DE PERI A MUNDURUKU: A INSERÇÃO DO INDÍGENA NO CONTEXTO LITERÁRIO BRASILEIRO

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O nativo brasileiro, após anos seguidos de humilhação e
barbaridades, vem, aos poucos, sendo reconhecido como
produtor de uma cultura única,bela e genuinamente brasileira.
Tendo como ponto de partida a Constituição de 1988, que
garantiu direitos mínimos de cidadania aos povos indígenas,um
processo de resgate cultural pôde ser iniciado,abrindo caminho
para a produção de um material direcionado de
autolegitimação. A literatura de autoria indígena vem marcando
presença de forma eficiente na reconquista de um espaço
outrora perdido, servindo como porta-voz desse grupo
excluído, exterminado, minoritário. Cercado por beleza e
ludismo, o discurso literário produzido pelo nativo brasileiro
tem caráter emocional,filosófico e,acima de tudo,político.

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DE PERI A MUNDURUKU: A INSERÇÃO DO INDÍGENA NO CONTEXTO LITERÁRIO BRASILEIRO

  1. 1. DE PERI A MUNDURUKU: A INSERÇÃODO INDÍGENA NO CONTEXTOLITERÁRIO BRASILEIRO Érica Fernandes Costa Duarte¹RESUMOO nativo brasileiro, após anos seguidos de humilhação ebarbaridades, vem, aos poucos, sendo reconhecido comoprodutor de uma cultura única, bela e genuinamente brasileira.Tendo como ponto de partida a Constituição de 1988, quegarantiu direitos mínimos de cidadania aos povos indígenas, umprocesso de resgate cultural pôde ser iniciado, abrindo caminhopara a produção de um material direcionado deautolegitimação. A literatura de autoria indígena vem marcandopresença de forma eficiente na reconquista de um espaçooutrora perdido, servindo como porta-voz desse grupoexcluído, exterminado, minoritário. Cercado por beleza eludismo, o discurso literário produzido pelo nativo brasileirotem caráter emocional, filosófico e, acima de tudo, político.Palavras-chave: Grupos Minoritários. Literatura Indígena.Autolegitimação.ABSTRACTThe Brazilian native, after years and years of humiliation andatrocities, has being slowly recognized as producing an unique,beautiful, and authentic Brazilian culture. A truly cultural revivalcould be done, from the 1988 Brazilian Constitution, openingways for a self identity material production. The native literatureis nowdays reconquering its space, speaking by this minoritygroup. Rounded by beauty and joy, the indigenous literary workhas a deeply emotional, philosophical and political meaning.Key words: Minority groups. Indigenous literature. Self identity.INTRODUÇÃO O nativo brasileiro vem sendo, desde 1500,Mestranda em Letras pelo CES/JF. Artigo escrito sob orientação da Profª Drª Nícea 77Helena de Almeida Nogueira. Juiz de Fora 2006
  2. 2. desconsiderado e maltratado, sofrendo preconceitos que tiveram origem com os colonizadores portugueses e foi continuado pelos que destes descenderam, ou seja, a maior parte da população brasileira. Pela ação direta ou indireta do homem branco, que perseguiu, escravizou e transmitiu todo tipo de doenças e males, o índio brasileiro acabou se tornando um grupo minoritário. Nações indígenas numerosas foram dizimadas ao longo dos anos, línguas e culturas próprias de cada tribo foram se apagando, morrendo junto com os nativos. O grito de socorro do indígena não era ouvido ou, simplesmente, era ignorado. Esses povos, verdadeiros fundadores de uma cultura genuinamente brasileira, eram levados, pelo descaso e pelo preconceito, a ter vergonha de ser índio, renegando sua própria condição. Com a Constituição de 1988, o indígena finalmente começou a ser valorizado, sua língua foi reconhecida e, a partir dessa data, foi garantido o direito de a criança indígena ser alfabetizada dentro de sua própria tradição lingüística. Monitores bilíngües e os próprios índios passaram então a trabalhar em prol de uma nova visão da educação indígena. Com essa nova proposta para a educação indígena, a necessidade de material didático direcionado virou uma realidade, criando, desta forma, a necessidade de se escrever o que até então só era contado. Deste fato, começaram a surgir os primeiros livros indígenas, feitos por índios para índios. Juntamente com as cartilhas bilíngües usadas na alfabetização das crianças indígenas, começou a ser escrito e publicado outro tipo de material literário indígena, voltado para a literatura infantil ou adulta. Pouco a pouco, esse material vem mostrando sua beleza e qualidade e vem disputando espaço nas livrarias com o literário tradicional, fato considerado impossível há até bem pouco tempo atrás. Nomes de indígenas importantes, como os de Daniel Munduruku e Eliane Potiguara, dentre outros, têm levado a história de seus povos pelo Brasil e exterior, numa tentativa de resgate das suas tradições, bem como uma homenagem a esses que só sobreviveram por determinação e coragem.78 Este artigo tem por objetivo apresentar a literatura indígena e seus principais representantes. Dados históricos CES Revista
