C:\Fakepath\O Barroco Em Portugal E No Brasil

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C:\Fakepath\O Barroco Em Portugal E No Brasil

  1. 1. O Barroco em Portugal e no Brasil – a presença da metalinguagem nos sermões de Pe. Antonio Vieira Profa. Maria Eneida Matos da Rosa
  2. 2. Barroco – contexto: <ul><li>O vocábulo “barroco” designava originalmente um tipo de pérola de forma irregular; </li></ul><ul><li>O Barroco tornou-se a arte da Contra-Reforma; </li></ul><ul><li>A Contra-Reforma fez da estética barroca uma espécie de estratégia de sua ação catequizadora; </li></ul>
  3. 3. Barroco - características <ul><li>Tentou conciliar a visão do mundo medieval, de base teocêntrica, e a ideologia clássica, renascentista, pagã, terrena, antropocêntrica; </li></ul><ul><li>Espiritualização da carne e carnalização do espírito; </li></ul><ul><li>Tentavam comungar o claro e o escuro, a matéria e o espírito, a luz e a sombra, para anular os apelos do corpo e da alma. </li></ul>
  4. 4. Estilos - O Barroco divide-se em: <ul><li>Gongorismo – por ser o poeta espanhol Gôngora o seu principal representante. </li></ul><ul><li>Linguagem rebuscada; </li></ul><ul><li>Emprego de neologismos, hipérbatos, trocadilhos, que tornam o estilo pesado. </li></ul><ul><li>Conceptismo – análise dos objetos no encalço de conhecer a sua essência; </li></ul><ul><li>Utilizam-se da inteligência e da Razão; </li></ul><ul><li>Serve-se da dialética, no intuito de convencer e ensinar. </li></ul>
  5. 5. Pe. Antônio Vieira (Lisboa,1608- Bahia, 1697) <ul><li>Partindo das palavras de A. Bosi (1994), de que “a prosa barroca está representada em primeiro pela oratória sagrada dos jesuítas, logo pensamos na figura central de Pe. Antônio Vieira. </li></ul>
  6. 6. Segundo Alfredo Bosi, <ul><li>“ (e)xiste um Vieira brasileiro, um Vieira português e um Vieira europeu e essa riqueza de dimensões deve-se não apenas ao caráter supranacional da Companhia de Jesus que ele tão bem encarnou, como à sua estrutura humana”(p. 44). </li></ul>
  7. 7. Metalinguagem <ul><li>Observa-se em seus sermões uma espécie de metalinguagem, uma vez que a partir da interpretação dos textos sagrados, enceta-se um diálogo que auto-refere e explica o próprio sermão: </li></ul>
  8. 8. Exemplos: <ul><li>Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Escrever, por exemplo: &quot;A noite está estrelada, e tiritam, azuis, os astros lá ao longe&quot;. O vento da noite gira no céu e canta. Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Eu amei-a e por vezes ela também me amou. Em noites como esta tive-a em meus braços. Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito. Ela amou-me, por vezes eu também a amava. Como não ter amado os seus grandes olhos fixos. Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi. Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela. E o verso cai na alma como no pasto o orvalho. Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la. A noite está estrelada e ela não está comigo. </li></ul><ul><li>Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo. (...) De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços, a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa, e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo. </li></ul><ul><li>Pablo Neruda </li></ul>
