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Agroneg ov nutrir

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  • 1. AGRONEGÓCIO DA OVINOCULTURA Iran Borges1, André Guimarães Maciel e Silva2, Rodrigo Orzil3RESUMOO agronegócio da ovinocultura tem-se mostrado altamente viável, muito embora algunsaspectos porteira adentro e pós-fazenda merecem especial atenção, pois muitas fezes algunspreceitos técnicos tem sido negligenciados, da mesma forma como aspectos ligados àcomercialização, publicidade e propaganda, gestão do agronegócio além das porteiras, etambém pela existência de muitos mitos, crendices e falsos conceitos. Apesar do grandepotencial de crescimento observado no setor, deve-se atentar ao fato de que o mesmo dá-se deforma desordenada, por vezes pontual, concentrando-se muito mais em pequenaspropriedades, onde os rebanhos têm em média 100 a 150 cabeças. Denotando-se anecessidade de modelos associativistas de atuação no mercado, pois somente assim osovinocultores desse porte poderão fazer frente à concorrência, seja na produção de carne ederivados, leite e seus produtos, pele, lã ou outros produtos advindos da criação de ovinos.Sabe-se que uma propriedade pode explorar vários produtos ou categorias de produtos ovinos,e que o mercado apresenta-se de modo também estratificado, assim cabe ao produtor deovinos vislumbrar-se, sem paixões, preconceitos ou idéias pré-concebidas, nessa cadeiaprodutiva, estudando suas possibilidades em participar de fatia do mercado, como tambémdeterminar de forma segura quais são suas potencialidades produtivas. Estudar as relaçõesprodutores - segmentos intermediários - consumidores deve ser o eixo central do planejamentoda propriedade e sua produção, assim sendo, um estudo do padrão e tendências do mercadodevem nortear a ovinocultura, mas sempre calcada em princípios da técnica, da ética e damoral que a atividade e sociedade exigem.ABSTRACTSheep agrobusiness has been shown high viability, some aspects in the farm and out of thefarm needs attention, because generaly some technical aspects are negligenciated., in a sameway, many comercial, mercadological and administrative aspects, out of the farm, and by theexistence of false concepts. Althought the high potencial that sheep agrobusinness shows, it isimportant to note that this development occur desordened, in low properties with low numberof animals, 100-150 animals in average. Showig the need of associative models to lead on themarket, because that is the only way to be competitive against other products, as beef, dairy,wool and others. In a same property many kinds of sheep products can be explored, and thereis a wery extractified market, so the productor needs to find in this market his possibilities ofmake a product that can be included in a market site, and, in a same time know his productivepotencialities. Study the relationships betwen productors, intermediary segments andconsummers is a central planning point of study in the property, and a market study needs toguide the activity, but always based in technical and ethical aspects.1 Zootecnista e Professor Adjunto do Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG – iran@vet.ufmg.br2 Médico Veterinário e Doutorando do Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG – andre_vet@bol.com.br3 Médico Veterinário e Mestrando do Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG – rodrigo- orzil@uol.com.br
  • 2. INTRODUÇÃOO efetivo nacional dos rebanhos de ovinos tem demonstrado determinadas tendências nosúltimos anos, de sorte que os números estatísticos apresentados, principalmente pelo IBGE(1996), como por quaisquer outras agências ou agentes, devem receber análise referentes àtais tendências, muito mais que aos números em si. Nesse sentido, é possível denotar umamovimentação nacional no rebanho ovino, com um ligeiro declínio do tradicional reduto sulista(RS) e visível crescimento na região nordeste; não obstante, também tem sido óbvio que asregiões sudeste e centro-oeste vêm apresentando, nos últimos cinco ou seis anos uma sensívelelevação no número de cabeças, cujos valores oscilam entre 0,5 e 5% ao ano, dependendo daépoca e estado a ser avaliado. Muito embora sejam esses os dados oficiais utilizados na maioriadas avaliações nacionais, é bom que se registre, que estudo sobre a cadeia produtiva decaprinos e ovinos, levada a efeito em 2001 (Couto, 2001) deu conta que o rebanho nacionalatingiu cifras de crescimento na ordem de mais de 35% nas regiões Norte e Centro-Oeste até apresente aquela data. Assim, muitas outras fontes estatísticas (EMATER, BANCO DONORDESTE, BANCO DO BRASIL, etc.) apresentam seus próprios números, que apesar deconstarem sempre com mesma tendência das acima citadas, apresentam númerosdiscrepantes.Em razão dessa constatação acima, é oportuno registrar que urge maior mobilização por partede Associações de Criadores, Secretarias de Agricultura Estaduais e seus órgãos responsáveispelos levantamentos dos rebanhos, Instituições de Pesquisa e Extensão, Universidades, comotambém dos próprios Institutos que geram dados estatísticos, venham a somar esforços paraque haja maior fidelidade desses indicativos, haja visto que basta um rápida pesquisa dessesíndices para verificar que há uma grande discrepância, e que passa necessariamente, pela fonteque levantou e tabulou tais dados.PRODUÇÃO DE CARNE OVINAO consumo de carnes e derivados no país é altamente favorável à bovinocultura, avicultura esuinocultura, não obstante, o mercado para pequenos ruminantes seja altamente comprador(Mizuta et al, 2001). O consumo médio de carne/pessoa/ano no Brasil é muitíssimo baixo.Enquanto as estatísticas oficiais mostram um consumo de 0,70 kg/pessoa/ano, o consumo empaíses do primeiro mundo varia de 20 a 28 kg/pessoa/ano (Silva Sobrinho, 1990 e Couto,2001).Segundo Couto (2001) o mercado de carne ovina é altamente comprador, fato que deve serentendido sob o ponto de vista da oferta e procura, não deixando, no entanto, perder-se nohorizonte, a questão da qualidade do produto, juntamente com oferta perene e característicasdiferenciadas. Essas características, segundo Dantas (2001), podem ser determinadas pelaoferta de cortes de carnes a preços mais acessíveis ou pela elaboração de novos e exclusivosprodutos. O autor assinala ainda que o consumidor atual de carne ovina possui alta renda ebusca consumir um produto alternativo e diferenciado pelo sabor e qualidade, seja paraconsumo no lar seja nos restaurantes, hotéis e similares.No levantamento de Couto (2001), o efetivo Brasileiro de ovinos no momento é de 18,6milhões de cabeças. O Rio Grande do Sul tem atualmente o maior rebanho, com 54,4%desse efetivo, seguido pelo Nordeste com 38,7% (Quadro 1). No rebanho ovino nacional houveuma evolução entre 1989 e 1998, sendo que para os ovinos houve um aumento de 38,7% noNorte e 35,7% no Centro Oeste enquanto nas demais regiões verificou-se queda do efetivo,sendo a maior no Rio Grande do Sul em conseqüência da perda do valor da lã no mercadointernacional, muito embora o que se verifica como tendência nessa região é a gradualsubstituição de animais laneiros para aqueles de corte.