  3. 3. sobre o período do descobrimento e eventos atuais,relacionados a mulheres indígenas de destaque, também serãoutilizados a fim de traçar um panorama sobre o mundo indígenae sua contribuição para a Literatura e a Cultura brasileiras.NA ERA DOS DESCOBRIMENTOS Cristóvão Colombo, ao sair da Espanha com destino àsÍndias, acabou descobrindo a América e chamou de índios osque nesta terra habitavam, por acreditar que havia chegado aoseu destino pretendido. De acordo com a maioria dos livros didáticos deHistória, o Brasil foi descoberto em 22 de abril de 1500 peloalmirante português Pedro Álvares Cabral, não se levando emconta o fato de que os nativos já vinham habitando aquelaregião há cerca de quinhentos anos. A terra onde aportaram as naus européias era chamadade Pindorama (DEMARQUET, 1986, p.37) por seus habitantes.Muitos eram esses povos no século XVI. Os Tupi-guaranis (cercade 85 mil) ocupavam quase todo o litoral do Brasil. OsTupinambás (que somariam por volta de 100 mil), ocupavamdesde a margem direita do São Francisco até o RecôncavoBaiano. Além destas tribos mais numerosas, pode-se citartambém outras de grande importância na formação do povobrasileiro: Potiguar, Tremembé, Tabajar, Kaeté (os deglutidoresdo Bispo Sardinha), Tupinambá, Aimoré, Tupiniquim,Temiminó, Goitacá, Tamoio e Carijó (BUENO, 2003, p.19). Neste período, os que aqui habitavam foram chamadosde negros, por não serem brancos como os europeus e porlembrarem os africanos. Na Bahia, onde foram escravizados oualiciados para que fizessem a retirada do pau-brasil, ficaramconhecidos como brasis ou brasilienses (JECUPÉ, 2000, p.15). Com o passar do tempo, apesar de apresentaremdiferentes línguas, costumes, aparência e tradições, o termo“índio” passou a ser usado de forma generalizada, para nomeartodos os nativos e até hoje nivela e iguala em uma únicacategoria dezenas de povos distintos. O nativo, no início da colonização, seduzido por 79espelhos e contas, exerceu o papel de colaborador do Juiz de Fora 2006
  4. 4. português, ajudando-o a fixar residência e a se adaptar ao novo ambiente. Aprender o tupi foi uma maneira eficaz de aproximação. A aprendizagem da língua pelos colonizadores não representava uma aceitação da mesma, pelo contrário, foi falando tupi que os jesuítas começaram o processo de catequização dos índios. Com inigualável preparo intelectual, os jesuítas aprenderam rapidamente a nova língua e deram a ela, de forma eficaz, uma estrutura gramatical, passando a ensiná-la a todos os índios. Dessa forma, surgiu em pouco tempo uma língua geral que substituiu os modos particulares de fala de muitas tribos, o que facilitou a conversão dos nativos ao catolicismo e a sua descaracterização enquanto grupos diferenciados. Os nativos, encarados pelos portugueses com desprezo e preconceito, considerados como povos inferiores, eram levados a crer pelos missionários que somente se deixassem de lado seus hábitos e costumes tradicionais atingiriam a condição de homem. Após a desestruturação das suas tribos e respectivas culturas, o nativo oferecia menos resistência, servindo como mão-de-obra na extração do pau-brasil. GRUPO MINORITÁRIO: EXCLUSÃO E PRECONCEITO O Brasil possui dimensões continentais. Sua superfície mede, aproximadamente, 8.500.000 km. Banhado pela maior bacia hidrográfica do mundo, a amazônica, o país apresenta uma pluralidade no que se refere a seu povo e, por conseguinte, sua cultura. Essas diferenças deveriam ser respeitadas e principalmente valorizadas, já que, ao procurar-se o verdadeiro significado do que seja o homem brasileiro, encontrar-se-á um tipo mesclado, não genérico, de conceituação complexa e difícil. A cultura no Brasil não pode ser encarada, portanto, de maneira linear e uniforme, pois o meio ambiente e os seus recursos (incluindo qualidade de vida) facilitam ou dificultam a sobrevivência do ser humano e essas experiências podem influenciar, de maneira direta ou indireta, a produção cultural dos mesmos. Dessa forma, no Brasil, não se pode falar em80 uniformidade cultural e, sim, em valorização da multiplicidade cultural (CASCUDO, 1967, p.10). CES Revista
