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99 solucoes inovadoras

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  • 1. � 1-23 Paginas iniciais.indd 1 26/5/2009 14:21:58
  • 2. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) 99 Soluções Inovadoras / [organização Paulo Sergio Brito Franzosi] . – São Paulo : Sebrae, 2009. ISBN 978-85-7376-074-3 1. Administração de empresas 2. Inovações tecnológicas 3. Micro e pequenas e empresas I. Franzosi, Paulo Sergio Brito. 09-05245 CDD-658.4062 Índices para catálogo sistemático: 1. Inovações tecnológicas : Micro e pequenas empresas : Administração de empresas 658.4062 2. Tecnologia e inovação : Gestão : Micro e pequenas empresas : Administração de empresas 658.4062
  • 3. Conselho Deliberativo Presidente Abram Szajman Federação do Comércio do Estado de São Paulo – Fecomercio-SP Entidades Associação Comercial de São Paulo – ACSP Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras – Anpei Banco Nossa Caixa S.A. Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp Fundação Parque de Alta Tecnologia de São Carlos – ParqTec Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT Secretaria de Estado de Desenvolvimento Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae Sindicato dos Bancos do Estado de São Paulo – Sindibancos Superintendência Estadual da Caixa Econômica Federal Superintendência Estadual do Banco do Brasil Diretoria Diretor-Superintendente Ricardo Luiz Tortorella Diretores Operacionais José Milton Dallari Soares Paulo Eduardo Stabile de Arruda� 1-23 Paginas iniciais.indd 3 26/5/2009 14:22:00
  • 4. � 1-23 Paginas iniciais.indd 4 26/5/2009 14:22:06
  • 5. A centésima podeser a sua Na economia globalizada e interconectada do século 21, as transformações dos processosde produção e comercialização de bens e serviços ocorrem a uma velocidade vertiginosa.Nenhuma empresa, de qualquer porte ou ramo de atividade, consegue hoje manter suasposições no mercado se permanecer indiferente às novas tecnologias e aos novos modelosde gestão. Inovar, além de uma necessidade, pode ser uma vantagem. Pesquisa realizada peloSebrae-SP revela que 53% das micro e pequenas empresas paulistas procuram adotar algumtipo de inovação em seu modo de operar. Embora a incorporação de novos equipamentose tecnologias seja o cerne das ações das agências de fomento, inclusive em relação às MPEs,cuja Lei Geral estabelece a destinação de no mínimo 20% dos recursos disponíveis nessasinstituições para financiar a modernização do segmento, é possível inovar também emoutras áreas, como no marketing ou na organização da empresa, por meio de estratégiasque ampliem sua competitividade. Nesse sentido, o Sebrae-SP, atento às necessidades das MPEs e a fim de atender e su-perar as expectativas de seus clientes, disponibiliza uma ampla gama de ferramentas cujafinalidade é demonstrar que a incorporação de novas tecnologias e métodos, dos maissimples aos mais complexos, não requer grandes investimentos e pode caber, portanto,no bolso de qualquer empresário. Como resultado desse esforço, é cada vez maior o número de pequenos e microem-presários que ampliam o horizonte dos seus negócios por meio da participação na Redede Incubadoras de Empresas e nos programas de Gestão Ambiental, Alimentos Seguros,Design e Consultoria Tecnológica que o Sebrae-SP mantém em parceria com renomadasinstituições de ensino e pesquisa. Nas páginas que se seguem, apresentamos algumas das experiências pioneiras de formasde inovação utilizadas com sucesso por MPEs do comércio, da indústria, de serviços edo agronegócio. São exemplos inspirados e inspiradores, como a criação de um aviãoem São José dos Campos ou a venda de créditos de carbono por uma olaria da cidadede Panorama. Acreditamos que essas histórias emblemáticas, recolhidas em todo o estado de SãoPaulo, precisam ser conhecidas porque podem estimular muitos outros pequenos e mi-croempresários a buscar, nos Escritórios Regionais do Sebrae SP, o apoio necessário paraa transformação inovadora de suas empresas. É por essa razão que aqui estão 99 soluçõesinovadoras: esperamos que a centésima possa ser a sua. Abram Szajman, Presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae-SP
  • 6. � 1-23 Paginas iniciais.indd 6 26/5/2009 14:22:13
  • 7. A inovação no dia-a-dia das micro e pequenas empresas No mundo atual, já não é possível ser competitivo sem inovação e sem a adoção de novas tecnologias. Pesquisa divulgada pelo Sebrae-SP em 2008 apontou que as micro e pequenas empresas paulistas que passaram por processos de inovação em seus negócios faturaram o dobro do verificado nas empresas que não inovaram. Outro ponto em destaque no estudo, realizado com empresas de todo o estado, mostrou que mais de 53% delas haviam passado por processos de inovação em seus negócios. Entre- tanto, mesmo inovando cada vez mais, conforme comprovam as pesquisas, nossas MPEs ainda estão longe do ideal nessa prática. Nos últimos anos, avançamos de forma significativa na promoção do acesso dos pequenos negócios à tecnologia e à inovação. A Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, que estabeleceu a destinação de pelo menos 20% de recursos de instituições e agências de fomento para o segmento, marcou um novo capítulo nessa trajetória. Mas é preciso ir além, uma vez que aumentar a produtividade, aperfeiçoar os produtos ou reduzir os custos são processos inovadores fundamentais para melhorar a competitividade das empresas, não importa qual seja seu porte ou o setor de atuação. Hoje sabemos que o conceito de inovação tem amplo sentido. Pode ser visto como a adoção de novas tecnologias que permitam aumentar a competitividade de uma organização, uma nova ideia que, se implementada com sucesso, produz resultados satisfatórios ou até mesmo um processo estratégico de reinvenção constante no próprio negócio. Inovação pode também ser o ato de atribuir novas capacidades aos recursos existentes em uma empresa, para gerar receita. O que se tem certeza é que a competitividade crescente no mundo empresarial exige dos empreen- dedores a frequente busca por inovação em produtos e serviços, em processos e em tudo o que se refere a seus negócios. A melhoria em pequenos detalhes pode significar grandes avanços e a conquista de novos clientes, sobretudo nos momentos mais críticos. O Sebrae-SP, desde 1991, oferece instrumentos altamente eficazes para garantir o acesso das MPEs à inovação e à tecnologia, por meio de parcerias e projetos com instituições públicas e privadas de todo o estado. Os programas incluem Consultoria e Alavancagem Tecnológica, Incubadoras de Empresas, Gestão Ambiental, Alimentos Seguros (PAS), Design, Metrologia e Certificação. No biênio 2009-2010 serão investidos mais de R$ 100 milhões nesse atendimento, o que significa mais de 1,3 milhão de horas de consultoria. Com a publicação 99 Soluções Inovadoras, buscamos avançar ainda mais no caminho desse grande desafio a que nos propusemos. Por meio desta iniciativa, apresentamos um cardápio de experiências inovadoras desenvolvidas por micro e pequenas empresas paulistas que podem servir de inspiração e ser multiplicadas por empreendedores do presente e do futuro. Desejamos que esta seleção de boas ideias possa contribuir para o desenvolvimento das micro e pequenas empresas de São Paulo e do país. A Diretoria� 1-23 Paginas iniciais.indd 7 26/5/2009 14:22:15
  • 8. Por que elaboramos 99 Soluções Inovadoras Uma das estratégias de atuação do Sebrae-SP em prol Acreditamos que a maioria das empresas desse seg- do aumento da competitividade dos pequenos negócios mento inova sem saber realmente que está inovando, paulistas é o processo de desmistificação do uso da pois qualquer alteração no cotidiano de suas instalações inovação nas micro e pequenas empresas. Queremos – na melhoria da equipe, no aumento das vendas, no propagar que a inovação pode se dar de várias formas, aperfeiçoamento dos produtos, na criação de um novo em vários momentos, sem grandes investimentos e modelo de negócio ou no aprimoramento de um serviço trazendo resultados efetivos para a competitividade das –, para nós, é uma inovação, pois adiciona algum tipo micro e pequenas empresas. A inovação é o instrumento de valor para o empreendedor do pequeno negócio. que possibilita às empresas, em especial as de pequeno No dia-a-dia do nosso trabalho, percebemos que havia porte, se diferenciarem no mercado, estabelecendo um relatos de resultados qualitativos muito interessantes, mas novo patamar em que a concorrência não aconteça no que nos chegavam de uma forma aleatória, por meio do quesito preço, mas no conjunto de atributos importantes famoso boca-a-boca, pois não estavam organizados de para o cliente. uma forma que pudessem demonstrar o investimento Cidades visitadas para a produção do livro Fernandópolis Barretos Franca Palmeira d’Oeste Orlândia Gastão Vidigal Bebedouro Batatais São José do Rio Preto Sertãozinho Birigui Ribeirão Preto urupês Panorama Jaboticabal Bilac Caconde Dracena Junqueirópolis Osvaldo Cruz Araraquara Bariri São Carlos Presidente Prudente Bocaina Regente Feijó Bauru Jaú Paraguaçu Paulista São Pedro Lençóis Paulista Pedreira Cachoeira Paulista Campos Novos Paulista Santa Bárbara d’Oeste Campinas Guaratinguetá Itatiba Pindamonhangaba Cunha São José dos Campos Itu Fartura Angatuba Sorocaba Guarulhos Mogi das Cruzes São Caetano do Sul São Bernardo do Campo SãO PAuLO Santos Guarujá Registro 8 99 SoluçõeS InovadoraS� 1-23 Paginas iniciais.indd 8 26/5/2009 14:22:17
  • 9. feito pelo Sebrae-SP e o real valor que essas iniciativas po- melhorias em seus negócios, e isso pode ser comprovadoderiam proporcionar à sociedade em geral, apresentando numa recente pesquisa realizada pelo Sebrae-SP, indican-uma solução para um determinado setor que pudesse ser do que 53% das empresas adotam algum tipo de inovaçãoreferência para outras empresas do mesmo ou de outros em suas operações. Dos 14% das empresas que inovamsegmentos. com muita frequência, 62% declararam ter obtido au- A partir dessa realidade, o Sebrae-SP resolveu arregi- mento de volume de produção, ante somente 27% dasmentar casos de êxitos ocorridos com o apoio de nossos que declararam que não inovam, o que demonstra queparceiros tecnológicos e desenvolvidos pelos nossos Escri- inovar é um bom negócio.tórios Regionais espalhados pelo estado. E, com esse rico A Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas (Leimaterial, produzir a publicação 99 Soluções Inovadoras, Complementar 123 de 14 de dezembro de 2006), no seuabrangendo os mais variados setores, da criação de um capítulo X – “Do Estímulo à Inovação”, estabelece que aavião na incubadora de São José dos Campos até a melho- União, os estados, os municípios e as respectivas agênciasria de produtividade de leite de um grupo de pecuaristas de fomento, ICT, núcleos de inovação e instituições dede Votuporanga, passando pelo design de móveis de uma apoio devem manter programas específicos para as empre-empresa de Santa Bárbara d’Oeste e pela venda de cré- sas de pequeno porte e terão como meta a aplicação de, noditos de carbono por uma olaria da cidade de Panorama mínimo, 20% dos recursos destinados à inovação para o– entre tantos e surpreendentes exemplos. desenvolvimento de tal atividade no segmento. Com o objetivo de dar um tratamento mais homogê- O orçamento do Sebrae-SP para inovação tecnológica,neo e criar um fio condutor a esse produto, fomos buscar atualmente de 10%, definido pelo Estatuto Social do Sis-no Manual de Oslo da Organização para Cooperação e tema Sebrae, já atende esse índice em mais de 20%, valorDesenvolvimento Econômico (OCDE) a conceituação que só será exigido a partir de 2011, cabendo ressaltar quede inovação e suas variantes, e deparamos com quatro se trata somente da importância aplicada em projetos, epossibilidades: inovação de produto, inovação de pro- não no orçamento total, que inclui investimentos.cesso, inovação de marketing e inovação organizacional Todo esse trabalho tem como objetivo principal apre-(veja o infográfico na pág. 10). sentar aos formadores de opinião de todo país, nas mais A contribuição do Sebrae-SP para a inovação nas micro diversas categorias profissionais e empresariais, o poten-e pequenas empresas vem de diversos produtos e serviços cial das pequenas empresas paulistas no desenvolvimentotecnológicos disponíveis, como nossa rede de incubadoras das suas atividades e na indispensável difusão, tambémde empresas, os programas de Gestão Ambiental, Ali- para a sociedade em geral, do conceito da inovação comomentos Seguros, Design e Consultoria Tecnológica (em uma estratégia possível, prática e rápida de aumento daparceria com renomadas instituições de ensino, pesquisa competitividade e do sucesso da empresa.e extensão) e uma série de outras atividades, como apoio O título 99 Soluções Inovadoras é uma provocação:a redes metrológicas, suporte e patrocínio a eventos de desejamos que o leitor empreendedor possa realizar atecnologia e parcerias com entidades de fomento em centésima inovação em sua empresa, de modo a gerarchamadas públicas. valor para seu ambiente de atuação e para a sociedade Ao contrário da crença comum, os pequenos empreen­ em geral.dimentos introduzem inovações, aperfeiçoamentos e Boa leitura. 99 Soluções Inovadoras
  • 10. Passo-a-passo do projeto 3 2144 casos Validação dos casos pelos 29 Escritórios Regionais do 1 recebidos Sebrae-SP Contato com 109 instituições tecnológicas de apoio ao Sebrae-SP Distribuição a formadores de opinião (jornalistas, consulados e embaixadas, associações e 9 sindicatos empresariais, ministérios, organismos de fomento) 10 A 100a inovação Pesquisa do Sebrae-SP pode ser a de sua empresa indica que 53% das micro e pequenas empresas paulistas realizam inovações com 8 Tipos de inovação: alguma frequência e • processo: 71 • produto: 41 47% não costumam • organizacional: 23 • marketing: 12 realizar inovações ou raramente inovam 10 99 SoluçõeS InovadoraS� 1-23 Paginas iniciais.indd 10 26/5/2009 14:22:19
  • 11. Tipos de inovação segundo o Manual de Oslo 4 • Inovação de produto: bem ou serviço novo ou significativamente Seleção dos melhorado 99 casos • Inovação de processo: método de produção ou distribuição novo ou significativamente melhorado Critério de seleção: solução realizada por uma empresa que 5 • Inovação de marketing: novo método de marketing com mudanças possa ser referência significativas na concepção do produto para outras empresas ou da embalagem, no posicionamentoou para outros setores do produto, na promoção ou na fixação de preços • Inovação organizacional: novo método organizacional nas práticas de negócio da empresa, na Início das reportagens por editora 6 organização de seu local de trabalho ou em suas relações externas contratada Manual de Oslo Documento de referência da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que orienta a coleta de dados e a interpretação dos resultados em pesquisas sobre inovação7 Números: 56 cidades visitadas – cerca de 20 mil km percorridos – 8 meses de trabalho – 99 entrevistas – 86 horas de gravação em áudio – 11.330 fotos – 600 mil caracteres digitados 99 Soluções Inovadoras 11
  • 12. Em busca dos heróis empreendedores A primeira empresa visitada para a elaboração deste luludi/luZ livro foi a TKS, numa quinta-feira, 25 de julho de 2008, às 14h30, em Sertãozinho, na sequência de uma viagem de carro de quase 350 km desde a capital de São Paulo. A última foi a Sig-Rool, de Guarulhos, em fevereiro de 2009, sete meses depois – início e fim que não poderiam ser mais exemplares. A TKS, uma indústria do setor me- tal-mecânico, com 25 funcionários, é uma realização de dois irmãos, Gilson e Genísio Rodrigues, que começaram em 2005 num galpão emprestado pelo tio, que tinha uma oficina, e hoje fabricam peças como uma ponte rolante de 50 toneladas. Gilson, graduado em Economia, faz agora um Master Technical Administration (MTA) em gestão sucroalcooleira, “para entender a linguagem dos donos de usinas”, seus principais clientes. A Sig-Rool fabrica revestimentos de retentores para a indústria e, pouco antes da entrevista concedida para o livro, em 2 de dezembro, havia recebido o Prêmio Su- peração Empresarial. O proprietário, Waldir Soares da Silva, contou que, depois de mais de 30 anos longe dos bancos escolares, resolveu voltar a estudar e estava cur- sando Direito, “para gerir melhor a empresa”. Também contou que a Sig-Rool, que chegara a acumular uma dívida de R$ 1 milhão, havia crescido 300% em 2008, resultado que dividia com os funcionários. Mais do que exceção, esses dois casos representam bem o que as duplas de repórter e fotógrafo encontraram nas viagens empreendidas ao longo desses meses por todas as regiões do estado. Em cada uma delas estava reservada uma boa surpresa, seja pela história pessoal dos empreen- dedores, em geral fascinantes, seja pelos desafios que tiveram de enfrentar, seja pela ousadia e pelo nível de inovação incorporada a empresas de pequeno porte, às vezes com dois ou três funcionários, mas agindo como grandes, sem medo do mercado – como autênticos repre- sentantes do vigor do empreendedorismo paulista. Gilson Rodrigues, da TKS: a primeira visita, em julho de 2008 12 99 SoluçõeS InovadoraS� 1-23 Paginas iniciais.indd 12 26/5/2009 14:22:29
  • 13. A própria produção do livro se transformou em um luiz prado/LUZ empreendimento de fôlego, que envolveu muito plane- jamento e logística. Ao todo, as equipes de produção visitaram 56 cidades, além de muitas empresas na capital. Estiveram em Palmeira d’Oeste, a 628 km de São Paulo; em Fernandópolis, a 554 km; em Bilac, distante 500 km da capital, e em Gastão Vidigal, a 553 km. Também foram a Batatais, Bauru, Santos, Guarujá, São Bernardo do Campo, Pedreira, Mogi das Cruzes, Araraquara, An- gatuba, Bebedouro, Dracena, Junqueirópolis, Barretos e Araçatuba. No Vale do Ribeira, visitaram Registro; no Vale do Pa- raíba, estiveram em São José dos Campos, Guaratinguetá, Cachoeira Paulista, Cunha, Pindamonhangaba. E foram a muitos outros lugares: Caconde, São Carlos, Urupês, São José do Rio Preto, Santa Bárbara d’Oeste, Ribeirão Preto, Sorocaba, Regente Feijó, Bocaina, Birigui, Campinas, Bariri, Campos Novos Paulista, Fartura, Franca, Orlândia, Osvaldo Cruz, Presidente Prudente, Piracicaba, Paragua- çu Paulista, Panorama, Avaré, Ribeirão Branco, Lençóis Paulista, Jaú, Itu, Jaboticabal. Não é possível determinar com exatidão quantos quilômetros foram percorridos, mas seguramente o total passou de 20 mil. Na maioria das vezes, as viagens ocor- reram pelas melhores rodovias do Brasil, mas em alguns casos foi preciso encarar estradas de terra, enlameadas, para chegar a pequenas propriedades rurais. Invariavel- mente, no entanto, repórteres e fotógrafos foram muito bem recebidos pelos 99 empreendedores que são, de fato, os verdadeiros heróis e autores deste trabalho, orgulhosos de suas conquistas, nunca acomodados. Se valeu a pena fazer esse livro, só você, leitor, poderá nos dizer.Waldir Soares da Silva, da Sig-Rool: a última, em fevereiro de 2009 Os editores 99 Soluções Inovadoras 13
  • 14. Frases Ozires Silva, Na década de 1960, quando se lutava contra um clima de fundador e ex-presidente incredulidade em relação à capacidade do Brasil de fabricar da Embraer; ex-ministro da Infraestrutura aviões e ganhar escala de produção internacional, uma e ex-presidente da Petrobras autoridade se expressou assim, diante dos meus argumentos e da Varig; fundador, em 2003, da Pele Nova Tecnologia procurando convencer que poderíamos assumir uma condição e atualmente reitor da de liderança no setor: “Aviões são coisas que se compram, não Unimonte que se fabricam”. A Embraer prova que o que ocorre hoje não precisa ser permanente. Empreendedores podem se antecipar ao tempo e estender sua visão para o futuro. E isso, hoje, é mais possível do que nunca, pois os produtos permanecem muito menos tempo à venda. A inovação pode vencer e trocar as opções dos compradores, bastando ser algo melhor e capaz de mais eficientemente atender as necessidades de um possível interessado. Rodrigo Teles, Empreendedores inovadores pensam fora da caixa, diretor-geral do sonham grande e botam para fazer. São eles que Instituto Endeavor revolucionam indústrias, desenvolvem o nosso país e ajudam a melhorar a vida das pessoas. 14 99 SoluçõeS InovadoraS� 1-23 Paginas iniciais.indd 14 26/5/2009 14:22:37
  • 15. Inovação é o que dá vida a uma ideia. Jean Paul Jacob, pesquisador emérito da IBM e futurólogo Empreender e inovar são as duas faces da moeda com a qual Guilherme Ary Plonski, se obtêm realização pessoal, prosperidade empresarial e bem- presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras estar social. de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) Inovação não é pesquisa, desenvolvimento, ciência ou Silvio Meira, tecnologia. Pode até precisar de tudo isso, mas inovação cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas – mesmo – é a mudança do comportamento de agentes, no Avançados do Recife mercado, como produtores e consumidores. Em tempos de (C.E.S.A.R) crise, a seleção natural, no mercado, tem importância muito maior. Aí é onde inovação e mudanças de comportamento do seu negócio e seus clientes, em conjunto, passam a ser um insumo essencial para a sobrevivência. Porque inovar, acima de tudo, é tornar-se mais apto a sobreviver. 99 SoluçõeS InovadoraS 15� 1-23 Paginas iniciais.indd 15 26/5/2009 14:22:37
  • 16. � 1-23 Paginas iniciais.indd 16 26/5/2009 14:22:40
  • 17. Programas de inovação do Sebrae-SP Programa Sebraetec de Consultoria empresas e que representem inovação em seus Tecnológica segmentos de atuação. Oferece consultorias tecnológicas voltadas para as necessidades de qualquer tipo de negócio. Por Programa Sebrae-SP de Design meio desse serviço, as empresas têm acesso ao Oferece consultorias especializadas em design conhecimento tecnológico desenvolvido e dis- de um novo produto, para otimizar o processo ponível em centros de pesquisas, universidades produtivo, reduzir custos e incrementar a qua- e institutos de tecnologia. lidade de bens e serviços. Ajuda a transformar uma ideia em produto, melhorando suas partes Programa de Gestão Ambiental estruturais e funcionais, facilitando a fabricação do Sebrae-SP e estimulando o consumo. Oferece um conjunto de ações que visam a dar condições para que as empresas possam aprimo- Programa Sebrae-SP rar seus processos de produção, reduzindo custos, de Incubadoras de Empresas eliminando ou reduzindo perdas e, em conse- Estimula a criação e o fortalecimento de empresas quência, minimizando impactos ambientais. inovadoras, unindo conhecimento, inovação e tecnologia com capacitação e assistência técnica. Programa Alimentos Seguros (PAS) Uma incubadora oferece o ambiente necessário Implanta boas práticas de fabricação e manipu- para o desenvolvimento das empresas por meio lação de alimentos, com a finalidade de reduzir de espaço físico planejado, serviços especializados custos operacionais e desperdícios, além de e consultoria, entre outros tipos de apoio. atender a legislação e oferecer alimentos seguros com qualidade e confiabilidade. Programa Alavancagem Tecnológica (PAT) Inovação para as MPEs – Finep Capacita as empresas participantes a reduzir e Sebrae custos e tempo de produção e aumenta a produ- Estabelece parceria entre essas instituições, a tividade e a qualidade de produtos e processos. fim de apoiar projetos de conhecimento e de Essa atividade é voltada para as indústrias de tecnologia desenvolvidos por micro e pequenas micro e pequeno porte.� 1-23 Paginas iniciais.indd 17 26/5/2009 14:22:41
  • 18. 18 99 SoluçõeS InovadoraS� 1-23 Paginas iniciais.indd 18 26/5/2009 14:23:05
  • 19. Espaço reservado para a sua empresa 99 SoluçõeS InovadoraS 1� 1-23 Paginas iniciais.indd 19 26/5/2009 14:23:24
  • 20. Sumário 24 AC Metalúrgica 78 Fazenda Santa Inês 26 ACS – Advanced Composites Solutions 80 Flor de Lis Empório e Panificadora 28 Alimentos Vanguarda 82 Frisina Calzature 30 Apiário São Francisco 84 Fundição Artesanal de Araçatuba 32 Apoio Construtora 86 GM Couros 34 Armazém da Fazenda 88 Grupo de Cerâmica Branca de Pedreira 36 Arte Orgânica 90 Ideia – Máquinas e Implementos 38 Associação Agrícola de Junqueirópolis Agrícolas 40 ATCP Engenharia Física 92 Inox Aliança 42 Big Pipe Confecções 94 ITD 44 Brascom Brasil Metalúrgica 96 Kepy Indústria e Comércio de Calçados 46 Brasil Ozônio 98 Kraüss Aeronáutica 48 Calçados Anaquel 100 Lanches Benony 50 Cantinho do Pão 102 LS Indústria de Limas 52 Capril Vale do Jacuí 104 Lupetec – Equipamentos para 54 Casa Verde Ambiental Laboratórios 56 Cerâmica Lucevans 106 Madu’s Calçados 58 Chácara Paiol 108 Mamute Mídia 60 Chácara São Francisco 110 Marcenaria Paraguaçu 62 Ciao Mao 112 Matrice Plásticos 64 Cleplax Indústria de Plásticos 114 Maximicro Manutenção Industrial 66 Cliper Comércio e Confecção 116 Medpej – Equipamentos Médicos de Uniformes 118 Metalúrgica Primar 68 Dai Artefatos de Junco 120 Metalúrgica São Thiago 70 Duan Internacional do Brasil 122 MIG Peças 72 Estância Encantada 124 Monity 74 Exa-m Instrumentação Biomédica 126 Móveis Vidigal 76 Faverplas Plásticos e Artefatos 128 NoTox Technology� 1-23 Paginas iniciais.indd 20 26/5/2009 14:23:24
  • 21. 130 Noxt 182 Sítio São Judas 132 NSA Gráfica e Editora 184 Sítio São Lourenço 134 Öokre Packaging Design 186 Sítio Torrão de Ouro 136 Ophicina do Aroma 188 Sociedade do Sol 138 Oralls Saúde Bucal Coletiva 190 Spatium 3D 140 P3D Tecnologia da Imagem 192 Splashcor Indústria e Comércio 142 Padaria do Gonçalo 194 Steger Efeitos Especiais 144 Passarela Calçados 196 Stoker 146 Paula Peralta Calçados 198 Super Balaio Doce 148 Pesque Truta Ribeirão Grande 200 Talentos Utilidades para o Lar 150 Pipoquinha Brinquedos 202 Tijol-Eco Artigos de Solo-Cimento 152 Plasmont Indústria e Comércio 204 Tirmis Indústria e Comércio de Móveis de Plásticos 206 TKS – Technology Key Services 154 Plásticos Peggau 208 TSA – Tecnologia em Sistemas 156 Pole Scola Confecções Automotivos 158 PRTrade/BR3 210 Turbotronic Tecnologia 160 Rancho Estância Santa Bárbara 212 TW Fênix 162 Rofe Peças Metálicas 214 V2Com 164 Rota Uniformes 216 Villa Design 166 Serralherias de Araraquara 218 W Dias Filtros 168 Serthi Hidráulica 220 Xbot – Cientistas Associados 170 Sig-Rool Indústria e Comércio 224 Instituições de apoio de Artefatos de Borracha 228 Endereço das empresas 172 Sítio Boa Esperança 234 Índice remissivo 174 Sítio Cinco Estrelas 236 Escritórios Regionais do Sebrae-SP 176 Sítio Santa Cruz 238 Postos de Atendimento ao 178 Sítio Santo Antônio Empreendedor 180 Sítio São José 240 Expediente� 1-23 Paginas iniciais.indd 21 26/5/2009 14:23:24
  • 22. � 1-23 Paginas iniciais.indd 22 26/5/2009 14:23:29
  • 23. AS EMPRESAS� 1-23 Paginas iniciais.indd 23 26/5/2009 14:23:31
  • 24. • AC Metalúrgica Metalúrgica de Santa Bárbara d’Oeste moderniza gestão, inova Asas para em processos operacionais e contabiliza excelência no produto final, com quem sabe voar aumento de produtividade FOTOS LUIZ PRADO/LUZ Antonio Cabrera E le nasceu empreendedor, por pura intuição. Mudanças in- corporadas hoje, para aumentar o “Foi o Sebrae-SP que viabilizou tudo isso para nós”, atesta. investiu na modernização e colhe os resultados: Excelência – Mas é a qua- lidade do produto final que marca o grande salto sua metalúrgica rendimento e a eficiência do chão de As inovações introdu- reduziu perdas e da AC Metalúrgica. E a fábrica, Antonio Cabrera já aplicava zidas por Cabrera envol- custos e aumentou julgar pelas especificidades a rentabilidade em bem antes, há mais de 15 anos, quan- veram, acima de tudo, cerca de 30% do processo, é permanente do montou seu primeiro negócio. uma questão de atitude. o desafio de perseguir a ex- Fazia questão de ordem e limpeza Ao apostar na mudança, celência. Na moldagem em no interior da fundição. E era um a fundição mais que dobrou a pro- areia (CO2 e shell), qualquer desvio capricho, “para ficar diferente dos dutividade e chegou à excelência nos pode comprometer toda a produ- outros”, defendia. processos. Reduziu o índice de 22% ção. O detalhe é que até a umidade Hoje, o empresário está à frente da de não conformidade para algo em altera o resultado final. “São muitos AC Metalúrgica, em Santa Bárbara torno de 5% – em queda livre, assim segredos”, prossegue Cabrera, que d’Oeste, a 130 quilômetros de São como os custos operacionais. Com a ainda aposta firme no “faro” para os Paulo, e de lá para cá multiplicou modernização dos processos, dimi- negócios. Mas não deixa lugar para seus diferenciais. Cabrera profissio- nuiu o ciclo de produção e, também, improvisações. Depois da consul- nalizou a gestão, modernizou pro- a hora-forno, os custos de eletrici- toria técnica do Sebrae-SP, com o cessos e, ao lado da intuição, agora dade e outros que, no fim, somam apoio da Fundação Fritz Müller, a carrega na bagagem conceitos sólidos pontos à rentabilidade do negócio, empresa implantou análises precisas para a administração do negócio. que cresceu 30% em dois anos. para monitorar cada etapa de fabri- 24 99 SOLUÇÕES INOVADORAS24-25 AC Metalurgica Sta Barbara1 1 26/5/2009 14:47:15
  • 25. cação – das características da areia à liga correta, passando pelo controle da temperatura de fusão de cada material. “Passamos a trabalhar com ensaios técnicos e corpo de prova”, diz, orgulhoso e confiante de que a aposta na modernização realmente valeu a pena. Decidido a atender um novo patamar de mercado, foi ainda mais rosos e ampliou a carteira de clientes, projeto. Seguiu as especificações, foi longe. Investiu para incorporar o hoje estendidos para as indústrias au- lá e fez acontecer. processo de coquilhamento que, tomobilística, têxtil, de saneamento O mesmo espírito impulsionou além de permitir volumes maiores, e de iluminação pública. a criação da AC Motoparts, que garante qualidade superior, o que O que também merece registro é aproveita a sinergia e a experiência praticamente elimina a necessidade que Cabrera construiu sozinho a pri- da metalúrgica para oferecer soluções de acabamento. O impacto alcançou meira coquilhadeira. “Perdia noites exclusivas em peças e equipamentos o mercado. A empresa racionalizou de sono pensando no projeto, mas para motocicletas. os custos e ainda diminuiu o prazo de acabou saindo aquela gambiarra, que Agora, ensaia novo voo. Quer entrega, que passou de 15 dias para é pneumática”, ironiza. Em seguida substituir os comandos manuais da apenas dois. Com isso, conquistou ele construiu também a segunda, coquilhadeira por um avançado siste- outro importante diferencial na hidráulica, agora com o suporte do ma de automação e confessa um so- prática de fundição de metais não fer- programa Sebraetec, que forneceu o nho alimentado há tempos: “Só não fiz mecatrônica porque estou com preguiça de terminar o segundo grau. Atendimento Mas vou espantar o comodismo e um Escritório Regional do Sebrae-SP em Piracicaba dia chego lá”. Ninguém duvida. E o Modalidade: Sebraetec capricho continua. “Organização, Apoio: Fundação Fritz Müller limpeza e higiene não podem faltar. SANTA BÁRBARA Fundição não tem que ser sinônimo Tipo de inovação: processo D’OESTE de bagunça”, ensina Cabrera. 99 SOLUÇÕES INOVADORAS 2524-25 AC Metalurgica Sta Barbara2 2 26/5/2009 14:47:31
  • 26. • ACS – Advanced Composites Solutions Céu de brigadeiro Utilizando materiais compostos avançados, a ACS inova com o lançamento do Sora, seu primeiro ultraleve esportivo, de olho no promissor mercado norte-americano G anhar os céus do mundo: esse inovação: é montada em apenas dois foi o desafio que o mineiro Lean- blocos, com material constituído de dro Guimarães Maia, engenheiro tecido de fibra de vidro e recheio é conservadora”, justifica, ao ser confrontado com o fato de o motor Rotax, de uma hélice, ainda utilizar mecânico pela Universidade Federal de espuma de PVC enrijecido com carburador. “Nessa categoria, não há de Minas Gerais (UFMG), se impôs resinas. “Fica mais resistente e mais motores de injeção eletrônica.” ao retornar ao Brasil, em 2006. Na leve do que o alumínio”, diz Maia, O projeto ACS-100 Sora é basea- época, resolveu se desligar da empresa ressaltando outras vantagens, como do no CB-10 Triathlon, desenvolvido austríaca em que trabalhava para resistência à fadiga e à corrosão. pelo professor Claudio Barros, da fundar seu próprio negócio, a ACS De asa baixa, o ACS-100 Sora é UFMG. Graças ao apoio do pro- – Advanced Composites Solutions. equipado com motor inglês Rotax grama Sebraetec, que viabilizou a Agora, já finalizou o protótipo de seu 912 ULS de 100 HP, movido a participação da empresa na Expo primeiro produto, o ultraleve Sora, querosene de aviação. Maia já busca Aero Brazil 2008, a ACS Aviation já um monomotor esportivo alternativa para adotar um tem seis unidades do Sora vendidas. de dois lugares que tem Leandro Guimarães motor movido a biodiesel. E aquece os motores. “No início do na fuselagem a principal Maia e o ultraleve “A indústria aeronáutica próximo ano, estaremos capacitados Sora: o orgulho de uma empresa de pequeno porte em ostentar sua marca na fuselagem de uma aeronave FOTOS milTOn manSilha/lUZ 26 99 SoluçõeS InovadoraS26-27 ACS_S J Campos.indd 1 26/5/2009 14:48:19
  • 27. para produzir uma unidade por mês, e dentro de três anos a ideia é quin- tuplicar a produção”, sinaliza. Produto de exportação – A ACS, instalada na Incubadora de São José dos Campos – Incubaero, surgiu para atuar no segmento de materiais com- postos avançados, como o utilizado na fuselagem do Sora. “Percebemos que não seria viável entrar nesse mer- cado se não tivéssemos um portfólio adequado”, explica Maia. “Por isso, resolvemos apostar no desenvolvi- mento de um produto específico para Embraer. Assim surgiu a ACS Avia- asas removíveis, a fim de facilitar mostrar nossa expertise.” tion, que já tem seu escritório nos o transporte. Mas as soluções nem A aposta no Sora não foi ao acaso. EUA, constituído em sociedade sempre estiveram ao alcance da mão. Maia acumula larga experiência na com um amigo norte-americano. A ACS também enfrentou dificulda- indústria aeronáutica, com incursões “Nossa idéia é fabricar o avião no des e se ressentia da falta de recursos internacionais, como a passagem Brasil e exportar para os EUA”, para alavancar o projeto. Somente a pela Áustria, onde atuava como afirma. Agora, aguarda a conclusão fabricação dos moldes da fuselagem fornecedor da Airbus, e na própria dos testes para dotar o protótipo de exigiu investimento de fôlego, em torno de R$ 250 mil, “o que não é muito alto em comparação com o preço da aeronave, mas para nós era um desafio naquele momento”, conta Maia. Foi assim que a Tecplas, especializada na fabricação de com- ponentes compostos, fornecedora da Embraer, acabou entrando no projeto. “Eles investiram a risco e produziram os moldes”, conta. “E serão os responsáveis pela fabricação em série dos componentes.” Com investimento em torno de R$ 1 milhão, a ACS enfrenta agora os trâmites da Agência Nacional de Aviação Civil para obter a autoriza- ção definitiva para produzir o ACS- 100 Sora em série. Na retaguarda, contudo, tem o apoio da Incubaero Atendimento e da sinergia com o polo tecnológico Escritório Regional do Sebrae-SP em São José dos Campos do Centro Técnico da Aeronáutica. Modalidades: Programa de Incubadoras de Empresas, Sebraetec O Sebraetec reafirma a participação Apoio: Fundação Casimiro Montenegro Filho no projeto, com consultoria para SÃO JOSÉ Tipos de inovação: marketing, organizacional, produto DOS CAMPOS o desenvolvimento do material de comunicação do Sora. 99 SoluçõeS InovadoraS 2726-27 ACS_S J Campos.indd 2 26/5/2009 14:48:27
  • 28. • Alimentos Vanguarda Sabor de novidade Pequena empresa do ramo de alimentos investe na força do marketing, reformula a programação visual das embalagens e adota nome fantasia para reforçar o apelo comercial D epois de investir cerca de R$ 150 mil na compra de uma embaladora automática, para crescer Além de investir em equipamentos, passaram a chamar mais atenção”, Cruz decidiu inovar, lançando suas afirma. fichas em diferenciais de mercado. Esse avanço, contudo, não aconte- e ganhar mercado, o empresário Mar- A mudança acertou em cheio. Os ceu de uma hora para outra. Quando cos Vinícius da Cruz resolveu buscar ovinhos de amendoim produzidos a embaladora com balança automática a consultoria do Sebrae-SP para pela Vanguarda ilustram bem o im- começou a funcionar, no início de reformular a programação visual de pacto da inovação. Ganharam uma 2006, logo ficou claro que a empresa suas embalagens. De origem familiar, embalagem com abordagem infantil, estava mudando de patamar. A produ- fundada há 20 anos no bairro de Vila mais pertinente ao público-alvo, tividade cresceu cerca de 40% e o custo Jaguara, na capital paulista, a empre- e alavancaram as vendas em 30%. de produção caiu, enquanto as vendas sa Dagoberto Carlos da Cruz ME “Ao todo, redesenhamos avançaram, respondendo beneficia e comercializa salgados e nove embalagens da nossa Dagoberto Carlos com vigor à nova configu- aperitivos derivados, principalmen- linha”, explica Cruz, filho da Cruz provou a ração. Era o momento cer- te, de caju e amendoim, com foco força do design: em to de partir para o próximo do fundador da empresa. novas embalagens, os no pequeno comércio varejista. “Ficaram mais bonitas e produtos Vanguarda passo: desenvolver um novo registraram aumento de 30% nas vendas FOTOS luludi/luZ 28 99 SoluçõeS InovadoraS28-29 Alimentos Vanguarda_SP.ind1 1 26/5/2009 14:48:57
  • 29. conceito visual para as embalagens. “É a melhor publicidade que podemos ter”, justifica Marcos da Cruz. Atento ao mercado, queria refletir em seu produto o novo momento vivido pelo pequeno negócio e dar outro passo à frente da concorrência. Depois de ler uma reportagem sobre o trabalho do Sebrae-SP na área de embalagens, o empreende- dor resolveu partir para a prática e buscar apoio para iniciar o processo de reformulação. Por intermédio do Sebraetec, recebeu o suporte de uma equipe de especialistas do Centro São Paulo Design. Durante quatro meses, os consultores se debruçaram sobre o estudo da marca, testaram çou – e muito – o apelo comercial e aperitivos: a presença de resíduos no as combinações de cores para cada melhorou a apresentação do produto. fundo da embalagem, antes exposta produto da linha e surpreenderam ao Encontrou a saída ideal para equa- pelo excesso de transparência, que propor uma mudança simples, mas cionar um problema antigo, que não concorria para desprestigiar a mer- com forte repercussão comercial. Em é exclusividade da Vanguarda, mas cadoria na prateleira. Hoje, mantém substituição à antiga denominação, comum a todas as marcas de salgados uma “janela” para a visualização do sugeriram a adoção do nome fantasia produto e cobre com estampas as Alimentos Vanguarda e criaram uma extremidades da embalagem, que nova logomarca, agora impressa em ganhou traços mais modernos e todas as embalagens. atualizados. A empresa tem sabor de novidade. Apelo comercial – Repaginada e Dando continuidade às mudanças com novo nome no cartão de visita, a implementadas nos últimos três anos, Vanguarda explora em seus produtos a Vanguarda Alimentos iniciou, em a sinergia com o modelo administra- 2008, a reforma de sua estrutura tivo que imprimiu ao negócio. A um física. “Pretendemos ampliar nossa só tempo, o layout das embalagens produção e adquirir mais uma emba- transmite aos consumidores não ladora automatizada”, sinaliza. apenas o novo patamar que a empresa Os planos de expansão levam assumiu, mas demonstra também novamente a uma consultoria do seu compromisso renovado com a Sebrae-SP, dessa vez com a partici- qualidade. No ponto de venda, refor- pação do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), que auxilia no desenvolvimento de uma nova linha Atendimento de confeitos drageados, conhecidos Escritório Regional do Sebrae-SP Capital Oeste como amendoim japonês. “A nova Modalidade: Sebraetec consultoria prevê o desenvolvimen- Apoio: Centro São Paulo Design, Fundepag to das fórmulas e a transferência de Tipos de inovação: marketing, processo SÃO PAULO tecnologia para a manipulação dos amidos”, explica Cruz. 99 SoluçõeS InovadoraS 2928-29 Alimentos Vanguarda_SP.ind2 2 26/5/2009 14:49:04
  • 30. • Apiário São Francisco A lição da colmeia Apicultores de Ribeirão Branco comprovam que o associativismo é a melhor opção na busca de novos caminhos para o sucesso da agricultura familiar A os 22 anos, no início de 2009, Flávio Enrique de Paula já era diretor da Secretaria Municipal de mas acabei desistindo, porque queria atuar na área da agricultura”, conta. Mudou-se, então, para Ribeirão lizou na cidade um seminário sobre o tema, em parceria com o Sebrae-SP. “Foi o ponto de partida para a criação Agricultura de Ribeirão Branco e Branco, na região sudoeste do estado, da associação, pois ali se iniciou o presidente da Associação dos Apicul- quase no Vale do Ribeira. processo de sensibilização para que tores da cidade – mas ainda queria Ali atuam mais de 80 apicultores, os produtores se unissem. Depois do mais. “Ser secretário da Agricultura”, que até pouco tempo atrás traba- seminário, fizemos algumas reuniões revela, com o arrojo da juventude. Ele lhavam isoladamente, sem muita e formalizamos a entidade. Come- ainda não tinha 20 anos quando ar- preocupação com produtividade e çamos com 18 apicultores e, aos rendou uma área em um sítio e criou profissionalização. “Para quase todo poucos, fomos conseguindo novas o Apiário São Francisco. “Eu me mundo, o mel era uma segunda ou adesões, à medida que os resultados formei em Iguape, no curso técnico terceira atividade, uma fonte de ren- apareciam, graças ao suporte técnico de agricultura e turismo, e depois fui da extra”, diz Flávio, ao lembrar que oferecido pelo Escritório Regional do para Curitiba trabalhar numa fábrica, tudo mudou em 2007, quando se rea- Sebrae-SP em Itapeva”, explica. O trabalho em Ribeirão Branco, por meio do programa Sebraetec, com o apoio do Instituto Biosistê- mico (IBS), envolveu a realização de dez oficinas de qualificação, Flávio Enrique de entre 2007 e 2008. Nesse Paula preparando-se período, os consultores vi- para o manejo de sitaram as propriedades dos suas colmeias: em um produtores vinculados à ano, a produção do Apiário São Francisco associação, para o primeiro cresceu de 307 para diagnóstico. “Havia muitos 1.047 kg de mel problemas”, diz Flávio. “Os principais eram a baixa pro- dutividade das colmeias, a falta de manejo e a necessidade de troca das rainhas. A verdade é que não tínhamos conhecimento técnico para melhorar.” Segundo o relatório dos consultores, a baixa produtividade por caixa resultava em aumento no custo de produção do mel. Consta- FOTOS marcelO SOareS/lUZ tou-se também que havia falta de dimensionamento da demanda de pasto apícola, falha na locação e na organização dos apiários e presença de contaminantes e outros proble- 30 99 SoluçõeS InovadoraS30-31 Apiario S Francisco_Ribeir1 1 26/5/2009 14:49:41
  • 31. mas sanitários. O desafio consistia em estabelecer condições de rastrea- bilidade e controle de indicadores zootécnicos e distribuir melhor as colmeias, a fim de melhorar o manejo e a produção. Produtividade triplicada – Os re- sultados surpreenderam os próprios apicultores, como explica Flávio de Paula: “Em menos de um ano, os 30 produtores associados mais do que dobraram a produção. Na safra 2007-2008, o grupo havia tirado 8 toneladas de mel, quantidade que cresceu para mais de 20 toneladas na safra seguinte, embora o excesso de chuva tenha atrapalhado. O número de colmeias, todas da subespécie Apis mellifera, também cresceu, mas o mais importante foi a produtividade: cada produtor produzia uma média de 8 kg a 12 kg por caixa, e hoje chegamos a produzir 30 kg. Também melhorou muito a qualidade. Tanto mo. “Estamos ajudando a criar a no Programa de Aquisição de Alimen- que o lema da associação é este: pro- associação de Itapirapuã Paulista, a tos da Agricultura Familiar (PAA), do dutividade com qualidade”. 120 km daqui, com base nas lições governo federal. Todo o mel produ- O desempenho do Apiário São que aprendemos nas oficinas do Se- zido é adquirido pela Companhia Francisco reflete esse avanço. Na safra brae-SP, não só na parte técnica, mas Nacional de Abastecimento (Conab), anterior ao programa do Sebrae-SP principalmente na questão da união, que o repassa a entidades. “Em 2008, e do IBS, Flávio havia colhido 307 do associativismo e do fortalecimento nosso mel foi distribuído às escolas kg de mel em 30 colmeias, das quais dos produtores”, afirma. do próprio município, e em 2009 16 em produção; no ano seguinte, Os efeitos do trabalho associado em três entidades da capital”, conta conseguiu tirar 1.047 kg de mel e também se refletiram na comercia- Flávio de Paula, otimista com os no- 17 kg de própolis, em 45 enxames, lização. Por meio de um projeto em vos rumos da associação. “Já temos sendo 39 em produção. parceria com uma entidade que reúne o certificação de inspeção municipal, A ideia, agora, é mobilizar os de- produtores de orgânicos em Peruíbe, e o próximo passo será conseguir mais apicultores da região e ampliar no litoral sul do estado, os apicultores as licenças federais, para aumentar os efeitos positivos do cooperativis- de Ribeirão Branco foram incluídos nosso mercado. Além disso, estamos trabalhando para inaugurar a Casa do Mel de Ribeirão Branco, em parceria Atendimento com a prefeitura, e atuar em toda a Escritório Regional do Sebrae-SP no Sudoeste Paulista região.” Argumento financeiro é o Modalidade: Sebraetec que não falta, segundo o apicultor: Apoio: Instituto Biosistêmico “Só na última semana de fevereiro Tipo de inovação: processo RIBEIRÃO BRANCO de 2009 a associação faturou R$ 32 mil”, revela o empresário. 99 SoluçõeS InovadoraS 3130-31 Apiario S Francisco_Ribeir2 2 26/5/2009 14:49:48
