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INDICADORES DE

INDICADORES DE
SUSTENTABILIDADE NO
DESENVOLVIMENTO
IMOBILIÁRIO URBANO

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Indicadores Secovi /FDC Indicadores Secovi /FDC Document Transcript

  • INDICADORES DESUSTENTABILIDADE NO DESENVOLVIMENTOIMOBILIÁRIO URBANO
  • Sumário1. Apresentação ..............................................................................................................................22. Introdução ..................................................................................................................................53. Desenvolvimento Sustentável .....................................................................................................84. Sustentabilidade Urbana ...........................................................................................................165. Metodologia adotada no trabalho ............................................................................................236. Temas e Subtemas ....................................................................................................................27 CONSTRUÇÃO E INFRAESTRUTURA SUSTENTÁVEIS .................................................................28 GOVERNANÇA.........................................................................................................................30 MOBILIDADE ...........................................................................................................................31 MORADIA ................................................................................................................................32 OPORTUNIDADES....................................................................................................................33 PLANEJAMENTO E ORDENAMENTO TERRITORIAL ...................................................................34 QUESTÕES AMBIENTAIS ..........................................................................................................36 SEGURANÇA ............................................................................................................................38 SERVIÇOS E EQUIPAMENTOS ...................................................................................................397. Indicadores: conjunto geral: 174 INDICADORES .......................................................................418. Indicadores: conjunto-síntese: 62 INDICADORES ......................................................................569. Referências ...............................................................................................................................6110. Ficha Técnica ..........................................................................................................................67 1
  • Apresentação
  • 1. ApresentaçãoIndicadores de Sustentabilidade Urbana: Dúvidas e respostaspara além das edificações Em face de tantas questões, o Secovi-SP, sindicato que representa as empresas do mercado imobiliárioSustentabilidade é palavra de ordem em âmbito e os condomínios no estado de São Paulo, se uniumundial. No Brasil, e a exemplo de outros países, à Fundação Dom Cabral (FDC) para estudar comopoder público e setor privado se empenham na promover a sustentabilidade no desenvolvimentobusca de medidas efetivas, mas o que se vê, até imobiliário urbano.então, são resultados pontuais. Com esse objetivo, o primeiro movimento foiNo âmbito do setor imobiliário, e já há alguns contratar com a FDC um estudo inédito: aanos, empreendedores e profissionais se dedicam Pesquisa de Indicadores de Sustentabilidade noà identificação e adoção das melhores soluções, Desenvolvimento Imobiliário Urbano.inclusive em conjunto com o universo acadêmico,onde estudos e pesquisas são constantemente Objetivos: elaborar a construção de conceitos,realizados com vistas à construção sustentável. temas e indicadores de sustentabilidade no desenvolvimento imobiliário urbano; apresentarSão desenvolvidos conceitos, métodos, normas, recomendações aos setores privado e público parasistemas e referências para a construção sustentável. a promoção de cidades mais sustentáveis no Brasil.São pesquisados novos materiais, insumos etecnologias que propiciem adequado impacto O processo da pesquisa contou com a participaçãoem termos econômicos, sociais e ambientais, de representantes da área imobiliária e outrosaspectos que constituem as três vertentes básicas segmentos, que participaram de dois workshopsda sustentabilidade. para levantamento de sugestões e definição dos principais quesitos.Em todas as atividades da cadeia do segmento,já existem algumas ações concretas, do projeto à Para o Secovi-SP e a FDC, o setor imobiliário deve,administração do condomínio, que é a ponta final institucionalmente, participar e pautar o debatedo processo. sobre os temas da cidade sustentável, indicando pontos para a definição de políticas públicas, noTodavia, sustentabilidade não é fato isolado. Não que o presente estudo contribui.adianta haver empreendimentos concebidos,produzidos e administrados de maneira sustentável Além disso, a pesquisa também traz recomendações àsse as cidades não forem igualmente sustentáveis. empresas do segmento imobiliário, oferecendo diversos parâmetros e indicadores que ajudam a promover oQuais são os quesitos para haver sustentabilidade no desenvolvimento sustentável na escala urbana. São asdesenvolvimento urbano? Quais são os parâmetros, ações que o setor pode promover diretamente, e quecomo identificá-los e, principalmente, como mensurá- aqui estão claramente apresentadas.los para que se possa ter a noção exata dos resultadosobtidos com procedimentos implantados? Comoo setor imobiliário pode contribuir para promovercidades mais sustentáveis no Brasil? 3
  • Um universo de indicadores públicas, os profissionais e empresários do segmento imobiliário e a sociedade.A pesquisa resultou na construção de um universode indicadores para avaliação e monitoramento Aqui estão apontados elementos indispensáveis àda sustentabilidade, considerando-se a função dos promoção de cidades mais sustentáveis no Brasil,empreendimentos imobiliários na reformulação das bem como indicada a necessidade da instituiçãocidades e nas expansões urbanas. de um “Observatório da Sustentabilidade Urbana” que, responsável pela avaliação e o monitoramentoForam levantados nove grandes temas: Construção dos indicadores, sinalizará se estamos progredindo,e Infraestrutura Sustentáveis; Governança; quanto e a que tempo na inevitável tarefa de garantirMobilidade; Moradia; Oportunidades; Planejamento às gerações futuras condições dignas de vida.e Ordenamento Territorial; Questões Ambientais;Segurança; Serviços e Equipamentos.A cada um desses temas estão vinculados subtemas egrupos de indicadores. Com isso, no cômputo final,o estudo contempla um conjunto completo de 174indicadores e uma síntese, com 62 indicadores. Fundação Secovi-SP Dom CabralBases para agir Carlos Leite Claudio BernardesO Secovi-SP e a FDC acreditam que os parâmetros Claudio Boechat Ciro Scopele os indicadores que compõem este estudose constituem em importante plataforma de Rafael Tello Hamilton de França L. Juniorconhecimento, capaz de orientar de formacompetente o universo acadêmico, as autoridades4
  • Introdução
  • 2. IntroduçãoEste trabalho nasceu de um desejo por parte do que ajudem a promover o desenvolvimentoSecovi-SP de promover a pauta da sustentabilidade sustentável na escala urbana, apontando quais sãono desenvolvimento imobiliário urbano. Como o as ações que o setor pode promover diretamente.setor poderia contribuir para promovermos cidadesmais sustentáveis no Brasil? Assim como o setor já tem desenvolvido nos últimos anos parâmetros, normas e referências para aA concretização desse anseio ocorre, num primeiro construção sustentável, esta pesquisa busca construirmomento, com a contratação junto à Fundação parâmetros para a promoção de sustentabilidade noDom Cabral (FDC) da Pesquisa de Indicadores de desenvolvimento imobiliário urbano com foco em:Sustentabilidade no Desenvolvimento ImobiliárioUrbano e deverá, num momento seguinte, ter a. sustentabilidade no desenvolvimento decontinuidade com a construção do Observatório da empreendimentos urbanos em geral;Sustentabilidade Urbana. b. sustentabilidade no desenvolvimento urbano de bairros e territórios existentes (renovação deOs objetivos da pesquisa são a construção de espaços urbanos) e loteamentos e expansõesConceitos, Temas e Indicadores de sustentabilidade territoriais (espaços novos);no desenvolvimento imobiliário urbano,recomendações para os setores privado e público c. integração da sustentabilidade ao processo deno desejo de se promover cidades mais sustentáveis planejamento urbano nas cidades brasileiras,no Brasil, a saber: somando esforços àqueles desenvolvidos pelo poder público em suas diversas esferas.a. O setor do desenvolvimento imobiliário urbano pode e deve, institucionalmente, participar e pautar o debate sobre os temas da cidade sustentável: quais são as ações que o setor pode indicar para construir políticas públicas.b. A pesquisa deve gerar recomendações ao setor através de diversos parâmetros e indicadores que ajudem a promover o desenvolvimento sustentável na escala urbana: são as ações que o setor pode promover diretamente.Os objetivos da pesquisa são a construção deConceitos, Temas e Indicadores de sustentabilidade nodesenvolvimento imobiliário urbano, recomendaçõespara os setores privado e público no desejo de sepromover cidades mais sustentáveis no Brasil. Figura 1. As fases do desenvolvimento imobiliário urbano e o desafio da inserção dos parâmetros de sustentabilidade na faseNeste contexto, o setor do desenvolvimento inicial de definição do território e do modelo de desenvolvimento urbano do empreendimento.imobiliário urbano pode e deve, institucionalmente,participar e pautar o debate sobre os temas da Para que os objetivos propostos fossem alcançados,cidade sustentável, ao se questionar quais são determinaram-se algumas premissas:as ações que o setor pode indicar para construirpolíticas públicas. 1. Desde 2007 que o mundo presencia uma realidade nova, historicamente radical: há maisA pesquisa busca então gerar recomendações ao gente nas cidades do que no campo. Há cemsetor através de diversos parâmetros e indicadores anos, apenas 10% da população mundial vivia6
  • em cidades. Atualmente, somos mais de 50%, complementem e atuem em consonância com e até 2050 seremos mais de 75%. A cidade aqueles pautados pela atuação pública. é o lugar onde são feitas todas as trocas, dos 6. Qualquer transformação começa por um bom grandes e pequenos negócios à interação diagnóstico. No caso do sistema de indicadores social e cultural. Mas também é o lugar onde de sustentabilidade urbana, significa uma há um crescimento desmedido das favelas e do importante mudança de patamar, um outro trabalho informal: estimativas da ONU indicam olhar que permite, inclusive, melhor estruturar que dois em cada três habitantes esteja vivendo investimentos públicos. em favelas ou sub-habitações. E é também o palco de transformações dramáticas que fizeram 7. Algumas das cidades que mais se aproximam emergir as megacidades do Século 21: as cidades de nossa realidade têm conseguido, com ações com mais de 10 milhões de habitantes, que já determinantes a partir do setor privado, moldar concentram 10% da população mundial. novos padrões de desenvolvimento sustentável, como Portland. A construção de um eficiente2. O desenvolvimento sustentável é o maior desafio sistema de indicadores de sustentabilidade do Século 21. A pauta da cidade é, no planeta urbana vem sendo realizada em diversas urbano, da maior importância para todos os cidades do planeta, em algumas a partir de países, pois (a) dois terços do consumo mundial gestões públicas e, em diversas outras, através de energia se dá nas cidades, (b) 75% dos de organizações do terceiro setor e da iniciativa resíduos são gerados nas cidades e (c) vive-se um privada. processo dramático de esgotamentos dos recursos hídricos e consumo exagerado de água potável. A agenda Cidades Sustentáveis é, assim, desafio 8. Os novos formatos territoriais de nossas e oportunidade únicas no desenvolvimento das metrópoles e megarregiões, além dos nações. loteamentos urbanos e empreendimentos nas cidades em expansão por todo o país num3. As metrópoles são o grande desafio estratégico momento de rápido crescimento e pujança do planeta neste momento. Se elas adoecem, econômica, são os desafios e oportunidades o planeta fica insustentável. No entanto, a para o desenvolvimento imobiliário do Século 21 experiência internacional – de Barcelona, no Brasil e eles devem incorporar os desejáveis Vancouver e Nova York, para citar algumas das indicadores de sustentabilidade urbana. cidades mais verdes – mostra que as metrópoles se reinventam, se refazem. Já existem diversos indicadores comparativos e rankings das cidades Dessa forma, a pesquisa estabelece uma desejável mais verdes do planeta. Fora dos países ricos, antecipação estratégica: o processo de migração da Bogotá e Curitiba têm-se colocado na linha de cidade atual para a cidade sustentável, representado frente como cases a serem replicados. na FIG. 2.4. Uma cidade sustentável é muito mais do que um desejável conjunto de construções sustentáveis. Ela deve incorporar parâmetros de sustentabilidade no desenvolvimento urbano público e privado.5. As grandes cidades brasileiras se desenvolveram historicamente baseadas em contínua presença do setor privado, além do planejamento e políticas públicas. Há, portanto, no desafio atual da construção de novos modelos de desenvolvimento com sustentabilidade, a necessidade de buscar, no setor privado Figura 2. O papel do setor numa desejável antecipação estra tégica: migrarmos da cidade atual para a cidade sustentável. do desenvolvimento imobiliário urbano, parâmetros de sustentabilidade urbana que 7
  • Desenvolvimento Sustentável
  • 3. Desenvolvimento SustentávelO conceito de desenvolvimento sustentável mais No contexto da pesquisa, buscou-se realizar essedifundido pode ser definido como aquele “satisfaz aprofundamento, avaliando ainda a situaçãoas necessidades presentes, sem comprometer atual sob a perspectiva das cidades, levantando aa capacidade das gerações futuras de suprir influência do setor da construção sobre elas, com osuas próprias necessidades.” Ele foi cunhado no objetivo de observar como o setor poderia estimularrelatório Nosso Futuro Comum de 1987, elaborado a promoção da sustentabilidade urbana e contribuirpela Comissão Mundial de Meio Ambiente e com o desenvolvimento sustentável global.Desenvolvimento das Nações Unidas.1 Para avaliação do contexto global, buscou-seO imperativo da sustentabilidade surge da percepção observar os três pilares da sustentabilidade –de que o mundo possui recursos finitos que não estão ambientais, econômicos e sociais.sendo utilizados de maneira adequada, e que devehaver a descontinuidade desse comportamento. Cenário Atual: Pilar SociedadeDito dessa maneira, contudo, o conceito da O primeiro pilar avaliado foi o da sociedade, uma vezsustentabilidade, por seu caráter normativo, é que a atuação humana é apontada como uma dasalgo muito abstrato, o que gera a necessidade responsáveis pelas alterações percebidas no Planetade aprofundamento no conhecimento sobre os nas últimas décadas. Destaca-se como processoimpactos da atuação humana sobre os ambientes em curso e tendência para o futuro a crescenteem que estão inseridos, com destaque para as urbanização do Planeta.cadeias produtivas, as cidades e o meio natural, demodo a orientar como suas questões decorrentes O crescimento das cidades e da população urbanadevem ser tratadas. já dura mais de dois séculos e deve seguir por todo este século. A TAB. 1 mostra como esse processo TABELA 1 Evolução da População Mundial População População População Percentual Cidades com Período Total Urbana Rural da população mais de 1 milhão (bilhões) (bilhões) (bilhões) urbana de habitantes 1800 0,98 0,03 0,95 3 - 1900 1,65 0,23 1,42 14 12 1950 2,52 0,73 1,79 29 83 1975 4,07 1,52 2,56 37,2 195 2000 6,09 2,84 3,24 46,7 +354 2025 8,01 4,58 3,43 57,2 +564 2050 9,19 6,4 2,79 69,6 - 2100 9,46 7,57 1,89 80 - Fonte: ONU, 2005 e 2007; Brockerhof, 2000.1 O Relatório Nosso Futuro Comum surgiu como resultado de um processo da ONU em integrar desenvolvimento econômicocom preservação ambiental, iniciado 15 anos antes na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano ocorridaem Estocolmo, com seu ápice na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento ocorrida no Rio deJaneiro em 1992 - conhecida como Rio 92 ou Eco 92. 9
