O SILÊNCIO DO CORAÇÃO          de Murilo Vianna
Título: O Silêncio do CoraçãoISBN: 978-85-64471-005-4Editora: CatrumanoNome do autor:Murilo de Mello ViannaInformações par...
PREFÁCIOComo alguém pode dizer como se deve agir após umatragédia? A vida não é uma equação matemática em quepegamos todos...
possível, mesmo em horas que o ceticismo e a seriedadetomavam conta do ambiente. Mas também era uma ótimacompanhia para co...
habitantes, o que tornava os integrantes da banda Atlantameramente populares. De vez em quando se apresentavamtambém em ci...
que iriam se casar e envelhecer juntos até que os doisdeixassem para sempre as meias de tricô e os programascaseiros.     ...
Brandon e Rachel tinham os gostos profissionaismuito parecidos, apesar de serem bem diferentes. Mascomo já diz o ditado: “...
covarde, talvez outras acreditem em seus reaissentimentos e creiam que não teria como ele se renovar econtinuar com sua an...
CAPÍTULO 1        O telefone toca naquela manhã com poucaumidade na cidade de Sant Grove.        Brandon está deitado na c...
Incluídos na pequena festa, também estavam Allane David, o que ocasionou em um pequeno concertoacústico da banda Atlanta n...
- Certamente! – Johnny respondeu a Brandon,passando seu número de contato e mais algumasinformações que poderiam ser neces...
em sua melhor forma possível e uma dessas coisas era amoradia que Brandon tinha acabado de conquistar.        Brandon sabi...
David e falar sobre a possibilidade de um show da bandaAtlanta.                             *        Tudo já tinha entrado...
admirados com a qualidade musical daquela banda,mesmo contendo uma diferença muito pequena de acordese melodias nas cançõe...
um baterista para acompanhá-los, agora que o tinham,estavam afastados dos palcos. Entretanto, Brandon sabiaque essa situaç...
É lógico que ainda tinham de perguntar a David seseria possível a banda se apresentar no dia do evento.Allan e Brandon não...
mas Allan sempre enfatizava os acontecimentos para queas garotas pudessem pensar que ele era um músico que jáhavia tocado ...
CAPÍTULO 2        Tudo já estava devidamente organizado para oshow. Além da banda Atlanta, aconteceria o show de maisduas ...
ao lado da pessoa que mais importava em sua vida. E,quem sabe, isso poderia acontecer novamente agora, nacidade de Fordvil...
Brandon foi atender quem quer que fosse.        - Olá família! – disse Rachel ao entrar pela portaprincipal com um sorriso...
- Então quer dizer que vocês vão voltar a fazershows? – Edward perguntou no mesmo momento em queo time Seattle Mariners fe...
boa relação com Brandon, pois sabia que aquele garoto erao melhor para a sua filha Rachel. Depois que sua esposaAngelina f...
sua casa. Ele ainda tinha de decidir os detalhes do show etreinar um pouco em sua guitarra Fender.        A alegria de Bra...
- Nós não vamos. – completou David firmemente.        E com certeza não iriam mesmo, exceto é claro, seBrandon faltasse no...
acreditavam ser uma das melhores que eles já haviamcriado até então. Brandon escrevera essa música e usaraRachel Sawyer co...
sua vida. E ele já sabia: Rachel era a pessoa certa para elese casar e passar o resto da vida.
CAPÍTULO 3        A casa onde Rachel, Denise e James Sawyermoravam era muito bonita em relação às casas vizinhas.Do lado d...
tornasse esposa de uma pessoa que estaria sempre ao seulado, nas horas boas e nas ruins.        Brandon estacionou seu Jip...
- Você parece nervoso. – continuou James semnotar que a preocupação de Brandon era muito maior doque ele poderia imaginar....
tornar uma pessoa completamente séria. James agora sabiade que Brandon tinha sido sincero em cada palavra.        - Ma... ...
- Eu não vou te desapontar, senhor.        - Eu sei que não vai. – James falou sorrindo. Elesabia que Brandon era uma pess...
- Bom... feliz ele não ficou – disse Brandon,fingindo uma cara entristecida, deixando seus pais aflitos.– mas ele falou qu...
assistirem um filme que ela havia alugado na locadoraperto de sua casa, enquanto ela e sua irmã voltavam doshopping. Hilar...
- Estou normal. – ele respondeu, tentando omitir oque realmente estava passando em sua imaginação.        Os dois se levan...
CAPÍTULO 4        Após terminar todos os deveres que tinha de fazerna loja de automóveis de Edward naquela quinta feita,Br...
incandesciam a sua paixão pela música todos os dias.Talvez, se seu pai não tivesse um negócio próprio,Brandon trabalhasse ...
Ele separou uma meia dúzia de roupas íntimas,meias e dois casacos pretos para levar consigo. E então,sua bagagem para Ford...
- Amor, nossa Lua de Mel é uma exceção. –Brandon retrucou enquanto olhava para a porta de suacasa, pensando se tinha pegad...
crocodilos em um lago a menos de um quilômetro dedistância de onde Brandon e Rachel tinham passado. Porincrível que pareça...
De qualquer forma, eles estavam lá para se divertir,não para se preocupar com hotéis, serviços de quarto e aque horas o ca...
Em menos de quatro minutos os sucos já estavamsendo colocados na mesa redonda pintada de vermelho.Cinco minutos depois a c...
Quando saíram, decidiram ir ao Hotel Del Mare.Aliás, eles pagaram a estadia pelos três dias, então, nadamais justo do que ...
em que Brandon estudara. Havia uma piscina no centroonde crianças brincavam de voleibol com seus pais emergulhavam até ond...
ficava debaixo de uma televisão de plasma. Sem mencionaras poltronas, os utensílios distribuídos pelo quarto que erade pri...
CAPÍTULO 5        Na manhã de sábado Brandon acordou uma horadepois do nascer do sol. Ele não estava sentindo umafaísca de...
A primeira noite em Fordville já tinha sidobastante agradável para Brandon e Rachel e isso só faziacom que a vontade do jo...
O dia estava bonito e o sol mostrava seus raios decalor, fazendo com que as pessoas daquela cidade friaandassem com blusas...
poderia ser capaz de suportar todas as coisas que tinham àvenda naquela loja.        - Olha só – ela falou olhando Brandon...
Todos ficaram conversando por mais algunsminutos sobre a coincidência de morar na mesma cidade,mesmo que não fosse tanta, ...
atacado por um travesseiro ou qualquer outra coisaparecida.        - Você demorou – Rachel falou a seu namorado. –aonde vo...
David e Allan saíram. Mas poucos minutos depoisBrandon e Rachel já estavam de bem um com outro.Rachel tinha certeza de que...
na máquina nº2 e trajava um terno impecável, o que o faziaparecer um homem de negócios muito bem sucedido.        - Muito ...
ele mais parecido com um caminhoneiro rude e mal-educado.        Vinte minutos depois, a banda estava testando osmicrofone...
maravilhado pela ocasião. Mas ela não sabia que eleguardava um nervosismo crescente, já que aquela noite, emespecial, seri...
CAPÍTULO 6        Guitarra afinada, palhetas separadas, a roupa certapara o show e Brandon já estava pronto para subir aos...
sentir inveja. Até mesmo suas breves crises de ciúmechegavam a ser encaradas como algo positivo paraBrandon. Ela era simpl...
- Ei Robin – chamou Allan. - será que você nãoconsegue deixar de ser nerd por pelo menos um dia de suavida?        Não hou...
de água e dez cervejas (incluindo as três que tinhamacabado de tomar). Um quadro de Jimi Hendrix tocandoem Woodstock estav...
- Eu vou mesmo assim – Brandon afirmou. – SeRachel chegar aqui, fale para ela ver o nosso show defrente ao palco.        E...
Os integrantes entraram no palco e a multidão seincendiou de uma forma ainda mais intensa.        A banda estava sentindo ...
A segunda, terceira e quarta música, continuaramno mesmo ritmo enlouquecedor. Jovens que tinham porvolta de quinze a vinte...
Eles continuaram tocando no mesmo ritmo elétricoe quando tocaram sua música principal, muitas pessoas daplatéia acompanhar...
acreditando no que o amigo e companheiro de bandaacabara de fazer.        Brandon Browser apenas fechou os olhos econtinuo...
memorável em pedir sua namorada em casamento nafrente de várias pessoas.        - Sou eu. – respondeu Brandon, levantando ...
CAPÍTULO 7        Rachel Sawyer tinha acabado de sair do chuveiro.Ela se olhou no espelho imaginando como estava feliz eme...
Ela estava quase pronta, mas ainda não sabia o queiria vestir. Entretanto, depois de analisar com cuidadotodas suas peças ...
normal que ela se sentisse um pouco desconfortável, masnada que a deixasse inapta de dirigir.        Ela continuou calmame...
Sawyer ensangüentada. A motorista que dirigia acaminhonete vermelha estava sozinha e inconscientedentro de seu carro, send...
- Esta garota era namorada do vocalista da bandaque tocará hoje no festival. – disse o policial para seucolega. – Walter, ...
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  1. 1. O SILÊNCIO DO CORAÇÃO de Murilo Vianna
  2. 2. Título: O Silêncio do CoraçãoISBN: 978-85-64471-005-4Editora: CatrumanoNome do autor:Murilo de Mello ViannaInformações para contato:Celular: (13) 7805-2085E-mail: murilo_vianna@hotmail.com
  3. 3. PREFÁCIOComo alguém pode dizer como se deve agir após umatragédia? A vida não é uma equação matemática em quepegamos todos os elementos e formamos um resultado quesirva de resposta para todas as pessoas que necessitam (emuitas vezes não querem) ouvir o que os outros têm adizer. Brandon Browser era uma dessas pessoas que nãoqueria escutar o que tinham a dizer. Ele simplesmentepreferia ficar imune de todos os pêsames e lamentaçõesque seus conhecidos estavam oferecendo. Era como se seupequeno mundo melancólico, rancoroso e depressivo fossesuficiente para confortá-lo pelo resto de sua vida. Como seas variações de cores entre preto, branco e cinza fossembastante para colorir o seu coração. Não que ele tenha sidorealmente culpado quando... bom, tudo o que aconteceuserá minuciosamente explicado em seu devido tempo, nãovamos apressar as coisas. É claro que não foi somente Brandon Browser quesentiu a fúria do destino, que chegou como uma ondagigantesca arrebentando nas pedras de um píer. Todo seucírculo de amizade e todos os familiares envolvidostambém ficaram envoltos nessa névoa que parecia nãoquerer ir embora. Mas apenas Brandon deixou a plenitudeda vida de lado. Largada como uma camisa velha ao pé dacama, a vida que lhe fora proporcionada não tinha omesmo sentido e, muito provavelmente, nunca voltaria aser como antes. Brandon sempre foi uma pessoa com um ótimohumor. Sempre estava fazendo piadas sobre tudo o que era
  4. 4. possível, mesmo em horas que o ceticismo e a seriedadetomavam conta do ambiente. Mas também era uma ótimacompanhia para conversas com uma forte carga desentimento e conhecimento. Ele era simplesmente apessoa certa para todas as ocasiões possíveis. Porém agora,ele não era mais o mesmo. Era apenas uma alma vazia, umfantasma que vagava pelo seu quarto escuro remoendo asprofundezas de sua imaginação culpada. Seus olhos cor demel que regularmente eram confundidos com um tomesverdeado, eram chamativos tanto quanto o olhar de umfalcão, mas deixaram ser cobertos pelo seu cabelocomprido, que agora tomava conta da maior parte de seurosto bonito e delicado. Sua barba também estava porfazer e raramente ele se alimentava da forma que deveriapara manter-se saudável, o que deixava seu pai Edward esua mãe Hilary bastante preocupados. Não era assim queum jovem de vinte e um anos deveria levar a sua vida. Masquem pode dizer como se deve agir após uma tragédia? Ele perdeu todo interesse no que antes costumavachamar de passatempo. Brandon não tocava mais suaguitarra, tampouco aparecia nos ensaios da sua banda comAllan Green e David Sanders. A banda se chamava Atlantae, por sinal, era muito boa. Conquistava todos aqueles quequeriam ouvir um bom e velho rock’n’roll. E mesmo sendoformada por apenas três pessoas, Atlanta tinha um sompesado e forte, com o instrumental intenso se contrapondocom a voz doce e melódica de Brandon nos vocais. O trio se apresentava freqüentemente em SantGrove, onde moravam. Era uma pequena cidade onde aexploração de madeira era a principal fonte de renda damaioria dos trabalhadores. Tinha pouco mais de dez mil
  5. 5. habitantes, o que tornava os integrantes da banda Atlantameramente populares. De vez em quando se apresentavamtambém em cidades próximas, mas isso só aconteciaquando havia um cachê suficiente para cobrir a gasolinado carro de um dos integrantes. É evidente que a banda não conseguia ser aprincipal fonte de renda de Brandon e do resto dosintegrantes. Afinal, seria quase impossível pagar umaconta de luz com a pequena quantia que restava para eles.Por isso, ele trabalhava durante o dia na loja de seu paiEdward. Era uma das maiores – se não a principal empresade automóveis que havia nos limites de Sant Grove – e eranotável que Edward estava progredindo nos negócios eque o auxílio e ajuda do filho eram essenciais. Tudo estava entrando nos conformes. Brandon eEdward estavam cada vez mais unidos e tocando osnegócios adiante. O filho, que agora estava afundando emseus piores pensamentos, outrora estava empolgadíssimoem trabalhar na empresa do pai e continuar com osprojetos da banda Atlanta. Ele não precisava se esforçarmuito para ter uma vida que daria inveja a qualquerpessoa. Afinal, tinha uma família incrível, ótimos amigos euma linda namorada. Sim! Seu nome era Rachel Sawyer. Uma garota deparar o transito, com olhos negros e cabelos castanhosondulados muito bem cuidados que cintilavam como a luzdo sol. Sua pele era branca como a neve e tinha estaturabaixa, o que fazia transparecer sua feminilidade. ComoBrandon gostava de dizer, ela era “a garota dos sonhos”. Equem o visse com Rachel por pelo menos meio minuto,conseguiria jurar que os dois eram feitos um para o outro,
  6. 6. que iriam se casar e envelhecer juntos até que os doisdeixassem para sempre as meias de tricô e os programascaseiros. O casal se conheceu quando os dois tinham apenasdezesseis anos de idade. Após a mãe de Rachel falecer,James Sawyer (pai de Rachel) se mudou com as duas filhaspara Sant Grove. A irmã mais velha, Denise Sawyer, tinhaacabado de se formar na escola e ingressado em medicinana faculdade de Brunis, por isso, apenas a filha mais novaacabou sendo matriculada na escola onde Brandonestudara por toda a sua vida. A percepção afetiva aconteceu de forma mútuaassim que os dois foram colocados na mesma classe. Comouma reação química, os dois se completaram. E por maisque fossem diferentes como água e óleo, os doisconseguiram misturar seus corações rapidamente.Ninguém poderia negar que eles eram o casal maisadorável de todos. Brandon com seu bom humor imbatívele Rachel com sua tímida e atraente seriedade. Mas diferente da maioria de alguns casais, eles nãose prenderam em uma relação amorosa excludente. Pelocontrário, Brandon e Rachel eram sociais e sempre faziamprogramas com seus amigos. Talvez um bar, uma discotecacom músicas eletrônicas ou um show de rock – onde, namaioria das vezes, a atração principal era a banda Atlanta.De qualquer forma, a cidade de Sant Grove, apesar depequena, sempre apresentava alguma coisa para se fazer,independente do dia. Brandon costumava gostar muito desua rotina, até mesmo quando teve de comparecer àsbreves aulas na faculdade, após terminar o colégio.