  • 3. Quadro 1. Efetivo de ovinos no Brasil (milhões de cabeças), distribuição do efetivo pelas Regiões Geográficas e Possível Evolução dos Rebanhos (%)Entidade geográfica Ovinos EvoluçãoBrasil – milhões de cabeças 18,6 -Regiões geográficasNorte 2,05% Mais de 38,7%Nordeste 38,7% Menos de 4,7%Sudeste 2,1% Menos de 2,7%Sul 54,4% Menos de 9,5%Centro Oeste 2,6% Mais de 35,7%Couto (2001)Pelos dados nota-se significativo crescimento nas regiões Norte e Centro Oeste, muito emborahaja crescimento vegetativo expressivo nas outras regiões, é importante que os produtores nãodesprezem tais mercados, mesmo porque já possuem alguma tradição no consumo de carnescaprinas e ovinas. Qualquer estratégia que priorize apenas as regiões com maiores demandasfuturas, parece, em primeira instância, uma tomada de decisão desajustada.Um ponto fundamental para entender como encontra-se a produção de caprinos e ovinos noNordeste brasileiro, é conhecer o tipo de propriedades envolvidas nesse agronegócio. Cerca de50% dos rebanhos caprino e ovino no nordeste concentram-se em propriedades com menos de30 hectares, sendo que 28,9% possuem entre 31 e 200 ha e 21,1% são produzidos empropriedades com mais de 200 ha (Couto, 2001). Isso conduz a uma nova necessidade, muitasvezes carente no Brasil, qual seja, malha rodo-ferro-hidroviária adequada não só para oescoamento da produção, mas também para que se seja possível a distribuição de insumos ematerial de investimentos junto às propriedades. Tal consideração aumenta seu impacto nacadeia produtiva a partir do momento em que as propriedades mostram-se distribuídas deforma mais diluída por toda a região.Esse aspecto de infra estrutura, que em primeira instância parece recair sobre os órgãosoficiais, apresenta algumas soluções criativas entre alguns grupos de produtores (entre si ouem parceria com governos locais ou federal).Tal como a produção de leite, mas agora por fatores de manejo com interveniência de aspectosclimatológicos, a produção de carne dos pequenos ruminantes também apresenta-se comflutuações que devem ser evitadas dentro da cadeia produtiva, mais especificamente no âmbitoda fazenda. Para tal, basta aos produtores optarem por prática de estações de montaescalonadas, sincronização e/ou indução de cios, formação de grupos de produtores queproduzirão cordeiros em determinadas épocas do ano e atendimento às necessidades domercado local (cooperativas, condomínios, corporações, etc). Outra estratégia muito simples eque deve ser implementada junto às anteriores, é a separação dos animais por lotes, seja portamanho (peso) ou por idade (época de nascimento). Toda e qualquer forma de estratificaçãoda produção também poderá ser adotada nesse sentido.Quanto aos animais para abate, pode-se classificá-los nas seguintes categorias: a) CORDEIRO: Animais de 3 a 6 meses de idade. São os preferidos pelos gourmets, por terem ossos finos, peso vivo entre 15 e 25 Kg, rendimento de carcaça entre 40 e 50%. Sua carne é rosada e lisa, apresentando-se bem enxuta e (± 22% gordura), sua gordura é branca. Pode-se considerar como subclasse o cordeiro mamão (alimentado com leite). Os cordeiros representam a principal classe ou categoria dos animais abatidos, devido às qualidades acima, mas também por ser mais estudada, ter melhor aceitação popular, melhores carcaças e apresentarem o melhor custo-benefício. b) BORREGO: Animais com 1 a 1,5 anos. Têm ossatura mais desenvolvida, contribuindo para que seu rendimento caia para 38 a 43%. Seu peso vivo está entre 30 e 50 Kg. Sua carne é mais vermelha que a anterior e com ± 35% de gordura na carcaça. Sua aceitação pelo consumidor ainda é boa, devido em grande parte ao maior peso final ao abate que dos cordeiros (transporte, comercialização).
