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Casa Fernando Pessoa - A cómodaNo primeiro andar da Casa Fernando Pessoa estáo quarto do poeta. Aqui vê-se a célebre cómod...
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Rua do Alecrim   Vem Sentar-te Comigo, Lídia, à Beira do Rio   Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.   Sossegadamen...
Largo do Chiado - Casa Havaneza               Releio passivamente, recebendo o que sinto               como uma inspiração...
Rua Garrett, 120 a 122 - Café A Brasileira (do Chiado)                          Em 19 de Novembro de 1935 (a onze dias    ...
Largo do Chiado                                               Apaziguado, quiçá, com tal vista, Pessoa, a poucos dias     ...
Miradouro de Santa Catarina                                              José Saramago, n´ O Ano da Morte de Ricardo Reis,...
Bibliografia:Fotobiografias Século XX –Direcção de Joaquim Vieira (Texto de Richard Zenith)Fazer pela vida, Um Retrato de ...
F i mMúsica: Moon River, de          Fotografias, Textos e Formatação:Henry Mancini, por Ernesto      Joaquim BoavidaCorta...
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Lisboa, a cidade de Fernando Pessoa (Terceiro percurso)

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Lisboa, a cidade de Fernando Pessoa (Terceiro percurso)

  1. 1. Lisboa, a cidade de Fernando PessoaPor encomenda da Fundação Calouste Gulbenkian, Almada Negreiros realizou, em 1964, umaréplica (como que visto ao espelho) do Retrato de Fernando Pessoa, que havia executadoem 1954. O quadro está exposto no Centro de Arte Moderna /Fundação Calouste Gulbenkian.
  2. 2. Fernando Pessoa nasceu em Lisboa, no dia 13 de Junho de 1888. Foi acidade da sua vida, excluindo os nove anos que passou na África do Sul.Trabalhou, como «correspondente comercial em línguas estrangeiras»,em cerca de 20 escritórios. Outras vezes, ousou mesmo ser empresário,criando, em associação ou não, firmas comerciais. Sempre em locais daBaixa de Lisboa. Morou em vários sítios da cidade de Lisboa, às vezes emquartos alugados, até que viveu os últimos 15 anos, entre 1920 e1935, no nº 16 da Rua Coelho da Rocha, no Bairro de Campode Ourique. Morreu no dia 30 de Novembro de 1935, no Hospitalde São Luís dos Franceses, em Lisboa.Fica aqui uma sugestão de um roteiro para a cidade de Lisboa nospassos de Fernando Pessoa, a realizar em três percursos.Fazemos notar que a grande maioria das firmas para as quais o poetatrabalhou, ou de que foi proprietário, já não existe e que osprédios estão, quase todos, muito degradados. Em alguns casos,foram mesmo substituídos por outros.Não obstante, entendemos dever privilegiar a palavra à imagem,considerando que o nosso objectivo principal é assinalar os passos deFernando Pessoa em Lisboa. 6 de janeiro de 2013 Clicar para avançar 23:48:31
  3. 3. Fernando sonhou ser muitos rostos, mas não conseguiu, sequer, ser ele próprio . oa ss Pe ro o nd ei na Ca r sFe po to am er C lb de A o v ar l is Á Re do car Ri s re S oa d o ar rn Be r de an se ros ex ch .A.C Al ar A e
  4. 4. Terceiro Percurso:Praça da FigueiraRua da MadalenaRua Jardim do TabacoCampo das CebolasTerreiro do PaçoLargo do Corpo SantoRua de São PauloElevador da BicaBairro de Campo de OuriqueLargo do ChiadoMiradouro Santa Catarina Percurso 3/3
  5. 5. Baixa de Lisboa
  6. 6. Praça da Figueira Cesário, que conseguiu Cesário, que conseguiu Ver claro, ver simples, ver puro, Ver o mundo nas suas cousas, Ser um olhar com uma alma por trás, e que vida [tão breve! Criança alfacinha do Universo. Bendita sejas com tudo quanto está à vista! Enfeito, no meu coração, a Praça da Figueira para ti E não há recanto que não veja para ti, uns recantos [dos seus recantos. Álvaro de Campos, Poemas, 6/4/1930
