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O ENSINO DA HISTÓRIA DA ARTE ATRAVÉS DA BIOGRAFIA DE GRANDES PINTORES NA EDUCAÇÃO INFANTIL
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Suely Aparecida Fonseca do Nascimento, Polo de Barretos-SP

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O ENSINO DA HISTÓRIA DA ARTE ATRAVÉS DA BIOGRAFIA DE GRANDES PINTORES NA EDUCAÇÃO INFANTIL O ENSINO DA HISTÓRIA DA ARTE ATRAVÉS DA BIOGRAFIA DE GRANDES PINTORES NA EDUCAÇÃO INFANTIL Document Transcript

  • SUELY APARECIDA FONSECA DO NASCIMENTO O ENSINO DA HISTÓRIA DA ARTE ATRAVÉS DABIOGRAFIA DE GRANDES PINTORES NA EDUCAÇÃO INFANTIL BARRETOS 2011
  • SUELY APARECIDA FONSECA DO NASCIMENTOO ENSINO DA HISTÓRIA DA ARTE ATRAVÉS DA BIOGRAFIA DE GRANDES PINTORES NA EDUCAÇÃO INFANTIL Trabalho de conclusão do curso de Artes Visuais, do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da Universidade de Brasília. Orientador: Profº Christus Menezes Nóbrega BARRETOS 2011
  • SUMÁRIORESUMOINTRODUÇÃO 1. MOVIMENTO DA ARTE NO BRASIL 1.1 Época colonial 1.2 A missão Artística de 1816 1.3 Época republicana 1.4 Movimento artístico nas décadas de 1930 e 1940 1.5 A primeira Bienal e as tendências contemporâneas 1.6 Biografias dos Pintores 1.6.1 Pablo Picasso 1.6.2 Romero Britto 2. O ENSINO DA HISTÓRIA DA ARTE NO BRASIL 2.1 Ensino de Arte no Brasil 2.2 Arte na Educação Infantil 2.3 Abordagem Triangular no Contexto da Arte-Educação 3. RELATO DE EXPERIÊNCIA: PROJETO SEM LIMITES PARA CRIAR.CONCLUSÃO
  • RESUMO Este trabalho versa sobre o Ensino da História da Arte, na Educação Infantil,por meio das biografias de grandes pintores. Voltado para o aprendizado da artepor parte de alunos desta modalidade de ensino. Conhecendo a vida de pintorescomo Pablo Picasso, e verificando as fases pelas quais ele passou em sua vida, acriança consegue entender a mudança aparente em seus trabalhos, emdeterminadas épocas de suas criações. O que se deu em suas fases, rosa e azul.Para as crianças, o ensino da arte é de suma importância, para que se desenvolvasuas formas de expressão e comunicação. No desenvolvimento deste trabalho, ascrianças são estimuladas a produzir suas próprias obras, manuseando materiais, efamiliarizando-se com artistas famosos, como o já citado Pablo Picasso e ocontemporâneo Romero Britto.PALAVRRAS-CHAVE: Arte, Biografia, Educação Infantil.
  • INTRODUÇÃO Por ser a escola o primeiro espaço formal para o desenvolvimento dacriança, é necessário começar a educar o olhar delas desde a Educação Infantil,lembrando que a infância é a época das descobertas, das aventuras e magias.Portanto, o professor deve oferecer condições que estimulem a criatividade, apesquisa e a criação, fazendo com que a criança perceba e valorize a arte.Acredita-se que esta semente deva ser plantada desde a Educação Infantil, o papelda arte nessa fase de ensino é fundamental, pois envolvem os aspectos cognitivos,sensível e cultural, o que até bem pouco tempo não era considerado na EducaçãoInfantil. Tais aspectos permitem que sejam proporcionadas experiênciasdiversificadas e enriquecedoras, que venham desenvolver as suas capacidadescognitivas despertando confiança em si, sentindo-se amado e respeitado, o quedeve ser feito de forma continua e dinâmica, daí a importância de se iniciar nainfância. A arte na Educação Infantil e seu fazer artístico não devem ser vistos comorecreativos, mas sim ser entendidos como instrumento pedagógico que irácontribuir para o desenvolvimento do aluno na Educação Infantil. Ampliando oconhecimento do mundo da criança por meio do contato com objetos e materiaisartístico, explorando as diversas formas de expressão, ampliando as possibilidadesde expressão e comunicação. Mediante a observação da prática docente, sentiu-se então a necessidadede trabalhar o tema na tentativa de esclarecer e elucidar a verdadeira função e acontribuição da Arte na Educação Infantil na formação da criança. Os alunos serãolevados a conhecer a biografia e as obras artísticas de pintores, para o estimulo eenriquecimento de suas próprias produções. Este trabalho tem como objetivo, pesquisar as metodologias utilizadas pelosprofessores do Colégio Nomelini do Maternal ao 5º ano, confrontando-as com osprincipais norteadores dos Parâmetros Curriculares Nacionais em Artes, a fim deverificar se houve construção de conhecimento nos educados. Cabe também aoeducador acreditar que esta criança é capaz de criar, dar sentido, construir, atravésde uma linguagem única, a da arte. Nesse aspecto, as ações mediadas peloprofessor não devem ser atividades mecânicas, repetitivas e nulas deexpressividades. Ao contrário, devem fundamentar-se nas relações de afeto,
  • respeito, as quais são acompanhadas pelo professor atento ao desenvolvimentopsicossocial da criança. No processo de aprendizado, a criança constróisentimentos ao mesmo tempo em que integra com os outros, esse fato é deextrema relevância para a compreensão de si e do outro. Para que isso de fatoocorra, o profissional que atua com as linguagens da arte na educação infantil deveter perfil de pesquisador, ser observador, curioso, mediador e parceiro dascrianças, da instituição e da comunidade. Além disso, é fundamental que conheçaa pedagogia da infância e o contexto da educação infantil e desenvolva vivênciasnas linguagens da arte.
