A família católica, 13 edição, junho 2014
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A família católica, 13 edição, junho 2014

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A família católica, 13 edição, junho 2014 Document Transcript

  • 1. Mês de aniversário Por nosso diretor e pai espiritual Dom tomás de aquino SANTOS E FESTAS DO MÊS: 08 - Pentecostes; 09 - Sta. Margarida da Escócia (rainha); 13 – Santo Antônio de Pádua; 14 - São Basílio Magno; 15 - Festa da Santíssima Trindade; 19 - Corpus Christi; 21 - São Luís Gongaza; 24 - Natividade de São João Batista; 27– Festa do Sagrado Coração de Jesus Nossa Senhora do Perpétuo Socorro; 29 - São Pedro e São Paulo; 30 - São Paulo. N E S T A E D I Ç Ã O : Palavras do diretor 1 Obrigações dos casados 2 Biografia 3 Jesus, Rei de amor 4 Filhos morrendo de fome 5 Avisos 6 Junho/ 2014Edição 13 A Família CatólicaC A P E L A N O S S A S E N H O R A D A S A L E G R I A S E D I Ç Ã O E S P E C I A L D E A N I V E R S Á R I O Caríssimos leitores e amigos, Nosso jornalzinho faz um ano. Um ano é apenas um ano, mas um ano não deixa de ser alguma coisa, pois se trata de um ano de dedicação, de estudo, de procura de bons textos e de interesse pelo que é verdadeiro, bom e belo. Ora, é desta dedicação que gostaria de lhes falar neste aniversário. Dedicar- se é se consagrar a uma coisa, a um ideal. E qual deve ser o nosso ideal? Nosso ideal não pode ser outro senão aquele que Deus Ele mesmo nos deu: Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é o nosso ideal. Ele é a rocha sobre a qual o homem sábio construiu a sua casa e vieram os ventos e as torrentes e ela não caiu por- que estava fundada sobre a rocha. Para nós viver é o Cristo, como diz São Pau- lo. Nossa vida, nosso ideal é o Cristo, Nosso Senhor, dono de nosso jornalzinho, dono de tudo o que é nosso, dono de nossas pessoas, de nossa atividade. Nu- ma palavra: Ele é nosso rei e como rei Ele dispõe de nós como coisa e proprie- dade sua. Ora, caríssimos leitores, este jornal não tem outro objetivo que o de nos unir neste mesmo ideal de fazer reinar Nosso Senhor em nossas vidas e em nossas famílias. Queira Deus que ele tenha cumprido sua razão de ser. Que ele lhes tenha ajudado a conhecer e amar Nosso Senhor e sua lei. Se queremos que nossas famílias, nossa pátria e o mundo inteiro se volte para Nosso Senhor, centro de toda a criação, nós devemos continuar este esforço de nos instruir não só pela leitura, mas também pela oração que, nos fazendo conhecer e amar Nosso Senhor, nos fará imitá-lo em tudo. Nosso Senhor amou a vontade do Pai e disse: "Não seja feita a minha vontade, mas a vossa". Nosso Senhor amou o próximo e mesmo os seus inimigos e disse: "Pai, perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem". Sim, o mundo moderno não sabe o que faz, mas Nosso Senhor sabe o que devemos fazer e Ele pôs a nosso alcance sabê-lo tam- bém. É para isto que este jornalzinho existe. Para nos ajudar a conhecer o que devemos fazer e para nos animar a fazê-lo. Agradecemos os encorajamentos recebidos e as colaborações enviadas, pois isto nos ajuda a continuar este trabalho que fazemos com o intuito de ajudá-los na sua vida de família no meio de um mundo que vive em contradição cada vez maior com os ensinamentos de Nosso Senhor. Queira Deus que, com ajuda de Nossa Senhora e de São José nós possamos ter parte na reconstrução do reina- do de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre todo o mundo. "Instaurare onmia in Cris- to ", restaurar todas as coisas em Cristo, a começar por nossas famílias. Que a divina Providência que fez nascer nosso jornal no mês do Sagrado Coração vele sobre o seu crescimento e sobre sua fidelidade aos ensinamentos de Nosso Senhor para a glória da Santíssima Trindade e nossa salvação eterna. ir. Tomás de Aquino
