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A arte seringueira como recurso pedagógico no Ensino Fundamental.
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  • 1. Maria do Socorro Batista CoutinhoA arte seringueira como recurso pedagógico no Ensino Fundamental. Brasiléia-AC 2012
  • 2. Maria do Socorro Batista CoutinhoA arte seringueira como recurso pedagógico no Ensino Fundamental. Orientadora: Orientadora a Distância: Ana Lucia Felix de Souza Orientadora Presencial: Rosimari Ferreira da Silva Monografia, apresentada de Curso de Licenciatura em Arte Visual UAB/UNB como requisito para a obtenção do título de Licenciatura em Artes Visuais. Brasiléia-AC 2012
  • 3. Maria do Socorro Batista CoutinhoA arte seringueira como recurso pedagógico no Ensino Fundamental. BANCA EXAMINADORA Profª: ....................................... Orientadora Profª: .................................. Convidada Profª: .................................. Convidada Monografia, apresentada de Curso de Licenciatura em Arte Visual UAB/UNB como requisito para a obtenção do título de Licenciatura em Artes Visuais. Brasiléia - AC 2012
  • 4. Dedicatória Dedico este trabalho ao meu filho João Pedro, que me motivou. Ao meu marido Ademir que me apoiou. À minha mãe Amélia, e meu pai Raimundo que sempre estiveram ao meu lado. Enfim aos que acreditaram na minha competência, participando da minha luta e dessa grande conquista.
  • 5. AGRADECIMENTOSAgradeço a Deus. O que seria de mim sem a fé que tenho nele? A meu marido efilho, que foram grandes companheiros nessa batalha. À minha mãe e meu pai peloesforço que fizeram para eu estudar. As Professoras Rosimari Ferreira da Silva,Maria Cecília, Ana Maria Felix e Maria das Graças C. Silva por me orientarem nestetrabalho. Sem a ajuda desses profissionais certamente não chegaria aqui. Acompanheira Cleuzeni Ribeiro, pela troca de informações, experiências esolidariedade. Aqueles que colaboraram direta ou indiretamente para aconcretização deste sonho.
  • 6. “A arte é a contemplação: é o prazer doespírito que penetra a natureza edescobre que ela também tem uma alma.É a missão mais sublime do homem, poisé o exercício do pensamento, que buscacompreender o universo, e fazer com queos outros o compreendam.” (AugusteRodin)
  • 7. ResumoO presente trabalho foi desenvolvido objetivando identificar as criações da arteseringueira como prática de economia sustentável, para ser aplicado aos alunos doEnsino Fundamental, a fim de valorizar o artesanato de subsistência e incentivarnovos talentos. A partir de recursos literários específicos, foram elencadoselementos históricos acerca da formação do Acre, sua etnia, cultura e aspectossociais relacionados às particularidades regionais. Esta pesquisa apresenta ocotidiano dos seringueiros. Os utensílios por eles criados de forma artesanal paraatender suas necessidades. A experiência de artistas regionais que aproveitam osresíduos de madeira, sementes, borracha, fibra vegetal para confeccionarartesanatos etc. Em especial a artesã Nazaré Araújo, visto apresentar em seucurrículo, conhecimento e prática de uso dos diferentes recursos naturais desde atenra infância. Atualmente morando na cidade, construiu em seu quintal, um ateliercom recursos naturais, espaço por ela utilizado para a confecção de peçasartesanais. Também explana sobre alguns projetos que são executados nascomunidades de assentamentos, reservas e associações extrativistas, visandomelhorar as técnicas de aproveitamento da matéria prima natural de multiuso.Seguindo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) em artes, foi elaborada umaproposta pedagógica para os alunos do Ensino Fundamental do Instituto OdilonPratagi, no município de Brasiléia, Acre. Na execução do projeto, em sala de aula,foram utilizadas imagens fotográficas, mostruário da matéria prima natural e roda dediscussão tendo como base a reprodução verbal dos depoimentos dos artesãossobre o processo de colheita e beneficiamento dos recursos empregados nosartesanatos. Em grupos, os estudantes cumpriram a tarefa determinada, que erapesquisar a arte seringueira em revistas, internet e feiras artesanais locais. Oconteúdo adquirido por eles, durante a pesquisa foi socializado na sala de aula eapresentou resultado positivo de interação, motivação, sensibilidade e aprendizado.Palavras chaves: artes, seringa, história, artesanato, sustentabilidade.
  • 8. SUMÁRIO1. Introdução 82. Objetivo Geral 102.1Objetivo Especifico 103. A Arte Seringueira 113.1 A Arte seringueira acreana e seus aspectos históricos 113.1.1 Arquitetura Vernácula 113.1.2 A arte em látex 123.1.3 Artesã Seringueira: A experiência pedagógica na arte visual 143.1.4 Folha Liquida Defumada 163.1.5 Arte em sementes 173.1.6 Associações e Cooperativas de artesãos do Alto Acre 183.1.7 AMPAESQ 193.1.8 COMAX 203.1.9 Cooperativa Mãos de mulher 203.1.10 Apoio Tecnológico ao Artesanato de Subsistência 213.1.12 Arte Seringueira como Atividade Pedagógica 224. Metodologia 235. Proposta pedagógica das atividades acadêmica sobre a arte natural 255.1 Resultado da experiência pedagógica 266. Considerações Finais 297. Referências Bibliográficas 30Anexos 32
  • 9. 8 1. INTRODUÇÃO Brasiléia é um município do Acre, cuja área rural é superior à área urbana.O extrativismo é a base econômica de muitas famílias que vivem nas áreas defloresta de Reservas e Assentamentos. Habitualmente esses povos convivemharmonicamente com a selva. Habilidosos encontram na mata recursos usados naconstrução dos abrigos, como também o alimento e a matéria prima para aconfecção artesanal de utensílios e de artesanatos. Sendo assim, a presença depessoas provenientes de comunidades rurais, principalmente das Reservas eProjetos de Assentamentos Extrativistas destaca-se nas ruas da cidade. Pois,embora essas pessoas morem e trabalhem nos seringais, vêm para a cidaderesolver questões como aposentadoria, bolsa família, compras e outros. Alguns,quando idosos costumam morar na periferia da cidade. A cultura do corte da seringueira para retirada do látex e o artesanato, temficado em segundo plano, sobretudo pelos jovens, que buscam novos horizontes eoportunidades de trabalho que valorize economicamente seus esforços, resultandono distanciamento de sua origem e tradição. Diante dessa realidade, comoincentivo, o poder público anualmente disponibiliza cursos de artesanatos a partirde recursos naturais para a comunidade em geral. Embora a atividade artesanalvenha, por um lado, crescendo entre as famílias seringueiras, contribuindo para aelevação do orçamento doméstico, observa-se, por outro lado, a não valorizaçãodessa cultura por grande parte da população. Fato observado no período decomemoração dos aniversários das cidades da região do Alto Acre, quando osstands destinados ao artesanato seringueiro são visitados basicamente por turistas. Este estudo enfoca parte da história dos povos do Acre, representadospelos seringueiros com sua originalidade artística. Apresenta pesquisa realizadasobre o artesanato em sementes, fibras, FDL, resíduos de madeira etc. Identificaartesãos do Alto Acre e registra através de fotografias in lócus, algumas técnicasempregadas pelos mesmos na manufatura de objetos artesanais em associações,cooperativas, seringais e na experiência de Nazaré Araújo, por se tratar de umaartesã jovem que deixou o seringal para morar na zona urbana, e que reproduziuem seu quintal um ateliê obedecendo à arquitetura de outrora. Usa exclusivamentea Folha Defumada Líquida (FDL) e suas peças são reconhecidas pela boaqualidade apresentada.
