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Trabalho de conclusão de curso - Jornalismo. Da Faculdade IESB - Brasilia. Apresentação dia 02.12.2011 …

Trabalho de conclusão de curso - Jornalismo. Da Faculdade IESB - Brasilia. Apresentação dia 02.12.2011
Pesquisa sobre a profissão de relações públicas através de dados do ministério da educação e do Site de vagas de emprego Catho On line.

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  • 1. INSTITUTO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DE BRASÍLIA THEMIS DUARTE MOREIRA SANTOS RELAÇÕES PÚBLICAS:O DESAPARECIMENTO DE UMA PROFISSÃO? Brasília-DF 2011
  • 2. THEMIS DUARTE MOREIRA SANTOS RELAÇÕES PÚBLICAS:O DESAPARECIMENTO DE UMA PROFISSÃO? Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo do Instituto de Educação Superior de Brasília, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Jornalismo. Orientador: Prof. Esp. João Carlos Saraiva Pinheiro Brasília-DF 2011
  • 3. THEMIS DUARTE MOREIRA SANTOS RELAÇÕES PÚBLICAS:O DESAPARECIMENTO DE UMA PROFISSÃO? Trabalho de Conclusão de Curso aprovado pela Banca Examinadora com vistas à obtenção do título de Bacharel em Comunicação Social, área de concentração: Jornalismo, do Instituto de Educação Superior de Brasília. Brasília, DF, ____ de dezembro de 2011. Banca Examinadora: __________________________________________ Prof. Esp. João Carlos Saraiva Pinheiro – orientador __________________________________________ Prof.ª Msc. Erica Maria Teixeira de Andrade __________________________________________ Prof.ª Msc. Ericka de Sá Galindo
  • 4. À minha mãe, pelo amor e dedicação.
  • 5. AGRADECIMENTOS Percorrer novamente um caminho conhecido é vencer preconceitos e pular barreiras. E nesta segunda graduação foi exatamente a palavra “vencer” que me acompanhoudurante todo este processo. Agradeço à coordenação do curso de Jornalismo e a todos os meus professores. Agradeço a cada turma que participei pela acolhida. Por fim, e mais importante que tudo, quero agradecer a Deus. Nada teria sentido semeus caminhos e minha vida não estivessem sob a proteção divina. Obrigada.
  • 6. RESUMO Este Trabalho de Conclusão de Curso consiste em um estudo sobre a profissão deRelações Públicas, buscando responder se ela estaria em desaparecimento no Brasil. Apesarde mais de quarenta anos de legitimação da profissão, a categoria segue ainda desconhecidana sociedade e nas organizações como responsável por atividade estratégica da comunicação.Primeiramente, esclarece-se o contexto do papel do relações-públicas nas organizações, bemcomo a legislação básica que rege a profissão e a atividade, acompanhada das propostas deflexibilização e abertura profissional ora em discussão. Em seguida, apresentam-selevantamentos de dados envolvendo os cursos de graduação na área, complementados comdepoimentos de coordenadores de curso acerca de aspectos educacionais importantes àconstrução do profissional, permitindo-se traçar um panorama atual da formação acadêmicaem Relações Públicas. Por fim, analisa-se a demanda no mercado de trabalho brasileiro porprofissionais de Relações Públicas – e como estes têm sido enquadrados e percebidos nosanúncios de vagas, enriquecida por depoimentos de formadores de opinião, representantes deentidades de classe e de organizações.Palavras-chave: Relações. Públicas. Desaparecimento. Profissão. Comunicação.
  • 7. ABSTRACT The present work consists of a study on the Public Relations profession, seeking toanswer whether it would be disappearing in Brazil. Despite more than forty years as alegitimate profession, the category still remains unknown in the society and insideorganizations as responsible for strategic communication activities. First, the context of thepublic relations role in organizations is clarified, and basic legislation governing theprofession and activity is introduced, followed by ongoing proposals for professionalflexibility and openness. Next, survey data involving graduate courses in Public Relations arepresented, added by testimonials from course coordinators about relevant educational aspects,allowing to infer the current academic scenario in Public Relations. Finally, demand in theBrazilian labor market for Public Relations professionals, and how they have been employedand perceived on job advertisements are also examined, enriched by statements of opinionleaders, representatives of professional associations and organizations.Keywords: Public. Relations. Disappearance. Profession. Communications.
  • 8. LISTA DE ILUSTRAÇÕES GRÁFICOSGráfico 1 Quantidade de cursos de RP em atividade, por UF. ............................... 28Gráfico 2 Quantidade de cursos de RP em atividade, por período de início. ............... 29Gráfico 3 Distribuição de cursos de RP em atividade, por conceito (%). ................... 31Gráfico 4 Quantidade de vagas profissionais, por UF (1º método de pesquisa). ........... 36Gráfico 5 Quantidade de vagas profissionais, por UF (2º método de pesquisa). ........... 39Gráfico 6 Distribuição de vagas profissionais, por regime de contratação (%). ........... 39Gráfico 7 Distribuição de vagas profissionais – exigência de inglês (%). ................... 40Gráfico 8 Distribuição de vagas profissionais – exigência de espanhol (%). ............... 40Gráfico 9 Quantidade de vagas profissionais, por faixa salarial. ............................... 41Gráfico 10 Distribuição de vagas profissionais, por área de atuação (%). ................... 42Gráfico 11 Distribuição de vagas profissionais, por formação acadêmica (%). ........... 45 FIGURASFigura 1 Anúncio de “Relações Públicas” para atividades atípicas. ....................... 37Figura 2 Anúncio de “Relações Públicas” para atividades atípicas. ....................... 37Figura 3 Anúncio de “Relações Públicas” não restrito aos formados na área. ........... 38Figura 4 Anúncio confundindo Relações Públicas com atividade comercial. ........... 43Figura 5 Anúncio confundindo Relações Públicas com atividade comercial. ........... 43Figura 6 Anúncio confundindo Relações Públicas com atividade comercial. ........... 44Figura 7 Anúncio confundindo Relações Públicas com outras áreas administrativas. .. 44Figura 8 Anúncio englobando atividades de Relações Públicas, para Jornalistas. ....... 46
  • 9. LISTA DE ABREVIATURASMEC Ministério da EducaçãoRP Relações PúblicasAI Assessoria de ImprensaPP Publicidade e PropagandaACS Assessoria de Comunicação SocialAERP Assessoria Especial de Relações PúblicasConferp Conselho Federal de Profissionais de Relações PúblicasConrerp Conselho Regional de Profissionais de Relações PúblicasPAL Projeto de Alteração da Lei nº 5.377/67UF Unidade da FederaçãoCC Conceito de CursoCPC Conceito Preliminar de CursoEnade Exame Nacional de Desempenho de EstudantesIES Instituição de Ensino SuperiorInep Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio TeixeiraCLT Consolidação das Leis do TrabalhoPJ Pessoa-jurídicaAberje Associação Brasileira de Comunicação EmpresarialABRP Associação Brasileira de Relações Públicas
  • 10. SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO .......................................................................................... 112 OBJETIVO GERAL .................................................................................. 132.1 Objetivos Específicos .................................................................................. 133 JUSTIFICATIVA ...................................................................................... 144 METODOLOGIA ...................................................................................... 164.1 Limitações do Método .................................................................................. 175 COMUNICAÇÃO SOCIAL .......................................................................... 185.1 Profissionais de Comunicação ...................................................................... 185.2 Comunicação nas Empresas .......................................................................... 205.3 Comunicação Integrada .............................................................................. 206 RELAÇÕES PÚBLICAS .............................................................................. 226.1 Legislação .................................................................................................. 236.2 Flexibilização e Abertura Profissional ........................................................... 257 OFERTA DE CURSOS .............................................................................. 277.1 Análise Quantitativa...................................................................................... 277.2 Análise Qualitativa ...................................................................................... 307.3 Depoimentos de Coordenadores de Curso ...................................................... 328 MERCADO DE TRABALHO ...................................................................... 368.1 Análise do Mercado ...................................................................................... 368.2 Depoimentos de Representantes de Entidades e Indivíduos ............................... 479 CONCLUSÃO .......................................................................................... 50REFERÊNCIAS .............................................................................................. 52ANEXO I – Cursos de Relações Públicas em Atividade no Brasil ........................... 54ANEXO II – Legislação e Código de Ética ........................................................... 55ANEXO III – Questionários .............................................................................. 63
  • 11. 111 INTRODUÇÃO Quando se fala em mercado de trabalho, logo se imagina todo o processo depreparação acadêmica para ingressar na carreira profissional pretendida. Pesquisa-se campode atuação, procuram-se as melhores instituições de ensino, para um melhor desempenhoprofissional. Após uma trajetória de estudos, pesquisas e batalhas pessoais, o profissional sedepara com um mercado de trabalho seletivo, onde a competência é sinal de sobrevivência.Além disso, tem que contornar uma série de mal-entendidos e equívocos sobre sua realatuação, confundida muitas vezes com outras áreas profissionais. Exemplo muito comum do exposto acima ocorre com o profissional de RelaçõesPúblicas: um profissional de comunicação capaz de desenvolver atividades administrativasligadas à construção da imagem de uma organização e do bom relacionamento desta com seupúblico. São vastas as possibilidades de aplicação da atividade de Relações Públicas, emborapouco exploradas. Provavelmente, pela falta de conhecimento ou até mesmo por uma visãoequivocada que alguns têm da atividade – como se para atuar como relações-públicas bastasseter boa aparência e traquejo social, levando a profissão ao desgaste e desaparecimento, sendosubstituída por outras. No contexto contemporâneo, as organizações estão cada vez mais interessadas emsaber o que pensa e o que deseja o seu público. Estão presentes nas redes sociais, participam eapoiam eventos, ficando sujeitas a todo tipo de interferência de uma sociedade envolvida eansiosa por respostas rápidas no que se refere à comunicação. Mesmo diante dos fatores acima, estariam os profissionais de Relações Públicasconquistando a devida colocação no mercado, nas atividades que lhes são típicas e amparadaspor lei1, ou perdendo espaço para profissionais de outras áreas? Este trabalho tem o propósito de investigar a real colocação no mercado doprofissional de Relações Públicas e, assim, entender quem é e como redescobrir esteprofissional. Para contextualizar a presente discussão faz-se, inicialmente, um resgate históricosobre as origens da comunicação, como necessidade humana e, de forma complementar,apresentam-se as áreas profissionais de comunicação e suas atuações no âmbito organizacional._____________________1 Lei nº 5.377, de 11 de dezembro de 1967, e Resolução Normativa nº 43, de 24 de agosto de 2002.
  • 12. 12 Além disso, discute-se a origem da Lei nº 5.377 de 11 de dezembro de 1967 – querege a profissão, a criação do conselho de classe, bem como a atual proposta de flexibilizaçãolegal e abertura profissional. Na sequência, e com base em dados do Ministério da Educação (MEC) sobre oscursos de Relações Públicas em atividade no Brasil, pesquisas e depoimentos de profissionaisda área, apresentam-se: por um lado, uma análise do cenário atual de oferta de cursos degraduação em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas; e, pelo lado dademanda do mercado, uma análise da sua capacidade em absorver este contingente.
  • 13. 132 OBJETIVO GERAL Esclarecer o estado atual da profissão de Relações Públicas e pesquisar as razões, seconfirmadas no decorrer da análise, de eventual declínio tanto no lado da oferta educacionalquanto no lado da demanda pelo profissional no mercado.2.1 Objetivos Específicos  Mostrar a importância de uma administração eficaz da comunicação integrada nas empresas;  Identificar os cursos de graduação em Relações Públicas ativos no Brasil;  Conhecer o panorama do mercado de comunicação no país, para o profissional de Relações Públicas.
  • 14. 143 JUSTIFICATIVA As empresas têm percebido, crescentemente, que podem associar o relacionamentocom seus públicos a um diferencial competitivo valioso. Principalmente quando o mercado écapaz de rapidamente neutralizar vantagens competitivas em produtividade, qualidade epreço. Isto acontece pois, segundo Kunsch (2003, p. 71), por se tratar de um processorelacional nas organizações, elas sofrem interferências e condicionamentos variados, dado ovolume e os diferentes tipos de comunicações existentes. Assim, enfatiza-se que acomunicação organizacional tem que ser pensada numa perspectiva da dinâmica da históriacontemporânea. E esse estreitamento na relação com seus públicos, sejam internos, externos oumistos, necessita de orientações para que, de forma adequada e eficaz, a comunicação sedestine a cada um deles. Neste contexto entra o trabalho do profissional de Relações Públicasque, para muitas pessoas, poderia ser exercido por um jornalista ou publicitário ou, em linhasgerais, por um profissional ligado à comunicação. No entanto, existe um profissionalqualificado, que conhece as funções exatas da boa administração da comunicação da empresacom seus públicos, e este profissional surge das faculdades de comunicação – exatamente doscursos de Relações Públicas. “[...] o importante é entender que Relações Públicas e comunicação não são exatamente a mesma coisa. Mas a comunicação é um componente fundamental das Relações Públicas, sendo certo que seu pensamento e sua operação dificilmente serão excelentes se descolados das políticas, dos planejamentos e das ações de relações públicas.” (ARANHA, 2010, p. 19, apud NASSAR, 2007). Entretanto, o profissional somente é legitimado o relações-públicas2 se for graduadona área e registrado no Conselho profissional. Por este motivo, o campo de trabalho fecha-separa demais profissionais que poderiam contribuir com a atividade. E, com o mercado crescendo e criando outras nomenclaturas para funçõesinicialmente alinhadas a Relações Públicas, foram surgindo os profissionais das Relações coma Mídia, Relações Institucionais, dentre outros. Diante deste fato, as academias começaram a se adequar ao mercado oferecendo_____________________2 Nomenclatura “relações-públicas” designa o profissional de Relações Públicas, conforme o Comunicado da Presidência do Conferp no sítiowww.conferp.org.br/?p=2728.