  • 2. O matrimônio é um sacramento instituí- do por Jesus Cristo ; bom e grande sacra- mento, quando é feito em Jesus Cristo e na sua Igreja, como diz São Paulo; é sacramento de amor e união entre os casados, assim como há este amor entre Jesus Cristo e a sua esposa a Santa Igreja. Segue-se portanto que os maridos devem amar as suas mulheres, como Jesus Cristo ama a sua esposa a Santa Igreja; e as mulheres do mesmo modo devem amar os seus maridos, assim como a mesma Igreja ama a Jesus Cris- to, seu esposo: devem ambos viver em paz e harmonia; devem assistir-se e socorrer-se mutuamente nos trabalhos e necessidades, e guardar fidelidade um ao outro. Peca pois mortalmente o mari- do que ofende sua mulher com despre- zos e injúrias, que ela muito sente, e também se a espanca gravemente, so- bretudo sem grave causa; pois ainda que o marido é a cabeça da mulher para o governo e admoestação, não é para a tratar como escrava; e também deve ouvir seu parecer e conselho, porque muitas vezes, como mais livre das pai- xões, pode acertar melhor no governo da casa e da família, do que o mesmo mari- do; peca também mortalmente o marido, se embaraça à sua mulher a observân- cia dos mandamentos de Deus e da sua Igreja, ou se lhe manda fazer alguma coisa contra eles em matéria grave; do mesmo modo peca se lhe nega o vestido preciso, conforme suas posses, e se desperdiça e gasta mal os bens da casa e família com outras mulheres ou com o jogo. Peca também mortalmente a mu- lher que provoca com palavras graves e pesadas seu marido a grandes iras e agonias, pragas e blasfêmias; se gasta de casa quantidade notável sem licença do mesmo marido, a não ser para o go- verno da casa ou para coisa que se su- ponha que ele não embarace; e se não obedece ao marido naquilo que pertence ao bom governo da casa e da família. Pecam ambos mortalmente se não são um para o outro, e se são infiéis um ao outro, adulterando. Pecam finalmente de outros muitos modos, que aqui se não podem explicar; e muitos casados se condenam ao inferno, porque julgam muitas coisas lícitas, que o não são; e P á g i n a 2 A F a m í l i a C a t ó l i c a praticam às vezes o que Deus muito repro- va. Eis aqui os principais deveres dos casa- dos. Mas onde estão esses que cumpram com eles exatamente? Observa-se quase tudo pelo contrário: observam-se imensos casados em desordem e discórdia um com outro, e um inferno nas suas casas; um contínuo de gritos, palavras injuriosas, pragas e maldições um para o outro; ob- servam-se desprezos para as mulheres, necessidades, lágrimas, desesperações, infidelidades e divórcios escandalosos. Os que assim vivem casados, em lugar de acharem no matrimônio o nó da união e amor, acharam o laço que os prende e leva ao inferno, diz São Jerônimo. A mulher desperdiçando muitas vezes o que não deve; o homem gastando no jogo, nas tabernas e com os vícios o que pertence também à sua mulher; e depois de tudo isto ainda em casa um chuveiro de impro- périos um para o outro: se ao menos um dos dois se calasse, não se ouviria tão cruel e renhida contenda, e tantos peca- dos; mas nem o homem nem a mulher se abranda, nenhuma língua sossega, e eis aqui uma medonha tempestade e tantos escândalos aos filhos e à vizinhança. Mas d’onde vem, pergunto eu, d’onde vem tão péssimo procedimento entre os casados? Vem dos maus matrimônios, vem dos casamentos que não são feitos em Jesus Cristo, isto é, como Ele manda. OBRIGAÇÕES DOS CASADOS, AS QUAIS OS MESMOS SOLTEIROS DEVEM PRIMEIRO SABER. Pe. Fr. Manoel da Madre de Deus A maior parte dos casamentos, ou quase todos, são feitos ou por paixão de interesses mundanos, ou por paixão carnal; e assim vão viciados na sua ori- gem, e não podem progredir bem; são feitos no pecado, consumados no peca- do, e continuados no pecado. Como n’es- se casamento haja conveniência, como faço arranjo para a casa, ou como agra- de esse homem ou mulher, não se olha a coisa alguma, não se olha a outras qualidades, não se olha a costumes, não se olha a gênio, não se olha à obriga- ções que se vão contrair; nada, nada lembra senão casar, e só coisas tempo- rais e carnais, e nada mais. Como sairão assim semelhantes matrimônios? Princi- pia-se uma amizade ilícita entre ambos os pretendentes; conversa-se meses e