  • 10. 9 O conteúdo obtido através da pesquisa constituirá a proposta pedagógicana disciplina de artes, para os alunos do ano do 6° ano do Ensino Fundamental doInstituto Odilon Pratagi, em Brasiléia/Acre, que será aplicado por meio de imagensfotográficas, identificando os artesãos locais. Os relatos proferidos informalmentepelos artistas seringueiros durante a pesquisa de campo sobre o processo deconfecção dos artesanatos sustentáveis serão compartilhados verbalmente com osalunos em sala de aula, como reforço ao registro de imagens do ambienteseringueiro e seu contexto social, bem como será disponibilizado um mostruário dematéria prima para manuseio. Dessa forma, os alunos terão a oportunidade deampliar seus conhecimentos sobre o tema abordado. Para o embasamento teóricoe estruturação desta pesquisa foram utilizados autores como Jorge Coli, FabianeMesquita, Tatiana Campos, Marilda Oliveira, Rejane Elizeque e Elise Muxfeldt,além dos Manuais de Procedimentos Técnicos para Manejo de SementesFlorestais pertencentes ao acervo do Centro de Trabalhadores da Amazônia.
  • 11. 102. Objetivo Geral:Conhecer a arte seringueira e sua tradição.2.1 Objetivos específicos:  Estudar a arte seringueira;  Manusear a matéria prima de uso dos artesãos seringueiros;  Conhecer artesãos regionais;  Identificar obras de arte seringueira em suas especificidades;  Valorizar o artesanato de subsistência.
  • 12. 113. A ARTE SERINGUEIRA Para falar sobre arte pode ser fácil, difícil é sua definição num universo quedemanda culturas e percepções diferenciadas, em face de tal constatação, éprovidencial, apropriar-se da citação de COLI, (1995) que referencia: [...] a arte são certas manifestações da atividade humana diante das quais nosso sentimento é admirativo. isto é: nossa cultura possui uma noção que denomina solidamente algumas de suas atividades e as privilegia. Portanto podemos falar tranquilos: se não conseguimos saber o que a arte é pelo menos sabemos quais coisas correspondem a essa ideia, e como devemos nos comportar diante delas (Coli, 1995, p.08) Nesse universo de variedades culturais a arte seringueira se destaca pelamultiplicidade de produtos utilizados na sua composição. Matéria prima que podeser coletados na natureza muito facilmente na região do Alto Acre e que oseringueiro aproveita com talento, para construir moradias, utensílios, vestimentas,ornadores etc. conforme citado na cartilha do Centro de Trabalhadores daAmazônia, (2008). “os resíduos de madeira, borracha, sementes, ouriço, fibras naturais, corantes. São recursos extraídos da mata como matéria prima para as criações. Esses materiais são colhidos ou catados, tratados, selecionados e classificados conforme a intenção de uso e propriedades definidas, estéticas de cor e resistência...” Centro dos Trabalhadores da Amazônia (2008).3.1 A Arte Seringueira acreana e seus aspectos históricos:3.1.1 Arquitetura Vernácula. A arte seringueira se manifesta nas culturas dos povos da floresta antes dachegada dos primeiros nordestinos em terras acreanas. Os migrantes queaportaram na região, reproduziram em suas casas a estrutura artesanal das ocasindígenas para vencer as dificuldades sobrepostas no dia a dia. Copiavam aarquitetura rudimentar, erguiam madeiras ajustadas entre encaixes, firmadas comenviras extraídas do mato e cobriam com palha, conforme cita (Neves apud Lima,2003).
  • 13. 12 “... o seringueiro ao construir sua casa, extrai da floresta os materiais de fibras naturais paxiúba, palha e madeira, o que proporciona o isolamento térmico, pois as cores desses materiais são opacas e não irradiam o calor [...]”, (NEVES apud LIMA, 2003, p.190) Com ênfase na citação supra, os elementos que compõe a casa doseringueiro representam uma das formas de compreensão da arte seringueira,enquanto arquitetura vernácula. Essa disposição engenhosa das construções aindaresiste à contemporaneidade, conforme figura 01. Imagem 01 – Fonte: Fotos Brasil. Arquitetura tradicional da casa do seringueiro.2006. Sem que soubessem, os seringueiros produziram com sabedoria a arteVernácula. Por necessidade se tornaram artesãos habilidosos e construíram umestilo de vida adaptados aos recursos naturais. Das precisões surgiram osutensílios indispensáveis aos afazeres da roça, da caça, pesca ou de casa. Era,portanto um jeito rudimentar e artesanal de garantir segurança e conforto. O estilo artesanal das comunidades da floresta, não se limita a arquiteturadas casas, também pode ser identificada através do vestuário. Sob essaperspectiva, olhar um seringueiro é contemplar a arte. Na cabeça sempre há umchapéu de palha ou uma poronga, jamaxin (saco de fibra ou encauchados) nascostas, envira na cintura prendendo a bainha, sapatos de seringa e cuia. Dentre osseus afazeres diários, a cata de promessas (sementes), corantes, resíduos demadeiras e fibras, também fazem parte do seu ofício. Matérias primas dispostas
  • 14. 13com harmonia e talento nas peças artesanais. Vê-se, portanto que o seringueiropermanece na contemporaneidade produzindo arte natural. 3.1.2 A Arte em Látex Através da arte em látex é possível compreender aspectos que registram ocotidiano dos povos da floresta e as diferentes técnicas de trabalhar os recursosnaturais. Os artistas talentosos que revelam em suas obras particularidadesdeterminantes do contexto cultural, conforme cita Mesquita (2008) “A vocação do artesão acreano, adquirida das contribuições de nordestinos e indígenas, manifesta-se nos trabalhos com as fibras típicas da região, cerâmica, ouriço de castanha, jarina ( marfim vegetal ), madeira, cestaria, (palha, cipó, titica, timbó e ambé), látex, couro vegetal e sementes”. MESQUITA, Fabiana( 2008). Considerando a citação acima, é possível pontuar que o artesãoseringueiro usa os elementos que a natureza dispõe e recria o mundo combiografia própria. Nesse cenário, o artista, com sensibilidade abraça seu cotidiano,consolidando-o no material natural, corroborando com o destaque expresso em fotopublicada pelo SEBRAE (2012), que mostra bonecos de massa de fibra, a base emresíduos de madeira, látex, sementes e corantes naturais, representando ocotidiano seringueiro a partir dos recursos que a floresta oferece como podemosobservar na imagem 02.Imagem 02: Fonte: SEBRAE 2012. Artesanato em látex representando a vida e cultura seringueira. A arte em látex, por suas nuances particulares, apresenta característicaspróprias capazes de identificar o estilo das comunidades. Por se tratar de umrecurso natural de multiuso, alguns artesãos adicionam ao leite da seringa, fibra e