  • Capítulo 1 – MOVIMENTO DA ARTE NO BRASIL.1.1 Época Colonial. Segundo Battistoni Filho (1937), “as diversas ordens religiosas aquiradicadas, como os jesuítas, beneditinos, franciscanos e carmelitas, se dedicaramàs artes ligadas diretamente à liturgia católica ou à veneração dos fiéis” (p. 11) . Asordens religiosas foram as principais responsáveis dos produtos artísticos no BrasilColonial. Os primeiros artistas eram autodidatas e copiavam imagens com temasreligiosos. Junto com os portugueses, chegaram ao país outras influências artísticas,entre elas, muitos pintores. Na época do governo de Mauricio de Nassau, o pintorholandês Frans Post chegou ao Brasil Colônia documentando a vida social eeconômica do nordeste no século XVII, retratando ainda paisagens e natureza,contrapondo em termos estéticos, a concepção artística proposta pela igreja. Segundo o autor Battistoni Filho (1937), “no século XVIII, floresceu o estiloBarroco, caracterizado pela exuberância de formas, pela policromia, peloassimetrismo e pela pompa litúrgico-ornamental, revelando a afirmação gloriosa e opoder temporal e espiritual da Igreja” (p. 26) . No auge do ciclo do ouro, as igrejas eram ricamente decoradas, mostrandoseu poder. Os artistas utilizavam matéria prima brasileira, como pedra sabão emadeira. Antonio Francisco Lisboa, o “Aleijadinho”, foi o escultor mais significativodesta época.1.2 A missão Artística de 1816 Segundo Battistoni Filho (1937), “para tanto, a arte deveria passar a limpocertos padrões estéticos, imprimindo na paisagem um novo gosto e um novo olhar.
  • O primeiro passo nesse processo remodelador da prática artística foi dado, antesmesmo da chegada da família real ao Brasil, com a instituição, em 1800, da AulaPrática de Desenho e Pintura” (p. 41). Anterior à vinda da Família Real Portuguesa, a administração colonial queriaconferir aos habitantes daqui uma nova proposta aos hábitos e costumes, dandoum aspecto mais europeu às cidades. D. João VI ao chegar ao Brasil em 1808, efetuou mudanças no cenáriocultural da colônia. Em 1816, trouxe para o Brasil, pintores e escultorescomprometidos com o ideal de mudanças. Destacavam-se na Missão ArtísticaFrancesa, chefiada por Joaquim Lebreton, critico de arte; os pintores NicolasAntoine Taunay e Jean Baptiste Debret; Grandjean de Montigny, arquiteto; augustoMaria Taunay, escultor, Charles Pradier e Zeferino Ferrez, gravador. Esses artistas buscaram retratar o cotidiano da colônia de uma formaromântica, idealizando a figura do índio e ressaltando o nacionalismo e aspaisagens naturais. Segundo Battistoni Filho (1937, p. 43), o artista centralizava seu destino na academia de arte, laica e oficial, onde se formará sob preceitos teóricos e práticos claramente definidos. No culto ao Belo eterno e à forma ideal, inspirado pelos gregos, o neoclassicismo foi uma expressão estética da burguesia, a qual evoluirá rapidamente para o estágio industrial e capitalista. Em 1840, observa-se um momento decisivo na formação de uma culturanacional com o surgimento de artistas nacionais principalmente na pinturaformados pelo ensino acadêmico criado em 1816 com premiações de viagem àEuropa para os que mais se destacavam. Com isso os pintores acabaramescapando da obsessão pela temática acadêmica nascendo a pintora brasileira. No cenário da pintura tradicional brasileira dois nomes são destacados, deacordo com Battistoni Filho (1937): Victor Meirelles e Pedro Américo, que podemser classificados entre o classicismo e o romantismo.
  • 1.3 Época Republicana De acordo com Battistoni Filho (1937, p. 74), o modernismo se caracteriza pelo repúdio a cânones estabelecidos, secularmente aceitos e pelos estímulos à experimentação. Os modernistas defendiam uma nova função artística, num mundo que já contava com técnicas de reprodução de imagens, como a fotografia e o cinema. A perspectiva e a imagem figurativa, consideradas acadêmicas foram abandonadas pelas artes visuais. Para os artistas, os projetos e as idéias contidas em cada obra passaram aser valorizadas abandonando o objetivo de uma obra bem resolvida na qual oprincipal era a habilidade artesanal especial. Nas primeiras décadas do século XX destacam-se os artistas: Anita Malfatti(1889-1964), Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976) e Victor Brecheret (1894-1955).Cada um desses artistas representou isoladamente ou em grupo papelfundamental na renovação no cenário artístico brasileiro na ruptura de convençõesna área da criação artística. O marco desta época foi a Semana de Arte Moderna realizada em SãoPaulo, em fevereiro de 1922. Segundo Battistoni Filho (1937), nessa semana,vários artistas comprometidos em mudar a expressão da arte nacional seapresentaram. Quebraram com os padrões europeus e buscaram valorizar aidentidade nacional e uma arte, cujo cenário de fundo, eram as paisagensbrasileiras e o povo brasileiro, inovaram e romperam com o tradicional.1.4 Movimento artístico nas décadas de 1930 e 1940 Segundo Battistoni Filho (1937, p. 87-88), em sua obra Pequena História da Arte no Brasil, em fins de 1932, passado o movimento constitucionalista, aconteceu em São Paulo um fato reputado como da maior importância nos destinos da arte moderna no Brasil: a fundação da Sociedade Pró-Arte Moderna (SPAM). Constituiu ela um movimento coletivo de certa envergadura, com orientação definida, podendo-se dizer, sem incorrer em exagero, que foi um teste com resultados positivos sobre as possibilidades do ambiente artístico da cidade, surgindo daí um movimento percurso do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Conclui-se que com crescimento de exposições que englobavam diferentestendências comuns aos modernistas tiveram papel fundamental, inclusive com
  • manifestações sob forma de debates e palestras. Sendo o pintor Cândido Portinari(1903-1962) de fundamental relevância, pois seus quadros tornaram-seinstrumento de denúncia social.1.5 A primeira Bienal e as tendências contemporâneas. “Para as artes plásticas brasileiras o evento culminante foi a BienalInternacional de Artes Plásticas de São Paulo em 1951, pois colocou a artemoderna brasileira em contato com a arte internacional”. (Battistoni Filho, 1937). Já a segunda Bienal realizada em 1953 no Parque do Ibirapuera, trouxe ocubismo, o futurismo e o neoplasticismo. As posteriores trouxeram oexpressionismo e o surrealismo na Bienal de 1959, conhecido comoabstracionismo geométrico, nas pinturas de Manabu Mabe, Iberê Camargo e TomieOhtake. Para tanto, a Bienal torna-se o centro de atração para todos os artistas doBrasil, despertando um movimento interno de aproximação artística entre asdiversas províncias culturais do país, notadamente entre os dois principais centros,Rio de Janeiro e São Paulo.1.6 Biografias dos Pintores Por serem pintores de grande expressão no cenário artístico, Pablo Picassoe Romero Britto, merecem destaque na exposição de suas biografias.