  • 4. c) CAPÃO: Por serem machos adultos, apresentam-se com maiores pesos (45 a 50 Kg de PV) e o rendimento médio de 41%. Carne vermelha intensa e com maior teor de gordura de cobertura, chegando a ser excessiva. Talvez sua vantagem sobre os borregos seja seu rendimento de carcaça, que pode ultrapassar 44%. Mas esta deve-se em boa parte à maior deposição de gordura, fato que limita a aceitação pelo consumidor. d) OVELHA: Geralmente de animais com idade avançada. É uma carcaça maior, com ossos mais pesados, excessiva cobertura de gordura, musculatura rígida e com baixa palatabilidade. Carne de coloração vermelho bem escura. Seu rendimento de carcaça é de 40%. Por tudo isto é mais consumida na propriedade ou por consumidores menos exigentes. Pode ser emprega na fabricação de derivados da carne que têm maior aceitação pelo público consumidor além de agregar valor ao produto primário. e) CARNEIRO: São todos os machos que não se servem mais à reprodução. Têm baixo valor comercial, musculatura bem escura, ossos mais pesados e excessiva cobertura de gordura. Este último confere-lhe um sabor atípico, a ponto de ser comercializado beneficiado (charques, guisado, carneiro no buraco, embutidos, defumados ou lingüiças).Fica claro que uma mesma propriedade terá todas as categorias mencionadas; e explorar umadelas como o “carro chefe” parece ser uma das saídas que se tem encontrado (Ex: cordeiros –mamão ou precoce, borregos ou borregões, ou ainda capões). Ovelhas e carneiros serão tidoscomo animais de descarte e necessariamente deverão sofrer processos de transformaçãoindustrial para chegarem à mesa dos consumidores. Assim, qualquer propriedade terápossibilidades de explorar a produção de animais precoces, jovens, adultos e descartes dematrizes e reprodutores, nesses casos, o produtor deverá ficar atento ao destino que dará a taisprodutos. Para isso deve-se observar alguns princípios que têm muito a ver com o quesitoqualidade da carne: vender todo e qualquer animal pelo mesmo valor significa um erro, poisestará dando um tiro no pé; uma vez que cordeiro mamão ou precoce são mais procurados epossuem maior aceitação e procura no mercado, daí devem ser tidos como mais caros, jáanimais de descarte, como geralmente têm menor procura, pelas características intrínsecasdessa carne, devem receber preços menores, ou sofrer processamentos adequados. Qualquerpropriedade terá possibilidades de explorar a produção de animais precoces, jovens, adultos edescartes de matrizes e reprodutores, nesses casos, o produtor deverá ficar atento ao destinoque dará a tais produtos. Animais mais novos significam sempre maiores giros de capital esuportam maior elasticidade de preços no sistema como um todo. Nesses casos, uma planilhade custos de produção muito bem elaborada é que ditará os preços, os quais, necessariamenteserão diferenciados.Salvo raras exceções o mercado tem pago pelo peso vivo, fato que pode não estimular aprodução de produtos diferenciados, mas surge aqui a possibilidade de se traçar junto aosfrigoríficos os contratos de parceria, objetivando melhorar a qualidade do produto de acordocomo a preferência do consumidor. Nesse sentido o produtor tem que mostrar aos empresáriosdo setor cárneo a importância de se trabalhar com produtos diferenciados (cordeiro, borregos,processados em geral vindos dos animais descartados). Evitar-se de comercializar animaisadultos para fornecimento de corte pode ser uma atitude louvável, visto que tais animaispossuem composição de carne que não agrada à maioria dos paladares.Com isso o produtor estará organizando seus “centros” de custos, mas também beneficiandoaos potenciais consumidores, pois abrirá o leque para que camadas até então excluídas doconsumo dessas carnes e/ou produtos, possam vir a dar sustentação à ponta final da cadeiaprodutiva. Exemplos bem claros são vistos na avicultura com a comercialização de pés epescoços, como também de matrizes; ou ainda na bovino e suinocultura com a comercializaçãode seus não componentes da carcaça (miúdos). Esse último tipo de segmento ainda éinsignificante na caprinovinocultura, e tudo indica que possui um bom mercado a ser explorado,haja visto que algumas empresas frigoríficas já iniciaram a produção de derivados dessesprodutos e estão aos poucos conquistando mercados dos semi-prontos.
  • 5. PRODUÇÃO E BENEFICIAMENTO DA PELE OVINAAo se considerar que o Brasil possui em seu rebanho ovinos lanados e deslanados e caprinos,constata-se que o mercado interno de peles e mesmo o externo é bastante grande,concordando com o postulado por Padilha e Siqueira (1981), Silva Sobrinho e Jacinto (1992).Esses últimos enfatizaram que a pele de ovinos lanados fornecem matéria-prima importantepara a fabricação de couros cobiçados pelas indústrias peleteiras, usados na fabricação decasacos de peles onde a cobertura de lã natural fornece revestimento adequado ao isolamentoe, consequentemente, aquecimento nas baixas temperaturas e que os ovinos deslanadosfornecem a melhor pele do mundo, muito valorizada no exterior.Esse alto valor de mercado da pele de ovinos deslanados deve-se à sua maior elasticidade eresistência, associadas a uma textura fina, prestando-se para maior gama de aplicações naindústria de vestuário (inclusive alta costura, hoje denominada fashion) e calçadista.Recentemente, Roura (2000) postulou que o Brasil deveria a partir de agora evitar a exportaçãode peles caprinas e ovinas para a Europa, redirecionando a produção local para a indústriacalçadista nacional, devido ao enorme prestígio que a mesma possui na Europa e América doNorte, e exportar os produtos acabados, elevando em muito o superávit na sua balançainternacional do comércio; assim ganha o país, a indústria, os produtores, e não sendo ufanista,os consumidores estrangeiros de calçados brasileiros.Com essa mesma linha de raciocínio, só que na vertente da exportação de produtos semi-elaborados, Furlaneto e Silva (1994) salientaram que cerca de 40% da produção nacional depeles caprinas e ovinas é exportada para países da Europa, enfatizando que o mercado só nãoé maior porque as peles nacionais são portadoras de muitos defeitos. Sugerem que a formaçãode cooperativas por parte dos produtores dessa pele pode ser instrumento poderoso nomomento da comercialização com os industriais estrangeiros. Aqui é importante ressaltar quealém do modelo cooperativista, há ainda os condomínios, associações mistas (produtores,artesãos, empregados de indústrias de tecelagem – algumas com massa falida interessantepara ingressarem em programas de geração de emprego e renda patrocinados pelo governofederal), e mesmo para se praticar a famosa parceria ou terceirização de tarefas na cadeiaprodutiva.Couto (2001) relatou que o mercado mundial de peles é também muito grande