  7. 7. Brandon e Rachel tinham os gostos profissionaismuito parecidos, apesar de serem bem diferentes. Mascomo já diz o ditado: “Os opostos se atraem”, Brandon eRachel se atraíram mais uma vez pelo curso de Direito,resolvendo assim, cursar a faculdade local de Brunis, já queos dois não queriam deixar a cidade e ficar longe de seusfamiliares. Sem falar que Denise poderia instruir os dois etornar a vida acadêmica deles muito mais fácil – comorealmente foi. Rachel foi quem se adaptou melhor emrelação às notas, mas isso não tira nenhum mérito deBrandon, pois suas tarefas na empresa de Edward tinhamcomeçado a crescer, até chegar um ponto em que ele nãoconseguiria mais conciliar o trabalho com a faculdade.Optou então, por ficar com seu pai nos negócios da famíliaBrowser. - Brandon – dizia Rachel com seus olhos negrosolhando para baixo. – eu vou entender se você não quiserficar comigo na faculdade. Mas é claro que não era esse o pensamento deBrandon e Rachel sabia disso. Nunca uma coisa dessas iriaacontecer. Rachel era a pessoa certa para Brandon e issotambém era recíproco. Mas ela costumava ter crises de“preciso me inferiorizar para Brandon me supervalorizar” egeralmente, esse era o motivo da maior parte das brigasque ocorriam entre eles, que não eram muitas. Brandon sentiria muita falta disso e de todas asoutras coisas que nunca voltariam. Em todo o caso, o resto do mundo parecia estar seemergindo novamente após a aquela amarga tragédia.Apenas Brandon fazia questão de ficar ali preso, como senão existisse saída. Talvez algumas pessoas o julguem
  8. 8. covarde, talvez outras acreditem em seus reaissentimentos e creiam que não teria como ele se renovar econtinuar com sua antiga vida.
  9. 9. CAPÍTULO 1 O telefone toca naquela manhã com poucaumidade na cidade de Sant Grove. Brandon está deitado na cama de seu quarto, nosegundo andar de sua singela casa localizada na RuaWalter Mountback. Ele abre seus olhos vagarosamente eimagina “por que raios de motivo eu decidi vir morarsozinho?”. Se existe uma coisa que ele realmente odeia, éque alguém interrompa seu sono, principalmente se eleestiver sonhando com algo bom e satisfatório. Mas eletinha plena consciência de que o telefone não iria seratendido sozinho. Levantando-se com seu pijama azul-marinholistrado, Brandon segue dando passos pequenos epreguiçosos até a escrivaninha anexada à parede, comalguns livros, seu notebook e o telefone que agora pareciao objeto mais detestável de toda sua casa. Eramexatamente 09h02, ou seja, muito cedo para Brandonnaquele sábado que aparentava muito ser um domingomonótono. Na noite anterior Brandon e Rachel tinham ido àcasa de Lilian Brooke – melhor amiga de Rachel. Lilian eraalta como um goleiro de futebol, com cabelos loiros e olhosverdes. Ela tinha estudado com Brandon e Rachel nocolégio e sempre apoiou o relacionamento dos dois (comofazia a maioria das pessoas). Agora, Lilian trabalhavacomo modelo em uma agencia local e o motivo de terconvidado os dois para comparecer em sua casa na noitepassada, fora justamente para comemorar uma matériaque o jornal do estado tinha feito com ela.
  10. 10. Incluídos na pequena festa, também estavam Allane David, o que ocasionou em um pequeno concertoacústico da banda Atlanta na residência de Lilian. É óbvioentão, que tal comemoração não terminou antes do inícioda madrugada, muito pelo contrário. Assim, naquela horada manhã, era impossível cogitar quem poderia estarquerendo falar com ele tão cedo. - Alô – Brandon atendeu o telefone com uma vozpreguiçosa, enquanto pensava quando ele finalmentepoderia voltar para sua cama. – quem fala? - Aqui é Johnny Dallas... – falou o indivíduo dooutro lado da linha. Brandon continuou em silêncio, para mostrar queele não fazia a mínima idéia de quem era a pessoa queestava falando, ou melhor, demonstrando seu desconfortopor tê-lo acordado de seu prazeroso sono. - Você é Brandon Browser, certo? – perguntou o talJohnny. - eu estou organizando um show beneficente aquina cidade de Fordville e, bom... – ele tentou achar aspalavras certas em menos de um segundo – gostaria desaber se sua banda poderia tocar – completou o indivíduo,fazendo com que Brandon agilizasse seu raciocíniopreguiçoso. - Cara... eu preciso falar com o pessoal da banda. –disse Brandon. E é lógico que ele precisava. A banda Atlanta tinhaessa regra entre os integrantes: nada será confirmado antesde total aceitação entre todos. Brandon não poderiasimplesmente aceitar qualquer convite que chegasse,mesmo que ele fosse um grande fã de eventos beneficentes.
  11. 11. - Certamente! – Johnny respondeu a Brandon,passando seu número de contato e mais algumasinformações que poderiam ser necessárias. – Mas assimque você tiver uma resposta, me ligue para acertarmostodos os detalhes. Brandon concordou. A banda Atlanta já estava há um mês sem fazershows, então Brandon acreditou que David e Allanconcordariam com tal proposta, contanto que houvessecachê suficiente para a gasolina e estadia dos integrantes,já que o concerto seria realizado numa cidade a poucomenos de duas horas de distância de Sant Grove. Masagora não era hora de pensar em todos esses fatores. Sedesligando de todas as hipóteses de “o que será que elesvão dizer?”, Brandon voltou para sua cama e tentou dormirnovamente. Duas horas depois ele já se levantara para um novodia de sua vida. Ainda com seu pijama predileto, desceu até apequena cozinha que ainda estava sendo decorada por suamãe Hilary. Ele apenas queria um espaço simples para tersuas refeições. Mas Hilary – como a maioria das mulheresque não trabalham fora de casa – é viciada em todos osutensílios para decoração e dedica a maior parte do seu diaprocurando o que poderia deixar a casa de seu filhoimpecável. Hilary Browser é uma mulher de cinqüenta etrês anos de idade, tem a pele branca, cabelos castanhos,olhos verdes e uma altura normal para uma mulher. Não éuma mulher de meia idade que chamaria sua atenção narua, mas seus cuidados e sua atenção com as pessoas sãobastante notáveis. Ela simplesmente gosta de deixar tudo
  12. 12. em sua melhor forma possível e uma dessas coisas era amoradia que Brandon tinha acabado de conquistar. Brandon sabia que em poucas horas, sua mãechegaria à sua casa com seu pai Edward a fim de fazer umcafé da tarde com algumas rosquinhas compradas na lojade conveniência do posto de gasolina ao lado de sua casa.Sendo assim, ele sabia que tinha de tomar seu cerealmatinal com leite e informar seus parceiros de banda sobrea possibilidade de um show, antes que Hilary chegassecom sua obsessão de reunião familiar que aconteciamtodos os sábados e domingos. Brandon abriu a geladeira e procurou, como umanimal faminto, alguma fruta que pudesse estar escondidaentre a salada do dia anterior, dois refrigerantes quetomavam conta da maior parte superior da geladeira emais algumas coisas essenciais na sua vida, como queijo,presunto e mais produtos que não são recomendados casovocê esteja querendo emagrecer. Mas Brandon já eramagro o suficiente e, mesmo se quisesse, nuncaconseguiria ficar de dieta, já que ele adorava comer. Porém,dessa vez, ele teria de conter sua gula, pois não havianenhuma fruta deixada ao acaso para acompanhar seucereal com leite – e isso realmente o deixou irritado. Após terminar a sua modesta refeição, subiu asescadas de corrimões largos de madeira e se dirigiu aobanheiro. Outra mania de Brandon, ou melhor, outra partede sua rotina diária, era tomar banho após seu café-da-manhã. Ele simplesmente não conseguia evitar ficar sesentindo sujo após uma boa noite de sono. Era como se seucorpo clamasse pelo toque de água gelada. Mas ele já tinhaplanejado que, assim que terminasse, iria ligar para Allan e
  13. 13. David e falar sobre a possibilidade de um show da bandaAtlanta. * Tudo já tinha entrado nos conformes e ficado dojeito que Brandon desejara. Ele voltou ao telefone quehoras atrás o tinha impedido de dormir mais um pouco ediscou pausadamente o celular de Allan Green. Brandon havia conhecido Allan quando era apenasum garotinho de sete anos. Os dois eram vizinhos ecostumavam jogar baseball com outros garotos do bairrona rua onde moravam. Quatro anos depois, Allan semudaria para outra rua que ficava mais de vinte minutosde caminhada de onde os dois se conheceram. É lógico queisso não foi capaz de separar os dois rapazes que eram fiéisaos esportes de rua e às corridas de kart que aconteciamtodas as quintas-feiras de noite. Sem mencionar que osdois não se desgrudavam durante toda a semana. Allan Green parece um soldado que está prestes air para a guerra. Ele tem cabelos raspados e olhos verdes, éalto (mas não tanto quanto Lilian) e tem uma pequenacicatriz logo abaixo de seu olho esquerdo. Allan também éum ano mais velho do que Brandon, o que talvez tenhacriado certa influência sobre o melhor amigo. Quando Allan comprou seu primeiro cd do rock,mais precisamente o álbum In Utero da banda Nirvana,Brandon chegou com o mesmo cd poucos dias depois. Éclaro que ocorreu uma pequena discussão sobre quemgostava mais de Nirvana, mas esta foi uma disputa em quenão houve vencedor ou perdedor. Os dois ficaram
  14. 14. admirados com a qualidade musical daquela banda,mesmo contendo uma diferença muito pequena de acordese melodias nas canções que eram compostas por KurtCobain. Eles sabiam que aquela banda era especial. Odesejo por música de Allan e Brandon começou a nascer apartir daí. Eles sabiam que precisavam montar uma banda. No mesmo natal daquele ano, Brandon ganhou umaguitarra Fender de seu pai Edward e começou a praticartodos os dias. Allan também já havia comprado seucontrabaixo com o dinheiro que havia guardado damesada e então, em um curto espaço de tempo, os doiscomeçaram a tocar juntos suas músicas prediletas doNirvana e de outras bandas com que eles se identificavam. Era evidente que os dois tinham uma sintoniamuito forte, tanto musicalmente quanto em questões deamizade. Mas logicamente, era impossível formar umabanda com apenas dois integrantes – pelo menosimpossível com apenas uma guitarra e um contrabaixo. Osdois sabiam que era necessário pelo menos mais umapessoa. - Cara – Allan falava freqüentemente. – como nósvamos arranjar um baterista para nossa banda? Era como se Allan perguntasse para uma parede.Pois Brandon não fazia a mínima idéia. Nem mesmoconhecia alguém que tinha os mesmos interesses musicaisque eles. Não bastava simplesmente eles chegarem paraqualquer ser humano e perguntar “Ei, você quer tocarbateria em nossa banda?”. Precisavam ter calma, tudoaconteceria em seu devido tempo. O tempo é uma coisa engraçada... uma horaBrandon e Allan se preocupavam excessivamente em ter
  15. 15. um baterista para acompanhá-los, agora que o tinham,estavam afastados dos palcos. Entretanto, Brandon sabiaque essa situação poderia se inverter – ele esperoueuforicamente o telefone tocando. - Alô! – atendeu Allan naquele momento. - Ainda bem que você atendeu essa porcaria. –falou Brandon com certa impaciência. – achei que você iriame deixar plantado aqui o dia inteiro esperando vocêatender. - Brandon, o que você quer? – perguntou ele deuma forma mais impaciente do que Brandon perguntarasegundos antes. – eu estou almoçando com uma fã... eparece que depois daqui vamos para o Lugar Proibido. –sussurrou ele ao telefone, maliciosamente. O Lugar Proibido – como apenas Allan gostava dechamar – era um tipo de “ninho do amor” que o mesmousava para levar suas fãs. Não que a banda Atlanta tivesseum número grande de groupies, mas Allan fazia questão dese relacionar afetivamente com qualquer garota quedemonstrasse o mínimo de interesse sobre ele. - Então fale para essa nossa fã que a banda Atlantavai tocar em Fordville! – falou Brandon, exagerando emsua carga de confiança. Sem entender direito o que Brandon havia falado,Allan o questionou sobre tal afirmação. - É isso aí – continuou Brandon. – um tal de JohnnyDallas me ligou hoje falando sobre um show beneficente...e acredito que ele vai pagar todas as despesas comgasolina, estadia, você sabe... não vamos precisar de nospreocupar com nada.