anos; sopram-se imensos pensamentos desonestos; proferem-se repetidas vezes palavras maliciosas; praticam-se brincos indecentes, e às vezes o mais; e depois de desafiada a concupiscência, depois de muitos pecados mortais cometidos deste modo contra a santa castidade, então se celebram os casamentos: tra- tam-se com pecados mortais, e cele- bram-se com pecados mortais sem uma confissão demorada, que até geral seria bem necessária. Tudo vai à pressa e mal ordenado, porque só lembra casar, e nada mais; recebem assim o matrimônio em pecado mortal; e em lugar de recebe- rem as bênçãos do céu, a graça de Deus, para cumprirem com os deveres do estado, recebem a maldição do mes- mo Deus; não são matrimônios abençoa- dos, são amaldiçoados; e por isso depois procedem tão mal, como continuamente se observa. Tremei, pois, casados, e tremei solteiros, para não vos introduzi- res com tanta facilidade em semelhante estado. Retirado do livro: Piedosas meditações sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo extraídas e compendiadas da obra de Santo Afonso Maria de Ligório intitulada Relógio da Paixão acrescentadas com algumas outras meditações, devoções e explica- ções dos mandamentos, também quase tudo extraído das obras do mesmo San- to Afonso, pelo Pe. Fr. Manoel da Madre de Deus, religioso carmelita descalço empregado nas missões.
  • 3. Trecho da vida de Maria da Concei- ção Fróis Gil Ferrão de Pimentel Tei- xeira, conhecida como Sãozinha. Nas- ceu a 1 de fevereiro de 1923, em Coimbra, e viveu em Abrigada. Teve uma existência curta, faleceu aos 17 anos no hospital de S. Luís em Lis- boa, no dia 6 de junho de 1940. Reti- rado do livro “... Vou para o céu!”, pela mãe da Sãozinha. Edições Sale- sianas, Porto. Salientamos que os banhos citados pela Sãozinha eram banhos públicos, e portanto mistos, o que definitiva- mente não é bom, e esta era a razão de sua resistência à praia. Ela só ia, porque os pais, que eram liberais, a forçavam, e tomava as devidas pre- cauções porque tinha a alma bem católica, mais do que os pais, como a mãe mesmo reconhece. Na praia Foi talvez na vida das praias onde mais se notou a sua candura. Amara a praia desde criança. Mas à medida que ia crescendo, começou a manifestar escrúpulos quanto ao uso dos fatos1 de banho. Escrúpulo não, mas repugnância pelos fatos de malha, e que subiu de pontos, dos 14 aos 16 anos. Infelizmen- te, nem eu, nem meu marido compreen- díamos semelhante atitude que taxáva- mos de exagero. No seu último ano de praia, enquanto eu tomava trinta ba- nhos, tomava ela apenas meia dúzia, ainda assim constrangida e só a custa de severas repreensões. A justificar a sua resistência às nos- sas ordens irrefletidas, de pessoas ob- cecadas pelo espírito do mundo, dizia- nos: “Tenho vergonha de ir tomar ba- nho. Isto é que é uma situação!... Se vou tomar banho de fato comprido, dou nas vistas, porque ninguém vai assim; se vou vestida de fato de malha, tenho vergonha. Por isso prefiro não tomar”. Quando ela, embrulhada no roupão, junto ao mar, fazia os costumados quei- xumes, eu e o pai, enfadados por não compreender o que chamávamos de melindres da sua consciência delicada, fazíamos-lhe sentir que com essas ce- nas ainda dava mais nas vistas. Se, cedendo algumas vezes à nossa pressão, se resolvia ao sacrifício de nos fazer a vontade, obrigava-me a mim ou ao banheiro2 a entrarmos com ela pelo mar a dentro, enquanto o roupão ia arregaçando à medida que a água ia subindo e só no-lo entregava quando se julgava bem encoberta pelo mar. Cena idêntica se repetia quando saía do ba- nho. Enquanto se vestia na barraca, a vivas instâncias suas, tinha que ficar eu ou pessoa de muita intimidade de sentinela, a segurar a abertura da barraca, não fosse alguém entrar lá por engano ou o vento levantar o toldo. Quantas vezes saía da barraca com uma saia comprida ou o roupão grande a cobrir o vestido de malha, e vinha para ao pé de nós com um expressivo olhar de ternura e súplica, que parecia dizer: “Não me obriguem a tomar banho”. (...) Aos 14 anos, um tio