Violência Doméstica Contra Crianças e Adolescentes: o que é e como combatê-la

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Trabalho apresentado para os alunos do Isntituto Taquaritinguense do Ensino Superior (ITES) pelas alunas Andressa Nicoli Trindade e Maria das Graças de Souza sob a orientação do Prof. Mestre Thiago de Almeida

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Violência Doméstica Contra Crianças e Adolescentes: o que é e como combatê-la

  1. 1. Violência Doméstica Contra Crianças e Adolescentes Andressa Nicoli Trindade Maria das Graças de Souza Prof. Thiago de Almeida ( www.thiagodealmeida.com.br )
  2. 2. O que é: Violência Doméstica <ul><li>“ Atos e/ou omissões praticados por pais, parentes </li></ul><ul><li>ou responsável em relação à criança e/ou adolescente </li></ul><ul><li>que sendo capaz de causar à vítima dor ou dano de </li></ul><ul><li>natureza física, sexual e/ou psicológica implica, de um </li></ul><ul><li>lado, uma transgressão do poder/dever de proteção </li></ul><ul><li>do adulto e, de outro, numa coisificação da infância. </li></ul><ul><li>Isto é, numa negação do direito que crianças e adolescentes </li></ul><ul><li>têm de ser tratados como sujeitos e pessoas </li></ul><ul><li>em condição peculiar de desenvolvimento”. </li></ul><ul><li>http://www.unicef.org/brazil/pt/Cap_01.pdf </li></ul>
  3. 4. Tipos de violências Física Negligência Psicológica Sexual
  4. 5. Violência Física <ul><li>“ Toda ação que causa dor física numa criança, desde um simples tapa até o espancamento fatal representam um só continuum de violência”. </li></ul><ul><li>http :// cedeca.org.br/PDF/violencia_domestica_marcelo_neumman.pdf </li></ul>
  5. 6. Equimoses e hematomas Equimoses = manchas arroxeadas de menor gravidade. Hematomas = manchas e lesões provocadas por impactos fortes na pele, com rompimento de vasos sanguíneos e subsequente derramamento de sangue por baixo da mesma.
  6. 7. Lacerações labiais <ul><li>Arranca mento do freio labial, ferimento das gengivas e perda de dentes </li></ul><ul><li>65% dos casos de atendimento médico são </li></ul><ul><li>lesões na região: </li></ul><ul><li>a) Lábios </li></ul><ul><li>b) Gengivas </li></ul><ul><li>c) Bochechas </li></ul><ul><li>d) Língua/dentes </li></ul>
  7. 8. Queimaduras Queimadura em forma de luva Queimaduras na região genital e nádegas provocada por imersão em líquido quente
  8. 9. Fraturas e Roturas <ul><li>Fraturas mal explicadas no nariz, rosto, braços e pernas. A falta de socorro médico pode deixar a criança com deformidades. </li></ul><ul><li>Fraturas de costelas causadas por impactos violentos. </li></ul><ul><li>Fraturas de bacia, decorrentes de impactos muito violentos. </li></ul><ul><li>Roturas viscerais no fígado, baço, rim, intestino causadas por socos e chutes na parede abdominal. </li></ul>
  9. 10. Ferimentos que deixam na pele a marca dos objetos que os produziu.