  • 32. • Apoio Construtora Qualidade acima de tudo Em três anos, construtora de Guaratinguetá quadruplicou o número de funcionários e aumentou o faturamento em 350% T rocar a segurança de um bom salário pelo desafio de se associar a uma empresa de um setor compe- titivo como o da construção civil foi uma decisão que se mostrou acertada Marinês França e para os engenheiros Marinês Leite Osório Frank, sócios da Apoio; na página Faria de França e Osório Marcos à direita, no alto, de Azevedo Frank, quando criaram a residência que está Apoio Construtora, em 2005. Nada sendo construída pela empresa, em fácil, porém muito desafiador, lem- Guaratinguetá: bram, enquanto acompanham um valeu a pena deixar dos projetos que executam em Gua- o emprego ratinguetá, no Vale do Paraíba. A virada profissional teve bons motivos. Marinês não via a hora de trocar a correria da capital paulista pela tranquilidade do interior do estado; Marcos buscou o desafio de trabalhar por conta própria. Os dois estão entre os pioneiros da Incuba- dora para Inovação e Empreendedo- rismo de Guaratinguetá (Inove) e se graduaram em 2008. Em três anos, desde 2006, a cons- trutora mais que dobrou o número de clientes, fez sua mão-de-obra especializada passar de três para 14 profissionais e aumentou o fatura- mento em 350%, revela Frank. Ele lembra que, no começo, não faturava nem para o próprio sustento. A evo- lução se deve muito, segundo os dois sócios, ao apoio do Sebrae-SP e de seus parceiros na Inove – a prefeitura, a Associação Comercial, a Universi- dade Estadual Paulista (Unesp) e as Faculdades Integradas Teresa d’Ávila (Fatea), de Lorena. Ao fazer o que gostam e sabem, FOTOS milTOn manSilha/lUZ como donos do próprio negócio, Ma- rinês e Frank revelam um detalhe que, eles dizem, fazem a diferença: “Elaboramos uma planilha com- pleta e detalhada, de acordo com o 32 99 SoluçõeS InovadoraS32-33 Apoio Construtora_Guaratin1 1 26/5/2009 14:50:30
  • 33. projeto que recebemos, de modo a compatibilizá-lo no que diz respei- to a custos, prazos e satisfação dos clientes nas várias etapas do processo construtivo. Isso é o que torna os clientes fiéis, a ponto de nos fazer conquistar novos projetos na cidade a partir de indicações, graças à trans- parência que passamos”. Diferenciais de atendimento – A empresa tinha seis obras em anda- mento em dezembro de 2008 – três residências de alto padrão e três refor- mas –, “sem nenhuma propaganda, a não ser as placas nas obras e os próprios clientes”, ressalva Marinês. Baseada na qualidade do serviço reali- Quando abriram a Apoio, Mari- zado, a Apoio decolou segura, depois nês e Frank se dedicavam apenas a de três anos na incubadora. A rotina pequenas reformas de imóveis. na empresa, antes estressante, hoje é Hoje constroem residências de alto bem diferente. “Em janeiro de 2009 e médio padrão, em projetos que completamos quatro anos de atuação podem levar cerca de 15 meses. A no mercado e conseguimos agregar mão-de-obra qualificada é um fator valor às obras. O cliente tem em que eles aprenderam a valorizar a mãos todo o andamento da execução partir do que aprenderam na incu- do projeto, com relatórios mensais. importantes o Empretec, programa badora. “Qualidade em cada detalhe Além disso, quem trabalha conosco desenvolvido pelo Sebrae-SP, e o e comprometimento dos empregados recebe treinamento periódico, o que conhecimento que permitiu a ela- foram lições que assimilamos mais garante a qualidade dos serviços”, boração de um plano de negócios depressa, porque, nas palavras de afirma a empresária. correto, bem como as consultorias um consultor, que gostamos sempre Os sócios já pensam em ampliar o financeira, jurídica e de marketing de lembrar, a empresa só cresce com negócio, porque se acham maduros proporcionadas pela entidade. “No pessoal qualificado e comprometido. o suficiente, graças ao suporte tecno- início não tínhamos noção de fluxo É o que procuramos fazer sempre”, lógico que encontraram na Inove. de caixa e planejamento e nada en- diz Marinês. “Amadurecemos como empreende- tendíamos das questões jurídicas”, Os empresários, agora, pretendem dores e fizemos cursos importantes recorda. “A assessoria, especialmente dobrar o número de funcionários. para o desenvolvimento do negócio”, nesse último aspecto, nos permitiu “Damos a eles a oportunidade de afirma Frank. Ele cita como muito avançar sem maiores tropeços.” crescer na empresa, qualificando-os de acordo com as habilidades que revelam no dia-a-dia. Quem faz o Atendimento que gosta trabalha motivado”, diz Marinês. Ela antecipa que está nos Escritório Regional do Sebrae-SP em Guaratinguetá planos da construtora contratar os Modalidade: Programa de Incubadoras de Empresas serviços de empresa especializada em Apoio: Associação Comercial e Empresarial de Guaratinguetá recursos humanos, de modo a qualifi- Tipo de inovação: processo GUARATINGUETÁ car ainda mais os colaboradores. 99 SoluçõeS InovadoraS 3332-33 Apoio Construtora_Guaratin2 2 26/5/2009 14:50:38
  • 34. • Armazém da Fazenda Tudo começa na cozinha da casa.” Casa, aliás, que vive cheia Restaurante em ambiente rural a poucos metros da via Dutra no horário de almoço, “de segun- conquista clientela fiel e não para de investir, confiante no da a segunda, sem parar nem para dinamismo do circuito turístico do Vale do Paraíba manutenção”, afirma o empresário. Branco acredita que o diferencial de O empresário Gustavo de An- drade Ribas Branco sabe aliar, como poucos, a formação acadêmica, especializada e no investimento em novos equipamentos. Numa área de 30 hectares, parte do que já foi a sua empresa é o local bem situado, com espaço de sobra, num ambiente rural próximo à região central de a intuição e modernos conceitos de fazenda dos avós, tudo lembra a vida Pindamonhangaba, mas com gado, gestão para fazer um negócio pros- no campo, a começar pela cozinha, galinhas-d’angola, gansos e patos. perar. Desde 2004, quando criou o onde está o fogão a lenha dos tempos Armazém da Fazenda, à margem da em que ali era uma casa de colono, O salto – O Armazém da Fazenda che- via Dutra, em Pindamonhangaba, há 60 anos. Peça que, mais do que gou a essa situação, em grande parte, no Vale do Paraíba, a demanda pelo uma relíquia, é a inspiração de onde como resultado da participação de seu seu restaurante é crescente, assim Branco tirou a convicção de que a proprietário no Programa Alimentos como o faturamento, a ampliação de qualidade de qualquer restaurante Seguros (PAS), do Sebrae-SP Especi- . espaços e a criação de novidades começa na cozinha. “É o ponto prin- ficamente, o negócio se beneficiou que atrem os consumidores – sem cipal, porque a falta de uma cozinha do PAS-Mesa, projeto destinado a falar na contratação de mão-de-obra de primeira pode ‘queimar’ o restante capacitar restaurantes nas boas prá- Gustavo de Andrade Ribas Branco na cozinha com forno a lenha do Armazém da Fazenda, seu lugar preferido: é preciso mexer, sim, em time que está ganhando FOTOS milTOn manSilha/lUZ 34 99 SoluçõeS InovadoraS34-35 Armazem da Fazenda_Pindamo1 1 26/5/2009 14:51:23
  • 35. ticas de manipulação e produção de cozinha não era profissional. Muito alimentos, a maioria adquirida de alimentos. Implantado com a parti- pequena e caseira, poderia compro- produtores da região. Atendendo cipação de instituições como Senai, meter o preparo das refeições, pois a pedidos dos clientes, uma nova Sesi, Sesc e Senac, o programa foi carecíamos de equipamentos moder- churrasqueira está quase pronta, efetivado entre novembro de 2005 nos”, lembra Branco. Ele acompanha para preparar os grelhados. “Aprendi e março de 2006 e permitiu que tudo o que acontece no dia-a-dia do muito com o PAS, desde assimilar o restaurante atingisse os níveis de estabelecimento, a ponto de residir os conceitos da legislação sanitária 75% de conformidade estabelecidos praticamente no local. “Vou muito estadual, uma das três mais rigorosas pelo programa com base na legislação pouco à casa que tenho na cidade.” do mundo, até a melhor maneira RDC 216 da Agência Nacional de Tanta dedicação tem retorno. O de estocar matéria-prima, cuidar da Vigilância Sanitária (Anvisa). empresário fala com satisfação da higienização e tirar o máximo pro- Economista, com cursos de admi- evolução anual de 50% no fatu- veito dessas regras, com desperdício nistração rural e gestão tecnológica, ramento e dos ganhos em produ- mínimo e apuro na preparação dos Branco diz que tinha ideia de como tividade. Grande parte do lucro é pratos”, diz Branco. dirigir o restaurante, mas faltava reinvestida para aprimorar cada vez “O apoio do Sebrae-SP foi uma fe- uma solução efetiva para cada pro- mais o estabelecimento. Na cozinha, liz coincidência, e soubemos aprovei- blema. O principal se relacionava ao destacam-se o novo fogão a lenha, tar o momento certo. A qualificação atendimento à clientela, seguindo- outros dois industriais, três fornos técnica e a experiência dos consulto- se a infraestrutura e a qualificação convencionais e a câmara fria com res superaram nossas expectativas”, adequada dos funcionários. “Nossa capacidade para 3 mil quilos de afirma. O empreendedor conta com uma equipe permanente de 12 fun- cionários que atendem, por dia, entre Atendimento 100 e 150 clientes. A capacidade do Escritório Regional do Sebrae-SP em Guaratinguetá salão vai ser estendida com a inau- Modalidade: Programa Alimentos Seguros guração de um deque e de um anexo Apoio: profissionais credenciados no Sebrae-SP para uma pizzaria. Serão atrativos a Tipo de inovação: processo mais para a clientela acostumada a PINDAMONHANGABA saborear a boa comida da fazenda. 99 SoluçõeS InovadoraS 3534-35 Armazem da Fazenda_Pindamo2 2 26/5/2009 14:51:32
  • 36. • Arte Orgânica Distribuidora de Alimentos Ao gosto do mercado Apoiado pela consultoria tecnológica da incubadora de Guaratinguetá, engenheiro agrônomo descobre a receita ideal para conquistar o consumidor e ganhar mercado Luis Fernando Q uando chegam visitas ao Sítio São Gonçalo, em Guaratingue- tá, no Vale do Paraíba, o engenheiro Rocha e alguns dos produtos que vende agrônomo Luis Fernando de Paula a consumidores que Rocha costuma recebê-las onde mais fazem os pedidos pela gosta de ficar: no meio dos canteiros internet; à direita, hortas com irrigação de hortaliças e legumes cultivados especial: planos organicamente em parte da proprie- ambiciosos para 2009 dade que reservou para desenvolver o empreendimento, ao criar a Arte Or- gânica Distribuidora de Alimentos, em 2002. Rocha é um dos graduados da primeira turma da Incubadora para Inovação e Empreendedorismo (Inove), mantida no município por uma rede de parceiros, entre os quais a Universidade Estadual Pau- lista (Unesp), Faculdades Integradas Teresa d’Ávila (Fatea), Associação Comercial, prefeitura e Sebrae-SP. A Inove representou, para o pro- dutor, a diferença entre arriscar-se sem apoio ou contar com infra- estrutura indispensável para que a empresa nascesse sólida e com boas perspectivas. Do que colhe em suas hortas, alimentadas por sistemas de irrigação que otimizam a utilização da água, ele comercializa em en- trepostos ou entrega em domicílio cerca de 150 cestas por semana. “A produção aumentou 300% em três anos e pude contratar mais funcionários”, conta Rocha. “Sem a ajuda do Sebrae-SP, não estaríamos nem na metade do caminho”, afirma, FOTOS milTOn manSilha/lUZ lembrando as dificuldades e os trope- ços dos primeiros anos. O maior pro- blema que enfrentava era a ausência de uma estratégia de marketing para melhorar a divulgação da marca e dos 36 99 SoluçõeS InovadoraS36-37 Arte Orgânica_Guaratinguet1 1 26/5/2009 14:52:31
  • 37. produtos orgânicos que cultivava. os princípios da boa gestão. Na Ino- mercializados pela Arte Orgânica”. Ele buscou a ajuda dos consultores, ve, além de assimilar conceitos de Com o empenho dele, do sócio, dos por meio de programas da entidade, planejamento e controle de custos, o dois empregados fixos e de quatro como o Empretec, e em rodadas de empreendedor pôde desenvolver uma diaristas, a Arte Orgânica alça voos negócios. Também foi fundamental logomarca e criar o site de sua em- mais altos. Ao se tornar referência a consultoria tecnológica da Unesp presa, um eficiente canal de vendas. em orgânicos, a empresa foi pro- e da Fatec. “Encontramos nesses “Toda sexta-feira eu divulgo na inter- curada por uma grande usina para parceiros o suporte fundamental para net as opções de produtos, para que desenvolver mudas de árvores nativas resolver nossos desafios”, diz Rocha. o consumidor possa programar suas para um projeto de reflorestamento. Desde 2006, quando passou a con- compras. Em cinco meses, consegui- Rocha lembra que, por atuar em um tar com a consultoria tecnológica, mos 400 cadastramentos”, explica. segmento que cresce 30% ao ano, não parou mais de buscar novas No início de 2008, o agrônomo tem pela frente muitos desafios, técnicas para melhorar a produção, se associou ao advogado Bruno de como o de aumentar as vendas sem que ocupa 2 hectares do sítio. Azevedo Frank, que o ajuda a me- perda de qualidade e melhorar ainda lhorar a estrutura administrativa, os mais o atendimento aos clientes, Babel que deu certo – Rocha é um pontos de distribuição e a logística principalmente no Vale do Paraíba. entusiasta da Inove, definida como de entrega: “Passamos a fazer con- “Temos um mercado consumidor “a torre de Babel que deu certo”, tal tato com fornecedores terceirizados, exigente, mas com bom poder aqui- a diversidade de empresas, produtos que hoje formam um grupo de 12 sitivo. Além disso, é nossa intenção e serviços ali desenvolvidos segundo agricultores cujos produtos são co- processar os alimentos, para agregar valor e ampliar o mercado”, diz. Para Atendimento isso, ele busca parcerias com bancos e empresários interessados no mercado Escritório Regional do Sebrae-SP em Guaratinguetá de orgânicos. Em 2009, também pre- Modalidade: Programa de Incubadoras de Empresas, Sebraetec tende oferecer outros tipos de legu- Apoio: Associação Comercial e Empresarial de Guaratinguetá, mes e verduras e distribuir produtos Fatec, Unesp industrializados como café, açúcar, Tipos de inovação: marketing, organizacional GUARATINGUETÁ leite de soja e doces de frutas. 99 SoluçõeS InovadoraS 3736-37 Arte Orgânica_Guaratinguet2 2 26/5/2009 14:52:41
  • 38. • Associação Agrícola de Junqueirópolis Selo de qualidade Com o compromisso de disseminar boas práticas agrícolas, entidade de Junqueirópolis é referência nacional no cultivo de acerola e aponta o caminho para aumentar a competitividade do produtor A embalagem do picolé de acerola da Kibon traz duas informações que podem passar despercebidas Agrícola de Junqueirópolis (AAJ) e demonstra que boas práticas de produção e o compromisso com a do maracujá e ensaiou o primeiro passo para a diversificação, mas os resultados foram decepcionantes. ao consumidor menos atento: a segurança alimentar fazem toda a “Introduzimos, então, a acerola, que primeira é o atestado do Instituto diferença na interlocução entre a não conhecíamos, mas era uma busca Brasileiro de Frutas (Ibraf ), de que agroindústria e o pequeno produtor. desesperada por uma alternativa co- ele foi “feito com fruta de verdade”; A entidade também cruza fronteiras, mercial viável”, conta Osvaldo Dias, a segunda indica que a acerola veio exportando a fruta para quatro con- fundador e presidente da AAJ, oficia- de Junqueirópolis, cidade do oeste tinentes. Foi uma batalha e tanto, lizada em junho de 1990. Deu certo. paulista que abriga a maior área de vencida com competência. Come- “Com um produto de qualidade e cultivo e a maior produção da fruta çou com a superação da herança da alta produtividade, ganhamos acei- no estado. Essa última informação monocultura cafeeira na região. Em tação no mercado e conquistamos tem valor especial para a Associação 1988, um grupo apostou no cultivo espaço”, define Dias. Osvaldo Dias, produtor e presidente da Associação Agrícola de Junqueirópolis: entidade mostrou como é possível mudar um contexto negativo por meio de soluções inovadoras FOTOS rubenS cardia/LuZ 38 99 SoluçõeS InovadoraS38-39 Associação Agricola de Jun1 1 26/5/2009 14:53:18
  • 39. Até que os produtores chegassem a esse estágio, porém, foram necessá- rios tempo e dedicação. Para ganhar mercado, a acerola cultivada em Junqueirópolis precisava preencher os requisitos exigidos pela agroin- dústria, o que implicava capacitar os produtores e adotar práticas de exce- lência no campo. A solução veio com o Projeto Fruta Paulista, iniciado em 2004, com o apoio do Sebrae-SP, em parceria com o Ibraf. Foi um passo decisivo para a qualidade pretendida. Reforçou a importância do associa- tivismo – da gestão da propriedade às boas práticas agrí- colas e de promo- ção comercial – e fortaleceu a ideia de união em toda a ca- deu com excelência Com um produto de qualidade, deia, multiplicando os critérios exigi- restava reforçar a estratégia comer- a produtividade no dos pelo mercado. cial e conquistar o mercado. O Ibraf campo. “A acerola tinha de ajudou a tecer alianças e tem papel de apresentar um teor destaque na parceria firmada com o Segurança alimen- mínimo de vita- Sebrae-SP para reforçar as ações co- tar – A produção mina C e garantir merciais. Mas o diferencial é mesmo começou em 1993, alta produtividade. o cuidado com a produção, com foco quando outro pro- Entre 50 mil plan- em exigências como a rastreabilidade blema saltou aos tas, selecionamos e a segurança alimentar. Conscientes olhos: boa parte da as melhores”, conta da importância ambiental e social do acerola era de polpa amarela, sem o produtor. A escolha recaiu sobre cultivo de alimentos, os produtores grande aceitação no mercado. As a variedade Olivier, que, além de incorporaram práticas de excelência, dificuldades cresciam para os 56 compatível com as condições locais, como o adequado manejo de agro- agricultores que somavam forças nos tem grande aceitação comercial. “A químicos e o uso mais eficiente de primeiros anos da associação. O esfor- coloração é atraente, tem baixa acidez adubos. “Hoje temos toda a estrutura ço foi superlativo. A AAJ não apenas e sabor diferenciado. E ainda supera de rastreabilidade montada e supervi- selecionou a espécie mais adaptável às as exigências em relação ao teor de sionada por uma equipe técnica, de- condições locais como também aten- vitamina C”, acrescenta Dias. monstrando, com transparência, um fluxo organizado por toda a cadeia”, Atendimento define Dias. A Associação Agrícola de Junqueirópolis, referência nacional Escritório Regional do Sebrae-SP em na produção e na comercialização Presidente Prudente da acerola, reúne 70 produtores. Em Modalidade: Sebraetec 2006, produziu 2,7 toneladas e, no Apoio: Fepaf, Ibraf ano seguinte, 3,4 toneladas, em 117 Tipo de inovação: processo JUNQUEIRÓPOLIS hectares, com 55 mil plantas. 99 SoluçõeS InovadoraS 3938-39 Associação Agricola de Jun2 2 26/5/2009 14:53:22
  • 40. • ATCP Engenharia Física A conquista da maturidade Com vocação para o desenvolvimento de instrumentos inovadores e de alta tecnologia, a ATCP ganha autonomia e novo posicionamento de mercado FOTOS andrei bOnamin/LUZ Antonio Henrique Pereira e, na foto à direita, o Scanelastic, produto que só a ATCP fabrica no Brasil: soluções originais A ATCP Engenharia Física ilustra bem o esforço de aproxima- ção entre academia e mercado. A em São Carlos, a 225 qui- lômetros da capital. Com o apoio do Sebraetec, pro- que nasceram na incubadora sempre debruçado sobre os sistemas de automação para engenharia física, a empresa, hoje com sede própria no grama do Sebrae-SP, explo- última palavra em pesquisa município de São Carlos, no sudeste rou não apenas o ambiente altamente e desenvolvimento da ATCP. Com paulista, nasceu do sonho de físicos e tecnológico em que atuava: tratou a bagagem mais robusta, prepara-se engenheiros da Universidade Federal também de incorporar a linguagem para comercializar uma novidade: o de São Carlos (Ufscar). Esbanjavam da moderna administração. Cum- Scanelastic, uma solução de instru- conhecimento técnico e domínio de pridos os quatro anos fixados para mentação para ensaios não destruti- complexas tecnologias, mas derrapa- ocupar as instalações da incubadora, vos (NDT) de módulos elásticos. vam nas práticas de gestão. Agora, a ATCP bateu asas em voos mais am- No Brasil, só ele fabrica o equipa- alinharam o repertório e mostram biciosos. Na nova sede desde o início mento, que é portátil e leva apenas na prática como conceitos simples de 2008, o hábito de leitura do pro- três ou quatro minutos para medir de administração empresarial fazem prietário, o físico Antonio Henrique as propriedades elásticas de amostras toda a diferença no dia-a-dia dos ne- Alves Pereira, denuncia que muita das mais diversas composições de gócios, mais ainda para estreantes. coisa mudou na rotina da empresa. materiais, de acordo com as normas A empresa começou a ganhar for- Sobre a mesa de trabalho, ele tem um de padronização do setor. E mais: ma em 2003, quando foi abrigada livro de Peter Drucker, um dos gurus sem danificar a peça. pelo Centro Incubador de Empresas da moderna administração. Ganhou “Para a mesma finalidade, o equi- Tecnológicas (Cinet) do ParqTec, ares – e consistência – de empresário, pamento de instrumentação normal- 40 99 SoluçõeS InovadoraS40-41 ATCP.indd 1 26/5/2009 14:53:59
  • 41. mente utilizado é importado, demora para realizar a análise e o ensaio é sempre destrutivo”, compara Pereira. A ATCP tem destino certo para o novo produto, de olho em fabricantes e usuários de materiais refratários, como o próprio ambiente de pesquisa acadêmica e os setores petroquímico e de siderurgia. A empresa aposta alto na relação custo-benefício. E não é à toa. “Uma solução equivalente não sai por menos de 60 mil dólares. O nosso sistema custa cerca de R$ 30 mil. Ga- rantimos alta tecnologia e qualidade, com preços acessíveis às empresas e indústrias brasileiras”, arremata. Do limão à limonada – O desen- volvimento foi realizado em parceria com o Grupo de Engenharia e Mi- croestrutura de Materiais (GEMM), da Universidade Federal de São Carlos, que havia implementado a técnica de maneira rudimentar, o que implicava lentidão no ensaio. “Nós estabelecemos uma parceria com eles, automatizamos a solução e caprichamos na ergonomia, com um design compacto”, diz Pereira, com programa Empretec, do Sebrae-SP, – uma área de 250 m2 no município uma ponta de orgulho. e outros treinamentos promovidos de São Carlos, onde mantém as O que impulsionou a mudança? pela entidade, e sentiu a diferença. divisões de desenvolvimento eletrô- “Sou físico. Hipertrofiado de um Agora demonstra equilíbrio. “Estou nico, mecânico, uma área dedicada a lado e atrofiado do outro”, ironiza em um processo de aprendizado na ultrassom e outra para mecatrônica, o empreendedor. “Não que eu não parte de administração, design e ge- além da parte comercial e adminis- dominasse as ferramentas de gestão. renciamento de projetos”, explica. trativa. “Já temos nove funcionários e Na verdade, nem sabia que elas exis- A transformação impactou a estru- espaço para crescer mais, com soluções tiam”, admite. tura da ATCP, que deixou uma sala de alto valor agregado”, projeta o em- O bom humor guarda um fundo de 20 m2 no Cinet, com três funcio- preendedor, confiante de que a nova de verdade. Pereira fez cursos do nários, para ocupar instalação própria organização também concorre para mudar o perfil de negócios. “Facilita o acompanhamento da produtividade. Atendimento Se você não tem processos estrutura- Escritório Regional do Sebrae-SP no Centro Paulista dos e bem organizados, não consegue Modalidades: Programa de Incubadoras de Empresas, Sebraetec atender prazos. Com inovação e alta Apoio: Fundação ParqTec, Ufscar tecnologia, vamos explorar novas Tipo de inovação: produto SÃO CARLOS oportunidades de mercado”, afirma Antonio Pereira. 99 SoluçõeS InovadoraS 4140-41 ATCP.indd 2 26/5/2009 14:54:03
  • 42. • Big Pipe Confecções Com cheiro de maresia Confecção de surfwear de Santos aperfeiçoa processos, consegue aumento de 30% na produtividade e vende cerca de 13 mil peças por mês para grandes marcas O bronzeado, as tatuagens e a bermuda colorida em pleno horário de expediente logo denun- ciam o estilo de vida e de trabalho do santista Reginaldo Armbrust Ferrei- ra, proprietário da Big Pipe Confec- ções, em sociedade com a esposa, a administradora de empresas Daniela Ferreira. Ele é uma dessas raras pessoas que conseguem associar trabalho e prazer e transformar uma vocação em meio de vida. Aos 46 anos, continua “pegando onda” e afirma: “O surfe é o que me tornou empresário, desde o tempo em que, ainda bem jovem, comecei Daniela e Reginaldo a fabricar pranchas e, Armbrust Ferreira: o casamento e a depois, quando montei sociedade já duram uma estamparia numa mais de 20 anos, em garagem e passei a ven- harmonia e com boas perspectivas der camisetas e bermu- de expansão do das”. Hoje, Ferreira e negócio em 2009 Daniela, de quem é ma- rido e sócio há 20 anos, ainda vendem camisetas e bermudas, só que numa escala bem maior: a cada mês, cerca de 13 mil peças que, encomendadas por grandes clientes, recebem etiquetas famosas entre os surfistas, como Reef e Hang Loose. Ferreira concentra-se na parte comercial do negócio, enquanto Daniela se dedica à área de produção, comandando cerca de 30 funcioná- rios. É ela quem conta como a em- presa “mudou de lado”, passando de compradora a fornecedora: “Quando FOTOS luludi/luZ a Big Pipe foi criada, em 1987, mon- tamos uma loja própria e investíamos na marca, anunciando em revistas es- 42 99 SoluçõeS InovadoraS42-43 Big Pipe Confecções_Santos1 1 26/5/2009 14:54:27
  • 43. pecializadas em surfe. Porém, depen- do Senai, por intermédio da Escola díamos de fornecedores terceirizados. Antônio Souza Noschese, de San- Quando começamos a ter problemas tos, cujos consultores visitaram a no fornecimento, pensamos: esse é Big Pipe e fizeram um minucioso um nicho promissor, que podemos relatório da situação operacional da explorar”. Daí em diante, a Big Pipe empresa. “Tínhamos prazos de en- (grande tubo) decolou, principal- trega e, quando a semana terminava, mente depois de remover algumas faltavam 100, 200 peças de uma en- pedras no caminho. comenda, e aí não dava mais tempo “Quando chegamos a um deter- para completar o pedido”, lembra minado ponto, percebemos que, para Reginaldo Ferreira. avançar mais, seria preciso melhorar Entre janeiro e abril de 2007, processos e, em especial, o controle os consultores concentraram-se na da produção”, conta Ferreira. “Fazía- tarefa de aperfeiçoar os processos de mos um controle semanal, mas não controle de produção e de mensu- tínhamos um conceito definido. Foi ração do tempo médio das tarefas, aí que decidimos buscar o apoio do enquanto estimulavam também uma o desperdício. “O olhar de alguém Sebrae-SP, que já conhecíamos desde mudança comportamental. O desafio de fora é importante”, diz Daniela. que fizemos o Empretec.” era buscar eficiência com o mesmo “Muita coisa passa despercebida por quadro de pessoal, sem comprome- nós, que vivemos diariamente aquela Fim da rotina – Dessa vez, entrou ter a qualidade e sem investimento rotina.” A consultoria sugeriu uma em cena o Sebraetec, com o apoio em estrutura física, além de reduzir série de iniciativas, e os resultados não demoraram a aparecer, segundo Ferreira: “Entre 2007 e 2008, conse- guimos um ganho de produtividade de 30% com o mesmo número de funcionários. Hoje sabemos o que cada funcionário faz, hora a hora”. Consolidados os processos im- plantados com base na consultoria tecnológica, chegou a hora de crescer para valer. “Agora vou renovar os equipamentos, para automatizar cada vez mais a produção, e contratar ope- radores de máquina com mais capaci- tação, em um degrau mais alto, mais qualificado. No nosso setor, sobram empregos para pessoas qualificadas”, afirma Ferreira. O próximo passo, ele revela, será a ampliação do espaço físico da Big Atendimento Pipe, hoje com 550 m2: “Pretende- Escritório Regional do Sebrae-SP na Baixada Santista mos ocupar o andar de cima deste Modalidade: Sebraetec mesmo prédio, para dobrar nossa Apoio: Senai área de produção, e adquirir padrões Tipo de inovação: organizacional SANTOS mais elevados para a conquista da certificação de qualidade ISO”. 99 SoluçõeS InovadoraS 4342-43 Big Pipe Confecções_Santos2 2 26/5/2009 14:54:37
  • 44. • Brascom – Brasil Metalúrgica Vocação empreendedora “Nasci para ser empresário”, diz o proprietário da Brascom Metalúrgica, que esbanja disposição para crescer e vê duplicar a produtividade ano a ano, desde que abriu a empresa na incubadora E ra o ano de 2004 quando nasceu Atendimento do Sebrae-SP decidido a , a Brascom Brasil, num galpão de conseguir se abrigar na incubadora, 150 m2 , na Incubadora Empresarial recém-inaugurada. No primeiro ano, Adaptamos algumas máquinas anti- gas e fabricamos o resto do maquiná- rio aqui mesmo”, recorda. Também de Fernandópolis. “Começamos do processava menos de 1 tonelada de se encarregou de produzir os modelos zero, com apenas um funcionário”, aço por mês para fabricar cerca de de escapamento, um a um. Em 2006, lembra o proprietário, Wilson Pe- 300 peças. Hoje, utiliza mais de 15 decidiu diversificar e começou a fa- reira da Silva, que até então atuava toneladas e produz cerca de 5 mil bricar bancos para máquinas pesadas. no comércio de autopeças. Com a peças. “Com pouco dinheiro, você Com o mostruário ampliado, detém experiência adquirida no setor, jul- tem que fazer dar certo com criati- hoje 10% do mercado de reposição gou que era o momento de trocar a vidade, parcerias e muita inovação”, desses dois itens no estado de São venda pela produção e abriu afirma Silva. Paulo – de longe, o maior consu- a Brascom, para fabricar Wilson Pereira A criatividade ele mos- midor brasileiro de escapamentos e escapamentos de veículos da Silva trocou trou logo no início. “A assentos para veículos pesados. pesados. Juntou suas econo- o comércio pela empresa não tinha ca- A julgar pelos resultados, a estra- indústria e hoje colhe mias e procurou o Posto de os frutos da ousadia: landra nem dobradeira. tégia se mostrou acertada – mas, ao “Sem o apoio do Sebrae-SP, o negócio não teria decolado tão depressa”, ele afirma FOTOS milTOn manSilha/lUZ 44 99 SoluçõeS InovadoraS44-45 Brascom_Fernandopolis.indd1 1 26/5/2009 14:55:00
  • 45. mesmo tempo, representou o maior desafio. “Nós estávamos ainda con- solidando a linha de escapamentos, quando passamos a fabricar os assentos. Foi difícil administrar o crescimento”, reconhece Silva. Nas conquistas da metalúrgica, ele dá relevo à participação do Sebrae-SP: “Eu costumo dizer que isso foi o mais importante. Sem essa orientação e a consultoria especializada, o negócio não teria decolado tão depressa”. Preparando terreno - Para superar as dificuldades, a Brascom teve o apoio do Sebraetec, programa de consultoria tecnológica do Sebrae-SP, com o apoio do Senai, que sugeriu essencial para que a fábrica ganhasse hoje à frente de 33 colaboradores. mudanças no arranjo físico do chão competitividade em suas duas linhas. Outra inovação se percebe na admi- de fábrica e a implantação de um “Implantamos o conceito de células nistração do negócio. “Reconhece- software de gestão para acompanha- e melhoramos o fluxo da produção”, mos a importância do planejamento mento diário dos resultados. Era o esclarece o empreendedor. Agora, re- no suporte às decisões estratégicas. cém-graduada na incubadora, a em- O Sebraetec, por exemplo, abriu um presa tem novo endereço, numa área universo que é fundamental para a de 1.500 m2 no Distrito Industrial visão de negócios”, revela. de Fernandópolis, a 554 quilômetros Hoje, o empresário se orgulha de de São Paulo. “Conseguimos montar possuir um sistema de controle de um layout que aprimorou o conceito qualidade à altura das exigências do de células. O material flui na linha mercado: “Conferimos cada produto de montagem. Em três semanas, que sai”. Para acompanhar a pro- produzimos o mesmo volume do mês dução, a equipe comercial também anterior, e o prazo de entrega caiu de cresceu. Três funcionários comandam 15 para três dias”, comemora. um time de 12 representantes de Ele faz questão de lembrar que o vendas, com metas claras. O desafio capital humano é outro grande agen- – trazer cinco novos clientes por mês, te das mudanças. “Os funcionários entre novos e aqueles que estão inati- sempre estiveram motivados e com- vos – tem sido cumprido à risca. Não prometidos com os resultados”, diz, é demais quando se considera que o volume de vendas praticamente dobra ano a ano, desde a criação da empre- Atendimento sa. “Não comecei na incubadora para Escritório Regional do Sebrae-SP em Votuporanga fazer escapamento. Entrei para ser Modalidades: Programa de Incubadoras de Empresas, Sebraetec empresário”, distingue Silva. “Vamos Apoio: Fundação ParqTec, Associação Comercial e Industrial continuar ao lado do Sebrae-SP, por- de Fernandópolis que a ideia é crescer sempre, buscar Tipo de inovação: processo FERNANDÓPOLIS diferenciais e estar em evidência no nosso negócio”, afirma. 99 SoluçõeS InovadoraS 4544-45 Brascom_Fernandopolis.indd2 2 26/5/2009 14:55:07
  • 46. • Brasil Ozônio Água mais pura Atento a essas oportunidades, Me- nasce criou em 2003 a Brasil Ozônio, que, dois anos depois, ganhou o apoio do Sebrae-SP, por meio do Sebraetec; Com tecnologia aperfeiçoada no Centro Incubador de do Centro Incubador de Empresas Empresas Tecnológicas, empresa aposta no gás ozônio Tecnológicas (Cietec), localizado no para sanitizar, desodorizar e purificar a água campus da Universidade de São Pau- lo (USP), e de outros parceiros, para Q uando tomou conhecimento na superfície terrestre. Mesmo assim, aprimorar o desenvolvimento de um das propriedades germicidas do são incontáveis suas aplicações co- protótipo capaz de gerar ozônio. A ozônio, o empresário Samy Menasce merciais. O Departamento de Agri- parceria logo se mostrou proveitosa. logo percebeu o enorme potencial de cultura dos Estados Unidos e a Food Basta dizer que a produtividade do negócios que a produção da substân- and Drug Administration (FDA), equipamento foi multiplicada por cia em grande escala poderia oferecer. do mesmo país, consideram o ozô- 10, passando de 3 gramas para 30 “O ozônio é um poderoso antimi- nio uma substância antimicrobiana gramas por hora, graças aos ajustes crobiano e tem a vantagem de ser segura (classificação GRAS, sigla de realizados pela equipe de técnicos e 100% natural”, afirma. Gás estável Generally Recognized as Safe, professores de entidades como somente na alta atmosfera, o ozônio que identifica substâncias o Instituto de Pesquisas pode ser obtido por curtos períodos seguras para o alimento). Samy Menasce, Tecnológicas (IPT), um criador da Brasil Ozônio: entre as possibilidades de negócio está a limpeza do lago do Ibirapuera, na capital paulista FOTOS milTOn manSilha/lUZ 46 99 SoluçõeS InovadoraS46-47 Brasil Ozonio_SP.indd 1 26/5/2009 14:55:37
  • 47. dos parceiros do Sebrae-SP no aten- dimento à pequena indústria. Para chegar a esse resultado, foi necessário um investimento da ordem de R$ 500 mil. Segundo Menasce, o ozônio não deixa sabor ou odor, não provoca irritação da pele ou de mucosas, proporciona água incolor e cristali- na, não gera resíduos prejudiciais ao meio ambiente e, no fim do processo, se transforma em oxigênio. Além de purificar a água de poços artesianos e substituir o cloro no tratamento de piscinas, pode ser usado na descon- taminação de rios e lagos, no trata- mento de efluentes industriais e na sanitização de embalagens plásticas e alimentos, como hortaliças e peixes. “O potencial de mercado é fantástico, com um grande leque de aplicações”, acentua o empresário. versas versões e capacidades, para a produtos geralmente usados em Portas para o mercado – Assim, em purificação de água de poços artesia- sanitização, a exemplo de cloro e de- 2007 a Brasil Ozônio estava pronta nos, tratamento de água de piscinas tergentes. “Ozonizar a água encanada para ingressar no mercado e iniciar e limpeza de caixas de água. dispensa o uso de cloro”, afirma. “Já a comercialização de seus geradores De acordo com Menasce, o poten- funciona assim em Paris, na França, de ozônio, inclusive com diversi- cial do ozônio não para por aí. “O por exemplo. E a água fica muito mais ficação de produtos. Atualmente, problema é que o desenvolvimento saudável.” Seguindo essa estratégia, a comercializa três linhas básicas de desse segmento esbarra na burocra- Brasil Ozônio fechou contrato com equipamentos: o BRO3-HA, um cia”, argumenta. “Na Europa e nos a Companhia de Saneamento Básico higienizador e desodorizador de ar Estados Unidos, o ozônio já é uti- do Estado de São Paulo (Sabesp) e que pode ser utilizado em hotéis, lizado no tratamento de infecções e está implantando a purificação por restaurantes e indústrias; o BRO3-LP inflamações, mas no Brasil ainda não ozônio em algumas estações que (acima, à direita), uma lavadora de existe permissão da Agência Nacional fornecem água de poços artesianos. alta pressão para hospitais, indústrias, de Vigilância Sanitária (Anvisa).” Outro projeto em estudo com a Sa- supermercados, frigoríficos, motéis, Menasce acredita que o uso do besp é a limpeza e a purificação da rodoviárias e aeroportos, e o sistema ozônio tende a se difundir porque água do lago do Ibirapuera, na capital gerador BRO3, produzido em di- não é prejudicial à saúde, como os paulista. “Também já implantamos geradores em clubes e academias que precisam tratar a água de piscinas, en- Atendimento tre outros negócios”, informa. Com faturamento mensal de cerca de R$ Escritório Regional do Sebrae-SP Capital Oeste 150 mil, Menasce diz que a Brasil Modalidades: Programa de Incubadoras de Empresas, Sebraetec Ozônio cresce em média 20% ao mês Apoio: Cietec, CNPQ, IPT e segue ampliando o uso do ozônio Tipo de inovação: produto SÃO PAULO nas mais diversas aplicações. 99 SoluçõeS InovadoraS 4746-47 Brasil Ozonio_SP.indd 2 26/5/2009 14:55:45
  • 48. • Calçados Anaquel Pés no chão e A Calçados Anaquel, de Bariri, no centro-oeste paulista, vive momentos de efervescência criativa e empresa na mão empenho profissional. Há 28 anos no setor, a empresa iniciou suas atividades na vizinha Jaú e, depois da recente O poder de superação da equipe fala mais alto em tempos difíceis aposentadoria de dois dos três sócios, incorporou integralmente o conceito de parceria. “Abrimos o capital à participação dos funcionários. Hoje temos uma equipe de seis profissio- nais que resolveram levar o negócio adiante, com garra e pés no chão”, diz Gilberto Vieira Camargo, diretor da Anaquel, que produz calçados Gilberto Vieira femininos de marca própria Camargo, diretor da e para terceiros. “Temos Anaquel: funcionários clientes em vários estados se tornaram sócios da empresa, que e mantemos duas unidades produz 250 pares de em Bariri, uma de criação e sapatos por dia, com produção e outra para ven- especial atenção ao das diretas ao consumidor”, acabamento conta Camargo. O otimismo que domina a equipe se alicerçou nos conceitos assimilados na parceria com o Sebrae- SP, apoiada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Sindicato da Indústria de Calçados de Jaú, em 2006. Além de destacar a importância do trabalho coletivo, Camargo afirma que todos aprende- ram muito com o programa de Pla- nejamento e Controle de Produção (PCP), responsável pelo novo ritmo que a empresa ganhou. A consultoria tecnológica foi fundamental, segun- do o empresário: “Do corte ao acaba- mento, hoje temos a empresa na mão. Cada centímetro de tira de material, cada pingo de cola ou de tinta, tudo é meticulosamente controlado e cor- FOTOS milTOn manSilha/lUZ retamente aproveitado”, diz. Se antes a Anaquel enfrentava problemas, entre os quais a falta de controle no processo de produção, a análise dos custos industriais e o 48 99 SoluçõeS InovadoraS48-49 Calçados Anaquel_Bariri.in1 1 26/5/2009 14:56:10
  • 49. layout inadequado da fábrica, atual- dustriais da Anaquel também estão as tendências da moda e rigoroso con- mente a realidade é bem diferente. A sob controle no que diz respeito à trole de qualidade. Nosso cliente está empresa está numa fase de recomeço, mão-de-obra, própria e terceirizada, satisfeito, e é isso o que importa.” mas, de acordo com Camargo, já sai e aos meios de produção. Boa parte das vendas da empresa é na frente em vista do comprometi- feita por representantes que cobrem mento de seus colaboradores diretos Mudar é difícil – Gilberto Camargo a capital paulista, Baixada Santista, e indiretos, que prestam serviço em tem consciência de que mudanças são Campinas, Rio de Janeiro, Bahia, ateliês da região. Outro fator decisivo complicadas e usa sua vivência empre- Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Rio é, segundo o empresário, a preocupa- sarial para jogar a favor delas. “Nosso Grande do Norte e Piauí. São eles ção em preservar a qualidade e os desafio maior foi vencido: otimizar que fazem a empresa aumentar a preços adequados ao mercado, o que o controle de fabricação de nossos carteira de clientes e buscar novos vem sendo obtido com o aperfeiçoa- calçados, adequando preço de venda mercados. Camargo afirma: “Os mento dos processos de produção. ao volume de produção.” A Anaquel compradores não vêm a nós sem “Antes, havia um giro excessivo fabrica 250 pares de sapatos por dia, motivo. São conquistados por nosso na esteira, resolvido com o layout com muito cuidado na criação, no trabalho sério e pelo que sabem da resultante do PCP. Também foram desenvolvimento e no acabamento nossa qualidade. Esse é o resultado adotadas correções, como na car- de suas coleções. “Não abrimos mão natural de nossa evolução”. teira de pedidos, que nos permitem da qualidade e da produtividade, dois Outro aspecto que ele faz questão planejar melhor nosso calendário de pilares da empresa. Cada nova coleção de ressaltar é a preocupação da Ana- atividades. Tudo acaba bem quando é cuidadosamente planejada, com quel com a responsabilidade social. começa bem”, afirma. Os custos in- materiais selecionados de acordo com A empresa contribui com sua parcela para a preservação do meio ambiente ao separar todo o lixo produzido e Atendimento vendê-lo para reciclagem. Essa receita extra permitiu que os funcionários Escritório Regional do Sebrae-SP em Bauru construíssem um campo de futebol Modalidade: Sebraetec e uma área de lazer no terreno da Apoio: Senai empresa – e Camargo garante que Tipos de inovação: organizacional, processo BARIRI outras conquistas virão. 99 SoluçõeS InovadoraS 4948-49 Calçados Anaquel_Bariri.in2 2 26/5/2009 14:56:18
  • 50. • Cantinho do Pão Qualidade aprovada Em apenas seis meses, panificadora de Lençóis Paulista dobrou o faturamento e registrou aumento de 50% no número de clientes, graças, sobretudo, ao bom atendimento U ma empresa com muitos diferen- ciais, desde o acesso para cadei- rantes, com rebaixamento da calçada, até uma série de cuidados com o visual e os 60 itens de fabricação própria: assim é a panificadora Cantinho do Pão, de Lençóis Paulista, a 290 km da capital. O carro-chefe da empresa é o “caseirinho”, um pão feito a mão, com receita própria e exclu- siva. “Estamos no melhor Inês e Mauro Freire estágio possível”, diz Inês Zeferino, exemplos Zeferino, sócia na padaria, de superação: depois de tentativas que ao lado do marido, Mauro causaram frustração, Freire Zeferino, que com- o casal encontrou o pleta: “Nosso faturamento rumo e valoriza mais dobrou em seis meses, e do que nunca o aprendizado conquistamos clientes”. Inês afirma que a Can- tinho do Pão – “a panificadora do caseirinho” – chegou a esse desempe- nho graças ao programa Sebraetec, do Sebrae-SP, que, com o apoio do Se- nac e do Senai, permitiu alavancar o negócio. “Além do aumento no faturamento, tivemos ganhos em marketing, desde que procuramos inicialmente o Posto de Atendimento ao Empreendedor (PAE) de Lençóis Paulista e começamos a participar do projeto Varejo”, lembra a empresária. Outras ferramentas utilizadas pelos sócios da Cantinho do Pão foram o Empretec, as oficinas de vitrinismo, as boas práticas de fabricação de alimen- fotos denise guimarães/LuZ tos, as palestras e as ações gerenciais e de vendas. Foi isso que permitiu a contratação de dois funcionários e a adição de valor à produção e às vendas. O projeto, agora, é abrir 50 99 SoluçõeS InovadoraS50-51 Cantinho do Pão_Lençois Pt1 1 26/5/2009 14:56:40