  • 15. 15cursos de Comunicação com ênfase em relações mais específicas, atraindo o cliente que estálá fora. Ao mesmo tempo, passou-se a observar o fechamento de cursos de Relações Públicasem muitas instituições de ensino superior, possivelmente contribuindo na diminuição donúmero de profissionais no mercado e/ou até mesmo ajudando a criar um novo profissional naárea de comunicação organizacional. Conforme o exposto, o presente trabalho destina-se a pesquisar os fatores que levaminstituições educacionais a fecharem cursos de graduação em Relações Públicas, bem comoapresentar um panorama do mercado de trabalho para o profissional, já que comprovadamenteexiste uma grande preocupação das organizações com a imagem que têm perante seusdiversos públicos.
  • 16. 164 METODOLOGIA Não é difícil perceber que o mercado de comunicação desconhece quem é oprofissional de Relações Públicas. Por muitas vezes, anúncios de emprego são apresentadosconfundindo a nomenclatura com outras áreas cujas atividades são totalmente diferentes –situação perfeitamente passível de autuação pelo conselho profissional – ou, não raramente,após longa apresentação do profissional a um público explicando-se a profissão, vem aindagação: “Ainda existe o curso de Relações Públicas?” Nesse contexto, iniciou-se uma pesquisa em relação à oferta de cursos de graduaçãoem Relações Públicas no Brasil, procedendo-se a uma análise quantitativa da oferta, porregiões e por início de atividade, seguida de uma análise qualitativa, segundo índices oficiaisde avaliação, desses cursos oferecidos. Ainda na área educacional, distribuíram-se por e-mail questionários a coordenadoresde cursos de Relações Públicas, abordando questões atuais como a adequação da gradecurricular, o fechamento de cursos e a flexibilização da Lei que assegura somente aosbacharéis formados em Relações Públicas o exercício das atividades que lhes são específicas. Em seguida, procurou-se esclarecer o retrato da demanda no mercado de trabalho porprofissionais de Relações Públicas. Uma análise estatística sobre o maior repositório deanúncios de vagas no Brasil, a Catho Online, avaliou o mercado segundo as seguintesvariáveis: distribuição das vagas por Unidade da Federação, regime de contratação, exigênciade conhecimento em línguas estrangeiras, faixa salarial, áreas de atuação (procurando-seidentificar percepções distorcidas da profissão) e formação exigida ou desejada (procurando-se identificar atividades de Relações Públicas potencialmente exercidas por profissionais deoutras áreas). Analogamente, novos questionários foram organizados e endereçados por e-mail arepresentantes de instituições e a indivíduos de destaque na profissão, como autores eformadores de opinião, abordando questões como a preferência ou não em se contratar umprofissional de Relações Públicas, a visão que o mercado tem deste profissional ou se aprofissão em si está desaparecendo. Depoimentos selecionados se acrescentaram às análises, mediante amostragem porconveniência – uma técnica de amostragem não probabilística onde os sujeitos sãoselecionados devido à acessibilidade e à proximidade convenientes ao pesquisador.
  • 17. 17 Além disso, informações legais que regulamentam a profissão de Relações Públicassubsidiam este trabalho, bem como dados fornecidos sobre o mercado de atuação do relações-públicas. Recorreu-se também à pesquisa bibliográfica, alternada por consultas a artigos emateriais publicados em sítios na Internet, com o devido senso crítico quanto à qualidade,integridade e autenticidade das informações.4.1 Limitações do Método No tocante à oferta de cursos de graduação em Relações Públicas, parcela dos dadosdo MEC apresentou inconsistências como um mesmo curso classificado como ativo e extinto(por exemplo, na Universidade de São Paulo), ou cursos classificados como ativos, embora sesoubesse que não ofertavam mais novas vagas. Assim, cautela e dupla verificação dos dados,consultando-se diretamente as fontes, foram necessárias para aumentar a qualidade dasinformações apresentadas. A coleta de dados e informações dependeu também de acessos a pessoas que, mesmocientes do objetivo acadêmico, nem sempre responderam aos questionamentos ou o fizeramparcialmente.
  • 18. 185 COMUNICAÇÃO SOCIAL Na comunicação, existe a preocupação com a concordância. Em geral, as partescomunicam-se buscando adesão das demais e não proliferando conflitos. Na verdade, oconflito poderá existir quando não houver um adequado processo de comunicação. Andrade (2005, p. 106) explica que o processo de comunicação é, contudo, maiscomplexo, e que devemos lembrar que existem barreiras e obstáculos de toda ordem a impediro livre fluxo das informações e dos estímulos. A comunicação aumenta as possibilidades de similaridades entre as pessoas, podendoassim trabalharem juntas para a consecução de um objetivo. Neste sentido, os meios decomunicação devem ser considerados, segundo Bordenave (1983, p. 12), não somente comomeios de informação e sim como intermediários técnicos das relações sociais. E nas organizações existe um vasto leque de relacionamentos, que necessitam serplanejados e coordenados, gerando um fluxo de informações constante entre empregados eempregadores. Assim, segundo Kunsch (2003, p. 69), “o sistema comunicacional é fundamentalpara o processamento das funções administrativas internas e do relacionamento dasorganizações com o meio externo”. Os fluxos desse sistema são organizados e, assim,administrados pelos profissionais de comunicação.5.1 Profissionais de Comunicação A comunicação faz parte do dia a dia das atividades de qualquer organização, maspara que ela ocorra é preciso ter administradores capacitados, que são os profissionais decomunicação social. Para saber trabalhar com comunicação é preciso saber comunicar e expor uma ideiacom um contexto, utilizando-se de estratégias de comunicação que se adquirem em umagraduação na área. De acordo com o cadastro de instituições de ensino superior e cursos doMinistério da Educação (MEC), existem no Brasil pouco mais de 600 cursos superiores deComunicação Social em atividade, presenciais e em nível de bacharelado. O mercado de comunicação é amplo e, neste sentido, muitas pessoas confundemtermos e nomes atribuídos ao curso e suas habilitações. Diferentemente do que ocorre em
  • 19. 19outros cursos superiores como Medicina, Direito etc., as habilitações em Comunicação Socialsão tidas como bacharelados distintos, exigindo-se do candidato à graduação, desde ovestibular, a opção pela habilitação pretendida. As habilitações mais comuns do curso de Comunicação Social são Jornalismo,Relações Públicas, e Publicidade e Propaganda, sendo que atualmente existem cursos queoferecem formação em Comunicação com o Mercado, Radio e TV, Produção Editorial, entreoutros. Confere-se, a seguir, o escopo resumido de atuação de cada profissional decomunicação, dentre as três principais habilitações da Comunicação Social mencionadasanteriormente. O jornalista é responsável pela coleta, apuração, redação, edição e publicação deinformações sobre eventos atuais. Atua em veículos de comunicação, como jornais, revistas,televisão, rádio, sites, blogs, assessorias de imprensa, entre muitos outros. Para isso, oconhecimento dos mais variados assuntos é essencial. “O jornalismo é uma atividade de comunicação de massa que tem todas estas características: audiência ampla, heterogênea e anônima; produto público, rápido e efêmero; atividade exercida por uma instituição.” (TORQUATO, 1987, p. 35). O relações-públicas é responsável pela integração de ações e atividades de umainstituição com seus públicos. Sua atividade consiste no planejamento, implementação eavaliação do processo de comunicação. Cria canais de comunicação específicos e dirigidos,produz material informativo, organiza eventos e faz pesquisa de opinião de caráterinstitucional. “Seja multidisciplinar. Um bom profissional de RP não deve ser especialista em um só aspecto. Imagine, em uma crise, o profissional de comunicação ser ótimo e reconhecido redator, mas não ser um bom expositor. Não se pode ser solo.” (ARANHA, 2010, p. 31). O publicitário tem suas áreas de atuação ligadas às técnicas e aos instrumentos parao planejamento, a criação e a produção de campanhas de divulgação de produtos, serviços,marcas e ideias, visando à apresentação de soluções de comunicação. “A propaganda é a técnica de criar opinião pública favorável a um determinado produto, serviço, instituição ou ideia, visando orientar o comportamento humano das massas num determinado sentido.” (Item I do CÓDIGO DE ÉTICA DOS PROFISSIONAIS DE PROPAGANDA NO BRASIL, 1957).
  • 20. 205.2 Comunicação nas Empresas A partir dos anos 90, no Brasil, as empresas e o mercado enxergaram a necessidadede passar por um processo de contínuas mudanças no seus padrões administrativos. Acomunicação empresarial elevou-se, de um instrumento gerencial, ao patamar estratégico,aproximando e integrando seus públicos e alinhando-se às políticas da empresa. “As organizações [...] avançaram em busca de novos nichos de mercado e começaram a entender que o processo da comunicação, além de permear toda a estrutura da empresa, era fundamental na conquista e manutenção do principal [...] – o cliente.” (GOULART, 1997, p. 7). Como uma atividade administrativa, a comunicação empresarial é sistêmica, explicaCahen (1990, p. 29), afirmando que deve ser uma atividade de caráter estratégico, comobjetivos de criar, manter ou mudar de forma favorável a imagem da empresa junto aos seuspúblicos prioritários. O reconhecimento de uma organização perante seu público está ligado à imagem queela reproduz a cada indivíduo. Assim, a imagem positiva gera valores positivos, levando auma relação duradoura ou, pelo menos, reconhecida como um bem. Nota-se que a comunicação empresarial, por se tratar, portanto, de uma ferramentaestratégica, torna-se suporte de administração para todas as atividades da empresa. E, para quesua condução seja tomada de forma a agregar valores, é necessário contar com umprofissional que analise globalmente a comunicação, que tenha uma sólida base teórica,conheça as atribuições da profissão e nela tenha suficiente vivência. A função deste profissional na cultura organizacional cria um ambiente maisharmonioso entre a organização e seus públicos. Quando a empresa constitui um elemento decomunicação com a sociedade utilizando, de forma integrada, relações públicas, jornalismo epublicidade, passa a ser um polo de informações.5.3 Comunicação Integrada Muito se discute sobre a responsabilidade de quem deverá ser a chefia ou aorganização de uma assessoria de comunicação empresarial. Se, por um lado, está claro quequem faz a matéria do jornal impresso (ou eletrônico, na Internet) ou do telejornal é um
  • 21. 21jornalista, ainda existe uma série de explicações e, igualmente, confusões para denominar qualo profissional responsável pela comunicação dentro das organizações. O fato é que as empresas interagem cada vez mais com seus públicos, e estão maisainda preocupadas com o que estes mesmos públicos podem vir a mencionar sobre suasatividades, sobre elas e, mais importante, sobre sua reputação. Uma boa comunicação vem através de um bom relacionamento com seus públicosinternos e externos, ou seja, mediante uma forma de comunicação integrada, segundo Kunsch(2003, p. 150), definição que pressupõe a junção da comunicação institucional com acomunicação mercadológica, a comunicação interna e a comunicação administrativa. Trata-sede uma filosofia que direciona a convergência das diversas áreas, permitindo uma atuaçãosinergética e formando assim o mix da comunicação. Contudo, ainda se debate sobre as delimitações das funções de um assessor decomunicação e quem deve assumir a responsabilidade da comunicação organizacional. Deacordo com Lopes (2003, p. 19), a desordenada ocupação das assessorias de comunicação nosúltimos trinta anos e uma legislação de certa forma aberta a “interpretações dúbias” têmoferecido a algumas pessoas a oportunidade de incrementar a desavença que ainda existe entreo relações-públicas e o jornalista. “Cada uma das três áreas (AI [Assessoria de Imprensa], RP [Relações Públicas] e PP [Publicidade e Propaganda]) que compõem a estrutura de uma assessoria de comunicação social tem suas respectivas atribuições e responsabilidades. Bem distintas, por sinal: administradas adequadamente evitam serviços improdutivos e desrespeito à legislação [...]. Quanto à chefia de uma ACS [Assessoria de Comunicação Social], basta que esteja a cargo de um(a) bem preparado(a) relações públicas, jornalista ou publicitário(a), enquanto nas áreas específicas pessoas habilitadas exercem o que determina a lei.” (LOPES, 2003, p. 19). É importante salientar que o mercado absorve o profissional empreendedor, que teminiciativa, que aproveita as oportunidades disponíveis. É necessário que o profissional decomunicação enxergue os nichos de mercado em outras áreas que dependem de umacomunicação bem organizada e elaborada. Sendo profissional de Relações Públicas ou jornalista, o trabalho deve ser qualificadoe identificado como função de um comunicador especializado e conhecedor das normas eprocedimentos das atividades de comunicação: assessoria de imprensa, eventos, planejamentoestratégico, comunicação interna, entre outras funções.
