Diagnóstico setorial editoração pg_dupla_3
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Diagnóstico setorial editoração pg_dupla_3 Diagnóstico setorial editoração pg_dupla_3 Document Transcript

  • Diagnóstico setorialdo sistema cooperativista da produçãoCacaueira da UHE Belo Monte. na área de influência
  • Diagnóstico setorial do sistema cooperativista daprodução cacaueira na área de influência da UHEBelo Monte. Belém, Dezembro de 2012 Verção 1.0
  • Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras do Estado do Pará.Instituição jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada pela Lei 5.764/71 (Legislação Cooperati-vista).Representa e defende os interesses sindicais (na qualidade de sindicato patronal), econômicos, políticos esociais das cooperativas do Estado do Pará. Desde que foi criada, em 1973, tem contribuído de forma signi-ficativa para a consolidação do cooperativismo paraense.OCB-PA Sindicato e Organização das Cooperativas Equipe de Produção do DiagnósticoBrasileiras do Estado do Pará Coordenação Geral (Gestão 2010/2014) Andreos Ramiro Pinto LeitePresidente Coordenação de Levantamento de CampoErnandes Raiol Mirna Rafaela Almeida da SilvaVice-Presidente Técnica de Levantamento de CampoIvan Costa Geanne Rocha da SilvaDiretora Secretária Análise e Tratamento de DadosGlaise Coelho Ediana Leite de OliveiraDiretora Financeira Referencial TeóricoRaimunda Nazaré de Oliveira Brandão Bruno Calzavara Flores Siglea Freitas ChavesDiretor de MarketingFrancisco José Rego Magalhães Revisora Waldinett Nascimento TorresSecretário ExecutivoManoel Rodrigues Teixeira Editoração Víctor Emanuel Montes MoreiraConselho FiscalJosé Carlos Pereira da Silva Áldina Chaves SouzaRoberta Gleice de Oliveira Sousa View slide
  • O cacau, na TransamazônicaManoel Leite – Produtor de cacau (COOPCAO) “O cacau, na Transamazônica, Podemos afirmar com certeza É uma planta abençoada, Produtora de riqueza E com suas qualidades Já tirou muita gente da pobreza.” View slide
  • SUMÁRIO1. Introdução 04 5.2.COOPESAME 64 5. Crédito e financiamento 135 2. Estrutural 203 1. Socioeconômico 64 6. Organização e Apoio do ATER 136 3. Produtivo 2062. A Cultura do Cacau 06 7. Matriz F.O.F.A 138 4. Comercialização 2092.1. O Cacau no Brasil 07 2. Estrutural 712.2. O Cacau na região da Transamazônica 11 3. Produtivo 75 5.6.COOPOXIN 141 5. Crédito e financiamento 211 4. Comercialização 78 1. Socioeconômico 141 6. Organização e Apoio do ATER 2123. Área de abrangência 5. Crédito e financiamento 80 2. Estrutural 146 7. Matriz F.O.F.A 215 do estudo 14 6. Organização e Apoio do ATER 81 3. Produtivo 1503.1. Altamira 14 7. Matriz F.O.F.A 83 4. Comercialização 153 6. Possibilidades da formação3.2. Anapu 17 5.3.COOPATRANS 85 5. Crédito e financiamento 155 de uma central de3.3. Brasil Novo 21 1. Socioeconômico 85 6. Organização e Apoio do ATER 156 cooperativas na região 2183.4. Medicilândia 24 01. Produção Convencional 218 2. Estrutural 90 7. Matriz F.O.F.A 1583.5. Pacajá 27 02. Produção Orgânica 219 3. Produtivo 93 5.7.COOPBOM 1603.6. Uruará 313.7. Vitória do Xingu 34 4. Comercialização 96 1. Socioeconômico 160 7. Ações sugeridas 222 5. Crédito e financiamento 98 2. Estrutural 165 01. Produção Convencional 2224. O estudo e a metodologia 6. Organização e Apoio do ATER 99 3. Produtivo 168 02. Produção Orgânica 223 utilizada 38 7. Matriz F.O.F.A 101 4. Comercialização 171 5.4.COOPCOPAM 103 5. Crédito e financiamento 173 8. Consideraçõesfinais 2265. Diagnóstico do setor 1. Socioeconômico 103 6. Organização e Apoio do ATER 174 9. Referências 228 cooperativista da produção 2. Estrutural 108 7. Matriz F.O.F.A 176 de cacau na região 40 3. Produtivo 111 5.8.COOPOTRAN 1785.1.COOPBRAN 40 4. Comercialização 113 1. Socioeconômico 1781. Socioeconômico 40 5. Crédito e financiamento 115 2. Estrutural 1842. Estrutural 47 6. Organização e Apoio do ATER 116 3. Produtivo 1873. Produtivo 52 7. Matriz F.O.F.A 119 4. Comercialização 1904. Comercialização 56 5.5.COOPCAO 120 5. Crédito e financiamento 1925. Crédito e financiamento 58 1. Socioeconômico 120 6. Organização e Apoio do ATER 1946. Organização e Apoio do ATER 59 2. Estrutural 126 7. Matriz F.O.F.A 1967. Matriz F.O.F.A 62 3. Produtivo 130 5.9..COPOPS 198 4. Comercialização 133 1. Socioeconômico 198
  • 1. Introdução A elaboração, estabelecimento e condução dessa lavoura em associação a outras culturas de A região de influência direta e indireta da vas voltadas ao segmento da produção, beneficia-de programas e projetos de exploração agropecuá- reconhecido valor econômico, certamente esti- construção da UHE de Belo Monte já se constitui mento primário e comercialização do cacau (PBA,ria de forma racional e sustentável dependem da mulam a exploração racional da cacauicultura no território essencialmente voltado à agricultura, 2011).viabilidade de sistemas agrícolas que contribuam Brasil, em especial nos estados do Pará e da Bahia. agropecuária e cultivo do cacau. No que diz respei- Diante do exposto o presente trabalho tevepara o desenvolvimento econômico de suas áreas Dessa forma, surgem novas possibilidades de ex- to à produção cacaueira percebe-se, que, embora por objetivo realizar um diagnóstico do setor co-de implantação, da manutenção do equilíbrio dos ploração aos agricultores, expandindo e alavan- ela apresente grande potencial para o aumento da operativista da produção cacaueira da região daecossistemas e a consequente melhoria de renda e cando a produção nacional de cacau. sua produção, com possibilidades para incremen- área de influência da UHE de Belo Monte.do nível de vida das populações locais. Nesse sentido, o território da Transamazôni- tar a rentabilidade, geração de emprego e renda, o Nesta perspectiva, a lavoura cacaueira ca no oeste paraense representa um rico espaço setor ainda apresenta fragilidades que podem serrepresenta um empreendimento apropriado e para o fortalecimento do cultivo de cacau brasi- minimizadas ou mesmo eliminadas, pois a atualpromissor, possibilitando retorno financeiro satis- leiro, gerando divisas ao estado, emprego e renda cadeia produtiva da cultura do cacau ainda é inci-fatório, mantendo o equilíbrio ecológico e fixando às populações dos municípios que o compõem e piente e por isso existem lacunas operacionais noo homem a terra, adaptando-se perfeitamente às contribuindo para uma produção assentada em cultivo, comercialização e nível de beneficiamen-condições agroecológicas das regiões de clima tro- bases sustentáveis com a crescente incorporação to, sendo, por isso, oportuno fomentar o apoio aopical e úmido como a Amazônia, demonstrado ain- da agricultura familiar neste território que vive mo- processo cacaueira (PBA, 2011).da ser uma alternativa segura para a melhoria das mento peculiar de crescimento devido a recentes A união dos agricultores da região da áreacondições socioeconômicas de suas populações. empreendimentos, dentre eles destacando-se a de influência da UHE de Belo Monte fez com queTais fatores aliados à possibilidade de exploração construção da UHE de Belo monte. ao longo do tempo surgissem algumas cooperati- 04 05
  • 2. A Cultura do Cacau O cacaueiro (Theobroma cacao L.) é uma As civilizações pré-colombianas domesticaram dos pelo Brasil e Equador, que juntos produzem dutor e exportador de cacau do mundo, produzin-planta perene da família Sterculiaceae, originária e conceberam o processamento das amêndoas 88% de todo mercado mundial de cacau (Mendes do riquezas e dominando praticamente sozinhodo continente Sul Americano, cujo valor econô- que originou o chocolate, enquanto os espanhóis & Lima, 2011). todo o mercado internacional, constituindo-semico se baseia na exploração das amêndoas que, monopolizaram o produto por séculos após o des- De outro lado, os maiores importadores de num dos pilares fundamentais para o enriqueci-após fermentação e secagem, constituem a prin- cobrimento, até ser contrabandeado por nave- cacau são os Estados Unidos, Holanda, Alemanha, mento de muitas famílias de cacauicultores e con-cipal matéria-prima da agroindústria do chocola- gadores holandeses e ingleses, globalizando seu Inglaterra e França, respondendo juntos com mais tribuindo em muito para o desenvolvimento re-te. Das sementes pode-se também extrair o óleo consumo, principalmente na Europa do final do de 60% das importações mundiais. Já em termos gional.e a manteiga, largamente utilizada pela indústria século XVII, ampliando enormemente a deman- de consumo per capita destacam-se países do les- Na Amazônia a cultura cacaueira ganhoufarmacológica e de cosméticos, enquanto a pol- da pela produção de cacau (Portal São Francisco, te europeu, Rússia e Estados Unidos (Portal São importância econômica a partir do século XVII,pa por ser rica em açúcares pode ser utilizada na 2012). Francisco, 2012). quando deixou de ser um produto extrativista parafabricação de geleia, vinho, licor, vinagre e suco. Devido a suas características edafoclimá- se tornar um produto agrícola. Entretanto, devidoAlém disso, a cultura pode ainda ser aproveitada ticas seu cultivo ocorre em regiões tropicais, po- à forma rudimentar com que seu desenvolvimentocomo adubo, sabão e ração animal (Silva Neto et dendo ser encontrado na América do Sul, no Ca- 2.1 O Cacau no Brasil se encaminhou na região, a caucaicultura foi pau-al., 2001; Filgueiras et al., 2004). ribe, na África, no Sudeste da Ásia e até em ilhas latinamente substituída pela exploração econômi- De forma geral, a exploração do cacau e do Pacífico Sul. Atualmente os maiores produtores No Brasil o cultivo de cacaueiro em larga ca da borracha no final do século seguinte (Silvade seus subprodutos sempre esteve relacionada mundiais provêm do Oeste do continente africano, escala se instalou ainda no século XVIII no sul da Neto et al., 2001).ao poderio econômico, seja como objeto de culto, onde Costa do Marfim, Gana, Indonésia, Nigéria e Bahia, trazendo riquezas e crescimento para a re- Somente a partir da década de 1960, comseja como fonte de riquezas e símbolo de poder. República dos Camarões lideram o ranking, segui- gião das plantações. O país se tornou o maior pro- o início das atividades da CEPLAC na Região Ama- 06 07
  • Diagnóstico Setorial A Cultura do Cacau zônica e mais precisamente no decorrer de 1976, Ainda de acordo com o autor, em relação à área Ainda assim, a região nordeste é a maior produtora concentrando 63 % da produção nacional no com o advento do Plano de Diretrizes para Expan- plantada na Amazônia, aproximadamente um ter- estado da Bahia, seguida pela região Norte com 34 % nos estados do Pará, Amazonas e Rondônia, sendo são da Cacauicultura Nacional (PROCACAU), é que ço dessa meta foi atingida somente no estado do as regiões Sudeste e Centro-Oeste representadas pelo estado do Espírito Santo e Mato Grosso, respecti- essa atividade iria receber um impulso notável e Pará, onde a região da Transamazônica se destaca vamente (Figura 2). começar a se constituir em uma atividade econô- com cerca de 30 mil hectares plantados. mica explorada de maneira racional e com orienta- Tal estímulo garantiu e sustentou a cres- ção técnica qualificada nos Estados amazônicos. cente participação da região na produção nacional Segundo Mendes (2009), como forma de como um dos principais produtos de exportação, garantir a dianteira na produção mundial de cacau daí sua importância como fonte geradora de divisas. para o Brasil, o PROCACAU estabeleceu como meta De fato, nos últimos vinte anos, mesmo com as os- inicial a instalação de 300 mil hectares de cacauei- cilações na produção cacaueira em nível nacional, ros, sendo 160 mil na Amazônia e 140 mil distribu- o estado do Pará saltou de 49 mil em 1990 para 85 ídos na região do sul da Bahia e do Espírito Santo. mil hectares de cacau colhidos em 2011 (Figura 1). Figura 2. Produção Agrícola regional de amêndoa de cacau no Brasil durante a safra de 2011. Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal. Atualmente, o Brasil continua na lista dos principais exportadores de cacau do mundo. No en- tanto, nas últimas décadas a produção cacaueira no sul da Bahia tem decaído devido, principalmente, a baixa do preço do cacau no mercado internacional, a concorrência com os países africanos e a infestação com a praga da “vassoura-de-bruxa” que infestou as plantações baianas (Figura 3). Em contrapartida, para Figura 1. Área colhida em hectares de lavoura de cacau no Brasil e no Estado do Pará de 1990 a 2010. compensar a diminuição da produção nacional, a região norte vem gradativamente aumentando sua Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal. participação, passando de 14 % em 2002 para 26 % em 2011 (Cuenca & Nazário, 2004). 08 09
  • Diagnóstico Setorial A Cultura do Cacau 2.2 O Cacau na região da Transamazônica. A partir dos projetos de infraestrutura pen- A base econômica da Transamazônica está sados para a região amazônica durante os gover- assentada em atividades de caráter agropecuário, nos militares, em particular a abertura de estradas, madeireiro e pesqueiro, com destaque para a pro- diversos trabalhadores e migrantes ocuparam e dução cacaueira, tendo oito dos maiores municí- tornaram as áreas de entorno desses empreendi- pios produtores de cacau do Estado e o Município mentos em seu espaço de vida, dando origem a de Medicilândia como o segundo maior produtor Figura 3. Quantidade de amêndoa de cacau produzida por regiões do Brasil de 1990 a 2010. diversas localidades, comunidades e municípios. de amêndoas do Brasil, apresentando 31 % da área Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal. O território da Transamazônica, localizado colhida em todo o estado do Pará. Medicilândia e no oeste paraense, não foge à regra, tendo sido Uruará destacam-se pelo aumento de área colhida De fato, Mendes (2009) afirma que a produção cacaueira na região amazônica apresenta uma povoado e tido experimentado a expansão de suas na última década, enquanto o município de Pacajá série de vantagens comparativas quando assentada na pequena propriedade e enriquecida por meio de atividades produtivas após o projeto de constru- sofreu sensível queda no final da década de 90 (Fi- diversos modelos de consórcios ou sistemas agroflorestais, pois a partir dessa estrutura produtiva supera- ção da BR 230, tonando-se um dos maiores polos gura 4 e 5). se a fragilidade dos produtores às oscilações de mercado e aos débitos contraídos com crédito rural. Além produtores de cacau e madeira em tora do Brasil disso, a consequente facilidade de manejo da vassoura-de-bruxa, as grandes extensões de terra com so- e um dos maiores produtores de gado e café do los de alta fertilidade natural e os custos médios de produção bem inferiores aos praticadas na Bahia vêm estado do Pará. tornando a Amazônia uma região econômica e socialmente promissora a inverter as tendências e colocar Essa região compreende 15,5 % da exten- o Brasil num caminho mais seguro na produção de cacau. são total do Estado, abrangendo os municípios de Altamira, Anapu, Brasil Novo, Medicilândia, Pacajá, Placas, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu. A população total do território é de 293.088 habitantes, dos quais 138.221 vivem na área rural, o que corresponde a 47,16% do total (Pará, 2010). 10 11