  10. 11. Perfil da Criança <ul><li>Teme exageradamente os pais </li></ul><ul><li>Baixa auto-estima </li></ul><ul><li>Falta constantemente à escola </li></ul><ul><li>Criança nervosa e sempre em estado de alerta </li></ul><ul><li>Pode apresentar comportamento agressivo </li></ul><ul><li>Baixo aproveitamento escolar </li></ul><ul><li>Oculta as lesões sofridas </li></ul><ul><li>Depressiva, isolada, tímida e muito triste </li></ul><ul><li>Crianças de tenra idade que chora de forma insistente e sem explicação à aproximação do pai, mãe, babá, ou outro cuidador </li></ul><ul><li>Foge ou busca ficar longe de casa </li></ul>
  11. 12. Perfil do Agressor <ul><li>Vê a criança como um objeto que lhe pertence. </li></ul><ul><li>Raramente vai a reuniões escolares ou acompanha vacinas. </li></ul><ul><li>Fala que a criança é preguiçosa e causadora de problemas. </li></ul><ul><li>Defende a aplicação de disciplina severa. </li></ul><ul><li>Se irrita e tem pouca paciência com as crianças. </li></ul><ul><li>Possui histórico de violência em sua própria infância. </li></ul><ul><li>Faz uso indevido de drogas e/ou álcool. </li></ul><ul><li>Mente sobre a causa das lesões da criança. </li></ul><ul><li>Cobra da criança desempenho físico e/ou intelectual acima de sua capacidade. </li></ul><ul><li>Culpa a criança pelos problemas no lar. </li></ul><ul><li>Temperamento autoritário e controlador. </li></ul>
  12. 13. Como agir frente a violência <ul><li>Busque institucionalizar o máximo a denúncia. </li></ul><ul><li>Escola: tire fotografia e forneça relatório sobre a criança p/ C.T. </li></ul><ul><li>Conselho Tutelar: IML (materialidade da prova) </li></ul><ul><li>Entreviste a criança separadamente. </li></ul><ul><li>Entreviste os pais separadamente (apurar contradições). </li></ul><ul><li>Jamais prometa, para criança, presentes para que ela conte a verdade, incentive a criança contar por vontade própria. </li></ul>
  13. 14. Violência por Negligência <ul><li>“ Negligência: representa uma omissão em termos </li></ul><ul><li>de prover as necessidades físicas e emocionais de uma criança ou adolescente. Configura-se quando os pais (ou responsáveis) falham em termos de alimentar, de vestir adequadamente seus filhos etc. e quando tal falha não é o resultado de condições de vida além do seu controle. A negligência pode se apresentar como moderada ou severa. Nas residências em que os pais negligenciam severamente os filhos observa-se, de modo geral, que os alimentos nunca são providenciados, não há rotinas na habitação e, para as crianças, não há roupas limpas, o ambiente físico é muito sujo, com lixo espalhado por todos os lados. As crianças são, muitas vezes, deixadas sozinhas por diversos dias, chegando a falecer em consequência de acidentes domésticos, de inanição. A literatura registra, entre esses pais, um consumo elevado de drogas ilícitas e de álcool e uma presença significativa de desordens severas de personalidade”. </li></ul><ul><li>http://www.unicef.org/brazil/pt/Cap_01.pdf </li></ul>
  14. 15. Violência Psicológica <ul><li>“ É toda ação ou omissão que causa ou visa dano á auto estima, a identidade ou ao desenvolvimento da pessoa&quot;. </li></ul><ul><li>(Saliba,2007) </li></ul>
  15. 16. Violência Psicológica <ul><li>A diferença entre a violência doméstica física e a psicológica é que a primeira envolve atos de agressão corporal e a segunda a agressão ocorre pelas palavras, gestos nem sempre com contatos físicos. </li></ul>
  16. 17. Violência Psicológica <ul><li>“ A violência psicológica não afeta somente a vítima de forma direta. Ela atinge a todos que presenciam ou convivem com a situação de violência. Por exemplo, por testemunharem a violência psicológica entre os pais podem passar a reproduzi-la por identificação, passando a agir de forma semelhante com a irmã, colegas de escola e, futuramente, com a namorada e esposa/companheira”. </li></ul><ul><li>(Saliba,2007) </li></ul>
  17. 18. Formas de violência <ul><li>A violência se inicia lenta e silenciosa; </li></ul><ul><li>Ofensa verbal de forma repetida; </li></ul><ul><li>A agressão emocional e uma baixa autoestima; </li></ul><ul><li>Tortura mental; </li></ul><ul><li>Humilhações, públicas ou privadas; </li></ul><ul><li>As chantagens. </li></ul>