  • 1.6.1 Pablo Picasso Segundo Mike Venezia (1996), “Plablo Picasso foi um dos maiores artistasdo século XX. Nasceu em Málaga, na Espanha, em 1881, e morreu em 1973, naFrança” (p. 3). Pablo Picasso, além de ser um artista conhecido, possui obras figurativas eparticipou do movimento cubista, oferecendo assim, nesse projeto uma diversidadede imagens que poderão ser amplamente exploradas. De acordo com Venezia (1996), “o estilo da pintura de Picasso mudou,durante sua vida, mais que o de qualquer outro artista. Picasso estava sempretentando coisas novas e diferentes” (p. 6). Essa característica de Picasso de tentar criar novas imagens, usar as coresde maneira inusitada, criar novas formas funciona como elemento motivador parao aluno não copiar e sim criar, resignificar, desnvolver sua própria imagem, seupróprio trabalho. Segundo Venezia (1996), “às vezes Picasso pintava figuras muito planas.Outras vezes pintava formas tão arredondadas que pareciam saltar da tela” (p. 09).Estes são elementos basicos de relevância no momento de observação dasimagens, fazendo uma leitura mais simples, superficial, pois estão em fase dedesenvolvimento inicial nos estudos das artes. Quando foi para França, ainda jovem, suas obras eram parecidas com deoutros artistas com, a pintura: Le Moulin de la goletti, (1900), lembra Toulose-Lautrec. De acordo com Mike Venezia (1996, p. 12), as pinturas de Picasso mudaram. Seu trabalho tornou-se diferente ao de outros artistas.Seu melhor amigo morrera e Picasso sentia-se triste e sozinho. Ao mesmo tempo, ninguem comprava suas obras. Melancólico, Picasso passou a pintar usando tons de azul. O azul às vezes é uma cor muito triste. Todas as personagens dessa fase parecem tristes e solitárias. Segundo Mike Venezia (1996), “A fase azul terminou quando Picassoconheceu uma moça chamada Fernanda. Eles se apaixonaram e logo suaspinturas passaram a ter uma cor mais alegre. Esse foi o início da fase rosa” (p. 15). Essas fases são as mais indicadas para trabalhar com os alunos da educaçãoinfantil, pois possibilitam uma abordagem mais concreta ( alegria e tristeza), pois
  • Picasso retatou a arte circence mostrando os artistas com seus animais, com coresmais alegres. De acordo com Mike Venezia (1996), o novo estilo de pintura que Picassodesenvolveu ficou conhecido como cubismo. Essa nova maneira de pintar deexpressar-se, tornou-se um estilo, o Cubismo, onde as figuras são retratadas comose estivéssem quebradas em pequenos fragmentos, quase geométricamente. Picasso continuou trabalhando o cubismo, mas com o tempo, suas obrasficaram com cores mais alegres e as formas mais definidas, facilitando a distinçãode suas imagens. Voltou a retratar pessoas com aparência mais natural, bem como fez umasérie onde as imagens pareciam estátuas de pedra. De acordo com Mike Venezia (1996, p. 25-27), em 1937 um acontecimento fez com que Picasso pintasse sua obra mais séria e mais forte, usou toda sua arte para fazer uma obra que mostrasse como a guerra era fútil, dando ao quadro o nome da cidade destruída “ Guernica”, 1937, usando o cubismo, cores mais escuras e várias expressões para transmitir toda a sua fúria nesta obra, utilizam também o tamanho da tela, que é de 3,7 de altura por 7,6 de largura. A poesia, a dor, a intensidade de expressão neste quadro monocromático nãoconsideramos adequados para trabalhar com crinças da educação infantil, pois sãoimagens impactantes, complexas demais. Para Mike Venezia (1996), o que tornou Picasso um grande artista foi a suaoriginalidade. Durante toda a vida ele usou a imaginação para tentar coisas novase diferentes. Picasso viveu até os 92 anos. Além de grande pintor, destacou-secomo escultor, desenhista e ceramista.1.6.2 Romero Britto. Segundo D. Ambrosio (2010, p. 04), no livro Contando a arte de Romero Britto, num universo desordenado, cada vez mais cinzento, em que a dor e o sofrimento de vida estão em cada esquina das grandes cidades, a estética de Romero Britto surgem como um descanso para os olhos e como um sopro de vida para o coração. Suas cores vibrantes e justapostas, encaixadas como mosaico, e seu desenho solto, assim como área demarcadas com espesso e bem definidos contornos negros, transmitem esperança.
  • As cores alegres, temas do cotidiano das crianças, linhas simples bemdefinidas, figuras estilizadas, são potencialmente motivadores ara acriação/produção de trabalhos artísticos com as crianças da educação infantil. Segundo D. Ambrosio (2010, p. 06-07), no livro Contando a arte de Romero Britto, nascido em Jaboatão dos Guararapes, próximo a Recife, estado de Pernambuco, em 6 de outubro de 1963, afilhado de batismo de Gilberto Freyre, autor de Casa - Grande e Senzala, Romero Britto começou a desenhar aos oitos anos, criava, nos papéis que tinha à mão, pinturas de dias alegres, sóis brilhantes e animais. Praticava as mais deferentes técnicas, como aquarela, bico de pena e pintura a dedo. Devido a esta sua forte característica inovadora do usa de cores, formas esuportes, o projeto possibilita uma exploração intensa de materiais, técnicas, bemcomo suportes inusitados e variados. A primeira vez que mostrou publicamente seu trabalho foi aos 14 anos. Econseguiu que ele fosse adquirido pela Organização dos Estados Americanos. Nãoimaginava ainda ter as artes plásticas como profissão, mas admirava os trabalhosde Francisco Brennand, espalhados em murais pela cidade de Recife. D. Ambrosio (2010) comenta que, influenciado pelo ambiente, Romero Britto,pintava imagens ligadas à natureza nordestina, como cajus. Depois abandonandoestes temas locais, passou a realizar uma arte que pode ser admirada por pessoasde todas as regiões do planeta, marcada pela alegria de viver e pelo colorido. Foi incentivado e, de uma Escola Pública, passou a estudar, com uma bolsa,em um colégio particular que colaborou para sua ampliação de visão de mundo.Em 1986, viajou para Londres com o objetivo de visitar diferentes culturas e ver deperto as obras que até então só folheava nos livros, encontrou então novasperspectivas para sua arte, visitando museus e galerias. Segundo D. Ambrosio (2010), sua obra tomou forma quando foi morar nosEstados Unidos da América, passando a adotar cores mais vibrantes, masraramente as mistura, preferindo usar cores puras, respeitando a identidade decada uma delas. A obra de Romero chamou a atenção de empresas por trabalho com formasgeométricas, sempre com tons bem vivos, por isso, alguns acreditam que, de certomodo, ele tenha reinventado a Pop Art..
