidoriana". Um golpede Estado armado desencadeado pela alta burguesia financeira marca o fim de qualquer participação popular nomovimento revolucionário. Foi um período autoritário assente no exército (então restabelecido após vitórias realizadasem campanhas externas). Elaborou-se uma nova Constituição, com o propósito de manter a alta burguesia(girondinos) livre de duas grandes ameaças: o jacobinismo e o ancien régime.O golpe do 18 de Brumário em 9 de novembro de 1799 põe fim ao Diretório, iniciando-se a Era Napoleônica sob aforma do Consulado, a que se segue a Ditadura e o Império.A Revolução Francesa semeou uma nova ideologia na Europa, conduziu a guerras, acabando por ser derrotada pelainstalação do Império e, depois da derrota de Napoleão Bonaparte, pelo retorno a uma Monarquia na qual o rei LuísXVIII vai outorgar uma Carta Constitucional.
  8. 8. A Assembleia Constituinte Sessão inaugural dos Estados Gerais, em Versalhes (1789).Os deputados dos três estados eram unânimes em um ponto: desejavam limitar o poder real, à semelhança do que sepassava na vizinha Inglaterra e que igualmente tinha sido assegurado pelos norte-americanos nas suas constituições.No dia 5 de maio, o rei mandou abrir a sessão inaugural dos Estados Gerais e, em seu discurso, advertiu que não sedeveria tratar de política, isto é, da limitação do poder real, mas apenas da reorganização financeira do reino e dosistema tributário.O clero e a nobreza tentaram diversas manobras para conter o ímpeto reformista do Terceiro Estado, cujosrepresentantes comparecem à Assembléia apresentando as reclamações do povo (materializadas nos "Cahiers deDoléances"). Os deputados da nobreza e do clero queriam que as eleições fossem por estado (clero, um voto;nobreza, um voto; povo, um voto), pois assim, já que clero e a nobreza comungavam os mesmos interesses,garantiriam seus privilégios.O terceiro estado queria que a votação fosse individual, por deputado, porque, contando com votos do baixo clero e danobreza liberal, conseguiria reformar o sistema tributário do reino. Ante a impossibilidade de conciliar tais interesses,Luís XVI tentou dissolver os Estados Gerais, impedindo a entrada dos deputados na sala das sessões. Osrepresentantes do Terceiro Estado rebelaram-se e invadiram a sala do jogo da péla (espécie de tênis em quadracoberta), em 15 de junho de 1789, e transformaram-se na Assembléia Nacional, jurando só se separar após a votaçãode uma constituição para a França (Juramento da Sala do Jogo da Péla). Em 9 de julho de 1789, juntamente commuitos deputados do baixo clero, os Estados Gerais autoproclamaram-se Assembleia Nacional Constituinte.O Juramento da Péla.Essa decisão levou o rei a tomar medidas mais drásticas, entre as quais a demissão do ministro Jacques Necker,conhecido por suas posições reformistas. Em razão disso, a população de Paris se mobilizou e tomou as ruas dacidade. Os ânimos mais exaltados conclamavam todos a tomar as armas.
