TCC - Toni Roberto de Souza Filho

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TCC - Toni Roberto de Souza Filho

  1. 1. UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CURSO DE ENGENHARIA CIVIL TONI ROBERTO DE SOUZA FILHOAVALIAÇÃO DAS INSTALAÇÕES PREVENTIVAS E DE COMBATE A INCÊNDIOS DAS ESCOLAS MUNICIPAIS DE ENSINO FUNDAMENTAL DE ITAJAÍ-SC Itajaí 2011
  2. 2. TONI ROBERTO DE SOUZA FILHOAVALIAÇÃO DAS INSTALAÇÕES PREVENTIVAS E DE COMBATE A INCÊNDIOS DAS ESCOLAS MUNICIPAIS DE ENSINO FUNDAMENTAL DE ITAJAÍ-SC Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Engenheiro Civil pela Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar. Orientador: Prof. Moacir de Oliveira Júnior. Itajaí 2011
  3. 3. 2
  4. 4. 3 AGRADECIMENTOSAgradeço em primeiro lugar a Deus que iluminou o meu caminho durante estacaminhada. Agradeço também a minha namorada, Kenia, que de forma especial ecarinhosa me deu força e coragem, me apoiando nos momentos de dificuldades.Quero agradecer também ao meu filho, Toni Neto, que embora não tivesseconhecimento disto, iluminou de maneira especial os meus pensamentos melevando a buscar mais conhecimentos. Não poderia esquecer minhas avós NatalinaSabadini e Maria de Souza, minha tia-avó Idalina, e meus avós Gilberto Pacheco eAnisio de Souza, que apesar de ausentes, sempre me incentivaram a alcançar meussonhos e objetivos. E não deixando de agradecer de forma grata e grandiosa aosmeus irmãos Felipe, Guilherme, Maria Fernanda e Juliana, e principalmente meuspais, Toni e Cláudia, a quem eu rogo todas as noites a minha existência.
  5. 5. 4O sucesso nasce do querer, dadeterminação e persistência em sechegar a um objetivo. Mesmo nãoatingindo o alvo, quem busca evence obstáculos, no mínimo farácoisas admiráveis." José de Alencar
  6. 6. 5 APRESENTAÇÃOAtendendo ao disposto no Regulamento do Curso de Engenharia Civil, submetemosà consideração superior o presente TCC realizado no período de 01/03/2011 a05/12/2011, bem como as considerações a respeito do mesmo.
  7. 7. 6 RESUMOO objetivo do presente trabalho foi analisar e avaliar as edificações escolares deensino fundamental de Itajaí – SC em relação ao sistema preventivo e combate aoincêndio. Entende-se por prevenção contra incêndios o conjunto de medida decautela, recursos legais e materiais para evitar sinistros, bem como saber combate-los de início caso ocorram. Foram realizadas pesquisas em normas técnicas parafundamentação de um check list contendo os requisitos a serem observados eavaliados em campo, totalizando trinta e nove escolas pesquisadas. Através dosdados obtidos, pode-se perceber que todas as escolas apresentaram algumadesconformidade, caracterizada pela ausência ou condições precárias dasinstalações preventivas e de combate a incêndios das edificações, fato preocupante,já que coloca em risco a segurança dos usuários e causam perdas sociais,econômicas e principalmente humanas.Palavras-chave: Escolas, Incêndio, Bombeiros.
  8. 8. 7 LISTA DE FIGURASFigura 1 - Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina .................................... 18Figura 2 - Origem do fogo .................................................................................... 19Figura 3 - Triângulo e tetraedro do fogo ............................................................... 20Figura 4 - Detalhe do extintor. .............................................................................. 29Figura 5 - Detalhe de hidrante .............................................................................. 32Figura 6 - Planta baixa de casa de gás. ............................................................... 34Figura 7 - Corte A.A. da casa de gás. .................................................................. 35Figura 8 - Detalhe do ponto de alimentação dos fogões a gás............................. 35Figura 9 - Funcionamento do SPCDA por método de Franklin. ........................... 40Figura 10 - Desenho genérico do sistema Faraday em galpão .............................. 41Figura 11 - Desenho genérico do sistema Faraday em prédio. .............................. 41Figura 12 - Desenho genérico do sistema de esfera rolante em prédio. ................ 42Figura 13 - Funcionamento da esfera rolante. ........................................................ 42Figura 14 - Detalhe da fixação do cabo e terminal aéreo na telha. ........................ 45Figura 15 - Acionador e sonorizador do sistema de alarme. .................................. 47Figura 16 - Luminária de sinalização de abandono de local com seta indicativa de saída................................................................................ 49Figura 17 - Instalação da luminária de emergência. ............................................... 51Figura 18 - Gráfico da exigibilidade dos sistemas preventivos e de combate a incêndios. .......................................................................................... 58Figura 19 - Gráfico global de verificação de conformidades das edificações onde os sistemas preventivos são exigidos. ........................................ 59Figura 20 - Gráfico das não conformidades encontradas no sistema de proteção por conjunto de extintores ..................................................... 60Figura 21 - Gráfico das não conformidades encontradas no sistema hidráulico preventivo ............................................................................ 61
  9. 9. 8Figura 22 - Gráfico das não conformidades encontradas no sistema de gás centralizado .......................................................................................... 61Figura 23 - Gráfico das não conformidades encontradas no sistema de saídas de emergência. ......................................................................... 62Figura 24 - Gráfico das não conformidades encontradas no sistema de proteção por descargas........................................................................ 63Figura 25 - Gráfico das não conformidades encontradas no sistema de iluminação de emergência. .................................................................. 64Figura 26 - Gráfico das não conformidades encontradas no sistema de sinalização de emergência. .................................................................. 65Figura 27 - Gráfico das não conformidades encontradas no sistema de alarme de incêndio. .............................................................................. 65
  10. 10. 9 LISTA DE QUADROSQuadro 1 - Quantidade de incêndios no município de Itajaí-SC no ano de 2010. .................................................................................................... 13Quadro 2 - Carga de fogo em função da classificação de risco. ............................ 24Quadro 3 - Seleção do agente extintor segundo a classificação do fogo. .............. 28Quadro 4 - Definição da quantidade de extintores e caminhamento em razão da classificação de risco. ..................................................................... 28Quadro 5 - Quantidade de hidrante em uso simultâneo em função do número de hidrantes instalados. .......................................................... 31Quadro 6 - Pressão mínima exigida de acordo com a classificação de risco. ........ 31Quadro 7 - Vazões em hidrantes conforme classificação de risco. ........................ 32Quadro 8 - Afastamento mínimo por quantidade de GLP. ..................................... 33Quadro 9 - Saída de emergência em edificações. ................................................. 37Quadro 10 - Tipo e quantidade de escadas. ............................................................ 37Quadro 11 - Nível de proteção do SPCDA pelo tipo de edificação. ......................... 43Quadro 12 - Dimensionamento do SPCDA conforme nível de proteção. ................. 43Quadro 13 - Seções mínimas dos materiais que compõe o SPCDA........................ 44Quadro 14 - Check list contendo os parâmetros a serem verificados ...................... 55Quadro 15 - Não conformidades encontradas em função da quantidade de edificações pesquisadas onde há exigibilidade dos sistemas preventivos ........................................................................................... 66
  11. 11. 10 SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 111.1 Tema e problema de pesquisa ............................................................................ 111.2 Objetivos ............................................................................................................. 121.2.1 Objetivo geral .................................................................................................. 121.2.2 Objetivos específicos ...................................................................................... 121.3 Justificativa ......................................................................................................... 122 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................ 152.1 História do Corpo de Bombeiros ......................................................................... 152.1.1 No Mundo ....................................................................................................... 152.1.2 No Brasil ......................................................................................................... 162.1.3 Em Santa Catarina ......................................................................................... 172.2 Fogo .................................................................................................................... 192.2.1 História do fogo ............................................................................................... 192.2.2 Conceito.......................................................................................................... 192.2.3 Elementos essenciais do fogo ........................................................................ 202.3 Classes de incêndios .......................................................................................... 222.4 Classificação das edificações ............................................................................. 232.5 Sistemas de segurança....................................................................................... 242.6 Sistemas preventivos .......................................................................................... 252.6.1 Proteção passiva ............................................................................................ 252.6.2 Proteção por conjunto de extintores ............................................................... 262.6.3 Sistema hidráulico preventivo ......................................................................... 302.6.4 Instalação de gás combustível canalizado...................................................... 332.6.5 Saída de emergência, rota de saída ou saída ................................................ 362.6.6 Sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPCDA) ...................... 392.6.7 Sistema de alarme de incêndio ....................................................................... 452.6.8 Sistema de sinalização de emergência........................................................... 482.6.9 Sistema de iluminação de emergência ........................................................... 503 METODOLOGIA ................................................................................................... 523.1 Perspectiva da pesquisa ..................................................................................... 523.2 Procedimento e instrumentos de coleta e análise de informações ..................... 524 APRESENTAÇÃO DOS DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ............. 575 CONCLUSÃO ....................................................................................................... 686 REFERÊNCIAS .................................................................................................... 71
  12. 12. 111 INTRODUÇÃO1.1 Tema e problema de pesquisaSegundo corpo de bombeiros militar do estado do Rio de Janeiro - academia debombeiro militar D. Pedro II (2008) a prevenção de incêndio envolve uma série deprovidências e cuidados, que implantados e executados conforme normas técnicasservem para dirimir o princípio e/ou propagação do fogo. A falha humana é apontadacomo causa fundamental nos incêndios, podendo desta forma ser evitada quandoadotadas medidas preventivas necessárias, visando segurança e tranquilidade dosusuários.As medidas preventivas e de combate a incêndios estão dispostas em normas daAssociação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e na Norma de SegurançaContra Incêndios (NSCI/1994) que apresenta as especificações dos sistemas desegurança previstas para edificações escolares em Santa Catarina. (OLIVEIRAJÚNIOR, 2011).O completo funcionamento dos sistemas preventivos e de combate a incêndiocompete à direção da escola, coordenando ações preventivas necessáriasjuntamente com Corpo de Bombeiros Militar (CBM), órgão responsável pelaaprovação dos projetos e fiscalização (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO,2009).O município de Itajaí-SC apresenta em seu território 40 escolas municipais de ensinofundamental, sendo que a primeira escola municipal foi instituída pela lei provincialn° 9, de 15 de abril de 1835, posteriormente foi inaugurado o Grupo Escolar VítorMeireles, em 04 de dezembro de 1913. No ano de 1928, em 12 de outubro ogovernador Adolfo Konder em visita oficial a Itajaí, inaugurou a Escola Lauro Müllerno bairro Vila Operária (SANTOS, 2011).