  • Para D. Ambrosio (2010, p. 34), os quadros, que antes mostravam uma única figura como elemento central, passaram a incorporar diversas imagens e as cores passaram a ser um pouco menos brilhantes, interagindo com as mais suaves. Também acontece a incorporação de vários suportes, o uso de papeis coloridos, papel-cartão e tecidos enriquecendo a produção do artista. Trata-se de um processo gradual, que ocorre sem pressa, ao longo do desenvolvimento da obra do artista.
  • Capítulo 2 – O ENSINO DA HISTÓRIA DA ARTE NO BRASIL Segundo Mae Barbosa (2008, p. 01), o modernismo no ensino da arte se desenvolveu sob a influência de John Dewey. Suas idéias muitas vezes erroneamente interpretadas ao longo do tempo nos chegaram, contudo filosoficamente bem informadas através do educador brasileiro Anísio Teixeira, seu aluno no Teachers College da Columbia University. Anísio foi o grande modernizador da educação no Brasil e principal personagem do movimento Escola Nova (1927 – 1934). Quando a autora refere-se a Dewey, descreve que a Escola Nova tomou aidéia de arte como experiência na troca de informações, sendo a arte usada paraajudar a criança a organizar e fixar noções aprendidas em outras áreas de estudo,para tanto o desenho e os trabalhos manuais a última etapa para completar aexploração de um determinado assunto. De acordo com Mae Barbosa (2008, p. 02), “é no fim da década de 1920 e início da década de 1930 que encontramos as primeiras tentativas de escolas especializadas em arte para crianças e adolescentes, inaugurando o fenômeno da arte como atividade extracurricular. Em São Paulo, foi criada a Escola Brasileira de Arte conhecida através de Theodoro Braga, seu mais importante professor”. Para tanto, as crianças das escolas públicas entre oito e catorze anos eramselecionadas por meio de uma prova de desenho podendo estudar gratuitamente,musica, desenho e pintura, sendo orientada a estilização da flora e faunabrasileiras desenvolvendo o que podemos chamar de método art nouveau. Mae Barbosa (2008, p. 03), comenta em sua obra Ensino da Arte: Memória e História, que Anita Malfatti mantinha cursos para crianças e jovens em seu ateliê e na Escola Mackenzie. Tinha uma orientação baseada na livre expressão e no espontaneísmo. Com o curso para criança, criado na Biblioteca Infantil Municipal pelo Departamento de Cultura de São Paulo quando Mário de Andrade era seu diretor (1936-1938) esta orientação começou a se consolidar. Conclui-se então, a importante contribuição para que se começasse a encarara produção pictórica da criança com critério investigativo, valorizando a atividadeartística da criança como linguagem complementar. Segundo Mae Barbosa (2008, p. 04-05), a partir de 1947, começaram a aparecer ateliês para crianças em várias cidades do Brasil, em geral orientadas por artistas que tinham como objetivo libertar a expressão da criança, fazendo com que ela se manifestasse livremente sem
  • interferência do adulto. Trata-se de uma espécie de neo-expressionismo que dominou a Europa e os estados unidos do pós-guerra e se revelou com muita pujança no Brasil. Observa-se então a enorme influência multiplicadora gerada pelasEscolinhas de Arte por todo o Brasil, que começava a tentar convencer a escola danecessidade de deixar a criança se expressar livremente usando lápis, pincel, tinta,argila etc. De acordo com Mae Barbosa (2008 p. 08), a ditadura de 1964 perseguiu professores e escolas experimentais foram aos poucos desmontadas sem muito esforço. Era só normalizar e estereotipar seus currículos, tornando-as iguais às outras do sistema escolar. Até escolas de educação infantil foram fechadas. A partir daí, a prática de arte nas escolas públicas primárias foi dominada, em geral, pela sugestão de tema e por desenhos alusivos a comemorações cívicas, religiosas e outras. Portanto, destruindo a experiência renovadora, onde se criava umaEscolinha de Arte com base na Bauhaus, de ensinar a criança através de bomdesenho. A autora refere-se, entretanto, que por volta de 1969, a arte fazia parte docurrículo de todas as escolas particulares de prestígio, seguindo a linhametodológica de variação de técnicas. Eram, porém, raras as escolas públicas quedesenvolviam um trabalho de arte. Segundo Mae Barbosa (2008), “a reforma educacional de 1971 estabeleceuum novo conceito de ensino de arte: a prática da polivalência” (p. 10). Segundoesta reforma, as artes plásticas, a música e as artes cênicas (teatro e dança)deveriam ser ensinadas conjuntamente por um mesmo professor da primeira àoitava série do primeiro grau. Para suprir esta necessidade, cursos de licenciatura em educação artísticacom duração de dois anos foram criados, com o objetivo de criar professorespolivalentes, após o curso o professor poderia estudar em direção à licenciaturaplena. Mae Barbosa (2008), comenta: “a semana de Arte e Ensino fortificarampoliticamente os arte/educadores” (p. 12). Já em 1982/1983 foi criado na pós -graduação em artes a linha de pesquisa em arte educação na universidade de São
  • Paulo constando de doutorado, mestrado e especialização, com orientação de AnaMae Barbosa. Segundo Mae Barbosa (2008), quando em 1997, o governo federal, porpressão externas, estabeleceu os Parâmetros Curriculares Federal, a PropostaTriangular foi a agenda escolhida da área. Nesses Parâmetros foi desconsideradotodo o trabalho de revolução curricular que Paulo Freire desenvolveu quandosecretário municipal de Educação (1989/1990), com vasta equipe de consultores eavaliação permanente. Para tanto, a luta mais importante se deu em prol da continuação daobrigatoriedade da arte na Lei de Diretrizes e Base Nacional Darcy Ribeiro, quecomeçou antes mesmo da criação da LDBN do Darcy. Jamais ousaria fazer ahistória desta luta sem uma pesquisa aprofundada, pois ela se tornou um elementofundamental da identidade do arte/educador no Brasil.2.1 O Ensino de Arte no Brasil Segundo, PCN: Arte (2000, p. 19), a educação em arte propicia o desenvolvimento do pensamento artístico e da percepção estética, que caracterizam um modo próprio de ordenar e dar sentido á experiência humana: o aluno desenvolve sua sensibilidade, percepção e imaginação, tanto ao realizar formas artísticas quanto na ação de apreciar e conhecer as formas produzidas por ele e pelos colegas, pela natureza e nas diferentes culturas. Contudo, o ensino de arte na educação escolar tem um percursorelativamente pequeno, pois as transformações nesta área só começaram aacontecer no século XIX na maioria dos países, saindo de uma educaçãotradicional, para um processo de aprendizagem para o desenvolvimento da criança,sobre o processo criador em artes de outras culturas. Segundo Ana Maria Pessoa de Carvalho (2009, sumário), na obra Ensino de Arte, nestes últimos anos, quando a educação passou a ser considerada uma área essencial na formação dos cidadãos para o desenvolvimento econômico e social do país, a tarefa de ensinar cada uma dos conteúdos específicos sofreu muitas reformulações, o que gerou novos direcionamentos para as propostas metodológicas a serem desenvolvidas em sala de aula.