  5. 5. O colonizador, ao chegar ao Brasil, olhou o nativo queaqui vivia com o mesmo preconceito com que encarava o negro.Para eles, o nativo era um selvagem e, como tal, precisava serdomado. Seus costumes, língua e religião foram desprezados, jáque, para o europeu, o que de útil poderia apresentar um povotão “inferior” como eram os primeiros habitantes do Brasil? Por conta de um preconceito arraigado, o negro e oíndio foram, por anos a fio, encarados como não civilizados,incapazes de produzir algo realmente importante, de valorcultural reconhecido. O estigma de inferioridade queacompanha os descendentes desses grupos desde os primórdiospermanece até hoje, renegando todo um processo de formaçãocultural brasileira. Além desses dois grupos já mencionados, a mulher e ohomossexual também foram vitimados ao longo dos anos porfugirem a um padrão considerado ideal pela sociedade. Amulher era vista como utensílio doméstico, só preparada para oscuidados da casa e dos filhos (GATAI, 1995, p.13), incapacitadapara quaisquer outras funções que não fossem estas. O homossexual, por sua vez, era considerado umdesvio da natureza, portador de alguma doença mental que ofazia agir de uma maneira fora dos padrões sociais consideradosconvencionais. Exposto de modo vexatório, sendo perseguido,julgado e condenado por não se adequar a um comportamentoimposto por uma sociedade conservadora, o homossexualjamais poderia ser aceito como produtor de cultura. Esses grupos reduzidos, perseguidos e marcados porestereótipos, acabaram encontrando na literatura um caminhoque serviu tanto como veículo de valorização cultural, comotambém de porta-voz de denúncias raciais e preconceito. A obraliterária produzida por eles tem a intenção, portanto, de trazerum retrato fiel do que vem a ser a sua cultura, proporcionandoao leitor um exercício de reflexão sobre identidades culturais eraciais e permitindo que seus acervos histórico-culturais sejamconhecidos, mantidos e, principalmente, valorizados. Os grupos minoritários encontraram na literatura umcampo fecundo onde puderam assumir e defender suasdiferenças culturais. Ter direito à voz própria, desfrutar da suaprópria cultura, praticar sua própria religião e usar sua própria 81língua são direitos defendidos por tratados internacionais, Juiz de Fora 2006
  6. 6. porém pouco reconhecidos e, muito menos, exercidos plenamente. Apesar da evolução cultural em que o mundo se encontra, muitos críticos não levam em consideração a qualidade cultural dos trabalhos produzidos por esses grupos, simplesmente porque fogem do que é considerado tradicional. No caso da literatura indígena em particular, o material produzido chega até mesmo a ser encarado como subliteratura (SOUZA, 2001, p.69), oriunda do popularesco e destinada somente a ele. LITERATURA INDÍGENA Segundo Jecupé (2000, p.20) antes de existir a palavra índio para designar todas as nações indígenas, já existia o espírito índio espalhado em centenas de tons. Os tons foram se dividindo por afinidades, formando clãs, que formaram tribos, aldeias, e constituíram nações. De modo que o índio é uma qualidade de espírito posta em uma harmonia de forma. Estudos a respeito da população indígena apontam para, aproximadamente, 206 povos nativos no Brasil, cada qual com seus costumes e língua própria. É possível, segundo os antropólogos que realizaram esses estudos, que alguns deles jamais tenham se encontrado. A tradição oral indígena foi, desde 1500, desconsiderada e inutilizada. O povo que já habitava o Brasil antes de Pedro Álvares Cabral possuía uma arte verbal muito rica e diversificada, denominada poemúsica. Nessa perspectiva, portanto, a “poesia dos índios” seria o início da criação textual em nossos trópicos (RISÉRIO, 1993, p.50). É provável que essa desconsideração européia para com a cultura ágrafa indígena, não permitindo que já naquela época os textos indígenas fossem codificados para a linguagem escrita, tenha dado início ao preconceito até hoje arrastado pela literatura produzida por esse grupo, ainda considerada por muitos críticos como inferior, ou até mesmo inexistente. Dentro do Cânone literário, podem-se citar dois82 movimentos que trouxeram a presença do índio de forma CES Revista
