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BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DA SEXUALIDADE E MANIFESTAÇÕES AMOROSAS EM DEFICIENTES
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BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DA SEXUALIDADE E MANIFESTAÇÕES AMOROSAS EM DEFICIENTES

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Resumo ...

Resumo
A história da humanidade revela, desde os tempos mais remotos, a existência de pessoas com deficiência, com os mais variados relatos a respeito de suas dificuldades na vida cotidiana. Sabemos que a compreensão do conceito da deficiência, uma das noções fundamentais da Educação especial, é deveras extensa e ambígua, e dessa forma, pode corresponder a mais de um significado. Temos também em vista que, em contraste ao passado, que o conceito de sexualidade tornou-se mais amplo. Dessa forma, as manifestações afetivo-sexuais entre um homem e uma mulher, sejam estes deficientes ou não, transcendem aos aspectos dos imperativos biológicos como acontecem, por exemplo, entre os animais. Contudo, até o final do século XIX, o conceito de sexualidade esteve imanentemente associado aos aspectos concernentes à questão da genitalidade, onde sua expressão natural deveria ser manifesta dentro do contexto matrimonial, modulada por preceitos morais e religiosos. A expressão da sexualidade ultrapassa, então, a mera questão da genitalidade, enquanto um assunto puramente biológico e passa a se articular com facetas tais como do amor, da intimidade, e do contato mútuo. Em outras palavras, a manifestação da sexualidade envolve vários elementos além daqueles referentes ao contato genital. Contudo, no caso dos deficientes, qual um leito de Procusto, os limites impostos pela sociedade, dificultam que essa população vivencie a sexualidade de forma plena e satisfatória. Infelizmente, os trabalhos existentes a respeito da sexualidade para pessoas deficientes são poucos. Muitos são os leitos de Procustos contemporâneos que desrespeitam o convívio com as diferenças e tem pouca ou nenhuma pouca tolerância subjacente às relações interpessoais. Ninguém, em seu perfeito juízo, negaria ao deficiente todos os direitos que a vida lhe confere: comer, dormir, divertir-se, trabalhar, enfim, exercer plena e conscientemente a vida que pulsa. Por que, então muitos de nós lhes negamos o direito ao amor e vivência de suas sexualidades? O que será que nos motiva a segregamos as pessoas com deficiência de práticas afetivo-sexuais? Qual é o tipo de preparação que pensamos estar lhes direcionando? Há que se ressaltar que, a evolução afetivo-sexual para as pessoas acometidas por algum tipo de deficiência não somente é possível bem como é recomendada para ampliarem as fronteiras, provisórias ou permanentes, pelos quais os mesmos são influenciados, diminuindo sua ação. Na maioria dos casos, amar e ser amado e vivenciar plenamente a própria sexualidade amadurece não somente nossas carências, bem como favorece que possa emergir o melhor de nós, sejamos ou não afetados por alguma espécie de deficiência. Dessa forma, ao tratar do problema referente à inclusão da pessoa com deficiência, mister se faz discorrer também sobre os relacionamentos afetivo-sexuais que por ventura, estes se mobilizem a estabelecer, em busca da aplicação do princípio da isonomia aos acometidos pelo conjunto de características que os identifiquem enquanto deficientes.

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BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DA SEXUALIDADE E MANIFESTAÇÕES AMOROSAS EM DEFICIENTES Presentation Transcript

  • 1. Thiago de Almeida Psicoterapeuta. Pesquisador do IPUSP- PSC Home page: www.thiagodealmeida.com.br
  • 2.
    • “ Somos donos de nossos atos, mas não donos de nossos sentimentos; Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos; Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos... Atos são pássaros engaiolados, sentimentos são pássaros em vôo. . .”
    • ( Mario Quintana )
  • 3.
    • ♥ A história da humanidade revela, desde os tempos mais remotos, a existência de pessoas com deficiência, com os mais variados relatos a respeito de suas dificuldades na vida cotidiana.
    • ♥ Sabemos que a compreensão do conceito da deficiência, uma das noções fundamentais da Educação Especial, é deveras extensa e ambígua, e dessa forma, pode corresponder a mais de um significado.
    • ♥ E atualmente, o conceito de sexualidade tornou-se mais amplo.
  • 4.
    • Ainda que a sexualidade seja socialmente convencionada derivada de um impulso, na verdade trata-se de um processo dinâmico de aproximação e assim de “reconhecer o significado de estados internos, organizar a seqüência dos atos especificadamente sexuais, decodificar situações, estabelecer limites nas respostas sexuais e vincular significados de aspectos não sexuais da vida para a experiência sexual propriamente dita” (Gagnon & Simon, 1973/2005, p. 13).
  • 5.