  13. 13. 12A pergunta chave que norteia este trabalho de conclusão de curso é: Qual odiagnóstico das instalações preventivas e de combate a incêndios das escolasmunicipais de ensino fundamental de Itajaí - SC?1.2 Objetivos1.2.1 Objetivo geralAnalisar e avaliar as edificações escolares de ensino fundamental de Itajaí-SC emrelação ao sistema preventivo e combate ao incêndio.1.2.2 Objetivos específicosa) Apresentar o Sistema de Proteção Contra Incêndios (SPCI);b) Detalhar os sistemas preventivos mínimos necessários para unidades escolares;c) Mapear as unidades de ensino fundamental;d) Elaborar planilha contendo os requisitos a serem analisados;e) Vistoriar as edificações escolares;f) Analisar e interpretar os resultados obtidos.1.3 JustificativaAs consequências que os incêndios causam à sociedade são notórias, ocasionamperdas sociais, econômicas e principalmente humanas. Sendo assim, a prevenção eo combate a incêndios devem ser considerados como requisitos fundamentais dasedificações.
  14. 14. 13O Quadro 1 apresenta os princípios e quantidade de incêndios registrados nomunicípio de Itajaí no ano de 2010 dividido por tipo de edificação e/ou tipo.Quadro 1 - Quantidade de incêndios no município de Itajaí-SC no ano de 2010. Ocorrência QuantidadeIncêndio Edificação Comercial – Alvenaria 13Incêndio Edificação Comercial – Madeira 4Incêndio Edificação de Reunião de Público – Alvenaria 3Incêndio Edificação Escolar – Alvenaria 1Incêndio Edificação Mista – Alvenaria/Madeira 5Incêndio Edificação Pública – Alvenaria 1Incêndio Edificação Residencial Multifamiliar – Alvenaria 13Incêndio Edificação Residencial Multifamiliar – Madeira 1Incêndio Edificação Residencial Multifamiliar Mista – Madeira/Madeira 2Incêndio Edificação Residencial Unifamiliar – Alvenaria 36Incêndio Edificação Residencial Unifamiliar – Alvenaria/Madeira 36Incêndio Edificação Residencial Unifamiliar – Madeira 57Incêndio Edificação tipo Depósito de Inflamáveis – Alvenaria 1Incêndio Edificação tipo Depósito de Inflamáveis – Madeira 1Incêndio Edificação tipo Garagem – Alvenaria 4Incêndio Edificação tipo Garagem – Madeira 1Incêndio Edificação tipo Garagem – Metálica 2Incêndio Edificação tipo Hospitalar/clínica – Alvenaria/Madeira 1Incêndio em Vegetação – Área de Plantio 8Incêndio em Vegetação – Nativa 24Incêndio em Vegetação – Preservação Permanente 2Incêndio em Vegetação – Reflorestamento 13Incêndio em Vegetação – Terreno Baldio 65Incêndio em Veículo – Carro 36Incêndio em Veículo – Embarcação 2Incêndio em Veículo – Moto 2Incêndio em Veículo/Embarcação/Aeronave – Carga 11Outros Incêndios 20Outros Princípios de Incêndio 64Princípio de Incêndio – Edificação Comercial 7Princípio de Incêndio – Edificação Industrial 13Princípio de Incêndio – Edificação Mista 1Princípio de Incêndio – Edificação Pública 1Princípio de Incêndio – Edificação Residencial Multifamiliar 2Princípio de Incêndio – Edificação Residencial Unifamiliar 21Princípio de Incêndio – Edificação tipo Garagem 1 Total 475Fonte: CBMSC (2011).
  15. 15. 14Dentre as edificações, as escolares também devem cumprir as determinações dasnormas que regulam os sistemas preventivos e combate a incêndios e que taissistemas estejam implantados corretamente e em condições de uso para garantir asegurança de todos os usuários.As edificações devem passar pela supervisão do Corpo de Bombeiros de SantaCatarina (CBSC), embora muitos projetos não sejam analisados pelo Centro deAtividades Técnicas (CAT) do CBSC, cabe salientar que toda obra pública éconstruída ou reformada com o aval do profissional de engenharia ou arquiteturaregularmente registrado no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA)e com a devida capacidade técnica comprovada. (OLIVEIRA JUNIOR, 2011).Segundo Oliveira Júnior, Moacir (2011) as instalações preventivas e de combate aincêndios das edificações escolares estaduais de Itajaí estão em péssimascondições. Logo se observou a importância de se verificar também a realidade dasescolas municipais de ensino fundamental.
  16. 16. 152 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA2.1 História do Corpo de Bombeiros2.1.1 No MundoA origem dos Corpos de Bombeiros remonta à antiga Roma em 27 a.C., onde oimperador Augusto formou um grupo denominado de “vigiles”, o qual patrulhava asruas para policiar e impedir incêndios (CARVALHO, 2011)No ano de 872 em Oxford, Inglaterra, foi promulgada uma das normas mais antigasque estabelecia um toque de alerta, a partir do qual se deviam apagar todos osincêndios que estivessem ocorrendo no momento. Logo após, Guilhermo, oConquistador, expandiu o toque de alerta para toda a Inglaterra (BRIGADA MILITARDO CORPO DE BOMBEIROS DO RIO GRANDE DO SUL, 2011).Após o grande incêndio de 1666 em Londres, Inglaterra, que destruiu grande parteda cidade e deixou milhares de pessoas desabrigadas, as companhias de seguroscriaram brigadas de seguros contra incêndios para proteger a propriedade de seusclientes (MACEDO, 2011b).Em Boston, EUA, no ano de 1679 foi fundado o primeiro departamento profissionalmunicipal contra incêndios, após um grande incêndio que destruiu 155 edificações evários barcos. Em Massachusetts organizou-se nas comunidades sistemas dedefesa contra o fogo, exigindo que cada casa houvesse disponíveis cinco baldes,que ao som dos sinos da igreja, os moradores formassem grandes filas, passandoos baldes de mão em mão desde o manancial até o sinistro (BRIGADA MILITAR DOCORPO DE BOMBEIROS DO RIO GRANDE DO SUL, 2011).Outro momento histórico importante foi a criação da primeira organizaçãoprofissional de bombeiros com a utilização de bombas a vapor com tração animal,em primeiro de abril de 1853 em Cinccinati, Ohio, sendo este o modelo adotado mais
  17. 17. 16tarde em Nova York. As primeiras escolas de bombeiros surgiram nos anosseguintes, em 1889 e 1914, nas cidades de Boston e Nova York respectivamente(BARBOSA, 2011).Nas guerras mundiais, os corpos de bombeiros já apresentavam estruturassuficientes para dirimir incêndios originados dos bombardeios, instituindo jornada detrabalho de 24 horas, prática adotada até os tempos atuais (MACEDO, 2011b).2.1.2 No BrasilDurante o período imperial, os recursos disponíveis para população extinguir o fogoeram limitados e difíceis, visto que as construções eram ricas em madeiras, e omesmo se expandia rapidamente (MACEDO, 2011a).O sinal de incêndio era dado pelos sinais das igrejas. Acorriam todos os aguadeiroscom suas pipas, e também os populares, que faziam longas filas até o chafarizjulgado mais próximo, transportando de mão em mão os baldes de água, ao mesmotempo em que se improvisavam escadas de madeira para efetuar salvamentos,retirando os moradores, antes que eles se atirassem. Se o incêndio ocorria a noite aconfusão era maior por falta de iluminação pública. Assim o Vice-Rei Luís deVasconcelos, em ofício a Câmara datado de 12 de julho de 1788, determinou quetodos deveriam iluminar a frente de suas casas, a fim de evitar o "atropelamento",que causava mais vítimas que o próprio fogo (CORPO DE BOMBEIROSCASCAVEL, 2011).No Rio de Janeiro, anteriormente a criação do corpo de bombeiros, os incêndioseram extintos por seções dos Arsenais de Guerra da Marinha, da Casa de Correçãoe da Repartição de Obras Públicas (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DOESTADO DO RIO DE JANEIRO, 2011).Ao surgimento de um incêndio na cidade, os bombeiros eram avisados por trêsdisparos de canhão, partidos do morro do Castelo, e por toques de sinos da igreja
  18. 18. 17de São Francisco de Paula, correspondendo o número de badaladas ao número dafreguesia onde se verificava o sinistro. Esses toques eram então reproduzidos pelaigreja matriz da freguesia. Em 2 de julho de 1856, pelo decreto imperial nº 1.775,assinado por sua Majestade o Imperador Dom Pedro II, foi criado o Corpo deBombeiros Provisório da Corte. Ao recebimento de um aviso de incêndio, os praçassaíam puxando o corrico pela via pública, o qual possuía de seis a oito mangueiras,procurando debelar o fogo, solicitando conforme a extensão do sinistro os reforçosnecessários (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DEJANEIRO, 2011).O decreto imperial de nº 1.775 reuniu numa só administração as diversas seçõesque até então existiam para o serviço de extinção de incêndios, sendo assim criadoe organizado o Corpo Provisório de Bombeiros da Corte. Com o Decreto nº 2.587,de 30 de abril de 1860, tornava-se definitivo o Corpo Provisório de Bombeiros daCorte (ASSOCIAÇÃO DE MOTOCICLISTAS BOMBEIROS MOTO CLUBE, 2011).De acordo com brigada militar do corpo de bombeiros do Rio Grande do Sul ([200_])em 1865 recebeu o Corpo de Bombeiros a sua primeira bomba-a-vapor,especialmente destinada aos incêndios à beira-mar, podendo ser embarcada paraextinção de incêndios abordo e transportada por 20 (vinte) homens.Após inúmeras conquistas, somente em 1899 foi adquirida a primeira ambulânciapara acompanhar o material destinado ao combate a incêndio. E em 23 de maio de1908 foi concluída a obra e inaugurada o majestoso prédio, verdadeiro símboloarquitetônico, que é o Quartel do Comando Geral do Corpo de Bombeiros (CORPODE BOMBEIROS CASCAVEL, 2011).2.1.3 Em Santa CatarinaEm 16 de setembro de 1919, foi sancionada pelo então Governador do Estado deSanta Catarina, Doutor Hercílio Luz, a Lei Estadual nº 1.288, que criava a Seção deBombeiros, constituída de integrantes da então Força Pública (SECRETARIA DE
  19. 19. 18SEGURANÇA PÚBLICA E DEFESA DO CIDADÃO - CORPO DE BOMBEIROSMILITAR DE SANTA CATARINA, 2011).Somente em 26 de setembro de 1926, foi inaugurada a Seção de Bombeiros daForça Pública, hoje Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina - CBMSC, com apresença do Governador do Estado, Secretário do Interior e Justiça, Presidente doCongresso Representativo e do Superior Tribunal de Justiça, Chefe de Polícia eoutras autoridades, além de muitas pessoas do povo (LAUREANO JUNIOR, 2006).A Seção de Bombeiros atendeu o seu primeiro chamado no dia 5 de outubro,quando extinguiu, com emprego da bomba manual, um princípio de incêndio que seoriginara no excesso de fuligem da chaminé da casa do Sr. Achilles Santos, à RuaTenente Silveira, nº 6 (OLIVEIRA, 2005).A primeira descentralização da Corporação ocorreu em 13 de agosto de 1958, com ainstalação de uma Organização Bombeiro Militar no município de Blumenau. A LeiEstadual nº 6.217, de 10 de fevereiro de 1983, criou a atual Organização Básica daPolícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar (SAPO SABER, 2011).Em 13 de junho de 2003, a Emenda Constitucional nº 033, concedeu ao Corpo deBombeiros Militar de Santa Catarina - CBMSC o título de Organização independente,formando junto com a Polícia Militar, o grupo de Militares Estaduais (MASNIK, 2011). Figura 1 - Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina. 1 Fonte: Site do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina .1 Disponível em: <http://www.cb.sc.gov.br/> Acesso em: 04 abr. 2011