  9. 9. O rei decidiu reagir fechando a Assembléia, mas foi impedido por uma sublevação popular em Paris, reproduzida aseguir em outras cidades e no campo.O Conde de Artois (futuro Carlos X) e outros dirigentes reacionários, defrontados a tais ameaças, fugiram do país,transformando-se no grupo dos émigrés. A burguesia parisiense, temendo que a população da cidade aproveitasse aqueda do antigo sistema de governo para recorrer à ação direta, apressou-se a estabelecer um governo provisóriolocal, aComuna. Este governo popular, em 13 de julho, organizou a Guarda Nacional, uma milícia burguesa pararesistir tanto a um possível retorno do rei, quanto a uma eventual mais violenta da população civil, cujo comando coubeao deputado da Assembléia e herói daindependência dos Estados Unidos, Marie Joseph Motier, o Marquês de LaFayette.A bandeira dos Bourbons foi substituída por uma tricolor (azul, branca e vermelha), que passou a ser a bandeiranacional. E, em toda a França, foram constituídas unidades da milícia e governos provisórios. A Tomada da Bastilha, por Jean-Pierre Louis Laurent Houel.Enquanto isso, os acontecimentos precipitaram-se e a agitação tomou conta das ruas: em13 de julho constituíram-seas Milícias de Paris, organizações militares-populares. No dia 14 de julho, populares armados invadiram o Arsenal dosInválidos, à procura de munições e, em seguida, invadiram a Bastilha, uma fortaleza que fora transformadaem prisão política, mas que já não era a terrível prisão de outros tempos. Dentro da prisão, estavam apenas setecondenados: quatro por roubo, dois nobres por comportamento imoral, e um por assassinato. A intenção inicial dosrebeldes ao tomar a Bastilha era se apoderar da pólvoralá armazenada. Caiu assim um dos símbolos do Absolutismo.A Queda da Bastilha causou profunda emoção nas províncias e acelerou a queda dos intendentes. Organizaram-senovas municipalidades e guardas nacionais.A partir de então, a revolução estendeu-se ao campo, com maior violência: os camponeses saquearam aspropriedades feudais, invadiram e queimaram os castelos e cartórios, para destruir os títulos de propriedade das terras(fase do Grande Medo). Temendo o radicalismo, na noite de 4 de agosto, a Assembléia Nacional Constituinte aprovoua abolição dos direitos feudais, gradualmente e mediante amortização, além de as terras da Igreja haverem sidoconfiscadas. Daí por diante, a igualdade jurídica seria a regra.A Elaboração de uma Constituição
  10. 10. Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.A Assembléia Nacional Constituinte aprovou a legislação, pela qual era abolido o regime feudal e senhorial e suprimidoo dízimo. Outras leis proibiram a venda de cargos públicos e a isenção tributária das camadas privilegiadas. E, paradar continuidade ao trabalho, decidiu pela elaboração de uma Constituição. Na introdução, que seriadenominada Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (Déclaration des Droits de lHomme et du Citoyen),os delegados formularam os ideais da Revolução, sintetizados em três princípios: "Liberdade, Igualdade, Fraternidade" (Liberté, Egalité,Fraternité). Inspirada na Declaração de Independência dos Estados Unidos e divulgada em 26 deagosto, a primeira Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (a que não terá sido estranha a ação do entãoembaixador dos EUA em Paris, Thomas Jefferson) foi síntese do pensamentoiluminista liberal e burguês. Nessedocumento, em que se pode ver claramente a influência daRevolução Americana, defendia-se o direito de todos àliberdade, à propriedade, à igualdade - igualdade jurídica, e não social nem econômica - e de resistência à opressão. Adesigualdade social e de riqueza continuavam existindo.O nascimento, a tradição e o sangue já não podiam continuar a ser os únicos critérios utilizados para distinguirsocialmente os homens. Na prática, tais critérios foram substituídos pelo dinheiro e pela propriedade, que, a partir daí,passam a garantir a seus detentores prestígio social. Palácio das Tulherias.Pressionado pela opinião pública, Luís XVI deixouVersalhes, estabelecendo-se no Palácio das Tulherias,em Paris (outubro de 1789). Ali, o monarca era mais acessível às massas parisienses.Fervilhavam os clubes: a imprensa tinha papel cada vez maior nos acontecimentos políticos.Jean-PaulMarat e Hébert escreviam artigos incendiários.A nobreza conservadora e o alto clero abandonaram a França, refugiando-se nos países ainda absolutistas, de ondeconspiravam contra a revolução. Numa reação contra os privilégios do clero e buscando recursos para sanar
  11. 11. o déficit público, o governo desapropriou os bens da Igreja, colocou-os à venda e, com o produto, emitiu bônus dotesouro, osassignats, que valeram como papel-moeda, logo depreciado. As propriedades da Igreja passarammajoritariamente às mãos da burguesia, restando aos camponeses as propriedades menores, que puderam seradquiridas mediante facilitações. O retorno de Luís XVI a Paris após sua desastrada fuga.Em agosto de 1790, foi votada a Constituição Civil do Clero, separando Igreja e Estado e transformando os clérigosem assalariados do governo, a quem deviam obediência. Determinava também queos bispos e padres de paróquia seriam eleitos por todos os eleitores, independentemente de filiação religiosa.O papa opôs-se a isso. Os clérigos deveriam jurar a nova Constituição. Os que o fizeram ficaram conhecidoscomojuramentados; os que se recusaram passaram a ser chamados de refratários e engrossaram o campo dacontra-revolução.Procurando frear o movimento popular, a Assembleia Nacional Constituinte, pela Lei de Le Chapelier, proibiuassociações e coalizões profissionais (sindicatos), sob pena de morte.No palácio real, conspirava-se abertamente. O rei, a rainha, seus conselheiros, os embaixadores da Áustria eda Prússia eram os principais nomes de tal conspiração. A Áustria e a Prússia, países absolutistas, invadiram aFrança, que foi derrotada porque oficiais ligados à nobreza permitiram o malogro do exército francês. Denunciou-se atraição na Assembléia. Em junho de 1791 a família real tentou fugir para a Áustria. O rei foi descoberto na fronteira,em Varennes, e obrigado a voltar. A assembléia Nacional, contudo, acabou por absolver Luís XVI, mantendoa monarquia. Para justificar essa decisão, alegou que o rei, ao invés de fugir, fora seqüestrado. A Guarda Nacional,comandada por La Fayette, reprimiu violentamente a multidão que queria a deposição do rei.A Constituição de 1791 Ver artigo principal: Constituição francesa de 1791 Proclamação da Constituição francesa de 1791.