  • Para tanto, nos últimos anos aumentou-se a quantidade de escolas cujosprofessores utilizam-se da prática educativa em artes aproximando as das práticassociais e a produção de diferentes tempos e culturas como conteúdos a seremensinados. De acordo com Arslan e Iavelberg (2009, p. 02), na obra Ensino de Arte, na Escola tradicional predominava a orientação neoclássica, introduzida pela Academia de Belas-Artes instalada pela Missão Francesa no início do século XIX. A Escola renovadora que incorporou as práticas de experimentação da arte moderna com o uso de meios e suportes não-convencionais nas aulas de arte: técnicas de colagem, pintura em vários tipos de suporte com tintas variadas, de fabricação caseira ou industrializadas, trabalhos com anilina, vela e modelagem em argila. Na escola construtivista ocorre um retorno à valorização dos conteúdos de ensino, que já eram preconizados na escola tradicional, porém eram concebidos de modo diferente no que se referem a formas de aprendizagem, recortes qualitativos e avaliativos. Os autores referem-se aos anos de 1980, como o ano de novas mudançasno ensino de arte onde diversas culturas, passam a ser objeto de conhecimentonas escolas, incorporando novas tecnologias, mas não abandonando os recursostradicionais ( lousa, papel, tinta, lápis). Segundo o PCN (2000, p.30), a partir dos anos 80 constitui-se o movimento Arte-Educação, inicialmente com a finalidade de conscientizar e organizar os profissionais, resultando na mobilização de grupos de professores de arte, tanto da educação formal como da informal. O movimento Arte-Educação permitiu que se ampliassem as discussões sobre a valorização e o aprimoramento do professor, que reconhecia a seu isolamento dentro da escola e a insuficiência de seu conhecimento na área, com o intuito de rever e propor novos andamentos à ação educativa em Arte. Observa-se então que as novas tendências curriculares em Arte voltadascom conteúdos próprios, ligadas à cultura artística e não apenas como atividades,sem duvida, estão interferindo na melhoria do ensino e da aprendizagem de arte,que tem por principio básico a integração do fazer artístico, a apreciação da obrade arte e sua contextualização histórica 1 ._____________ 1. As idéias de integração entre o fazer, a apreciação e a contextualização artística são identificações da “Proposta Triangular para o Ensino da Arte”, criada por Ana Mae Barbosa e difundidas no País por meio de projetos como os do Museu de arte Contemporânea de São Paulo e o Projeto Arte na Escola da Fundação Iochpe.
  • 2. 2 Arte na Educação Infantil. De acordo com os PCN (2000), na proposta geral dos ParâmetrosCurriculares Nacionais, Arte 2 tem uma função tão importante quanto a dos outrosconhecimentos no processo de ensino e aprendizagem. A área de Arte estárelacionada com as demais áreas e tem suas especificidades. No entanto, cabe ao professor alimentar os alunos com informações eprocedimentos de arte dando oportunidades para que ele desenvolva trabalhos emgrupos ou pessoais, que contribuam para o fortalecimento da criatividade, apesquisa e a criação. A pesquisa é fundamental para o contato com os artistas,sua história de vida, o momento histórico, enfim tudo de mostrará aos alunos, oprocesso criativo para execução de uma obra artística. O contato direto comreproduções dos quadros, suas cores, formas, texturas, linhas, proporcionarãofortalecimento da criatividade, pois tanto em grupo, com sozinhos criarão suasproduções artísticas, trocando informações, idéias, comparando seus trabalhoscontribuindo, assim, para o desenvolvimento global dentro da linguagem artísticado mundo da arte. A Arte tem flexibilidade em seu currículo, portanto, os alunos aprenderãotambém de maneira lúdica, com o professor mediador os conhecimentos que jápossuem em seu cotidiano, e as novas informações obtidas, tornando aaprendizagem mais significativa. De acordo com Pillotto e Mognol (2007, p. 216), na obra Arte, Educação e Cultura, o conhecimento deve ser considerado um processo de construção do saber em permanente integração com a realidade, ou seja, contextualizado a partir de reflexões sobre teorias relacionadas às experiências do cotidiano. Essa flexibilidade curricular, portanto, proporciona a interação entre teoria e prática tornando o “aprender” construção significativas. Nos dias de hoje a Arte deve ser trabalhada observando o contexto socialhistórico e cultural da infância, valorizando a diversidade.---------------------2. Quando se trata da área curricular, grafa-se Arte; nos demais casos, arte.
