A cultura do palácio

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  • 1. A cultura do palácioTrabalho realizado por:Nome: Sara Cristina leão MeirelesTurma: 2ºA nº 356
  • 2. A vida intelectual, nos séculos XV e XVI, foi expressão das novas realidades econômicas,sociais, políticas e religiosas com que o homem se defrontou e que imprimiram certascaracterísticas à Filosofia, à Ciência e às Artes, no período.Um Erro SecularA palavra “Renascimento”, usada comumente para designar o movimento intelectualdo início da Idade Moderna, não traduz, entretanto, o que acontecia realmente. De fato, ohomem dessa fase desenvolveu uma mentalidade individualista e crítica, voltada para osinteresses materiais e preocupada com a valorização da vida terrena, em oposição aos antigosideais medievais. Isto fez com que ele imprimisse uma caracterização humanista à culturaintelectual, inspirada nos modelos greco-romanos (clássicos) – civilizações grega e romanacomumente conhecidas como civilizações “clássicas”, – para cuja imitação muito contribuiu afixação, na Península Itálica, de sábios bizantinos, que fugiam ao domínio turco. Nem de longe,no entanto, se pode, hoje, aceitar a idéia de uma “ressurreição” da cultura intelectual, pois aIdade Média foi um período de alta criatividade nesse setor, impregnada porém, da visãoespiritualista e mística com que o homem medieval encarava a realidade.Características da Arte RenascentistaA arte renascentista caracterizou-se por vários fatores:- a busca da inspiração nos ideais greco-romanos;- o homem renascentista valorizava a natureza principalmente a humana;- o gosto pelo luxo e comodidade;- como fonte de inspiração, o retorno à natureza;- grande liberdade criativa;- o gosto pelos efeitos cênicos e teatrais;- o dinamismo das figuras, a expressão naturalista;Com relação à pintura, os maiores avanços técnicos foram obra de flamengos (pintoresde Flandres, condado submetido à suserania dos reis da França). Entre eles destacaram-se osirmãos Jan e Hübert Van Eick, que inauguraram a pintura a óleo – dissolvendo as tintas emóleo de linhaça – de execução rápida e fácil, além de oferecer ao artista maiores recursos.Já a conquista do espaço tridimensionalista é obtida através de vários recursos.Tomaso Masaccio (1401-1428) renega vigorosamente as tradições do Oriente para criar umapintura monumental de grandes espaços e massas e de feição naturalista e inspiração popular.O espaço ganha as três dimensões, o “claro-escuro” sugere volumes e imprimeverossimilhança às paisagens e às figuras humanas.No século XVI surge a figura mais potente de toda a escultura renascentista:Michelangelo Buonarroti (1475-1564). Tornou-se famoso como pintor, mas seu campoartístico preferido era a escultura. O propósito dominante de todo o seu trabalho foi expressaro pensamento na pedra. Dedicou-se à busca de efeitos emocionalmente vigorosos para
  • 3. exprimir de forma alegórica suas ideias filosóficas. Para isto, empenhou-se no estudo da figurahumana em todas as posições, atitudes e expressões. Suas esculturas revelam uma vitalidadeaté então nunca alcançada por outros artistas.A arquitetura caracterizou-se pela grandiosidade dos edifícios, que, no entanto,apresentavam linhas simples e simétricas. A adaptação dos modelos clássicos fez-se notar pelouso do arco plano, das colunatas e das cúpulas. Como exemplo podemos citar a “Basílica deSão Pedro” em Roma, e o “Duomo” em Florença.O RENASCIMENTONA PINTURAO criador e precursor da arte renascentista foi Giotto (1266-1337). Ao contrário dosquadros medievais, em que o homem era retratado como figura plana (homem como serimaterial), as figuras humanas de Giotto são bem marcadas em suas formas e representadasde acordo com a realidade. Ao contrário dos quadros medievais, que tinham freqüentementeum fundo dourado a simbolizar uma luz sobrenatural, o céu pintado por Giotto é de um azulbem claro, visto ao fundo das brancas muralhas da cidade. Podemos citar entre os artistas doperíodo: Tomaso Masaccio (1401-1428); Sandro Botticelli (1444?-1510). Já no final do séculoXV e começo do seguinte, a pintura renascentista italiana atingiu o seu máximo esplendor,sobretudo a três gênios: “Leonardo Da Vinci, Rafael Sanzio e Michelangelo.LEONARDO DA VINCI (1452-1519)Não foi apenas um pintor famoso, mas também músico, escultor, arquiteto, filósofo, cientista,engenheiro, anatomista e inventor. Essa não especialização do conhecimento fez dele oprotótipo do homem renascentista. Sua pintura, ao contrário da pintura idealista de Botticelli,baseou-se na pesquisa científica da natureza. A natureza para Da Vinci, mantém seus segredosprofundamente ocultos, exigindo uma análise minuciosa. Esta pintura científica está bempresente em suas obras “Última Ceia”, “A Virgem dos Rochedos”, “A Gioconda” e“Anunciação”.