  20. 20. 192.2 Fogo2.2.1 História do fogoO fogo existe desde o início da formação da Terra, passando a coexistir com ohomem depois do seu aparecimento. Presume-se que os primeiros contatos, que osprimitivos habitantes tiveram com o fogo, foram através de manifestações naturaiscomo os raios que provocam grandes incêndios florestais. Na sua evolução, ohomem primitivo passou a utilizar o fogo colhido dos eventos naturais e, mais tarde,obtido intencionalmente através da fricção de pedras, como parte integrante da suavida, utilizando-o na iluminação e aquecimento das cavernas e no cozimento da suacomida. Nesse período, o homem dominava plenamente as técnicas de obtenção dofogo tendo-o, porém, como um fenômeno sobrenatural (CORPO DE BOMBEIROSMILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - ACADEMIA DE BOMBEIROMILITAR D. PEDRO II, 2008). Figura 2 - Origem do fogo. Fonte: Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro Academia de Bombeiro Militar D. Pedro II (2008).2.2.2 ConceitoO fogo é a resultante de uma reação química de oxidação com desprendimento deluz e calor, podendo dizer que o fogo é a parte visível de uma combustão, reação
  21. 21. 20química na qual uma substância combustível reage com o oxigênio, ativada pelocalor emitindo energia luminosa (fogo), mais calor e outros produtos. A apresentaçãofísica do fogo pode ser de duas maneiras, como chama ou como brasas, podendoaparecer de forma isolada ou conjuntamente falsos (SECRETARIA DE ESTADO DADEFESA CIVIL - CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DEJANEIRO – DIRETORIA GERAL DE ENSINO E INSTRUÇÃO, 2005).2.2.3 Elementos essenciais do fogoOs elementos que compõe o fogo são: combustível (todo material que queima),comburente (oxigênio), calor e reação em cadeia, também denominadotransformação em cadeia, o qual irá formar o quadrado ou tetraedro do fogo,conforme Figura 3, substituindo o antigo triângulo do fogo (REIS, 1987). Figura 3 - Triângulo e tetraedro do fogo. Fonte: DENIPOTTI et al. (2005).a) Combustível: Combustível é elemento que serve de campo de propagação dofogo. Para efeito prático as substâncias foram divididas em combustíveis (materiaisorgânicos) e incombustíveis (materiais inorgânicos), sendo a temperatura de 1000ºCpara essa divisão, ou seja, os combustíveis queimam abaixo de 1000ºC, e osincombustíveis acima de 1000ºC, isto se deve ao fato de, teoricamente, todas assubstâncias poderem entrar em combustão (queimar) (SECRETARIA DE ESTADODA DEFESA CIVIL - CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DEJANEIRO – DIRETORIA GERAL DE ENSINO E INSTRUÇÃO, 2005).
  22. 22. 21Os combustíveis podem ser sólidos, líquidos e gasosos, tendo este último maiorcapacidade de entrar em combustão (combustibilidade). A maioria dos corposorgânicos antes de se combinarem como oxigênio para originar a combustão,transformam-se inicialmente em gases ou vapores. Todo material combustível quese gaseifica para combinar como oxigênio, possui em sua estrutura um ou mais doselementos químicos carbono, hidrogênio e enxofre, chamados de elementoscombustíveis (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DEJANEIRO - ACADEMIA DE BOMBEIRO MILITAR D. PEDRO II, 2008).b) Calor: Calor é uma forma de energia que eleva a temperatura, gerada datransformação de outra energia, através de processo físico ou químico. Pode serdescrito como uma condição da matéria em movimento, isto é, movimentação ouvibração das moléculas que compõem a matéria. A energia de ativação serve comocondição favorável para que haja a reação de combustão, elevando a temperaturaambiente ou de forma pontual, proporcionando com que o combustível reaja com ocomburente em uma reação exotérmica (REIS, 1987).Ao receber calor, o combustível se aquece até chegar a uma temperatura quecomeça a desprender gases (os combustíveis inflamáveis normalmente jádesprendem gases a temperatura ambiente). Esses gases se misturam com ooxigênio do ar e em contato com uma chama ou até mesmo uma centelha, dá inícioà queima (DENIPOTTI et al., 2005).c) Reação em cadeia: Novo elemento essencial ao fogo, a reação em cadeiaformada durante a combustão gera produtos intermediários instáveis, chamadosradicais livres, prontos a combinar-se com outros elementos, gerando novos radicaismais estáveis. Aos radicais livres cabe a transmissão da energia química, geradapela reação, que por sua vez se transformará em energia calorífica decompondo asmoléculas, ainda intactas, e assim promovendo a sustentação e propagação do fogo(REIS, 1987).A reação em cadeia torna a queima auto-sustentável. O calor irradiado da chamaatinge o combustível e este é decomposto em partículas menores, que se combinamcom o oxigênio e queimam, irradiando outra vez calor para o combustível, formando
  23. 23. 22um círculo constante (SECRETARIA DE ESTADO DA DEFESA CIVIL - CORPO DEBOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – DIRETORIA GERALDE ENSINO E INSTRUÇÃO, 2005).d) Propagação do fogo: O fogo pode se propagar através do contato da chama emoutros combustíveis, pelo deslocamento de partículas incandescentes ou pela açãodo calor. O calor é uma forma de energia produzida pela combustão ou originada doatrito dos corpos, se propagando por três processos de transmissão (DENIPOTTI etal., 2005).e) Condução: É a forma pela qual se transmite o calor através do próprio material,de molécula a molécula ou de corpo a corpo (FERREIRA JUNIOR, 1974).f) Convecção: É quando o calor se transmite através de uma massa de ar aquecida,que se desloca do local em chamas, levando para outros locais, quantidade de calorsuficiente para que os materiais combustíveis aí existentes atinjam seu ponto decombustão, originando outro foco de fogo. (REIS, 1987).g) Irradiação: É quando o calor se transmite por ondas caloríficas através doespaço, sem utilizar qualquer meio material (SECRETARIA DE ESTADO DADEFESA CIVIL - CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DEJANEIRO – DIRETORIA GERAL DE ENSINO E INSTRUÇÃO, 2005).2.3 Classes de incêndiosOs incêndios são classificados de acordo com as características dos seuscombustíveis. Somente com o conhecimento da natureza do material que está sequeimando, pode-se descobrir o melhor método para uma extinção rápida e segura(REIS, 1987).Segundo o Governo do Estado de São Paulo (2009) os incêndios são classificadosconforme descrito a seguir:
  24. 24. 23Classe A Caracteriza-se por fogo em materiais sólidos; Queimam em superfície e profundidade; Após a queima deixam resíduos, brasas e cinzas; Esse tipo de incêndio é extinto principalmente pelo método de resfriamento, e às vezes por abafamento através de jato pulverizado.Classe B Caracteriza-se por fogo em combustíveis líquidos inflamáveis; Queimam em superfície; Após a queima, não deixam resíduos; Esse tipo de incêndio é extinto pelo método de abafamento.Classe C Caracteriza–se por fogo em materiais/equipamentos energizados (geralmente equipamentos elétricos); A extinção só pode ser realizada com agente extintor não condutor de eletricidade, nunca com extintores de água ou espuma; O primeiro passo num incêndio de classe C é desligar o quadro de força, pois assim ele se tornará um incêndio de classe A ou B.Classe D Caracteriza-se por fogo em metais pirofóricos (alumínio, sódio, magnésio, etc.); São difíceis de serem apagados; Esse tipo de incêndio é extinto pelo método de abafamento; Nunca utilizar extintores de água ou espuma para extinção do fogo.2.4 Classificação das edificaçõesÉ fundamental e necessário saber quais os sistemas de prevenção contra incêndioexigidos em edificações escolares. Para determinar as medidas de segurança contra
  25. 25. 24incêndios, a NSCI (1994) em seu art. 10 atribui à ocupação escolar contemplandoescolas, creches, jardins e congêneres, além disso, em seu art. 27 classifica asmesmas como risco leve, ressaltando que poderá ocorrer mudança de classificaçãode risco, de acordo com a carga de fogo, que é calculada de modo que todo omaterial potencialmente combustível de uma edificação não ultrapasse valoresnormatizados, conforme especificado no Quadro 2.Quadro 2 - Carga de fogo em função da classificação de risco. Classificação de risco Carga de fogo (kg/m²) Risco leve <60 Risco médio 60 a 120 Risco elevado >120Fonte: Adaptação do art. 27 da NSCI (1994).2.5 Sistemas de segurançaNesse contexto para se definir os sistemas preventivos mínimos exigidos paraedificações em Santa Catarina, “deve-se” adotar as prescrições do Capítulo III daNSCI que em seu Art. 20 trata exclusivamente de edificações escolares. Art. 20 - Nas edificações ESCOLARES: I - Independente do número de pavimentos ou da área total construída, será exigido Sistema Preventivo por Extintores; II - Com 04 ou mais pavimentos ou área total construída, igual ou superior a 750 m2, será exigido Sistema Hidráulico Preventivo; III - Será exigido Gás Centralizado, quando houver o funcionamento de aparelho técnico de queima; IV - Serão exigidas Saídas de Emergência; V - Com 04 ou mais pavimentos ou área total construída, igual ou superior a 750 m2 deverão dispor de proteção por Pára-Raios; VI - Com mais de 20 m de altura deverão dispor de pontos para Ancoragem de Cabos; VII - Com área total construída, superior a 1.500 m2, será exigido Sistema de Alarme; Sinalização que auxilie o Abandono do Local e Iluminação de Emergência, nas salas e nas circulações, com exceção das edificações onde a sala de aula possua saída diretamente para o exterior. (NSCI, 1994).