  • Nesse sentido, Pillotto e Mognol (2007) ressaltam sobre a importância daorganização de projetos partindo das experiências das próprias crianças sugerindoquestões a serem elucidadas. A criança é um ser curioso e apto à exploração,portanto, quanto mais o projeto estiver ligado às questões de seu interesse, massignificativo será o seu aprendizado. Observa-se então que a educação nos dias de hoje não deve se umaestrutura curricular rígida, baseada unicamente disciplinar, seqüenciada,acumulativa, mas sim de um currículo não-linear, considerando o contextohistórico-social e cultural da infância, que valorizem e respeitem a diversidade. Portanto, a utilização da representação visual por meio da tridimensionalidade(escultura, modelagem) e do bi dimensionalidade (pintura, desenho, gravura etc.)são recursos a serem utilizados para o desenvolvimento cognitivo, afetivo esensível, como também ter a oportunidade de exercitar as várias linguagens,através de brincadeiras ao ar livre, dramatização, dando prioridade àexpressividade das crianças. Segundo Pillotto e Mognol (2007 p.219), Edwards et al. (1999) define que o papel do educador engloba a concepção de aprendizagem nos planos cognitivos, social, físico e afetivo, o manejo metodológico, a preparação do ambiente, o incentivo e orientação, a comunicação e a busca de crescimento profissional. Ainda sobre isso Pillotto e Mognol (2007) na obra Arte, Educação e Cultura,ressalta para a arte na educação infantil, estão o educador em arte, que emconsonância com os demais educadores da instituição, aprofundando conceitos elinguagens da arte. A função desse profissional não será simplesmente a de “ministrar aulas”fragmentadas de arte, mas, sobretudo, de organizar um espaço de cultura quepossibilite a ampliação das expressões e das linguagens da criança. O projeto pretende também motivar os professores para novas práticaspedagógicas adequadas ao Ensino Infantil, incentivando os pequenos para apesquisa, e para o desenvolvimento de sujeito agente do aprendizado, pois serãoprotagonistas do aprender, sentindo, criando e fazendo Arte.
  • 2.3 Abordagem Triangular no Contexto da Arte-Educação. De acordo com Mae Barbosa (1998, p. 17), em sua obra Tópicos Utópicos, em nossa vida diária, estamos rodeados por imagens impostas pela mídia, vendendo produtos, idéias, conceitos, comportamentos, slogans políticos etc. Como resultado de nossa incapacidade de ler essas imagens, nós aprendemos por meio dela inconscientemente. A educação deveria prestar atenção ao discurso visual. Ensinando a gramática visual e sua sintaxe através da arte e tornar as crianças conscientes da produção humana de alta qualidade é uma forma de prepará-las para compreender e avaliar todo o tipo de imagem, conscientizando-as de que estão aprendendo com essas imagens. Nas artes visuais, este processo se dá através da imagem onde o fazerartístico, a historia da arte e a análise da obra de arte, proporciona ao educando odesenvolvimento de suas necessidades e de seu interesse. Assim sendo, as atividades de arte dentro das escolas passam a ter umsignificado maior para os alunos deixando de ser uma atividade de meropassatempo. Quando o aluno conhece a arte através de sua história possibilita queele entenda em que tempo esta obra foi realizada, possibilitando um melhorentendimento da mesma. Ao apreciar uma obra de arte, o aluno desenvolve a habilidade de apreciaçãosobre as qualidades da mesma, pois através da apreciação desenvolve-se o sensoestético para julgar a qualidade da imagem. No fazer arte, o educando desenvolve sua criatividade através das técnicasexistentes como também inovando de outras formas o seu trabalho. Segundo MaeBarbosa (2007), temos que alfabetizar para a leitura da imagem. Através da leituradas obras de artes plásticas estaremos preparando a criança para a decodificaçãoda gramática visual. Para tanto, interligar o fazer artístico, a história da arte e a análise da obra dearte organizariam de maneira que as necessidades, os interesses e odesenvolvimento das crianças seria respeitado, como também a matéria a seraprendida, com seus valores, sua estrutura e sua contribuição à cultura. De acordo com Barbosa (1998, p. 35) na obra Tópicos Utópicos. Proposta Triangular, como sistema epistemológico, só foi sistematizada e amplamente testado entre os anos de 1987 e 1993, no Museu de Arte contemporânea da USP, tendo como meio a leitura de obras originais. De 1989 a 1992 foi experimentado nas escolas da rede municipal de ensino de São Paulo, tendo como meio reproduções de obras de arte e visitas aos originais do museu. Este projeto foi iniciado no período em que Paulo Freire foi Secretário de Educação do Município de São Paulo e foi conduzido inicialmente por mim, depois
  • por Regina machado e por fim e por mais tempo por Christina Rizzi. Sua avaliação positiva após quatro anos foi extremamente recompensadora. A Proposta Triangular foi utilizada no Museu de Arte Contemporânea daUniversidade de São Paulo com crianças e adolescentes, como também naformação de arte educadores, passando a ser um referencial para atividadeseducativas em arte. Contribuindo para o conhecimento da arte, como também paraa democratização deste conhecimento, interagindo o conhecer, apreciar, fazer noprocesso de crescimento do aluno.
  • Capítulo 3 – RELATO DE EXPERIÊNCIA: PROJETO SEM LIMITES PARACRIAR. Para desenvolver o projeto sem Limites Para Criar, onde buscamos ampliaros horizontes de nossos alunos, levando-os a conhecer a vida e a obra de grandespintores, provocando os memos a produzirem, coletiva ou individualmente, suaspróprias obras, como também mergulharem no enriquecedor universo das artes.Para realização do projeto mencionado é necessário que se faça a mediação entreas obras escolhidas pelo professor e a biografia do artista relacionado, pois seráassim que os alunos aprofundarão seus conhecimentos, mesmo os pequenos. Cada educador, pesquisando o artista escolhido, oferecerá informaçõespara motivar os alunos a observar as diferentes imagens, a época, eprincipalmente as técnicas e cores que caracterizarão as novas produçõesartísticas, individuais ou coletivas de cada um. Considerando que as crianças têm um prazer muito grande em manusear etransformar materialidade encontrando sempre disponibilidade para investigar,elaborou-se um projeto que permitisse essa disponibilidade, que o aluno tem paraa experimentação. Durante os próximos meses os alunos do Colégio NomeliniCirandinha, do maternal ao 5º ano está sendo desenvolvido um projeto muitointeressante e enriquecedor. Trata-se do projeto “Sem Limites Para Criar”. Nele, os alunos estão sendo provocados a produzir suas obras, além demergulhar, de corpo e alma no maravilhoso universo das Artes. O objetivo maior denosso projeto é ampliar os horizontes de nossas crianças levando-as a conhecer avida e a obra de artistas que vão de Pablo Picasso, Monet até o contemporâneoRomero Britto. A participação dos pais, que já esse transformou no diferencial do colégio, éprimordial para o sucesso de nosso trabalho que foi pensado para proporcionar àscrianças esse momento intenso de contato com as texturas e tintas para interagircom materiais, defrontando com desafio, únicos neste momento atribuindosignificado e extraindo sentidos. Foram realizados vários encontros com os professores para a apresentaçãode sugestões sobre os trabalhos a serem desenvolvidos como atividade durante odecorrer do projeto.
