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INTERVENÇÃO URBANA NO ENSINO NÃO FORMAL Aproximando a arte do público em Sena Madureira-AC

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Tcc: Núcia Saboia Ferreira, Polo de Sena Madureira-Acre.

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  • 1. Universidade Aberta do Brasil Universidade de Brasília Instituto de Artes Departamento de Artes Visuais Núcia Sabóia Ferreira INTERVENÇÃO URBANA NO ENSINO NÃO FORMALAproximando a arte do público em Sena Madureira-AC Sena Madureira – 2011
  • 2. Núcia Sabóia Ferreira INTERVENÇÃO URBANA NO ENSINO NÃO FORMALAproximando a arte do público em Sena Madureira-AC Trabalho de conclusão do curso de Artes Visuais do Instituto de Artes, habilitação em Licenciatura do Instituto de Artes da Universidade de Brasília. Orientadora: Profª Msª Ludmila de Araújo Correia Sena Madureira – 2011
  • 3. Dedico este trabalho às duas pessoas que mais estiveram presente na minha vida durante o curso, ainda que virtualmente, das quais o apoio eincentivo que recebi foi de fundamental importância nesse período: Cirlandae Ludmila. Talvez você, Ludmila, não tenha noção do quanto foi importante nesses quatro anos e continuará sendo, pois você me cativou e, cativar é criar laços, por isso estaremos unidas pelo laço da amizade.
  • 4. AGRADECIMENTOSAgradeço em primeiro lugar a Deus que me permitiu perseverar nesses quatroanos de curso, me fortalecendo nos momentos difíceis. Agradeço minha famíliaque sempre me apoiou e incentivou nos estudos, em especial meus pais, AliceBezerra Sabóia e Luiz Gonzaga Ferreira, pela bela educação e valoresfamiliares que me ensinaram. Hoje esses valores compõem meu caráter eminha personalidade, tudo o que sou como pessoa é graças a eles.À minha grande amiga Cirlanda Costa que sempre me deu apoio constante, àsminhas amigas e companheiras de curso, Rauany Mendes, Socorro Pinheiro eThays Mara e à Francisca Almeida do Carmo Coordenadora do Polo da UABem Sena Madureira. Durante esse percurso muitas professoras tutorascontribuíram com meu aprendizado, mas meu agradecimento especial é parapessoas especiais, Lisa Minari, Thelma Melo, Ana Uhle, Patrícia Glayds, IaraPena, Daniela Freitas e Kárita Borges que está conosco nessa reta final. Porfim, minha imensa gratidão à pessoa que mais esteve presente na minha vidadurante o curso, minha querida orientadora Ludmila de Araújo Correia, quemesmo à distância, a qualquer hora do dia ou da madrugada esteve disponívelpara me ajudar.
  • 5. RESUMOEste trabalho tem o intuito de apresentar a importância da intervenção urbanaenquanto linguagem artística, em uma proposta para o ensino não formal deSena Madureira, no Acre. Sendo este o primeiro trabalho realizado na cidade,pretendeu-se apresentar as contribuições da intervenção urbana para asociedade local, a partir da aproximação entre arte e público que essalinguagem possibilita. Na realização de algumas intervenções em diferentesespaços públicos da cidade, a mais recente em uma instalação na PraçaArlindo Figueiredo, foi observada uma experiência produtiva com participação einteração do público presente. Nesse sentido, propusemos que seja realizadauma oficina de intervenção urbana objetivando valorizar o ensino de arte nocontexto de ensino não forma local. Espera-se que o grafite digital e asinstalações motivem o processo criativo dos participantes na realização daoficina que terá duas horas de trabalho por dia durante uma semana.Palavras-chave: Intervenção Urbana; Educação não formal; Instalaçãoartística.
  • 6. Lista de FigurasFigura 1: Azulejos ............................................................................................ 14Figura 2: Ensacamento ................................................................................... 15Figura 3: Desvio para o Vermelho.....................................................................16Figura 4: Grafite feito por Basquiat....................................................................17Figura 5: Grafite feito Binho Ribeiro...................................................................18Figura 6: Grafite feito pelos Gêmeos.................................................................18Figura 7: Tiradentes...........................................................................................19Figura 8: Paulista...............................................................................................20Figura 9: Paulista...............................................................................................20Figura 10: Garrafas de Coca-Cola.....................................................................21Figura 11: Cédulas.............................................................................................21Figura 12: Parangolé.........................................................................................22Figura 13: Tropicália..........................................................................................23Figura 14: Magic................................................................................................24Figura 15: Os penetráveis..................................................................................24Figura 16: Os penetráveis..................................................................................25Figura 17: Folhas Douradas..............................................................................26Figura 18: Pintando Muro..................................................................................27Figura 19: Intervenção em árvore......................................................................27Figura 20: Intervenção na Igreja........................................................................27
  • 7. Figura 21: Instalação com calcinhas..................................................................28Figura 22: Instalação com calcinhas..................................................................28Figura 23: Instalação com calcinhas..................................................................28Figura 24: Projeção do vídeo.............................................................................30Figura 25: Respondendo questionário...............................................................30Figura 26: Instalação com calcinhas..................................................................38
  • 8. SUMÁRIOINTRODUÇÃO .................................................................................................... 81 INTERVENÇÃO URBANA NO ENSINO NÃO FORMAL ............................. 121.1 A Intervenção Urbana como linguagem artística ................................... 131.2 Instalação Artística ................................................................................. 161.3 Grafite digital em instalações artísticas ................................................. 181.4 “Artistas que inspiram: Cildo Meireles e Hélio Oiticica” ......................... 202 MÃO NA MASSA! REALIZANDO UMA INTERVENÇÃO EM SENAMADUREIRA ..................................................................................................... 292.1 A reação do público ..................................................................................... 343 Proposta de OFICINA .................................................................................. 37CONCLUSÃO .................................................................................................... 40REFERÊNCIAS ................................................... Error! Bookmark not defined.ANEXO A – QUESTIONÁRIO ........................................................................... 43ANEXO B - Plano de aula ................................................................................. 45
  • 9. 9 INTRODUÇÃOEsse trabalho apresenta a Intervenção Urbana como uma linguagem artísticapara o ensino não formal na cidade de Sena Madureira, no Acre. A principalmotivação deste trabalho surgiu da necessidade de divulgar uma linguagemartística que não é tão conhecida na comunidade de Sena Madureira.Às pessoas estão acostumadas com a arte em locais próprios para suaexposição, como museus, galerias e outros espaços que não permitem umamaior aproximação do público com as obras. Entretanto a cidade de SenaMadureira, não dispõe de espaços de exposição da arte. Assim, a intervençãonos espaços públicos, além de permitir a interação entre os espectadores e aobra de arte, também estimula novas formas de manifestação da arte podendodar visibilidade aos artistas locais.A intervenção urbana, em linhas gerais é uma linguagem artística que permiteestabelecer, em um espaço público, uma interação direta entre a sociedade e osujeito, podendo transformar o cotidiano, o contexto sociocultural e o próprioespaço. Enquanto espaço de produção e exposição da arte, proporciona novaspossibilidades aos espectadores e à sociedade em geral, porque permite quequalquer pessoa, ao transitar por ele, seja desafiada a mergulhar no mundoartístico. As intervenções podem transformar a forma de vermos e fazermosarte além de mudar a estética do espaço onde está inserida.Essa prática artística nos permite produzir livremente nossos trabalhosartísticos expressando nossas manifestações, o que não significa que seja algotão simples. É um trabalho que requer cautela, cuidado e envolvimento tantoem relação aos propósitos estéticos quanto aos aspectos sociais, culturais etambém políticos envolvidos. Afinal, a linguagem intervém em espaçoscoletivos e urbanos normalmente bastante frequentados, muitas vezes provoca“tumultos” em prédios, praças, parques, alterando a rotina de um bairro ou umacidade, em uma sociedade regida por normas políticas e pelo poder público.