  12. 12. Em setembro de 1791, foi promulgada a primeira Constituição da França que resumia as realizações daRevolução.Foi implantada uma monarquia constitucional, isto é, o rei perdeu seus poderes absolutos e criou-se uma efetivaseparação entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Além disso, foram concedidos direitos civiscompletos aos cidadãos.A população foi dividida em cidadãos ativos e passivos. Somente os cidadãos ativos, que pagavam impostos epossuíam dinheiro ou propriedades, participavam da vida política. Era o voto censitário. Os passivos eram os não-votantes, como mulheres, trabalhadores desempregados e outros.Apesar de ter limitado os poderes do rei, este tinha ainda o direito de designar seusministros.De mais, a constituição aboliu o feudalismo, nacionalizava os bens eclesiásticos e reconhecia a igualdade civil ejurídica entre os cidadãos.Em síntese, a Constituição de 1791 estabeleceu na França as linhas gerais para o surgimento de uma sociedadeburguesa ecapitalista em lugar da anterior, feudal e aristocrática.Apesar disso, este projeto não teve muita sustentação. Alguns setores urbanos queriam continuar com o processorevolucionário, enquanto nobres fugiam e se refugiavam no exterior, planejando à distância organizarviolentamente uma revanche armada. Os emigrados tinham apoio de Estados Absolutistascomo Áustria e Prússia, que viam o resultado do movimento revolucionário francês como perigoso para os seusdomínios.Em agosto de 1791, após a tentativa frustrada de fuga da família real para a Áustria, os países que até entãoapoiavam a França lançaram a Declaração de Pillnitz, que afirmava (e apoiava) a restauração da monarquiafrancesa como um projeto de interesse comum a todos os Estados europeus. A população francesa ficouenfurecida, pois enxergava esta ação como uma intromissão direta aos assuntos do país.A Assembleia Legislativa (1791-1792) Moeda francesa de 1791. No anverso aparece o rei Luis XVI com o epígrafe:Luis XVI rei dos franceses. No reverso aparecem o fascio e o barrete frígio, ambos símbolos próprios da Assembléia Nacional Constituínte, finalmente asociados completamente com a República francesa.Em 1791, iniciou-se a fase denominada Monarquia Constitucional. Nas eleições de outubro de 1791, as cadeirasda Assembléia Legislativa foram ocupadas predominantemente por elementos da burguesia. A AssembléiaLegislativa, que iniciou suas sessões em 1º de outubro, era formada por 750 membros, sem experiência política.