  7. 7. bastante diferente. O romantismo de José de Alencartrouxe a figura do índio idealizado, o mito do bom selvagem,personificado na figura do índio Peri (COUTINHO, 2001, p. 40).Já o índio Macunaíma, criado por Mário de Andrade noModernismo, era um “herói sem nenhum caráter” (ANDRADE,2000), registrando uma possível identidade do povo brasileiro,uma mistura de vários povos, como numa colagem cubista. Com o Manifesto Antropofágico e o Manifesto daPoesia Pau-Brasil, Mário e Oswald de Andrade, aliados aosparticipantes da Semana de 22, convocaram o Brasil areconhecer seus símbolos locais e a ouvir novos ritmos e sons.Pode-se considerar este movimento como um início da rupturacom o nosso passado literário, que só valorizava o que eraestrangeiro. Somente com a Constituição de 1988, as línguasnativas foram reconhecidas oficialmente, abrindo espaço para aeducação bilíngüe no Brasil, o que permitiu o estudo da culturaindígena em seu próprio habitat, isto é, dentro das escolaslocalizadas em meio às tribos. Até essa data as mesmas eramobrigadas a seguir o currículo nacional brasileiro de educação,fato que em muito contribuía para a desestabilização da culturae da auto-estima desses grupos. O aspecto lingüístico, bastante complexo e variado,passou a ser encarado como representação própria de cada triboindígena. O ensino passou então a ser feito, levando-se emconsideração essas realidades únicas e suas heranças culturais,dando início a um processo de resgate histórico. A constituiçãorepresenta, portanto, o grande marco no que se refere àretomada dos valores indígenas, tão subestimados e esquecidos. Com essa nova visão da educação indígena, os nativospuderam participar da elaboração dos planos e programaseducacionais voltados para a sua tribo, e melhor que isso,puderam transmitir, oralmente ou por escrito, suas lendas emitos, bem como desenhar ilustrações para seus livros. O papeldo idoso se mostrou fundamental no processo de narração dashistórias. Esses povos possuem uma forte tradição oral e é tarefado homem mais velho da comunidade contar aos mais novos ashistórias que foram contadas a ele por seus antepassados e quedevem permanecer vivas na voz de seus sucessores. Percebe-se 83nesse fato uma grande contradição entre o nativo e o branco. Juiz de Fora 2006
  8. 8. Enquanto aquele, considerado inferior sabe reconhecer a importância do idoso, o homem dito civilizado, que se considera superior, renega e abandona o mais velho, por acreditar na falta de capacidade do mesmo. Os monitores bilíngües passaram então a representar um papel de fundamental importância no trabalho com o povo indígena. Não bastando apenas dominar uma técnica de ensino especial, o monitor bilíngüe passou a patrocinar uma nova forma de educação, com a intenção de levar a criança índia a crescer sob uma consciência crítica da importância de seu povo no panorama nacional (SANTOS; WIELEWICKI, 2005, p.285). Essa nova forma de encarar a educação indígena permitiu que as crianças pudessem aprender a ler em sua própria língua, tendo o português como uma segunda língua, preparando-a para o futuro, porém, sem negligenciar seu passado. PRINCIPAIS REPRESENTANTES O ensino das crianças indígenas, baseado em suas próprias leis, costumes e cultura, gerou um movimento em prol da criação de livros que atendessem ao principal objetivo desta nova visão da educação: livros escritos pelos próprios nativos e que abordassem fatos de sua realidade, bem como marcos importantes de seu passado. Esse material oriundo das representações indígenas vem de forma tímida ocupando as prateleiras das livrarias e conquistando, aos poucos, um público sensível, que encara a literatura indígena como especial, despindo-se de qualquer preconceito para apreciá-la e entender a importância cultural e social da mesma. O leitor desse material é brindado com histórias seculares, recheadas de lirismo e beleza. Dentre os escritores indígenas que vêm surgindo no panorama atual, citar-se-ão, nesse artigo, alguns que, por estarem mais presentes na mídia, representam a produção literária indígena como um todo, vencendo preconceitos e conquistando espaços. O escritor Daniel Munduruku nasceu no Pará e é índio da nação Munduruku. É formado em Filosofia pelas Faculdades84 Salesianas de Lorena, licenciado em História e Psicologia e mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal de CES Revista