  • Diagnóstico Setorial A Cultura do Cacau A lavoura cacaueira gera milhares de empregos nos municípios produtores e aquece a econo- mia local, entretanto verifica-se que a presença do monocultivo ainda é predominante na região. Nos municípios de Medicilândia, Uruará, Pacajá e Brasil Novo o número de estabelecimentos agropecuários de origem não familiar superam e muito os de agricultura familiar, indicando a forte presença do mono- cultivo. O município de Senador José Porfírio é o único que se destaca por apresentar apenas estabele- cimentos de agricultura familiar, indicando o uso sustentável da cultura (Figura 6). Figura 4. Área colhida de cacau em hectare na Transamazônica no Estado do Pará de 1990 a 2010. Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal. Figura 6. Caracterização das unidades produtivas de cacau nos municípios da Transamazônica. Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal. Não obstante, a geração de emprego e renda advindos da lavoura cacaueira na Transamazônica pode estar contribuindo para a melhoria na qualidade de vida dos municípios produtores, trazendo de- Figura 5. Principais municípios produtores de cacau no Estado do Pará no ano de 2011 de acordo com a senvolvimento e gerando divisas para o Estado e para o Brasil. Além disso, a franca expansão das áreas área colhida em hectare. produtivas de cacau na Amazônia indica ainda uma crescente tendência de valorização da produção de Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal. forma sustentável por meio da agricultura familiar. 12 13
  • 3. Área de abrangência do estudo3.1. Municípios envolvidos lução do IDHM de renda, longevidade e educação desde a década de 1990 até 2000, onde é observado 3.1.1. Altamira que houve elevação da qualidade de vida nas últimas décadas. O processo de formação de Altamira teve do Xingu (a 25 km Altamira), e o segundo comoinício através de missões Jesuítas na primeira me- Castelo de Sonhos (a 1100 km de Altamira). Res-tade do séc. XVIII, quando ainda integrava o gi- salta-se ainda que há dois fusos horários diferen-gantesco município de Souzel. Porém a elevação tes, com diferença de uma hora entre o segundoà categoria de município foi em seis de Novembro distrito citado e a sede do município (Prefeitura dede 1911, pela Lei Estadual nº 1.234. Altamira, 2011). O município de Altamira, Sudoeste do Es- Altamira é considerada o maior municípiotado do Pará, possui uma extensão territorial de do Brasil e o terceiro maior em escala mundial. A159.533,401 km². Está localizado às margens do rodovia Transamazônica (BR-230) corta o territóriorio Xingu a 03o12’12” S e 52o12’23” W, em uma pelos dois extremos e liga o município ao resto doaltitude de 109 metros (IBGE, 2010). O clima do Brasil. Sua população estimada é de 105.030 habi- Figura 7. Dados de IDHM, IDHM-Renda, IDHM-Longevidade e IDHM-Educação em 1993 e 2000município é caracterizado como quente e úmido, tantes, com densidade demográfica de 0,63 hab/ Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasilcom temperatura média anual de 25o C. Devido km2, segundo levantamento do IBGE (2010). Deà extensa dimensão territorial, o município é divi- acordo com os últimos dados, o IDHM do municí-dido em dois distritos, um denominado Princesa pio é 0,737 (PNUD, 2000). A Figura 7 mostra a evo- 14 15
  • Diagnóstico Setorial Área de abrangência do estudo O movimento da economia em Altamira está baseado, principalmente, na agricultura, na pecu- ária, no comércio e no serviço público. Destaca-se ainda outros setores como o extrativismo, a pesca, o artesanato e pequenas indústrias moveleiras. A agropecuária é a terceira maior atividade econômica da cidade, segundo mostra o levantamento do PIB do município realizado em 2010 pelo IBGE (Figura 8). No ano de 2010 o valor adicionado pela agropecuária foi de R$ 78.522,00, enquanto a indústria incorporou R$ 93.658,00 e os demais serviços prestados no município adicionou cerca de R$ 488.257,00. Figura 9. Figura 13. Produção de cacau (em amêndoa) no município de Altamira no período de 1997 a 2011 Fonte: IBGE, 2012 Altamira é cidade é a principal da mesorregião Sudoeste paraense, e oferece apoio nos setores Figura 8. Produto Interno Bruto de Altamira (a preços correntes) em 2010. da saúde, educação, agricultura e comércio aos municípios vizinhos como: Uruará, Brasil Novo, Medici- Fonte: IBGE, 2012. lândia, Vitória do Xingu e Senador José Porfírio. A cultura de cacau apresenta relevância para o município, pois é segundo produto agrícola mais cultivado município, perdendo apenas para produção de banana. Em 2011 o cacau (em amêndoa) re- 3.1.2 Anapu presentou 7% da produção agrícola de Altamira, enquanto a banana correspondeu da 83% (IBGE, 2012). Segundo dados do IBGE (2012), a produção de cacau aumentou nos últimos oito anos (Figura 9), e em O processo de formação de Anapu se deu com a denominação de Anapu, pela Lei Estadual nº 2011 chegou a produzir 3.760 toneladas, representando 6% da produção do Estado do Pará. na década de 1970 com estabelecimento Progra- 5.929 (IBGE, 2012). ma de Integração Nacional (PIN), ressalta-se que o Anapu, sudoeste paraense, está a uma alti- maior impulso foi a construção da Rodovia Tran- tude de 96 m, e sua sede está localizada a 03o28’20” samazônica. Somente em 1995 foi desmembrada S e 51o11’52” W. O clima da é caracterizado como dos municípios de Pacajá e Senador José Porfí- quente e úmido, com precipitação pluviométrica rio, e elevada à categoria de Município e Distrito anual variando entre 600 e 2000 mm, umidade re- 16 17
  • Diagnóstico Setorial Área de abrangência do estudo lativa de 80% e média térmica de 27oC. Brasil (2000), o IDHM do município em 1991 era de A extensão territorial do referido municí- 0,531 e saltou 0,645 2000, conforme a Figura 10. pio é de 11.895,506 km2. Segundo o IBGE (2012), Destaca-se que o maior avanço ocorrido na déca- a população estimada de Anapu é de 22.225 indi- da de 1990, em Anapu, foi na área de educação, víduos, com densidade demográfica de 1,75 hab/ onde o IDHM Educação saltou de 0,434 para 0,663 km2. De acordo como último levantamento publi- no mesmo período citado acima. cado no Atlas do Desenvolvimento Humano no Figura 11. Produto Interno Bruto de Anapu (a preços correntes) em 2010. Fonte: IBGE, 2012 Entre os principais produtos agrícolas produzidos em Anapu estão: banana, cacau, coco-da-baía, café, mamão e laranja (Figura 12). A lavoura cacaueira é a segunda atividade agrícola mais importante do município, no ano de representou 4% da produção do Estado do Pará (IBGE, 2012). Figura 10. Dados de IDHM, IDHM-Renda, IDHM-Longevidade e IDHM-Educação em 1993 e 2000. Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. As principais atividades econômicas do município estão baseadas nas atividades agrícolas e pe- cuária, além de serviços. Observa-se na Figura 11 a distribuição dos principais setores que compõem o PIB de Anapu (a preços correntes), segundo IBGE (2010), o valor referente a serviços foi de R$ 52.475; ocupando o segundo lugar em importância está setor agropecuário que correspondeu a R$ 25.014; já o valor adicionado bruto relativo à indústria foi de R$ 12.035. Figura 12. Lavoura permanente produzida no município de Anapu em 2011. Fonte: IBGE 2011. 18 19
  • Diagnóstico Setorial Área de abrangência do estudo Observa-se na Figura 13 que a produção de cacau em Anapu passou a ser representativa a partir de 1997, com a produção de 140 toneladas, e teve significativo aumento em 2010 e 2011, quando atin- giu 1.850t e 2.028t, respectivamente (IBGE, 2012). 3.1.3 Brasil Novo Brasil Novo teve origem na origem com na população do município é de 15.690 habitantes, década de 1970, momento em que o Governo Fe- com densidade demográfica de 2,47 hab/km2. A Fi- deral incentivava a colonização e a integração da gura 14 apresenta os dados referentes ao IDHM do Amazônia às outras regiões do Brasil. No início a município em 1993 e em 2000. Pode-se observar localidade foi criada seguindo a estrutura de uma quem em houve melhorias na renda, na longevida- Agrópole, administrada do Instituto de Coloniza- de e na educação da população brasilnovense. O ção e Reforma Agrária (INCRA). No início década IDHM do município aumentou de 0,591 (em 1991) de 1990 o território de Brasil Novo foi desmem- para 0,674 (em 2000); já o IDHM – Educação saltou brado de Medicilândia, Altamira e Porto de Moz e de 0,612 (em 1991), para 0,706 (em 2000). posteriormente foi elevado a categoria de municí- Figura 13. Produção de cacau (em amêndoa) no município de Anapu no período de 1997 a 2011. pio pela Lei Estadual n.º 5.962 de 13/12/1991 (Geo Fonte: IBGE, 2012. Xingu, 2012). O município de Brasil novo, sudoeste do O município de Anapu faz fronteira ao Norte com Portel; a Leste com Pacajá e Novo Repartimen- Pará, está situado às margens da Rodovia Transa- to; ao Sul com São Félix do Xingu a Oeste com Senador José Porfírio e Vitória do Xingu. mazônica (BR 230 - km 46) e está interligada a 15 vicinais. Sua sede compreende às coordenadas geográficas 03º18’17” S e 53º32’08” W, a uma alti- tude de 158,3m. O clima do município é quente e úmido, com precipitações pluviométricas varian- do entre 600 e 2000 mm anualmente. A tempera- tura do município varia anualmente de 23 a 31ºC, e a umidade relativa é em média de 80%. A extensão territorial de Brasil Novo é de 6.362, 575 km2. De acordo com o IBGE (2010) a 20 21
  • Diagnóstico Setorial Área de abrangência do estudo Figura 15. Produto Interno Bruto de Brasil Novo (a preços correntes) em 2010. Figura 14: Dados de IDHM, IDHM-Renda, IDHM-Longevidade e IDHM-Educação em 1993 e 2000. Fonte: IBGE, 2012. Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Os principais produtos agrícolas de Brasil Novo são: banana, cacau, laranja, mamã, coco-da-baía, A estrutura econômica de Brasil Novo está baseada na pecuária extensiva de corte, na extração café e pimenta do reino, em ordem decrescente de produção. Em 2011 a lavoura do cacau correspondeu de madeira de lei, no comércio e na prestação de serviços básicos, agricultura, pequenas indústrias e a 27% da produção agrícola do município com 2.754 t. Em relação ao Pará, o municio representou 5% da serrarias de médio porte. Segundo o geógrafo Antônio Clébio Araújo, Brasil Novo apresenta condições produção de cacau no mesmo ano (IBGE, 2012). Observa-se na Figura 16 que a produção de cacau em para desenvolver economicamente devido possuir uma extensa área com solo agricultável. Segundo Brasil Novo se mantém na média de 2.708 t desde 1993 até 2011. dados do IBGE (2010), a agropecuária representa o segundo componente de importância no PIB do município (Figura 15). 22 23
  • Diagnóstico Setorial Área de abrangência do estudo Área do município é de 8.272,629 km2. A estimativa da população de Medicilândia em 2012 é de 28.227 pessoas (IBGE, 2012). Segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil (2000), o IDHM do município era de 0,71 em 2000, enquanto em 1991 era 0,606 (Figura 17). É notável que houve melhorias no IDHM- Renda, IDHM-Longevidade e IDHM-Educação de 1991 para 2000, porém o mais expressivo foi o IDHM-Educação que passou de 0,574 (1991) para 0,717 (200). Figura 16. Figura 13. Produção de cacau (em amêndoa) no município de Brasil Novo no período de 1997 a 2011. Fonte: IBGE, 2012. O território brasilnovense, limita-se ao Norte com o município de Porto de Moz, ao Sul e a Leste com o município de Altamira e a Oeste com o município de Medicilândia. Figura 17. Dados de IDHM, IDHM-Renda, IDHM-Longevidade e IDHM-Educação em 1993 e 2000. Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. 3.1.4 Medicilândia Com o fechamento da usina de açúcar em 2001, Medicilândia sofreu uma grande crise financeira O processo de formação de Medicilândia iniciou na década de 1970 através do programa de e abalou desenvolvimento da cidade. Atualmente a base da economia do município é a agricultura, o integração nacional (PIN), criado pelo Governo Federal, assim como vários municípios às margens da ro- comércio, a pecuária, serviço público e privado, além de uma fábrica de chocolate (Geo Xingu). Segun- dovia Transamazônica. Medicilândia foi uma Agrovila pertencente ao município de Prainha, e na década do dados do IBG (2010), a agropecuária representa grande importância ao PIB do município, no ano de de 1980 foi elevada a categoria de município pela lei estadual nº 5438, de 06-05-1988. 2010 valor adicionado desse setor foi de R$ 59.922, enquanto o valor acionado pela indústria atingiu R$ Medicilândia está localizada as margens da Rodovia Transamazônica (BR 230 - km 90). A sede do muni- 9786 (Figura 18) cípio está situada a 03° 26’ 45” S e 52° 53’ 20” W, a uma altitude de 151 m. O clima do município é quente e úmido, com média térmica anual de 25,6º C, umidade relativa de 80% na maioria dos meses do ano. 24 25
  • Diagnóstico Setorial Área de abrangência do estudo Desde a década de 1990 a produção de cacau em Medicilândia permaneceu ininterrupta (Figura 20). Destaca-se a última década a produção de cacau aumentou a média de produção durante a década de 1990 foi de 8.45t, nos últimos onze anos a média é de 13.977t, com maior produção 2011 (IBGE, 2012). Figura 18. Produto Interno Bruto de Medicilândia (a preços correntes) em 2010 As principais culturas perenes que movimentam a economia são: banana, cacau, café, coco-da- -baía, pimenta-do-reino e mamão. Em 2011 a produção de banana foi de 30.600t; já a de cacau atingiu 22.467t e a de café 5.390t (IBGE, 2012). Ressalta-se que Medicilância é principal produtor de cacau do Esta- Figura 20. Figura 13. Produção de cacau (em amêndoa) no município de Medilândia no período de 1997 do do Pará, em 2011 foram colhidos 22.467 ha, o que representou 31% da produção estadual (Figura, 19). a 2011. Fonte: IBGE, 2012. Medicilândia faz fronteira ao Norte com Prainha; a Leste a Sul com Brasil Novo e a Oeste com Uruará. 3.1.5 Pacajá A origem de Pacajá está relacionada ao estabelecimento do PIN na mesorregião Sudoeste Para- ense, quando da construção da Rodovia Transamazônica na década de 1970. Até a primeira metade da década de 1980, Pacajá era uma Agrovila ligada ao município de Portel, transformou-se em município por meio da Lei nº 5.447, de 10 de maio de 1988 (Portal Amazônia, 2012). Figura 19. Área (ha) de cacau (amêndoa) colhida no ano de 2011 no Estado do Pará. 26 27
  • Diagnóstico Setorial Área de abrangência do estudo A sede do município está localizada a 03º50’16” S e a 50º38’15” W, estando a uma altitude aproxi- mada de 105 metros. O clima do município e quente e úmido, com índice pluviométrico anual é de 2.300 mm, média térmica de 26,5 ºC e umidade relativa 85%, em média, anualmente. A extensão territorial de Pacajá compreende 11.832,333 km². A população estimada para o ano de 2012 é de 41.654 pessoas, com crescimento de 1.675 pessoas nos últimos dois anos (IBGE, 2012). Da década de 1990 para 2000 o IDHM do município passou de 0,5 para 0,661 (Figura 21). O IDHM para renda, lon- gevidade e educação também aumentaram ao longo desse período, destaca-se a educação que passou de 0,459 para 0,694 (Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil). Figura 22. Produto Interno Bruto de Pacajá (a preços correntes) em 2010. Na agropecuária, destaca-se o número expressivo do rebanho bovino do município, ocupando a 12º colocação em relação ao efetivo bovino do Estado, com 350.037 cabeças (IBGE, 2012). De acordo com a figura 23, no ramo da lavoura permanente, a principal cultura é a banana que, em 2011, teve uma produção de 12.888t, produção esta seguida pela de coco-da-baía com 3.060t e a de cacau com 1.251t (IBGE, 2012) Figura 21. Dados de IDHM, IDHM-Renda, IDHM-Longevidade e IDHM-Educação em 1993 e 2000. Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Na figura 22, pode-se observar que assim com a maioria das cidades ao longo da transamazôni- ca, o setor que mais influencia no PIB do município de Pacajá é o de Serviços, seguido pela Agropecuária, em 2010 foi registrado R$ 96.558 e R$ 65.041, respectivamente (IBGE, 2012). 28 29
