Observaçõessobre a forma romanesca<br />Profa. Dr. Maria Eneida Matos da Rosa<br />
Século XVIII: ascensão do romance naInglaterra<br />“Grande gêneroépíco, figuraçãonarrativadatotalidade social, o romance ...
Romancistascomo Fielding e Balzac acreditavam, segundoretomaLukács, “que o romancistadeve ser o historiadordavidaprivada”....
Descartes (Discursosobre o método, 1637))assinalaumaconcepçãoindividualista – buscadaverdadecomoumaquestãointeiramente ind...
Espaço e personagem<br />Segundo Watt, existemdoisaspectosessenciaispara o romance: caracterização e apresentação do ambie...
Personagem no romance<br />“O romancistatipicamenteindicasuaintenção de apresentarumapersonagemcomo um indivíduo particula...
Personagem no romance<br />“Os primeirosromancistasromperam com a tradição e batizaramsuaspersonagens de modo a sugerirque...
O tempo no romance<br />“…as personagens do romance sópodem ser individualizadas se estãosituadas num contexto com tempo e...
Aspectosestruturais do romance que antes nãoexistiam: tempo, espaço.<br />Ascensão de um públicoleitor: essencialmentefemi...
 Para Watt (1990), a premissabásicaacercada forma romanescadizrespeitoaofato de que “o romance constitui um relatocompleto...
“[…] a intenção fundamental  determinanteda forma do romance objetiva-se comopsicologia dos heróisromanescos: elesbuscamal...
Lukácsaoretomar o pensamento de Hegel afirmaqueoselementos do romance sãointeiramenteabstratos: abstrata é a aspiração dos...
“O processosegundo o qualfoiconcebida a forma do romance é a peregrinação do indivíduoproblemáticorumo a simesmo, o caminh...
“O romance é a epopéia do mundoabandonadopordeus; a psicologia do herói é a demoníaca;  a objetividade do romance, a perce...
Referênciasbibliográficas:<br />LUKÁCS, George. Teoria do romance. São Paulo: Duascidades, Ed. 34, 2000.<br />_____. Coord...
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C:\Fakepath\ObservaçõEs Sobre A Forma Romanesca

  1. 1. Observaçõessobre a forma romanesca<br />Profa. Dr. Maria Eneida Matos da Rosa<br />
  2. 2. Século XVIII: ascensão do romance naInglaterra<br />“Grande gêneroépíco, figuraçãonarrativadatotalidade social, o romance situa-se no polo opostoaodaepopéiaantiga – opõe-se radicalmente a ela”(LUKÁCS, 1981, p.177)<br />Para Lukács, “a história do romance é a história de umalutaheróica, quefrequentementetrilhacaminhostortuosos, maslutavitoriosa contra as condiçõesdesfavoráveisque a vidaburguesamodernaimpõe à figuraçãopoética”(p. 179)<br />
  3. 3. Romancistascomo Fielding e Balzac acreditavam, segundoretomaLukács, “que o romancistadeve ser o historiadordavidaprivada”.<br />
  4. 4. Descartes (Discursosobre o método, 1637))assinalaumaconcepçãoindividualista – buscadaverdadecomoumaquestãointeiramente individual;<br />O romance refleteessaconcepçãoindividualista;<br />
  5. 5. Espaço e personagem<br />Segundo Watt, existemdoisaspectosessenciaispara o romance: caracterização e apresentação do ambiente; bemcomo o que o diferencia dos outrosgêneros, qualseja, a individualização do personagem.<br />
  6. 6. Personagem no romance<br />“O romancistatipicamenteindicasuaintenção de apresentarumapersonagemcomo um indivíduo particular nomeando-a damesma forma queosindivíduosparticularessãonomeadosnavida real” (WATT, 1990, p. 19);<br />Os nomesprópriossão a expressão verbal daidentidade verbal de cadaindivíduo;<br />
  7. 7. Personagem no romance<br />“Os primeirosromancistasromperam com a tradição e batizaramsuaspersonagens de modo a sugerirquefossemencaradascomoindivíduosparticulares no contexto social contemporâneo” (p. 20);<br />Função primordial: mostrarquepersonagemdeve ser vista comoumapessoa particular, e nãocomo um tipo.<br />
  8. 8. O tempo no romance<br />“…as personagens do romance sópodem ser individualizadas se estãosituadas num contexto com tempo e local particularizados”(WATT, 1999, p. 22).<br />O final do século XVII assistiuaosurgimento de um estudodaHistóriamaisobjetivo o quelevou a umacompreensãomaisprofundadadiferença entre passado e presente.<br />
  9. 9. Aspectosestruturais do romance que antes nãoexistiam: tempo, espaço.<br />Ascensão de um públicoleitor: essencialmentefeminino.<br />Robinson Crusoé, de Daniel Defoe simbolizaosprocessosrelacionados com o advento do individualismoeconômico.<br />
  10. 10. Para Watt (1990), a premissabásicaacercada forma romanescadizrespeitoaofato de que “o romance constitui um relatocompleto e autênticodaexperiênciahumana e, portanto, tem a obrigação de forneceraoleitordetalhesdahistóriacomo a individualidade dos agentesenvolvidos, osparticulares das épocas e locais de suasações – detalhesquesãoapresentadosatravés de um emprego de linguagemmuitomaisreferencial do que é comumemoutrasformasliterárias (p. 31)<br />
  11. 11. “[…] a intenção fundamental determinanteda forma do romance objetiva-se comopsicologia dos heróisromanescos: elesbuscamalgo” (LUKÁCS, 2001, p. 60).<br />O simples fatodabuscarevelaquenemosobjetivosnemoscaminhospodem ser dados imediatamenteouque,seforem dados de modopsicologicamenteimediato e consistenteissofaz parte de algopsicológico.<br />
  12. 12. Lukácsaoretomar o pensamento de Hegel afirmaqueoselementos do romance sãointeiramenteabstratos: abstrata é a aspiração dos homensimbuídadaperfeiçãoutópica, quesósente a simesma e a seusdesejoscomorealidadeverdadeira […]”(p. 70)<br />
  13. 13. “O processosegundo o qualfoiconcebida a forma do romance é a peregrinação do indivíduoproblemáticorumo a simesmo, o caminhodesde o opacocativeironarealidadesimplesmenteexistente, emsiheterogênea e vazia de sentidopara o indivíduo, rumoaoclaroautoconhecimento”(LUKÁCS, 2000, p. 82)<br />
  14. 14. “O romance é a epopéia do mundoabandonadopordeus; a psicologia do herói é a demoníaca; a objetividade do romance, a percepçãovirilmentemadura de que o sentidojamais é capaz de penetrarinteiramente a realidade”( LUKÁCS, 2000, p. 89-90).<br />
  15. 15. Referênciasbibliográficas:<br />LUKÁCS, George. Teoria do romance. São Paulo: Duascidades, Ed. 34, 2000.<br />_____. Coord. Leandro Konder.Ensaiossobreliteratura. Rio de Janeiro: EditoraCivilizaçãoBrasileira.<br />_____. (Org. José Paulo Netto) Lukács. São Paulo: Ática, 1981. <br />WATT, Ian. Ascensão do romance. São Paulo: Companhia das letras, 1990.<br />

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