  • se deu e as previsões até o ano 2100. O ano de Os exemplos supracitados mostram como são2007 foi emblemático como o momento em que a complexas as questões sociais, especialmente empopulação urbana se tornou maior que a rural.2 um novo, e inédito, contexto de predominância das cidades sobre o campo. Ainda apontam oMais do que a quantidade de pessoas que vivem nas tamanho do desafio de tornar esses espaços decidades, o que caracteriza nossa sociedade como ocupação humana alinhados com o propósito dourbana é a aplicação de sua lógica mesmo nas áreas desenvolvimento sustentável.rurais do Planeta. A agropecuária moderna possuiuma lógica industrial e está intimamente ligada Cenário Atual: Pilar Ambienteàs instituições urbanas, que oferecem crédito,equipamentos e demandam seus produtos. A lógica O pilar ambiental é um dos mais estudados, comurbana domina todas as cadeias de produção, e pesquisas desenvolvidas sobre água, gases de efeitoestas, por sua vez, afetam o desenvolvimento das estufa, biodiversidade, preservação dos solos, etc.populações urbanas. Dentre as diferentes abordagens existentes para a avaliação do estado do ambiente, a equipe deEm relação à sustentabilidade, a sociedade urbana pesquisadores optou pela utilização das “Fronteirasestá ligada a uma série de impactos positivos e Planetárias”, pois é uma abordagem que buscanegativos para seus habitantes, ou de áreas não definir um espaço seguro de operação para aurbanas, mas também se relacionam com sérias humanidade, respeitando a resiliência da Terra. 5questões ambientais e econômicas. As fronteiras (FIG. 3) representam pontos emAs questões urbanas são complexas. Uma nove áreas que, se ultrapassados, podem causarimportante causa delas é a forte correlação entre transformações drásticas no Planeta, levando-o a umurbanização e aumento de renda per capita. Essa é novo estado de equilíbrio, caracterizado como umauma razão para o habitante urbano consumir mais nova era geológica, capaz de gerar necessidades dee gerar mais resíduos que seu equivalente rural. grandes adaptações da sociedade atual.Assim, o crescimento das cidades representa maiorpressão sobre recursos energéticos e hídricos, maior Uma das grandes inovações do estudo foi a definiçãonecessidade de descarte e tratamento de resíduos quantitativa de limites para a atuação da sociedade,sólidos e líquidos, e maior poluição do ar. A alta pois isso ajuda governos, empresas e a sociedaderenda do cidadão urbano gera ainda desafios da civil organizada a avaliar o impacto de sua atuaçãomobilidade, com seus múltiplos efeitos – saúde e definir uma agenda para melhorá-la. São nove aspública (obesidade, problemas respiratórios), fronteiras identificadas:qualidade de vida, eficiência, mudanças climáticas. 1. mudança climática,Apesar de o habitante urbano médio ser mais rico que 2. esgotamento do ozônio estratosférico,o rural, a desigualdade é grande no ambiente urbano, 3. mudança no uso da terra,com tendências à segregação social, desigualdadesno acesso aos serviços urbanos e insegurança.3 Esse 4. uso global de água doce,é um dos graves problemas das cidades brasileiras.Uma das amostras do seu despreparo para atender 5. taxa de perda de biodiversidade,sua população é o déficit habitacional de 5,9 milhões 6. acidificação dos oceanos,de domicílios, concentrado nas famílias com rendade até seis salários mínimos.4 7. ciclos biogeoquímicos (entradas de nitrogênio e fósforo na biosfera e nos oceanos), 2 UNFPA, 2007; UN-HABITAT, 2007 3 UN-HABITAT, 2011. 4 ContruBusiness 2010: Brasil 2022: planejar, construir, crescer. 5 A capacidade de resiliência da terra advém do termo físico de suportar determinadas quantidades de energia sem ruptura do material. O planeta pode então suportar até certo ponto as ações humanas em sua superfície, mas passado10 esse limite os efeitos podem ser catastróficos. (ROCKSTRÖM et al, 2009)
  • Figura 3: Fronteiras planetárias com seu atual nível (Fonte: ROCKSTRÖM et al, 2009 apud TELLO et al, 2010)8. carga de aerossol atmosférico e para o futuro, decorrentes do aumento do nível dos oceanos causado pelas mudanças climáticas.9. poluição química. Se isso ocorrer, algumas cidades costeiras poderão ser seriamente prejudicadas. Além disso, os eventosAs fronteiras marcadas em azul ainda não têm extremos decorrentes da mudança climática,quantidades máximas definidas. Já as marcadas em como enchentes, secas e tempestades, tendem avermelho se encontram violadas, com valores atuais gerar maior pressão por espaço para moradias eacima do máximo definido pelos pesquisadores. infraestruturas, estimulando maior invasão de áreas importantes ambientalmente.6Uma reflexão aprofundada das fronteiras mostra asligações existentes entre elas e a sociedade urbana. É importante frisar que as fronteiras são inter-O cidadão urbano apresenta grande demanda relacionadas, fazendo daquelas nas quais os limitespor alimentos, produtos, serviços e energia. Essa já foram ultrapassados prioridades, porém nãodemanda está intimamente ligada às emissões de diminuindo a importância das outras questões, poisgases de efeito estufa – que provocam mudanças devido às complexas conexões, quando um limiteclimáticas – e à maior pressão para a produção de é ultrapassado, outros limites também estão emmaiores quantidades de alimentos e matérias-primas grande risco.– promovendo mudança no uso dos terrenos, maiorconsumo de água potável e variações nos ciclos A avaliação do pilar ambiental utilizando abiogeoquímicos. abordagem das Fronteiras Planetárias permite que se compreenda o espaço de ação da sociedade ePor outra perspectiva, as cidades também sofrem suas organizações públicas e privadas, possibilitandoos efeitos das alterações ambientais provocadas por a definição de prioridades no tratamento dossua ação, por exemplo, com o aumento da poluição temas indicados nas fronteiras, de acordo comdo ar, solo e águas. São ainda apontados riscos a relação destes com as atividades dos diferentes6 ECONOMIST INTELLIGENCE UNIT, 2009 11
  • atores e a relação entre os níveis observados e os Muito se especula sobre os efeitos da economiarecomendados pelos pesquisadores. mundial no ambiente. Para torná-los mais concretos – e dar para a sociedade global base para elaboraçãoCenário Atual: Pilar Economia de planos para a mitigação dos impactos negativos –, existem pesquisas elaboradas por diferentes equipes.A economia mundial se encontra em ummomento com tantas questões, que somente a A UNPRI (Princípios das Nações Unidas para opalavra incerteza pode caracterizá-la. Após a crise Investimento Responsável) tem foco na avaliação dasfinanceira de 2008, mercados importantes, como ações humanas e os valores monetários das perdasos Estados Unidos e a União Europeia, ainda não se por ela causadas e em como elas afetam a capacidaderecuperaram, voltando aos patamares pré-crise. Em futura de geração de renda. Seu estudo mais atualum momento já difícil, surgiram ainda as crises por aponta que a atuação humana provoca perdas anuaisinsolvência de alguns países europeus, apelidados de US$ 6,6 trilhões, cerca de 11% do PIB global, epela mídia especializada internacional de PIIGS: compromete mais de 50% da capacidade futura dePortugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha (Spain, geração de renda. Para o mundo empresarial destaca-em inglês), que criam novas dificuldades para o se que apenas as 3.000 maiores empresas do mundomercado mundial. são responsáveis por externalidades ambientais avaliadas em, pelo menos, 2,2 trilhões de dólaresFenômenos inesperados, como o terremoto e o por ano, sendo que aproximadamente 40% delestsunami observados no Japão no início de 2011, concentrados em cinco setores: eletricidade, óleo etambém tiveram efeitos inesperados na economia. gás, mineração e metais, produtores de alimentos,Isso se deu porque o país é membro importante construção e materiais. 7de cadeias produtivas de produtos, especialmenteeletroeletrônicos e automóveis. Com as catástrofes Outra abordagem é apresentada pelo TEEB (Anaturais a capacidade produtiva japonesa foi Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade – siglaafetada, gerando repercussões em outros mercados em inglês). Em seus relatórios, os pesquisadoresno mundo. Outro movimento adverso, com efeitos mostram as relações entre biodiversidade, serviçosna economia mundial, ocorreu nos países árabes, ecossistêmicos e seus valores monetários. 8com movimentos populares buscando derrubargovernos ditatoriais e implementar democracia Alguns valores levantados nos relatórios apontam que:em suas nações. Esses movimentos trouxeram a redução em 50% das taxas de desmatamentoinsegurança para os mercados, especialmente os de florestas evita emissões de gases de efeitode petróleo, gerando aumento de seus preços, estufa no valor de US$ 3,7 trilhões;comprometendo a demanda mundial. o plantio de 400 mil árvores pelo governo daAlguns mercados emergentes, inclusive o brasileiro, cidade de Camberra, Austrália, para aumentoenfrentam ainda pressão inflacionária, decorrente do da qualidade do ar urbano, redução do gasto deaumento dos preços de combustíveis e alimentos, energia com condicionamento de ar, sequestrocomprometendo o processo de recuperação pós-crise. e armazenamento de carbono deve gerar economias para a cidade de no mínimo US$ 20O cenário acima já é preocupante por si só. Mas ainda milhões, podendo atingir até US$ 67 milhões noé incompleto, pois é necessário observar também período entre 2008 e 2012.9os efeitos da economia mundial nos ambientes O PNUMA (Programa das Nações Unidas para onatural e social. Dessa análise ampla, percebe-se que Meio Ambiente) produziu o relatório Rumo a umaexistem ainda outras sérias questões que devem ser Economia Verde: caminhos para o desenvolvimentotratadas para melhorar o desempenho da economia e erradicação da pobreza (Towards a Green Economy:não apenas em termos econômicos. pathways to sustainable development and poverty eradication), cujo objetivo é avaliar os impactos da 7 UNPRI, 2010. 8 TEEB 2010a; TEEB 2010b. 9 TEEB, 2010a12
  • economia em diferentes aspectos ambientais e os Interações entre os pilares e base para atuaçãoinvestimentos necessários para alinhá-la com os sustentávellimites do planeta.10 A análise individual dos pilares da sustentabilidade éSegundo o relatório, um investimento anual de 2% importante, mas não suficiente para a compreensãodo PIB na promoção da economia verde promoverá de como a sociedade deve agir para buscar um estadoalterações significativas em setores-chave, como de sustentabilidade global. Atualmente observam-agricultura, edificações, energia, pesca, silvicultura, se alguns movimentos em prol da sustentabilidade,indústria, turismo, transporte, água e gestão de porém eles ainda não estão no nível adequado pararesíduos, reduzido à razão entre pegada ecológica e que os graves problemas enfrentados pelo planetabiocapacidade da Terra de 1,5 para menos de 1,2 em possam ser mitigados. Um dos possíveis motivos2050 – número bem inferior à razão 2 esperada no para tal inércia é o processo que vai de identificaçãocenário padrão. O relatório aponta que no intervalo dos problemas para a atuação prática e coordenadaentre 5 e 10 anos do início dos investimentos em dos agentes. Como visto, muitos dos problemasuma economia verde as taxas anuais de crescimento enfrentados são sintomáticos, mas os caminhos paraseriam superiores ao cenário esperado.11 resolvê-los não são simples. Como interpretar as questões ambientais, econômicas e sociais de maneiraO relatório do PNUMA aponta ainda os benefícios a facilitar a atuação sustentável das organizações?de uma economia verde para a sociedade pela Quem devem ser os agentes dessas mudanças?preservação dos serviços ecossistêmicos – importantesespecialmente para as populações dos países de baixa Frente a esses questionamentos, a equipe doe média-baixa renda – e pela criação de “empregos Centro de Desenvolvimento da Sustentabilidadeverdes”, isto é, os empregos que irão surgir nas na Construção (CDSC), coordenado pelo Núcleoindústrias de energias renováveis, agricultura Petrobras de Sustentabilidade da Fundação Domorgânica, silvicultura, tratamento de resíduos etc.12 Cabral, formulou um modelo para fundamentar suas atividades e apoiar as empresas associadasEspecialmente no que se refere às cidades, é (do setor da construção e sua cadeia produtiva) anecessária uma ampla reestruturação da economia atuarem de forma mais alinhada com os princípiospara atender uma sociedade cada vez mais urbana. da sustentabilidade. O modelo, denominadoObservando-se que a população urbana seguirá Base Tripla para Ação Sustentável (B3A), avalia oscrescendo e demandando infraestruturas, serviços e elementos da sustentabilidade de um novo pontoedificações residenciais e comerciais, percebe-se que de vista, incorporando aspectos importantes comoo desafio das cadeias produtivas é ainda maior, pois as relações entre as questões envolvendo o meioessas demandas devem ser atendidas sem aumento natural, a cadeia produtiva do setor da construção edos impactos negativos socioambientais. a sociedade urbana.Todas as informações apresentadas indicam que Na perspectiva do CDSC, correspondem a trêsa economia global está dissociada do objetivo do grandes esferas:desenvolvimento sustentável, uma vez que apresentaproblemas para as gerações atuais e futuras. Por Sociedade urbana: traduz as atuais tendênciasoutro lado, já existe uma base sobre a qual é possível de rápido crescimento da população nas cidadesempresas e governos trabalharem, buscando reduzir e da ampla dominação da lógica urbana mesmoos impactos socioambientais negativos, estimulando sobre áreas ainda rurais.o alinhamento entre economia e limites naturais Meio natural: representação de toda a natureza,do Planeta e a solução de problemas sociais como provedora de recursos e serviços naturaispobreza extrema e desigualdade social. para essenciais para as atividades do setor da construção.10 UNEP, 2011.11 Ibid.12 Ibid. 13