  • Diagnóstico Setorial Área de abrangência do estudo O município de Pacajá limita-se ao Norte com Portel; a Leste com Tucuruí e Baião; ao Sul Novo Repartimento; e a Oeste com Anapu. 3.1.6 Uruará A formação de Uruará também está relacionada ao estabelecimento do Plano de Integração Na- cional na década de 1970. A Agrópole Uruará, ligada ao município de Prainha, estava localizada no km 180 da rodovia Transamazônica e foi impulsionada pela aglomeração de pessoas que migraram para a região nas proximidades de uma escola que fora construída no local. Em 1988 seu território tornou-se Figura 23. Produção (tonelada) das principais culturas perenes no município de Pacajá em 2011. independente de Prainha e foi elevado à categoria de município pela Lei Estadual nº 5435. O município de Uruará, na mesorregião sudoeste paraense, está às margens da Rodovia Transa- Nota-se que, na última década, houve uma redução na produção cacaueira no município de mazônica (BR 230 -180 km no trecho entre Altamira e Itaituba). Sua sede está localizada a 03º43’03” S e Pacajá (Figura 24). Durante a década de 1990 a produção média era de 3.199t, passando para 1.497t na 3º44’12 W, a altitude de 129 metros. O clima do município é caracterizado como quente e úmido, com década de 2000 (IBGE, 2012). média térmica anual de 25,6ºC, umidade relativa de 80% na maior parte no ano, e pluviosidade anual de aproximadamente 2000 mm. A área do município é 10.791,371 km². A população estimada no ano de 2012 é de 44.727 pes- soas. O IDHM do município em 1991 era de 0,587, já em 2000 passou para 0,713 (Figura 25). O maior crescimento registrado foi no IDHM Educação aumentou de 0,586 para 0,742 no mesmo período (Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, 2000). Figura 24. Produção de cacau (em amêndoa) no município de Pacajá no período de 1997 a 2011. Fonte: IBGE, 2012. 30 31
  • Diagnóstico Setorial Área de abrangência do estudo Figura 25. Dados de IDHM, IDHM-Renda, IDHM-Longevidade e IDHM-Educação em 1993 e 2000. Figura 26. Produto Interno Bruto de Uruará (a preços correntes) em 2010. Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Segundo o Antônio C. Araújo, Uruará está em constante progresso merece ênfase na represen- tatividade do desenvolvimento da região, pois conta uma boa estrutura em relação a outros municípios A economia de Uruará está baseada na pecuária, agricultura, serviço público, comércio e indústria fundados ao longo da Transamazônica na década de 1970. madeireira. Com destaque para a pecuária de corte, ressalta-se que em Uruará está 20º maior rebanho Dentre as principais culturas perenes de importância econômica na região estão: a banana que, bovino do Estado do Pará, com 288172. O PIB do município está representado na Figura 26. Observa-se em 2011, alcançou a produção de 31.028t; seguida do cacau com 6.673t e do café com 1896 t (IBGE, que os serviços prestados representam 60% do PIB municipal, enquanto as atividades agropecuárias 2012). representam 27% e a indústria 13% (IBGE, 2010). Segundo o IBGE (2012), a lavoura cacaueira, desde a década de 1990, sempre produziu acima de 2.781t por ano, e atingiu as maiores produções na última década com a média de 4.874t nesse período (Figura 27). 32 33
  • Diagnóstico Setorial Área de abrangência do estudo A extensão territorial do município é de 3.089,537 km². A população estimada em 2010 foi de 13.431 pessoas, sendo a densidade demográfica igual a 4,28 hab/km². O IDHM do município é 0,664 (Figura 28). Nota-se que houve evolução desde 1991 até 2000, principalmente na educação que passou do IDHM 0,518 para 0,703 no mesmo período. Figura 27. Produção de cacau (em amêndoa) no município de Uruará no período de 1997 a 2011. Fonte: IBGE, 2012. Os limites do município de Uruará são: a Norte com Prainha e Medicilândia; a Leste com Medici- lândia e Altamira; a Sul com Altamira e a Oeste com Santarém. Figura 28. Dados de IDHM, IDHM-Renda, IDHM-Longevidade e IDHM-Educação em 1993 e 2000. Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. 3.1.7 Vitória do Xingu O principal pilar da economia vitoriense é o funcionalismo público, além desse pode-se citar a pesca, a agricultura, a pecuária, serviços terceirizados, além do porto da cidade que serve como ponto O processo de formação de Vitória do Xingu iniciou em 1750 através de uma expedição de pa- de entrada e saída de mercadorias e de passageiros para diversos locais dentro e fora do Estado (Geo dres jesuítas, liderada pelo padre Roque Hunderfund. Vitória do Xingu inicialmente era um povoado, e Xingu, 2012). Conforme mostra a Figura 29, o valor adicionado dos serviços corresponde a 62% do PIB em 1911 passou a ser Distrito de Altamira; já em 1965 passou tornou-se Vila; somente em 1991 foi seu do município, enquanto o relativo à agropecuária corresponde a 31% (IBGE, 2010). território foi desmembrado dos municípios de Altamira, Senador José Porfírio e Porto de Moz e elevada a categoria de município através da Lei 5701. O município de Vitória do Xingu,situado na margem direita do rio Tucuruí, está localizado segun- dos as coordenadas geográficas 02º52’48” S e 52º00’36” W. O clima local é caracterizado como quente e úmido, com temperatura média anual de 27ºC, umidade relativa de 80% e precipitações pluviométricas entre 600 e 2000 mm. 34 35
  • Diagnóstico Setorial Área de abrangência do estudo Figura 29. Produto Interno Bruto de Vitória do Xingu (a preços correntes) em 2010 Figura 30. Produção de cacau (em amêndoa) no município de Vitória do Xingu no período de 1997 a 2011. No setor da agricultura, as principais culturas perenes produzidas no município são: banana, Fonte: IBGE, 2012. cacau e coco-da-baía. No ano de 2011 essas culturas produziram7.800t, 2.392t e 1.500 futos respectiva- mente. O cacau representa a segunda colocação em importância econômica do município. Observa-se As fronteiras de Vitória do Xingu são: norte com o município de Porto de Moz; a leste com os na Figura 30 que a produção de cacau permaneceu ininterrupta desde a década de 1993, com destaque municípios de Senador José Porfírio e Anapu; a Sul com o município de Senador José Porfírio; e a Oeste para a década de 2000. A produção média na década de 1990 foi de 994t, passando para 1.266, 417t nos com os municípios de Altamira e Brasil Novo. últimos 11 anos (IBGE, 2012). 36 37
  • 4. O estudo e a metodologia utilizada O presente estudo caracteriza-se como diversas metodologias de Diagnóstico Rural Rápi- fortes e fraquezas. As questões levantadas indivi-pesquisa descritiva com abordagem qualiquanti- do, Diagnóstico Rural Participativo (Mead, 1991). O dualmente possibilitam um diagnóstico quanto aotativa. A descritiva é realizada por considerar que preenchimento de cada questionário foi de apro- potencial das cooperativas analisadas.a principal finalidade é o delineamento ou análise ximadamente 20 minutos, aplicados em reuniões Esta pesquisa foi realizada seguindo as se-das características de determinada população ou previamente agendadas com produtores rurais guintes etapas: elaboração do plano de pesquisa,fenômeno, no caso específico, da descrição da si- das cooperativas nas cidades de Anapu, Brasil elaboração dos questionários, aplicação dos ques-tuação de cooperativas de cacauicultores e seus Novo, Medicilândia, Pacajá, Senador José Porfírio, tionários, processamento e análise e apresentaçãocooperados na Transamazônica, sendo utilizado o Uruará, Vitória do Xingu, num total de 9 (nove) co- dos resultados.questionário como instrumento da coleta de da- operativas participantes no processo.dos. A abordagem qualitativa não requer o uso de Além dos questionários, realizaram-se en-métodos e técnicas estatísticas. trevistas com algumas lideranças envolvidas no Visando fazer um levantamento dos coope- processo, onde foi empregado o discurso do sujei-rados sobre sua situação socioeconômica, estrutu- to coletivo, neste método o entrevistador subme-ral, produtiva, comercial, crédito e financiamento, te as entrevistadas a palavras chaves baseadas naestrutura organizacional das cooperativas e acesso construção da análise SWOT ou matriz FOFA, dan-à assistência técnica; por meio de questionários se- do ao entrevistado liberdade para emitir, livremen-miestruturados. Para a elaboração do questionário te, seu ponto de vista sobre a atividade cacaueira ee da metodologia de trabalho foram consultadas o sistema de organização em cooperativas, pontos 38 39
  • 5. Diagnóstico do setor cooperativistada produção de cacau na região 5.1 Cooperativas de produção convencional 5.1.1 COOPBRAN 5.1.1.1 Socioeconômico A pesquisa mostrou que, em relação ao tempo, na propriedade, 81% dos cooperados analisadosse encontram no lote há mais de 10 anos, 5% entre cinco e 10 anos e 14% até cinco anos. Em relação a saber se sua renda é exclusiva da propriedade, 48% responderam “sim” e 52% res-ponderam “não” e 100% dos cooperados entrevistados sempre atuaram em atividades rurais. Figura 31. Tempo na Propriedade Figura 32. Renda Exclusiva da PropriedadeCOOPBRAN - Cooperativa Mista Regional dos Minis, Pequenos e Médios Produtores de Brasil NovoMunicípio: Brasil Novo 40 41
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Em relação à estrutura populacional das propriedades em média 6,29 pessoas residem no lote sendo que destes 5,05 indivíduos são da própria família do cooperado, 4,81 são envolvidos nas ativida- des de produção e apenas 0,33 é a média de membros residentes que trabalham fora da propriedade demonstrando a fixação destes no meio rural. Figura 34. Profissão Anterior Figura 35. Escolaridade A pesquisa mostrou que, em relação ao tempo, na propriedade, 81% dos cooperados analisados se encontram no lote há mais de 10 anos, 5% entre cinco e 10 anos e 14% até cinco anos. Em relação a saber se sua renda é exclusiva da propriedade, 48% responderam “sim” e 52% res- ponderam “não” e 100% dos cooperados entrevistados sempre atuaram em atividades rurais. Figura 36. Renda Mensal Familiar (Salários Mínimos) Figura 37. Vínculo a Programas Sociais Tabela 1. Configuração de Habitantes das Propriedades Figura 38. Contratação de Mão de Obra COOPBRAN - Cooperativa Mista Regional dos Minis, Pequenos e Médios Produtores de Brasil Novo No que tange à contratação de mão de obra, 76% das propriedades terceirizam algum tipo de Município: Brasil Novo tarefa, seja de forma temporária ou permanente e 24% não contratam. 42 43
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.1.1.2 Estrutural Figura 41. Forma de Aquisição da Propriedade Noventa por cento dos cooperados indagados afirmaram que a forma de aquisição da proprie- dade foi por meio de compra direta, 5% receberam-na por herança e os 5% restantes foram beneficiados por programa de reforma agrária.Figura 39. Condições da Estrada no Período Não Chuvoso Figura 40. Condições da Estrada no Período Chuvoso No quesito logístico, as condições das estradas foram avaliadas sendo que, no período não chu- voso, 71% das propriedades encontram boas condições de acesso e 29% apresentam condições transi- táveis. Já no período de maior pluviosidade, 53% dos entrevistados relataram condições apenas transi- táveis, 33% condições ruins e apenas 14% citaram boas condições das estradas. Tabela 2. Estrutura Básica COOPBRAN - Cooperativa Mista Regional dos Minis, Pequenos e Médios Produtores de Brasil Novo Município: Brasil Novo 44 45
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Quanto à estrutura básica, 71,43% recebem energia elétrica, 85,71% possuem rádio, 71,43% pos- suem aparelho de TV e 4,76% possuem acesso à internet como meio de comunicação, 71,43% têm gela- 5.1.1.3 Produtivo deira, todos possuem fogão a gás, 90,47% possuem filtro de água, 71,43% têm banheiro em alvenaria e 71,43% possuem parabólica. Figura 42. Atividade Principal Figura 43. Interesse em Novas Atividades No âmbito da produção, 76% dos cooperados têm na cacauicultura sua atividade principal; 19%, a pecuária e 5%, outras atividades agrícolas. Cinquenta e nove por cento destes apresentam interesse em diversificar a produção além das atividades já existentes em suas propriedades. Tabela 3. Estrutura Produtiva Dentre as estruturas produtivas apresentadas, apenas 14,28% possuem cocho, 38,09% possuem barcaça, 4,76% apresentam estufa, 23,91% têm secador, 38,09% possuem armazém e 42,86% possuem balança. COOPBRAN - Cooperativa Mista Regional dos Minis, Pequenos e Médios Produtores de Brasil Novo Figura 44. Tipo de Produção Município: Brasil Novo 46 47
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.1.1.4 Comercialização Tabela 5. Média de Preços Pagos Tabela 4. Tamanhos Médios de Propriedade, Lavoura de Cacau e Área Produtiva e Produção Anual A totalidade dos entrevistados pratica o método convencional de cultivo da cacauicultura e as Figura 45. Forma de Comercialização propriedades têm em média 69,08 ha. sendo que o tamanho médio da área produtiva cacaueira é de 12,75 ha. e a produção média é de 9,03 toneladas. Figura 46. Satisfação com Preço Pago pelo Atravessador Todos os cooperados da COOPBRAN vendem suas produções para atravessadores, recebendo, em média, R$ 4,24 pelo quilo da amêndoa, sendo importante ressaltar que, em sua integralidade, os entrevistados não se encontram satisfeitos com o valor pago. COOPBRAN - Cooperativa Mista Regional dos Minis, Pequenos e Médios Produtores de Brasil Novo Município: Brasil Novo 48 49
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.1.1.5 Crédito e Financiamento 5.1.1.6 Organização e Apoio de ATER Quanto ao fomento financeiro da produção ao crédito, 90,48% dos cooperados entrevistados já receberam algum tipo de crédito e 38,10% possuem financiamento em aberto, seja em atraso ou em fase de pagamento. No que tange o acesso ao crédito, 38,10% dos entrevistados relataram dificuldades para tal, sen- do a burocracia o motivo mais recorrentemente citado e 76,19% apresentam interesse em adquirir novo financiamento. O Banco da Amazônia tem sido a principal instituição a financiar os produtores cooperados da COOPBRAN seguida pelo Banco do Brasil. Tabela 8. Cargo na Cooperativa e Nível de Figura 47. Motivação de Entrada na Cooperativa Satisfação com a Cooperativa Quanto à estrutura organizacional, 19,05% dos cooperados pesquisados ocupam algum cargo na cooperativa. 42,86% dos entrevistados declaram não estarem satisfeitos com o andamento das ati- vidades da cooperativa. Sessenta e dois por cento dos entrevistados foram motivados pela necessidade de acesso ao Tabela 6. Percentual de Acesso a Crédito e Financiamento Tabela 7. Instituição de Crédito crédito ao se associarem à cooperativa, 19% citaram acesso ao mercado como motivação e 19% devido à busca por maior visibilidade e organização do setor produtivo. COOPBRAN - Cooperativa Mista Regional dos Minis, Pequenos e Médios Produtores de Brasil Novo Município: Brasil Novo 50 51