seu tirou-lhe o retrato em fato de banho. Embora, en- tão, fosse muito criança sentiu-se muito ferida na sua dignidade. Aos seus olhos, uma fotografia que lhe tiramos, nuazi- nha, aos seis meses, tinha sido uma má ideia da nossa parte. Hoje pensamos como ela, compreen- demos a delicadeza dos seus sentimen- tos e tomamos na conta de homenagem à sua pureza de alma a observação que alguém fez em prosa rimada, em Santa Cruz, no último ano de praia, e que de- clamou à sua passagem para o banho, envolta no roupão que lhe chegava aos pés: Lá vai a São Embrulhada no roupão E toda esta delicadeza justificada pare- cia contrastar tanto com a sua vida cheia de movimento e radiosa alegria, parecia perfeitamente incompatível com a maior pureza de consciência. Mas não foi as- sim. A Sãozinha vivia a verdade sublime tão querida ao seu coração de cristã: “O nosso coração é o Templo do Espí- rito Santo, o Santuário da Divindade”. Acerca desta afirmação, recordo que, embora raramente, quando mu- dava de roupa, esquecia sobre a “toilette” as medalhas que trazia con- sigo. Cheguei a mostrar-lhe a falta. Não só recebeu bem a observação, mas com o seu ar desempoeirado, um dia respondeu-me: “Não se inquiete, mãezinha, Jesus está aqui!”, enquan- to, sorrindo, com a palma da mão batia-se contente sobre o peito. Só mais tarde é que nós também avaliamos as razões da sua repug- nância e as suas palavras, dela que fora sempre tão humilde e obediente, quando dizia ao pai que a ameaçava de nunca mais voltar para as praias se continuasse com esquisitices: “Prefiro mil vezes não voltar, do que sujeitar-me a este martírio”. Estimava as amigas da praia, que lhe faziam sempre festa quando apa- recia: “Lá vem a São! Lá vem a São!” mas nunca, porém, adiantou as suas saídas de casa. Em geral não saía sem ser acompanhada por nós. “Ó Sãozinha, porque tardaste tanto?“- perguntavam-lhe. E a resposta era sempre a mesma: “Não me foi possí- vel vir mais cedo; tive de esperar meus paizinhos”. Delicadamente, com o receio de me magoar quando me visse deitada na areia, vinha puxar-me a saia com receio de que estivesse curta demais e sussurrava-me assim: “Não gosto de ver assim a mãezinha deitada na areia... Não sei o que parece”. Ou: “ Este vestido está decotado demais... Não lhe fica bem! Lembre-se, Ginha, de que é feio” E para desfazer qualquer melindre, puxava-me como que a brincar o de- cote para cima, como fazia em crian- ça e, contemplando-me, dizia, enleva- da: “Ah, como assim fica bonita, mãe- zinha... Quem me dera ter a sua cari- nha”. Ou usava ainda outra arma tão deli- cada... Mandava-me fechar logo os olhos e punha-me na boca algum bombom. Sim, mas a lição estava dada! (1) Fato: roupa, trajo, vestuário. (2) Banheiro: Salva vidas, nadador- salvador. “...vou para o céu!” Pela mãe da Sãozinha
  • 4. A F a m í l i a C a t ó l i c aE d i ç ã o 1 3 A ENTRONIZAÇÃO Em que consiste - Sua importância - Sua prática. Em que consiste A Entronização pode definir-se: o reco- nhecimento oficial e social da soberania do Coração de Jesus sobre uma família cristã. Reconhecimento afirmado, tornado sensível e permanente pela instalação solene da imagem desse Coração divino no lugar de honra e pelo ato de consagra- ção. Foi o próprio Deus de misericórdia que disse: que, sendo a fonte de todas as bênçãos, Ele as distribuiria em abundân- cia em todos os lugares onde fosse colo- cada a imagem do seu Coração para ser amada e honrada. Disse ainda: “Eu reinarei apesar dos meus inimigos e de todos aqueles que se quiserem opor”. A Entronização não é então outra coisa senão a inteira realização do conjunto dos pedidos feitos pelo Sagrado Coração em Paray-le-Monial e das promessas magnífi- cas que acompanharam esses pedidos. Digo o conjunto, porque a família a san- tificar é o objetivo transcendente de todos esse apostolado: célula social, ela deve ser o primeiro trono vivo do Rei de amor. Para transformar, para salvar de novo o mundo, é preciso que o Natal se perpe- tue, que o Emanuel, o Jesus do Evangelho habite sempre entre nós. É