  9. 9. São Paulo. Preside o Instituto Indígena paraPropriedade Intelectual (INBRAPI) e participa ativamente deatividades ligadas à defesa das causas e das tradições indígenas. Munduruku é autor de livros como História de índio(1996), obra dividida em três partes que traz crônicas,depoimentos, informações sobre povos indígenas, além de umglossário da língua munduruku; Kabá darebü (2002),direcionado a crianças em início de alfabetização, trata sobre aspossibilidades do conhecer de uma criança nativa criada dentrode sua cultura e O segredo da chuva (2003), uma narrativa queem muito lembra os mitos indígenas, tendo como personagemprincipal o menino Lua, cuja missão é defender a aldeia e afloresta, contando com a ajuda de um macaco, uma onça e umacapivara. Daniel Munduruku foi o primeiro autor brasileiro areceber a menção honrosa da Unesco de literatura infanto-juvenil sobre tolerância entre os povos por seu livro Meu avôApolinário. Um mergulho no rio da (minha) memória (1996).Este é um livro de caráter memorialístico, que aborda a culturamunduruku a partir da narrativa de Apolinário, avô do autor. Segundo Munduruku (2006) [...] histórias moram dentro da gente, lá no fundo do coração. Elas ficam quietinhas num canto. Parecem um pouco com a areia no fundo do rio: estão lá, bem tranqüilas, e só deixam sua tranqüilidade quando alguém as revolve. Aí elas se mostram [...]. Kaká Werá Jecupé é filho de pais tapuias, outxucarramães. Nasceu em Parelheiros, na periferia de São Paulo,onde ainda sobrevive um agrupamento de índios e setransformou num educador, com a intenção de difundir valoresuniversais da cultura indígena, como o respeito ao próximo, ànatureza e ao conhecimento dos antigos. (DIMENSTEIN, 2003). Jecupé publicou seu primeiro livro Oré awé roiru´ama no ano de 1994. Esta obra narra a história de um jovemíndio que presencia o crescimento desenfreado da cidade deSão Paulo e a ameaça que este progresso representa para umatribo Guarani vizinha a sua casa, abordando fatos relacionados àinterferência nos costumes e na qualidade de vida daquela 85 Juiz de Fora 2006
  10. 10. comunidade. No ano de 1996, o escritor pronunciou-se sobre a religiosidade indígena em Oxford (Inglaterra) e, em 1997, a convite da Universidade de Stanford (Estados Unidos), discursou sobre a religiosidade ancestral indígena, em um encontro inter-religioso que reuniu cerca de duzentos líderes de todo o mundo. Além da obra acima citada, o autor publicou também Tupã Tenonde (2000), onde revela os ensinamentos secretos da nação Guarani, antes só divulgados aos pajés, numa tentativa de valorização da diversidade cultural brasileira e A Terra dos Mil Povos (2004), obra biográfica onde o autor relembra os valores indígenas contados pelos ancestrais de sua tribo, ressaltando a importância de se preservar o espírito. Segundo Jecupé (2002, p.12) [...] Há tribos que começam a sua história desde quando o clã eram seres do espírito das águas. Outras trazem a sua memória animal como início da história, assim como há aquelas que iniciam a sua história a partir da árvore que foram. Yaguarê Yamã é um índio pesquisador que nasceu na selva amazônica. Ele pertence ao povo Saterê Mawé que vive na área indígena Andirá-Maráw, na fronteira entre os estados do Amazonas e do Pará, numa região de floresta. Yamã é professor, palestrante de temática indígena pelo Brasil e escritor de vários livros, como Sehay ka´at haría: O caçador de histórias (2004), obra que resgata a memória cultural mawé através de relatos da infância do escritor; Urutópiag: a religião dos pajés e dos espíritos da selva (2004), que traz um relato do autor a respeito dos preceitos e conhecimentos de uma tradicional religião indígena; Puratig: O remo sagrado (2005), livro composto por oito contos, sendo que um deles trata do mito do guaraná, pertencente às tradições dos Saterê Mawé, conhecidos como o “povo do guaraná”. Sobre esta última obra, o autor comentou que via no livro a esperança de difusão da memória ancestral de seu povo (YAGUARÊ, 2006).86 Olívio Jecupé é índio da nação guarani. Publicou oito livros, dentre os quais se pode destacar: Iarandu: o cão Falante CES Revista
  11. 11. (2002) onde figuram como personagens principais umcurumin e seu cão falante; Xerekó Arandu, a morte de kretã(2002), narrativa sobre um nativo conhecido por suadeterminação no que se referia à defesa dos direitos de seu povoe Verá: O contador de histórias (2005) que traz como narradorum indiozinho Guarani contador de histórias repletas defantasia e imaginação. Em um texto intitulado “Os velhos são nossos mestres”,publicado na Bay-Universidade Indígena, Jecupé tambémchama a atenção sobre a importância dos idosos na transmissãoda cultura indígena, referindo-se aos idosos como os grandesresponsáveis pela transmissão, manutenção e imortalidade dashistórias de seus povos. Eliane Potiguara é uma escritora indígena da