  16. 16. É lógico que ainda tinham de perguntar a David seseria possível a banda se apresentar no dia do evento.Allan e Brandon não precisavam de mais nada além de unsinstrumentos afinados para se divertir e, é lógico, queAllan aceitaria a proposta assim que a ouvisse. David, poroutro lado, era o integrante que mais apresentavaproblemas em termos de horários disponíveis para ensaiose shows que a banda poderia fazer. Ele estava cursandoMedicina – assim como Denise – e sempre tinha deestudar ou fazer alguma pesquisa para não tirar notasbaixas. Brandon e Allan não se importavam com aausteridade de David nos estudos, aliás, nenhum dos trêstinha a verdadeira intenção de levar a banda como umaverdadeira profissão. Então, sempre apoiavam as decisõesque qualquer integrante da banda tomava. Sem mencionarque David era um ótimo baterista e dava um pesodescomunal nas músicas da banda Atlanta – mesmo sendouma pessoa pequena e magra de cabelos penteados para olado. Allan até tinha inventado um apelido para David quenão teve sucesso entre a turma, mas de vez em quando,ainda fazia questão de chamá-lo de Robin, pois ele pareciamuito com o coadjuvante do Batman. - Você sabe que nem precisava ter me perguntado –Allan explicou. – pois eu topo... vamos arrebentar! - Ótimo! - E pode deixar que eu falo com o garoto prodígio.– disse Allan com seu humor barato. Os dois desligaram e Brandon ficou pensando queAllan, naquela circunstância, começaria a se gabar para agarota com quem ele estava, falando sobre seu show emoutra cidade. Não que isso significasse algo importante,
  17. 17. mas Allan sempre enfatizava os acontecimentos para queas garotas pudessem pensar que ele era um músico que jáhavia tocado pelos quatro cantos do país. Minutos depois David ligou para Brandon. Os doistiveram uma breve conversa sobre o show e David disseque estava tudo certo para a apresentação da bandaAtlanta, se eles não tivessem de dormir em um banco deuma praça qualquer em Fordville, é claro. Brandon estava empolgado, como já era de seesperar. Ele estava sentindo saudades de ficar sobholofotes e fumaças de palco que ofuscassem sua visãosobre a platéia contagiante. Era uma ótima sensação parauma pessoa que ama adrenalina – e Brandon a amava.
  18. 18. CAPÍTULO 2 Tudo já estava devidamente organizado para oshow. Além da banda Atlanta, aconteceria o show de maisduas bandas – que por sinal, já tinham dividido o palcocom Brandon, Allan e David em alguns shows locais –exposições de arte espalhadas pelo local do evento egrupos de dança e teatro fazendo suas apresentações. Oevento beneficente que lutava pelo combate à fome nossubúrbios aconteceria no final de semana inteiro,começando no final de tarde de uma sexta-feira eterminando apenas na noite do domingo. A banda Atlantatocaria no sábado, depois da apresentação de um grupoteatral, tendo entrada gratuita para os integrantes dabanda e seus convidados, em todos os dias do evento. Então, por que não convidar Rachel? – Brandon seperguntou. Aliás, eles poderiam aproveitar um final desemana diferente em Fordville, o que poderia ser bemdivertido e romântico. A única viagem que Brandon havia feito comRachel, tinha sido há dois anos quando Edward teve decomparecer a uma palestra em uma pequena cidade aolado de Nova Iorque para falar sobre empresas emergentes.Aproveitando a oportunidade, a família Browser nãohesitou em comprar passagens de avião para Rachel, queera considerada uma filha mais nova para Edward e Hilary.Era uma ótima programação, já que levaria poucosminutos de táxi do lugar da palestra até o centro da cidadeque não dorme. Era um pedido irrecusável para Rachel euma oportunidade incrível para Brandon. Aliás, elepoderia aproveitar a viagem para conhecer lugares novos
  19. 19. ao lado da pessoa que mais importava em sua vida. E,quem sabe, isso poderia acontecer novamente agora, nacidade de Fordville. É lógico que não há como fazer comparações entrea gigantesca Nova Iorque e a pequena e humilde Fordville.Mas, para quem está querendo aproveitar a companhia daamada, o lugar não importa – desde que tenha um ótimorestaurante à luz de velas para o casal fazer juras eternasde amor. Mas o convite à Rachel teria de esperar. PoisEdward e Hilary tinham acabado de chegar para o chá datarde na casa de Brandon. Hilary estava carregando umasacola com pequenas luminárias e Edward segurava comas duas mãos um enorme bolo de cenoura que sua esposahavia feito na noite passada. - Já preparou o café? – perguntou Edward com seubom humor, quando fora atendido. - Boa tarde para vocês também. – disse Brandon. Após beijar e cumprimentar o filho, Hilary foi logoajeitando as almofadas do sofá que ficava na sala, de frentepara a televisão de quarenta polegadas que Brandoncomprara duas semanas antes. A sala ainda estava umpouco vazia. Fora a TV e o sofá, havia apenas uma pequenamesa que comportava apenas quatro pessoas e suasrespectivas refeições. - Quando você vai pintar essa parede? – perguntouHilary, perdendo seu olhar ao redor da residência. - Começou... – Edward disse, debochando da boavontade de sua mulher. A campainha tocou antes que Hilary pudesseintervir e retrucar o humor de seu marido falastrão.
  20. 20. Brandon foi atender quem quer que fosse. - Olá família! – disse Rachel ao entrar pela portaprincipal com um sorriso radiante. - Olha quem apareceu para o chá da tarde... –Hilary disse entusiasmada, colocando os pratos e talheresna mesa, enquanto Edward ligava a televisão no jogo debaseball. Rachel cumprimentou com um abraço afetivotodos os que estavam presentes na casa de Brandon,depois ajudou Hilary a preparar a mesa, como ela semprefazia. - Eu achei que você iria ao cabeleireiro hoje detarde. – falou Brandon enquanto fixava seu olhar no belorosto de Rachel. - Cancelei o horário – Rachel falou, dobrando osguardanapos de pano. – Não estava com vontade de ficarno salão durante horas... acordei mal humorada. Brandon engoliu seco. Ele sabia que quando Rachelnão estava de bom humor, sua vida se tornava um inferno,no bom sentido. Sua namorada simplesmente ficava semdisposição para fazer as coisas, o que fez Brandon repensarse seria uma boa hora de comunicá-la sobre uma possívelviagem a Fordville. Mas desobedeceu a seus pensamentosprofundos e seguiu em frente mesmo assim. - Eu tenho uma coisa bem legal para falar... e quetalvez possa melhorar o seu ânimo – Brandon dissepausadamente, esboçando um sorriso torto. – fomosconvidados a tocar em Fordville em um eventobeneficente.
  21. 21. - Então quer dizer que vocês vão voltar a fazershows? – Edward perguntou no mesmo momento em queo time Seattle Mariners fez um home run. A maioria dos empresários com certeza não ficariacontente se um de seus empregados faltasse no trabalho.Mas Edward era bastante temperamental e tambémacreditava que o talento do filho como musico deveria sermostrado, principalmente se fosse por uma causa queajudaria os necessitados, como ocorreria no show deFordville. Sem mencionar que o trabalho de Brandon naempresa de automóveis não era algo que deveria serresolvido com urgência, muito pelo contrário, ele poderiaficar uma semana sem comparecer no estabelecimentocomercial, porém, teria que arcar com sua funçãoacumulativa quando voltasse. E para confortar mais suamente, o concerto seria no sábado, então, nada depreocupações. - Vamos! – disse Brandon. - O que você acha de... - Ir junto comigo? – Brandon interrompeuenquanto Rachel ainda elaborava sua frase. Edward e Hilary se entreolharam e sorriram. Elessimplesmente adoravam ver seu filho cego de tanto amor.Era como se eles conseguissem enxergar a si próprios notempo de adolescentes. - Bom... eu terei que falar com James – completouRachel – mas acho que não terá problema, meu amor. James Sawyer era um homem de cinqüenta equatro anos de idade, com cabelos curtos cacheados e umvolumoso bigode, fazendo-o parecer um homem austero erancoroso, na maior parte do tempo. Mas ele tinha uma
  22. 22. boa relação com Brandon, pois sabia que aquele garoto erao melhor para a sua filha Rachel. Depois que sua esposaAngelina faleceu por causa do câncer, James teve otrabalho duplo de criar as filhas como pai e mãe,conciliando ao mesmo tempo seu trabalho natransportadora de madeira. Ele era muito apegado aDenise e Rachel, pois era a única família que lhe haviarestado e as pessoas que ele mais amava. Mas de certaforma, também era uma pessoa com pensamentos liberais(quando sabia que Rachel estava sob os cuidados deBrandon). - Acho que seu pai não terá problemas com isso. –Brandon disse exaltando sua felicidade. - É... acho que não – Rachel continuou. – Mas dequalquer forma, vou perguntar e te aviso. Tudo bem meulindo mais lindo de todos? – Rachel disse em uma vozidiota, mas completamente normal para pessoasapaixonadas. Brandon abriu um enorme sorriso, assentindo coma cabeça. - Venham comer! – exclamou Hilary posta a mesa,interrompendo os olhares apaixonados de Brandon eRachel. Todos se levantaram, sentaram à mesa, colocaramcafé na xícara e degustaram um delicioso pedaço de bolode cenoura com cobertura de chocolate. Quando terminaram, Brandon levou Rachel parasua casa em seu Jipe preto. Ele entrou para mandarsaudações a Denise e James. Depois de completar tudo oque queria fazer, tomou um copo d’água e foi embora para
  23. 23. sua casa. Ele ainda tinha de decidir os detalhes do show etreinar um pouco em sua guitarra Fender. A alegria de Brandon era contagiante. * Já estava tudo agendado. Rachel iria com Brandonpara Fordville e Allan iria de carona no carro de David.Johnny Dallas arranjou um pequeno hotel para osintegrantes da banda passarem as noites no final desemana em que eles se apresentariam. Importunado comtal proposta, Brandon achou melhor ficar no Hotel DelMare, para ter dias mais agradáveis com sua namoradaRachel Sawyer. É lógico que ele apenas não ligou para o local eagendou sua estadia sem saber todas as procedências.Brandon era um cara esperto. Checou minuciosamentetodos os detalhes do hotel pela internet. E soube então,que seria o local perfeito para passar o fim de semana comRachel. Allan e David certamente não se importaram coma decisão de Brandon. Como poderiam? Só assim, sobrariamais espaço e conforto para os não menos importantes dabanda. Sem falar que seria o “casado da banda” – como elesgostavam de chamá-lo – que estaria fora, então elespoderiam muito bem fazer uma festa íntima com qualquergarota liberal que eles pudessem encontrar no show. - Acho que você nunca deu uma notícia tão boapara nós durante seus vinte e um anos de vida. – disseAllan com a felicidade esboçada em seu rosto, enquantoconversava com Brandon. - Eu sei que vocês irão sentir minha falta.