preciso, para chegar-se ao Reino Soci- al de Jesus Cristo, retomar a sociedade pela base e refazer a família cristã. É pela família que se afirma e se mede o valor de um povo. O povo vale o que vale a família. Dizia-me um grande convertido: “Padre, o senhor nunca poderá exagerar a impor- tância da cruzada que está pregando. Deixamos de boa vontade para os católi- cos as igrejas, as capelas, as catedrais; basta-nos, para perverter a sociedade, possuir as famílias. Se nisso formos bem sucedidos, acabou-se a vitória da Igreja.” Oh! Como será sempre verdadeira esta palavra de Jesus: “Os filhos deste século são mais prudentes que os filhos da luz.” O grande mal da nossa sociedade é que ela perdeu o sentido do divino. Que remé- dio dar a esse mal? Voltar a NAZARÉ. Foi por Nazaré, fundando a Santa Famí- lia, que o Verbo começou a Redenção do mundo. As sociedades para serem redimi- das deverão voltar para lá. Mostraram-vos quadros horríveis da devastação das igrejas nos países invadi- dos; vossas almas de católicos ficaram revoltadas. Pois bem, a ruína da família cristã é um mal ainda maior. A família é o JESUS, REI DE AMOR. Pe. Mateo Crawley-Boevey Templo dos templos. Não são essas igre- jas esplêndidas, essas igrejas de pedra que salvarão o mundo, são as famílias cristãs, é NAZARÉ. E isso compreende-se. A família é a fonte da vida, a primeira escola da criança. Se a fonte da vida naci- onal for envenenada, a nação perecerá. O que queremos, é inocular nas famílias a fé e o amor do Sagrado Coração. Se Jesus Cristo for inoculado nas raízes, toda a árvore será Jesus Cristo. Ora, a Entronização é Nosso Senhor vindo reclamar seu lugar no lar; como outrora no fim de suas viagens apostóli- cas, Ele pedia hospitalidade em Betânia: lugar de honra, porque Ele é Rei e, - nós o repetimos - Ele deve reinar sobre cada família em particular afim de vir a reinar bem cedo sobre a sociedade...lugar ínti- mo e familiar porque Ele é Amigo e é pelo seu Coração, pelo seu Amor que Ele quer reinar. A Entronização é portanto de fato o Emanuel, o Jesus do Evangelho habitando ainda entre nós. (...) Sua prática Receber a Jesus como Rei e Amigo, colocar a imagem do seu Coração em vossa casa, no lugar de honra, como pe- nhor sensível dessa recepção, e o alvo imediato, é o primeiro passo no caminho do vosso amor familiar com o Mestre bem amado. (...) É preciso que a consagração seja vivida e constitua um estado em que o Evange- lho se torne a regra e como que a alma do lar. É necessária a convivência, isto é, a vida comum com aquele Jesus que foi acolhido e festejado; é necessário convi- dá-lo a abençoar a aurora e o crepúsculo, a paz e a tribulação, os sorrisos e as lágri- mas. (...) Eis a ideia: um Jesus vivo no lar, um Deus Emanuel no santuário da família consagrada! (...) Vou mostrar-vos com exemplos o que é a consagração vivida, mais vale um fato que mil dissertações. Em plena guerra, uma família consagra- da recebe um telegrama comunicando que o filho mais velho tombou no campo da honra. A mãe toma o despacho e de- põe-no diante da imagem do Rei da casa. Chama seus filhos, seus empregados, toda a família, acende candelabros, traz flores e, dominando-se como uma verda- deira heroína, inicia um hino: “Jesus, nos- sa esperança”...Depois, todos rezam “Creio em Deus Padre”. Quando a prece termina a mãe diz aos filhos: “Sua vonta- de é sempre sábia e boa...Que o seu Rei- no venha a nós!” só então correm as lágri- mas serenas diante do Coração de Jesus. Eis uma homenagem incomparável rendi- da ao Rei do amor: eis uma dor que não é da carne e do sangue, mas a do Calvário, fecunda e gloriosa. Numa outra família, chegam da escola as crianças com os braços carregados de prêmios e coroas. Correm para seus pais para serem abraçadas. “Não, diz o pai, vamos primeiro depor as coroas e os prêmios aos pés de Jesus; é Ele e não eu o Chefe da família. Beijem o seu Coração com amor depositando cada um os seus prêmios e dizendo: “Venha a nós o teu Reino. Seus pais podem desa- parecer um dia, meus filhos, este Rei, nunca”. No