e comprador(Quadro 2). Segundo a FAO foram comercializadas em 1992 um total de 756 milhões de pelesnum valor de US$ 1,65 bilhões.Quadro 2. Importação e exportação de peles de ovinos e caprinos pelo Brasil, entre os anos de 1992 e 20001. Item 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000Exportações Ovinos 13,3 13,2 9,7 9,9 13,0 12,0 8,9 7,1 7,1 Caprinos 8,0 5,9 4,2 3,3 3,7 0,3 0,2 0,3 0,3Importações Ovinos 4,0 5,0 5,8 11,4 10,2 9,6 5,8 2,8 6,1 Caprinos 12,6 9,8 11,4 9,3 3,1 9,6 3,1 1,6 8,9Couto (2001) .1. Dados em US$ milhõesDados relativos aos preços praticados no mercado de peles ovinas em wet blue (tratadasquimicamente com cromo) têm oscilado entre R$10,00 e R$30,00 reais, há no entanto algunsmercados pontuais que estão pagando cerca de R$45,00 por unidade, como também algunsatravessadores “bonificando” produtores nordestinos com R$3,00 a R$5,00 por peça. Muitoembora Alves (2003) tenha relatado preços ao produtor entre R$7,00 e R$9,00 e após oprocessamento o mesmo atinge cifras entre R$120,00 e R$150,00. Tal fato é típico de um
  • 6. segmento produtivo desestruturado e/ou mesmo mal informado do potencial de capitalizaçãoque possui em mãos. Resta então aos caprinovinocultores agirem mais atentamente nosegmento de “obtenção de peles de boa qualidade” (Alves, 2003), pois sem dúvida trata-se deexcelente forma de aumentar o retorno líquido na atividade.Pelos dados de Jacinto (2003) na caprinocultura de corte explorada na região Sudeste a pelepode representar ganhos adicionais entre 7,3 e 8,7% em relação ao preço da carcaça e taisnúmeros podem ser a diferença entre o lucro e o prejuízo da atividade, isso considerando opreço pago na região de Fanca – SP.Com o acima exposto, resta aos ovinocultores agirem mais atentamente no segmento“obtenção de pele de boa qualidade”, pois sem dúvida trata-se de excelente forma de aumentaro retorno líquido na atividade.SITUAÇÃO DO SETOR LÁCTEO E A PRODUÇÃO DO LEITE OVINOCom o advento da globalização nos últimos anos os produtores, de todas as áreas, paraconseguirem manter-se no mercado estão adotando modernas tecnologias. No entanto asituação do setor lácteo no pais é de certa forma delicada, devido a custos altos de produção, epreços baixos pagos ao produtor.Esta situação deve se agravar principalmente quando se refere ao pequeno produtor, devido aoinstante político atual. Desta forma as propriedades, principalmente as pequenas, terão queinvestir em algo que lhes dê retorno mais rápido e com menor custo. Uma das alternativas é acriação de pequenos ruminantes e dentre eles a cabra e a ovelhas leiteiras. Muitos foram osprodutores de leite na região Sudeste que realizaram tal migração nos anos 90, seja para acaprinocultura leiteira, seja para a ovinocultura de corte; infelizmente, muitas das vezes sem adevida orientação técnica, fato que pode estar induzindo ao mesmo destino que tiveram nacadeia produtiva anterior. É sempre oportuno lembrar, vaca é vaca, cabra é cabra e ovelha éovelha, como tal devem e necessitam de práticas de manejo adequadas. Infelizmente, partedos produtores que saíram da atividade do agronegócio da bovinocultura leiteira, em funçãodesses aspectos da conjuntura econômica nacional e estrangeira, entraram na caprinoculturaou em menor número na ovinocultura leiteira, mas continuam a insistirem nos mesmos erros dopassado; não bastasse esse comportamento do produtor, por vezes, profissionais com grandeexperiências nessas outras atividades do agronegócio, também trazem para a ovinoculturaleiteira, cujo conteúdo técnico é pouco ou quase nada explorado nos currículos de Zootecnia edemais profissões das ciências agrárias, também tem dado uma contribuição ligeiramentedesviada do norte verdadeiro que a atividade necessita para atingir o sucesso pleno, poistambém confundem as ovelhas leiteiras e o agronegócio desse leite e seus derivados comaqueles das vacas leiteiras, salienta-se nesse sentido, que apesar de tratarem de leite, háenorme diferença, não só quanto ao produto em si, mas principalmente nas nuanças da cadeiaprodutiva.PRODUÇÃO DE LÃ E SUA EXPLORAÇÃO COMERCIALTradicionalmente produzida no sul do país, essa fibra industrial apresenta-se como outra opçãopara alguns sistemas de criação. Podendo ser a atividade complementar em alguns criatórios daregião sudeste, em Minas Gerais, especialmente agredando-se aos trabalhos artesanais játradicionais, como tapetes e quadros de decoração, sem contar com as tradicionais peças dovestuário confeccionados em lã (pura ou mistas) do sul Minas.Almeida (1990) já aludia ao fiel mercado que a pura lã possui no Brasil e no mundo, apontandoalém de suas características peculiares (antialérgica; isolante térmico; não inflamável; comtextura, maciez e elasticidade excepcionais para a indústria têxtil) alguns de se seus usos nocotidiano da humanidade (52% dos casacos masculinos possuem lã, da mesma forma 22% dassaias femininas, 60% do mercado dos ternos, 38% do mercado de paletós, 35% das malhas e59% do mercado de carpetes), poder-se-ia ainda acrescentar todo acabamento têxtil daindústria aeronáutica, como também da automobilística que usam da lã de qualidade inferiorpara confecção de feltros empregados no isolamento termo-acústico dos veículos. Almeida
  • 7. (1990) reforça ainda a possibilidade de se explorar um mercado presente em todo o mundo,mas com maior intensidade na Europa, no qual os consumidores estão privilegiando produtosmais naturais.Atentos a aspectos como esses, produtores de ovinos, cooperativas de costureiras, artesãos esimilares poderiam tirar proveito desse filão, que até melhor juízo, em Minas Gerais encontra-semal explorado.Sistemas de produção de carne ovina baseados em cruzamento industrial, podem facilmentedesenvolver um novo setor, seja na fazenda, seja junto a outros segmentos interessados, capazde tornar a produção da lã um ponto a mais para se capitalizar na ovinocultura.Ovelhas de raças especializadas para produção de lã podem produzir entre 4 e 6 kg de pura lãpor ano (ciclo produtivo), considerando que os tradicionais rebanhos gaúchos possuemnúmeros superiores a 10 mil fêmeas, espera-se produção que ultrapasse 40.000 kg de pura lã;já para um propriedade que explore cerca de 100 matrizes, é possível produzir algo próximo a400 - 600 kg de lã, a qual pode ser destinada mais especificamente para a indústria doartesanato, pois não teria escala para uma sustentabilidade junto à indústria têxtil, muitoembora, se houvessem uns 30 produtores com mesmo perfil, tal contingente seria capaz deproduzir algo entre 12.000 a 18.000 kg de lã, e desse modo já poderiam estar ingressando deforma fortalecida junto à indústria para o beneficiamento da lã. Aqui a palavra chave éassociativismo, independente de tratar-se de uma cooperativa, corporação, condomínio,associação, ou