naçãoPotiguar, formada em Letras (Português-Literatura) e licenciadaem Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). É Conselheira do Instituto Indígena de PropriedadeIntelectual (INBRAPI), Coordenadora da Rede de EscritoresIndígenas na Internet e também de um grupo voltado para ainformação das nativas (GRUMIN) que moram tanto nas aldeiasquanto nas cidades. Pela criação deste último, por ter trabalhado pelaeducação e integração da mulher indígena no processo social,político e econômico do país, bem como na elaboração daConstituição Brasileira, Eliane foi nomeada uma das “DezMulheres do Ano de 1988”, pelo Conselho das Mulheres doBrasil. Em 1992, foi Co-Fundadora/Pensadora do Comitê Inter-Tribal 500 Anos (kari-oka), por ocasião da Conferência Mundialda ONU sobre Meio-Ambiente, junto com Marcos Terena,Idjarruri Karajá e muitos outros líderes indígenas do país, alémde ter participado de dezenas de assembléias indígenas em todoo país. Ainda no final de 1992, por seu espírito de luta,traduzido em seu livro A terra é a mãe do índio (1989), foipremiada pelo Pen Club da Inglaterra, ao mesmo tempo em queestava sendo citada na lista dos “Marcados para Morrer”,anunciados no Jornal Nacional (Rede Globo de Televisão) paratodo o Brasil, por ter denunciado esquemas duvidosos eviolação dos direitos humanos e indígenas. 87 Eliane já participou de, aproximadamente, 56 fóruns Juiz de Fora 2006
  12. 12. internacionais e mais de 100 nacionais sobre direitos humanos, além de ter feito parte do Comitê Consultivo do Projeto Mulher, 500 anos atrás dos panos, que culminou no “Dicionário Mulheres do Brasil” (2000), e da elaboração da “Declaração Universal dos Direitos Indígenas”, na ONU, em Genebra. Por seu empenho, recebeu em 1996 o título de “Cidadania Internacional”, concedido pela doutrina religiosa “Baha´i”, entidade que trabalha pela implantação da Paz Mundial. Além de A terra é a mãe do índio, a escritora publicou outras obras, como Akajutibiró: terra do índio potiguara (1994), livro apoiado pela Unesco que serve como uma cartilha no processo de alfabetização de crianças e adultos e Metade cara, metade máscara (2005). Essa última obra é um romance que narra a história de amor de um casal indígena, que ao se separar na época da colonização brasileira e viajar por cinco séculos em busca um do outro, conhecem todas as Américas e suas histórias. Além da história de amor, o livro trata também de relações humanas, paz, identidade, história de vida, mulher, ancestralidade, família e a luta do movimento indígena, inclusive internacional. Essa escritora é um exemplo de força, garra e determinação já que enfrenta preconceitos duplos, por ser mulher e índia e conhece de perto todos os preconceitos gerados a partir dessas condições. Por esses motivos, a mulher indígena é retratada de forma especial nessa última obra citada. A autora fala sobre o papel fundamental destas mulheres no contexto cultural e da sua real contribuição na sociedade brasileira. Ela se faz porta-voz das dores destas mulheres (inclusive dela própria) e de seus desejos mais íntimos: [...] Sou uma mulher de fibra, porque eu me reconstruí por mim mesma, depois de dançar desvairadamente na vida com meu iludido sapatinho vermelho. Quase perdi os meus pés, as ervas daninhas enrolaram neles pra que nunca mais caminhasse pelas estradas do saber, da consciência e do mais alto grau da espiritualidade indígena, mas pude dominá-los e arrancar esses malditos sapatinhos vermelhos das chamadas88 “MULHERES E MÃES BOAS DEMAIS"!!!!!! [...](POTIGUARA, 2005, p. 86). CES Revista
  13. 13. militante política altamente engajada em prol dosdireitos humanos que envolvem a causa dos povos indígenas erepresentante literária mais árdua de sua classe, pode serconsiderada como o maior nome feminino envolvido nesseprocesso. A escrita indígena conta ainda com uma contribuiçãoinfantil de grande importância. A curumin Kerexu Mirimpublicou, aos nove anos, seu primeiro livro, intitulado A índiavoadora (2003) onde ela narra, em uma história bilíngüe, arealização de seu grande sonho: andar de avião. A menina, cujonome significa “flor pequena” em Guarani, é filha do escritorOlívio Jecupé e vem aprendendo com o pai a importância de sevalorizar suas tradições e seu povo. A produção literária de umacriança nativa serve como resposta no que se relaciona àvalidade e à importância do resgate cultural que vem sendo feitojunto aos povos indígenas.GRANDES MULHERES INDÍGENAS Além de Eliane Potiguara, outras mulheres indígenasvêm se destacando