  24. 24. - Nós não vamos. – completou David firmemente. E com certeza não iriam mesmo, exceto é claro, seBrandon faltasse no show da banda em Fordville. Mesmocom o peso da batida de David e a imagem de cara barrapesada de Allan, não há como negar que Brandon era omais notável e o mais querido pelas garotas (mesmo queelas nunca fossem ter uma chance com o ele). O evento beneficente em Fordville aconteceria nasemana seguinte. Sendo assim, os integrantes da Atlantaresolveram adiar a gravação de sua nova canção, para queeles pudessem ensaiar e fazer o melhor concerto possível.Os ensaios da banda raramente demoravam mais de umahora. E como aconteciam nos dias de semana, osintegrantes tinham de ajustar seus respectivos horáriospara poder ensaiar nos intervalos entre trabalho, faculdadee outras funções que cada um possuia. A família de David tinha um galpão que outrora erausado como loja de flores. Mas a pessoa que costumavaalugar o recinto tinha se mudado para uma cidade fora doestado. Então, enquanto os pais de David não arranjavammais uma pessoa para alugar o galpão, a banda Atlanta outilizava para seus “ensaios” – se é que pode se chamarassim, já que geralmente tinha mais de cinco pessoasassistindo. Rachel sempre ia com Lilian (que era alvo dascantadas sem sucesso de Allan) e sempre havia algunsamigos ou amigas de Allan e David. Era como um pequenoshow privado. Em contrapartida, naquele primeiro ensaio para oshow em Fordville, somente os integrantes da bandaparticiparam. Eles queriam fazer uma surpresa para todosos espectadores, pois tocariam uma música inédita, que
  25. 25. acreditavam ser uma das melhores que eles já haviamcriado até então. Brandon escrevera essa música e usaraRachel Sawyer como sua musa inspiradora. Era umacanção muito bonita de fato, que começava com acordeslentos ao som do violão, mas que ganhava forçagradativamente até chegar no estribilho do refrão com avoz de Brandon dando uma emoção muito verdadeira.“Essa música vai fazer as pessoas lacrimejarem” – brincavaBrandon com seus companheiros de banda. Mas talvezessa brincadeira tinha um fundo de verdade que Brandonjamais poderia imaginar. Eles repetiram aquela música dedicada a Rachelnaquele fim de tarde de segunda feira por pelo menosumas cinco vezes. A banda queria deixar tudomilimetricamente perfeito, para que ela saísse da melhorforma no concerto. Aquele seria o dia em que Brandonapresentaria essa música a todos, mas em especial, a umapessoa: Rachel Sawyer. Porém, além de tudo, a música nãoseria entregue sozinha, junto viria algo muito maisimportante – um anel de ouro para toda a vida. Ninguém (além de Edward e Hilary) sabia queBrandon tinha um segundo plano para aquela noite. Poisse soubessem, o ouvido de Brandon entraria em chamaspor causa de tantos “você vai se arrepender” que eleescutaria. É claro que ele estava nervoso com toda essasituação, mas Brandon estava certo – ele queria que Rachelcarregasse o sobrenome Browser junto dela. Os dois aindaeram novos, mas já tinham uma opinião formada sobrefamília e casamento. Sem mencionar que Brandon já estavacrescendo nos negócios com seu pai e já tinha até suaprópria casa. Bastava agora, uma companheira para dividir
  26. 26. sua vida. E ele já sabia: Rachel era a pessoa certa para elese casar e passar o resto da vida.
  27. 27. CAPÍTULO 3 A casa onde Rachel, Denise e James Sawyermoravam era muito bonita em relação às casas vizinhas.Do lado de fora da casa, um grande quintal vivo repleto deflores e plantas chamava a atenção de qualquer criançacuriosa que passasse por lá. Por dentro, três andaresconstruídos pelo dinheiro da transportadora de Jamesmostravam a qualidade de vida que era possível tertrabalhando nesse ramo em Sant Grove. O segundo eterceiro andares davam espaço para quartos, banheiros eum escritório que James usava para pesquisar oandamento de seus negócios, o fluxo mercantil de madeirae qualquer outro assunto de sua preferência. No primeiroandar, havia uma sala que continha uma televisão, umamesa de mármore com alguns detalhes esculpidos e aolado, um enorme sofá capaz de suportar cerca de seispessoas, sem mencionar os quadros com paisagens delugares, fictícios ou não, que James adorava. A cozinha,que ficava logo ao lado, era de certa forma exagerada parauma família de três pessoas, que raramente eramconsumidas pela gula, exceto é claro, quando Brandonficava para o almoço, já que ele adorava o toque especialque James Sawyer punha nos alimentos. O pai de Rachelera um ótimo chefe de cozinha e sempre fazia questão decozinhar para os convidados. Mas naquele dia em especial, Brandon não estavaindo à casa da família Sawyer para provar uma novareceita de James. Era para algo muito superior a isso:Brandon queria saber se James aprovaria que sua filha se
  28. 28. tornasse esposa de uma pessoa que estaria sempre ao seulado, nas horas boas e nas ruins. Brandon estacionou seu Jipe ao lado da caixa decorreio da família. Seu coração estava batendo tão rápido etão forte que por um breve momento achou que iria sair doseu peito e pular através de sua boca. Ele estava tremendo,pois sabia que, por mais que James confiasse plenamentenele, seria difícil ele abrir mão de sua filha mais nova. Masessa era a verdadeira vontade de Brandon. Ele já tinhaplanejado tudo nos mínimos detalhes - naquela hora dodia, Rachel e Denise tinham saído para fazer compras noshopping que ficava no meio da estrada, a dez minutos deSant Grove (como elas haviam informado que fariam).Então, só seria Brandon e James, como um duelo do VelhoOeste. A campainha tocou. James abriu a porta. - Oi Brandon – disse James ao vê-lo parado naentrada de sua casa. – As meninas foram para o GoldenMarket. - Eu sei, mas o que eu queria mesmo era falar com osenhor. – ele disse passando a mão em seus cabelos. James abaixou sua sobrancelha pensando o queaquele garoto gostaria de dizer a ele. Mas todas aspequenas possibilidades que passaram por sua cabeçaseriam jogadas fora por completo após a grande surpresaque estaria por vir. - Lógico filho – respondeu James. – entre, por favor. Brandon entrou e se sentou no sofá de frente para atelevisão que estava ligada, passando as notícias regionaisdo dia.
  29. 29. - Você parece nervoso. – continuou James semnotar que a preocupação de Brandon era muito maior doque ele poderia imaginar. Brandon assentiu com a cabeça olhando paraaquele homem que agora parecia intimidá-lo. E de fatoestava. Parecia muito mais fácil tocar guitarra e cantar daforma mais sincera possível para milhares de pessoas doque enfrentar um único homem de meia idade com olhosfortes e chamativos. - Para falar a verdade... eu estou bem nervoso. –disse Brandon desviando seu olhar. James não falou nada. Apenas foi até a cozinha etrouxe uma jarra com suco de laranja que acabara de fazere dois copos de vidro. Parecia estar calmo, mas seuspensamentos explodiam em pedidos e desejos para Deus.Ele não queria escutar algo como “Rachel está grávida”. - O que houve? – perguntou a Brandon, após sesentar no sofá e tomar um gole de seu suco. Por alguns segundos, o homem que deveria falarsobre a futura proposta de casamento, virou um garotoindefeso que tremulava todas as partes de seu corpo. Masele sabia que não poderia ficar ali imóvel sem fazer o quetinha de fazer, então respirou fundo e deixou as palavrassaírem de sua boca, levando-as como o vento faz com asfolhas secas de outono. - Senhor Sawyer – falou Brandon. – eu gostaria deter a permissão para pedir sua filha, Rachel Sawyer, emcasamento. Instantaneamente, James começou a rir, como seaquilo fosse uma piada contada por um palhaço de circo.Porém, seu sorriso foi cessando gradativamente até ele se
  30. 30. tornar uma pessoa completamente séria. James agora sabiade que Brandon tinha sido sincero em cada palavra. - Ma... – sua voz vacilou repentinamente. – mas...casamento? – ele perguntou num tom de voz desesperado,sem acreditar no que seus ouvidos tinham escutado. - Senhor... eu tenho certeza de que sua filha é apessoa certa para mim. James balançou a cabeça. Esse movimento seriarepetido também por todos seus amigos e colegas casoBrandon contasse que estava pensando em se casar. Nãoque achassem que ele e Rachel não formassem um belocasal (pois isso seria idiotice), mas por achar que a vidaainda guardava muitas surpresas para pessoas tão jovenscomo eles. - Eu não tenho dúvidas disso Brandon – falouJames. – mas não acha que você e Rachel são muito jovenspara se casar? - Talvez sim, talvez não... acho que o amor não temidade certa – Brandon respondeu. – porém, eu sei o que écerto. É o meu amor pela sua filha... eu quero passar aminha vida inteira ao lado dela e sei que estou fazendo acoisa certa. Ele agora estava confiante. Por mais que Jamesachasse que aquilo não era o correto a se fazer, Brandonnão desistiria mesmo que fosse proibido e James tinhapercebido essa ambição naquele garoto. - Brandon... você acha que eu gostei disso? Não! Eunão gostei – James falou com um olhar firme. – Mas sevocê quer a minha permissão, você terá. Brandon sorriu sutilmente. Deu um gole em seusuco e apertou firmemente a mão de James.
  31. 31. - Eu não vou te desapontar, senhor. - Eu sei que não vai. – James falou sorrindo. Elesabia que Brandon era uma pessoa de boa família e quenunca decepcionaria sua filha. Agora ele já poderia ir embora. Parte de sua missãojá estava completa. Mas o mais difícil ainda estava por vir. O pedido. Imagens passavam correndo como um trem balapela sua cabeça, pensando como seria o futuro dali prafrente – ele vivendo junto com a pessoa que transformavasua vida em um jardim de rosas, dormindo ao lado delatodos os dias e quem sabe, em alguns anos, construir umabela família. Edward e Hilary o esperavam na frente de sua casacomo se fossem duas crianças aguardando pelo presentede Natal. Eles sabiam que Brandon iria falar com James equeriam, mais do que nunca, saber se o filho deles iria setornar um homem por completo. Seria um passo enormeem sua vida e na vida de sua futura esposa. Pois não seriaapenas felicidade que os dois teriam de enfrentar. Iriam tertempos difíceis, responsabilidades e todos os outrosfatores que o casamento traz. Mas os pais de Brandonsabiam que seu filho estava preparado para enfrentarqualquer coisa, desde que fosse do lado de Rachel Sawyer. - E então... o que ele disse? – perguntou Hilaryenquanto Brandon ainda saia de seu Jipe. - Vocês não acham que são muito ansiosos? – eleperguntou para seus pais. - Fale logo – Edward disse. – eu sei que James ficoufeliz com o que você pediu.
  32. 32. - Bom... feliz ele não ficou – disse Brandon,fingindo uma cara entristecida, deixando seus pais aflitos.– mas ele falou que me dá total permissão de casar comRachel. Hilary e Edward fizeram um “aaaaaahhhhh” paraexpressar a felicidade que eles estavam sentindo e oabraçaram no mesmo instante. Os dois já tinham alertadoque não seria fácil abdicar de toda a sua juventude, masque ele teria sempre o apoio e suporte de seus pais emqualquer hora que precisasse. - Acho que isso pede por uma comemoração. –Hilary falou alegremente. - Calma mãe! – pediu Brandon – Rachel ainda nemaceitou o meu pedido de casamento... ela nem sabe nadasobre isso ainda. Mas o pedido não demoraria pra acontecer. Empoucos dias, o evento beneficente de Fordville teria nopalco muito mais do que uma banda de rockmoderadamente agressiva. Teria um compositor e músicoapaixonado que estava pronto para conceder seu coraçãopara sempre. Brandon não conseguia parar de pensar nareação de Rachel quando soubesse, diante de toda aquelamultidão. Ela era uma garota tímida na maior parte dotempo e, aceitar um pedido de casamento na frente demuitas pessoas, não seria uma tarefa fácil. Logo após a notícia, enquanto Brandon aindaradiava sua felicidade, Edward e Hilary entraram em suacasa e por ali, permaneceram por três horas. Edward ficouassistindo seu canal de esporte predileto e Hilary limpavae arrumava a casa obsessivamente. Os dois só saíram de láquando Rachel ligou avisando que passaria para os dois
  33. 33. assistirem um filme que ela havia alugado na locadoraperto de sua casa, enquanto ela e sua irmã voltavam doshopping. Hilary e Edward sabiam que ele não iria pedir amão dela naquele momento. Eles tinham certeza de queBrandon prepararia algo muito romântico para tal ato, masapenas queriam deixar os dois a sós aproveitando acompanhia dos mesmos. - Até mais filho. – Edward disse depois de beijar asbochechas rosadas de Brandon. - Qualquer coisa, apareça lá em casa com Rachelpara comerem alguma coisa. – Hilary completou. - Tudo bem – respondeu Brandon – eu ligo. Os dois saíram com o carro conversível de Edwarde desapareceram virando na rua mais próxima que cruzavacom a Rua Walter Mountback. Poucos minutos depois, Rachel foi entregue porsua irmã Denise na porta da casa de Brandon. Ele atendeua sua namorada e olhou fixamente em seus olhos negros,mostrando um sorriso que esboçava sua verdadeirafelicidade. - Oi amor. – Rachel o cumprimentou depois de darum beijo em sua boca. Os dois entraram e se posicionaram no sofá paraver o filme que Rachel tinha alugado. Mas Brandon sabiaque não iria conseguir pensar, nem prestar atenção nofilme, já que existia algo muito mais importante ao seulado. Ele apenas iria se fissurar com a companhia de suaamada e ficar deslumbrado pelo fato dele se apaixonartodos os dias de sua vida pela mesma garota. - O que foi? – perguntou Rachel. – você parece maisfeliz.