  • Como primeira etapa do projeto, em cada sala de aula foi colocada peloprofessor uma obra de arte do artista a ser trabalhado por aquela sala, com aintenção de despertar a curiosidade dos alunos sobre aquela obra e seu autor. O resultado foi muito positivo, pois além do interesse dos alunos da salasobre a obra de sua sala, as professoras questionavam seus alunos sobre quaisseriam as obras das outras salas, com isso aconteceu uma grande excursão dealunos de uma sala a outra para conhecer qual artista estava sendo trabalhado poreles, como também contra coisas sobre a vida do artista de sua sala. Cada professora apresentou a biografia dos pintores e os trabalhado poreles, realizados com pesquisas em livros como também a apreciação das obrasrealizadas pelos pintores nas aulas de informática pro meio de pesquisa dos sitesdos pintores. Para os alunos menores estas obras foram apresentadas através de livrosvoltados para a educação infantil como também por meio de projeções queaconteceram na sala de informática. Cada professora direcionou suas atividades respeitando a idade de seusalunos, para os menores buscou-se trabalho mais o lado emocional como as fasesAzul e Rosa de Pablo Picasso. Os alunos do maternal deram início ao projeto em uma oficina de culináriacom confecção de cupcakes, que foram coloridos com confeitos azul e rosaretratando as cores das fases de Picasso. Dando continuidade ao projeto depois de ouvirem a historia sobre a vida dePicasso, que contava que seu pai criava pombas, como também gostava muito dedesenhá-las. Os alunos fizeram uma visita ao viveiro da escola para observaçãodas mesmas, registrando este momento em atividade de pintura onde pintarampombas grandes e pequenas feitas de cartolina. Sendo o cubismo um estilo desenvolvido por Pablo Picasso, foi apresentadoaos alunos algumas de suas obras, e foi comentado pela professora as formasgeométricas encontradas nas obras, em seguida foram oferecido aos alunos folhasde papel canson branca, várias figuras geométricas de cores variadas e diferentestamanhos, cola branca e pincel, para que registra do que foi visto.
  • As crianças também conheceram a fase em que Pablo Picasso apaixonadomuda seu estilo de pintura, que passaram a ter cores e temas mais alegre, ondeele retratou a arte circense. Para registro deste momento os alunos pintaram em potes grandes depapelão um palhaço azul, outro rosa, onde também se buscou trabalhar atridimensionalidade de uma obra de arte, complementando este momento aprofessora apresentou um boneco feito em TNT no qual as crianças com retalhosde tecidos coloridos o vestiram representado á alegria desta fase do pintor. Como finalização do projeto cada criança recebeu uma almofada na qualelas pintaram com caneta acrilex coloridas finalizando de forma individual arealização do projeto. Já com os alunos mais velhos, foram realizadas diversas oficinas de artepara construção de trabalhos de releitura de obras com suportes variados, comcaixas de papelão, telas, garrafas descartáveis, chinelos, esculturas em papelmachê, esculturas em placas de isopor, criando formas tridimensionais. Seguindo a tendência POP ART pintada por Romero Britto, os alunos doprimeiro ano fizeram a customização em seus próprios chinelos, que primeirorecebeu uma camada de tinta látex banca, que depois foram riscados segundo asformas geométricas utilizadas pelo pintor em seus trabalhos, que em seguida foipintado com cores vivas e contornados de preto. Uma rede de perfumarias, conhecida nacionalmente, lançou uma linha deperfumes exclusiva e limitada assinada por Romero Britto, em outra atividade todosos alunos utilizaram como suporte uma garrafinha descartável, pintando-as com ascaracterísticas da coleção lançada pelo pintor, com isso os alunos criaram suaprópria coleção de embalagem. Para trabalhar em conjunto e explorando a tridimensionalidade os alunosutilizaram caixas grandes de papelão na confecção de cubos, que depois forampintados com cores chapadas e contornos em preto, ressaltando ainda mais estascaracterísticas encontradas nas obras de Romero Britto. A obra “O Gato” de Romero Britto, foi apreciada pelos alunos, para aobservação das cores das formas geométricas, como também falar sobre o animalrepresentado na obra, seu valor emocional, suas qualidades assim comocaracterísticas .
  • Com base nestes dados, e em conjunto os alunos trabalharam naconstrução de um gato utilizando-se de uma caixa grande de papelão de umatelevisão LCD como suporte, que foi pintada por eles, em grupos de quatro, ondecada um colaborou expressando sua criatividade na execução da obra. Nenhuma professora da educação infantil e ensino fundamental é formadaem arte e nós só temos uma professora da arte para as duas etapas, asprofessoras também precisaram fazer pesquisas para desenvolver o projeto o queveio somar mais a seus conhecimentos. Os alunos estão bastante entusiasmados com o desenvolvimento do projeto,principalmente porque a culminância do mesmo se dará com uma exposição queacontecerá na Estação Cultura de nossa cidade no final do mês de novembro,onde familiares e a comunidade será convidada.O objetivo dessa exposição é a valorização do aluno enquanto agente portador doconhecimento adquirido em arte.