  13. 13. Embora a burguesia tivesse de enfrentar, dentro da Assembléia, a oposição da aristocracia, cujos deputadosocupavam o lado direito de quem entrava no recinto de reuniões, e também dos democratas, que ocupavam oladoesquerdo, as maiores dificuldades estavam fora da Assembléia.À extrema direita, o rei e a aristocracia se recusavam a aceitar qualquer compromisso. À extrema esquerda, apequena e média burguesia sentiam-se lesadas e enganadas.Os camponeses, desesperados, porque tinham de pagar pela extinção dos direitos feudais, retomaram a violência.O confisco dos bens da Igreja e a Constituição do Clero, que faziam com que os religiosos rompessem com opapado, levaram a maior parte do clero para o campo da Contra-Revolução.Apesar de todas as dificuldades, a alta burguesia se mantinha no poder.A Queda da MonarquiaOs emigrados buscavam apoio externo para restaurar o Estado absoluto. As vizinhas potências absolutistasapoiavam esses movimentos, pois temiam a irradiação das idéias revolucionárias francesas para seus países. Osemigrados e as monarquias absolutistas formaram uma aliança destinada a restaurar, na França, os poderesabsolutos de Luís XVI. Alegando a necessidade de se restaurar a dignidade real da França, na Declaração dePillnitz (1791) esses países ameaçaram a França de uma intervenção.Em 1792, a Assembléia Legislativa aprovou uma declaração de guerra contra a Áustria. É interessante salientarque a burguesia e a aristocracia queriam a guerra por motivos diferentes. Enquanto para a burguesia a guerraseria breve e vitoriosa, para o rei e a aristocracia seria a esperança de retorno ao velho regime. Palavras de LuísXVI: "Em lugar de uma guerra civil, esta será uma guerra política" e da rainha Maria Antonieta: "Osimbecis [referia-se a burguesia]! Não vêem que nos servem". Portanto, o rei e a aristocracia não vacilaram em traira França revolucionária.Diante da aproximação dos exércitos coligados estrangeiros, formaram-se por toda a França batalhões devoluntários.Luís XVI e Maria Antonieta foram presos, acusados de traição ao país por colaborarem com os invasores. A Batalha de Valmy.Verdun, última defesa de Paris, foi sitiada pelos prussianos. O povo, chamado a defender a revolução, saiu àsruas e massacrou muitos partidários do Antigo Regime. Sob o comando de Danton, Robespierre e Marat, foramdistribuídas armas ao povo e foi organizada a Comuna Insurrecional de Paris. As palavras de Danton ressoaramde forma marcante nos corações dos revolucionários. Disse ele: "Para vencer os inimigos, necessitamos deaudácia, cada vez mais audácia, e então a França estará salva".
  14. 14. O povo, entre o pânico e o rancor, responsabiliza os inimigos internos pela situação. Entre 2 e 6 desetembro de 1792, são massacrados os padres refratários, os suspeitos de atividades contra-revolucionárias e ospresos de delito comum das prisões de Paris. A matança dura vários dias sem que as autoridades administrativasousem intervir. Os chamados ―massacres de Setembro‖, que chocam a opinião pública, marcam uma páginaimportante da Revolução.Em 20 de setembro aconteceu aquilo que parecia impossível: as tropas revolucionárias, famintas, mal vestidas,mas alimentadas por seus ideais, derrotaram, ao som da Marselhesa (o hino da revolução), a coligaçãoantifrancesa na Batalha de Valmy.A Convenção (1792-1795) Ver artigo principal: Convenção (Revolução Francesa) Georges Jacques Danton. Após o término das deliberações da Assembléia Constituinte em 1791, a burguesia passou a uma posição conservadora, por entender que as principais mudanças já haviam sido implementadas na sociedade francesa. A situação do povo mais pobre, porém, pouco tinha mudado. Os camponeses continuavam sem terra e nas cidades a situação tornava-se cada vez mais desesperadora. Em agosto de 1792, uma intensa mobilização popular destronou o rei, e depois de elaborar a Carta Magna francesa, a Assembléia Nacional Constituinte dissolveu-se. A Assembléia Legislativa substituiu a Constituinte. Ameaça de intervenção externa, crise econômica e inflação. abril de 1792: Declaração de guerra à Áustria e à Prússia; exércitos inimigos chegam a ameaçar a cidade de Paris; ala radical proclama a ―pátria em perigo‖ e distribui armas à população parisiense.Comuna de Paris assume o poder e exige da Assembléia o afastamento do rei. 10 de agosto de 1792: Parisienses atacam o palácio real, detêm o soberano e exigem que o Legislativo suspenda-o de suas funções.Esvaziada de seu poder, a Assembléia convoca a eleição de uma Convenção Nacional. A revolução entrou numa fase radical. As primeiras medidas tomadas pela Convenção foram a Proclamação da República e a promulgação de uma nova Constituição (21 de setembro de 1792). Eleita sem a divisão dos eleitores em passivos e ativos, a alta burguesia monarquista foi derrotada. A Convenção contava com o predomínio dos representantes da burguesia.