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.1.1.7 Matriz F.O.F.A. Fortalezas Fraquezas A cooperativa possui sede própria A maior parte dos sócios se encontra de- com escritório e espaçoso galpão possibilitando sestimulados; estrutura comercial; A cooperativa se encontra descapitalizada Existe um grupo de cooperados que vêm e sem capital de giro; realizando ações de reaglutinação dos sócios inte- A cooperativa não possui estrutura para a ressados na retomada das atividades comerciais; logística produtiva como veículos de transporte Figura 48. Apoio de ATER Os cooperados possuem relevante volume para produção; de produção de cacau; Deficiência de estrutura produtiva básica A falta de apoio de assistência técnica e extensão rural foi declarada pela grande maioria dos A cooperativa já exerceu movimento de co- nas propriedades como cochos, estufas, armazéns entrevistados (72%). A CEPLAC é a única forma de ATER recebida por 14% e a EMATER conjuntamente mercialização conjunta possuindo assim experiên- e balanças. com a CEPLAC foi citada pelos outros 14% de produtores. cia prévia de forma coletiva. Oportunidades Ameaças Apesar de os produtores receberem valores A produção de cacau convencional, ainda insatisfatórios, atualmente, o mercado está aque- que com melhor qualidade, não encontra merca- cido podendo haver uma melhor negociação de do diferenciado na região, isto é, está subjulgado valores, de vez que a venda seja feita de forma co- à venda para atravessadores que pagam preços in- letiva, favorecendo a maior escala de comercializa- satisfatórios pelo produto; ção e permitindo redução de custos com logística. Falta de assistência técnica; Boa parte das propriedades produtoras se encontra em áreas com precárias estradas e vici- nais. COOPERSAME - Cooperativa Mista Regional dos Minis, Pequenos e Médios Produtores de Brasil Novo Município: Brasil Novo 52 53
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.1.2 COOPERSAME 5.2.2.1 Socioeconômico Figura 51. Profissão Anterior Figura 52. Escolaridade 91% dos entrevistados na COOPERSAME não tem outra vivência profissional, trabalhando unica- mente no meio rural. Figura 49. Tempo na Propriedade Figura 50. Renda Exclusiva da Propriedade Os produtores vinculados a COOPERSAME, possuem alto grau de fixação em suas propriedade, 100% dos entrevistados estão a mais de 10 anos em suas propriedades. Quando questionados sobre a formação da renda familiar, 55% dos entrevistados afirmaram ser Tabela 9. Configuração de Habitantes das Propriedades gerada exclusivamente pela propriedade. O grau de escolaridade na COOPERSAME é predominantemente baixo, 82% dos entrevistados tem somente o ensino fundamental incompleto. COOPERSAME - Cooperativa Mista Regional de Agricultores de Medicilândia. Município: Medicilândia. 54 55
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 100% contrata mão-de-obra, na forma de temporários, contratados informalmente. Esses contra- tos em sua maioria são estritamente para o período de safra. 5.1.2.2 Estrutural Figura 53. Renda Mensal Familiar (Salários Mínimos) Figura 54. Vínculo a Programas Sociais 82% dos entrevistados possui renda de até 3 salários mínimos, empatados em 9% produtores com renda de 4 à 8 e mais de 8 salários mínimos. 36% dos entrevistados são beneficiados por programas sociais do governo e 64% não se benefi- ciam desse complemento de renda. Figura 56. Condições da Estrada Figura 57. Condições da Estrada no Período Não Chuvoso no Período Chuvoso Para a maioria dos entrevistados, 82% dizem que as estradas no período não chuvoso é transitá- vel. No período chuvoso os mesmos 82% manifestam-se quanto as péssimas condições de tráfego, clas- sificando a estrada como ruim. Figura 55. Contratação de Mão de Obra COOPERSAME - Cooperativa Mista Regional de Agricultores de Medicilândia. Município: Medicilândia. 56 57
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.1.2.3 Produtivo Figura 58. Forma de Aquisição da Propriedade Sobre a forma de aquisição da propriedade, 73% informou ter sido através de compra, 9% recebeu a propriedade através de herança, 9% foi beneficiado por reforma agrária. Figura 59. Atividade Principal Figura 60. Interesse em Novas Atividades Para 91% dos entrevistados na COOPERSAME o cacau é a principal atividade produtiva, seguida pela pecuária com 9%. A maioria dos entrevistados, 64% têm interesse em implantar uma nova atividade produtiva. Tabela 10. Estrutura Básica Tabela 11. Estrutura Produtiva COOPERSAME - Cooperativa Mista Regional de Agricultores de Medicilândia. Município: Medicilândia. 58 59
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região A totalidade dos entrevistados comercializa sua produção para atravessadores. Figura 63. Satisfação com Preço Pago pelo Atravessador Figura 61. Tipo de Produção Tabela 12. Tamanhos Médios de Propriedade, Lavoura de Cacau e Área Produtiva e Produção Anual 100% dos entrevistados na COOPERSAME está insatisfeito com o preço praticado pelos atravessa- dores Os entrevistados na Coopersame utilizam a forma convencional de produção de cacau em sua totalidade. 5.1.2.5 Crédito e Financiamento 5.1.2.4 Comercialização Tabela 14. Percentual de Acesso a Crédito e Financiamento Figura 62. Forma de Comercialização Tabela 13. Média de Preços Pagos COOPERSAME - Cooperativa Mista Regional de Agricultores de Medicilândia. Município: Medicilândia. 60 61
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Quando questionados sobre acesso a crédito e financiamento, 100% dos entrevistados informa- Quando questionados sobre a motivação para integrar a cooperativa, as motivações foram bem ram ter acesso a financiamento, desses, 72,73% possuem financiamento em aberto, mesmo com acesso distribuídas com frequências bem próximas, 37% busca acesso ao mercado, 36% acesso ao crédito e 27% a crédito os produtores relataram ter dificuldades para obtê-lo e 100% tem interesse em acessar novos busca visibilidade e organização. financiamentos. Tabela 15. Instituição de Crédito O BASA é a principal instituição de acesso ao crédito, com 81,82% dos atendimentos. Figura 65. Apoio de ATER 5.1.2.6 Organização e Apoio de ATER Quando questionados sobre apoio de assistência técnica, verificou-se uma alta frequência de não atendidos, como nas demais cooperativas pesquisadas. 70% não recebe assistência técnica, 10% são atendidos pela CEPLAC, 10% INCRA e 10% IPAM. Tabela 16. Cargo na Cooperativa e Nível Figura 64. Motivação de Entrada na Cooperativa de Satisfação com a Cooperativa COOPERSAME - Cooperativa Mista Regional de Agricultores de Medicilândia. Município: Medicilândia. 62 63
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.1.2.7 Matriz F.O.F.A.. Fortalezas Fraquezas Oportunidades Ameaças A cooperativa possui estrutura própria ad- Apesar de possuir um número elevado de A cooperativa está situada numa região de Estradas precárias dificultam o escoamen- ministrativa e comercial com dois escritório, arma- sócios em seu quadro de cooperados (300 produ- grande produção de cacau; to da produção do cacau dos cooperados; zém e caminhão; tores), a falta de comercialização via cooperativa Recentemente a cooperativa conseguiu Deficiência de assistência técnica; A cooperativa possui uma boa visibilidade e falta de qualquer serviço oferecido pela mesma, quitar suas dívidas junto às instituições financeiras Falta de apoio governamental; na região inclusive já tendo exportado cacau; cerca de apenas 17% destes ainda frequentam as- e as linhas de crédito existentes no mercado po- Dificuldade de acesso ao crédito; Parte dos sócios fundadores ainda mantém sembleias e reuniões; dem se traduzir em boas oportunidades para rees- Deficiência de estrutura produtiva básica aspirações de revitalizar a cooperativa exercendo Boa parte dos sócios se tornaram coopera- truturação da mesma. nas propriedades como cochos, estufas, armazéns papel de liderança junto aos demais cooperados; dos com o objetivo único de buscar financiamen- e balanças. Boa parte dos produtores de cacau coope- tos; rados está situado em propriedades com boa ferti- A cooperativa se encontra descapitalizada lidade do solo; e sem qualquer capital de giro; A cooperativa vem buscando a reorganiza- Parte dos próprios cooperados se tornaram ção do quadro societário; concorrentes da própria cooperativa ao se torna- O quadro societário apresenta um bom ní- rem “atravessadores”, isto é, compram e cacau na vel organizacional com práticas inerentes a doutri- região e revendem ao mercado consumidor de for- na cooperativista fortalecendo assim o associativis- ma individual; mo necessário para consolidação da cooperativa; Algumas operações não exitosas no pas- A diretoria vem buscando se capacitar para sado da cooperativa, como erros de investimento, melhor gerir o empreendimento no que diz respei- levaram ao descrédito da mesma junto aos coope- to à legislação, gestão e planejamento. rados; Deficiência de estrutura produtiva básica nas propriedades como cochos, estufas, armazéns e balanças. COOPERSAME - Cooperativa Mista Regional de Agricultores de Medicilândia. Município: Medicilândia. 64 65
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.1.3 COOPATRANS 5.1.3.1 Socioeconômico Figura 68. Profissão Anterior Figura 69. Escolaridade A pesquisa nos mostra que 67% dos entrevistados são oriundos do campo e tem como única ati- vidade profissional a atuação no meio rural e 33% têm outras experiências profissionais. Figura 66. Tempo na Propriedade Figura 67. Renda Exclusiva da Propriedade Na coopatrans, 100% dos entrevistados relataram estar a mais de 10 anos em suas propriedades. Questionados sobre a formação da renda familiar, 44% relataram ser exclusivamente proporcio- nada pela propriedade e 56% possuem outro complemento de renda. Tabela 17. Configuração de Figura 70. Renda Mensal Familiar Habitantes das Propriedades (Salários Mínimos) Na Coopatrans há a predominância da baixa formação escolar, 45% dos entrevistados possui o COOPATRANS - Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica. Município: Medicilândia. ensino fundamental incompleto, seguido por 33% de pessoas com ensino médio completo, 11% ensino médio completo e 11% com ensino superior completo. 66 67
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Na Coopatrans há frequências muito próximas de faixas salariais, com 34% dos entrevistados 5.1.3.2 Estrutural apresentando renda entre 1 à 3 salários mínimos, 33% entre 4 à 8 salário mínimos e 33% mais de 8 salários mínimos. Figura 73. Condições da Estrada Figura 74. Condições da Estrada no Período Não Chuvoso no Período Chuvoso Figura 71. Vínculo a Programas Sociais Figura 70. Renda Mensal Familiar (Salários Mínimos) Quando perguntados sobre as condições da estrada de acesso as propriedades no período seco, 56% afirmou ser transitável e 44% disse ser boa. 22% dos entrevistados são beneficiados por algum programa social e 78% não se beneficiam des- se complemento de renda. A mão de obra na Coopatrans como nas demais cooperativas investigadas é basicamente familiar, porém observou-se grande frequência de meeiros e temporários. Dentre os entrevistados 89% afirmou contratar mão de obra e 11% não contratam. COOPATRANS - Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica. Figura 75. Forma de Aquisição da Propriedade Município: Medicilândia. 68 69
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região No período chuvoso, 78% informou ser transitável. 11% considera boa e 11% considera ruim. Entre os entrevistados 67% reportou interesse em novas atividades produtivas para suas proprie- dades e 33% não interessam em novas atividades. Tabela 18. Estrutura Básica Tabela 19. Estrutura Produtiva 5.1.3.3 Produtivo Figura 78. Tipo de Produção Tabela 20. Tamanhos Médios de Propriedade, Lavoura de Cacau e Área Produtiva e Produção Anual Na Coopatrans encontramos cooperados com diferentes perfis produtivos. 78% produzem cacau da forma convencional, 11% estão em transição do convencional para orgânico e 11% produzem cacau orgânico. Figura 76. Atividade Principal Figura 77. Interesse em Novas Atividades 100% dos entrevistados relatou ser a cacauicultura sua principal atividade econômica. COOPATRANS - Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica. Município: Medicilândia. 70 71
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 89% relatam insatisfação com o preço praticado pelos atravessadores e 11% estão satisfeitos. 5.1.3.4 Comercialização Figura 81. Satisfação com Preço Pago pela Cooperativa Figura 79. Forma de Comercialização Figura 80. Satisfação com Preço Pago pelo Atravessador 100% dos entrevistados relatam insatisfação com preço praticado pela cooperativa. A forma de comercialização utilizada pelos entrevistados na COOPATRANS: 95% comercializam 5.1.3.5 Crédito e Financiamento aos atravessadores e 5% comercializam para a cooperativa, pois a fabrica da Coopatrans a CACAUWAY ainda não absorve a produção dê seus cooperados. Tabela 22. Percentual de Acesso a Crédito e Financiamento Tabela 21. Média de Preços Pagos COOPATRANS - Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica. Município: Medicilândia. 72 73
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Os cooperados da Coopatrans têm elevado índice de acesso ao crédito 88,89%, destes 66,67% Verificamos alto índice de satisfação com a cooperativa 87,50%. A principal motivação para inte- possuem crédito em aberto e 88,89% gostariam de acessar novos financiamentos. O Banco do Brasil atra- grar a cooperativa é o acesso ao mercado para 67% dos entrevistados, seguida de visibilidade e organiza- vés do PRonaf é o principal agente de crédito entre os entrevistados na Coopatrans. ção para 33%. Tabela 23. Instituição de Crédito 5.1.3.6 Organização e Apoio de ATER Figura 83. Apoio de ATER Perguntados sobre assistência técnica, 56% relatam não receber apoio de assistência técnica e 44% recebem. Tabela 24. Cargo na Cooperativa e Nível de Figura 82. Motivação de Entrada na Cooperativa Satisfação com a Cooperativa COOPATRANS - Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica. Município: Medicilândia. 74 75