quaisquer outras formas de se somar esforços para obter vantagens e atenderàs exigências do mercado.PRODUÇÃO DE MATRIZES E REPRODUTORESEsse é sem dúvida o segmento da ovinocultura que mais exige tecnologia, capital e supervisãode técnicos com a devida competência na ovinocultura. Paradoxalmente não se tem observadomuitos desses pressupostos em um considerável número de criatórios tidos como “matrizeiros”.Na infinita maioria do casos tem-se selecionado pelas características raciais, desprezando-se osatributos econômicos e funcionais. Não se tem dada a devida importância aos programas demelhoramento e nutrição, privilegiando-se mais sanidade e reprodução. Ao pontuar que não setem enfocado o melhoramento como deve ser, é importante reportar-se ao fato de que aimensa maioria dos criadores têm o falso conceito de que adquirindo, e portanto, mantendoseus animais “registrados” indica garantia segura de melhoramento animal; fato que ospostulados da genética, juntamente com os índices zootécnicos e as práticas gerais de manejodemonstram de forma científica que pautando-se somente no quesito “animais registrados”,não pode o produtor atingir, com segurança e eficácia, o ganho genético desejado em seuplantel, pelo menos no tempo tão curto com a zootecnia possibilitaria. Para tal deveria estarutilizando de provas zootécnicas como teste de progênie, velocidade de ganho de peso,qualidade da lã, produção e qualidade do leite (características físico-químicas), além deempregar modelos matemáticos complexos, a cargo de melhoristas especializados, capazes demensurar a habilidade materna, a conversão alimentar, o desempenho produtivo e reprodutivo,além de adoção de programas mais sólidos para o verdadeiro melhoramento genético dosrebanhos. No que se refere à nutrição salienta-se que existem programas de nutrição, mas quevisam única e exclusivamente a produção de super animais – como se fossem fora de série,empregando técnicas nutricionais para que os animais expressem seu potencial máximo dedesempenho (animais super alimentados). Nesse sentido incorre-se no risco de artificializarsuas respostas, e ao adquirir tais animais para sua propriedade, se o novo proprietário nãofornecer a mesma super dieta, constatará, muito a contra gosto de que comprou uma coisa elevou outra. Isso ocorre muito ao colocar os reprodutores em serviço junto das ovelhas. Emalguns casos constatados na prática é possível verificar queda na condição corporal (animaisperdem peso e ficam com aspecto de “sentidos”), piora significativa no desempenhoreprodutivo.Valorizando excessivamente o aspecto racial e físico, principalmente de ovinos para corte,alguns matrizeiros têm adotado técnicas que para humanos seria puro exercício dehalterofilismo. Tal como esses atletas, ao procriarem, os ovinos assim tratados não transmitirão
  • 8. à seus descendentes tais características, pois as mesmas foram impostas pelo meio artificialque tiveram. Assim, ao buscar cabanhas para aquisição de matrizes e/ou reprodutores osprodutores devem ter em mente que antes de realizar a compra, seria prudente observar odesempenho de animais que saíram dessa propriedade e esteja em serviço em outras,verificando a resposta de sua progênie no próprio campo, de preferência que as condiçõesdessas propriedades seja similares às de sua própria fazenda.Atualmente o preço de animais destinados a esse propósito está muito elevado, e muitos tem-se aventurado nessa empreitada esperando que o mercado continue mantendo-se dessa formapor muito tempo. No entanto, o que diz o bom senso , é que tal situação dos preços é pontuale tende a voltar para a normalidade. Outro aspecto que faz boa parte dos técnicos acreditarema uma volta dos preços à normalidade, é o fato de que com os atuais preços pagos ficaimpraticável obter lucratividade significativa na ovinocultura. Morais (2000) deixa isso muitoclaro, para um cenário otimista ele postulou que “caso se consiga identificar os problemas eque os mesmos sejam corrigidos a tempo de se evitar que tornem-se crônicos ou irreversíveis”,já sob um cenário ruim “se persistirem as tentativas em avançar sem o conhecimento doterreno e ignorando os reais obstáculos a serem vencidos.”É bom que se registre que nem todo animal que nasce em um plantel (palavra que designarebanho melhorador, assim como cabanha para os sulistas) é por esse simples fato ummelhorador de rebanhos, pois apenas uma parcela desses animais assim o será. Pelo menos é oque ditam as leis da genética, postuladas a muitas décadas atrás e validadas até hoje. O que severifica é uma tendência de que todos animais dos plantéis serem considerados melhoradores,isso mostra novamente a ausência de técnicos especializados em melhoramento genéticoanimal. O que pode ocorrer é que, em graus variados, esses animais podem servir para darimpulso qualitativo naqueles rebanhos que se encontram muito abaixo dos índices zootécnicostidos como ideais. Mas assim sendo, tais animais, caso sejam vendidos como melhoradores, porquestão de mérito devem ter preços inferiores aos animais destaques (animais de ponta) dorebanho matrizeiro.Por fim, todo produtor de material genético deve possuir antes de mais nada um planejamentoesmerado de toda sua atividade; um controle zootécnico de primeira ordem e assistência demelhoristas (zootecnistas, veterinários, agrônomos, biólogos); programas sanitários muito bemestabelecidos e conduzidos, com a constante supervisão de um médico veterinário; programasnutricionais elaborados para cada categoria nas várias épocas dos ano e que se destinem asuprir as exigências nutricionais fisiológicas dos animais e não como desafio biológico derespostas astronômicas, também sob orientação técnica; ter sempre em mente que a qualidadede seus produtos é que lhe trará sustentação e credibilidade no mercado.No sentido de servir como referência constará a seguir o quadro 3 com índices de produtividadepara ovinos, que segundo Oliveira e Lima (1994) são dados preconizados pelo Banco doNordeste e pela EMBRAPA-Caprinos, e assim sendo, servirão aos técnicos e produtores quelidam com ovinos.Uma observação rápida nos valores propostos é possível verificar, que no contexto daovinocultura do sudeste e centro-oeste, há uma tendência de índices melhores, principalmentejunto àqueles ovinocultores que estão na atividade a mais tempo e usando da tecnologia enormas de manejo recomendada pelo setor técnico, infelizmente, outra parcela ainda encontra-se com índices aquém dos preconizados. O que sugere um estado de vigília por parte nãosomente dos produtores, mas também de técnicos, instituições de pesquisa, extensão e ensino,para que possam intervir de forma mais incisiva para retomada das ações positivamentefavoráveis à reversão do atual quadro.