em áreas diversas, trabalhando em prol deum reconhecimento cultural de seus povos, na tentativa decombater e, quem sabe, num futuro próximo, exterminar opreconceito existente contra as populações indígenas. Joênia Batista de Carvalho Wapichana é assessorajurídica do Conselho Indigenista de Roraima (CIR) e uma dasprincipais lideranças na defesa dos direitos territoriais dos povosindígenas da região de Roraima. Por sua atuação em defesa devítimas de tortura, discriminação racial e ameaça de morte,Joênia foi uma das finalistas do prêmio Cláudia 2004, entregueem São Paulo, na categoria Trabalho Social (ISA, 2004). A índia Karipuna Vitória Santos dos Santos, da AldeiaSanta Isabel, município de Oiapoque-Amapá, foi empossadaem agosto de 2005 como a nova titular da SecretariaExtraordinária dos Povos Indígenas de seu estado. A escolha deseu nome para assumir o posto foi indicação dos próprios povosindígenas da região. Ela é a segunda indígena no Brasil a assumirtal cargo. O primeiro foi Francisco da Silva Pinhatã, da etniaAshaninka (PORTAL AMAZÔNIA, 2005). 89 A nativa pernambucana Maria das Dores Pankararu il Juiz de Fora 2006
  14. 14. defendeu, em abril de 2006, em Alagoas, sua tese de Doutorado em Lingüística. A FUNAI (Fundação Nacional do Índio) não tem registro de outro índio que tenha chegado ao mais alto grau acadêmico do país. Durante seu doutorado, Maria pesquisou a língua indígena Ofayé, atualmente falada somente por 11 pessoas de uma comunidade localizada em Brasilândia (Mato Grosso do Sul), portanto, em risco de extinção. O trabalho da pesquisadora, em parceria com a professora ofayé Marilda de Souza, consistiu na execução de uma cartilha destinada a ensinar o idioma para as crianças da comunidade e criar uma correlação entre as línguas oral e escrita, de modo a facilitar o aprendizado (BERNSTEIN, 2006). O nome de Joicelene Cruz Mandulão apareceu no topo da lista de aprovados do primeiro vestibular de graduação específico para indígenas do Brasil em 2006. Ela é da etnia Macuxi, de Roraima e foi aprovada junto com mais nove pessoas para cursar medicina na Universidade de Brasília (UnB). (COELHO, 2006). ORGANIZAÇÕES EM PROL DA CULTURA INDÍGENA A população indígena brasileira vem se mobilizando para propagar sua cultura e, dessa forma, preservá-la. Representados por índios que saíram de suas comunidades em busca de estudo, de oportunidade de falar de seu povo, ou amparados por instituições de ensino de vanguarda, muitos grupos têm surgido, focados unicamente na defesa dos interesses indígenas. O INBRAPI é o Instituto Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual. É uma organização não- governamental sem fins lucrativos. Dentre seus principais objetivos, pode-se destacar: promover a defesa de bens e direitos sociais, coletivos e difusos, relativos ao meio ambiente e ao patrimônio intelectual dos povos indígenas; realizar e divulgar pesquisas, estudos, organizar documentos referentes ao tema da propriedade intelectual etc... O Instituto Arapoty foi fundado por Kaka Werá Jecupê90 em 1994. “Arapoty ” significa “renascimento” ou “reflorescimento”, em guarani. O Instituto Arapoty dedica-se à CES Revista
  15. 15. divulgação dos valores culturais e éticos dos povosancestrais do Brasil, à criação de condições de subsistência egeração de renda, além de realizar ações educativas eecológicas. O GRUMIN foi criado em 1987 e promove o acesso denativos e suas organizações a informações preciosas para eles,influenciando-os na formação de opiniões, além de desenvolverconsciências críticas, mobilizando indivíduos e organizações ao“empoderamento”, buscando o exercício dos direitos humanospara o desenvolvimento sócio-político-econômico do presentee do futuro de suas tradições e culturas. (GRUMIN, 2006). Esta organizaçao posssui uma comunidade on line noOrkut, que conta com 1.049 membros, e um grupo de discussãona Internet (Yahoo grupos), composta por 341 membros. Ambossão liderados por Eliane Potiguara. De uma parceria entre oGRUMIN e o NEI (Núcleo de Escritores Indígenas do INBRAPI)será lançado o primeiro e-book (livro eletrônico) indígena naInternet. Participam da coletânea que compõe o livro diversosescritores e autores indígenas. A Bay - Universidade Indígena é um dos projetosdesenvolvidos pela Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG) que tem como objetivos estabelecer contatos derespeito e conhecimento entre a populações indígenas e asoutras culturas e favorecer o entrosamento das mesmas, atravésde um dialogo intercultural, que