A AVALIAÇÃO EM ARTES VISUAIS: Considerações Preliminares

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  • 1. 1 UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE ARTES SOLANGE ARAÚJO DE OLIVEIRAA AVALIAÇÃO EM ARTES VISUAIS: Considerações Preliminares Trabalho de Conclusão do Curso de graduação, habilitação em Artes Visuais, do Departamento do Instituto de Artes da Universidade de Brasília. Orientador Prof. Dr. Belidson Dias. Co-Orientadora Prof.(a): Raquel Nava Rodrigues. Cruzeiro do Sul, Acre – 2011
  • 2. 2 SUMÁRIOINTRODUÇÃO 3CAPÍTULO I1.1 A formação do professor 71.2 A avaliação da aprendizagem 81.3 A concepção de cultura visual 91.4 A avaliação em artes visuais 111.5 Proposta de avaliação em artes visuais 151.6 Metodologia 17CONCLUSÃO 18BIBLIOGRAFIA 19
  • 3. 3INTRODUÇÃO Este projeto aborda uma temática indissociável da prática docente: aavaliação. Dessa forma, o tema deste trabalho é assim definido: “ A avaliação emartes visuais”. A disciplina de arte, assim como todas as outras que compõem ocurrículo escolar, precisa ser compreendida pelos arte/educadores para ser bemtrabalhada na escola, e assim, proporcionar mudanças significativas em todos osaspectos que envolvem o processo de ensino e aprendizagem dos alunos em artesvisuais. A avaliação de forma geral é vista pela maioria dos alunos e professorescomo algo que causa incômodo e desconforto em determinadas situações, alémdisso, sabe-se que na maioria das vezes os alunos acabam sendo punidos nadisciplina de arte por suas produções plástico-visuais não agradarem aos olhos dosprofessores, pois ainda existe o tradicional paradigma de que a beleza estética deveconstar nas produções visuais dos alunos. Diante da temática escolhida, considera-se que a avaliação em artes visuaisdeve partir de atividades contextuali zadas que visem a observação, a percepção, afruição de ideias, a troca de experiências, e ainda, o desenvolvimento de habilidadesnecessárias para a formação de cidadãos conscientes e atuantes na sociedade. Énessa perspectiva que surge a necessidade dos professores de artes visuaispossuírem conceitos muito bem assimilados para desenvolverem suas práticasavaliativas com eficiência, sem prejuízos para os alunos e nem para sua práticadocente. Partindo desse pressuposto, um dos conceitos fundamentais para oexercício de tal prática é que os professores compreendam antes de qualquer coisa,o que é a arte na contemporaneidade. Herbert Read afirma que, A arte é uma dessas coisas que, como o ar ou o solo, estão por toda a nossa volta, mas que raramente nos d etemos para considerar. Pois a arte não é apenas algo que encontramos nos museus e nas galerias de arte, ou em antigas cidades como Florença e Roma. A arte seja lá como a definimos, está presente em tudo que fazemos. (READ, 2001, p.16). Sabe-se que o conceito de arte hoje, não se restringe às produções tidascomo “belas”, ou seja, não está mais relacionado a padrões estéticos que definem ogosto visual do indivíduo, mas está intrinsecamente ligado com as individualidades
  • 4. 4de cada pessoa e/ou grupo de pessoas que cria, constrói, reconstrói, enfim, queconvive e interage na sociedade. Uma vez que a arte faz parte de todas asmanifestações culturais, não devemos vê -la, nem tampouco considera-la, como umaprodução isolada do ser humano, pois faz parte da sua história de vida. De acordo com o dicionário Aurélio, (2001, p.317), a estética é o “Estudo dascondições e dos efeitos da criação artística”. Diante disso, a arte/educaçãocontemporânea não requer que os alunos sejam julgados por suas habilidadesmanuais ou pelos valores estéticos explícitos em suas produções plástico/visuais, esim que as mesmas sejam valorizadas de acordo com o contexto cultural em queforam criadas. Considerando que o gosto é peculiar de cada indivíduo, umaprodução artística jamais irá agradar aos padrões estéticos de todos, afinal, o queagrada a um pode desagradar ao outro e assim sucessivamente. Atualmente a arte tem espaço garantido no currículo escolar, mesmo assi m,ainda é tratada com indiferença na maioria das instituições escolares, como se nãotivesse nenhuma importância para a formação dos alunos em todas as modalidadesdo ensino básico. Apesar das grandes mudanças ocorridas no ensino de arte naescola, ainda hoje são desenvolvidas atividades que comprometem o seu verdadeirosentido na educação. Com base nisso, se faz necessário saber como a disciplina dearte está sendo trabalhada no espaço escolar, se está realmente sendo bemdesenvolvida e contribuindo para a formação cultural dos alunos, pois se sabe queela é indispensável à formação social e cultural dos cidadãos e que, portanto,precisa ser compreendida em todos os seus aspectos pedagógicos e metodológicos. Nesse sentido, a realização deste trabalho torna-se relevante à minhaformação uma vez que já atuo na área de arte, e como arte/educadora devoconhecer essa prática que é inerente à ação docente no âmbito escolar – aavaliação. Os alunos da atualidade estão submersos no mundo tecnológico, onde o usoda imagem faz parte do cotidiano através da televisão, da internet, do contato comlivros e revistas, do contato direto entre as pessoas, enfim, convivem num mundorepleto de imagens, que influenciam diretamente nas suas escolhas e reproduçãoimagética. Portanto, percebe-se que a mídia influencia na formação do gosto dosalunos, seja na escolha de um modelo de roupa, na produção de uma maquiagem,tatuagem, até mesmo em outras linguagens artísticas como a dança e a música.