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Ameaças Oportunidades 5.1.3.7 Matriz F.O.F.A. Existe a dificuldade de acesso ao crédito A cooperativa está localizada no município para viabilização dos novos projetos de ampliação de maior produção de cacau do país e que vem Fortalezas uma boa qualificação para manipulação dos pro- do empreendimento; apresentando elevação na qualidade na oferta de Possui estrutura agroindustrial que possi- dutos; É necessário um melhor fortalecimento amêndoas por parte dos produtores; bilita a verticalização da cadeia produtiva do cacau Possui seu quadro de associados atuante; para enfrentar a concorrência existente no merca- O mercado local se mostrou atraente para a através de um mix de produtos fabricados atual- O quadro societário apresenta um bom ní- do de chocolate; comercialização dos produtos fabricados e menos mente; vel organizacional com práticas inerentes a doutri- Os cooperados ressentem de apoio de as- existente outros mercados consumidores e com A indústria capacidade para fabricação de na cooperativista fortalecendo assim o associativis- sistência técnica. potencial de expansão; 200 kg/dia de chocolate como produto final ou mo necessário para consolidação da cooperativa; A cooperativa vem conseguindo maior 400 kg/dia de massa de cacau para comercializa- A diretoria vem buscando se capacitar para visibilidade junto ao poder público e sediou re- ção com o mercado de beneficiamento; melhor gerir o empreendimento no que diz respei- centemente um evento com a presença de repre- A cooperativa já possui uma marca própria to à legislação, gestão e planejamento. sentantes da OCB/PA e do DENACOOP ligado ao Mi- (CACAWAY) que vem sendo difundida crescente- nistério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento mente no mercado; que gerou a formação de Comitê que discutirá for- Parte da produção dos produtos é comer- Fraquezas mas de apoio e fortalecimento às suas atividades. cializada em três lojas da própria cooperativa nos A cooperativa necessita urgentemente da municípios de Medicilândia e Altamira; ampliação de sua capacidade produtiva da agroin- A cooperativa possui um planejamento dústria para garantir a viabilidade do empreendi- bem delineado para expansão de sua capacidade mento; industrial e de novas lojas que permitirá a elevação Há a necessidade urgente de captação de da comercialização direta ao consumidor final e di- recurso para capital de giro; fusão da marca Cacauway; A diretoria ainda se mostra com pouca ex- Existe um plano de diversificação dos pro- periência para lidar com o mercado dos produtos dutos derivados de cacau possibilitando a viabili- oriundos do cacau; zação da utilização de subprodutos além da amên- Deficiência de estrutura produtiva básica doa elevando assim a lucratividade; nas propriedades como cochos, estufas, armazéns O quadro funcional da indústria já possui e balanças. COOPATRANS - Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica. Município: Medicilândia. 76 77
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2 Cooperativas de produção orgânica 5.2.1 COPOAM 5.2.1.1 Socioeconômico Figura 86. Profissão Anterior Figura 87. Escolaridade Na Copoam há predominância da origem rural e 100% dos entrevistados não possuem outra ex- periência profissional, tendo trabalhado exclusivamente no campo. 50% dos entrevistados na COPOAM possuem ensino médio incompleto, seguido por 33% com ensino fundamental incompleto e 17% com ensino médio completo. Figura 84. Tempo na Propriedade Figura 85. Renda Exclusiva da Propriedade O tempo de permanência na propriedade é superior a 10 anos em 100%.dos entrevistados na COPOAM. 83% relatam ter renda exclusivamente propiciada pela propriedade e 17% possuem outro com- plemento de renda. Tabela 25. Configuração de Habitantes das Propriedades COOPOAM - Cooperativa de Produtores Orgânicos da Amazônia. Município: Medicilândia. 78 79
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2.1.2 Estrutural Figura 88. Renda Mensal Familiar Figura 89. Vínculo a Programas Sociais (Salários Mínimos) 100% dos entrevistado relatam não receber benefício de programas sociais. Figura 91. Condições da Estrada no Figura 93. Forma de Aquisição da Propriedade Período Não Chuvoso Sobre as condições da estrada no período seco 67% relatou ser boa e 33% ser transitável. No perído chuvoso 50% afirmou que as estradas são transitáveis, 33% relatou ser ruim e 17% con- sidera boa. Figura 90. Contratação de Mão de Obra A contratação de mão de obra na Copoam é mais comum no período de safra, na forma de mão de obra temporária. 83% contratam mão de obra e 17% não contratam. COOPOAM - Cooperativa de Produtores Orgânicos da Amazônia. Município: Medicilândia. 80 81
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2.1.3 Produtivo Figura 93. Forma de Aquisição da Propriedade Tabela 27. Estrutura Produtiva Figura 94. Atividade Principal Figura 95. Interesse em Novas Atividades Entre os cooperados da Copoam o cacau é a principal atividade produtiva para 83% dos entrevis- tados e 17% têm a pecuária como principal atividade produtiva. 100% dos entrevistados têm interesse em investir em uma nova atividade produtiva (diversifica- ção) em sua propriedade. Tabela 26. Estrutura Básica COOPOAM - Cooperativa de Produtores Orgânicos da Amazônia. Município: Medicilândia. 82 83
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2.1.4 Comercialização Tabela 28. Tamanhos Médios de Propriedade, Figura 96. Tipo de Produção Lavoura de Cacau e Área Produtiva e Produção Anual Figura 97. Forma de Comercialização Tabela 29. Média de Preços Pagos A produção de cacau na copoam é predominantemente orgânica 83% dos casos entrevistados e 17% encontram-se em transição do convencional para o orgânico. Na Copoam notamos elevado índice de comercialização através da cooperativa: 75% comercializa para a cooperativa e 25% comercializa para o atravessador. COOPOAM - Cooperativa de Produtores Orgânicos da Amazônia. Município: Medicilândia. 84 85
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Tabela 31. Instituição de Crédito Quando questionados sobre crédito e financiamento: 66,67% relatam possuir financiamento, 50% acredita ser difícil obter crédito e 83,33% têm interesse em obter financiamento pata investir em suas propriedades. O Banco do Brasil é o principal financiador entre os cooperados da COPOAM através do Figura 98. Satisfação com Preço Figura 99. Satisfação com Preço PROnaf e Mais alimentos. Pago pelo Atravessador Pago pela Cooperativa 5.2.1.6 Organização e Apoio de ATER 100% está insatisfeito com o preço praticado pelo atravessador. 100% dos entrevistados está satisfeito com o preço praticado pela cooperativa. 5.2.1.5 Crédito e Financiamento Tabela 32. Cargo na Cooperativa e Nível Figura 100. Motivação de Entrada na Cooperativa de Satisfação com a Cooperativa Tabela 30. Percentual de Acesso a Crédito e Financiamento Sobre o papel da cooperativa e sua motivação para ingressá-la, 50% relatou buscar acesso ao mercado e 50% procuram visibilidade e organização. 100% dos entrevistados relatam satisfação com o trabalho da cooperativa. COOPOAM - Cooperativa de Produtores Orgânicos da Amazônia. Município: Medicilândia. 86 87
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Fraquezas Necessidade de maior conhecimento téc- Deficiência de procedimentos de gestão nico para produção de cacau de qualidade; e planejamento na cooperativa que por sua vez Não possui uma sede própria o que tem di- possui inúmeros entraves burocráticos a serem ficultado as ações comerciais da cooperativa; trabalhados diante das exigências para se mante- Deficiência de estrutura produtiva básica rem certificados como produtores orgânicos bem nas propriedades como cochos, estufas, armazéns como para o selo de mercado justo; e balanças. Falta de conhecimento em contabilidade, o que vem causando diversos problemas para o an- Figura 101. Apoio de ATER damento comercial da cooperativa; Falta de capital de giro para que se possa Questionados sobre o apoio de assistência técnica, 100% dos entrevistados informou não receber absorver maior quantidade de produção dos coo- assistência técnica. perados em relação aos atravessadores; 5.2.1.7 Matriz F.O.F.A. Oportunidades Ameaças Existe mercado garantido tanto nacional Falta de assistência técnica para especiali- Fortalezas A diretoria apresenta boa experiência em quanto internacional, existindo demanda superior zação na produção orgânica; A maior parte dos cooperados possui selo relação a produção orgânica bem como na busca a oferta de amêndoa pela cooperativa Falta de capacitações para que se de produção orgânica e mercado justo; pela melhoria da qualidade produtiva; Parcerias com importantes órgãos e insti- possa ampliar os conhecimentos acerca das exi- O quadro de cooperados vem se mantendo O quadro societário apresenta um bom ní- tuições como CEPLAC, FVPP e gências para certificação orgânica; integrado e exercendo a doutrina cooperativista vel organizacional com práticas inerentes a doutri- GIZ; Falta de acesso ao crédito; inclusive com envolvimento das famílias dos só- na cooperativista fortalecendo assim o associativis- A cooperativa vem recebendo convites Falta de transferências de tecnologias que cios em pro da cooperativa; mo necessário para consolidação da cooperativa; para missões internacionais voltadas para o ramo, permitam a ampliação das lavouras de cacau no Os jovens da cooperativa já estão se mobi- A diretoria vem buscando se capacitar para elevando assim a experiência dos representantes. sistema de produção orgânica. lizando e se integrando com as ações da coopera- melhor gerir o empreendimento no que diz respei- tiva fortalecendo assim a continuidade das ações to à legislação, gestão e planejamento. comerciais; O trabalho da cooperativa já obtém reco- nhecimento regional, nacional e internacional; COOPOAM - Cooperativa de Produtores Orgânicos da Amazônia. Município: Medicilândia. 88 89
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2.2 COOPCAO 5.2.2.1 Socioeconômico Figura 70. Renda Mensal Familiar (Salários Mínimos) Figura 105. Escolaridade Na COOPCAO, apesar da existência de produtores que atuaram ou ainda atual em outras ativida- Figura 102. Tempo na Propriedade Figura 103. Renda Exclusiva da Propriedade des, a predominância ainda é de indivíduos com atividade profissional estritamente rural, 64%. A pesquisa mostrou o predomínio de cooperados com baixa escolaridade (ensino fundamental O baixo dinamismo socioeconômico na área rural da região é comprovado pelo tempo em que incompleto). Porém, o percentual de pessoas com o ensino médio completo é significativo. Abrindo ca- os produtores estão fixados nas propriedades. 82% dos produtores estão com mais de 10 anos em suas minho para a qualificação dessas pessoas. propriedades. Com a predominância de homens à frente das propriedades e 55% dos cooperados têm sua renda exclusivamente gerada pela propriedade. Tabela 33. Configuração de Habitantes das Propriedades COOPCAO - Cooperativa de Produtores de Cacau Orgânico. Município: Pacajá. 90 91
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região A média de moradores na propriedade é de 6,09 pessoas configuradas em sistema integral fami- 5.2.2.2 Estrutural liar, sendo 4 o número médio de indivíduos envolvidos na atividade produtiva. Figura 106. Renda Mensal Familiar (Salários Mínimos) Figura 107. Vínculo a Programas Sociais Figura 109. Condições da Estrada Figura 110. Condições da Estrada no Período Não Chuvoso no Período Chuvoso As condições das estradas de acesso às propriedades no período menos chuvoso foi avaliada na maioria das opiniões como transitável (regular) a boa pela maioria dos entrevistados. No período chuvo- so para 82% dos entrevistados as condições da estrada são insatisfatórias, sendo classificada como ruim. Figura 70. Renda Mensal Familiar (Salários Mínimos) Cinquenta e seis por cento dos entrevistados percebem até três salários mínimos, 33% de quatro a oito salários mínimos e 11% mais de oito salários mínimos. Podemos verificar que 36% das famílias de produtores têm vínculo com algum programa social do governo, tais como Bolsa Escola e Bolsa Família. É salutar destacar que 91% dos entrevistados contratam mão de obra seja de forma permanente ou tem- porária. COOPCAO - Cooperativa de Produtores de Cacau Orgânico. Município: Pacajá. 92 93
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Quanto à estrutura básica, 90,91% dos entrevistados possuem energia elétrica. A TV é o principal veículo de comunicação presente em 90,91% das propriedades e apenas 45,45% das casas possuem ba- nheiro em alvenaria. Figura 111. Forma de Aquisição da Propriedade Tabela 35. Estrutura Produtiva Oitenta e dois por cento dos entrevistados adquiriram a propriedade por meio de compra, 9% por herança e 9% contemplados por programa de reforma agrária. Em relação à estrutura produtiva, 81,82% das propriedades possuem cocho e 81,82% utilizam estufa, porém em apenas 27,27% destas é possível encontrar balança. Tabela 34. Estrutura Básica COOPCAO - Cooperativa de Produtores de Cacau Orgânico. Município: Pacajá. 94 95
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2.2.3 Produtivo Figura 114. Tipo de Produção Tabela 36. Tamanhos Médios de Propriedade, Lavoura de Cacau e Área Produtiva e Produção Anual Todos os produtores entrevistados na COOPCAO estão utilizando a metodologia de produção Figura 70. Renda Mensal Familiar (Salários Mínimos) Figura 113. Interesse em Novas Atividades orgânica do cacau. O tamanho médio das propriedades é de 88,27 ha e o tamanho da lavora é em média de 19,72ha. Todos os entrevistados na COOPCAO tem o cacau como principal atividade econômica e 67% destes apresentam interesse em novas atividades produtivas. COOPCAO - Cooperativa de Produtores de Cacau Orgânico. Município: Pacajá. 96 97
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2.2.4 Comercialização 5.2.2.5 Crédito e Financiamento Tabela 38. Percentual de Acesso a Crédito e Financiamento Figura 115. Forma de Comercialização Tabela 37. Média de Preços Pagos Quarenta e sete por cento da produção é comercializada através da cooperativa. Os preços mé- dios pagos são R$6,88 e R$ 4,32 respectivamente pela cooperativa e pelos atravessadores, sendo que 100% dos entrevistados não estão satisfeitos com o valor pago pelo atravessador. Figura 70. Renda Mensal Familiar (Salários Mínimos) O percentual de cooperados que já tiveram acesso a financiamento é de 64,64%, mesma taxa em relação a financiamentos em aberto. 90,91% dos entrevistados apresentam interesse em adquirir um novo financiamento. Figura 117. Satisfação com Figura 116. Satisfação com Preço COOPCAO - Cooperativa de Produtores de Cacau Orgânico. Preço Pago pela Cooperativa Pago pelo Atravessador Município: Pacajá. 98 99
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2.2.6 Organização e Apoio de ATER A CEPLAC é a responsável por ações de ATER em 45% das propriedades dos entrevistados sendo que 55% não possuem qualquer tipo de apoio desta natureza. 5.2.2.7 Matriz F.O.F.A. Fortalezas Fraquezas Está em fase de implementação de uma Deficiência de procedimentos de gestão agroindústria de beneficiamento de babaçu em e planejamento na cooperativa que, por sua vez, parceria com a Natura Cosméticos, permitindo as- possui inúmeros entraves burocráticos a serem tra- sim a diversificação de receitas com outro tipo de balhados diante das exigências para que se man- Tabela 40. Cargo na Cooperativa e Nível de Satisfação com a Cooperativa produção que não a cacaueira; tenham certificados como produtores orgânicos; Possui plano de triturar a amêndoa do ca- Falta de conhecimento em contabilidade, o Sessenta e quatro por cento dos cooperados ouvidos tiveram a busca por acesso ao mercado cau a partir do maquinário que será implantado que vem causando diversos problemas para o an- como motivação para entrar na cooperativa e 36% por maior visibilidade e nível organizacional. 54,55% para beneficiamento de babaçu, processando as- damento comercial da cooperativa; destes estão satisfeitos com a cooperativa. sim a manteiga do cacau, verticalizando a cadeia Não possui uma sede própria o que tem di- produtiva; ficultado as ações comerciais da cooperativa; Boa parte dos cooperados estão certifica- Necessita de ampliação do número de só- dos como produtores orgânicos o que permite a cios cooperados para elevar a escala produtiva; comercialização em um nicho de mercado com Muitos dos cooperados ainda não domi- preços mais atraentes; nam a técnica de produção orgânica; O quadro societário apresenta um bom ní- Existem muitos sócios desestimulados de- vel organizacional com práticas inerentes a doutri- vido as dificuldades para certificação de produção na cooperativista fortalecendo assim o associativis- orgânica e a demora no pagamento pelo produto mo necessário para consolidação da cooperativa; vendido pela cooperativa; A diretoria vem buscando se capacitar para Falta de capital de giro; Figura 118. Motivação de Entrada na Cooperativa Figura 119. Apoio de ATER melhor gerir o empreendimento no que diz respei- Deficiência de estrutura produtiva básica to à legislação, gestão e planejamento. nas propriedades como cochos, estufas, armazéns COOPCAO - Cooperativa de Produtores de Cacau Orgânico. e balanças. Município: Pacajá. 100 101