  • 10. 10Como parte da disciplina Laboratório de Arte e Tecnologia deste curso, 1realizamos pequenas intervenções e observamos que as pessoas gostaram doque viram, especialmente quando utilizamos um programa de computadorchamado “ciberurbe” que permite a realização de intervenções feitas com o usodas tecnologias.Sendo assim, utilizamos experiências práticas com a instalação como ponto departida para discutir e verificar as contribuições da intervenção urbanaenquanto linguagem artística para a comunidade de Sena Madureira. Osobjetivos deste trabalho são apresentados a seguir.Objetivo central:• Apresentar as contribuições da intervenção urbana enquanto linguagem artística para o ensino não formal na comunidade de Sena Madureira-Ac.Objetivos específicos:• Discutir a intervenção urbana como linguagem artística buscando-se demonstrar que a arte pode ser bem mais abrangente do que se ensina nas escolas;• Identificar as reações ou emoções despertadas no público em uma experiência de intervenção utilizando instalação artística relacionando-as com a proposta do trabalho;• Apresentar uma proposta educativa voltada para a intervenção urbana em espaços não formais da comunidade de Sena Madureira-AC;A Metodologia empregada foi uma pesquisa exploratória baseada em pesquisabibliográfica e entrevistas. A primeira foi feita com o intuito de obter1 A disciplina LAT foi ministrada pelo professor Christus Nóbrega, da mesmaforma o software ciberurbe foi criado pelo próprio professor.
  • 11. 11conhecimentos teóricos sobre intervenção urbana e instalação, conhecerartistas que trabalham com essa prática artística, seus trabalhos e os impactosque esses causaram na sociedade. Para análise das diferentes reações que aintervenção pode provocar nos espectadores, realizou-se uma experiência deintervenção na qual foi distribuído um pequeno questionário, com questõesrelacionadas à intervenção urbana e à instalação enquanto práticas artísticas.Tais elementos contribuíram para construção de conhecimento mais amplossobre intervenções urbanas, principalmente para os espectadores que nãoconheciam essa linguagem artística.Ao observar as atitudes das pessoas percebe-se, que nem todos estãopreparados para vivenciar novas experiências, sabe-se que a intervenção éuma linguagem que rompe as barreiras que aproxima espectador e obra dearte e é exatamente para essa aproximação que muitos ainda não estãoprontos.Esta monografia está organizada em três capítulos. O primeiro apresenta aintervenção enquanto linguagem artística na educação não formal, destacandoa relação da obra com os espectadores e a valorização do ensino de artedentro e fora das escolas, tendo em vista que esta se insere em espaçospúblicos.Já o segundo capítulo refere-se às contribuições que as intervenções artísticaspodem trazer para o ensino não formal na comunidade de Sena Madureira apartir de uma experiência de instalação artística realizada ao longo da pesquisa.O terceiro capítulo aprofunda questões relevantes para a execução do trabalho,como pesquisas bibliográficas, pesquisa de ação e realização de instalação emespaço público. Essa instalação será desenvolvida durante uma semana numaoficina de intervenção urbana, além da instalação serão feitas algumasintervenções de grafite digital com o software ciberurbe.