  • Cadeias produtivas: responsáveis por toda a Sociedade urbana – Meio natural: envolve o estilo produção e comercialização de bens e serviços e de vida e o engajamento político da sociedade consequentemente geração de renda. urbana, de um lado, e a oferta de serviços ambientais, ou ecossistêmicos, de outro. O estilo de vida em algumas regiões do globo é muitoAs relações entre as esferas devem ocorrer de superior à biocapacidade do planeta. A utilizaçãomaneira harmônica. Entretanto, observa-se que a abusiva de água, de energia e o consumosociedade urbana não estimula a competitividade exacerbado afetam o meio natural, e por maisdas cadeias produtivas – inclusive do setor da que ainda exista o pensamento de que “quantoconstrução – baseada na responsabilidade de suas maior a demanda, melhor para o país”, o queempresas. Por outro lado, o excesso de demanda de percebemos é que a situação se inverte ao longorecursos naturais e a grande produção de resíduos do tempo, pois os recursos não são infinitos.por parte das cadeias produtivas e da sociedade Por outro lado, para que as sociedades possamgeram problemas no meio natural, que afetam a construir arcabouços políticos, institucionais ebiocapacidade do Planeta, comprometendo sua legais que estimulem a atuação de indivíduoscapacidade em ofertar recursos naturais e serviços e organizações em prol do desenvolvimentoecossistêmicos nos níveis atualmente observados. sustentável é preciso um engajamento político forte, em todos os níveis e poderes.Veremos, a seguir, como o B3A enxerga as atividadesdas cadeias produtivas considerando sua relação Em seu estado de equilíbrio, as relações geramcom a meio natural e a sociedade urbana. mercados, nações e cadeias produtivas sustentáveis. Todavia, enquanto a insustentabilidade das esferas Meio natural – Cadeias produtivas: as cadeias pode facilmente ser observada, mesmo que de produtivas demandam recursos naturais do meio forma empírica, as soluções para esse problema não natural para seus processos produtivos, que, são simples. Afinal, quem deve atuar de maneira além de produtos, geram resíduos, muitas vezes sustentável nas três esferas para a resolução dos dispostos de maneira incorreta, afetando os problemas que o mundo vem enfrentando? ecossistemas. A falta de imediatismo dos prejuízos Quando analisamos os atores envolvidos em causados por essas práticas – especialmente todas as situações, é reconhecido um elemento em termos monetários – gera uma situação de comum entre elas: o indivíduo. É o indivíduo que equilíbrio superficial e insustentável ao longo demanda e produz bens e serviços, controla as do tempo, quando a oferta de recursos naturais empresas, vive nas cidades e possui um estilo de é ameaçada. Além disso, os desequilíbrios no vida e capacidade de agir politicamente. Dessa meio natural ameaçam o equilíbrio do planeta, forma, para mudar as relações entre os pilares e como vimos. promover o desenvolvimento sustentável torna-se imprescindível trabalhar a mudança no indivíduo. Cadeias produtivas – Sociedade urbana: os habitantes das cidades demandam habitações, A sustentabilidade, segundo o modelo, só será infraestruturas e soluções de engenharia, bens alcançada quando os indivíduos estiverem e serviços providos por diferentes cadeias conscientes da necessidade da atuação sustentável. produtivas, com destaque para as do setor da A atuação do indivíduo nas interações entre as construção. Essas demandas têm sido maior do três esferas é central. Ao observarmos o modelo, que a capacidade das cadeias, especialmente é perceptível que o indivíduo apresenta papéis com o rápido crescimento dos países em diversos nos diferentes espaços de interação. desenvolvimento e a consequente necessidade de ampliação de infraestruturas e construção de Consideramos que o indivíduo é, ao mesmo tempo, novas moradias. Com a necessidade latente por consumidor, cidadão e profissional, e isso decorre esses produtos e serviços, as empresas muitas do fato de que trabalhamos com a ideia de que o vezes passam por cima de legislações ambientais ator social apresenta papéis diferentes em arenas de e trabalhistas, com o objetivo de aumentar a atuação distintas. Essa situação é muito sintomática, produção o mais rápido possível. pois basta olharmos para nosso cotidiano:14
  • dificilmente uma pessoa age da mesma maneira em um comportamento sustentável somente em casa,casa, no trabalho, com os amigos, etc.13 ou no trabalho, situação modificada somente quando a conscientização passa a ser um valor individual.Para que um indivíduo seja considerado Quando essa situação é alcançada, teremos overdadeiramente consciente, e aja em prol cidadão, o consumidor e profissional conscientes,da sustentabilidade, é necessário que ele seja papéis de um mesmo ator: o indivíduo consciente.consciente em todas as suas arenas de atuação, enão somente em situações específicas. Assim, não O modelo B3A, apresentado na Figura 4, integraé somente o consumidor que deve demandar das todos os pontos supracitados de forma integrada.empresas uma postura mais sustentável, mas ospróprios colaboradores e gestores das empresas Agora que sabemos quais são as questões ambientais,devem tomar atitudes que visem à incorporação dasustentabilidade nos processos de suas empresas, e econômicas e sociais a serem enfrentadas, comotambém em suas atividades cotidianas. elas se relacionam e quem deve ser o responsável pela mudança para a sustentabilidade, podemosA conscientização deve ser realizada de maneira aprofundar no tema central da pesquisa: aa modificar os valores e ideias do indivíduo para a sustentabilidade urbana.sustentabilidade. Dessa forma, o indivíduo conscienteemerge de um processo gradual e contínuo deeducação e prática e age de forma sustentável emtodos os campos em que atua. Muitas vezes temos Figura 4: O modelo B3A (Fonte: Tello et al, 2011).13 GOFFMAN, 1985. 15
  • Sustentabilidade Urbana
  • 4. Sustentabilidade UrbanaEm uma perspectiva de um planeta com população ainda têm altos custos, impedindo sua utilização emcada vez mais urbana, com cidades cada vez muitas cidades, a alternativa passa a ser a realizaçãomaiores, dando origem a megacidades – cidades de ações visando eficiência por redução de consumocom populações acima de 10 milhões de habitantes e desperdício, apoio a serviços com baixas emissõese megarregiões – conurbação de diferentes cidades de carbono e revitalização urbana promovendo aem uma região muito mais ampla – é preciso compacidade do uso do solo, compartilhamento dedesenvolver modelos de sustentabilidade urbana equipamentos e valorização do espaço público.capazes de alinhar o desenvolvimento desses espaçoscom o respeito aos princípios da sustentabilidade. As O segundo grupo tem foco em alta tecnologia –cidades são elemento-chave para o desenvolvimento alinhado com o conceito de smart sustainable city.sustentável global. Nele são usados equipamentos e sistemas modernos para que a cidade, especialmente os setores deExistem atualmente no mundo diversos exemplos energia, mobilidade e gestão de resíduos, possade cidades autoproclamadas ou indicadas por alcançar altos índices de desempenho em aspectosespecialistas como cidades sustentáveis. A equipe de como emissões de gases de efeito estufa e destinaçãopesquisa coletou alguns dados para a avaliação dos de resíduos.principais aspectos tratados e sua utilização comoreferências para o modelo desenvolvido. Como casos extremos se apresentam algumas cidades, atualmente sendo consideradas paradigmáticas deAs ações que sustentam esses exemplos variam muito cada “modelo”:de acordo com as características das cidades e com ofoco dos responsáveis pelas ações. Copenhague é considerada uma das cidades mais sustentáveis do mundo basicamente porCom relação às características das cidades, existem conta da ativa participação de toda a sociedade,dois aspectos fundamentais: seu tempo de existência incluindo-se o fato de 37% da população usare seu porte. No primeiro aspecto, percebe-se que, em a bicicleta e o transporte público usar bateria ecidades planejadas desde sua concepção, há grande não combustível; 51% da comida consumidaliberdade para que os planejadores pensem em uma nos órgãos públicos municipais é orgânica.cidade com alta performance em sustentabilidade. Portland, Curitiba e Bogotá são frequentementeEm outras cidades, sem o planejamento inicial, colocadas entre as cidades mais sustentáveisexistem muitas limitações, pois o espaço urbano já em termos de mudanças significativas que aestá construído e as teias sociais estão organizadas. sociedade vem alavancando. Masdar (Emirados Árabes Unidos), cidade novaNo segundo aspecto, deve ser ressaltado que, por que está sendo planejada no meio do deserto paraum lado, em cidades pequenas é mais fácil realizar abrigar 45 mil moradores e 45 mil trabalhadores.mudanças que afetam todo o espaço urbano, A cidade tem como meta emissão nula de gasesenquanto nas cidades grandes as ações visando de efeito estufa e reaproveitamento total dossustentabilidade podem alcançar a escala necessária resíduos gerados. A base para o alcance dessespara sua viabilização. objetivos é o uso massivo de tecnologia de ponta no planejamento da cidade, na geraçãoCom relação ao foco dos executores dos projetos, dois de energia, mobilidade e construções. O altogrupos se destacam. No primeiro grupo, os executores desempenho da cidade é contrabalançado pelatêm foco em aspectos sociais para promoção da dificuldade de replicação do modelo, pelos seussustentabilidade urbana, como governança local, custos e dificuldade de encontro das condiçõesmudanças de comportamento e atitudes, revisão necessárias para sua realização. A China tambémdos objetivos do planejamento do uso do solo, entre está desenvolvendo a sua cidade “eco-friendly-outros. Uma vez que muitas tecnologias visando ao high-tech”, Dongtan. 14alto desempenho em aspectos da sustentabilidade14 http://www.masdarcity.ae/en/index.aspx 17
  • Por mais diferentes que os exemplos sejam, todos Daí a necessidade de suas empresas se alinharemtêm como objetivo organizar as cidades para que com os princípios da sustentabilidade.elas contribuam com o desenvolvimento sustentável.Deste modo, é possível analisar seus pontos comuns A sustentabilidade corporativa liga a amplapara a construção de um conceito de cidade abordagem da sustentabilidade à sua abordagemsustentável.15 no nível corporativo, buscando integrar a agenda do desenvolvimento sustentável à estruturaNa pesquisa, a definição de cidade sustentável inclui organizacional das empresas e aos seus objetivosainda a visão do ciclo de vida de seus componentes, estratégicos.buscando eliminar desperdícios – “do berço aoberço” ou cradle-to-cradle – garantindo que os Consequentemente, ocorre a ampliação da visãorecursos disponíveis serão utilizados de forma de geração de valor, antes pensada unicamenteeficiente para o alcance dos objetivos da sociedade para seus proprietários, passando a buscar aurbana sustentável. distribuição equilibrada de valor para todos os seus stakeholders.O uso eficiente dos recursos em ciclo fechadopermitirá que as cidades cresçam sem a necessidade Especificamente para o setor da construção, foide esgotamento dos recursos naturais. Esse elaborada pelo Conselho Internacional para Pesquisacrescimento também será suportado por objetivos de e Inovação em Edificações e Construção (CIB, siglapromoção de compacidade do espaço urbano, uso em inglês) uma Agenda 21 para o setor – com omisto do solo, compartilhamento de equipamentos, propósito de ser um documento análogo à Agendapromovendo, além da eficiência no uso de recursos, o 21, desenvolvida na Rio 92 para orientar os paísesuso efetivo da cidade por seus habitantes, eliminando na busca pelo desenvolvimento sustentável. Oas barreiras à integração social. documento aponta os aspectos relacionados ao setor da construção apresentados na Agenda 21.O papel do setor da construção nasustentabilidade das cidadesUm agente fundamental para a promoção dasustentabilidade nas cidades é indivíduo presente nosetor da construção, por seu papel como planejador,construtor e, por vezes, gestor de espaços urbanos. Capítulo 4 Focar nos padrões insustentáveis de produção e consumo Desenvolver as políticas nacionais e estratégias para incentivar mudanças nos padrões de consumo insustentáveis Capítulo 5 Desenvolver e disseminar o conhecimento relativo aos vínculos entre as tendências e fatores demográficos e o desenvolvimento sustentável Implementar programas ambientais e de desenvolvimento em nível local, levando em consideração as tendências e fatores demográficos Capítulo 7 (este Capítulo lida especificamente com os Assentamentos Humanos) Promover habitação adequada para todos (conforme definida na Agenda Habitat) Melhorar a gestão dos assentamentos humanos Estimular o planejamento e gerenciamento do uso sustentável do solo Incentivar a provisão integrada da infraestrutura ambiental: água, saneamento, esgoto e gerenciamento de dejetos sólidos Promover energia e sistemas de transporte sustentáveis nos assentamentos humanos Incentivar o planejamento e a gestão do assentamento humano nas áreas expostas a catástrofes naturais 15 MCDONOUGH & BRAUNGART, 2002.18
  • Estimular atividades de construção sustentáveis (mais tarde definida pela Agenda Habitat) Promover o desenvolvimento de recursos humanos e da construção de capacidades para o desenvolvimento do assentamento humano Capítulo 8 Integrar o meio ambiente e o desenvolvimento aos níveis de planejamento, gestão e políticos Fazer uso eficaz dos mercados e instrumentos econômicos e de outros incentivos Estabelecer sistemas para a avaliação integrada do meio ambiente com a economia Capítulo 9 Promover o desenvolvimento sustentável e a proteção da atmosfera através do desenvolvimento, eficiência e consumo de energia Meios de transporte Desenvolvimento industrial Capítulo 10 Abordagem integrada ao planejamento e gestão dos recursos do solo Capítulo 18 Abastecimento e saneamento de água potável Água e desenvolvimento urbano sustentáveis Capítulo 19 Harmonizar a classificação e rotulagem de produtos químicos Trocar informações sobre os produtos químicos tóxicos e os riscos químicos Estabelecer programas de redução de riscos Capítulo 20 Incentivar a prevenção e minimização de resíduos nocivos Capítulo 21 Minimizar o lixo Maximizar a reutilização e reciclagem ambientalmente corretas do lixo Promover a eliminação e tratamento ambientalmente corretos do lixo Expandir o serviço de coleta de lixo Capítulo 30 Estimular produções mais limpas Promover o empreendedorismo responsável Capítulo 36 Reorientar a educação em direção ao desenvolvimento sustentável Aumentar a conscientização pública Promover treinamentos Reforçar as capacidades nos países em desenvolvimento Capítulo 40 Fornecer informação para a tomada de decisões (apoio à decisão) Preencher as lacunas da falta de dados Aperfeiçoar a disponibilidade de informações O texto completo da Agenda 21 encontra-se disponível no http://www.infohabitat.org/agenda21Figura 5. Relação entre capítulos da Agenda 21 e o Setor da ConstruçãoFonte: CIB, 1999. 19