  • 22. 226 RELAÇÕES PÚBLICAS As Relações Públicas envolvem o cultivo de relações favoráveis para as organizaçõese produtos com seus públicos-chave, através do uso de uma variedade de canais decomunicação e ferramentas. No Brasil, as Relações Públicas ganharam embasamento na Lei nº 5.377 de 11 dedezembro de 1967, por sua vez regulamentada pelo Decreto nº 63.283 de 26 de setembro de1968, que assim define o objeto da profissão em seu artigo 1º: “A atividade e o esforçodeliberado, planificado e contínuo para esclarecer e manter compreensão mútua entre umainstituição pública ou privada e os grupos e pessoas a que esteja direta ou indiretamenteligada.” “As Relações Públicas no Brasil têm seu primeiro marco na ordem de serviço, datada de 30 de janeiro de 1914, da direção da antiga „The San Paulo Tramway Light and Power Company Limited‟ (hoje Eletropaulo), mandando criar o Departamento de Relações Públicas da então companhia canadense estabelecida no Brasil. Nessa ordem de serviço já estavam traçados os primeiros objetivos do novo departamento, bem como designado para o seu primeiro chefe o engenheiro Eduardo Pinheiro Lobo [...] Considerado o „Pai das Relações Públicas no Brasil‟, nasceu em Penedo (Alagoas), em 2 de dezembro de 1876 [...] O „Dia Nacional de Relações Públicas‟ no Brasil é comemorado dia 02 de dezembro como homenagem ao pioneiro de RR.PP.” (ANDRADE, 2005, p. 72-73). A comunicação de Relações Públicas é organizada a partir da segmentação depúblicos cujos interesses sejam comuns e, de acordo com Kunsch (2003, p. 89), comodisciplina acadêmica e atividade profissional, trabalha “promovendo e administrandorelacionamentos e, muitas vezes, mediando conflitos, valendo-se para tanto, de estratégias eprogramas de comunicação de acordo com diferentes situações reais do ambiente social”. Criam-se canais de comunicação e desenvolvem-se ações que determinamabordagens e linguagens específicas para uma comunicação efetiva entre a empresa e seuspúblicos, dentro de um plano global de comunicação. Para que a relação organização/público esteja em bom andamento é necessário que sefaça um planejamento estratégico levando-se em consideração os valores, princípios epolíticas da organização, envolvendo-a integralmente e fazendo assim com que todos osfuncionários e a comunidade reconheçam e sintam-se parte do processo. A consequênciadireta é o fortalecimento da imagem e o conceito positivo da organização.
  • 23. 23 Dessa forma, as Relações Públicas têm a preocupação constante de melhorar orelacionamento nas organizações, fazendo com que as informações sejam interpretadascorretamente, buscando atrair a atenção de grupos que representam. Atuante em vários segmentos organizacionais, o relações-públicas deve serpolivalente. Aranha (2010, p. 32) afirma que um bom relações-públicas deve, sem sersuperficial, “entender o suficiente de leis e regulações [...]; conhecer, gostar e prestigiar acultura; [...] saber dirigir a mesma mensagem a públicos completamente díspares [...]”. O profissional de Relações Públicas, portanto, tem como objeto essencial de trabalhoa gestão de comunicação organizacional. Ele é capacitado para orientar a direção da empresana formulação das políticas e estratégias de comunicação organizacional formando umaopinião pública favorável e mantendo uma relação de boa vizinhança com seus públicos.6.1 Legislação A profissão de Relações Públicas teve sua primeira atuação no Brasil no inicio doséculo XX, mas somente em 1967, durante o regime militar, ingressou no ordenamentojurídico, como citado no item 6. Ainda em 1968 foi criada, pelo regime, a Assessoria Especial de Relações Públicas(AERP), o que, segundo Kunsch (2009), “contribuiu para formar um conceito negativo daessência das Relações Públicas junto aos formadores de opinião, num período tão conturbadoda vida nacional”. Após a regulamentação da profissão, criou-se o Conselho Federal de Profissionais deRelações Públicas (Conferp), pelo Decreto-Lei nº 860, de 11 de setembro de 1969, e suainstalação após a publicação do Decreto nº 68.582, de 4 de maio de 1971, para fiscalizar oexercício da profissão. Conforme explicado no sítio http://www.conferp.org.br/?page_id=165, o Estadobrasileiro entendeu que a melhor maneira de fiscalizar o exercício de uma profissãoregulamentada seria delegar aos respectivos profissionais essa função. Assim, para cadaprofissão regulamentada no Brasil, foi criada uma autarquia com poderes para fiscalizar oexercício da profissão junto ao mercado. Esta entidade chamada Conselho deve pautar suas ações dentro do estritomandamento legal que a criou, ou seja, somente poderá agir dentro daquilo que a Lei de suacriação determinar.
  • 24. 24 O Sistema Conferp está organizado em seis conselhos regionais, os quais atuam nafiscalização do exercício nas regiões assim divididas:  Conrerp 1ª Região: Rio de Janeiro;  Conrerp 2ª Região: São Paulo e Paraná;  Conrerp 3ª Região: Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo;  Conrerp 4ª Região: Rio Grande do Sul e Santa Catarina;  Conrerp 5ª Região: Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Piauí, Alagoas e Sergipe;  Conrerp 6ª Região: Acre, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Ao se tornar bacharel em Relações Públicas, o recém-formado deve procurar oConselho Regional de Profissionais de Relações Públicas (Conrerp) para obter a habilitaçãotécnica para atuar legalmente como profissional. Assim, registrado, o profissional de RelaçõesPúblicas recebe a carteira de identidade profissional, devendo tê-la em mãos sempre queestiver exercendo a profissão. Define-se como exercício ilegal da profissão atuar sem registrono Conrerp. Conforme a Lei nº 5.377/67, no Capítulo I, artigo 1º, a designação de “Profissionalde Relações Públicas” passa a ser privativa: a) dos bacharéis formados nos respectivos cursos de nível superior; b) dos que houverem concluído curso similar no estrangeiro, em estabelecimento legalmente reconhecido, após a revalidação do respectivo diploma no Brasil; c) dos que exerçam a profissão, de acordo com o art. 6º do Capítulo IV da presente Lei. A alínea “c” acima reproduzida diz respeito aos profissionais que já vinhamexercendo funções de Relações Públicas como atividade principal e em caráter permanente,pelo prazo mínimo de 24 meses e sob demais condições elencadas no artigo 6 º, tendo prazode 120 dias a partir da publicação da Lei para a obtenção do registro. Por restringir a designação do profissional de Relações Públicas, a Lei nº 5.377/67 émuito questionada pela categoria quanto à capacidade de representação dos seus interesses. E
  • 25. 25em mais de quarenta anos desde a publicação do instrumento legal, a profissão segue aindadesconhecida ou tem seus conceitos e funções confundidas com as de outras profissões afins. Segundo pesquisa de opinião sobre legislação e atividades, realizada pelo Conferpem 2008 junto aos profissionais registrados, estes não têm dúvidas de que é preciso atualizar alegislação da área. Ainda nesta pesquisa, os relações-públicas citam que as exigências domercado acabam sendo maiores que a qualificação e sugerem uma mudança capaz deimpulsionar a profissão, acompanhando as novas demandas geradas pelos mercados nacionale internacional.6.2 Flexibilização e Abertura Profissional O Conferp conduz periodicamente consultas públicas aos profissionais da categoriapara conhecer e identificar anseios e questionamentos acerca de sua atuação, e também paraatualização sobre o mercado de Comunicação Social. Estas pesquisas são elaboradas a partirde análises de mercado e de questionamentos enviados ao Sistema Conferp. Após observar constantes reclamações de profissionais, e com dados da consulta de2010 realizada com mais de 800 deles atuantes no mercado e nas universidades, sobre aocupação de atividades típicas dos relações-públicas por outros profissionais, o Conselhoelaborou nova consulta para saber a opinião da categoria sobre a flexibilização da Lei nº5.377/67 e abertura profissional. O lançamento desta consulta foi no dia 4 de outubro do anocorrente, e estará à disposição até o dia 4 de dezembro de 2011. Esta consulta é aberta a todos os profissionais de comunicação, estudantes e atuantesna área de Relações Públicas. Para acesso ao questionamento proposto pelo Conferp, oprofissional deve visitar o sítio do Conselho na Internet, no endereçowww.conferp.org.br/consulta, e lá escolher sua área de atuação antes de responder aoquestionário: profissional de Relações Públicas, professor de Relações Públicas, estudante deRelações Públicas ou profissional de outra área. De acordo com a proposta do Conselho em seu Programa de Flexibilização eAbertura do Registro Profissional, dois processos distintos foram colocados em debate,podendo ocorrer simultaneamente:
  • 26. 26 a) Projeto de Alteração da Lei nº 5.377/67 (PAL): A primeira proposta é o projeto de alteração da Lei nº 5.377/67, que nasceu como resultado do Parlamento Nacional e já tramitou uma vez pelo Congresso Nacional. Em 2010 ele foi atualizado e adequado à realidade atual da profissão no mercado com a inclusão de áreas de especialização que se formaram no mercado e que representam as funções de Relações Públicas, inclusive já estabelecidas pela Resolução Normativa nº 43/20023 (define as funções e atividades privativas dos profissionais de Relações Públicas). Essas alterações tornaram o PAL perfeitamente adequado à realidade atual da profissão. Nesse momento, o PAL está em fase de conclusão, sendo apreciado por autoridades no assunto e por lideranças que representam as áreas específicas que o projeto contempla. Quando autorizado, será submetido à categoria para que faça sua apreciação e considerações a respeito; b) Resolução de Abertura: A outra proposta é a adequação da legislação por meio de Resolução Normativa que propõe a flexibilização em condições legais e técnicas para a abertura do registro a profissionais de outras áreas, sob determinadas condições. Após um estudo minucioso, foram criadas duas versões de Resolução de Abertura – uma para registro de pós-graduados e outra para tecnólogos. Ao final desta consulta e de posse dos comentários da categoria, o Conselhoelaborará um relatório final com os pareceres dos profissionais de comunicação._____________________3 Resolução Normativa nº 43, de 24 de agosto de 2002, disponível em www.conferp.org.br/?p=407.
  • 27. 277 OFERTA DE CURSOS7.1 Análise Quantitativa Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), posição em 11 de outubro de2011, há no Brasil, classificados como “em atividade”, 108 cursos de graduação em RelaçõesPúblicas (ou Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas) na modalidadepresencial e em grau de Bacharelado, doravante denominados simplesmente “cursos de RP”. No entanto, a necessidade de verificação dos dados do MEC não foi afastada, umavez que a base de dados daquele Ministério poderia estar desatualizada ou conterinconsistências. Assim, do total acima foram deduzidos: cursos que ainda não iniciaram efetivamentesuas atividades (embora ato regulatório os tivesse aprovado), como na Faculdade Maurício deNassau de Maceió (AL) e na Faculdade IBMEC (MG), que tiveram autorizações concedidasem agosto de 2011; cursos que, embora constem da pesquisa como “em atividade”, descobriu-se mediante consultas telefônicas, por e-mail e pesquisas em sítios oficiais das instituições naInternet não mais ofertarem novas vagas, como na Universidade de Brasília (UnB), porexemplo; e ocorrências duplicadas de cursos de RP pela mesma instituição. Após a verificação acima, a contagem de cursos de RP em atividade e com vagasabertas regularmente reduziu-se para 78 em todo país. A lista completa destes cursos,classificados por Unidade da Federação (UF), acompanhados das respectivas notas deavaliação (Conceito de Curso – CC, Conceito Preliminar de Curso – CPC, e Exame Nacionalde Desempenho de Estudantes – Enade), do quantitativo de vagas por turno e da data de iníciode funcionamento pode ser encontrada no Anexo I. Convém lembrar que a instituição de ensino superior (IES) deve formalizar pedidode autorização junto ao MEC para o funcionamento de novo curso de graduação. Somenteapós ato regulatório emanado pelo Ministério, a instituição poderá criar turmas e abrirprocessos seletivos – há, portanto, um lapso de tempo envolvido. Já o reconhecimento docurso, também emanado por ato formal mediante solicitação prévia dentro de um prazo pré-estabelecido, depende de processo regular de avaliação, podendo ser renovado ou não. Oreconhecimento do curso é condição necessária para, juntamente com o registro, conferirvalidade nacional ao respectivo diploma.