  • 51. uma filial na avenida que é passagem obrigatória para quem entra ou sai da cidade. Para isso, contam com a filha Isabela, que põe literalmente as mãos na massa e responde pela receita de um dos doces mais vendidos. Além do atendimento no local, a padaria fornece para lanchonetes, eventos gastronômicos e para a Apae. Até chegar a esse ponto, contudo, foram “muitas cabeçadas porque o negócio era tocado com a cara e a co- ragem”, lembra Inês. Ela conta que, antes da padaria, trabalhou durante muito tempo em balcão de comércio, enquanto o marido trabalhava com um caminhão, cuja venda gerou o capital para a abertura do negócio avaliar como está o nível de satisfação próprio. Acreditavam que fosse o da freguesia. “Eles gostam de nos ver suficiente, mas logo surgiram dificul- no balcão e, hoje, os produtos de dades, das quais a mais importante fabricação própria são nosso maior era “entender que precisavam agir trunfo”, diz Mauro. como empreendedores”, no sentido O casal aposta que exorcizou de de dominar o negócio e qualificar vez os antigos problemas e acredita os funcionários. A primeira padaria que tudo é aprendizado, desde os que tiveram, em outro local, não prêmio Mulher de Negócios 2007, o tempos em que Inês se dedicava a durou mais de seis meses. As dívidas que pesou muito para nos tornar estudar culinária e o marido abria os se acumularam perigosamente e reconhecidos na cidade.” pães para analisar como eram feitos faltou analisar a realidade do bairro, Como o imóvel era do pai de Inês, e como poderiam ser aperfeiçoados. de classe média alta, que não tinha o ele sugeriu que, já que ela e o mari- “Nossos produtos são artesanais, hábito de comprar em padaria. do pretendiam utilizar aquele lugar e meu marido vem de madrugada pequenino, de esquina, por que não para produzir pães sem química ou “Linha à pipa” – O Empretec foi chamá-lo Cantinho do Pão? Foi o bromato. É o jeito de deixá-los fres- o início da virada, em 2005 e 2006, que fi zeram. Inês frequenta um curso cos e com a qualidade que nossos recorda Inês. Depois, a participação técnico de nutrição, para aprimorar clientes comprovam e aprovam”, no projeto Varejo, concluído em ainda mais a linha de produção e o afirma Inês. Com a concordância novembro de 2008, foi como “dar atendimento. Ela e o marido fazem do marido, ela ressalta que, sozinho, linha à pipa”, sem perder de vista os questão de estar sempre presentes, o empreendedor não chega a lugar objetivos. “Fui uma das finalistas do para, nas conversas “cliente a cliente”, nenhum: “Sem apoio, a gente só vai aprender a patinar, ficar encalhado no mesmo lugar. Com o Sebrae-SP, Atendimento aprendemos a evitar erros e, quan- do acontecerem, transformá-los Escritório Regional do Sebrae-SP em Bauru num aprendizado para toda a vida” Modalidade: Sebraetec – aprendizado que, na Cantinho Apoio: Senac, Senai do Pão, representa reformulação Tipos de inovação: marketing, organizacional LENÇÓIS PAULISTA de produtos e de mentalidade. 99 SoluçõeS InovadoraS 5150-51 Cantinho do Pão_Lençois Pt2 2 26/5/2009 14:56:44
  • 52. • Capril Vale do Jacuí Lição de casa bem feita Ovinocaprinocultores do Vale do Paraíba profissionalizam a atividade para ganhar espaço num mercado em que ainda predominam os produtos importados FOTOS MILTON MANSILHA/LUZ O produtor James Roberto Gomes Q uem sai da Via Dutra, em Gua- ratinguetá, e segue em direção a Cunha pode ter uma boa surpresa Foram conquistas ob- tidas à custa de muito trabalho, que mudaram o Júnior: atividade que se desenvolvia na base da tentativa e erro três crias por cabeça a cada dois anos. Nossa meta é alcançar o melhor padrão ganhou suporte técnico no km 41 da rodovia Paulo Virgínio. panorama da ovinocapri- e qualidade para de qualidade e contribuir Ali, em plena rota dos turistas que se nocultura na região. No conquistar mercado para que a atividade se dirigem ao litoral, encontra-se uma início, predominavam a aprimore cada vez mais no promissora e bem-cuidada criação de desunião do grupo e a falta estado e no país”, afirma. caprinos e ovinos, o Capril Vale do de planejamento da propriedade em Os criadores têm também o apoio Jacuí, com150 matrizes da raça Santa relação a custos e manejo. Segundo da Secretaria Municipal da Agricul- Inês e reprodutores Dorper. Gomes, o panorama mudou a partir tura de Guaratinguetá, do Sindicato James Roberto Gomes Júnior, da organização do grupo de produ- Rural da cidade, de associações o proprietário, e outros 19 produ- tores e, em consequência, do apoio comerciais do Vale do Paraíba, da tores da região formam a Associação do Sebrae-SP e de seus parceiros, Agência Paulista de Tecnologia dos de Criadores de Ovinos e Caprinos fundamentais para que a produção Agronegócios (Apta) e da Unesp, do Vale do Paraíba (Acocvap), da aumentasse 15% e a venda fosse por meio do campus de Botucatu. qual é diretor de marketing e um dos feita diretamente aos frigoríficos, e Gomes adianta que, em 2009, a fundadores. O grupo avançou muito não mais na porta da propriedade. Acocvap pretende trabalhar a todo e agora caminha para obter benefícios Gomes explica o ciclo da ovinocul- vapor, com base no que conseguiu além da compra coletiva da ração e tura: “São cinco meses de gestação desde a sua constituição, em 2005, e do sal, componentes básicos para da matriz, que resultam de um a três no que aprendeu com as dificuldades garantir a boa saúde do rebanho. filhotes. Conseguimos uma média de que teve de superar. 52 99 SOLUÇÕES INOVADORAS52-53 Capril Vale do Jacui_Cunha1 1 26/5/2009 14:57:40
  • 53. O milagre da técnica – Ele próprio de crescimento é muito grande e, enfrentou problemas quando se a cada nova iniciativa, agregamos iniciou na atividade, em 2003, e pro- valor à produção. Exemplos são o curou apoio para o desafio de superar diagnóstico inicial feito pelo Siste- a baixa perspectiva de aumentar o ma Agroindustrial Integrado (SAI) plantel. “O suporte tecnológico do do Sebrae-SP, a análise do solo para Sebrae-SP nos abre agora novas pers- semear a pastagem mais adequada pectivas de sucesso”, acredita. Os ovi- a cada local e a escolha da vacina nocultores da região, ressalta Gomes, mais apropriada às necessidades conseguiram a adequação dos proces- do rebanho. Em 2008, realizamos sos de produção e comercialização, nossa terceira exposição com produ- um grande passo para eles. E novos tores de Guaratinguetá, Taubaté e desafios serão vencidos em conjunto, Pindamonhangaba. Nesses eventos, como o aumento do capital de giro, a intensificamos a troca de experiên- ampliação do mercado e a prática de cias e demos a visibilidade de que tecnologias cada vez mais sofisticadas. o empreendimento necessita”, diz. A expectativa de Gomes reflete o âni- O empresário divide o gosto pela mo dos produtores, que já dispõem criação com outras atividades, entre de espaço para montar a infraestru- as quais o Café Capril, no próprio tura que lhes permitirá a criação em sítio onde cria seu rebanho, cuja confinamento e posterior comercia- atração é um cardápio à base de leite lização conjunta. “Nosso potencial de cabra. “O pessoal pode andar por aí à vontade, e assim o negócio se torna também uma maneira de divulgar nossos projetos”, explica – ou seja, ele uniu o útil ao agradável. Gomes tem dois empregados e conta também com a assistência de um zootecnista da associação, que acom- panha mais de perto o rebanho. Gomes não se conforma com o fato de, num país com as dimensões do Brasil, o maior produtor nacional, o Rio Grande do Sul, não consiga oferecer carne caprina suficiente para abastecer a capital paulista. A associação quer ousar cada vez mais e acredita que, quando o Vale do Pa- raíba contar com um frigorífico, será Atendimento mais fácil escoar a produção regional Escritório Regional do Sebrae-SP em Guaratinguetá e o grupo atingirá os 50 participantes Modalidade: Sebraetec na esteira dessa conquista. “Não tem Apoio: Instituto Maytenus, Unesp sentido o país ficar consumindo pelo Tipos de inovação: marketing, processo resto da vida o ‘kit cordeiro’ impor- CUNHA tado”, afirma o produtor. 99 SOLUÇÕES INOVADORAS 5352-53 Capril Vale do Jacui_Cunha2 2 26/5/2009 14:57:49
  • 54. • Casa Verde Ambiental Proezas na incubadora Aposta na prestação de serviços na área ambiental abriu caminho para a expansão da Casa Verde, empresa de Mogi das Cruzes que começou bem pequena, na Incubadora de Guarulhos N o Brasil, as empresas ainda caminham lentamente na área ambiental. No entanto, nos negócios Essa visão se torna mais viável iniciativa privada do município para quando se pode contar com o apoio abrigar projetos e empreendimentos. adequado. Foi o que fez a Casa Verde, “Só deixamos a incubadora quando de pequeno porte há empreendedores da área de consultoria ambiental, ao o espaço disponível tornou-se pe- que pensam – e agem – como gran- procurar a Incubadora de Empresas de queno para abrigar o crescimento da des, sem medo de fazer feio ou de Guarulhos, instalada pelo Sebrae-SP empresa. Agora, temos praticamente encarar a concorrência. A Casa Verde em parceria com outras instituições: o dobro da área anterior e podemos Ambiental, de Mogi das Cruzes, na “Nossa caminhada começou de fato acomodar melhor nossos equipamen- Região Metropolitana de São Paulo, quando o projeto foi aprovado pela tos”, diz Valmir Daniel. é um bom exemplo. Wellington Pe- incubadora”. Hoje, Wellington, sua “Acreditamos que é possível pro- reira, um dos sócios, afirma: “Uma esposa, Liliane Pereira, e Valmir Da- porcionar mais conforto à sociedade empresa, qualquer que seja seu tama- niel, ambos sócios, já atuam com o fornecimento de bens nho, para disputar o voraz mercado em uma área mais ampla, Wellington Pereira e serviços, num processo globalizado tem de fixar seus pensa- na Companhia de Arma- (à esq.) e Valmir em que mesmo a super- mentos no alto, como os chineses, zéns Gerais de Mogi das Daniel: carteira produção não comprometa diversificada de que ganharam o mundo”. Cruzes, espaço criado pela clientes atesta o o ambiente. Isso se torna potencial do mercado de atuação da Casa Verde e prenuncia um futuro promissor FOTOS andrei bOnamin/LUZ 54 99 SoluçõeS InovadoraS54-55 Casa Verde Ambiental_Mogi 1 1 26/5/2009 14:58:18
  • 55. possível mediante a coexistência controle de efluentes, por exem- harmoniosa de respeito, atitudes plo, a Casa Verde atende con- corretas e utilização de tecno- domínios, uma multinacional e logias inovadoras”, acrescenta empresas menores. Os serviços Pereira. oferecidos são bem diversifica- O Sebrae-SP e seus parceiros dos, de planejamento de sistemas tecnológicos, com destaque para de reutilização de água até a im- o Senai, sabem que, quando uma plantação do Sistema de Gestão empresa incubada evolui, ela ga- Ambiental e ISO 14001, pas- nha corpo e se estabelece no mer- sando pelo monitoramento e a cado, a exemplo da Casa Verde aferição de higiene ocupacional. Ambiental. A entidade apoia Wellington explica: 72 incubadoras no estado, que “Levamos sempre oferecem infraestrutura, geren- em conta o melhor ciamento, assessoria, qualificação custo-benefício e e integração entre negócios. buscamos conscien- tizar os funcionários Mercado aberto – A possibi- mento em processos e os clientes para lidade de se abrigar na incubadora e técnicas. Notei que, que intensifiquem foi o ponto de partida para a Casa apesar de as questões os cuidados ambien- Verde. Pereira conta que o sonho ambientais ganharem tais no processo de de trabalhar por conta própria não espaço nas comuni- produção, além de saía da cabeça dele. “Decidi então dades empresariais, mostrar os benefícios me desligar da empresa em que tra- notadamente na indústria, havia que as normas setoriais podem trazer balhava e me aperfeiçoei ainda mais deficiência na prestação de serviços aos negócios e às pessoas”. em química do meio ambiente.” Em especializados”, diz. A gama de serviços e o modo 2006, fez mestrado na Universidade Era um desafio impossível de ser como são oferecidos vêm do tempo de São Paulo (USP), com foco em vencido sem mudanças estruturais. em que a empresa participava da tratamento de águas poluídas. “Na Os sócios organizaram, então, um incubadora. E não é de hoje que Incubadora de Guarulhos, encontra- modelo funcional enxuto, de modo Pereira conhece o Sebrae-SP. Ainda mos os parceiros que nos permitiram que cada um responda por uma área estudante, participou de um curso viabilizar a formação do empreendi- estratégica da empresa: Pereira é o a distância e, uma vez empresário, mento”, explica. gestor de processos, Liliane cuida percebeu que a instituição poderia se Mesmo depois de superada a eta- da área comercial e Valmir Daniel tornar “a grande parceira de todas as pa de consolidação da Casa Verde, fica com a parte administrativa. Eles empreitadas”. Também participou de Pereira se mantém realista. “Em meu oferecem recursos tecnológicos que feiras e rodada de negócios promovi- trabalho com especialidades químicas propiciam o atendimento a clientes das pela entidade. e meio ambiente, acumulei conheci- de qualquer porte ou segmento. Em Além de destacar o auxílio de insti- tuições sérias, “sem o qual dificilmente uma empresa prospera sadia, nesse Atendimento ambiente cada vez mais competiti- vo”, Wellington Pereira sabe que o Escritório Regional do Sebrae-SP em Guarulhos equilíbrio da balança está em colocar Modalidades: Programa de Incubadoras de a meta de sucesso no mesmo patamar Empresas, Sebraetec do trabalho contínuo, numa estrutura Apoio: Centro São Paulo Design, Senai sólida. Tudo para fazer valer os princí- Tipo de inovação: processo MOGI DAS CRUZES pios que sustentam a empresa. 99 SoluçõeS InovadoraS 5554-55 Casa Verde Ambiental_Mogi 2 2 26/5/2009 14:58:23
  • 56. • Cerâmica Lucevans Bons ventos Com a paisagem restaurada pelo adequado manejo ambiental e uma operação sustentável, a fabricante de cerâmicas Lucevans confirma que o respeito à natureza rende dividendos também à rentabilidade do negócio FOTOS MILTON MANSILHA/LUZ Vanda Miquelotti e, à direita, algumas das etapas de produção da Cerâmicas Lucevans: S opram ares de mudança na pe- alcançavam 20% do to- próximo passo será a integradas – de novas comercialização de quena Panorama, no extremo tal de peças produzidas. créditos de carbono tecnologias nas olarias à oeste paulista. E não é força de ex- Agora, com pequenas capacitação em gestão. O pressão. Às margens do rio Paraná, intervenções e mudanças APL impulsionou a quali- a cidade tem na cerâmica vermelha que conciliam o adequado manejo dade do produto final e a criação de uma atividade tradicional, com mais ambiental a critérios bem definidos uma cooperativa de ceramistas, que de 80 pequenas olarias, em um dos na operação, a empresa aumentou hoje reúne 67 fabricantes e sinaliza o grandes polos da produção nacional. a produtividade e se prepara para fim da concorrência predatória. A novidade é que a fumaça densa, comercializar créditos de carbono, O segredo da sustentabilidade está que durante décadas escureceu a incorporando a última tendência na combinação de bagaço de cana, paisagem local, denunciando o uso mundial em sustentabilidade. casca de amendoim e pó de serra. É o da lenha no processo de queima, hoje A mudança começou em 2005, que basta para o preparo da biomassa dá lugar a uma produção mais limpa, com os primeiros contornos do pro- que hoje alimenta os fornos. “De a partir da biomassa. jeto de desenvolvimento do Arranjo longe se podia ver a fumaça preta A Cerâmica Lucevans, da empre- Produtivo Local (APL) de Cerâmica que saía da fábrica”, lembra Vanda, sária Vanda Miquelotti, dimensiona Vermelha do Oeste Paulista. Pro- hoje interessada em aprimorar a o significado da mudança. Em movido pelo Sebrae-SP, com apoio produção ecologicamente correta. 2006, atrelada a um arcaico modelo da Ecológica Assessoria, do Senai e “Com o novo processo de queima, a operacional, amargava perdas que do IPT, o esforço conjugou ações fumaça é branca e reduzimos muito 56 99 SOLUÇÕES INOVADORAS56-57 Ceramica Lucevans_Panorama1 1 26/5/2009 14:58:47
  • 57. o impacto ambiental”, diz. com impacto direto em O ganho na preservação todos os insumos da ope- da qualidade do ar rende ração – da racionalização dividendos para além da da matéria-prima aos cus- operação na olaria. tos de energia. A empresa também investiu R$ 36 mil Aliança estratégica – A na compra das 12 máquinas Lucevans, por meio da que preparam a mistura Ecológica Assessoria, con- da biomassa. Estabeleceu tabiliza os créditos de car- critérios simples, mas ca- bono para negociar no pazes de fazer a diferença mercado internacional. na qualidade final. Começa Também chamados de Re- com a escolha e a mistura dução Certificada de Emis- da argila, que recebe trata- sões (RCE), os créditos são bônus que O preço, antes aviltado pelos atra- mento especial na secagem – antes atestam a diminuição da emissão dos vessadores, é agora calculado em bases acontecia ao relento e agora é feita em gases do efeito estufa, responsáveis de mercado. O negócio se fortaleceu barracões fechados. Até os carrinhos pelo aquecimento global. Por con- e ganhou credibilidade. “Recebemos de transporte da cerâmica são dife- venção, uma tonelada de dióxido de informação, treinamento e incentivo renciados, para evitar atrito. A linha carbono (CO2) corresponde a um para acreditar no negócio e investir, em de produtos se diversificou, atenta crédito de carbono. Significa que a um processo contínuo”, diz Vanda, que aos novos padrões de arquitetura e consciência ambiental ainda soma destaca o apoio decisivo do Programa engenharia. A Lucevans comerciali- pontos à rentabilidade do negócio Gestão Ambiental, do Sebrae-SP, na za blocos de seis, oito e nove furos, da Lucevans. E mais: além de racio- evolução tecnólogica de sua empresa. canaletas, elementos vazados e crivos nalizar o uso de recursos naturais, a A regra, agora, é acabar com des- para a fabricação de fornos – tudo empresa também investiu para corri- perdícios e reduzir custos operacio- conforme a necessidade do cliente. gir limitações técnicas. Hoje, confere nais. Desde 2007, o índice de perdas O mercado percebeu a mudança mais qualidade ao produto final. despencou de 20% para apenas 5%, e a carteira de clientes cresceu. Com tamanho fôlego para inovar, a fabri- cante conquistou em 2007 o prêmio Atendimento Empresa Destaque, concedido pela Escritório Regional do Sebrae-SP em Federação das Indústrias do Estado Presidente Prudente de São Paulo (Fiesp). E as perspectivas Modalidades: Programa Gestão Ambiental, Sebraetec prometem. De 2006 a 2008, a Luce- Apoio: Ecológica Assessoria, Fepaf, IPT, Senai vans saltou de 300 mil para cerca de Tipos de inovação: organizacional, produto, processo PANORAMA 600 mil peças mensais. Para 2009, a previsão é crescer 50%. 99 SOLUÇÕES INOVADORAS 5756-57 Ceramica Lucevans_Panorama2 2 26/5/2009 14:59:01
  • 58. • Chácara Paiol Do Japão a Bebedouro Produtor decide utilizar de forma produtiva um condomínio planejado para o lazer e cria um negócio na área de agricultura orgânica que cresce ano a ano, assim como a qualidade M anter só para lazer uma área de 1 hectare num condomínio de chácaras em Bebedouro, no norte A decisão, em 2001, se baseava na Integrado (SAI). Com apoio técnico, informação adquirida, ainda no Ja- superaram as dificuldades e alcan- pão, em fitas de programas rurais com çaram resultados expressivos. Na paulista, não era bem o que queriam foco em produtos orgânicos, alugadas chácara, o casal produz alface, rúcula, Marco Antonio Stante e sua mulher, para ajudar a passar o tempo, sem couve, brócolis, vagem, chicória, Kazuko Matsumoto. Decidiram en- opção de programas de TV em língua cenoura, tomate-cereja e beterraba. tão realizar o sonho de se dedicar à portuguesa. Em 2002, um amigo No início, Stante tinha o terreno, a produção de alimentos orgânicos e, falou dos cursos e de outros serviços vontade e a parceria da mulher, mas assim, aplicar numa atividade rentá- que o Sebrae-SP oferecia a dekasse- faltava o conhecimento específico vel a poupança que fizeram em nove guis em início de carreira. Em para desenvolver, sozinhos, anos de trabalho no Japão. Stante ex- 2006, Stante participou de um negócio ainda pouco plica: “Sempre gostei de mexer com uma consultoria de supor- Marco Antonio difundido. “Quem domi- Stante e suas hortas hortaliças, até por uma questão de te tecnológico com outros sempre bem cuidadas: nava as técnicas de agri- vida saudável, e ali mesmo na nossa produtores atendidos pela poupança feita com cultura orgânica menos casa estava a chance de me tornar um entidade, no âmbito do muito trabalho convencionais guardava produtor de verdade”. Sistema Agroindustrial no Japão foi bem tudo a sete chaves”, lem- aplicada na chácara que se tornou referência na região FOTOS renaTO lOpeS/lUZ 58 99 SoluçõeS InovadoraS58-59 Chacara Paiol_Bebedouro.in1 1 26/5/2009 14:59:24
  • 59. bra o empreendedor. Como se não Stante. Todos eles obtiveram o aval da Ele cita, entre as inovações mais bastasse, o solo de sua propriedade Associação de Certificação Instituto relevantes, as que lhe permitiram era arenoso. “Com essa terra, você Biodinâmica, que os credencia como tornar a propriedade produtiva vai vender é areia, e não hortaliças”, produtores de orgânicos. Stante pode e rentável, com destaque para as brincou um dos primeiros técnicos buscar outros mercados, mas está sa- técnicas de recuperação do solo me- que foi até a chácara de Stante – sem tisfeito com a decisão de atuar apenas diante análise, seguida da cobertura imaginar o que viria em breve. A pro- em feiras, e sua chácara é referência verde. A escolha do maquinário e dução cresceu 40% nos últimos três na região. “Tem cliente que, além de de utensílios adequados é também anos, impulsionada pelo domínio das comprar na feira, vem até aqui para importante. Stante utiliza um micro- técnicas de cultivo e pelo crescimento repor o estoque doméstico e levar o trator e protege o solo com plásticos da demanda por produtos orgânicos. produto ainda mais fresquinho.” apropriados e tela de sombreamento Os produtos são vendidos em feiras O produtor diz que aprendeu mui- para preservar as mudas. da cidade. to em pouco tempo, especialmente Entre seus ganhos na gestão do em relação a manejo, cuidados com negócio e na melhora do processo, A força do associativismo – O o solo e controle de custos, com os o produtor destaca também o fato aprendizado foi abreviado com a consultores do SAI que prestaram de ter assimilado “o ponto certo na criação da Associação Agrícola Orgâ- atendimento tecnológico. Stante escala de produção, ou seja, seguir nica de Bebedouro (AAOB). “Somos quer mais, e já participou de cerca de a sequência correta de plantio, de sete produtores, e um não concorre dez feiras e congressos especializados, acordo com as condições climáticas e com o outro, pois cada um cultiva para conhecer novas técnicas e novi- do solo, entre outras”. Outro aspecto tipos diferentes de hortaliça”, conta dades em equipamentos. relevante está nos cuidados com as pragas, como o pulgão. “Em produ- ção orgânica, importa mais prevenir, Atendimento o que é feito com a aplicação de cálcio, para fortalecer as folhas das Escritório Regional do Sebrae-SP em Barretos espécies. Aí, o pulgão não consegue Modalidade: Sebraetec comê-las. Em nosso setor, não se Apoio: Instituto Maytenus eliminam as pragas; aprende-se a Tipos de inovação: organizacional, processo BEBEDOURO conviver com elas”, ensina Stante. 99 SoluçõeS InovadoraS 5958-59 Chacara Paiol_Bebedouro.in2 2 26/5/2009 14:59:29
  • 60. • Chácara São Francisco Em harmonia com o meio ambiente Produtor de orgânicos em Barretos aprimora oferta, conquista clientes e aumenta rentabilidade em 30% A conquista de consumidores fiéis, capazes de reconhecer que produtos orgânicos são importantes com qualidade e na escala certa, de e avós. Ele é um dos dez integrantes modo a contribuir com a preservação da Cooperativa dos Produtores Ru- ambiental e aumentar o faturamento rais da Região de Guaíra (Cooperg) para a alimentação saudável, com e a rentabilidade do empreendi- que obtiveram, em 2006, o selo da a vantagem de sua produção não mento, que cresceu cerca de 30% Associação de Certificação Instituto agredir o meio ambiente: isso é o que em um ano, segundo o produtor. Biodinâmica (IBD), depois de passar mais deixa satisfeito Jorge Misyoshi De família tradicional no pela consultoria tecnológi- Ikari, proprietário da Chácara São cultivo de hortas, Ikari fez Jorge Misyoshi Ikari ca do Sebrae-SP, por meio Francisco, em Barretos, no norte de o curso de técnico agrícola ao lado de Edna e do programa Sistema São Paulo. Os resultados confirmam e resolveu dar novos ru- dos filhos, exibindo Agroindustrial Integrado alguns dos produtos a eficácia da receita. Ikari produz mos à atividade dos pais que cultivam (SAI), com o apoio do na Chácara São Francisco: vendas cresceram depois da certificação IBD FOTOS renaTO lOpeS/lUZ 60 99 SoluçõeS InovadoraS60-61 Chacara São Francisco_Barr1 1 26/5/2009 15:00:04
  • 61. Instituto Maytenus. A consultoria totalizou cerca de 120 horas, dividi- das em diagnóstico, suporte e oficinas tecnológicas. O grupo perseguia essa qualificação há pelo menos dois anos e enfrentava problemas para adequar o processo produtivo às normas e aos regulamentos de produção orgânica da certificadora. Ikari e sua mulher, Edna Miyoko Suzuki, auxiliados apenas por um funcionário diarista, dão conta de cultivar mensalmente 1.500 maços de cheiro verde, mil de alface, 100 de cenoura e 100 de beterraba, além de outras centenas de maços de mais nove produtos, vendidos diretamente aos consumidores e a dois supermercados de Barretos. Isso significa algo em torno de 30% Ganhos em comum escolha dos insumos e acima do que produziam antes, com – Ikari destaca, entre do manejo mais adequa- muito mais qualidade. “O apoio que os benefícios alcança- do das espécies. “A soma tivemos do Sebrae-SP e seu parceiro, dos, o fato de atuarem desses fatores fez com na Cooperg, foi o responsável maior em conjunto, no caso que conquistássemos por eu ter conseguido superar a falta das compras, depois mercados de produtos de conhecimento técnico em agri- de muita consultoria, orgânicos, com mais cultura orgânica. Com esse suporte desde 2004, até chegar valor agregado”, explica. técnico, conquistei a certificação e à certificação, em 2006. Entre outras práticas consegui a tão sonhada redução de “A certificação é um seguidas em sua pro- custos”, afirma o produtor. Ikari marco que deve servir priedade, Ikari cita o contou também com orientações de incentivo a outros plano de manejo e as focadas na importância do trabalho produtores, para que se dediquem orientações técnicas relativas ao uso em grupo, segundo os conceitos do a essa atividade nos moldes que de insumos restritos, a organização e cooperativismo e do associativismo, aprendemos”, afirma. Outro aspecto o estabelecimento de áreas de plantio ações que fizeram com que seus pro- relevante foi a utilização do plano e barreiras de proteção, o plano de dutos ganhassem em sabor, coloração de plantio e adubação, de acordo recomposição ambiental e a orga- e consistência. “Em resumo, torna- com os princípios da boa cultura nização e os registros do processo ram-se muito mais saudáveis e nossa orgânica, que leva em conta, antes produtivo. O produtor acredita que clientela aumentou 30%”, diz. de mais nada, o estudo do solo, para é possível avançar mais se o trabalho feito até agora tiver continuidade, a fim de arregimentar um número Atendimento maior de cooperados. Ikari estima Escritório Regional do Sebrae-SP em Barretos que, na região, existe potencial para Modalidade: Sebraetec dobrar o número de associados da Apoio: Instituto Maytenus Cooperg. “Aí, teríamos ainda mais Tipo de inovação: processo BARRETOS força para fazer baixar os custos de insumos e ampliar o mercado.” 99 SoluçõeS InovadoraS 6160-61 Chacara São Francisco_Barr2 2 26/5/2009 15:00:09
  • 62. • Ciao Mao Calçados interativos Com apoio do Sebraetec, designer paulista dá adeus à padronização e introduz o conceito de customização interativa, com calçados que podem ser reinventados pelo consumidor final A designer paulista Priscila Callegari resolveu aliar a paixão por sapa- tos à experiência profissional acumu- calçados customizáveis – feitos sob medida, ao gosto do cliente. A história de sucesso começou em “Fiquei surpresa com o Sebrae-SP, que exibe muita consistência empre- sarial. Fiz o curso Empretec e tam- lada em mais de 20 anos de atividade 2006, quando a designer procurou bém me surpreendi com a qualidade no segmento de varejo de moda femi- o auxílio do Senai, em São Paulo, e a eficiência”, diz a empresária. Com nina. A Ciao Mao, marca premiada decidida a levar adiante a ideia de o suporte técnico adequado, veio o no setor calçadista, é a expressão desse fugir do lugar comum e desenvolver impulso que faltava para concretizar sonho, acalentado com boas doses de calçados femininos originais. O Senai a ideia e conferir ao negócio seu inovação e criatividade. “Desenvolvi se encarregou de fazer a ponte com formato atual. “O sapato é a menor um conceito alternativo, alinhado o escritório do Sebrae-SP em Franca, e mais íntima forma de arquitetura”, ao espírito do nosso tempo”, explica hoje o maior polo calçadista do esta- defende Priscila. E é exatamente esse Priscila, hoje à frente da empresa do. A entidade buscou consultorias o conceito que imprime em suas co- instalada no bairro de Pinheiros, na especializadas, somando esforços para leções. Para perseguir a originalidade, capital paulista, tida como a primeira fazer decolar a Ciao Mao, que nascia desenvolveu, ao no mundo a investir no conceito de com a promessa do ineditismo. lado do Sebrae-SP, Priscila Callegari e, à direita, algumas de suas criações: sapatos únicos, ao gosto do cliente, representam o diferencial que situa a empresa num nicho original FOTOS andrei bOnamin/LUZ 62 99 SoluçõeS InovadoraS62-63 Ciao Mao_SP.indd 1 26/5/2009 15:00:43
  • 63. por meio do programa Sebraetec, calçadista. “Havia dificuldade para norte-americano. Dois meses depois, um variado leque de adereços custo- fabricar os moldes”, conta a empre- na etapa mundial do concurso, ficou mizáveis, como franjas, pingentes e sária. “Não tínhamos escala, e a ideia, com a medalha de bronze. “Com os tiras, que inovam na composição dos apesar de inovadora, não era consi- prêmios, a marca ganhou visibilidade, materiais. “Os consumidores com- derada comercial pelas empresas do e mais portas se abriram na indústria pram um par e, com os acessórios, setor”, acrescenta. Não chega a sur- calçadista”, atesta Priscila. podem fazer inúmeras combinações, preender. Mas, com perseverança, a Sem deixar de lado a sofisticação, a reinventando seu sapato conforme a Ciao Mao aparou as arestas e superou Ciao Mao concilia, em escala indus- roupa e a ocasião.” a incredulidade do mercado. “Fomos trial, o emprego do rico artesanato Do plano de negócios à modela- em frente e acabamos encontrando brasileiro e o uso sustentável dos gem dos calçados, nenhum detalhe parceiros dispostos a nos atender, materiais. Agora, parte para diversi- ficou de fora do planejamento da fornecendo matérias-primas e fabri- ficar a linha de produtos, fabricados empresa. A escolha da marca também cando os moldes”, revela. em sua maioria com couro natural, não foi ao acaso. É uma referência Hoje, ganha reconhecimento e palmilha conformada e saltos baixos, ao mundo globalizado, onde Ciao consolida posição na vanguarda da como dita a moda. A numeração, que representa o ocidente e Mao traduz moda. Em 2008, conquistou a me- foi objeto de extenso estudo, vai do a síntese do pensamento oriental. “É dalha de ouro no primeiro Prêmio 34 ao 40, com opções para todos os um adeus à padronização e a celebra- IDEA/Brasil, a edição nacional do gostos, num imenso mercado – mu- ção da diversidade”, explica Priscila. International Design Excellence lheres entre 18 e 60 anos, que prezam Award, uma das mais importantes o bem-estar, valorizam o design e não Inovação premiada – Difícil mesmo premiações de design do mundo, se deixam levar pela mesmice. “Elas foi vencer a resistência da indústria realizada há 30 anos no mercado buscam conforto acima de tudo”, diz Priscila. Além contar com um show room Atendimento da marca, em Pinheiros, a Ciao Mao Escritório Regional do Sebrae-SP em Franca está presente no bairro paulistano Modalidade: Sebraetec de Moema e no Rio de Janeiro. O Apoio: Senai desafio agora é expandir ainda mais Tipos de inovação: organizacional, produto SÃO PAULO o negócio, que, segundo Priscila, já alcançou o equilíbrio financeiro. 99 SoluçõeS InovadoraS 6362-63 Ciao Mao_SP.indd 2 26/5/2009 15:00:50
  • 64. • Cleplax Indústria de Plásticos O detalhe que faz a diferença Seguindo o receituário das modernas técnicas de produtividade, a Cleplax investiu em tecnologia para reduzir custos e tornar-se mais competitiva C onvicto de que nunca é tarde para mudar, o empreendedor Edison Luiz Scomparin decidiu que, em processos e na gestão industrial e trocou suas oito sopradoras manuais por quatro novas máquinas auto- O índice de perdas na linha caiu de 15% para 1%, e a fábrica disparou. “Nossa produção aumentou em mé- enfim, chegara a hora de partir para matizadas, com modernos sistemas dia 40%”, estima Scomparin. a modernização da Cleplax Indústria integrados de controle e processo. Os Até que chegasse a esse resultado, de Plásticos, uma empresa com mais equipamentos renderam economia no entanto, o empresário enfrentou de 60 anos de experiência na fabrica- no consumo de energia e melhor muitos dos problemas que costumam ção de frascos de polietileno. Inovou aproveitamento da matéria-prima. acontecer quando uma indústria opta pela automação de processos. Feito o investimento, Scomparin constatou que não conseguia extrair do maqui- nário o desempenho esperado. Falta- va a bagagem técnica para a correta parametrização dos equi- pamentos: “Tínhamos Edison Scomparin: conhecimento empírico, desafio imposto pela automação de mas pouca familiaridade processos foi superado com esse novo mundo com persistência da tecnologia”. A ajuda e apoio técnico de especialistas do IPT veio do Sebrae-SP, que e do Sebrae-SP buscou o apoio de uma instituição para equa- cionar as dificuldades da pequena empresa. Foi nessa etapa que o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) somou forças à equipe da Cle- plax. A empresa recebeu a visita de consultores do IPT e do Sebrae-SP, por meio do Sebraetec, num trabalho feito especialmente para atender às demandas das indústrias de transfor- mação de plástico. O programa oferece desde asses- soria tecnológica em processos até FOTOS mariO miranda/LUZ treinamento do pessoal da produ- ção, além de intervir com soluções precisas para eliminar gargalos e azeitar a estrutura operacional. Na Cleplax não foi diferente. Durante 64 99 SoluçõeS InovadoraS64-65 Cleplax_SP.indd 1 26/5/2009 15:01:44
  • 65. três dias, os técnicos do IPT estu- temperatura acima da recomendada com a produção de peças mais leves daram as instalações da empresa, para a matéria-prima utilizada. Os – um grama a menos. “Parece pouco, em uma consultoria que fez toda a ajustes foram efetuados para reduzir mas não é”, garante Scomparin. “Em diferença na operação da fábrica. Da o tempo de resfriamento das peças algumas peças, representa redução matéria-prima a testes de operação, no molde, o que também concorreu de quase 20% no peso. Multiplique cada detalhe foi cuidadosamente ana- para diminuir em um segundo o ciclo isso por todos os pedidos de um ano lisado. O laboratório móvel realizou de injeção para cada peça produzida. e fica claro que a racionalização da ensaios físicos para medir o grau de Mais um ganho de produtividade. matéria-prima pode fazer diferença impurezas e contaminação das resinas no balanço da empresa”, ensina. empregadas, o teor de voláteis e o Diversificação e competitividade Com a planta automatizada, a índice de fluidez dos materiais. Em – O resultado final reflete uma nova empresa também pôde enxugar seu outra frente, reformulou processos, visão de negócios e investimentos de quadro de funcionários, com ganhos recomendando a adoção de fichas fôlego para turbinar o desempenho importantes na produtividade. Em- técnicas para amparar o trabalho das da fábrica. No total, foram R$ 4 polgado com os resultados obtidos, equipes de produção. milhões, também aplicados para mo- o empresário preserva o foco na “Esses pequenos ajustes técnicos dernizar a etapa de injeção. A Cleplax modernização, agora para ampliar uniram-se ao nosso conhecimento aposentou oito injetoras antigas e o portfólio de serviços, com a oferta empírico para garantir grandes opera agora com duas máquinas da de uma nova linha de fabricação di- vantagens competitivas”, avalia última geração do segmento de au- rigida a seus tradicionais clientes dos Scomparin, lembrando que durante tomação industrial. Investiu também segmentos veterinário, de alimentos, a consultoria tecnológica realizada na aquisição de novos moldes, im- laboratórios e cosméticos. Trata-se pelo IPT constatou-se que uma das portados de Portugal, que ajudaram de um equipamento para rotular os injetoras estava trabalhando com a a racionalizar os custos do processo, frascos de polietileno. “É um novo serviço que nos permitirá um salto competitivo, pois nossos clientes po- Atendimento derão encurtar a cadeia de fornecedo- res”, destaca. A reboque da mudança, Escritório Regional do Sebrae-SP Capital Oeste a Cleplax ainda comemora ciclos de Modalidade: Sebraetec produção mais curtos: “Os pedidos le- Apoio: IPT vavam até dez dias para ser entregues; Tipo de inovação: processo SÃO PAULO agora são apenas dois dias”. 99 SoluçõeS InovadoraS 6564-65 Cleplax_SP.indd 2 26/5/2009 15:01:51
  • 66. • Cliper Comércio e Confecção de Uniformes Sucessão com estilo Quatro irmãos assumem empresa criada em 1942 e apostam na inovação para incorporar processos e renovar uma marca tradicional em um mercado altamente competitivo N o segundo andar da sede da Cliper Comércio e Confecção de Uniformes, empresa com 67 anos O resultado aparece na qualidade do pai, que faleceu em 1992, depois de produto final”. meio século à frente da empresa. Os São iniciativas simples como essas, quatro filhos – os advogados Paulo, de tradição, no centro de Santos, pequenos detalhes, que acabam por Carla e Jorge e o dentista André Paulo Atik Abdalla aponta para a diferenciar uma empresa da outra – acabaram assumindo o negócio, área de produção, no térreo, onde num mercado altamente competitivo deixando de lado as carreiras em que as costureiras abandonaram suas como esse em que a Cliper atua, acre- se formaram. “Muita coisa mudou máquinas e, animadas, movimentam dita Abdalla. “Nossa marca é conhe- desde então, e hoje a família inteira os braços em mais uma sessão de cida pela qualidade, pelo acabamento vive dessa empresa”, afirma Paulo Ab- ginástica laboral, e afirma: “Veja só, primoroso, e tudo isso dalla, de 36 anos, responsá- isso também é inovação. Investimos depende da motivação da Paulo Atik Abdalla vel pela produção e líder na motivação do pessoal, porque as- equipe”, afirma, lembran- aposta na qualidade natural na administração sim todos trabalham mais satisfeitos. do as lições deixadas pelo e na motivação da do negócio. equipe: empresa familiar encontrou novos caminhos e aumentou a produtividade FOTOS luludi/luZ 66 99 SoluçõeS InovadoraS66-67 Clipper Uniformes_Santos.i1 1 26/5/2009 15:02:25
  • 67. trou-se uma evolução de pelo menos 30% na produtividade. O número de funcionários também revela a evolu- ção da Cliper: eram 30 quando houve a sucessão, hoje são 95. Entre tantas mudanças, a empresa só manteve o público-alvo: como no início, o foco continua sendo a produção de uniformes profissionais, a maior parte para as indústrias do polo de Cubatão, como a refinaria da Petrobras e a Cosipa. “Tenho uma clientela que, devido à qualidade do nosso produto e à tradição da empre- sa, sempre volta a nos procurar. No mercado de uniformes, costumam dar muita importância ao preço bai- Parte dessas mudanças se deve em que cada costureira cuida de um xo, mas tentamos mostrar aos clientes ao trabalho do Sebrae-SP, segundo trabalho específico, e reorganizar que isso não é nada sem qualidade Abdalla: “Sempre tentamos inovar. os controles de mensuração de re- e durabilidade. É preciso avaliar o Fizemos Empretec e concretizamos sultados. “A partir daí, iniciamos o custo-benefício”, afirma Abdalla. E uma parceria na área tecnológica, crescimento planejado da produção”, acrescenta: “Hoje vendo tudo o que por meio do Sebraetec, com o apoio diz Abdalla. “Antes, tudo corria de consigo produzir”. do Senai, para aperfeiçoamento, um jeito pouco profissional.” Além de continuar aumentando treinamento e atualização tecnoló- O empresário a produtividade, o gica”. O ponto alto desse trabalho diz que, depois das empreendedor agora ocorreu entre junho e outubro de consultorias, enten- planeja a compra de 2006, quando a Cliper procurou deu o que faltava máquinas eletrôni- o Sebrae-SP para resolver um im- na Cliper: “Além cas mais modernas, passe: as vendas corriam bem, não dos controles, era para ganhar agilida- faltavam clientes, mas não havia jeito essencial motivar a de e acompanhar o de aumentar a produção. Também equipe. Se eles es- avanço da tecnolo- ocorriam dificuldades nos sistemas tiverem motivados, gia, sempre com a de controle de produção. o processo flui; se consultoria do Se- não estiverem, nada dá certo. Então, braetec. Abdalla acredita que, com Tradição e mudança – Os consul- investimos na área tecnológica e na ou sem crise, o mercado continuará tores assumiram o desafio de mudar parte motivacional”. Os resultados aquecido: “Estamos muito otimistas o layout da área de produção, criar não demoraram a aparecer. Segundo com a ampliação das atividades da metas, implantar o sistema de células, Abdalla, logo no primeiro ano regis- Petrobras na Baixada Santista e a exploração dos novos campos de petróleo na bacia de Santos. Nessa Atendimento onda virão muitas indústrias e em- Escritório Regional do Sebrae-SP na Baixada Santista presas prestadoras de serviços. Que- Modalidade: Sebraetec remos acompanhar esse crescimento Apoio: Senai e buscar alternativas de melhorias, Tipo de inovação: processo mesmo matando um leão a cada dia”, SANTOS acrescenta Abdalla. 99 SoluçõeS InovadoraS 6766-67 Clipper Uniformes_Santos.i2 2 26/5/2009 15:02:33
  • 68. • Dai Artefatos de Junco O poder do design No Vale do Ribeira, uma atividade tradicional que se mantinha estagnada por quase oito décadas conseguiu se renovar graças à combinação de associativismo e criatividade Q uando acorda cedo para acom- panhar a atividade na oficina e vistoriar os campos cobertos de junco de seu sítio em Registro, no Vale do Ribeira, a 230 km da capital de São Paulo, Douglas Massayuki Naoi faz bem mais do que cumprir uma rotina de trabalho. Ele ajuda a manter uma tradição que remonta à primeira metade do século 20, intimamente ligada à cultura de seus antepassados. Dono da Dai Artefatos de Junco, Naoi faz parte de um grupo criado pelos pais e avós dos Douglas Naoi ao lado de um dos teares da atuais produtores, que por Dai: participação anos e anos vinha tecendo nas oficinas de design esteiras, sandálias e mais acrescentou mais de 20 produtos à linha e uns poucos itens, com re- criou a possibilidade sultados desanimadores até de vender em vários pouco tempo atrás. estados brasileiros É uma longa história, iniciada em 1933, com ousadia e certa dose de risco. Ao embarcar em Fukuoka, no Japão, rumo ao Brasil, o pioneiro Shigeru Yoshimura trouxe pouca bagagem e, bem oculta no bolso do casaco, uma preciosa muda de junco. Ao se esta- belecer em Registro, plantou o junco e, depois, distribuiu as novas mudas entre os conterrâneos da região. O detalhe é que a “importação” desse tipo de planta era ilegal. “Foi exatamente o que aconteceu com o chá cultivado no Vale do fotos andrei bonamin/LUZ Ribeira”, observa Naoi, ao lembrar que em 2007 houve a “revolução” que mudou a produção de junco na região, provocada pela introdução de um dos programas do Sebrae-SP, 68 99 SoluçõeS InovadoraS68-69 Dai Junco_Registro.indd 1 26/5/2009 15:03:09