  26. 26. 252.6 Sistemas preventivosPor prevenção contra incêndios entende-se o conjunto de medida de cautela,recursos legais e materiais para evitar irrupção de sinistros, bem como atacá-los deinicio se ocorrerem, até a chegada do corpo de bombeiros. (FERREIRA JUNIOR,1974).Os objetivos fundamentais dos sistemas preventivos são de minimizar o risco a vidae reduzir a perda patrimonial, visto que garante a fuga dos ocupantes da edificaçãoem condições de segurança, a minimização de danos a edificações adjacentes e àinfraestrutura pública e a segurança das operações de combate ao incêndio quandonecessárias (VARGAS; SILVA, 2005).A seleção do sistema preventivo ideal deve ser feita tendo por base os riscos deinício de um incêndio, de sua propagação e de suas consequências. Não bastaidentificar o possível dano à propriedade devido ao fogo, mas por razõeseconômicas, é necessário também identificar a extensão do dano que pode serconsiderado tolerável (REIS, 1987).A necessidade e o valor da prevenção são indiscutíveis notadamente quando seleva em conta que os maiores incêndios originam-se de causas facilmentedomináveis, por iguais razões, são válidos todos os esforços no sentido de seconhecer as normas preventivas e a legislação pertinente, vale lembrar aimportância da prevenção contra incêndio no dia a dia das pessoas. (FERREIRAJUNIOR, 1974).2.6.1 Proteção passivaA vida moderna aumenta os riscos de incêndio devido às maiores concentraçõeshumanas, edificações mais próximas e mais altas, concepções arquitetônicas quefavorecem a propagação do fogo, materiais decorativos de fácil combustão e pelaproliferação, no interior das edificações (VALLE, [2008?]).
  27. 27. 26Ao contrário da proteção ativa que visa a extinção do incêndio, a proteção passivaestá incorporada, tendo como principais objetivos a compartimentação e oconfinamento do sinistro, evitando sua propagação e mantendo a estabilidadeestrutural do edifício por um tempo determinado, propiciando a evacuação de seusocupantes e assegurando a integridade das equipes de salvamento, resgate ecombate a incêndio do Corpo de Bombeiros (ONO, 2008).O Congresso Brasileiro do Concreto (2005) descreve que as medidas de proteçãopassiva são de vital importância numa situação de incêndio, levando emconsideração a correta provisão de rotas de fuga e a definição do grau deresistência dos elementos construtivos, estruturais e dos compartimentos, que irãolimitar ou conter o crescimento do incêndio no interior do edifício. Outro fator muitoimportante, porém pouco considerada pelos projetistas é a acessibilidade ao lote e aedificação, que quando não existe surge uma preocupação em relação à segurançacontra incêndio, pois a correta implantação do edifício no lote e concepção de suasfachadas são itens essenciais ao bom desempenho das atividades de salvamento ecombate a incêndios.2.6.2 Proteção por conjunto de extintoresOs extintores fazem parte do sistema básico de segurança contra incêndio emedificações e têm como objetivo o combate de princípio de incêndio, apresentandocomo principais características, a portabilidade, facilidade de uso, manejo eoperação. Vale lembrar que os princípios de incêndios têm características diferentesem função de sua origem elétrica ou não, e materiais combustíveis envolvidos, o queexige o uso de agentes extintores apropriados para cada caso (SEITO et al., 2008).De acordo com a NBR 12693 (1993) o extintor de incêndio é um aparelho deacionamento manual, constituído de recipiente e acessórios contendo o agenteextintor destinado a combater princípios de incêndio. O sistema de proteção contraincêndio por extintores, portáteis e/ou sobre rodas, deve ser projetado considerando-se a classe de risco a ser protegida e respectiva área, a natureza do fogo a ser
  28. 28. 27extinto, o agente extintor a ser utilizado, a capacidade extintora do extintor e adistância máxima a ser percorrida. Os extintores são classificados de acordo comsua capacidade extintora, obedecendo a critérios de tipo e quantidade de agente-extintor (NSCI, 1994). São considerados agentes extintores, em virtude da suaatuação sobre o fogo, as seguintes substâncias:a) Espuma: é uma solução aquosa de baixa densidade e de forma contínua, constituída por um aglomerado de bolhas de ar ou de um gás inerte. É um agente extintor indicado para incêndios das classes A e B. Age por abafamento e secundariamente por resfriamento. Por ter água na sua composição, não se pode utiliza-lo em incêndio de classe C, pois conduz corrente elétrica. Existem dois tipos clássicos de espuma, são eles espuma química e mecânica (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - ACADEMIA DE BOMBEIRO MILITAR D. PEDRO II, 2008).b) Gás Carbônico: é um gás incombustível, inodoro, incolor, mais pesado que o ar, não é tóxico, mas sua ingestão provoca asfixia. Atua por abafamento, dissipa-se rapidamente quando aplicado em locais abertos. Não conduz corrente elétrica, nem suja o ambiente em que é utilizado. O Dióxido de Carbono apresenta melhor resultado no combate a incêndios das Classes B e C. Na Classe A apaga somente na superfície (REIS, 1987).c) Pó Químico Seco (PQS): mistura na forma de pó, com propriedade de extinção de incêndios, constituída de um ou mais produtos inibidores e outras substâncias que proporcionam propriedades físico-químicas a ela (NBR 9695, 2003). É um grupo de agentes extintores de finíssimas partículas sólidas, e tem como características não serem abrasivas, não serem tóxicas, mas pode provocar asfixia se inalado em excesso, não conduz corrente elétrica, mas tem o inconveniente de contaminar o ambiente sujando-o, podendo danificar inclusive equipamentos eletrônicos, desta forma, deve-se evitar sua utilização em ambiente que possua estes equipamentos no seu interior e ainda dificultando a visualização do ambiente. Atua por abafamento e quebra da reação em cadeia (FERREIRA JUNIOR, 1974).
  29. 29. 28d) Água: é o agente extintor "universal", permite aplicação sob diversas formas devido sua abundância e as suas características de emprego. Como agente extintor a água age principalmente por resfriamento e por abafamento. Podem ser aplicado na forma de jato compacto, chuveiro e neblina. Para os dois primeiros casos, a ação é por resfriamento. Na forma de neblina, sua ação é de resfriamento e abafamento. É o agente extintor indicado para incêndios de classe A (DENIPOTTI et al., 2005)De acordo com a natureza do fogo, os agentes extintores devem ser selecionadosentre os constantes no Quadro 3.Quadro 3 - Seleção do agente extintor segundo a classificação do fogo. Classe de Água Espuma PQS CO² Incêndio SIM SIM Somente na Somente na A Excelente Regular superfície superfície SIM SIM SIM B NÃO Excelente Excelente Bom SIM SIM C NÃO NÃO Bom Excelente PQS D NÃO NÃO NÃO ESPECIALFonte: Informativo técnico 002 do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (IT-CBMSC) (2006).Segundo a NSCI (1994) a quantidade de extintores é determinada pela classificaçãode risco de incêndio da edificação de forma a proteger uma área máxima,respeitando um caminhamento onde o operador não percorra uma determinadadistância até o ponto mais afastado ou a outro extintor. Por estas razões, aquantidade de extintor e seu caminhamento são definidos pelo Quadro 4.Quadro 4 – Definição da quantidade de extintores e caminhamento em razão daclassificação de risco. Classificação de risco Extintor por área2 Caminhamento Risco Leve 500 m² 20 m Risco Médio 250 m² 15 m Risco Elevado 250 m² 10 mFonte: Adaptação do art. 33 e 34 da NSCI (1994).2 Uma unidade extintora para uma área de acordo com a classificação de risco.