  • 15. 14corante, alcançando diferentes espessuras e tonalidades variadas no produto final.A produção é encontrada nas feiras locais. Portanto o artesanato acreanoseringueiro começa a aparecer enquanto alternativa de economia sustentável,conforme imagem 03 . l Imagem 03. Fonte: Maria Coutinho. Feira de artesanato de Brasileia 2012.3.1.3. Artesã seringueira: Experiência pedagógica na arte visual. Nazaré Araujo, artesã que desenvolveu suas habilidades artísticas quandocriança e ao longo dos anos vem aprimorando sua arte. Participou, em suacomunidade, do grupo de coleta de matéria na mata fechada, com isso aprendeu aselecionar o material conforme a intenção de uso, além das técnicas de multiuso. Éartesã por dom e trabalha com a Folha Liquida Defumada (FDL), corantes naturaise sementes. Sua experiência como artesã é muito rica em fatos que revelam aintimidade com a natureza e o artesanato, por isso sua vida e sua arte seráevidenciada, no tema abordado durante a prática pedagógica com os alunos dosexto ano do Ensino Fundamental, no Instituto Odilon Pratagi, obedecendo aosParâmetros Curriculares Nacional de Artes (BRASIL, 1998) onde constitui a práticadocente com significados: “A educação em arte propicia o desenvolvimento do pensamento artístico, que caracteriza um modo particular de dar sentido às experiências das pessoas: por meio dele, o aluno amplia a sensibilidade, a percepção, a reflexão e a imaginação. Aprender arte envolve, basicamente, fazer trabalhos artísticos, apreciar e refletir sobre eles. Envolve, também, conhecer, apreciar e refletir sobre as formas da natureza e sobre as produções artísticas individuais e coletivas de distintas culturas e épocas…”(BRASIL, 1998, p. 20).
  • 16. 15 Analisando o conceito da prática, referenciado nos PCN- Artes (1998) éimprescindível destacar Nazaré Araujo, que é filha e mulher de seringueiro. Nasceuno seringal Icuriã, na cidade de Assis Brasil, é mãe de dois filhos e aprendeu atrabalhar com os recursos naturais desde a tenra infância. Porém sua grandepaixão sempre foi manusear o látex e participava ativamente com os pais no feitiodas bolas de seringa . Atualmente Nazaré está com 27 anos, mora na cidade, mas não perdeu aidentidade artística seringueira. Para sobrepor os obstáculos e conciliar asatividades do lar, agricultura e o artesanato, construiu em seu quintal um ateliêsimilar aos dos seringais. Nesse espaço produz encauchados, couro vegetal,sapatos e sapatilhas, suporte de prato, copos, etc., em diferentes tamanhos etonalidades. Trabalha exclusivamente com a Folha Líquida Defumada (FDL)técnica desenvolvida por pesquisadores da UNB, desprezando o usa da fumaçaque debilitava sua saúde. Nas suas peças artesanais é possível encontrardiferentes elementos naturais associados à borracha. Nazaré Também faz uso decorantes naturais que representa o diferencial em suas criações e agrega valoreconômico. Trabalha com desenhos em alto relevo e cortes precisos valorizandoefeitos suaves. Para alcançar esses resultados usa o estilete, tesoura, calandra,forquilha e moldes em madeira. As cores resultam da mistura de pigmentosnaturais e fibra vegetal. Suas produções são encontradas nas feiras artesanais daregião e do Brasil, conforme imagem 04. Figura 04: Fonte: Maria Coutinho. Sapato em FDL. Artesã: Nazaré Araujo. A. B. 2012.
  • 17. 163.1.4 Folha Defumada Líquida O látex é um liquido de cor branca, por seu aspecto e por sua obtenção apartir da sangria do tronco da seringueira é conhecido como leite de seringa. Trata-se da matéria prima utilizada por artesãos do alto Acre. Esse líquido para sermanuseado pelos artesãos precisa ser coagulado, calandrado e secado. Oprocesso de beneficiamento do látex em épocas passadas era feito com autilização da fumaça a partir da queima de cavacos (resíduos de madeira). Essaforma de trabalho deixava o artesão seringueiro por longas horas exposto afumaça. Na atualidade com os avanços das pesquisas, o manuseio rudimentar dolátex nas associações e cooperativas foi substituído pelo processo da Folha LiquidaDefumada (FDL), que além de otimizar o beneficiamento da borracha não expõe oartesão a fumaça e a doenças. Para a obtenção da FDL o artesão adiciona ácido pirolenhoso ao látex quedesencadeia um processo de coagulação. Em seguida passa na calandra (espéciede cilindro), resultando em mantas de borracha que são dependuradas em varaispara desidratar. Na coloração da Folha Liquida Defumada, o artesão acrescentacorante natural ou químico e para obter consistência usa fibra vegetal. A FolhaDefumada Líquida é usada nos artesanatos e utensílios. A partir dessa nova formade beneficiamento do látex, como diz Pastore (2010) “A aplicação da FDL, já estáconsolidada no mercado”, e são procuradas por turista, nas diversas cores e tons,conforme imagem 05. Imagem 05: Fonte:Maria Coutinho. FDL Artesã: Nazaré Araújo. A. B. 2012.
  • 18. 173.1.5 ARTE EM SEMENTES Mesmo agrupados em associações e cooperativas nem sempre osartesãos conseguem equipamentos adequados ao manuseio das sementes usadasnos artesanatos. Todavia, essa falta de recursos não representa ausência detalento e criatividade visto que os artesãos improvisam meios para beneficiar amatéria prima conseguindo resultados maravilhosos nas peças artesanais. Deacordo com MUXFELDT; MENEZES (2005) “Assim como todas as peças naturais,as sementes são coletadas através da catação dentro da própria mata, que levadaspara o barracão são classificadas e selecionadas para uso específicos, emseguidas são espalhadas ao sol para secar.” O processo de beneficiamento aindaé feito de forma rudimentar, Conforme imagem 06. Imagem 06: Fonte: CTA. Sementes em processo de beneficiamento 2008. Dessa feita as ferramentas de uso rotineiro na agricultura pelosseringueiros são os mesmos itens indispensáveis no ateliê na hora em que oseringueiro se transforma em artesão. Quem contempla a arte em sementes, porsuas cores e formas delicadas, possivelmente não tem ideia dos meios utilizadospor seu criador, para chegar ao resultado final. Um simples terçado, uma lima ouuma insignificante lixa representam a possibilidade de belos colares, pulseiras eoutros adornos quando na mão de um artesão seringueiro. Os artesãosseringueiros, de posse exclusivamente de equipamentos rudimentares conseguemlapidar matéria prima, que por seu aspecto sólido parece impossível como é o casodas sementes de jarina, paxiubão, jatobá, açaí, mulungu, lágrima de NossaSenhora etc.