  • 69. técnico, como compras e vendas em conjunto, ta- bela de preços, melhoria na qualidade e no acaba- mento e desenvolvimento de uma marca única – Junco –, devidamente registrada pelo grupo do Empreender. o Empreender. “Veio uma moça “O trabalho nas oficinas com ideias novas, falando em design de design foi encerrado, mas o gru- e em outras utilizações do junco que po continua unido e, sempre que cultivávamos”, conta Naoi. A moça qualidade, e, acima de tudo, a pouca necessário, contamos com o apoio era uma consultora contratada pelo variedade de itens. do Sebrae-SP”, explica Naoi. O en- Sebrae-SP, que passou quase um ano trave, segundo o empresário, ainda se na região, promovendo oficinas para Novidades surpreendem – Entre os concentra na comercialização. Sem mostrar aos produtores que aquele desafios impostos ao grupo, além da divulgar números, Naoi diz que as delicado e macio junco poderia ter diversificação da linha, destacava-se vendas crescem, mas não no ritmo múltiplas aplicações comerciais, além a necessidade de ampliar o mercado, que deseja, embora tenha ampliado das inevitáveis esteiras e sandálias. com foco em produtos com grau seu mercado. “Continuo vendendo As alternativas proporcionadas pelo mais alto de sofisticação. “Depois mais em São Paulo, mas também design ganharam ainda mais força das oficinas de design, aumentamos vendo para estados como Paraná, quando seis produtores decidiram a linha e lançamos 21 produtos.” O Santa Catarina, Rio de Janeiro e se unir para contar, também, com os resultado surpreendeu pela beleza e o Espírito Santo. Nossa marca está benefícios do associativismo. cuidado nos detalhes: pastas para do- ficando conhecida.” Em outubro de No diagnóstico realizado pelos cumentos, bolsas, mochilas, sandálias 2008, Naoi participou de mais uma técnicos do programa Empreender femininas e masculinas, viseiras, feira de presentes e decoração, dessa foram apontados problemas como chapéus, tapetes, almofadas, pufes, vez em Curitiba – um caminho que os competição dentro do grupo, dife- caixas, cestos, porta-objetos, jogos produtores encontraram para divulgar rença nos padrões de qualidade e americanos e muito mais. suas criações e, talvez, exportar. nos preços, concorrência de produtos A isso se somaram as vantagens do Segundo Naoi, a empresa, que chineses, mais baratos e de menor projeto de cooperativismo e do apoio hoje tem seis funcionários, foi cria- da por seu pai há cerca de 40 anos e batizada de Takara, que significa Atendimento “tesouro”, em japonês. “Quando Escritório Regional do Sebrae-SP no Vale do Ribeira meu pai faleceu, eu mudei o nome Modalidade: Sebraetec para Dai, que significa ‘grande’”, ex- Apoio: Centro São Paulo Design plica, deixando claro que, no grupo Tipos de inovação: organizacional, produto REGISTRO de Registro, as metas são do mesmo tamanho da tradição. 99 SoluçõeS InovadoraS 6968-69 Dai Junco_Registro.indd 2 26/5/2009 15:03:21
  • 70. • Duan Internacional do Brasil Para pequenos pacientes Empresa de Itu explora novas tecnologias de transluminescência e desenvolve no Brasil o primeiro localizador de veias para uso pediátrico, com grande potencial de mercado U ma solução inovadora promete pediatra José Humberto Moromiza- aliviar a rotina de pequenos to, proprietário da Duan. “Com o pacientes no ambiente clínico-hos- VenosBaby, pode-se detectar mesmo paulista com apenas um funcionário. Com o apoio do Sebrae-SP e o res- paldo da equipe da UTI pediátrica pitalar. A novidade vem da Duan as veias mais difíceis, imperceptíveis do Hospital Infantil Darcy Vargas, Internacional, empresa sediada em ao tato e à visão”, sustenta. centro de referência na capital pau- Itu, no interior paulista, que apre- O surpreendente é saber que uma lista, a Duan venceu os desafios do senta ao mercado seu VenosBaby, um tecnologia com impacto tão impor- desenvolvimento da solução e agora localizador de veias especialmente tante partiu de uma microempresa conquista o reconhecimento do mer- desenvolvido para o atendimento a recém-nascidos, bebês prematuros e crianças de baixo peso. Conhecido na linguagem médica como venoscópio, o aparelho é capaz de identificar veias e vasos no interior do corpo, facili- tando os procedimentos de acesso venoso, para tornar José Humberto menos dolorosas a coleta Moromizato, médico e empreendedor: de sangue e a injeção de previsão de venda medicamentos. A solução mensal de 500 da Duan adota a tecnolo- VenosBaby para gia de transluminescência clínicas, hospitais e UTIs pediátricas (em que a luz passa através de um corpo) e tem como diferencial o design anatômico, concebido para garantir o conforto do pequeno paciente, com total se- gurança para o operador, médicos e enfermeiros. Em contato com a pele da criança, o VenosBaby aciona um conjunto de elementos luminosos de alta intensidade, que permite um contraste interno das veias periféricas. Bem mais visíveis, as veias aparecem como um mapa, que detalha sua ramificação e permite determinar o calibre, o trajeto e a permeabilidade. FOTOS andrei bOnamin/LUZ “Com isso, sabe-se com exatidão onde estão as veias no momento de puncionar uma delas ou de aplicar uma injeção, evitando sofrimentos desnecessários aos bebês”, explica o 70 99 SoluçõeS InovadoraS70-71 Duan_Itu.indd 1 26/5/2009 15:03:45
  • 71. cado brasileiro e internacional, com nesse desenvolvimento”, lembra Mo- perspectivas de negócios em países romizato. “Hoje, não apenas temos como Chile, Bósnia e Argentina, uma versão comercial como incor- onde já firmou acordos de represen- poramos uma série de inovações ao tação comercial. conceito de venoscópio, que fizeram O esforço começou em 2007, por do VenosBaby uma das atrações do meio do programa Sebraetec, com Congresso Internacional de Análises o apoio do Senai, que auxiliou na Clínicas em 2008”, ressalta. busca de soluções de ergonomia e aprimoramento do produto. Era o Precisão e segurança – Moromizato fôlego que faltava para a expansão também reforçou a bagagem com os da empresa. Criada em 1986, então conceitos de gestão repassados pelo como um negócio de representação, Empretec e aproveitou a expansão a Duan havia ensaiado os primeiros dos negócios para profissionalizar de passos como desenvolvedora de solu- vez a estrutura da empresa, até então ções tecnológicas em 2001, quando num anexo da própria residência do lançou o Venoscópio IV, para uso em empresário. Agora com sede em Itu, adultos. Mas foi graças ao VenosBaby a cerca de 100 km da capital paulista, que a empresa se consagrou, trazendo a Duan inaugura uma área de 250 m2 a versão de uma grande ideia, agora inteiramente dedicada à produção. A para pequenos pacientes. “Ninguém expectativa é alcançar inicialmente acreditava que poderíamos ter êxito 500 peças por mês do VenosBaby, para abastecer os pedidos de clínicas e hospitais, principalmente de UTIs pediátricas. Com a estrutura do pro- duto totalmente computadorizada, a Duan deve empregar mais três funcionários na etapa de montagem final do aparelho e se prepara para ampliar sua força comercial. O primeiro protótipo do VenosBa- by surgiu em maio de 2008, repleto de inovações. O aparelho é compos- to de duas hastes rotacionáveis, de onde são emitidos feixes de luz para o interior do tecido subcutâneo. As veias absorvem a luz e são vistas como linhas escuras que se destacam na tonalidade da pele. “Aos poucos, fomos fazendo as adaptações neces- sárias para uso pediátrico, como a flexibilidade de rotação, o tipo de Atendimento luz empregado e a utilização do ten- siômetro para graduar a intensidade Escritório Regional do Sebrae-SP Capital Sul dos feixes, que tornou dispensável a Modalidade: Sebraetec conversão mecânica. Graças ao apoio Apoio: Senai que recebemos, atingimos nosso ob- Tipo de inovação: produto ITU jetivo”, afirma o empresário. 99 SoluçõeS InovadoraS 7170-71 Duan_Itu.indd 2 26/5/2009 15:03:52
  • 72. • Estância Encantada Leite “medalha de ouro” Produtores da região de São José do Rio Preto adotam técnicas de melhoramento genético do rebanho, avançam na produtividade e surpreendem o mercado J unte médico, empresá­rios, dentis- ta e pessoas que vivem exclusiva- mente do trabalho no campo. Daria Instituto Aequitas, com a meta de se dedicar à pecuá­ria leiteira, em melhorar a rentabilidade da cadeia 2001, praticamente sem experiência, leiteira da região. a não ser o que observavam na região, um eclético grupo para o churrasco “Nosso trabalho é de formiguinha. entre amigos produtores. Ele, ex-co- de fim de semana ou o futebol de Cada um faz sua parte, devagar e sem- merciante de tecidos, e ela, ex-desig- domingo. Em São José do Rio Preto, pre”, diz o porta-voz do Grupo SAI ner e vendedora de joias, juntaram no noroeste paulista, deu muito mais. Noroeste Quali Leite, Adacir José da tino comercial e sensibilidade num Em abril de 2008, produtores de sete Mota, dono da Estância Encantada, negócio que se tornou referência de municípios uniram-se para criar o em São José do Rio Preto. O qualidade. Hoje, o casal grupo Quali Leite, ao qual se aliou o produtor e a esposa, Maria Gê e Adacir ao viaja muito para partici- Sebrae-SP, por meio dos programas Gecineide Simão Mendes, lado de exemplares par de eventos e palestras, Sistema Agroindustrial Integrado a Gê, deram uma guinada de um rebanho a convite do Sebrae-SP. muito bem tratado: (SAI) e Sebraetec, com o apoio do na vida quando decidiram aprendendo um pouco Recentemente, a Estância mais a cada dia e descobrindo que sempre é possível ir mais longe FOTOS milTOn manSilha/lUZ 72 99 SoluçõeS InovadoraS72-73 Estância Encantada.indd 1 26/5/2009 15:04:25
  • 73. adequadas e viá­veis para cada um deles. Algumas providências já­ de- ram resultado. Foram encontradas respostas, por exemplo, para a gestão de forragens, essencial para assegurar a qualidade da alimentação do reba- nho, e em relação à genética. Se os índices zootécnicos são baixos ou se o manejo de á­gua para irrigação é de- ficiente, técnicos credenciados pelos parceiros do Quali Leite comparecem para buscar soluções. Entre as iniciativas colocadas em prá­tica, Mota cita as consultas com especialistas, as discussões sobre inseminação e Encantada recebeu o Prêmio Supera- Neves Paulista, o planejamento ção Empresarial, do Sebrae-SP, que Nipoã e São José forrageiro. Mais destaca os empresá­rios mais com- do Rio Preto. São soluções es- petitivos em seus setores, segundo vacas das raças tão para sair do critérios internacionais de qualidade holandesa, jérsei forno, entre as – conquista que Mota compartilha e girolando, que quais programas com os parceiros tecnológicos e com produzem cerca de 500 litros diá­rios. de acasalamento, investimento em o grupo. Com muitos problemas comuns, o assistência técnica para reprodução “Quem pensa que sabe tudo já­ grupo ganhou força “quando o SAI, e projetos de irrigação. começa errado”, afirma o produtor. com suas ações de difusão de infor- Ele se convenceu de que a melhoria mações técnicas, passou a ser presença Lucro certo – “Nosso desafio é traba- genética do rebanho é o que há­ de constante”, diz Mota. Ele lembra que, lhar e pensar juntos”, diz Mota, para mais importante. Dá­ gosto ver as graças ao Sebraetec, as ações foram definir o espírito dos integrantes do suas pouco mais de 20 vacas da raça intensificadas mediante o diagnósti- Quali Leite. Ao bom desempenho de jérsei, bem cuidadas, numa á­rea de co zootécnico das propriedades, que suas vacas jérsei, em breve vão se 4,6 hectares. “Gado é como gente: resultou em planejamento, principal- juntar algumas da raça holandesa. quer ser bem tratado”, define Gê. mente da alimentação do rebanho; O produtor fala de seus planos: Os integrantes do Quali Leite aná­lise para escolha de matrizes, “Comprei um embrião por R$ 15 possuem um rebanho de 800 reses, compras conjuntas e participação mil e, já­ na venda do primeiro dos em pastos nos municípios de Cedral, em eventos. O diagnóstico apontou seis embriões produzidos, consegui Jaci, Nova Aliança, Potirendaba, os problemas e também as soluções zerar o investimento. Agora, mi- nha vaquinha está­ prenhe e logo vem a primeira cria. É só lucro”. Atendimento O Quali Leite não para por aí. “Já­ fizemos o levantamento das pro- Escritório Regional do Sebrae-SP em priedades para tomar novos rumos. São José do Rio Preto Daqui a algum tempo, estaremos Modalidade: Sebraetec comercializando juntos. Lá­ na frente, Apoio: Instituto Aequitas SÃO JOSÉ partiremos para a industrialização Tipos de inovação: organizacional, processo DO RIO PRETO conjunta”, acrescenta Mota. 99 SoluçõeS InovadoraS 7372-73 Estância Encantada.indd 2 26/5/2009 15:04:34
  • 74. • Exa-m Instrumentação Biomédica Uma contribuição à saúde pública Maurício Marques de Oliveira e, à direita, o hemoglobinômetro Agabê: ainda abrigada na Incubadora de Mogi das Cruzes, a empresa já planeja exportar seus produtos Um original medidor portátil de hemoglobina abre a lista de projetos abrigada. No espaço vizinho, os sócios de relevância social de uma pequena empresa de Mogi das Cruzes mantêm também a Sépia Assessoria e Consultoria, criada em 2005. U m medidor portátil de hemo- globina, de fácil manuseio e portabilidade, que permite diagnos- dos sócios da empresa. O Agabê se tornou viável em 2007, graças à participação do Sebrae-SP, com o Os empresários reuniram conhe- cimento acadêmico e experiência em negócio para desenvolver iniciativas ticar anemia em tempo real: essa foi apoio do Centro São Paulo Design, de alcance social. Maurício é veteri- uma das importantes contribuições e agora só depende da aprovação nário, mestre em engenharia biomé- da Exa-m Instrumentação Biomédica final da Associação Nacional de dica e há seis anos chefia o Biotério à saúde pública do país. Localizada Vigilância Sanitária (Anvisa) para Central da Universidade de Mogi das em Mogi das Cruzes, no Alto Tietê, a chegar ao mercado. “Cumprimos Cruzes. Seus sócios são Jair Ribeiro Exa-m batizou o hemoglobinômetro as várias etapas do processo, satis- Chagas, farmacêutico, doutor em de Agabê, atenta à demanda do mer- fazendo todas as exigências, há um biologia molecular, com vivência cado: “Desenvolvemos um projeto de ano e meio”, explica Oliveira. A no meio acadêmico e em pesquisa design ergonômico, reunindo tudo produção se realiza numa das salas clínica numa multinacional, e Paulo o que o operador necessita”, afirma da Incubadora Tecnológica de Mogi Alberto Paes Gomes, físico e doutor Maurício Marques de Oliveira, um das Cruzes (Intec), onde a Exa-m está em engenharia biomédica. 74 99 SOLUÇÕES INOVADORAS74-75 Exa-m_Mogi das Cruzes.indd1 1 26/5/2009 15:06:43
  • 75. “Nosso foco é a área de saúde pública, e pretendemos também exportar o hemoglobinômetro”, diz Oliveira. Ciente da dificuldade de realizar parcerias comerciais e inves- timentos mais significativos, ele des- taca a importância da parceria com a incubadora, o Sebrae-SP e a USP como fator fundamental para tornar possíveis os projetos da Exa-m. Cenário favorável – A Sépia, explica Oliveira, surgiu da união das com- petências em projeto e desenvolvi- mento de Gomes e do conhecimento administrativo de Chagas, na esteira de um cenário nacional favorável à inovação tecnológica, que beneficia as pequenas empresas que mantêm as antenas ligadas no mercado. “Em o desenvolvimento do projeto”, conta Cada uma das empresas ocupa junho de 2005 fomos acolhidos na o empresário. Ele diz que a vantagem uma área de 40 m2. Com os recursos Intec e, três meses depois, iniciamos do Agabê é a possibilidade de o apare- obtidos por meio da Rede de Incu- lho ser levado facilmente a qualquer badoras Tecnológicas do Estado de lugar, sem necessidade de deslocar São Paulo (Raitec), a Exa-m pôde o paciente. Além disso, o produto é se dedicar ao aprimoramento da 100% nacional e mais barato do que qualidade. Conta para isso com seu os similares importados. próprio Sistema Integrado de Gestão Até o produto final, a caminhada da Qualidade ISO 9001-2000 e com foi longa, para cumprir todas as o programa Boas Práticas na Fabrica- etapas do processo: relatório técni- ção de Produtos para a Saúde – RDC co, desenvolvimento do protótipo 059 da Anvisa. e sua transformação em produto e “Nossos parceiros nos ajudaram uma série de testes de bancada e em a conseguir certificação, apoio fi- campo. Na fase de registro, a própria nanceiro, consultoria, formação de FOTOS MARIO MIRANDA/LUZ Anvisa recomendou que fosse criada, pessoal e fomento de nossa rede de na mesma incubadora, outra empresa relacionamentos corporativos, em para produzir e comercializar o que cursos e eventos”, diz Oliveira, que havia sido desenvolvido pela Sépia está à frente de uma equipe de quatro – e nasceu a Exa-m. jovens colaboradores. Os planos são otimistas: conseguir a certificação, Atendimento desenvolver outros projetos tecno- lógicos, como um fotômetro para Escritório Regional do Sebrae-SP no Alto Tietê análises clínicas; graduar-se na incu- Modalidades: Programa de Incubadoras de Empresas, badora, contratar mais funcionários, Sebraetec fechar parcerias comerciais, realizar Apoio: Centro São Paulo Design, Cietec MOGI DAS CRUZES um plano de marketing e, finalmente, Tipo de inovação: produto exportar os produtos. 99 SOLUÇÕES INOVADORAS 7574-75 Exa-m_Mogi das Cruzes.indd2 2 26/5/2009 15:06:51
  • 76. • Faverplas Plásticos e Artefatos Brinquedo levado a sério Empresa de Sorocaba aperfeiçoa os processos de produção, investe matéria-prima. “Hoje a empresa está na qualificação da mão-de-obra e transforma perdas em lucro muito bem e caminha sólida para o futuro. Nosso sucesso se deve a um A Faverplas Plásticos e Artefatos vive em estado de graça desde que revisou o processo produtivo de O empreendimento ganhou fôlego conjunto de fatores: a parceria com no início de 2007, quando o Sebrae- essas entidades, boa administração e SP, com o apoio do Instituto de busca de mais qualidade e produtos suas unidades. Hoje, produz mensal- Pesquisas Tecnológicas (IPT), tornou diferenciados”, diz José Maria Fávero, mente cerca de 100 mil brinquedos, possível o desenvolvimento de um sócio e diretor de criação. de criação própria e sob encomenda, projeto de consultoria técnica para A Faverplas nasceu nos fundos da para brindes. Mas nem sempre foi as- ajudar a Faverplas a inovar e superar casa de Fávero, nos tempos em que sim nessa empresa familiar instalada seu maior desafio: melho- ele e a esposa, Rosemari, tra- no Retiro São João, bairro que abriga rar o desempenho por José Maria Fávero e balhavam para uma grande o Distrito Industrial de Sorocaba, no meio do aprimoramento alguns dos brinquedos indústria de brinquedos sudoeste paulista, a cerca de 96 km do processo produtivo e produzidos pela em São Caetano do Sul. da capital de São Paulo. da utilização racional da Faverplas: consultoria Alicerçado em sucessivos tecnológica mudou as perspectivas da empresa de Sorocaba FOTOS milTOn manSilha/lUZ 76 99 SoluçõeS InovadoraS76-77 Faverplas_Sorocaba.indd 1 26/5/2009 15:07:30
  • 77. cursos técnicos e na experiência ad- quirida na empresa do ABC, o casal formalizou a Faverplas, em 1999. Em 2004, eles formaram parceria com a BS Toys, que responde pela emba- lagem, pela distribuição e pela venda dos produtos. “Nossa matéria-prima é o PVC, e no aquecimento das bandejas com os moldes utilizamos parafina, para che- gar à temperatura ideal de 200 graus ça dos funcionários. “Partimos da nos fornos de rotomoldagem”, diz vontade e da necessidade de crescer Fávaro. Estão longe, no entanto, os e enfrentamos muitos problemas, dias em que a fumaça, o calor intenso como a concorrência dos chineses e e a alta temperatura tornavam difíceis de produtos contrabandeados. Mas, as condições de trabalho dos opera- com muita criatividade, conseguimos dores da unidade de produção. A falta conquistar espaço e pretendemos de conhecimento técnico foi supera- crescer mais”, afirma Fávero. da pela assessoria do Sebrae-SP, com Até alcançar essa boa situação, a o apoio do IPT, que permitiu à Faverplas ainda teve de suportar os empresa lidar melhor com efeitos de um incêndio que destruiu os fornos e praticamente suas instalações, em 2005. Era para zerar as perdas. “Com a desanimar qualquer empreendedor. temperatura adequada, “Lá era tudo nosso, o prédio e os aumentamos a produ- equipamentos. A perda foi pratica- ção, diminuímos a mente total, e recomeçamos do zero”, fadiga dos funcio- lembra o empresário, observado pela nários e conseguimos filha Monaliza e pelo genro Rodri- aprimorar nossos produ- “Treinamos toda a mão-de-obra, re- go, ambos coordenadores de área tos”, conta Fávero. Os maio- crutada em sua maioria aqui mesmo – ele na produção, ela no escritório res desafios que ele superou foram a no bairro”, afirma. central. Hoje, a empresa está instala- redução da rotatividade de funcioná- da em sede própria, onde funcionam rios e o avanço na qualidade de vida Lucro reinvestido – Fávero ressalta a administração e o setor de acaba- do operador. À frente da equipe de que também houve aumento de mento, enquanto a produção fica em quatro pessoas da família, responsá- faturamento, em boa parte destina- outro imóvel no mesmo bairro. veis diretos pelo sucesso da indústria, do a reinvestimento nas áreas que Os responsáveis pela empresa en- e dos 50 empregados (antes, eram levam a aumentar a produtividade. fatizam o fato de fazer brinquedos 28), o empresário diz que a valoriza- Pontos de honra da Faverplas são a populares para crianças de 3 a 12 ção do pessoal fez muita diferença. qualidade dos produtos e a seguran- anos. Para associar entretenimento e educação, contam com o trabalho de um artista plástico que dá forma Atendimento às criações de Fávero. Tudo passa pela aprovação do Inmetro, por meio Escritório Regional do Sebrae-SP em Sorocaba do Instituto Falcão Bauer, que faz a Modalidade: Sebraetec análise da segurança dos brinquedos, e Apoio: IPT as sobras são recicladas na própria Fa- Tipos de inovação: processo, produto SOROCABA verplas, onde nada mais se perde. 99 SoluçõeS InovadoraS 7776-77 Faverplas_Sorocaba.indd 2 26/5/2009 15:07:43
  • 78. • Fazenda Santa Inês Da cana nada se perde dois membros da instituição que já Cachaça artesanal é apenas a parte mais saborosa do ciclo estão com sua marca devidamente produtivo da Fazenda Santa Inês, em Cachoeira Paulista, registrada, fruto de muito trabalho exemplo da força do associativismo na Fazenda Santa Inês, em Cachoeira Paulista. Todos participam do projeto R uy Miguel de Andrade trocou de vez a farda de policial rodoviário federal pela roupa de roça quando jequitibá e sucupira – e, mais impor- tante, com todos os registros legais. O que antes era resultado apenas Vale Histórico, iniciativa do Sebrae- SP e parceiros, com caráter cultural, turístico e gastronômico e o objetivo se aposentou em 2001. Era hora de da parceria com o irmão Antonio de preservar as tradições da região e transformar em negócio a cachaça Carlos, na base da intuição e do gosto agregar valor aos negócios. Rui do Carrinho, que produzia desde pela coisa, hoje é referência para o Na empreitada, contam com o 1997 e cuja marca é uma referência 20 integrantes da Associação dos apoio do Instituto Biosistêmico ao pai. Ainda sem os registros legais, Produtores de Cachaça e Derivados (IBS), da Embrapa, de sindicatos ru- a bebida era vendida a granel na de Cana de Açúcar do Vale Histórico rais e prefeituras. Andrade aprendeu, propriedade da família. Contudo, do Estado de São Paulo. Fundada em entre outros conceitos, que não pode no fim de 2008, Andrade já tinha 2002, a entidade é presidida por An- descuidar de nenhuma das etapas em estoque quase 90 mil litros da drade, tem sede em Bananal e reúne da produção, desde a preparação do mais pura cachaça artesanal, pronta produtores de sete municípios do solo até a escolha da cana, o corte, a para consumo, em tonéis de carvalho, Vale do Paraíba. Andrade é um dos manutenção e a limpeza dos equi- Essa é da boa: Ruy Miguel de Andrade mostra com orgulho a cachaça que produz no alambique em Cachoeira Paulista, devidamente registrada e apta a ser comercializada FOTOS milTOn manSilha/lUZ 78 99 SoluçõeS InovadoraS78-79 Fazenda Santa Ines_Cach Pt1 1 26/5/2009 15:08:14
  • 79. pamentos. O aprendizado é tificação, que é a nossa maior fruto de cursos e palestras que conquista”, diz. deixaram clara a importância “Da cana nada se perde”, en- do trabalho em grupo, do sina. “Usamos a do tipo 7515, marketing e da administração da Embrapa, que possibilita correta. “Fizemos até viagens colheitas de até 80 toneladas a feiras voltadas para nossa por hectare.” Na Fazenda Santa atividade”, conta. Inês, queimar a cana é proi- Ele e os colegas também con- bido. A matéria-prima passa taram com o apoio do programa por uma única moagem e o Sebraetec, do Sebrae-SP, com a líquido segue para fermentação participação de um químico do ecológica, com a utilização IBS. Tudo começou pelo diagnósti- serviços de quatro colaboradores, de eucalipto certificado, bagaço da co de cada propriedade, seguido da graças à expansão da atividade depois própria cana ou palha de milho. O aplicação de dez módulos, sempre da consultoria técnica. A produção que não vira cachaça é vendido como acompanhados do consultor do Sis- cresce regularmente: de 8 mil litros, bagaço para produtores de cogumelo tema Agroindustrial Integrado (SAI), em 2002, para 25 mil litros na mais e se transforma em compostagem. O outro programa do Sebrae-SP. recente safra e previsão de chegar a bagaço é também utilizado para ali- 40 mil até 2010. As vendas cresceram mentar o próprio forno do alambique Resultados expressivos – Com 150% no período. “Temos investido ou na adubação do canavial. apenas um funcionário no início da em instalações, no aprimoramento Andrade diz que tem consciência empreitada, Andrade hoje utiliza os do processo e na obtenção da cer- de ter feito a lição de casa e que a cachaça Rui do Carrinho é da boa. “Temos o maior cuidado em manter um alto nível de qualidade. Não se pode vacilar em nada”, diz, ao exibir garrafas de suas melhores safras. O produtor afirma que o grupo do Vale do Paraíba já obteve avanços impor- tantes, como a redução dos custos de engarrafamento, com a compra de va- silhames em conjunto, a adoção de ró- tulos padronizados e a criação de uma imagem de qualidade: “O próprio trabalho em grupo é nosso principal benefício, mas ainda temos desafios pela frente. Acredito que, com essa organização e os parceiros envolvidos, atingiremos a credibilidade necessária para abrir as portas do mercado”. Uma das próximas metas é transformar a as- Atendimento sociação em cooperativa. Aos ganhos já obtidos se somarão a padronização Escritório Regional do Sebrae-SP em Guaratinguetá da cachaça, o maior volume de vendas, Modalidade: Sebraetec a conquista de grandes compradores Apoio: Instituto Biosistêmico e até mesmo a exportação da cachaça Tipo de inovação: processo CACHOEIRA PAULISTA do Vale Histórico. 99 SoluçõeS InovadoraS 7978-79 Fazenda Santa Ines_Cach Pt2 2 26/5/2009 15:08:22
  • 80. • Flor de Lis Empório e Panificadora Inovação todos os dias Depois de descobrir os benefícios do planejamento e das boas práticas, empreendedora de Orlândia planeja novas expansões e afirma que agora tem uma empresa “de verdade” D á gosto entrar na Flor de Lis, na esquina de duas ruas arbo- rizadas e tranquilas em Orlândia, hoje é dona de duas panificadoras. Porém, até chegar mais sobre o setor, ver o negócio com uma perspectiva no noroeste do estado de São Paulo. a esse ponto, a em- mais empresarial”, Uma varanda agradável, o rumor presária passou por diz Silvana, que, in- da água de uma pequena fonte, a um longo aprendi- quieta, percebia que decoração de bom-gosto, o atendi- zado, cujo ponto precisava “dar um mento simpático dos funcionários e alto foi um progra- salto”. Em 2005, o inconfundível aroma de pão saindo ma desenvolvido assistiu a uma pa- do forno deixam claro que aquele é pelo Sebrae-SP em Ribeirão Preto. lestra de um técnico do Sebrae-SP. um empreendimento bem-sucedido, A inauguração da Panificadora Flor “Eu fiquei alucinada com o que ele uma loja que poderia fazer boa figura de Lis ocorreu em 1992, e cinco apresentou”, conta. “Logo depois em qualquer cidade grande. anos depois Silvana abriu uma filial. liguei para o Escritório do Sebrae-SP “Realmente, tenho orgulho das Passaram-se então oito anos de uma de Ribeirão Preto e soube que seria minhas empresas”, afirma a proprie- cômoda rotina nas duas empresas, iniciado um projeto na cidade, em tária, Silvana Aparecida Carneiro sem grandes problemas mas também junho de 2006, específico para pa- Teixeira, ex-enfermeira-chefe do hos- sem avanços significativos. “Em deter- nificadoras. Com sede de aprender, pital da cidade que, “por intuição”, minado momento senti a ne- participei de um curso em decidiu se tornar empreendedora e cessidade de me informar Belo Horizonte e mer- Silvana Teixeira: empolgada com as gulhei nas informações. mudanças, a cada Percebi que tinha uma 15 dias ela lança empresa de verdade e que uma promoção e conquista um número existiam indicadores que maior de clientes poderiam me dar uma base muito melhor na área de gestão”, afirma. A grande inovação ocorreu no planejamento e na organização das empresas, conta Silvana. “Começa- mos a capacitar o pessoal, contratei um consultor permanente que me atende até hoje e mantemos um trabalho de acompanhamento admi- nistrativo-financeiro com avaliações semanais, além da gestão de recursos humanos. De três em três meses fazemos treinamento de pessoal, aos FOTOS LULUDI/LUZ domingos”, diz. Esse é um cenário muito diferente do que se via quando a empresa nas- 80 99 SoluçõeS InovadoraS80-81 Flor de Lis_Orlandia.indd 1 26/5/2009 16:00:57
  • 81. ceu: “Meu pai possuía um imóvel na consultorias, formou um grupo de reduzam custos, aumentem as vendasesquina do hospital, por onde circu- panificadoras e promoveu cursos e e busquem novos mercados.lava muita gente, e não havia padaria palestras. Silvana não perdeu nenhum Na Flor de Lis, os resultadosna vizinhança. Então tive a ideia de deles: “O Sebrae-SP nos apresentou, saltam aos olhos. Em 2006, eramabrir uma panificadora, por causa da por exemplo, o Programa Alimentos 22 funcionários; em 2008, 40, odemanda local. Foi mais uma percep- Seguros (PAS), que transformou que significa um aumento de quaseção, uma intuição. Sem experiência minhas empresas. O PAS consolidou 100% em dois anos. Agora, comadministrativa ou técnica, busquei todo o trabalho que eu havia imagi- base no que aprendeu nesse período,informações no Sebrae-SP e procurei nado e proporcionou uma mudança Silvana planeja montar uma centralconhecer melhor a área de panifica- radical nas lojas e na minha visão de produção para atender as duasção. A empresa começou pequena, empresarial”, afirma a empresária. lojas, o que resultará em redução decom quatro funcionários, dois na A Flor de Lis integrou um grupo despesa e aumento de produtividade.produção e dois no atendimento”. em que estavam 14 panificadoras de Ao implantar o sistema de entrega em A empresária admite que demorou Ribeirão Preto e uma de Cravinhos, domicílio, a empresária não fez por14 anos para descobrir um mundo que conseguiram melhorar os pro- menos: comprou três motocicletasnovo de informação e indicadores: cessos de produção e de manipulação e uma picape e contratou mais fun-“Fiquei fascinada, cheia de ideias, de alimentos, introduziram boas cionários. Produzindo mais de 200precisando conter minha ansiedade. práticas industriais e comerciais, itens, boa parte dos quais é renovadaPercebi que eu tinha muitas deficiên­ aperfeiçoaram o ambiente de venda e semanalmente, Silvana diz que, emcias e precisava de informações, prin- incorporaram indicadores de gestão. dois anos, conseguiu aumentar acipalmente sobre a produção”. Hoje o programa trabalha fortemente produtividade, o faturamento e a com indicadores econômicos, co­­­­mo lucratividade em mais de 30%.Transformação total – O projeto do apoio na tomada de decisões, para E, apesar dos insistentes apelosSebrae-SP em Ribeirão Preto ofereceu que as panificadoras produzam mais, dos clientes, ainda não foi seduzida pela ideia de abrir aos domingos, dia em que, com certeza, teria um óti- Atendimento mo movimento. “Estou resistindo à Escritório Regional do Sebrae-SP em Ribeirão Preto tentação. Eu e os funcionários temos Modalidades: Programa Alimentos Seguros, Sebraetec família e não sei se vale a pena perder Apoio: Fepaf, profissionais credenciados no Sebrae-SP um dia de descanso para ganhar mais. Tipos de inovação: marketing, processo Está tudo correndo bem demais”, orlândia acrescenta a empreendedora. 99 Soluções Inovadoras 81
  • 82. • Frisina Calzature Salto triplo Em apenas quatro meses, fabricante de calçados de Jaú conseguiu três proezas: multiplicou a produção, contratou mais funcionários e abriu uma filial em outro estado O administrador de empresas Claudio Roberto Clara, depois de 30 anos empregado em empresas para 23 e uma filial foi inaugurada estruturada”. Ele sentia que não era fora das fronteiras paulistas, em Ma- nada fácil o que se propunha fazer ringá, norte do Paraná. e mostrava todo esse descrédito ao de grande porte no setor público, Apesar dessa impressionante evo- questionar a especialista. decidiu que estava na hora de enca- lução, Claudio Clara lembra bem Mesmo assim, resolveu buscar rar o desafio de se tornar calçadista, da época em que se mostrava, sobre- a ajuda da entidade, por meio do justamente em Jaú, “a capital do cal- tudo, cético com as perspectivas de programa Sebraetec, com o apoio do çado feminino”, no centro-oeste do crescimento de uma pequena indús- Senai. Um consultor foi até a fábrica, estado de São Paulo. Dono da Frisina tria no Brasil. Ele conta que, depois que ainda funcionava num barracão Calzature, hoje bem que Clara pode de assistir a uma palestra promovida alugado, em que Claudio começou comemorar um salto triplo, conquis- pelo Sebrae-SP sobre a instituição e como fornecedor terceirizado para o tado em curto espaço de tempo: em os serviços prestados, foi mercado local. “Era julho menos de cinco meses, de agosto a até a palestrante e disse: Claudio Roberto de 2008, e eu e mais seis dezembro de 2008, a produção saltou “É tudo muito bonito o Clara (em pé) e o pessoas nos desdobrá- designer Marcelo de 80 para 600 pares diários, a mão- que você falou, mas isso só Frisina Rozante: vamos na produção. Eu de-obra cresceu de seis funcionários serve para uma empresa já entre os planos do nada entendia do ramo. A empreendedor estão a abertura de mais duas lojas e a construção da sede FOTOS deniSe guimarãeS/LuZ 82 99 SoluçõeS InovadoraS82-83 Frisina_Jau.indd 1 26/5/2009 16:17:29
  • 83. partir de agosto, já começamos a ter Clara. Manter-se sempre aberto a um desempenho melhor”, conta. A inovações e aprendizado também consultoria tecnológica o fez alcançar ajuda, o que é uma característica do a base que lhe permitiu dar novos empresário e do sobrinho dele. “Eu contornos à Frisina Calzature – o não sabia como tocar um negócio nome é inspirado em um sapateiro de de forma planejada, apesar de atuar muita tradição na cidade, Fernando como gerente administrativo por Frisina, avô de um sobrinho de muito tempo”, diz. Claudio, o designer Marcelo Frisina Rozante. Este tem sido parceiro im- Marketing e tecnologia – Foi com portante na empresa porque, durante esse espírito que enfrentou proble- quatro anos, fez cursos de desenhista mas, como encontrar mão-de-obra e designer de calçados em Novo qualificada num mercado bastante Hamburgo (RS). disputado. “Juntei o que sabia dos “O que aprendi em controle tempos de empregado e o que financeiro, gestão de processo, pla- aprendi com o Sebrae-SP e o Senai. nejamento e controle de produção, Coloquei tudo num liquidificador e marketing e design foi o que nos fiz as inovações necessárias”, escla- permitiu sair do estado que eu defino rece. Ações de marketing e acesso como um tiro no escuro para uma à tecnologia são apontados pelo à Frisina desenvolver seis novas situação estruturada, que possibilitou empreendedor como as inovações linhas de calçados. “Tudo foi fruto realizar os ajustes necessários”, afirma mais significativas que permitiram de muito trabalho, viagens constan- tes para comprar matéria-prima e extensa pesquisa das tendências da moda”, explica. Para o contato com os clientes em São Paulo e no Paraná, a Frisina conta com seis representan- tes comerciais. Entre as soluções que considera mais relevantes, pela praticidade e im- portância, Clara aponta as planilhas de controle financeiro, de custos e de pro- dução. Ele diz que a empresa conse- guiu chegar a um ponto de equilíbrio também porque informatizou todos os seus controles, do planejamento da linha de produção ao controle de esto- ques e ao atendimento dos pedidos de clientes. Para 2009, o empresário quer mais. Planeja aumentar a produção para mil pares diários, abrir mais duas Atendimento lojas, uma em Jaú e outra em Bauru, e construir a sede própria – nada mal Escritório Regional do Sebrae-SP em Bauru para uma empresa tão jovem, com um Modalidade: Sebraetec dono que acreditava tão pouco nos Apoio: Senac, Senai efeitos da inovação nos negócios de Tipos de inovação: organizacional, processo JAÚ pequeno porte. 99 SoluçõeS InovadoraS 8382-83 Frisina_Jau.indd 2 26/5/2009 16:17:34
  • 84. • Fundição Artesanal de Araçatuba Produção sem stress Com apoio técnico, empresa de Araçatuba eliminou o desgaste provocado pela necessidade de refazer pedidos fora de padrão e venceu as barreiras que freavam o crescimento A fundição de metais, um dos mais antigos processos conhecidos pelo homem, passa por aperfeiçoamento contínuo e é vista hoje como um campo de conhecimento tecnológico sujeito a um grande número de variáveis. Quem percorreu os caminhos da técnica reco- nhece o ganho na qualidade do produto final e acumula vantagens em todas as etapas do processo – da moldagem ao acabamento das peças. “Hoje, temos processos bem definidos, economiza- mos em matéria-prima e não sofremos com a devolução de pedidos”, diz Hermes Pozzetti Filho, sócio Hermes Pozzetti Filho e algumas das placas da Fundição Artesanal de que produz, hoje Araçatuba, que viu seu ne- apenas um dos muitos gócio evoluir ao abandonar itens da linha da processos empíricos e se Fundição Artesanal: sem apoio técnico, a orientar pelo rigor técnico, decisão de crescer com foco na qualidade. pode ser muito difícil A empresa começou mo- desta, em janeiro de 1991, numa área de 15x15 metros, concentrada na produção de peque- nas placas para ornamentação fúne- bre, em latão e alumínio. “Eu tinha só 30 clientes”, lembra Pozzetti. O inusitado é que, justamente quando a empresa decidiu dar um salto de crescimento, em 2001, ocorreu a crise. E, se não fosse o providencial apoio do Sebrae-SP e de seus par- ceiros, os problemas que surgiram na área de produção poderiam ter FOTOS milTOn manSilha/lUZ atingido níveis insustentáveis, com- prometendo uma promissora história de empreendedorismo. Tudo começou quando a Fundição Artesanal, ainda bem pequena, mu- 84 99 SoluçõeS InovadoraS84-85 Fundição Artesanal_Araçatu1 1 26/5/2009 16:18:12
  • 85. dou para um prédio maior e de fabricação e retomar as diversificou a linha, sem per- perspectivas de crescimento. ceber que não estava estrutu- Hoje, a Fundição tem rumo rada para garantir qualidade certo. O índice de defeitos na nova escala planejada. e refugos despencou para “Só sentimos o problema perto de 1% e o prazo de quando começamos a ofe- entrega caiu de 15 dias para recer placas maiores e passa- apenas dois. O faturamento, mos a ter novos produtos”, desde 2006, cresce cerca de diz Pozzetti Filho. Entre 30% ao ano. as novidades estava uma É fácil compreender por pequena peça fabricada em quê. “Com a quantidade série para uma empresa do de material que usávamos ramo supermercadista, hoje para fazer uma placa, hoje seu principal cliente. “Em fazemos duas”, diz Pozzetti. cada lote de 100 peças, de Engajada na melhoria do 30 a 35 eram devolvidas por desempenho, a Fundição falha na qualidade”, lembra Artesanal passou a aplicar o empresário. “Era um des- no chão de fábrica as prá- perdício, um desgaste geral. Produzir uma escolha clara: ou acertava na qua- ticas ensinadas pela Fundação Fritz duas vezes o mesmo pedido acabava lidade ou corria o risco de ver descer Müller. O ajuste foi geral. A empresa estressando todo mundo, sem falar ladeira abaixo os resultados comerciais substituiu a areia empregada na mol- no meu prejuízo.” e sua credibilidade no mercado. “Na dagem por um equivalente sintético. A diversificação também gerou um época, não tínhamos condições de “É uma matéria-prima mais econô- gargalo na produção. “Frequentemen- expandir, e a precária qualidade dos mica, que proporciona qualidade te, tínhamos de repetir o processo nossos processos ainda trazia a ameaça superior”, diz Pozzetti. Na fabricação várias vezes para compor uma única de perder os clientes recém-conquis- de peças sacras fundidas em bronze, placa”, explica. O problema era recor- tados”, admite Pozzetti. ele diminuiu o ciclo de fabricação e rente também na fundição de imagens eliminou as emendas, com a adoção sacras, com defeitos que, muitas vezes, Enfim, no caminho certo – Foi de novas técnicas. Aprendeu tam- só se percebiam na fase final de fabri- quando a Fundição Artesanal procu- bém a realizar ensaios para detectar cação. Como resultado, a fundição rou o apoio do Sebrae-SP, por meio defeitos antes da fusão e a dosar a desperdiçava tempo e esforço com li- do programa Sebraetec, decidida a temperatura do forno empregado na xamento e acabamento. A montagem sanar de vez os problemas na produ- queima das peças. por soldagem fazia crescer os custos e ção. A solução veio em 2006. Com a A empresa ganhou competitivida- desvalorizava o trabalho final, já que consultoria tecnológica realizada pela de e aumentou em 18% a carteira as emendas permaneciam visíveis e o Fundação Fritz Müller, contratada de clientes. De cinco funcionários índice de refugos alcançava 14%. A pelo Sebrae-SP, uma avaliação crite- no início, agora tem 23. “Nós pu- Fundição Artesanal estava diante de riosa permitiu readequar o processo demos nos dedicar a atender clientes maiores, como as prefeituras da re- gião. O volume de vendas de placas Atendimento comemorativas duplicou”, conta o empresário. “Em 2009, queremos Escritório Regional do Sebrae-SP em Araçatuba ter novamente o apoio do Sebrae-SP, Modalidade: Sebraetec pois pretendemos implantar moldes Apoio: Fundação Fritz Müller fixos para os produtos em série”, Tipo de inovação: processo ARAÇATUBA sinaliza Pozzetti. 99 SoluçõeS InovadoraS 8584-85 Fundição Artesanal_Araçatu2 2 26/5/2009 16:18:17
  • 86. • GM Couros Vendas turbinadas Com a modernização da produção e um novo programa de marketing, pequena indústria de equipamentos de proteção individual quase triplicou o faturamento e emprega 60 pessoas I nstalada em Bocaina, a cerca de 300 km de São Paulo, a GM Couros abriu suas portas em 2000, a inadimplência e a baixa produti- sucroalcooleiro, pois as vendas des- vidade. Não conseguia aumentar a pencavam na entressafra da cana. produtividade, pois dependia de Para resolver esses problemas, a com apenas cinco funcionários, e mão-de-obra especializada, cada vez GM Couros precisava aperfeiçoar produzia somente luvas de raspa de mais escassa na região. A produção os processos de planejamento, pro- couro, utilizadas como equipamento estava estacionada em 900 pares por gramação e controle de produção, de proteção individual no trabalho. dia e o faturamento mal chegava a além de melhorar a rentabilidade do Cinco anos depois, fornecendo R$ 100 mil por mês. Além disso, negócio. Também sentia falta de um exclusivamente para o setor sucroal- a empresa sentia os efeitos reforço em sua estratégia de cooleiro, a empresa ainda sofria com da sazonalidade no setor Edson e Fabiana comercialização. Estava Guelfi e, à direita, claro que tinha de diver- na foto maior, o sificar a clientela. Foi com processamento do esse objetivo que o casal couro na GM: com cinco funcionários no de empresários Fabiana início, hoje a empresa Milani Guelfi e Edson tem 60 e triplicou a Guelfi, proprietários da produção e o lucro GM Couro, procurou, em 2005, o Escritório Regio- nal do Sebrae-SP em Bauru e foi atendido pelo Sebraetec. Para a solução de parte das difi- culdades, o Sebrae-SP, com o apoio do Serviço Nacional da Indústria (Senai), designou consultores que logo iniciaram a elaboração de um diagnóstico e de um minucioso planejamento de produção. Foram adotadas fichas técnicas para cada item do portfólio de produtos. A medida conseguiu reduzir drasti- camente o desperdício da principal matéria-prima, a raspa de couro, proporcionando uma economia estimada em 10%. Além disso, foi implantado o sistema de células de produção, cada uma composta por FOTOS milTOn manSilha/lUZ quatro costureiras, para otimizar a linha de montagem. Cada costureira passou a responder por uma etapa na confecção das luvas. Antes, era preci- so contratar profissionais experientes, 86 99 SoluçõeS InovadoraS86-87 GM Couros_Bocaina.indd 1 26/5/2009 16:18:56