  • 4. Análise de ObrasObra: Última ceiaData:1495-1497Técnica:Dimensões: 460 cm × 880 cmO mosteiro de Santa Maria delleGrazie, em Milão, não é mais utilizado e a sala dorefeitório onde Leonardo pintou o painel foi transformado em museu. A encomenda originalfoi feita por Ludovico, o Mouro. Ao contrário da técnica tradicional da pintura sobre argamassaúmida, Leonardo utilizou têmpera a óleo. Com a umidade, a deterioração da pintura já haviasido iniciada em 1510, ainda durante a vida do mestre. O restauro vem sendo realizado desde1726.Durante a guerra, o mosteiro foi bombardeado, e a parede com o mosaico sobreviveumiraculosamente. Curioso que um artista livre-pensador, em cujos escritos não se encontrauma linha acerca dos assuntos religiosos, tenha elaborado talvez o ícone mais difundido da fécristã e católica. A Última ceia talvez seja a imagem cristã mais difundida da história. SegundoLeonardo, o objetivo era retratar a intenção da alma humana através dos gestos e membrosdos personagens, isto é, mais do que expressar os estados emocionais, retratar a vida interiorde cada um dos apóstolos. Para conseguir este objetivo, consta que o artista percorria as ruasda cidade, inclusive as prisões, em busca dos rostos cuja expressividade lhe parecia seradequada para cada um dos apóstolos.Cristo posiciona-se ao centro da composição, e para ele convergem as linhas emperspetiva da sala. Ele parece resignado, enquanto os apóstolos debatem-se, como se houverasido o momento exato em que ele revela que um deles o trairá. Dispostos em grupos de três,cada um reage à afirmação segundo suas disposições. A figura de Judas sempre havia sido umproblema compositivo a todos os artistas que pintaram esta cena, pois era equivocadorepresentar o traidor do Salvador junto aos outros apóstolos. Ao mesmo tempo em que faziaparte da ceia, devia ser excluído do convívio dos apóstolos. Outros artistas, comoAndreadelCastagno haviam resolvido o problema teológico com a separação espacial de Judasdo grupo, o único posicionado de costas para o observador. Isto o identificava ao mesmotempo em que o excluía dos outros. Na Última Ceia de Leonardo, Judas é misturado aos outrosapóstolos, e apenas seu perfil sinistro e rancoroso sugere ali estar sua pessoa.Obra: Mona lisaData: 1503-1506Técnica: Pintura a óleo sobre madeira de álamoDimensões:77 cm × 53 cmJovem esposa de um homem rico, Monna (madona,senhora, em italiano) Lisa diAntonio Maria Gherardin, tinha cerca devinte e cinco anos quando Leonardo começou a pintar seu retrato.Conta o pintor em suas anotações que mantinha a moça sempre de
  • 5. bom humor durante as sessões de pintura cantando, tocando algum instrumento e contandoanedotas, para que ela não ganhasse uma expressão triste ou entediada.Estranho que uma mulher tão rica se apresentasse de maneira tão simples, sem jóiasou ostentação. Estranho também que seu marido não parece ter encomendado o quadro, nemse sabe de nenhum outro cliente. Leonardo ficou com o quadro até o final da vida, quando olevou para a França e vendeu-o para Francisco I por 4000 moedas de ouro. O fato de Leonardoter trabalhado com zelo neste quadro durante quatro anos, e de ter ficado com ele é incomumpara uma época em que estava se iniciando a liberdade do artista como livre-criador.O fundo da pintura também revela algumas surpresas. A temática das montanhasescarpadas era recorrente na obra de Leonardo. Alpinista amador, Leonardo tem váriosdesenhos e esboços sobre o tema, além de tê-lo empregado como fundo em outrascomposições, como a Virgem dos rochedos e a Virgem e o Menino com Santa Ana. Entretanto,a paisagem que aparece à direita e à esquerda de Mona Lisa não parece coerente. O ladoesquerdo parece ser observado por alguém situado em uma posição mais