  • 5. 5Diante disso, afirma-se que a cultura visual é um processo de formação continuadaque é (re) construída ao longo da vida através de experiências vividas no dia a dia. Barbosa afirma que, A cultura visual não se ocupa somente com o visual, mas com outras formas sensoriais de comunicaçõ es, e não se concentra somente nos fatos e artefatos visuais observáveis, mas também se volta para os modos e os diversos contextos da visão e representaç ão. (BARB OSA, 2006, p. 284). A cultura visual tem forte relação com o trabalho proposto, pois, na maioriadas vezes, a concepção de cultura visual dos professores compromete o resultadoda avaliação das produções dos alunos, considerando que exigem que os alunosproduzam algo que não corresponde ao contexto cultural no qual estão inseridosnem tão pouco, as suas maneiras de ver e representar a realidade vivida no dia adia, portanto, a falta de conhecimentos dos educadores dificulta o processoavaliativo e compromete o desempenho dos alunos. A realização deste trabalho também assume papel importante tanto para acomunidade quanto para a escola e/ou artista, pois se os alunos forem submetidos auma avaliação coerente, não serão ignorantes ao observarem uma obra de arte ouuma proposta artística, aprenderão a respeitar as produções plástico-visuais ecompreenderão o contexto sociocultural onde foram produzidas. O ato de avaliarpode ter um resultado tanto positivo quanto negativo na sociedade, dependendo damaneira de como este é realizado. Para fundamentar teoricamente este trabalho, realizei pesquisa no ParâmetroCurricular Nacional de Arte para o Ensino Fundamental, no Referencial Curricular deArte para o 9º ano, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96, etambém nas argumentações de alguns teóricos como: Ana Mae Barbosa, JussaraHoffmann, Rerbert Head, Fernando Hernández, Irene Tourinho, Philippe Perrenoud,e Isaura Belloni, que contribuíram para a discussão referente a temática em estudo.E de acordo com as informações teóricas obtidas na pesquisa foi elaborada umaproposta de avaliação em artes visuais para o 9º ano do Ensino Fundamental daescola Antônio de Oliveira Dantas situada em Mâncio Lima – Acre, com o intuito decontribuir com a prática avaliativa no ensino de artes.
  • 6. 6 Diante dessas evidências, este trabalho propõe um estudo sobre “AAvaliação em Artes Visuais”, para que se possa conhecer as teorias quefundamentam o processo avaliativo nessa modalidade artística e dessa formaadquirir embasamento teórico sobre o assunto pesquisado para posteriormente seraplicado na prática docente.