  • 28. 28 Uma primeira e importante observação deve ser feita no tocante à distribuiçãoregional desta oferta educacional, como mostra o gráfico 1: aproximadamente um terço doscursos é ofertado somente no Estado de São Paulo, quase a metade tem oferta dividida entreos Estados do Rio Grande do Sul, Bahia, Minas Gerais e Paraná, enquanto o restante é diluídoem outras onze Unidades da Federação. Gráfico 1 – Quantidade de cursos de RP em atividade, por UF. 27 12 9 8 7 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 SP RS BA MG PR RJ AM PE GO SC AL DF MA MT PB PA Fonte: Ministério da Educação (MEC). Vale ressaltar a excessiva concentração da oferta de cursos de RP nos estados dasregiões Sudeste, Sul e no Estado da Bahia, respondendo este conjunto por pouco mais de 84%do total de 78 cursos. Destaca-se também a baixa oferta de cursos no Estado do Rio deJaneiro, relativamente à sua importância econômica. Em vários outros estados, principalmente das regiões Nordeste e Centro-Oeste, aoferta é única e, assim, frágil. Para ilustrar esta afirmação, o único curso de RP no DistritoFederal, pela Faculdade Anhanguera de Brasília (FAB), está em processo de extinção segundorelatos de pessoas ligadas àquela instituição. A concentração regional acima mencionada tomou forma ao mesmo tempo em quese observou um significativo aumento no número total de cursos de RP entre os anos de 2000e 2009, ainda segundo dados do MEC. Neste intervalo, a oferta de cursos quase duplicounacionalmente, como mostra o gráfico 2.
  • 29. 29 Gráfico 2 – Quantidade de cursos de RP em atividade, por período de início. 36 22 9 3 3 4 1 Anos 50 Anos 60 Anos 70 Anos 80 Anos 90 2000-2009 Após 2010 Fonte: Ministério da Educação (MEC). Pela ótica do número total de vagas anuais, são quase 7.900 vagas autorizadas peloMEC, o dobro do observado dez anos atrás. Além disso, de cada três vagas em cursos de RP,duas são noturnas. O MEC disponibiliza também, publicamente, a relação dos cursos de RP em extinçãoou extintos, passíveis igualmente de dupla verificação. Na prática, porém, sabe-se que háoutros cursos cujos registros no portal de consulta do Ministério não foram “baixados” – ouniverso dos cursos em extinção ou extintos é, portanto, maior. Mesmo assim, o ritmo decrescimento no número de novos cursos de RP supera o da extinção. Citam-se como exemplo de instituições de ensino cujos cursos de RP deixaram de serofertados a novos ingressantes: Universidade de Brasília (UnB), no Distrito Federal;Faculdade Seama, até então a única oferta no Amapá; Faculdade Finac e FaculdadesIntegradas São Pedro (Faesa), até então as duas únicas ofertas no Espírito Santo; Universidadeda Amazônia (Unama), no Pará; Faculdade de Rondônia (Faro), até então a única oferta emRondônia; dentre outras. Nota-se, novamente, a fragilidade na oferta de cursos de RP emdiversas Unidades da Federação.
  • 30. 30 Do ponto de vista quantitativo e regional, o que se observa é um aumento geral naoferta de cursos de RP, porém concentrados em poucos estados das regiões Sul e Sudeste,enquanto outros das regiões Norte, Nordeste (com exceção da Bahia) e Centro-Oestedesapareceram ou tendem a desaparecer, sem que novos cursos sejam criados nessas regiõesem igual medida, frustrando potenciais estudantes de RP que acabam optando por outrahabilitação ou graduação, quando não podem se mudar até os centros de formação no Sudestee Sul.7.2 Análise Qualitativa O critério utilizado para analisar, qualitativamente, a oferta dos 78 cursos de RP ematividade no Brasil foi o do Conceito Preliminar de Curso (ou o do Conceito de Curso). O Conceito Preliminar de Curso (CPC) é um indicador criado pelo Instituto Nacionalde Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), dividido em faixas que vão de 1(pior) a 5 (melhor), e divulgado juntamente com os resultados do Exame Nacional deDesempenho dos Estudantes (Enade). Trata-se, como o próprio nome diz, de uma notapreliminar, em que pesam quesitos objetivos como a avaliação de desempenho dos estudantesdo curso, a infraestrutura e recursos didático-pedagógicos disponíveis no local, bem como aqualificação do seu corpo docente. Cursos classificados com CPC 1 ou 2 são considerados insatisfatórios e passam poravaliação in loco obrigatória por avaliadores do Inep, após a qual é conferida nota definitivapara o ciclo denominada CC (Conceito de Curso). Cursos com CPC 3 ou 4 são consideradossatisfatórios, e as respectivas instituições podem optar por não receber a visita dosavaliadores, ocasião em que o CPC é corroborado e se torna permanente. Já cursos com CPC5 (excelência) têm a visita automaticamente dispensada, e são considerados cursos dereferência. Doravante será denominada simplesmente “nota” o CPC do curso ou, quando esteteve a visita de avaliadores do Inep, o seu CC. Dos 78 cursos de RP em atividade no país, somente cinco obtiveram a nota máxima5. Abaixo estão relacionadas as respectivas instituições, ordenadas por estado:  Centro Universitário UNA – Belo Horizonte, MG;  Instituto de Estudos Superiores da Amazônia (Iesam) – Belém, PA;  Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – Santa Maria, RS;
  • 31. 31  Faculdade Integrada Metropolitana de Campinas (Metrocamp) – Campinas, SP;  Universidade de Sorocaba (Uniso) – Sorocaba, SP. O Gráfico 3 ilustra a distribuição dos cursos de RP em atividade, por conceito doInep. Gráfico 3 – Distribuição de cursos de RP em atividade, por conceito (%). 6% 24% Nota 5 Sem conceito (SC) Nota ou não avaliado 1 Nota 30% 0% 4 Nota 2 10% Nota 3 30% Fonte: Ministério da Educação (MEC). Do gráfico acima pode-se concluir que mais da metade dos cursos são consideradossatisfatórios. Por outro lado, oito cursos de RP tiveram nota 2, considerada insatisfatória, enenhum curso obteve a nota mínima 1. Os cursos avaliados como insatisfatórios pertencem àsseguintes instituições de ensino, em lista ordenada por unidade da federação:  Universidade Católica do Salvador (UCSAL) – Salvador, BA;  Faculdade Anhanguera de Brasília (FAB) – Taguatinga, DF;  Centro Universitário Newton Paiva – Belo Horizonte, MG;  Escola Superior de Relações Públicas (Esurp) – Recife, PE;  Universidade Federal do Paraná (UFPR) – Curitiba, PR;  Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) – Bauru, SP;
  • 32. 32  Faculdades Integradas de Itapetininga (FKB) – Itapetininga, SP;  Universidade de Santo Amaro (Unisa) – São Paulo, SP. Verifica-se também que muitos cursos (um quarto do total) estão pendentes deavaliação, sendo que muitos destes foram criados há poucos anos.7.3 Depoimentos de Coordenadores de Curso Com o intuito de complementar a análise do ensino de Relações Públicas no Brasil,questionários foram enviados por e-mail, em setembro de 2011, a uma lista de 81coordenadores de cursos de graduação. As perguntas encontram-se descritas no Anexo III. Dez coordenadores de curso responderam ao questionário também por e-mail, entre13/09 e 27/09/2011, propiciando assim uma visão “de dentro para fora” sobre aspectosrelevantes do ensino e com razoável dispersão geográfica. A seguir estão listadas asinstituições de ensino superior cujos coordenadores de curso de Relações Públicascontribuíram com seus depoimentos. As respostas serão tratadas e analisadas sem indicarindividualmente as fontes, a pedido.  Universidade Salvador (Unifacs) – Salvador, BA;  Faculdade Anhanguera de Brasília (FAB) – Taguatinga, DF;  Universidade Federal de Goiás (UFG) – Goiânia, GO;  Centro Universitário Newton Paiva – Belo Horizonte, MG;  Universidade Federal da Paraíba (UFPB) – João Pessoa, PB;  Faculdades Integradas de Taquara (Faccat) – Taquara, RS;  Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) – São Leopoldo, RS;  Faculdades Atibaia (FAAT) – Atibaia, SP;  Faculdades Integradas de Itapetininga (FKB) – Itapetininga, SP;  Universidade Católica de Santos (Unisantos) – Santos, SP. Dos dez respondentes ao questionário, somente um tem graduação em Jornalismo.Os demais são graduados em Relações Públicas. Quatro deles têm especialização(Administração de Empresas, Recursos Humanos, Marketing e Gestão Ambiental); setepossuem título de Mestre (dois em Administração, dois em Engenharia de Produção, e osdemais em Ciências da Comunicação, Educação e Gestão de Negócios); e um coordenadorpossui título de Doutor em Ciências da Comunicação.