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Oportunidades Ameaças Possui importantes parcerias de apoio Falta de assistência técnica para especiali- 5.2.3 COPOXIN como Fundação Viver Produzir e Preservar, GIZ e zação na produção orgânica; 5.2.3.1 Socioeconômico CEPLAC; Falta de capacitações para que se Possui prática de intercooperação junto às possa ampliar os conhecimentos acerca das exi- demais cooperativas de produção orgânica de ca- gências para certificação orgânica; cau na região; Falta de acesso ao crédito; Há demandas de mercado ainda não ex- plorada como mercado justo. O preço de mercado ainda não agrada ao produtor; Boa parte dos produtores estão localizados em estradas e vicinais que apresentam condições precárias dificultando o escoamento da produção; Figura 120. Tempo na Propriedade Figura 121. Renda Exclusiva da Propriedade Falta de transferências de tecnologias que O estudo apresentou a taxa de 80% de cooperados que exploram a propriedade há mais de 10 permitam a ampliação das lavouras de cacau no anos e os outros 20% entre cinco e 10 anos. sistema de produção orgânica. COOPCAO - Cooperativa de Produtores de Cacau Orgânico. COOPOXIN - Cooperativa de Produtores Orgânicos do Xingu. Município: Pacajá. Município: Brasil Novo. 102 103
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região A média de pessoas residentes nas propriedades de produção cacaueira da COPOXIN é de sete pessoas sendo que metade destas trabalha na propriedade segundo o diagnóstico. Figura 121. Renda Exclusiva da Propriedade Figura 123. Escolaridade Metade dos entrevistados tem a propriedade como única fonte de renda e 90% destes sempre Figura 124. Renda Mensal Familiar (Salários Mínimos) Figura 125. Vínculo a Programas Sociais atuaram em atividades produtivas rurais. Tabela 41. Configuração de Habitantes das Propriedades Quarenta por cento dos produtores ouvidos possuem o ensino fundamental incompleto, 10% são analfabetos e 30% concluíram o ensino médio. Figura 126. Contratação de Mão de Obra COOPOXIN - Cooperativa de Produtores Orgânicos do Xingu. Município: Brasil Novo. 104 105
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Todos os entrevistados relataram como renda mensal familiar o recebimento de até três salários mínimos, 40% possui vínculo a programas sociais e 80% contratam mão de obra de forma permanente ou temporária. 5.2.3.2 Estrutural Figura 129. Forma de Aquisição da Propriedade Tabela 42. Estrutura Básica Noventa por cento das propriedades foram adquiridas por meio de compra e 10% foram contem- plados por programa de reforma agrária. Quanto à estrutura básica, 60% das propriedades apresentam energia elétrica, 80% dos coope- rados possuem rádio como meio de comunicação e 70% possuem TV. Apenas 40% têm banheiro em Figura 127. Condições da Estrada Figura 128. Condições da Estrada alvenaria. no Período Não Chuvoso no Período Chuvoso As condições das estradas foram classificadas como transitáveis pela maioria dos cooperados ou- vidos no período não chuvoso. Porém, no período chuvoso, 90% dos cooperados citam como apresen- tando condições ruins de trafegabilidade. Tabela 43. Estrutura Produtiva Os cooperados entrevistados apresentaram deficiência de estrutura produtiva. Nenhum deles possui barcaça, secador ou balança e apenas 30% possuem cocho, mesmo percentual de produtores que COOPOXIN - Cooperativa de Produtores Orgânicos do Xingu. utilizam estufa no processo produtivo. Município: Brasil Novo. 106 107
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2.3.3 Produtivo Figura 132. Tipo de Produção Tabela 44. Tamanhos Médios de Propriedade, Lavoura de Cacau e Área Produtiva e Produção Anual A maioria dos entrevistados na COPOXIN já estão certificados como produtores orgânicos, 10% Figura 130. Atividade Principal Figura 131. Interesse em Novas Atividades estão em processo de transição e outros 10% iniciaram suas atividades junto à cooperativa recentemente, porém planejam a adoção do sistema orgânico de cultivo. O tamanho médio das propriedades é de 28,64 Noventa por cento dos entrevistados têm na cacauicultura sua principal atividade econômica e ha e a produção anual média é de 5,11 t. 80% apresentam interesse em iniciar novas atividades na propriedade. COOPOXIN - Cooperativa de Produtores Orgânicos do Xingu. Município: Brasil Novo. 108 109
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2.3.4 Comercialização A forma de comercialização ainda é predominantemente para atravessadores e 16% para a coo- perativa. Os preços médios pagos são de R$ 4,31 e R$ 6,70 respectivamente para atravessador e coopera- tiva, sendo que todos os entrevistados apresentam insatisfação quanto ao valor pago pelo atravessador. 5.2.3.5 Crédito e Financiamento Figura 133. Forma de Comercialização Tabela 45. Média de Preços Pagos Tabela 46. Percentual de Acesso a Crédito e Financiamento Tabela 47. Instituição de Crédito O percentual de acesso ao crédito na COPOXIN é relativamente baixo uma vez que 70% dos coo- perados nunca tiveram acesso a financiamento e 88,89% destes relatam dificuldade de acesso ao crédito, Figura 134. Satisfação com Preço Figura 135. Satisfação com Preço relatando a burocracia como principal entrave e 80% manifestaram interesse em adquirir. Pago pelo Atravessador Pago pela Cooperativa COOPOXIN - Cooperativa de Produtores Orgânicos do Xingu. Município: Brasil Novo. 110 111
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2.3.6 Organização e Apoio de ATER Setenta por cento dos entrevistados não possuem qualquer tipo de apoio de ATER e 30% vem recebendo acessória da CEPLAC. 5.2.3.7 Matriz F.O.F.A. Fortalezas Fraquezas Boa parte dos cooperados estão certifica- Deficiência de procedimentos de gestão dos como produtores orgânicos o que permite a e planejamento na cooperativa que por sua vez comercialização em um nicho de mercado com possui inúmeros entraves burocráticos a serem preços mais atraentes; trabalhados diante das exigências para se mante- O quadro societário apresenta um bom ní- rem certificados como produtores orgânicos bem Figura 136. Motivação de Entrada na Cooperativa Tabela 48. Cargo na Cooperativa e vel organizacional com práticas inerentes a doutri- como para o selo de mercado justo; Nível de Satisfação com a Cooperativa na cooperativista fortalecendo assim o associativis- Falta de conhecimento em contabilidade, o mo necessário para consolidação da cooperativa; que vem causando diversos problemas para o an- Setenta por cento dos entrevistados se mostraram satisfeitos com a cooperativa e suas ações co- A diretoria vem buscando se capacitar para damento comercial da cooperativa; merciais sendo que 44% dos ouvidos buscaram o cooperativismo por melhores condições de acesso ao melhor gerir o empreendimento no que diz respei- Não possui uma sede própria o que tem di- mercado, enquanto que 56% foram motivados pela maior visibilidade e organização. to à legislação, gestão e planejamento. ficultado as ações comerciais da cooperativa; Necessita de ampliação do número de só- cios cooperados para elevar a escala produtiva sendo que apenas há apenas 13 propriedades es- tão produzindo cacau diante do quadro de 20 coo- perados; Muitos dos cooperados ainda não domi- nam a técnica de produção orgânica; Falta de capital de giro; Deficiência de estrutura produtiva básica Figura 137. Apoio de ATER nas propriedades como cochos, estufas, armazéns e balanças. COOPOXIN - Cooperativa de Produtores Orgânicos do Xingu. Município: Brasil Novo. 112 113
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Oportunidades Ameaças 5.2.4 COPOBOM Possui importantes parcerias de apoio Falta de assistência técnica para especiali- 5.2.4.1 Socioeconômico como Fundação Viver Produzir e Preservar, GIZ e zação na produção orgânica; CEPLAC; Falta de capacitações para que se Possui prática de intercooperação junto as possa ampliar os conhecimentos acerca das exi- demais cooperativas de produção orgânica de ca- gências para certificação orgânica; cau na região; Falta de acesso ao crédito; Falta de transferências de tecnologias que permitam a ampliação das lavouras de cacau no sistema de produção orgânica; Deficiência de estrutura produtiva básica nas propriedades como cochos, estufas, armazéns e balanças. Figura 138. Tempo na Propriedade Figura 139. Renda Exclusiva da Propriedade Dentre os cooperados pesquisados 67% estão entre cinco a 10 anos na propriedade, 25% estão a mais de 10 anos e 11% há até cinco anos. Em relação à renda 89% dos cooperados da COPOBOM negaram obter renda gerada exclusiva- mente na propriedade. COOPOXIN - Cooperativa de Produtores Orgânicos do Xingu. COPOBOM - Cooperativa de Produtores Orgânicos de Bom Jesus. Município: Brasil Novo. Município: Anapu. 114 115
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Dos entrevistados, 78% afirmaram possuir profissão anterior na atividade rural e 22% em outros ramos. Figura 142. Renda Mensal Familiar (Salários Mínimos) Figura 143. Vínculo a Programas Sociais Figura 140. Profissão Anterior Figura 141. Escolaridade Os entrevistados, em 89% dos casos, possuem renda familiar mensal de até três salários mínimos Quanto à escolaridade, 11% informaram possuir ensino médio incompleto, 78% ensino funda- e 11% possuem renda familiar mensal de quatro a oito salários mínimos. mental incompleto e 11% analfabetos. Dos cooperados pesquisados, 56% afirmaram possuir vínculo com programas sociais. Tabela 49. Configuração de Habitantes das Propriedades Quanto à moradia, os cooperados da COPOBOM estão configurados em uma faixa de 3,11 pessoas por propriedade, e integrando, em sua totalidade, à estrutura familiar, havendo uma média de 1,89 que traba- lham na propriedade e um número médio de 0,50 dos que trabalham fora da propriedade. COPOBOM - Cooperativa de Produtores Orgânicos de Bom Jesus. Município: Anapu. 116 117
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Dos pesquisados, 78% classificaram a estrada como transitável no período não chuvoso e 22% como em boas condições. Figura 144. Contratação de Mão de Obra Em relação à contratação de mão de obra (permanente ou temporária), 67% dos entrevistados responderam “sim” e 33% “não”. Figura 146. Condições da Estrada no Período Chuvoso Figura 147. Forma de Aquisição da Propriedade 5.2.4.2 Estrutural Em relação ao período não chuvoso, 89% dos cooperados entrevistados afirmaram que a estrada possui condições ruins e apenas 11% classificaram a estrada como em boas condições. A forma de aquisição mais comum das propriedades dos cooperados da COPOBOM foi por meio da compra; seguida pela reforma agrária e, em minoria, por meio de herança. Figura 145. Condições da Estrada no Período Não Chuvoso COPOBOM - Cooperativa de Produtores Orgânicos de Bom Jesus. Município: Anapu. 118 119
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Nenhum dos entrevistados possui energia elétrica, internet e banheiro em alvenaria, 66,67% tem A principal atividade dos cooperados perguntados é o cultivo do cacau. fogão a gás, 44,44% possuem rádio e geladeira e 22,22% tem TV, filtro de água e parabólica. A partir dos dados apresentados nota-se a presença de interesse em novas atividades por parte dos entrevistados. O tipo de produção predominante na COPOBOM é a orgânica. Tabela 50. Estrutura Básica Figura 121. Renda Exclusiva da Propriedade Os cooperados em sua totalidade não possuem armazém e balança, 11,11% tem cocho, barcaça e secador e 22,22% possuem estufa. Figura 150. Tipo de Produção Tabela 52. Tamanhos Médios de Propriedade, Lavoura de Cacau e Área Produtiva e Produção Anual 5.2.4.3 Produtivo As propriedades dos cooperados possuem uma faixa de 71,67 ha, sendo cerca de 8,22ha. destina- dos à lavoura de cacau, desta uma base de 3,72ha sendo produtiva, gerando uma média de 2,33 tonela- das de cacau ao ano. Figura 148. Atividade Principal Figura 149. Interesse em Novas Atividades COPOBOM - Cooperativa de Produtores Orgânicos de Bom Jesus. Município: Anapu. 120 121
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2.4.4 Comercialização Figura 152. Satisfação com Preço Figura 153. Satisfação com Preço Pago pelo Atravessador Pago pela Cooperativa Todos os entrevistados se mostraram insatisfeitos com o valor pago pelo atravessador. Figura 151. Forma de Comercialização Figura 121. Renda Exclusiva da Propriedade Quanto à satisfação com o valor pago pela cooperativa 100% afirmaram estar satisfeitos. A forma de comercialização, em 63% dos casos, é efetivada para atravessador e em 37% pela cooperativa. 5.2.4.5 Crédito e Financiamento O quilo do cacau é vendido a uma média de R$4,57 para o atravessador e por cerca de R$7,11 para a cooperativa. Tabela 54. Percentual de Acesso a Crédito e Financiamento COPOBOM - Cooperativa de Produtores Orgânicos de Bom Jesus. Município: Anapu. 122 123
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 124 125
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Todos os entrevistados afirmaram possuir dificuldade de acesso ao crédito; 88,89% afirmam ter Para 62% dos cooperados, o motivo para os mesmos entrarem, na cooperativa, foi o acesso ao interesse em adquirir outro financiamento e 44,44% possuem acesso a financiamento e financiamento mercado. em aberto. Tabela 55. Instituição de Crédito Em relação à instituição de crédito 55,56% não tem acesso a financiamento e 22,22% possui aces- Figura 154. Motivação de Entrada na Cooperativa Figura 155. Apoio de ATER so através do Banco do Brasil e do Banco da Amazônia. Em relação ao apoio de ATER, 45% não possuem apoio, 33% possuem apoio da CEPLAC e 22% 5.2.4.6 Organização e Apoio de ATER apoio de CEPLAC e EMATER. Tabela 56. Cargo na Cooperativa e Nível de Satisfação com a Cooperativa Por meio da pesquisa, nota-se que 66,67% dos entrevistados possuem cargo na cooperativa, des- tes 88,89% estão satisfeitos. COPOBOM - Cooperativa de Produtores Orgânicos de Bom Jesus. Município: Anapu. 126 127