  • 7. 7CAPÍTULO I1.1 A formação do professor Uma das questões mais preponderantes em todo o processo de ensino eaprendizagem é a formação docente. O sistema de ensino exige dos professoresuma série de ações (planejamento, avaliação, conhecimento e domínio deconteúdos, metodologias construtivas, utilização de recursos tecnológicos, e etc),que requerem conhecimentos específicos para serem executados na prática. Noentanto, os professores como mediadores de conhecimentos escolares precisamestar em constante formação para acompanhar o desenvolvimento do mundoglobalizado, ou seja, acompanhar as constantes mudanças e evoluir em seusconhecimentos teóricos e práticos. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96 no Art. 62determina que, “A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á emnível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades einstitutos superiores de educação...”. Portanto, afirma-se que a formação dosprofessores inicia-se com um curso de licenciatura e pode estender-se por diversoscaminhos a serem trilhados, basta ter oportunidades e vontade de estar sempreconhecendo algo novo, no entanto, é fundamental que estejam sempre inovandoseus conhecimentos para também inovar sua prática docente. Outro fator importanteé que os professores atuem na sua área de formação, caso contrário, osconhecimentos adquiridos ao longo de sua formação não contribuirão em nada paraa sua prática docente principalmente no que se refere ao domínio de conteúdos. A atuação dos professores que possuem formação adequada, e queparticipam constantemente de cursos de formação continuada, garante odesenvolvimento de uma prática pedagógica inovadora que contribui para o bomdesenvolvimento da aprendizagem dos alunos. Diante disso, afirma-se que énecessário que os professores sejam pesquisadores constantes, que estejamabertos as novas propostas de ensino e aprendizagem impostas pelo sistema deeducação e assim, desenvolvam com competência as ações que são inerentes assuas práticas em sala de aula. De acordo com a velocidade em que as mudanças estão ocorrendo nasociedade contemporânea, é importante que além da licenciatura, os professores
  • 8. 8participem de cursos de formação continuada, isso é o mínimo que se espera paraque não tenham seus conhecimentos ultrapassados.1.2 A avaliação da Aprendizagem A avaliação escolar consiste na utilização de estratégias que visam adescoberta de informações acerca do que foi ensinado e aprendido no âmbitoeducacional. A avaliação da aprendizagem refere-se tanto a aprendizagem dosalunos quanto à prática educativa dos professores, pois é uma prática fundamentalpara o bom desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem. SegundoBelloni (2000, p.15), a avaliação é “um processo sistemático de análise de umaatividade, fatos ou coisas que permite compreender, de forma contextualizada, todasas suas dimensões, com vistas a estimular seu aperfeiçoamento”. Diante disso,afirma-se que a avaliação deve ser um processo cumulativo, cooperativo e contínuoque abarca do início ao fim de uma determinada etapa. Avaliar, portanto, deve seruma questão de cotidiano, uma prática constante entre alunos e professores. Alémdisso, deve servir como incentivo de melhorias para a prática docente econsequentemente para a boa aprendizagem dos alunos. Ao realizar atividades avaliativas, os professores devem sempre se questionarsobre o valor da atividade desenvolvida: qual contribuição trará a aprendizagem dosalunos, se realmente estão aprendendo ou não, refletir sobre qual é a melhormaneira para ajudá-los na superação das dificuldades, e ainda, refletir sobre aprática pedagógica desenvolvida para (re) orientá -los novamente. Portanto, cabeaos professores a adoção de métodos avaliativos, de acordo com a necessidadee/ou realidade dos alunos na escola, que visem à concretização dos objetivos daaprendizagem e ainda, que garanta uma educação de qualidade para todos osenvolvidos nesse processo. Hoffmann diz que, À medida que se concebe a avaliação como um compromisso de futuro, o olhar para trás deixa de ser explicativo ou comprobatório e trans forma -se em ponto de partida para a ação pedagógica. Projet ar a avaliação no futuro dos alunos significa reforçar as setas dos seus caminhos: confiar, apoiar,