  15. 15. Maximilien de Robespierre.Entre os revolucionários de 1789, houve divisão. A grande burguesia não queria aprofundar a revolução,temendo o radicalismo popular. Aliada aos setores da nobreza liberal e do baixo clero, formou o Clube dosGirondinos. O nome "girondino" (do francês girondin) deve-se ao fato deBrissot, principal líder dessa facção,representar o departamento da Gironda e de seus principais líderes serem provenientes de lá. Eles ocupavamos bancos inferiores no salão das sessões. Osjacobinos (do francês jacobin) — assim chamados porque sereuniam no convento de Saint Jacques — queriam aprofundar a revolução, aumentando os direitos do povo;eram liderados pela pequena burguesia e apoiados pelos sans-culottes, as massas populares de Paris.Ocupavam os assentos superiores no salão das sessões, recebendo o nome de montanha. Seus principaislíderes foram Danton, Marat e Robespierre. Sua facção mais radical era representada pelosraivosos,liderados por Jacques Hébert, que queriam o povo no poder. Havia ainda um grupo de deputados semopiniões muito firmes, que votavam na proposta que tinha mais chances de vencer. Eram chamadosde planície ou pântano. Havia ainda os cordeliers (camadas mais baixas) e osfeuillants (a burguesiafinanceira).Jean Paul Marat.As modernas designações políticas de direita, centro e esquerda surgem neste momento: com relação àmesa da presidência identificavam-se à direita os girondinos, que desejavam consolidar as conquistasburguesas, estancar a revolução e evitar a radicalização; ao centro, a Planície ou Pântano, grupo deburgueses sem posição política definida; e à esquerda, a Montanha, composta pela pequena burguesiajacobina que liderava os sans-culottes, e que defendia o aprofundamento da revolução.Dirigida inicialmente pelos girondinos, a convenção realizava uma política contraditória: era revolucionária napolítica externa — ao combater os países absolutistas — mas conservadora na interna — ao procurar se
  16. 16. acomodar com a nobreza, tentar salvar a vida do rei e combater os revolucionários mais radicais. Nesseprimeiro período, foram descobertos documentos secretos deLuís XVI, no Palácio das Tulherias, queprovaram o seu comprometimento com o rei da Áustria. O fato acelerou as pressões para que o rei fossejulgado como traidor. Na Convenção, a Gironda dividiu-se: alguns optaram por um indulto, outros pela penade morte. Os jacobinos, reforçados pelas manifestações populares, exigiam a execução do rei, indicando ofim da supremacia girondina na Revolução.República Jacobina A grande guilhotina desce sobre a cabeça de Luís XVI, que é exibida ao povo, como se costumava fazer com todos os executados.Os jacobinos, com apoio dos sans-culottes e da Comuna de Paris (designação que foi dada ao novo governolocal da cidade), assumiram o poder no momento crítico da Revolução.A Convenção reconheceu a existência do Ser Supremo e da imortalidade da alma. Avirtude seria o elementoessencial da República.Em 21 de janeiro de 1793, Luís XVI foi executado na guilhotina na praça da Revolução. Vários paíseseuropeus, como a Áustria, Prússia, Holanda, Espanha e Inglaterra, indignados e temendo que o exemplofrancês se refletisse em seus territórios, formaram aPrimeira Coligação contra a França. Encabeçando aColigação, a Inglaterra financiava os grandes exércitos continentais para conter a ascensão burguesa daFrança, seu potencial concorrente nos negócios europeus.Louis Antoine Léon de Saint-Just.No departamento de Vendéia, no oeste da França, camponeses contra-revolucionários, instigados pela Igreja,pela nobreza e pelos ingleses, tomaram o poder. Os girondinos tentaram frear a proposta de mobilizaçãogeral do povo francês, temendo a perda do poder e a radicalização da revolução, que ameaçaria suaspropriedades e bens. Em resposta, em 2 de Junho de 1793, a população de Paris, agitada pelos partidários