  30. 30. 29Figura 4 - Detalhe do extintor.Fonte: IN-CBMSC 006 (2009).
  31. 31. 302.6.3 Sistema hidráulico preventivoDentre os numerosos problemas que a extinção de incêndios apresenta aobombeiro, um dos mais importantes e comuns consiste em fazer chegar a água até ofogo, em quantidade suficiente, de modo a se obter a combinação de suacapacidade de absorver calor, com o efeito mecânico do jato. A situação ideal é,evidentemente, aquela em que se dispõe de um volume de água suficiente, sob umapressão estática adequada para atender as necessidades normais (SOUZA, 2008).O sistema de hidrantes e de mangotinhos é um sistema de combate a incêndio quefunciona sob comando e libera água sobre o foco de incêndio em vazão compatívelao risco do local que visa proteger, de forma a extingui-lo ou controlá-lo em seuestágio inicial. Dessa forma, esse sistema possibilita o início do combate ao incêndiopelos usuários antes da chegada do corpo de bombeiros, além de facilitar osserviços dele quanto ao recalque de água e, em especial, em edificações altas(SEITO et al., 2008).Uma das características básicas do sistema de mangotinhos é a facilidade deoperação pelos usuários em função das pequenas vazões e diâmetros dasmangueiras, propiciando mais agilidade e facilidade às ações de combate ao fogo nafase inicial (SEITO et al., 2008).A NBR13714 (2000) conceitua o sistema hidráulico preventivo como um sistema decombate a incêndio composto por reserva de incêndio, bombas de incêndio (quandonecessário), rede de tubulação, hidrantes ou mangotinhos e outros acessórios.No estado de Santa Catarina o sistema de hidrantes e de mangotinhos, em geral,são classificados de acordo com diâmetro da mangueira, comprimento máximo damangueira, número de saídas e vazão no hidrante ou mangotinho maisdesfavorável, em função da ocupação e uso da edificação. A disposição do sistemadeve atender às características da edificação, em relação à arquitetura e mobiliários,e a cobertura proporcionada pelas mangueiras, que é no máximo de 30 m decaminhamento conforme NSCI (1994).
  32. 32. 31O mangotinho é o ponto de tomada de água no qual há uma simples saída contendoválvula de abertura rápida, adaptador (se necessário), mangueira semirrígidaacondicionada em carretel axial, esguicho regulável e demais acessórios (SEITO etal., 2008).Para o efetivo funcionamento do sistema, a NSCI (1994) exige que o mesmo sejadimensionado a fim de garantir vazão mínima no hidrante hidraulicamente menosfavorável, avaliando o funcionamento de hidrantes em uso simultâneo em função daquantidade de hidrantes instalados, conforme especificado no Quadro 5.Quadro 5 - Quantidade de hidrante em uso simultâneo em função do número dehidrantes instalados. Quantidade de hidrante em uso Quantidade de hidrantes instalados na simultâneo edificação 1 hidrante Quando instalado 1 hidrante 2 hidrantes Quando instalados 2 a 4 hidrantes 3 hidrantes Quando instalados 5 ou 6 hidrantes 4 hidrantes Quando instalados mais que 6 hidrantesFonte: Adaptação do art. 66 da NSCI (1994).A pressão mínima, definida no Quadro 6, deve ser verificada no hidrantehidraulicamente mais desfavorável, obedecendo a classificação de risco de incêndioencontrada para a edificação.Quadro 6 - Pressão mínima exigida de acordo com a classificação de risco. Classificação de risco Pressão mínima (Kg/cm²) Risco Leve 0,4 Risco Médio 1,5 Risco Elevado 4,5Fonte: Adaptação do art. 65 da NSCI (1994).A reserva técnica de incêndio (RTI), para risco leve, é dimensionada de tal formaque forneça ao sistema uma autonomia mínima de 30 minutos, sendo consideradasas vazões segundo o Quadro 7.
  33. 33. 32Quadro 7 - Vazões em hidrantes conforme classificação de risco. Risco leve Risco médio e elevado A vazão no hidrante mais 1 hidrante Quando instalado 1 hidrante favorável, acrescido de 2 2 hidrantes Quando instalados 2 a 4 hidrantes minutos por hidrante 3 hidrantes Quando instalados 5 ou 6 hidrantes excedente a quatro. 4 hidrantes Quando instalados mais que 6 hidrantes 3Fonte: Adaptação do art. 52 da NSCI (1994).Em edificações de risco leve, a RTI mínima deve ser de 5000 l, quando emreservatório subterrâneo, será o dobro da previsão para a do reservatório elevado,para todas as classes de risco. Figura 5 - Detalhe de hidrante. Fonte: IN-CBMSC 007 (2009).3 Acrescer dois minutos por hidrante excedente a quatro.
  34. 34. 332.6.4 Instalação de gás combustível canalizadoConsiderando que o gás é uma das grandes causas de incêndios nas edificaçõesdevido a erros de projeto e de execução e utilização de materiais inadequados,torna-se imprescindível e obrigatório respeitar as normas vigentes principalmente noque se refere ao afastamento, ponto mais importante e mais discutido quando sãoanalisadas as normas de sistemas de gás centralizado (BITTENCOURT, [200 _]).De acordo com as especificações da Instrução Normativa do Corpo de BombeirosMilitar de Santa Catarina (IN-CBMSC) 008 (2009) o afastamento mínimo que ascentrais de gás devem obedecer em relação à projeção vertical da edificação,levando-se em consideração a quantidade de gás, é dado pelo Quadro 8.Quadro 8 - Afastamento mínimo por quantidade de GLP. Afastamento de segurança (m) Recipiente Capacidade da Recipiente em Recipiente de 6 4 5 enterrado ou central de GLP (Kg) Central superfície 7 aterrado Até 1000 0 1,5 3,0 >1000 a 2750 1,5 3,0 3,0 >2750 a 4000 3,0 7,5 3,0 >4000 a 60000 7,5 15,0 15,0 >60000 15,0 22,5 15,0Fonte: IN-CBMSC 008 (2009).Outro fator muito importante é a escolha do tipo do aparelho de queima, pois estádiretamente ligada à capacidade (potência), havendo a possibilidade ou não deinstalação de chaminé. O somatório das capacidades dos aparelhos localizados nomesmo cômodo ou ambiente contíguo determinarão a área das aberturas paraventilação permanente, que é no mínimo de 200 cm². Importante lembrar que se faz4 Instalado diretamente sobre o solo ou sobre suportes rente ao chão isolados por paredes e coberturas corta fogo.5 Instalado diretamente sobre o solo ou sobre suportes rente ao chão.6 Instalados a uma profundidade mínima de 0,30 m (trinta centímetros) medida entre a tangente do topo do recipiente e o nível do solo.
  35. 35. 34obrigatório perante NSCI (1994) no Estado de Santa Catarina aberturas paraventilação na central de gás.A NBR 15526 (2007) define a central de gás como sendo uma área devidamentedelimitada que contém os recipientes transportáveis ou estacionários e acessórios,destinados ao armazenamento de gases combustíveis para consumo na própriarede de distribuição interna, e o GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) um produtoconstituído de hidrocarbonetos com três ou quatro átomos de carbono (propano,propeno, butano, buteno), podendo apresentar-se em mistura entre si e compequenas frações de outros hidrocarbonetos. Figura 6 - Planta baixa de casa de gás. Fonte: Elaborado pelo autor com base a NSCI (1994).7 Recoberto de terra compactada, com no mínimo 0,30 m (trinta centímetros) de espessura em qualquer ponto do costado do recipiente.
  36. 36. 35 Figura 7 - Corte A.A. da casa de gás. Fonte: Elaborado pelo autor com base a NSCI (1994).Figura 8 - Detalhe do ponto de alimentação dos fogões a gás. Fonte: Elaborado pelo autor com base a NSCI (1994).
  37. 37. 362.6.5 Saída de emergência, rota de saída ou saídaSegundo Alves, Alessandra (2005) o conhecimento dos conceitos existentes sobreincêndio, bem como das causas e consequências, possibilita a adoção de medidaspreventivas e protetoras capazes de incrementar a segurança contra incêndio. Entreas medidas protetoras estão as rotas de escape, ligadas às saídas de emergência,tendo como objetivo principal o movimento de evacuação seguro e rápido dapopulação dos edifícios.Na ocorrência de um incêndio, em poucos segundos a pessoa é submetida à intensacarga física e emocional para qual normalmente não está preparada, que segundoGwynne et al (1999), é encontrado uma tendência no comportamento dos indivíduosno caso de incêndios, de grande interesse porque apresenta quatro áreas interativasque cobrem os elementos envolvidos no caso de um sinistro:Configuração do espaço - compreende a geografia da estrutura, incluindo largura edisposição das saídas, etc.Procedimentos - conhecimento dos usuários sobre o espaço, treino e funções dosfuncionários, familiaridade dos ocupantes com a disponibilidade de saídas.Ambiente - influência dos efeitos como calor, gases tóxicos e fumaça na capacidadede navegação e decisão dos indivíduos.Comportamento - associação de todos os demais fatores com as característicaspessoais, como extrato grupo-social, adoção de papéis específicos (exemplo: líder),resposta do indivíduo a situações de emergência, velocidades de locomoçãopossível e capacidade do indivíduo de realizar tarefas necessárias.A falta ou inobservância de detalhes construtivos integrantes do sistema de saídasde emergência acarreta, no caso de utilização real, o desencadeamento de lesõescorporais, entrada em pânico e até casos mais graves (SEITO et al., 2008).