  • 9. 9 sugerir e, principalmente, desafiá-los a prosseguir através de provoc ações significativas . (HOFFMA NN, 2001, p. 28). Sugere-se que a avaliação da aprendizagem, seja sempre o ponto de partidada ação docente e que esta esteja vinculada a um princípio básico que favorece odesenvolvimento dos alunos dentro de suas necessidades e possibilidades deaprendizagem como: o contexto cultural no qual estão inseridos, pois paraHoffmann, (2001, p. 98), “é preciso ultrapassar o controle para se proceder,efetivamente, à mediação da experiência educativa, no sentido de observar o alunoem atividade para ajustá-las as suas possibilidades”. Partindo desse pressuposto, aavaliação é fator determinante na formação dos alunos, e que precisa ser realizadaconstantemente pelos professores através de atividades que registram oacompanhamento diário dos alunos durante todo o processo de ensino eaprendizagem. Segundo Perrenoud, Em todos os casos, a avaliação não é um fim em si. É uma engrenagem no funcionament o didático e, mais globalmente, na seleção e na orientação escolares. Ela serve para controlar o trabalho dos alunos e, simultaneament e, para gerir os fluxos. (PERRE NOUD, 1999, p. 13). Assim, a avaliação deve ser vista como um fio condutor tanto da ação dosprofessores quanto dos alunos. É importante que os resultados da avaliação sejamconsiderados pelos professores ao desenvolverem novas propostas deaprendizagem, pois através deles, é possível fazer a intervenção e/ou articulaçãoentre o que foi ensinado, o que foi aprendido, o que não foi aprendido, o que seprecisa aprender e assim simultaneamente. Portanto, deve ser um meio queproporcione mudanças na organização do trabalho de professores e alunos, umavez que a avaliação escolar fundamenta todas as ações educativas.1.3 A concepção de cultura visual Atualmente o termo “cultura visual” ainda é visto pela maioria dosprofessores de artes visuais como uma temática muito complexa, pois engloba uma
  • 10. 10infinidade de aspectos sociais e culturais relacionadas à visualidade da imagemcontemporânea. De acordo com Tourinho, A educação da cultura visual cruza abordagens da arte e das ciências sociais visando um olhar crítico e investigativo em relação às imagens e aos modos de ver, valorizando a imaginação, o prazer e a c rítica como constituintes das práticas de produção e interpretação de visualidades. Ao compreender arte e imagem como cultura, a cultura visual explora usos e possibilidades educativas e pedagógicas de um amplo espectro de visualidades que inclui imagens de arte, ficção, publicidade, entretenimento e informação. (TOURINHO, 2011, p.4). Com base nisso, a educação da cultura visual torna-se fundamental noprocesso de ensino e aprendizagem em artes visuais, para tanto, é preciso que osprofessores possuam conceitos definidos acerca desse termo para saberemescolher conteúdos, traçar objetivos, aplicar metodologias e também, realizar umaavaliação condizente com os novos paradigmas educacionais que o ensino de artepropõe. Hernández afirma que, Sobre o debat e em torno do que denominamos por cultura visual, converge uma série de propostas intelectuais em termos das práticas culturais relacionada ao olhar e às maneiras de olhar na vida contemporânea, especialmente sobre as práticas que favorecem as representações de nosso tempo e levam-nos a representar narrativas do passado. (HE RNÀ NDE Z, 2007, p. 22). Percebe-se a grande importância da cultura visual ser compreendida noâmbito escolar como um instrumento capaz de mediar à interação entre alunos eprofessores, bem como seu meio sócio/cultural, proporcionando momentos deaquisição e ampliação de conhecimentos através do uso da imagem, pois a culturavisual diz respeito a convivência do indivíduo na sociedade imagética. Além disso, éfundamental que a cultura visual seja compreendida como um conjunto de fatoresinternos e externos que desencadeiam ações conjuntas de produção, recepção epercepção da imagem, e que a mesma não seja compreendida como uma imagemou um conjunto de imagens isoladas do contexto imagético social contemporâneo. Sendo assim, propõe-se que a produção visual dos alunos sejacompreendida dentro do contexto em que foi criada, pois é composta de signos e