  • Segundo os autores do documento, a construção os empreendedores já preparem seus projetos parasustentável consiste no uso eficiente de recursos e uma integração futura com a cidade, de modo arespeito aos princípios da sustentabilidade para a contribuir com sua sustentabilidade. A relaçãocriação e gestão de um ambiente de construção entre os setores público, privado e sociedadesaudável.16 É difícil apresentar uma definição mais civil é fundamental para que o processo rumo àconcreta do conceito, uma vez que as abordagens e cidade sustentável, desejada por todos, possa serprioridades para o setor são diferentes em cada país. alcançado.De modo geral, os conceitos nacionais de construção Conceito urbanístico geral: a Cidade Sustentávelsustentável devem sempre levar em consideraçãoaspectos ambientais, econômicos, sociais e culturais. O conceito de cidade sustentável reconhece queNo entanto, eles podem variar de acordo com o a cidade precisa atender aos objetivos sociais,nível de desenvolvimento nacional, abordando com ambientais, políticos e culturais, bem como aosmaior ou menor intensidade questões de pobreza, objetivos econômicos e físicos de seus cidadãos. Édesigualdade social, densidade, economia local, um organismo dinâmico tão complexo quanto apadrão de vida, prevenção de desastres naturais, própria sociedade e suficientemente ágil para reagirdisponibilidade de terra e água, entre outros. rapidamente às suas mudanças que, num cenário ideal, deveria operar em ciclo de vida contínuo, semEspecificamente, o setor da construção deve trabalhar desperdícios (cradle-to-cradle).com “o uso eficiente da terra, o design para uma longavida útil, a longevidade das edificações por meio da A cidade sustentável deve operar segundo umflexibilidade e adaptabilidade, a conversão de prédios modelo de desenvolvimento urbano que procureexistentes, reformas, o gerenciamento sustentável dos balancear, de forma equilibrada e eficiente, osprédios, a prevenção do declínio urbano, a redução recursos necessários ao seu funcionamento, seja nosdo espraiamento, a contribuição para a criação de insumos de entrada (terra urbana e recursos naturais,empregos e a preservação da herança cultural”. 17 água, energia, alimento, etc.), seja nas fontes de saída (resíduos, esgoto, poluição, etc.). Ou seja, todos osA relação entre o setor e o ambiente urbano é estreita. recursos devem ser utilizados o mais eficientementeEla é condicionada por elementos tão diversos quanto possível para alcançar os objetivos da sociedadelegislação urbana, contexto econômico e segurança urbana. O suprimento, manuseio eficiente, manejopública, por exemplo. Isso aponta a complexidade de forma sustentável e distribuição igualitária parado caminho para atingir a sustentabilidade urbana e toda a população urbana dos recursos de consumode como o setor da construção deve agir para apoiá- básicos na cidade são parte das necessidadeslo. É preciso que, ao construírem o espaço urbano, básicas da população urbana e itens de enormeos empreendedores tenham uma ampla visão da relevância na construção de novos paradigmas derelação entre seus projetos e a cidade, observando desenvolvimento sustentável, incluindo-se desafiosas condições existentes para integrar aspectos de prementes como o aumento da permeabilidade nassustentabilidade em seus empreendimentos. cidades.É importante destacar que existem muitas barreiras A cidade sustentável deve buscar novos modelospara a promoção de projetos de desenvolvimento de funcionamento, gestão e crescimento diferentesimobiliário urbano sustentáveis nas cidades do que ocorreu principalmente no Século 20,brasileiras como legislação de uso e ocupação do “expansão com esgotamento”. Tem sido consensosolo, adequação das infraestruturas urbanas, níveis internacional a opção pelos parâmetros advindosde criminalidade e preferências dos consumidores. da cidade compacta: modelo de desenvolvimentoPor um lado, muitas dessas questões extrapolam a urbano que otimiza o uso das infraestruturas urbanasárea de atuação dos empreendedores do setor da e promove maior sustentabilidade – eficiênciaconstrução. Por outro lado, tendo consciência dos energética, melhor uso das águas e redução daaspectos de uma cidade sustentável, é possível que poluição, promova relativamente altas densidades 16 CIB, 1999 apud Kilbert, 1994. 17 Ibid.20
  • de modo qualificado, com adequado e planejado desenvolvimento macrometropolitano euso misto do solo, misturando as funções urbanas regional.(habitação, comércio e serviços). 18 O setor do desenvolvimento imobiliário urbanoEsse modelo é baseado em um eficiente sistema poderá contribuir para a construção da cidade maisde mobilidade urbana que conecte os núcleos sustentável gradativamente adotando parâmetrosadensados em rede promovendo maior eficiência de sustentabilidade nacional e internacionalmentenos transportes públicos e gerando um desenho consagrados. Para tanto, os indicadores aquiurbano que encoraje a caminhada e o ciclismo, além levantados constituem uma base referencial.de novos formatos de carros (compactos, urbanos ede uso como serviço avançado).19 Vale lembrar que os métodos de avaliação ambiental são variados porque refletem expectativasA população residente tem maiores oportunidades diversificadas de mercado, práticas construtivaspara interação social, bem como uma melhor também heterogêneas e agendas ambientaissensação de segurança pública, uma vez que plurais dentro da iniciativa privada (os setores dase estabelece melhor o senso de comunidade - construção civil e imobiliário possuem cadeiasproximidade, usos mistos e calçadas e espaços de enormes e complexas) e da própria sociedade,uso coletivo vivos - que induz à sociodiversidade aí inclusa a enorme diversidade de contexto dasterritorial - uso democrático e por diversos grupos cidades brasileiras.de cidadãos do espaço urbano. De qualquer modo, como bem frisa o professor AlexConceito urbanístico específico: Sustentabilidade Abiko, coordenador do Comitê Urbano do CBCSno Desenvolvimento Imobiliário Urbano (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável), “temas ambientais como aquecimento global, danoBuscando a construção de cidades sustentáveis, à camada de ozônio, chuva ácida, esgotamentoconforme acima definido, o setor privado do das florestas, entre outros, são consensualmentedesenvolvimento urbano contribui com parâmetros reconhecidos como de grande importância e,de sustentabilidade de dois modos básicos: consequentemente, de alguma forma, incluídos nos métodos de avaliação ambiental analisados”. Já1. Integração, complementação e atuação em a importância atribuída a outros temas varia com o consonância com as políticas públicas de contexto geográfico e com o histórico dos métodos. sustentabilidade urbana. Ou seja: o planejamento e a gestão da sustentabilidade urbana da cidade, Cabe salientar que os métodos criados e difundidos públicos, devem incorporar também, de forma internacionalmente provêm de países desenvolvidos, democrática, a pauta da sustentabilidade do e a aplicabilidade em países em desenvolvimento, e no setor do desenvolvimento imobiliário como é o caso do Brasil, apresenta contrapontos urbano, seus parâmetros e indicadores. oriundos dessa situação política, econômica e social. A análise dos métodos existentes internacionalmente2. Novos modelos de sustentabilidade no setor do deve levar em consideração as questões culturais de desenvolvimento imobiliário urbano pautam o cada contexto. desenvolvimento específico do setor em seus empreendimentos de escala urbana: Na questão do urbanismo, os métodos de avaliação convergem para um conceito que engloba: a. na criação das novas centralidades preservação do espaço aberto, desenvolvimento urbanas (polos de desenvolvimento), na compacto, densidade de ocupação, proximidade reinvenção da cidade existente (áreas de às vias de tráfego, usos mistos, projeto amigável redesenvolvimento); ao pedestre e ao ciclista, conectividade das ruas, b. na sua expansão, seja nos loteamentos e preservação histórica, acesso a espaço verde, bairros novos, seja através dos eixos de habitações diversas e economicamente acessíveis, entre outros.18 Ver, por exemplo, conceituação internacionalmente consagrada desenvolvida por Richard Rogers (ROGERS & GUMUCHDJIAN, 2001).19 Ibid. 21
  • É importante salientar que os métodos de avaliação híbrido, porém essencialmente prescritivo. Este método,ambiental não devem ser utilizados somente como desenvolvido nos EUA, começou a ser mais conhecido no Brasil em 2005 e teve seu primeiro edifício certificado em 2007.ferramentas mercadológicas para valorizar os O Segundo sistema, Processo AQUA, adaptação do métodoempreendimentos, mas sim na intenção de contribuir francês HQE – Haute Qualité Environnementale, foi lançadono traçado urbano, no qual serão posteriormente em abril de 2008, e teve seu primeiro edifício certificadoconstruídos os “edifícios verdes”. Os métodos de em 2009. Tais métodos cobrem diferentes tipologias de empreendimentos, sejam eles novos ou em utilização, desdeavaliação são ferramentas cujos resultados devem edifícios comerciais de escritórios – claramente a tipologiaser utilizados com o objetivo de uma melhoria com maior procura por certificação – até hotéis, centros decontínua, na direção da sustentabilidade urbana, convenções, escolas, residências e bairros residenciais. Apara que sejam atendidos os princípios da Agenda Regulamentação de Eficiência Energética foi desenvolvida no âmbito do Procel Edifica para ser implementada de forma21 Global e Local e do Habitat lI.” 20 e 21 voluntária nos primeiros cinco anos de vigência, e tornar-se obrigatória a partir de 2012. O escopo desta regulamentação restringe-se a eficiência energética de edifícios e a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) do Procel Edifica20 NEGREIROS & ABIKO, 2009, p.24. foi, até o momento, atribuída a cinco empreendimentos21 O Conselho Brasileiro da Construção Sustentável (CBCS) comerciais, em diferentes estados do Brasil. Em julho de 2009,em seu documento ”Avaliação de Sustentabilidade de a Caixa Econômica Federal lançou o chamado Selo Azul, queEmpreendimentos” define sua posição em relação à avaliação visa reconhecer e incentivar práticas de sustentabilidade nose certificação ambiental no setor da construção brasileira: projetos habitacionais submetidos para financiamento e tem,“Os sistemas de avaliação e, quando pertinente, certificação por ora, caráter voluntário. Estes dois últimos casos configuramambiental ou de sustentabilidade de empreendimentos têm as principais iniciativas indutoras deste tipo de avaliação nopor objetivo definir e estruturar categorias de preocupações país, porém ainda não completamente estruturadas em umae requisitos, indicadores e critérios de desempenho que política pública consolidada. O alcance atual destes sistemaspermitam avaliar se um dado empreendimento, usualmente de certificações é ainda muito pequeno e geograficamenteenvolvendo um edifício em projeto e construção, em bastante concentrado na cidade de São Paulo. (CBCS, 2009,reforma ou em operação, responde à agenda ambiental e de pp. 1/2).sustentabilidade de um dado local, num dado momento. A Lembre-se ainda de que normas, critérios e indicadores paraexperiência tem demonstrado que os saltos nos níveis mínimos avaliação e/ou certificação em sustentabilidade urbana estãode desempenho aceitáveis dependem necessariamente de sendo desenvolvidos internacionalmente muito recentemente e,alterações nas demandas do mercado, sejam elas voluntárias portanto, ainda são motivo de consolidação. De maior inserçãoou originadas de exigências normativas. Sob este aspecto, o junto à iniciativa privada tem-se o LEED-ND (Neighborhoodalcance das exigências normativas é limitado ao atendimento Development), a categoria do LEED para bairros e loteamentosa um desempenho mínimo e não oferece incentive para urbanos e, de inserção europeia, o HQE2R: Sustainableatendimento de patamares superiores. Os sistemas de adoção renovation of Buildings for sustainable neigborhoods No Brasilvoluntária, por outro lado, partem da premissa que o próprio o CBCS recentemente criou o seu Comitê Temático Urbano.mercado impulsione a elevação do padrão ambiental, seja por Neste trabalho adotou-se a posição de se procurar incentivar acomprometimento ambiental ou por pressão mercadológica... capacitação da cadeia produtiva – empresas e profissionais – noExistem no mercado brasileiro dois sistemas de certificação que se refere aos temas ambientais e de sustentabilidade e aambiental de edificações de caráter voluntário. O Leadership importância de se construir sistemas de aferição adequados.in Energy and Environmental Design – LEED (TM) um método22
  • Metodologia adotada no trabalho
  • 5. Metodologia adotada no trabalho Age; movimentos da sociedade civil organizada,A Pesquisa de Construção de Indicadores de como o Rede Social Brasileira por Cidades JustasSustentabilidade no Desenvolvimento Imobiliário e Sustentáveis; compêndios de cidades, como osUrbano é uma parceria entre o Secovi-SP e a Indicadores de Sevilla; “urban white papers” comoFundação Dom Cabral. A pesquisa faz parte de um o Urban Task Force inglês; referências acadêmicasprocesso para a construção de um Observatório da reconhecidas (DEAKIN; CURWELL, 2002; RAVETZ,Sustentabilidade Urbana para acompanhamento 2000; REPETTI, A.; DESTHIEUX, 2011; WEELER, S.;do desempenho das cidades em relação aos BEATLEY, 2009); empresas que possuem estudosparâmetros de sustentabilidade e como o setor relacionados com o tema, como o da Siemens;do desenvolvimento imobiliário urbano está além de movimentos supranacionais, como ICLEIinfluenciando este desempenho. (Conselho Internacional para Iniciativas Ambientais Locais), Objetivos do Milênio para Municípios, ONU/A pesquisa tem duas justificativas principais. A Agenda 21 Local e UN Habitat Sustainable Cities. 22primeira é a necessidade de modelos para avaliaçãode sustentabilidade das cidades brasileiras, capazes A partir daí, teve início o processo de análise dede orientar a atuação do setor público, privado temas, parâmetros e indicadores, catalogandoe da sociedade civil organizada para promover a os novos e aglutinando os que eram recorrentes.sustentabilidade em nível municipal e metropolitano. Devido às diferenças entre os modelos de cada instituição, foram observados seus indicadores, comA segunda justificativa é a carência do setor do organização baseada na similaridade deles para adesenvolvimento imobiliário urbano por referências formação de grupos temáticos.sobre como atuar de modo alinhado com osprincípios da sustentabilidade e de como influenciar Na difícil busca por indicadores específicos dao desenvolvimento sustentável das cidades. iniciativa privada – parâmetros de sustentabilidade urbana no desenvolvimento imobiliário –, avaliaram-O objetivo principal da pesquisa é a construção se parâmetros desenvolvidos por instituiçõesde um conjunto de indicadores para avaliação e parceiras do setor produtivo como o ULI (Urbanmonitoramento da sustentabilidade de cidades, Land Institute) e o SUDEN (Sustainable Urbanparticularmente no desenvolvimento imobiliário Development European Network) e os parâmetros eurbano. Já os objetivos específicos da pesquisa são a indicadores gerados pelos organismos internacionaisorganização do conhecimento existente sobre sistemas de certificação ambiental no setor da construçãopara avaliação de sustentabilidade urbana, a definição civil relativos ao ambiente urbano – BREEAM,de temas que compõem a sustentabilidade urbana e CASBEE, HQE/AQUA, LEED-ND, LÎDER A, – dentreo desenvolvimento de modelos de sustentabilidade os quais cabe destacar, pelo maior aprofundamentode cidades e de projetos de construção de território, em termos de indicadores, o LEED-ND e o HQE2R,empreendimentos urbanos. mesmo que se tendo sempre uma análise crítica.23O primeiro passo da pesquisa foi a identificação de Finalmente, procurou-se mapear referênciasreferências nacionais e internacionais com sistemas nacionais que pudessem trazer subsídios à pesquisaorganizados para avaliação da sustentabilidade dos indicadores de sustentabilidade urbana, do CBCSde cidades. Nesse processo foram selecionadas (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável) einstituições internacionais reconhecidas como a Selo Casa Azul da Caixa Econômica Federal, e artigos,Clinton Climate Initiative/C40 Cities, EPA (Environmental dissertações e teses acadêmicos que vêm sendoProtection Agency, dos EUA, especificamente no desenvolvidos em nossas Universidades sobre o temacapítulo Smart Growth Implementation Assistance), (NEGREIROS; ABIKO, 2009; SILVA, 2000;).24Sustainable Cities, Smarter Cities; Smart Growth, Urban 22 Ver as Referências e Sites Referenciais. 23 Ibid.24 24 Ibid.