baixa que o outrolado, o qual parece ser visto por alguém mais alto. Isto é, nós vemos mais terra até a linha dohorizonte do lado direito do que do lado esquerdo.Por outro lado, o único elemento a lembrar a presença humana na paisagem é umpequeno detalhe colocado do lado direito, próximo ao ombro da figura: uma ponteatravessando o rio. Além disso, dos dois lados da pintura ainda se vê vestígios de duas basesdo que parecem ter sido duas colunas que ladeavam a moça. Há um desenho de Rafaelbaseado neste quadro em que aparecem nitidamente duas colunas laterais, que parecem tersido eliminadas posteriormente por Leonardo.O sorriso, já muito comentado, é mais um aflorar da alma, um estado de espírito fugaz,captado pelo mestre. Leonardo utiliza-se do sfumato em torno dos olhos e dos cantos da boca:sutilmente torna difusos os contornos, alcançando a ambigüidade misteriosa de sentimentosque vemos no belo rosto. Os olhos nos encaram, mas ao invés de qualquer tensão, parecemcompassivos. Uma névoa de melancolia cobre sua face assim como um diáfano véu cobre-lheos cabelos. Outro detalhe interessante é a ausência de sobrancelhas. Por que Mona Lisa não astem? Uma hipótese provável é a de que Leonardo teria pintado as sobrancelhasposteriormente, e que uma malsucedida restauração as tenha removido inadvertidamente.Obra: madonaData: 1490-1491Técnica: Têmpera sobre telaDimensões: 42 cm × 33 cmO esquema compositivo mais comumente utilizado porLeonardo é o esquema piramidal. As figuras são dispostas nacena de maneira que o seu conjunto ocupe a maior áreapróxima ao chão, e quanto mais se elevam na vertical, menorárea ocupam. Disso resulta uma estrutura em forma detriângulo que tornou-se, mais tarde, quase um padrão na artede Rafael e outros pintores. Na ilustração, A Virgem com o Menino, pode-se perceber como asfiguras enquadram-se dentro do esquema piramidal, em que pese a extraordinárianaturalidade dos gestos e da expressão daspersonagens.O sfumato é a passagem da luz para a sombra, realizada de maneira tão sutil quequase não é percetível o limite entre uma e outra. Isto, consegue-se pelo hábil manejo dopincel (ou outros instrumentos suavizadores, como os dedos ou o esfuminho), aplicando
  • 6. suavemente a tinta, ora vindo da luminosidade em direção à sombra, ora vice-versa. O efeito éo de uma sutil gradação. Com isto, eliminam-se os contornos nítidos, reduzindo a precisão dostraços e ampliando a ambiguidade expressiva.Uma consequência do emprego desta técnica é a possibilidade de não se trabalhar asfiguras a partir de suas linhas de contornos, mas sim desde suas superfícies, ou melhor, damodulação suave da luz sobre os corpos. Artistas como Botticelli, por exemplo, fizeram dalinha seu mais forte recurso expressivo. Os contornos são agudos e as figuras se destacamumas das outras pelos nítidos perfis. Em Leonardo, ao contrário, as figuras parecem avançar erecuar desde as sombras. Ele concebe a figura não por seu perfil, mas, digamos assim, pela suasuperfície.A perspetiva aérea é um modo de representar os efeitos das grandes distâncias naperceção que temos das cores e dos contornos dos objetos. Sabe-se que, quanto mais distanteestá um objeto ou uma cena de nós, menos nítidos vemos seus contornos. Também as coressão afetadas por esta determinante. Dada a presença do oxigênio no ar que intermedia adistância entre nós e as montanhas longínquas que Leonardo representou na Virgem e oMenino quanto mais distantes estão as montanhas, mais azuladas nos parecerão. Esta étambém a razão de vermos o céu azul em dia de sol.SANDRO BOTTICELLI - 1445Alessandro di Mariano diVanniFilipipepi nasce em Florença. Depois de ter tido umabreve passagem na arte da ourivesaria (1459/60), ingressa uma aprendizagem como pintor,junto