  • 11. 11significados implícitos e explícitos que justificam sua origem, e trazem muitasinformações sobre seu contexto de criação/produção. Os professores de artesvisuais devem compreender esses fundamentos para compreender e valorizar aconcepção visual dos alunos, sendo que a mesma muitas vezes é ignorada naescola pela falta de conhecimento por parte dos professores. Ao avaliar uma produção visual os arte/educadores, devem desenvolver umolhar voltado aos aspectos sociológicos e conceituais no trabalho dos alunos,considerar o que o aluno conseguiu realizar, de que forma, se foi criativo com osmateriais que utilizou, se conseguiu expressar-se na linguagem estudada, enfim,existem diversos elementos que devem ser valorizados nas produções dos alunosque são mais importantes do que a opinião estética dos professores, como o “bonito”e o “feio”, isso ridiculariza o sentido do ensino de arte. Vale a pena ressaltar, que a ideia não é “passar a mão na cabeça dosalunos”, de forma alguma. Todas as atividades devem ser orientadas eacompanhadas pelos professores, só que diante de todo o esforço, não podem serreprovados posteriormente, simplesmente porque o resultado do trabalho nãoagradou ao gosto dos professores. É nítido que se os alunos forem orientados eacompanhados durante uma atividade de produção, conseguirão concluir seutrabalho, agora, se esse trabalho vai agradar os professores ou não, isso nãoimporta na arte/educação, pois o objetivo do ensino de arte na atualidade não éformar artistas. O ensino de arte deve contribuir para a formação íntegra do cidadãoconsciente e atuante na sociedade, portanto, a avaliação dos conhecimentosartístico/visuais, pode contribuir tanto para o pleno desenvolvimento da cidadaniaquanto para a marginalização, e isso depende muito da ação avaliativa, ou seja, damaneira como os professores “vêem” as produções artísticas dos alunos.1.4 A avaliação em artes visuais O ensino de artes visuais na escola é composto por diversas etapas quepermeiam o processo de ensino e aprendizagem, e contribuem para o plenodesenvolvimento dos alunos, a maneira como o professor avalia é uma delas. Aprática avaliativa compreende todos os aspectos da expressão humana, entretanto,deve ser realizada de maneira contínua no contexto educacional, pois esses
  • 12. 12aspectos se fazem presentes nas diversas etapas do processo educativo, inclusiveno processo de produção e apreciação artístico/visual. Desde que a disciplina de arte conquistou seu espaço no curr ículo escolar,houve mudanças significativas nas propostas educativas da arte/educação de modoque hoje diversos parâmetros subsidiam o processo de ensino e aprendizagem emartes visuais. Considerando que o ensino de artes visuais na escola, visa odesenvolvimento de competências e habilidades que precisam ser desenvolvidasnos alunos ao longo de uma determinada etapa e/ou período, sugere-se que omesmo obedeça alguns critérios de avaliação, fundamentais para a construção doconhecimento de artes visuais dos alunos. O Parâmetro Curricular Nacional de Arte aponta vários critérios que devemser considerados dentro do processo avaliativo em artes visuais do 6º ao 9º ano doEnsino Fundamental: Criar formas artísticas por meio de poéticas pessoais; Estabelecer relação com o trabalho de arte produzido, por seu grupo e por outros sem discriminação estética, artística, étnica e de gênero; Identificar os elementos da linguagem visual e suas relações em trabalhos artísticos e na natureza; Conhecer e apreciar vários trabalhos e objetos de arte por meio das próprias emoções, reflexões e conhecimentos e reconhecer a existência desse processo em jovens e adultos de distintas culturas; Valorizar a pesquisa e a freqüentação junto às fontes de documentaç ão, preservaç ão, acervo e veiculação da produção artística. (PARÂME TRO CURRICULA R NACIONAL DE ARTE, 1998, p. 69). Assim, as atividades avaliativas realizadas com os alunos nessa fase deescolarização, devem contemplar aspectos que abordem e contribuam para aconcretização dos objetivos almejados para o final do 9º ano do EnsinoFundamental, onde se espera que os alunos já possuam uma formaçãoartístico/visual de qualidade, e consequentemente já estejam educados visualmentea ponto de saberem respeitar e valorizar a diversidade cultural existente no seu meiosocial e no mundo, ou seja, que não discriminem nenhum indivíduo ou grupo deindivíduos por questões peculiares de sua cultura.
  • 13. 13 As Orientações Curriculares para o Ensino Fundamental da SecretariaEstadual de Educação do Acre apontam alguns objetivos de aprendizagem em artesvisuais para o 9º ano do Ensino Fundamental, Expressar-s e nas modalidades da linguagem visual (desenho, pintura, gravura, tecelagem, cerâmica, escultura e instalaç ão), experimentando e pesquisando suas possibilidades; Desenvolver a autoconfiança com a sua própria produção plástica, relacionando com a dos colegas e de artistas da comunidade, valorizando e respeitando a diversidade art ística das diversas etnias da cultura brasileira e de outras culturas; Apreciar e ler imagens de diferentes culturas e épocas, da arte popular, folclórica, indígena ou