  7. 7. Rua da Madalena, 109 – “Casa Serras” (ou E. Dias Serras, Lda” (primeira sede antes de 1934) (…) Isto me consola neste escritório estreito, cujas janelas mal lavadas dão sobre um rua sem alegria. Isto me consola, em o qual tenho por irmãos os criadores da consciência do mundo – o dramaturgo atabalhoado William Shakespeare, o mestre-escola John Milton, o vadio Dante Alighieri, e até, se a situação se permite, aquele Jesus Cristo que não foi nada no mundo, tanto que se duvida dele pela história. (…) Bernardo Soares, Livro do Desassossego
  8. 8. Rua Jardim do Tabaco, 74 – Comp. Industrial de Portugal e Colónias (…) Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a orografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem cuspisse. Sim, porque a ortografia também é gente. (…) Bernardo Soares, Livro do Desassossego
  9. 9. Largo do Campo das Cebolas, 43, 1º - A. Xavier PintoNeste escritório, Fernando Pessoa recebeu, entre1914 e 1915, um número razoável de postais ecartas, quase todos de Paris, do seu grande amigoMário de Sá-Carneiro. Quase todo o original dopoema “Passagem das Horas” foi dactilografadoem papel com chancela desta firma, em 22 deMaio de 1916.PASSAGEM DAS HORASTrago dentro do meu coração,Como num cofre que se não pode fechar de cheio,Todos os lugares onde estive,Todos os portos a que cheguei,Todas as paisagens que vi através de janelas [ou vigiasOu de tombadilhos, sonhando,E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que [eu quero.(…)Álvaro de Campos, Poemas
  10. 10. Terreiro do Paço - Café Martinho da ArcadaNo final da sua vida, Fernando Pessoa passou mais tempo no Martinho da Arcada do queem qualquer outro café da Baixa de Lisboa.O café mantém, ainda hoje, a mesa em que o poeta habitualmente se sentava emtertúlia com os amigos. Numa fotografia publicada em 1928 podemos vê-lo sentado auma mesa mais central convivendo com António Botto, Raul Leal e Augusto FerreiraGomes.
  11. 11. Terreiro do Paço e Rua do Arsenal (vista do Martinho da ArcadaCenário lisboeta por excelência, cenário pessoano quase inevitável, a cidade baixa assume,nas proximidades do Tejo, a sua feição mais cosmopolita. Antes de dele, foi a cidade deCesário, como o próprio Fernando Pessoa escreve:«Amo, pelas tardes demoradas de Verão, o sossego da cidade baixa, e sobretudo aquelesossego que o contraste acentua na parte que o dia mergulha em mais bulício. A Rua doArsenal, a Rua da Alfândega, o prolongamento das ruas tristes que se alastram para lestedesde que a Alfândega cessa, toda a linha separada dos cais quedos - tudo isso me confortade tristeza, se me insiro, por essas tardes, na solidão do seu conjunto. Vivo uma era anterioràquela em que vivo; gozo de sentir-me coevo de Cesário Verde, e tenho em mim, não outrosversos como os dele, mas a substância igual à dos versos que foram dele»Bernardo Soares, Livro do Desassossego (1929)
  12. 12. Largo do Corpo Santo, 28, 1º - “Francisco Camello”Existiu, no número 28, o escritório “Francisco Camello”, para quem Fernando Pessoatrabalhou nos últimos anos da sua vida, conforme comprova o testemunho do seu biografoprincipal, João Gaspar Simões, que descreve uma visita que fez ao poeta neste local detrabalho. Este escritório mantém-se em actividade (agora no 2º andar do nº 16) e, atémeados do ano de 2011, era possível ver, no antigo edifício, a secretária onde o poetatrabalhou, graças ao empenho de um neto do antigo patrão. Lamentavelmente, o edifíciofoi vendido, perdendo-se, quiçá, a última possibilidade visitar um espaço quepreservasse a memória pessoana.