  • 9. Quadro 3. Índices de produtividade da ovinocultura Índices regionais D I S C R I M I N A Ç Ã O Unidade Níveis de tecnologia Baixa Média AltaParição (partos/matriz/ano) % 80 100 120Prolificidade (ciras/parto) unid. 1,20 1,25 1,30Natalidade (crias/martiz/ano) unid. 0,96 1,25 1,56Mortalidade até um ano % 15 12 10Mortalidade acima de um ano % 7 5 3Idade ao primeiro acasalamento meses 12 12 12Seleção de fêmeas para reprodução % 60 50 40Período de gestação dias 147 147 147Peso ao nascimento kg 2,3 a 4,9 2,3 a 4,9 2,3 a 4,9Gemelidade % 20 a25 25 a 40 35 a50Relação reprodutores/matrizes unid./ unid. 1:20 1:25 1:30Descarte de matrizes % 20 20 20Peso vivo aos 100 dias kg 10 13 16Peso vivo aos 365 dias kg 24 28 32Idade ao abate meses 14 a 18 11 a 14 8 a 12Desfrute % 28 a 40 35 a 47 42 a 55Peso médio da carcaça (anim. 1 ano e kg 12 14 16matriz descartada)Número de animais até 1 ano/U.A. unid. 14 14 14Número de animais acima de 1 ano/U.A. unid. 7 7 7Aprisco-animais até 8 meses m2 0,5 0,5 0,5Aprisco-animais acima de 8 meses m2 0,8 0,8 0,8Curral de manejo-animais até 8 meses m2 0,8 0,8 0,8Curral manejo-animais acima de 8 meses m2 1,6 1,6 1,6Consumo de água por animal litro 5 5 5Oliveira e Lima (1994)PRODUÇÃO E RECICLAGEM DE RECURSOS ORGÂNICOS RENOVÁVEISPara produtores que adotam o sistema de confinamento ou semi-confinamento, é possíveladotar práticas de processamento e reutilização da matéria orgânica na propriedade, dandomaior sustentabilidade à produção na fazenda por anos e anos, ou mesmo produzindo materialdo tipo compostagem, adubo orgânico, biofertilizante e biogás, húmus e até mesmo buscar naanelideocultura (criação de minhocas) uma outra, e nova fonte de renda. Pois de acordo comPinto (1974) os animais adultos podem produzir cerca de 600 kg de esterco por ano,equivalente a 36 kg de nitrato de sódio, 22 kg de superrfosfato e 10 kg de cloreto de potássio.Além de ecologicamente corretas, práticas como essas são a cada dia mais e mais freqüentesem muitas propriedades brasileiras; sendo seculares em países como Japão, Índia e outros.Como dividendos de atitudes dessa magnitude, o produtor pode ter a certeza de que deixaráseu legado material para as gerações que o sucederão na atividade, pois estará reciclandomaterial que na maioria das vezes é desprezado nas fazendas e que possuem considerávelimpacto na vida útil (amortização) de elemento como solos, pastagens, aguadas, flora e faunalocais.Os compradores nesse mercado são os olericultores, fruticultores e mesmo profissionais ouleigos que se dedicam à jardinagem, para quem julga que tais observações não procede, bastair até uma casa especializada no comércio de plantas e jardins e verificar os preços, porexemplo, do quilograma de húmus, na sua maioria de qualidade duvidosa.