  34. 34. - Estou normal. – ele respondeu, tentando omitir oque realmente estava passando em sua imaginação. Os dois se levantaram. Enquanto Rachel colocava ofilme no aparelho de DVD, Brandon subia as escadas desua casa até o seu quarto para pegar seu cobertorpreferido, que tinha uma capacidade surreal de esquentaro casal apaixonado. Os dois começaram a assistir o filme enquantoainda estavam cobertos até seus pescoços. Era um filme desuspense que tinha passado no cinema havia pouco tempoe acabara de sair nas locadoras. Não era um filme muitointeressante, o que fez Brandon pensar que não se faziammais filmes de suspense como antigamente. Poucosminutos depois, ele já estava com os olhos fechados,deitado no colo de sua namorada pensando “esse é omelhor filme do mundo”.
  35. 35. CAPÍTULO 4 Após terminar todos os deveres que tinha de fazerna loja de automóveis de Edward naquela quinta feita,Brandon foi até a padaria mais próxima para compraralguma coisa que o alimentasse. Ele estava se sentindofaminto, pois tinha comido apenas um pedaço de peixe eum pouco de salada no seu almoço. Com seu estomagoroncando, comprou a maior baguete com recheio decalabresa que estava à mostra. Ele foi dirigindo até suacasa se deliciando com a casca crocante e a calabresa queparecia derreter na sua boca, mas também estavapensando quais as roupas que ele levaria para o show deFordville. Em poucos minutos, a baguete de calabresa já nãoexistia mais, diferente da dúvida que ainda permanecia emsua cabeça. De fato, ele só conseguiria extinguir aqueleponto de interrogação que navegava em sua mente quandoabrisse seu guarda-roupa. Não que Brandon fosse apegadoem moda, mas o produtor da banda – Nick Geisel – erabastante rigoroso com a imagem que os integrantestransmitiam. Nick tinha cabelos lisos e compridos, olhosazuis e uma barba grande, o que fazia parecer que ele fosseum hippie de Woodstock, desejando ferozmente que cadaintegrante da banda tivesse o seu estereótipo. Allan era orude e malvado da banda, David era o baterista cominfluência nerd e Brandon o galã de novela com cabelojogado para o lado e charme imbatível. Ao chegar em casa, Brandon afinou sua guitarra etocou-a por pelo menos trinta minutos. Era um atoindispensável no meio de sua rotina. Acordes e solos
  36. 36. incandesciam a sua paixão pela música todos os dias.Talvez, se seu pai não tivesse um negócio próprio,Brandon trabalhasse como professor de guitarra e violão,mesmo que em Sant Grove não existisse uma quantidadeconsiderável de pessoas interessadas em aulas musicaispara que ele pudesse fazer dinheiro com isso. De qualquerforma, seu futuro econômico já estava garantido e, porsorte, tal futuro não dependia de sua agilidade comescolhas, pois havia uma ausência notável dessa habilidadeem Brandon. Naquele dia em especial, ele se deparou com umagaveta repleta de camisas de bandas que ele idolatrava eoutras camisas simples com apenas um desenho pequenono peito ou uma estampa qualquer e, mesmo assim,demorou muito para escolher cinco (quantidade suficientepara passar um final de semana em Fordville). Brandonteve de ligar para Rachel para saber qual camisa ficaria boapara tocar naquele evento. Ela simplesmente falou que eledeveria levar em sua mochila as cinco últimas que ela tinhadado de presente a ele, ou seja, duas camisas de marca deskate, uma com o desenho de uma guitarra localizada aolado esquerdo de sua barriga, uma camisa do The Beatles eoutra do The Doors. Ele realmente tinha adorado todosesses presentes e não pensou duas vezes em levá-las, poissabia que Rachel era uma ótima estilista. Em relação àssuas calças boca de sino, a tarefa tinha sido muito maissimples. Isso porque havia um estoque imenso, mas todaseram muito semelhantes, o que fazia seus amigosbrincarem que seu guarda-roupa era como os queaparecem nos filmes de cientistas malucos, onde todas asroupas são jalecos brancos idênticos.
  37. 37. Ele separou uma meia dúzia de roupas íntimas,meias e dois casacos pretos para levar consigo. E então,sua bagagem para Fordville estava pronta. * Na manhã de sexta feita, Brandon e Rachel jáestavam com as malas dentro do Jipe preto de Brandon.Allan e David iriam juntos no final da noite, quando Davidterminasse todas as suas tarefas da faculdade. O baixista eo baterista da banda Atlanta decidiram, por fim, dormir nocarro de David durante a estadia em Fordville e descartar ohotel que Johnny Dallas tinha arranjado a eles, já que seriacobrada a eles uma pequena taxa pelo serviço de quarto.Por incrível que pareça, os dois estavam considerando issocomo uma das “maiores aventuras de suas vidas”. Brandonjá havia feito isso duas vezes antes, quando a banda tevealguns de seus shows marcados em cidades bem próximasa Sant Grove. Ele sabia que, de aventura, aquilo não tinhanada. Muito pelo contrário, era apenas um convite degraça para uma dor nas costas e torcicolo. Mas dessa vez,Brandon não estava preocupado, ele ficaria muito bem noHotel Del Mare com sua namorada. - Está pronta para a melhor viagem de sua vida? –Brandon perguntou animadamente a ela. - O que? – Rachel retrucou. – então quer dizer quenossa lua de mel não vai superar uma viagem paraFordville? Mal ela sabia, que a Lua de Mel seria muito embreve, caso tudo o que Brandon planejasse seconcretizasse naquele final de semana.
  38. 38. - Amor, nossa Lua de Mel é uma exceção. –Brandon retrucou enquanto olhava para a porta de suacasa, pensando se tinha pegado tudo o que ele precisava. Os dois entraram no carro. Após um beijo e uma troca intensa de olhares,Brandon ligou o carro e partiu em direção a Fordville. Osom do carro tocava uma música de hardcore de algumabanda independente. E mesmo ele sendo um grande fã dasbandas de rock clássicas, ele também apreciava aquilo quepoucas pessoas conheciam. Afinal de contas, sua bandaestava inclusa nesse meio underground. Mas era trabalho deBrandon, David, Allan e inclusive Nick Geisel, levar amensagem que a banda Atlanta passava para o maiornúmero de pessoas possíveis. A estrada até Fordville era bem tranqüila econfortante. Poucos carros passavam por ali naquela horado dia e a maioria dos veículos eram caminhões que faziamtransporte de madeira, de gado, ou qualquer outroproduto economicamente forte naquela região. Tambémera possível avistar placas de atenção com alces, esquilos ecapivaras que poderiam, a qualquer momento, atravessarde um lado para o outro da estrada. Mas parece quenaquele dia, a fauna daquela floresta estava da forma maisharmônica possível, pois Brandon e Rachel não avistaramnenhum animal, exceto é claro, belos pássaros coloridosque voavam intensamente à procura de alimento. Em menos de duas horas, Brandon e Rachel játinham chegado a Fordville. Na entrada da cidade, existiauma grande placa “Bem vindos a Fordville” com o desenhode um crocodilo com óculos de sol fazendo piquenique.Motivo disso, era o fato de que havia uma família de
  39. 39. crocodilos em um lago a menos de um quilômetro dedistância de onde Brandon e Rachel tinham passado. Porincrível que pareça, os locais não se amedrontavam comisso. A maioria das pessoas ia até o local para pescar,tomar um lanche e botar a conversa em dia nos limites dolago. O pai de Brandon já havia falado sobre taiscrocodilos, o que fez despertar a atenção do garoto. Masagora, os dois tinham algo a fazer - achar o Hotel Del Maree instalar suas pequenas bagagens de fim de semana. Um senhor que aparentava ter pouco mais desessenta anos, com cabelos brancos e um volumosobigode, andava tranquilamente com seu cachorro, quandoBrandon parou ao seu lado para pedir algumasinformações. - Com licença – Brandon falou. – o senhor poderiame informa onde é o Hotel Del Mare? – perguntoueducadamente. Aquele senhor olhou diretamente ao jovemdesinformado com uma cara de dúvida, o que fez Brandonpensar que ele não saberia dar tal informação. Então,quando ele já ia agradecer e se despedir, para que assimpudesse abordar uma outra pessoa, o senhor grisalhofalou: - Você tem de seguir por essa rua e no quartocruzamento... hum... – refletiu com seus olhos fechados – éisso aí! – estralou os dedos. – Você tem de virar no quartocruzamento à esquerda. Brandon olhou para Rachel com uma cara de“devemos confiar nesse cara?”, mas ela apenas afirmou coma cabeça. - Obrigado senhor. – o casal agradeceu.
  40. 40. De qualquer forma, eles estavam lá para se divertir,não para se preocupar com hotéis, serviços de quarto e aque horas o café da manhã seria servido. Então o Jipe sedirecionou até onde aquele velho homem tinha avisado. Como Rachel e Brandon já haviam imaginado, ainformação estada errada. Mas de qualquer forma, elesestacionaram o carro e entraram em um restaurantechamado Delicardio, que ficava na rua onde o senhor tinhainformado a suposta localização do Hotel Del Mare. O restaurante estava cheio. Aparentemente, eraonde todas as pessoas que trabalhavam ali por pertoalmoçavam. Isso só fez com que Brandon e Rachel sealegrassem ainda mais, já que a comida (de acordo com ocardápio) não custava caro e parecia ser deliciosa. Os dois demoraram menos de dez minutos parasaber qual prato seria o escolhido. Então, chamaram umagarçonete pouco acima do peso para anotar o que haviamescolhido depois de tanto pensarem. - Boa tarde – a garçonete gorda falou. – jáescolheram? - Sim – Rachel disse sem hesitar. – nós vamosquerer esse filé de frango à parmegiana, por favor. A barriga de Brandon roncou. Provavelmente eleestava pensando naquele frango delicioso que estava vindoao seu caminho, já que tinha comido apenas uma maçãnaquela manhã de sexta feira. - Alguma coisa para beber? – a garçonetecontinuou. Rachel acabou pedindo um suco de laranja eBrandon, uma limonada com duas pedras de gelo ebastante açúcar.
  41. 41. Em menos de quatro minutos os sucos já estavamsendo colocados na mesa redonda pintada de vermelho.Cinco minutos depois a comida era colocada no prato docasal, fazendo com que Brandon não perdesse seu preciosotempo para atacar seu alimento como um leão atrás deuma zebra indefesa. Não demorou muito tempo para os dois saírem dorestaurante, deixando alguns trocados de gorjeta para agarçonete atenciosa. - O que você acha de passar no lago do crocodilo? –perguntou Rachel ao seu namorado. - Pode ser uma boa idéia. – ele aderiu. E realmente era uma ótima idéia. Pelo menos dessavez, não tinha como errarem o caminho. O lago era a maioratração da cidade e havia placas espalhadas por todos oscantos indicando qual direção você deveria tomar casofosse um turista procurando algo em especial na cidade deFordville. Ao chegarem lá, Brandon sacou seu violão e Rachelpegou uma toalha de praia para os dois se sentarem nogramado perto da cerca que os separavam da beira do lago.Uma ponte que cruzava o limite da moradia doscrocodilos era habitada por velhos aposentados quepescavam os peixes que ali passavam tranquilamente. - Esse lugar é bem bonito. – Brandon disse. Rachel assentiu, deitando em seu colo e sorrindopara Brandon com um ar apaixonante. Os dois permaneceram ali por volta de uma hora.Tempo suficiente para Rachel adormecer sob os carinhosde seu namorado, que a via dormir e pensava o quão bomseria quando os dois estivessem ligados pelo matrimônio.