erudita, local, brasileira ou internacional, e compará-las com a produção visual dos alunos na escola, compreendendo o contexto histórico e cultural de produção, através de reproduções ou visitas a museus, centros culturais ou comunitários, galerias, feiras e eventos populares ou indígenas; Conhecer e identificar as profissões e os profissionais de artes plásticas e comunicação visual da região, suas organizações de produção e de agremiaç ão e sua forma de atuação na sociedade. (ORIENTA ÇÕES CURRICULA RES PARA O ENSINO FUNDAME NTAL, 2002, p. 25 a 28). Assim sendo, é possível planejar e executar atividades avaliativas emartes visuais condizentes com o contexto sócio/cultural dos alunos, uma vez que osconteúdos e metodologias propostas apontam para o estudo de práticas educativasreferentes à realidade dos mesmos. Por isso, a proposta é que arte/educadoresbusquem fazer a interlocução das diversas modalidades da linguagem visual comfatos do cotidiano dos alunos desde a abordagem teórico/prática até a avaliação. Éatravés desse confronto que a construção do conhecimento acontece de maneirasignificativa, pois a partir do momento em que os alunos perceberem que as práticasdo seu dia a dia estão sendo articuladas na escola, sendo valorizadas ereconhecidas, com certeza atribuirão maior sentido a sua aprendizagem. Para avaliar uma produção visual seja ela do tipo que for, é preciso fazer aleitura da produção do aluno e avaliá-lo com um olhar crítico voltado para seucontexto sócio/cultural. É importante que os professores compreendam adiversidade cultural de cada aluno, pois isso influencia diretamente nas suasproduções, dessa forma, evidencia-se que a avaliação em artes visuais requerprofessores capacitados para exercer tal função, pois caso contrário irá cometerinjustiças ao avaliar as produções visuais dos alunos. Segundo Barbosa, A Proposta Triangular é construtivista, interacionista, dialogal, multiculturalista e é pós -moderna por tudo isto e por articular art e como expressão e como cultura na sala de aula, sendo esta articulação o denominador comum de todas as propostas pós-modernas do ensino da
  • 14. 14 arte que circulam int ernacionalmente na cont emporaneidade . (BARBOSA, 1998, p. 41). Diante dessas evidências, pode-se afirmar que as atividades avaliativasdevem partir de experiências realizadas dentro e fora da sala de aula, baseadas empráticas sociais referentes ao cotidiano dos educandos, ou seja, não pode limitar-seapenas ao fazer artístico, mas também a apreciação e contextualização da produçãoartístico/visual produzida pelos alunos, pois é com base nessas ações que a práticaeducativa e/ou avaliativa se concretiza e surte efeitos positivos na aprendizagem dosalunos. Ainda sobre a Proposta Triangular, Barbosa afirma que: A Proposta Triangular não indica um procedimento dominante ou hierárquico na combinação de várias ações e seus conteúdos. Ao contrário, aponta para o conceito de pertinência na escolha de determinada ação e conteúdos enfatizando, sempre, a coerência entre os objetivos e os métodos. (BARB OSA, 2002, p. 69). Portanto, recomenda-se que haja uma interação entre os três eixos daaprendizagem em arte defendidos pela autora da Proposta Triangular: fazer,contextualizar e apreciar, para que os alunos tenham de fato e de direito umaaprendizagem significativa, pois os mesmos articulam-se entre si, e não podem sertrabalhados de maneira isolada. Contudo, não existe uma ordem para trabalhá -los, oimportante é que os arte/educadores saibam desenvolver ações educativas quecontemplem todas as três etapas que favorecem o ensino e aprendizagem em arte.Com base nesses aspectos, acredita-se que a avaliação deve se fazer presente emtodos os momentos de ensino, pois todas as etapas são importantes para o plenodesenvolvimento das competências e habilidades artístico/vis ual dos alunos. É de fundamental importância que estas etapas sejam abordadas nas aulasde artes visuais de maneira que os alunos experimentem várias abordagensteórico/práticas relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem em arte aponto de compreender seu próprio contexto, e descobrir os significados que podematribuir a sua formação e/ou a sua vida. Por estes motivos, os arte/educadoresprecisam ficar atentos as maneiras como os alunos se comportam diante dedeterminada atividade de produção desde sua criação, até a apreciação, enfim, éfundamental que compreendam as linhas e as entrelinhas do trabalho feito pelosalunos, pois a avaliação das artes visuais requer um olhar crítico dos professores.