começo da minha vida apostólica eu tinha tido a alegria de entronizar o Sagra- do Coração no lar que acabavam de fun- dar dois jovens da classe operária. No próprio dia do seu casamento eles tinham querido fazer entrar em sua casa o Rei- Jesus. “Ele será, diziam, o Amigo íntimo de todos os instantes”. Alguns anos mais tarde, o operário me chamava para ver sua mulher, gravemen- te enferma. O pobre quarto em que mora- vam, deixava adivinhar uma grande misé- ria; mas o que chamava logo a atenção do visitante, era uma bela imagem do Coração de Jesus, que lá estava fixada, bem à vista, no lugar de honra, e mais ainda a grande paz daquela morada. Depois de algumas palavras de conforto e consolação: “És muito infeliz, minha filha? Disse eu à doente. - Infeliz? Respondeu ela com a convicção da mais viva fé, com os olhos brilhantes pelo fogo da febre, não, Padre, nós não somos infelizes! Nós sofremos, é verdade, mas choramos com Ele. Entronizando-O em nossa casa, o Senhor nos tinha dito que Ele nos consolaria em todas as nos- sas dores, que Ele saberia abrandar todos os nossos sofrimentos...Ele o fez, Padre!” E tomando pela mão seu marido que soluçava, ela lhe disse: “E tú, o que di- zes? Fomos infelizes?” Então, fixando o seu olhar cheio de lá- grimas sobre a imagem do Coração de Jesus, ele respondeu: “Infelizes, nós? Nem cinco minutos! Sofremos bastante, oh!, sim isso é inevitável, a vida é a vida. Mas, ser infeliz é coisa bem diferen- te...infelizes com Jesus, nosso Rei e nos- so Amigo? Nunca, nunca! Jesus vem bus- car minha querida, é seu direito, que seja feita a sua vontade; mas Ele tornará logo para me buscar, a mim também; e então nós três, lá em cima, seremos felizes no céu, como fomos, os três nesta pobre choupana!” Não é sublime? Eles tinham aprendido a alta filosofia, do Evangelho: a diferença que há entre chorar, sofrer e ser infeliz.
  • 5. Em muitos lares os filhos morrem de fome. Porque “o homem não vive só de pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. Ora, esse alimento espiri- tual, tenho a impressão que muitos rapa- zes e moças não o recebem dos pais, apesar de cristãos. Será que você compreendeu o que se passa na alma do seu filho no dia do batismo? Ele recebe a graça, e portanto as virtudes teologais - não plenamente desenvolvidas é claro, mas em estado de gérmen. Ora, você bem sabe que todo gérmen possui dentro de si uma energia interna, sob cujo impulso vai crescer, até seu pleno desenvolvimento. Nesse meni- no que vocês trazem na pia batismal, a fé e a caridade são como gérmens vivos. Já há nele, pela fé, uma obscura intuição do divino, uma aspiração ao conhecimen- to de Deus; já há nele, pela caridade, um impulso para Deus, um desejo inconsci- ente de união com Deus. Um poderoso dinamismo, semelhante ao que se faz de um caroço de abacate um grande abacateiro, anima, em seu coração, essas duas virtudes. Mas é pre- ciso que o caroço de abacate encontre terreno favorável ao seu crescimento, e que a fé e a caridade não sejam privadas do alimento que elas exigem para pode- rem crescer. Ora, eu lhe pergunto: será que você oferece a eles esse Deus que é objeto das virtudes teologais, e do qual seus filhos sentem fome? Todos os dias você parte para eles o pão do corpo; será que lhes dá também o pão espiritual? Você se preocupa, eu sei, em fazer com que seus filhinhos tenham conhecimento de Deus. Mas porque, pais e mães, desis- tem da empreitada logo que eles cres- cem? Já não falam mais de Deus com eles. E se espantam, de repente, ao veri- ficar que seus filhos vão perdendo a fé... Alguns me respondem: “cada um tem seu papel! Nós não somos padres; não nos compete pregar! Aliás, os filhos não gostam de sermões. Será que não há coisa mais eficaz que ficar falando? O exemplo e o testemunho não valem mui- to mais?” Eu esperava por isso. É a res- posta clássica de hoje em dia, daqueles que não tem mais coragem de falar em Deus. “Damos o testemunho, dizem eles; a gente se cala, mas o exemplo fala!” Que confianças vocês tem no valor exem- plar