  • Após essa análise, observou-se que algumas 7. Questões ambientaisquestões foram tratadas pela grande maioria das 8. Segurançareferências, demonstrando a importância delas para 9. Serviços e Equipamentosa sustentabilidade urbana. Dessa atividade, foramdefinidos nove temas: Os modelos de sustentabilidade urbana foram1. Construção e Infraestrutura Sustentáveis organizados em formato de “mapas mentais”, com cada tema sendo subdividido em subtemas, daí2. Governança em grupos de indicadores e, por fim, indicadores.3. Mobilidade As figuras 6 e 7 apresentam exemplos de como a4. Moradia pesquisa foi desenvolvida e como os indicadores5. Oportunidades foram organizados.6. Planejamento e Ordenamento Territorial Figura 6. Exemplo de mapa mental da Sustentabilidade Urbana com os 9 Temas.Figura 7. Destaque de seção do mapa mental da Sustentabilidade Urbana com Tema (1), Subtemas (2), Grupos-indicadores (3)e Indicadores (4) 25
  • Os temas, assim como subtemas, grupos-indicadores No evento foi sugerida uma organização dose indicadores são sempre apresentados em ordem indicadores-chave a serem observados pelosalfabética e não em termos de prioridades. empreendedores na concepção, planejamento e execução de seus projetos, com vistas aoO processo da pesquisa contou com a participação desenvolvimento sustentável das cidades em quede representantes do setor da construção na estão inseridos. Para atender à demanda do setor,avaliação dos temas, subtemas e grupos-indicadores foi realizado um processo de redução do númerodesenvolvidos e levantamento de sugestões para de indicadores, chegando a um total de 174seu desenvolvimento. perpassando os nove temas iniciais. Esse relatório tem como objetivo mostrar, de formaForam realizadas consultas a profissionais do setor detalhada, todos os resultados alcançados pelapara avaliação dos trabalhos realizados e busca de pesquisa.críticas e sugestões para melhoria dos resultadosproduzidos. Foi realizado um Workshop com os Espera-se que a pesquisa aponte diretrizes para que asstakeholders no dia 2 de março de 2011, na sede empresas do setor da construção e seus profissionaisdo Secovi, em São Paulo, no qual compareceram tornem seus empreendimentos mais sustentáveis, por36 representantes, com o objetivo de identificar meio da melhoria de suas características e funções,a percepção desses profissionais quanto aos influenciando ainda para a promoção da sustentabilidadedesafios enfrentados pelo setor. Já no dia 4 de urbana. Espera-se que com o envolvimento do setor damaio foi realizado evento de feedback para esses construção e o apoio do governo e da sociedade civilparticipantes, apresentando as evoluções realizadas organizada a construção ou renovação dos territóriospela equipe de pesquisadores, com oportunidade aproximem as cidades do estado sustentável desejadopara novas sugestões de melhorias. por todos. 9 TEMAS 35 SUBTEMAS 85 GRUPOS-INDICADORES 176 INDICADORES 62 NDICADORES-SÍNTESE26
  • Temas e Subtemas
  • 6. Temas e Subtemas Tema 1 – CONSTRUÇÃO E INFRAESTRUTURA SUSTENTÁVEIS Tema 2 – GOVERNANÇA Tema 3 – MOBILIDADE Tema 4 – MORADIA Tema 5 – OPORTUNIDADES Tema 6 – PLANEJAMENTO Tema 7 – QUESTÕES E ORDENAMENTO Tema 9 – SERVIÇOS E AMBIENTAIS Tema 8 – SEGURANÇA TERRITORIAL EQUIPAMENTOS 1 CONSTRUÇÃO E INFRAESTRUTURA SUSTENTÁVEIS Indicadores de parâmetros de sustentabilidade O que representam os indicadores contidos no nas construções edificadas e nas infraestruturas tema? urbanas. O conjunto desses indicadores caracteriza Contextualização e justificativa: qual a as edificações em termos de aspectos de importância do tema? sustentabilidade e suas interfaces com o meio urbano. A expansão populacional e territorial A construção sustentável remete à minimização das cidades desde o Século 20 trouxe novos e dos impactos ambientais e adequação das importantes desafios ao planejamento do território atividades do setor da construção civil ao processo urbano – falta de mobilidade e enchentes; ocupação de desenvolvimento sustentável. As principais espraiada e desordenada do território; expansão de questões para a promoção da cadeia da construção imensos territórios de ocupação informal; déficit de sustentável passam pela eficiência energética, infraestruturas urbanas e regionais; desigualdades eficiência no uso da água, eficiência na gestão de sociais na ocupação do território; qualidade de vida materiais e resíduos de construção e demolição, urbana, mitigação de impactos ambientais. Esses e pela capacitação da cadeia produtiva para os são os aspectos a serem considerados na construção parâmetros de sustentabilidade (capacitação de de cidades sustentáveis. seus profissionais e adequação dos processos de suas empresas como instrumentos para promover Quem é responsável pelas práticas que maior sustentabilidade no setor da construção alimentarão os indicadores contidos no tema? civil). Estes indicadores têm seus desempenhos relacionados diretamente à qualidade ambiental dos28
  • empreendimentos inseridos no contexto das cidades, de trabalho, como conforto térmico, acústico eos quais são de responsabilidade prioritária do setor luminotécnico e acessibilidade.privado, devendo as edificações públicas tambémdar o exemplo de desempenho a ser seguido. Eficiência energética É a obtenção do serviço com baixo gasto deQuando aplicar os indicadores do tema? energia. Uma edificação é mais eficiente em termos energéticos quando proporciona asEstes indicadores se aplicam à caracterização da mesmas condições ambientais com menorcidade como um todo – construções e infraestruturas consumo de energia.na cidade – e são parâmetros para a adequação denovas intervenções urbanas e todas as suas obras Eficiência na gestão de materiais e resíduosedificadas e de infraestruturas a serem realizadas. de construção e demolição A gestão eficiente de materiais e resíduos noSubtemas e grupos-indicadores: setor na construção envolve uma boa seleção de materiais, um processo construtivo com baixa Capacitação da cadeia produtiva (parâmetros produção de resíduos e a gestão de resíduos de sustentabilidade) capaz de reutilizar e reciclar a maior quantidadeA promoção da sustentabilidade no setor da possível de material, destinando corretamenteconstrução envolve a capacitação, e eventual os resíduos não aproveitados.certificação, de seus profissionais e a adequaçãodos processos de suas empresas. As capacitaçõestanto de competência de profissionais para Relaciona-se com o percentual de edificaçõeslidarem com temas ligados à sustentabilidade, com sistemas de eficiência de gestão equanto das empresas em sistemas de gestão da manutenção. Além disso, leva em consideraçãoqualidade, ambiental, de saúde e segurança no a eficiência no uso da água, tanto em questão detrabalho e em responsabilidade social empresarial consumo quanto na presença de dispositivos deservem como instrumentos para promover maior reaproveitamento de águas pluviais.sustentabilidade no setor da construção. Eficiência do ambiente interno infraestruturasA eficiência no ambiente interno das edificações A eficiência na drenagem das edificações ese relaciona com as condições que favorecem infraestruturas leva em consideração a quantidadeas atividades dos usuários em seus ambientes de água retida, variando de acordo com o solo e o volume de precipitações em relação ao total. 29
  • 2 GOVERNANÇA Indicadores de qualidade da administração da sociedade civil, devendo os empreendedores pública e da organização da sociedade civil na se adequar às diretrizes urbanas propostas, gestão do território. induzir transformações positivas e, em casos de empreendimentos de escala urbana significativa Contextualização e justificativa: qual a (novos bairros, loteamentos e expansões territoriais importância do tema? grandes), promover o gerenciamento dos indicadores específicos destes territórios novos. A governança urbana tem-se tornado complexa com o aumento do tamanho e da complexidade Quando aplicar os indicadores do tema? das cidades e de suas organizações administrativas e jurídicas, devendo, portanto, ser reinventada. Esses indicadores se aplicam à caracterização da Internacionalmente, as cidades consideradas mais cidade como um todo e são parâmetros para sustentáveis têm sabido criar mecanismos de gestão a adequação de novas intervenções urbanas a e operação que vão além dos governos formais. serem realizadas. Os indicadores propostos para esse tema partem Subtemas e grupos-indicadores: do princípio de que, no tripé das cidades sustentáveis (ambiental, econômico e social), Instâncias formais de governança: a governança urbana moderna e eficiente descentralização e transparência da gestão, é percebida pela promoção de modos de gestão integrada do território (intermunicipal/ governança formal descentralizada e transparente metropolitano/outros), gestão de riscos e, também, pela desejável promoção de novas ambientais, inteligência na gestão, legislação formas de governança, para além dos governos, e normas de incentivos à sustentabilidade. nas quais a sociedade civil organizada tem um Deve-se levar em conta, além da desejável papel crescente no uso democrático da cidade. descentralização, transparência e inteligência da Cada vez mais as cidades devem estabelecer gestão do território, como as questões ambientais uma governança que apoie o desenvolvimento são operadas pelos governos e as legislações da sustentabilidade integrada em seu território. existentes que incentivam a sustentabilidade. O que representam os indicadores contidos Novas instâncias de governança: fóruns no tema? da sociedade civil, incentivos voluntários à sustentabilidade, planejamento comunitário, Esses indicadores voltam-se tanto à administração redes participativas. pública quanto à organização da sociedade civil, Relaciona-se com os fóruns da sociedade civil, o que se refere à atuação na gestão sustentável planejamento comunitário e redes participativas da cidade. para a pauta da cidade. Arenas de discussão mais próximas da população são essenciais para a Quem é responsável pelas práticas que sustentabilidade urbana e têm sido um diferencial alimentarão os indicadores contidos no recorrente nas cidades que têm conseguido tema? promover mudanças significativas. A qualidade desses indicadores é de coresponsabilidade da administração pública e30
  • 3 MOBILIDADEIndicadores de qualidade da mobilidade dos externalidades (fluidez e segurança no trânsito).cidadãos na cidade: sistemas de transportecoletivo e individual. Quem é responsável pelas práticas queContextualização e justificativa: qual é a alimentarão os indicadores contidos noimportância do tema? tema?A mobilidade urbana sustentável consiste A qualidade desses indicadores é responsabilidadeem prover serviços acessíveis e eficientes preponderante da administração pública, devendoque minimizem a necessidade excessiva de os empreendedores se adequar às diretrizeslocomoção e a tornem mais eficiente, como um urbanas propostas, induzir transformaçõestodo, minimizando as externalidades negativas. positivas e, em casos de empreendimentosNuma cidade com mobilidade sustentável, tem- de escala urbana significativa (novos bairros,se um sistema eficiente e amplo de alternativas loteamentos e expansões territoriais grandes),de locomoção ofertada ao conjunto dos cidadãos promover o gerenciamento dos indicadoresintegrado ao ordenamento do território: coletivo específicos desses territórios novos.(metrô, trens, VLP/VLT, BRT, ônibus) e individual(bicicleta, caminhada e carros, incluindo-se as Quando aplicar os indicadores do tema?novas formas de carro, seja no tipo, seja na forma Esses indicadores se aplicam à caracterização dade uso como serviços e compartilhamento). cidade como um todo e são parâmetros para a adequação de novas intervenções urbanas aNas cidades contemporâneas, os sistemas de serem realizadas.mobilidade, utilizados pelos cidadãos parase locomover de um local para outro, são os Subtemas e grupos-indicadores:grandes responsáveis pela utilização de energiae emissões de gases de efeito estufa. Transporte coletivo: BRT; metrô; ônibus; VLP/ VLT (Veículo Leve sobre Pneus/Veículo LevePara ser sustentável, o sistema de mobilidade sobre Trilhos).urbana deve limitar as emissões de poluentes, O sistema de transporte coletivo (público ougases de efeito estufa e resíduos, reciclar privado) deve operar de modo integrado eseus componentes, minimizar o uso de terra eficiente em suas várias modalidades (metrô,e ser eficiente, evitando perda de tempo ônibus, BRT, VLP/VLT) para otimizar asem locomoção do cidadão. Ao reduzir essas necessidades de deslocamentos diários dosexternalidades negativas, o sistema promove cidadãos. As cidades mais sustentáveis têmmelhoria significativa da qualidade de vida da feito uma escolha determinante na absolutapopulação. priorização de investimentos e gestão eficiente do transporte coletivo.O que representam os indicadores contidosno tema? Transporte individual: motorizado; não motorizado.Os indicadores representam a qualidade da Os modos de locomoção individual em suasmobilidade dos cidadãos na cidade, passando modalidades mais sustentáveis – caminhada e usopela necessidade de locomoção, pelos sistemas de bicicleta – devem ser favorecidos na cidadede transporte coletivo e individual e as suas mais sustentável, inclusive novas formas de uso, 31
  • como o compartilhamento de bicicletas. Os Externalidades: fluidez no trânsito; segurança modos motorizados, motocicleta e carro, devem no trânsito. ser desencorajados e/ou geridos buscando maior Externalidades são efeitos incidentais decorrentes eficiência coletiva no uso dos espaços urbanos da atuação de alguns agentes sobre outros que numa cidade mais sustentável. Vale lembrar afeta o bem-estar da sociedade, devido à geração que novas modalidades de carro individual de ganhos ou custos inesperados. Em relação à estão sendo pesquisadas (carros compactos mobilidade, externalidades negativas que devem e inteligentes; carros compartilhados) para ser minimizadas são especialmente os efeitos promover uma cidade mais fluída no trânsito. perversos decorrentes da ineficiência na fluidez e falta de segurança no trânsito. Alguns exemplos são os custos com acidentes e perda de tempo com os engarrafamentos para o conjunto da população. 4 MORADIA Indicadores de qualidade do atendimento à ofereçam diversidade tipológica e promovam a necessidade básica de habitação da população vida urbana mais inclusa e menos isolada. nas cidades. O que representam os indicadores contidos Contextualização e justificativa: qual é a no tema? importância do tema? Este tema relaciona-se diretamente aos temas A moradia é um direito fundamental assegurado Mobilidade e Segurança. Os seus indicadores pela Constituição Federal. Cidades sustentáveis ilustram o nível de atendimento às necessidades devem propiciar, a todos os seus habitantes, de moradia nas cidades. Eles envolvem as moradia digna e qualificada com acesso a todas políticas públicas, os agentes financeiros e os as infraestruturas urbanas, sistema de mobilidade empreendedores responsáveis pela concepção e e equipamentos públicos. A moradia adequada é produção das edificações habitacionais. uma habitação com estruturas físicas resistentes, Quem é responsável pelas práticas que alimentarão construídas especificamente para habitação e os indicadores contidos no tema? que não possua a coabitação, isto é, a existência Esses indicadores têm seus desempenhos de mais de uma família por residência. relacionados diretamente à qualidade ambiental dos empreendimentos residenciais inseridos O imenso gargalo do déficit habitacional e a no contexto das cidades, os quais são de falta de diversidade socioterritorial nas grandes responsabilidade prioritária do setor privado, cidades brasileiras devem ser resolvidos com novos cabendo, paralelamente, à administração pública, modelos de desenvolvimento urbano sustentável, acompanhá-los e, quando estiver realizando incorporando processos que promovam moradias programas sociais de habitação, responsabilizar- em áreas mais densas e compactas, com mistura se também. de usos, próximas ao sistema de mobilidade, que32