  • 19. 18 Geralmente esses artistas se valem de equipamentos improvisados para obeneficiamento das sementes. No processo de coloração os artesãos usamcorantes extraídos das folhas, flores, frutos, caules ou raízes das arvores. Noentanto existem aqueles que optam por colorantes químicos, visto ser pragmático.Alguns artesãos associam sementes e resíduos de madeira ao ouro e a prata,agregando valor econômico às peças criadas.3.1.6 Associações e Cooperativas de artesãos do Alto Acre. O setor de artesanato vem crescendo a cada dia, com isso se faz necessáriotécnicas de manuseio dos recursos naturais adequados às exigências do comercioartesanal. Que apresente designes diferenciados e desperte o interesse doscontempladores. Todavia nesse cenário de talentos e fartura de matéria prima osartesãos seringueiros do Alto Acre ainda encontram dificuldades de inserção deseu produto no mercado. Visando superar tal problema uniram-se em cooperativase associações e aos poucos aparecem comercializando seus artigos em váriospontos do estado e do país. Dentre esses grupos podemos citar:3.1.7 AMPAESQ - (Associação dos Moradores Produtores do Projeto deAssentamento Santa Quitéria). Conforme descrição ao longo da pesquisa, o artesanato seringueiro aindanão alcançou o reconhecimento no mercado. A divulgação desse trabalho aindaengatinha e o reconhecimento cultural da arte natural caminha a passos lentos.Face aos fatos o Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE), localizado na BR317, Estrada do Pacífico, km 84, Ramal dos Burros, km 12, em Brasiléia- Acre criouem 1988, a Associação dos Moradores Produtores do Projeto de AssentamentoSanta Quitéria, (AMPAESQ), aqui os artesãos se dividem em grupos conformeespecificidades. Alguns trabalham com sementes, outros com os resíduos demadeiras e variações em penas. Existem aquelas que utilizam a Folha DefumadaLiquida (FDL). Todos têm participação e voz ativa nas decisões de interesse dogrupo, conforme publicação do CTA (2007), “A comunidade do PAE Santa Quitériaé caracterizada pela adoção de projetos e iniciativas próprias que proporcionem arealização do manejo florestal de uso múltiplo. São pelo menos cinco associaçõescom potenciais florestais abundantes [...]”, Nessa comunidade o envolvimento dasfamílias dos associados é indispensável. Consideram importante estimular novos
  • 20. 19talentos artísticos, através do despertar da consciência sobre a arte desubsistência. Outra característica dessa comunidade é a divisão de tarefas em gêneros,conforme se pode observar na citação de Lino, (2007) “As mulheres percorrem amata colhendo promessa de açaí, jarina e cana fistula, espalhadas pelo chão”, [...]“elas fazem brincos, colares e pulseiras”. Portanto o trabalho dos artesãos daAMPAESQ se dá conforme o gênero, a escolha do material depende da finalidadee a colheita é realizada diretamente na selva, pelos próprios artesãos, quebeneficiam até chagar a forma desejada. O resultado é à disposição de artesanatosem larga escala e estilo diferenciado em FDL, sementes, ouriços e fibra vegetalque são encontrados nas feiras e pontos turísticos, de Brasiléia/Acre, conformeimagem 07. Imagem 07: MDA. Grupo de Mulheres da AMPAESQ. 2009.3.1.8 Cooperativa de Mulheres Artesãs de Xapuri (COMAX) Conforme o relato das artesãs da Cooperativa de Mulheres Artesãs deXapuri (COMAX) suas histórias de vida não difere das vivências das mulheres deoutras comunidades rurais do Alto Acre. Não dispõem de renda fixa, gostam deartesanato e desejam um perfil produtivo. Trabalham com diferentes materiais, maso carro chefe da associação é a identificação com resíduos de madeira quetransformam em peças decorativas, utensílios ou adornos, como também produtosde higiene pessoal desenvolvidos através de processos artesanais. O perfilecológico artesão das associadas solidificam a cada dia, representando referencialturístico na cidade de Xapurí e parte do Alto Acre. Motivadas, buscam parcerias
  • 21. 20que vá além da necessidade de inserção no mercado artesanal. Investem emcursos e oficinas que possam refletir na melhoria das suas criações facilmenteencontradas nas feiras da região e dessa troca de saberes entre profissionaistécnicos e artistas habilidosos vem surgindo novos talentos, tornando a COMAXuma Associação em expansão. As artesãs residem ou são oriundas da zona rural.Motivo que as tornam íntimas das matérias primas que manuseiam. Semanalmenteencontram-se no galpão central anexo à casa de Chico Mendes, na cidade deXapuri/AC. Nesse espaço as mulheres artesãs permanecem horas criando erecriando suas artes. Esses trabalhos que são encontrados nos pontos turísticos efeiras de artesanato da cidade de Xapurí têm como ponto alto a diversidade derecursos naturais compondo a peça. Característica que não desarmoniza a arte,conforme imagem 08.Imagem 08. Fonte: Maria Coutinho. Artesanato em ouriço, sementes e FDL. 2012.3.1.9 COOPERATIVA MÃOS DE MULHER. A Cooperativa “Mãos de Mulher”, é uma iniciativa da Igreja Católica comfoco ambiental e incentivo a arte local. Nessa cooperativa é possível encontrarassociados que lidam com o oficio da seringa desde bem cedo, portanto sabecomo ninguém aproveitar os recursos que a mata lhes oferece. A matéria prima écomprada ou doada, cabe às artesãs apenas a transformação do material empeças artesanais De acordo com as cooperadas, suas produções são criadas apartir do material de multiuso tais como as sementes, o couro vegetal e as fibrasEsses materiais ganham formas especiais, quando burilados pelas mãos dasartesãs. Os artesanatos produzidos são de grande beleza e nas delicadas peças é
  • 22. 21possível observar a prevalência do couro vegetal. As cores variadas marcam oestilo desse grupo de mulheres, conforme imagem 09.Imagem 09: Fonte: Cooperativa Mãos de Mulher. Cestas em couro vegetal. 2012.3.1.10 APOIO TECNOLÓGICO AO ARTESANATO DE SUBSISTÊNCIA. O desenvolvimento sustentável, no qual incluem os artesanatos naturais, fazparte da biografia do Acre. Na atualidade, os artistas seringueiros, organizados emassociações e cooperativas, recebem incentivos do Governo do Estado através deparcerias. Com isso, o apoio tecnológico para a melhoria de produção chega aosartistas da floresta, como enfatiza o Portal Brasil (2012). “[...] produtos com utilização de técnicas acuradas, proporcionando qualidade ao trabalho, além de ampliar a gama de oportunidade de negócios, por meio da variabilidade de usos dos recursos naturais disponíveis” PORTAL BRASIL (2012). Esses projetos normalmente têm boa aceitação entre os artesãos, poisrepresentam a possibilidade de melhorar as técnicas empregadas em suas peçasartesanais. A produção é incentivada e surgem novos. Como exemplo, ospesquisadores da UnB, desenvolveram a Folha Defumada Líquida. Como ressaltaCampos, (2009) “Com a aplicação da técnica o látex, ganha espessura, cor eresistência. exibe novos estilos e facilidade aos artesão para o manuseio nascriações, atribuido a essas, formas diferenciadas” .