  • 87. rias, como náilon, lonas e vaquetas, apoiado pela Universidade Federal além de cabos de aço para proteção de São Carlos para aproveitamento dos dedos. dos resíduos e retalhos de couro, que Na área de administração, também representam cerca de dois terços do houve a contribuição do Sebrae-SP. total. É um desperdício comum no Os preços de venda passaram a re- setor, mas prejudicial ao meio am- fletir o cálculo dos custos industriais biente, pois o descarte é geralmente – fixos e variáveis –, e não a réplica realizado em aterros. dos concorrentes de Bocaina, cidade A GM Couros também solicitou capazes de produzir a luva inteira, e a onde predomina a atividade de bene- à entidade apoio para expandir nova configuração permitiu a amplia- ficiamento e acabamento de raspas de mercado e diversificar a clientela. ção dos quadros, pois poderiam ser couro para produção de equipamen- Também por meio do Sebraetec, a contratadas costureiras com menos tos de proteção individual. empresa desenvolveu um programa experiência. de marketing que incluiu a produção Os ajustes no setor de costura Disposição pessoal – Quando o as- do website, criação de catálogo de fizeram a produção subir. Restava, sunto é aperfeiçoar o negócio, Fabia- produtos e participação na Feira In- ainda, corrigir os processos na área na e Edson Guelfi não medem esfor- ternacional de Segurança e Proteção, de corte. Aliadas aos acertos na linha ços. “Hoje estamos implantando um voltada para a segurança do trabalho. de amaciamento, lavagem e secagem processo de qualidade total em nossa As ações colaboraram para fomentar das raspas de couro, foram feitas alte- linha de produção”, aponta Fabiana. os negócios da GM em setores como rações no processo de corte, entre as “E o Sebrae-SP está ajudando nisso construção civil e metalurgia, resol- quais a organização das ferramentas também”, acrescenta Edson. Outra vendo o problema da sazonalidade em quadros fixos, a limpeza das áreas inovação é a aposta na preservação sucroalcooleira e proporcionando de trabalho e a organização do almo- ambiental. A participação no Sebrae- mais estabilidade ao faturamento da xarifado de matérias-primas acessó- tec resultou também num trabalho empresa. As vendas também foram turbinadas quando a GM Couros passou a fornecer para distribuidores Atendimento de EPIs. Os resultados do esforço podem ser observados em cada canto Escritório Regional do Sebrae-SP em Bauru da empresa, que atualmente emprega Modalidade: Sebraetec 60 funcionários. A produção alcança Apoio: IPT, Senai 2,5 mil pares por dia e o faturamento Tipo de inovação: processo BOCAINA mensal passa de R$ 240 mil. 99 SoluçõeS InovadoraS 8786-87 GM Couros_Bocaina.indd 2 26/5/2009 16:19:06
  • 88. • Grupo de Cerâmica Branca de Pedreira A força da união Os protagonistas dessa história são os integrantes do Grupo de Ce- râmica Branca, resultado da união de 28 empresários do polo ceramista Polo ceramista de Pedreira inova na gestão, agrega 28 empresas, local, que hoje inovam na gestão do moderniza processos e caminha rumo à qualidade total negócio e modernizam o processo H á provérbios consagrados pela sabedoria popular que, vez ou outra, ganham sentido prático e faz a força e uma só andorinha não basta para anunciar o verão. Apoia- dos em conceitos valiosos, como as- produtivo. A prefeitura de Pedreira deu o primeiro passo. Acompanha- va apreensiva o cenário de estagna- expressão concreta no mundo em- sociativismo e cooperativismo, eles ção que começava a se desenhar na presarial. No município de Pedrei- se agruparam no modelo de Arranjo cidade, que estava prestes a perder ra, 130 km ao norte da capital de Produtivo Local (APL), um pro- a notoriedade que durante anos lhe São Paulo, um grupo de empreen- grama do Sebrae-SP, para se tornar rendera o título de “capital brasileira dedores prova que, de fato, a união mais competitivos. Hoje, contabili- da cerâmica”. Os negócios iam mal, zam os bons resultados da experiên- até que a prefeitura encontrou no cia e sabem de cor as vantagens de modelo de Arranjo Produtivo Local sua aplicação. a fórmula para fazer frente à urgên- cia e à dimensão das mudanças. A julgar pelos resultados, trilhou o ca- minho certo. Qualidade e preci- De pé, os empresários são – Com a pro- Marcos Viaro e Luciano Celotto; posta de ampliar a sentados, Pedro de sinergia operacional Oliveira e Rodrigo entre os empresários Manzato: antes concorrentes, agora do setor e conferir parceiros bem-sucedidos ao polo ceramista um novo patamar de qualidade, a prefeitu- ra apostou na força das alianças. Em parceria com o Senai, inaugurou no fim de 2007 o Laboratório de Ensaios em Cerâmica Branca, hoje a principal alavanca do desenvol- vimento local, que também recebe apoio do Sindicato da Indústria de Louças e Cerâmica do Estado de São Paulo (Sindilouças-SP). Em outra frente, a participação do Sebrae-SP foi decisiva para que- brar antigas resistências culturais e organizar os empresários em torno FOTOS luiz pradO/luz de objetivos comuns, com foco no empreendedorismo. Era o que falta- va para começar a mudar o cenário social e econômico de Pedreira. 88 99 SoluçõeS InovadoraS88-89 Grupo de Ceramica_Pedreira1 1 26/5/2009 16:19:32
  • 89. “A lógica do negócio é reco- nhecer que, juntos, somos mais fortes”, afirma Pedro de Olivei- ra, da Royal Cerâmica, um dos primeiros a encampar a pro- posta ainda em 2000, quando foram oferecidos os primeiros cursos de capacitação. “No início, tínhamos certa descon- fiança, aquele receio de mudar e não dar certo. Só eu e mais dois empresários daqui fre- quentávamos os encontros do Sebrae-SP”, recorda Oliveira. “Hoje, tudo isso está superado, e o Grupo de Cerâmica Branca já reúne 28 empresas.” A confiança e o empenho do Grupo cresceram no compasso direto e na proporção exata dos resultados conquistados. Hoje, só na compra de matéria-prima, a como fator de desenvolvimento de de de carga dos materiais para reduzir economia dos ceramistas chega a todas as cerâmicas participantes. de quase três dias para apenas um o 30%. O segredo? “Passamos a com- tempo de processamento, com eco- partilhar os pedidos para ganhar no O que aprender – A mudança salta nomia significativa nos custos envol- volume, adquirir poder de barganha aos olhos. Basta ver as fábricas, antes vidos na operação. e melhorar a lucratividade”, explica desorganizadas e, hoje, concebidas E por falar em produtividade e Marcos Viaro, da São Marcos Por- no conceito de células de produção. qualidade, os atuais indicadores im- celana, um dos quatro integrantes “Aprendemos a estudar o mercado- pressionam. Há cerca de um ano, o do comitê gestor que representa o alvo, definir preço de venda, orga- volume de produtos em não confor- grupo de Pedreira. nizar o fluxo de caixa e, principal- midade alcançava 30% do total de Na receita de sucesso, as empre- mente, a otimizar a produção, o peças. Hoje, não chega a 5%. sas incorporaram lições da moderna que perseguimos como um objetivo Com a criação do Laboratório de cartilha administrativa. Não vivem permanente, sempre atrelado à qua- Ensaios e o acompanhamento dos mais a realidade do pequeno negó- lidade”, exemplifica Viaro. técnicos e consultores do Sebrae-SP cio de tradição familiar, no qual se Só no processo de moagem, etapa e de seus parceiros, todas as variáveis repetia o modelo de trabalho cal- estratégica na fabricação da cerâmi- capazes de comprometer o resultado cificado há gerações. A palavra de ca, o ganho de escala chega a mais final da peças de cerâmica são mi- ordem, agora, é profissionalização, de 30%. Bastou corrigir a capacida- nuciosamente controladas – da ma- téria-prima à moagem, do processo de queima à formulação dos esmal- Atendimento tes empregados no acabamento, en- tre outros cuidados. O resultado de Escritório Regional do Sebrae-SP no Sudeste Paulista tamanha inovação se evidencia no Modalidade: Sebraetec volume de vendas, agora 25% su- Apoio: Senai, Universidade Federal de São Carlos perior, com previsão de crescer mais Tipos de inovação: organizacional, processo PEDREIRA 20% até julho de 2009. 99 SoluçõeS InovadoraS 8988-89 Grupo de Ceramica_Pedreira2 2 26/5/2009 16:19:37
  • 90. • Ideia – Indústria, Comércio, Pesquisa e Desenvolvimento de Máquinas e Implementos Agrícolas Acorde final produção industrial depois de quatro anos de pesquisa e paciente trabalho de desenvolvimento. Pioneira e ecologicamente correta, armadilha sonora para caçar A armadilha transmite um sinal cigarras combate a principal praga da cafeicultura brasileira sonoro na mesma frequência emitida pelos machos na época do acasa- U ma solução inovadora promete a Ideia desenvolveu a EcoSpray F-65, lamento das cigarras. No caso da se tornar uma arma na luta uma armadilha sonora para caçar principal espécie que ataca os cafezais contra as cigarras, a principal praga cigarras, que em um único dia pode no Brasil, a Quesada gigas, as cigarras da cafeicultura, de maneira ambien- cobrir cerca de 30 hectares, com um sobrevivem por cerca de 40 dias, pe- talmente sustentável, adequando a único operador, sem necessidade de ríodo em que uma fêmea fecundada lavoura às exigências de boas práticas carreta ou trator. chega a depositar 300 ovos em ramos agrícolas, cada vez mais requeridas O projeto nasceu em 2005, a partir de café. Do ovo, nasce a ninfa, que pelos países importadores. A novi- da observação do comportamento durante cinco anos se abriga debaixo dade vem da Ideia, empresa dedicada do inseto, e foi objeto de um estudo do solo, suga as raízes da planta e à pesquisa e ao desenvolvimento de acadêmico na Universidade provoca enormes prejuízos máquinas e implementos agrícolas, Estadual Paulista (Unesp). à produção do cafezal. Tomomassa Matuo sediada na Inagro, a Incubadora Depois, acabou sendo (à esq.) e o filho Com o emprego do de Agronegócios de Jaboticabal, a aperfeiçoado pelo enge- Tomás: uma boa EcoSpray F-65, bastam 330 km da capital de São Paulo. Na nheiro agrônomo Tomo- ideia transformada dois segundos de um sinal em negócio com incubadora, iniciativa do Sebrae-SP, massa Matuo, proprietário grande potencial de emitido na potência de em parceria com diversas entidades, da Ideia, que viabilizou sua desenvolvimento, 105 decibéis para que as graças à demanda da cafeicultura FOTOS andrei bOnamin/LUZ 90 99 SoluçõeS InovadoraS90-91 Ideia_Jaboticabal.indd 1 26/5/2009 16:20:22
  • 91. primeiras fêmeas comecem a se apro- ximar da armadilha. Um mecanismo automático aciona quatro jatos que pulverizam o inseticida, depositado em um tanque coletor e que é rea- proveitado na próxima operação. Nenhuma gota do defensivo agrícola entra em contato com o cafeeiro. E, além de promover uma operação 100% segura e ecologicamente cor- reta, a inovação da Ideia confere alto rendimento. O som atinge um raio de 80 metros, o que garante a cober- tura de dois hectares a cada aplicação. Modular, a armadilha ainda pode ser transportada na caçamba de um veículo e montada no campo. A fonte de energia vem de uma bateria de 12 ferramentas de gestão capazes de asse- volts, recarregável. “Se houver pelo gurar seu adequado posicionamento menos 35 ninfas por cova já é preciso no agronegócio. A solução veio em aplicar inseticida”, ensina Matuo, 2006, quando a empresa foi abrigada professor aposentado da Unesp, dou- pela Inagro de Jaboticabal e recebeu tor pela Universidade de Londres e consultoria técnica do Sebrae-SP. especialista em fitossanidade, ciência “Todo dia estamos aprendendo”, diz que estuda os inimigos das plantas e Kanashiro Matuo, que, desde então, o modo de combatê-los. tem se aproximado da linguagem O fenômeno descrito pelo cafeicultor e dos processos da administração Do insight ao mercado – Matuo mineiro estimulou um intenso traba- empresarial. “Tivemos consultoria conta o episódio que serviu de inspi- lho de investigação. “Começamos as financeira, apoio na área de marketing ração ao invento. A história começou pesquisas para chegar à frequência e o curso de gestão em 2008.” no sul de Minas Gerais, com o relato certa, que atrai as cigarras, e passamos O modelo comercial prevê a venda de um produtor local. “Ele estava uti- a estudar diferentes protótipos, até direta aos cafeicultores e já cuidou de lizando uma motosserra para podar chegar ao modelo atual do EcoSpray estreitar a parceria com as principais um abacateiro e se surpreendeu ao F-65”, esclarece Matuo. cooperativas do setor nas regiões de ver a ferramenta coberta de cigar- Vencida a etapa de desenvolvi- Guaxupé, São Sebastião do Paraíso e ras”, diz o empresário, que conduz mento, a Ideia precisava superar uma do cerrado mineiro, além da aproxi- o negócio ao lado do filho, Tomás barreira ainda mais desafiadora: fazer mação com a Cooperativa de Cafei- Kanashiro Matuo, também agrôno- da descoberta um produto comercial- cultores e Agropecuaristas de Franca mo, hoje diretor comercial da Ideia. mente viável e dotar a empresa das (Cocapec), no nordeste paulista. A expectativa é animadora, projeta Kanashiro Matuo, que em 2008 ga- Atendimento rantiu presença em eventos como a Expocafé e a Agrishow, em Ribeirão Escritório Regional do Sebrae-SP em Ribeirão Preto Preto, e agora pretende ampliar ainda Modalidade: Programa de Incubadoras de Empresas mais a visibilidade da Ideia, com de- Apoio: Instituto Tecnológico de Jaboticabal monstrações em campo para atestar a Tipo de inovação: produto JABOTICABAL eficiência do EcoSpray F-65. 99 SoluçõeS InovadoraS 9190-91 Ideia_Jaboticabal.indd 2 26/5/2009 16:20:28
  • 92. • Inox Aliança Um passo Com visão humanista e novas ferramentas de gestão industrial, a Inox Aliança à frente mostra como é possível fazer a diferença D epois de 20 anos de atuação no setor metalmecânico, Delmir Fantacini decidiu pôr em prática o so- total e eficiência operacional. Fanta- cini apostou na modernização para atender consumidores cada vez mais nho antigo de criar seu próprio negó- exigentes e decidiu a inovar na gestão cio. Assim nasceu a Inox Aliança, em industrial para eliminar gargalos, Batatais, a 355 quilômetros da capital acelerar a produtividade e padronizar paulista, que em oito anos registrou os processos de fabricação. uma evolução impressionante. No Ele explica que a grande virada início eram apenas seis funcionários, ocorreu em 2006, quando começou FOTOS andrei bOnamin/LUZ um pequeno galpão e dificuldades a participar do Programa de Alavan- de sobra no processo produtivo. cagem Tecnológica (PAT), promo- Hoje, a empresa ocupa quase mil vido pelo Sebrae-SP com o apoio metros quadrados de área construída, da Associação Nacional de Pesquisa, emprega 23 operários e in- Desenvolvimento e Engenharia das corporou plenamente Empresas Inovadoras (Anpei). “Em conceitos como todos os cursos, o que mais se refor- qualidade çava era a importância de organizar com eficiência a linha de produção”, diz Fantacini, confiante de que amea- lhou resultados expressivos depois de implantar no chão de fábrica o conceito de células. “A gente não tinha o controle de quem fazia o quê e em que local Delmir Fantacini, criador da Inox Aliança: em pouco mais de dois anos, a empresa de Batatais deu um salto em produtividade e eficiência, e agora colhe os resultados 92 99 SoluçõeS InovadoraS92-93 Inox Aliança_Batatais.indd1 1 26/5/2009 16:21:07
  • 93. da fábrica trabalhava. Hoje, coloca- menos de 1% da produção. Anco- um problema antigo do setor metal- mos o funcionário perto daquilo de rada na padronização dos processos, mecânico – a qualificação da mão- que ele necessita para rentabilizar a a produtividade cresceu e o fluxo de-obra – e apostou alto no capital produção. Se o soldador precisa do de materiais tem caminho certo. A humano. Encorajou a participação torno, é ali que ele deve atuar. Se empresa recebe a matéria-prima e já de toda a equipe em programas de outro soldador precisa da calandra a encaminha com corte e dobra para capacitação, o que modificou o perfil ou de uma prensa, também estará ali, a linha de produção. A fabricação de do grupo, agora mais comprometido perto do equipamento”, exemplifica. duchas para piscinas é emblemática com os resultados operacionais. As vantagens somam pontos à renta- – o produto é um dos carros-chefe “Se o funcionário não estiver bem bilidade do negócio. “O funcionário da Inox Aliança: “Antes, com muito e se não tiver motivação, a empresa se cansa menos, não precisa ficar se custo, fabricávamos de 30 a 40 peças não avança. Hoje sinto que meus deslocando e o trabalho rende mais, a ao mês. Agora, no mesmo período, funcionários têm prazer em vestir a qualidade cresce e o índice de perdas produzimos em série 300 duchas”, camisa da empresa”, diz Fantacini. diminui”, argumenta Fantacini. conta Fantacini, com ar de missão Não é exagero dizer que a Inox Alian- O balanço da Inox Aliança ex- cumprida. E comemora: o lucro ça passa longe de qualquer resquício pressa com fidelidade o desenvolvi- líquido aumentou 80%. de insalubridade. O galpão se destaca mento vivido nos últimos tempos. pela limpeza, organização e muita Em 2006, cerca de 20% de todo o O valor do capital humano – O luz natural, e o ambiente de trabalho volume fabricado era desperdiçado redesenho do chão de fábrica teve também reserva espaço para a des- com produtos que não atendiam mesmo um impacto forte. Mas não contração. As pausas para descanso aos critérios de qualidade. Hoje, o foi, sozinho, o responsável por tantas são sagradas. “Aliviam o stress e ainda índice de não conformidade caiu para mudanças. Fantacini também atacou podem ser um momento produtivo”, recomenda o empresário. “Nessa hora de integração e troca de ideias, surge, Atendimento muitas vezes, a solução de pequenos Escritório Regional do Sebrae-SP em Franca problemas. Estou sempre à procura Modalidades: Programa de Alavancagem Tecnológica, de um diferencial, para ficar um passo Sebraetec à frente”, afirma Fantacini, que hoje Apoio: Senai, profissionais credenciados no Sebrae-SP atua em seis segmentos diferentes e Tipo de inovação: processo fornece para cerca de 500 empresas BATATAIS em todo o Brasil. 99 SoluçõeS InovadoraS 9392-93 Inox Aliança_Batatais.indd2 2 26/5/2009 16:21:13
  • 94. • ITD – Informação, Tecnologia e Desenvolvimento Aposta de longo prazo Empresa abrigada na Incubadora de Santos lança produto inédito para avaliar o desempenho de atletas de elite da natação e sonha alto O Velaqua não é um produto qualquer. Representa, acima de tudo, a persistência do engenheiro de de Computação, em 2002. Dois anos metas nada modestas, entre as quais depois abri a empresa e, agora, esta­ a exportação de seu produto para a mos na reta final do lançamento do Europa. “Em 2005, um ano depois computação Humberto Ribeiro de Velaqua, que é um robô, oficialmente da criação da ITD, conseguimos Souza, de 29 anos, proprietário da chamado de sistema de medição de uma subvenção da Fundação de ITD, e sua crença na concretização velocidade em tempo real para nada­ Amparo à Pesquisa do Estado de São de uma ideia que vinha cultivando dores”, conta Souza. Paulo (Fapesp), que durou dois anos. desde 2001, quando ainda estava na Em dezembro de 2008, o empreen­ Agora começamos a fase 3 do projeto, faculdade e decidiu, com três colegas, dedor vivia um período agitado, que é a subvenção da Financiadora de “brincar de explorar as possibilidades conciliando os últimos retoques no Estudos e Projetos (Finep), para sair de um microcontrolador”, como ele Velaqua com os preparativos da mu­ da fase de protótipo e ir para a fase explica. “Fizemos um projeto que dança da ITD para a sede própria, de produto. Este é o momento crítico nem valia nota. No entanto, meses depois de quatro anos abrigada na da empresa”, explica. depois ganhamos o prêmio de se­ Incubadora de Empresas de Santos. Além da Fapesp e da Finep, a gundo melhor software de iniciação Era hora de caminhar com ITD contou com uma científica desenvolvido no Brasil, as próprias pernas, enca­ Humberto Ribeiro de extensa rede de apoio, a concedido pela Sociedade Brasileira rar o mercado e atingir Souza, idealizador começar pelo Sebrae­SP, da ITD, e, no detalhe da página ao lado, perspectiva do protótipo do Velaqua, com lançamento previsto para 2009 FOTOS luludi/luZ 94 99 SoluçõeS InovadoraS94-95 ITD.indd 1 26/5/2009 16:21:43
  • 95. com quem Souza mantém relações de longa data. Ele participou do Empretec e de duas consultorias, em 2007 e 2008, que foram fundamen­ tais para a viabilização do Velaqua, como relata o empresário: “No primeiro Sebraetec, com o apoio do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e do Centro São Paulo Design, cuidamos do design final e do ajuste do robô para o mercado internacio­ nal. No segundo, buscamos soluções couberam à ITD. O produto é uma fornecimento,” explica Souza. Se­ para dar mais robustez ao protótipo, espécie de carrinho com quatro rodas gundo o empresário, o sistema pode que quebrava muito e apresentava e 60 centímetros de comprimento, ser expandido para outros esportes e problemas no motor e na engrena­ que corre sobre trilhos à beira de uma para a área de saúde, em programas gem. O Sebraetec ajudou muito nesse piscina e possui um braço com uma de fisioterapia e hidroginástica. sentido”, afirma. câmera subaquática que acompanha Mas, por enquanto, os clientes o nadador para filmar e avaliar seu potenciais são os clubes de natação Rede de apoio – O Sebrae­SP tam­ desempenho em tempo real. “Uti­ que mantêm equipes profissionais bém responde pela própria Incu­ lizamos um método de aquisição de e grandes academias. “Acredito que badora de Empresas de Santos, em dados chamado Encoder e um micro­ venderemos mais no exterior do parceria com outras entidades e cinco controlador, que se conecta com um que no Brasil. Fizemos convênio universidades da região – Unisantos, computador. O robô segue o ritmo com uma universidade portuguesa Santa Cecília, Unimonte, Unilus e do nadador por meio de um sistema e estamos em negociação com uma Unimes –, e pelo Arranjo Produtivo de mira eletrônica, um software que empresa que vai licenciar e represen­ Local de Tecnologia e Informação de chamamos de Zaifo Target System, tar o produto na Europa.” Santos, do qual a ITD também faz desenvolvido pela NatComp, outra Souza diz que, no Brasil, o Velaqua parte. O empreendedor diz que até empresa da Incubadora de Santos. é inovador: “Não existe nada sendo agora já foram investidos, aproxima­ Essa é a parte mais sofisticada do fabricado nessa área. No mundo, há damente, R$ 1 milhão no desenvol­ projeto, que dá precisão ao sistema e algumas metodologias semelhantes vimento do Velaqua, dos quais 25% representa nosso maior contrato de e robôs que fazem filmagens suba­ quáticas, mas sem o equipamento que mede o desempenho do atleta”. Atendimento Enquanto não começa a colher os frutos de sua invenção, o empreen­ Escritório Regional do Sebrae-SP na Baixada Santista dedor e sua equipe de cinco pessoas, Modalidades: Programa de Incubadoras de Empresas, Sebraetec cada uma com uma especialização, Apoio: Associação Comercial de Santos, Centro São Paulo continuam atuando na área de TI, Design, IPT SANTOS prestando serviços para clientes como Tipo de inovação: produto o Porto de Santos. 99 SoluçõeS InovadoraS 9594-95 ITD.indd 2 26/5/2009 16:21:48
  • 96. • Kepy Indústria e Comércio de Calçados Avanço na ponta do lápis Com o apoio do Sebrae-SP, fabricante de calçados de Birigui ganha produtividade com técnicas e processos que organizam o fluxo do chão de fábrica e ajudam a diminuir os ciclos de produção A Kepy faz valer na prática o dito popular: tempo é dinheiro. A empresa, fabricante de calçados em linha para melhorar processos e ganhar produtividade. E começou com o pé direito. No fim de 2001, nio Bianco conta que acabara de se aposentar quando decidiu ingressar no mercado calçadista, estreando na infantis sediada em Birigui, a 521 prestes a completar seu segundo ano carreira empreendedora. Pensava em km de São Paulo, conhece bem a de vida, saltou de um volume de 50 começar o negócio no fundo de sua importância de racionalizar a hora para 600 pares por dia. Hoje, chega casa, quando conseguiu uma vaga na trabalhada. Implantou a cronome- à casa dos mil pares diários. À frente Incubadora de Empresas de Birigui. A tragem e a cronoanálise dos produtos da Kepy, o empresário Marcos Anto- Kepy nasceu com seis funcionários e um representante comercial no bairro do Brás, reduto do comércio popular na capital de São Paulo, para onde destinou sua primeira encomenda, em junho de 2001. “Fazíamos 50 pares de calçados, naquela base. No Marcos Antonio começo, não havia planeja- Bianco prova que mento, nem sequência ope- não há limite para racional”, recorda Bianco. um começo: ele não se contentou com Para solucionar as difi- a aposentadoria, culdades encontradas pela decidiu se tornar empresa para crescer e pro- empreendedor e hoje gredir, entrou em cena a fabrica 600 pares de sapatos por dia parceria entre a incubadora e o Sebrae-SP, que convocou os consultores especializados do Senai. Depois das visitas técnicas, constatou-se que, para crescer com segurança, a Kepy precisava implan- tar novas ferramentas no processo, com destaque para a cronometragem (técnica de medição de tempo no processo produtivo) e a cronoanálise, que utiliza a cronometragem para avaliar qualitativamente o ritmo do operador, o número de medições exigidas, o grau de confiabilidade do FOTOS milTOn manSilha/lUZ processo e outros parâmetros de tem- po na linha de produção. Com essas técnicas, a Kepy conseguiu adequar o fluxo de produção e agilizar os setores de preparação, pesponto e montagem 96 99 SoluçõeS InovadoraS96-97 Kepy Calçados_Birigui.indd1 1 26/5/2009 16:22:13
  • 97. dos calçados. “Agora, temos procedi- mentos definidos, com padronização dos métodos e dos processos. O ritmo de trabalho melhorou”, diz Bianco. Ele explica que, no fundo, a metodo- logia conduz a um processo contínuo, que vai da gestão ao chão de fábrica. A aplicação da cronometragem, ao processos. O impacto chega me deram uma sustentação contrário do que sugere, não tem ao chão de fábrica, preparado muito grande”, diz Bianco, que nada de complicado. É simples, mas agora para iniciar a produção, prossegue com as vantagens da de grande alcance no desempenho com um fluxo organizado, inovação implantada na fábrica. do negócio. “Permite dimensionar a o mais linear possível. E O empresário lembra que, produção, calcular custos operacionais bastou melhorar o posicio- ao organizar e facilitar e racionalizar cada etapa do processo, namento das prensas de corte o processo, consegue adequando o layout às linhas de pro- (balancins), das prateleiras de ma- otimizar o fluxo de ma- dução”, resume o empreendedor. teriais e mesas de preparação. As teriais e a ordenação dos ferramentas utilizadas também estoques, e todos esses ga- Organização linear – O método passaram a ser padronizadas, se- nhos se refletem no caixa propõe testes de medição para aferir guindo a receita da organização da empresa. o tempo médio exigido para fabricar de processos. Aqui, cada etapa O negócio prosperou. determinado modelo, antes de se é balizada por controles de Quando saiu da incubadora, iniciar a fabricação em série. Assim, é produção, que indicam a em 2003, a Kepy somava 20 possível dimensionar o custo da hora eficiência diária de cada colaboradores. Agora, para trabalhada e calcular todos os insumos processo. Na entrada da fá- fazer frente ao aumento envolvidos no processo. E ao fabricar brica, uma placa informa às equipes da produtividade, está no a peça, sob o olhar da cronometria, a os resultados alcançados. Com o am- terceiro endereço – uma Kepy também consegue identificar as biente físico remodelado e a melhoria instalação de 650 m 2, que ocupa dificuldades encontradas e corrigi-las do ritmo de trabalho, a motivação desde fevereiro de 2007– e empre- antes que gerem gargalos na linha de aumentou. “Tudo o que eu aprendi ga 70 funcionários. A carteira de produção. A empresa ganha em capa- e implantei aqui foi com o respaldo clientes praticamente dobrou desde cidade de planejamento. E racionaliza do Sebrae-SP. Os consultores sempre 2003 e o faturamento cresceu 35%. A fabricante se fortaleceu no bairro paulistano do Brás, mas alcançou Atendimento também outros seis estados, com ven- das no atacado e no varejo. Motivada Escritório Regional do Sebrae-SP em Araçatuba pelo bom ritmo dos negócios, a Kepy Modalidades: Programa de Incubadoras de Empresas, Sebraetec quer mais: “Investimos na aquisição Apoio: Senai, Sindicato das indústrias do Calçado e Vestuário de de equipamentos e vamos ampliar a Birigui BIRIGUI penetração no grande varejo”, avisa Tipo de inovação: processo Marcos Bianco. 99 SoluçõeS InovadoraS 9796-97 Kepy Calçados_Birigui.indd2 2 26/5/2009 16:22:26
  • 98. • Kraüss Aeronáutica Aviões made in Brazil Aeronave de uso agrícola desenvolvida pela Kraüss, de São José dos Campos, tem fila de 33 compradores e 108 intenções de compra, antes mesmo de seu lançamento comercial E spanta saber que dos 66 milhões de hectares da agricultura brasi- leira, menos de um terço é coberto características dos aviões agrícolas atuantes no mercado. O suporte do Sebrae-SP, por meio observou o mercado durante dois anos. Fez medições, comparações e, orientada por benchmarking, optou pela aviação agrícola. A informa- do Programa de Incubadoras de Em- por um modelo de atuação que ofere- ção vem da Kraüss, uma pequena presas, ajudou a desenhar o produto ce serviço completo ao agricultor – da empresa instalada na Incubadora e o negócio, com a receita de fazer fabricação de aeronaves ao pós-venda Tecnológica Univap-Revap de São mais por menos e aplicar na essência e a serviços de assistência técnica. José dos Campos, a 94 km de São do plano de negócios os modernos “No estudo, percebemos que os Paulo. Ela estudou o mercado, iden- conceitos de administração. O re- agricultores reclamam muito da falta tificou o problema e agora apresenta sultado é um processo produtivo que de suporte”, observa André Gomes, sua solução, que nasce no centro de explora a manufatura enxuta (Lean um dos integrantes do time da Kraüss. excelência da aeronáutica brasileira. Thinking), com foco na qualidade e “Nos levantamentos que fizemos em Com projeto em fase de protótipo, na visão do cliente (Voice of the Custo- feiras e eventos do setor, sempre apa- a proposta da Kraüss é lançar a aero- mer). Decidida a brigar por uma fatia rece uma queixa: quem fabrica e vende nave KA-01, que reúne as melhores do bolo da aviação agrícola, a Kraüss aviões agrícolas não está nem aí com o André Gomes; ao lado, projeto da aeronave para uso agrícola; acima, à direita, a fuselagem em aço-carbono do KA-01 FOTOS milTOn manSilha/lUZ 98 99 SoluçõeS InovadoraS98-99 Krauss Aeronautica.indd 1 26/5/2009 16:23:06
  • 99. que acontece no campo. E um avião não custa barato”, diz. Gomes lembra que foi o Sebrae- SP que viabilizou a participação da empresa em feiras e eventos voltados para o agronegócio. “Isso garantiu uma boa sondagem para nossa estra- tégia de marketing e proporcionou mais visibilidade à Kraüss”, diz. Como resultado, a empresa conse- guiu chamar a atenção do elo mais Autonomia e segurança – Aeronave ainda mais o mercado. O tanque de importante do mercado de aviação de construção metálica, o KA-01 combustível tem capacidade para agrícola: o próprio agricultor. Por tem asa baixa com montante, reves- 830 litros, enquanto o reservatório isso, antes mesmo do lançamento timento em alumínio e fuselagem instalado na dianteira (hooper) pode comercial, o novo avião agrícola em treliça de aço-carbono 4130, com armazenar de 1.500 a 1.800 litros de brasileiro já tem uma fila de 33 com- painéis em alumínio, de fácil remo- combustível. “Assim, o piloto volta pradores, além de um cadastro com ção. Ao lado da ergonomia, o modelo menos vezes para reabastecer e pode mais de 100 interessados, obtido só da Kraüss inova ao incorporar ferra- cobrir mais rapidamente determi- com a apresentação do projeto do mentas de automação e modernos nada área, com custo operacional KA-01 e seus diferenciais em feiras e sistemas de posicionamento por saté- menor”, sublinha Gomes. eventos de agronegócio. lite (GPS e DGPS-GPS Diferencial) Na liderança da Kraüss está a para controlar a abertura experiência de Roberto Serrano, das válvulas responsá- mestre em engenharia de aeronaves veis pela pulverização. O pela Universidade de São Paulo e equipamento faz a leitura idealizador do projeto, que promete das coordenadas da área preço competitivo. Por ora, o KA-01 que deve ser pulverizada admite motor movido a gasolina, e as válvulas se abrem au- álcool ou querosene, mas já está tomaticamente. O piloto em estudo a utilização de motor a não precisa acionar nada biodiesel. São fortes argumentos e, com isso, a solução para seduzir o mercado. A produ-m ganha em segurança e ção em série começa em 2009, de conveniência. olho em um universo de aplicações. Mas é em relação à A aeronave pode ser adotada em autonomia de voo e à rotinas de pulverização, para o em- capacidade de armaze- prego de herbicidas, fungicidas ou namento de combustível fertilizantes, mas também é capaz que o KA-01 surpreende de operar na nucleação de nuvens, para a indução de chuvas, e até na contenção de derramamento de óleo Atendimento em alto-mar, por meio da aplicação de óleo magnético. Outro filão são as Escritório Regional do Sebrae-SP em São José dos Campos chamadas aplicações de hydrosseding, Modalidades: Programa de Incubadoras de Empresas, que objetivam a recuperação de áreas Sebraetec agrícolas degradadas, a partir de uma Apoio: Fundação Valeparaibana de Ensino SÃO JOSÉ biomassa, como sementes, hidrogel, Tipo de inovação: produto DOS CAMPOS nutrientes e fibras fixadoras. 99 SoluçõeS InovadoraS 99 98-99 Krauss Aeronautica.indd 2 26/5/2009 16:23:14
  • 100. • Lanches Benony Chef com o pé na areia Proprietário de um quiosque na praia das Astúrias, em Guarujá, Benone vive da maneira como sempre sonhou e obtém 100% de conformidade no Programa Alimentos Seguros É provável que a maioria das pessoas que não resistem aos sucos, caipirinhas e porções servidos estrelados, como o Ferrareto, o Gávea lho, na parte humilde de Guarujá, Palace, o Jequitimar e o Delfim”. para um banho de mar na bela praia Ele conta que começou de baixo, das Astúrias, distante 11 km. “Eu via no Lanches Benony desconheça que “quando ainda não existia faculdade as barracas que vendiam lanches e por trás do sorriso permanente do de gastronomia e as pessoas tinham achava muito bonito o contato com proprietário se esconde um chef de primeiro que fazer faxina e pegar no o público, o que não acontecia nas cozinha – assim mesmo, na grafia pesado, para depois tentar um lugar cozinhas. Não existe coisa melhor, francesa. Mas o alagoano Benone como ajudante de cozinha”. Benone falar com um e com outro. Na praia Avelino de Jesus (com “e” no final passou por todos esses estágios e a gente conhece médico, engenheiro, porque o “y” adicionado ao nome da chegou ao topo da carreira, como físico, todo tipo de gente. Pensei: empresa “é puro marketing”, como chef. Mas queria algo diferente, e a quero ficar com o pé na areia, baten- ele revela) tem todo o direito de assu- melhor pista surgiu nos fins de do papo com essa turma e pegando mir esse posto: “Na época de ouro de semana de folga, quando o dinheirinho deles, deva- Guarujá, chefiei a cozinha de hotéis saía de Vicente de Carva- Benone Avelino de gar”, brinca Benone. Jesus e, à direita, a cozinheira Fernanda Teixeira; no detalhe, as coqueteleiras usadas para fazer suco, uma para cada tipo de fruta, como recomenda o PAS FOTOS luludi/luZ 100 99 SoluçõeS InovadoraS100-101 Lanches Benony_Guarujá.i1 1 26/5/2009 16:23:44
  • 101. rede de água nem energia elétrica – o liquidificador que faz os sucos é manual. Apesar dessas limitações, ele conseguiu introduzir mudanças im- portantes com base no que aprendeu no PAS: “Melhorou principalmente a higiene. Troquei todo o material de trabalho. Agora as facas e as tábuas de corte são diferentes e livres de con- taminação, o espremedor de limão é em inox e passamos a usar uma coqueteleira para cada tipo de fruta, para não ter mistura de resíduos. An- tes a gente não fazia isso. Havia uma ou duas coqueteleiras para tudo”. Segundo Benone, o cliente per- cebe a diferença: “Ele vê o banner do Sebrae-SP e já sabe que pode ficar A mudança aconteceu há 22 anos da Associação dos seguro quanto à e, hoje, o empreendedor dá emprego Quiosques de Gua- qualidade e à higie- a seis pessoas e, a cada dia, procura rujá, para conscien- ne dos alimentos. introduzir mudanças em seu negó- tizar o setor da ne- Além disso, como cio. Mal sabe contar os cursos do cessidade de manter me destaquei nos Sebrae-SP que já fez em Guarujá, mas cuidados rigorosos em relação à cursos do Sebrae-SP, acabei parti- mantém no quiosque, bem expostos, higiene e à qualidade dos produtos cipando de muitos programas de os certificados que comprovam essa servidos ao consumidor. Benone não televisão e de reportagens em jornais qualificação: Sabor Qualidade, Es- deixou por menos: segundo os con- e revistas, e isso também chama aten- tratégias de Marketing, Atendimento sultores de segurança alimentar, ele ção”. Também chama atenção o cui- ao Cliente, Juntos Somos Fortes, Flu- foi um dos raríssimos participantes dado nos detalhes: no copo do suco xo de Caixa, Autodesenvolvimento: do programa que obtiveram 100% sempre tem algo decorativo, capaz Como se Tornar um Líder Eficaz e de conformidade em todos os itens de surpreender o cliente, assim como Praticando o Associativismo. avaliados, “algo que outros empre- nas porções, das quais o destaque é sários não conseguiram nos últimos a de camarão e lula, sempre servida Aluno 100% – O destaque foi a anos, mesmo com melhor estrutura”, por um funcionário em uniforme participação no Programa Alimentos segundo o relatório. impecável. Quem cuida da cozinha Seguros (PAS), desenvolvido pelo A estrutura realmente não ajuda. é Fernanda Santos Teixeira, 18 anos, Sebrae-SP com o apoio do Senai e No quiosque de Benone não há que acabou de fazer o curso Sabor Qualidade. “Avançamos muito, mas daqui para a frente quero continuar Atendimento me aperfeiçoando. Quando me con- Escritório Regional do Sebrae-SP na Baixada Santista vidaram para o primeiro curso do Se- Modalidade: Programa Alimentos Seguros brae-SP, pensei: sou chef de cozinha e Apoio: profissionais credenciados no Sebrae-SP eles não têm nada a me ensinar. Mas Tipo de inovação: processo hoje eu sei: a gente sempre aprende, GUARUJÁ dia a dia”, afirma Benone. 99 SoluçõeS InovadoraS 101100-101 Lanches Benony_Guarujá.i2 2 26/5/2009 16:23:54
  • 102. • LS Indústria de Limas A força da terceira geração Empreendedor assume o desafio da sucessão e põe nos trilhos um negócio familiar com mais de meio século de vida O retrato é o de muitos outros pequenos negócios Brasil afora. A família veio de Portugal e, ainda nacional, e a LS Indústria de Limas tra fôlego de sobra para superar os amargou tempos difíceis, quando desafios dos novos tempos. Ao lado chegou a pensar na possibilidade de da irmã, Juliana, tomou as rédeas da nos anos 50, trouxe para Batatais, fechar as portas e dar fim a um negó- empresa e investiu na inovação.“O no nordeste paulista, a 355 km da cio que atravessou gerações. espírito novo influencia os resulta- capital, a experiência em fabricação A saída veio do que poderia ser um dos”, atesta. “A gente vai aprenden- de limas, até então desconhecida no caminho inercial: em 2002, Thales do, vai aprimorando e implanta um cenário regional. A empresa viveu Alves de Lima assumiu a sucessão pouco de tudo isso na administração dias de prosperidade, mantida duran- da empresa, agora em sua do negócio.” te décadas sob administração familiar terceira geração. Investiu Aos 23 anos,Thales O jovem empresário e perpetuando conceitos transmiti- para profissionalizar o ne- Alves de Lima dirige ilustra a mudança com a dos de pai para filho. Mas vieram a gócio e hoje, aos 23 anos, a indústria da família etapa de afiação, estratégia com visão de futuro: acelerada transformação do mercado estudante de administra- enquanto recupera para dar forma e perfilar as e a expansão da concorrência inter- ção de empresas, demons- antigos equipamentos arestas das ferramentas e abandonados, abre espaço para a inovação FOTOS andrei bOnamin/LUZ 102 99 SoluçõeS InovadoraS102-103 LS Ind Limas_Batatais.in1 1 26/5/2009 16:24:20
  • 103. decisiva para a qualidade final. Gra- ças à mecanização, a área de afiação processa hoje 900 peças por dia, com apenas um operador. Antes, três operários afiavam, no máximo, 450 limas no mesmo período. A mudança na gestão industrial vai além. A empresa modernizou todo o chão de fábrica, automati- zando cada etapa da produção – os processos de mecânica, madeira e grosa, incluindo a chamada picagem da peça, que garan- te precisão no corte e qualidade supe- rior no acabamento. “Em cada uma das quatro etapas, con- Depois de con- capital humano também cresceu: no seguimos implantar cluir o primeiro mesmo período, a empresa passou de uma máquina auto- módulo do Progra- 15 para 23 funcionários. matizada para me- ma de Alavancagem O produto ganhou aceitação. lhorar a produção”, Tecnológica, pro- Hoje, não sai de fábrica sem a valida- conta Thales. movido em 2006 ção de ensaios técnicos, para atestar a pelo Sebrae-SP com dureza e a afiação da lima. O controle Visão de mercado – O curioso é sa- o apoio da Associação Nacional de e a padronização de cada etapa do ber que durante 20 anos algumas das Pesquisa, Desenvolvimento e En- processo são parte indispensável da máquinas hoje utilizadas estiveram genharia das Empresas Inovadoras eficiência conquistada pela LS Limas. ali, sem aproveitamento, encostadas (Anpei), Lima percebeu que inter- A conjugação de esforços fez aumen- a um canto do galpão. “Procuramos venções simples podem impactar – e tar em 60% a carteira de clientes saber para que serviam e, aos poucos, muito – o perfil do negócio. Bastou em pouco mais de dois anos, entre conseguimos reformá-las e colocá-las informatizar a área administrativa e 2006 e 2008. Em plena atividade na para trabalhar.” Parece óbvio, mas a implantar novos processos para que fabricação de 150 tipos de limas, a mudança implica, na verdade, uma a LS Limas visse despencar os prazos empresa tem presença nacional, tam- nova visão de mercado e o reconheci- de entrega de 60 para 20 dias, entre bém no varejo, mas principalmente mento de que muitos dos paradigmas 2006 e 2008. Agora ele luta para nos grandes atacadistas do país. E que serviram à atividade industrial já reduzir para 10 dias, explorando a promete manter a curva ascendente. não fazem mais sentido. A começar sinergia com o chão de fábrica, que O objetivo, agora, é modernizar o pelas ferramentas de gestão. ampliou em 49% a produtividade. O layout, implantando o conceito de células, e investir para ampliar em 45% a área industrial, já em 2009. Atendimento A empresa também ganhou visibi- lidade com a página na internet, que Escritório Regional do Sebrae-SP em Franca permite interação com o mercado e Modalidade: Programa de Alavancagem Tecnológica oferece orçamentos online. “Estamos Apoio: profissionais credenciados no Sebrae-SP sempre motivados a buscar novos ca- Tipos de inovação: marketing, processo BATATAIS minhos”, afirma Thales de Lima. 99 SoluçõeS InovadoraS 103102-103 LS Ind Limas_Batatais.in2 2 26/5/2009 16:24:26
  • 104. • Lupetec Indústria Tecnológica de Equipamentos para Laboratório Rumo à liderança Com solução pioneira no mercado nacional de anatomopatologia, Lupetec se consolida com tecnologia de alto valor agregado e prepara terreno para disputar o mercado internacional A paulista Lupetec fabrica uma solução 100% nacional para exames anatomopatológicos, com a à novidade, despontando entre os primeiros clientes da Lupetec. O proprietário, Luiz Ricardo Mar- O suporte do Cedin redirecionou técnicas de gestão e processos que hoje amparam o esforço de alcançar mesma eficiência dos equipamentos tins, conta que a empresa nasceu em a excelência. Com o apoio de pro- importados. O processador automá- São Paulo, em 1995, para atuar no gramas de consultoria tecnológica do tico de tecidos criado pela empresa segmento de aparelhos eletromédi- Sebraetec, do Sebrae-SP, a Lupetec incorpora o mesmo nível de tec- cos, eletroterapêuticos e de radiação. aprimorou os estudos nologia e qualidade do importado, Em 2006, a área de pesquisa e desen- de engenharia e a Luiz Ricardo por metade do preço. Prova disso é volvimento se instalou no Centro de concepção mecâni- Martins e, à direita, que instituições consagradas, como Desenvolvimento das Indústrias Nas- ca do equipamento, o processador o Instituto Nacional do Câncer, a centes (Cedin), incubadora ligada à renovou o design, automático de tecidos: Fundação Oncocentro de São Paulo Fundação ParqTec, em São Carlos, a auxiliada pelo de- Lupetec mostra que competitividade e e o Instituto Adolfo Lutz, já aderiram 225 km da capital paulista. senvolvimento de pioneirismo não dependem do porte da empresa FOTOS andrei bOnamin/LUZ 104 99 SoluçõeS InovadoraS104-105 Lupetec_São Carlos.indd 1 26/5/2009 16:25:01