  • 12. 121. INTERVENÇÃO URBANA NO ENSINO NÃO FORMALSabe-se que a construção do saber é algo que não acontece apenas nasescolas. Quando se fala em arte os locais de aprendizagem podem ser os maisvariados, incluindo lugares públicos, o que causa surpresa nas pessoas queestão habituadas a verem arte apenas em locais próprios para sua exposição,como galerias e museus. Dai a necessidade de divulgar uma linguagemartística que não é conhecida na cidade de Sena Madureira.No ensino não-formal existe um grande protagonista: o educador, que motivaseu público a buscar novos saberes, movidos pela curiosidade de aprendersempre mais (ITAÚ CULTURAL, 2007). Por outro lado, a educação não deixade ser um espaço de saberes construídos coletivamente, e o educador tem opapel de instigar o grupo a investigar a realidade e o contexto no qual estãoinseridos.É importante ressaltar que no processo de aprendizagem não-formal oeducador tanto ensina quanto aprende, interagindo com os demais indivíduosem seu contexto sociocultural, permitindo-se entender melhor a cultura do outro.Assim, “o educador não-formal propõe a produção de saberes a partir datradução de culturas locais existentes, procurando fazer novo alento a essasculturas” (FREIRE P, 1983, apud ITAÚ CULTURAL, 2007, p. 17).O ensino não-formal vem sendo posto em prática com mais frequência naeducação, uma forma enriquecedora de vincular essa modalidade de ensino àarte é a intervenção urbana, por ser uma excelente possibilidade paraconstrução do saber coletivo com interatividade. Quando várias pessoas sedisponibilizam a realizar uma intervenção trazendo para esta suas experiênciasde outras atividades artísticas, educacionais e/ou culturais esse processo deensino aprendizagem se torna mais prazeroso, ensino porque transmitimosconhecimento, aprendizagem porque quando trabalhamos em grupo sempreganhamos com a experiência do outro.Em Sena Madureira, não contamos atualmente com espaços ou iniciativas deeducação não-formal em artes visuais, por isso pretendo desenvolver umaproposta de educação não-formal com a comunidade local sobre intervenção
  • 13. 13urbana. Além disso, se houver algum artista local que se proponha a contribuircom essa proposta de trabalho, será algo ainda mais produtivo para o ensinonão-formal na cidade.A seguir, apresentaremos algumas questões conceituais e exemplosrelacionados à intervenção urbana e as linguagens artísticas usualmenteutilizadas, com destaque para a instalação.1.1. A Intervenção Urbana como linguagem artísticaIntervenção Urbana é uma linguagem artística que se caracteriza porintervenções realizadas em espaço público. É uma linguagem utilizada comoelemento de articulação com a realidade cotidiana onde o participante é omotor da obra e tem autonomia para assumir uma postura crítica diante dastransformações causadas pela intervenção urbana, pois estas sempre tem opropósito de modificar um espaço ou chamar atenção para questões sociais oupolíticas como fizeram Cildo Meireles, Hélio Oiticica e outros artistasconhecidos no Brasil e na Europa.Atualmente percebe-se um destaque cada vez maior no que se refere ao lugarda arte, sobretudo quando se trata de intervenção urbana. A intervenção é emgeral experimentada pelo espectador num espaço aberto e, em alguns casos opúblico contribui com a construção da obra, descobrindo novas possibilidadesde criação artística que o motiva a contemplar, interagir quando possível e apenetrar na obra desenvolvendo e executando habilidades que aguçam ossentidos: visão, audição e paladar de diferentes formas.É importante ressaltar que existem diversos tipos de intervenções urbanas,desde pequenos adesivos até grandes instalações artísticas. Algumasinstalações e grafite digital costumam se destacar nos espaços públicos nosquais são inseridas. O grafite digital se caracteriza uma intervenção quando elepermite que o público interaja com a obra, dentre outras formas isso acontecequando se utiliza o software ciberurbe nas intervenções, pois o público participae colabora com a transformação instantânea de um ambiente dando novasformas às obras criadas pelo artista, criando obras próprias, assim como podenão haver interação ou participação do público na obra, em alguns casos esse
  • 14. 14público é apenas espectador, observa, contempla, analisa, mas não interferena obra ou objeto de arte já criado pelo artista.Um elemento que encanta na intervenção urbana é ação realizada, ou seja,uma intervenção não tem que ser algo fixo, permanente, algo que fique estáticopara sempre num determinado lugar. O que torna a intervenção uma açãocriativa e motivadora é o agora, é a transformação feita na rua, no muro ou emqualquer outro espaço aberto, como exemplo disso temos o Poro, uma duplade artistas que fazem arte dessa forma nas ruas, em lugares abandonados eutilizando objetos, ferramentas simples como papel e outros. O importante éque não são trabalhos feitos de qualquer forma, ou para sair da rotina, mastudo tem uma razão de ser. Normalmente para questionar alguma situação,alertando as pessoas sobre questões cotidianas que passam despercebidas nasociedade. E, sabemos que através da arte é possível conscientizar aspessoas. O Poro é composto por Marcelo Terça-Nada e Brígida Campbell. Umde seus trabalhos mais conhecidos chama-se azulejos.A intervenção consiste numa série de imagens de azulejos impressas em off-set sobre papel jornal em tamanho natural (15x15 cm). Os Azulejos de papelsão instalados em muros de casas e lotes abandonados, ou casa de amigos.Os azulejos também são distribuídos para que as pessoas façam suas própriasinstalações. Figura 1: Azulejos Marcelo Terça-Nada (2010) Fonte: Arquivo pessoal, 2011.
  • 15. 15Outro grupo marcante no campo das intervenções urbanas foi o 3Nós3,composto pelos artistas paulistas Hudinilson Júnior (1957), Mario Ramiro(1957) e pelo gaúcho Rafael França (1957-1991). Os mesmo criaram o grupoem 1979. Durou apenas quatro anos, e sua atuação se deu até 1982. Porémdeixou sua marca registrada na história da arte através de 11 intervençõesurbanas. Suas manifestações foram consideradas transgressoras e práticasmarginais diante do contexto ao qual estavam inseridos. Uma intervenção quecausou muita polêmica na época foi o “ensacamento”. Esse trabalho foirealizado de madrugada, os mesmos ensacaram estátuas e monumentos comsaco de lixo deixando os políticos e outras pessoas de status da sociedaderevoltadas com essa atitude. No entanto o objetivo foi alcançado, suasintervenções causaram muita polêmica. Figura 2 Ensacamento, São Paulo, 27 abril de 1979. Noticiado pelos jornais impressos Folha da Tarde (28 de abril de 1979), Última Hora (28 de abril de 1979) e Diário da Noite (28 de abril 1979). Fonte: http://artesvisuaisjp.blogspot.com/2010/08/artistas-e-obras-citados-arte.htmlExistem atualmente muitos movimentos relacionados à intervenção urbana,entre eles um chamado underground, que com o passar do tempo foi ganhandoforça e se estruturando. Underground formado por um grupo de pessoas quenão estão preocupadas em seguir padrões convencionais, e isso é umacaracterística comum na intervenção urbana, pois esta não segue padrões,veio para romper a ideia de que arte tem que ser tudo bem definido epadronizado, desmitificando tais conceitos. É uma cultura urbanacontemporânea que não segue modismo e normalmente não está na mídia,
  • 16. 16isso já é algo incomum porque as intervenções costumam serem destaques denoticiários, sobretudo nos dias atuais, na cultura digital onde tudo de algumaforma vai parar na mídia.Algo admirável nas intervenções urbanas são as reações que causam nopúblico, seja esse público observador, admirador ou apenas um andante quepassa e por acaso se admira com a intervenção feita em um espaço no qualnunca havia detido seu olhar. Schultz (2005) apresenta um exemplo dessasreações quando se refere ao indivíduo que se depara com uma pichação noalto de um prédio e se espanta ao se dá conta de que se trata do seu local detrabalho, o que não se sabe é se tal reação de espanto provou atitudes deadmiração ou crítica nesse indivíduo.A análise do autor deixa claro que apesar de causar reações de espanto nãoquer dizer necessariamente que haja mudança de atitude do indivíduo emrelação àquilo que lhe despertou essa reação, ou seja, isso não garante que aatitude negativa da pessoa diante de uma intervenção se torne positiva.Para Schultz (2005), a interação do público por meio da experimentação é algoimportante na intervenção urbana, pois permite que crianças, jovens e adultostenham participação ativa na criação de uma obra, com liberdade de seexpressar e estabelecer relações novas com os espaços públicos que sofreramintervenções artísticas.Independente do tempo, lugar ou espaço, a intervenção urbana promove oencontro da obra de arte com o público de forma interativa e encantadora,provocando reações diversas, além de permitir o contato direto do público coma arte e novos olhares sobre espaços urbanos que antes passavamdespercebidos.1.2. Instalação ArtísticaEntre os diferentes tipos de intervenção urbana, uma que se destaca é aInstalação Artística, por ser uma linguagem que causa impacto na sociedade eatrai a atenção do público, protesta contra injustiças sociais e permite interaçãocom o espectador.