    • ♥ De acordo com Pinheiro (2004) “sexualidade é um atributo de todo ser humano, não é algo que a pessoa tenha, é algo que se é, que o ser humano constrói ao longo de sua vida envolvendo uma série de manifestações” (p. 199);
    • ♥ Almeida (2008a) complementa o que anteriormente foi colocado ao dizer:
    • “ quando nos referimos à sexualidade, não estamos nos remetendo a sexo, mas ao produto final de um longo e natural processo de desenvolvimento que começa no nascimento e envolve tudo o que somos, as nossas atitudes, como lidamos com as questões que nos circundam e como isso nos abala em uma relação afetiva interpessoal.” (p. 11).
  • 6.
    • ♥ Surgimento de uma concepção de sexualidade plástica desatrelada da questão da genitalidade e das necessidades reprodutivas (Melo & Almeida, 2008);
    • ♥ Sexualidade continua sendo tratada como um tabú;
    • ♥ O “leito de Procusto” conferido pela própria ciência e adotado pela sociedade.
    • ♥ Concepção do deficiente, sobretudo o mental, enquanto andrógino ou assexuado;
    • ♥ Política do avis-struthio ;
    • ♥ “ o que os olhos não vêem, o coração não sente”;
    • ♥ Trabalhos científicos que tematizam a
    • sexualidade para pessoas deficientes são poucos;
  • 7.
    • ♥ Ninguém, em seu perfeito juízo, negaria ao deficiente todos os direitos que a vida lhe confere: comer, dormir, divertir-se, trabalhar, enfim, exercer plena e conscientemente a vida que pulsa. Por que, então muitos de nós lhes negamos o direito ao amor e vivência de suas sexualidades?
    • ♥ O que será que nos motiva a segregamos as pessoas com deficiência de práticas afetivo-sexuais?
    • ♥ Qual é o tipo de preparação que pensamos estar lhes direcionando, quer enquanto pais, educadores ou mesmo profissionais da área da saúde?
  • 8.
    • ♥ Há que se levar em conta também que pessoas com deficiências, sobretudo a mental, são vítimas passíveis de repressões por parte de pais e professores evitando o seu acesso e a possibilidade de expressão de afeto e vínculo emocional;
    • ♥ Segundo Giami (2004), ao tratar da deficiência mental, pode-se constatar que os pais e profissionais não percebem e nem descrevem as manifestações da sexualidade dos acometidos por este tipo de deficiência da mesma forma, nem com a mesma intensidade emocional subjacente.
  • 9.
    • ♥ Dessa forma, o que emerge é a desconsideração da possibilidade de um relacionamento físico e amoroso para esta população, a tal ponto que os próprios deficientes tornam-se paulatinamente mais enclausurados em um mundo onde haveria, pelo amor, uma possibilidade de se reconectarem ao mundo a sua volta. A semelhança do mito da caverna de Platão, os deficientes são levados a crer que o mundo deles é somente aquele mundo das sombras de que lhes foi apresentado desde a aquisição de sua deficiência, de forma tal, que aqueles que querem romper com este viciado paradigma podem sofrer severas retaliações.
  • 10.
    • ♥ Muitos autores nos colocam que a capacidade para sentir atração amorosa e a esperança de ser correspondido são imprescindíveis para o sucesso de um relacionamento amoroso e neste sentido, podemos conceber o amor e a sexualidade, simultaneamente, como alguns dos principais elementos da interação humana e, também, como uma das principais diretrizes na estruturação das relações íntimas (Almeida, 2003; 2004; 2007; Almeida & Mayor, 2006; Denari, 1997). Contudo, tendo em vista que a sociedade muitas vezes mina as expectativas dos deficientes que querem firmar um relacionamento amoroso, tais atitudes podem causar uma paralisia nas motivações, ao menos momentânea, além de conflitos desnecessários para seus acometidos.
  • 11.
    • ♥ Segundo Maia (2006) cultivamos no imaginário social a idéia de que uma pessoa com algum tipo de deficiência é, salvo exceções, alguém dotada de desvantagens e de atributos socialmente indesejáveis;
    • ♥ Há que se ressaltar que quando a sexualidade é ignorada, ou ainda negada, e isso contribui para o surgimento de comportamentos sexuais inadequados (Assumpção Jr. & Sprovieri, 1987);
    • ♥ A negação da sexualidade e a infantilização das pessoas com deficiência colaboram para que estas apresentem dificuldades para se tornar mais independentes, bem como para desenvolverem sua sexualidade e estabelecer outros relacionamentos.
  • 12.
    • ♥ O que se percebe, então, é que a escassez de informações sobre as características e os processos inerentes à deficiência tem auxiliado a manutenção de preconceitos e, conseqüentemente, trouxe muitas estagnações das atividades afetivo-reacionais das pessoas com tais características, sobretudo, ao se considerar às imposições de seus cuidadores;
    • ♥ Se para uma pessoa comum, considerada “normal” dentro dos padrões sociais o ensino/aprendizagem muitas vezes é dificultado pelos padrões sociais em que vive uma família, pela falta de escolas, por falta de incentivo dos pais ou mesmo da própria criança, para pessoas consideradas “deficientes”, essa dificuldade é elevada a índices muito maiores, dentro dessa mesma população.