  17. 17. de Hébert, cercou o prédio da convenção, pedindo a prisão dos deputados girondinos. Os membros daGironda foram expulsos da convenção deixando uma triste herança: inflação, carestia e avanço da contra-revolução, tudo isso agravado pela guerra no plano externo. Marat, Hébert, Danton, Saint-Juste Robespierre assumiram o poder, dando início ao período da Convenção Montanhesa.A Contra-Revolução Camponesa da Vendéia e a ameaça externa colocavam a revolução à beira do abismo.Para combater essa situação, os jacobinos organizaram os comitês, cujos objetivos eram controlar o governo,combater os contra-revolucionários e mobilizar a França para uma guerra total em defesa da revolução. A Morte de Marat (1793), tela do pintor francês Jacques-Louis David (Museus Reais de Belas-Artes, Bruxelas).Devido ao predomínio da atuação popular, esse período caracterizou-se por ser o mais radical de toda aRevolução. O governo jacobino dirigia o país por meio do Comitê de Salvação Pública, responsável pelaadministração e defesa externa do país, de início comandado por Danton, seu criador. Abaixo, vinha o Comitéde Segurança Geral, que cuidava da segurança interna, e a seguir o Tribunal Revolucionário, que julgava osopositores da revolução em julgamentos sumários.Decretada a mobilização geral, criou-se uma economia de guerra, com o racionamento das mercadorias e ocombate aos especuladores, que, aproveitando-se da situação, escondiam os produtos para aumentar ospreços.Os jornais populares utilizavam-se de linguagem grosseira para caracterizar os aristocratas e inimigos darevolução. Ao mesmo tempo em que pediam que fossem punidos, pregavam as virtudes revolucionárias, opatriotismo e a defesa intransigente da revolução. O mais importante desses jornais era O amigo dopovo (LAmi du Peuple), dirigido pelo jacobino Marat.Interior de um comitê revolucionário durante o terror.
  18. 18. Quando, em julho, Marat foi assassinado pela jovemCharlotte Corday, os ânimos se exaltaram. Consideradoexcessivamente moderado, Danton foi substituído por Robespierre e expulso do partido. O Comitê deSalvação Pública, liderado por Robespierre, assumiu plenos poderes. Tinha início o Grande Terror, TerrorJacobino ou, simplesmente, Terror. Milhares de pessoas — a ex-rainha Maria Antonieta, o químicoAntoineLavoisier (considerado o criador da Química moderna), aristocratas, clérigos, girondinos, especuladores,inimigos reais ou presumidos da revolução — foram detidas, julgadas sumariamente e guilhotinadas. Osdireitos individuais foram suspensos e, diariamente, realizavam-se, sob aplausos populares, execuçõespúblicas e em massa. O líder jacobino Robespierre, sancionando as execuções sumárias, anunciara que aFrança não necessitava de juízes, mas de mais guilhotinas. O resultado foi a condenação à morte de 35 mil a40 mil pessoas. A Insurreição camponesa da Vendéia foi esmagada. O exército francês começou a ganharterreno nos campos de batalha em 1794 e a coalizão antifrancesa foi derrotada.Cansada do terror, execuções, congelamento de preços e dos excessos revolucionários, a burguesia queriapaz para seus negócios. Essa posição era defendida pelos jacobinos liderados por Danton. Os sans-culottes — que eram a plebe urbana — pretendiam radicalizar mais a revolução, posição defendida pelosraivosos. A falta de habilidade política de Robespierre ficou evidente quando, declarando a "pátria em perigo",tomou uma série de medidas impopulares para evitar as radicalizações — os partidários e políticos maisradicais, como a ala esquerda, dos partidários de Hébert, e da ala direita, que tinha como líder Danton, foramexecutados. A facção de centro, liderada por Robespierre e Saint-Just, triunfou, porém ficou isolada.Reação Termidoriana Os eventos da noite de 9 Termidor.Muitos girondinos que sobreviveram ao Terror, aliados aos deputados da planície, articularam um golpe.Em 27 de julho (9 Termidor, de acordo com o calendário revolucionário francês) a Convenção, numa rápidamanobra, derrubou Robespierre e seus partidários. Robespierre apelou para que as massas popularessaíssem em sua defesa. Mas os que podiam mobilizá-las — como os raivosos — estavam mortos, e os sans-culottes não atenderam ao chamado. Robespierre e os dirigentes jacobinos foram guilhotinadossumariamente. A Comuna de Paris e o partido jacobino deixaram de existir. Era o golpe de9 Termidor, quemarcou a queda da pequena burguesia jacobina e a volta da grande burguesia girondina ao poder. Omovimento popular entrou em franca decadência.A Convenção Termidoriana (1794-1795) foi curta, mas permitiu a reativação do projeto político burguês coma anulação de várias decisões montanhesas, como a Lei do Preço Máximo (congelamento da economia) e o