  • 17. 17Conforme afirma Cristina Freire (2006), a instalação vem romper com regrasformais ou convencionais, com as esferas do público e do privado, estreitandoa relação entre arte e vida e aproximando a arte do público. Isso representa ummomento significativo na história da arte contemporânea. A Intervenção Urbanadesprende a arte de seu destino como mercadoria, a Instalação é umarepresentação disso, é uma linguagem que proporciona aproximação com o aspessoas tornando o espaço urbano uma obra de arte acessível a todos.Foi a partir da década de 60 que o termo “instalação” que até então significavamontagem (a instalação) de uma exposição passa a nomear essa operação emque o espaço (entorno) torna-se parte constituinte da obra. (FREIRE, 2006,p.45).Sua origem vem do movimento dadaísta que se popularizou nos anos 70,quando artistas reuniram diferentes materiais num determinado espaço e oreconstruíram criticamente, a partir de um arranjo de elementos. Uma reflexãocuidadosa sobre seus princípios e análise da intenção do artista sãoimportantes nas instalações.A instalação Desvio para o vermelho I: impregnação, de Cildo Meireles, é umexemplo de como nos diferentes espaços em que foi apresentada foramincluídos todos os objetos da instalação. Buscou-se, assim, manter a maiorfidelidade possível ao projeto original, embora em cada contexto, em cadasituação, as possibilidades de recepção sejam sempre variáveis (FREIRE,2006).
  • 18. 18 Figura 3 Cildo Meireles, Desvio para o vermelho I: Impregnação, II: Entorno, III: Desvio, materiais diversos, dimensões variáveis, 1967-84. Foto: Eduardo Eckenfels Fonte: http://www.inhotim.org.br/noticia/view/14Considero que as instalações são o tipo de intervenção mais interessante porserem provocativas e por possibilitarem interação com o público. Atualmente,temos ainda a possibilidade de realizar uma instalação utilizando o grafitedigital, o qual possibilita que haja interação com o espectador. Esse processode diálogo entre público e obra é perceptível para quem as observa.1.3. Grafite digital em instalações artísticasO grafite digital é uma das muitas possibilidades de intervenção urbana, quepode ser utilizado como instalações artísticas. É uma manifestação da arteinserida em espaços públicos. Mas nem todas as inscrições em grafite podemser consideradas instalações, assim como nem todas as instalações sãoconsideradas intervenções. O grafite está ligado a diferentes movimentos, emespecial ao Hip Hop, para o qual o grafite é uma forma de expressar aopressão vivenciada pela humanidade e chegou ao Brasil na década de 70, jácom estilo brasileiro que se tornou conhecido em todo mundo. Sabe-setambém que em torno do grafite giram algumas polêmicas, pois de um lado éreconhecido como movimento artístico, e de outro é visto como poluição visual.No entanto, sabemos que o grafite é uma arte que se generalizou pelo mundocom o movimento de contracultura de 1968, quando os muros de Paris setornaram “palco de inscrições de caráter poético político”.
  • 19. 19Dentre os grafiteiros, o mais célebre foi Jean Michel Basquiat que no final dosanos 1970, despertou a atenção da imprensa novaiorquina, sobretudo pelasmensagens poéticas que deixava nas paredes dos prédios abandonados deManhattan. Figura 4 Grafite feito por Basquiat 2009 http://bethccruz.blogspot.com/2009/03/grafiteiro-artista-de-vanguarda-street.html Figura 5 Grafite feito por Binho Ribeiro http://bethccruz.blogspot.com/2009/03/grafiteiro-artista-de-vanguarda-street.html
  • 20. 20 Figura 6 http://bethccruz.blogspot.com/2009/03/grafiteiro-artista-de-vanguarda-street.html1.4. “Artistas que inspiram: Cildo Meireles e Hélio Oiticica”Vários artistas brasileiros aderiram à linguagem da intervenção urbana comouma prática artística, adeptos à sua proposta de desmontar conceitosestabelecidos no campo da arte, possibilitar ao homem contemporâneo o livreacesso e a democratização da cultura de seu tempo.Dos trabalhos de Cildo Meireles, um que chamou bastante atenção dasociedade em geral foi Tiradentes, no qual amarrou várias galinhas a um postenuma praça pública, isto aconteceu na época da ditadura militar como forma deprotesto contra várias mortes de seres humanos que estavam ocorrendonaquele momento. Quando o artista se propõe fazer uma intervenção dessenível, espera-se que sua obra seja impactante, o que significa que diferentesreações serão despertadas no público. Na obra citada, apesar de seu protestoter sido feito contra a ditadura militar, despertou a fúria dos protetores dosanimais que não compreenderam a crítica feita por Cildo às muitas vidas deseres humanos que foram tiradas estupidamente. Dessa forma, percebe-seque a intervenção realmente leva as pessoas a terem as mais variadas einesperadas reações.