  • 10. INTERAÇÃO ENTRE OS ELOS DA CADEIA PRODUTIVAPara organizar a cadeia produtiva é necessário que os produtores tenham nos agentes da redede transporte, nos representantes comerciais de todas as escalas, e nos representantesindustriais, seus potenciais parceiros produtivos, de sorte que os interesses de quaisquerclasses citadas não sejam sobrepujadas ou subjugadas por nenhum segmento em particular.Aqui deve-se prevalecer os princípios de justiça econômica, social e principalmente ético-moral.Somente assim é que se fortalecerá todos os elos (segmentos) da cadeia, a qual terá nasoutras cadeia seus concorrentes, e não dentro da própria cadeia. Na própria cadeia aconcorrência deve assumir o caráter de comensalismo, ou seja, ralação entre seres vivos ondetodos recebem benefícios, e não como o parasitismo, muito comum e incentivado em doutrinasmais capitalistas e menos humanistas (lucros acima de tudo e todos).Cordeiro (2001) sugeriu que na linha dos queijos, deve-se buscar produção daqueles menosrequintados e com menores preços para concorrerem com os importados, principalmente daFrança, entendendo que esse pode ser o ponto de partida para “aquecimento” desse segmentoe como conseqüência, ser o carro-chefe da linha queijos para futuras implementações da linhamais fina e requintada. Colocação muito oportuna, pois na maioria das vezes o produtor e até oindustrial procura sair com os produtos de ponta, fato que na maioria das vezes torna olançamento e manutenção do produto insustentável dentro de um sistema de produção a médioou longo prazo economicamente viável, além de em alguns casos tornar impraticável oaumento da produção por restrição de mercado consumidor, ou seja, a diversificação deprodutos, permite uma “permeabilidade” dos derivados lácteos nas diversas classes sociais,permitindo o escoamento de maior produção.Quanto a outros derivados Cordeiro (2001), apontou para se trabalhar com o leite caprino, eaqui é possível pensar-se no leite ovino, mais na linha iogurtes e sorvetes, pois o primeiropossui excelente aceitação e rendimento industrial e requer parcos investimentos, de mesmaforma há boa resposta quanto ao segundo produto, ambos os casos apresentam fortecapacidade em agregar valores ao leite, juntamente com a fabricação de queijos finos.Como elaborar tantos produtos? Talvez seja o caso de se criar cooperativas aos moldes daCAPRIMINAS ou similar, onde seus participantes deverão produzir determinadas quantias de umproduto para atender ao mercado, podendo também o cooperativista optar por determinadaaptidão (ex: produzirá somente iogurtes com a marca da cooperativa). Por outro lado, umacooperativa de produtores de leite caprino pode repassar seus estoques, total ou parcialmente,a outra cooperativa ou associação de merendeiras ou doceiras, por exemplo, seira umaterceirização, no primeiro caso desfrutando de algumas vantagens legais (vide legislação sobrecooperativas), e essa sim processaria e obteria os produtos lácteos em consonância com omercado. Claro que tudo isso atendendo às legislações de saúde pública, tributária e fiscal.Para a carne ovina e seus derivados, o segmento comercial varejista, juntamente com osprodutores ou suas cooperativas (associações ou similares) deveriam levar a termo promoçõesdo tipo: “semana do cordeiro”, “dia da ovelha”, “faça o carneiro no buraco”, elaborando receitasem cozinhas de treinamento nos próprios estabelecimentos para donas e donos de casa eoutros interessados em culinária.Junto às redes de restaurantes, churrascarias, hotéis e similares é possível elaborar contratosfechados, garantindo constância de compra e venda dos produtos cárneos; como também comhospitais, quartéis de toda natureza e até penitenciárias; não deixando fora as escolas com amerenda escolar ou as universidades com seus “bandeijões”. Nas fases iniciais dessescontratos, todos os elos abaixo desses consumidores estariam “patrocinando” tal ingresso,depois de sedimentado – após estudo prévio devida e meticulosamente elaborado – oinvestimento poderia trazer retorno certo, principalmente para destino das carcaças maiores(animais mais velhos ou descartes técnicos).Para atendimento às normas da vigilância sanitária naquelas regiões onde não existem laticíniose/ou abatedouros e frigoríficos específicos, sempre existe a possibilidade de se arrendar taisinstalações por um ou dois dias na semana, para processar os produtos da cadeia dacaprinovinocultura. Como também remunerar esse segmento (indústria) como prestador de
  • 11. serviços, para por exemplo realizar o abate de pequenos ruminantes, nesse caso, toda a infraestrutura de um frigorífico, que oneraria todo esse elo da cadeia, teria um pequenoinvestimento, o qual representaria poucas adaptações nas linhas de abate, eviscerarão e esfola;em alguns exemplos observados desse tipo de relação na cadeia, tem-se constatado que emum outro local, devidamente credenciado pelo SIF - Serviço de Inspeção Federal, ou outroórgão de inspeção - estadual ou municipal, é possível fazer os cortes especiais e mesmosubmeter as carnes a processos de transformação (hambúrgueres, quibes, lingüiças,defumados, ou outros produtos que demandarem o mercado, inclusive com aproveitamento dosnão componentes da carcaça – vísceras). Num esquema desse tipo é possível ainda construir-seum projeto satélite, onde as peles e/ou lãs poderão ser processadas com escopo similar ou apartir de terceirização de serviços.Para a indústria peleteira seria possível uma parceria na qual essa teria pessoal técnicoresponsável para acompanhar o ciclo produtivo das peles, visando melhorar sua qualidade, semquaisquer ônus para os produtores, a esses restaria o compromisso de que, dentro de umcontrato eticamente elaborado, proporcionar a entrega total ou de um determinado percentual,previamente acordado, de sua produção das peles tipo A (ou de primeira). Nesse sentido, todosganhariam, e a sociedade como um todo receberia como dividendos, produtos de pele, pelica,marroquins, camurça ou couro de qualidade, e em contrapartida estaria ganhando também coma elevação da arrecadação de impostos em sua região de domicílio, isso porque, tudo expostoacima, segue na vertente de situar todas essa atividades na legalidade, acabando de vez com omercado clandestino, onde uns poucos ganham algo e muitos perdem bastante, passando pordivisas, indo pela qualidade e terminando na saúde.Outro segmento pouco explorado seria junto às festas e manifestações populares, onde pratostípicos com tais carnes teriam lugar de destaque, enriquecidos e amparados pela culinária típicade cada região. Exemplo típico foi o “carneiro no buraco” no meio-oeste paranaense no finaldos 80 e início dos 90, como sugestão teria o cordeiro no rolete; noite do guisado; festa docordeiro e assim por diante, sempre voltados para apelos regionais e culturais. Abre-se assimuma possibilidade de exploração também do turismo (indústria sem chaminé) que possibilitainúmeras combinações, inclusive incrementando produtos artesanais, artísticos ou mesmoindustriais voltados para o processamento e aproveitamento das peles dos pequenosruminantes.Uma forma bem interessante de se explorar os ovinos é usá-los de forma complementar àhorticultura, fruticultura ou qualquer outra atividade agrícola, empregando seus resíduos naprodução animal, ou mesmo servindo-se das infra-estruturas existentes para a exploração emconjunto. Pode-se derivar ainda, principalmente na ovinocultura, de exploração consorciada,onde os animais pastejam nas entre linhas (ruas) da cultura, de modo a auferir benefícios tantona cultura agrícola como na exploração animal. Tal procedimento auxilia em muito nadiminuição dos investimentos imobilizados na implantação de um criatório, desde que ambas asculturas sejam planejadas segundo os princípios técnicos vigentes.
