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A RAIZ DE TODO O MAL
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A raiz de todo o mal

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  1. 1. A RAIZ DE TODO O MAL A verdadeira raiz do nosso problema, a razão porque nos encontramos à beira da bancarrota mergulha num passado distante, que tem muito a ver com a mentalidade do nosso próprio povo, muito embora a nossa situação se tenha agravado de forma irresponsavelmente criminosa pela acção directa de toda uma gananciosa e corrupta classe política. Em Abri de 1974 o nosso país foi sacudido por uma Revolução. A Revolução dos cravos vermelhos. A Revolução do 25 de Abril de 1974. Na minha opinião pessoal, perfeitamente polémica e discutível, essa revolução surgiu através de um golpe militar, baseado num movimento de descontentamento e contestação militar. A revolução não foi de génese popular, nem teve como propósito principal derrubar um Governo verdadeiramente impopular e de natureza fascista para oferecer a democracia ao país. A Revolução nunca se teria dado se um grupo de capitães e outros oficiais de patentes inferiores tivessem aceite a lei que facilitava o ingresso dos oficiais milicianos ao quadro militar permanente. O povo português, cansado de sofrer às mãos de um Governo verdadeiramente ilegítimo, colocou-se de imediato ao lado do golpe militar, para se livrar do Governo opressivo do Estado Novo, que já nada lhe podia oferecer para além do prolongamento da Guerra Colonial, verdadeiro sorvedouro de vidas e de dinheiro. Foi este Golpe, com base no descontentamento Militar, que permitiu a instalação de um Governo democrático que era de facto um sonho abafado de todos os portugueses. O povo português saiu à rua como simples espectador do golpe, sem armas nas mãos e sem ter de combater para derrubar o Governo. O Movimento dos Capitães de Abril aproveitou de imediato o apoio que o povo lhe deu. A partir daí, apoderou-se de todos a convicção de que tinha havido uma verdadeira Revolução. Nada do que se passou se parece nem de longe nem de perto com a forma como outros países ganharam a sua democracia. Observando com atenção a enorme quantidade de fotografias e filmes que se fizeram, na altura, nota-se perfeitamente que a ação dos portugueses foi de simples mirones encantados com o que se estava a passar. A democracia que a seguir se instalou no país, nunca foi bem compreendida pelos portugueses, que não possuíam de facto qualquer cultura democrática. Daí, o país ter sido submetido de imediato a uma forma não democrática de Governo, de natureza militar, onde em nome da liberdade se cometeram grandes injustiças e violências que contribuíram para a destruição quase completa da nossa economia. Todos se lembrarão ainda da forma como Portugal foi governado durante o Governo comunista de Vasco Gonçalves. Os desmandos desse triste Governo tiveram uma influência desastrosa na nossa fraca economia e deixaram marcas bem profundas que fragilizaram o nosso país e o desagregaram. No período pós revolução, Portugal tornou-se uma presa fácil de muitos
  2. 2. interesses, a maioria deles norteados por oportunistas políticos e militares que serviam os países que invejavam as nossas grandes riquezas ultramarinas . O país viu-se assim, de um momento para o outro, enxameado por verdadeiros traidores, afectos principalmente aos países comunistas. A presença de uma imensa multidão de parasitas que tinha a liberdade de poder agir às claras e sem qualquer controle, minou por completo a segurança interna nacional e destruiu o espírito de união e de patriotismo que nos mantivera unidos face aos nossos diversos inimigos. Pode afirmar-se que o país foi fissurado de alto a baixo e só não caiu na órbita comunista porque uma facção importante do nosso exército se apercebeu do grande risco que a Nação estava a correr. Nessa altura, os traidores que nos desejavam entregar ao comunismo internacional deveriam ter sido todos presos e sentenciados, mas não foi o que aconteceu. Muitas dessas nojentas figuras continuam ainda entre nós minando a nossa segurança e independência, preocupadas apenas com a sua opulência e bem estar. São os grandes barões dos nossos principais partidos políticos que condicionam e condenam o futuro do nosso país. Estranhas e perigosas alianças entre eles e a Banca Nacional têm-se materializado sob a forma de uma descomunal e descarada corrupção, que inviabiliza o desenvolvimento económico do país e o empurra para a destruição do que ainda resta do nosso estado social. Compreende-se facilmente que Portugal não tinha condições para se poder manter como uma potência imperial, dominando vastos territórios em África e na Ásia. O fim da guerra na Europa em 1944, pôs fim também à política colonial em África e na Ásia. O figurino político do Mundo sofreu então uma alteração profunda. O Governo português do Estado Novo não a soube compreender e não a soube aceitar, colocando Portugal e os portugueses na contra mão. Os nossos governantes estupidamente imbuídos de um orgulho teimoso e cego decidiram ignorar a realidade e conduziram Portugal para uma dispendiosa e desgastante guerra colonial e fracassaram. Nesse estrondoso fracasso foram envolvidas as vidas de mais de um milhão de portugueses e de vários milhões de africanos que pagaram um terrível preço de sangue e de sofrimento. Se em vez dessa errada atitude o Governo de Portugal tivesse aceite a realidade e tivesse, a tempo, reconhecido a todos os territórios coloniais o direito à autodeterminação, e a uma posterior independência, poderia certamente ter-se evitado a guerra. O volumoso dinheiro e os recursos humanos que foram envolvidos na Guerra Colonial, teriam permitido alterar completamente a situação social e política desses territórios, garantindo-lhes uma transformação pacífica que permitisse a integração social e económica dos africanos de todas as etnias dentro de um espírito de verdadeira justiça, baseado num estatuto de perfeita cidadania. Essas sociedades emergentes seriam então niveladas pelo mérito e pela capacidade e não pela discriminação racial. Com isso ter-se-iam criado perfeitas condições de relacionamento e eliminado a formação dos partidos
  3. 3. nacionalistas que mais tarde se confrontaram numa caótica guerra civil, principalmente em Angola. Se o Governo português de então, tivesse procedido desta forma teria certamente evitado o tremendo êxodo dos seus cidadãos de África, teria evitado a morte de milhares de pessoas, acautelado a continuidade da presença dos portugueses nesses territórios que ajudaram a desenvolver e obstado à perda de incalculáveis valores. Foi muito rude o golpe que o nosso país sofreu nessa época e os seus reflexos económicos são inquantificáveis e no meu entender projectaram-se até hoje. Não posso deixar de referir que toda a industria metropolitana da época tinha em África um mercado garantido que era sem dúvida alguma a garantia da sua existência fácil. A diversidade de produtos exportados de Portugal para o seu Ultramar e a diversidade de matérias primas que importava a preços favoráveis constituíam uma permanente fonte de importantes trocas comerciais e uma forte plataforma económica. Com a perda do Ultramar essas trocas preferenciais praticamente cessaram e muitas industrias murcharam ou diminuíram de importância. Parece-me que Portugal nunca mais conseguiu organizar-se, melhorar a sua produtividade, qualidade e preços, para conseguir competir e passar a exportar para mercados estrangeiros. Nessa ocasião a nossa indústria deveria ter sido totalmente reformada e modernizada aproveitando os generosos fundos comunitários e dando ênfase a uma produção de produtos mais valorizados e de tecnologia avançada. Essa foi e é uma das razões da nossa insuficiente produtividade de hoje. Por outro lado, o Estado nunca soube moderar os seus gastos (gorduras) e partiu sempre de falsos pressupostos, gastando muito acima da real capacidade do país, subordinando a nossa economia aos seus interesses políticos e aos interesses de algumas empresas e de alguns grupos de personalidades notáveis. Afonso Soares Lopes

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