  18. 19. Troca de papéis <ul><li>A vítima tende a justificar o padrão de comportamento de seu agressor; </li></ul><ul><li>Acabam se enganando e fingindo que aquela violência toda não está realmente acontecendo. </li></ul>
  19. 20. Consequências <ul><li>Dores crônicas (costas, cabeça, pernas, braços etc), </li></ul><ul><li>síndrome do pânico, </li></ul><ul><li>depressão, </li></ul><ul><li>tentativa de suicídio. </li></ul><ul><li>distúrbios alimentares. </li></ul>
  20. 21. Violência Sexual <ul><li>“ Uma situação em que a criança ou adolescente é usada para satisfação sexual de um adulto ou adolescente mais velho, responsável por ela ou que possua algum vinculo familiar, desde a prática de carícias até o ato sexual, sendo violência sempre presumida em menores de 14 anos”. </li></ul><ul><li>(Pfeiffer, Salvagni; 2005) </li></ul>
  21. 22. Modalidades de Violência Sexual <ul><li>Abuso sexual intrafamiliar (incesto) </li></ul><ul><li>Abuso extrafamiliar (pessoas desconhecidas/conhecidas) </li></ul><ul><li>Exploração sexual </li></ul>
  22. 23. Principais características do incesto <ul><li>Todo ato de natureza erótica </li></ul><ul><li>Relação desigual de poder </li></ul><ul><li>Traição da confiança </li></ul><ul><li>Presença da violência psicológica </li></ul><ul><li>Imposição do sigilo da vitima </li></ul>
  23. 24. Principais características do incesto <ul><li>Sadismo </li></ul><ul><li>O agressor necessita provocar na vítima uma dor física ou emocional: </li></ul><ul><li>Física : Espancamento, queimadura, etc </li></ul><ul><li>Emocional : humilhar, imprimir pânico, etc </li></ul><ul><li>Intensidade pode variar de níveis de uma simples fantasia a uma tortura e flagelação bárbara. </li></ul><ul><li>Ameaça </li></ul><ul><li>Não existe o emprego da força física: </li></ul><ul><li>Vítima consente no abuso </li></ul><ul><li>O emocional é abalado pela violência psicológica, </li></ul><ul><li>As ameaças pode variar da própria vitima para uma pessoa que ela ama. </li></ul><ul><li>Quanto menor a idade da vítima as ameaças surtirão mais efeito. </li></ul>
  24. 25. Principais características do incesto <ul><li>Indução da vontade </li></ul><ul><li>O agressor usa sua habilidade para manipular sentimentos através de: </li></ul><ul><li>Promessas, </li></ul><ul><li>Presentes, </li></ul><ul><li>Favores, </li></ul><ul><li>Privilégios </li></ul>
  25. 26. Como identificar <ul><li>Sinais físicos: </li></ul><ul><li>Roupas rasgadas ou manchadas de sangue, </li></ul><ul><li>Dificuldade em caminhar pela presença nas áreas genitais ou anais: dor, inchaço ou lesão, </li></ul><ul><li>Comportamento agressivo com alternância de humor, </li></ul><ul><li>Desagrado ao ser deixada sozinha(o) com alguém. </li></ul><ul><li>Comportamento: </li></ul><ul><li>Regressão a um comportamento muito infantilizado, </li></ul><ul><li>Idéias e tentativas de suicídio, depressões crônicas </li></ul><ul><li>Distúrbios de sono: gritos e medo do escuro </li></ul><ul><li>Distúrbio na aprendizagem </li></ul><ul><li>Alcoolismo </li></ul>
  26. 27. Comportamento do agressor no incesto <ul><li>É muito possessivo </li></ul><ul><li>Enfrenta dificuldades conjugais </li></ul><ul><li>Acusa a criança de promiscuidade </li></ul><ul><li>Crê que o contato sexual é forma de amor filial </li></ul><ul><li>Mente, quando descoberto, apontando outros agressores </li></ul><ul><li>Usa de autoridade, manipulação ou superioridade física para subjugar a criança </li></ul><ul><li>Abusa de drogas e/ou álcool </li></ul><ul><li>Teme ser descoberto e castigado, mas não sente culpa </li></ul><ul><li>São pessoas aparentemente normais. </li></ul>
  27. 28. Comportamento do agressor extrafamiliar <ul><li>Pessoa de aparência normal, geralmente amável </li></ul><ul><li>Gosta de ficar com a criança longe da vigilância de outros adultos </li></ul><ul><li>Usa de manipulação, presentes, privilégios ou violência para conseguir o que quer </li></ul><ul><li>Medo de relacionamento e intimidade com outros adultos </li></ul><ul><li>Pode ser dependente de drogas e /ou álcool </li></ul><ul><li>Pode ser doente mental/ problemas emocionais graves </li></ul><ul><li>Quando criança foi, possivelmente, vítima de abuso.  </li></ul>