  • 12. CONSIDERAÇÕES FINAISA cadeia de caprinovinocultura encontra-se desorganizada, na maioria das regiões, e o primeiropasso para organizá-la, passa necessariamente por sua organização da porteira para dentro,sendo que tomadas de decisão nesse sentido, muitas das vezes requerem pouco ou nenhuminvestimento a mais daqueles já existentes.Há a necessidade de que os produtores de ovinos assumam seu verdadeiro papel junto aosdemais componentes da cadeia, propondo parcerias, negociando melhores preços, prazos econdições de pagamento, além de negociar as melhores relações no mercado, pois delesdependem imensamente os demais.Aos segmentos de transporte, comercialização e beneficiamento dos produtos advindos daovinocultura compete maior inserção na mesma, assumindo papéis de parceiros, consultores, eaté mesmo de financiadores dessa atividade onde agentes oficiais têm falhado, pois são todosparte integrante e interessadas no sucesso do setor primário, sem o qual, sua atividade fimestará sempre nos graus de evolução que atingiram a muito tempo e possivelmente fadados àestagnação, juntamente com todos os componentes da cadeia.Órgãos de fomento, pesquisa e extensão necessitam de primeiro ouvir todos os segmentosdessa cadeia, para somente depois traçar as metas e planos de ação para conquistá-las.Toda e qualquer forma de associativismo é sempre muito salutar para se organizar, fortalecer edar credibilidade às atividades agropecuárias e agroindustriais.Em suma, a cadeia produtiva necessita urgentemente de PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO,construído de forma conjunta e não como ações isoladas e por muitas vezes inócua para acadeia como um todo, satisfazendo, quando o faz, apenas uma pequena minoria envolvida.Assim sendo, torna-se imperioso que a presença de um zootecnista com boa visão da atividade,em seu aspecto técnico, mas também com sólidos conhecimentos de todos os segmentos doagronegócio ovino.
  • 13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASALMEIDA, W. P. D. Perspectivas da produção de pele e lã de ovinos no século 21 em face da disponibilidade de produtos sintéticos. IN: Caprinocultura e ovinocultura. SBZ-FEALQ, Piracicaba, 1990. p.85-91.ALVES, J. U. Jogando dinheiro pelo ralo. Texto disponibilizado no website www.capritec.com.br até 15/04/2003. EMBRAPA-Caprinos, ubiraci@cnpc.embrapa.br, 2003.CORDEIRO, P. C. Produção de leite de cabra no Brasil. IN: Matos, W. R. S. et al. A produção Animal na visão dos brasileiros. Piracicaba: Sociedade Brasileira de Zootecnia – FEALQ, 2001. p. 497-503.COUTO, F. A. D. Apresentação de dados sobre a importância econômica e social da ovinocaprinocultura brasileira. IN: MIZUTA, K., SILVEIRA, M. A., COUTO, F. A. D. et al. Apoio à cadeia produtiva da ovinocaprinocultura brasileira: Relatório Final. Brasília, CNPq. 2001. 69p.DANTAS, A. Posição dos Abatedouros dentro de um Programa Nacional de Ovinocaprinocultura. IN: MIZUTA, K., SILVEIRA, M. A., COUTO, F. A. D. et al. Apoio à cadeia produtiva da ovinocaprinocultura brasileira: relatório final. Brasília. CNPq. p. 34-40, 2001.FURLANETO, E. e SILVA, A. F. R. Industrialização e comercialização de pele. IN: Leite, E. R. I Semana de caprinocultura e de ovinocultura tropical brasileira. Anais...Brasília, EMBRAPA Caprinos. 1994. p.129-134.IBGE - Instituto de Geografia e Estatística. Anuário Estatítico Brasileiro. 1996.JACINTO, M. A. C. Alternativas de aproveitamento da pele caprina e seu impacto na rentabilidade da caprinocultura de corte. Disponibilizado no website: www.capritec.com.br até 04/04/2003. 6p. Universidade de Franca – SP. 2003.MIZUTA, K., SILVEIRA, M. A., COUTO, F. A. D. et al. Apoio à cadeia produtiva da ovinocaprinocultura brasileira: Relatório Final. Brasília, CNPq. 2001. p.10-15.Morais, O. R. O melhoramento genético dos ovinos no Brasil: situação atual e perspectivas para o futuro. IN: Nunes, I. J., Madalena, F. E., Silva, M. A. III Simpósio nacional de melhoramento animal. Anais... Belo Horizonte, 2000. p. 266-272.Oliveira, A. A. P. e Lima, V. P. M. S. Aspectos econômicos da caprino-ovinocultura tropical brasileira. IN: Leite, E. R. I Semana de caprinocultura e de ovinocultura tropical brasileira. Anais...Brasília, EMBRAPA Caprinos. 1994. p.7-46.PADILHA, T. N. e SIQUEIRA, K. M. M. Classificação das peles caprinas e ovinas de algumas regiões do nordeste do Brasil curtidas ao cromo. Documentos EMBRAPA – CPTSA, n.15, p. 1-14. 1981.ROURA, F. C. Internacionalizaccion del producto – carneiros y cabras. IN: I Simpósio Internacional sobre caprinos e ovinos de corte. Anais... João Pessoa, 2000. P. 205 – 209.SILVA SOBRINHO, A. G. e Jacinto, M. A. C. Peles ovinas. Jaboticabal, Funep, 1992. 33 p.SILVA SOBRINHO, A. G. Produção de ovinos. Jaboticabal, FUNEP, 1990. 210p.

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