  19. 19. encerramento da supremacia da Junta de Salvação Pública. Foram extintas as prisões arbitrárias e os julgamentos sumários. Todos os clubes políticos foram dissolvidos e os jacobinos passaram a ser perseguidos. Em 1795, a Convenção elaborou uma nova constituição - a Constituição do Ano III -, suprimindo o sufrágio universal e resgatando o voto censitário para as eleições legislativas, marginalizando, assim, grande parcela da população. A carta reservava o poder à burguesia. No final de 1795, de acordo com a nova Constituição, a Convenção cedeu lugar ao Diretório, formado por cinco membros eleitos pelos deputados. Iniciou-se, assim, a República do Diretório. O Diretório (1795-1799)Ver artigo principal: Diretório O Diretório (1794 a 1799) foi uma fase conservadora, marcada pelo retorno da Alta Burguesia ao poder e pelo aumento do prestígio do Exército apoiado nas vitórias obtidas nas Campanhas externas. Uma nova constituição entregou o Poder Executivo ao Diretório, uma comissão constituída de cinco diretores eleitos por cinco anos. Esta carta previa o direito de voto masculino aos alfabetizados. O poder legislativo era exercido por duas câmaras, o Conselho dos Anciãos e o Conselho dos Quinhentos. Graco Babeuf, líder da Conjuração dos Iguais. Era a república dos proprietários que enfrentavam uma grave crise financeira. Registra-se uma oposição interna ao governo devido à crise econômica e à anulação das conquistas sociais jacobinas. Tentativas de golpe à direita (monarquistas ou realistas) e à esquerda (jacobinos) ocorreram neste período. As ações contra o novo governo se sucediam. Em 1795, um golpe realista foi abortado em Paris. Aproveitando o descontentamento dos sans-culottes, os remanescentes jacobinos tentaram organizar em 1796 a chamada Conjuração ou Conspiração dos Iguais, liderada por François Noël Babeuf (mais conhecido como Graco Babeuf). Os seguidores desse movimento popular, com algumas pinceladassocialistas, desejavam não apenas igualdades de direitos (igualdade perante a lei), mas também igualdade nas condições de vida. Babeuf achava que a única maneira de alcançar a igualdade era com a abolição da propriedade privada. A insurreição foi denunciada antes mesmo de se iniciar e seus líderes, Graco Babeuf e Buonarroti, foram condenados à guilhotina. As idéias de Babeuf, entretanto, serviram de base para a luta da classe operária no século XIX. Externamente, entretanto, o exército acumulava vitórias contra as forças absolutistas de Espanha, Holanda, Prússia e reinos da Itália, que, em 1799, formaram a Segunda Coligação contra a França revolucionária. Napoleão Bonaparte no Poder
  20. 20. Ver artigo principal: 18 de Brumário Destacando-se no assédio deToulon, em 1793, Napoleão Bonaparte tornou-se general. Em1796, Bonaparte esmagou uma insurreição monarquista. O governo não era respeitado pelas outras camadas sociais. Os burgueses mais lúcidos e influentes perceberam que com o Diretório não teriam condição de resistir aos inimigos externos e internos e manter o poder. Eles acreditavam na necessidade de uma ditadura militar, uma espada salvadora, para manter a ordem, a paz, o poder e os lucros. A figura que sobressai no fim do período é a de Napoleão Bonaparte. Ele era o general francês mais popular e famoso da época. Quando estourou a revolução, era apenas um simples tenente e, como os oficiais oriundos da nobreza abandonaram o exército revolucionário ou dele foram demitidos, fez uma carreira rápida. Aos 24 anos já era general de brigada. Após um breve período de entusiasmo pelos jacobinos, chegando até mesmo a ser amigo dos familiares de Robespierre, afastou-se deles quando estavam sendo depostos. Lutou na Revolução contra os países absolutistas que invadiram a França e foi responsável pelo sufocamento do golpe de 1795. Enviado ao Egito para tentar interferir nos negócios do império inglês, o exército de Napoleão foi cercado pela marinha britânica nesse país, então sobre tutela inglesa. Napoleão abandonou seus soldados e, com alguns generais fiéis, retornou à França, onde, com apoio de dois diretores e de toda a grande burguesia, suprimiu o Diretório e instaurou o Consulado, dando início ao período napoleônico em 18 de brumário (10 de novembro de 1799). O Consulado era representado por três elementos: Napoleão, o abade Sieyès e Roger Ducos. Na realidade o poder concentrou-se nas mãos de Napoleão, que ajudou a consolidar as conquistas burguesas da Revolução. Datas e Fatos Essenciais  1787: Revolta dos Notáveis  1789: Revolta do Terceiro Estado; 14 de julho: Tomada da Bastilha; 26 de agosto: Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.  1790: Confisco dos bens do Clero.  1791: Constituição que estabeleceu a Monarquia Constitucional.