  38. 38. 37A construção do sistema de saídas de emergência deve estar em condições de darconforto mínimo e segurança ao usuário sendo peça fundamental no sucesso daretirada de pessoas de locais sinistrados. Segundo a NSCI (1994), as dimensões delarguras das saídas deverão atender requisitos, como proporcionalidade ao númerode pessoas que por elas transitarem, a natureza da ocupação da edificação, ter nomínimo 1,20 m ou 1,50 m (edificações de reunião de público), e ser acrescida deuma unidade de passagem para cada conjunto de pessoas, conforme o Quadro 9.Quadro 9 - Saída de emergência em edificações. Capacidade Distancia Classe de Cálculo da Nº de pessoas/unidade de passagem máxima para ocupação população alcançar a Acessos Saídas Portas saída (m) Salas de aula 1 aluno/m² 100 60 100 35Fonte: Adaptação do anexo F da NSCI, 1994.Para verificar o tipo e número mínimo de escadas é preciso submeter à edificaçãoescolar ao Anexo B da IN 009, segundo o Quadro 10.Quadro 10 – Tipo e quantidade de escadas. Área <750 m² p/ Área >750 m² p/ Classificação Nº pavimento pavimento Altura (m)das edificações pavimentos Tipo de Nº escada Nº escada Nº escada escada H< 6 Até 3 1 I 2 I H< 12 Até 4 2 II 2 II Escolar H< 21 Até 8 2 II, III 2 III H< 30 Até 12 2 III, IV 2 IV H> 30 - 2 IV 2 IVFonte: Adaptação do anexo B da IN-CBMSC 009, 2006.Segundo a NBR 9077 (2001) as saídas de emergência devem dispor de um caminhocontínuo, devidamente protegido, proporcionado por portas, corredores, halls,passagens externas, balcões, vestíbulos, escadas, rampas ou outros dispositivos desaída ou combinações destes, a ser percorrido pelo usuário, em caso de umincêndio, de qualquer ponto da edificação até atingir a via pública ou espaço aberto,protegido do incêndio, em comunicação com o logradouro.
  39. 39. 38Para a verificação da quantidade de passagens e medidas mínimas pertencentes aosistema de saídas de emergência, utiliza-se uma operação matemática constante naNSCI (1994) a qual define o número de unidades de passagem. Segue abaixo afórmula:Onde:N= número de unidades de passagem (sendo fracionário deve ser arredondado para número inteiro superior)P= número de pessoas do pavimento de maior lotação (em escolas considerar 01 aluno/m², conforme Quadro 9)Ca= capacidade de acesso (Quadro 9)Ce= capacidade da escada (quando for calculado número de unidades de passagem de escadas, seguindo valores constantes no Quadro 9)Para se determinar a largura mínima para acessos, saídas e portas, multiplica-se onúmero de unidades de passagem encontrado (arredondado para cima) com o valorfixado pelo art. 203, NSCI 1994, que é de 0,55 m, conforme demonstrado abaixo:Onde:L= largura mínima para acessos, saídas e portasN= número de unidades de passagem encontradoNa NSCI, para edificações escolares, a dimensão mínima da largura para acessos esaídas é 1,20 m e portas de 80 cm, entretanto os cálculos poderão apresentarvalores menores que o exigido em norma, de igual forma será adotado taisdimensões mínimas prevista na NSCI. Em escadas, o tipo e quantidade sãodeterminados pelo Quadro 10, entretanto o dimensionamento é calculadorespeitando os mesmos critérios para acessos e saídas, como visto anteriormente.
  40. 40. 392.6.6 Sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPCDA)A NBR 5419 (2005) define como um sistema completo destinado a proteger umaestrutura contra os efeitos das descargas atmosféricas, sendo composto de umsistema externo e de um sistema interno de proteção. O sistema externo de proteçãoconsiste em subsistema de captores, condutores de descida e de aterramento, e osistema interno de proteção consiste em conjunto de dispositivos que reduzem osefeitos elétricos e magnéticos da corrente de descarga atmosférica dentro daedificação a proteger (equalização de potencial).A equalização de potencial constitui a medida mais eficaz para reduzir os riscos deincêndio, explosão e choques elétricos dentro do volume a proteger (NBR 5419,2005).Entende-se por equalização de potenciais de instalações metálicas, massas,sistemas elétricos de potência e de sinais: a interligação e o aterramento por meiode barramento (uso da caixa de equipotencialização) dos circuitos elétricos, doscircuitos de sinal (telefone, cabos lógicos, tv a cabo, tv via satélite entre outros), bemcomo de todas as instalações metálicas de uma edificação (corrimões e guarda-corpo metálicos, gradis e guarda-corpo de sacadas e terraços, escadas de acesso àmanutenção em reservatórios, estruturas metálicas contínuas de elevadores,tubulação do sistema hidráulico preventivo, estrutura de aço do concreto armado edemais massas metálicas como vigas, pilares metálicos, telhas metálicas e caboscondutores metálicos, cabos do sistema de proteção por descarga atmosférica)(GUILHERME, 2008).Esses sistemas foram feitos para proteger construções e seus ocupantes dos efeitosda eletricidade dos relâmpagos, criando um caminho, com um material de baixaresistência elétrica, para que a descarga entre ou saia pelo solo com um riscomínimo às pessoas presentes no local (OLIVEIRA JÚNIOR, Ademar Macedo de,2004).
  41. 41. 40O sistema é dividido em três componentes, sendo eles o terminal aéreo, oscondutores de descida e o terminal de aterramento. O terminal aéreo é uma hastemetálica rígida e pontiaguda, montada numa base, no ponto mais alto da estrutura,que deverá capturar a descarga, conhecido pelo nome de para-raios ou proteção pormétodo de Franklin, segundo Figura 9 (ALVES, Normando, 2007). Figura 9 - Funcionamento do SPCDA por método de Franklin. Fonte: Alves (2007).O sistema da Gaiola de Faraday, visualizado nas Figuras 10 e 11, consiste nolançamento de cabos sobre a cobertura da edificação, em forma de gaiola e/oumalha funcionando como uma blindagem eletrostática, tentando reduzir os camposelétricos dentro da edificação (GRACIELO, 2011).
  42. 42. 41Figura 10 - Desenho genérico do sistema Faraday em galpão. Fonte: Alves (2007).Figura 11 - Desenho genérico do sistema Faraday em prédio. Fonte: Alves (2007).
  43. 43. 42Como visto anteriormente, os métodos de Franklin e Faraday são sistemascompostos de materiais (mastros e cabos) instalados nas fachadas das edificações.Para saber se esses materiais estão corretamente posicionados e dimensionados,confirmando assim sua eficiência, pode-se adotar um modelo de cálculo chamado"método da esfera rolante" (eletro-geométrico), que consiste em fazer rodar umaesfera fictícia em todos os sentidos e direções sobre o topo e fachadas daedificação, conforme Figura 12 e 13. O objetivo é fazer com que os mastros(Franklin) ou cabos (Faraday) impeçam que a esfera toque a edificação, neste caso,simulando a ação do raio (GRACIELO, 2011). Figura 12 - Desenho genérico do sistema de esfera rolante em prédio. Fonte: Alves (2007). Figura 13 - Funcionamento da esfera rolante. Fonte: NBR 5419 (2005).
  44. 44. 43Para interceptar a descarga, conduzir a corrente e dispersá-la no solo, a NSCI(1994), exige a utilização dos métodos de Franklin, Faraday e esfera rolante demaneira separada ou de alguma forma combinada respeitando o nível de proteçãomínimo em função das características da edificação, segundo o Quadro 11.Quadro 11 - Nível de proteção do SPCDA pelo tipo de edificação. Nível de Tipo de edificação proteção Instalações de centrais nucleares, torres de controle de tráfego aéreo, centrais de Nível I processamento e similares, onde não pode haver a interferência de descargas elétricas externas. Edificações de depósito de combustíveis ou explosivos, centrais de processamento Nível II de dados e similares que apresentem risco elevado de sofrerem danos causados por descargas elétricas. Edifícios de apartamentos ou comerciais, depósitos comuns e similares com Nível III características normais de uso rotineiro. Edificações onde não haja trânsito de pessoas com rotina e estejam situadas em Nível IV locais ermos.Fonte: Adaptação do art. 295 da NSCI (1994).O nível de proteção descrito na NBR 5419 (2005) expressa a probabilidade com aqual um SPDA protege um volume contra os efeitos das descargas atmosféricas queé diferente do prescrito no Quadro 11. Assim o SPCDA da NSCI torna-se umsistema mais brando que o da NBR 5419, pois o dimensionamento do sistema estarelacionado diretamente ao nível de proteção escolhido.Um sistema de SPCDA da NSCI (1994) é dimensionado respeitando o disposto doQuadro 12.Quadro 12 – Dimensionamento do SPCDA conforme nível de proteção. Malha (m) Ângulo de proteção/altura Espaçamento Nível de Raio de esfera das descidas proteção rolante (m) Princ. Secun. @/20m @/30m @/45m @/60m (m) 8 8 8 I 20 5 7,5 25 10 8 8 II 30 10 15 35 25 15 III 45 10 20 45 35 25 8 20 IV 60 20 30 55 45 35 25 25Fonte: Adaptação do art. 294 e 317 da NSCI (1994).8 Nestes casos só se utilizam os métodos de esfera rolante ou gaiola/malha.
  45. 45. 44Os condutores de descida devem-se dispor de modo que o comprimento da descidaseja o mais curto e paralelo possível, distribuídos no entorno da edificação por umespaçamento máximo conforme nível de proteção adequado, definido pelo Quadro12.Os terminais de aterramento compõe o último elemento do sistema, funcionandopara a dispersão da corrente elétrica através de hastes (eletrodos), geralmente decobre, em um nível que dependerá do tipo de solo e do tipo de construção que sedeseja proteger (NSCI, 1994).O Quadro 13 apresenta as seções mínimas exigidas dos materiais que compõe oSPCDA, segundo dados obtidos na IN-CBMSC 010 (2008).Quadro 13 - Seções mínimas dos materiais que compõe o SPCDA. Descidas (para Descidas (para Captor e anéis Eletrodo de estruturas de estruturas de Materiais intermediários aterramento altura até 20m) altura superior a (mm²) (mm²) (mm²) 20m) (mm²) Cobre 35 16 35 50 Alumínio 70 25 70 Aço galvanizado a quente ou 50 50 50 80 embutido em concretoFonte: IN-CBMSC 010 (2008).Quanto ao SPCDA pode-se afirmar que a segurança para o usuário e para oequipamento ligado a uma fonte elétrica é a finalidade básica e fundamental emqualquer sistema elétrico, evitando correntes de modo incomum, assegurandotranquilidade para o usuário (REDE INTEGRADA NACIONAL DE DETECÇÃO DEDESCARGAS ATMOSFÉRICAS, 2011). A Figura 14 demostra como se deveproceder a fixação do cabo e terminal aéreo na telha.