de FraFilippoLippi, em Prato. É em 1465 que o jovem pintor executa as suas primeirasobras: a Adoração dos Magos e A Virgem e o Menino com um Anjo.A partir de 1470, Botticelli fixa-se em Florença, montando na sua cidade natal, o seuatelier.O ano de 1475 marca o início da longa relação entre Botticelli e a família Médicis.Acreditou-se durante muito tempo que o quadro mitológicoA Primavera, teria sido realizado para Lourenço, o Magnífico. Mas é muito provável que estequadro tenha sido pintado para Lorenzo diPierfrancesco, primo em segundo grau dogovernador de Florença.Análise de ObrasObra: PrimaveraData:1482Técnica: Têmpera sobre madeiraDimensões: 203 cm × 314 cm
  • 7. O quadro A Primavera, corresponde a uma pintura que representa e festeja a chegadada primavera. A composição representa o império. Existem representadas neste de Vénus (nocentro da imagem), quadro, perto de quinhentas no qual penetram o amor e a espécies deplantas, das quais, primavera com a sua abundância de cento e noventa são flores.No meio do bosque das laranjeiras surge sobre um prado Vénus, a deusa do amor, porcima da qual o seu filho Eros atira as suas flechas de amor, com os olhos vendados.Disposição das imagens: Soberana do bosque, Vénus encontra-se um pouco atrás. A atitude eo movimento das personagens demonstram uma harmoniosa unidade entre o homem e anatureza. As laranjeiras crescem eretas, as personagens estão de pé numa atitude elegante.Por cima de Vénus, as laranjeiras fecham-se em semicírculo, como uma auréola que circunda adeusa, principal personagem do quadro. O lirismo também terá servido de inspiração aBotticelli e assim, surge a divindade de Zéfiro, brisa que banha as planícies de orvalho, as cobrede doces perfumes e veste a terra de inúmeras flores. Esta personagem está representada àdireita do quadro sob a forma de um ser alado, azul esverdeado.Nesta composição as intenções do deus do vento não se circunscrevem a brindar anatureza, mas revelam alguma agressividade que se apercebe pelo movimento das árvores efolhagem. É que Zéfiro persegue uma ninfa com vestes transparentes e que olha para o deuscom horror. Da sua boca caem flores e misturam-se com as que decoram o vestido de umaoutra personagem que avança ao lado dela. Esta nova personagem tira do regaço uma mãocheia de rosas que deita no jardim.Esta personagem é proveniente um texto da Antiguidade atribuído a Ovídio. O poetadescreve aí o princípio da Primavera como o momento em que a ninfa Clóris se transforma emFlora, a deusa das flores “Eu era Clóris a quem hoje chamam Flora”.É assim que a ninfa começa a sua narrativa, enquanto da boca lhe escapam algumas flores.Zéfiro terá sido arrebatado pela paixão e tomado a ninfa à força para sua mulher. Mas depoisde se arrepender, transformou-a em deusa das flores, rainha da Primavera.Do lado esquerdo, vemos as três Graças, dançando numa roda cheia de encanto. A seguir aelas está Mercúrio, o mensageiro dos deuses, que fecha o quadro à esquerda. Reconhecemo-lo pelas suas sandálias aladas e o caduceu que tem na mão direita. A presença do sabre queMercúrio transporta, demonstra a sua função de guardião do bosque.Obra: Nascimento de VénusData:1483Técnica: Têmpera sobre madeiraDimensões: 172,5 cm x 278,5 cmSe em “A Primavera” a figura de Vênus surge recatada, quase como uma virgemcatólica, na obra mais conhecida de Sandro Botticelli, “O Nascimento de Vênus”, a deusa doamor é retratada nua, absoluta, sensual, totalmente profana, como o seu mito eterno.Vênus nasceu da espuma do mar. Quando Saturno (Cronos) cortou os testículos do pai, Céu(Urano), destronando-o, atirou-os ao mar. Dos testículos amputados de Urano, uma grandeespuma foi formada no mar, de onde nascia Vênus, ou Afrodite, a mais bela de todas asdeusas.