  • 23. 223.1.11 ARTE SERINGUEIRA COMO ATIVIDADE PEDAGÓGICA: A arte seringueira retratada neste projeto visa aproximar os alunos doensino fundamental da cultura local através do uso dos recursos naturais,possibilitando um maior acesso a herança cultural deixada pelos seringueiros quemuito contribuíram com a história da região. Com base nos ParâmetrosCurriculares Nacionais (PCNs) (BRASIL, 2001) “a arte viabiliza a soma deconhecimentos interdisciplinares e permite uma visão mais expressiva e cultural”.Desse modo, estudar a arte seringueira do Alto Acre, possibilita ao aluno acompreensão da importância da cultura regional. Ao empregar os recursos demultiuso que a natureza oferece referenciam-se as possibilidades de reflexõesculturais aos alunos do Ensino Fundamental do Instituto Odilon Pratagi, emBrasiléia, no estado do Acre. Essa proposta está vinculada às experiências da artesã seringueira NazaréAraújo por compreender e desenvolver todo o processo de vivências nas formas deartes de multiuso, o que a levou a identificar-se com o artesanato a partir da FDL.Nazaré trabalha com a Folha Liquida Defumada e seu trabalho foi compartilhado deforma verbal, em sala de aula, como também a prática de manufatura usada nasassociações e cooperativas de artesãos do Alto Acre. O estudo exploratório contoucom recursos didáticos, tais como as imagens fotográficas, relatos de artesãos,pesquisas em sites e cartilhas disponíveis no Centro dos Trabalhadores daAmazônia- CTA, associadas ao mostruário de matéria prima, utilizadas porartesãos seringueiros, que foram manuseados em sala de aula e possibilitou aosalunos meios para a compreensão da identidade artística da comunidadeseringueira.
  • 24. 234. Metodologia Como metodologia de pesquisa foi adotada observações e conversasinformais com artesãos, registro de imagens, montagem de mostruário com amatéria prima de multiuso, além da fundamentação na Cartilha e no Manual doCTA (2008) que apresenta conteúdos com imagens e textos sobre a confecção depeças artesanais. As observações e conversas informais foram realizadas durante as visitasfeitas as cooperativas COMAX, Mãos de Mulher, CAT e a AMPAESQ, com oobjetivo de conhecer o processo de criação das peças artesanais. Uma artesã emespecial foi indicada pelas demais, que a consideram como referência da arteseringueira por construir em sua residência localizada no centro da cidade, umateliê mantendo as características primitivas. Trata-se de Nazaré Araujo, já citadanesta pesquisa. Em conseqüência disto, a segunda visita foi feita a artesã queexplanou sobre o processo criativo de suas peças artesanais e disponibilizoumatéria prima a ser usada como recurso pedagógico na aula de artes. A execução do projeto consistiu na utilização de imagens dos artesãoscatando, beneficiando, classificando e produzindo os artefatos em sementes,resíduos de madeira, Folha Líquida Defumada - FDL. Foi disponibilizado aosalunos amostras da matéria prima que também foram manuseadas, ao mesmotempo em que se relatava os depoimentos das artesãs e as observaçõesrealizadas no decorrer da pesquisa sobre o processo de planejamento para aaquisição dos recursos naturais na selva, a manufatura propriamente dita até oapoio técnico e logístico da arte seringueira. O tema também foi pesquisado pelosalunos e socializado em sala de aula com o intuído de valorizar sua cultura, eidentificar artistas regionais além de estimular novos talentos. Dessa forma, o trabalho foi dividido em três etapas: 1. Visita ao ateliê da artesã Nazaré Araújo, à Associação dos produtoresAgroextrativistas de Santa Quitéria (AMPAESQ), Cooperativa de Mulheres Artesãsde Xapurí (COMAX), Cooperativa Mãos de Mulher, Feira de artesanato de Brasiléiae ao Centro de Atendimento ao Turista (CAT). Nesses locais foram coletadasinformações e imagens sobre a utilização dos produtos florestais madeireiros e nãomadeireiros utilizados nas peças de artes e utensílios.
  • 25. 24 2. De posse desse material, que foi utilizado como recurso didáticopedagógico desenvolveu-se o plano de aula na escola Instituto Odilon Pratagi,através da exposição dos relatos e das imagens coletadas nos locais que foramvisitados. O envolvimento do público alvo se deu de maneira intensa, pois amatéria prima a ser manipulada causava curiosidade, em especial com aapresentação do produto final que é o artesanato confeccionado por artistas locais.Em seguida, realizou-se a pesquisa sobre a arte seringueira no laboratório daescola para visualizarem as imagens sobre a arte e artesãos no site do SEBRAE,na cartilha e no catalogo do Centro dos Trabalhadores da Amazônia (2008). 3. No terceiro momento, os alunos foram motivados a socializarem osresultados de suas pesquisas, deixando evidente o pouco conhecimento quetinham no inicio das aulas e o quanto aprenderam com o trabalho realizado,também relataram como ficaram surpresos com as possibilidades de utilização dosrecursos naturais que muitas vezes descartamos e que estão presentes no dia adia, como sementes que identificaram no mostruário e relataram existir nos quintaisde suas casas. Assim como, pontuaram a existência de muitas dessas peçasartesanais como parte dos utensílios que dispõem em suas casas. Além dosrelatos, o resultado foi exposto através de ilustrações e poesias sobre o conteúdoassimilado. Durante o processo de execução em sala de aula, foi possível aos alunosconhecerem artesãos que trabalham na região e como desenvolvem sua arte.Também foi oportunizada a análise da arte como forma de subsistência a muitasfamílias que através do artesanato complementam a renda mensal.
  • 26. 255.0 Propostas pedagógicas das atividades acadêmicas sobre a arte natural.Tema: Arte seringueiraDuração: 03 aulas com duração de 1 hora, cada.Série: 6° ano do ensino fundamentalQuantidade de alunos: trinta.Área abrangente: Recursos Didáticos:Arte  Textos informativos, cartilhas e catálogos do CTA;História  Depoimentos das artesãs; Imagens (Anexo II);  FDL; Sernambi;  Leite de seringa;  Sementes;  Estilete;  Corante;  Peças artesanais em madeira, palha, ouriço, cipó e sementes.