  21. 21.  1791: Tentativa de fuga e prisão do rei Luís XVI.  1792: Invasão da França pela Áustria e Prússia.  1793: Oficialização da República e morte do Rei Luís XVI; 2ª Constituição.  1793: Terror contra os inimigos da revolução.  1794: Deposição de Robespierre.  1795: Regime do Diretório — 3ª Constituição.  1799: Golpe do 18 de brumário (9 de novembro) de Napoleão. Reações e comentários no estrangeiro Reino Unido Entre os britânicos que acolheram (inicialmente) a Revolução Francesa como um acontecimento positivo conta-se Dugald Stewart. Stewart seguiu os acontecimentos em Paris nesse verão dramático de 1789. Ele acreditava nos princípios pelos quais a revolução se batia. Sentiu-se repelido quando leu os comentários de Edmund Burke no seu "Reflections on the Revolution in France". Burke previu acertadamente que a Revolução Francesa acabaria na perdição, terror, morte e ditadura. Um aluno de Stewart, James Mackintosh, escreveu em resposta uma apaixonada defesa da causa francesa. Nos anos seguintes, Stewart defendeu ainda a Revolução, apesar de o terror e o caos serem evidentes. Em novembro de 1791, Dugald Stewart escreve a um amigo: "As pequenas desordens que podem ocorrer num país onde as coisas em geral correm tão bem são de menor importância". Já no ano seguinte ver-se-ia que Burke tinha razão. Edmund Burke faleceu em 1797, convicto de que a Revolução Francesa acabaria por terminar na ditadura. Napoleão veio dar-lhe razão. Burke ganhou na sociedade britânica uma reputação de um homem clarividente e perspicaz. Em forte contraste, Dugald Stewart perdeu o respeito dos seus concidadãos e foi ostracizado em Edimburgo, onde vivia. James Mackintosh pediu desculpas publicamente por criticar Burke e tornou-se um forte crítico do regime francês e das revoluções em geral. Raymond Aron O sociólogo do século XX Raymond Aron (1905 — 1983) escreve em O ópio dos intelectuais o seguinte, a propósito da revolução francesa, comparando-a com a evolução da Inglaterra:A passagem do Ancien Régime para a sociedade moderna é consumada na França com uma ruptura e umabrutalidade únicas. Do outro lado do Canal da Mancha, na Inglaterra, o regime constitucional foi instauradoprogressivamente, as instituições representativas advêm do parlamento, cujas origens remontam aos costumesmedievais. No século XVIII e XIX, a legitimidade democrática se substitui à legitimidade monárquica sem a eliminartotalmente, a igualdade dos cidadãos apagou pouco a pouco a distinção dos "Estados" (Nobreza, clero e povo). Asidéias que a revolução francesa lança em tempestade através da Europa: soberania do povo, exercício daautoridade conforme a regras, assembléias eleitas e soberanas, supressão de diferenças de estatutos pessoais,foram realizadas em Inglaterra, por vezes mais cedo do que em França, sem que o povo, em sobressalto dePrometeu, sacudisse as suas correntes. A "democratização" foi ali (em Inglaterra) a obra de partidos rivais.(...) O Ancien Régime desmoronou-se (na França) a um só golpe, quase sem defesa. E a França precisou de umséculo para encontrar outro regime que fosse aceito pela grande maioria da nação.
  22. 22. Referências 1. ↑ A Revolução Francesa. História do Mundo - Educa Terra, Terra.com.br. Página visitada em 2 de maio de 2011. 2. ↑ "Teoria política de Kant e Herder: Despotismo Esclarecido e Legitimidade da Revolução" de G. Mayos (trad. G. Silveira Siqueira). 3. ↑ Pierre Gaxotte (da Academia Francesa), La Révolution Française, Paris, Librairie Arthème Fayard, 1957, pp. 31-5

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