  • 13.
    • ♥ Talvez, então, boa parte dos conflitos existentes entre esses dois mundos, pode estar relacionada à falta de informação;
    • ♥ Dessa forma, diversos são os desafios para pessoas com algum tipo de deficiência para o exercício positivo de suas sexualidades, além da questão de uma comorbidade orgânico-cognitiva e do preconceito social a ela atrelado (Almeida, 2008b);
    • ♥ no caso dos deficientes, os limites impostos pela sociedade, dificultam que essa população viva a sexualidade de forma plena e satisfatória. A construção desse espaço privado pressupõe o aprendizado de como se estabelece um relacionamento afetivo e sexual. Não obstante, constitui-se em um dos mais ricos e complexos aspectos definidores do ser humano, ainda que não tenhamos uma total clareza da pluralidade de seus componentes psicológicos, biológicos, sociais e culturais que lhe são concernentes (Denari, 1997).
  • 14.
    • ♥ De acordo com Denari (2008) a companhia dos familiares já se torna insuficiente para satisfazer seus anseios, logo, a fim de se satisfazerem buscam estar com seus pares para conversar, trocar idéias, dançar, abraçar, beijar, ficar. E, ainda há que se ressaltar que, nem sempre isso lhes é permitido na instituição que freqüentam;
    • ♥ Há que se evidenciar que o mecanismo de inclusão não se restringe unicamente à inserção de pessoas acometidas por algum tipo de deficiência específica nas escolas regulares e em demais ambientes acadêmicos;
  • 15.
    • ♥ Dessa forma, de pouco adianta as pessoas se instrumentalizarem educacionalmente falando que lhe são tolhidos os direitos de interagir socialmente e colocar em prática, com vista a uma cidadania global, os conhecimentos adquiridos nesses ambientes. Por exemplo, se segregamos as pessoas com deficiência de práticas afetivo-sexuais, qual é o tipo de preparação que pensamos estar lhes direcionando? Dessa forma, ao tratar do problema referente à inclusão da pessoa com deficiência, mister se faz discorrer também sobre os relacionamentos afetivo-sexuais que por ventura, estes se mobilizem a estabelecer e, em busca da aplicação do princípio da isonomia aos acometidos pelo conjunto de características que os identifiquem enquanto deficientes (Brasileiro, Nogueira, Lourenço & Almeida, 2008).
  • 16.
    • ♥ Os estereótipos de que as pessoas deficientes não são atraentes fisicamente, não têm interesses por sexo, ou ainda, são incapazes de sentir algum estímulo sexual, ainda são amplamente difundidos. Estes estereótipos, unidos à falta de informação, induzem a gente a uma atitude pessimista em tudo que se refere a manifestações afetivo-sexuais para estas populações;
    • ♥ é uma ilusão pensar que o indivíduo com deficiência não vai procurar dentro de si mesmo, ou ainda, junto a outras pessoas informações a respeito deste assunto. Nesse sentido, pais, professores e demais cuidadores, ao que parece, retardam o inevitável ao adotarem a perspectiva procustiana ou então quando endossam em suas práticas a política do avis-struthio ;
  • 17.
    • ♥ Bastantes são os fatores apontados como determinantes de bem-estar e de qualidade de vida para um ser humano segundo o que nos aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS): longevidade; saúde biológica; saúde mental; satisfação; controle cognitivo; competência social; produtividade; atividade; eficácia cognitiva; status social; renda; continuidade de papéis familiares e ocupacionais, e continuidade de relações informais em grupos primários (principalmente rede de amigos). Se além desses anteriormente citados, ainda forem introduzidos a experiência do afeto, , a paixão, o namoro, o amor, o sexo, a cumplicidade, o companheirismo, dentre outros, o deficiente pode estar certo que, poderá ter uma satisfatória vida afetiva tão viável quanto para outras populações sem estas características.
  • 18.
    • ♥ Sexualidade e a vivência do amor nos relacionamentos independe da deficiência, seja ela física ou mental, congênita ou adquirida, transitória ou permanente. Contudo, como vimos, no caso dos deficientes, qual um leito de Procusto, os limites impostos pela sociedade e a falta de informação dificultam que essa população viva a sexualidade de forma plena e satisfatória;
    • ♥ a ampla troca de informações entre professor e aluno, e entre pais e filhos a respeito da questão da sexualidade se faz cada vez mais necessária, haja vista que, a educação afetivo-sexual faz parte do desenvolvimento da pessoa e de suas emoções, e as experiências da vida afetarão a personalidade do indivíduo e suas relações interpessoais. Logo, a falta de informação sobre sexualidade favorece a vulnerabilidade do educando, alimenta fantasias, estimula a formação de conceitos errôneos e aumenta a probabilidade de ocorrerem episódios de violência e exploração sexuais.
  • 19. Ao Amor... Sempre!!