  • 33. 33 Todos os coordenadores que responderam ao questionário manifestam conhecer oConselho de Relações Públicas. O curso de graduação em Relações Públicas, hoje, está inserido como umahabilitação do curso de Comunicação Social, assim como as habilitações em Jornalismo e emPublicidade e Propaganda. No entanto, estes três cursos citados, embora habilitações deComunicação Social, são distintos no que se refere ao processo seletivo e à grade curricular –como já citado anteriormente neste trabalho, a escolha pela habilitação não é feita no decorrerdo curso (como na Medicina), e sim no momento do vestibular, como nas engenharias (civil,elétrica, mecânica etc.). Os coordenadores de curso foram questionados se concordavam com a oferta de umtronco comum de disciplinas entre as habilitações, dentro das suas grades, e posteriorseparação por área. Não se trata aqui da unificação do processo seletivo entre as habilitações,mas sim da oferta de um tronco comum de disciplinas ao qual os alunos de Relações Públicas,Jornalismo, e Publicidade e Propaganda pudessem assistir indistintamente, compartilhandosalas de aula (como ainda pode ser encontrado em algumas instituições públicas). A maioria,seis coordenadores, concordou com a oferta de um tronco comum inicial de disciplinas àshabilitações, enfatizando-se a formação mais ampla do aluno, geral e humanística.Mencionou-se também que essa integração inicial entre os alunos facilitaria o entrosamento, oentendimento e a compreensão da importância dos profissionais das três principaishabilitações. Dois respondentes concordaram com a ideia em termos, contanto que o troncocomum não apresentasse viés de comunicação em massa, nem de comunicação organizacional– disciplinas da área específica deveriam ser mescladas às do tronco comum, argumentou umdeles. Um respondente discordou da ideia, alegando que a maioria dos docentes não conhecetodas as áreas e não conseguiria adequar o conteúdo do tronco comum a elas, enquanto outronão teve opinião formada: enxerga a oferta de um tronco comum interessante para o mercadode trabalho, embora potencialmente prejudicial para a própria sobrevivência dos cursos deRelações Públicas. Questionados se seus alunos estariam preparados para atuar no mercado, seiscoordenadores de curso responderam positivamente, sem ou com fatores condicionantesirrelevantes. Em especial, houve grande quantidade de menções sobre atividades acadêmicasdesenvolvidas com clientes reais, mediante agências e assessorias experimentais. Os demaistambém responderam que sim, condicionando-se, no entanto: à necessidade deamadurecimento para a prática da profissão; e à responsabilidade do discente pelo seudiferencial de formação, de competitividade no mercado, e de criação de uma rede de
  • 34. 34relacionamentos. Uma resposta mereceu destaque, no sentido de reconhecer um “mercado [...]exigente e com demanda aquém da oferta”, em sintonia com o que tem sido apresentado nestetrabalho. No tocante à grade curricular do curso de Relações Públicas e sua adequação àrealidade do mercado, as respostas positivas foram unânimes. Em quase todas, mencionou-serecente revisão concreta da grade e necessidade de contínua evolução, com o objetivo deaproximá-la à realidade do mercado. Para tanto, citaram-se: atividades práticas para reforçodos conhecimentos, professores conhecedores também do meio profissional (mercado),interações com mídias (digitais) sociais, novas disciplinas com ênfase em sustentabilidade eresponsabilidade socioambiental, gestão estratégica da comunicação, entre outros. Sugeriu-setambém monitoramento constante do mercado e atualização do projeto pedagógico do curso ede sua grade curricular de acordo com mudanças na demanda. Como foi demonstrado no item 7.1 a partir de dados oficiais, embora em númerosgerais (nacionais) a quantidade de oferta de cursos tem aumentado, ao mesmo tempo observa-se um verdadeiro “desligamento” de oferta em Unidades da Federação inteiras, a fragilizaçãoem outras e a concentração dessa oferta nas regiões Sul, Sudeste e no Estado da Bahia.Quando questionados se os cursos de Relações Públicas estariam acabando e por quê, sete dosdez coordenadores de curso citaram como provável motivo a falta de esclarecimento dentrodas empresas e pela população, notadamente entre os próprios estudantes e aspirantes àprofissão, sobre a atuação do profissional de Relações Públicas e sua importância para asorganizações. Acreditam que a área carece de maior reconhecimento e valorização pelasociedade, competindo diretamente com Jornalismo e Publicidade e Propaganda –considerados, segundo um dos depoimentos, mais “palpáveis”. Dois respondentes citaramuma provável natureza cíclica na procura pelos cursos de RP – como observado em outrasáreas do conhecimento, destacando que o estudante estaria mais preocupado com aempregabilidade e com os salários (segundo um respondente, pouco atrativos, principalmenteno Nordeste), do que com sua realização profissional, procurando assim a “profissão damoda”. Outro fator destacado foi a falta de fiscalização dos órgãos competentes com relaçãoao exercício da profissão, o que contribuiria para diminuir a oferta no mercado exclusiva paraprofissionais de Relações Públicas, e, na outra ponta, tolheria a procura por cursos de RP.Uma análise mais aprofundada do mercado de trabalho será realizada no item 8. Dois respondentes, um da Região Sul e outro da Região Sudeste, manifestaramentendimento de que, em suas regiões, os cursos não estariam desaparecendo, mais uma vezde acordo com os dados oficiais. Um deles cita a abertura de cursos no interior do Rio Grande
  • 35. 35do Sul, e outro, do Estado de São Paulo, afirma que seu curso mantém a mesma média dealunos há cerca de quinze anos. Por fim, os coordenadores de curso de RP foram questionados se já ouviram falarsobre as propostas de flexibilização da Lei nº 5.377/67 e abertura profissional (conformediscutidas no item 6.2) – permitindo-se que pós-graduados na área, por exemplo, possamrequerer registro como profissionais de Relações Públicas. Hoje, somente bacharéis emRelações Públicas podem intitular-se como profissionais da área. Dois respondentes afirmaram desconhecer a proposta, enquanto os outros oitoafirmaram conhecê-la. Destes oito, dois manifestaram concordância, por entender que a áreada comunicação como um todo se fortaleceria e conquanto que o curso de pós-graduaçãotivesse “uma carga horária muito forte de disciplinas de Relações Públicas”; um respondentediscordou da proposta e os demais se abstiveram de tecer opinião sobre a mesma. Houve apreocupação, também, que a eventual implementação da proposta pudesse tornar o mercadoainda mais competitivo. Até aqui foi feita uma análise dos dados oficiais acerca da oferta de cursos de RP noBrasil, complementada com levantamentos junto a coordenadores de cursos, suas opiniões epareceres. Neste momento torna-se importante registrar, aqui, a opinião do atual presidente doConselho Federal de Profissionais de Relações Públicas (Conferp), o Sr. Flávio Schmidt,sobre o questionamento se os cursos de RP estariam acabando. Segundo o presidente, os cursos de Relações Públicas não estão acabando e,novamente em sintonia com o que foi apresentado anteriormente, “enquanto alguns sãofechados, muitos outros são criados e ainda muitos são fortalecidos”. O presidente discorreainda que a situação observada de fechamento de cursos varia muito de região para região eque, enquanto em alguns lugares novos cursos são abertos, como em São Paulo, em outros,como no Rio de Janeiro e em Brasília, as decisões pelo fechamento de cursos são tomadaspois não se viabilizam economicamente. Argumenta, em seguida, que são necessáriasavaliações pontuais, em cada região, para entender por que isso ocorre. Segundo ele, osprofessores e coordenadores de cursos de RP dessas localidades (onde há fragilidade naoferta) deveriam abrir canais de comunicação com seus pares de outras universidades e trocarexperiências, além de entender as peculiaridades de cada região e implementar açõescorrespondentes, com a ajuda e intermediação, inclusive, do Conselho.
  • 36. 368 MERCADO DE TRABALHO8.1 Análise do Mercado Ao contrário da oferta de cursos superiores de Relações Públicas em atividade, cujosdados encontram-se disponíveis no Ministério da Educação e correspondem ao universoestatístico, não há uma compilação única, centralizada, da oferta nacional de vagas nomercado para o relações-públicas. Porém, uma amostra significante para análise dessa oferta de vagas pode serencontrada em sítios na Internet especializados em classificados de anúncios e em cadastro decurrículos. O maior deles, a Catho Online (www.catho.com.br), serviu de base para a análiseque segue, por agregar anúncios de todo o país, pela quantidade de anúncios cadastrados(permitindo extração mais apurada de estatísticas), além da tradição de quatorze anos nomercado. O sítio, o maior do Brasil e da América Latina na categoria, conta ao todo com maisde 250 mil anúncios de vagas, além de mais de 280 mil currículos cadastrados. Uma análise preliminar foi feita sobre os anúncios contendo a expressão “RelaçõesPúblicas” em seu título principal, em pesquisa realizada em 28 de outubro de 2011, resultandoem 27 anúncios e 40 vagas no total (um anúncio pode ofertar mais de uma vaga). O gráfico 4ilustra a distribuição das vagas por Unidade da Federação, a partir deste primeiro método depesquisa. Nota-se uma alta concentração de vagas no Estado de São Paulo – das 34 vagas noEstado, há 14 somente na capital.
  • 37. 37 Gráfico 4 – Quantidade de vagas profissionais, por UF (1º método de pesquisa). 34 2 1 1 1 1 SP GO RS PR MG SC Fonte: Catho Online.No entanto, aqui cabe uma primeira análise crítica:a) Nem todos os anúncios contendo “Relações Públicas” no título principal se referem, necessariamente, a atividades típicas da profissão, assim definidas na Lei nº 5.377/67. Em números, somente 15 dos 27 anúncios (56%) resultantes desta primeira análise guardam alguma relação com a atividade de relações públicas. Outros 10 anúncios (37%) confundem a atividade de relações públicas com a comercial (vendas ou pós-vendas). Para ilustrar, seguem abaixo dois extratos de tela com anúncios encontrados que nada guardam relação com a atividade:Figura 1 – Exemplo de anúncio de “Relações Públicas” para atividadesatípicas.
  • 38. 38Figura 2 – Exemplo de anúncio de “Relações Públicas” para atividadesatípicas. b) Há anúncios cuja descrição tem relação com a atividade de relações públicas, admitindo-se, porém, que o candidato possua curso superior em área distinta, em afronta ao disposto no artigo 1º da Lei nº 5.377/67. Abaixo, outro extrato de tela ilustrando este caso: Figura 3 – Anúncio de “Relações Públicas” não restrito aos formados na área.
  • 39. 39 Se forem descartados os casos descritos nos itens “a” e “b” acima, restamnacionalmente cinco anúncios no sítio da Catho contendo “Relações Públicas” no título, cujaatividade seja relacionada à profissão e cuja formação superior exigida seja somente emRelações Públicas – um número parco que parece revelar a “ponta do iceberg” de umproblema maior. Assim, um segundo método de pesquisa foi conduzido em 29 de outubro de 2011,por anúncios que contivessem a expressão “Relações Públicas” no título, na descrição dasatividades ou na formação, ou seja, anúncios de vagas nas quais o profissional de RelaçõesPúblicas pudesse obter colocação profissional. Com esta flexibilização, o resultado aumentoupara 225 anúncios e 440 vagas, assim distribuídas regionalmente: Gráfico 5 – Quantidade de vagas profissionais, por UF (2º método de pesquisa). 275 25 21 20 14 13 11 10 8 6 6 4 4 3 3 3 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 SP RS RJ MG PR PE PA BA GO CE RN SC DF AM AL MS MA MT PB ES RO AP AC PI RR TO Fonte: Catho Online. Segundo os novos critérios de pesquisa, 72% das vagas estão na região Sudeste, 10%na região Sul, 10% na região Nordeste, 4% na região Norte e 4% na região Centro-Oeste.Somente o Estado de Sergipe não figurou entre os resultados. Quanto ao regime de contratação, 49% das vagas o são como empregado efetivo pelaConsolidação das Leis do Trabalho (CLT), 20% como prestador de serviços pessoa-jurídica,17% como autônomo, 6% como free-lance, 1% como contratado temporário e 1% comotrainee. Não foi informado o regime de contratação para 6% das vagas. O gráfico 6 ilustraesta distribuição:
  • 40. 40 Gráfico 6 – Distribuição de vagas profissionais, por regime de contratação (%). Temporário Trainee Não informado 1% 1% 6% Free-lance 6% Autônomo 17% CLT (Efetivo) 49% Prestador de Serviços (PJ) 20% Fonte: Catho Online. Outra variável analisada diz respeito à exigência de conhecimento em língua(s)estrangeira(s), notadamente inglês e espanhol. Quase 44% das vagas anunciadas exigemalgum conhecimento em inglês. Fluência na língua foi exigida para aproximadamente uma emcada dez vagas. Já a demanda por conhecimentos em espanhol é tímida: somente 13% dasvagas exigem algum conhecimento na língua, em sua maioria nível básico ou intermediário.Os gráficos 7 e 8 a seguir ilustram estas distribuições: Gráficos 7 e 8 – Distribuição de vagas profissionais – exigência de inglês e espanhol (%). Intermediário Fluente Avançado Básico 10% 1% 0% Fluente 2% 11% Intermediário 21% Não exigido 56% Básico Não exigido 12% 87% Inglês Espanhol Fonte: Catho Online.
  • 41. 41 Analisando-se o resultado da pesquisa por faixa salarial, nota-se que a maioria dasvagas anunciadas remunera mensalmente menos de R$ 3.000. Um quarto delas não explicitavalor ou faixa salarial em seus anúncios. Dentre aquelas que o fazem, a média salarial écalculada em R$ 2.156. O Gráfico 9 detalha a distribuição das vagas por faixa salarial: Gráfico 9 – Distribuição de vagas profissionais, por faixa salarial. R$ 9.001 - R$ 10.000 1 R$ 8.001 - R$ 9.000 0 R$ 7.001 - R$ 8.000 1 R$ 6.001 - R$ 7.000 2 R$ 5.001 - R$ 6.000 1 R$ 4.001 - R$ 5.000 10 R$ 3.001 - R$ 4.000 57 R$ 2.001 - R$ 3.000 86 R$ 1.001 - R$ 2.000 124 Até R$ 1.000 44 A combinar 114 Fonte: Catho Online. Embora os critérios deste último método de pesquisa tenham considerado “RelaçõesPúblicas” seja no título, na descrição da(s) vaga(s) como atividade a ser desempenhada oucomo formação exigida ou desejada, ou seja, todos aqueles anúncios de vagas nas quais oprofissional pudesse obter colocação profissional, novamente, o mesmo senso crítico deve sermantido com relação àqueles deturpados da real finalidade de um relações-públicas. Mais uma vez, confirmou-se o entendimento disseminado no mercado de queRelações Públicas seriam uma atividade relacionada com vendas. Classificando-se o resultadoda pesquisa por áreas de atuação, conforme descrição das atividades nos próprios anúncios(lidos um a um), chega-se no gráfico 10. Verificou-se que mais da metade das vagas em que“Relações Públicas” são citadas como título, atividade ou formação destinam-se ao ramocomercial (promoção, vendas ou pós-vendas).
  • 42. 42 Gráfico 10 – Distribuição de vagas profissionais, por área de atuação (%). Teleatendimento / Telemarketing 1% Internet / Redes Sociais Jornalismo Outras4 Comunicação 2% 1% 3% 2% Eventos 2% Assessoria de Imprensa 2% Publicidade e Propaganda 4% Administrativa 7% Relações Públicas Comercial 9% 56% Marketing 11%Fonte: Catho Online. Exemplos típicos de anúncios que consideram Relações Públicas como atividadecomercial são ilustrados a seguir:_____________________4 Artes gráficas, atendimento ao cliente, financeiro, médico-hospitalar, produção artística, produção editorial, redação, relações cominvestidores, responsabilidade social, tradução e treinamento.
  • 43. 43 Figura 4 – Anúncio confundindo Relações Públicas com atividadecomercial. Figura 5 – Anúncio confundindo Relações Públicas com atividadecomercial.
  • 44. 44 Figura 6 – Anúncio confundindo Relações Públicas com atividadecomercial. Verificou-se também significativa confusão no mercado entre atividades deMarketing e Relações Públicas, muitas vezes admitindo-se indistintamente profissionais dasduas áreas. A atividade de Relações Públicas como ramo da Administração de Empresas, aoinvés da Comunicação, é outra confusão destacada pela pesquisa em 7% das vagas. O anúncioa seguir é um claro exemplo, para o qual se exige registro no Conselho de Administração:Figura 7 – Anúncio confundindo Relações Públicas com outras áreasadministrativas.