  46. 46. 45 Figura 14 - Detalhe da fixação do cabo e terminal aéreo na telha. Fonte: Elaborado pelo autor com base na NSCI (1994).2.6.7 Sistema de alarme de incêndioÉ um sistema complexo de vários dispositivos que detectam, controlam e indicampresença de fumaça, calor, chama e gases. Os dispositivos são controlados por umacentral que conforme a NBR 9441 (1998) é um equipamento destinado a processaros sinais provenientes dos circuitos de detecção, a convertê-los em indicaçõesadequadas e a comandar e controlar os demais componentes do sistema.A proposta conceitual do sistema de alarme de incêndio segundo Seito et al (2008),é detectar o fogo em seu estágio inicial, a fim de possibilitar o abandono rápido eseguro dos ocupantes do edifício e iniciar as ações de combate ao fogo, evitandoassim a perda de vidas, do patrimônio e também evitar contaminação do meioambiente.
  47. 47. 46O sistema de alarme de incêndio é constituído basicamente por detectoresautomáticos de incêndio e/ou acionadores manuais, painel de controle (central),indicadores sonoros e visuais e fonte de alimentação elétrica por carregador ebateria (NSCI, 1994).Os três elementos básicos dentro do conceito operacional do sistema citadosanteriormente, podem ser descritos como detecção, processamento e aviso(sinalização). O primeiro elemento (detecção) é a parte do sistema que “percebe”(detecta) o incêndio. O segundo elemento envolve o processamento do sinal dodetector de incêndio ou acionador manual enviado do local do fogo até a central deprocessamento ou central de alarme. Por último, o sistema de processamento dacentral ativa o aviso por meio de sinalização visual e/ou sonora, com o objetivo dealertar os ocupantes e também acionar dispositivos auxiliares para operação deoutros sistemas. O ajuste da sensibilidade dos detectores é fundamental para seevitar a ocorrência de alarmes falsos (SECRETARIA DE ESTADO DA DEFESACIVIL - CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO –DIRETORIA GERAL DE ENSINO E INSTRUÇÃO, 2005).As edificações que dispuserem de acionadores manuais devem atentar para instalá-los em locais visíveis, como em áreas comuns de acesso e/ou circulação, próximoaos pontos de fuga e de equipamentos de combate a incêndio, de tal modo que ooperador não percorra mais de 30 m no pavimento ou na área setorizada paraacioná-los, entre cotas de 1,20 e 1,50 m do piso acabado (NSCI, 1994).Devido ao efeito físico da subida do ar quente, normalmente os detectores detemperatura e fumaça são instalados no teto de um ambiente, porém hánecessidade de se levar em consideração a temperatura junto ao teto que podesofrer aquecimento devido principalmente à radiação solar, iluminação ou sistemasde condicionamento de ar, formando um colchão de ar quente que não permite ocontato da fumaça ou do calor gerado no princípio de um incêndio com o detector noteto, impedindo ou retardando a detecção (SEITO et al., 2008).
  48. 48. 47Figura 15 - Acionador e sonorizador do sistema de alarme Fonte: IN-CBMSC 012 (2006).
  49. 49. 482.6.8 Sistema de sinalização de emergênciaDe acordo com a NBR 13434-2 (2004) a sinalização de emergência é definida comouma sinalização que fornece uma mensagem de segurança, obtida por umacombinação de cor e forma geométrica, à qual é atribuída uma mensagemespecífica de segurança pela adição de um símbolo gráfico executado com cor decontraste.A sinalização de emergência é um dos aspectos marcantes no sucesso do projetode abandono de uma edificação, com a finalidade de reduzir o risco de ocorrência deincêndio, alertando para os riscos existentes, e garantir que sejam adotadas açõesadequadas à situação de risco, que orientem as ações de combate e facilitem alocalização dos equipamentos e das rotas de escape da edificação, proporcionandoum abandono seguro em casos de incêndio. Tal sinalização faz uso de símbolos,mensagens e cores, definidos na NBR 13434-2 (2004) (SEITO et al., 2008).Os tipos de sinalização de emergência, básica e complementar, devem serimplantados em função de características específicas de uso e dos riscos, bemcomo em função de necessidades básicas para a garantia da segurança contraincêndio da edificação. A sinalização básica é um conjunto mínimo de sinalizaçãoque uma edificação deve apresentar, constituído por quatro categorias, de acordocom a sua função: proibição, alerta, orientação/salvamento e equipamentos, já acomplementar é um conjunto de sinalização composta por faixas de cor oumensagens complementares à sinalização básica (SECRETARIA DE ESTADO DADEFESA CIVIL - CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DEJANEIRO – DIRETORIA GERAL DE ENSINO E INSTRUÇÃO, 2005).A sinalização de emergência como descrito na NSCI (1994) deve assinalar todas asmudanças de direção, obstáculos, saídas, escadas, entre outros. A distância emlinha reta entre dois pontos da sinalização de emergência não pode ser maior de 15m, e o fluxo luminoso deve ser no mínimo igual a 30 lúmens com autonomia defuncionamento do sistema, quando da interrupção da alimentação normal.
  50. 50. 49Figura 16 - Luminária de sinalização de abandono de local com seta indicativa de saída Fonte: IN-CBMSC 013 (2006).
  51. 51. 502.6.9 Sistema de iluminação de emergênciaO sistema de iluminação de emergência é aquele que, na falta de iluminação normal,deve clarear áreas escuras de passagens, horizontais e verticais, incluindo áreas detrabalho e áreas técnicas de controle de restabelecimento de serviços essenciais enormais. A intensidade da iluminação deve ser suficiente para evitar acidentes egarantir a evacuação das pessoas, levando em conta a possível penetração defumaça nas áreas (NBR 10898, 1999).Complementando o conceito acima, a NSCI (1994) define o sistema de iluminaçãode emergência como um conjunto de componentes e equipamentos que, emfuncionamento, proporcionam a iluminação suficiente e adequada para permitir asaída fácil e segura do público para o exterior, no caso de interrupção daalimentação normal, como também, a execução das manobras de interesse dasegurança e intervenção do socorro e garante a continuação do trabalho naqueleslocais onde não pode haver interrupção da iluminação.É definida pela NSCI (1994) que o sistema de iluminação de emergência deve terautonomia mínima de uma hora de funcionamento, garantida durante este período aintensidade dos pontos de luz de maneira a respeitar os níveis mínimos deiluminação desejados em cinco lux para locais com desníveis (escadas, portas comaltura inferior a 2,10 m e obstáculos) e três lux para locais planos (corredores, halls,elevadores e locais de refúgios). Nos locais onde não pode haver interrupção dailuminação, o nível de iluminamento de emergência deve ser igual a 70% do nível deiluminamento normal.O sistema de iluminação de emergência auxilia a viabilidade da saída dos ocupantesdo edifício, permitindo o reconhecimento de obstáculos que possam dificultar acirculação, tais como grades, portas, saídas, mudanças de direção, não podendo serconcebido isoladamente dos demais sistemas de segurança da edificação(SECRETARIA DE ESTADO DA DEFESA CIVIL - CORPO DE BOMBEIROSMILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – DIRETORIA GERAL DE ENSINO EINSTRUÇÃO, 2005).
  52. 52. 51A fonte de energia utilizada pelo sistema deve ser independente da fonte normal dealimentação do edifício, e deve situar-se abaixo da altura máxima do escape naturalda fumaça. A entrada automática deve realizar-se em qualquer caso de falha daalimentação principal, por abertura do disjuntor, fusível ou qualquer manobra queinterrompa o sistema normal de iluminação (SEITO et al., 2008). Figura 17 - Instalação da luminária de emergência. Fonte: IN-CBMSC 011 (2006).
  53. 53. 523 METODOLOGIA3.1 Perspectiva da pesquisaEsta pesquisa é do tipo quantitativa com objetivo exploratório, ou seja, foramrealizadas pesquisas em normas técnicas para fundamentação de um check list comos requisitos a serem obtidos em pesquisa de campo, e apresentação dosresultados através de gráficos para representar a realidade das instalaçõespreventivas e de combate a incêndios das edificações pesquisadas.3.2 Procedimento e instrumentos de coleta e análise de informaçõesInicialmente foram solicitados os dados das escolas de ensino fundamentalmunicipal junto à prefeitura municipal de Itajaí através da secretaria municipal deeducação, totalizando quarenta (40) unidades, cujos nomes estão apresentadosabaixo: Centro Educacional Profº Cacildo Romagnani; Centro Educacional de Cordeiros; Centro Educacional Pedro Rizzi; Escola Básica Aníbal Cesar; Escola Básica Antônio Ramos; Escola Básica Ariribá; Escola Básica Arnaldo Brandão; Escola Básica Avelino Werner; Escola Básica Elias Adaime; Escola Básica Francisco Celso Mafra; Escola Básica Gaspar da Costa Moraes; Escola Básica João Duarte;
  54. 54. 53 Escola Básica João Paulo II; Escola Básica José Fernandes Potter; Escola Básica José Medeiros Vieira; Escola Básica Mansueto Trés; Escola Básica Marechal Olímpio Falconieri da Cunha; Escola Básica Padre José de Anchieta; Escola Básica Padre Pedro Baron; Escola Básica Pedro Paulo Rebello; Escola Básica Prefeito Alberto Werner; Escola Básica Profª Edy Vieira W. Rothbarth; Escola Básica Profª Inês Cristofolini de Freitas; Escola Básica Profª Judith Duarte de Oliveira; Escola Básica Profª Maria Dutra Gomes; Escola Básica Profª Maria José Hulse Peixoto; Escola Básica Profª Thereza Bezerra de Athayde; Escola Básica Profº Martinho Gervási; Escola Básica Yolanda Laurindo Ardigó; Grupo Escolar Carlos de Paula Seára; Grupo Escolar Elisa Gessele Orsi; Grupo Escolar Guilhermina Büchele Müller; Grupo Escolar Maria do Carmo Vieira Escola Isolada Clarindo Sebastião da Cunha; Escola Isolada Duque de Caxias; Escola Isolada Gabriel Dallago; Escola Isolada Jorge Domingos Gonzaga; Escola Isolada Maria Perpetua Pereira; Escola Municipal Rosa Negreiros Cabral.A fundamentação teórica foi desenvolvida através de pesquisas na NSCI, NBRs eautores, com o condão de buscar conceitos sobre os sistemas, bem como verificaras exigências mínimas de prevenção contra incêndio em edificações escolares.