  42. 42. Quando saíram, decidiram ir ao Hotel Del Mare.Aliás, eles pagaram a estadia pelos três dias, então, nadamais justo do que aproveitar a mordomia do local. Um casal de negros estava passando perto deles,quando Rachel decidiu perguntar à mulher se ela sabiaexatamente onde ficava o lugar que eles estavamprocurando. Totalmente atenciosa e prestativa, a mulherpegou uma página de caderno que estava guardada em suabolsa e escreveu o percurso que Brandon e Racheldeveriam fazer. Após agradecer a ajuda, os dois partiram. - Essa mulher é mais exata do que o Google Maps. –brincou Brandon. Rachel deu risada. Brandon apenas olhava-a sorrir. Ele ficavaimpressionado com a beleza e felicidade que sua namoradatransmitia. E para compensá-la, usaria toda sua paixão,assim que chegassem ao Hotel Del Mare. * O hotel era de fato muito bonito. E por fora,superava todos os panfletos e as fotos postadas no websiteda empresa. - Uau! – exclamou Rachel quando Brandonestacionou o carro na entrada do hotel. Imediatamente um chofer veio conduzir o carro atéo estacionamento e outro atendente apareceu para falarcom o casal que permanecia com os olhos brilhando. O hotel tinha uma pequena estátua de um anjo naentrada, com uma cachoeira desembocando em uma fontecom peixes coloridos. O hotel era extenso como o colégio
  43. 43. em que Brandon estudara. Havia uma piscina no centroonde crianças brincavam de voleibol com seus pais emergulhavam até onde conseguiam suportar, semmencionar as duas quadras para a prática de tênis, umapara o basquete, o cassino e um enorme restaurante. - É um hotel tão grande para uma cidade tãopequena como Fordville. – Brandon disse impressionado. Rachel concordou, também impressionada. O custo da suíte que ele tinha escolhido não foibarato, mas julgando pelos serviços que o hotel oferecia,também não tinha sido caro. Ele simplesmente nãopoderia ter feito uma escolha melhor para passar um bomfinal de semana com a pessoa que ama. - Aonde fica nosso quarto? – perguntou Rachel aoassistente, empolgadíssima por dentro. Imediatamente, ele os conduziu até àrecepcionista, que daria todas as informações que elesnecessitavam. Lá, uma mulher alta com cabelos castanhoscacheados falou sobre o horário do café-da-manhã, almoçoe jantar, sem dispensar o horário e as regras do cassino.Por fim, entregou a chave do quarto aos jovens turistas. - O quarto de vocês é o 534. – a recepcionista disse. Agradecidos, Brandon e Rachel pegaram suaspoucas bagagens e subiram pelo elevador principal, quetinha um enorme espelho com detalhes em dourado naborda, até chegar ao quinto andar, onde havia um enormecorredor com vasos e quadros espalhados entre uma suítee outra. O quarto escolhido por Brandon tinha uma camaenorme de casal, duas camas de solteiro, um banheiroexagerado demais para apenas um casal e um frigobar que
  44. 44. ficava debaixo de uma televisão de plasma. Sem mencionaras poltronas, os utensílios distribuídos pelo quarto que erade primeira classe e a varanda que dava uma bela visãopara as montanhas e os campos de Fordville. - Amor – disse Rachel. – Que lugar incrível... você édemais. – disse se jogando aos seus braços. - Eu sei que sou. – ele se gabou. Os dois se beijaram e se jogaram na cama, largandotodos seus pertences no chão. Era final de tarde e os doisestavam apenas aproveitando a companhia um do outro.Juras eternas de amor foram feitas mais uma vez naquelemomento, com algo muito concreto por trás de todas essaspromessas.
  45. 45. CAPÍTULO 5 Na manhã de sábado Brandon acordou uma horadepois do nascer do sol. Ele não estava sentindo umafaísca de sono sequer, já que na noite anterior, ele e Rachelbeberam um vinho no quarto e foram cedo para cama,fazendo apenas uma breve visita ao cassino, ondeapostaram poucos dólares numa mesa de pôquer – lá,jogava um senhor com pouco mais de setenta anos e suafilha. O homem se chamava Jesse Mackenzie, era careca,usava óculos e vestia um terno preto, que o fazia parecercom que fosse um professor de física ou matemática. Suafilha, em contrapartida, era bem apresentável. Ela sechamava Megan, tinha trinta e sete anos, cabelos loiros,olhos verdes, um corpo muito bem cuidado e eraespantosamente linda para uma pessoa que já estava quasechegando aos quarenta anos de idade. Os dois tinham feitoaquela viagem “pai e filha”, pois Megan tinha acabado devoltar do Canadá, onde permanecera por oito anos. O jogocom aquela pequena família tinha sido muito divertido,mesmo com Brandon e Rachel perdendo tudo o quetinham apostado. Mas, como o ditado diz: azar no jogo,sorte no amor. O cassino não era tão exuberante quanto o resto dohotel, mas tinha os jogos mais clássicos como roleta, vinte-e-um e diversas máquinas de caça-níquel. Naquela noite(como em todas as noites de sexta feira) o cassino estavaaberto para qualquer pessoa, desde que tivesse idadesuficiente para entrar. Então, algumas dúzias de pessoas sereuniram naquele local para tentar a sorte.
  46. 46. A primeira noite em Fordville já tinha sidobastante agradável para Brandon e Rachel e isso só faziacom que a vontade do jovem garoto em pedir sua amadaem casamento aumentasse. Mas ele não teria de esperarmais. Seria naquela noite, ao final do show de sua bandaAtlanta. Por falar na banda, David e Allan já deveriam estardormindo no carro em alguma rua pelas bandas deFordville, ou então, haviam cedido às tentações e ido parao pequeno hotel ao lado de onde seria o evento beneficenteque Dallas tinha arranjado. Brandon saiu do Hotel Del Mare para tentarencontrá-los. Rachel decidira ficar dormindo na suíte em queestavam, já que depois de seu namorado, o travesseiro eraseu segundo grande amor. Ela raramente entendia o porque Brandon gostava tanto de sair para caminhar àquelahora da manhã. Simplesmente não fazia sentido alguémtrocar um bom descanso na cama por uma caminhadajunto à natureza. Ao sair do hotel, Brandon percebeu que não estavacarregando seu celular. Ele não queria voltar ao quartopois não queria atrapalhar o sono de Rachel. E, mesmo sevoltasse e ligasse para seus companheiros de banda, nãoseria novidade se Allan e David tornassem Brandon alvo depalavrões pesados. Pois os dois odiavam ser acordados,principalmente antes do meio-dia num sábado. Apenas com sua carteira, decidiu passar em umaloja de conveniência que ficava perto do lago onde oscrocodilos moravam para comer alguma coisa.
  47. 47. O dia estava bonito e o sol mostrava seus raios decalor, fazendo com que as pessoas daquela cidade friaandassem com blusas regatas e bermudas – algo não tãofreqüente até para os moradores de Sant Grove. Brandon Browser estava se sentindo bem, mas paramelhorar o seu humor, apenas um suco de laranjaacompanhado de uma barra de chocolate ao leite. E ele játinha escolhido o que iria consumir na loja quando alguémo chamou: - Olá perdedor! Brandon se virou para saber se estavam mesmofalando com ele. Era Jesse Mackenzie, o senhor simpático que nanoite anterior, ganhara todo o dinheiro apostado porBrandon e sua namorada na mesa de pôquer. - Olá senhor – ele o cumprimentou. – tudo bem? - Comigo está tudo certo – ele respondeu. – masacredito que você está numa péssima situação. Brandon fez uma cara de que não tinha entendidoaquele comentário que Jesse acabara de fazer. - Ora... você está comendo fora, sendo que servem omelhor café-da-manhã da cidade naquele hotel. - Bom – Brandon continuou. – então o senhortambém deve estar em uma péssima situação, já quetambém trocou o “melhor café-da-manhã da cidade”. – eledisse apontando para a pizza que Jesse estava segurandoem sua mão direita. Naquele instante, a porta da loja de conveniênciase abriu. Era Megan Mackenzie. Ela carregava uma garrafade refrigerante sabor citrus e uma bolsa enorme que
  48. 48. poderia ser capaz de suportar todas as coisas que tinham àvenda naquela loja. - Olha só – ela falou olhando Brandon de cima abaixo. – se não é o garoto que perdeu para nós no pôquer. - Muito prazer em vê-la também. – Brandonrespondeu sarcasticamente. Os três riram sutilmente. - Mas como eu iria dizer – Jesse continuou. – eu eminha filha não estamos no hotel. Nós somos de SantGrove, mas temos uma pequena chácara perto dasmontanhas. E você sabe como é... mulheres que acabam dese divorciar precisam ocupar seu tempo fazendo apostasou gastando dinheiro. – ele disse com seu olhar fixado nafilha. - Pai! – ela o recriminou. - Já que vocês são de Sant Grove – Brandoncontinuou, ignorando a vergonha que Megan estavasentindo – que tal ir ao show da banda Atlanta hoje? Elessão lá de Sant Grove também e vão tocar num eventobeneficente hoje à noite, aqui em Fordville. É lógico que Brandon sabia que Jesse era muitovelho para um concerto de rock. De certa forma, Megantambém poderia ser o tipo de mulher que quer apenasrelaxar e que já teve o seu tempo de shows de rock, masnada impediria Brandon de tentar. - Eu estou fora. – disse Jesse, engasgando suarisada. - Espera aí... – Megan falou. – você não é...? - Sim – Brandon afirmou. – sou eu que vou tocarhoje à noite.
  49. 49. Todos ficaram conversando por mais algunsminutos sobre a coincidência de morar na mesma cidade,mesmo que não fosse tanta, já que Sant Grove erarelativamente perto de Fordville. Conversaram tambémsobre a banda de Brandon e sobre a programação noturnade Fordville, que não era muito vasta. E por fim, aconcordância de Megan em comparecer no show da bandano evento beneficente. - Acho que pode ser uma boa idéia... afinal, todos osjogos de cartas foram jogados por pelo menos... umas cemvezes no dia de ontem. – ela falou encarando seu pai. - Você diz como se fosse uma coisa ruim. – Jesserespondeu com sarcasmo. - Sem ressentimentos – pediu Brandon. – eugostaria muito de ficar mais conversando com vocês, maseu realmente tenho que voltar para o hotel, se não a minhanamorada fica louca. Mas nós nos vemos hoje? –perguntou a Megan. - Com certeza – afirmou. – estarei lá. Brandon se despediu dos dois e seguiu de voltapara o hotel, não antes de comprar mais um copo de sucode laranja e derramar um pouco em sua camisa branca. Quando Brandon chegou novamente à suíte ondeestava hospedado, imaginou que Rachel ainda estivessedormindo, pois estava muito silencioso dentro do quarto.Mas quando ele abriu a porta... - Toma isso! – gritou Allan, acertando-o com otravesseiro que ele tinha dormido na noite anterior. Todos deram gargalhadas ao verem o susto queBrandon levou. Ele realmente não esperava que fosse
  50. 50. atacado por um travesseiro ou qualquer outra coisaparecida. - Você demorou – Rachel falou a seu namorado. –aonde você foi? - Eu passei em uma loja de conveniência – disse –eu realmente estava precisando de um suco de laranja euma barra de chocolate. Também encontrei com aquelesenhor e sua filha que jogaram cartas com a gente ontem...lembra? - Ah, então quer dizer que você ficou deconversinha com a coroa “tudo de bom”? – Rachelperguntou enciumada. - Ela não é tão coroa assim... não tem nem quarentaanos. – Brandon retrucou. Mas depois de pensar melhor,achou que teria sido uma ótima idéia se não tivesseentrado nesse assunto. Ele sabia como Rachel eraadoravelmente ciumenta. Ela fez uma cara de “não acredito que você disseisso” e ligou a televisão, ignorando os pedidos de desculpade Brandon, mesmo que ele não tivesse nada de que sedesculpar. David e Allan se entreolharam e acharam melhorsair da suíte do casal. Eles não queriam influenciar emnada naquela discussão. Apenas pegaram alguns biscoitosque estavam ao lado da televisão e foram dar uma voltapelo hotel. - Ei Robin – falou Allan. – vamos ver se nósachamos algumas gatas por aí. - Quem sabe uma gata de meia idade. – continuouRachel irritada, olhando diretamente para os olhos decachorro sem dono de Brandon.