  28. 29. Fases do abuso sexual <ul><li>Fase 1- Envolvimento </li></ul><ul><li>Fase 2 - Interação sexual </li></ul><ul><li>Fase 3 - Abuso sexual com contato físico </li></ul><ul><li>Fase 4 - Sigilo </li></ul><ul><li>Fase 5 - Revelação </li></ul><ul><li>Fase 6 - Supressão </li></ul>
  29. 30. Consequência do abuso <ul><li>Sadomasoquismo; </li></ul><ul><li>Prostituição; </li></ul><ul><li>Prática compulsiva da masturbação; </li></ul><ul><li>Prazer sexual através de atos e cenas bizarras; </li></ul><ul><li>Propensão para a homossexualidade; </li></ul><ul><li>Desejo sexual por crianças quando adultos; </li></ul><ul><li>Aversão à prática do ato sexual; </li></ul><ul><li>Vício por sexo/ múltiplos parceiros </li></ul>
  30. 31. Silêncio da criança <ul><li>Usa da imaturidade e insegurança de sua vítima, colocando em dúvida a importância que tem para sua família, ao demonstrar que qualquer queixa da parte dela não teria valor ou crédito. </li></ul><ul><li>Sente-se desprotegida pelo outro responsável, habitualmente a mãe </li></ul><ul><li>Envergonhada tanto pelo que passa, como pela sua impossibilidade de denunciar, seu amor próprio é reduzido e, ainda, ameaçada por aquele de quem habitualmente depende física e emocionalmente, ela se cala, muitas vezes para toda sua vida. </li></ul><ul><li>  Pfeiffer, Salvagni ; 2005 </li></ul>
  31. 32. Silêncio da mãe <ul><li>Tem uma participação muda </li></ul><ul><li>Emocionalmente fria e distante </li></ul><ul><li>Complexo feminino de inferioridade e com isso tenta manter uma estabilidade familiar. </li></ul><ul><li>Consciente ou inconscientemente delega ao filha(o) a culpa </li></ul><ul><li>A uma dificuldade em reconhecer o incesto. </li></ul><ul><li>Pfeiffer, Salvagni; 2005 </li></ul>
  32. 33. Medidas Preventivas <ul><li>Conscientizar a sociedade sobre a violência doméstica. </li></ul><ul><li>Trabalhar com as famílias que sofreram ou sofrem violência doméstica. </li></ul><ul><li>Ensinar outros meios de cuidar e educar, as crianças e adolescentes, de maneira que não seja através da violência. </li></ul><ul><li>Auxiliar educadores/professores a reconhecerem os sinais de violência em seus alunos. </li></ul><ul><li>Fornecer atenção especial as crianças / adolescentes que apresentam sinais de violência. </li></ul>
  33. 36. Algumas organizações contra a violência doméstica em crianças / adolescentes. Centro Regional de Atenção aos Maus Tratos na Infância do ABCD. Centro de Combate à Violência Infantil Fundo das Nações Unidas para a Infância
  34. 37. Referências <ul><li>AZEVEDO, Maria Amélia; Guerra, Viviane N. Azevedo. Violência doméstica contra criança e adolescentes: Um cenário em (des)construção. Disponível: http :// www.unicef.org/brazil/pt/Cap_01.pdf </li></ul><ul><li>CALDAS; Márcia ; CUNHA, Maria Leolina Couto. Combate à violência infantil. Disponível: www.cecovi.org.br </li></ul><ul><li>CALDAS; Márcia ; CUNHA, Maria Leolina Couto. Combate à violência infantil. Disponível: www.cecovi.org.br </li></ul><ul><li>DELFINO, Vanessa et al . A identificação da violência doméstica e da negligência por pais de camada média e popular. Texto contexto - enfermagem,  Florianópolis,  v. 14,  n. spe,   2005.  Disponível em: </li></ul><ul><li>http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-07072005000500005&lng=en&nrm=isso </li></ul><ul><li>NEUMAM, Marcelo Moreira. O QUE É VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A CRIANÇA E O ADOLESCENTE, 2000 . Disponível em: http://cedeca.org.br/PDF/violencia_domestica_marcelo_neumman.pdf </li></ul>
  35. 38. Referências <ul><li>NEUMAM, Marcelo Moreira. O QUE É VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A CRIANÇA E O ADOLESCENTE, 2000 . Disponível em: http://cedeca.org.br/PDF/violencia_domestica_marcelo_neumman.pdf </li></ul><ul><li>SALIBA, Orlando et al . Responsabilidade do profissional de saúde sobre a notificação de casos de violência doméstica. Rev. Saúde Pública,  São Paulo,  v. 41,  n. 3, June  2007. Disponível em: </li></ul><ul><li>http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102007000300021&lng=en&nrm=iso </li></ul><ul><li>Pfeiffer L, Salvagni EP. Visão atual do abuso sexual na infância e adolescência. J Pediatr (Rio J). 2005;81(5 Supl):S197- S204. </li></ul><ul><li>http://www.scielo.br/pdf/%0D/jped/v81n5s0/v81n5Sa10.pdf </li></ul>

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