  • 21. 21 Figura 7 Tira Dentes (Cildo Meireles) Fonte: http://vilamundo.org.br/2010/09/primeira-e-ultima-inaugura-nova-fase-da-galeria-luisa- strina/Barja (2006) apresenta outro exemplo interessante de intervenção de CildoMeireles, a “Avenida Paulista”, uma crítica ao sistema capitalista na qual aparticipação do público foi decisiva, pois houve um alto grau de interação coma proposta. O artista pensou numa proposta inusitada num local bastantefrequentado por grandes investidores e empresários. Produziu para essa obracentenas de parafusos de ouro, os inseriu aleatoriamente nas pedrasportuguesas da avenida. E segundo informações publicadas na mídia,sobretudo nos jornais de negócios da época “houve muito executivo ajoelhadona calçada garimpando os parafusos de ouro”. Figura 8 Paulista ( Cildo Meireles) Fonte: http://bienalartecultura.blogspot.com/2009/01/no-territorio-vasto-cildo-meireles-e.html
  • 22. 22 Figura 9 Paulista (Cildo Meireles) Fonte: http://bienalartecultura.blogspot.com/2009/01/no-territorio-vasto-cildo-meireles-e.htmlCildo Meireles também apresentou obras importantes na exposição Informationno Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA). Meireles apropria-se deobjetos que transitam no meio público, ou seja, objetos inseridos no dia-a-diacom palavras contundentes subvertendo seu sentido, como os projetos Coca-Cola e Cédula, criados nas “Inserções e circuitos ideológicos,” que surgiram danecessidade de se criar um sistema de troca de informações que fossecontrário ao da imprensa e que não dependesse de um controle centralizadonas mãos daqueles que detinham o poder. As frases contidas nas garrafasretornáveis e nas cédulas eram críticas ao sistema da ditadura, dessa formaforam postas em circulação e transmitiam informações explorando edespertando a capacidade sensorial do público.
  • 23. 23 Figura 10 Cildo Meireles, Garrafas de Coca-Cola retornáveis 1972 Figura 11 Cildo Meireles, Cédulas 1979Fonte: http://patriciamarablog.wordpress.com/2010/08/31/%E2%80%9Cinsercoes-em-circuitos- ideologicos%E2%80%9D-e-suas-implicacoes-no-contexto-social-atual/No projeto Coca-cola, o artista imprimiu nas garrafas a frase “Yankees, goHome”, fazendo com que as palavras passassem de mão em mão. Já na obraCédula, estas foram carimbadas com a frase “Quem matou Herzog?” e postas2 Cildo Meireles participa da exposição Information, realizada no The Museum of Modern Art - MoMA[Museu de Arte Moderna] de Nova York, em 1970, considerada como um dos marcos da arte conceitualrealiza a série Inserções em Circuitos Ideológicos. O artista intervém em sistemas de circulação de notasde dinheiro ou garrafas de Coca-Cola, para difundir anonimamente mensagens políticas durante aditadura militar.
  • 24. 24em circulação novamente. Tanto as garrafas de Coca-Cola quanto as cédulasde dinheiro implicam no alcance de um sistema de troca muito mais amplo doque o sistema convencional, sistema de troca que segundo Freire (2006) éimpossível de ser controlado.Hélio Oiticica é um artista cuja produção se destaca pelo caráter experimental einovador. Seus experimentos, que pressupõem uma ativa participação dopúblico, são em grande parte acompanhados de elaborações teóricas,comumente com a presença de textos. Com as Invenções de 1959, o artistamarca o início da transição da tela para o espaço ambiental, o que ocorrenesse ano com os Bilaterais - chapas monocromáticas pintadas com têmperaou óleo e suspensas por fios de nylon - e os Relevos Espaciais, suas primeirasobras tridimensionais.Segundo Hélio Oiticica o museu é a rua (BARJA, 2008). Essa sem dúvida éuma afirmação que se encaixa de forma perfeita no campo das intervençõesurbanas. Trata-se exatamente da arte fora dos museus e galerias, já quenestes ambientes a arte só se faz acessível a um número reduzido de pessoas.Levando a intervenção para as ruas estamos levando a arte até as pessoas, eelas se aproximam com mais liberdade, pois na rua todos são iguais. Pensandonessa aproximação do público com a arte, Oiticica criou várias intervençõesque permitem contato direto com os indivíduos, como o grande sucessoParangolé. Trata-se de uma espécie de capa parecida com uma bandeira feitade pano, borracha, tinta, cola e outros materiais no qual foi inserido no corpo deum sambista.
  • 25. 25 Figura 12 Parangolé (Hélio Oiticica) Fonte: http://bethccruz.blogspot.com/2010/03/helio-oiticica-arte-e-parangoles.htmlOiticica também participou da exposição Information no Museu de ArteModerna de Nova York (MoMA). Deixando bem claro que não representava oBrasil, que no momento vivia sob a ditadura militar. O artista apresentou aopúblico norte-americano um texto com aspectos da obra “Tropicália”,considerado “antiarte ambiental" que teve lugar no fim da década de 1960. OsPenetráveis, de 1960 e 1963 -, assim como o projeto de aproximar a arte dascoisas do mundo, borrando as fronteiras entre arte/antiarte. "Pretendo estendero princípio de apropriação" disse ele. "Às coisas do mundo com que me deparonas ruas, nos terrenos baldios, nos campos, no mundo ambiente, enfim -coisas que não seriam transportáveis, mas para as quais eu chamaria o públicoà participação - seria isso um golpe fatal ao conceito de museu, galeria de arteetc.” (FREIRE C, 2006).
  • 26. 26 Figura 13 Hélio Oiticica, Tropicália, 1967 Fonte: http://dimensaoestetica.blogspot.com/2006/10/27-bienal-de-so-paulo.htmlHélio Oiticica dizia que o “Museu é o mundo” e ele soube usar esse mundocomo museu. Suas intervenções urbanas são obras que rompem com padrõesconvencionais levando a arte ao mundo. As intervenções de Oiticicaproporcionam algo bom de ver. A interação com o público como os seispenetráveis que, para ele essas obras só têm valor se houver interatividade,pois o público pode interagir tocando, sentindo, ou seja, vivenciando aexperiência de penetrar no mundo arte.
  • 27. 27 Figura 14 A escultura Magic Square Nº 5 - De Luxe, de Hélio Oiticica (Foto: André Mantelli/ Divulgação)Fonte: http://entretenimento.r7.com/blogs/r7-cultura/2010/08/03/inhotim-e-obrigatorio-pra-quem- curte-arte-e-paisagismo/ Figura 15 Hélio Oiticica, Os penetráveis Fonte: http://brasilfashionnews.blogspot.com/2011/01/jornal-online-brasil-fashion-news-de- 14.html
  • 28. 28 Figura 16 Hélio Oiticica, Invenção da cor, Penetrável Magic Square 5, De Luxe, 1977.Tanto Hélio Oiticica quanto Cildo Meireles se destacam por realizaremimportantes trabalhos de intervenções urbanas que encantam as pessoas,provocando diferentes emoções, reações, despertando assim o gosto pela arte.Seus trabalhos possibilitam a mudança e transformação da sociedade, comotambém, do espaço urbano e público. Com isso, percebemos a positividadedas pessoas verem e se aproximarem da arte.