  • 45. 45 Anúncios cujas atividades incluem, de fato, a de Relações Públicas (mesmo quemisturada com outras) respondem por somente 9% do resultado da pesquisa, ou um totalnacional de 41 vagas. Por último, as vagas resultantes da pesquisa foram classificadas de acordo comformação exigida ou desejada. Somente 15 (3%) das 440 vagas pesquisadas mencionamexclusivamente curso superior em Relações Públicas como formação. Já em 304 outras vagas(69% do total pesquisado), o curso superior em Relações Públicas vem acompanhado deoutras formações igualmente admitidas, como Jornalismo, Marketing e Publicidade ePropaganda, ou está inserido dentro de referência a “Comunicação” como formação. Assim, orelações-públicas compete com profissionais de outras áreas para a maioria dos anúncios. Vagas que admitem qualquer curso superior totalizam 91, ou 21% do total, e vagasque admitem somente formações distintas à de Relações Públicas perfazem 23, ou 5% dototal. Em 7 vagas, nenhuma formação foi informada (2% do total). O gráfico 11 resume adistribuição percentual das vagas pela formação acadêmica: Gráfico 11 – Distribuição de vagas profissionais, por formação acadêmica (%). Formação(ões) Não Somente RP distinta(s) à de informada 3% RP 2% 5% Qualquer formação 21% RP ou outra(s) formação(ões) 69% Fonte: Catho Online.
  • 46. 46 Anúncios em que a atividade de Relações Públicas é citada, porém a formação emRelações Públicas não é exigida, e sim a de Jornalismo, também são encontradas, como aseguir: Figura 8 – Anúncio englobando atividades de Relações Públicas, paraJornalistas. Em resumo, a pesquisa de anúncios envolvendo Relações Públicas no maior sítio declassificados de vagas do Brasil aponta, com razoável segurança, que:  Há grande concentração de vagas na região Sudeste (72%), seguida das regiões Sul e Nordeste (empatadas em 10%), e Centro-Oeste e Norte (empatadas em 4%);  Pouco menos da metade das vagas prevê contratação como empregado efetivo pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT);  Quase a metade das vagas exige algum conhecimento da língua inglesa;  A média salarial mensal está abaixo de R$3.000;  Mais da metade das vagas anunciadas destina-se à área comercial, restando apenas 9% do total para atividades próprias de Relações Públicas;
  • 47. 47  Há muita confusão no mercado quanto à real função de um profissional de Relações Públicas, confundindo suas atividades com as de Vendas, Marketing e Administração;  De duas em cada três vagas, admite-se outra formação além daquela em Relações Públicas, como em Jornalismo, Marketing, Administração ou Publicidade e Propaganda.8.2 Depoimentos de Representantes de Entidades e Indivíduos Analogamente ao item 7.3 e objetivando complementar a análise do mercadobrasileiro para o profissional de Relações Públicas, 13 questionários foram enviados por e-mail, em setembro de 2011, a representantes de empresas, órgãos públicos e entidades declasse, a autônomos de destaque no meio e a formadores de opinião. As perguntas encontram-se descritas no Anexo III. Oito respondentes contribuíram com seus depoimentos para a pesquisa, por e-mail,entre 12/09 e 16/10/2011, a saber: Edelman Brasil; Embrapa; Conselho Federal deProfissionais de Relações Públicas (Conferp); Associação Brasileira de ComunicaçãoEmpresarial (Aberje); Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP) – doisrespondentes; a renomada relações-públicas, autora, consultora e empresária Sra. LalaAranha; e o mantenedor do sítio MundoRP (www.mundorp.com.br), Sr. Rodrigo Cogo. Exceto quando autorizado pelo respondente, os depoimentos serão tratados eanalisados a seguir sem indicar individualmente as fontes, tratando-se genericamente orespondente como do sexo masculino. Sobre se o mercado não estaria assimilando o profissional de Relações Públicas,embora a atividade ainda exista, o presidente atual do Conferp, Sr. Flávio Schmidt, teceopinião concordante: “O que não é reconhecida no Brasil é a profissão e não a atividade. Estaé muito bem reconhecida tanto que é praticada e desenvolvida por muitos profissionais deoutras áreas e aceita por dirigentes de empresas”. Ainda segundo o presidente, “a atividadeestá em franco desenvolvimento, com espaço para todos”. O problema, segundo ele, reside nomercado não reconhecer o direito do profissional de Relações Públicas em ter a exclusividadeque a lei lhe garante. Complementa ainda que tal problema decorre de dois motivos: a ênfaseque o empresariado dá à comunicação como sendo única ou predominantemente dedivulgação (comunicação jornalística e visibilidade mediante noticiário de imprensa), abrindo
  • 48. 48espaço para profissionais de jornalismo que encontraram amplo espaço de atuação; e o perfildo próprio profissional de Relações Públicas, que aceitou essa condição, praticando o que omercado prega sem se posicionar rigidamente em relação à sua própria formação, ao mesmotempo em que transfere para os conselhos a crítica quanto aos problemas de inserção dorelações-públicas no ambiente da comunicação. Ainda sobre a questão acima, outro respondente disserta na mesma linha, separandoo profissional, a atividade e o campo do conhecimento, argumentando que os dois últimos vão“de vento em popa”, embora o primeiro tenha sido preterido para o desempenho dasatividades às quais fora qualificado. Cita também a redescoberta da atividade de RelaçõesPúblicas pelos publicitários, ilustrando recente abertura de agência de Relações Públicas emNova Iorque pelo notório publicitário e empresário Nizan Guanaes. Outro terceiro respondente afirma, também na mesma linha, que a profissão deRelações Públicas está desaparecendo, mas a atividade não, atribuindo o fato a duas causas: a) Limitação acadêmica: uma vez que a Lei nº 5.377/67 e o Sistema Conferp limitaram a prática da atividade de Relações Públicas somente aos respectivos bacharéis, tal engessamento fez com que o mercado procurasse ao longo do tempo meios de legitimar a atividade de Relações Públicas e contornar a questão do diploma, mediante a oferta de vagas com outras denominações: Assessoria de Comunicação, de Relações com a Mídia, de Relações Institucionais etc. O meio acadêmico, atento a isso e prevendo consequente limitação no ingresso de alunos para cursos de Relações Públicas, abriu cursos similares em graduação e pós- graduação, enquanto algumas faculdades deixaram de oferecê-lo; b) Imagem dos profissionais e da atividade de RP: não se construiu ao longo do tempo uma imagem em prol do profissional, falhando-se ao divulgar para os jovens e para o mercado o que um relações-públicas é capacitado a fazer. Além disso, a atividade não é bem compreendida pelo mercado, que comumente a associa a organização de eventos, assessoria de imprensa, dentre outras (ideia em consonância com os dados apresentados no item 8.1). Ou, alternativamente, anuncia vagas admitindo-se indistintamente o profissional de Relações Públicas, o jornalista, o publicitário, o administrador, dentre outros. Um quarto respondente reforça ainda mais a percepção de que a profissão deRelações Públicas está desaparecendo no Brasil, tomando-se como referência o número deestudantes interessados no curso, o número de cursos disponíveis e a taxa de registros no
  • 49. 49Conselho da categoria, igualmente assinalando que a atividade, por outro lado, nunca estevetão em evidência. Observa ainda, de acordo com o exposto no item 8.1, que em razão domercado desconhecer a profissão em profundidade, dificilmente repassará suas necessidadesde comunicação institucional em ofertas de vagas específicas para relações-públicas, fazendocom que estes últimos concorram com vários outros profissionais nos processos seletivos. Com relação à comunicação integrada nas organizações e se existiriam diferençasentre as atividades de Relações Públicas e Jornalismo, argumentou-se que um plano eficaz decomunicação conta com a participação das três principais áreas – Relações Públicas,Jornalismo, e Publicidade e Propaganda –, ressaltando-se, porém, que a primeira aindaapresentaria maior capacidade de atingir mais públicos, de forma variada. Embora ashabilitações da Comunicação Social derivem de um núcleo comum de disciplinas econhecimentos, a atividade de Relações Públicas estaria mais identificada com a construçãode um relacionamento e a comunicação bilateral entre uma entidade (privada, pública ou doterceiro setor) com seus públicos, enquanto que a atividade de Jornalismo teria fortecaracterística difusora, menos bilateral e mais informativa – uma consciência da opiniãopública. Somente um representante de órgão público respondeu ao questionário, não sepermitindo extrair, seguramente, conclusões generalizadas à esfera governamental. Emboranaquele órgão a presença de profissionais de Relações Públicas concursados seja expressiva(72, ou 40% dos 180 profissionais de comunicação, distribuídos em 47 unidades e na sede emBrasília), não se pode concluir se em outros órgãos públicos dá-se a mesma importância aoprofissional. Cita-se que, em Brasília em particular, há grande quantidade de cerimônias eeventos oficiais, muitas vezes capitaneadas por relações-públicas – bom pelo lado da oferta demercado, mas ruim pelo lado da limitação das funções do profissional. No tocante à desigual distribuição regional de ofertas de vagas, houve entendimentode que isto se deve ao fato de a área ser fortemente associada ao universo de grandescorporações, e que estas nem sempre estão presentes em mesmo número fora das regiõesSudeste e Sul. Dois respondentes propuseram flexibilização na formação do profissional quepoderia atuar como Relações Públicas, em concordância com as propostas a que se refere oitem 6.2. Por último, não houve resposta quanto à diferença de percepção do profissional deRelações Públicas nos mercados nacional e internacional, embora saiba-se da maiorimportância que se dá ao relações-públicas em outros países, como nos Estados Unidos.
  • 50. 509 CONCLUSÃO No decorrer deste trabalho, pôde-se constatar a importância do profissional deRelações Públicas para a administração eficaz da comunicação das empresas com seuspúblicos, mediante a aplicação de uma variedade de canais de comunicação, ações eferramentas, e inserido na esfera gerencial da comunicação organizacional. No entanto, a profissão de Relações Públicas permanece exclusiva aos bacharéisformados na área, engessada por uma legislação da década de 60. Diante desta limitação, omercado de trabalho passou a admitir profissionais de outras áreas, criando-se novasnomenclaturas para funções típicas dos relações-públicas. As empresas não percebem que aimportância do profissional de Relações Públicas é mais estratégica do que para a execuçãode rotinas administrativas de comunicação, citando-se como exemplo a atuação desteprofissional em situações de crise ou de recuperação da imagem da organização junto aos seuspúblicos. Desde o ingresso da profissão no ordenamento jurídico brasileiro, a mesma não sepromoveu e não se destacou suficientemente na sociedade, que a desconhece de forma geral.O profissional de Relações Públicas não se dá publicidade, como o faz o jornalista, porexemplo – coincidentemente, são áreas que lidam diretamente com o público. O mercadopode achar que há mais profissionais formados em outras áreas de comunicação e não abrirvagas específicas para relações-públicas, desejando atrair quantidade maior de candidatos. Visando verificar se o crescente desprestígio à profissão de Relações Públicas, pelomercado, teve impacto negativo na respectiva oferta educacional, concluiu-se que: emboranacionalmente a quantidade de cursos de graduação em Relações Públicas tenha aumentado edois terços destes são avaliados positivamente, houve uma excessiva concentração da ofertaem algumas regiões do país, como no Sudeste, Sul e no Estado da Bahia; enquanto isso, nasdemais regiões verificou-se um processo de encerramento de cursos, fragilizando-se a oferta.Em outras palavras, embora hoje a oferta nacional de vagas nos cursos de Relações Públicastenha dobrado em relação a dez anos atrás, aspirantes à profissão de muitas regiões do paíspodem se sentir frustrados com frágil ou nenhuma oferta em seus estados. Ademais, acertar naescolha de um curso de graduação e na carreira pretendida não depende apenas da vontade doestudante – o caminho percorrido desde a escolha até a atuação no mercado de trabalho sofreinfluências diversas, que vão desde a oferta local de emprego até a expectativa deremuneração e empregabilidade futura.
  • 51. 51 Pôde-se obter também indicação de que as instituições de ensino superior têmadequado as grades curriculares dos seus cursos de Relações Públicas às novas demandas domercado, bem como procurado envolver os alunos em atividades acadêmicas com clientesreais, procurando deixá-los preparados para o mercado. Com essa adequação dos cursos de graduação na área de comunicação, abriu-se umnovo campo no mercado da comunicação organizacional, mais direcionado a áreas restritasdas organizações. Assim, com a criação de especificidades de áreas, que inicialmente eramrestritas aos relações-públicas, está surgindo outro tipo de profissional gestor derelacionamentos. Pelo lado da demanda do mercado de trabalho, concluiu-se que a colocação doprofissional de Relações Públicas é igualmente concentrada na Região Sudeste, comindicação de baixa remuneração mensal e regime de contratação dividido entre efetivo (CLT)e demais formas como prestador de serviços pessoa-jurídica ou autônomo. Já a natureza destacolocação mostrou-se surpreendentemente adversa: são raras as ofertas de vagas no mercadode trabalho exclusivas para o relações-públicas, nas atividades que lhes são previstas por Lei.O mercado, em geral, admite profissionais formados em outras áreas como Jornalismo,Marketing ou Publicidade e Propaganda para o desempenho de atividades de RelaçõesPúblicas. Além disso, parcela significativa da oferta confunde a atuação do profissional comatividade de vendas ou administrativa, evidenciando percepção distorcida por grande parte domercado. Desse modo, a profissão que se pretende exclusiva aos relações-públicas está,conforme o exposto, desaparecendo.