  • 27. 265.1 Resultado da experiência pedagógica O trabalho abordando o tema “A Arte Seringueira” executado no InstitutoOdilon Pratagi, com participação dos alunos do Ensino Fundamental, teve duraçãode três dias, perfazendo um total de três horas semanais constituindo uma hora pordia para sua execução. As experiências relatadas por artesão in lócus, no momentoem que se registravam as imagens fotográficas, foram reproduzidas verbalmenteem sala de aula. Também foram utilizadas imagens fotográficas, peças e materiaisque compõem a arte seringueira. Na primeira aula foi realizada uma exposição sobre a arte seringueira,momento em que os alunos demonstraram pouco conhecimento a respeito dotema. Iniciou-se um debate sobre os conceitos de artesanato e a matéria prima queos artesãos locais utilizam para materializar suas inspirações. Essa abordagemteve como proposta estimular os estudantes a refletir sobre a arte seringueira comocultura regional. Foram levados para manuseio a matéria prima empregada na confecçãodas peças seringueiras na segunda aula, o que resultou em uma boa experiênciapois os alunos sentiram-se motivados a participar das atividades propostas. Essematerial foi obtido diretamente da casa da artesã Nazaré Araújo, no Centro deAtendimento ao Turista – CAT, nas feiras de artesanato, associações ecooperativas, o que tornou-se um excelente recurso didático aliado ao Manual deProcedimentos Técnicos para Manejo de Sementes Florestais, publicado pelo CTA(2008). Esse momento foi marcado por turbilhões de indagações o que motivou osalunos a pesquisarem ainda mais sobre a arte do seringal. No decorrer das aulas, os alunos refletiram sobre as descobertas dosavanços tecnológicos aplicados ao látex (leite da seringa) que o transformam emmaterial colorido, maleável, flexível, elástico, plásticos usados para a confecção debolsas, sacos, sandálias, suporte de pratos, etc. As sementes, fibras vegetais,ouriços, resíduos de madeira e outros são transformados em belíssimas joias eadornos que encantam as crianças e desenvolvem criatividades no mundo infanto-juvenil. Foi disponibilizado um mostruário com o látex, sernambi, leite da seringa,as mantas de Folha Defumada Líquida - FDL e Folha Semi Artesanal - FSL, como
  • 28. 27também as sementes, biojóias, ouriços, resíduos de madeira (paxiúba) e utensíliosde uso diário do seringueiro etc. Tais recursos motivaram os educandos a mergulhar na pesquisa edescobrir a beleza e o encanto da arte sustentável numa perspectiva da arteseringueira. Deflagrou um frenético inquérito sobre o que são as peças, de que sãofeitas, como são fabricadas, entre outras coisas, além das possibilidades derecursos para fins diversos. Foram apontadas hipóteses sobre as possíveistécnicas de fabricação de artefatos a base de borracha e das biojóias, bem comoas utilidades dos utensílios no cotidiano. Os alunos fizeram como dever de casa uma pesquisa na internet, revistasetc., onde obtiveram imagens sobre a arte dos seringueiros e compartilharam suaspercepções com os colegas, exercitaram a curiosidade e deram asas aimaginação. Concluíram que em suas casas existem peças de artes produzidaspelas famílias tais como o fogareiro, a cuia, a lamparina, fornos de barro, ojamaxim, os encauchados, cadeiras, bancos, mesas e em grupo construíram umapoética com reflexões sobre a temática. Como atividade de avaliação de desempenho para esta pesquisa, foiadotada uma ficha contemplando o nível de aprendizagem dos alunos que foramidentificadas da seguinte forma: Nível 1 - aprendizagem não desenvolvida, Nível 2– aprendizagem em desenvolvimento e Nível 3 - aprendizagem desenvolvida,observando se os alunos possuíam habilidades de identificar as características daarte seringueira, de produzir bioarte, se participavam e envolviam-se nas atividadespropostas. O resultado foi muito satisfatório, pois a maioria dos alunos atingiu osníveis 2 e 3 como demonstrado no anexo II, concluindo portanto que através dautilização dos recursos metodológicos somando prática/teoria é possível o totalenvolvimento dos alunos no ensino das artes. Vale ressaltar que, a ficha em anexoé apenas um espelho demonstrativo em um universo de 30 alunos. No período em que transcorreram as atividades, foi possível observar, apriori, expressões de desconfortos e desinteresses por parte dos alunos. Nosegundo encontro, quando esses tiveram contato com o material didáticoressaltaram aptidões artísticas, identificaram objetos, fizeram desenhos e se
  • 29. 28motivaram para execução de pesquisas bem como criaram perspectivas de rendaextra. Dessa forma, as aulas resultaram na construção de poemas comsensibilidade e imaginação, como se observa em anexo III. E para finalizar, realizou-se uma roda de conversa sobre a produção, osalunos expuseram como se sentiram em realizar este trabalho. Pontuaram acompreensão da arte seringueira a partir da informação sobre os meios deprodução das peças. Consideraram, portanto ter sido a melhor aula de artesestudada.
  • 30. 296. CONSIDERAÇÕES FINAIS No decorrer desta pesquisa, os temas e subtemas, aqui descritos, foramembasados em autores que abordam a criação do Acre, a arte de subsistência,através de livros, dicionários, site, catálogos, das visitas aos centros, associações ecooperativas de artesãos, onde foram ouvidos relatos das artesãs, sobre a vida, aarte e os recursos naturais catados na floresta, além do depoimento da artesãNazaré Araújo que refere sobre sua identificação especificamente com o látex. Alguns pontos foram evidenciados nessa pesquisa. Verificou-se que onumero elevado de alunos não representou empecilho para a execução daproposta pedagógica. Ao contrário, a participação foi intensa e a socializaçãosatisfatória. Que a temática abordada “Arte Seringueira, como recurso pedagógico”,apresentou elementos motivadores para os alunos do Ensino Fundamental noInstituto Odilon Pratagi, na cidade de Brasileia, visto representar a cultura regionale que a ausência de conteúdo complementar sobre essa cultura, na disciplina deartes, possibilita a alienação e desvalorização pela sociedade de sua identidade. De maneira geral, a inserção dessa nova proposta interviu positivamente,sobre o processo educativo e possibilitou a troca de vivências entre professor ealunos, sobretudo o despertar da consciência critica em relação à arte desubsistência, os artesãos e o valor histórico cultural regional. Pontuou aresponsabilidade do arte/educador em utilizar metodologias que permitam superarpossíveis deficiências na aplicabilidade do ensino da disciplina de artes no sistemaformal, como também reorientar as práticas conectando-as aos problemas dasociedade contemporânea. Dessa forma os objetivos elencados neste projeto foram alcançados,partindo do principio que aos alunos foi possível conhecer a realidade regional,estudar a arte seringueira, conhecer e manejar a matéria prima, identificar artesãoslocais e perceber a sustentabilidade através dos recursos naturais, abundantes naregião e que muitas vezes não são utilizados por falta de conhecimento.