  • 8. É este momento sublime, o nascimento da deusa do amor, que nos retrata a bela obrade Botticelli. Ao nascer no meio do mar, Vênus é amparada por uma grande concha demadrepérolas. Uma Vênus nua, de cabelos longos e dourados, é apresentada no centro daobra, com todo o seu esplendor. Delicadamente, com uma das mãos cobre um dos seios, ecom a outra mão, conduz a longa cabeleira dourada a esconder-lhe o sexo divino. Vênusaparece nua e a insinuar a nudez, sutilmente coberta, pronta para ser revelada.Zéfiro surge à esquerda de Vênus, abraçado à sua eterna companheira, a ninfa das flores,Clóris. Cabe ao vento do oeste soprar a bela deusa para a ilha de Chipre. Clóris sopra sobre adeusa singela e belas violetas.Á esquerda, já na ilha de Chipre, está uma das Horas, que prepara uma túnica imortalpara cobrir a deusa do amor.“O Nascimento de Vênus” é ao lado da estátua da Vênus de Milo,a representação mais conhecida do mito de Vênus-Afrodite.Tornou-se uma das obras mais difundidas nos tempos atuais, eternizando o seucriador. É um dos ícones mais representativo do Renascimento.RAFAEL SANZIO (1483-1520)Para Rafael Sanzio, não há conflitos entre o paganismo antigo e o cristianismo embelecidoterrenalmente. Nesse pintor, encontramos um bom exemplo do humanismo evangélico. Seusideais são os da doçura e da piedade; a beleza e a verdade se igualam, sendo que a primeira évista como um fim em si mesmo. Suas principais obras são: “A Escola de Atenas” e “MadonaSistina”.Obra: "La bellagiardiniera - A Virgem e o Menino com SãoJoão Batista",Data:1507Técnica: óleo sobre madeiraDimensões: 122x80 cmO título de "jardineira do Belle" é devido à beleza daflorida Virgem e do meio ambiente rural.A Virgem representa a beleza feminina, com sua forma ovaltipicamente pura e simplicidade do estilo. As personagnessão integradas na paisagem de modo ideal.A Virgem está sentada em uma pedra, olhando para o garoto, que olha para trás,enquanto diante dele é João, que parece confiar em sua equipe crucíferos. Os olhares que secruzam, silenciosas transmitem emoção.
  • 9. Esta obra resume as várias influências que recebeu Rafael: Perugino, Leonardo eMichelangelo. A Virgem e o Menino com São João da composição dinâmica e formar umesquema de pirâmide que traz equilíbrio e serenidade para a cena. O grupo está em primeiroplano de uma paisagem brilhante e aberto. No fundo, à direita, é o perfil de uma cidade comedifícios góticos. Plantas e arbustos são representados com rigor científico. Entre eles estãosímbolo, roxo da humildade da Virgem, e columbines, símbolos da Paixão de Cristo. O novoolhar da Virgem em direção a Jesus e Bush são inspirados Peruginesque frágil. Transparênciasdistante paisagem azul (desbotada) e modelagem macio das crianças, através do efeito de luze sombra (chiaroscuro) derivada de Leonardo da Vinci.Esta é uma das representações da Virgem Maria feitas por Rafael enquanto emFlorença. Para fazê-lo, ele fez numerosos esboços e papelão.MICHELANGELO (1475-1564)Em Michelangelo podemos notar o conflito entre o paganismo e cristianismo, que aparece sobforma trágica em sua obra. As obras principais como pintor foram os afrescos pintados no tetoda Capela Sistina, onde se destacam: “Deus separando a luz das trevas”, “A Criação de Adão”,e “O Juízo Final”. São também notáveis na pintura italiana: FraLippo, FraAngelico, Ticiano,Corregio, Veronese, Ghirlandaio e Tintoretto. Foi Tintoretto (1518-1549) quem introduziu umnovo estilo na pintura italiana: o Barroco.Obra: capela sistinaData:1508– 1512Técnica: Gesso e ouroDimensões:4.050 cm x 1.400 cmA pintura da Capela Sistina, que foi dividida em duas etapas, uma entre 1508 a 1513,(pintura das cenas do antigo testamento no teto) e outra de 1535 a 1541, (pintura do JuízoFinalna parede do altar), reúne um conjunto literário na forma de imagens cujos temasexpressam aleitura do pintor aos textos do Pentateuco (Gênese e Êxodo), aos Evangelhos e aoApocalipse deJoão. O cenário icônico da capela apresenta ordenadamente as narrativasbíblicas da criação domundo, de Adão, e do juízo final. Podemos pensar a pintura deMichelangelo como umatentativa de ordenar os “fatos” bíblicos em três planos distintos e deforma linear.A imagem a seguir apresenta as divisões temáticas escolhidas por Michelangelo paraseutrabalho na Capela Sistina. Nas reentrâncias retangulares, no centro do teto, se desenvolveostemas principais bíblicos já mencionados, e nas bordas, em reentrâncias quadradas etambémtriangulares emergem apóstolos e personagens como sibilas e a humanidade pagã domundoantigo. No plano central do teto seguem os seguintes temas: O profeta Jonas, aseparação da luze das trevas, a criação do sol e da lua, a criação de Adão, a criação de Eva, o