  • 105. modelos virtuais, e ainda enriqueceu seu patrimônio intelectual. Com áreas estratégicas fincadas em um dos centros da vanguarda tecno- lógica, a empresa deslanchou. Hoje, se consolida como provedora de serviços e produtos para o segmento de análises patológicas. Preserva o es- critório na capital, onde mantém 22 funcionários, além de quatro outros na equipe comandada por Martins, em São Carlos. “Estamos em sinto- nia com as inovações tecnológicas e vamos surpreender o mercado”, promete o empreendedor.a, Novos ares – Com metas realistas,dos: a Lupetec prepara-se para ser líder ee comprova que valeu a pena empreen- der a mudança. Depois do suporte do Cedin e dos programas de consultoria fácil manuseio, montado em quadro alto desempenho, que impedem tecnológica do Sebraetec, a empresa tubular de chapa, com acabamento a evaporação dos reagentes, o que de São Carlos passou a trilhar uma em resina plástica de alta resistência. proporciona economia e evita a rota segura de expansão. Em dois Mas é a concepção tecnológica que contaminação. Cada caneca de exame anos, o processador automático de traduz seu maior diferencial. Um pai- pode ter sua temperatura controlada a tecidos ficou pronto e foi lançado nel digital microprocessado controla partir do próprio painel de comando, no mercado em grande estilo. “As todas as funções, com flexibilidade que também permite programar a ve- consultorias tecnológicas representa- de programação. É possível, por locidade, para a mudança de banhos. ram um apoio decisivo para amparar exemplo, fixar parâmetros para um O processador automático de tecidos nosso esforço de crescimento”, afirma processamento diário ou acionar a tem capacidade para dez banhos o empresário. opção de retardo de tempo para os químicos e dois banhos de parafina, O processador é a expressão con- fins de semana. “Os intervalos de além de contar com bateria própria, creta da decisão da empresa de tempo são selecionáveis para variar que garante a proteção de dados por incorporar as mudanças e vencer as de acordo com a necessidade do ope- um tempo mais longo. barreiras que limitavam o empreendi- rador”, explica o empresário. As perspectivas comerciais são mento. Disponível em dois modelos Consciente dos fatores críticos animadoras. A Lupetec já vendeu – um para cerca de 100 exames e envolvidos no processo, a Lupetec cerca de 350 unidades para o merca- outro, mais robusto, com o dobro também investiu para dotar o equi- do doméstico e em, 2009, prepara o de capacidade –, o equipamento é de pamento de sistemas de vedação de ingresso na região do Mercosul, em países como Chile e Argentina. O Atendimento mercado europeu também sinaliza o interesse pela novidade, que, a Escritório Regional do Sebrae-SP no Centro Paulista convite de um distribuidor italiano, Modalidades: Programa de Incubadoras de Empresas, Sebraetec foi exibida na Medica 2008, uma das Apoio: Associação Cluster São Carlos de Alta Tecnologia, mais importantes feiras internacio- Fundação ParqTec SÃO CARLOS nais de tecnologia médica, realizada Tipos de inovação: processo, produto em Düsseldorf, na Alemanha. 99 SoluçõeS InovadoraS 105 104-105 Lupetec_São Carlos.indd 2 26/5/2009 16:25:06
  • 106. • Madu’s Calçados Do aprendizado O galpão começa a ficar pequeno para o ritmo de produção da Madu’s Calçados, que em dois anos à maestria duplicou a produtividade e ampliou em 60% a carteira de clientes. Quem vive o dia-a-dia do negócio, descre- Com uma trajetória que passou da improvisação ao crescimento ve com facilidade a revolução que sustentado, a Madu’s demonstra que vale a pena perseguir a se instalou na pequena empresa de profissionalização e investir na eficiência do negócio Franca, no nordeste paulista. “Antes, tínhamos uma maneira rústica de trabalhar, o volume produtivo era pequeno e a qualidade final ficava a desejar”, conta o empresário Marcelo Eduardo Lamarca Palenciano, que em 2000 iniciou as atividades na informalidade, longe dos conceitos que hoje posicionam a Madu’s em um novo estágio de qualificação e em outro patamar de mercado. Os gargalos estavam por toda parte – da mão-de-obra à ma- téria-prima, passando Marcelo Palenciano e funcionários da pelo acabamento, que área de produção da não conseguia garan- Madu’s: incubadora tir boa aos produtos deu o impulso que qualidade. Como re- faltava à empresa sultado da fragilidade dos processos, o índice de perdas chegava a 15%. Hoje, não ultrapassa 3%. “Eliminamos sofrimento e desgaste”, orgulha-se Palenciano. Motivos não faltam. A Madu’s inovou em processos e ges- tão. Racionalizou os custos da hora trabalhada, diminuiu pela metade os prazos de entrega e passou a monito- rar cada etapa do processo, alicerçada no compromisso com a qualidade. A reviravolta começou em 2001, quando a Madu’s se constituiu formalmente e pleiteou espaço na Incubadora de Empresas de Franca. FOTOS andrei bOnamin/LUZ Graduou-se em 2005, sintonizada com as exigências do mercado e confiante no impulso das mudanças. Da administração ao chão de fábrica, a empresa reformulou quase tudo. 106 99 SoluçõeS InovadoraS106-107 Madus Calçados2_Franca.i1 1 26/5/2009 16:25:38
  • 107. Profissionalizou a gestão e investiu na mecanização do processo produtivo e na qualificação das equipes. Também apostou em calçados femininos, e deu certo. Hoje, as criações da Madu’s valorizam o design, com cores e tex- turas nos exatos padrões desejados. E não abrem mão do acabamento de primeira, para privilegiar o conforto. O empresário ensina parte da recei- ta: “O sapato precisa ter palmilha anatômica, solado flexível e couro macio. Não basta um acabamento impecável” – prova de que a em- em termos de cursos e consultorias e A Madu’s informatizou a gestão e presa aprendeu a captar os sinais do soubemos aproveitar todos os incen- passou a monitorar todo o processo mercado e conferir ao negócio um tivos, inclusive de aperfeiçoamento produtivo. Da entrada do pedido diferencial estratégico. do nosso pessoal. A ligação da in- ao controle de estoque e ao chão cubadora com o Sebrae-SP é muito de fábrica, é possível acompanhar Incentivo e determinação – A chave forte”, diz Palenciano, que esbanja cada etapa na tela do computador. da mudança? “Decidimos entrar de determinação e apresenta por toda A linha de produção também apa- cabeça na oportunidade dada pela parte os resultados conquistados. A rece renovada. Os funcionários, que incubadora. Tivemos todo o respaldo rotina da empresa reflete a mudança. antes cruzavam a fábrica para operar máquinas mal-alocadas, hoje atuam em células de produção definidas a partir de um estudo de layout. Planejar e projetar também são regras valiosas, indispensáveis às práticas de gestão. O desperdício de esforço e capital e o encalhe de pro- dutos ficaram no passado. O cenário mudou e fez crescer também a força de vendas. De quatro representantes comerciais, a empresa passou para nove, que atuam nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. E promete crescer ainda mais. O primeiro impulso financeiro veio do Banco do Povo Paulista, que financiou a aquisição da nova máquina de moldagem e o Atendimento balancim de corte. Escritório Regional do Sebrae-SP em Franca Hoje, a Madu’s conta com recursos Modalidades: Programa de Incubadoras de Empresas, próprios para sustentar a expansão e Sebraetec já planeja mudanças. “Adquirimos Apoio: Associação do Comércio e Indústria de Franca, Senai uma nova área de 600 m2 e estamos Tipo de inovação: processo FRANCA estudando a mudança da fábrica”, completa Palenciano. 99 SoluçõeS InovadoraS 107106-107 Madus Calçados2_Franca.i2 2 26/5/2009 16:25:46
  • 108. • Mamute Mídia FOTOS mariO miranda/LUZ Gian Zelada e, na página seguinte, parte da jovem equipe da Mamute: domínio dos processos de gestão para disputar com consistência uma fatia do dinâmico mercado digital Uma aula de inovação Sem descuidar da gestão, Mamute Mídia explora os Hoje, na nova sede no Jardim recursos multimídia e se fortalece como provedora de soluções Paulista, na capital de São Paulo, a de comunicação interativa, com foco no ensino a distância empresa redobra o foco na oferta de soluções de comunicação interativa A Mamute Mídia nasceu em 1996, em plena efervescência dos ne- gócios “pontocom”, quando a inter- Comecei do zero praticamente todo o aprendizado em gestão”, admite. E começou em grande estilo quan- com recursos multimídia. Gian Zelada enumera as vantagens con- quistadas no Cietec: “O Sebrae-SP net brasileira despontava e o mundo do, em 2002, foi buscar abrigo no é muito presente na incubadora, e anunciava a força da era digital. A Centro Incubador de Empresas Tec- ainda hoje todo o nosso pessoal faz empresa paulistana soube antever a nológicas (Cietec), na Universidade cursos de capacitação continuada”. explosão do mercado. “Começamos de São Paulo (USP). “Descobri outro E tem mais: “Surgiram lá dentro com a visão de que havia uma grande mundo. Na verdade, fui forçado muitas oportunidades de negócio. oportunidade de negócios”, diz Gian a vencer essa barreira e conduzir a Fizemos os sites do Ipen, do Cietec Zelada, idealizador da Mamute e, gestão de uma empresa de base tecno- e da prefeitura da USP”. na época, responsável pela área de lógica, em que a inovação é condição No balanço geral, a Mamute Mí- criação. Logo ele percebeu que era essencial”, explica. E saiu alinhado dia confirma o acerto da opção de ga- preciso se amparar em bases que vão quando se graduou, três anos depois, rantir a retaguarda da incubadora no além da criatividade. “Eu não tinha com equilíbrio entre criatividade e início da vida da empresa. Fez toda a menor visão de administração. capacidade de gestão. a diferença. “Do contrário, possivel- 108 99 SoluçõeS InovadoraS108-109 Mamute Midia_SP.indd 1 26/5/2009 16:26:18
  • 109. mente estaríamos entre os muitos negócios da economia digital que não conseguiram se manter. Além da gestão adequada, é preciso estar sempre alerta, porque a tecnologia muda a cada segundo”, observa. Aprendizado a distância – Zelada também se mantém firme na aposta em e-learning, o ensino a distância, que defende quase como uma filoso- fia da empresa. “Todo mundo fala em prover tecnologia, mas entendemos que ela é apenas um suporte. O desa- fio é tornar essa tecnologia um meio de divulgar o conhecimento. É uma vocação da Mamute”, afirma. E mantém-se confiante no po- tencial de mercado: “Está se con- figurando um modelo de negócios para pequenas empresas de perfil acessar o que quiser, ambiente e ciências inovador. É uma tendência mun- na hora que desejar, atmosféricas para a dial”, sinaliza. Agora, prepara-se pagando uma peque- rede federal de educa- para explorar um nicho bastante na taxa mensal.” ção. Em 2003, repetiu promissor, com um programa de A Mamute também a dose, com mais nove aulas em tempo real para quem está atende a soluções on aulas em disquetes e às vésperas do vestibular. A ideia é demand, desenhadas um sistema na web que cada computador ligado na web, sob medida para as para a gestão de ensi- em casa, numa lan house ou em um necessidades de ins- no-aprendizado. “Uti- infocentro, se transforme em sala de tituições de ensino e lizamos os recursos da cursinho pré-vestibular, com aulas, do mercado corpo- Mamute Mídia para recursos multimídia, chat, vídeo e rativo. Aqui, segue o divulgar a ciência e a salas de estudo compartilhadas. modelo de sucesso que já adotava no tecnologia”, reafirma Zelada. E a julgar pelo volume de alunos fim dos anos 90, quando Zelada se Foi sob essa perspectiva que dese- que prestou vestibular em 2008 concentrava na criação das soluções. nhou em 2008 uma solução para o – mais de 5,5 milhões –, o negócio Na época, a pedido do Instituto Na- Centro de Estudos em Neurociências promete. “A proposta é diminuir a cional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Universidade do Rio Grande do distância de acesso ao vestibular”, a Mamute desenvolveu um projeto Norte. Graças às ferramentas da resume o empresário. “O aluno pode de nove aulas interativas sobre meio Mamute, uma jornada científica que reuniu especialistas mundiais durante todo o mês de julho em Macaíba, na Atendimento periferia de Natal, pôde ser acessada pelos internautas em qualquer parte Escritório Regional do Sebrae-SP Capital Oeste do mundo. “Desenvolvemos um Modalidade: Programa de Incubadoras de Empresas sistema de transmissão em tempo Apoio: Cietec real, para qualquer usuário da web”, Tipos de inovação: processo, produto SÃO PAULO acrescenta o empreendedor. 99 SoluçõeS InovadoraS 109108-109 Mamute Midia_SP.indd 2 26/5/2009 16:26:25
  • 110. • Marcenaria Paraguaçu Volta por cima U ma pequena indústria paulista evoluiu, ganhou aceitação no mercado e práticas afinadas com a sustentabilidade: a Marcenaria Empresa de Paraguaçu Paulista sintetiza uma história de Paraguaçu, que carrega no nome a superação: prestes a fechar as portas, batalhou para revitalizar referência à cidade de origem, Para- o negócio, ganhar fôlego e entrar na rota do crescimento guaçu Paulista, a 467 km da capital de São Paulo. A proprietária, Tânia Adelaide Reis de Oliveira, tornou-se empreendedora há 18 anos, então na capital paulista, concentrada apenas na venda de madeira, conforme re- zava a tradição familiar. Em 1992, mudou-se para o oeste paulista, decidida a trabalhar na fabricação de móveis. De lá para cá, a Marcenaria Paraguaçu viveu o contraste entre a tradição e o novo. Deixou uma ope- ração no vermelho para duplicar a rentabilidade do negócio e eliminou o desper- A empreendedora Tânia Adelaide dício de madeira, de Reis de Oliveira olho na queda dos e alguns dos móveis custos operacionais e que fabrica: em processos ambien- programas Sebraetec e Prumo puseram talmentesu stentáveis. fim aos dias difíceis A linha que separa os dois momentos vi- vidos pela empresa co- meçou a ser traçada em abril de 2008, quando a Paraguaçu, amargando dias difíceis, buscou o auxílio do Sebrae- SP. Durante um período de 40 horas de consultoria especializada, fez-se a revolução. Foi o tempo necessário para que a consultoria prestada pelo Sebraetec, com o apoio do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), por meio do Atendimento Tecnológico In Loco, identificasse o principal gargalo que limitava a atuação da marcenaria e propusesse caminhos FOTOS milTOn manSilha/lUZ e recursos técnicos para corrigir os problemas que impediam seu avanço. Instituído em 1999, numa ação proa- tiva do IPT e do Sebrae-SP, o progra- ma incorpora o conceito de unidade 110 99 SoluçõeS InovadoraS110-111 Marcenaria Paraguaçu_Par1 1 26/5/2009 16:26:56
  • 111. móvel para disponibilizar às micro e machetado, cadeiras que inovam no vamos acomodados, e sem mudanças pequenas empresas a consultoria de design e na matéria-prima e pequenas a marcenaria iria acabar fechando as especialistas para aperfeiçoamento de peças com acabamento impecável, portas, como tantas outras.” processos. “O segredo é aproveitar como pufes, bancos, molduras e ca- Para fugir dessa ameaça, a empreen- a sobra. Graças ao atendimento do chepôs. E o que hoje é lucro, antes dedora renovou o fôlego e sustentou Sebrae-SP, começamos a trabalhar era considerado descarte. “A perda de o crescimento com a ampliação melhor o aproveitamento da matéria- madeira chegava a 40% e a empresa da mão-de-obra. Prefere contratar prima”, explica Tânia, que contou vivia no vermelho”, diz Tânia. “Ago- jovens profissionais e enfrentar o es- também com o apoio da Financiado- ra, o descarte não chega a 10%.” forço da qualificação. Com essa ótica, ra de Estudos e Projetos (Finep) e da fechou 2008 com 17 empregados na Fundação de Amparo à Pesquisa do Diversificação e qualidade – Para folha de pagamento, três a mais do Estado de São Paulo (Fapesp). ampliar o potencial de mercado e que no início do ano. E enfatizou a A empresa renasceu. Antes limi- acompanhar a diversificação dos qualidade. Hoje, o cuidado começa tada à produção em série, predomi- negócios, a Paraguaçu investiu na com o corte da chapa e acompanha nantemente para um único cliente, modernização de processos e na redu- cada etapa da produção. “Com cria- a Paraguaçu, agora, tem como ponto ção dos ciclos de produção. Ao longo tividade, é possível inovar”, ensina forte o atendimento sob encomenda, de 2008, consolidou a aquisição de Tânia. “Fica uma peça bonita, diferen- que já participa com 60% da receita. cinco novas máquinas e duplicou o ciada.” Além disso, ela utiliza madeiras Hoje, fabrica móveis planejados e volume processado. “Era precário nobres, enquanto grande parte da aproveita cada oportunidade de ne- trabalhar na situação em que está- concorrência usa um aglomerado de gócio para apresentar também seus vamos” diz Tânia. “A consultoria do menor valor agregado. novos produtos – mesas com tampo Sebrae-SP chegou na hora certa. Está- O mercado dá sinal verde. E o trabalho para divulgar as atividades da marcenaria entre arquitetos e pro- Atendimento fissionais de decoração de interiores, Escritório Regional do Sebrae-SP em Marília outra aposta certeira da Paraguaçu, começa a dar resultados. O volume Modalidade: Sebraetec de vendas cresceu 50% ao longo de Apoio: IPT 2008, e a expectativa é manter esse Tipos de inovação: processo, produto PARAGUAÇU PAULISTA ritmo de expansão. 99 SoluçõeS InovadoraS 111110-111 Marcenaria Paraguaçu_Par2 2 26/5/2009 16:27:04
  • 112. • Matrice Plásticos Os benefícios do apoio tecnológico Prestadora de serviços de injeção de peças plásticas, a Matrice apostou na inovação para melhorar a qualidade do atendimento e fidelizar clientes C om 30 anos de atuação, a Matrice Plásticos, na capital de São Paulo, sabe onde procurar apoio quando tem um problema tecnológico. Em 2007, por exemplo, enfrentava dificuldades na injeção de uma peça plástica para um novo e importante cliente. Tratava-se de um puxador de forno que precisava ser injetado em um náilon especial, o PA 66, com 30% de fibra. A empresa insistia no processo, mas não conseguia o resultado pretendido. A cada ten- Silvia Padilha: tativa, a peça produzida em apenas dois anos, a Matrice apresentava manchas na se reestruturou, superfície, em formato diversificou a carteira de ondas. Para solucio- de clientes e, com isso, o faturamento nar o impasse, a Matri- aumentou mais de ce buscou o auxílio do 100% no período programa Atendimento Tecnológico In Loco, do Sebrae-SP, com o apoio do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Os consultores encararam o desafio e realizaram uma série de tes- tes. Experimentaram outros materiais no processo de injeção e reduziram a quantidade de fibra, mas as manchas continuavam. No final, concluíram que o problema era provocado pelo inadequado posicionamento do pon- to de injeção no molde do cliente. FOTOS mariO miranda/LUZ Depois dos ajustes no ferramental e de correções na parametrização do ponto de fusão na injetora, o pro- blema foi completamente resolvido e as peças passaram a ser produzidas 112 99 SoluçõeS InovadoraS112-113 Matrice Plasticos_SP.ind1 1 26/5/2009 16:27:32
  • 113. sem manchas. O cliente, que sem- veículo fazia com que a engrenagem injeção de plásticos. Com o tempo, pre precisou pintar os puxadores, parasse de funcionar. passou a trabalhar também na pres- pôde reduzir o tempo e o custo de “Assumimos o compromisso de tação de serviços de injeção. Atual- produção. “Depois que soluciona- ressarcir o cliente, se fosse comprova- mente, seus clientes se concentram mos o problema, o cliente ficou tão do que o problema decorria do nosso no ramo de peças e acessórios auto- satisfeito que passou a nos entregar processo de injeção”, conta Silvia. motivos, materiais para escritório e outros trabalhos”, relata Silvia Padi- Técnicos do laboratório de transfor- peças para ferramentas, como disco lha, diretora administrativa. mação de plásticos e borracha pas- de lixadeiras, além de fabricantes de saram dois dias na empresa. Depois botões, candelabros e outros produ- Clientes satisfeitos – A Matrice já de uma bateria de testes, concluíram tos plásticos. havia contado com o apoio do Se- que o desenho da peça era impróprio Desde 2006, a empresa passa por brae-SP dois anos antes. Alegando para a injeção com náilon reciclado. uma sólida reestruturação, a começar prejuízos com um lote de peças que “O laudo indicou a necessidade de pela carteira de clientes. Silvia relata teriam sido injetadas com defeito, projetar uma nova peça com reforço que 90% do faturamento estava um dos maiores clientes da empresa da resistência ou injetar com outro concentrado em uma grande empresa cobrava ressarcimento de R$ 17 mil. material”, explica a diretora. Tempos do setor de acessórios automotivos. A Matrice precisava se defender. Co- depois, lembra Silvia, o cliente alterou “Decidimos ampliar nossa carteira, mercializada no mercado paralelo, a o desenho da peça para continuar in- que ficou um pouco mais equilibra- peça era uma engrenagem usada em jetando com a mesma matéria-prima, da, e hoje esse cliente representa 70% vidros elétricos automotivos. O lote que insistia em utilizar. do nosso faturamento”. Ela sabe que apresentava problema quando o carro Quando a Matrice abriu as portas, o percentual ainda é elevado, mas a equipado com a engrenagem era esta- atuava no segmento de ferramentaria, empresa continua trabalhando para cionado ao sol. O calor no interior do basicamente produzindo moldes para reduzi-lo ainda mais. No mesmo período, o faturamento saltou de uma média mensal de R$ 70 mil Atendimento para R$ 150 mil – mais de 100%. Com ajustes no processo produtivo, Escritório Regional do Sebrae-SP Capital Oeste a Matrice diminuiu o desperdício Modalidade: Sebraetec de matéria-prima e, com 18 funcio- Apoio: IPT nários, atinge uma produção de 6 Tipo de inovação: processo SÃO PAULO toneladas de plástico. 99 SoluçõeS InovadoraS 113112-113 Matrice Plasticos_SP.ind2 2 26/5/2009 16:27:36
  • 114. • Maximicro Manutenção Industrial O bombeiro de Osasco Evitar incêndio em indústrias é o objetivo do engenhoso aparelho desenvolvido por um empreendedor que, aos 67 anos, só tem olhos para o futuro D etector ótico de faísca para ambientes fechados: por trás desse extenso nome técnico está um numa oficina digna do Professor Par- dal das histórias em quadrinhos. É ali que ele desenvolveu um produto que 2008”. Mas a história é mais antiga e remonta ao período em que Colin Neto trabalhou numa indústria têxtil aparelho que cabe na palma da mão começou a nascer de uma necessidade de Osasco. “A manipulação dos fardos e traduz a essência do verdadeiro da multinacional em que trabalhava e, de algodão é um processo complexo, espírito empreendedor do brasileiro, hoje, se tornou a base de sua confiança em que as máquinas trabalham com composto por uma combinação de em uma nova empreitada. muito atrito. Se houver um pedaci- visão de oportunidade, disposição Segundo o empreendedor, o apa- nho de pedra ou metal misturado para inovar e coragem para ir atrás relho foi resultado de uma parceria com o algodão, podem ser geradas do sonho. O pequeno detector é o estratégica: “Tudo aconteceu graças faíscas que, quando sugadas para orgulho de Domingos Colin Neto, ao apoio do Instituto de Pesquisas dentro da tubulação que transporta dono da Maximicro Manutenção Tecnológicas (IPT), que, por meio o algodão para as máquinas, causam Industrial, que, aos 67 anos, transfor- do programa Sebraetec, do Sebrae- focos de incêndio. mou a edícula de sua casa em Osasco SP, deu forma final ao projeto, em Então decidimos Domingos Colin Neto com o detector de faíscas da Maximicro; na foto do alto na página à direita, o aparelho como era antes do trabalho feito com o Sebrae-SP fotos marcelo soares/lUZ 114 99 SoluçõeS InovadoraS114-115 Maximicro_Osasco.indd 1 26/5/2009 16:28:07
  • 115. criar um detector mais eficiente do que os sistemas anti-incêndio que existiam na época”, explica Colin. Em três anos, a equipe de engenha- ria desenvolveu o detector, para uso interno, mas logo depois a fábrica fechou e o projeto foi abandonado. Ao se aposentar, Colin decidiu recuperar a ideia e transformar o detector num negócio próprio. Para isso, utilizou uma pequena empresa que havia criado em 1987, a Usimaig, que 12 anos depois se transformou na Maximicro. Colin chegou a fazer novo aparelho pare- Colin diz que duas boas vendas, especialmente para cia meu ovo de pre- multinacionais têm indústrias têxteis, mas aos poucos os sente. Naquele mo- produtos pareci- negócios foram minguando, até que, mento já comecei a dos, para detecção em 2007, ele percebeu que precisava trabalhar para criar de fogo e fumaça, dar novos rumos à empresa. a infraestrutura de mas não há nada divulgação e o site tão específico como Ovo de Páscoa – “Eu já tinha con- da Maximicro”. seu detector. seguido um alto padrão de qualida- Os clientes pre- Já com a patente de, sensibilidade, funcionamento ferenciais de Colin estão no setor requerida do aparelho, site no ar e a e operacionalidade, mas precisava têxtil, mas ele diz que o detector pode publicação dos primeiros anúncios voltar ao mercado com um produto ser utilizado por indústrias de áreas em revistas especializadas, Colin dizo reestilizado e com medidas padroni- como couro e móveis. “Meu produto que está pronto para entregar ao mer- zadas, em condições de atrair clien- se aplica a qualquer fábrica que ma- cado quantas peças foram necessárias: tes. Precisava de apoio em design e nipule produtos inflamáveis em um “Toda a infraestrutura de produção é marketing. Resolvi então procurar tubo fechado, em ambiente escuro. O terceirizada. Mando fazer fora a mon- o Escritório Regional do Sebrae-SP detector é sensível ao infravermelho, tagem das placas e as caixas. Assim, em Osasco. A partir do momento uma onda eletromagnética com- se precisar fabricar mil detectores em que os consultores me ouviram e ponente do espectro solar, que não em dois meses, eu consigo. Agora é perceberam o potencial do produto, enxergamos a olho nu. A faísca que marketing e divulgação, e também tudo mudou. Três meses depois eu precede o incêndio gera essa onda nessa parte estou tendo muito apoio estava dentro do laboratório do IPT eletromagnética, que o semicondutor do Sebrae-SP”. No início de 2009, e na USP”, conta Colin Neto. Em do detector enxerga dentro de uma o empreendedor já contabilizava a 2008, o empreendedor finalmente re- tubulação ou num lugar fechado e venda de um conjunto de detectores cebeu o protótipo do IPT: “Eu chorei manda um aviso para a central, que para uma indústria têxtil de São Car- de alegria. Era semana de Páscoa, e o aciona os sistemas antifogo”, explica. los, interior de São Paulo, e concluía outro negócio em Blumenau, Santa Catarina: “Estou otimista, mas quero Atendimento ficar com os pés no chão, muito cau- teloso. Um amigo perguntou se eu Escritório Regional do Sebrae-SP em Osasco não estava louco em começar um ne- Modalidade: Sebraetec gócio desse na minha idade. Eu disse Apoio: IPT que não, que iria seguir em frente. É Tipo de inovação: produto OSASCO isso o que estou fazendo”. 99 SoluçõeS InovadoraS 115 114-115 Maximicro_Osasco.indd 2 26/5/2009 16:28:14
  • 116. • Medpej Indústria e Comércio de Equipamentos Médicos Do quintal para o mundo Em apenas nove anos, dois irmãos empreendedores criaram uma indústria de base tecnológica que começou sem nenhum empregado e hoje já exporta seus produtos L iteralmente, a Medpej começou como uma empresa de fundo de quintal – mais precisamente, no decidiu que “era hora de empreen- der”. Convenceu Wagner, que atua- va no setor de autopeças, a enfrentar da Medpj, apresentados numa feira do setor hospitalar na qual Valmir conseguiu “um metro de estande quintal de Wagner Aparecido Ro- o desafio e, sozinho, fez os protó- emprestado”. Dois anos depois, o cha, irmão e sócio de Valmir Marcos tipos de um colposcópio, aparelho quintal de Wagner deu lugar a uma Rocha, em 1999. Cansado de “fazer ótico para exame de prevenção de sede “de verdade”, e daí em diante a projetos para os outros”, depois de câncer ginecológico, e de um foco empresa não parou mais. Hoje, com duas décadas de experiência na área clínico, também para exame gineco- 48 funcionários, produz 29 itens, de equipamentos médicos, Valmir lógico. Foram os primeiros produtos começa a exportar e tem um con- sistente projeto de expansão para os próximos anos. Mas houve pedras no caminho da Medpej. Com vendas em alta e boa imagem no mercado, tudo pa- recia correr às mil maravilhas para a próspera empresa de Ribeirão Preto, cidade que abriga um Wagner (à esquerda) dos principais polos e Valmir Rocha: brasileiros de produ- depois de implantadas as ção de material odon- Boas Práticas de to-médico-hospitalar. Fabricação, os As indústrias do setor, sócios projetam um no entanto, estavam crescimento anual em torno de 30% tendo sérias dificulda- des para se adaptar à Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 59/00, pela qual a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) impunha a neces- sidade de obtenção do certificado de Boas Práticas de Fabricação (BPFs). Sem a certificação de BPFs, as em- presas não poderiam nem mesmo obter a renovação do registro de seus produtos – e o prazo para a adequa- ção e a certificação das empresas se encerraria em 2009. FOTOS LULUDI/LUZ Um grupo de 18 empresas decidiu então procurar o Escritório Regional do Sebrae-SP em Ribeirão Preto, 116 99 SoluçõeS InovadoraS116-117 MedPej_Rib Preto.indd 1 26/5/2009 16:28:53
  • 117. que, aliado a vários parceiros, criou o Arranjo Produtivo Local (APL) da Indústria de Equipamentos Médi- cos, Hospitalares e Odontológicos, hoje com 20 empresas. “O objetivo do APL, além da certificação, era encontrar meios de apoiar o setor, pois os empresários eram desunidos. O APL acabou se tornando uma luz no fim do túnel”, define Valmir. Boas surpresas – Os consultores do Sebrae-SP iniciaram a análise das condições das indústrias, para a adaptação à RDC 59/00. A boa sur- presa é que as exigências da Anvisa, que no início pareciam excessiva- mente rigorosas, começaram a pro- duzir resultados que os empresários lidade, rastreabilidade, melhorar para todos. não esperavam. “Quando desenvol- organização, moderni- Porém, quando o negó- vemos o processo de implantação de zação dos equipamentos cio está funcionando, uma boa prática, tudo começa a me- e produtividade e con- todo mundo começa a lhorar”, explica Valmir. “Passamos a quista de novos mer- apoiar”, completa. ter, por exemplo, todo o cronogra- cados. Nas licitações, “Eu tinha uma meta, ma de produção, do projeto e do por exemplo, as BPFs mas a empresa se desen- desenho devidamente documenta- já são exigidas. Hoje a volveu mais rapidamen- do. Mudaram também nossa visão gente tem a empresa nas te do que eu imaginava”, empresarial e os métodos de gestão. mãos, enquanto antes lembra o empresário, Enfim, as BPFs melhoraram a em- era só correria”. que atribui a expan- presa em todos os sentidos e nos Para Valmir, o pro- são da Medpej a fato- conscientizaram de que podemos cesso de implantação res como “a decisão de disputar mercado em igualdade de das BPFs pode ser definido em uma fazer pesquisa, dedicação integral, condições com os fabricantes de ou- palavra: inovação. “No início, é di- visão do concorrente e do mercado, tros países. Conseguimos melhorar fícil inovar, porque todo conceito melhoria contínua dos produtos e muito o nível da indústria médico- que vem para mudar incomoda des- aprendizado permanente”. Ele ex- hospitalar do país depois das BPFs”, de o dono da empresa até o tornei- plica: “Nunca sabemos tudo, e todo explica Valmir. ro. Todo mundo fica incomodado, dia se aprende alguma coisa”. Wagner Rocha assina embaixo das porque a mudança rompe hábitos. Ex-aluno do Senai, com gradua- palavras do irmão: “As boas práticas A dificuldade maior é esta: pôr na ção em química, Valmir conta que a trouxeram muitos benefícios em qua- cabeça do pessoal que o objetivo é maioria dos equipamentos que saem da linha de produção destina-se à Atendimento área ginecológica, alguns com alto índice de sofisticação. Parte desses Escritório Regional do Sebrae-SP em Ribeirão Preto aparelhos foi desenvolvida pela pró- Modalidade: Sebraetec pria Medpej, que, além de Valmir, Apoio: Senai conta com uma equipe própria de Tipo de inovação: processo RIBEIRÃO PRETO desenhistas e projetistas. 99 SoluçõeS InovadoraS 117116-117 MedPej_Rib Preto.indd 2 26/5/2009 16:29:01
  • 118. • Metalúrgica Primar EquipamentosEm alta velocidadeEm dois anos, empresa de Itu multiplicou o número defuncionários e ampliou as instalações, alicerçada na inovação É difícil encontrar Francisco dos Santos Souza no escritório cen- tral da Metalúrgica Primar Equipa- mentos. Quase sempre, o empresário está em visita a clientes ou conferindo de perto o que se passa nas linhas de produção, numa área de 940 m2 (no começo eram apenas 140 m2), em dois prédios numa mesma rua de Itu, no sudoeste do estado de São Paulo. Essa rotina agitada se mantém desde dezembro de 2006, quando Souza constituiu a Primar, Francisco dos Santos Souza e algumas das depois de uma experiência bombas de vácuo numa empresa familiar do fabricadas pela Primar: mesmo setor de atuação. faturamento cresce Em dois anos, o nú- acima de 100% por ano e a linha ganha mero de funcionários da novos itens em 2009 Primar praticamente qua- druplicou, de cinco para 19, e no muro de um dos prédios uma placa anuncia que há vagas para fresador e torneiro. O ritmo intenso de Souza tem um ponto de partida bem definido: o mês de agosto de 2006, quando o empreendedor começou a receber a consultoria tecnológica do programa Sebraetec, do Sebrae-SP, por meio do Escritório Regional de Soroca- ba, numa parceria firmada com a Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei). Fabricante de uma linha própria de ferramentas de aplicação voltada, na maioria, para a área hospitalar – como autoclaves e bombas de fotos milton mansilha/LUZ vácuo –, a Primar atende também a empresas do setor metalmecânico, por meio da manutenção de equi- pamentos e reposição de peças feitas na fábrica em Itu. “Mais de 60% do118 99 Soluções Inovadoras
  • 119. nosso faturamento vem da fabricaçãode equipamentos, e o restante se deveà reposição de peças e à prestaçãode serviços, sempre com muitoprofissionalismo. Todos na empresapossuem, no mínimo, ensino médio,e muitos têm alguma especializaçãoem cursos profissionalizantes”, afirmaFrancisco Souza.  Faturamento dobra – O faturamen-to da Primar acumula crescimentode 80% a 120% ao ano, revela oempresário. “Pretendemos aumentar conhecimento técnico dos processoscada vez mais a produtividade e o de produção”, lembra o empresário.faturamento e, entre outras metas, Dotado de conhecimento teórico doeliminar por completo os serviços produto e de espírito empreendedor,terceirizados, até meados de 2009”, além de cursos técnicos, Souza su-antecipa. Também em 2009 a Primar perou desafios – como o de adotarpretende diversificar sua linha e apre- células de fabricação e ferramentassentar ao mercado também móveis simples para controle de processoshospitalares como camas, mesas de produtivos – e quer vencer outros,refeição e divãs. como se tornar autossuficiente em São resultados coerentes com os equipamentos e na qualificação deconceitos aprendidos no Programa mão-de-obra especializada.  de Alavancagem Tecnológica (PAT), “Acredito que 100% do querealizado pelo Sebrae-SP e seus aprendemos no PAT foi colocado emparceiros, cujo objetivo é melhorar a prática, o que, somado ao nosso co-gestão industrial com foco na acele- ainda passamos a fornecer para outras nhecimento de mercado e às parceriasração da produtividade. O grande empresas”, diz Souza.   empresariais realizadas, nos permiteproblema da empresa praticamente Quando começou, a Primar pres- chegar a um bom patamar de desem-se resolveu no que diz respeito a tava apenas serviços de assistência penho”, avalia. Um bom resultadouma produção dinâmica e contínua, técnica e representação comercial para quem, antes do PAT, pensavacom redução do retrabalho. “Temos de equipamentos hospitalares. Um em ver resolvidos apenas 30% de seusainda um gargalo na logística, que ano depois, já fabricava bombas de problemas e acredita ter superado osnos empenhamos em eliminar. Mas, vácuo e, logo depois, esterilizadores. 60% de aproveitamento.com serviços próprios de usinagem “Foi tudo muito rápido, mas difícil, “Hoje estamos com mais da me-e caldeiraria, além de atender plena- porque nos faltavam equipamentos, tade do caminho percorrido, porquemente nossa capacidade instalada, recursos, mão-de-obra especializada e aplicamos o conceito de células de montagem, com nível zero de erro, e melhoramos a formação de custos, Atendimento área em que sempre fomos muito criteriosos, mas aprendemos métodos Escritório Regional do Sebrae-SP em Sorocaba bem mais eficazes em praticidade e Modalidade: Programa de Alavancagem Tecnológica eficiência. E falo, sem medo de errar: Apoio: profissionais credenciados no Sebrae-SP itu nossa produtividade cresceu cerca de Tipo de inovação: processo 70%”, comemora Souza. 99 Soluções Inovadoras 119
  • 120. • Metalúrgica São Thiago Salto de qualidade Empresa de Bilac aprimorou processos para ganhar produtividade e pessoalmente dos detalhes da cons- corrigir os defeitos de fabricação; agora, já planeja o próximo avanço trução do novo galpão, que, a partir de 2009, promete reforçar a operação E specializada na fundição de alumínio e latão, a Metalúrgica São Thiago é nome de tradição no investiu para modernizar processos da metalúrgica paulista. e garantir excelência na qualidade. É ele quem fala dos tempos em Hoje, contabiliza os dividendos, com que a empresa vivia acumulando ramo funerário, com mais de 20 aumento de 35% na produtividade, prejuízos, “por puro despreparo téc- anos de experiência na fabricação de economia nos custos operacionais e nico, coisas simples que a São Thiago ornamentos. Sediada no município expansão da carteira de clientes. O deixava de aplicar”. Na moldagem, de Bilac, na região de Araçatuba, a proprietário, Jair Stela, já prepara o então exclusivamente em areia, so- cerca de 500 km da capital, a empresa novo impulso de crescimento e cuida bravam exemplos de práticas artesa- nais. Muitas vezes, a saída era recorrer à soldagem, mas o acabamento da peça, fatalmente, denunciava a fra- gilidade do processo. O remendo era evidente. Uma falha aqui, outra ali e, no fim do mês, 25% das peças apresentavam defei- Jair Stela, proprietário da to. “Era um sofrimento, Metalúrgica São que se arrastou por quase Thiago: com os duas décadas”, resume problemas técnicos devidamente Stela. “E só mudou em solucionados, o 2006, depois da ajuda do próximo passo será Sebrae-SP”, afirma. duplicar a fábrica O ano de 2006 foi mes- mo o divisor de águas. A metalúrgica recebeu a visita de um consultor do programa Sebraetec, do Sebrae-SP, com apoio da Funda- ção Fritz Müller, e em pouco tempo estava pronto o resultado da análise técnica: a melhoria de desempenho requeria, obrigatoriamente, a utiliza- ção adequada de insumos, matérias- primas e tecnologia. A São Thiago, então, reorientou seu caminho. Em busca da qualidade – Dois meses FOTOS milTOn manSilha/lUZ depois da consultoria da Fundação Fritz Müller, a etapa de moldagem estava completamente remodelada. A empresa aprendeu a analisar a ma- téria-prima empregada no processo 120 99 SoluçõeS InovadoraS120-121 Metalurgica São Thiago_B1 1 26/5/2009 16:30:22
  • 121. e passou a utilizar novos materiais. em questão de 5 minutos, ele resolveu máquinas e comprar um forno maior A vedete, agora, é o processo de o nosso problema”, diz. e outros equipamentos”, planeja, coquilhamento, em moldes fixos, A produtividade cresceu 35%. O motivado pelo rumo dos negócios. que passou a responder por 40% do índice de falhas baixou de 25% para “Tudo isso vai refletir no aumento volume produzido. “Na coquilha, 9% e, em consequência, aumentou da produtividade e na ampliação de fazemos em uma hora o que, antes, a qualidade do produto final. “Tudo nossa linha de produtos”, prevê. o funcionário chegava a levar um melhorou. Sem falar que a empresa A ideia é ampliar a linha de peças dia inteiro para produzir”, compara economiza 50% na etapa de aca- religiosas, com carrinhos para trans- Stela. “E ainda economizamos 12% bamento e consegue entregar um porte de urna, castiçais, jogo de altar em matéria-prima.” produto final de melhor qualidade, e outras, num total de quase 30 itens. O surpreendente é que a meta- sem manchas, sem emenda e livre de A inovação deve alcançar também a lúrgica havia adquirido as coquilhas porosidade”, destaca. Não por acaso, área de vendas, com a estratégia de cinco anos antes. Estavam encostadas a carteira de clientes cresce 12% ao oferecer compras por consórcio, um a um canto, como entulho, despreza- ano. Com os negócios em alta, Stela diferencial para atrair o mercado. das depois de muitas tentativas frus- anda empolgado com a possibilida- Os reflexos chegam à força de tradas no chão da fábrica. “O técnico de de realizar um sonho antigo. Ele trabalho. A Metalúrgica São Thiago da Fritz Müller olhou e disse que só comanda a obra do novo galpão, que duplicou o quadro de colaboradores faltava jatear e pintar as máquinas. quase dobra a área da fábrica. “De e aumentou a equipe de vendas. Mais nada”, lembra Stela. “Quase 350 m2, vamos para mais de 600 m2. Atualmente são 21 funcionários na fiquei louco com aquelas coquilhas e, Depois, pretendemos modernizar as fábrica e 22 representantes “corren- do o mundo”, como costuma dizer o proprietário, hoje com vendas em Atendimento todo o Brasil e a previsão de iniciar Escritório Regional do Sebrae-SP em Votuporanga negócios no Mercosul. Por enquanto Modalidade: Sebraetec Stela faz suspense: “A negociação Apoio: Fundação Fritz Müller caminha bem e estamos estudando Tipo de inovação: processo BILAC as oportunidades mais atraentes”, afirma o empresário. 99 SoluçõeS InovadoraS 121120-121 Metalurgica São Thiago_B2 2 26/5/2009 16:30:30
  • 122. • MIG Peças Eficiência turbinada “Uma melhoria puxa outra”, diz o diretor da MIG Peças, empresa do oeste paulista, que decidiu mudar para acompanhar C om o dinamismo das grandes montadoras, os fabricantes de autopeças também estão trilhando a o ritmo e a demanda do mercado de autopeças estrada do crescimento, produzindo mais e investindo em inovação. É esse, sem retoques, o cenário que marca a atuação da MIG Peças, em- presa de fundição e usinagem que atua no mercado de reposição de componentes para motores diesel das linhas Volvo, Scania, Mercedes Benz e Cummins. Instalada em Leonardo Gava Regente Feijó, a 547 km tem motivos para da capital paulista, a MIG sorrir: uma mudança venceu um cenário de radical, em 2006, dificuldades, modernizou reduziu perdas e aumentou a a fundição e automatizou produtividade da o processo de usinagem. empresa Hoje, contabiliza os re- sultados. A carteira de clientes aumenta 15% ao ano desde 2006 e o faturamento acompa- nha o ritmo, com previsão de chegar a 20% de evolução em 2009. Quem expõe esses números é o diretor comercial Leonardo Gava, também responsável pela direção in- dustrial da planta – nada menos que 4 mil m2 de galpões. Ele lembra que, para fazer frente à competitividade do mercado de autopeças, a MIG precisou mudar. Com o suporte do Sebrae-SP, por meio do programa Sebraetec, investiu para eliminar o principal gargalo da produção, que esbarrava na precária qualidade ob- tida na moldagem da fundição. O índice de perdas chegava a 10% do total e, muitas vezes, o defeito só era FOTOS milTOn manSilha/lUZ percebido quando a peça estava em fase final de fabricação, o que resul- tava em perda de tempo, prejuízos operacionais e, consequentemente, atraso nas entregas aos clientes. 122 99 SoluçõeS InovadoraS122-123 MIG Peças_Regente Feijó.1 1 26/5/2009 16:31:13
  • 123. “O controle do processo era mui- 50,00 por peça, e os refugos e defeitos consultoria prestada pelo Sebrae-SP to falho”, admite Gava. “Mudou zeraram ou estão perto de 1%, no e a Fundação Fritz Müller. E como depois da consultoria do Sebrae-SP máximo”, compara Gava. “Econo- “uma melhoria puxa outra”, a MIG por meio do Sebraetec, com apoio mizamos em processos e no tempo, acabou por modernizar o processo de da Fundação Fritz Müller”, afirma e o volume de produção é maior”, usinagem, antes convencional, agora o empreendedor E mudou radical- resume. Antes, a MIG processava 4 automatizado por máquina com mente. O ano de 2006 foi o divisor toneladas de alumínio por mês. Hoje, comando numérico computadori- de águas. Em vez da conformação o volume é cinco vezes maior. zado, o famoso CNC, no jargão da da usinagem em areia, como ocorria automação industrial. É a tecnologia anteriormente, a fundição da MIG O impulso da mudança – A MIG da excelência em aplicações de usi- incorporou moldes fixos no sistema mudou o patamar operacional e nagem, hoje incorporada à rotina da de coquilha, depois de visitas técni- passou a reunir condições para gal- empresa. Com o apoio do Sebrae-SP, cas que somaram cerca de 200 horas gar novos degraus. Hoje, está mais também modificou o layout do pro- de consultoria. As vantagens são competitiva e comprome- cesso e implantou o conceito evidentes. O acabamento superior tida com a qualidade de células para reforçar a proporcionado pelo coquilhamento de seus produtos. eficiência produtiva. Era tem reflexo direto na qualidade do “É um processo o que faltava para con- produto final e otimiza todo o ciclo contínuo”, sina- solidar a nova posição de produção. “Na matéria-prima, liza Gava. Co- no mercado. “O pro- economizamos de R$ 40,00 a R$ meçou com a cesso é totalmente computadorizado e a máquina tem precisão de milé- simos”, explica. Com a qualida- de afiada, a MIG viu crescer as vendas in- ternacionais, em três continentes. “Quando você apresenta um produto com qualidade superior, as portas se abrem com mais facilidade. O seu produto ganha credibilidade e elimi- na barreiras”, arremata Gava. No mercado doméstico, a força de vendas ficou mais robusta e ganhou capilaridade. Os produtos da MIG – mais de 39 itens diferentes – são comercializados em grandes distri- buidoras e redes de varejo, em todos os estados brasileiros. O capital humano, evidentemente, Atendimento acompanhou a expansão da empresa. Escritório Regional do Sebrae-SP em Presidente Prudente Só na equipe de vendas, dois gerentes Modalidade: Sebraetec comandam 30 representantes, de Apoio: Fundação Fritz Müller norte a sul do país. A empresa tam- Tipo de inovação: processo bém oferece serviços pós-venda, em REGENTE FEIJÓ todo o território nacional. 99 SoluçõeS InovadoraS 123122-123 MIG Peças_Regente Feijó.2 2 26/5/2009 16:31:21