  • Quando aplicar os indicadores do tema? bairros. Ou seja, boas condições de habitação incluem diversidade tipológica, inserção urbanaEsses indicadores se aplicam à caracterização da e interação comunitária.cidade como um todo e são parâmetros paraa adequação de novas intervenções urbanas a Planejamento habitacional: acessibilidadeserem realizadas. social, financiamento, reurbanização de habitações informais.Subtemas e grupos-indicadores: Esse subtema refere-se às possibilidades de financiamento providas pelo sistema habitacional Condições de habitação: diversidade (público e privado) e ao acesso social à moradia, tipológica, inserção urbana, interação além de levar em consideração as habitações comunitária. informais, i.e., os parâmetros de reurbanização deNas cidades mais sustentáveis, um dos elementos áreas dotadas de sub-habitação. Em uma cidadeimportantes refere-se ao uso diversificado sustentável, é preciso diminuir a quantidade dedo território pelos usuários, incluindo-se a favelas e habitações fora dos padrões previstosdiversidade de tipologias habitacionais e a fruição pela legislação, inadequadas.urbana, i.e., interação entre vizinhos nas ruas e5 OPORTUNIDADESIndicadores da diversidade e qualidade das não promova o aumento do desemprego e dadiversas oportunidades ao desenvolvimento que desigualdade social na cidade e não cause oa cidade oferece aos seus cidadãos. aumento dos impactos ambientais negativos, como emissão de gases do efeito estufa e produçãoContextualização e justificativa: qual é a de rejeitos.importância do tema? O que representam os indicadores contidos noO tema Oportunidades incorpora as diversas tema?questões ligadas à economia urbana comoprodução, distribuição e consumo da renda Esses indicadores mapeiam a diversidade, qualidadegerada na cidade, ou seja, as oportunidades e crescimento das diversas oportunidades aogeradas pelo desenvolvimento econômico nas desenvolvimento econômico sustentado que acidades através da economia tradicional e da cidade oferece aos seus cidadãos, na economiaeconomia do conhecimento (nova economia). tradicional e na economia do conhecimento e da promoção do desenvolvimento sustentável.A cidade sustentável deve ser oportunaprodutivamente aos seus cidadãos e atrativa a Quem é responsável pelas práticas que alimentarãotodos de forma heterogênea no território, tanto os indicadores contidos no tema?nas formas tradicionais da economia, quanto nasnovas formas advindas da nova economia. A qualidade desses indicadores é deAlém da geração de renda, condição básica aos responsabilidade do conjunto da sociedade,cidadãos, é preciso que a economia da cidade setor público e iniciativa privada em seus diversos 33
  • setores produtivos, devendo os empreendedores As questões consideradas nesse subtema do setor imobiliário se adequar às diretrizes englobam o capital humano avançado (recursos propostas, induzir transformações positivas humanos de talento), a economia criativa (ligadas e, em casos de empreendimentos de escala aos serviços avançados relacionados às atividades urbana significativa (novos bairros, loteamentos de criação e inovação) e negócios sustentáveis e expansões territoriais grandes), promover o (ligados à chamada “economia verde”, i.e., gerenciamento dos indicadores específicos destes atrelada ao desenvolvimento sustentável). É territórios novos. importante que as cidades possuam negócios sustentáveis, e que os profissionais sejam bem Quando aplicar os indicadores do tema? instruídos e qualificados. Esses indicadores se aplicam à caracterização da Economia tradicional: consumo da renda, cidade como um todo e são parâmetros para distribuição da renda, geração da renda. a adequação de novas intervenções urbanas a O subtema engloba as diversas questões ligadas serem realizadas. à economia urbana como produção, distribuição e consumo da renda gerada na cidade, ou seja, Subtemas e grupos-indicadores: as oportunidades geradas pelo desenvolvimento econômico nas cidades. Economia do conhecimento (nova economia): capital humano, economia criativa, negócios sustentáveis. 6 PLANEJAMENTO E ORDENAMENTO TERRITORIAL Indicadores de distribuição e organização dos A expansão populacional e do tamanho das espaços urbanos e da diversidade dos usos. cidades desde o Século XX trouxeram novos e importantes desafios ao planejamento do Contextualização e justificativa: qual é a território urbano – falta de mobilidade e importância do tema? enchentes; ocupação espraiada e desordenada do território; expansão de imensos territórios O planejamento urbano existe desde o início da de ocupação informal; déficit de infraestruturas civilização humana. Já o planejamento urbano urbanas e regionais; desigualdades sociais na moderno emergiu na segunda metade do século ocupação do território; qualidade de vida urbana, XIX, como resposta ao rápido, caótico e poluído mitigação de impactos ambientais. crescimento das cidades europeias trazido pela revolução industrial. Ele envolve parâmetros técnicos O planejamento urbano e o ordenamento (físicos e estruturais) e políticos (forma de apropriação territorial devem, no Século XXI, pautar-se pelos do espaço) que devem atuar como um sistema desafios do desenvolvimento sustentável nas integrado de metas, planos e projetos urbanos. cidades e regiões: como, quando e onde crescer sem esgotar seus recursos e respeitando seus limites geográficos?34
  • O que representam os indicadores contidos no qualificada; eixos de desenvolvimentotema? regional e macrometropolitano; grau de renovação urbana; integrado à mobilidade;Os indicadores de planejamento e ordenação marcos institucionais; promoção de uso mistoterritorial representam a presença e a qualidade e uso coletivo.do planejamento do uso do solo, a diversidade O crescimento ordenado do território é pré-de usos e o adensamento qualificado e seu requisito básico para uma cidade mais sustentável.grau de integração à mobilidade, além do grau Compondo este subtema, têm-se os parâmetrosde reurbanização e de recuperação de áreas que o definem como os elementos de desenhodegradadas ou contaminadas. urbano que formam a adequação urbanística do território (formas de implantação adequada,Quem é responsável pelas práticas que adequações visual, paisagística e sonora, pré-alimentarão os indicadores contidos no tema? existências a manter, geografia a respeitar), o nível de compacidade do território (onde compactarA qualidade desses indicadores é responsabilidade mais a cidade e com quais índices) e densidadepreponderante da administração pública, devendo qualificada (adensar com parâmetros de usoos empreendedores se adequar às diretrizes misto adequados a cada trecho da cidade), eixosurbanas propostas, induzir transformações de crescimento e desenvolvimento urbano naspositivas e, em casos de empreendimentos escalas regional e macrometropolitana, grausde escala urbana significativa (novos bairros, de renovação urbana, o desejável crescimentoloteamentos e expansões territoriais grandes), territorial integrado ao sistema de mobilidade e ospromover o gerenciamento dos indicadores níveis de uso misto e uso coletivo do território.específicos destes territórios novos. Uso do solo: controle e fiscalização;Quando aplicar os indicadores do tema? planejamento; readequação do uso do solo. As formas de uso do solo urbano, planejadas comEsses indicadores se aplicam à caracterização da competência, implementadas com eficiência ecidade como um todo e são parâmetros para respeitadas e fiscalizadas no seu uso efetivo sãoa adequação de novas intervenções urbanas a condições básicas do funcionamento adequadoserem realizadas. da cidade. Como um organismo vivo, as cidades devem possuir instrumentos flexíveis para seSubtemas e grupos-indicadores: adequar às demandas da população, dinâmicas e plurais. Nas cidades contemporâneas, uma Crescimento ordenado do território: dessas demandas é a reutilização de áreas adequação urbanística/desenho urbano obsoletas, degradadas ou contaminadas; assim, (implantação, visual, paisagística, sonora, há a necessidade constante de readequação das pré-existências, geografia); caminhabilidade normas de uso do solo. (walkability); compacidade; densidade 35
  • 7 QUESTÕES AMBIENTAIS Indicadores de qualidade ambiental das cidades O que representam os indicadores contidos no e dos recursos disponíveis à população. tema? Contextualização e justificativa: qual é a Os indicadores das questões ambientais referem- importância do tema? se aos aspectos ambientais presentes nas cidades, especialmente a qualidade ambiental Em época de imperativa preocupação com o dos espaços urbanos e o desempenho das redes desenvolvimento sustentável, é de se destacar que públicas e outras infraestruturas disponíveis nas aproximadamente (a) dois terços do consumo cidades: energia, água, áreas verdes, resíduos, mundial de energia se dá nas cidades, (b) 75% biodiversidade. dos resíduos são gerados nas cidades e (c) vive- se um processo dramático de esgotamentos Quem é responsável pelas práticas que dos recursos hídricos e consumo exagerado de alimentarão os indicadores contidos no tema? água potável nas cidades uma vez que mais da metade da população mundial é urbana. A evolução desses indicadores é responsabilidade da administração pública prioritariamente, que deve Indicadores que mapeiem o desenvolvimento monitorar e dar suporte às medidas mitigadoras de sustentável em seus diversos atributos referentes impactos ambientais urbanos. Os empreendedores às questões ambientais contribuem para a devem considerar seus impactos e não sobrecarregar promoção de uma cidade mais sustentável. as redes públicas, as infraestruturas e os sistemas naturais presentes e, em casos de empreendimentos As questões ambientais influenciam diretamente de escala urbana significativa (novos bairros, na qualidade de vida e a subsistência da população loteamentos e expansões territoriais grandes), nas cidades. A sustentabilidade urbana deve promover o gerenciamento dos indicadores se preocupar em minimizar os impactos das específicos desses territórios novos. atividades e processos das cidades no ambiente natural, cuidando para que as atividades Quando aplicar os indicadores do tema? humanas não comprometam os ecossistemas ligados às cidades, afetando a oferta de recursos Esses indicadores se aplicam à caracterização da naturais e serviços ambientais. cidade como um todo e são parâmetros para a Em uma cidade sustentável, é essencial que adequação de novas intervenções urbanas a serem a qualidade do ar e da água, bem como a realizadas. impermeabilização do solo causada pelas construções e pavimentações, sejam controladas. Subtemas e grupos-indicadores: Deve-se promover continuamente a matriz energética limpa e reciclável. Os resíduos sólidos Água e efluentes líquidos: oferta e consumo devem ser reciclados, e boas práticas, como de água; esgoto e saneamento. a sua transformação em energia, devem ser Em uma cidade sustentável, é necessário que perseguidas. Finalmente, a cidade sustentável as entidades responsáveis fiquem atentas para deve buscar continuamente o equilíbrio essas questões, tanto de provisão quanto de ambiental, evitando perda significativa de manutenção da qualidade da água. Por outro biodiversidade. lado, a população e as empresas também devem fazer a sua parte, ao utilizar o recurso de maneira consciente, o mesmo valendo para o adequado e36
  • eficiente sistema de esgoto e saneamento básico Emissões: emissões de gases de efeito estufapara a totalidade da população urbana. (GEE). A cidade mais sustentável deve dar destaque Biodiversidade: gradiente verde; parques; primordial para diminuição e mitigação das reservas naturais. emissões de gases provenientes, basicamente,As cidades atuais seguem padrões nos quais dos usos decorrentes das fontes energéticasoutras espécies que não os homens possuem fósseis, principalmente o CO2.espaço limitado. A cidade sustentável deve buscaro equilíbrio entre os espaços construídos e os Materiais: recursos naturais renováveis e nãonaturais, para que não haja uma perda significativa renováveisde biodiversidade. Assim, indicadores que meçam A construção civil e, portanto, a cidade construída,a quantidade e qualidade de áreas verdes urbanas é a grande responsável pelo consumo desão fundamentais, nas ruas, praças, parques e materiais (estima-se que mais de 70% de todosreservas naturais a se preservar. os materiais consumidos pela humanidade). Não é possível consumir materiais indefinidamente Clima: ilhas de calor; chuvas; ventos. dado que os recursos do Planeta são finitos. AssimA cidade sustentável deve levar em consideração a cidade mais sustentável deve (a) promover umos efeitos do clima em seu território, como as ilhas uso racional dos materiais e (b) procurar usarde calor, os ventos e as chuvas, além dos elementos prioritariamente materiais advindos de fontescausadores do efeito estufa, do aquecimento renováveis.global e das mudanças climáticas. Os indicadoresdevem possibilitar um acompanhamento desses Poluições: visual; acústica; do ar.parâmetros a fim de mitigar os efeitos ambientais Os problemas de poluição do ar não são recentes.negativos. Em uma cidade sustentável, é essencial que a qualidade do ar seja controlada, para que os Drenagem urbana: escoamento d’água e controle problemas relacionados à poluição não afetem a de enchentes; drenagem; permeabilidade do qualidade de vida da população. No Brasil existe solo. o Índice de Qualidade do Ar (IQA), com função deO escoamento d’água e o controle de enchentes, estabelecer os parâmetros para medição da poluiçãodrenagem e permeabilidade do solo são existente no ar das grandes cidades. As poluiçõesconsiderados nesse subtema questões a serem visual e acústica devem igualmente ser combatidaspensadas como a poluição e a escassez de e os indicadores podem ajudar por possibilitaremágua, que comprometem a qualidade de vida diagnósticos e prognósticos adequados.da população, i.e., algumas atitudes comoa impermeabilização do solo causada pelas Prevenção de riscos ambientaisconstruções e pavimentações, já que quando A cidade sustentável deve adotar programaschove a água não escoa, gerando inundações. de ações visando à preservação da saúde e da integridade dos cidadãos, através da antecipação, Energia: oferta e consumo. reconhecimento, avaliação e consequenteOs recursos energéticos são classificados controle da ocorrência de riscos ambientaiscomo renováveis e não renováveis, sendo existentes ou que venham a ocorrer no ambienteque os principais combustíveis utilizados pela urbano, tendo em consideração a proteção dohumanidade são os não renováveis, o que agrava meio ambiente e dos recursos naturais.[...] a condição futura de disponibilidade deenergia, dado que são produtos finitos. 37
  • Resíduos sólidos: sistema e coleta e seleção; naturais, cuja destinação deverá ser ambiental reuso. e sanitariamente adequada. A cidade mais Os resíduos sólidos são materiais resultantes de sustentável deve prover soluções adequadas para processo de produção, transformação, utilização a destinação de resíduos e promover a reciclagem, ou consumo, oriundos das diversas atividades e boas práticas, como a sua transformação em humanas, de animais, ou resultantes de fenômenos energia, devem ser perseguidas. 8 SEGURANÇA Indicador de segurança pública e individual do cidadão na cidade Quem é responsável pelas práticas que alimentarão os indicadores contidos no tema? Contextualização e justificativa: qual é a importância do tema? A responsabilidade pelos bons níveis de desempenho desses indicadores é da administração A segurança é um aspecto social da pública prioritariamente e também depende da sustentabilidade a ser considerado nas cidades. qualidade inclusiva e dos aspectos de segurança A desigualdade social é muito mais do que a proporcionados pelas edificações e projetos de simples pobreza de um em contraposição ao desenvolvimento imobiliário urbano. outro. Podem existir desigualdades imensas entre homens e mulheres, crianças, adolescentes e Quando aplicar os indicadores do tema? adultos, e ainda desigualdades regionais e na forma Esses indicadores se aplicam à caracterização da de ocupação do território (exclusão socioterritorial). cidade como um todo e são parâmetros para a A qualidade de vida é ameaçada pela violência adequação de novas intervenções urbanas a serem decorrente dessas desigualdades nas grandes realizadas. cidades. Ela esconde problemas mais profundos, como educação precária, desigualdades em todos Subtemas e grupos-indicadores: os seus âmbitos e ainda pobreza extrema. Inclusão social: diversidade socioterritorial, As cidades sustentáveis devem, portanto, buscar inclusão social, redução da pobreza. equidade, justiça social e uma cultura da paz, Neste subtema, os indicadores devem procurar que se reflitam numa ocupação do território de medir parâmetros que ajudem a reduzir a forma inclusiva, solidária e plural. desigualdade social, programas de inclusão O que representam os indicadores contidos social, de redução da pobreza e de promoção, no no tema? uso do território, de inclusão socioterritorial. Os indicadores relacionados a este tema Violência urbana: indicadores de criminalidade, representam a segurança pública a ser buscada segurança urbana. nas cidades, por meio da redução da pobreza, Os indicadores de criminalidade urbana, visando da promoção à inclusão social, do acesso aos sempre a sua redução e de segurança urbana (dos serviços públicos e às oportunidades que a cidade espaços públicos, patrimonial e dos cidadãos, oferece, e da garantia às condições adequadas de física e eletrônica), devem ajudar na promoção vida urbana. de uma cidade mais harmoniosa e pacífica.38