  51. 51. David e Allan saíram. Mas poucos minutos depoisBrandon e Rachel já estavam de bem um com outro.Rachel tinha certeza de que não existia mais ninguém nomundo de Brandon, além dela. Mas nunca era demais fazeruma pequena cena de ciúme. * Naquela tarde ensolarada, a banda Atlanta já tinhacompromisso marcado com Johnny Dallas.Aparentemente, ele queria que a banda passasse o som,para que tudo ocorresse dentro dos conformes na hora doshow. Não bastava apenas a banda tocar corretamente, eranecessário ajeitar o jogo de luz do palco, a entrada dosintegrantes, os amplificadores, enfim, tudo o que faz partede um evento grande que envolva música e arte. Todos os integrantes tinham acabado de almoçar –Brandon no Hotel Del Mare com sua namorada; Allan eDavid numa barraca de cachorro-quente no meio da rua –e já estavam indo para o Fordville Convention, local onde jáestava sendo realizado o tal evento beneficente.Não era um local tão grande quanto os rapazes estavamimaginando, mas ainda assim, tinha seus méritos por estarprestando uma boa causa social. Havia um estacionamentoque comportava cerca de uns cem carros de frente para aentrada principal, que era regulada por dois segurançasbrutamontes e uma mulher que prestava informaçõessobre o evento ao público. Quando chegaram à porta, todos da banda foramrecebidos pessoalmente por Johnny Dallas. Ele tinha amesma altura de Allan, era negro, tinha seu cabelo raspado
  52. 52. na máquina nº2 e trajava um terno impecável, o que o faziaparecer um homem de negócios muito bem sucedido. - Muito prazer em conhecê-los – disse Dallas sereferindo aos meninos da banda e Rachel. – Estou muitoansioso para ver a banda de vocês. Tenho certeza de queserá um ótimo show. - Pode ter certeza de que será. – afirmou Davidenquanto apertava a mão de Johnny Dallas. Todos se encaminharam para dentro do evento quenão estava cheio naquela hora do dia. A decoração era bembonita - com quadros e pinturas feitas por artistas locaiscolocados nas paredes. Um vídeo passava umdocumentário sobre como ajudar os necessitados éfundamental em nossas vidas, em um telão que ficava logoatrás do palco. Fordville Convention agregava dois andares que eramdivididos por uma escada em forma de espiral. O primeiroandar era onde ficava o palco, as obras de arte e o localonde seriam feitas as apresentações de teatro. O segundocontinha os banheiros e alguns lugares onde eramvendidas pizzas, hambúrgueres, refrigerantes, sucos, entreoutros alimentos. - Tenho que admitir que esse evento está deprimeira classe – Allan disse para Dallas. - Muito obrigado, Senhor Green. – agradeceuDallas. Todos da banda deram risadas. Era engraçadoalguém tratar Allan com tanta benevolência a ponto dechamá-lo pelo sobrenome. Brandon, David, Rachel equalquer outra pessoa que realmente o conhecia, achavam
  53. 53. ele mais parecido com um caminhoneiro rude e mal-educado. Vinte minutos depois, a banda estava testando osmicrofones e amplificadores e afinando seus instrumentos.Eles tocaram metade de uma de suas melhores músicas,que começava de forma pesada, onde parece que os trêsintegrantes estão colocando o maior peso possível juntocom a voz melancólica de Brandon. A letra da músicafalava sobre um homem que sempre foi deixado para trás eridicularizado pela sociedade, mas então ele consegue dara volta por cima e mudar a sua vida radicalmente, fazendocom que aqueles que antes o criticavam, passassem aadmirá-lo. Aquela canção já tinha tocado inúmeras vezesnas rádios regionais e até mesmo, entrado no ranking dasdez mais tocadas no mês de sua estréia. Porém, a músicaem que a banda e, principalmente Brandon, estavaapostando nesse show, era a que Brandon havia feito paraRachel, titulada com o nome de “O Silêncio do Coração”. Todos os integrantes estavam muito ansiosos parao início do concerto. No final de tarde daquele sábado –onde já ia começar a apresentação de um grupo teatral –pessoas foram chegando e se aglomerando para apreciarum pouco de entretenimento. Allan e David foram tomarum banho e se aprontar. O mesmo foi feito por Brandon eRachel, já que em algumas horas a banda estaria tocandopara centenas de pessoas que chegavam aos poucos noevento organizado por Dallas. No caminho até o Hotel Del Mare, Brandon nãoconseguia parar de falar a Rachel o quanto estava feliz porfinalmente voltar aos palcos com sua banda Atlanta. E elaficava feliz por ver que seu namorado estava totalmente
  54. 54. maravilhado pela ocasião. Mas ela não sabia que eleguardava um nervosismo crescente, já que aquela noite, emespecial, seria uma das maiores noites de sua vida, se não amaior. Seu coração batia rápido, mas silenciosamente.
  55. 55. CAPÍTULO 6 Guitarra afinada, palhetas separadas, a roupa certapara o show e Brandon já estava pronto para subir aospalcos após tomar um demorado banho. Mas mesmo coma água gelada tocando seu corpo, ele não conseguiuacalmar a eletricidade que faiscava suas emoções. - Vamos amor! – ele gritou do outro lado da porta,enquanto Rachel estava no chuveiro. – Eu preciso chegarum tempo antes do show começar. - Calma! – respondeu ela. O celular tocou. Era Allan. - E aí meu camarada! Já está saindo? Brandon olhou no relógio, preocupado. Ele tinha deir logo para acertar mais alguns detalhes com JohnnyDallas e Rachel nem sequer tinha saído do banho. Brandonsabia que sua namorada seguia rigorosamente a ditadurada vaidade e, sendo assim, tomaria mais uma grandequantidade de tempo se arrumando, passando maquiageme fazendo todo o tipo de coisa que uma garota “deve” fazerantes de sair de casa. - Cara... - Vá com eles – Rachel o interrompeu enquantosaia de toalha do banheiro. – eu ainda tenho que passarmaquiagem, escolher a roupa. Não quero atrasar você comseus compromissos. Fale para eles passarem aqui e pegá-lo, mas deixe seu carro comigo. Brandon sorriu, enquanto Allan ainda esperavauma resposta no celular. Rachel Sawyer era tão compreensiva, benevolente,sem mencionar sua beleza capaz de fazer qualquer garota
  56. 56. sentir inveja. Até mesmo suas breves crises de ciúmechegavam a ser encaradas como algo positivo paraBrandon. Ela era simplesmente perfeita. - Allan – ele respondeu. – tem como vocês mepegarem aqui no hotel? – Brandon perguntou. – Rachelainda não está pronta. Allan concordou. Em menos de vinte minutos seus companheiros debanda já o esperavam na porta do Hotel Del Mare. Brandon Browser olhou nos olhos negros de RachelSawyer, beijou-a e saiu apressadamente, sem que deixassesua namorada completar um sincero “eu te amo”. Eledeixou o hotel pensando que a próxima vez que a visse,seria num momento muito importante de sua vida. Ele não fazia idéia de como seria esse momento. *Allan, David e Brandon ficaram impressionados com aquantidade absurda de carros presentes noestacionamento do local onde se apresentariam. FordvilleConvention estava repleto de pessoas de todas as idade.Idosos, pais, mães, pessoas jovens e crianças tinham sereunido naquele evento para prestigiar e apreciar adiversidade da arte regional. Os integrantes da banda tremiam. - Caras – falou David. – eu não fico tão nervosoassim desde a minha última prova de Anatomia Patológica. Brandon e Allan se entreolharam e caíram narisada, sucedendo em um leve tapa na cabeça do bateristada banda.
  57. 57. - Ei Robin – chamou Allan. - será que você nãoconsegue deixar de ser nerd por pelo menos um dia de suavida? Não houve resposta. A banda Atlanta estacionou seu automóvel e osintegrantes se direcionaram para a entrada das bandas eartistas que ficava na parte dos fundos doestabelecimento. Os três puxaram suas carteiras eseguraram firmemente seus documentos, já que umsegurança enorme (que com certeza usava anabolizantes)fiscalizava a entrada e saída das “Atrações Principais –Fordville Convention”, como estava nomeado em sua lista. Eles passaram pelo segurança sem problemas. Na parte de dentro da Fordville Convention, umamulher que parecia ter saído de um filme sobre gueixasprestava informações para todos os artistas – onde ficavamos camarins e banheiros, lugar onde poderiam sealimentar, etc. – e checava em sua lista a que horas taispessoas iriam se apresentar. O show da banda Atlanta começaria a poucomenos de duas horas. Para relaxar, Brandon, David e Allanforam até o camarim e pegaram uma cerveja. - Se eu não estivesse tão nervoso – comentouBrandon. – com certeza iria fazer uma piada com aquelesegurança e a japonesa. - Para ser contratado aqui, você deve ter algumas“aptidões”. – Allan falou, fazendo o sinal de aspas comseus dedos. Os três riram sentados na poltrona do camarim,que por sinal, era bem espaçosa. Havia uma mesa comalgumas maçãs e bananas, uma geladeira com uma garrafa
  58. 58. de água e dez cervejas (incluindo as três que tinhamacabado de tomar). Um quadro de Jimi Hendrix tocandoem Woodstock estava fielmente colocado acima da mesade frutas, o que fez os integrantes lembrarem do produtorda banda – Nick Geisel. - Aquele hippie iria gostar de estar aqui. –comentou Brandon. - Com certeza – concordou David. – mas é bommesmo que ele fique em Sant Grove. Afinal de contas, eleainda tem de trabalhar muito nas músicas que nós estamosgravando. Allan assentiu. - Acho que vou dar uma caminhada pelo evento –Brandon falou. – ver como está a multidão. Aquele não era o lugar onde a banda Atlanta iria seapresentar para o maior número de pessoas. Mas eranormal que ficassem nervosos. Os integrantes já estavamafastados do palco havia algum tempo. Nada mais normaldo que sentir um frio na barriga, uma sensação de nervoso. - Se eu fosse você, eu não faria isso – comentouAllan. – só vai fazer com que você fique mais nervoso. Eupelo menos não vou largar dessa geladeira cheia decervejas até nosso show começar. Talvez o que Allan tinha dito fosse verdade. Masnenhuma cerveja conseguiria acalmar o coraçãoapaixonado de Brandon. Nada conseguiria deixar a aliançade noivado que estava guardada no bolso do vocalista dabanda Atlanta, longe do dedo de Rachel Sawyer. Brandonestava determinado. Ele imaginara essa cena muitas vezesem sua cabeça antes de dormir. Imaginava como seria omomento mais importante de sua vida.
  59. 59. - Eu vou mesmo assim – Brandon afirmou. – SeRachel chegar aqui, fale para ela ver o nosso show defrente ao palco. Ele saiu e foi se juntar à multidão. Fordville Convention estava lotado naquele momentoem que um grupo de teatro apresentava a peça “Romeo eJulieta”. O trabalho daqueles atores era realmente muitobom. Mesmo Brandon já conhecendo aquela história, eleficou maravilhado com a peça escrita por WilliamShakespeare séculos atrás. Era um amor tão puro, tãobonito. Muito parecido com os sentimentos que Brandon eRachel sentiam um pelo outro. Muito mais parecido do que Brandon pudesseimaginar. * Brandon, Allan e David já estavam preparados.Com seus instrumentos minuciosamente afinados em suasmãos, estavam prontos para entrar no palco, plugar oscabos nos amplificadores e mostrar ao povo de Fordville edo resto da região o som forte da banda Atlanta. JohnnyDallas estava em cima do palco naquele momento,anunciando a banda que vinha diretamente de Sant Grove.Centenas de pessoas estavam borbulhando por dentro,com os olhos ferozes esperando pela atração principal danoite. - E agora com vocês – gritava Johnny Dallas nomicrofone. – dêem as boas vindas para banda – tomou amaior quantidade de fôlego possível – Atlantaaaaa!
  60. 60. Os integrantes entraram no palco e a multidão seincendiou de uma forma ainda mais intensa. A banda estava sentindo falta dessa reciprocidadede energia. Era um sentimento inexplicável que existia aover todo aquele mar de gente ansiosa para escutar o somque a banda estava prestes a proporcionar. - Boa noite Fordville – falou Brandon. – nós somosa banda Atlanta de Sant Grove. Espero que vocêsaproveitem o show. - E se alguma garota estiver disponível – Allanfalou, tomando o microfone de Brandon. – pode me ligar. Gritos histéricos da platéia vieram em direção àbanda, enquanto eles abriam com sua músicainstrumental. O sangue de Brandon fervia ao tocar ascordas de sua guitarra, Allan balançava sua cabeça comose estivesse possuído e David destruía a integridade dospratos de sua bateria com a mesma força de um raio. A platéia pulava. Brandon rodeava Fordville Convention com seu olhara procura de sua namorada, mas estava muito difícil deencontrá-la. Ele sabia que a essa hora ela já deveria estar láobservando a banda tocar, pois o tempo que tivera para searrumar, era mais que o suficiente para fazer tudo o quedevia. Mas também, seria meramente impossível Brandonencontrar uma pessoa em especial naquele lugar ondetodos pulavam e se movimentavam em um fluxo intenso. Ao término da primeira música, as pessoasentraram em chamas. As músicas da banda costumavamsurtir um efeito emocional muito grande na platéia. Atémesmo as pessoas que não gostavam daquele estilomusical ficavam impressionadas com a qualidade do trio.