  13. 13. Rua de S. Paulo, 117 - 121 - “Toscano & Cruz, Lda” (1920 - 1924)A estrada de SintraAo volante do Chevrolet pela estrada [de Sintra,Ao luar e ao sonho, na estrada deserta,Sozinho guio, guio quase devagar, e um poucoMe parece, ou me forço um pouco para [que me pareça,Que sigo por outra estrada, por outro sonho, [por outro mundo,Que sigo sem haver Lisboa deixada ou Sintra [a que ir ter,Que sigo, e que mais haverá em seguir senão [não parar mas seguir?Vou passar a noite a Sintra por não poder [passá-la em Lisboa,Mas, quando chegar a Sintra, terei pena de Entre 1920 e 1924, Fernando [não ter ficado em Lisboa. Pessoa trabalhou neste escritório(…) que se dedicava à venda de motores, máquinas e automóveis…Álvaro de Campos, Poemas
  14. 14. Elevador da BicaDevaneio entre Cascais e Lisboa. Fui pagar aCascais uma contribuição do patrão Vasques,de uma casa que tem no Estoril.Antecipadamente gozei o prazer de ir, uma horapara lá, uma hora para cá, vendo os aspectossempre vários do grande rio e da sua fozatlântica. Na verdade, ao ir, perdi-me emmeditações abstractas, vendo sem ver aspaisagens aquáticas que me alegrava ir ver, eao voltar perdi-me na fixação destassensações. Não seria capaz de descrever o maispequeno pormenor da viagem, o mais pequenotrecho de visível. Lucrei estas páginas porolvido e contradição. Não sei se isso é melhor ou pior do que o contrário, que também não sei oque é.O comboio abranda, é o Cais do Sodré. Chegueia Lisboa, mas não a uma conclusão.Bernardo Soares, Livro do Desassossego
  15. 15. Bairro de Campo de Ourique É dos bairros mais característicos de Lisboa. Tem uma vida própria, com o seu comércio, jardim e ruas com traçado geométrico. Certamente, era perto deste edifício (gaveto da Rua Saraiva Carvalho com a Rua Ferreira Borges), que Fernando Pessoa descia do Eléctrico 28 para se dirigir à sua casa alugada na Rua Coelho da Rocha, onde morou desde 1920 até 1935. No caminho para casa, Fernando Pessoa passava pela leitaria A Morgadinha, do senhor Trindade (que já não existe hoje), e, dirigindo- se ao balcão, dizia: 2, 6, 8. Trindade servia-o: uma caixa de fósforos, um cálice de aguardente e um maço de cigarros. Os fósforos custavam 2 tostões, um cálice de aguardente 6 e o maço de cigarros 8. Pessoa simplificava: 2, 6, 8.
  16. 16. Rua Coelho da Rocha, 16 Casa Fernando Pessoa Entre 1920 e 1935, Fernando Pessoa residiu no 1º andar deste prédio. Hoje, todo o edifício, onde passou os últimos quinze anos da sua vida (depois de ter habitado cerca de 30 locais diferentes), é lhe inteiramente dedicado. É a Casa Fernando Pessoa. Inaugurada em Novembro de 1993, a casa Fernando Pessoa foi concebida pela Câmara Municipal de Lisboa como um centro cultural destinado a homenagear o poeta e a sua memória na cidade onde viveu e no bairro onde passou os últimos quinze anos da sua vida.Possui um auditório, jardim, salas de exposição, objectos de arte, uma biblioteca dedicadaexclusivamente à poesia, além de uma parte do espólio do poeta (objectos e mobiliário quepertenceram ao poeta). A Casa Fernando Pessoa é um pequeno universo polivalente onde,nos seus três pisos principais, se realizam colóquios, sessões de leitura de poesia, encontrosde escritores, espectáculos musicais e de teatro, conferências temáticas, workshops,exposições de artes plásticas, sessões de apresentação de livros, ateliers para crianças,numa programação muito diversificada.