  • 15. 15 O momento da avaliação é tão pertinente ao processo de desenvolvimentodos alunos, quanto da própria prática pedagógica dos arte/educadores, pois o bomdesempenho de um depende do outro. Portanto, sugere-se que o mesmo nãoaconteça de maneira isolada, com o único objetivo de atribuir uma nota aos alunos. Partindo do pressuposto de que a avaliação em artes visuais deve acontecercontinuamente na sala de aula, propõe-se que todas as atividades de produçãosejam avaliadas desde o ato de criação ao de apreciação através de diversasatividades realizadas com fins avaliativos como anotações feitas pelos professores,organização de exposições dentro e fora da sala de aula, organização de portfólios,descrição da imagem produzida, organização de álbuns digitais com fotografias dasproduções, registros reflexivos sobre o trabalho realizado, enfim, existem umainfinidade de atividades que podem ser desenvolvidas com o objetivo de avaliar osconhecimentos adquiridos pelos alunos em artes visuais no âmbito educacional.1.5 Proposta de avaliação em artes visuais De acordo com as Orientações Curriculares para o Ensino Fundamental(Referências para o 9º ano do Ensino Fundamental) e diante dos estudos realizadoselaborei uma proposta de avaliação para a disciplina de arte, especificamente namodalidade das artes visuais para o 9º ano do Ensino Fundamental. Os conteúdos sugeridos em artes visuais pela proposta da Secretaria deEducação do Estado do Acre para o 9º ano são: desenho, pintura, gravura,tecelagem, cerâmica, escultura e instalação. Portanto, proponho que os alunossejam avaliados durante todo o percurso das aulas envolvendo tanto as aulasteóricas quanto as práticas, contudo, os critérios e métodos serão definidos deacordo com a realidade escolar e com os conteúdos estudados. Dentro de qualquer um desses conteúdos, é fundamental que os professoresabordem em sala de aula conceitos históricos, teóricos e práticos, que proporcionemdiversas oportunidades de aprendizagem onde os alunos tenham vários caminhosque possibilitem a compreensão do que é ensinado, e para que os resultados daavaliação não sejam negativos, afinal, se os alunos compreenderem os conteúdosesses resultados serão positivos. Para avaliar os conhecimentos teóricos e práticos desenvolvidos no decorrerdos estudos, sugiro que os professores de arte do 9º ano utilizem como instrumentos
  • 16. 16de avaliação os trabalhos escritos, questionários objetivos, atividades orais comrespostas pessoais (debates), apresentação de seminários, pesquisas, entrevistascom artistas locais, elaboração de cartazes informativos, e outros. Com relação aavaliação das atividades práticas sugiro que utilizem métodos como exposiçõesdentro e fora da sala de aula, atividades de (re) leitura de imagens, atividades ondeos alunos possam comentar oralmente sobre suas produções (rodas de conversa),elaboração de painéis, e outras. Destaca-se a importância dos professores saberem “adaptar” osinstrumentos e métodos de avaliação de acordo com os conteúdos estudados e comos objetivos propostos para cada conteúdo. Por exemplo, ao elaborar aulas de artesobre a escultura, os professores podem desenvolver inúmeras atividades comfinalidades avaliativas tanto no estudo teórico quanto no prático, como: Trabalhar a origem (história) da escultura; Destacar nomes de escultores importantes para a história das artes visuais no Brasil e no mundo; bem como suas principais obras; Incentivar a realização de pesquisas, e apresentação de seminários; Atividades de debate; Realizar visitas a museus; (pode ser a um museu virtual); Propor que escolham materiais e produzam uma escultura; Organizar a exposição com as produções dos alunos na sala de aula ou em outro espaço da escola; Depois da exposição, solicitar que comentem oralmente sobre as atividades realizadas durante os estudos sobre a escultura; ou que escrevam um registro reflexivo; Todas estas atividades podem ser utilizadas por professores de arte com oobjetivo de avaliar a aprendizagem em artes visuais dos alunos, pois possibilitam acompreensão lógica da aprendizagem dos mesmos, considerando que se oconteúdo teórico foi bem assimilado será refletido na prática e vice-versa. Épreferível que haja a articulação entre os saberes teóricos e práticos e que aavaliação aconteça em todos os momentos do processo de ensino, pois não é justoe nem recomendado, avaliar só os conhecimentos teóricos, nem só os práticos.Dessa forma, não é possível descobrir os avanços e nem os obstáculos a seremvencidos pelos alunos.
  • 17. 17 Portanto, o método de avaliação que defendo para o ensino de artes visuaisé a avaliação formativa e contínua, pois é realizada durante todo o desenvolvimentodas aulas e permite que os professores façam o acompanhamento progressivo dosalunos e percebam se os objetivos de aprendizagem foram satisfatórios ou não, paraa partir dessas informações, intervir pedagogicamente de maneira a contribuir comuma boa aprendizagem dos alunos em artes visuais.1.6 Metodologia A realização deste trabalho constou com várias etapas. Primeiramente foifeita uma pesquisa bibliográfica sobre a formação do professor, a avaliação daaprendizagem, a cultura visual, e a avaliação em artes visuais com a finalidade deobter informações teóricas que subsidiassem o principal objetivo deste trabalho –elaborar uma proposta de avaliação em artes visuais. Em seguida, foi feita aelaboração de uma proposta de avaliação em artes visuais para o 9º ano do EnsinoFundamental da escola Antônio de Oliveira Dantas, dentro da técnica artística daescultura, portanto, a mesma pode ser utilizada por professores de arte de outrasescolas e também ser reajustada para os outros conte údos a serem trabalhados noreferido ano. A escassez de fontes bibliográficas dificultou a realização deste trabalho ,mesmo assim, consegui realizá-la de maneira satisfatória, pois adquiri e aprofundeimuitos conhecimentos sobre a temática em estudo.