  • 9 SERVIÇOS E EQUIPAMENTOSIndicadores de qualidade da disponibilidade de O que representam os indicadores contidos noequipamentos urbanos aos cidadãos. tema?Contextualização e justificativa: qual é a Os indicadores deste tema envolvem tanto asimportância do tema? políticas públicas quanto o setor privado, de modo a garantir a disponibilidade de recursosOs serviços e equipamentos urbanos são um para a construção e manutenção de variadosconjunto de atividades e instituições ligados, serviços e equipamentos, assim como atuaremusualmente, à administração pública, visando na qualidade destes.atender às necessidades da coletividade na vidaurbana. Os serviços abrangem as áreas de cultura, Quem é responsável pelas práticas queeducação, lazer e saúde. Os equipamentos alimentarão os indicadores contidos no tema?são os artefatos necessários ao seu adequadofuncionamento (ex: escolas, hospitais, teatros ou A qualidade desses indicadores é responsabilidadequadras esportivas). preponderante da administração pública, devendo os empreendedores se adequar às diretrizesAs cidades sustentáveis devem, crescentemente, urbanas propostas, induzir transformaçõesofertar um pacote de serviços e equipamentos positivas e, em casos de empreendimentosde uso coletivo – públicos ou não – ao conjunto de escala urbana significativa (novos bairros,dos cidadãos, distribuídos equilibradamente no loteamentos e expansões territoriais grandes),território e de boa qualidade. promover o gerenciamento dos indicadores específicos desses territórios novos.Cada vez mais, nas cidades contemporâneas,esses serviços e equipamentos têm sido realizados Quando aplicar os indicadores do tema?também pela iniciativa privada e pelo terceirosetor, seja em forma de terceirização, seja em Esses indicadores se aplicam à caracterização daforma de parcerias variadas. cidade como um todo e são parâmetros para a adequação de novas intervenções urbanas aAs cidades sustentáveis devem, crescentemente, serem realizadas.ofertar no território um pacote de serviços eequipamentos – públicos ou não – de uso coletivo Subtemas e grupos-indicadores:e de boa qualidade.Os serviços e os equipamentos devem ser Cultura: bibliotecas, centros culturais e afins,constantemente avaliados em termos de oferta; cinemas, museus, salas de show e concertos,manutenção e gestão; qualidade; e evolução. teatros.Os indicadores devem mapear (a) acessibilidade Educação: escolas e demais instituições deaos equipamentos públicos através de sua ensino.distribuição e localização por região e (b) graus desatisfação da população com os diversos serviços Lazer e esportes: áreas de recreação,públicos. instalações esportivas. 39
  • Saúde: equipamentos de saúde, serviços de – públicos e privados – de cultura, educação, lazer saúde. e saúde, além da implementação eficiente e bem distribuída no território urbano e da constante *Serviços e equipamentos de segurança estão manutenção dos equipamentos. comentados no tema específico (8). É preciso avaliar o grau de satisfação da população com relação aos serviços e equipamentos urbanos40
  • Indicadores:Conjunto Geral
  • 7. Indicadores: conjunto geral (176)1 CONSTRUÇÃO E I N F R A E S T R U T U R A S U S T E N T Á V E I S (15) SUBTEMA GRUPO INDICADOR INDICADOR Percentual de empresas certificadas (RSE/SGA): nº. de empresas certificadas/Capacitação ambiental da Capacitação ambiental da total de empresas cadeia cadeia Percentual de edificações aferidas com sistema de capacitação ambiental: nº. de edificações aferidas/total de edificações* Percentual de edificações com adoção Acessibilidade universal dos padrões e normas de Acessibilidade ABNT NBR 9050 em relação ao total Percentual de edificações com adoção dos padrões e elementos de conforto Conforto luminotécnico luminotécnico sustentável (ABNT NBR 5413) em relação ao total Eficiência do ambiente Percentual de edificações com adoção interno dos padrões e elementos de conforto Conforto térmico térmico sustentável (ABNT NBR ISO 7730, ABNT NBR 15220) em relação ao total Percentual de edificações com adoção dos padrões e elementos de conforto Conforto acústico acústico sustentável (ABNT NBR 10152) em relação ao total Consumo energético da edificação: KWh/m2 área útil/ano Eficiência energética Eficiência energética Percentual de edificações utilizando- se de energia renovável em relação ao total42
  • SUBTEMA GRUPO INDICADOR INDICADOR Volume de resíduos de construção e demolição encaminhados para Destinação para reciclagem reciclagem (cf. Resolução CONAMA 307 ou correspondente): m3 resíduo descartado em usinas de RCD Eficiência na gestão de Percentual de obras com reuso de materiais e resíduos Reuso de materiais na materiais (reutilizáveis, reciclados, construção renováveis) em relação ao total Percentual de obras com Uso de materiais utilização de materiais certificados socioambientalmente corretos/ socioambientalmente em relação certificados ao total Percentual de edificações com Eficiência na gestão e sistemas de padrões de eficiência na manutenção gestão e manutenção em relação ao total Consumo de água potável da Eficiência na gestão e edificação: m3 água consumida/m2 manutenção área construída Eficiência no uso da água Percentual de edificações com presença de dispositivos de reaproveitamento de águas pluviais em relação ao total de edificações no território Percentual de edificações com presença de dispositivos de retençãoEficiência na drenagem das Eficiência na drenagem das de água adequado ao solo e volumeedificações e infraestruturas edificações e infraestruturas de precipitações em relação ao total 43
  • 2 G O V E R N A N Ç A (15) SUBTEMA GRUPO INDICADOR INDICADOR Gestão integrada do Existência (sim/não) território (intermunicipal/ metropolitano/ Grau de eficiência (pesquisa c/ macrorregional) população) Descentralização da gestão Existência de administração territorial regionalizada no território (sim/não) Existência (sim/não) Inteligência na gestão (“smart cities”) Grau de eficiência (pesquisa c/ população) Instâncias formais de governança Legislação, normas Existência de indicadores de e incentivos para sustentabilidade no sistema de gestão sustentabilidade territorial (sim/não) Existência (sim/não) Manutenção do território Grau de eficiência (pesquisa c/ população) Adoção de sistemas de informação da gestão territorial transparentes, Transparência confiáveis e atualizadas (sim/não) Grau de eficiência (pesquisa c/ população) Existência (sim/não) Fóruns da sociedade civil e redes participativas Grau de eficiência (pesquisa c/ população) Incentivos voluntários para Novas instâncias de Existência (sim/não) sustentabilidade governança Existência (sim/não) Planejamento urbano participativo Grau de eficiência (pesquisa c/ população)44
  • 3 M O B I L I D A D E (16) SUBTEMA GRUPO INDICADOR INDICADOR Fluidez no trânsito Velocidade Média no Trânsito (km/h)Externalidades Quantidade de acidentes no trânsito/ Segurança no trânsito população Trânsito Rápido de Ônibus (BRT) Total de passageiros transportados/dia Divisão modal: distribuição percentual da média diária dos deslocamentos: a pé, por transporte coletivo e individual, motorizado e não motorizado Extensão da rede de transporte público superior (VLT/P, BRT, Metrô) /rede de transporte total (km/km2) Geral Percentual da população que utiliza transporte Transporte coletivo/população total coletivo Percentual de empreendimentos dotados de sistemas de transporte coletivo em relação ao total Percentual de edifícios com infraestrutura para ciclistas em relação ao total Metrô Total de passageiros transportados/dia Ônibus Total de passageiros transportados/dia Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) / Total de passageiros transportados/dia Veículos Leve sobre Pneus (VLP) Existência de sistemas de uso alternativo do carro (compartilhamento/sob demanda) (sim/ Motorizado não) Frota de carros em relação à população: veículos/100 mil habitantes Densidade de espaços para caminhada Transporte (calçadas e áreas pedestrianizadas) em relação individual ao território: km2/km2 Não motorizado Percentual da população que não utiliza (caminhabilidade e ciclistas) veículos motorizados particulares em dias úteis Quantidade de ciclovias em relação à área total: km/km2 45
  • 4 M O R A D I A (9) SUBTEMA GRUPO INDICADOR INDICADOR Percentual de plantas de unidades Grau de diversidade habitacionais diversificadas em relação ao tipológica total de unidades habitacionais Grau de proximidade ao contexto urbano pré-existente (novos empreendimentos)* Grau de proximidade ao comércio local (novos empreendimentos)* Grau de inserção com o Grau de conectividade ao contexto urbano Condições de contexto urbano pré-existente (novos empreendimentos): habitação conectividade viária para carros e pedestres* Percentual de unidades residenciais a menos de 500m de distância de acesso ao transporte público em relação ao total de unidades habitacionais Adoção de padrões de desenho urbano Interação comunitária adequado ao não isolacionismo de unidades (vizinhança) habitacionais (sim/não)* Percentual de habitação de interesse social e Acessibilidade social do mercado popular (HIS E HMP) em relação ao total* Planejamento Existência de programas de moradias Financiamento habitacional acessíveis (sim/não)* Percentual de favelas e ocupações habitacionais Habitação informal informais reurbanizadas e regularizadas em reurbanizada relação ao total*46
  • 5 O P O R T U N I D A D E S (14) SUBTEMA GRUPO INDICADOR INDICADOR Percentual da população economicamente Capital humano ativa com 12 anos ou mais de Indicadores de atividades da economia Economia criativa criativa no território* “Empregos verdes” (segundo Classificação Economia do Nacional de Atividades Econômicas - conhecimento (nova CNAE)* economia) Existência de incentivos fiscais visando Negócios sustentáveis atrair empresas “verdes” (segundo atividades CNAE).* PIB da Indústria limpa (por segundo atividades CNAE) Produção local de alimentos na cidade* Razão entre endividamento pessoal/PIB Consumo da renda Razão entre crédito/PIB Taxa de inadimplência Percentual da população abaixo da linha Distribuição da renda de pobreza Economia tradicional Coeficiente de GINI Renda per capita Taxa de ocupação (percentual em relação Geração de renda à população economicamente ativa) Quantidade de empresas ativas instaladas no território 47
  • 6 P L A N E J A M E N T O E O R D E N A M E N T O T E R R I T O R I A L (20) SUBTEMA GRUPO INDICADOR INDICADOR Adoção de padrões urbanos de desenho universal (sim/não) Adoção de referencial de desenho urbano: paisagismo (sim/não) Adoção de referencial de desenho urbano: Adequação urbanística/ iluminação e direito ao sol (sim/não) desenho urbano Adoção de referencial de desenho urbano: pré-existências edificadas (sim/não) Adoção de referencial de desenho urbano: mobiliário urbano (sim/não) Adoção de referencial de desenho urbano: adequação de implantação (sim/não) Percentual de unidades residenciais a menos de 1.000m de distância das necessidades Compacidade urbanas básicas1 em relação ao total de unidades habitacionais (%) Crescimento ordenado Adoção de referenciais de desenho urbano: do território Densidade qualificada densidades qualificadas2 (sim/não) Eixos de desenvolvimento Existência de parâmetros de promoção regional e de eixos de desenvolvimento regional e macrometropolitano macrometropolitano (sim/não) Preservação do patrimônio histórico (sim/ não) Percentual de território em processo de Renovação e preservação reurbanização ou reurbanizado em relação urbanas ao total* Percentual de reuso das edificações (“retrofit”) em relação ao total de edificações pré- existentes Adequação dos empreendimentos ao sistema de mobilidade urbana existente e/ou planejado* (sim/não) Integração à mobilidade Existência de parâmetros de incentivo de crescimento integrado à mobilidade (sim/ não)48
  • SUBTEMA GRUPO INDICADOR INDICADOR Existência de marcos institucionais (agências Marcos institucionais de desenvolvimento tipo PPP - Parceria Público Privado) {sim/não) Crescimento ordenado do Adequada distribuição dos espaços de uso território: coletivo pelo território de acordo com projeto Promoção de uso coletivo de desenho urbano (sim/não) Densidade de espaços de uso coletivo em relação ao território total: km2/km2 Existência de fiscalização da adequação às Controle e fiscalização normas de uso do solo (sim/não) Existência de normas de uso do solo (sim/ Uso do solo Planejamento não) Readequação do uso do Existência de parâmetros de flexibilização do solo uso do solo (sim/não)7 Q U E S T Õ E S A M B I E N T A I S (43) SUBTEMA GRUPO INDICADOR INDICADOR Consumo médio diário de água em m3/ habitante por tipo de uso (residencial, comercial, industrial) Oferta e consumo de Indicador de reaproveitamento de águas água pluviais (m3/ano/habitante.) Água e efluentes Percentual da população com água encanada líquidos Percentual de água perdida no sistema de abastecimento Percentual da população com acesso ao sistema Esgoto e saneamento de esgoto Percentual do esgoto tratado 49
  • SUBTEMA GRUPO INDICADOR INDICADOR IAV (índice de área verde: m2 de área verde/ habitante) Gradiente verde Índice de arborização (número de árvores plantadas/ ano/1.000 habitantes) Acesso da população aos espaços verdes (raios de Parques incidência) Biodiversidade Taxa de parques e praças: m2/área total do território Índice de degradação de áreas de interesse ambiental (área de interesse ambiental ocupada irregularmente/ área de preservação na cidade) Reservas naturais Inventário da diversidade de fauna e flora presentes (sim/não) Total das áreas de preservação (m2) Ilhas de calor urbanas Ilha de calor urbana (ICU) no território* Clima Chuvas Incidência média (mm/mês) Coeficiente de permeabilidade do território (área permeável/área construída) Existência de parâmetros de escoamento d’água e Escoamento d’água e controle de enchentes (sim/não) Drenagem urbana controle de enchentes Índice de pontos de alagamento (número de pontos de alagamento/região/ano) Sistemas de drenagem presentes por retenção e infiltração (capacidade em m3) Existência de inventário de emissões (sim/não) Emissões de Emissões Existência de metas de redução de GEE e incentivos Emissões de Gases de Efeito para uso de energias renováveis (sim/não) Estufa (GEE) Emissões de GEE per capita (toneladas de CO2 equivalente) Energia de fontes renováveis/total de energia utilizada Existência de incentivos para promoção de eficiência Oferta e consumo de energética e uso de fontes renováveis de energia Energia (sim/não) energia Indicador de eficiência energética (Variação do consumo/variação do PIB) Consumo de energia em Kwh/habitante/ano50
  • SUBTEMA GRUPO INDICADOR INDICADOR Recursos naturais Existência de programas para conservação de Materiais renováveis e não recursos renováveis (sim/não) renováveis Índice de reciclagem de materiais do território* Nível de ruído urbano médio nos logradouros no território dB(A) Poluição sonora Existência de políticas de controle de som ambiente (sim/não) Poluições Existência de mapa acústico municipal (sim/não) Existência de parâmetros de controle e Poluição visual normatização da comunicação visual urbana (sim/não) Qualidade do ar Índice de Poluição Atmosférico (API) Existência de plano para retirada de pessoas de áreas de risco (sim/não)Prevenção de riscos Prevenção de riscos Existência de programa para redução de riscos ambientais ambientais ambientais (sim/não) Existência de parâmetros de proteção de encostas e vertentes (sim/não) Área do território coberta com coleta seletiva de lixo/área total do território Disponibilidade de sistemas de coleta (domiciliar, Sistema de coleta e reciclável, RCD, perigosos, industriais) (sim/não) seleção Quantidade de lixo produzida no território (kg/ habitante/ano) Percentual de lixo reciclável coletado em relação ao coletado Resíduos sólidos Existência de metas de reutilização/reciclagem de resíduos (sim/não) Número de pontos limpos para coleta de material Reutilização, reciclagem e reutilizável, reciclável ou perigoso, não coletadas compostagem juntamente com o resto do sistema de coleta normal/km2 Quantidade de resíduo orgânico utilizado para compostagem (m3) 51
  • 8 S E G U R A N Ç A (14) SUBTEMA GRUPO INDICADOR INDICADOR Grau de diversidade de renda familiar no Diversidade território* socioterritorial Grau de diversidade de atividade no território* Existência de programas públicos e/ou privados e inclusão social (sim/não) Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) Inclusão social Transferência de renda - abrangência Redução da pobreza e (Porcentagem de famílias que recebem recursos inclusão social dos programas de transferência de renda existentes na cidade) Transferência de renda - dependência (população com mais de metade de sua renda total, de rendimentos de aposentadoria, pensão e programas oficiais de auxílio) Taxa de crimes violentos fatais (Crimes violentos fatais/100.000 habitantes) Taxa de crimes violentos não fatais (Crimes Indicadores de violentos não fatais/100.000 habitantes) criminalidade Taxa de crimes contra patrimônio (Crimes contra patrimônio/100.000 habitantes) Taxa de homicídios (Homicídio/100.000 habitantes) Violência urbana Taxa de policiamento (Efetivo policial no município/100.000 habitantes) Taxa de segurança privada (Profissionais de Segurança urbana segurança privada/100.000 habitantes) Percentual de implantação de rede de vigilância remota em relação ao total de logradouros Indicador de efetividade da justiça*52