  61. 61. A segunda, terceira e quarta música, continuaramno mesmo ritmo enlouquecedor. Jovens que tinham porvolta de quinze a vinte anos entravam no palco e pulavamde volta para a platéia descontrolada. - Não sabia que era permitido moshs em eventosbeneficentes. – Brandon brincou com a platéia, enquantoAllan fazia uma linha sonora muito contagiante em seucontrabaixo e David o acompanhava na bateria. As pessoas pulavam e gritavam, mas Rachel nãoestava inclusa nesse meio sob os olhares de seu namorado. A quinta música escolhida pela banda foi umacanção que Brandon tinha feito para seu pai, onde a letrada música fora escrita em forma de carta, dizendo o amor eadmiração que Brandon sentia por Edward. A músicapermanecia durante três minutos somente com a voz deBrandon acompanhado com acordes melancólicos noviolão, porém, em seu refrão final, Allan e David entravamem sintonia com Brandon. Havia algo muito sincero nestacanção, que fazia uma grande parte das pessoas seidentificarem com a letra, não poupando suas lágrimas. - Tudo bem – disse Brandon ao término da música.– mas agora vamos voltar às origens. Afinal, isso daqui nãoé um show emo. Adolescentes de cabelos compridos que estavam defrente à banda gritaram desesperadamente e fizeram osímbolo do rock’n’roll com suas mãos. Por dentro,Brandon também estava gritando, mas em um desesperomuito maior. O show teria apenas mais algumas canções ea cada música que passava seu coração batia maisintensamente.
  62. 62. Eles continuaram tocando no mesmo ritmo elétricoe quando tocaram sua música principal, muitas pessoas daplatéia acompanharam a letra junto a Brandon. Osintegrantes da banda Atlanta ficaram realmenteimpressionados com a popularidade que tinham atingidonas cidades perto de Sant Grove no espaço de tempo queficaram sem fazer concertos. Pessoas acompanhavamferozmente os movimentos da banda em sua penúltimamúsica. Brandon tremulava. Os companheiros da banda estavam tão extasiadoscom o show, que não perceberam o nervosismo crescentede Brandon antes de começar a última música. - Infelizmente – disse Brandon. – esta será nossaúltima canção. A platéia entristeceu. - Mas esta é uma música inédita – ele continuou. –e muito especial. E seja lá onde você esteja no meio dessamultidão, essa canção é para você, Rachel Sawyer. O nomedela é “O Silêncio do Coração” – ele falou enquanto tirava aaliança de seu bolso, apontando posteriormente o anel deouro para a multidão. – por favor, escute essa música edepois do show me responda: você quer se casar comigo? Brandon se voltou para seu violão e começou atocar como se não houvesse nada além dele e seu violão. A platéia estava chocada e ao mesmo tempo,maravilhada com o romantismo de Brandon. Aquelamúsica era tocada apenas no violão e mesmo se não fosse,David e Allan não iriam conseguir acompanhá-lo, poistambém estavam com os olhos bem abertos, mas não
  63. 63. acreditando no que o amigo e companheiro de bandaacabara de fazer. Brandon Browser apenas fechou os olhos econtinuou tocando e cantando a música destinada a suanamorada e quem sabe, sua futura esposa. Ele apenascontinuou sem pensar no que poderia acontecer. Como seestivesse sendo levado pelo vento para um lugar ondenunca imaginara estar. Ao terminar a música, ele apenas guardou seuviolão, apanhou sua guitarra que estava encostada noamplificador e seguiu para o camarim. Allan e David oabraçaram, mas não conseguiam pronunciar nenhumapalavra – nada de “nós fizemos um ótimo show esta noite”ou “aonde você acha que está com a cabeça para fazer umamerda dessas?”. Mas as surpresas daquela noite ainda não tinhamacabado. No camarim, um policial negro com pouco mais decinqüenta anos, alto e com a barba por fazer, esperavapouco paciente a chegada dos integrantes. Quando a banda Atlanta entrou, ficaramimediatamente surpresos, fazendo com que David logoperguntasse: - Algo de errado, senhor? - Quem de vocês é Brandon Browser? – eleperguntou. O vocalista da banda Atlanta olhou para seusamigos, não entendendo o que estava acontecendo. Porque um policial iria querer falar com ele? A não ser é claro,que ele quisesse parabenizar Brandon pela sua atitude
  64. 64. memorável em pedir sua namorada em casamento nafrente de várias pessoas. - Sou eu. – respondeu Brandon, levantando suamão direita. - Gostaria de conversar com você – o policial falouolhando fixamente em seus olhos que agora, pareciammais verdes do que nunca. – a sós. Imediatamente, Allan e David se entreolharam esaíram do camarim. Os dois estavam mais confusos do quenunca, imaginando o que se passava pela cabeça deBrandon e por que a presença de um policial no camarimda banda. - Algum problema? – Brandon perguntou aopolicial. - Meu filho, eu não sei como posso te dizer isto,então vou tentar ser bem direto... Se Brandon já estava nervoso para saber a respostade Rachel, agora ele estava mais ainda com a pressão queaquele policial estava fazendo sobre ele. Cada segundoparecia passar como horas e, mesmo assim, o relógio aindaestava quebrado. Ele ansiava rapidamente por umaresposta. Mas com certeza, se arrependeria de seu desejo. O policial olhou tristemente nos olhos de Brandone, depois de conter suas palavras por alguns segundos,desabafou: - Meu filho... Rachel Sawyer está morta.
  65. 65. CAPÍTULO 7 Rachel Sawyer tinha acabado de sair do chuveiro.Ela se olhou no espelho imaginando como estava feliz emestar ali junto a seu namorado. A noite anterior tinha sidomuito agradável e, se sua vida continuasse nessafreqüência de amor com Brandon, ela seria a mulher maisfeliz do mundo – como ela gostava de se imaginar. Seunamorado era simplesmente muito atencioso e, sempreestava satisfazendo sua vontade. Mas naquele momentoem especial, ele parecia estar preocupado e muito maisnervoso do que o comum antes de um concerto de suabanda Atlanta. Brandon a apressava para se aprontarenquanto o telefone tocava. Ela sabia que seu namorado tinha de cumprir comseus compromissos, então caridosamente, o deixou ir comAllan e David. Sendo assim, Rachel pegaria o Jipe preto deBrandon e em alguns minutos, estaria no eventobeneficente de Fordville. Logo, já estava tudo combinado.O casal havia se beijado e se despedido até sereencontrarem novamente no local do show. - Eu te... – Rachel tentou, sem sucesso, dizer aspalavras que não poderiam faltar para seu namorado. Masele saiu correndo pela porta apressadamente, semconseguir ouvir o que sua namorada tinha a dizer. Sucessivamente, ela enxugou seu cabelo com atoalha que antes cobria o seu belo corpo. Voltou até obanheiro, recolheu suas roupas, escovou os dentes ecolocou perfume em seu pescoço e no punho esquerdo,onde havia uma pequena tatuagem de coração com o nomede Brandon escrito.
  66. 66. Ela estava quase pronta, mas ainda não sabia o queiria vestir. Entretanto, depois de analisar com cuidadotodas suas peças de roupa, escolheu um vestido cinza comuma pequena manga que Brandon tivera dado a ela noúltimo Natal. Brandon adorava quando ela usava aquelevestido e, sempre falava que combinava com seus lindosolhos negros. Minutos depois, Rachel Sawyer já estava prontapara ir à Fordville Convention. Ela observou por algunssegundos a chave do carro de Brandon que estava colocadaem cima da cama onde o casal havia dormido na noiteanterior. Rachel sentiu um calafrio estranho, como setivesse de pensar duas vezes antes de dirigir até o evento.Ela pegou o celular, pensou em ligar para Brandon, masdesistiu. Sem pensar muito, pegou a chave do Jipe, trancou oquarto onde ela e Brandon estavam hospedados e foiembora. Rachel desceu no elevador imaginando o queBrandon estaria fazendo naquele momento. Ela sabia queele, Allan e David estavam ansiosos para voltar aos palcose tocar da mesma forma como costumavam fazerantigamente e isso só aumentava a vontade de ver a pessoaque ela amava reluzindo felicidade. Ao entrar no Jipe de Brandon, Rachel ajeitou obanco, acertou o retrovisor e partiu para encontrar seunamorado. Para chegar ao local do show, era necessário pegaruma pequena pista sem movimento coberta por árvoresgrandes e robustas. Rachel só tinha dirigido o carro deBrandon apenas uma vez em toda sua vida, então era
  67. 67. normal que ela se sentisse um pouco desconfortável, masnada que a deixasse inapta de dirigir. Ela continuou calmamente seu caminho atéFordville Convention. Rachel ligou o rádio do Jipe que estava sintonizadoem uma estação local, onde o locutor anunciava o eventobeneficente que estava acontecendo na cidade. O locutortambém mencionou sobre a banda que tocara no diaanterior, os grupos teatrais que tinham se apresentado, osartistas que ainda tinham suas programações agendadaspara o domingo e a banda Atlanta, que entraria no palcoem poucos instantes. Rachel acelerou o veículo. Ela não queriadesperdiçar um minuto do show sequer. Ela sabia queBrandon ficaria chateado se ela perdesse o começo doconcerto porque demorou a se aprontar. Pouco mais à frente, o semáforo acendeu sua coramarela. Rachel pisou fundo. Ela sabia que poderia passarfacilmente pelo cruzamento. Mas ao passar pela faixa depedestres, a situação se inverteu. Uma caminhonetevermelha vinha numa velocidade moderada e, ao ver que osinal da outra pista se fechara, não hesitou em continuar,já que sabia que aquela pista não tinha muito movimento.A luz do farol da caminhonete brilhou no olhar de Rachel,ofuscando toda a sua visão. Ela não conseguiu pensar emabsolutamente nada naquele momento, apenas sedeslumbrou com uma claridade desconhecida quando osdois automóveis colidiram. O Jipe de Brandon capotou, até atingir uma árvore.Lá ele permaneceu – de cabeça para baixo – com Rachel
  68. 68. Sawyer ensangüentada. A motorista que dirigia acaminhonete vermelha estava sozinha e inconscientedentro de seu carro, sendo assim, incapaz de prestar ajuda. Poucos instantes depois, um caminhoneiro queestava em Fordville apenas de passagem, notou que umgrave acidente tinha ocorrido naquela pequena pista. Elenão hesitou em ligar para a ambulância no primeirotelefone público que encontrou, já que não carregavatelefone celular consigo. Em menos de dez minutos, o local estava cercado einterditado por duas viaturas da polícia local e duasambulâncias. A mulher que dirigia a caminhonete foi levadainstantaneamente para o hospital. Ela ainda estavainconsciente, mas não apresentava nenhum ferimentomuito grave – apenas um pequeno corte na cabeça e nosbraços. Posta na maca pelo pessoal do resgate, a condutorado outro veículo foi colocada na ambulância para receberseus cuidados – um procedimento obrigatório, que nãodependia da gravidade do acidente. Sem mencionar que elaainda precisaria responder algumas perguntas que seriamfeitas pelas autoridades de Fordville, mesmo que osperitos que estavam na pista do acidente já tivessem quasecerteza de que a culpada pela tragédia tivera sido RachelSawyer. Ao averiguar alguns panfletos e documentos queestavam guardados no porta-luvas do carro de Brandon, opolicial não demorou ao conectar Rachel a ele. No bancodo carona, havia um ingresso especial para a entrada noevento beneficente em Fordville Convention, sem mencionaruma foto do casal dentro da carteira de Rachel.
  69. 69. - Esta garota era namorada do vocalista da bandaque tocará hoje no festival. – disse o policial para seucolega. – Walter, você pode comunicar o pessoal dabanda? - Mas por que eu... O outro policial o encarou com olhares frios,interrompendo toda a argumentação que Walter tinha afazer. - Eu odeio esse trabalho. – respondeu Walter, seencaminhando para o evento onde daria a pior notícia davida de Brandon. * Brandon Browser não conseguiu digerir a notíciadada pelo policial Walter após o show de sua banda eprincipalmente, após o seu pedido de casamento. Nadapassava pela sua cabeça quando o policial estavaexplicando sobre o acidente que Rachel sofrera. Sua bocaestava levemente aberta e seus olhos petrificadosenquanto Walter falava sobre a colisão dos carros. Opolicial até chegou a dar um papel a Brandon com algunsdados do veículo que havia colidido com seu Jipe, caso elequisesse entrar em contato com a motorista que haviaprovocado a morte de Rachel – era uma caminhonetevermelha, com a placa de Sant Grove “RCX 554” – mas apósler as informações que estavam ali escritas, Brandonimediatamente amassou o papel e jogou no lixo. Aquilonão traria Rachel Sawyer de volta. Allan e David chegaram alguns minutos depois,ambos chorando excessivamente. E quando abraçaram seu

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