  • 52. 52 REFERÊNCIASANDRADE, C. T. S. Curso de relações públicas: relações com diferentes públicos. 6. ed.São Paulo: Thomson Pioneira, 2002._________________. Para entender relações públicas. 4. ed. São Paulo: Loyola, 2005.ARANHA, L. Cartas a um jovem relações-públicas: construindo relacionamentos. Rio deJaneiro: Campus, 2010.BERLO, D. K. O processo da comunicação: introdução à teoria e à prática. 7. ed. SãoPaulo: Martins Fontes, 1991.BORDENAVE, J. Além dos meios e mensagens. Rio de Janeiro: Vozes, 1983.BRASIL. Código de ética dos profissionais de propaganda no Brasil. 1957.CAHEN, R. Tudo que seus gurus não lhe contaram sobre Comunicação Empresarial.São Paulo: Best Seller, 1990.CONFERP O Sistema Conferp. Disponível em: <www.conferp.org.br/?page_id=165>.Acesso em: 3 nov. 2011.__________ Consulta aos profissionais. Disponível em: <www.conferp.org.br/consulta>.Acesso em: 3 nov. 2011.__________Pesquisa de Opinião Pública/2008. Disponível em: <http://www.conferp.org.br/boletim/consulta/resultados/pesquisa_2008.pdf >. Acesso em: 3nov. 2011.GOULART, T. Comunicação empresarial: uma nova realidade em Minas. Fundação DomCabral, 1997.KUNSCH, M. M. K. Gestão estratégica em comunicação organizacional e relaçõespúblicas. 2. ed. São Caetano do Sul: Difusão, 2009.
  • 53. 53_________________. Planejamento de relações públicas. 4. ed. São Paulo: Summus, 2003._________________. Relações públicas e modernidade: novos paradigmas nacomunicação organizacional. 3. ed. São Paulo: Summus, 1997.LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Metodologia do trabalho científico. 7. ed. São Paulo:Atlas, 2007.LOPES, B. O que é assessoria de imprensa. São Paulo: Brasiliense, 2003.SCHMIDT, F. Do ponto de vista de relações públicas: razões muito mais fortes para vocêatuar no ambiente de comunicação. São Paulo: Sicurezza, 2011.TORQUATO, F. Jornalismo empresarial – teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Summus,1987.
  • 54. 54ANEXO I – Cursos de Relações Públicas em Atividade no Brasil
  • 55. 55 Vagas Vagas Vagas VagasInstituição de Ensino Superior (IES) UF CC CPC Enade (Manhã) (Tarde) (Noite) (Integral) InícioUniversidade Federal de Alagoas (UFAL) AL - 3 2 40 40 01/08/1979Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA) AM 4 - - 50 50 05/02/2007Universidade Federal do Amazonas (UFAM) AM - - 4 34 21/01/1977Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) de Itabuna BA - - - 100 21/02/2010Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) de Vitória da Conquista BA - - - 50 50 14/02/2005Faculdade Isaac Newton (FACINE) BA - - SC 100 100 03/11/2003Faculdade Juvêncio Terra (FJT) BA 4 SC 4 50 02/02/2005Faculdade Metropolitana de Camaçari (FAMEC) BA - - - 50 50 01/08/2006Faculdades Integradas Ipitanga (UNIBAHIA) BA 4 3 3 100 13/03/2000Universidade Católica do Salvador (UCSAL) BA - 2 3 120 120 120 01/06/2001Universidade do Estado da Bahia (UNEB) BA - 3 3 40 03/03/1986Universidade Salvador (UNIFACS) BA - 3 4 50 50 05/03/1990Faculdade Anhanguera de Brasília (FAB) DF - 2 2 100 04/03/2002Faculdade Sul-Americana (FASAM) GO 3 2 2 50 50 18/02/2002Universidade Federal de Goiás (UFG) GO - - - 50 01/03/1975Universidade Federal do Maranhão (UFMA) MA - SC SC 32 05/01/1976Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) MG - 3 3 100 100 10/03/1973Centro Universitário Newton Paiva MG - 2 3 55 55 01/02/1973Centro Universitário UNA MG 5 3 3 50 02/02/2004Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação (ESAMC) de Uberlândia MG 4 - - 50 50 02/01/2007Faculdade Anhanguera de Belo Horizonte MG - 3 4 100 04/08/2003Faculdade de Comunicação Social Santa Efigênia (FACULDADE VEREDAS) MG - - - 100 100 01/02/2005Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC MINAS) MG - 3 4 90 01/03/1971Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) MG - - - 40 40 01/03/2010Centro Universitário de Várzea Grande (UNIVAG) MT 3 SC 3 50 31/07/2000Instituto de Estudos Superiores da Amazônia (IESAM) PA 5 3 2 50 100 03/02/2003Universidade Federal da Paraíba (UFPB) PB - 4 4 70 06/06/1977Escola Superior de Relações Públicas (ESURP) PE 2 2 2 300 22/12/1967Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) PE - SC 3 60 02/03/1970Escola Superior de Estudos Empresariais e Informática (ESEEI) PR - SC 3 75 75 27/09/2000Faculdade do Norte Novo de Apucarana (FACNOPAR) PR 3 3 3 50 16/02/2004Faculdade Metropolitana de Maringá (UNIFAMMA) PR 4 2 3 150 05/02/2001Faculdades Integradas do Brasil (UNIBRASIL) PR 4 3 3 100 100 29/07/2002Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) PR - 3 3 60 02/03/1995Universidade Estadual de Londrina (UEL) PR - 4 4 20 20 28/08/1989Universidade Federal do Paraná (UFPR) PR - 2 1 30 01/01/1977Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA) RJ - 3 3 40 20/01/1972Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) RJ - 3 2 25 25 01/02/1986Centro Universitário UNIVATES RS 4 3 4 60 27/02/2002Faculdades Integradas de Taquara (FACCAT) RS 3 3 4 100 01/08/2001Fundação Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) RS - - - 50 22/03/2010Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) RS - 4 4 40 80 01/03/1952Universidade de Caxias do Sul (UCS) RS - 3 4 110 02/08/1971Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) RS 4 4 4 25 04/03/1996Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) RS - 4 4 90 01/03/1973Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) - Campus de Frederico Westphalen RS - - - 30 10/08/2009Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) - Campus Santa Maria RS 5 4 5 30 01/03/1972Universidade FEEVALE RS 4 4 3 70 24/03/1970Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) RS - 4 4 50 04/03/1992Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUI) RS - 4 5 30 01/08/1995Universidade do Contestado (UNC) SC - SC 3 50 18/02/2002Centro Universitário Belas Artes de São Paulo (FEBASP) SP 4 SC 3 120 60 60 04/08/2003Centro Universitário FECAP SP 4 4 4 50 100 01/02/2005Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (CEUNSP) SP - - - 160 30/01/2007Centro Universitário SantAnna (UNISANTANNA) SP - 3 3 70 12/02/1996Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação (ESAMC) de Campinas SP 3 SC SC 80 80 29/01/2007Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação (ESAMC) de Santos SP 4 - - 100 100 01/02/2010Faculdade Cásper Líbero (FCL) SP - 3 4 50 100 06/03/1972Faculdade de Comunicação e Marketing da Fundação Armando Álvares Penteado (FACOM-FAAP) SP - 3 3 30 10/08/1972Faculdade Integrada Metropolitana de Campinas (METROCAMP) SP 5 3 3 60 60 10/03/2003Faculdade Mundial SP - - - 50 50 03/08/2009Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM) SP 4 3 4 50 50 06/02/2006Faculdades Atibaia (FAAT) SP - SC 4 80 80 01/02/2005Faculdades Integradas de Itapetininga (FKB) SP - 2 2 100 05/12/1969Faculdades Integradas Rio Branco (FRB) SP - 3 3 30 30 01/02/2000Faculdades Integradas Teresa DÁvila (FATEA) SP - SC 4 50 25/02/2000Faculdades Integradas Torricelli (FIT) SP 4 SC SC 100 100 25/02/2008Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-CAMPINAS) SP - 3 3 90 90 02/03/1970União das Faculdades dos Grandes Lagos (UNILAGO) SP - 3 4 80 13/02/1995Universidade Católica de Santos (UNISANTOS) SP - 3 4 40 01/03/1971Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL) SP 4 SC 2 90 90 21/02/1994Universidade de Santo Amaro (UNISA) SP - 2 3 60 01/02/2005Universidade de São Paulo (USP) SP - - - 20 30 16/06/1966Universidade de Sorocaba (UNISO) SP 5 3 3 80 80 28/01/2004Universidade de Taubaté (UNITAU) SP - 4 4 50 01/03/1979Universidade do Sagrado Coração (USC) SP - 4 3 40 02/02/1998Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) SP - 2 1 50 12/01/1975Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) SP - 3 4 80 80 30/08/1972 ANEXO II – Legislação e Código de Ética
  • 56. 56 Lei nº 5.377, de 11 de Dezembro de 1967 Disciplina a Profissão de Relações Públicas e dá outras providências.O Presidente da República:Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I DefiniçãoArt. 1º – A designação de "Profissional de Relações Públicas" passa a ser privativa:a) dos bacharéis formados nos respectivos cursos de nível superior;b) dos que houverem concluído curso similar no estrangeiro, em estabelecimento legalmente reconhecido após a revalidação do respectivo diploma no Brasil;c) dos que exerçam a profissão, de acordo com o art. 6º do Capítulo IV da presente Lei. CAPÍTULO II Das Atividades ProfissionaisArt. 2º – Consideram-se atividades específicas de Relações Públicas as que dizem respeito:a) à informação de caráter institucional entre a entidade e o público, através dos meios de comunicação;b) à coordenação e planejamento de pesquisas de opinião pública, para fins institucionais;c) ao planejamento e supervisão da utilização dos meios audiovisuais, para fins institucionais;d) ao planejamento e execução de campanhas de opinião pública;e) ao ensino das técnicas de Relações Públicas, de acordo com as normas a serem estabelecidas na regulamentação da presente Lei. CAPÍTULO III Do Registro da Profissão e de sua FiscalizaçãoArt. 3º – O registro do Profissional de Relações Públicas fica instituído com a presente Lei etornar-se-á obrigatório no prazo de 120 (cento e vinte) dias a contar da sua publicação, paraaqueles que já se encontram no exercício da profissão.Parágrafo único – O registro referido neste Artigo será feito pelo Serviço de IdentificaçãoProfissional do Ministério do Trabalho e Previdência Social, mediante comprovante oucomprovantes portados pelos profissionais nas hipóteses das letras "a" a "c" do Artigo 1º.Art. 4º – A fiscalização do exercício profissional será feita pelo Ministério do Trabalho ePrevidência Social.