de suas vidas! Depois, que contras- senso: se abro um dicionário, verifico que testemunha é alguém que diz o que sa- be, o que viu, o que escutou. Vocês devem reconhecer que o seu silêncio tem talvez outras causas: a timi- dez, o respeito humano, o medo das reações, a consciência da sua própria ignorância ou da falta de jeito para tratar de temas religiosos. A menos que, por Pe. Henri Caffarel Filhos morrendo de fome mais estranho que isso pareça, vocês não tenham nada a dizer de Deus. Oh, nós também, os padres, sentimos às vezes isso. Mas nós sabemos o que isso signifi- ca. Um dos meus colegas me dizia certa vez: “Há um sinal infalível de que minha vida interior esteja baixando: é não sentir vontade de falar em Deus!”. Não vá pensar que eu lhes esteja suge- rindo usurparem o lugar da hierarquia. Ela tem uma tarefa que lhe é própria, en- quanto Igreja ensinante. Herdeira do mi- nistério dos Apóstolos, só ela define a fé, só ela ensina com autoridade. Mas, ao lado desse ensinamento dado com autori- dade pública, há um ensinamento particu- lar. E este é para vocês, os pais, uma função de Igreja, uma missão sagrada, oficial: “evangelizar os seus filhos, “transmitir a fé” àqueles aos quais trans- mitiram a vida física. Para convencer os pais de família que o escutavam, santo Agostinho lhes dizia que, em suas casas, eles deviam fazer o papel de sacerdotes e até de bispos. E é evidente que é preciso que a vida que levam não seja um des- mentido de suas palavras, mas antes uma ilustração das mesmas. Não é muito normal que tenhamos de lembrar-lhes esse dever imprescritível! Quando chega ao seu conhecimento uma noticia alegre e importante, que diga res- peito não só a você, como também àque- les que ama, você não fica ardendo de impaciência por comunicar-lhes, o mais depressa possível, tal notícia? Não venha me dizer que isso já foi feito de uma vez por todas, que você já ensinou a seu filho que Deus é bom e que Deus o convida à felicidade eterna. Pois todos os dias a fé no infinito amor de Deus é posta a prova! Porque o mundo em que estamos mergu- lhados lança, a cada instante, um des- mentido novo à nossa confiança na bon- dade de Deus. Por isso, a fé tem de ser uma reconquista cotidiana. Essa recon- quista, seus filhos não a podem fazer sozinhos: cabe a você proteger, defender, alimentar neles a fé, falando-lhes de Deus, que é seu Pai, ajudando-os a com- preender melhor o grande desígnio de Deus em relação ao mundo. Mas insisto em que você deve falar-lhes de Deus, e não penas de seus deveres, e não apenas pregar-lhes a obediência, a franqueza, o esforço, a pureza. Ensinando -lhes apenas uma moral, você corre o risco de vê-los reagirem como esse jovem estudante que acaba de escrever-me uma carta, de que tiro esse trecho: “Qual não foi minha surpresa, ao descobrir nos meus colegas e professores, todos ateus, aquela consciência, aquela retidão, aque- la dignidade de vida que meus pais me haviam ensinado a colocar acima de tu- do, e que eu julgava ser sinal característi- co de um católico”. “Os que vejo aqui são muito melhores que muitos cristãos que eu conheço. Por isso, já não compreendo bem a razão de ser dos sacramentos e das práticas religiosas...” Ele não compreendeu, esse rapaz, que o que distingue um católico de um sim- ples homem de bem, não é a prática mais ou menos perfeita das virtudes, mas a fé viva em Deus, que amou os homens a ponto de lhes dar seu filho: “Quanto a nós, diz São João, nós conhe- cemos o amor que Deus tem por nós, e nós cremos nesse amor”! Uma coisa é a gente reduzir a religião do Cristo à prati- ca das virtudes morais, e outra, inteira- mente diferente, a gente saber que é amado por Deus, que é filho de Deus, que é convidado a participar de sua inti- midade neste mundo, e chamado a dar- lhe glória durante a vida toda. É preciso que vocês sejam os que bus- cam a Deus e que alimentam continua- mente a fé com a sua palavra. “Guardem a Palavra” (como foi dito de Nossa Se- nhora, que conservava todas as coisas, meditando-as em seu coração), e vocês