  • 10. pecado Original, osacrifício de Noé, o dilúvio, Noé e a maldição de Cã. Uma curiosa misturaque reúne profetas,figuras pagãs e sibilas formam as pinturas das laterais. No altarMichelangelo finaliza com oJuízo final.Um outro assunto bastante explorado pela Igreja é a expulsão de Adão e Eva do Édenpor terem cometido o “pecado original”. A partir daí a saga da chamada raça adâmicaestariapredestinada ao declínio e corrupção. Os descendentes de Adão são impelidos arecompor os laçosperdidos e tentar uma nova aliança com Deus. Em geral, o clero se via comoo responsável pelaremissão, já que se consideram os reais herdeiro de Jesus e os Apóstolos.Na imagem dedicadaao juízo final, Michelangelo demonstra conhecimento da literaturahomérica, dantesca e bíblica.As imagem utilizadas na cena traduzem situações e personagens da tradição literáriacom areferência sobre o inferno, cuja passagem dar-se-ia pelo barco de Caronte, das almasemsuplício, lembrando cenas descritas por Dante Alighieri em sua A Divina Comédia, e,finalmentedos temas do novo testamento sobre a descida de Jesus novamente à terra, agora,como juiz econdutor, acompanhado de Maria.Várias foram as tentativas de explicar as formas, os tons utilizados, enfim, todos osaspectos que envolveram a pintura da Capela. No entanto, analisando partes do trabalhodeMichelangelo, podemos dizer que a pretensão do autor era a apreciação pública docenáriobíblico. O escultor e pintor viveu o momento da Contra-Reforma empreendida pelaIgrejaCatólica, momento em que o iconoclastismo protestante contrastava com alinguagemimagéticadas capelas e catedrais. De acordo com Gilbert Durand, o clero católicoexagerou narepresentação espiritual das imagens e do culto aos santos.23 À época doRenascimento osvitrais, os portais, as colunas das várias formas arquitetônicas eram talhadas,pintadas eesculpidas com temas das passagens bíblicas. Essas criações, muitas vezesencomendadas,serviam à leitura pública da imagem, numa época em que a população aindaera analfabeta.Semquerer restringir as obras renascentistas, os monumentos artísticos tambémguardavam suafunção pedagógica. Eduardo França Paiva, por exemplo, afirmou que asrepresentaçõesicônicas, desde os primeiros tempos do Cristianismo foram instrumentospedagógicos poderosose eficazes”. Desse modo, o trabalho de Michelangelo, aquiespecificamente a pintura do tetoda Capela Sistina, não deixava de ser também um esforçopor expressar as angústias do homemmoderno em torno de sua religiosidade em mutação.Resumo de imagensDeus criando as estrelas e osplanetasA criação de adão
  • 11. O pecado original e a explosão noParaísoA criação de EvaO sacrifício de NoéDilúvio UniversalOs profetas encontram se nas áreas triangulares e lateraisEzequiel
  • 12. DanielJoelJeremiasJonas
  • 13. Enquadramento
  • 14. CONSIDERAÇÕES FINAISO estudo realizado através desta pesquisa faz refletir que noperíodo da renascença a mudança da posição ocupada pelo homem nomundo. A Igreja sempre procurou dominar a sociedade, a riqueza e pormuito tempo vendeu indulgências e dominou reinos, desfrutou edestorceu os fatos bíblicos para conquistar tudo o que queria inclusivedominar o pensamento do homem, apropriando-se do seu conhecimento.A evolução do saber influenciou os pensadores a refletir sobre a verdade eabrir caminhos para o conhecimento, com issoarte evoluiu alcançandoquase a perfeição e conquistando o seu espaço.Restou para igreja, que não podia perder seus fiéis, contratar eaceitar os serviços destes artistas famosos, que não precisaram abrir mãode suas pesquisas e conhecimentos científicos e se deleitaram realizandoobras belíssimas fazendo do templo da igreja um grande museu de arteaté hoje admirado e contemplado por fiéis, artistas e turistas.Este trabalho foi elaborado com o apoio do Mestre Henrique Leal,estudioso na área da História e Cultura das Artes, e com os seus respetivostextos de autor.Devido á complexidade das obras não foi possível realizar umresumo mais curto, pois perdiam-se argumentos importantes das obras eda corrente artística.