  55. 55. 54Consequentemente foram especificados os parâmetros necessários para análiseexploratória dos dados a serem verificados em campo, utilizando os requisitosmínimos necessários obtidos junto a NSCI e outras normas técnicas para cadasistema preventivo exigido.Para obtenção de uma análise precisa foi necessário categorizar as escolas empequenas (com área igual ou inferior a mil e quinhentos metros quadrados), médias(com área igual ou inferior a mil e quinhentos metros quadrados que necessitem dehidrantes e pára-raios) e grandes (com área maior que mil e quinhentos metrosquadrados).Os parâmetros foram elaborados e compuseram um check list, uniformementeaplicado a todas as unidades escolares de ensino fundamental municipal de Itajaí,apresentando informações relevantes sobre a real situação das edificaçõesescolares pesquisadas.O check list facilita o levantamento em campo atribuindo perguntas objetivas queposteriormente serão de fácil compreensão para análise e avaliação das edificaçõesescolares. As perguntas referem-se a exigência dos sistemas, primeiramente se osistema é exigido na edificação, se exigido, verifica-se a conformidade com asnormas técnicas. Quando desconforme, é atribuído para cada sistema preventivoalgumas desconformidades que normalmente podem ser encontradas:a) O sistema preventivo não está instalado;b) Produtos fora da validade ou não manutenidos;c) Produtos mal posicionados;d) Produtos em quantidade inferior à necessáriae) Falta de piso antiderrapante e incombustível nas saídas de emergência;f) Guarda-corpo e corrimão inexistentes ou com medidas inadequadas;g) Portas mal posicionadas ou com medidas deficitárias;h) Corredores e escadas em quantidade, tipo e/ou dimensões inferiores à necessária.
  56. 56. 55Desta forma apresenta-se no Quadro 14, os requisitos a serem obtidos em pesquisade campo.Quadro 14 - Check list contendo os parâmetros a serem verificados. 1 a 40 Nome da Escola Sistema / Escola Área aproximada: m² Está Conforme É exigido Sim Não 1 2 3 4 5 6 7 8Sistema de Proteção por Conjunto de ExtintoresSistema Hidráulico PreventivoSistema de Gás CentralizadoSistema de Saídas de EmergênciaSistema de Proteção por Descargas AtmosféricasSistema de Alarme de IncêndioSistema de Sinalização de EmergênciaSistema de Iluminação de Emergência Não conformidades encontradas1. O sistema preventivo não está instalado Áreas: m²2. Produtos fora da validade ou não manutenidos Edificação Considerada3. Produtos mal posicionados4. Quantidade inferior à necessária ( ) Pequena ( ) Média ( ) Grande5. Falta de piso antiderrapante e incombustível nas saídas deemergência6. Guarda-corpo e/ou corrimão inexistentes ou com medidas No de Escadas: Tipo:inadequadas7. Portas mal posicionadas ou com medidas deficitárias Distancia para atingir as saídas: m8. Corredores e escadas em quantidade, tipo e/ou dimensões Observações:inferiores à necessáriaAs não conformidades encontradas apresentaram a real situação das instalaçõespreventivas e de combate a incêndio das edificações pesquisadas, dando maiorrelevância as não conformidades 5, 6, 7 e 8, que representam os parâmetrosexigidos para as saídas de emergência.A verificação visual foi aplicada as não conformidades 1, 2, 3, 4, 5 e 6, contudo, paraas não conformidades 7 e 8 foi necessária análises aprofundadas das edificaçõescom informações como: área dos pavimentos; número de andares; altura daedificação; posição, número e tipo das escadas e corredores e distância máximapara alcançar as escadas e saídas, que foram extraídas e submetidas as normasNSCI, e IN 009. As saídas de emergência receberam um tratamento especial, devidoa sua importância dentro do contexto de prevenção de incêndio em edificaçõesescolares, por serem inerentes às edificações e em alguns casos de difícil
  57. 57. 56adequação sem prejuízo estrutural, quando a edificação já está construída. Osoutros sistemas, independentemente se a edificação está ou não construída, sãoreadequados facilmente.Para a análise dos dados coletados, serão apresentados os gráficos com osresultados obtidos através da pesquisa de campo. Estes gráficos foram gerados como auxílio de planilhas eletrônicas apresentadas como anexo, desenvolvidas paracoletar informações necessárias. Os gráficos apresentados serão analisados eutilizados como instrumento para a discussão dos resultados, elaboração dasconsiderações finais e conclusão.
  58. 58. 574 APRESENTAÇÃO DOS DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOSPrimeiramente, faz-se necessário classificar as escolas apresentadas neste trabalhode conclusão de curso com relação ao seu porte, distinguindo-as entre pequenas,médias e grandes. No município de Itajaí, das 40 unidades escolares de ensinofundamental municipal analisadas, existem 19 escolas de grande porte, 12 escolasde médio porte e 8 escolas de pequeno porte, exceto a Escola Básica JoséFernandes Potter que foi demolida para construção de uma nova unidade. Valelembrar que a definição do porte destas escolas é imprescindível para se determinarquais são os sistemas exigidos, por exemplo, em escolas de grande porte, além detodos os sistemas exigidos para edificações de médio porte, abaixo de mil equinhentos metros quadrados, também são exigidos os sistemas de alarme deincêndio, sinalização e iluminação de emergência.Segundo Oliveira Júnior, Moacir (2011), todos os sistemas preventivos são exigidosnas edificações classificadas como grandes, enquanto que nas edificações médiasnão há necessidade de sistema de alarme, sinalização e iluminação de emergência.Em edificações de pequeno porte, além dos sistemas preventivos dispensados nasedificações de médio porte, são dispensados também os sistemas de hidrantes epara-raios.A Figura 18 informa a exigibilidade encontrada na rede de ensino fundamentalmunicipal, onde se percebe que os sistemas de conjunto por extintores, gáscentralizado e saídas de emergência, obtiveram valores de 100%, que representa aobrigatoriedade em todas as unidades escolares analisadas.
  59. 59. 58 Figura 18 - Gráfico da exigibilidade dos sistemas preventivos e de combate a incêndios.É importante salientar que a figura acima apresenta a exigibilidade de cada sistemaem relação a quantidade total de escolas analisadas, por exemplo, o sistemahidráulico preventivo é obrigatório em 79% das escolas analisadas.A conformidade de cada sistema está diretamente ligada à exigibilidade. A Figuraabaixo apresenta o gráfico global de verificação de conformidades das edificaçõesonde os sistemas preventivos são exigidos, portanto são desconsideradas asedificações onde não há obrigatoriedade de instalação do respectivo sistemapreventivo.
  60. 60. 59 Figura 19 – Gráfico global de verificação de conformidades das edificações onde os sistemas preventivos são exigidos.Fica em evidência na figura acima, que 64% das edificações escolares apresentamconformidade em relação as saídas de emergência, devido ao fato de que grandeparte das escolas possuem saídas diretamente para o exterior, contribuindo assimpara a referida conformidade.Outro item importante a ressaltar é o sistema de proteção por conjunto de extintores,que apresenta apenas 3% de conformidade, sendo este obrigatório em todas asedificações escolares.O sistema de gás centralizado também é exigido por norma onde houver aparelhode queima (fogão, forno, etc.), e percebe-se que apenas 8% das escolas estão deacordo com as especificações normativas.As não conformidades encontradas são apresentadas a seguir para cada sistemapreventivo pesquisado. É importante salientar que os valores encontrados refletem aporcentagem da não conformidade em relação ao total de não conformidades e nãoem função da quantidade de escolas.
  61. 61. 60A Figura 20 apresenta as não conformidades encontradas no sistema de proteçãopor conjunto de extintores, exigido em 100% das unidades escolares, podendodestacar que em 37,9% das não conformidades encontradas, os extintores estavamfora de validade ou sem a devida manutenção. Figura 20 - Gráfico das não conformidades encontradas no sistema de proteção por conjunto de extintores.Outro índice importante é a quantidade de extintores, que em 29,3% dasdesconformidades não possui o número mínimo necessário exigido por norma, e anão instalação deste sistema que ocorre em 17,2% das desconformidades.No mesmo sentido, Oliveira Júnior, Moacir (2011), verificou nas escolas estaduaisem relação a ausência do mesmo, onde o valor encontrado foi bem mais expressivo,de 44,4% do total de não conformidades. A não conformidade referente a validade emanutenção dos extintores obteve diferença aproximadamente de 10%,evidenciando que a rede municipal é negligente quanto a verificação periódica dosextintores.O sistema hidráulico preventivo (rede de hidrantes) deve estar presente em 79% dasescolas analisadas, sendo exigido um mínimo de treinamento para utilizá-lo. Verifica-se na Figura 21 que das não conformidades encontradas, 93,1% não possuía osistema instalado, e que em 6,9% o sistema está sem a devida manutenção.

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