  • 29. 292. MÃO NA MASSA! REALIZANDO INTERVENÇÕES EM SENAMADUREIRANa disciplina Laboratório de Arte e Tecnologia realizamos duas intervençõesna cidade de Sena Madureira no Acre, utilizando um software denominado“ciberurbe” criado pelo professor Christus Nóbrega. A primeira no muro doCentro Estadual de Educação Permanente (CEDUP) e a segunda na parededa Igreja Nossa Senhora da Conceição situada na Avenida Avelino Chaves.Essas intervenções despertaram a curiosidade das pessoas, voltando suaatenção para uma linguagem artística inédita em Sena Madureira. Valeressaltar que as intervenções feitas com o software ciberurbe permitem quehaja uma maior interação do público com a obra. Essa interatividade podeampliar o gosto do público pela arte e proporcionar uma sensação de liberdadede criação.As figuras 18, 19 e 20 são registros pessoais das intervenções feitas no murodo (CEDUP), na parede da Igreja Nossa Senhora da Conceição e nas árvoresdo pátio da referida Igreja. Estas intervenções feitas nas árvores foraminspiradas na intervenção de Marcelo Terça-Nada e Brígida Campbell querealizaram intervenções em árvores pendurando folhas douradas. A propostada dupla era de ressignificar o cotidiano com suas ações poéticas dando novosentido às coisas corriqueiras. Figura 17 Folhas de ouro, 2003/ Foto: Poro
  • 30. 30Fonte: http://www.ponteiolarshopping.com.br/ponteioup/?cat=1&paged=5 Figura 18 Pintando muro Fonte: Arquivo pessoal (Intervenção feita no CEDUP) Figura 19 Intervenção em árvore http://nuartesvisuais.blogspot.com/p/imagens.html
  • 31. 31 Figura 20 Intervenção na parede da Igreja Nossa Senhora da Conceição http://nuartesvisuais.blogspot.com/p/imagens.htmlComo forma de experimentação e fonte de informações sobre o interesse dopúblico, suas reações e os principais aspectos a serem considerados em umaproposta de ensino não formal em Sena Madureira foi realizada umaintervenção na Praça Arlindo Figueiredo.Inspirados na obra Tiradentes de Cildo Meireles, fizemos uma instalaçãoutilizando vários tipos, tamanhos e formatos de calcinhas em uma Praça dacidade, como forma de protesto contra a violência sofrida pela mulher. Adivulgação foi via internet através do meu blog, em outras redes sociais, pelotelefone informamos algumas instituições educacionais. Também utilizamosconvites informais para a comunidade em geral.As calcinhas foram inseridas em um barbante, colocadas próximo ao muro, esobre as mesmas foi projetado um vídeo com imagens relacionadas ao temada violência contra a mulher, assim como alguns dados estatísticos sobre essetipo de violência. Além de calcinhas e barbantes foram utilizados outrosequipamentos como notebook e datashow para a projeção. Gostaria de terinserido outros objetos relacionados à temática para facilitar o entendimentodas pessoas sobre o assunto em questão. Poderia ter utilizado bonecos depapelão, como também, distribuir algumas mulheres pela praça com as bocasamordaçadas para simbolizar aquelas que sofrem agressões em silêncio, quetêm medo de denunciarem as agressões que sofrem. E, assim tornaria a
  • 32. 32instalação mais realista, porém não conseguimos voluntárias dispostas acontribuir, talvez por medo de se expor.Os bonecos ou as mulheres amordaçadas provavelmente não deixariam oambiente bonito, mas certamente seria algo que mudaria a estética da PraçaArlindo Figueiredo, pois a intervenção urbana veio para romper barreiras edesmontar conceitos predefinidos sobre linguagens artísticas. A intervençãourbana, de uma forma ou de outra sempre mudam a estética de um espaço,seja ele uma praça, um muro, um prédio ou uma rua, dentre outraspossibilidades de lugares. Figura 21 Instalação feita na Praça Arlindo Figueiredo Fonte: Arquivo pessoal 2011 Figura 22 Instalação feita na Praça Arlindo Figueiredo Fonte: Arquivo pessoal 2011
  • 33. 33 Figura 21 Instalação com calcinhas Fonte: Arquivo pessoal 2011Figura 22 Projeção do vídeo sobre as calcinhas Fonte: Arquivo pessoal 2011
  • 34. 34 Figura 23 Participante respondendo o questionário Fonte: Arquivo pessoal 2011Levando em consideração o tempo de montagem, duração e desmontagem, otrabalho teve aproximadamente 4h30min de duração. O número departicipantes foi menor do que o esperado, por se tratar de um local bemmovimentado diariamente. Seria possível que o número de espectadoresaumentasse, mas tivemos que encerrar antes do horário previsto por estarmosem um período chuvoso, e a chuva apressou a desmontagem dosequipamentos.Após a realização desse trabalho percebemos como algumas ações mudarama forma de visibilizar e de se fazer arte em Sena Madureira. Até então não sefazia trabalhos como estes, que ainda são apenas pequenas experiências deduas alunas de Artes Visuais que se encantaram com a linguagem daintervenção urbana. No entanto, essas pequenas experiências já mudaram aforma de muitas pessoas verem a arte e vivenciá-la em suas vidas.2.1. A reação do públicoAssim como o trabalho Tiradentes de Cildo Meireles provocou reaçõesinesperadas nas pessoas, como a ira dos protetores dos animais que ficaramindignados com a atitude de queimar galinhas, a instalação com calcinhas napraça local também provocou reações diversas nas pessoas, como surpresa,
  • 35. 35espanto e estranhamento. Observamos que algumas pessoas preferem ficarindiferentes, mantendo-se distantes diante do novo que surge inesperadamente,como no caso da intervenção. Entretanto, observamos que a participação doshomens foi muito significativa, porque além de responderem ao questionário,disseram que deveria haver outras manifestações artísticas como esta nacomunidade local, tendo em vista que se trata de uma linguagem apresentadaà sociedade por estudantes de artes 3 visuais e, que até então eradesconhecida das demais pessoas. Segundo os participantes, outrasinstalações poderiam contribuir com a cultura local e com o ensino de artes naeducação não formal.A participação do público foi positiva, pois notificamos que houve interação eaproximação, e tudo isso aconteceu de forma descontraída, pois as pessoaspodiam passar e olhar as calcinhas penduradas, tocar e fazer seusquestionamentos. Algumas pessoas perguntaram se estávamos vendendocalcinhas. Outros indagavam se éramos artistas e outros optaram apenas porresponder a um pequeno questionário com algumas perguntas relacionadas àintervenção urbana, instalação e o assunto abordado no trabalho, a violênciacontra a mulher.As respostas do público revelam que não é comum termos em Sena Madureiraintervenções artísticas, mas que através da arte é possível conscientizar aspessoas sobre assuntos importantes como, por exemplo, a violênciadoméstica. Quando perguntados sobre quais emoções foram vivenciadas, amaioria dos participantes marcaram as alternativas seguintes: admiração,estranhamento, crítica e surpresa.Dessa forma, percebemos que as expectativas foram alcançadas, pois asreações que esperávamos eram essas mesmo, embora alguns tenhamresumido bastante suas respostas durante a entrevista. Os participantes tinhamperfis bem diversificados, aqueles que responderam apenas “sim”, “não” e3 Esta Instalação com calcinhas foi feita por mim e pela colega de cursoSocorro Pinheiro
  • 36. 36“claro”. Aqueles mais espontâneos e outros que preferiram passar direto paranão responder pergunta alguma.No entanto, a participação do público na instalação e as respostas doquestionário mostraram a necessidade de fazer outras instalações. Diante doexposto propormos a realização de uma Oficina que permita trabalhar o ensinonão-formal em Sena Madureira de forma descontraída e diversificada.