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2.4.7 Matriz F.O.F.A. Fortalezas Fraquezas Oportunidades Ameaças Boa parte dos cooperados estão certifica- Deficiência de procedimentos de gestão e Possui importantes parcerias de apoio Falta de assistência técnica para especiali- dos como produtores orgânicos o que permite a planejamento na cooperativa que por sua vez pos- como Fundação Viver Produzir e Preservar, GIZ e zação na produção orgânica; comercialização em um nicho de mercado com sui inúmeros entraves burocráticos a serem traba- CEPLAC; Falta de capacitações para que se preços mais atraentes; lhados diante das exigências para se manterem Possui prática de intercooperação junto às possa ampliar os conhecimentos acerca das exi- O quadro societário apresenta um bom ní- certificados como produtores orgânicos; demais cooperativas de produção orgânica de ca- gências para certificação orgânica; vel organizacional com práticas inerentes a doutri- Falta de conhecimento em contabilidade, o cau na região; Falta de acesso ao crédito; na cooperativista fortalecendo assim o associativis- que vem causando diversos problemas para o an- Falta de transferências de tecnologias que mo necessário para consolidação da cooperativa; damento comercial da cooperativa; permitam a ampliação das lavouras de cacau no A diretoria vem buscando se capacitar para Não possui uma sede própria o que tem di- sistema de produção orgânica. melhor gerir o empreendimento no que diz respei- ficultado as ações comerciais da cooperativa; Deficiência de estrutura produtiva básica to à legislação, gestão e planejamento. Necessita de ampliação do número de só- nas propriedades como cochos, estufas, armazéns cios cooperados para elevar a escala produtiva; e balança; Muitos dos cooperados ainda não domi- Dificuldades com comunicação uma vez nam a técnica de produção orgânica; que existe cobertura de nenhuma operadora de Falta de capital de giro; telefonia fixa ou móvel na região; Deiciência de estrutura produtiva básica As estradas e vicinais onde se encontram as nas propriedades como cochos, estufas, armazéns propriedades apresentam condições precárias. e balanças. COPOBOM - Cooperativa de Produtores Orgânicos de Bom Jesus. Município: Anapu. 128 129
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2.5 COPOTRAN 5.2.5.1 Socioeconômico Figura 158. Profissão Anterior Figura 159. Escolaridade Figura 156. Tempo na Propriedade Figura 157. Renda Exclusiva da Propriedade Dos cooperados entrevistados, 80% possuíam como profissão anterior a atividade rural, enquanto 20% trabalhavam em outros ramos. Por meio da pesquisa, observa-se que 53% dos cooperados analisados encontram-se no lote há Quanto ao grau de escolaridade, 6% dos cooperados pesquisados declararam-se analfabetos, mais de 10 anos, 27% ocupam o lote entre 5 a 10 anos e 20% até cinco anos.’ 87% como possuindo o ensino fundamental incompleto e 7% obtendo o ensino médio completo. Com relação à sua renda ser gerada exclusivamente a partir da propriedade, 60% responderam “sim” e 40% responderam “não”. Tabela 57. Configuração de Habitantes das Propriedades COPOTRAN - Cooperativa de Produtores Orgânicos da Transamazônica. Município: Vitória do Xingu. 130 131
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região COPOTRAN - Cooperativa de Produtores Orgânicos da Transamazônica. Município: Vitória do Xingu. 132 133
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Levando em consideração o número de habitantes por propriedade, nota-se que, em média, mo- ram 4,93 pessoas nestas, integrando na sua totalidade a estrutura familiar; destes cerca de 3,13 trabalham na propriedade e apenas 0,25 é a média dos que trabalham fora da propriedade. Em relação à renda mensal familiar, 93% recebem até 3 salários mínimos e 7% recebem de 4 a 8 salários mínimos. Figura 162. Contratação de Mão de Obra Com relação à contratação de mão de obra, 60% responderam “sim” e 40% “não”. 5.2.5.2 Estrutural Figura 161. Vínculo a Programas Sociais Figura 160. Renda Mensal Familiar (Salários Mínimos) Tratando-se de vínculo com programas sociais, 60% dos entrevistados afirmaram possuir vinculo e 40% negaram vinculo. Figura 163. Condições da Estrada no Período Não Chuvoso Com base na pesquisa, observa-se que as condições da estrada no período não chuvoso para 53% dos entrevistados é boa e para 47% a estrada é transitável. COPOTRAN - Cooperativa de Produtores Orgânicos da Transamazônica. Município: Vitória do Xingu. 134 135
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região De acordo com 60% dos cooperados envolvidos na pesquisa a propriedade foi comprada, 33% herdaram a propriedade e 7% obtiveram através de reforma agrária. Com relação à estrutura básica, observa-se que apenas 13,33% têm energia elétrica; 80% possuem rádio; 46,67% têm TV; 100% possuem internet; 20% têm geladeira; 93,33% possuem fogão à gás; 33,33% tem filtro de água, nenhum dos entrevistados possui banheiro em alvenaria e 53,33% possui parabólica. Figura 164. Condições da Estrada Figura 165. Forma de Aquisição da Propriedade no Período Chuvoso Ao serem questionados sobre as condições de estrada no período chuvoso, 67% dos entrevista- dos classificaram como ruins condições, 20% como transitável e 13% como boa. Tabela 59. Estrutura Produtiva Quanto à estrutura produtiva 20% dos entrevistados fazem uso de barcaça, 20% utilizam estufa, 13,33 possuem secador, 6,67% tem armazém e nenhum dos cooperados da COPOTRAN possui balança. Tabela 58. Estrutura Básica COPOTRAN - Cooperativa de Produtores Orgânicos da Transamazônica. Município: Vitória do Xingu. 136 137
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2.5.3 Produtivo Todos os entrevistados possuem como atividade principal a cultura do cacau. Figura 168. Tipo de Produção Tabela 60. Tamanhos Médios de Propriedade, Lavoura de Cacau e Área Produtiva e Produção Anual Figura 167. Interesse em Novas Atividades Figura 166. Atividade Principal Em relação ao tipo de produção, 33% dos entrevistados praticam produção convencional, 13% estão em processo transitório do método convencional de cultivo para o orgânico e 54% praticam pro- Ao serem questionados sobre interesse em novas atividades, 80% dos cooperados afirmaram in- dução orgânica. teresse e 20% negaram interesse. As propriedades dos cooperados possuem em média 41,87ha, sendo cerca de 5,14 ha destinados a lavoura de cacau, desta uma faixa de 3,61ha sendo produtiva, gerando uma base de 211,03 toneladas de cacau ao ano. COPOTRAN - Cooperativa de Produtores Orgânicos da Transamazônica. Município: Vitória do Xingu. 138 139
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2.5.4 Comercialização O quilo do cacau é vendido em média a R$4,28 pelo atravessador e por cerca de R$7,04 pela cooperativa. Nenhum dos entrevistados se declarou satisfeito com o valor pago pelo atravessador. Figura 169. Forma de Comercialização Figura 170. Satisfação com Preço Pago pelo Atravessador Figura 157. Renda Exclusiva da Propriedade A forma de comercialização se dá 64% para o atravessador e 36% através da cooperativa. Em relação à satisfação ao valor pago pela cooperativa, 53% responderam “sim” e 47% responde- ram “não”. 5.2.5.5 Crédito e Financiamento Tabela 61. Média de Preços Pagos Tabela 62. Percentual de Acesso a Crédito e Financiamento COPOTRAN - Cooperativa de Produtores Orgânicos da Transamazônica. Município: Vitória do Xingu. 140 141
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região COPOTRAN - Cooperativa de Produtores Orgânicos da Transamazônica. Município: Vitória do Xingu. 142 143
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região A pesquisa veio ressaltar que a maior parte dos cooperados jamais obteve financiamento, os pou- Dos entrevistados 20% possuem cargo na cooperativa, destes 91,67% estão satisfeitos com a co- cos produtores que adquiriram financiamento possuíram como instituição de crédito o Banco da Amazô- operativa. nia e o Banco do Brasil. Ao analisar o percentual de acesso a crédito e financiamento, nota-se que 33,33% têm acesso a financiamento, 20% possui financiamento em aberto, 75% tem dificuldade de acesso ao crédito e 64,29% possuem interesse em adquirir outro financiamento. Figura 172. Motivação de Entrada na Cooperativa Figura 173. Apoio de ATER Segundo os entrevistados, o acesso ao mercado foi a maior motivação para que os mesmos en- Tabela 63. Instituição de Crédito trassem na cooperativa. 5.2.5.6 Organização e Apoio de ATER A pesquisa revelou que 80% dos cooperados não possuem apoio de ATER e que os outros 20% possuem CEPLAC como apoio de ATER. Tabela 64. Cargo na Cooperativa e Nível de Satisfação com a Cooperativa COPOTRAN - Cooperativa de Produtores Orgânicos da Transamazônica. Município: Vitória do Xingu. 144 145
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2.5.7 Matriz F.O.F.A. Fortalezas Fraquezas Oportunidades Ameaças Boa parte dos cooperados estão certifica- Deficiência de procedimentos de Possui importantes parcerias de apoio Falta de assistência técnica para especiali- dos como produtores orgânicos o que permite a gestão e planejamento na cooperativa que por sua como Fundação Viver Produzir e Preservar, GIZ e zação na produção orgânica; comercialização em um nicho de mercado com vez possui inúmeros entraves burocráticos a serem CEPLAC; Falta de capacitações para que se preços mais atraentes; trabalhados diante das exigências para se mante- Possui prática de intercooperação junto as possa ampliar os conhecimentos acerca das exi- O quadro societário apresenta um bom ní- rem certificados como produtores orgânicos; demais cooperativas de produção orgânica de ca- gências para certificação orgânica; vel organizacional com práticas inerentes a doutri- Falta de conhecimento em contabilidade, o cau na região; Falta de acesso ao crédito; na cooperativista fortalecendo assim o associativis- que vem causando diversos problemas para o an- Houve perdas significativas no número de mo necessário para consolidação da cooperativa; damento comercial da cooperativa; sócios cooperados bem como de área plantada de A diretoria vem buscando se capacitar para Não possui uma sede própria o que tem di- cacau devido as desapropriações ocasionadas pela melhor gerir o empreendimento no que diz respei- ficultado as ações comerciais da cooperativa; construção da UHE de Belo Monte; to à legislação, gestão e planejamento. Necessita de ampliação do número de só- Falta de transferências de tecnologias que cios cooperados para elevar a escala produtiva; permitam a ampliação das lavouras de cacau no Muitos dos cooperados ainda não domi- sistema de produção orgânica. nam a técnica de produção orgânica; Existem muitos sócios desestimulados de- vido a instabilidade vivida no município em re- lação as desapropriações de terras por conta da construção da UHE de Belo Monte; Falta de capital de giro; Deficiência de estrutura produtiva básica nas propriedades como cochos, estufas, armazéns e balanças. COPOTRAN - Cooperativa de Produtores Orgânicos da Transamazônica. Município: Vitória do Xingu. 146 147
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2.6 COPOPS 5.2.6.1 Socioeconômico Figura 175. Renda Exclusiva da Propriedade Em 83% das propriedades a renda não é proveniente unicamente do uso da propriedade. Figura 174. Tempo na Propriedade Todos os entrevistados estão há mais de 10 anos na propriedade. COPOPS - Cooperativa de Produtores Orgânicos de Perpétuo Socorro. Município: Uruará. Figura 176. Profissão Anterior 148 149
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Todos os entrevistados sempre atuaram profissionalmente em atividades agrárias. Considerando o número de habitantes por propriedade, nota-se uma média de seis pessoas nes- tas, sendo destes 4,67 moradores são da família, destes todos trabalham na propriedade. Figura 177. Escolaridade Figura 178. Renda Mensal Familiar (Salários Mínimos) Os entrevistados em sua totalidade recebem até três salários mínimos Tabela 65. Configuração de Habitantes das Propriedades COPOPS - Cooperativa de Produtores Orgânicos de Perpétuo Socorro. Município: Uruará. 150 151
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Com relação à contratação de mão de obra todos os entrevistados responderam “sim”. 5.2.6.2 Estrutural Figura 179. Vínculo a Programas Sociais Dentre os cooperados ouvidos, 83% possuem vínculo a programas sociais. Figura 181. Condições da Estrada no Período Não Chuvoso De acordo com 100% dos cooperados perguntados, a estrada é classificada como transitável no período não chuvoso. COPOPS - Cooperativa de Produtores Orgânicos de Perpétuo Socorro. Figura 180. Contratação de Mão de Obra Município: Uruará. 152 153
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região A aquisição das propriedades, em 67% dos casos, foi resultado da compra e, em 33% dos casos, adquiridas por meio de reforma agrária. Figura 182. Condições da Estrada no Período Chuvoso Os entrevistados em sua totalidade classificaram a estrada como “ruim” no período chuvoso. Tabela 66. Estrutura Básica Figura 183. Forma de Aquisição da Propriedade Tabela 67. Estrutura Produtiva 154 155
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Nenhum dos cooperados possui energia elétrica ou internet; todos possuem rádio; fogão a gás e filtro de água; 33,33% possuem TV e 16,70% possuem geladeira, banheiro em alvenaria e parabólica. O cocho é a estrutura produtiva mais frequentemente utilizada, seguida da barcaça e da estufa. 5.2.6.3 Produtivo Figura 185. Interesse em Novas Atividades Todos os entrevistados possuem interesse em novas atividades. Figura 184. Atividade Principal Os entrevistados, em sua totalidade, possuem como atividade principal a cultura do cacau. COPOPS - Cooperativa de Produtores Orgânicos de Perpétuo Socorro. Figura 186. Tipo de Produção Município: Uruará. 156 157
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Metade dos cooperados possui o tipo de produção orgânica e os outros 50% estão em processo de transitório de conversão. 5.2.6.4 Comercialização Tabela 68. Tamanhos Médios de Propriedade, Lavoura de Cacau e Área Produtiva e Produção Anual As propriedades dos cooperados possuem, em média, cerca de 33,83 ha, sendo 13ha destinados à lavoura de cacau, possuindo uma faixa de 11ha produtivos, gerando uma média de 6,58 toneladas de cacau anualmente. Figura 187. Forma de Comercialização A forma de comercialização dos entrevistados se dá em 50% para o atravessador e 50% através da cooperativa. COPOPS - Cooperativa de Produtores Orgânicos de Perpétuo Socorro. Tabela 69. Média de Preços Pagos Município: Uruará. 158 159
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região O quilo do cacau é vendido em média a R$4,23 para o atravessador e na faixa de R$7,08 para a cooperativa. Figura 189. Satisfação com Preço Pago pela Cooperativa Todos os entrevistados estão satisfeitos com o valor pago pela cooperativa. Figura 188. Satisfação com Preço Pago pelo Atravessador Nenhum dos entrevistados está satisfeito com o valor pago pelo atravessador. 5.2.6.5 Crédito e Financiamento COPOPS - Cooperativa de Produtores Orgânicos de Perpétuo Socorro. Município: Uruará. Tabela 70. Percentual de Acesso a Crédito e Financiamento 160 161
