Em defesa dos quadrinhos Profa. Maria Eneida Matos da Rosa
<ul><li>Embora a literatura sempre tenha estado presente na programação escolar, não existe, necessariamente, um vínculo e...
<ul><li>As crianças e adolescentes leem histórias em quadrinhos e é na escola que se capacitam a fazê-lo; </li></ul><ul><l...
<ul><li>Na escola, não se encontra fácil concessões ao ludismo; </li></ul>
<ul><li>A seleção de textos, a programação de autores, norteando-se pelo vestibular que, um dia, será feito, torna altamen...
<ul><li>A relação do aluno com a literatura que frequenta a sala de aula se dá pela memorização de alguns nomes, registro ...
<ul><li>A escola não se interessa pela formação do leitor, mas pelo aspecto formativo do texto e/ou sua serventia no estud...
<ul><li>A escola, nesse sentido, despreza o gênero (histórias em quadrinhos), colocando-o no limbo das leituras extraclass...
<ul><li>Sabe-se que a escola consagra o acadêmico por oposição à cultura popular e à de massa produzidas ou consumidas esp...
<ul><li>Tais textos, geralmente, mostram-se pontuados pelo humor, e a escola parece considerar tais elementos, assim como ...
A justificativa para a desconsideração de tal gênero: <ul><li>1˚) a natureza híbrida das HQs, compostas por signos visuais...
A justificativa para a desconsideração de tal gênero: <ul><li>2˚) por serem histórias destinadas a um amplo público, carac...
De outro lado, <ul><li>Há que se considerar o fato de que a imagem mental que se forma a partir da projeção visual, difere...
Nesse caso, <ul><li>Se a escola concluir que tal procedimento – o do incentivo visual – prejudica o desenvolvimento do rac...
Não podemos esquecer que <ul><li>Essa baixa informação visual e verbal instiga, portanto, um preenchimento por parte do le...
<ul><li>São bastante conhecidas as abordagens críticas que, na década de 70, sob os auspícios da semiologia, “desmascarara...
<ul><li>O Super-Homem, o Capitão América, a família Donald e seus amigos, encarnações de uma sociedade capitalista coloniz...
A estudiosa alerta contudo, para obras como <ul><li>Peanuts  (Snoopy) e  Mafalda , de Charles M. Schultz e Quino, respecti...
Peanuts  <ul><li>Polariza a atenção do leitor, como uma criança que busca ansiosamente comunicação, que ambiciona populari...
Mafalda <ul><li>Já a obra do cartunista argentino reúne um grupo de crianças de uma sufocada classe média, cujos problemas...
Mafalda <ul><li>Os personagens – Miguelito apresenta problemas de identidade, Susanita se inquieta com o futuro, mas Mafal...
Mafalda <ul><li>Com humor que proporciona uma leitura divertida, a obra realiza, no gênero, a feliz conciliação do lúdico ...
Referência <ul><li>MAGALHÃES, Lígia Cadermatori. In.: ZILBERMAN, Regina. (org.) Em defesa dos quadrinhos. In.:  A produção...
Atividade <ul><li>Dividir-se em grupos e escolher HQs ou gibis que possam ser utilizados em aula. Se possível, escolher hi...
A partir da escolha das obras, responda as seguintes questões: <ul><li>Em que medida podemos, como educadores, fazermos us...
A partir da escolha das obras, responda as seguintes questões: <ul><li>Após constatar a existência de conflitos ou assunto...
A partir da escolha das obras, responda as seguintes questões: <ul><li>Que tipo de estratégias de ensino-aprendizagem pode...
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    1. 1. Em defesa dos quadrinhos Profa. Maria Eneida Matos da Rosa
    2. 2. <ul><li>Embora a literatura sempre tenha estado presente na programação escolar, não existe, necessariamente, um vínculo entre o literário e a aprendizagem de ler e escrever; </li></ul><ul><li>A relação, instituída através do código escrito, entre o falante e sua língua realiza-se de modo passivo e normativo; </li></ul>
    3. 3. <ul><li>As crianças e adolescentes leem histórias em quadrinhos e é na escola que se capacitam a fazê-lo; </li></ul><ul><li>Qual é, porém, a atitude da escola perante esta produção? </li></ul>
    4. 4. <ul><li>Na escola, não se encontra fácil concessões ao ludismo; </li></ul>
    5. 5. <ul><li>A seleção de textos, a programação de autores, norteando-se pelo vestibular que, um dia, será feito, torna altamente estereotipada a literatura escolar; </li></ul>
    6. 6. <ul><li>A relação do aluno com a literatura que frequenta a sala de aula se dá pela memorização de alguns nomes, registro de alguns títulos e, excepcionalmente, pela lembrança de algumas impressões de leitura; </li></ul>
    7. 7. <ul><li>A escola não se interessa pela formação do leitor, mas pelo aspecto formativo do texto e/ou sua serventia no estudo da língua auxiliar da gramática; </li></ul>
    8. 8. <ul><li>A escola, nesse sentido, despreza o gênero (histórias em quadrinhos), colocando-o no limbo das leituras extraclasse; </li></ul>
    9. 9. <ul><li>Sabe-se que a escola consagra o acadêmico por oposição à cultura popular e à de massa produzidas ou consumidas espontaneamente, para lá dos muros da escola; </li></ul><ul><li>A escola mostra-se comprometida com os postulados que justificam e transmitem os valores e da ideologia dominante; </li></ul>
    10. 10. <ul><li>Tais textos, geralmente, mostram-se pontuados pelo humor, e a escola parece considerar tais elementos, assim como qualquer forma de descontração, incompatíveis com a sua seriedade; </li></ul>