  • 37. 373. PROPOSTA DE OFICINAComo proposta de ensino não formal foi elaborada uma oficina sobreIntervenção Urbana (Anexo), destinada a qualquer pessoa da comunidade quese interesse por atividades artísticas e deseje participar de intervenções emdiferentes pontos da cidade.Esta oficina espera contar com aproximadamente 20 participantes e consiste,essencialmente, na apresentação da intervenção urbana enquanto linguagemda arte e suas possibilidades (grafite, instalação, entre outros), discussão sobreas possíveis mudanças culturais provocadas pela intervenção urbana nacidade de Sena Madureira e a produção de instalações artísticas porministrantes e participantes.A ideia de trabalhar com algo que é imprevisível, algumas vezes causaresistência em algumas pessoas que gostam de trabalhar com umplanejamento definido. Nas intervenções isso não é possível, pois como setrata de proposta de ensino não formal para diferentes pessoas. Oconhecimento será construído coletivamente com os participantes da oficina.Entretanto, o assunto será apresentado aos envolvidos neste processo atravésde textos, imagens e dos conhecimentos que adquiridos durante o curso. Por meio dessa proposta, pretende-se que os participantes desenvolvamas seguintes habilidades e competências:Competências:• Refletir sobre a linguagem intervenção urbana• Compreender as manifestações artísticas através das intervenções• Estabelecer relações entre intervenção urbana e cultura localHabilidades:• Saber relacionar sentimentos com o prazer de criar uma obra de arte• Valorizar emoções despertadas com a intervenção urbana na sociedade local
  • 38. 38• Reconhecer as diferentes sensações vivenciadas na intervençãoPara tanto, espera-se que os participantes envolvam-se e sensibilizem-se coma linguagem da intervenção urbana, conhecendo e respeitando os vários tiposde intervenções, inclusive aqueles concebidos e desenvolvidos pelos colegasdurante a oficina.Inicialmente, será realizada uma explanação oral no Polo de apoio presencialda UAB/UNB em Sena Madureira, na qual será apresentada a intervençãourbana enquanto linguagem artística. Em seguida será realizada uma pesquisasobre artistas que trabalham com a intervenção urbana no laboratório deinformática do Polo, onde os participantes poderão conhecer alguns artistas ever suas obras.Alguns locais prováveis para o desenvolvimento da oficina são espaçospúblicos como a praça central da cidade, ruas e paredes de prédios. A oficinadeverá ser realizada ao longo de uma semana, com carga horária total de 10horas. Para sua realização serão necessários datashow, notebook, extensãoelétrica, mesa, além de outros materiais que serão propostos a partir das ideiasque surgirem nas oficinas expostas pelos participantes.Pretende-se divulgar o evento via internet (blog e redes sociais), distribuição deconvites para instituições educacionais formais e não formais, via telefone econvite informal.Os resultados do trabalho serão apresentados em um vídeo projetado naparede de um prédio ou muro da cidade com fotografias de todos os momentosda oficina, montagem, execução, filmagens e desmontagem. Dessa forma,tanto os participantes quanto o público em geral poderão observar e expressarsuas opiniões sobre o trabalho realizado.Convém lembrar que para conhecermos bem a linguagem da intervençãourbana precisamos fundamentar nossas opiniões nos grandes autores eartistas que desenvolvem trabalhos nesse campo artístico, só assimpoderemos transmitir informações e conhecimentos sobre arte com maiorsegurança para os participantes da oficina. É importante que eles saibam que a
  • 39. 39intervenção não é fruto da nossa imaginação, porém é interessante que saibamque muitos artistas dedicam-se ao campo da intervenção urbana e que cadavez mais ela vem ganhando espaço e admiradores.
  • 40. 40 CONCLUSÃO Desenvolver um projeto sobre intervenção urbana foi um processo deaprendizagem rica e estimulante. As intervenções urbanas são provocativas e,isso aguça a curiosidade das pessoas em geral e desperta diferentes emoções. A sociedade é composta por indivíduos de personalidades variadas, oque significa que sempre haverá quem admire, quem fique encantado, quemcritique e quem não se identifica com essas manifestações artísticas. Como setrata de ensino não formal, a oficina foi útil para a comunidade local perceberque as fronteiras da arte ultrapassam museus e galerias. Embora nem todas aspessoas sejam receptivas às linguagens da Intervenção Urbana e Instalação,muitos não abrem mão de suas ideias conservadoras. Também foi uma jornada divertida, criar situações envolventes quecontribuíram com o processo de educação não formal para um público variado,ajudando as pessoas a conhecerem novas manifestações artísticas. Ao mesmotempo, desenvolver trabalhos não conhecidos na sociedade local exigeresponsabilidade, pois estamos executando trabalhos em nosso nome e daInstituição em que estudamos. Os pequenos trabalhos de intervenções que realizamos nosaproximaram mais e mais da arte, possibilitou um maior aprofundamento eamadurecimento sobre o assunto. Percebemos que o curso nos apresentou aarte com suas diferentes faces e nos envolveu de tal forma que nos motivou atransmitir esse gosto que temos pela arte a outras pessoas através de oficinasde ensino não-formal em Sena Madureira, com destaque para instalaçõesartísticas e grafite digital. Das pequenas queremos chegar às grandesintervenções e instalações em grafite mostrando à sociedade que arte é algoque escapa de nossas mãos, porque quanto mais abrirmos a mente para odiferente, mais aceita a intervenção será.