  17. 17. Casa Fernando Pessoa - A cómodaNo primeiro andar da Casa Fernando Pessoa estáo quarto do poeta. Aqui vê-se a célebre cómoda,sobre a qual o heterónimo Alberto Caeiroescreveu, numa só noite, o livro O Guardador deRebanhos.«…Foi em 8 de Março de 1914 – acerquei-me deuma cómoda alta, e, tomando um papel, comecei aescrever, de pé, como escrevo sempre queposso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio,numa espécie de êxtase cuja natureza nãoconseguirei definir. Foi o dia triunfal da minhavida, e nunca poderei ter outro assim. Abri comum título, O Guardador de Rebanhos. E o quese seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, aquem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro.Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera emmim o meu mestre. Foi essa a sensação imediataque tive…»Contou ele, por carta, a Adolfo Casais Monteiro,em 13/01/1935
  18. 18. Eléctrico 28O Eléctrico 28 foi seleccionado pela editoraRough Guide to the World como uma das 1000experiências de viagem mais importantes doMundo.E este foi certamente o transporte público maisutilizado por Pessoa nas sua deslocações entre asua casa em Campo de Ourique e a Baixa deLisboa, onde se situavam as casas comercias paraquem trabalhava e os cafés onde se encontravacom os seus amigos.«Vou num carro eléctrico, e estou reparandolentamente, conforme é meu costume, em todosos pormenores das pessoas que vão adiante demim. Para mim os pormenores são coisas, vozes,frases. (…) Entonteço. Os bancos do eléctrico, deum entretecido de palha forte e pequena, levam-me a regiões distantes, multiplicam-se-me emindústrias, operários, casas de operários, vidas,realidades, tudo. Saio do carro exausto esonâmbulo. Vivi a vida inteira».Bernardo Soares, Livro do Desassossego(s/d)
  19. 19. Rua do Alecrim Vem Sentar-te Comigo, Lídia, à Beira do Rio Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio. Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. (Enlacemos as mãos.) Depois pensemos, crianças adultas, que a vida Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa, Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado, Mais longe que os deuses. Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena [cansarmo-nos Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como [o rio Mais vale saber passar silenciosamente E sem desassossegos grandes. (…) Ricardo Reis, Odes
  20. 20. Largo do Chiado - Casa Havaneza Releio passivamente, recebendo o que sinto como uma inspiração e um livramento, aquelas frases simples do Caeiro, na referência natural ao que resulta do pequeno tamanho da sua aldeia. Dali, diz ele, porque é pequena, pode ver-se mais do mundo do que da cidade; e por isso a aldeia é maior que a cidade… Porque eu sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura. Tenho vontade de erguer os braços e gritar coisas de uma selvajaria (….) Mas recolho-me e abrando. «Sou do tamanho do que vejo!» E a frase fica-me sendo a alma inteira, encosto a ela todas as emoções que sinto, e sobre mim, por dentro, como sobre a cidade por fora, cai a paz indecifrável do luar duro que começa largo com o anoitecer. Bernardo Soares, Livro do Desassossego 24/3/1930
  21. 21. Rua Garrett, 120 a 122 - Café A Brasileira (do Chiado) Em 19 de Novembro de 1935 (a onze dias de morrer), o poeta escreveu o seu último poema em português: Há doenças piores que as doenças, Há dores que não doem, nem na alma, Mas que são dolorosas mais que as outras. Há angústias sonhadas mais reais Que as que a vida nos traz, há sensações Sentidas só com a imaginá-las Que são mais nossas do que a nossa vida Há tanta cousa que, sem sentir, Existe, existe demoradamente, E demoradamente é nossa, e nós.. Por sobre o verdor turvo do amplo rio Os circunflexos brancos das gaivotas… Por sobre a alma o adejar inútil Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo. Dá me mais vinho, porque a nossa vida é nada. Fernando Pessoa