  • 18. 18CONCLUSÃO A realização deste trabalho trouxe bastantes contribuições à minha formação,pois, através da pesquisa bibliográfica tive a oportunidade de conhecer mais a fundosobre a avaliação educacional e desenvolver reflexões acerca do ensino de artesvisuais na escola com exclusividade referentes a prática avaliativa desta modalidadeartística. Ao finalizar a pesquisa, percebi que a avaliação em artes visuais, não deveser realizada com o único objetivo de atribuir nota aos alunos, mas sim, que devecontemplar todo o processo de desenvolvimento artístico e cultural que permeia aformação dos mesmos. Portanto, a prática avaliativa em artes visuais deve ser desenvolvida demaneira coerente considerando as individualidades de cada aluno, proporcionandomomentos de reflexão e de auto-avaliação para todos os envolvidos no processoeducativo – alunos, professores de artes visuais e toda a equipe pedagógica daescola. Sabe-se que a avaliação é tão importante para a aprendizagem do alunocomo para o desenvolvimento de uma boa prática pedagógica, pois é a partir delaque o professor irá tecer novos rumos, novas metodologias, enfim, a avaliação é abase de toda a prática docente. Diante disso, pode-se afirmar que a avaliação da aprendizagem em artesvisuais pode contribuir para a plena formação dos alunos/cidadãos atuantes nasociedade, basta que seja realizada com o objetivo de promover a aprendizagem e odesenvolvimento dos educandos. Salienta-se que para o desenvolvimento de umaavaliação coerente e significativa é importante que haja um vínculo de confiança ecolaboração entre professores e alunos, pois a expectativa positiva em relação acapacidade de aprendizagem dos mesmos só fará crescer seu desempenho. Alémdisso, é importante fazer com que eles acreditem que são capazes, assim, serápossível perceber o interesse e os avanços conquistados no decorrer de todo oprocesso de ensino e aprendizagem em arte Diante das diversas dificuldades encontradas no decorrer deste trabalho,aprendi muito com a realização do mesmo, pois foram adquiridos muitosconhecimentos sobre a temática em estudo, que trouxeram contribuiçõessignificativas a minha formação e prática docente, mesmo assim, tenho a certeza deestes podem ser aprofundados e melhorados posteriormente.
  • 19. 19BIBLIOGRAFIA:BARBOSA, Ana Mae. Tópicos Utópicos. 6. Ed. Belo Horizonte: C/Arte, 1998.BARBOSA, Ana Mae. Inquietações e Mudanças no Ensino de Arte. (org.). – 4.Ed. - São Paulo: Cortez, 2008.BARBOSA, Ana Mae. Arte/Educação contemporânea: consonânciasinternacionais. São Paulo. Cortez, 2006.BELLONI, Isaura. Metodologia de avaliação em políticas públicas: umaexperiência em educação profissional. São Paulo: Cortez, 2000.Cadernos de Orientação Curricular. Orientações Curriculares para o EnsinoFundamental. Versão preliminar para análise. Dança/ Artes Visuais/ Música/ Teatro.Rio Branco – Acre, 2002.FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurério Século XXI: o minidicionárioda língua portuguesa. 5ª Ed. rev. Ampliada. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.HERNÁNDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projeto detrabalho; tradução: Jussara Haubert Rodrigues. – Porto Alegre: Artmed, 2000.HOFFMANN, Jussara. Avaliar para promover: as setas do caminho. – PortoAlegre: Mediação, 2001.Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional - lei nº9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. – 5. ed. –Brasília: Câmara dos Deputados, Coordenação Edições Câmara, 2010.PERRENOUD, Philippe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens –entre duas lógicas. Trad. Patrícia Chittoni Ramos. – Porto Alegre: Artes Médicas Sul,1999.READ, Herbert. A Educação Pela Arte. Tradução: Valter Lellis Siqueira. - SãoPaulo: Martins Fontes, 2001.Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Arte(5ª A 8ª série). – Brasília: MEC/ SEF, 1998.TOURINHO, Irene. In Cultura Visual e Escola. Ano XXI Boletim 09 – Agosto de2011.