  • 57. 57Art. 5º – A fiscalização do disposto no Artigo 2º, alínea "e" ficará a cargo do Ministério daEducação e Cultura. CAPÍTULO IV Disposições GeraisArt. 6º – Fica assegurado o registro de que trata o Artigo 3º da presente Lei às pessoas que jávenham exercendo funções de Relações Públicas, como atividade principal e em caráterpermanente, pelo prazo mínimo de 24 (vinte e quatro) meses, conforme declaração doempregador e comprovação de recebimento salarial proveniente dessa atividade, em entidadespúblicas ou privadas que comprovem a existência do setor especializado e, ainda, que sejamSócios Titulares da ABRP – Associação Brasileira de Relações Públicas, por idêntico período.Art. 7º – A presente Lei será regulamentada pelo Executivo dentro de 90 (noventa) dias desua publicação.Art. 8º – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.Art. 9º – Revogam-se as disposições em contrário.Brasília, 11 de dezembro de 1967; 146º da Independência e 79º da República.A. COSTA E SILVAJarbas G. PassarinhoFavorino Bastos Mercio
  • 58. 58 Código de Ética CONSELHO FEDERAL DE PROFISSIONAIS DE RELAÇÕES PÚBLICAS CONFERP Código de Ética dos Profissionais de Relações Públicas CONFERP AGOSTO / 2001 Código de Ética dos Profissionais de Relações Públicas Princípios Fundamentais1. Somente pode intitular-se Profissional de Relações Públicas e, nesta qualidade, exercer a profissão no Brasil, a pessoa física ou jurídica legalmente credenciada nos termos da Lei em vigor.2. O Profissional de Relações Públicas baseia seu trabalho no respeito aos princípios da “Declaração Universal dos Direitos do Homem”.3. O Profissional de Relações Públicas, em seu trabalho individual ou em sua equipe, procurará sempre desenvolver o sentido de sua responsabilidade profissional, através do aperfeiçoamento de seus conhecimentos e procedimentos éticos, pela melhoria constante de sua competência científica e técnica e no efetivo compromisso com a sociedade brasileira.4. O Profissional de Relações Públicas deve empenhar-se para criar estruturas e canais de comunicação que favoreçam o diálogo e a livre circulação de informações. SEÇÃO I Das Responsabilidades GeraisArt. 1º – São deveres fundamentais do Profissional de Relações Públicas:a) Esforçar-se para obter eficiência máxima em seus serviços, procurando sempre se atualizar nos estudos da Comunicação Social e de outras áreas de conhecimento;b) Assumir responsabilidade somente por tarefas para as quais esteja capacitado, reconhecendo suas limitações e renunciando a trabalho que possa ser por elas prejudicado;c) Colaborar com os cursos de formação de profissionais em Relações Públicas, notadamente no aconselhamento e orientação aos futuros profissionais.Art. 2º – Ao Profissional de Relações Públicas é vedado:a) Utilizar qualquer método, meio ou técnica para criar motivações inconscientes que, privando a pessoa do seu livre arbítrio, lhe tirem a responsabilidade de seus atos;b) Desviar para atendimento particular próprio, com finalidade lucrativa, clientes que tenha atendido em virtude de sua função técnica em organizações diversas;
  • 59. 59c) Acumpliciar-se com pessoas que exerçam ilegalmente a profissão de Relações Públicas;d) Disseminar informações falsas ou enganosas ou permitir a difusão de notícias que não possam ser comprovadas por meio de fatos conhecidos e demonstráveis;e) Admitir práticas que possam levar a corromper ou a comprometer a integridade dos canais de comunicação ou o exercício da profissão;f) Divulgar informações inverídicas da organização que representa. SEÇÃO II Das Relações com o EmpregadorArt. 3º – O Profissional de Relações Públicas, ao ingressar em uma organização comoempregado, deve considerar os objetivos, a filosofia e os padrões gerais desta, tornando-seinterdito o contrato de trabalho sempre que normas, políticas e costumes ali vigentescontrariem sua consciência profissional, bem como os princípios e regras deste Código. SEÇÃO III Das Relações com o ClienteArt. 4º – Define-se como cliente a pessoa, entidade ou organização a quem o Profissional deRelações Públicas – como profissional liberal ou empresa de Relações Públicas – prestaserviços profissionais.Art. 5º – São deveres do Profissional de Relações Públicas, nas suas relações com o cliente:a) Dar ao cliente informações concernentes ao trabalho a ser realizado, definindo bem seus compromissos e responsabilidades profissionais, a fim de que ele possa decidir-se pela aceitação ou recusa da proposta dos serviços profissionais;b) Esclarecer ao cliente, no caso de atendimento em equipe, a definição e qualificação profissional dos demais membros desta, seus papéis e suas responsabilidades;c) Limitar o número de seus clientes às condições de trabalho eficiente;d) Sugerir ao cliente serviços de outros colegas sempre que se impuser a necessidade de prosseguimento dos serviços prestados, e estes, por motivos ponderáveis, não puderam ser continuados por quem os assumiu inicialmente;e) Entrar em entendimentos com seu substituto comunicando-lhe as informações necessárias à boa continuidade dos trabalhos, quando se caracterizar a situação mencionada no item anterior.Art. 6º – É vedado ao Profissional de Relações Públicas atender clientes concorrentes, semprévia autorização das partes atendidas.Art. 7º – Não deve o Profissional de Relações Públicas aceitar contrato em circunstâncias queatinjam a dignidade da profissão e os princípios e normas do presente Código.
  • 60. 60 SEÇÃO IV Dos Honorários ProfissionaisArt. 8º – Os honorários e salários devem ser fixados por escrito, antes do início do trabalho aser realizado, levando-se em consideração, entre outros:a) Vulto, dificuldade, complexidade, pressão de tempo e relevância dos trabalhos a executar;b) Necessidade de ficar impedido ou proibido de realizar outros trabalhos paralelos;c) As vantagens que, do trabalho, se beneficiará o cliente;d) A forma e as condições de reajuste;e) O fato de se tratar de um cliente eventual, temporário ou permanente;f) A necessidade de locomoção na própria cidade ou para outras cidades do Estado ou do País.Art. 9º – O Profissional de Relações Públicas só poderá promover, publicamente, adivulgação de seus serviços com exatidão e dignidade, limitando-se a informar,objetivamente, suas habilidades, qualificações e condições de atendimento.Art. 10 – Na fixação dos valores deve-se levar em conta o caráter social da profissão. Emcasos de entidades filantrópicas ou representativas de movimentos comunitários, oprofissional deve contribuir sem visar lucro pessoal, com as atribuições específicas deRelações Públicas, comunicando ao CONRERP de sua Região as ações por ele praticadas. SEÇÃO V Das Relações com os ColegasArt. 11 – O Profissional das Relações Públicas deve ter para com seus colegas a consideraçãoe a solidariedade que fortaleçam a harmonia e o bom conceito da classe.Art. 12 - O Profissional de Relações Públicas não atenderá cliente que esteja sendo assistidopor outro colega, salvo nas seguintes condições:a) A pedido desse colega;b) Quando informado, seguramente, da interrupção definitiva do atendimento prestado pelo colega.Art. 13 - O Profissional de Relações Públicas não pleiteará para si emprego, cargo ou funçãoque esteja sendo exercido por outro Profissional de Relações Públicas.Art. 14 – O Profissional de Relações Públicas não deverá, em função de espírito desolidariedade, ser conivente com erro, contravenção penal ou infração a este Código de Éticapraticado por outro colega.Art. 15 – A crítica a trabalhos desenvolvidos por colegas deverá ser sempre objetiva,construtiva, comprovável e de inteira responsabilidade de seu autor, respeitando sua honra edignidade.
  • 61. 61 SEÇÃO VI Das Relações com Entidades de ClasseArt. 16 – O Profissional de Relações Públicas deverá prestigiar as entidades profissionais ecientíficas que tenham por finalidade a defesa da dignidade e dos direitos profissionais, adifusão e o aprimoramento das Relações Públicas e da Comunicação Social, a harmonia e acoesão de sua categoria social.Art. 17 – O Profissional de Relações Públicas deverá apoiar as iniciativas e os movimentoslegítimos de defesa dos interesses da classe, tendo participação efetiva através de seus órgãosrepresentativos.Art. 18 – O Profissional de Relações Públicas deverá cumprir com as suas obrigações junto àsentidades de classe às quais se associar espontaneamente ou por força de Lei, inclusive no quese refere ao pagamento de anuidades, taxas e emolumentos legalmente estabelecidos. SEÇÃO VII Das Relações com a JustiçaArt. 19 – O Profissional de Relações Públicas, no exercício legal da profissão, pode sernomeado perito para esclarecer a Justiça em matéria de sua competência.Parágrafo Único: O Profissional de Relações Públicas deve escusar-se de funcionar em períciaque escape à sua competência ou por motivos de força maior, desde que dê a devidaconsideração à autoridade que o nomeou.Art. 20 – O Profissional de Relações Públicas tem por obrigação servir imparcialmente àJustiça, mesmo quando um colega for parte envolvida na questão.Art. 21 – O Profissional de Relações Públicas deverá agir com absoluta isenção, limitando-seà exposição do que tiver conhecimento através da análise e observação do materialapresentado e não ultrapassando, no parecer, a esfera de suas atribuições.Art. 22 - O Profissional de Relações Públicas deverá levar ao conhecimento da autoridadeque o nomeou a impossibilidade de formular parecer conclusivo, face à recusa do profissionalem julgamento, em fornecer-lhe dados necessários à análise.Art. 23 – É vedado ao Profissional de Relações Públicas:a) Ser perito de cliente seu;b) Funcionar em perícia em que sejam parte parente até o segundo grau, ou afim, amigo ou inimigo e concorrente de cliente seu;c) Valer-se do cargo que exerce, ou dos laços de parentesco ou amizade para pleitear ser nomeado perito.
  • 62. 62 SEÇÃO VIII Do Sigilo ProfissionalArt. 24 – O Profissional de Relações Públicas guardará sigilo das ações que lhe foremconfiadas em razão de seu ofício e não poderá ser obrigado à revelação de seus assuntos quepossam ser lesivos a seus clientes, empregadores ou ferir a sua lealdade para com eles emfunções que venha a exercer posteriormente.Art. 25 – Quando o Profissional de Relações Públicas faz parte de uma equipe, o clientedeverá ser informado de que seus membros poderão ter acesso a material referente aosprojetos e ações.Art. 26 – Nos casos de perícia, o Profissional de Relações Públicas deverá tomar todas asprecauções para que, servindo à autoridade que o designou, não venha a expor indevida edesnecessariamente ações do caso em análise.Art. 27 – A quebra de sigilo é necessária quando se tratar de fato delituoso, previsto em Lei, ea gravidade de suas consequências, para os públicos envolvidos, dê consequência dedenunciar o fato. SEÇÃO IX Das Relações Políticas e do Exercício do LobbyArt. 28 – Defender a livre manifestação do pensamento, a democratização e a popularizaçãodas informações e o aprimoramento de novas técnicas de debates é função obrigatória doProfissional de Relações Públicas.Art. 29 – No exercício de Lobby o Profissional de Relações Públicas deve se ater às áreas desua competência, obedecendo às normas que regem as matérias emanadas pelo CongressoNacional, pelas Assembleias Legislativas Estaduais e pelas Câmaras Municipais.Art. 30 – É vedado ao Profissional de Relações Públicas utilizar-se de métodos ou processosescusos, para forçar quem quer que seja a aprovar matéria controversa ou projetos, ações eplanejamentos, que favoreçam os seus propósitos. SEÇÃO X Da Observância, Aplicação e Vigência do Código de ÉticaArt. 31 – Cumprir e fazer cumprir este Código é dever de todos os profissionais de RelaçõesPúblicas.Art. 32 – O Conselho Federal e os Regionais de Profissionais de Relações Públicas manterãoComissão de Ética para:a) Assessorar na aplicação do Código;
  • 63. 63b) Julgar as infrações cometidas e casos omissos, ad referendum de seus respectivos plenários.Art. 33 – As normas deste Código são aplicadas às pessoas físicas e jurídicas, que exerçam aatividade profissional de Relações Públicas.Art. 34 – As infrações a este Código de Ética profissional poderão acarretar penalidadesvárias, desde multa até cassação de Registro Profissional.Art. 35 – Cabe ao Profissional de Relações Públicas denunciar aos seus Conselhos Regionaisqualquer pessoa que esteja exercendo a profissão sem respectivo registro, infringindo alegislação ou os artigos deste Código.Art. 36 – Cabe aos Profissionais de Relações Públicas docentes e supervisores esclarecer,informar e orientar os estudantes quanto aos princípios e normas contidas neste Código.Art. 37 – Compete ao Conselho Federal formar jurisprudência quanto aos casos omissos,ouvindo os Regionais, e fazê-la incorporar a este Código.Art. 38 – O presente Código entrará em vigor em todo o território nacional a partir de suapublicação no Diário Oficial da União.
  • 64. 64 ANEXO III – QuestionáriosQuestionário enviado aos Coordenadores de Curso de Relações Públicas:a. Qual a sua formação?b. Você conhece o Conselho de Relações Públicas? É registrado?c. Você concorda com disciplinas de tronco comum e, posteriormente, a separação por área?d. Seus alunos estão preparados para atuar no mercado?e. A grade curricular do curso de relações públicas está adequada à realidade do mercado? Quais as suas sugestões?f. Você acha que os cursos de relações públicas estão acabando? Por quê?g. Você já ouviu falar sobre a flexibilização da Lei nº 5.377/67 e a abertura profissional?Questionário enviado a:1. Empresas: a. A empresa faz preferência em contratar um profissional de relações públicas para sua atividade de comunicação? b. A atividade de comunicação na empresa é integrada ou dividida por especialidade – jornalismo, publicidade e relações públicas?2. Órgãos Públicos: a. Existem profissionais de relações públicas atuando no órgão? b. Por que há poucas ou nenhuma vaga para relações públicas em concurso público?3. Autônomos: a. Você acha que existe diferença na atividade de relações públicas e de jornalismo? b. Como você acha que o profissional é visto no mercado nacional e internacional? Há muita diferença?
  • 65. 654. Formadores de Opinião: a. A profissão de relações públicas está desaparecendo? b. Se existe no mercado a atividade de relações públicas, por que faltam vagas para a profissão?5. Entidades de Classe: a. Os cursos de relações públicas estão acabando? Por quê? b. O mercado não está assimilando o profissional de relações públicas, mas a atividade de relações públicas ainda existe. Está na hora de rever conceitos? Qual a sua opinião?