  • 31. 307. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:ARAÚJO, Fernando Alves et al. Acre entre o Fuzil e a Borracha. Revista DiscenteExpressões Geográficas, Florianópolis, 2010.BARBOSA A. M. Inquietações e mudanças no ensino da arte. 3ª. ed., Cortez,São Paulo, 2007.COLI, Jorge. O que é Arte? Coleção Primeiros Passos nº 46. 15ª (décima quintaEd. Editora Brasiliense, São Paulo – SP, 1995.GOMBRICH, E.H. A História da Arte. Editora Guanabara, Rio de Janeiro, 1978.IAVELBERG, Rosa, Para gostar de Aprender arte: sala de aula e formação deprofessores Artmed, Porto Alegre, 2003MUXFELDT, Rejane Elizeque; MENEZES, Ronei Sant Ana. Pesquisa Censitáriapara levantamento de coletores de sementes para artesanato no Vale do RioAcre. Rio Branco, 2005.OLIVEIRA, Marilda; HERNANDEZ, Fernando. A Formação do Professor e oEnsino das Artes Visuais. Ed. UFSM, Santa Maria, 2005.AMPAESQ. Artesanato Seringueiro Acreano – Arte e Cultura de ComunidadeExtrativista do Vale do Acre – Amostra de Fotografias e Ficha Técnica deProdutores Artesanais do Acre, Rio Branco, 2008.BRASILIA. Parâmetros Curriculares Nacionais: arte. Brasíl, MEC/ SEF, 1998.Disponível em <portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/arte.pdf>. Acesso em: 01 mai.2011.RIO BRANCO. Manual de Procedimentos Técnicos para Manejo de SementesFlorestais,CTA, Vol. III, Rio Branco, 2008.Artesãos do Acre Serão Qualificados no uso de Produtos não Florestais paraMelhorar a Renda. Disponível em:<http:/// www.Sudam.gov.com.br> Acesso em:17 abr. 2012.CAMPOS, Tatiana Borracha Acreana é utilizada em Sapato organico naFrança,disponível em Agencia de Notícias do Acre. Disponível em:
  • 32. 31http://www.seringueira.com/br/borracha-acreana-e-utilizada-em-sapato-organico-na-franca/MARTINS, M. et al,1998 apud Coleto, Daniela C. A Importância da Arte para aFormação da Criança. disponível em:<http://www.conteudo.org.br/index.php/conteudo/article/viewFile/35/34> Acessoem: 10 mai. 2012.MESQUITA, Fabiana, 2008. Artesanato acreano – quem não tem um colar dejarina Oe a pulseira de açaí? Disponível em:http://www.overmundo.com.br/guia/artesanato-acreano-quem-nao-tem-um-colar-de-jarina-ou-a-pulseira-de-acai> Acesso em 10 jun. 2012.PAE Santa Quitéria. Disponível em: <http://www.cta-acre.org/pg_paesantaquiteria.htm> Acesso em: 17 de abr. 2012.LIMA, Alexandre Governo do Estado implanta cooperativa de artesãs emXapurí. Disponível em: < http://www.altoacre.com.br index.php/acre/9739-governo-do-estado-implanta-cooperativa-de-artesas-em-xapuri-.html. Acesso em: 17 abr.2012.LIMA, Valdeci Candido de. A sustentabilidade da habitação do seringueiroamazônico. Pós. Rev Programa Pós-Grad Arquit Urban. FAUUSP [online]. 2010,n.28, pp. 182-197. ISSN 1518-9554..LINO, Antonio.Santa Quitéria, Projetei a Floresta. Disponível em:<http://dizquefuiporai.blogspot.com.br/2007/09/santa-quitria-protejei-floresta.html>Acesso em: 17 abr. 2012.Oficina de Couro Vegetal. Disponível em:<http://www.maosdemulher.blogspot.com>. Acesso em 17 abr. 2012.A Borracha. Disponível em: < http://netopedia.tripod.com/diversos/borracha.htm>.Acesso em 17 abr. 2012
  • 33. 32ANEXOSANEXO IDetalhamento das aulas durante a oficinaAula 01 (60 min). Conteúdo da aula: Arte biossustentável local.  Pesquisa orientada sobre a arte biossustentável. Objetivos:  Conhecer a origem da arte biossustentável e suas manifestações artísticas regionais;  Manusear e apreciar a matéria prima da bioarte;  Interpretar o texto em estudo;  Identificar obras de artes produzidas por artistas regionais;  Despertar para a importância da biocultura de subsistência; Metodologia:  Abordagem livre e espontânea sobre o conhecimento dos alunos a cerca do tema;  Apresentação da proposta pedagógica para o ambiente escolar;  Leitura dos conceitos empíricos, alusivos a arte sustentável.  Distribuição de texto informativo para leitura individual.  Apresentação de objetos prontos em biomaterial;  Organização de grupos, através de dinâmica interativa (animais, flores e frutos). Recursos Didáticos:
  • 34. 33  Giz, quadro de giz, caderno, lápis, computador, ;  Texto a Arte sustentável. Adaptação de conteúdo encontrado na bibliografia mencionada nesta proposta. (anexo)  Obras em arte sustentável, produzidas por artistas regionais.. Avaliação:  Participação.  Capacidade de registro.  Participação e capacidade de interação.Aula 02 (60 min). Conteúdo da aula: Arte seringueira .  Pesquisa orientada sobre a temática. Objetivos:  Ampliar conhecimentos;  Estimular as habilidades no decorrer da pesquisa. Metodologia:  Elaboração de texto expondo os conhecimentos apreendidos com a pesquisa.  Explanação e roda de debate de debate sobre os resultados da pesquisa. Recursos didáticos:  Giz, quadro de giz, aclaração verbal, cartolina, pincéis, papel A4, etc. Avaliação:  Organização, participação, e capacidade de coerência de conceitos.  Observação d e domínio do conteúdo abordado.
  • 35. 34Aula 03 (60 min). Conteúdo da aula: Avaliação . Objetivos:  Identificar as habilidades artísticas . Metodologia:  Atividade dinâmica de avaliação dos trabalhos realizados (tempestade de ideias dos resultados dos aprendizados). Recursos didáticos:  Exposição verbal, giz, quadro de giz. Avaliação:  Resultados apresentados, avaliação da mediadora (anexo I) e o método de trabalho.Referências bibliográficas da proposta (plano de aula)IAVELBERG, Rosa. Para gostar de Aprender arte: sala de aula e formação deprofessores. Artmed, Porto Alegre, 2003BRASILIA. Parâmetros Curriculares Nacionais: Arte. Brasil, 2011. Disponível em:< portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/arte.pdf>. Acesso em: 10 mai. 2012.RIO BRANCO. Manual de Procedimentos Técnicos para Manejo de SementesFlorestais. Rio Branco, CTA, 2008.