  22. 22. Largo do Chiado Apaziguado, quiçá, com tal vista, Pessoa, a poucos dias de morrer, escreveu, em 7/11/1935, um dos seus mais misteriosos poemas, poema que intitulou Magnificat. Quando é que passará esta noite interna, o universo, E eu, a minha alma, terei o meu dia? Quando é que despertarei de estar acordado? Não sei. O sol brilha alto, Impossível de fitar. As estrelas pestanejam frio, Impossíveis de contar. O coração pulsa alheio, Impossível de escutar. Quando é que passará este drama sem teatro, Ou este teatro sem drama, E recolherei a casa? Onde? Como? Quando? Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo? É esse! É esse!Estátua, da autoria de Lagoa Henriques, Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;recorda Fernando Pessoa à mesa do café E então será dia.A Brasileira, onde se sentava para escrever Sorri, dormindo, minha alma!e conversar com os amigos. O poeta está, Sorri, minha alma, será dia !curiosamente, de frente para os locais querecordavam os melhores anos da sua vida(a casa onde nasceu e “o sino da minhaaldeia”). Álvaro de Campos, Poemas
  23. 23. Miradouro de Santa Catarina José Saramago, n´ O Ano da Morte de Ricardo Reis, veio resolver um enigma deixado por Fernando Pessoa: Ricardo Reis, o poeta das odes, partira para o Brasil em 1919 e nada se sabia dele. Ricardo Reis, na narrativa de José Saramago, regressou a Portugal depois da cólica hepática que vitimou Fernando Pessoa. Neste seu regresso, Ricardo Reis e Fernando Pessoa conversaram muitas vezes até ao dia em que ambos se encaminharam para o cemitério dos Prazeres: Ricardo Reis, porque agora morreu de vez; Fernando Pessoa, de volta ao lugar donde saiu para se encontrar com o amigo muito especial.«Saíram de casa. Fernando Pessoa ainda observou, Você não trouxe o chapéu. Melhor do que eu sabeque não se usa lá. Estavam no passeio do jardim, olhavam as luzes pálidas do rio, a sombra amaçadorados montes. Então vamos, disse Fernando Pessoa. Vamos, disse Ricardo Reis. O Adamastor não sevoltou para ver, parecia-lhe que desta vez ia ser capaz de dar um grande grito. Aqui, onde o mar seacabou e a terra espera».José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis
  24. 24. Bibliografia:Fotobiografias Século XX –Direcção de Joaquim Vieira (Texto de Richard Zenith)Fazer pela vida, Um Retrato de Fernando Pessoa, o empreendedor, de António MegaFerreiraFernando Pessoa, Empregado de escritório, de João Rui de SousaFernando Pessoa, o editor, o escritor e os seus leitores, Edição da Fundação CalousteGulbenkianA Lisboa de Fernando Pessoa – Uma Fotobiografia, de Marina Tavares DiasLisboa nos passos de Fernando Pessoa, de Marina Tavares DiasFernando Pessoa, quando fui outro, de Luiz RuffatoFernando Pessoa - Livro do Desassossego, Edição de Teresa Sobral CunhaFernando Pessoa, vida, personalidade e génio, de António QuadrosVida e Obra de Fernando Pessoa, de João Gaspar SimõesPoesia de Fernando Pessoa, de Adolfo Casais MonteiroAntologias e livros de poesia pessoana (vários)
  25. 25. F i mMúsica: Moon River, de Fotografias, Textos e Formatação:Henry Mancini, por Ernesto Joaquim BoavidaCortazar Março de 2012
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