  • CONCLUSÃO
  • A escolha do tema deu-se devido ao fato de perceber que, o ensino de artena Educação Infantil em muitas escolas ainda é colocada em segundo plano.Acredito que, através da biografia dos pintores e de suas obras, ocorra umaproposta de educação visando à restauração da unidade e da integração doconhecimento. O contato com as biografias e as obras artísticas é de grande importânciapara o ser humano, desde a infância, pois, através da produção artísticacompartilhamos a história e a cultura produzidas pela humanidade através dostempos. O trabalho com a criatividade e com a imaginação dos alunos tornou-seessencial para a busca de diferentes linguagens na sala de aula. Um dos pontosque justificou o desenvolvimento de um projeto ligado à área da arte visual é quetrabalhando com esses três eixos: Biografia de grandes pintores, produção eapreciação integradas, as crianças podem ter contato mais contemplativo comArtes. Para o desenvolvimento de trabalhos em artes, voltados para este tema onúmero de informações é muito grande, como também relatos de experiênciasvividas por outros educadores; para tanto, basta que o professor queira melhorarseu trabalho , ampliando suas pesquisas. A viabilidade de aplicação deste projeto em sala de aula, se dá desde que oprofessor adéqüe as atividades a cada faixa etária de seus alunos, como tambémlevar o conhecimento de forma lúdica e prazerosa, pois, com isso acredito quecolherá frutos mais conscientes e produtivos. De acordo com o referencial Curricular Nacional Para a Educação Infantil,PCN (2000), o fazer artístico - centrado na exploração e comunicação de produçãode trabalhos de arte por meio de prática artística, propiciando o desenvolvimentode um percurso de criação pessoal. Apreciação – percepção do sentido que o objeto propõe, articulando-o tantoaos elementos da linguagem visual quanto aos materiais e suportes utilizados,visando desenvolver, por meio da observação e da fruição, a capacidade deconstrução de sentido, reconhecimento, análise e identidade de obras de arte e deseus produtores;
  • Reflexão – considerado tanto no artístico como na apreciação, é um pensarsobre todos os conteúdos do objeto artístico que manifesta em sala,compartilhando perguntas e afirmações que a criança realiza instigada peloprofessor e no contato com suas próprias produções e as dos artistas. Outro pontoé ter acesso à informações que contribuam para crescer, identificando-se comoprodutores de arte. Para Duarte, Silvia Sell e Mognol, Letícia Coneglian (2007), a arte pode seruma fonte de conhecimento que possibilita desenvolver o potencial criativo,permitindo novas relações, o que leva a uma nova visão de mundo e de seussignificados. Outro ponto que justificou o projeto é o reconhecer e valorizar aprodução artística e o papel do artista na sociedade e na cultura. Para fortalecer ainda mais esta característica, professores e alunos foramorientados a buscar informações sobre artistas, pintores e suas produções, comotambém fazer escolhas quanto a materiais e técnicas a serem utilizadas.Contribuindo na construção de um percurso criador individual e coletivo. (PCN,1997), para tanto, a escola deve colaborar para que os alunos passem por umconjunto amplo de experiências de aprender e criar, articulando percepção,imaginação, sensibilidade, conhecimento e produção artística pessoal e grupal.Para tanto o aluno deve explorar as possibilidades oferecidas pelos diversosmateriais, instrumentos e suportes necessário para o fazer artístico. De acordo com o PCN (1997), o ser humano que não conhece arte tem umaexperiência de aprendizagem limitada, escapa-lhe a dimensão do sonho, da forçacomunicativa dos objetos à sua volta, da sonoridade instigante da poesia, dascriações musicais, das cores e formas, dos gestos e luzes que buscam o sentidoda vida. A realização deste trabalho foi muito gratificante, pois tive a oportunidade de pesquisar um assunto que me despertou curiosidade no decorrer do curso de graduação. Na busca de levantar dados para a pesquisa descobri que este tema é de grande preocupação por parte dos pesquisadores voltados a área de educação o que despertou ainda mais meu interesse, com o objetivo de crescimento pessoal e profissional. Lendo e conhecendo mais a fundo a importância da arte na Educação Infantil e o papel do professor junto à mesma, observei que sua contribuição na
  • vida das pessoas, em geral, é de grande valia e sua valorização precisa serreconhecida e incentivada, principalmente nessa fase escolar. Trabalhar com pesquisa é bastante intrigante, pois proporciona aopesquisador a oportunidade de ampliação de seu conhecimento, dando a ele amaior dimensão do processo de leitura, que é de fundamental importância,propiciando um maior entendimento sobre o tema pesquisado. Alcançar os objetivos propostos foi de grande importância para mim, poisatravés das pesquisas constatei a relevância do arte-educador no processo deeducação da criança, onde ocorre uma maior possibilidade de superação doensino codificado e memorizado, mas dá ao arte-educador uma possibilidademaior de incorporar sentido e novos valores ao processo de aprendizagem emartes. Além da família, os professores são os que têm uma maior integração noprocesso de educação da criança, por esse motivo é essencial que ele incentiveseus alunos principalmente pelo caminho da arte, oferecendo suporte que venhasomar em seu crescimento, criando desafios para novos conhecimentos. Pormeio da pesquisa, pode gerar ao profissional uma grande contribuição em suaformação como também contribuir para a atuação do professor com relação àimportância sobre a arte na educação infantil, como forma de provocar, o criar, ofazer, o buscar, e não apenas como mero transmissor de conteúdos. O ensino de artes na educação infantil, ainda encontra inúmerosimpedimentos, principalmente como área de conhecimento, como também adesvalorização do professor, por não ser compreendido como agente detransformação social, mas cabe principalmente ao professor, organizar-se,valorizar-se e pesquisar, para melhor qualificar-se. Concluo assim, que é necessário que o professor pense no ensino de artesna Educação Infantil, e busque teorias mais atuais com relação à pedagogia noensino de artes para que com isso haja um menor distanciamento entre o queestá sendo desenvolvido nas escolas e os fundamentos dos autores.
  • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASArslan, Lucia Mourão. Ensino e arte. São Paulo: Cengage Learning, 2009.Barbosa, Ana Mae Tavares Bastos. Ensino da Arte: Memória e História. SãoPaulo: Perspectiva, 2008.Barbosa, Ana Mae Tavares Bastos. A imagem no ensino da arte: anos oitenta enovos tempos. São Paulo: Perspectiva, 2007.Barbosa, Ana Mae Tavares Bastos. Tópicos Utópicos. Belo Horizonte: C/Arte,1998.Battistoni Filho, Duílio. Pequena história das artes no Brasil. Campinas: Átomo,2008.D. Ambrósio, Oscar. Contando a Arte de Romero Britto. São Paulo: NovaAmérica, 2010.Oliveira, Marília Oliveira de. Arte, educação e cultura. Santa Maria: UFSM, 2007.Venezia, Mike. Pablo Picasso, tradução Valentini Rebouças. São Paulo:Moderna, 1996.Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais/Arte.Rio de Janeiro: DP&A, 2000.