  • 124. • Monity Segurança high-tech Monity desenvolve solução móvel de videomonitoramento recursos não reembolsáveis para o para grandes operadores logísticos e aumenta a eficiência desenvolvimento do hardware e do software, por meio da própria Incu- dos programas de gestão de risco baero”, explica Alex Pereira. C om a crescente complexidade das operações logísticas, a ges- tão de riscos avança como tendência Fábio Yamada e Alex Pereira, que Com tecnologia embarcada, a Mo- partilham a ideia e a administração nity incorpora sofisticados sistemas da empresa desde sua fundação, de informação e imagem que permi- mundial, com foco em aplicações de em junho de 2004. Dezoito meses tem monitorar a frota remotamente grande porte. Atenta ao cenário, a depois, a Monity migrou para a In- e em tempo real. O sistema possui Monity marca posição. E sai na fren- cubaero, a incubadora de empresas um computador de bordo que capta te. Instalada em São José dos Cam- da Fundação Casimiro Montenegro e digitaliza sinais de vídeo, enviados pos, no sudeste paulista, a empresa Filho, em parceria com en- a partir de câmeras estra- desenvolveu uma solução de video- tidades como o Sebrae-SP A partir da esquerda, tegicamente instaladas monitoramento móvel para atender e o Instituto Tecnológico Fábio Yamada, no veículo. Os dados são grandes frotas e aumentar a eficiência da Aeronáutica (ITA). “O Alex Pereira e armazenados nesse servi- Ronaldo Moura, os do controle operacional e da gestão apoio do Sebrae-SP come- criadores da Monity: dor, e basta um modem de de risco de transportes. A novidade çou com a ajuda para que produtos agregam comunicação sem fio para tem a assinatura de Ronaldo Moura, conseguíssemos aporte de alta tecnologia, sob garantir a transmissão medida para clientes de grande porte FOTOS milTOn manSilha/lUZ 124 99 SoluçõeS InovadoraS124-125 Monity_S J Campos.indd 1 26/5/2009 16:31:49
  • 125. em tempo real para uma base veículo ou câmera. A qualquer de monitoramento, através da momento, é possível controlar rede wi-fi, que agora vive a onda qualquer detalhe da frota – do da terceira geração (3G). Outra ponto de origem ao destino final. saída é aguardar o retorno do Para os grandes players do setor, veículo ao estacionamento da uma facilidade que se traduz em empresa, e nesse caso a gestão de ganho de eficiência, economia e vídeo é totalmente automatizada. segurança para o transporte de Sensores e atuadores instalados cargas e, principalmente, para o nas câmeras já estão configurados capital humano. “O uso de tec- para enviar todas as imagens à nologias embarcadas e de sistemas central de monitoramento, em de informação é uma necessidade alta velocidade. O upload dura vital”, diz Alex Pereira. menos de meia hora. Da descrição do projeto ao su- Por meio do programa de porte técnico, o diferencial é que apoio tecnológico Sebraetec, o a Monity oferece aos operadores Sebrae-SP também auxiliou no logísticos o controle de cada desenvolvimento do design da etapa, com serviços solução. Com formato compacto customizados e e baixo custo de energia, o Mo- afinados com as nity também é ideal para insta- necessidades da lações em locais de difícil acesso indústria. “A ar- e tem capacidade de operar em quitetura é modular, condições extremas, como ambientes com a retaguarda com configurações e insalubres, sujeitos à poeira, vibração do Sebraetec para criar funcionalidades diferentes ou altas temperaturas. A solução a identidade visual da marca para cada necessidade”, pode ser integrada a outros sistemas Monity, em peças como folhetos de explica Fábio Yamada. É essa de controle da empresa, por meio de divulgação e lâminas técnicas. flexibilidade que ajuda a explicar a interface na comunicação de dados vantagem competitiva conquistada (USB ou RS232), o que concorre Vantagem competitiva – Os di- pelo desenvolvedor paulista. O mo- para ampliar ainda mais a confiabi- ferenciais da solução da Monity nitoramento ainda pode ser descen- lidade dos processos de gestão. vão além. Um software inteligente, tralizado – parte na empresa e parte Em relação à gestão, a Monity instalado na central de monitora- em sua base de gestão de risco. também mudou processos. “Parti- mento, também permite visualizar, A solução de monitoramento da cipamos de cursos de capacitação, simultaneamente, vários veículos, Monity também pode ser usada em como o Empretec, voltado para o configurar alarmes, acionar atuadores aeronaves. É o caso dos modelos UAV aprimoramento dos empreendedo- e realizar buscas por data, hora ou (veículos aéreos não tripulados), em- res”, lembra Pereira, que ainda contou até mesmo especificar por tipo de pregados na agricultura e em outras aplicações. O videomonitoramento, Atendimento aqui, tem vantagens evidentes. Mas o que hoje se desenha como atraente Escritório Regional do Sebrae-SP em São José dos Campos estratégia de negócios viveu também Modalidades: Programa de Incubadoras de Empresas, seus dias de indefinição. Foi o apoio Sebraetec do Sebrae-SP e de órgãos de fomento Apoio: Centro São Paulo Design, Fundação Casimiro à pesquisa, como a Fapesp, que con- Montenegro Filho SÃO JOSÉ feriu o estímulo extra e direciona os Tipo de inovação: produto DOS CAMPOS rumos do empreendimento. 99 SoluçõeS InovadoraS 125124-125 Monity_S J Campos.indd 2 26/5/2009 16:31:57
  • 126. • Móveis Vidigal Conquista premiada A ponto de fechar as portas, uma pequena empresa moveleira do ao contar sua história de superação. noroeste paulista apostou na proposta do APL, ganhou vitalidade A Móveis Vidigal continua de pé – e e se destacou em capacidade de superação saiu da crise fortalecida. “Foi a mão de Deus”, acredita. A Móveis Vidigal abriu as portas em tempos de inflação galo- pante, no fim dos anos 80, quando econômica, não tardou a perceber o “Quando estávamos a ponto de falir, equívoco. O cenário era outro e a em- bem no pico do problema, apare- presa vivia em estagnação, atrelada à ceu o Sebrae-SP, com o programa o proprietário, João Carlos Seicento, origem de pequeno negócio familiar, Sebraetec, e o caminho ficou claro.” se deixava iludir pela aparente saúde que, aos trancos, havia conseguido se O caminho, no caso, se abriu em do negócio. “Toda semana mudava a manter no mercado. “A verdade é que 2004, com o convite para ingressar tabela de vendas, enquanto a matéria- nos acomodamos e os desafios foram no Arranjo Produtivo Local (APL) prima era faturada para 30, 60 dias. crescendo. Chegou um momento em do Polo Moveleiro de Mirassol, então Bem ou mal, a gente tinha capital de que começamos a acumular recém-iniciado com o apoio giro”, entendia ele, à frente da empre- dívidas e a situação ficou João Carlos Seicento do Sebrae-SP. Embasada sa de Gastão Vidigal, a 553 quilôme- insustentável”, lembra na área de produção em estudo técnico reali- tros de São Paulo. Com a estabilidade Seicento, que se emociona da movelaria, depois zado pela Federação das da volta por cima: “Quando estávamos a ponto de falir, apareceu o Sebrae-SP com o Sebraetec” FOTOS milTOn manSilha/lUZ 126 99 SoluçõeS InovadoraS126-127 Móveis Vidigal_Gastão Vi1 1 26/5/2009 16:32:22
  • 127. Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), parceira do Sebrae-SP, espe- cialmente para direcionar as ações do APL, a proposta era fortalecer as empresas da região e demonstrar que, ao contrário do que reza o senso comum, cooperar com o concorrente pode ser uma boa alternativa para fomentar o crescimento. Dezesseis empresários aderiram à ideia, entre os quais Seicento. “Tivemos acesso a cursos e consultorias, e isso foi mu- dando nossa mentalidade. Passamos a enxergar o negócio com outros olhos e ganhamos motivação”, diz. Desde então, tudo começou a mudar, e o alcance da inovação per- em queda livre. A rentabilidade do “Nada do que fizemos requereu correu a empresa, do chão de fábrica negócio vai igualmente bem, avan- grandes investimentos. Pelo contrá- à administração. “Entramos de corpo çando 10% ao ano, desde 2004. rio”, explica Seicento, agora cons- e alma no projeto e percebemos que Acompanhou o ritmo, capitalizando ciente de que é a maneira de gerir o tudo precisava ser modernizado. Mu- as vantagens obtidas também com a negócio que faz realmente a diferença. damos o layout da produção e o ma- melhoria no fluxo de materiais e a “Mudamos muita coisa dentro da nuseio das peças, a parte financeira e racionalização de estoques. empresa, apenas seguindo a orientação a área de recursos humanos. Hoje, a das consultorias. Por isso tenho um Móveis Vidigal é uma nova empresa”, carinho muito especial pelo pessoal do comemora o empreendedor. Sebrae-SP, que nos trouxe ânimo para trabalhar e mostrou como enfrentar as Construindo o crescimento – E não dificuldades”, diz. faltam motivos para comemorar. O Confiante no futuro, a Vidigal novo layout otimizou o fluxo da pro- encerrou 2006 de cara nova e re- dução e, no final da primeira etapa do conhecida com o Prêmio Fiesp de APL, registrava-se um crescimento de Superação Empresarial. Redobrou o 30% na produtividade. O processo fôlego. Em 2007, investiu na etapa de fabricação de camas, principal do acabamento, desta vez com a aqui- atividade da Móveis Vidigal, ganhou sição de uma nova linha de pintura, eficiência e conferiu mais qualidade que somou dez máquinas novas à ao produto final. A empresa pratica- operação da fábrica. Ganhou ainda mente eliminou a reposição, antes mais qualidade no acabamento e, na casa de 5%, agora abaixo de 1%, é claro, aumentou o valor agregado dos produtos. Como consequência direta, a satisfação e a fidelidade dos Atendimento clientes seguem em alta. Agora, a Escritório Regional do Sebrae-SP em Votuporanga Móveis Vidigal fortalece a área de Modalidade: Sebraetec vendas. “Estamos compondo uma Apoio: Senai equipe externa, que vai reforçar a Tipo de inovação: processo GASTÃO VIDIGAL estrutura comercial”, avisa Seicento, com a determinação de sempre. 99 SoluçõeS InovadoraS 127126-127 Móveis Vidigal_Gastão Vi2 2 26/5/2009 16:32:31
  • 128. • NoTox – Non Toxic Machining Technology Revolução verde A NoTox, uma pequena empresa de Piracicaba, lança o primeiro biolubrificante 100% vegetal, à base de mamona, com eficiência até 40% superior aos óleos convencionais O s tempos mudaram. A conser- vação dos recursos energéticos e as chamadas tecnologias verdes de negócios. O planeta agradece. No centro dessa visão empresarial, cresce a certeza de que a gestão sustentável sobrevivência do negócio. Vale, aqui, a mesma lógica que há pouco mais de uma década apontou o caminho da ultrapassam a retórica dos movimen- não é apenas imperativa para reagir efervescente economia digital: quem tos ambientalistas e evidenciam que, aos alertas da degradação do meio sai na frente, tem meio caminho também no mundo corporativo, a ambiente, mas também uma fonte andado para consolidar presença e sustentabilidade chega com fôlego segura de vantagens competitivas se distanciar da concorrência. O para impulsionar uma nova agenda e condição indispensável à própria desafio é remodelar as práticas, com alternativas eficientes e à altura das exigências dos tempos atuais. Em Piracicaba, a 152 quilôme- tros da capital paulista, uma solu- ção inovadora e de Gustavo Lucchesi, alto desempenho criador de uma desponta como es- empresa que já nasceu tratégia desse novo “verde”: ao aliar-se à universidade e rumo do mercado. antecipar tendências Idealizada com o de mercado, o compromisso de empreendedor encontrou o caminho oferecer produtos de comprovada efi- ciência tecnológica, a partir de fontes renováveis, a NoTox já nasceu verde e imprime à marca a missão de eliminar lubrificantes tóxicos do ambiente industrial. Quem explica a filosofia é o empre- sário Gustavo Lucchesi, que explorou o potencial da biotecnologia para lançar o CastorCut, o primeiro fluido de corte 100% vegetal, à base de óleo de mamona. “Desenvolvemos um biolubrificante tão eficiente quanto o fluido mineral, derivado do petróleo, e muito superior aos sintéticos de primeira linha, com a vantagem de ser totalmente biodegradável e livre de resíduos tóxicos”, compara. Concebido para aplicações in- dustriais de usinagem e retificação, o produto traduz uma verdadeira 128 99 SoluçõeS InovadoraS128-129 NotoxOK.indd 1 26/5/2009 16:33:24
  • 129. revolução, que começou distante das perspectivas comerciais, fruto de estudo acadêmico na Universidade de São Paulo (USP), e agora promete mudar a prática do chão de fábrica. A NoTox reconheceu que era preciso ganhar amplitude e viabilizar comer- cialmente a solução. Com o apoio do Sebrae-SP, perseguiu a meta e hoje está estruturada para produzir até 30 toneladas mensais do produto. Eficiência – Não é preciso ser vi- sionário nem arriscar abstrações futuristas para afirmar que o impacto da inovação promovida pela NoTox será considerável. O curioso é que a em- presa começou mo- desta, sem o caráter superlativo que cos- tuma acompanhar os to uma certificação há um ano a NoTox mantém suas ícones da biotecno- na Alemanha, uma instalações, também respaldada pela logia. O segredo do das mais rigorosas Agência USP de Inovação. Desde sucesso, nesse caso, do mundo, porta então, pequenos ajustes na fórmula é a conjugação de de entrada para a do fluido asseguraram o emprego esforços e a marca Europa. A certifi- do CastorCut em um vasto leque de indelével da credibili- cação representa- aplicações, como metalurgia, lubri- dade e da inovação. va um avanço sem ficantes de graduação alimentícia e A NoTox farejou precedentes, mas se indústrias náutica e aeronáutica. “Em a oportunidade, li- limitava a um único alguns processos, a eficiência chega cenciou e patenteou o processo industrial. a ser 40% superior aos produtos fluido de corte, mas decidiu ir além. O salto para o ganho convencionais, sem falar no descarte A pesquisa na USP, realizada pelo de escala veio do apoio do núcleo simplificado, a custos menores e sem Núcleo de Manufatura Avançada da de aperfeiçoamento tecnológico dano ambiental”, enfatiza Lucchesi. Escola de Engenharia de São Carlos, do Sebrae-SP, o Sebraetec, e da A indústria também sai ganhando alcançou repercussão no meio cientí- incubadora da Escola Superior de na área de segurança operacional e fico internacional e rendeu ao produ- Agricultura Luiz de Queiroz, onde na valorização do capital humano, sem risco algum de insalubridade para os operadores de usinagem e Atendimento retificação. Por essas e outras, a No- Escritório Regional do Sebrae-SP em Piracicaba Tox já recebeu o apoio formal de Modalidades: Programa de Incubadoras de Empresas, uma multinacional alemã, uma das Sebraetec gigantes do setor químico, conquista Apoio: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz, USP o mercado brasileiro e tem tudo para Tipos de inovação: processo, produto cruzar fronteiras, com amplo reco- PIRACICABA nhecimento internacional. 99 SoluçõeS InovadoraS 129128-129 NotoxOK.indd 2 26/5/2009 16:33:32
  • 130. • Noxt A força de uma boa ideia Noxt inova com um sistema antifurto de som digital, A gigante mundial Microsoft já viveu seus dias de venture capi- tal. A paulista Noxt vai pelo mesmo sem eles. Quem já teve o CD player do carro furtado chega fácil ao xis da questão. Foi exatamente essa ex- projeta crescimento de caminho. E promete vencer. O trunfo periência que levou os engenheiros 30% ao mês no mercado é um desses inventos que, depois de Roberto Carvalho, de 29 anos, e doméstico e já desenha a difundidos, levam as pessoas a ques- Daniel Kunzler, de 27, ao desafio de expansão para o Mercosul tionar como era possível sobreviver criar um sistema de som automo- tivo à prova de ladrão. E não seria um som qualquer, mas o melhor da tecnologia mp3. Também não seria uma diversão de ex-colegas dos tem- pos de Engenharia em São Carlos, mas o marco de uma bem-sucedida estratégia empresarial. Pensaram grande. “A proposta sempre foi bem mais que uma ideia”, explica Carvalho. “Va- Roberto Carvalho mos disputar de igual (mostrando o para igual com gran- Moovi) e Daniel Kunzler, sócios da des players.” E foi as- Noxt: um produto sim, com determina- engenhoso bastou ção, que em agosto para que a empresa de 2006 começaram chegasse com força num mercado seletivo a preparar o terreno. Detalharam o plano de negócios, decididos a desenvolver também um protótipo. Seria o “cartão de visita” para bater à porta de investidores e viabilizar comercialmente o produto. O resultado chegou mais rápido que o esperado. Com o apoio do programa Sebraetec, do Sebrae-SP, e da incubadora do Centro para a Competitividade e Inovação do Cone Leste Paulista (Cecompi), em São José dos Campos, a Noxt aprimorou processos e azeitou o produto final. FOTOS milTOn manSilha/lUZ Entre as ações desenvolvidas com o suporte do Sebrae-SP e da Fundação ParqTec de São Carlos, estão o novo design da caixa metálica que compõe o transmissor e da central do produ- 130 99 SoluçõeS InovadoraS130-131 Noxt_com foto.indd 1 26/5/2009 16:34:06
  • 131. to, a ser instalada no veículo. Além disso, foram desenvolvidas todas as embalagens em papelão e sugerida a mudança da marca do equipamento, que de Cuk passou a se denominar Moovi, nome com mais apelo comer- cial, reconhecem os sócios Carvalho e Kunzler. Daí à capitalização do negócio foi um pulo. “O Sebrae-SP nos oferece as ferra- mentas, mas é preciso saber explorá- las”, alerta a dupla de empresários. “Não se vê burocracia na parceria. No Sebraetec nosso projeto foi aprovado rapidamente”, afirma Carvalho. Hoje a empresa contabiliza 15 investidores, que reforçam a apos- ta no ineditismo. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) também entrou como órgão de fomento e fez o aporte instalada em qualquer para o desenvolvimento, por meio parte do carro, longe do do programa Pesquisa Inovativa na alcance da visão – e dos Pequena Empresa (Pipe). Em outra mal-intencionados. Outra frente, o Instituto ParqTec auxiliou vantagem é a portabilidade no design e nas ações de comunicação – palavra de ordem no mundo visual.Com a estrutura devidamente da tecnologia. Com design que reflete turbinada, a ideia ganhou nome e modernidade, o Moovi não tem mais escala comercial e chega ao varejo do que 7 centímetros de comprimen- pelas redes de distribuição dirigidas to, pesa 600 gramas e é muito fácil ao setor automotivo. com saída de áudio. Mas é na central de instalar. Bastam 15 minutos, e o que o Moovi revela sua engenhosida- carro só precisa ter a fiação adequada Praticidade e segurança – O Moovi de. É ela que responde pela captação, e as saídas de áudio. é um sistema composto por um trans- decodificação e amplificação dos da- As perspectivas comerciais ani- missor e uma central. Mais nada. O dos gerados pelo transmissor, a uma mam. Com a maturação do negócio e transmissor opera com tecnologia frequência de 2,4 GHz, que impede o reconhecimento da mídia especiali- sem fio e é acoplado ao mp3 player qualquer possibilidade de interferên- zada, o Moovi conquistou a aceitação ou a qualquer outro equipamento cia. O melhor é que fica escondida, do mercado, projeta crescimento nas vendas de 30% ao mês e desbrava Atendimento mercados. Em relação às vendas para o exterior, a estratégia já está dese- Escritório Regional do Sebrae-SP em São José dos nhada. “Estamos em contato com Campos empresas do Uruguai, Venezuela, Modalidades: Programa de Incubadoras de Empresas, Sebraetec Argentina e México”, conta a dupla Apoio: Centro para a Competitividade e Inovação do Cone Leste da Noxt. Em tempo: a solução Moovi Paulista, Fundação ParqTec SÃO JOSÉ já desperta o interesse das grandes Tipo de inovação: produto DOS CAMPOS montadoras de veículos. 99 SoluçõeS InovadoraS 131130-131 Noxt_com foto.indd 2 26/5/2009 16:34:14
  • 132. • NSA Gráfica e Editora Boa impressão é a que fica Empresa de Bariri investiu forte na qualificação e na motivação dos funcionários e, em dois anos, registrou resultados surpreendentes F azer funcionários crescer com a empresa e, a partir daí, melhorar a qualidade de vida de todos. Não é roupas”, explica o gerente adminis- RH e Vilson, que cuida da gerência trativo, Flávio Muniz Della Coletta. comercial, traz também soluções para Embalagens, displays e projetos sob a produção. missão fácil, mas a valorização dos encomenda completam o leque de “A conquista do envolvimento das recursos humanos transformou-se produtos da NSA. pessoas no nosso projeto foi a maior em meta da NSA Gráfica e Editora, O jovem empresário está à fren- inovação”, avalia Flávio. “Criamos de Bariri, no centro-oeste paulista, te da empresa familiar desde 2005, um clima de cobrança saudável, em para conquistar uma fatia maior do com a tia Vânia e o pai que todos se sentem com mercado. O foco da empresa é a in- Vilson Aparecido Della Flávio Della Coletta o mesmo nível de impor- dústria da moda, que responde por Coletta. Tudo é participa- (à esq.): o jovem tância na organização e quase 90% de sua carteira de clientes tivo: Flávio dá o suporte empresário conseguiu colaboram com soluções.” aumentar de 32 – são 200, no total, todos no estado em criação e produção, para 61 o número Ele lembra, contudo, que de São Paulo. “Fornecemos etiquetas Vânia responde pelas áreas de funcionários, há pouco tempo as coisas e outros itens para fabricantes de financeira, de compras e enquanto o não corriam tão bem. faturamento cresceu 64% em dois anos FOTOS milTOn manSilha/lUZ 132 99 SoluçõeS InovadoraS132-133 NSA Gráfica_Bariri.indd 1 26/5/2009 16:34:44
  • 133. Antes de assumir o cargo de dire- ção, Flávio havia passado por quase todas as áreas da NSA Gráfica, e as- sim acumulou conhecimento e agu- çou a visão empreendedora. “Eu via a diretoria e a equipe desmotivadas e sem perspectiva de crescimento, e decidi procurar o Sebrae-SP”, lem- bra. O ano era 2006, e o Escritório Regional da entidade em Bauru de- senvolveu o projeto NSA em parceria com o Senai local. A empresa partici- pou, com outras do setor gráfico, de programas do Sebrae-SP e utilizou serviços da instituição com o obje- tivo de melhorar a competitividade, mediante consultorias do Sebraetec. A capa- Estratégia para com- e a consequente eliminação de perdas citação do pessoal se petir – Hoje a situação são creditadas pelo empresário a uma deu por meio dos pro- é bem diferente. A combinação equilibrada de fatores: gramas Sistemas Em- empresa conta com “O Sebrae-SP atuou como facilita- presariais Integrados e líderes nos pontos es- dor dos trabalhos, e nosso comitê de Qualidade Total. tratégicos – criação, implantação do projeto soube vencer As dificuldades esta- produção, financeiro e os desafios. O principal foi fazer a vam, principalmente, comercial – e aumen- diretoria entender que a mudança em processos e gestão, tou o número de cola- começaria por cima, por nós, e dali recorda Flávio. Não boradores, de 32 para irradiaria por todas as áreas. Quando havia métodos defini- 61. “No ritmo em que começamos a agir profissionalmente, dos para cada etapa da estamos, acredito que conseguimos envolver as pessoas que, atividade e se perdia muito tempo em seis meses podemos chegar a 80 por sua vez, passaram a acreditar que na produção. “O projeto, feito espe- funcionários. Além disso, nosso fatu- era possível melhorar sempre. Aí cialmente para a NSA, nos permitiu ramento cresceu 64% em dois anos”, criamos gestores para um processo chegar a um layout produtivo, com a diz Flávio. “O mais importante é que teve data para começar, mas não correta disposição dos vários setores que direcionamos e capacitamos as acaba nunca”, acrescenta Flávio. e centros de criação e produção e a pessoas para que se especializem em A citação que se lê num quadro na movimentação das pessoas na pro- suas atividades. Agora temos plano e recepção da NSA, do livro Cem Dias dução. Antes havia muita dispersão estratégia para competir, e todos es- Entre o Céu e o Mar, de Amyr Klink, e, com essa desorganização, nem de tão envolvidos e comprometidos.” As reflete bem o espírito da empresa: segurança dispúnhamos.” soluções para os problemas de espaço “Ao se encaminhar para um objeti- vo, sobretudo um grande e distante objetivo, as menores coisas se tornam Atendimento fundamentais. Uma hora perdida é uma hora perdida, e quando não se Escritório Regional do Sebrae-SP em Bauru tem um rumo definido é muito fácil Modalidade: Sebraetec perder horas, dias ou anos, sem dar Apoio: Senai conta disso”. Os funcionários sabem Tipo de inovação: processo BARIRI entender e praticar o recado. 99 SoluçõeS InovadoraS 133132-133 NSA Gráfica_Bariri.indd 2 26/5/2009 16:34:52
  • 134. • Öokre Packaging Design Embalagens que alavancam as vendas Estúdio se especializa no desenvolvimento de marcas, embalagens e peças gráficas e conquista grandes clientes com a aposta na criatividade U ma grande oportunidade se abriu no fim de 2007 para os negócios da Öokre Packaging Design, um estúdio de design espe- cializado na criação de peças gráficas, embalagens e desenvolvimento de marcas. Estava há cerca de um ano na Incubadora ParqTec, em São Carlos, a 240 km da capital de São Paulo, quando recebeu um pedido da Salute, tradicional fabricante de alimentos lácteos. Tinha o desafio de compor uma embalagem capaz de refletir os diferenciais na formulação de uma nova bebida – um achocola- tado pronto, que alia a cremosidade e a textura do leite fresco ao paladar marcante do chocolate maltado. A Öokre aceitou a encomenda, deu conta do recado e, é claro, conquistou integralmente a Salute. Hoje, tem a missão de redesenhar as embalagens de todos os produtos em linha, aten- dendo a uma das mais importantes indústrias de alimen- tos lácteos da região André Sola: o apoio de São Carlos. da incubadora de A Öokre começou São Carlos e as parcerias com a FOTOS renaTO lOpeS/lUZ a surgir quando o universidade abriram desenhista industrial caminho para que a André Sola concluiu Öokre conquistasse respeito no mercado sua pós-graduação publicitário em marketing e, em 134 99 SoluçõeS InovadoraS134-135 Ookre_São Carlos.indd 1 26/5/2009 16:35:19
  • 135. 2004, começou a trabalhar no de- senvolvimento de embalagens, como profissional autônomo. “Um dos trabalhos que fiz rendeu o capital para a formalização do negócio”, recorda o empreendedor. No fim de 2006, a empresa conseguiu ser aceita na Incubadora do Instituto ParqTec de Design e passou a contar com a consultoria do Sebrae-SP. O salto maior, contudo, foi o trabalho desenvolvido pela Öokre para a Salute. Com o apoio do Sebrae-SP, Sola iniciou o Reproduz a forma, a textura projeto embasado em amplo e a cor original. “Até o brilho levantamento de mercado, a é igual”, garante Sola, que daí fim de identificar os elemen- em diante pôde demonstrar tos gráficos que deveriam ser toda a criatividade e a com- destacados. A pesquisa tinha petência técnica da Öokre. A o propósito de encontrar tam- massa facilitou a produção das bém os volumes mais apro- imagens, e a empresa de design priados para a comercialização partiu para a composição final do produto e levantar custos e do layout da embalagem. Op- características dos moldes da tou pela utilização de símbolos embalagem. Os consultores lúdicos, com referência a um foram a campo e os desafios personagem de óculos, capaz começaram a ganhar forma. Parcerias valiosas – Para resolver de atender simultaneamente ao pú- Mas os primeiros ensaios foto- o problema, a Öokre teve o apoio blico adulto e infantil. gráficos revelaram uma dificuldade. decisivo do programa Sebraetec, do A Öokre também assina a refor- “Com o calor do estúdio e os longos Sebrae-SP, e da Universidade de São mulação das embalagens de uma períodos de exposição, era impossível Paulo (USP), por meio do Depar- pequena empresa alimentícia que manter a cremosidade da fórmula”, tamento de Química do campus da atua no segmento de massas secas lembra Sola. “Precisávamos encontrar Universidade Federal de São Carlos da região de Leme, interior de São uma maneira de substituir o produto (UfsCar). Veio de lá a solução que Paulo. “Nesse projeto, além das novas por um material capaz de reproduzir deu fim às dificuldades na criação embalagens cartonadas, fizemos pe- fielmente todas aquelas característi- da embalagem. Os especialistas da quenas alterações na logomarca, ape- cas e ainda suportar as condições do USP desenvolveram uma massa nas para conferir leveza, sem perder estúdio, permitindo o manuseio por cerâmica que tem exatamente a a identidade”, explica Sola, otimista longos períodos durante os ensaios.” mesma aparência da bebida láctea. com a evolução do negócio. “Hoje somos conhecidos e pro- Atendimento curados também pelas principais agências de publicidade do interior Escritório Regional do Sebrae-SP no Centro Paulista de São Paulo”, revela o empresário, Modalidades: Programa de Incubadoras de Empresas, Sebraetec que viu quadruplicar o faturamento Apoio: Fundação ParqTec, Universidade Federal de São da Öokre desde que ingressou na Carlos, USP incubadora ParqTec: “Estamos con- Tipos de inovação: organizacional, processo SÃO CARLOS solidando nossa própria marca”. 99 SoluçõeS InovadoraS 135134-135 Ookre_São Carlos.indd 2 26/5/2009 16:35:26
  • 136. • Ophicina do Aroma Cheiro de sucesso Com o apoio do Sebrae-SP, uma pequena empresa de cosméticos do interior de São Paulo se desenvolve numa incubadora e consolida sua marca no mercado de brindes e presentes I mpossível não se encantar com as criações da Ophicina do Aroma. A empresa, instalada em Santa Bárbara de grandes lojas em shopping centers 80 kg por mês, entre aromatizantes de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná e sabonetes decorativos fabricados para os produtos da Ophicina do por ele e a esposa, com o auxílio da d’Oeste, a 130 km de São Paulo, Aroma, agora também presente no filha, e vendidos no pequeno varejo. cativa o olhar pela originalidade setor de brindes institucionais. Além de limitada pela falta de espaço e o bom-gosto que confere a cada O que hoje se desenha como um físico, que inibia a produção em uma produto da linha. Na diversidade do negócio promissor, com forte po- escala rentável, a empresa ainda en- portfólio, estão mais de 2 mil itens, tencial de mercado, nasceu modesto frentava dificuldades para se adequar entre aromatizantes decorativos e em 2004, improvisado na residência às exigências da Agência Nacional de artigos para banho, como sabonetes do farmacêutico Edmilson Apare- Vigilância Sanitária (Anvisa). Era um artísticos, em formatos e cores va- cido Silva Santos, que, atualmente, obstáculo importante, que a Ophici- riados, cuidadosamente formulados com ares de empresário, mantém-se na do Aroma conseguiu vencer com com fragrâncias capazes de seduzir à frente da Ophicina do Aroma e o apoio do Sebrae-SP. o consumidor mais exigente, além recorda os tempos iniciais. Sua pri- A mudança começou em abril de sais, óleos e outros produtos meira sede contava pouco mais de de 2007, quando Santos buscou a cosméticos e da linha banho. É essa 15 m2, divididos entre um escritório ajuda do Sebrae-SP e ingressou na qualidade, que privilegia essências e uma cozinha para mani- Incubadora de Empresas José bem brasileiras, como a canela e a pulação das fórmulas. A João Sans, de Santa Bárba- Edmilson Aparecido erva-doce, que vem abrindo as portas produção não passava de Santos: adequada às ra d’Oeste. Desde então, exigências da Anvisa, a empresa encontrou abrigo na incubadora e, já no primeiro ano, viu o faturamento aumentar 460% andrei bonamin/LUZ 136 99 SoluçõeS InovadoraS136-137 Ophicina do Aroma- Sta B1 1 26/5/2009 16:36:06
  • 137. assumiu novos ares e comemora a visibilidade no mercado e corrigiu matizantes líquidos e sabonetes deco- evolução do negócio. As novas ins- o foco comercial. Agora, em vez do rativos. Nos temas da nova coleção, talações permitiram incorporar as pequeno varejo, o atacado é que con- ganham destaque os florais e a linha adequações exigidas pela Anvisa. A centra as atenções da equipe de ven- infanto-juvenil, em que sapinhos Ophicina do Aroma passou a contar das. A lição foi aprendida em março com olhos de plástico sempre em com laboratórios climatizados para de 2008, com a estreia na Gift Fair, movimento são sucesso garantido. controle de qualidade, para semissó- feira de brindes e presentes realizada Com o impulso conquistado no lidos, líquidos e a etapa de acabamen- anualmente na capital de São Pau- mercado, a empresa ganhou corpo. to. Departamentos como expedição, lo. “Nossos produtos foram muito Conseguiu aumentar em quase dez estoque e administração completam bem aceitos na feira”, conta Santos. vezes sua produção e alcançou um o novo desenho, que reserva espaço “Com a participação no evento, as patamar de produção de 750 kg por para uma recepção na entrada. Com as encomendas triplicaram.” mês. Contratou cinco funcioná- mudanças, todos os procedimentos de Outra lição que orienta os rumos rios, além de uma vendedora e um produção foram alinhados às rígidas do negócio é a necessidade de espe- representante. Em pouco tempo, a normas da Anvisa, num passo decisivo cializar a produção. Hoje, a Ophicina estratégia adotada mostrava resul- para a certificação da empresa. do Aroma reforça o foco no mercado tados robustos. No primeiro ano de de brindes e presentes – carro-chefe aniversário na incubadora, o fatura- Reviravolta – Com o apoio do pro- de vendas – e diversifica o portfó- mento havia crescido 460%. grama Sebraetec e da consultoria de lio, com produtos também para o Agora, a Ophicina do Aroma pro- marketing oferecida pelos técnicos segmento institucional e para pet mete surpreender ainda mais, com da incubadora, a Ophicina ganhou shops. Entre as novidades estão kits a oferta de embalagens exclusivas. identidade corporativa, ampliou sua para brindes ou presentes, com aro- Com o apoio do programa Sebraetec e do Instituto ParqTec de Design de São Carlos, planeja o lançamento Atendimento de novas embalagens para os kits, reforçando seu apelo comercial. E Escritório Regional do Sebrae-SP em Piracicaba pretende voar mais alto. “Queremos a Modalidades: Programa de Incubadoras de Empresas, Sebraetec ajuda do Sebrae-SP para transformar Apoio: Fundação ParqTec SANTA BÁRBARA nossa marca em franquia internacio- Tipos de inovação: processo, produto D’OESTE nal”, completa Santos. 99 SoluçõeS InovadoraS 137136-137 Ophicina do Aroma- Sta B2 2 26/5/2009 16:36:14
  • 138. • Oralls Saúde Bucal Coletiva Bons negócios na odontologia preventiva Empresa graduada na incubadora do Cecompi, em São José dos Campos, a Oralls desenvolve programa para higiene bucal em escolas e conquista um nicho original no mercado Q uando o dentista Fabiano Viei- ra Vilhena era coordenador de saúde bucal da prefeitura de General Carneiro, descobriu uma grande oportunidade de negócio ao perce- ber que não existia material didático para o ensino de higiene dentária nas escolas. Corria o ano de 1997 e Vieira resolvera apostar no conceito de “odontologia sem a presença do dentista” para combater o alto índice de cáries registrado na população da cidade. Ele tinha certeza de que o ensino de higiene bucal nas escolas municipais poderia, em Fabiano Vieira poucos anos, ter impacto Vilhena: experiência positivo no índice CPOD na área de saúde da administração – sigla em inglês que sig- pública estimulou nifica dentes com cárie, a criação de uma perdidos ou obturados empresa que, ainda – por habitante. Atuan- na incubadora, quer conquistar o mundo do em parceria com as escolas, ele começou a improvisar a montagem de kits para ensinar e motivar as crianças a escovar os dentes. “Criei estojinhos de plásticos individuais, com escova e creme dental, e passei a apostar na pedagogia preventiva”, explica Vilhena. Tempos depois, convencido da im- portância do conceito pedagógico de- senvolvido, ele resolveu transformar o FOTOS milTOn manSilha/lUZ trabalho em tese de mestrado, na Fa- culdade de Odontologia da USP em Bauru. Em 2005, no fim do curso, o projeto de Vilhena foi aprovado pela Incubadora de Empresas do Centro 138 99 SoluçõeS InovadoraS138-139 Oralls Saúde Bucal_S J C1 1 26/5/2009 16:41:20
  • 139. para a Competitividade e Inovação do “Em seguida, passamos a contar agora, desenvolve projetos piloto Cone Leste Paulista (Cecompi), em com o apoio do Sebrae-SP também para a aplicação de seu programa em São José dos Campos, e sua empresa, para a criação de material promo- países como Moçambique, Angola e a Oralls Saúde Bucal Coletiva, iniciou cional e para participar de feiras e Emirados Árabes. sua trajetória. Os cursos de empreen- eventos odontológicos”, lembra o O empreendedor acredita que as dedorismo do Sebrae-SP ajudaram empresário. O programa Sebraetec práticas de odontologia preventiva Vilhena a desenhar melhor o contorno também ajudou a Oralls na criação não inviabilizam a profissão de den- de seu negócio. Com o apoio do pro- da identidade visual e da logomarca. tista. “Ao contrário”, argumenta. grama Sebraetec, o empresário criou A empresa ainda investiu na criação “Creio que pessoas bem informadas seus próprios moldes de injeção em de DVDs com a ajuda da Fundação e com dentição saudável procuram plástico e lançou o Kit Escovinha. de Amparo à Pesquisa do Estado de dentistas com maior frequência para O design do molde foi desenvolvido São Paulo (Fapesp), da USP de Bauru a manutenção da saúde bucal.” Ele com o apoio do Instituto ParqTec de e da incubadora do Cecompi. Os diz que há muitas coisas que o Bra- Design para incrementar os conceitos DVDs passaram a acompanhar os sil precisa aprimorar em termos de de odontologia preventiva e pedagó- kits, transformando o trabalho em políticas públicas para garantir mais gica adotados pelo empreendedor. um programa preventivo de saúde saúde bucal. Uma delas é mexer na Trata-se de um suporte plástico para bucal para escolas. Hoje, mais de 500 legislação da Agência Nacional de guardar até 60 estojos coloridos com mil crianças usam o Kit Escovinha. Vigilância Sanitária (Anvisa), que escovas e gel dental, identificados “A maioria em escolas públicas”, considera o dentifrício um cosmético com o nome do aluno. explica Vilhena. Ele acrescenta que, e não classifica a escova com um item de saúde. Mesmo assim, Vilhena in- siste e prepara o lançamento de um Atendimento gel dental exclusivo para ser utilizado com seu Kit Escovinha. “O gel ajuda Escritório Regional do Sebrae-SP em São José a obter dosagem mais eficiente de dos Campos flúor”, explica. Desde o lançamento Modalidades: Programa de Incubadoras de Empresas, Sebraetec do Kit Escovinha, a Oralls vem re- Apoio: Cecompi, Fundação ParqTec SÃO JOSÉ gistrando faturamento bruto anual Tipos de inovação: marketing, organizacional, produto DOS CAMPOS acima de R$ 1,5 milhão. 99 SoluçõeS InovadoraS 139138-139 Oralls Saúde Bucal_S J C2 2 26/5/2009 16:41:28
  • 140. • P3D Tecnologia da Imagem Revolução na sala de aula Com soluções de tecnologia educacional que combinam realidade virtual e imagens tridimensionais, produtos desenvolvidos pela P3D prometem enriquecer o processo pedagógico A escola do futuro começa a se desenhar. As tecnologias edu- cacionais estão em alta, e a paulista imagens tridimensionais. “Torna as aulas mais atraentes e facilita a vida do aluno, porque existem conceitos P3D Tecnologia da Imagem aponta que são mais facilmente compreen- caminhos seguros para inovar o didos visualmente”, diz o empresário repertório da sala de aula. O que Mervyn Lowe, diretor da P3D. a empresa propõe não é substituir Quando se roda o software desen- o protagonismo dos professores volvido pela P3D, o que era abstrato pela tecnologia, mas enrique- ganha vida e é capaz de encantar, cer o processo pedagógico, auxiliando o professor a imprimir explorando os recursos ao conteúdo uma abordagem ainda da realidade virtual e mais instigante. Com sede no bairro das imagens em três do Brooklin, em São Paulo, desde dimensões. É fácil 2008, a P3D começou a ganhar os FOTOS milTOn manSilha/lUZ imaginar o im- primeiros contornos no início dos pacto da inovação. anos 2000. Mervyn fala de uma Uma coisa é estudar experiência “transformadora” que mapas impressos nos atlas viveu à frente da área de RH da En- convencionais; outra, bem di- ron, gigante do setor de energia, que ferente, é interagir com eles e observar, por exemplo, as características do relevo em Mervyn Lowe e, no alto, na página à direita, a imagem de um software desenvolvido pela P3D: as escolas brasileiras agradecem 140 99 SoluçõeS InovadoraS140-141 P3D_SP.indd 1 26/5/2009 16:42:07
  • 141. pediu concordata em dezembro de 2001. “Trabalhava em uma das dez maiores companhias do mundo e, da noite para o dia, aquela imagem ruiu. Jurei que nunca mais voltaria a esse modelo de trabalho”, conta. Foi quando decidiu montar negócio pró- prio e, em 2004, conseguiu espaço no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec). O compro- misso com a qualidade e o suporte do Centro fizeram a empresa estreitar os vínculos com o ambiente acadê- mico, que ainda hoje dá apoio aos conteúdos progra- máticos da P3D. A frágil visão ad- do resto. Com alta cionalidade da ferramenta, a empresa ministrativa ga- resolução gráfica e também se encarrega de capacitar os nhou consistência interface intuitiva, docentes na utilização dos softwares. com o suporte do o software carrega “Temos oficinas de treinamento na Sebraetec, progra- outro importante USP”, explica o executivo. ma do Sebrae-SP. diferencial para ca- A P3D coleciona resultados. Seus Pela seriedade da tivar profissionais e softwares estão presentes em 200FOTOS milTOn manSilha/lUZ proposta, não faltou quem mani- instituições de ensino. Não há uma escolas, em 12 estados brasileiros, e festasse apoio. Com foco no ensino só palavra no material da P3D, o que têm tradução em nove idiomas, para fundamental e médio, nas áreas de demonstra o papel insubstituível do atender 14 países que já adquiriram geografia e biologia, a P3D teve o professor. É ele quem faz a seleção do a inovação. O Programa de Apoio respaldo de organismos de fomento, conteúdo e define o enfoque que quer Tecnológico à Exportação (Progex), como a Fapesp e a Finep, e ainda hoje valorizar. Se preferir, pode acrescentar resultado da parceria entre o Sebrae- recebe consultoria pedagógica de à imagem novos conteúdos, removê- SP e o Instituto de Pesquisas Tecno- especialistas da expressão de Nelson los ou destacar um detalhe. lógicas (IPT), ajudou a preparar o Baciq Olic, geógrafo da USP, nome “Uma imagem tridimensional ingresso em novas fronteiras. consagrado na educação brasileira. do corpo humano pode ser usada A empresa também acumula tanto para explicar a importância da premiações de peso, como o Prêmio Oficinas de criatividade – Com escovação dentária, para alunos das Finep de Inovação Tecnológica, e a credibilidade do produto e sua séries iniciais, quanto para falar de má conquista o reconhecimento inter- qualidade garantida, a simplicidade formação de mandíbulas”, exempli- nacional, com duas premiações na de uso da ferramenta se encarregou fica Lowe. Para explorar toda a fun- Expodidactica, na Espanha (2006 e 2008), e o primeiro lugar na edição de 2006 do Worlddidac Award, o Atendimento mais importante encontro mundial Escritório Regional do Sebrae-SP Capital Oeste de tecnologia educacional. Modalidades: Programa de Incubadoras de Empresas, Sebraetec Os indicadores financeiros seguem Apoio: Cietec, IPT em alta. Desde 2005, a P3D cresce a Tipos de inovação: organizacional, produto SÃO PAULO taxas de 50% ao ano. O faturamento chegou a R$ 2 milhões em 2008. 99 SoluçõeS InovadoraS 141 140-141 P3D_SP.indd 2 26/5/2009 16:42:13
  • 142. • Padaria do Gonçalo Um pão que vale o preço A clientela valoriza a qualidade e o método de produção artesanal, sem conservantes nem aditivos – principalmente depois que a tradicional padaria ganhou cara nova A os 78 anos, Claudio Haro é mais novo do que o prédio em que está instalada sua empresa, a a longa história do estabelecimento estiveram ameaçadas. “Faço o melhor pão de Sorocaba”, afirma Haro, e por disso. Aliás, minto: usei, sim, no co- mecinho, quando comprei a padaria e seguia o jeito deles. Mas nos pri- Padaria do Gonçalo, numa das ruas isso mesmo é também o mais caro. meiros meses mudei tudo. Também mais movimentadas de Sorocaba, 96 “Criei amor pelo pão, que é feito de influi a qualidade da farinha, que não km a noroeste da capital. O imóvel um jeito que eu mesmo criei. Os fre- pode ser de qualquer moinho, porque foi construído há quase um século, gueses reconhecem a qualidade e são depende do tipo de trigo.” e o andar térreo é ocupado por uma fiéis”, ele acrescenta, com convicção, Embora orgulhoso do pão que padaria que, resistindo às mudanças explicando que o diferencial está no vinha fabricando há quase 50 anos, urbanas, está para completar sete método de produção à moda antiga “desde 1o de agosto de 1960”, data décadas em atividade. Mas o tempo e nos ingredientes escolhidos a dedo, que tem na ponta da língua, Haro deixa suas marcas, e chegou um mo- sem conservantes nem qualquer percebeu que as coisas já não corriam mento, em 2006, que a reputação e aditivo químico. “Nunca usei nada tão bem. “O produto era bom, mas o Claudio Haro na área de produção da padaria, que agora brilha com o piso novo e as outras reformas: “Mudou tudo aqui dentro” FOTOS luiz pradO/luz 142 99 SoluçõeS InovadoraS142-143 Padariado Gonçalo_Soroca1 1 26/5/2009 16:42:48