  • 36. 35ANEXO II – Ficha de Avaliação FICHA DE AVALIAÇÃOESCOLA: Instituto Odilon PratagiPROFESSORA: Maria Coutinho SÉRIE: 6º TURNO: VespertinoDISCIPLINA: ARTES VISUAIS IDENTIFICA AS HABILIDADES OBSERVAÇÃO OBSERVAÇÕES CARACTERISTI PARA QUANTO A QUANTO A CA DA ARTE DA PRODUZIR PARTICIPAÇÃO PARTICIPAÇÃO E SERINGUEIRA BIOARTE. ENVOLVIMENTO N A ATIVIDADENOME N1 N2 N3 N1 N2 N3 N1 N2 N3 N1 N2 N3Ari Mendes N2 N2 N3 N3Alan Silva N2 N2 N2 N2Bruna Amaro N2 N1 N2 N2Carlos Santos N1 N1 N2 N2Deivid Lucas N2 N2 N3 N3Ellen Cristina N1 N2 N2 N2Rosa Souza N2 N2 N2 N2Nível-1 Nível- 2 Nível-3aprendizagem aprendizagem em aprendizagemnão desenvolvimento desenvolvidadesenvolvida
  • 37. 36ANEXO IIIPoética do Aluno Apaixonado!Professora e Colegas,Estou apaixonado pela arte!Muito legal o textos que li,As peças e os materiais que vi.A leitura que fiz,Defendo agora a cultura que não quis.Aprendi que expressão da arte, não é social, intransferível.Entendi que a arte não se prende a classes sociais,De alguma forma, nas entrelinhas...O valor e o talento vão além do preconceito.Nas imagens, apreciei o artista seringueiro,A saga de meus antepassados,Senti com meu coração e com meus próprios dedos.Incrível!!!A cultura popular carregada de enredos,Quero lembrar que a discriminação começa em nósEnfim, nos perdemos da nossa história.(Poesia criada pelos alunos do Ensino Fundamental, da escola Instituto OdilonPratagi, 2012).
  • 38. 37ANEXO IV – Imagens utilizadas no decorrer da aula de Arte Seringueira noInstituto Odilon Pratagi, em Brasiléia/ AC.Casa de defumação do látexImagem 01. Fonte Maria Coutinho Imagem 02. Fonte:Maria CoutinhoCasa da Fumaça. Visão externa, 2012. Casa da Fumaça. Visão Interna, 2012.Imagem 03.Fonte: Maria Coutinho Imagem 04. Fonte: Maria CoutinhoDefumador de látex, 2012. Utensilio p/ a confecção de encauchados, 2012.Preparo da Folha Defumada LiquidaImagem 05. Fonte CTA Imagem 06: Fonte: CTA.Ateliê, Calandra, bandeja e látex, 2008. Preparo da FDL, 2008.Imagem 07. Fonte CTA Imagem08: Fonte CTAConfecção do Sapato de seringa, 2008. Artesanato em família, 2008.
  • 39. 38Artesanato a partir de resíduos de madeira e utensílios.Imagem; 09. Fonte: Maria Coutinho Imagem 10. Fonte: Maria CoutinhoJarro de resíduo de madeira, 2012. Tamborete, fogão e tachoImagem: 11. Fonte: Maria Coutinho Imagem 12:Fonte: Maria CoutinhoBilha de resíduo de madeira, 2012. Estante de res.mad. E Artesanato em FDL, 2012.Imagem: 13. Fonte: Maria Coutinho Imagem 14. Fonte: Maria CoutinhoMesa e banco de res. de madeira, 2012. Estante de resíduo de madeira, 2012.Imagem: 15. Fonte: Maria Coutinho Imagem 16. Fonte: Maria CoutinhoBanco de residuo de madeira, 2008. Artesão transportando o artesanato p/ cidade, 2012.
  • 40. 39Imagem: 17. Fonte: Maria Coutinho Imagem 18. Fonte: Maria CoutinhoEscada de residuo de madeira, 2008. Chaveiro de resíduo de madeira,2012.Imagem: 19. Fonte: Maria Coutinho Imagem 20. Fonte: Maria CoutinhoTamborete de res. de mad.e lamparina, 2012 Artesão sentado em tamborete artesanal,2012. Casa do Seringueiro. Arte feita com resíduos de madeira fibra natural.Imagem: 21. Fonte: Maria Coutinho Imagem 22. Fonte: Maria CoutinhoVisão frontal da casa do seringueiro, 2012. Fofão e jirau da casa do seringueiro, 2012.Imagem: 23. Fonte: Maria Coutinho Imagem 24. Fonte: Maria CoutinhoVisão lateral da casa do seringueiro, 2012 Rede e bilha do seringueiro, 2012.Confecção da Arte Natural em SementesImagem: 25. Fonte: CTA Imagem 26. Fonte: CTAClassificação das sementes, 2008. Artesãos confeccionando artesanato, 2008.
  • 41. 40Imagem: 27. Fonte: CTA Imagem 28. Fonte: CTAArtesão beneficiando sementes, 2008. Artesão produzindo artesanato, 2008.Imagem: 29. Fonte: Maria Coutinho Imagem 30. Fonte: Maria CoutinhoArt.. em ouriço, sementes e taboca, 2012 Artesanato em sementes e fibra vegetal,2012.Imagem: 31. Fonte: Maria Coutinho Imagem 32. Fonte: Maria CoutinhoCesto em fibra vegetal , 2012. Colares e brincos em penas e sementes, 2012.Feira de Artesanato em BrasiléiaImagem: 33. Fonte: Maria Coutinho Imagem 34. Fonte: Maria CoutinhoArt. couro vegetal. Ass. Mãos de Mulher, 2012. Art.couro vegetal. Ass. Mãos de Mulher, 2012Imagem: 35. Fonte: Maria Coutinho Imagem 36. Fonte: Maria CoutinhoArt. Látex. Ass. AMPAESQ, 2012. Art. Res. Mad. Coop. COMAX, 2012.
  • 42. 41Imagens dos alunos nas aulasImagem: 37. Fonte: Maria Coutinho Imagem 38. Fonte: Maria CoutinhoAlunos em atividade na aula, 2012. Alunos em atividade na aula de artes,2012.Imagem: 39. Fonte: Maria Coutinho Imagem 40. Fonte: Maria CoutinhoAlunos em atividade na sala de aula, 2012. Alunos em atividade na aula de artes,,2012.Imagem: 41. Fonte: Maria Coutinho Imagem 42. Fonte: Maria CoutinhoAlunos em atividade na sala de aula, 2012. Alunos em atividade na aula de artes, 2012.Imagem:43. Fonte: Maria Coutinho Imagem 44. Fonte: Maria CoutinhoAlunos em atividade na sala de aula, 2012. Alunos em atividade na aula de artes, 2012.Imagem: 39. Fonte: Maria Coutinho Imagem 40. Fonte: Maria CoutinhoAlunos em atividade na sala de aula, 2012. Alunos em atividade na aula de artes,, 2012..
  • 43. 42Imagem: 39. Fonte: Maria Coutinho Imagem 40. Fonte: Maria CoutinhoAlunos em atividade na sala de aula, 2012. Alunos em atividade na aula de artes,,2012.Imagem: 39. Fonte: Maria Coutinho Imagem 40. Fonte: Maria CoutinhoAlunos em atividade na sala de aula, 2012. Alunos em atividade na aula de artes,,2012.Imagem: 39. Fonte: Maria Coutinho Imagem 40. Fonte: Maria CoutinhoAlunos em atividade na sala de aula, 2012. Alunos em atividade na aula de artes,,2012.Imagem: 39. Fonte: Maria Coutinho Imagem 40. Fonte: Maria CoutinhoAlunos em atividade na sala de aula, 2012. Alunos em atividade na aula de artes, 2012.Imagem: 39. Fonte: Maria Coutinho Imagem 40. Fonte: Maria CoutinhoPoesia dos alunos,, 2012. Final das aulas de artes, 2012.

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