  9. 9. Exemplos: <ul><li>À procura da batida perfeita Então corre a batida é minha Cheguei primeiro No ruim faz a fezinha Que é tudo por dinheiro Solto na Babilônia E lá procurar a paz Perderam o Manual E agora como faz? João e Maria Cheio de regalia Entrou no conto do canalha que fazia e acontecia Agora é artista não se mistura com a plebe Domingo no Faustão, Terça-feira na Hebe Iate em Botafogo, Apartamento em Ipanema Uma vida de bacana se eu entrasse pro esquema Mas eu busco na raiz e lá tá o que eu sempre quis Não é um saco de dinheiro que me deixa feliz E sim a força do Samba, a Força do Rap O MC que é partideiro Bumbo que vira scratch É o meu som que mostra muito bem o que eu sou Onde cresci onde ando onde fica aonde eu vou Eu vou no Samba, pra lá que eu vou ( À procura da batida perfeita ) O bicho tá pegando </li></ul><ul><li>A chapa esquenta O tempo passa mas a evolução é lenta. Mas não tenho pressa A velocidade é essa Não há nada nesse mundo Compadre que me estressa Porém Ah! Porém Há um caso diferente que envolve toda a minha gente Não se embuxa de ninguém Fica do lado do bem Atitude Amor e Respeito também Eu vou no samba é gente bamba A diferença é clara A gente fuma e eles fama Proteja a raiz pra que tenha bons frutos Já diz o velho ditado: &quot;Quem tá junto tá junto&quot; E eu tô junto E junto carrego o meu orgulho Suburbano convicto Sei meu lugar no mundo Há coisas que o dinheiro não paga Cê sabe como é Tipo eu e minha preta só num rolé </li></ul><ul><li>À procura da batida perfeita - Marcelo D2 </li></ul>
  10. 10. Exemplos: O FILME DENTRO DO FILME
  11. 11. Pe. Antonio Vieira <ul><li>“ Para o sermão vir nascendo há de ter três modos de cair: há de cair com queda, há de cair com cadência, há de cair com caso. A queda é para as cousas porque hão-de vir bem trazidas, e em lugar: hão de ter queda. A cadência é para as palavras por que não hão de ser escabrosas nem dissonantes; hão de ter ‘cadência’. O caso é para a disposição, por que hão-de ser tão natural e tão desafetada que pareça ‘caso’ e não estudo”. </li></ul>
  12. 12. Segundo Saraiva (1999), <ul><li>Para Vieira “as palavras não eram um instrumento para descobrir uma verdade ao entendimento, mas para motivar a vontade numa ação”(p. 78) </li></ul><ul><li>Partindo do pressuposto de que a Metalinguagem trata-se de um enunciado que se refere a outro enunciado, quer dizer é um fenômeno de autotextualidade; a obra citando-se a si própria, faça a análise de um sermão citado por Vieira. </li></ul>
  13. 13. Sermão da Sexagésima   <ul><li>  No texto “Sermão da Sexagésima”, do Padre Antonio Vieira, pregado no ano de 1655, o autor valoriza a pregação pela persistência diante das dificuldades. Tal tema é mencionado a partir da ação do pregador evangélico da divina. A Deus perguntado onde pregar e a quem pregar o evangelho ,responde-lhe o Senhor que a todas as criaturas em todos os lugares.Viera analisando o tema expõe a perseverança do que ao sair para o ofício,encontra vales de espinhos ,montanhas rochosas e todo tipo de terreno e de , dificultando a semeadura e a pregação.E a quem pregar?Aos espinhos?As árvores? As aves?Aos troncos?Sim, pois em cada nação há homens degenerados de toda a espécie. Há “homens espinhos”, que são bárbaros e incultos. Há “homens árvores”, pois há arvores que dão frutos, flores, muitos galhos, e aquelas que estão sempre secas, cheias da sua própria morte. Há “homens aves”, que se sentem tão livres que não tem porto seguro. Há “homens troncos” que só conhecem a brutalidade. Então se há todo tipo de homem há de haver todo tipo de palavra semeadora. E se a palavra prosperar será louvor do semeador não do homem, assim como se a palavra não proceder é do semeador a derrota. Daí a importância do pregador com toda sua bagagem com habilidades de pescador. Frutificar a palavra é plantar amor nos corações dos homens. É perseverar diante das dificuldades, é sentir-se vitorioso de cada pequena semente que vinga. É amar sem limites, mesmo que o limite lhe atropele o caminho. Muita diferença há entre o pregador e o semeador. O pregador, fala. O semeador,semeia, faz com as mãos. O semeador dá o exemplo, faz a obra, vive a palavra. Vieira questiona; Porque hoje há tantos pregadores e tão poucos semeadores?   </li></ul>

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