    11. 11. A justificativa para a desconsideração de tal gênero: <ul><li>1˚) a natureza híbrida das HQs, compostas por signos visuais e verbais, não estimula o hábito de ler, pois o imediatismo da imagem visual provoca a preguiça de decodificar o verbal; </li></ul>
    12. 12. A justificativa para a desconsideração de tal gênero: <ul><li>2˚) por serem histórias destinadas a um amplo público, caracterizam-se por um alto grau de redundância, constituindo-se em mensagens estereotipadas que nada acrescentam à bagagem em formação da criança. </li></ul>
    13. 13. De outro lado, <ul><li>Há que se considerar o fato de que a imagem mental que se forma a partir da projeção visual, difere da mera projeção sobre a retina. (...) </li></ul><ul><li>Os desenhos não substituem os conceitos, apenas os induzem através de formas estruturais, recorrendo à percepção para chegar ao pensamento; </li></ul>
    14. 14. Nesse caso, <ul><li>Se a escola concluir que tal procedimento – o do incentivo visual – prejudica o desenvolvimento do raciocínio, deverá, por coerência, suprimir das salas de aula e dos livros didáticos os esquemas, mapas, os diagramas, etc. </li></ul>
    15. 15. Não podemos esquecer que <ul><li>Essa baixa informação visual e verbal instiga, portanto, um preenchimento por parte do leitor; </li></ul><ul><li>Distancia-se, portanto, da questão da passividade; </li></ul>
    16. 16. <ul><li>São bastante conhecidas as abordagens críticas que, na década de 70, sob os auspícios da semiologia, “desmascararam a aparente inconsequência do mundo dos gibis”; </li></ul><ul><li>As teses de Moacy Cirne trouxeram à tona a ideologia latente no mundo dos super-heróis; </li></ul><ul><li>Dorfman e Mattelart revelaram não ser tão dócil e inocente o mundo dos personagens da Disney; </li></ul>
    17. 17. <ul><li>O Super-Homem, o Capitão América, a família Donald e seus amigos, encarnações de uma sociedade capitalista colonizadora como a americana, estimulou um considerável número de pesquisas que alarmaram educadores à responsabilidade de seu ofício; </li></ul>
    18. 18. A estudiosa alerta contudo, para obras como <ul><li>Peanuts (Snoopy) e Mafalda , de Charles M. Schultz e Quino, respectivamente; </li></ul><ul><li>Não é meigo, nem doce o mundo infantil de Snoopy; </li></ul><ul><li>O líder do grupo e personagem principal, Charlie Brown, é um anti-herói; </li></ul>
    19. 19. Peanuts <ul><li>Polariza a atenção do leitor, como uma criança que busca ansiosamente comunicação, que ambiciona popularidade, mas cuja ingenuidade e inabilidade o conduzem sempre para o insucesso. </li></ul>
    20. 20. Mafalda <ul><li>Já a obra do cartunista argentino reúne um grupo de crianças de uma sufocada classe média, cujos problemas não são psicológicos, mas são gerados por circunstâncias sócio-político-econômicas; </li></ul>
    21. 21. Mafalda <ul><li>Os personagens – Miguelito apresenta problemas de identidade, Susanita se inquieta com o futuro, mas Mafalda, protagonista, apresenta uma consciência eminentemente política; </li></ul>
    22. 22. Mafalda <ul><li>Com humor que proporciona uma leitura divertida, a obra realiza, no gênero, a feliz conciliação do lúdico e do emancipatório, oportunizando a identificação com esses heróis do dia a dia e estimulando, pela exemplaridade, a postura crítica e o debate. </li></ul>
    23. 23. Referência <ul><li>MAGALHÃES, Lígia Cadermatori. In.: ZILBERMAN, Regina. (org.) Em defesa dos quadrinhos. In.: A produção cultural para a criança. 4. ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1990. </li></ul>
    24. 24. Atividade <ul><li>Dividir-se em grupos e escolher HQs ou gibis que possam ser utilizados em aula. Se possível, escolher histórias que tratem temas da atualidade: problemas sócio-econômicos, violência, conflitos psicológicos, temáticas políticas como guerras ou temas históricos, etc. </li></ul>
    25. 25. A partir da escolha das obras, responda as seguintes questões: <ul><li>Em que medida podemos, como educadores, fazermos uso de obras, produto da cultura de massa, para trabalharmos em sala de aula com alunos adolescentes? </li></ul><ul><li>É possível formarmos leitores a partir da leitura de tais obras? Justifique sua resposta. </li></ul>
    26. 26. A partir da escolha das obras, responda as seguintes questões: <ul><li>Após constatar a existência de conflitos ou assuntos referentes a problemas da contemporaneidade, verificar até que ponto a leitura de tais obras contribuem para o enriquecimento do ensino-aprendizagem em sala de aula. Como tais temáticas podem ser abordadas no espaço de ensino? </li></ul>
    27. 27. A partir da escolha das obras, responda as seguintes questões: <ul><li>Que tipo de estratégias de ensino-aprendizagem podem ser utilizadas no universo escolar? Tente comentar alguns aspectos sobre o gibi selecionado, aspectos positivos e negativos. </li></ul><ul><li>OBS.: Tente pensar no fato de que os alunos vão na contramão do que é solicitado em aula, de modo que o ideal não seria proibir tais leituras, mas tentarmos enfocarmos assuntos relevantes dentro do contexto abordado na HQ. </li></ul>

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