não tardarão a tornarem-se cristãos transbordantes de vida, e o Espírito San- to lhes dará toda a Verdade”. A alegria de conhecer fará de vocês apóstolos. Apóstolos para seus filhos em primeiro lugar. Pais cristãos, vocês obser- varam a ordem que Deus já dava aos judeus: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, com todas as suas forças”. Que estas palavras que eu hoje te digo permane- çam gravadas aos teus filhos. Tu lhes dirás estas palavras tanto sentado em tua casa como andando pela estrada, tanto deitado como em pé; tu prendê-las- á ao teu braço como um sinal, em torno da tua fronte, como um diadema; tu as escreverás nas traves da tua casa, tu as escreverás sobre as portas... Quando teu filho te perguntar: “que instruções são essas que o Senhor nosso Deus nos prescreveu?” Tu dirás a teu filho: “Nós éramos escravos do Faraó do Egito, e o Senhor nos tirou de lá com sua mão poderosa. Realizou diante de nos- sos olhos, prodígios enormes e terríveis. Conduziu-nos ao país que, com juramen- to, havia prometido aos nossos pais dar- nos um dia. O Senhor nos prescreveu por em prática todas as leis, a fim de sermos sempre felizes, e de viver como nos con- cedeu até agora”. (Deut. 6). Todo pai (e toda mãe) deve ser um profeta no sentido bíblico da palavra, isto é, um homem que ouve a Deus, que fala de Deus e em nome de Deus, e que pro- clama os grande feitos do amor divino por nós.
  • 6. Edição: Capela Nossa Senhora das Alegrias - Vitória, ES. http:/www.nossasenhoradasalegrias.com.br Entre em contato conosco pelo e-mail: jornalafamiliacatolica@gmail.com Prezados Amigos, Salve Maria Imaculada! É com grande alegria que chegamos a este primeiro ano de nosso jornalzinho. Que ele tenha servido, em primeiro lugar, para a maior glória de Deus e também para auxiliar na formação das famílias católicas, são os mais sinceros desejos de nossos corações, como bem disse Dom Tomás. Aproveitamos a oportunidade para agradecer ao mesmo pela idéia de fazer este jornal e por ser nosso diretor, nosso pai e nosso amigo, guiando nossas almas para a Verdade. Que a Virgem Santíssima o conserve sempre fiel à Nosso Senhor e à sua Igreja e que, ao fim do combate, o leve ao Céu. Para comemorar este 1º aniversário faremos o sorteio de alguns livros que consideramos importantes para as famílias. Os interessados em participar deverão enviar um e-mail, até o dia 10 de julho, para jornalafamiliacatolica@gmail.com informando nome completo, cidade e e-mail de contato. Na próxima edição anunciaremos o vencedor. Que o Sacratíssimo Coração de Jesus, em união com o Coração Imaculado de Maria e o Castíssimo Coração de José, se dignem abençoar e fortificar nossas famílias para que elas sejam cada dia mais santas. A Família Católica P á g i n a 6 A F a m í l i a C a t ó l i c a Entronização ao Sagrado Coração de Jesus Aos que ainda não possuem suas casas entronizadas ao Sagrado Coração de Jesus, esperamos que o texto que transcrevemos nesta edição do jornal, retirado do livro Jesus, Rei de Amor, sirva-lhes como o estímulo que faltava para empreenderem a resolução de o mais rápido possível transformarem suas casas em Nazaré, em uma nova Betânia, onde o Amor dos amores vive e reina. Pe. Mateo foi um verdadeiro apóstolo do Sagrado Coração, a quem Nosso Senhor deu a conhecer seu projeto de “conquistar-Lhe o mundo, família por família” além de “todo o plano da Entronização, tal como é praticada hoje no universo inteiro”. A respeito desta obra São Pio X disse-lhe pessoalmente: “Não somente eu lh’o permito, como também eu lhe ordeno que dê a sua vida por essa obra de salvação social. É uma obra admirável, consagre-lhe toda a sua vida”. Procure o sacerdo- te responsável por sua Capela e peça-lhe que faça a Entronização ao Sagrado Coração de Jesus. Promessas do Sagrado Coração às famílias em que a sua imagem fosse exposta e honrada: “Eu lhes darei todas as graças necessárias ao seu estado de vida; Eu tocarei os corações mais endurecidos; Eu porei a paz nas famílias; Eu abençoarei todos os seus empreendimentos.”