  • 9 SERVIÇOS E E Q U I P A M E N T O S (30) GRUPO SUBTEMA INDICADOR INDICADOR Quantidade de bibliotecas existentes em relação ao território (unidades/km2) Bibliotecas Distribuição de bibliotecas no território de acordo com plano urbanístico (sim/não) Número de frequentadores de bibliotecas/ano Quantidade de centros culturais existentes em relação ao território (unidades/km2) Centros culturais e Distribuição de centros culturais no território de acordo com afins plano urbanístico (sim/não) Número de frequentadores de centros culturais/ano Quantidade de cinemas existentes em relação ao território (unidades/km2) Cinemas Distribuição de cinemas no território de acordo com plano urbanístico (sim/não) Número de frequentadores de cinema/ano Cultura Quantidade de museus existentes em relação ao território (unidades/km2) Museus Distribuição de museus no território de acordo com plano urbanístico (sim/não) Número de frequentadores de museus/ano Quantidade de salas de show e concertos existentes em relação ao território (unidades/km2) Salas de show e Distribuição de salas de show e concertos no território de concertos acordo com plano urbanístico (sim/não) Número de frequentadores de salas de show e concertos/ ano Quantidade de teatros existentes em relação ao território (unidades/km2) Teatros Distribuição de teatros no território de acordo com plano urbanístico (sim/não) Número de frequentadores de teatros/ano 53
  • SUBTEMA GRUPO INDICADOR INDICADOR Quantidade de equipamentos urbanos de educação existentes em relação ao território (vagas/habitante) Escolas e demais Adequada distribuição no território de acordo com plano Educação instituições de urbanístico (sim/não) ensino Número de frequentadores de equipamentos urbanos de educação/ano Quantidade de áreas de recreação e lazer existentes em relação ao território (unidades/km2) Distribuição de áreas de recreação e lazer no território de Área de recreação acordo com plano urbanístico (sim/não) Número de frequentadores de áreas de recreação e lazer/ Lazer e ano esportes Quantidade de equipamentos esportivos existentes em relação ao território (unidades/km2) Instalações esportivas Distribuição de equipamentos esportivos no território de acordo com plano urbanístico (sim/não) Número de frequentadores de equipamentos esportivos/ano Quantidade de equipamentos urbanos de saúde existentes Equipamentos de em relação ao território (leitos/habitante) Saúde saúde Distribuição de equipamentos urbanos de saúde no território de acordo com plano urbanístico (sim/não) Serviços de uso Grau de satisfação da população com o serviço (pesquisa Geral3 coletivo com população)ObservaçõesConforme explicitado anteriormente (ver contínuo no segundo estágio do trabalho.Metodologia), esta pesquisa não pretende encerraro trabalho de construção de indicadores de Os indicadores, na sua maioria, podem ser adotadossustentabilidade no desenvolvimento imobiliário em territórios urbanos existentes (cidades, bairros,urbano, mas sim iniciá-lo. É preciso lembrar que empreendimentos urbanos) ou novos (expansõesa pesquisa deve continuar em seu segundo e territoriais, novos bairros e novos empreendimentosmaior estágio, a construção do Observatório de urbanos).Sustentabilidade Urbana, em que alguns indicadoresdeverão, naturalmente, ser aferidos, remodelados, Diversos indicadores têm interface com mais de umrefinados, aprimorados e eventualmente substituídos Tema ou Subtema; nesses casos procurou-se adotarem função de diversos fatores como (a) facilidade uma lógica de maior pertinência com os Temasde obtenção, (b) confiabilidade, (c) grau de gerais em detrimento dos Grupos-indicadores.periodicidade, todos eles variando em função dasfontes dos dados. Observe-se ainda que diversos Inúmeros Subtemas e Grupos-indicadores podemindicadores são já conhecidos e coletados em nossas receber avaliação qualitativa, como pesquisas juntocidades enquanto outros são proposições novas, que à população para aferição de graus de satisfação deladeverão ser modelados para fins de monitoramento com o serviço ou tema; procurou-se indicar apenas onde pareceu-nos de maior relevância (serviços e governança formal, por exemplo).54
  • SIGLAS E ABREVIATURAS UTILIZADAS desenvolvimento de cidades, estados e regiões. No seu cálculo são computados: educação (anosABNT NBR 9050: Normas de Acessibilidade para médios de estudos), longevidade (expectativa deDeficientes Físicos. vida da população) e Renda Nacional Bruta.API: sigla em inglês referente ao Índice de Poluição RCD: Resíduos de construção e de demolição.Atmosférico: é a medida dos cinco principaispoluentes atmosféricos: monóxido de carbono RSE: Responsabilidade Social Empresarial. A(CO), dióxido de carbono (CO2), ozônio, dióxido norma ABNT NBR ISO 26000 está estruturadade azoto (NO2), poluição por partículas e enxofre. para apresentar os princípios, práticas e temasAgências de saneamento ambiental estabeleceram centrais da responsabilidade social empresarial parapadrões nacionais da qualidade do ar para cada um que as organizações busquem aplicação nas suasdesses poluentes para proteger a saúde pública: decisões e atividades, contribuindo assim com obaixo, moderado, alto e muito alto. desenvolvimento sustentável.CONAMA: Conselho Nacional do Meio Ambiente. SGA: Sistema de Gestão Ambiental. A série ABNTResolução Nº 307, de 5 de julho de 2002. Estabelece NBR ISO 14000 contém os padrões mais aceitosdiretrizes, critérios e procedimentos para a gestão internacionalmente para o gerenciamento dosdos resíduos da construção civil: http://www.mma. aspectos ambientais de processos, produtos e serviçosgov.br/port/conama/res/res02/res30702.html. de uma organização. A ABNT NBR ISO 14001, que estabelece os requisitos de um sistema de gestãoCOEFICIENTE DE GINI: é uma medida de desigualdade ambiental, foi adotada por todos os institutos nacionaisutilizada internacionalmente e comumente usada para de padronização dos 159 países.calcular a desigualdade de distribuição de renda, maspode ser usada para qualquer distribuição. Consiste NOTAS:em um número entre 0 e 1, em que 0 correspondeà completa igualdade de renda (em que todos 1. As necessidades urbanas básicas do morador tudotêm a mesma renda) e 1 corresponde à completa são aquilo que lhe faz falta no seu dia a dia usual:desigualdade (em que uma pessoa tem toda a renda, serviços eequipamentos urbanos básicos, espaçose as demais nada têm). O índice de Gini é o coeficiente verdes, comérciolocal e assesso ao sistema deexpresso em pontos percentuais (é igual ao coeficiente transporte coletivo e devem, em núcleos urbanosmultiplicado por 100). compactos, ser assessiveis em, no máximo, 10 minutos a pé - ou estar a uma distância máxima deHIS: Habitação de Interesse Social. sua sua moradia, de 1.000 metros.HMP: Habitação de Mercado Popular. 2. Densidade qualificada é aquela planejada urbanisticamente para cada contexto territorialICU: Ilha de calor urbana: é a designação dada de acordo com os diversos usos adequados, nãoà distribuição espacial e temporal do campo de conflitantes com as necessidades dos usuários,temperatura sobre a cidade que apresenta um procurando-se a valorização do uso misto namáximo, definindo uma distribuição de isotermas. escala intra-urbana. Sugere-se, na sequência aprofundada do trabalho, as definiçõesIDH: O Índice de Desenvolvimento Humano serve numéricas das densidades adequadas, tandode comparação entre os países (ou regiões), com populacional, quanto construída.objetivo de medir o grau de desenvolvimentoeconômico e a qualidade de vida oferecida à 3. Serviços e equipamentos de segurança estãopopulação. Esse índice é calculado com base contemplados no Tema 8: SEGURANÇA.em dados econômicos e sociais. O IDH vai de 0 4. *Indicadores considerados relevantes, mas que(nenhum desenvolvimento) a 1 (desenvolvimento devem ser estudados com maior profundidadetotal). O índice também é usado para apurar o no segundo estágio da pesquisa (Observatório da Sustentabilidade Urbana). 55
  • Indicadores: Conjunto Síntese56
  • Indicadores: conjunto-síntese (62) 1 CONSTRUÇÃO E INFRAESTRUTURA SUSTENTÁVEIS 1. Consumo de água potável da edificação: m3 água consumida/m2 área construída 2. Consumo energético da edificação: KWh/m2 área útil/ano 3. Percentual de edificações com presença de dispositivos de reaproveitamento de águas pluviais em relação ao total de edificações no território 4. Percentual de edificações com presença de dispositivos de retenção de água adequado ao solo e volume de precipitações em relação ao total de edificações no território 5. Volume de resíduos de construção e demolição encaminhados para reciclagem: m3 resíduo descartado em usinas de RCD 2 GOVERNANÇA 1. Adoção de sistemas de informação da gestão territorial transparentes, confiáveis e atualizadas (sim/não) 2. Existência de fóruns urbanos da sociedade civil (sim/não) 3. Existência de planejamento urbano participativo (sim/não) 4. Existência de indicadores de sustentabilidade no sistema de gestão territorial (sim/não) 5. Grau de eficiência na manutenção do território (pesquisa qualitativa com a população) 3 MOBILIDADE 1. Densidade de espaços para caminhada (calçadas e áreas pedestrianizadas) em relação à área total: km2/km2 2. Extensão da rede de transporte coletivo/rede de transporte total (km/km) 3. Número total de acidentes no trânsito/população 4. Quantidade de ciclovias em relação à área total: km/km2 5. Velocidade Média no Trânsito (km/h) 57
  • 4 MORADIA 1. Percentual de plantas de unidades habitacionais diversificadas em relação ao total de unidades habitacionais (%) 2. Percentual de unidades residenciais a menos de 500m de distância de acesso ao transporte público em relação ao total de unidades habitacionais (%) 5 OPORTUNIDADES 1. Coeficiente de GINI (0-1) 2. Percentual de pessoas abaixo da linha de pobreza (% em relação ao total populacional) 3. População economicamente ativa com 12 anos ou mais de educação formal (% em relação ao total populacional) 4. Renda per capita (R$) 5. Taxa de ocupação (% em relação às pessoas economicamente ativas) 6 PLANEJAMENTO E ORDENAMENTO TERRITORIAL 1. Adequação do empreendimento urbano ao sistema de mobilidade urbana existente e/ou planejado (sim/não) 2. Adoção de referencial/padrões de desenho urbano no território/empreendimento (sim/não) 3. Adoção de referenciais de desenho urbano para densidades qualificadas2 no território/ empreendimento (sim/não) 4. Densidade de espaços de uso coletivo em relação ao território total: km2/km2 5. Existência de parâmetros de promoção de eixos de desenvolvimento regional e macrometropolitano no território (sim/não) 6. Existência de fiscalização da adequação às normas de uso do solo no território/empreendimento (sim/não) 7. Existência de normas de uso do solo no território/empreendimento (sim/não) 8. Percentual de unidades residenciais a menos de 1.000m de distância das necessidades urbanas básicas1 em relação ao total de unidades habitacionais (%)58
  • 7 QUESTÕES AMBIENTAIS1. Acesso da população aos espaços verdes (raio de incidência em metros a partir da unidade residencial)2. Área do território coberta com coleta seletiva de lixo/área total do território (km2/km2)3. Coeficiente de permeabilidade do território: área permeável/área total (km2/km2)4. Consumo de energia em Kwh/habitante/ano5. Consumo médio diário de água em m3/habitante por tipo de uso (residencial, comercial, industrial)6. Emissões de GEE per capita no território (habitante/m2) (tonelada co2 equivalente)7. Existência de parâmetros de escoamento d’água e controle de enchentes (sim/não)8. Existência de programa para redução de riscos ambientais no território (sim/não)9. Existência de parâmetros de proteção de encostas e vertentes no território (sim/não)10. Existência de parâmetros de controle e normatização da comunicação visual urbana (sim/não)11. IAV (índice de área verde: m2/habitante)12. Ilha de Calor Urbano (ICU) no terrerritório13. Indicador de reaproveitamento de águas pluviais (m3/ano/habitante)14. Índice de Poluição Atmosférico (API)15. Nível de ruído urbano médio nos logradouros no território dB(A)16. Percentual de energia de fontes renováveis/total de energia utilizada no território17. Percentual da população com água encanada (%)18. Percentual da população com acesso ao sistema de esgoto (%)19. Quantidade de lixo produzida no território (kg/habitante/ano)20. Quantidade de lixo reciclável coletado (toneladas)/quantidade total de lixo coletado (toneladas)8 SEGURANÇA1. Crimes violentos fatais (crimes violentos fatais/100.000 habitantes)2. Crimes violentos não fatais (crimes violentos não fatais/100.000 habitantes)3. Crimes contra patrimônio/100.000 habitantes4. Efetivo policial/100.000 habitantes5. Existência de programas públicos e/ou privados e inclusão social no território (sim/não)6. IDH7. Percentual de implantação de rede de vigilância remota em relação ao total de logradouros (%)8. Quantidade de profissionais de segurança 100.000 habitantes 59
  • 9 SERVIÇOS E EQUIPAMENTOS 1. Grau de satisfação da população com os serviços urbanos (pesquisa qualitativa) 2. Quantidade de equipamentos urbanos de educação existentes em relação ao território (vagas/ habitante) 3. Quantidade de equipamentos urbanos de cultura existentes no território (unidade/km2) 4. Quantidade de equipamentos urbanos de lazer e esportes existentes em relação ao território (unidade/km2) 5. Quantidade de equipamentos urbanos de saúde existentes em relação ao território (leitos/habitante)ObservaçõesEste conjunto-síntese é derivado do conjunto geral b. seleção de indicadores mais específicos aode indicadores e deve ser reportado àquele para se foco do trabalho, ou seja, de maior pertinênciaconstruir o panorama geral da pesquisa. junto ao setor do desenvolvimento imobiliário urbano;Os critérios para a construção dos indicadores- c. seleção de indicadores por relevância esíntese foram: consistência temática frente ao quadro de parâmetros de sustentabilidade urbanaa. adoção de indicadores mais consolidados em referencial internacional. termos de possibilidade de mensuração neste momento;60
  • Referências
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  • Ficha técnica
  • Ficha TécnicaRealização:Secovi-SP: Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Comerciaise Residenciais de São Paulo (www.secovi.com.br)Presidente: João CrestanaVice-presidente estratégico: Cláudio BernardesFDC: Centro de Desenvolvimento da Sustentabilidade na Construção (CDSC), Núcleo Petrobras deSustentabilidade da Fundação Dom Cabral (www.fdc.org.br)Coordenador: Cláudio Boechat.Elaboração e coordenação:Carlos Leite (FDC, FAU Mackenzie)Rafael Tello (FDC)Idealização e Coordenação (Secovi-SP):Ciro Scopel, Vice-presidente de SustentabilidadeCláudio Bernardes, Vice-presidente EstratégicoHamilton de França Leite Jr., Diretor de SustentabilidadeRevisão de conteúdo:Clarice Degani, consultora (Secovi-SP)Ronaldo Sá Oliveira (Secovi-SP)Assistentes de pesquisa:Lucas Amaral Lauriano (FDC)Heitor Savala (FAU Mackenzie)Fernanda Saeta (FAU Mackenzie)Gestão executiva:Silvia Carneiro (Secovi-SP)Secretaria Secovi-SP:Márcia Lima D’AvanzoComunicação Secovi-SP:Catarina Anderáos68
  • Projeto gráficoCélula de Edição de Documentos | Fundação Dom CabralDiagramaçãoCélula de Edição de Documentos | Fundação Dom CabralRevisão OrtográficaTexto e Imagem Revisão Ltda.Stakeholders participantes dos workshops realizados no Secovi-SP em 2011:Nome EmpresaAndré Xavier CTEAndressa Tavares Scopel Desenv. Urbano Ltda.Aron Zylberman Cyrela Brasil Realty RJZ Empres Imobs. Ltda.Carlos Borges Construtora Tarjab Ltda.Cibele Riva Rummel Cittá Patrimonio, Empr. e Desenv. Ltda.Cicero Yagi Clade Serv. Cons. Empres. Ltda.Ciro Scopel Scopel Desenv. Urbano Ltda.Clarice Degani Secovi/SPClaudio Bernardes Ingaí Incorporadora S/AEduardo Della Manna Construtora Della Manna Ltda.Enzo Camargo Praia Grande Constr. Ltda.Flavio Amary Renato Amary Emprs. Imobs. Ltda.Geraldo Bernardes Silva Filho Bernardes Marquese Adm. Bens Ltda.Hamilton de França Leite Júnior Casoi - Catioca Sociedade Imobiliaria Ltda.João Crestana Torrear Incorps Planj. Imobs. Ltda.Karina Ferraz Bastos Scopel Desenv. Urbano Ltda.Luiz Augusto Pereira de Almeida Sobloco Constr S/ALuiz Eduardo de Oliveira Camargo Tech Eng. Ltda.Luiza Camargo Praia Grande Constr. Ltda.Marcelo Takaoka Y Takaoka Empreend. S/AMarcia Menezes CTEMarcos Camargo Praia Grande Constr. Ltda.Marcos Velletri Convivencia Eng., Planej. E Constr. Ltda.Mariana Brito Even Constr. E Incorp Ltda.Mariângela Iamondi Machado Lello Conds. Soc. Simples Ltda.Mauro Pincherle SG Realty 69
  • Michel Rosenthal Wagner Michel Rosenthal Wagner AdvsNewton Figueiredo Sustentax Eng. De Sust. Ltda.Paulo Germanos Constr. Germanos Ltda.Renata Galasso Itaplan Imovs Soc Servs Ltda.Renato Ventura Secovi/SPRoberta Bigucci M Bigucci Com Empres. Imobs. Ltda.Sergio Mauad Construarc S/A Constrs70
  • Realização: