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Amor E Sexualidade Na Contemporaneidade   A Perspectiva HomoeróTica Do Enamoramento   Painel
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Amor E Sexualidade Na Contemporaneidade A Perspectiva HomoeróTica Do Enamoramento Painel

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A historiografia da homossexualidade.

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  • 1. AMOR E SEXUALIDADE NA CONTEMPORANEIDADE: A PERSPECTIVA HOMOERÓTICA DO ENAMORAMENTO
      • Thiago de Almeida
      • (Universidade de São Paulo)
      • Home page: www.thiagodealmeida.com.br
  • 2. Introdução
    • A homossexualidade, tal como a compreendemos atualmente remonta ao século XIX. Sob a alcunha de homossexualismo, segundo Spencer (1996, p. 274) surge pela primeira vez cunhado em um panfleto escrito, por um médico húngaro de nome Karoly Maria Benkert , no ano 1869. Na língua inglesa, esta “manifestação” aparece pela primeira vez, em 1890, em uma tradução do tratado Psychopathia Sexualis do autor Krafft-Ebing.
  • 3.
    • Na história da humanidade, a questão da homossexualidade sempre se fez presente, com registros de períodos de aceitação maior ou menor das relações afetivas e/ou sexuais entre pessoas do mesmo sexo. Contudo, a ciência, somente há alguns anos vem conferindo o devido respeito e a importância às manifestações de amor entre pessoas que se afiliam homoeroticamente. Até meados dos anos setenta, sob a alcunha de “homossexualismo”, as expressões entre pessoas do mesmo sexo chegaram a ser consideradas como doença, equívoco este que se prolongou, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS), riscou-a de sua lista de enfermidades.
  • 4. Questionamentos
    • Muitas dúvidas são listadas ao se tratar de do amor e de seus desdobramentos para os homossexuais: como se formam os vínculos amorosos dos homossexuais? Seguem o mesmo curso do enamoramento heterossexual, ou tem uma genealogia diferente? Em que difere as manifestações ciumentas entre gays e lésbicas? Como a história da sexualidade homossexual foi tratada ao longo da história? Quais os pontos de intersecção e de ruptura entre os seus pares e entre os heterossexuais no que diz respeito às manifestações amorosas e quais as implicações práticas disso para seus relacionamentos?
  • 5. Homossexualidade e história
    • A homossexualidade é uma questão que sempre se fez presente na história das civilizações;
    • Dentro das diferentes sociedades, há registros de períodos de aceitação maior ou menor das relações afetivas e/ou sexuais entre pessoas do mesmo sexo;
  • 6. Pré-História (1.600.000 até 4000 a.C)
    • Para muitas tribos há aproximadamente 10.000 anos atrás, a manifestação de comportamentos homossexuais não era somente conhecida, como também praticada e aceita como necessária (Spencer, 1996);
    • Muitas vezes era validada como rituais de passagem no qual os adultos copulavam ativamente com os meninos a fim de que com a passagem do seu sêmen para o corpo deste, fosse passada também a virilidade necessária para a sobrevivência da tribo.
  • 7. Idade Antiga ( 4000 a.C. -- 476 d. C.);
    • Até o séc III d.C. em relação aos gregos, mesopotâmios, egípcios, romanos, hindus, chineses da dinastia Han, celtas, dentre outros, “metade do mundo civilizado [...] não tinha naquela época medidas repressivas contra o comportamento homossexual; pelo contrário, algumas sociedades o celebravam positivamente” (Spencer, 1996, p. 80);
    • Na Grécia antiga, por exemplo, o que era comum era uma relação entre um homem mais velho e cidadão ( erómenos ), portanto um dos poucos indivíduos livres naquela sociedade, com um jovem rapaz ( erastes ) (Costa, 1998). Para os gregods antigos, suas práticas sexuais não eram centrais nem exigiam a criação de um termo para seus praticantes (haviam os termos: efebofilia masculina e pederastia ). Dessa forma, compreende-se porque não é possível falar em homossexualidade na Grécia antiga: seria um erro histórico atribuir aos gregos um termo e uma classificação de um período histórico muito posterior.
  • 8. Idade Média (476 d.C. – 1453 d.C.)
    • Com a difusão do cristianismo, sobretudo propagada pelas idéias dos primeiros padres da Igreja católica por ocasião da Idade Média, as práticas homoeróticas foram condenadas a um ostracismo bíblico e moral, repercutindo ao longo dos séculos até os dias atuais, influenciando até mesmo o modelo médico que tentou utilizar algumas idéias eclesiais como fundamentos para suas diretrizes higienistas que combatiam o que eles concebiam enquanto homossexualismo.
  • 9. Idade Moderna (1453 d.C. – 1789 d.C.)
    • Para colocar (as) os homossexuais nas categorizações nosográficas da época foram realizados estudos considerando que o papel biológico era preponderante na determinação do destino do papel sexual das pessoas e que estas deveriam ser homens ou mulheres e não uma categoria que representasse uma interface entre ambos. Em muitas obras da época, o homossexual era marginalizado e colocado como um delinqüente, uma pessoas capaz de subverter a ordem e a moral burguesas;
  • 10. Idade Contemporânea (1789 d.C. – até hoje)
    • A emblemática figura do irlandês Oscar Wilde na Era Vitóriana;
    • O incidente do bar Stonewall;
    • O movimento de homossexuais pode ser considerado um dos atores sociais mais importantes destas duas últimas décadas. Como sugere Clarisse Fabre (1999) nos últimos 20 anos, esse movimento segue um percurso que vai desde a "saída da homossexualidade do código penal até a sua entrada no código civil". No início dos anos 1980, observamos em vários países ocidentais desenvolvidos uma mudança significativa no que se refere à luta contra a discriminação da homossexualidade. Dois fatos podem ser considerados os mais importantes: a saída da homossexualidade do código internacional das doenças e o fim da condenação da prática homossexual no código penal. Agora, o debate que está na ordem do dia é o reconhecimento jurídico da união homossexual.
  • 11. Homossexualidade e percepção da infidelidade
    • Homossexuais femininas sentem como mais aflitiva a infidelidade sexual de suas parceiras, ao passo que os homossexuais masculinos padecem emocionalmente mais quando imaginam que o parceiro pode estar comprometido afetivamente com outra pessoa (Bailey et al., 1994; Bringle, 1995; Sheets & Wolfe, 2001).
  • 12. Ciúme e homossexualidade
    • No estudo de Buunk, Massar & Dijkstra (2006) os autores verificaram que homens homossexuais, mas não mulheres homossexuais reportam mais ciúme quando expostos a um rival com uma alta dominância quando comparados a um rival de baixa dominância, especialmente quando expostos a um rival fisicamente não atrativo.
  • 13. Homo e Heterossexualidade: pontos de intersecção e de ruptura
    • De acordo com Gipsztejn (2000) os atributos supostamente característicos da homossexualidade são, em última análise encontrados, em todas as outras pessoas;
    • Os homossexuais experimentam níveis de ciúme similares aos dos heterossexuais (Bringle, 1995b).
    • Podemos dizer que as manifestações amorosas homossexuais são tão legítimas como as d e natureza heterossexual.
  • 14. Amor e enamoramento homossexual
    • Até o presente momento o que se sabe é que, no tocante a estes relacionamentos, a fenomenologia do enamoramento homossexual é ao que tudo indica, idêntica à do enamoramento heterossexual, isto é, as categorias do novo estado nascente são as mesmas, como adverte Alberoni (1986). Nas palavras de Rusconi (1991, p. 231): “não existem diferenças na expressão dos sentimentos entre homens que fizerem diferentes escolhas sexuais”. E, Lee (1988), complementa tal discussão, apontando uma possível explicação: “Amantes gays e lésbicos compartilham das definições gerais do amor das novelas, filmes e outras mídias” (Lee, 1988, p. 58).
  • 15. Depoimento de uma homossexual
    • “ Não é pelo fato de ser homossexual é que temos ou não ciúme. A questão transcende a natureza dos nossos próprios sentimentos. A questão é que por sermos seres humanos, possuímos sentimentos que estão sob constante prova de fogo. É necessário, pois, cultivarmos diálogos sinceros, a fim de que esta sinceridade se reflita em nossos comportamentos e conduzam o casal pelas sendas do amor e não da desconfiança” (repórter, 37a).
  • 16. Conclusão
    • Todos esses fenômenos, anteriormente discutidos, indicam o surgimento de uma nova cartografia da relação entre os sexos. Os estudiosos da atualidade demonstram em suas pesquisas que somos uma sociedade homofóbica, ou seja, há uma especificidade na discriminação existente contra os homossexuais. Neste contexto, o que motiva o crime ou o preconceito, muitas vezes, é a rejeição pura e simples da pessoa em razão de sua orientação sexual. O homem que opta por ser gay, travesti, transexual ou a mulher que opta por ser lésbica, são vistos como desequilibrados, desajustados, doentes que precisam ser excluídos do convívio social. Tudo isso reforça uma cultura hermética e machista que desrespeita a pessoa humana e fere o direito e a liberdade de exercer livremente sua sexualidade.
  • 17. Referências
    • Alberoni, F. (1986). Enamoramento e amor. (A. G. Galvão, trad.). Rio de Janeiro: Rocco.
    • Bailey, J. M., Gaulin, S., Agyei, Y., & Gladue, B. A. (1994). Effects of gender and sexual orientation on evolutionary relevant aspects of human mating. Journal of Personality and Social Psychology, 66 , 1081-1093.
    • Bringle, R. G. (1995). Sexual jealousy in the relationships of homosexual and heterosexual men: 1980 and 1992. Personal Relationships, 2 , 313-325.
    • Buunk, A. P., Massar, K., & Dijkstra, P. (2006). Automatically evaluating one’s romantic rivals: towards a social cognitive evolutionary approach of jealousy. Retirado da página: http://scholar.google.com.br/scholar?num=50&hl=pt-BR&lr=&q=cache:bI0thRn8IisJ:www.sydneysymposium.unsw.edu.au/2006/Chapters/rivalaus.con.doc+%22Gay+males,+but+not+lesbian+women,+reported+more%22 em 03/09/2006.
    • Costa, J. F. (1998). Sem fraude nem favor: estudos sobre o amor romântico. (5a ed.). Rio de Janeiro: Rocco.
    • Fabre, C. (1999, 1 avril). L'homosexualité, du code pénal au code civil . In: Le Monde Dossier: le pacte civil de solidarité.
    • Gipsztejn, P. (2000). Análise metapsicológica do comportamento compulsivo sexual em sujeitos masculinos homoeroticamente inclinados. Trabalho de conclusão de curso. São Paulo. Mackenzie.
    • Lee, J. A. (1988). Love-styles. In R. J. Sternberg & M. L. Barnes (Eds.). The Psychology of love (pp. 38-67). New Haven: Yale University Press.
    • Rusconi, M. (1991). Amor plural masculino: os homens descobrem o prazer dos sentimentos. (L. E. Passalacqua, trad.). São Paulo: Maltese.
    • Sheets, V. L., & Wolfe, M. D. (2001). Sexual jealousy in heterosexuals, lesbians, and gays. Sex Roles: A Journal of Research , 44 , 255-276.
    • Spencer, C. (1996). Homossexualidade: uma história. Rio de Janeiro: Record.