engrandeça todos osenvolvidos, tanto no campo educacional quanto no das relaçõesantropológicas. No dia 04 de junho de 2004, a UFMG lançou a e-BAY,revista indígena eletrônica criada para divulgar a educaçãoindígena. Esse primeiro exemplar é fruto do trabalho de umaequipe de 80 pessoas da Universidade e de 110 índios de todasas etnias de Minas Gerais e contém trabalhos produzidos porrepresentantes dos povos indígenas, que passaram por oficinasde literatura, gravura, música, antropologia, além de reflexõesteóricas junto aos pesquisadores da Universidade. As oficinasforam oferecidas pela UFMG em 2002. (OLIVEIRA, 2005). A UFMG coordena também a produção e a edição delivros indígenas, em parceria com o projeto Brasil Alfabetizado,do Ministério da Educação (MEC), além de promover 91seminários e debates sobre a realidade da educação e da Juiz de Fora 2006
  16. 16. Em setembro de 2005, foi aprovada a licenciatura para professores indígenas na UFMG. Esses professores poderão ingressar na Instituição no “Curso de Formação Intercultural de Professores”, licenciatura especial que atende aos educadores que já atuem em suas comunidades indígenas. CONCLUSÃO Conforme descrito ao longo deste artigo, a população indígena brasileira foi desde a conquista européia sendo exterminada não só fisicamente, mas também em sua moral e sua cultura. O indígena, primeiro desbravador das terras brasileiras, foi, ao longo de nossa história, tratado como escravo, tachado de preguiçoso e ignorante. Seus costumes foram interpretados de forma desrespeitosa e irônica e somente seria salvo pelo Deus do branco colonizador se renunciasse a seus costumes e entregasse sua alma à catequese, ato que o transformaria no “bom selvagem”. (BOSI, 1994, p.91). Essas populações tão massacradas e esquecidas conseguiram manter suas histórias vivas através do relato oral dos anciãos das tribos, que as transmitiam de geração em geração, possibilitando o trabalho de resgate cultural e memorialístico que hoje vem sendo feito. Com a pós-modernidade, o indivíduo passou a não ter certeza de nada e a se questionar quanto à qualidade e à eleição dos cânones literários, considerados verdade absoluta em termos de Literatura até então. Essa nova visão do indivíduo pós-moderno deu abertura para que novos grupos fora do Cânone literário se manifestassem. Pelo espaço aberto pelo pós- moderno no mundo contemporâneo adentraram os grupos minoritários, sua visão de mundo e suas experiências relatadas através de sua literatura. O pós-modernismo permite uma fragmentação da realidade, uma mistura de estilos, uma ruptura. A literatura indígena, antes excluída e até mesmo desacreditada, passou a ter espaço, embora pequeno se relacionado a sua qualidade, nas prateleiras de algumas livrarias92 pelo país. Pouco a pouco, seus autores vêm conquistando leitores e prêmios (até mesmo no exterior), derrubando mitos e CES Revista
  17. 17. ocupando lugares de destaque. Nomes como o deDaniel Manduruku e de Eliane Potiguara, dentre outros,representam pelo mundo a beleza do relato indígena. O reconhecimento da importância do nativo pelapopulação mundial e pela brasileira, em especial, é um inícioimportante no que se refere à valorização do lastro culturaldesses povos tão singulares. A produção literária indígena, artegenuinamente brasileira, emoldurada em beleza e lirismo,ressurge, em meio às cinzas do preconceito, só que dessa vezmais fortificada e guerreira, portanto, pronta para a batalha.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASANDRADE, Mário de. Macunaíma. São Paulo: Villa Rica,2000.BERNSTEIN. Tony. Maria das Dores Pankararu recebe oprimeiro título de doutor concedido a indígena. Disponívelem: <http://www.portalterceiraidade.com.br/horizontais/noticias_cidadao/anteriores/anterior0014.htm>. Acesso em: 10 mai. 2006.BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. SãoPaulo: Cultrix, 1994.BUENO, Eduardo. O Brasil indígena. In: ______. Brasil: umahistória. São Paulo: Ática, 2003.CALDEIRA, Jorge. Primeiros encontros. In: ______. Históriado Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.CASCUDO, Luis da Câmara. História da alimentação noBrasil: cardápio Indígena, dieta africana, ementa portuguesa.São Paulo: Nacional, 1967.COELHO, Mário. UnB divulga lista de índios aprovados.MEC. Disponível em: <http://diversidade.mec.gov.br/sdm/publicacao/engine.wsp?tmp.area=8&tmp.templ=noticia&tm 93p.noticia=105>. Acesso em 12 mai 2006. Juiz de Fora 2006
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