  • 41. 41 REFERÊNCIASBARJA, W. P. Intervenção/terinvenção: a arte de inventar e intervirdiretamente sobre o urbano, suas categorias e o impacto no cotidiano.Polêmica, v. 17, p. pol17/cimagem/p, 2006.FREIRE, Cristina, Arte Conceitual, Jorge Zahar editor Rio de Janeiro, 2006ITAÚ CULTURAL. Não fronteiras: universos da educação não-formal.Disponível em: http://www.itaucultural.org.br/bcodemidias/000323.pdf acessoem 18 de set. de 2011.MAZZILLI, Clarice de Toledo; GOTILLA, Juliana Quartim Barbosa.Intervenções Urbanas propostas de novas situações para Pinheiros.Disponível em: <http://www.usp.br/fau/disciplinas/tfg/tfg_online/tr/082/a036.html>. Acesso em: 16 de set. de 2011.SCHULTZ, Valdemar. Intervenções Urbanas, Arte e Escola: Experimentações eAfectos no meio urbano e escolar. In: 19º Encontro da Associação Nacional dePesquisadores em Artes Plásticas , 2010, Cachoeira/BA. Anais [do] 19ºEncontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas.Salvador/BA: EDUFBA, 2010. v. 19. p. 2556-2570. Disponível em:<http://www.anpap.org.br/anais/2010/pdf/ceav/ valdemar_schultz.pdf>.Acessoem: 15 de set. de 2011.Itaú Culturalhttp://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=3741 acessado em 22 de novembro de 2011.
  • 42. 42ANEXOS
  • 43. 43 ANEXO A – QUESTIONÁRIO1. Você já ouviu falar de intervenção urbana? Se sim, como você a define?2. Já ouviu de instalação?3. O que está achando do trabalho?4. Você já identificou o tema abordado nesse trabalho?5. Se identificou, o que você acha dessa abordagem?6. O que essa linguagem despertou em você? ( ) Admiração ( ) Surpresa ( ) estranhamento ( ) Crítica7. Como foi participar dessa instalação? Mudou sua forma de ver arte?8. Você acha que deveria ter oficinas artísticas em Sena Madureira? ( ) Grafite ( ) cartazes ( ) Instalação artística ( ) Performance9. Acredita que essas manifestações artísticas podem contribuir com a cultura local?10. Você acha que outros trabalhos como esse devem ser realizados em Sena Madureira?Relato das respostas Os participantes não conheciam a linguagem da intervenção urbana,portanto não poderiam defini-la, mas gostaram de conhecer e consideramtrabalhos artísticos como este importante na cidade, por se tratar de trabalhosque aproximam a arte do público e podem contribuir muito com a cultura local.Alguns participantes homens resumiram suas respostas a sim, não e claro, noentanto, manifestaram atitudes de admiração, surpresa e estranhamento, masidentificaram o tema abordado e a importância de conscientizar as pessoasatravés da arte.
  • 44. 44Figura 26 Instalação feita na Praça Arlindo Figueiredo Fonte: Arquivo pessoal
  • 45. 45 ANEXO B - PLANO DE AULA OFICINA: A Arte invade as ruas de Sena Madureira1. IdentificaçãoEmenta: Definição de intervenção urbana enquanto linguagem da arte.Discussão sobre as possíveis mudanças culturais provocadas pela intervençãourbana na cidade de Sena Madureira. Produção de instalações por ministrantese participantes.Período de realização: Uma semana/5 dias (data a ser definida)Carga horária: 10 horasLocal de realização: Espaços públicos da cidade de Sena Madureira - ACPúblico-alvo: Pessoas que se interessam por atividades artísticas e desejamparticipar de intervenções em diferentes pontos da cidade. Espera-se umnúmero de aproximadamente 20 pessoas.Responsável: Núcia Sabóia Ferreira2. ObjetivoDiscutir sobre intervenção urbana, instalação e grafite digital com osparticipantes.Competências Habilidades Atitudes1. Refletir sobre a 4. Saber relacionar 7. Participação e linguagem sentimentos com o envolvimento intervenção urbana prazer de criar uma obra de arte2. Compreender as 8. Sensibilidade à manifestações linguagem artísticas através 5. Valorizar emoções
  • 46. 46 das intervenções despertadas com intervenção urbana intervenção urbana3. Estabelecer relações entre 9. Respeito aos vários intervenção urbana 6. Reconhecer as tipos de e cultura local diferentes intervenções sensações vivenciadas na intervenção10. ConteúdosIntervenção UrbanaInstalação artísticaGrafite digital11. Metodologia A explanação oral e a pesquisa serão concentradas nos dois primeiros dias. Serão formados grupos, onde cada grupo será livre para escolher o tema da intervenção que irão fazer, assim como a escolha do espaço público. As intervenções serão feitas no terceiro e no quarto dia. No quinto dia será a apresentação do resultado para o público e a avaliação oral.12. Procedimentos1. Apresentar a intervenção urbana enquanto linguagem artística2. Contextualizar as intervenções
  • 47. 473. Fazer uma pesquisa sobre artistas que trabalham a intervenção urbana4. Executar algumas intervenções urbanas5. Apresentação das obras criadas6. Recursos necessáriosDatashow, notebook, extensão elétrica, mesa, além de outros materiais queserão propostos a partir das oficinas.7. Avaliação dos resultados Quesitos a serem avaliados: As intervenções realizadas provocaram mudança de atitude nos participantes? Manifestações artísticas como estas mudaram sua postura em relação ao ensino de arte? Essa oficina contribuiu com a cultura local?Bibliografiahttp://bienalartecultura.blogspot.com/2009/01/no-territorio-vasto-cildo-meireles-e.htmlhttp://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=8882http://www.intervencaourbana.org/http://nuartesvisuais.blogspot.com
  • 48. 488. Cronograma Atividade Descrição Período de realização Recursos necessáriosPesquisa Sobre diferentes Intervenções, Computadores com internet instalações artísticas, grafite digital, videoarte.Prática Linguagem Intervenção Urbana Datashow, notebook, extensão e mesa entre outros.

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