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Dentre os cooperados pesquisados, todos possuem dificuldade de acesso ao crédito; 50% tem Dos entrevistados, 33,33% possuem cargo na cooperativa, e todos relatam estar satisfeitos com a acesso a financiamento, 33,33% possuem financiamento em aberto e 50% tem interesse em adquirir ou- mesma. tro financiamento. Tabela 71. Instituição de Crédito Em 50% dos casos relatados, não houve financiamento de crédito; dos demais 50%, o Banco da Amazônia e o Banco do Brasil são as instituições de crédito em exercício. Figura 190. Motivação de Entrada na Cooperativa 5.2.6.6 Organização e Apoio de ATER Todos os cooperados possuíram o acesso ao mercado como motivação para entrar na cooperati- va. Tabela 72. Cargo na Cooperativa e Nível de Satisfação com a Cooperativa COPOPS - Cooperativa de Produtores Orgânicos de Perpétuo Socorro. Município: Uruará. 162 163
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região 5.2.6.7 Matriz F.O.F.A. Fortalezas Fraquezas Boa parte dos cooperados estão certifica- Deficiência de procedimentos de gestão e dos como produtores orgânicos o que permite a planejamento na cooperativa que por sua vez pos- comercialização em um nicho de mercado com sui inúmeros entraves burocráticos a serem traba- preços mais atraentes; lhados diante das exigências para se manterem certificados como produtores orgânicos; O quadro societário apresenta um bom ní- vel organizacional com práticas inerentes a doutri- Falta de conhecimento em contabilidade, o na cooperativista fortalecendo assim o associativis- que vem causando diversos problemas para o an- Figura 191. Apoio de ATER mo necessário para consolidação da cooperativa; damento comercial da cooperativa; Dentre os cooperados da COPOPS, 80% relataram a inexistência de apoio de ATER. A diretoria vem buscando se capacitar para Não possui uma sede própria o que tem di- melhor gerir o empreendimento no que diz respei- ficultado as ações comerciais da cooperativa; to à legislação, gestão e planejamento. Necessita de ampliação do número de só- cios cooperados para elevar a escala produtiva; Muitos dos cooperados ainda não domi- nam a técnica de produção orgânica; Existem muitos sócios desestimulados de- vido as dificuldades para certificação de produção orgânica e a demora no pagamento pelo produto vendido pela cooperativa; COPOPS - Cooperativa de Produtores Orgânicos de Perpétuo Socorro. Município: Uruará. 164 165
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Falta de capital de giro; Deficiência de estrutura produtiva básica nas propriedades como cochos, estufas, armazéns e balanças. Oportunidades Ameaças Possui importantes parcerias de apoio Falta de assistência técnica para especiali- como Fundação Viver Produzir e Preservar, GIZ e zação na produção orgânica; CEPLAC; Falta de capacitações para que se Possui prática de intercooperação junto as possa ampliar os conhecimentos acerca das exi- demais cooperativas de produção orgânica de ca- gências para certificação orgânica; cau na região; Falta de acesso ao crédito; Falta de transferências de tecnologias que permitam a ampliação das lavouras de cacau no sistema de produção orgânica. COPOPS - Cooperativa de Produtores Orgânicos de Perpétuo Socorro. Município: Uruará. 166 167
  • Diagnóstico Setorial Produção de cacau na região Tabela 73. Dados das Cooperativas Estudadas. 168 169
  • 6. Possibilidades da formação deuma central de cooperativas na região6.1 Cooperativas de produção convencional Dentre as cooperativas atuantes no sistema mesmos, dificulta o funcionamento destas coope-tradicional de cultivo do cacau, isto é, que preconi- rativas que por sua vez não possuem movimento 6.2 Cooperativas de produção orgânicazam a forma convencional de produção cacaueira comercial. O atual movimento existente de produção junto entre COPOAM, COPOPS, COPOXIN, COOP-a COOPATRANS é a única que está em funciona- Diante do exposto uma possível coope- de cacau orgânico na região faz com que as coo- CAO, COPOBOM e COPOTRAN e que conta commento pleno de comercialização. Apesar de pos- rativa central no momento se mostra inviável. Tal perativas atuantes neste sistema de cultivo exer- parcerias como a Fundação Viver Produzir Preser-suir ainda problemas estruturais e organizacionais empreendimento só será possível após a retoma- çam a intercooperação. Para garantir maior escala var, CEPLAC e a cooperação alemã GIZ, estas coo-está em fase de crescimento. da das ações cooperativistas comerciais da COO- e assim atender as demandas mínimas do merca- perativas vêm conseguindo impulsionar suas co- COOPBRAN e COOPERSAME se encontram PBRAN e da COOPERSAME a partir da rearticulação do comprador de amêndoas de cacau orgânico, mercializações de forma corporativa e iniciar umem processo de rearticulação dos sócios. Ambas do quadro cooperativista das mesmas. as seis cooperativas existentes na região com foco processo de crescimento e consolidação das mes-as diretorias estão imbuídas de promoverem a re- neste nicho de mercado de produção, vêm se or- mas.ordenação do quadro societário. A falta de capital ganizando entre si. Segundo informativo da própria funda-de giro somado ao desestímulo de muitos coope- Através de um trabalho realizado em con- ção, a Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP)rados e, por conseguinte o distanciamento dos170 171
  • Diagnóstico Setorial Central de cooperativas é uma organização não governamental da região social e uma modalidade do comércio internacio- obedecendo ao seguinte fluxo: primeiro cada coo- da Transamazônica e Xingu. É associada aos mo- nal que busca o estabelecimento de preços justos, perativa reúne a produção de seus cooperados de vimentos sócios ambientais e tem como objetivo padrões sociais e ambientais equilibrados nas ca- forma local, em seguida são enviadas as amêndoas propor e implementar projetos de desenvolvimen- deias produtivas. para o centro de referência de produção orgânica to sustentável regional. No setor econômico, o As vendas coletivas de cacau são realizadas no onde é feita a classificação das amêndoas, emba- FVPP apoia projetos de produção orgânica, como mercado nacional e internacional desde 2008. A lagem, fixação dos selos de produto orgânico (e a produção cacaueira. consolidação do movimento coorporativo alcan- mercado justo quando é o caso), pesagem e arma- Com relação à produção cacaueira, o pro- çou uma melhor inserção da produção no mer- zenagem para posterior expedição via transporta- jeto acompanhou agricultores na fundação de co- cado, devido maior envolvimento de instituições dora. operativas agrícolas em seis municípios (Altamira, parceiras. Anapu, Brasil Novo, Medicilândia, Pacajá e Uruará) Diante da realidade existente pode-se inclusive e estabelece assistência técnica em manejo cer- afirmar que da forma como estão atuando cole- tificação e venda coletiva de cacau orgânico. O tivamente para acessar ao mercado, estas coope- projeto é realizado em parceria com a CEPLAC (Co- rativas já estão atuando em condições análogas a missão Executiva no Plano da Lavoura Cacaueira) uma sociedade cooperativa de segundo grau, sen- nas questões de pesquisa e extensão rural e com do que o estudo detectou inclusive a interdepen- a organização Alemã GIZ (Deutsche Gesellschaft dência entre as cooperativas, isto é, o enfraque- für Internationale Zusammenarbeit - Sociedade cimento de uma destas envolvidas causa reflexo Alemã de Cooperação Internacional) que presta direto sobre as demais. consultoria para manejo, cooperativismo, certifica- Estruturalmente toda a preparação da matéria pri- ção e comercialização. Para certificação orgânica e ma a ser vendida, seja para o mercado interno seja de mercado justo, foi contratada a IMO CONTROL para o mercado externo, é realizada no Centro de BRASIL (Instituto de Mercado Ecológico). referência de produção orgânica. Este centro é do- A certificação para o mercado justo garante me- tado de escritórios, sala de reunião e armazém e a lhoria na qualidade de vida também para parcei- partir desta estrutura são efetuadas as operações ros, meeiros e trabalhadores rurais, uma vez q esta comerciais e armazenamento das seis cooperati- certificação prevê a integração de regras e legisla- vas envolvidas. ções trabalhistas, pois se trata de um movimento Atualmente este processo de comercialização está 172 173
  • 7. Ações sugeridas7.1 Cooperativas de produção convencional Em relação às cooperativas de produção prol do corporativismo neste momento peculiar ra Setorial de Cooperativas de Produção Cacaueira tantes do setor cooperativista e demais atores en-convencional de cacau se faz necessário a redis- de movimentação nas cooperativas em questão, que deverá ter cunho estadual e reunir represen- volvidos no processo.cussão do modelo cooperativista. O fato de a ações como eventos estratégicos tais quais fóruns,maioria dos cooperados destas cooperativas, com workshops, oficinas e seminários com presenças 7.2 Cooperativas de produção orgânicaexceção da COOPATRANS, estarem desarticulados podem ser boas estratégias de reaglutinação dosbem como desestimulados dificultam o andamen- cooperados.to comercial destas. Tais ações poderão ser capitaneadas pela CENEC Em relação às cooperativas de produção crescentes oriundas da Áustria e Suíça além deAs diretorias envolvidas devem utilizar estratégias WorleyParsons/Norte Energia e o Sistema OCB/ orgânica pôde-se observar, conforme já destacado contrato existente entre a Natura Cosmético vali-de reordenação do quadro societário de forma a SESCOOP-PA e contando com participação de neste documento, um movimento sólido de inter- dam o movimento da criação de uma cooperativaselecionar os cooperados que desejam realmente demais atores envolvidos como representantes cooperação entre as seis cooperativas envolvidas. central.comercializarem suas produções de forma coletiva. das diferentes esferas governamentais, agências A existência de parcerias de instituições como a Na verdade o estudo identificou a existência deEsta ação posse ser dificultada pela necessidade de ATER (como EMATER e CEPLAC) e instituições FVPP, CEPLAC e até a cooperação alemã da GIZ um fluxograma comercial semelhante a esta mo-de negociação das indenizações de possíveis só- financeiras, permitindo assim um maior debate na condução deste processo de organização vem dalidade de cooperativismo, ou seja, as ações cole-cios que se descredenciem uma vez que em geral, acerca da reestruturação destas cooperativas. sendo importante na consolidação das comerciali- tivas realizadas a partir da estrutura física do centrotais cooperativas se encontram descapitalizadas. Para fortalecimento deste processo a OCB-PA já zações coletivas. de referência de produção orgânica configuram aPara estimular este processo de retomada em iniciou um processo de formatação de uma Câma- Com mercado externo garantido por demandas existência de uma central de fato, porém não de174 175
  • Diagnóstico Setorial Ação sugeridas direito. cunho regional) traduzem um factível procedi- A falta de formalização destas cooperativas e prin- mento pós-diagnóstico para fortalecimento prá- cipalmente o fato de não estarem ainda creden- tico do movimento de intercooperação existente ciadas junto a Organização das Cooperativas Bra- na região em relação as cooperativas de produção sileiras, OCB, inviabilizam a formalização de uma orgânica. cooperativa central oficial. Tais ações podem ser constituídas em parceria en- Porém por ocasião do presente diagnóstico pôde- tre a CENEC WorleyParsons, responsável pelo Pro- se iniciar um processo de negociação para tal e a grama de Recomposição das Atividades Produtivas partir daí buscar a viabilização do credenciamento Rurais e o sistema OCB/SESCOOP-PA, que detém a destas cooperativas no sistema OCB/SESCOOP-PA expertise necessária para condução deste proces- e, por conseguinte possibilitar a formalização da so e sendo planejado e executado em conjunto. cooperativa central elevando o poder de comer- Para o perfeito andamento das referidas ações es- cialização junto ao mercado, principalmente em tratégicas a presença dos principais atores envol- relação ao importante nicho de mercado atendido vidos no processo (além das cooperativas) como por estas cooperativas que é o de certificação or- FVPP, CEPLAC e a cooperação alemã GIZ no enri- gânica e mercado justo. quecimento do debate se faz fundamental. Para Conforme já descrito no escopo do presente traba- tal, a OCB-PA já iniciou processo de entendimento lho, tais cooperativas tem apresentado dentre os com estes a fim de desencadear ações práticas em principais entraves a falta de informações jurídicas prol da consolidação das cooperativas envolvidas e contábeis acerca das peculiaridades do sistema e da virtual cooperativa central. comercial cooperativista bem como sobre técnicas de planejamento e gestão. Diante de tal cenário o acompanhamento destas cooperativas a partir de assessoria e consultorias pontuais bem como capacitações estratégicas re- lacionadas às deficiências técnicas supracitadas aliadas a eventos de mobilização e difusão dos assuntos pertinentes (alguns locais e outros de 176 177
  • 8 . Considerações finais É salutar destacar que existem dois movimentos distintos no que tange o cooperativismo de pro-dução cacaueira na região de influência do empreendimento da UHE de Belo Monte, porém ambos po-dem ser considerados interessantes uma vez que Enquanto as cooperativas mais tradicionais, de forma geral, vivem um momento de rearticulaçãode seus quadros de associados e buscam alternativas para a retomada de suas atividades ou consoli-dação das já existentes, as cooperativas fundadas mais recentemente apresentam fortes característicasnatas da doutrina cooperativista, tendo na produção orgânica boa alternativa para busca da sustentabi-lidade ambiental, social e econômica. Logo ambos os movimentos necessitam de apoio estrutural e organizacional para a garantia daviabilidade comercial destes empreendimentos cooperativistas o que vem de encontro ao momento ím-par vivido na região de crescimento.178 179
  • 9. ReferênciasCACAU. Disponível em: http://www.portalsaofrancisco.com.br. Acesso: 09/12/2012. SILVA NETO, P. J. da; MATOS, P. G. G. de; MARTINS, A. C. de S.; SILVA, A. de P. (Ed.). Sistema de produção deCUENCA, M. A. G.; NAZÁRIO, C. C. Importância Econômica e Evolução da Cultura do Cacau no Brasil e na cacau para a Amazônia brasileira. Belém: Ceplac, 2001. 125p.Região dos Tabuleiros Costeiros da Bahia entre 1990 e 2002. Documentos / Embrapa Tabuleiros Costeiros,Aracaju, 25 p. 2004.FILGUEIRAS, G. C.; SANTOS, M. A. S; IGREJA, A. C. M. Fontes de crescimento do valor bruto da produção decacau no Estado do Pará: 1980 - 2002. In: XLII Congresso da Sociedade Brasileira de Economia e SociologiaRural, 2004, Cuiabá. Anais do Congresso da Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural, 2004.IBGE. Indicadores IBGE – Estatística da Produção Agrícola. CEPAGRO, 2012.LEFRÉVE F, LEFRÉVE AC. O Discurso do Sujeito Coletivo: uma nova abordagem metodológica em pesquisaqualitativa. 1ª ed. Caxias do Sul (RS): Educs; 2000.MEAD, R. Designing experiments for agroforestry research. In: Avery, M.E., Cannell, M.G.R., and Ong, C.K.(eds.), Biophysical Research for Asian Agroforestry. Winrock International , Arlington, VA, USA. P 3- 20.1991.MENDES, F. A. T. A Cacauicultura na Amazônia Brasileira: Potencialidades, Abrangência e Oportunidadesde Negócio. In: Informe de Pesquisa 1997-2003. MAPA, Belém/PA, 2009.MENDES, F. A. T.; LIMA, E. L. Sinopse do Mercado de Cacau 2011. CEPLAC, Folha Técnica Nº 5, 2011.PBA – Projeto Básico Ambiental, 2011. CENEC WORLEY PARSONS, LEME.180 181