  • 143. estabelecimento tinha problemas sé- rios de estrutura e vi que precisava me atualizar e encontrar uma forma me- lhor de lidar com os funcionários e os clientes. Como já conhecia o Sebrae- SP da época em que fui presidente da Associação Comercial de Sorocaba, resolvi procurar o Escritório Regional, em busca de ajuda”, lembra. Mudança radical – A Padaria do Gonçalo integrou-se, então, ao Pro- grama Alimentos Seguros (PAS), do Sebrae-SP, com o apoio do Senai, e participou de uma consultoria entre setembro de 2006 e junho de 2007, como explica a dentista e técnica em alimentos Regina Haro, filha de Claudio, que trabalha com o pai, assim como a mãe, Edith, e o tio, Celso Haro. “Vimos que poderíamos perder a freguesia se não fizéssemos alguma coisa, e isso se comprovou no diagnóstico inicial do programa, sérios. Com a orientação do Sebrae-SP, midade no PAS, o dobro do que se no qual atingimos apenas 46% de tudo melhorou. Aprendi o caminho e registrou no primeiro diagnóstico. conformidade, sendo que o ideal pretendo fazer outras consultorias”. O panificador não gosta de reve- estabelecido pelo PAS é de 75%”, Além da adequação estrutural, a lar detalhes de seu movimento, mas conta Regina. “Seguimos tudo o que consultoria constatou avanços im- afirma que está muitos satisfeito com a consultora orientou. Mudamos o portantes em higiene ambiental e na os resultados da consultoria: “O que conceito de tratamento ao cliente rotina de operações, que permitiram mais interessa é que os fregueses per- e qualificamos os funcionários. Na que a padaria atualizasse todos os cebem a mudança e elogiam muito. A verdade, mudou tudo aqui dentro, documentos exigidos pela legislação gente se sente até com uma responsa- desde o nosso comportamento até o sanitária e implantasse o Manual de bilidade maior. A consultora mostrou controle da gestão e da produção.” Boas Práticas e os Procedimentos o que estava errado e nos orientou a Claudio Haro acrescenta: “Fiz Operacionais Padronizados. Como respeito da maneira de organizar tudo. uma reforma grande. Troquei piso resultado, Haro reduziu o tempo de Chegamos a 90% de conformidade, e forro e renovei a frente. Mas era execução das atividades, o desperdí- mas agora eu quero 100%”. preciso, porque chegaria uma hora cio e o retrabalho e, mais importante, A padaria tem quatro funcioná- em que começaria a ter problemas conseguiu atingir 90% de confor- rios, além dos familiares, e na entra- da, colado num balcão, vê-se o cartaz: “Precisa-se de balconista”. É sinal dos Atendimento novos tempos num negócio que se apoia na tradição e na qualidade para Escritório Regional do Sebrae-SP em Sorocaba chegar fortalecido à segunda geração Modalidade: Programa Alimentos Seguros e continuar produzindo, segundo o Apoio: profissionais credenciados no Sebrae-SP orgulhoso empreendedor, o melhor e Tipo de inovação: processo SOROCABA mais caro pão de Sorocaba. 99 SoluçõeS InovadoraS 143142-143 Padariado Gonçalo_Soroca2 2 26/5/2009 16:42:58
  • 144. • Passarela Calçados Como atrair clientes Empresa de Osvaldo Cruz investiu nas ações sugeridas pelos consultores para se instalar numa área com mais visibilidade, mudar o visual da loja e aumentar o faturamento A Passarela Calçados surge impo- nente numa esquina da avenida Brasil, em Osvaldo Cruz, na região de ponta de estoque, com as ofertas do dia. Símbolo da prosperidade do Quem visitou a loja no antigo prédio, onde permaneceu até setembro de 2008, sente o impacto da mudança. de Presidente Prudente, e desperta comércio da cidade, atração de seu “É uma área com muita visibilidade, os olhares das pessoas. Suas amplas principal centro varejista, a loja de em espaço cinco vezes maior”, com- vitrines iluminadas exibem amostras calçados nasceu com o nome oficial para Jorge Nilton da Cunha, sócio de nada menos de mil modelos só de Cunha e Zanchi, assinatura de de Aparecido Celso Zanchi, que da linha feminina – carro-chefe das família dos sócios. Mas preferiu se investiram na ino- vendas –, além de calçados masculi- apresentar ao mercado como Pas- vação em resposta Jorge da Cunha nos e infantis. Uma segunda ala, com sarela Calçados, marca que acabou à iniciativa de revi- (à esquerda) e Aparecido Zanchi, entrada independente, mantém a loja conquistando o consumidor local. talizar o comércio sócios da Passarela Calçados: na loja renovada, em apena um mês o faturamento cresceu cerca de 40% FOTOS rubenS cardia/LuZ 144 99 SoluçõeS InovadoraS144-145 Passarela Calçados_Osval1 1 26/5/2009 16:43:28
  • 145. de Osvaldo Cruz. “Valeu a pena”, FEB, Dr. Miranda, Armando Sales e auxiliar na definição do layout, ilu- avalia Cunha. “O estabelecimento Salgado. Com tamanha sinergia, os minação, vitrine, fachada e ambiente. ficou muito bonito e todo mundo lojistas vestiram a camisa e o projeto Com o suporte técnico do Senac, tem elogiado. A loja está atraente e decolou. A região ficou mais bonita a Passarela Calçados remodelou o fez com que avançasse bastante o nos- e muito mais atraente, estimulando prédio da avenida Brasil, agora seu so faturamento, que, em apenas um o fluxo de clientes. novo endereço. E virou atração. Cada mês, cresceu cerca de 40%”, afirma detalhe foi cuidadosamente planeja- o empresário. Suporte personalizado – Cada lojista do – as cores da fachada, a pintura da A ideia nasceu no projeto Varejo recebeu a visita técnica de um consul- loja e o painel externo, sem esquecer Competitivo, proposto pelo Sebrae- tor para traçar o diagnóstico e obser- a grande vedete: a vitrine, na verdade SP com o objetivo de aumentar a var, individualmente, as necessidades três grandes vitrines, em degraus, competitividade das pequenas em- do empreendimento. A Passarela para dar mais ênfase aos calçados e presas do setor varejista da região. Calçados exemplifica o esforço. Em valorizar a beleza da loja. E ganhou força com o respaldo da julho, ainda na antiga loja, Cunha “Desde o início, acreditamos que Associação Comercial e Empresarial recebeu o especialista, que deu novo ia dar certo e já visualizamos uma de Osvaldo Cruz, do Sindicato do estímulo ao projeto dos sócios de melhoria grande. Os comerciantes Comércio Varejista e da prefeitura, ampliar suas instalações comerciais. só têm a lucrar”, reconhece o em- que cuidou de revitalizar o centro “Tínhamos esse desejo, e o Sebrae- presário, que detalha seu modelo de comercial, promovendo o conserto SP reforçou a necessidade de mudar atuação: “O investimento maior está de guias e calçadas e o recapeamen- e nos sugeriu a transferência para na linha de calçados femininos, por- to de pistas. Na primeira etapa, o esse novo espaço, mais adequado ao que todas as pesquisas mostram que Varejo Competitivo contemplou o atendimento aos clientes e à exposi- de cada dez pares vendidos no Brasil, quadrilátero central da cidade, que ção de nossos produtos”, esclarece. O sete são para mulheres. Os números envolve a avenida Brasil e as ruas passo seguinte foi a consultoria para do dia-a-dia mostram essa realidade”, confirma Cunha, empolgado pelo di- ferencial conferido ao segmento. E o Atendimento projeto Varejo Competitivo continua Escritório Regional do Sebrae-SP em Presidente Prudente firme, com grupos de trabalho que Modalidade: Sebraetec tratam, agora, de fortalecer ações Apoio: Senac nas áreas de marketing e vendas, Tipos de inovação: marketing, processo OSVALDO CRUZ modernização da gestão do varejo e articulação empresarial. 99 SoluçõeS InovadoraS 145144-145 Passarela Calçados_Osval2 2 26/5/2009 16:43:32
  • 146. • Paula Peralta Calçados e Acessórios Show de estilo em calçados femininos Atenta às tendências de mercado, a Paula Peralta conquista espaço com base na sofisticação A Paula Peralta Calçados e Aces- sórios é uma das empresas que colaboram para caracterizar a cidade da capital paulista, onde os calçados constante, mas o grande marco no de Jaú ganham visibilidade e conquis- caminho da Paula Peralta foi a par- tam mercado. ceria realizada com o Sebrae-SP, por de Jaú como a capital do calçado “Somos fabricantes de calçados meio do programa Sebraetec, com feminino no estado de São Paulo. E, femininos nas linhas clássica e sofis- a participação do Serviço Nacional com estilo, ultrapassa as fronteiras da ticada e temos uma carteira de pe- de Aprendizagem Industrial (Se- região. À frente da indústria, aberta didos em ascensão constante. Nosso nai) e do Sindicato da Indústria de em 2002, estão Luiz Roberto de Tilio forte são a criação de calçados de Calçados de Jaú (Sindicalçados), e Lúcia Helena Neves de Tilio, que acordo com as tendências da moda, segundo o empresário. Ele conta hoje comandam, além da sede e da a produção esmerada e a variedade que o maior problema da empresa produção no centro-oeste paulista, a de modelos”, diz Luiz estava na área de design loja Paula Stellare, empreendimento Roberto, diretor comer- Luiz Roberto de Tilio e desenvolvimento de criado para atuar no Empório do cial e de produção. O não esconde o orgulho produtos. “Antes, fazía- pela qualidade de Calçado, na Vila Leopoldina, bairro aprendizado no setor é suas criações: um mos por conta própria as grande salto depois da participação em oficinas de design e desenvolvimento de novos modelos fotos milton mansilha/lUZ 146 99 SoluçõeS InovadoraS146-147 Paula Peralta v2.indd 1 26/5/2009 16:44:06
  • 147. pesquisas de tendências de moda. Foi quando, em 2006, tomamos conhecimento da atuação do Sebrae- SP em Bauru, realizando projetos em comum com o Senai daqui. En- tão decidimos que essa experiência poderia nos ajudar a desenvolver a coleção daquele ano”, relata Tilio. De julho a novembro de 2006, a empresa aprendeu como desenvolver uma coleção, com design adequado a cada estação e definição mais clara de seu público-alvo, por meio de pesquisa de informações sobre moda e tendências, com a correta aplicação desses conceitos no seu dia-a-dia. O empresário acrescenta: “A partir daí, a cada nova coleção já sabíamos por base em cuidadoso planejamento, e público-alvo. Assim a empresa pre- onde ir, e confiamos a tarefa a espe- nossa linha de montagem deslancha serva e aprimora um estilo próprio, cialistas que contratamos no merca- sem gargalos”. consolidando uma marca que tem do. Uma vez decidida a coleção, com- Além da consultoria tecnológica, a boa aceitação no mercado. pramos o material e os acessórios com Paula Peralta tem no Sebrae-SP e no Senai, aos quais se junta o Senac de Ganho em agilidade – O empreen- Jaú, o providencial apoio em ações dedor aponta como ganhos mais de treinamento em moda e design, significativos, desde o início da para manter em dia a capacitação de consultoria tecnológica, o fato de seus funcionários. “Temos de honrar acelerar o desenvolvimento das co- a imagem da empresa, que se tornou leções para entrar em produção com referência no ramo calçadista pela se- igual rapidez, o que fez a empresa riedade e a competência. E a melhor vencer o desafio de ter sua marca maneira de fazer isso é tomar todo o escolhida por profissionais que ditam cuidado com o desenvolvimento e a moda no país. a fabricação de nossos produtos, de O respaldo técnico que a empresa modo a não deixar o cliente insatis- obteve está presente também na feito”, diz o empresário. criação, nos tipos de material, forne- Tilio afirma que a inovação mais cedores, estilo e otimização do tempo percebida na Paula Peralta é a possi- na escala das coleções, enumera Tilio. bilidade de definir suas coleções com “A parceria fez com que colocássemos bastante antecipação, bem focadas no nossos produtos na exata medida de tempo e necessidade do mercado consumidor, permitindo a reposição Atendimento de acordo com a demanda.” Tilio diz que essa soma de fatores Escritório Regional do Sebrae-SP em Bauru positivos permite que a Paula Peralta Modalidade: Sebraetec esteja entre as empresas de calçados Apoio: Senai femininos mais atentas às tendências Tipo de inovação: processo JAÚ – em uma palavra, atualizada. 99 SoluçõeS InovadoraS 147146-147 Paula Peralta v2.indd 2 26/5/2009 16:44:15
  • 148. • Pesque Truta Ribeirão Grande Caiu no anzol, é lucro Empresária do Vale do Paraíba aumenta a clientela sem abrir mão da qualidade no atendimento N o município de Pindamonhan- gaba, em um canto paradisía- co a poucos quilômetros, por trilha, No PAS, são disseminados concei- tos destinados a promover a seguran- ça alimentar, a qualidade, a economia giene e manipulação de alimentos. Como resultado, a empresária con- seguiu diminuir custos operacio- de Campos do Jordão, a ex-professo- e a produtividade de empresas do nais, aumentar a competitividade e ra Niuceia Fernandes Nogueira Vieira setor de alimentação mediante a atender a legislação. Ela diz que seu encontrou a solução ideal para aliar aplicação do Sistema de Análise de problema maior era envolver plena- lazer, boa alimentação e atendimento Perigos e Pontos Críticos de Con- mente os funcionários e saber cobrar de alto nível. Tudo ficou ainda melhor trole (APPCC), referência na União deles, o que só conseguiu depois da no Pesque Truta Ribeirão Grande Europeia, nos Estados Unidos e no participação no PAS. desde que, em 2006, a empresária co- Mercosul. “Nosso estabelecimento Nos fins de semana, o Pesque Truta nheceu o Programa Alimentos Seguros se tornou mais competitivo. Con- Ribeirão Grande registra cerca de 100 (PAS), do Sebrae-SP. Niuceia diz que, seguimos 82% de conformidade às atendimentos diários. São pessoas para ela, foi fundamental participar da normas da vigilância sanitária, e isso que vão conhecer o lugar e saborear consultoria oferecida pelo Escritório dá motivação para pensar em saltos as especialidades da casa. “Num do- Regional do Sebrae-SP em Guaratin- maiores”, diz Niuceia. O aprendi- mingo, recebemos 300 clientes”, lem- guetá: “O que assimilei de conheci- zado envolveu consultoria e aulas bra Niuceia. No geral, ela calcula que mento não tem preço”, afirma. de boas práticas de alimentação, hi- o faturamento evoluiu 75%, além do Niuceia Fernandes Nogueira Vieira, que aplicou as orientações do Programa Alimentos Seguros: “O que assimilei de conhecimento não tem preço” FOTOS milTOn manSilha/lUZ 148 99 SoluçõeS InovadoraS148-149 Pesque Truta Ribeirão Gr1 1 26/5/2009 16:44:53
  • 149. ganho que se reflete na qualidade de vida de seus dez colaboradores. O parceiro de Niuceia no negócio é o marido, Irineu Alves Vieira Jú- nior, responsável pela infraestrutura do pesqueiro. “Nosso ambiente tem um apelo ao mesmo tempo familiar e rústico”, diz a empresária, que passa o dia entre o salão do restaurante e a cozinha, sempre aberta aos clientes: “Nossas instalações dispensam con- vites do tipo: ‘Venham conhecer a nossa cozinha’. Ela é escancarada”. O principal atrativo do lugar é a possibilidade rara de comer peixe realmente fresco. Em geral, o cliente pega seu equipamento e vai para um dos lagos. Assim que é fisgado, o pei- xe segue para a cozinha e é preparado na hora, ao gosto do freguês. Uma placa avisa que é proibido devolver à do que muita gente pensa, o peixe jo- como frango caipira, linguiça caseira, água o peixe já fisgado. “Ao contrário gado de volta não sobrevive”, ensina mandioca frita e outros produtos a empresária. da terra, adquiridos de produtores locais. Segundo Niuceia, a melhor Visita surpresa – Além do pesqueiro avaliação que seu estabelecimento já e do restaurante, a empresa conta recebeu foi de uma senhora de São com oito tanques de criação, com Paulo: “Num fim de mundo desses, capacidade para até 60 mil peixes, olha só o capricho e o cuidado. De e alguns chalés, para quem quiser imediato, já vi o que precisava ver”. A se hospedar e curtir a tranquilidade cliente se referia à apresentação im- do lugar por mais tempo. A água pecável de atendentes e do pessoal dos tanques, na temperatura e no da cozinha. Não sabia que a própria volume adequados à atividade, vem dona pilotava a cozinha, assim como diretamente da serra da Mantiqueira, a empresária se surpreendeu ao per- pura e cristalina, e a manutenção dos ceber que a visita era profissional, de criadouros é feita semanalmente. uma agente da saúde pública. “Esse Para quem não aprecia os rituais foi um dos resultados da participação da pesca, o restaurante oferece um no PAS”, afirma. cardápio com “comida de fazenda”, Vencidos os desafios e supera- dos os problemas iniciais, a empre- sária – que garante ser “cliente de Atendimento carteirinha” do Sebrae-SP, onde já Escritório Regional do Sebrae-SP em Guaratinguetá fez outros cursos de aperfeiçoamento Modalidade: Programa Alimentos Seguros empresarial – assegura que pretende Apoio: profissionais credenciados no Sebrae-SP continuar seguindo as orientações Tipo de inovação: processo PINDAMONHANGABA dos consultores do PAS, em busca de novas conquistas. 99 SoluçõeS InovadoraS 149148-149 Pesque Truta Ribeirão Gr2 2 26/5/2009 16:45:01
  • 150. • Pipoquinha Brinquedos Educativos De sacoleiro a Trabalho Artesanal nas Comunidades (Sutaco), e se engajou na criação da Associação Brasileira de Brinquedos empreendedor Educativos (Abrine). Desde então, mantém ritmo ascendente. “Deixei a vida de sacoleiro para assumir a de empresário”, diz Fernando Boleiz, Fabricante de brinquedos da capital moderniza processos, proprietário da Pipoquinha. Ele investe na sustentabilidade e ganha apoio tecnológico para vestiu a camisa de gestor e soube aumentar a aproximação com o mercado explorar as oportunidades. De carona na Abrine, que estabeleceu parceria A Pipoquinha saiu da informa- lidade e ganhou eficiência, adotando a produção em série sem também educa. A empresa marca posição em um setor dominado pela informalidade. Dados de mercado com o Sebrae-SP para apoiar e quali- ficar os micro e pequenos fabricantes de brinquedos educativos, Boleiz perder o charme da estética artesanal. estimam que 80% dos produtores são participou de palestras e programas Em outra frente, aprimorou a gestão artesãos que ainda não vislumbram moldados às necessidades do negócio. do negócio e buscou visibilidade. Daí as vantagens de oficializar o negócio, Igualmente importante foi a partici- a conquistar a confiança do mercado, com visão empreendedora. pação de sua empresa no Programa foi um passo, amparada no compro- A Pipoquinha percebeu a diferença. de Gestão Ambiental, desenvolvido misso de oferecer ao público infantil Em 2003, a empresa se formalizou, pelo Sebrae-SP, com parceiros como um brinquedo que, além de divertir, com o apoio da Superintendência do o Instituto de Pesquisas Tecnológicas Fernando Boleiz: com preparação adequada, ganhou perfil de autêntico empreendedor e hoje produz 2 mil peças mensais, numa linha de 70 produtos FOTOS andrei bOnamin/LUZ 150 99 SoluçõeS InovadoraS150-151 Pipoquinha_SP.indd 1 26/5/2009 16:45:28
  • 151. (IPT) e o Senai. Boleiz fez vários cur- ainda limitava a atuação da empresa. empresa, e tudo o que se produzia sos e, semanalmente, acompanhava “Estávamos desanimados, porque tinha venda garantida. as lições da consultoria do Sebrae-SP. precisávamos investir para crescer A empresa sempre primou pela “Se o desafio era incrementar as ven- e faltavam recursos”, lembra o em- qualidade e a criatividade. Mas derra- das, eles formatavam um programa presário. Boleiz nem imaginava que pava no desperdício da madeira, sua específico e, assim, aos poucos, ga- o problema podia ser enfrentado de principal matéria-prima. Novamente nhávamos capacitação para avançar maneira tão simples: “Ganhamos o o Sebrae-SP entrou em cena e ajudou no nosso negócio”, explica. apoio do Sebrae-SP para participar a corrigir o gargalo, que também E o setor avançou. Dados da da feira da Abrin, o maior evento freava a expansão do negócio. Graçasa Abrine indicam que os fabricantes de do setor de brinquedos da América ao Programa de Gestão Ambiental, a brinquedos educativos, em participa- do Sul. Na feira, veio o que faltava. Pipoquinha aderiu às práticas de sus- ção no mercado, cresceram de 5% em Fechamos contratos com 30 novos tentabilidade. Com uma simples mu- 2001 para 20% em 2005. No mesmo clientes de uma só vez”. dança no posicionamento do molde período, o número de lojas brasileiras Mais um desafio havia sido su- nas placas de madeira, o desperdício especializadas em brinquedos educa- perado, e a Pipoquinha intensificou no processo de fabricação caiu 40%. tivos cresceu 300%. o ritmo de trabalho. Valeu a pena. Também reduziu o consumo de ener- Encerrou 2005 com crescimento de gia e reciclou as sobras. O que antes Eficiência e sustentabilidade – Afi- 70% nas vendas e ampliou em 60% era descartado, agora é aproveitado nada na gestão, a Pipoquinha ia bem, a linha de produtos. Dois novos na produção. A Pipoquinha acertou mas deparava com uma barreira que funcionários se somaram ao time da o passo, adquiriu uma nova máquina fresadora para o corte da madeira e Atendimento ganhou produtividade. Hoje, emprega sete funcionários Escritório Regional do Sebrae-SP Capital Oeste e fabrica 2 mil peças por mês, entre Modalidades: Programa de Gestão Ambiental, figuras de encaixe, quebra-cabeças, Sebraetec lousas temáticas e kits de desenho, Apoio: Fepaf, IPT, Senai num total de 70 itens em linha, co- Tipo de inovação: processo SÃO PAULO mercializados em todo o país. 99 SoluçõeS InovadoraS 151 150-151 Pipoquinha_SP.indd 2 26/5/2009 16:45:45
  • 152. • Plasmont Indústria e Comércio de Plásticos Mudança nos detalhes De pequeno negócio familiar, a Plasmont se tornou uma indústria moderna, com 140 funcionários, e processa 350 toneladas de plástico por mês na fabricação de utilidades domésticas Q uem acompanhou os primeiros passos da Plasmont, em Pedrei- ra, a 93 km da capital paulista, se transformava 350 toneladas de plás- morar quase o dobro”, lembra. Como tico por mês, para a fabricação de 2 efeito cascata nos gargalos da produ- milhões de peças de produtos plásticos ção, o custo operacional subia. surpreende com sua estrutura atual. na área de utilidades domésticas. A empresa tratou de corrigir a A empresa nasceu em 2002, em um No início, Monti viveu dias di- rota. Em 2004, a Plasmont buscou galpão de 700 m2, quando Paulo fíceis, pela própria inexperiência o suporte do Sebrae-SP, por meio do Vinícius de Moraes Monti, seus pais nos processos de fabricação. “Meu programa Atendimento Tecnológico e dois irmãos contavam com apenas pai tinha bagagem comercial, mas In Loco, com o apoio do Instituto de meia dúzia de funcionários. Hoje, nenhuma vivência na produção de Pesquisas Tecnológicas (IPT). “En- desponta renovada, mantendo uma peças plásticas”, diz o em- tramos em contato com o curva ascendente de contratações que preendedor, hoje à frente Paulo Vinícius Sebrae-SP e aí começou a acompanha a evolução do negócio. do negócio. A fábrica per- Monti pagou o preço mudança”, conta Monti, da inexperiência, Em 2008, sexto ano de operação, dia produtividade. “Um mas deu a volta determinado a perseguir a Plasmont somava 140 funcionários, ciclo que poderia levar 10 por cima: “Depois a inovação. “Tudo o que em uma instalação de 4 mil m2, e segundos, chegava a de- das mudanças, traz novidade, a gente conseguimos um crescimento absurdo, de 78% em um ano” FOTOS andrei bOnamin/LUZ 152 99 SoluçõeS InovadoraS152-153 Plasmont_Itu.indd 1 26/5/2009 16:46:09
  • 153. tenta usar. A inovação é importante, passou para 23 injetoras, todas com porque às vezes um detalhe faz uma comandos numéricos computadori- grande diferença”, sustenta. zados, o que traduz o estado de arte De detalhe em detalhe, aconteceu em termos de automação. Operam uma revolução. A Plasmont se tornou em quatro turnos e ocupam, sozi- mais seletiva na escolha de fornecedo- nhas, uma área de mil m2 do chão res de plástico reciclado e melhorou de fábrica, organizado sob o conceito a qualidade da matéria-prima. “A de células. A planta também inova gente corria atrás de preço. Depois na acomodação vertical de estoques, que os consultores do IPT vieram desde 2004. Em 2005, quando se modelo que prepara a empresa para com o laboratório móvel, mudamos a consolidaram os novos processos no novos ciclos de crescimento, permi- matéria-prima e a maneira de confec- chão de fábrica, a evolução chegou a tindo implantar com rapidez outras cionar os moldes e melhoramos até 78%. “É um crescimento absurdo”, mudanças na linha de produção. O a parametrização das máquinas”, diz. admite Monti. Em 2006, a empresa galpão já foi erguido com o pé direito Como resultado, o ciclo de produção ganhou sede própria, também em alto – 9 metros de altura –, de forma ficou 15% mais rápido e a Plasmont Pedreira, numa instalação de 4 mil a racionalizar o estoque de produtos, ganhou qualidade no produto final. m2. Mantinha, então, um quadro de substituindo as antigas embalagens 56 funcionários. No ano seguinte, cartonadas por gaiolas ordenadas pela Em alta – O próprio empresário eram 118 colaboradores e, no fim empilhadeira vertical. se surpreende com os resultados de 2008, havia 140 nomes na folha E a Plasmont continua com fôle- alcançados. Ele obteve crescimento de pagamento. Das 12 máquinas go. Com clientes de norte a sul do médio anual entre 40% e 50%, em operação até 2006, a Plasmont país, a empresa duplicou a força de vendas desde 2006, hoje com 40 re- presentantes. Em dois anos, mais que Atendimento dobrou a carteira de clientes, saltando de cerca de mil, em 2006, para 5 mil Escritório Regional do Sebrae-SP no Sudeste Paulista no final de 2008. “É uma corrente”, Modalidade: Sebraetec compara o empresário. “Na Plasmont, Apoio: IPT PEDREIRA investimos para fortalecer cada um de Tipo de inovação: processo seus elos”, completa Monti. 99 SoluçõeS InovadoraS 153152-153 Plasmont_Itu.indd 2 26/5/2009 16:46:20
  • 154. • Plásticos Peggau O que faz a diferença Empresa de injeção de plásticos do Capão Redondo se beneficia do apoio do Sebrae-SP para melhorar a qualidade de seus produtos e ganhar produtividade e qualidade A Plásticos Peggau surgiu em 2004, a partir de uma pequena ferramentaria especializada na produ- pela produção de cerca de 3 toneladas de peças plásticas por mês. O impulso para a consolidação da foram avaliados os equipamentos, os moldes e o processo produtivo da empresa. Entre as melhorias sugeridas ção de moldes para injeção. A família nova área de atuação ocorreu no fim estava a introdução de novos modelos Peggau administrava o negócio desde de 2006, quando a Peggau passou a de ficha técnica de produção. “As 1989, mas estava decidida a ampliar contar com o apoio do Sebrae-SP. fichas utilizadas eram antigas e mui- sua presença no mercado e atuar tam- Para ajustar algumas etapas de seu to confusas”, explica Rafael. Com a bém na prestação de serviços de inje- processo produtivo, recebeu a visita mudança, a preparação das máquinas ção. Localizada em Capão Redondo, do laboratório móvel do Programa de para o início do trabalho ficou mais bairro na Zona Sul da capital pau- Atendimento Tecnológico In Loco, rápida”, conta o empresário. lista, a empresa pertence aos irmãos desenvolvido com o apoio do Insti- Outro item que exigiu a atenção Rafael e Leonardo Peggau, e hoje tuto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). da equipe dos consultores foi uma possui sete injetoras que respondem Durante dois dias de consultoria, cantoneira injetada em uma maté- Rafael Peggau, sócio da empresa familiar que encontrou o caminho seguro para crescer e diversificar a produção: “Agora vamos contratar mais dois ou três funcionários” FOTOS andrei bOnamin/LUZ 154 99 SoluçõeS InovadoraS154-155 Plásticos Peggau_Taboão 1 1 26/5/2009 16:47:09
  • 155. ria-prima específica, conhecida no mercado como Náilon 6, com 30% de fibra de vidro. Produzida sob encomenda para um fabricante de ar-condicionado, a peça é dotada de uma aba que tem a finalidade de prender uma placa de alumínio por encaixe. Como a montagem final é feita nas instalações do cliente, a Plásticos Peggau recebia constantes reclamações. A resistência dessa aba estaria fora da especificação, acar- retando quebra frequente, acima do esperado, durante o processo de encaixe. Após as análises, os técnicos do IPT concluíram que a matéria- prima utilizada para injeção possuía apenas 18% de fibra de vidro. Com a troca do fornecedor, o problema foi completamente solucionado. “A qua- lidade final da peça teve uma melhora de 100%”, comemora Rafael. Elevando a produtividade – A equipe do laboratório móvel do IPT também ajudou a melhorar outro processo produtivo da Plásticos Peggau. Trata-se da injeção em PVC de um pé nivelador. “Tínhamos mui- para 450 peças/hora, com ganho de lançamento de seu primeiro produto ta quebra na produção desse pequeno produtividade em torno de 50%. próprio: um suporte para galão de artefato”, relata Rafael. Era frequente Com a implantação dessas e ou- água com torneira. “O molde do a peça sair da injetora com o fundo tras medidas de parametrização dos suporte já está pronto”, informa Ra- estufado e irregular. Após a análise equipamentos de injeção apontadas fael. “Estamos finalizando o molde do problema, a equipe de consulto- pelos especialistas, a Plásticos Peggau da torneira, e a produção deve ser res modificou a parametrização da registrou melhoria de até 10% em sua iniciada em 2009”, projeta. injetora, ajustando a temperatura produtividade geral, com impacto so- Por enquanto, com cinco fun- de fusão e diminuindo o ciclo de bre a qualidade das peças injetadas e cionários, a empresa trabalha em injeção. Depois das correções, a redução no custo de produção. Ago- apenas um turno, ocupando cerca produção saltou de 300 peças/hora ra, a empresa quer ir além. Planeja o de 60% de sua capacidade produtiva. O faturamento está em torno de R$ 40 mil por mês. “Quando iniciar Atendimento a produção dos suportes, vamos precisar contratar mais dois ou três Escritório Regional do Sebrae-SP Capital Sul funcionários para a montagem final Modalidade: Sebraetec do produto, com a perspectiva de Apoio: IPT ampliar nosso resultado comercial”, Tipo de inovação: processo SÃO PAULO acrescenta Peggau. 99 SoluçõeS InovadoraS 155154-155 Plásticos Peggau_Taboão 2 2 26/5/2009 16:47:15
  • 156. • Pole Scola Confecções Avanço ponto a ponto Confecção de uniformes escolares da Zona Leste promove um choque de eficiência e muda da água para o vinho, com base na modernização da área de produção e na motivação dos funcionários I vani de Oliveira Jorge soube desde cedo que seu futuro estava na área de confecção. Ainda bem jovem, tempo, convenceu-se de que melhor varo, Cléber. Com 40 funcionários, do que representar era produzir. produz mensalmente entre 12 mil e “Percebi que era capaz de fazer me- 50 mil peças, diferença que se explica abriu uma butique, com roupas lhor do que eles”, afirma Ivani, sem pela sazonalidade típica do segmen- cheias de estilo, mas não resistiu à falsa modéstia. “Então, com a cara e to. “Agora chegou o momento de atração do negócio próprio e, em a coragem, abrimos nossa confecção, procurar o equilíbrio na produção, e meados da década de 80, juntou-se que hoje tem cerca de 50 escolas para isso pretendemos buscar outros ao irmão, o engenheiro civil Álvaro com clientes.” Empresa tipicamente mercados, como o de uniformes de Oliveira Júnior, para abrir uma familiar, a Pole Scola Confecções se profissionais. Estamos preparados empresa de representação de unifor- localiza no Tatuapé, na Zona Leste da para esse avanço”, diz Ivani. mes escolares. Também dava aulas capital paulista, e conta também com A confiança da empreendedora se de corte e costura para profissionais a participação da irmã e do fortaleceu em 2008, quan- que queriam se especializar, mas a filho de Ivani – Agnes e Ivani de Oliveira do decidiu que era hora de vocação falou mais alto e, em pouco Mozart – e do filho de Ál- Jorge começa a colher sair da rotina para atingir os frutos da parceria com o Sebrae-SP: “Quem vê as fotos da empresa antes e agora não acredita que seja o mesmo lugar” Guilherme Spina: participação em um estande do Sebrae-SP – além de uma coincidência muito bem-vinda – abriu as portas para uma FOTOS luludi/luZ parceria estratégica e a conquista de grandes clientes 156 99 SoluçõeS InovadoraS156-157 Pole Scola Confecções_SP1 1 26/5/2009 16:48:38
  • 157. um novo patamar de produtividade Pole Scola, fez um diagnóstico com- rou: “Não dá para falar em números, e qualidade. “Minha intenção inicial pleto e apontou soluções. porque o trabalho ainda é muito era implantar o sistema 5S, para recente, mas quem vê as fotos da organizar melhor a empresa e esti- “É outra empresa” – “As mudanças empresa antes e agora não acredita mular o trabalho em equipe”, conta, aconteceram rapidamente. Durante que seja o mesmo lugar. O mais referindo-se ao conhecido método uma semana inteira todos os fun- importante é que criamos um novo de organização do espaço de traba- cionários participaram das palestras entusiasmo na equipe. Pedimos que lho identificado por cinco palavras dos consultores e depois fizemos o os funcionários fizessem propostas, japonesas, ou “sensos”, iniciadas pela ‘dia D’, aplicando o que tínhamos dissessem o que achavam importante, letra “S”: Seiri, senso de utilização; aprendido. Fizemos reuniões de gru- e procuramos corresponder às expec- Seiton, senso de organização; Seiso, pos, por setor, com questionários, e tativas deles. Hoje todos se sentem senso de limpeza; Seiketsu, senso de agora só estou esperando baixar um valorizados e motivados. Reforma- padronização, e Shitsuke, senso de pouquinho nossa produção para fazer mos o refeitório, trocamos armários, autodisciplina. “Primeiro eu procurei uma nova avaliação, pois estamos nos instalamos TV e um cantinho da o Senai, e logo fui encaminhada ao adequando aos parâmetros da Asso- leitura”, lembra. Ao mesmo tempo, Escritório Regional Capital Leste do ciação Brasileira de Normas Técnicas ela começou a implantar mudanças Sebrae-SP, em maio de 2008. Estava (ABNT), com o apoio do Sebrae-SP, na área de produção, com a renova- satisfeita com a empresa, mas queria por meio do Instituto de Pesquisas ção de equipamentos e a instalação melhorar e dar aos meus funcionários Tecnológicas (IPT)”, explica Ivani. de sistemas informatizados, entre a oportunidade de se aperfeiçoar, Embora ainda não seja possível outras iniciativas. aumentar a produtividade e ter mais mensurar com exatidão os resultados Hoje, Ivani projeta metas mais consciência do que faziam.” Segundo em produtividade e faturamento, a ambiciosas: “Estamos participando a empresária, um consultor visitou a empresária afirma que tudo melho- da criação da norma técnica do uniforme escolar, no âmbito da Associação Brasileira do Vestuário Atendimento (Abravest). Vendemos para clientes de Goiás, Rondônia, Pernambuco e Escritório Regional do Sebrae-SP Capital Leste interior de São Paulo e já pensamos Modalidade: Sebraetec em exportar para a América Latina. Apoio: IPT, Senai Temos boas expectativas para 2009. Tipo de inovação: processo SÃO PAULO Aqui não se fala em crise”. 99 SoluçõeS InovadoraS 157156-157 Pole Scola Confecções_SP2 2 26/5/2009 16:48:45
  • 158. • PRTrade Agricultura ambientalmente correta Incubada no Cietec, a PRTrade inova no segmento agroquímico com o lançamento do primeiro defensivo agrícola atóxico e totalmente desenvolvido no Brasil O mercado de defensivos agrícolas depende muito de insumos im- portados, geralmente produzidos por nem ao meio ambiente. Esse é seu grande diferencial”, explica Marcelo Claro, gerente administrativo. por meio do programa Sebraetec, investiu no desenvolvimento técnico e preparou o terreno para a expansão poderosas corporações globalizadas. O primeiro registro do produto dos negócios. Mas a PRTrade, na capital paulista, foi obtido em 2001, para utilização Claro diz que, além de atóxico, o está encontrando espaço próprio em culturas de café. Dois anos de- Fegatex é o único produto disponível entre as gigantes do setor. A empresa pois, com a intenção de montar seu no mercado a oferecer propriedades desenvolveu o Fegatex, um fungicida primeiro laboratório de fitopatologia fungicidas, bactericidas e esporicidas. inovador baseado em misturas de e alavancar a área de pesquisa, desen- A novidade já está sendo utilizada cloretos de benzalcônio, substância volvimento e inovação, a PRTrade com êxito também nas culturas de ativa já utilizada na produção de ingressou no Centro Incubador de batata, cenoura, tomate e feijão, descongestionantes nasais infantis e Empresas Tecnológicas (Cietec), ins- e aguarda os registros para uso no antissépticos para a garganta. “O Fe- talado na Universidade de São Paulo cultivo de soja, arroz, laranja, maçã, gatex não é agressivo à saúde humana (USP). Com o apoio do Sebrae-SP, morango e cebola. FOTOS milTOn manSilha/lUZ Marcelo Claro, num dos viveiros destinados às pesquisas da PRTrade: faturamento vem registrando crescimento anual em torno de 50% nos últimos sete anos 158 99 SoluçõeS InovadoraS158-159 PR Trade_SP.indd 1 26/5/2009 16:49:23
  • 159. De acordo com Claro, o custo do Fegatex é equivalente ao dos concor- rentes: “Mas ele traz grandes vanta- gens competitivas. Tem baixo impacto ambiental, não contamina lençóis freáticos e não se acumula no meio ambiente, porque é biodegradável”. Desenvolvimento e inovação – A descoberta começou a surgir no início dos anos 90, quando o eco- nomista José Perez identificou a eficácia do cloreto de benzalcônio no combate a fungos e outras pragas agrícolas. Depois de realizar algumas pesquisas por conta própria, Perez e seu filho, Rodrigo, fundaram, em 1994, a PRTrade, ainda fora do Cietec, concentrados no esforço de desenvolvimento e no objetivo de obter o registro do produto nos BR3 estruturou as bases do negócio. órgãos reguladores – ministérios da “Os fungicidas representam cerca Agricultura, Saúde e Meio Ambiente, de 20% do segmento de defensivos Ibama e Agência Nacional de Vigi- agrícolas. Hoje, nossa participação lância Sanitária (Anvisa). de mercado apenas começa a apare- Outro impulso veio em 2006, cer nas estatísticas”, diz, sinalizando quando a empresa renovou acordo grande potencial de crescimento. com a incubadora para inaugurar seu Ao longo de sua permanência no braço produtivo, a BR3 Agrobiotec- Cietec, a PRTrade obteve a aprovação nologia, que conta com uma unidade de 17 bolsas de pesquisa do Conselho industrial piloto numa área de 500 da PRTrade, mas garante: desde que Nacional de Desenvolvimento Cien- m2, também no Cietec, onde traba- começou a comercializar o produto, tífico e Tecnológico (CNPq) e traba- lham 14 profissionais qualificados. em 2001, o faturamento tem crescido lha em rede com outras entidades de Com estratégia bem estruturada cerca de 50% ao ano. “Em 2008, pesquisa e inovação. Agora, planeja e a retaguarda de uma rede de 200 conseguimos ultrapassar em pelo a construção de uma unidade pro- revendedores, a PRTrade marca pre- menos 50% o patamar registrado em dutiva no interior de São Paulo, em sença em 14 estados nas regiões Sul, 2007”, afirma. breve, assim que se graduar no Cie- Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. O executivo enfatiza que, nesses 14 tec. Daqui para a frente, a intenção é Claro não revela detalhes das finanças anos de atividades, o grupo PRTrade- ampliar a produção, internacionalizar os negócios e competir com fôlego redobrado no mercado, apostando Atendimento também na diversificação do portfó- lio. Para tanto, acertou a representa- Escritório Regional do Sebrae-SP Capital Oeste ção de um conceituado fabricante Modalidade: Programa de Incubadoras de Empresas canadense e já comercializa no Brasil Apoio: Cietec SÃO PAULO dois novos fungicidas, destinados às Tipo de inovação: produto lavouras de feijão e soja. 99 SoluçõeS InovadoraS 159158-159 PR Trade_SP.indd 2 26/5/2009 16:49:31
  • 160. • Rancho Estância Santa Bárbara Aposta na originalidade Luís Carlos Mendonça já estava com a vida profissional resolvida quando decidiu se render à vocação rural da família, em um nicho muito peculiar: frutas exóticas, com destaque para a lichia N o sítio de 70 hectares do Ran- cho Estância Santa Bárbara, em Avaré, sudoeste do estado de detalhes é o engenheiro Luís Carlos Mendonça, proprietário da Estância Santa Bárbara. “A lichieira entende pitaia e atemoia. O produtor optou pela originalidade, não só em relação às espécies cultivadas mas, especial- São Paulo, uma fruta originária da assim: não tem água, está frio e por mente, na maneira de oferecer seu China encontrou o clima ideal para isso vou morrer. Então floresce. produto ao mercado. florescer. Planta que requer clima A planta precisa de um pouco de Sua estratégia foi começar com a subtemperado, nas faixas próximas castigo. Alguns amigos produtores lichia, que conquistou um espaço do paralelo 23, que corta países como começaram a tratar a lichia como um nobre em bares, empórios, hotéis e Brasil, África do Sul, Índia, China, bebê. Conseguiram árvores enormes, restaurantes sofisticados, na forma de Tailândia e Austrália, a lichia tem lindas, que não dão frutos.” compota e geleia. Por enquanto, não peculiaridades surpreendentes. Por Se alguém estranha que Mendon- adianta procurar nos supermercados exemplo, precisa de duas situações ça tenha escolhido uma espécie tão os vidros com o bonito rótulo da Es- específicas de stress para dar fru- temperamental é porque ainda não tância Santa Bárbara: a produção de tos: falta de água em determinados conhece as outras frutas que crescem Mendonça não deu para as primeiras períodos e frio. Quem explica esses em sua propriedade: figo-da-índia, encomendas. Ele vendeu tudo o que Luís Carlos Mendonça, no Rancho Estância Santa Bárbara; à direita, a geleia e a compota de lichia que só ele produz no país FOTOS marcelO SOareS/lUZ 160 99 SoluçõeS InovadoraS160-161 Rancho Est Sta Barbara_A1 1 26/5/2009 16:54:14
  • 161. produziu, para desgosto dos clientes, melhor do que as concorrentes no “Com o apoio do Sebrae-SP, con- que queriam mais. E esse sucesso mundo em tamanho, cor e sabor. A seguimos entrar no Ital, onde não teve a participação do Sebrae-SP, que desvantagem é que nosso preço é mais havia nenhuma experiência anterior contou com o apoio do Instituto de baixo do que o praticado na Europa e com lichia. Da safra de 2008, proces- Tecnologia de Alimentos (Ital), onde nos Estados Unidos, para o produtor, samos 25 toneladas. Montei aqui no o produtor pôde realizar uma série de e o consumo interno ainda é baixo. sítio um barracão industrial e contra- pesquisas de produtos, até chegar aos Embora tenha conquistado mercados tei 24 pessoas para produzir a geleia itens atualmente comercializados. como Santa Catarina, Minas Gerais, e a compota, que são uma maravilha Rio de Janeiro e estados do Nordeste para fazer drinques, flan, mousse e Vantagem competitiva –“O Sebrae-SP e feito experiências bem-sucedidas de pratos sofisticados. Chegamos ao Ital entrou no processo logo no início, exportação para a França e o Canadá, em agosto, e em novembro já tínha- por meio do Escritório Regional de sempre sobrava fruta.” mos o primeiro vidro de compota. Botucatu, que me apoiou no traba- A saída encontrada por Mendon- Vendi tudo”, lembra Mendonça, que lho de pesquisa no Ital e, depois, no ça foi agregar valor à lichia. E tudo é dono de uma próspera indústria desenvolvimento da embalagem”, aconteceu muito depressa – assim de acessórios de moda em Limeira e conta Mendonça, que teve a ideia como tudo na Estância Santa Bárba- só põe o pé na terra das plantações de processar a lichia ao perceber as ra. Os primeiros dos 3 mil pés de li- porque gosta muito – o que talvez dificuldades de se limitar à venda da chia da propriedade foram plantados explique seu sucesso. fruta in natura. Na Estância Santa em dezembro de 2000 e começaram De agora em diante, o céu é o Bárbara, colhe-se apenas uma safra a produzir em escala comercial em limite para a Estância Santa Bárbara. anual de lichia, entre dezembro e 2006. Dois anos depois, Mendonça Associado ao irmão, Carlos Alberto, janeiro. “A variedade que cultivamos, já colhia 160 toneladas da fruta – o Mendonça já pensa em soluções ori- a bengal, embora não seja produzida que não é pouco quando se considera ginais para as outras frutas exóticas em larga escala no resto no mundo, que a produção total do Brasil é de que cultiva, ao mesmo tempo em que teve uma adaptação espetacular no 5 mil toneladas por ano, enquanto a desenvolve sete novas variedades da Brasil e resultou em uma fruta muito China colhe 950 mil toneladas. lichia, além da bengal que, segundo ele, tem origem numa árvore planta- da por Dom Pedro II no Jardim Bo- Atendimento tânico do Rio de Janeiro: “Todas as Escritório Regional do Sebrae-SP em Botucatu lichieiras bengal do Brasil são clones Modalidade: Sebraetec dessa árvore, que já tem cerca de 150 Apoio: Fundepag (Instituto de Tecnologia de Alimentos) anos e continua produzindo”. Polpa, Tipos de inovação: processo, produto AVARÉ suco, sorvete, exportação: tudo pode acontecer na próxima safra. 99 SoluçõeS InovadoraS 161160-161 Rancho Est Sta Barbara_A2 2 26/5/2009 16:54:20